Você está na página 1de 52

Civil II AV2 (Aulas 10 a 15)

Adimplemento e Extinção das Obrigações

Adimplemento é um gênero, que muitas vezes será usado como sinônimo de pagamento, porém não são sinônimas, pois existem várias situações em que a extinção da obrigação não decorre do pagamento, por exemplo, a dação em pagamento, que é quando o devedor não tem dinheiro para

pagar a obrigação, mas tem um imóvel que pode ser dado em troca da extinção da obrigação, então

a obrigação é adimplida.

Pagamento: É o cumprimento da prestação devida exatamente como havia sido prometido, então o pagamento passa a ser, a partir de agora, o correspondente ao que o devedor prometeu entregar. O pagamento é estudado sob dois pontos de vista: subjetivo e objetivo. Qualquer interessado na extinção da obrigação poderá pagá-la, portanto é indiferente que seja o pagamento efetuado pelo próprio sujeito passivo da obrigação (devedor) ou por terceiro que tenha interesse na solução da obrigação. Há, porém, uma diferença a salientar-se: quando o pagamento é feito pelo próprio devedor, a dívida se extingue definitivamente, e quando feito por um terceiro interessado, ela apenas se extingue com relação ao credor, uma vez que, por força da sub-rogação que se opera, a dívida continua subsistente entre o devedor principal e o terceiro interessado que efetuou o pagamento ao credor. Para que o pagamento seja válido, deverá ser feito diretamente ao próprio credor, daí aquele velho ditado de que quem paga

mal, paga duas vezes. Portanto, o Código, exige de modo geral, para a validade do pagamento, que seja ele feito à própria pessoa em favor da qual existir a obrigação, isto é, pessoalmente ao credor. Essa regra, porém, não tem caráter absoluto, pois o próprio artigo admite transigência, validando o pagamento feito

a quem de direito represente o credor. Quanto à prova do pagamento o devedor tem o direito de receber

quitação regular, que mencionará sempre, o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor ou

o de quem por ele pagou, bem como o tempo e o lugar do pagamento. Se o credor se recusar a dar a quitação, poderá o devedor reter o pagamento até que aquela lhe seja dada.

Do ponto de vista subjetivo vê-se quem paga a dívida, quem pode pagar e depois quem recebe e quem pode receber. A partir de o artigo 313, analisa-se o que será pago. (O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa).

Princípios:

Boa-Fé: Dever leal de cooperação das partes;

Correspondência: Binômio direito à prestação e dever de prestar;

Integralidade: Nem o devedor tem o direito de executar parcialmente a obrigação, nem o credor o de exigir que ela se execute por artes;

Concretização: Passar do plano teórico do comportamento devido em uma atitude concreta.

Entre os artigos 304 e 307 o legislador discorre sobre quem deve pagar, e, ao dizer terceiro ele se refere a alguém que não é o devedor principal, porém dentre os terceiros a lei distingue o terceiro interessado do terceiro não interessado. (exemplo: Beatriz é a garantidora do Sergio, portanto, o devedor é ele, ela é uma terceira que garante a obrigação dele). Para distinguir o terceiro interessado do não interessado é preciso saber que no caso de um inadimplemento o terceiro interessado é quem vai suportar as consequências, pois o interesse é jurídico. (exemplo: imaginemos que Guilherme tem uma dívida e que seu pai vai querer pagar sua dívida, ele não é credor interessado, ele vai pagar a dívida porque tem interesse moral e não jurídico).

ART.304: Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Esta regra diz que o devedor e o terceiro interessado (que tem os mesmos direitos) poderão obrigar o credor a receber a dívida, através dos meios conducentes (ação de consignação em pagamento), e, se o terceiro interessado fizer o pagamento da dívida, ele se sub-roga (substitui) na posição do credor em relação ao devedor. Quando ocorre a sub-rogação, todas as vantagens que, por acaso, o sub-rogado tinha o sub-rogante passa a ter. Já o terceiro não interessado não tem os mesmos direitos, caso ele queira pagar, ele não se sub-roga. (Exemplo: Guilherme deve para Gabriel. O pai do Guilherme não querendo mais que ele pague juros paga o Gabriel, podendo depois cobrar o Guilherme, mesmo sendo terceiro não

interessado. Dado isso, ele não se sub-roga. Ele pode cobrar o Guilherme para evitar enriquecimento sem causa, pois ele não doou o dinheiro). A hipótese do terceiro não interessado é cobrar o que gastou, mas sem se sub-rogar, ele cobra apenas para sair do prejuízo.

Terceiro Interessado

Fiador, avalista, garantidor;

Motivo: Para não incidir em Mora

Sub-rogação Legal (ART. 346, III) - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte.

Parágrafo Único: Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. O terceiro não interessado, em lugar de pagar em seu nome, pode pagar em nome do próprio devedor, não contando assim no recibo quem realmente efetuou o pagamento, pois ao fazer isso a relação jurídica não muda, portanto mantém-se originaria. (neste caso, a interpretação é de que houve uma doação, teoricamente não se deve presumir o ato gratuito, mas a corrente predominante é de que é um a doação). Obs.: tanto o credor como o devedor podem se opor ao pagamento de terceiro não interessado.

Quem possui legitimidade para o pagamento?

Devedor;

Herdeiros;

Representantes Legais;

O que assume a dívida;

Terceiros interessados ou não interessados;

Obrigações Personalíssimas. (é aquela que somente poderá ser cumprida pelo devedor, por exemplo: a prestação de alimentos.)

ART.305:O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor.

O pagamento pelo terceiro não interessado pode se dar de duas maneiras. A primeira é quando o recibo

fica em nome do terceiro. Se o devedor pagar para uma pessoa que não é o credor e não tem nem procuração, nem recibo o pagamento só valerá se posteriormente o credor convalidar.

O credor incapaz pode receber o que é devido a ele e usar em seu próprio benefício (Exemplo: pagar

uma conta que ele tem em um hospital), mesmo que o devedor saiba que seu credor é incapaz o pagamento é valido quando ele beneficia o incapaz. E, se o devedor ignora o fato de seu devedor ser incapaz, o pagamento é valido. Parágrafo Único: Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento.

ART. 306: O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação.

ART307.: Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando feito

por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu. Parágrafo Único: Se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la.

O pagamento que importar em alienação (obrigação de dar) não terá eficácia se feito por quem não

era dono da coisa. Porém, se a coisa era fungível e o credor a recebeu e a consumiu (usar, usufruir, vender) de boa-fé reputa-se eficaz o pagamento e do credor nada se poderá reclamar, cabendo ao terceiro, que era o verdadeiro proprietário, buscar as reparações cabíveis do devedor que entregou o que não lhe pertencia. Exemplo: Henrique vende um relógio para Carol, porém este relógio é do Hamid, que havia emprestando-o para ele há uma semana. Como o relógio é um bem fungível e a Carol agiu apenas com

boa-fé, ela não perde o que já lhe pertence, então o Hamid terá que ir buscar o prejuízo que lhe foi causado com o Henrique. (fungível significa que você pode trocar por outro equivalente).

ART.308.: O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito.

Em regra, o pagamento deve ser realizado, diretamente, ao credor ou a quem ele represente. Nesses casos, o represente, vale dizer, não recebe como terceiro, mas sim na qualidade de álter ego do credor, o qual pode ser constituído, ilustrativamente, por meio de instrumento de mandato com poderes especiais para receber e quitar(representação convencional), pela gestão de negócios (representação oficiosa), por decorrência da lei (representação legal), por determinação judicial, tal qual se dá nos casos de depositário legal ou administrador designado pelo juiz, entre outros. Eventual ratificação posterior do pagamento pelo credor, a despeito do pagamento ter sido realizado a quem não estava autorizado a receber, torna o pagamento eficaz. Será ainda eficaz o pagamento, caso o devedor prove que montante pago foi entregue ao credor, até o limite que este houver se beneficiado. Pagamento efetuado diretamente ao credor: A satisfação do crédito depende de pagamento realizado ao credor, sob pena de ser o pagamento inválido, porém credor pode ser qualquer um que disponha de legitimidade para receber, como o herdeiro, entre outros, devendo ser ratificado pelo mesmo ou ainda convertido em seu proveito (Art. 308, CC/02). Pagamento efetuado ao representante do credor: Existem três tipos de categorias para representantes: legal, judicial e convencional. O representante legal é aquele que é instituído pela lei, como ocorre com os pais, tutores, etc., o representante judicial é o definido em juízo, como por exemplo o curador e por fim, o representante convencional, este último é definido pelo próprio credor. Detalhe importante, é que o pagamento que for ser realizado ao representante legal ou judicial, só poderá ser feito a este, já no caso de representante convencional, o pagamento poderá ser realizado tanto ao representante quanto ao credor

OBS.: A quem não possui LEGITIMIDADE, não é válido, salvo ratificação ou reversão.

Quem possui legitimidade para receber o pagamento?

Credor;

Representante legal, convencional, judicial;

Herdeiros;

Cessionários.

ART.309.: O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor.

Pagamento efetuado ao credor putativo: O pagamento realizado ao credor putativo, ou seja, aquele que facilmente poderia se concluir ser o verdadeiro credor, será válido (Art. 309, CC/02), porém se o erro for grosseiro, o direito não poderá proteger aquele que agiu com negligência ou imprudência.

O credor putativo é aquele que confere aos demais a aparência de ser o titular do crédito. Ilustrativamente, pode-se mencionar o credor primitivo se o devedor não tomou conhecimento da cessão de crédito, o portador do título de crédito, o herdeiro aparente, o legatário cujo legado não prevaleceu ou caducou. Obviamente que a análise da aparência do credor deverá ser feita casuisticamente, sempre averiguando a boa-fé do devedor e a existência de uma suposição razoável da qualidade creditícia.

O pagamento feito ao credor putativo, por devedor de boa-fé, é eficaz e exonera o devedor. Nesses

casos, o credor original não poderá exigir a prestação do devedor sequer nos casos em que t enha demonstrado em juízo sua qualidade de titular do crédito.

A hipótese do credor putativo (toda vez que aparecer a palavra ‘putativo’ no direito significa

aparência, que merece proteção) é o caso em que você faz o pagamento para uma pessoa acreditando que estava pagando determinado bar, e nesse bar ele fica sabendo que tem uma pessoa que é amiga do

seu credor. Em um mês ele dá o dinheiro do credor para o amigo entregar e em alguns dias ele volta com o recibo dado pelo verdadeiro credor. Como ele viu que deu certo ele faz isso por mais seis meses, pois tem a confirmação do credor (através do recibo) que o dinheiro chegou às mãos dele. Um dia ele paga o amigo do credor, porém este não dá o dinheiro para o credor e quando o credor for cobrá -lo, ele diz que havia pagado para o amigo e que tem o recibo do amigo. Tem-se então uma hipótese em que o devedor acreditava que poderia continuar efetuando o pagamento daquela maneira, pois o credor colaborou emitindo o recibo anteriormente (é como se ele dissesse que autorizava que o pagamento fosse feito daquela maneira). Então a proteção da boa-fé do direito se destina a putatividade do devedor, embora não o pagamento não tenha chegado às mãos do credor é considerado válido. Credor Putativo(slide): É aquele que diante dos olhos do devedor e de qualquer pessoa de diligência normal é o verdadeiro credor, apesar de não o ser.

ART.310.: Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não

provar que em benefício dele efetivamente reverteu. Credor Incapaz: Pagamento inválido, salvo se feito com boa-fé (sem haver a ciência da incapacidade pelo devedor).

O pagamento feito ao credor incapaz apresenta duas configurações, quando o solvens sabe da

incapacidade do accipiens é preciso que o pagamento seja revertido em proveito do accipiens para que

o mesmo seja válido, porém se o devedor não tem ciência da incapacidade do credor, o pagamento será considerado válido, mesmo que o accipiens tenha dissipado ou malbaratado o mesmo.

O pagamento feito a incapaz, em razão de idade, poderá ser considerado válido e eficaz, caso, após o

cumprimento da prestação e sobrevindo a maioridade, haja a quitação retroativa da obrigação.

ART.311.: Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. Presume-se que o portador do instrumento de quitação está autorizado pelo credor (representante convencional) a receber a prestação em seu nome. A presunção de autorização é relativa e admite pro va em contrário, caso as circunstâncias gerem dúvidas quanto à validade da representação. Ilustrativamente, poderão gerar dúvidas quanto à representação os casos de furto ou extravio do instrumento da quitação ou mesmo de notificação ao devedor cancelando a autorização. Pagamento efetuado ao credor cujo crédito foi penhorado: Pode ocorrer uma situação na qual o crédito é penhorado

para terceiro, devendo o devedor ser notificado de tal penhora, se isto ocorrer, o solvens não deve realizar

o pagamento ao credor, deve depositar em juízo a quantia, sob pena de ser constrangido a pagar novamente.

ART.312.:

Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da

impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger

o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor.

Crédito Penhorado: O crédito deverá estar disponível ao credor, o que ocorre até a notificação da

penhora. Hipótese em que o pagamento é feito ao verdadeiro credor, mas, mesmo assim, não tem eficácia, vez que

o credor estava impedido legalmente de receber. A penhora retira o crédito da esfera de disponibilidade

do credor, razão por que ele não pode recebê-lo. Se o devedor é intimado de penhora incidente sobre o

crédito ou de impugnação judicial oposta por terceiros e, ainda assim, paga ao credor, estará pagando

mal, e corre o risco de vir a ser compelido a pagar novamente. O exequente e o oponente substituem o credor por ação judicial e o pagamento deverá ser feito a eles no momento oportuno, ou por depósito

judicial, livrando-se o devedor da obrigação. O objetivo do dispositivo é proteger os direitos dos credores

do credor, uma vez que os créditos fazem parte de seu patrimônio e este é a garantia dos credores. O

devedor, ciente da penhora ou da oposição judicial que paga o débito diretamente ao credor, será

cobrado novamente pelos credores daquele nada lhe restando fazer senão procurar reaver do seu credor

o que havia pago.

Objeto do Pagamento

Prestação Devida;

Dar coisa certa (Art.313, CC) Entregar o que foi acordado.

DO OBJETO DO PAGAMENTO: O objeto do pagamento deve ser o conteúdo da prestação obrigacional, assim sendo, o devedor não está obrigado a dar qualquer coisa distinta da que se obrigou, da mesma forma, o credor não é obrigado a receber prestação diversa da que se contratou, ainda que mais valiosa, porém pode o credor consentir em receber coisa distinta da que se estabeleceu. Diz respeito da especialidade. O devedor não pode obrigar o credor a receber prestação diversa ainda que mais valiosa. (o devedor só se desonera da obrigação após entregar ao credor exatamente o objeto que prometeu dar, ou realizar o ato a que se comprometeu, ou se abster da prestação, nas obrigações de não fazer. Do contrário, a obrigação converter-se-á em perdas e danos, conforme já tivemos oportunidade de explicar nos comentários anteriores).

ART.314.: Ainda que a obrigação tenha por prestação objeto divisível, não pode o credor ser obrigado

a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou.

Diz respeito da indivisibilidade. O credor não é obrigado a receber o pagamento parcelado, salvo tenha sido estipulado que assim fosse desde o início ou assentimento expresso do credor.

Extra: a literalidade do código não resolve todos os problemas, é preciso considerar também a finalidade ética e social do direito.

ART.315.: As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subsequentes.

ART.316.: É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. Constam no código por uma razão histórica, da época das grandes inflações que o brasil passou, eles discorrem sobre os valores expressos em moeda brasileira, hoje o real, serão pagos pelo valor nominal que representam, mas se o momento que o valor foi fixado e o momento em que o pagamento será efetuado forem momentos diferentes e a moeda houver sido desvalorizada, é possível corrigir o valor da moeda (correção monetária) para que se possa ter o pagamento de forma equilibrado para o credor e para o devedor.

ART.317.: Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. Teoria da onerosidade excessiva. O legislador autoriza o juiz a decidir e analisar se ouve fato extraordinário, se surgiu após a obrigação ser assumida e se desequilibrou muito o contrato, com fim de reequilibrar o contrato. (estes requisitos precisam estar presentes para que isso aconteça, pois se no momento da celebração do contrato já existia uma lei que previa a desvalorização, não é mais um fato extraordinário). Exemplo: Assumi uma obrigação hoje, portanto, hoje me tornei devedor. Vou retirar o produto hoje, mas

o pagamento é só para daqui um ano. Se durante esse prazo o objeto da obrigação recebe uma

desvalorização grotesca por causa de fatos imprevistos, que não estavam presentes no momento da

compra, e torna o valor que eu vou pagar excessivamente oneroso o juiz poderá reequilibrar o contrato. Obs.: excessiva onerosidade ex.: uma prestação que a comprou por 10 e na hora de pagar vale muito menos, vale 2 ou a prestação que comprou por 10 e na hora de pagar vale muito mais, vale 17. Esse é

o desequilíbrio, a excessiva onerosidade.

Ex.: o sujeito está empregado quando assume a dívida para comprar um carro, e aí ele perde o emprego.

Quando ele estava empregado, os 200 reais que ele pagaria por mês estavam compatíveis com a renda dele. Quando ele está desempregado, 200 reais é uma fortuna. O art. 317 não se aplica a esse caso, porque

a expressão excessiva onerosidade tem a ver com a prestação e aquilo que você pagou por ela. Pelo

equilíbrio das prestações. Se a pessoa está desemprega, 200 é caro, mas a prestação não vale mais ou menos por causa disso. A prestação vale a mesma coisa, se os juros faziam com que a pessoa pagasse 200 reais por mês, os juros não mudaram, a taxa é a mesma, a situação pessoal da pessoa é que foi modificada.

Quando se fala da excessiva onerosidade do art. 317, se fala da prestação e da contraprestação, nunca da condição pessoal do devedor.

ART.318.:São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, executados os casos previstos na legislação especial. Tem o objetivo de impedir as pessoas de usar o ouro ou moeda estrangeira como referência de correção monetária no Brasil.

Objeto do Pagamento

ART.319.: O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada.

O devedor tem o direito à quitação regular (receber comprovante), e poderá reter o pagamento até receber a quitação. No entanto, a pessoa não fica dispensada de pagar, deverá realizar o pagamento em consignação, por força do art. 335, III, parte final.

ART.320.: A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo Único: Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. O devedor pode recusar o pagamento se o credor se recusar a dar o recibo para ele. Se ele recusar a dar o recibo, o devedor entra com uma ação de consignação de pagamento. Prova do pagamento quitação. A prova do pagamento pode sempre ser dada por instrumento particular. Existe um jeito de fazer a prova do pagamento que é outorgando escritura pública, ou seja, indo ao cartório de notas e pedindo para ser feito um documento que é a quitação (instrumento público), mas também pode ser feita uma prova de pagamento/quitação/recibo por um instrumento particular, que é aquele feito no “papel de caderno”.

Quitação prova do pagamento em regra é escrita (instrumento particular ou escritura pública), mas é possível a prova do pagamento ser feita por testemunhas, que se chama prova verbal do pagamento.

Obs.: você pode provar só por testemunhas se o valor pago for inferior do que 10 salários mínimos. Se o valor pago superar isso, pode provar por testemunha desde que tenha princípio de prova documental, tem que ter um começo de prova documental e completa com testemunhas (art. 229). Completa a prova documental com testemunhas, mas essa prova não poderia ser feita só com testemunhas, se não tivesse um princípio (começo) de prova documental.

ART.321.: Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este, poderá o devedor exigir, retendo o pagamento, declaração do credor que inutilize o título desaparecido. Alguns débitos são representados por documentos e estão de tal modo presos ao título/documento, que só podem ser pagos a quem tiver o documento em suas mãos. Fisicamente precisa ter o documento. Em outros casos, você pode ter o documento fisicamente, mas não necessariamente a posse física do documento é necessária.

Ex.: Se eu fizer um documento confessando uma dívida numa escritura pública, numa escritura feita no cartório de notas, esse documento não vai circular, ele fica no cartório, o que eu recebo é uma cópia fiel do que está lá, mas o documento não sai do cartório. Se quiser pagar o credor, ele dá um recibo, cujo original fica no cartório e esse recibo é suficiente para se ele cobrar a dívida outra vez, a pessoa se livrar mostrando o recibo. Mesmo que haja uma dívida confessada por escritura pública, o recibo pode ser por instrumento particular. A prova do pagamento sempre pode ser feita por instrumento particular (sem exceção) sem que seja necessária escritura pública para provar. Alguns títulos, alguns documentos que provam a existência da dívida estão ligados ao documento fisicamente, por exemplo, cheque, nota promissória. Esses documentos, se foram entregues a alguém, na hora de pagar, o original precisa ser resgatado pelo devedor. Se o credor der um recibo, ele prova que

o devedor foi pago, mas o devedor pode ter pago mal (ex.: cheque endossado), o devedor seria obrigado

a pagar de novo.

Existem documentos que não são escritura pública, mas também não são documentos que são título de credito (prova do crédito representada por um documento literal, autônomo e abstrato). (se é um título

de crédito, aquele papel vale tudo o que está envolvido na negociação). Ex.: cheque, duplicata, nota promissória (esses documentos representam o crédito). Se a pessoa paga qualquer um desses, título de volta. Se continuar circulando e estiver na mão de alguém de boa-fé, vai ter que pagar de novo.

ART.322.: Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até a prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores. Cotas periódicas: tenho uma obrigação dividida em parcelas (ex.: empréstimo 10 parcelas de 1.000). O legislador considera que se você tem o recibo da 6ª parcela é porque as demais foram pagas. A prova

do pagamento de uma parcela, se for sucessiva, gera presunção de que as anteriores estão pagas. A lógica

é que ninguém aceita receber a sexta parcela se as anteriores não foram pagas presunção. A presunção

é extrair de um fato conhecido, uma conclusão aplicável a um fato que a pessoa não conhece. Pegar um fato, uma verdade que eu conheço e aplicar a um fato que eu não conheço. Presunção absoluta: paga e pronto. Não permite prova em sentido contrário. Presunção relativa:

presumo que a pessoa é culpada, mas dou a chance de ela provar que não foi culpada. Permite prova em sentido contrário. Correção monetária significa corrigir o valor da moeda. Correção monetária não é juros. É um instrumento diferente dos juros. Juros são fruto do capital, como o aluguel é fruto do imóvel.

ART.323.: Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos. Ex: se eu tenho um recibo com o valor principal pago, entende-se que os juros foram pagos também.

ART.324.: A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. Título de crédito: devolveu o título, está pago. Se for outro documento, a quitação faz prova (precisa do recibo). Cota periódica o pagamento da última presume o pagamento das anteriores. Capital quitado presume a quitação dos juros. Bilhete de caderno (confissão de dívida): não é título de crédito e não é instrumento de quitação, porém se volta para o devedor é porque provavelmente ele pagou a dívida presunção de pagamento. Parágrafo Único: Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento. Não fala título de crédito, fala título do crédito, porque se for título de crédito, pego de volta. Título do crédito é o documento privado.

mas está com o bilhete de caderno (confissão de dívida),

então presume-se que ela pagou. Porém, ela não pagou e furtou o papel do Eduardo. Ele tem sessenta

Ex.: Adriana não tem a quitação (recebi

),

dias para derrubar a presunção (e provar que ela não pagou).

ART.325.: Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação; se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a despesa acrescida.7 As despesas com o pagamento e quitação, salvo estipulação em contrário, presumir-se-ão a cargo do devedor. Se, porém, o credor vier a mudar de domicílio ou a falecer, deixando herdeiros em locais diversos, arcará, pessoalmente ou através dos sucessores, com a despesa acrescida.

ART.326.: Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se-á, no silêncio das partes, que aceitaram os do lugar de execução. Pagamento de quantia em medida ou peso, sem especificar qual é, considera-se que será usado o critério de medida ou peso do lugar em que o negócio foi feito, no lugar onde se der a execução (o pagamento). Regra supletiva (se houver divergência ou não for claro, utiliza-se a regra do lugar onde será pago).

Lugar do Pagamento

Fator importantíssimo na ocasião do pagamento, é o lugar onde deverá ocorrer o mesmo, preocupado com esse local o código alude que deverá ser no domicílio do devedor, se as partes não convencionarem em contrário, esse é o princípio da liberdade contratual (Art. 327, CC/02), quando o pagamento ocorre no domicilio do devedor, dizemos que ela é quesível, ao contrário, o termo é portável. ART.327(APLICA-SE EM REGRA GERAL).: Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. Parágrafo Único: Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles.

ART.328.: Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a um imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem.

ART.329.: Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado, poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor.

ART.330.: O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renuncia do credor relativamente ao previsto no contrato.

Em alguns contratos, o local do cumprimento da obrigação é determinado pela lei ou pelas
Em
alguns
contratos,
o
local
do
cumprimento
da
obrigação
é
determinado
pela
lei
ou
pelas

circunstâncias. - Exemplo de domicílio estabelecido pela lei: art. 328 do CC: “se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem”. - Exemplo de domicílio estabelecido pelas circunstâncias: contratos de empreitada, em que a prestação prometida é cumprida no local em que se realiza a obra. Quando estão ausentes tais determinações, o lugar do pagamento pode ser livremente escolhido pelas partes e constar expressamente do contrato. Se a lei não o fixar, nem as circunstâncias, nem o contrato, o pagamento deverá ser feito no domicílio do devedor (a dívida é quérable ou quesível, devendo o credor buscar o pagamento no domicílio do devedor). Quando se estipula como local do cumprimento da obrigação o domicílio do credor, a dívida é portable ou portável.

QDPC (Quérable = Devedor ;Portable = Credor).

Se o contrato estabelecer mais de um lugar para o pagamento, a quem caberá a escolha? Resposta: Ao credor (art. 327, prg. único). Compete ao credor cientificar o devedor do lugar escolhido para o pagamento, em tempo hábil, sob pena de o pagamento vir a ser validamente efetuado pelo devedor em qualquer dos lugares, à sua escolha. Se o local do pagamento for o do domicílio do devedor e houver mudança de domicílio do devedor após o contrato, qual é o local adequado? - O Código Civil não cogita da hipótese de haver mudança de domicílio do devedor. Apesar da referida omissão, é razoável entender-se que pode o credor optar por manter o local originalmente fixado. Se isso, todavia, não for possível e o pagamento tiver que ser efetuado no novo domicílio do devedor, arcará este com as despesas acarretadas ao credor, tais como taxas de remessa bancária. É possível a flexibilização da regra do domicílio contratual, por razões graves? Sim. “Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado, poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor”. Deve-se assinalar que, se o fato constituir caso fortuito ou força maior, não se poderá falar em qualquer espécie indenização ao credor (art. 393). É possível a flexibilização da regra do domicílio contratual, para proteção da boa-fé contratual? Sim. “O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato” (art. 330). (institutos da supressio ou verwirkung).

Não se confunde o foro do pagamento com o foro para dirimir litígios (regulado pelas normas processuais).

ART’S. 327, 328, 329 e 330 – onde a obrigação será cumprida.

As partes podem escolher o lugar onde será feito o pagamento, elas estão autorizadas a dizer onde será feito o pagamento. Pode ser na casa do credor, na casa do devedor, no banco. Onde elas escolherem. Porém, se elas não disserem nada, será sempre o domicílio do devedor. Sempre que houver silencio domicilio do devedor. Se o pagamento consiste na entrega de um imóvel, o lugar do pagamento será onde está o imóvel. As duas últimas regras são as que admitem que o lugar escolhido pelas partes para ser feito o pagamento varie, mude. Os ART’S.: 329 e 330 oferecem duas possibilidades de mudar o lugar de pagar. Ou o lugar é o domicilio do devedor ou é escolhido pelas partes, mas pode haver mudança tácita (mudança ditada pelo comportamento das partes) no lugar de pagamento. O comportamento significa aceitação de que o lugar deixou de ser um e passou a ser outro. Ocorrendo motivo que impossibilite o pagamento no lugar determinado, ele pode ser feito em outro, desde que respeitados os limites da lei e não sendo prejudicial ao credor. Ex.: Adriana não consegue ir na casa do Eduardo fazer o pagamento porque há uma barreira que impossibilita sua ida até a casa e ela deposita o dinheiro na conta dele. Não é prejudicial ao credor, pois o dinheiro estava na conta dele na data combinada. Portanto, pode ser feito dessa maneira.

Tempo do Pagamento

Termo: Acontecimento ou momento futuro e certo. ART.331.: Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. Com o pagamento, o credor deverá devolver o título ao devedor, quitando, assim a dívida. Todavia, poderá ocorrer que ao credor seja impossível a devolução do título particular em razão de sua perda ou extravio. Deverá, então, fornecer ao devedor uma declaração circunstanciada do título extraviado, contendo quitação cabal do débito, inutilizando-se o título não restituído. E se por ventura o credor se recusar a fazer tal declaração para invalidar o título que se perdeu, o devedor poderá reter o pagamento até receber esse documento.

ART.332.: As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor. (Condição Evento futuro incerto) Nas obrigações de prestação sucessiva e no pagamento em quotas periódicas, o cumprimento de qualquer uma faz supor que os das anteriores também se deu e o da última cria a presunção juris tantum, até prova em contrário, de que houve extinção da relação obrigacional, uma vez que não é comum o credor receber sem que as prestações anteriores tenham sido pagas.

ART.333.: Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no contrato ou marcado neste Código:

I-

Em caso de falência do devedor, ou de concurso de credores;

II-

Se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados, em execução por outro credor;

III-

Se cessarem, ou se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforça-las. Parágrafo Único: Nos casos deste artigo, se houver, no débito, solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes.

O credor poderá cobrar o débito, antes de seu vencimento, de um dos codevedores solidários que se encontrar em algum dos casos do art. 333, I, II e II do CC. Não vencerá quanto a devedor solvens.

Exemplo: Contrato de compra e venda de mercadoria, a ser entregue no prazo de noventa dias ao credor. Esse prazo foi fixado porque, nesse período, o credor construirá um armazém para guardá-la. Não deverá ser obrigado a aceitá-la antecipadamente.

Consignação em Pagamento

Conceito: Meio pelo qual o devedor deposita a prestação devida e obtém a liberação obrigacional. O pagamento em consignação consiste no depósito, pelo devedor, da coisa devida, com o objetivo de liberar-se da obrigação e transferir os riscos da mora ao credor (art. 334). Revela que o pagamento é não só uma obrigação, mas um direito do devedor. É meio indireto de pagamento ou pagamento especial. A consignação pode ser feita na esfera judicial (em conta vinculada ao processo judicial) ou extrajudicial (em estabelecimento bancário).

Uma coisa substitui a outra coisa (real) ou uma pessoa a outra pessoa (pessoal). (Ex.: fiador, devedor que paga a dívida em obrigação indivisível, adquirente de imóvel hipotecado).

A sub-rogação real supõe a ocorrência de um fato por virtude do qual um valor sai de um patrimônio e entra outro, que nele fica ocupando posição igual à do primeiro. O valor que se adquire é tratado como se fora o que se perde: passa a estar sujeito à mesma condição ou regime jurídico.

A sub-rogação é uma figura jurídica anômala, pois o pagamento promove apenas uma alteração subjetiva da obrigação, mudando o credor.

Não prejudica terceiros, visto que não faz alterar verdadeiramente a situação.

Esta espécie de pagamento vem a ser um direito atribuído ao devedor para libertar-se de sua obrigação em determinadas circunstâncias e em certos casos, com o depósito judicial da coisa devida. O pagamento, além de ser uma obrigação do devedor, é também um direito que lhe assiste, para livrar-se de uma obrigação quando chegar a hora do vencimento, a fim de não incorrer nos ônus do inadimplemento. Desse modo, se surgirem circunstâncias que impeçam, dificultem ou embaracem o pagamento direto, assiste ao devedor o direito de efetuá-lo por outra forma, que alcance o mesmo resultado, ou seja, que op deixe a salvo das consequências do inadimplemento. Essa forma vem a ser, então, o pagamento por consignação, que nada mais é do que o depósito judicial ou o depósito em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e formas legais.

1.

Espécie

A sub-rogação legal é a que decorre da lei. Em regra, o motivo determinante da sub-rogação, quando nem credor nem devedor se manifestam favoravelmente a ela, é o fato de o terceiro ter interesse direto na satisfação do crédito (Ex.: codevedor solidário fiador).

A sub-rogação convencional é a que deriva da vontade das partes.

ART.334.:

pagamento,

estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e formas legais.

Considera-se

e

extingue

a

obrigação,

o

depósito

judicial

ou

em

ART. 335.: A consignação tem lugar:

I - Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;

II - Se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;

III Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;

V - Se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

OBS:

- Inciso I: Nesse caso o devedor não é obrigado a efetuar a consignação, por estar sem culpa, não se

caracteriza mora de sua parte. Contudo, a lei lhe possibilita a realização desse pagamento, que será em consignação, para provar seu animus solvendi e marcar a recusa do credor. Exemplo: “quando o proprietário negando a relação ex locato repele o aluguel que lhe é oferecido pelo ocupante de seu imóvel. Tendo a Corte entendido tratar-se de locação, foi o depósito julgado oportuno,

a ação de pagamento em consignação procedente e o devedor exonerado.

- Inciso II: trata de dívida quesível, em que o pagamento deve efetuar-se fora do domicílio do credor,

cabendo então a este a iniciativa de ir receber o pagamento. Na inércia do credor, é facultado ao devedor

o pagamento em consignação.

- Inciso III: Ocorrendo qualquer uma das hipóteses figuradas no inciso acima, o devedor pode consignar

a prestação. -Os incisos IV (Esse inciso retrata a hipótese de dúvida do devedor quanto a quem seja o credor legítimo, tal devedor receando pagar mal, procede ao depósito em juízo) e V (o litígio mencionado nesse inciso é

entre o credor e o terceiro. O devedor deve entregar coisa ao credor, coisa essa que está sendo reivindicada por terceiro. Deve o devedor exonerar-se com consignação. O credor e o terceiro é que resolverão, entre eles, a pendência) do 335 são exclusivos da consignação JUDICIAL.

- Dúvida subjetiva: dúvida sobre a quem deve pagar -> o gerente do banco não decide nada, quem deve decidir é o juiz. Portanto, se tem dúvida, faça consignação judicial.

- Se pender litígio sobre o objeto do pagamento -> também precisa de decisão do juiz.

ART.336.: Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação as pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido em pagamento.

Quanto às pessoas: a ação deve ser proposta contra o credor ou seu representante, ou seja, por quem tenha legitimidade para efetuar o pagamento. A legitimidade passiva será do credor ou seu representante, já que somente esses têm poder para exonerar o devedor. Quanto ao objeto, é essencial que a prestação paga seja íntegra, ou seja, consista na entrega da coisa avençada e na quantidade devida, p. ex., é julgada improcedente a ação se o devedor, descontando da prestação valores que acha indevidos, deposita apenas a diferença. (RT, 186/824) Quanto ao tempo, é essencial que a consignação se efetue no prazo devido ou venha acrescida de encargos da mora se em atraso. Quanto ao modo este será convencionado, p. ex. não se admite o pagamento em parcelas se o combinado era que fosse feito à vista. Quanto ao lugar do pagamento, sendo a dívida quesível o pagamento efetua-se no domicílio do devedor, sendo portável no do credor, podendo haver foro especial de contrato

ART.337.: O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente. Quanto ao lugar do depósito, este deve ser o lugar do pagamento. Sendo quesível a dívida, o pagamento efetua-se no domicílio do devedor; sendo portável, no do credor, podendo haver, ainda, foro de eleição. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada

ART.338.: Enquanto o credor não declarar que aceita o depositado, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as consequências de direito. diz que “enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito”.

ART.339.: Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores. afirma que, depois de julgado procedente o depósito, o devedor não poderá levantar o depósito, a não ser que consintam o credor, bem como todos os devedores e fiadores.

ART.340.: O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no levantamento, perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada, ficando para logo desobrigados os codevedores e fiadores que não tenham anuído. Se o credor recusar depósito, o levantamento não poderá mais ocorrer sem a sua anuência. Se, no entanto, vier a concordar com a sua efetivação, concede ele novo crédito ao devedor, em substituição ao anterior. Em consequência, ficam desobrigados os codevedores e fiadores por não ser justo que se vejam obrigados a reassumir o risco da dívida por conta de uma opção do credor. Visto que a consignação tenha efeito de pagamento, se o credor aceita o depósito a dívida se extingue. Se depois de aceitar o depósito o credor concorda com o levantamento do depósito efetuado pelo devedor, surge uma nova dívida-fenômeno chamado novação- consequentemente há a liberação dos fiadores e codevedores do débito anterior que não tenham anuído.

ART.341.: Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada. Se a obrigação consistir em entrega de coisa incerta e a escolha competir ao credor (CC art. 244), e se esse se recusar a receber a solução se encontra no seguinte dispositivo:

ART.342.: Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher, feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no art. Antecedente. Assim o devedor não será obrigado a permanecer aguardando indefinidamente pela escolha do credor.

ART.343.: As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do credor, e, no caso contrário, à conta do devedor. ART.344.: O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento. ART.345.: Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação.

Normalmente, são legitimados para requerer a consignação o devedor e eventual terceiro interessado. Como exceção, todavia, vencida a dívida e existindo litígio entre credores que buscam excluir-se mutuamente, cada um afirmando ser o único titular do crédito, poderá qualquer deles requerer a consignação, sendo o devedor citado para depositar a coisa em juízo. Sub-Rogação

Sub-rogação é a substituição de uma coisa por outra ou de uma pessoa por outra, em uma relação jurídica. No primeiro caso, a sub-rogação é real, enquanto no segundo, pessoal. - Exemplo de sub-rogação real ou objetiva: Art. 1.425, prg. 1º: “Nos casos de perecimento da coisa dada em garantia, esta se sub-rogará na indenização do seguro, ou no ressarcimento do dano, em benefício do credor, a quem assistirá sobre ela preferência até seu completo reembolso”. - A sub-rogação pessoal gera efeito liberatório em relação ao antigo credor e translativo em relação ao novo credor, que ingressa na relação jurídica investido das mesmas garantias, acessórios e privilégios do credor originário.

Sub-rogação legal e convencional:

A sub-rogação pode ser, ainda, legal ou convencional.

A primeira decorre da lei e é um ato unilateral; a segunda, da vontade das partes e é um ato bilateral.

Natureza jurídica:

Trata-se de instituto autônomo e anômalo, em que o pagamento promove apenas uma alteração subjetiva da obrigação, mudando o credor. A extinção obrigacional ocorre somente em relação ao credor originário, que fica satisfeito. Nada se altera para o devedor, exceto a circunstância de que deverá pagar ao terceiro, sub-rogado no crédito.

Causas de sub-rogação legal:

A sub-rogação opera de pleno direito (art. 346):

a) em favor do credor que paga a dívida do devedor comum;

A utilidade dessa regra se revela quando um credor desconfia que o patrimônio do devedor não é

suficiente para quitar a sua obrigação, pois existe outro credor com privilégio ou garantia que, para satisfazer seu crédito, pode esvaziar o patrimônio do devedor comum. Assim, ele pode satisfazer esse crédito, para se sub-rogar nele e aumentar as chances de que o seu crédito seja adimplido. Exemplo: A deve a B R$10.000,00 (e A possui um fiador, F) e A deve a C R$20.000,00. C paga para B R$10.000,00 e poderá cobrar de A R$30.000,00, tendo a faculdade de cobrar de F R$10.000,00.

b) em favor do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro

que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; Exemplo: o locatário do imóvel pode quitar a dívida para continuar a locação. Exemplo: o novo proprietário que paga a dívida para não sofrer os efeitos da evicção.

c)

em favor do terceiro interessado que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em

parte. Exemplo: Fiador ou avalista.

Causa da sub-rogação convencional (art. 347)

É um ato bilateral que envolve terceiros não-interessados.

Ocorre nas seguintes hipóteses:

a) quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos;

b) quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição

expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.

Efeitos da sub-rogação:

A sub-rogação produz dois efeitos:

a) o liberatório, por exonerar o devedor ante o credor originário; e

b) o translativo, por transmitir ao terceiro (sub-rogado) os direitos de crédito do credor originário,

com todos os privilégios e garantias contra o devedor e fiadores, mas também com todos os ônus e encargos, pois o sub-rogado passará a suportar todas as exceções (defesas) que o sub-rogante teria de enfrentar (art. 349).

Pagamento parcial:

O pagamento parcial por terceiro pode gerar consequências diversas na sub-rogação legal e na sub- rogação convencional. Na sub-rogação legal, o crédito fica dividido em duas partes: a parte não paga, que continua a pertencer ao credor primitivo, e a parte paga, que será objeto da sub-rogação. Na sub-rogação legal, o sub-rogado só pode reclamar do devedor aquilo que houver desembolsado (art. 350). Em caso de insolvência do devedor, o credor originário, só parcialmente pago, terá preferência sobre o terceiro sub-rogado (art.

351).

Na sub-rogação convencional, se o credor originário quiser, ele pode receber o pagamento parcial e transmitir a integralidade de seu crédito, por sub-rogação. Aqui, o regime jurídico da sub-rogação se assemelha à cessão de crédito.

ART. 346.: A sub-rogação opera-se, em pleno direito, em favor:

I: Do credor que paga a dívida do devedor comum. II: Do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel. III: Do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte: não vale para o terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome, pois, apesar de ter direito ao reembolso do que pagou, não se sub-roga nos direitos do credor

ART.347.: A sub-rogação é convencional:

I: Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos: o terceiro não interessado sub-roga-se nos direitos do credor se este lhe transferi-los expressamente até o momento do recebimento da prestação. Esta é hipótese é disciplinada pelas regras da cessão de crédito. Diferencia-se da cessão de crédito porque se opera por efeito do pagamento, enquanto a cessão não o faz. II: Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.: sub-rogação realizada no interesse do devedor, independentemente da vontade do credor.

ART.349.:A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores.

ART.350.: Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor.

ART.351.: O credor originário, só em parte reembolsado, terá preferência ao sub-rogado, na cobrança da dívida restante, se os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a um e outro dever.

É o pagamento da dívida efetuado por terceiro que assume a posição do credor originário com todos os seus direitos, privilégios e garantias.

A sub-rogação pode ser de 2 tipos:

a) Sub-rogação legal: é aquela imposta pela lei. Não depende da vontade das partes. É automática. As suas hipóteses estão previstas no artigo 346:

- O credor que paga a dívida do devedor comum.

- O adquirente de imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o

pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel (Ex: o promitente comprador, que paga uma dívida pretérita de condomínio, que veio com o imóvel comprado, para não perdê-lo) Obs.: a hipoteca não impede a venda do imóvel, ela é uma garantia real que irá acompanha-lo sempre, independente de quantas vezes ele for vendido.

- O terceiro interessado que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado no todo ou em parte (Ex:

fiador e avalista).

b) Sub-rogação convencional: é aquela que ocorre a partir de um acordo de vontade entre o credor e o

terceiro ou entre o devedor e o terceiro. Está prevista no artigo 347 do CC, que apresenta 2 hipóteses:

- Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus

direitos (Ex: o namorado que paga, em seu nome, a dívida da namorada, pedindo que o credor coloque que ele está lhe sub-rogando o crédito na posição de credor originário, o que fará com que todos os privilégios também lhe sejam transferidos). - Quando o terceiro empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar sub-rogado nos direitos do credor satisfeito (Ex: o namorado empresta o dinheiro diretamente para a namorada, sem qualquer contato com o credor). Obs.: O “expressa” foi grifado pois a sub-rogação depende de disposição expressa quando for convencional.

Dação em Pagamento

É a entrega pelo devedor de coisa diversa da que estava estabelecida no contrato.

Para que ocorra a dação, o consentimento do credor é indispensável (ele não está obrigado a aceitar

coisa diversa, ainda que melhor).

A dação em pagamento pode ter por objeto qualquer tipo de obrigação (dar, fazer ou não fazer).

Pode também ocorrer com alteração do tipo de obrigação. Ex: o devedor está sem dinheiro e vai lá e oferece de pintar a casa do credor (obrigação de dar substituída

por obrigação de fazer). OBS: Se ocorrer a evicção (perda por força de decisão judicial) da coisa dada, será restabelecida a obrigação original. Não fica o credor restrito a conversão em perdas e danos. Mas se havia um fiador na obrigação original, ele fica desobrigado. Mesmo com a evicção, ele não volta a ser responsabilizado. Art. 358, CC) Sendo Título de Crédito, a transferência importará em cessão de crédito, ou seja, além de quitar a dívida o credor passará a ter direito sobre o crédito do cedente. (Art. 359, CC) Evicção: comprar uma coisa e não se tornar dono por má-fé daquele que deu a coisa em

pagamento. Neste caso, restabelece-se a dívida inicial, sendo ressalvado os direitos de terceiros. Ex: Eu recebi um terreno em dação achando que uma dívida foi paga, em virtude do valor do terreno. No entanto, o terreno não pertencia ao devedor e, logo, fui evicto do terreno que achei que seria meu. A dívida original se restabelece com o devedor. Dação em pagamento é uma forma satisfativa de pagamento indireto, na qual, mediante acordo de vontades, o credor concorda em receber do devedor prestação diversa da que lhe é devida, para exonerá-

lo da dívida (art. 356).

Requisitos:

a) existência de um débito vencido;

b) animus solvendi (intenção de pagar); - obs.: art.: 313

c) diversidade do objeto oferecido, em relação ao devido;

Remissão

É a liberalidade efetuada pelo credor, consistente em exonerar o devedor do cumprimento da obrigação.

É o perdão da dívida (art. 385).

É o perdão da dívida concedido pelo credor.

Para validade e eficácia do perdão, é preciso haver o consentimento do devedor. Se ele não consentir, não haverá a remissão da dívida, e o devedor poderá consignar em pagamento se o credor não quiser receber.

Natureza jurídica:

É um negócio jurídico bilateral e complexo.

Embora seja espécie do gênero renúncia, que é unilateral, a remissão se reveste de caráter convencional

porque depende de aceitação. O remitido pode recusar o perdão e consignar o pagamento. Adotamos a teoria alemã, em contraposição à teoria italiana, que identifica a remissão com a renúncia.

- No nosso sistema jurídico, não se pode confundir a remissão com a renúncia. A renúncia é ato de disposição unilateral, abdicativo e que independe de aceitação.

total ou parcial (art. 388);

Espécies:

A remissão parcial permite a cobrança da dívida remanescente dos devedores solidários. Mas deverá ser descontada a cota remitida (art. 388).

expressa, tácita ou presumida:

- Remissão expressa: resulta de declaração do credor, em instrumento público ou particular, por ato

inter vivos ou causa mortis, perdoando a dívida.

Remissão tácita: decorre do comportamento do credor, incompatível com sua qualidade de credor. Deve consubstanciar inequívoca intenção liberatória. Ex. credor recebe pagamento parcial e destrói o título de crédito.

-

Não se deve deduzir remissão tácita da mera inércia ou tolerância do credor, salvo nos casos excepcionais de aplicação da supressio, como decorrência da boa-fé, como, por exemplo, se uma prestação for descumprida por largo tempo, e o crédito, por sua própria natureza, exige cumprimento rápido.

-

Remissão presumida: quando deriva de expressa previsão legal:

I) entrega voluntária do título da obrigação por escrito particular (CC, art. 386); e

II) entrega do objeto empenhado, que faz presumir a renúncia à garantia não ao crédito (CC, art. 387).

Remissão e Pluralidade de Devedores:

a) Se a obrigação é indivisível, o codevedor perdoado pelo credor está liberado da obrigação, mas os

codevedores permanecem responsáveis pela prestação, com o direito de exigir do credor o reembolso da cota remitida. b) Se a obrigação é solidária, o codevedor perdoado está liberado de sua obrigação, mas os codevedores

permanecem responsáveis pelo restante, abatida a cota remitida (art. 388);

- Como visto, a diferença de regime jurídico não é significativa quando há pluralidade de devedores.

ART.385.: A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro.

ART.386.: A devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito particular, prova desoneração do devedor e seus coobrigados, se o credor for capaz de alienar, e o devedor capaz de adquirir.

ART.387.: A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real, não à extinção da dívida.

ART.388.:

correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida.

ele

A

remissão

concedida

a

um

dos

codevedores

extingue

a

dívida

na

parte

a

A remissão é o ato pelo qual o credor dispensa graciosamente o devedor de pagar a dívida. É um ato bilateral, pois depende da concordância do devedor. A remissão pode ser total ou parcial, podendo produzir os mesmos efeitos que a transação.

Caso Concreto Aula 09

João deve R$ 1.000,00 a Pedro que recebe esse valor, por depósito em sua conta bancária, após o vencimento da dívida, conforme prometera João. Acreditando haver recebido a dívida, Pedro remeteu o título a João, dando-lhe quitação da dívida e, em seguida, recebeu uma cobrança de seu sócio José que alega haver depositado a importância em conta errada e por engano. O que deve fazer José para reaver seu dinheiro?

Questões Objetivas

1. Considerando o lugar do pagamento, não dispondo de forma expressa a convenção

entre as partes, pode-se dizer que pelo direito brasileiro:

a) A presunção é que o pagamento seja quesível, devendo o devedor ser procurado pelo

credor;

b) A presunção é que o devedor ofereça o pagamento ao credor no domicílio deste;

c) O devedor sempre pagará onde o credor indicar, podendo mudar constantemente;

d) A opção do lugar de pagamento sempre caberá somente ao devedor;

2. “A” é devedor de “B”. “C” que não tem nenhum interesse na obrigação, paga a dívida. Assinale a alternativa correta (60º Exame de ordem /MS):

a) Se “C” pagou em nome do devedor não terá direito a receber o que pagou.

b) Se “C” pagou em seu próprio nome sub-roga-se nos direitos do credor.

c) “B” não está obrigado a dar quitação sem a anuência de “A”.

d) Se “C” pagou em seu próprio nome tem direito a se reembolsar, mas só se sub-roga

nos direitos do credor se este autorizar.

Caso Concreto Aula 10

Roberto adquire um imóvel no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) pagável em dez parcelas iguais e mensais de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Roberto efetua o pagamento regular de nove parcelas. Em decorrência de fatores alheios à sua vontade, torna-se inadimplente em relação à última parcela. No intuito de honrar o compromisso e liquidar o seu débito, ele oferece ao credor um veículo avaliado em R$ 50.000,00. Após avaliar o bem, o credor aceita o veículo e dá quitação da parcela vencida. Qual a forma utilizada pelas partes para liquidação da última parcela? Fundamente sua resposta.

Questões Objetivas

1. Em favor de quem empresta ao devedor o equivalente à dívida, solvida esta, perante o credor, fica

estabelecida (OAB PI II 2001):

a)

Novação;

b)

Dação;

c)

Sub-rogação;

d)

Compensação.

2.

Marque a alternativa incorreta:

a)

O pagamento com sub-rogação pressupõe pagamento, satisfação do credor originário.

b)

Devem ser interpretadas de forma restrita as hipóteses de sub-rogação legal, pois são taxativas.

c)

No caso de sub-rogação legal, podem as partes convencionar diminuição de privilégios dados ao

credor originário.

Imputação do Pagamento

É a indicação de qual dívida está sendo paga quando entre um mesmo credor e um mesmo devedor

existe mais de uma obrigação e apenas uma delas será cumprida. Em regra, a imputação em pagamento é feita pelo devedor (solvens). Se não o fizer, a imputação competirá ao credor (accipiens). No silêncio do devedor e do credor, a indicação é feita pela lei. Ex: Havendo dívida de capital (o principal) e dívida de juros, imputa-se o pagamento nos juros Conceito: É um critério de interpretação da dívida quitada. Consiste na indicação ou determinação da dívida a ser quitada quando uma pessoa se encontra obrigada, por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, e efetua pagamento não suficiente para saldar todas eles.

Espécies:

a) imputação feita pelo devedor (art. 352). Limitações: arts. 133, 314 e 354;

b) imputação feita pelo credor (art. 353): quando o devedor não declara qual das dívidas quer pagar;

c) imputação por determinação legal (art. 355): se o devedor não fizer a indicação do art. 352 e a quitação

for omissa quanto à imputação. A ordem é: juros, dívida que venceu em primeiro lugar, dívida mais

onerosa, imputação proporcional).

ART.352.: A pessoa obrigada, por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. ->Imputação pelo devedor

ART.353.: Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele cometido violência ou dolo.

A princípio, a imputação cabe ao devedor (art. 352 do Código Civil). Se o devedor se omitir, a imputação

caberá ao credor (art. 353 do Código Civil). Se ambas as partes se omitirem, haverá imputação legal (art. 355 do Código Civil).

ART.354.: (EXCEÇÃO): Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital.

ART.355.: Se o devedor não fizer a indicação do art.352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa.

Novação

É modo não-satisfativo de extinção da obrigação, pois ocorre a criação de obrigação nova para extinguir

uma anterior. O credor não recebe a prestação devida, mas apenas adquire outro direito de crédito ou

passa a exercê-lo contra outra pessoa.

Requisitos:

a) - Existência de obrigação jurídica anterior;

- Não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas (art. 367).

- Por outro lado, obrigações anuláveis, obrigações prescritas e obrigações naturais, embora haja divergências quanto às últimas, podem ser objeto de novação;

b) constituição de nova obrigação, mediante diversidade substancial entre a dívida anterior e a nova.

- Não há novação quando se verifiquem alterações secundárias na dívida, como exclusão de uma

garantia, alongamento ou encurtamento do prazo, ou, ainda, estipulação de juros;

c)

intenção de novar (animus novandi) claro e inequívoco.

- “Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito, mas inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira” (art. 361), como ocorre na mera renegociação de dívida. Espécies de novação:

A novação pode ser objetiva, subjetiva ou mista.

Novação objetiva ou real (art. 360, I):

Ocorre quando nova dívida substitui a anterior, permanecendo as mesmas partes.

A novação objetiva pode decorrer de mudança:

a) no objeto principal da obrigação (conversão de dívida em dinheiro em prestação de serviços, p. ex.);

b) em sua natureza (uma obrigação de dar substituída por outra de fazer ou vice-versa); ouc) na causa

jurídica (quando alguém, p. ex., deve a título de adquirente e passa a dever a título de mutuário). A novação objetiva não se confunde com a dação em pagamento. Na dação, ocorre pagamento mediante a substituição do objeto da prestação e não da obrigação como um todo. Por isso, na dação, salvo disposição contrária, subsistem outros elementos do vínculo obrigacional, como a cláusula penal,

por exemplo. Na novação objetiva, há nova obrigação, que, salvo disposição em contrário, extingue todos

os acessórios da obrigação anterior.

Pode ser passiva ou ativa:

Novação subjetiva:

a) passiva (art. 360, II) com substituição do devedor.

Pode se dar com ou sem o consentimento do devedor.

Será por expromissão (ato pelo qual quem não é devedor se apresenta ao credor como substituto do devedor, passando a ocupar o lugar deste), quando feita sem o consentimento do devedor; e Será por delegação, com o consentimento do devedor.

Só haverá novação se houver extinção da primitiva obrigação. Neste caso, a delegação será perfeita.

Se, todavia, o credor aceitar o novo devedor sem renunciar ou abrir mão de seus direitos contra o primitivo devedor, não haverá novação e a hipótese será de delegação imperfeita, que é regulada como

assunção de dívida, pelos artigos 299 a 303 do CC.

b) ativa (art. 360, III) com substituição do credor.

Tal espécie de novação não se confunde com a cessão de crédito. Nesta, todos os acessórios, garantias e

privilégios da obrigação primitiva são mantidos (CC, art. 287), enquanto na novação ativa eles se extinguem.

Novação mista ou complexa:

Admitida por alguns doutrinadores, embora não mencionada pelo Código Civil. Decorre da fusão das duas primeiras. Há substituição dos elementos objetivos e subjetivos da obrigação.

Efeitos da novação:

O principal efeito consiste na extinção da primitiva obrigação, substituída por outra. A nova obrigação

não tem nenhuma vinculação com a anterior.

Bem por isso, se credor for evicto em relação ao objeto da segunda obrigação, não poderá restabelecer a primeira. Isso não ocorreria se houvesse recebido esse objeto em dação em pagamento, pois nesse caso a obrigação primitiva seria restabelecida (art. 359).

O Superior Tribunal de Justiça, tendo em conta o princípio da função social do contrato, tem

excepcionado a regra que não permite discussão da dívida novada, por extinta, e decidido que “na ação revisional de negócios bancários, pode-se discutir a respeito de contratos anteriores, que tenham sido objeto de novação”. Leva-se em consideração, para assim decidir, o abuso de direito cometido pelo credor e a onerosidade excessiva representada pela cobrança de juros extorsivos nas obrigações anteriores. Esse entendimento veio a ser sedimentado com a edição da Súmula 286, do seguinte teor: “A

renegociação de contrato bancário ou a confissão da dívida não impede a possibilidade de discussão sobre eventuais ilegalidades dos contratos anteriores”. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida sempre que não houver estipulação em contrário (art. 364).

- Não aproveitará ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação (art. 364, 2ª parte).

- Os codevedores solidários só continuarão obrigados se participarem da novação (art. 365).

- O mesmo vale para o fiador (art. 366 e Enunciado 214 da Súmula do STJ: “O fiador na locação não

responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu”). Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este [o primeiro devedor] obteve por má-fé a substituição (art. 363). A insolvência do novo devedor corre por conta e risco do credor, que o aceitou. Não tem direito a ação regressiva contra o primitivo devedor, mesmo porque o principal efeito da novação é extinguir a dívida anterior. Mas em atenção ao princípio da boa-fé, que deve sempre prevalecer sobre a malícia, abriu-se a exceção, deferindo-se lhe a ação regressiva contra o devedor originário se este, ao obter a substituição, ocultou, maliciosamente, a insolvência de seu substituto na obrigação. A má fé deste tem, pois, o condão de reviver a obrigação anterior, como se a novação fosse nula.

1)Conceito:

Compensação

ART. 368.: Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem.).

2) Espécies:

2.1) Quanto ao alcance, a compensação pode ser:

a) plena, total ou extintiva: quando as duas dívidas têm o mesmo valor; ou

b) parcial, restrita ou propriamente dita: quando os valores são diversos.

- Na dívida solidária a compensação do devedor apenas poderá acontecer até o montante de sua cota. Caso contrário, haveria enriquecimento ilícito.

2.2) Quanto à origem, a compensação pode ser:

a) legal;

b) convencional;

c) judicial.

a) Compensação legal: opera-se automaticamente, de pleno direito. Requisitos:

I) reciprocidade das obrigações, mas abre-se exceção em favor do fiador (art. 371, 2ª parte: “o fiador

pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado”); II) liquidez e exigibilidade das dívidas (art. 369 A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.); III) fungibilidade das prestações (dívidas da mesma natureza).

- Admissibilidade da cláusula de exclusão da compensação (art. 375), salvo nos contratos de adesão (art. 424) e de consumo (art. 51, do CDC). Diversidade de causa: em regra, a diversidade de causa não impede a compensação das dívidas.

Exceções:

a) se provier de esbulho, furto ou roubo (origem ilícita);

b) se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos (em razão da infungibilidade do objeto dos

dois primeiros contratos e da incessibilidade dos alimentos); ou

c)

se uma for de coisa não suscetível de penhora (art. 373).

b)

Compensação convencional: resulta de um acordo de vontades, incidindo em hipóteses que não

se enquadram na compensação legal. As partes passam a aceitá-la, dispensando alguns de seus requisitos, desde que o contrato seja paritário. c) Compensação judicial: determinada pelo juiz, nos casos em que se acham presentes os pressupostos legais. Era o caso da compensação de honorários advocatícios sucumbenciais, que restou afastada pelo NCPC

É a hipótese em que 2 pessoas são credoras e devedoras entre si, extinguindo-se a obrigação de acordo

com a proporção dos respectivos direitos. Ela pode, portanto, ser total ou parcial.

A compensação pode ser voluntária ou legal:

-> Voluntária: é aquela que decorre de acordo de vontades entre as partes. Não tem requisitos.

-> Legal: é aquela imposta em juízo. Ela é forçada, não vem de um acordo de vontade entre as partes.

Possui alguns requisitos:

. As dívidas devem líquidas (certas quanto a sua existência e determinadas quanto ao seu valor ou objeto). Não pode forçar em juízo a compensação de uma dívida líquida com uma ilíquida.

.

As dívidas devem ser vencidas (exigíveis).

.

As dívidas devem ser fungíveis entre si (dívidas substituíveis, elas devem ter a mesma natureza; Ex:

dívida de dinheiro compensa com dívida de dinheiro).

Esses requisitos são CUMULATIVOS. Todos devem estar presentes para haver compensação legal, forçada de dívidas.

ART. 370.:Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando especificada no contrato.

ART. 371.:

O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador pode

compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado.

ART. 372.:

Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação.

ART. 373.: A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:

I - se provier de esbulho, furto ou roubo;

II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;

III - se uma for de coisa não suscetível de penhora.

ART. 374.:

ART. 374.: (Revogado pela Lei nº 10.677, de 22.5.2003)

ART. 375.:

Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso

de renúncia prévia de uma delas.

ART. 376.: Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever.

ART. 377.:

não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente.

O devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos,

ART. 378.:

Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem compensar sem

dedução das despesas necessárias à operação.

ART. 379.:

Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas, no

compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento.

ART. 380.:

Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro. O devedor que se torne

credor do seu credor, depois de penhorado o crédito deste, não pode opor ao exeqüente a compensação,

de que contra o próprio credor disporia.

Confusão

É a hipótese em que credor e devedor são qualidades que se reúnem em uma mesma pessoa.

Ex: Sucessão. -> o pai falecido transmite o crédito de 50 mil reais de um empréstimo que fez para a

filha.

A consequência é a extinção da obrigação.

A confusão pode ser de 2 tipos:

- Confusão própria: é aquela em que a confusão abrange a totalidade do crédito | débito. - Confusão imprópria: é a hipótese em que a confusão atinge apenas parte do crédito (Ex: tinha outra

herdeira, uma irmã, que dividiu o crédito com ela, e portanto extingue só a parte da sua herança, e persiste a dívida com a irmã).

Conceito:

Na confusão, reúnem-se numa só pessoa as duas qualidades, de credor e devedor, ocasionando a extinção da obrigação (art. 381).

2) Espécies:

a) confusão total ou própria: caso se verifique a respeito de toda a dívida; ou

b) confusão parcial ou imprópria: caso se efetive apenas em relação a uma parte do débito ou crédito.

3) Efeitos:

A confusão extingue não só a obrigação principal como também os acessórios, como a fiança.

Cessando, porém, a confusão, para logo se restabelece, com todos os acessórios, a obrigação anterior

(art. 384).

4) Confusão e solidariedade:

A confusão não extingue a solidariedade. “A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade” (art. 383).

Exemplo: D1, D2 e D3 são devedores solidários de C, no valor de R$30.000,00. A cota de cada um deles corresponde a R$10.000,00. Ocorre que, em outro contrato, D1 também é credor de C, no valor de R$30.000,00. D1 pode alegar confusão total ou própria, para que nem ele, nem D2, nem D3 possam ser obrigados a pagar a dívida?

Resposta: Não. D1 somente pode alegar a confusão em relação à sua cota-parte, correspondente a

R$10.000,00.

5) O que é confusão imprópria?

A confusão imprópria ocorre quando há a reunião das qualidades de credor e de garante na mesma pessoa. Leva à extinção da obrigação de garantia assessória.

ART.381.: Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor.

ART.382.: A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela.

ART 383.: A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade.

ART. 384.: Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior.

Inadimplemento das Obrigações

1. Disposições gerais e espécies de inadimplemento das obrigações (ART’s.:

389/393)

1.1 Espécies de inadimplemento das obrigações:

a) O inadimplemento absoluto - dá-se quando a obrigação não foi cumprida, nem poderá sê-lo, o que

ocorre em 3 (três) hipóteses:

1)

por recusa do devedor; ex.: se o dono de um sítio se recusar a transmiti-lo a quem prometeu;

2)

pelo perecimento da coisa; ex.: se o imóvel prometido à doação for destruído por inundação ou

incêndio;

3) pela inutilidade da coisa para o credor; ex.: se o bufê para uma recepção, logo após o casamento, só

for fornecido no dia seguinte.

b) O inadimplemento relativo (mora) - ocorre quando a obrigação apenas se retarda, mas pode ainda

vir a ser cumprida (purgada) pelo devedor e/ou pelo credor em outra oportunidade; ex.: se o relojoeiro não consertar o relógio na data prometida, mas só dois dias após; se o credor se recusar a receber a joia na data aprazada, alegando defeito inexistente; se nem o dono nem o comprador do cavalo

comparecerem ao lugar e hora combinados para sua entrega.

1.2Pressuposto e consequências do inadimplemento absoluto ou relativo - tanto numa como na outra, o pressuposto reside na culpa, com as seguintes consequências:

a)Isenção da culpa - dar-se-á se o inadimplemento decorrer de caso fortuito ou força maior (CC, art. 393 e par. único), isto é: por um fato humano (ex.: a desapropriação, uma doença) ou por um fato da natureza (ex.: uma inundação, um raio), previsível ou imprevisível, não-imputável ao devedor e irresistível (acima de suas forças).

b) O dever de reparar decorrerá como corolário natural do descumprimento culposo, em razão do

prejuízo infligido a qualquer das partes, pelo qual respondem todos os bens do devedor, considerando- se inadimplente, nas obrigações negativas, quem executou o ato, de que devia abster-se, desde o dia

em que o executou (CC, arts. 395 e 389/391).

c) Nas obrigações de terceiro descumpridas - quem não praticar o fato que prometeu em nome de

terceiro, responderá por perdas e danos (CC, art. 439), pois não poderia vincular aquele a uma relação

obrigacional, sem seu consentimento.

1.3Responsabilidade contratual:

a) Fundamento - a responsabilidade contratual funda-se na culpa em sentido amplo, no conceito desta,

portanto, incluindo-se o dolo (isto é, a intenção de prejudicar).

b) Origem 1) o dever de indenizar surge somente quando o inadimplemento é consequência de ato

ou omissão imputável ao devedor, daquele ou desta resultando dano a terceiro;

2) a culpa contratual deriva:

1 °) da infração total ou parcial de um contrato; 2°) de uma declaração unilateral da vontade.

c) Responsabilidade nos contratos benéficos:

Responsabilidade por simples culpa - do contraente a quem o contrato aproveite (CC, art. 392, 1 a parte), respondendo por qualquer gênero de negligência; ex.: se o comodatário (o beneficiado) antepuser a salvação de seus bens aos do comodante numa situação de risco para os bens de ambos, responderá pelos danos advindos aos bens deste último;

c.2) responsabilidade por dolo - do contraente a quem o contrato não favoreça, porquanto é natural e justo que a responsabilidade do devedor seja apreciada, então, com mais benevolência; ex.: na doação,

se o doador (que é o beneficente) estiver cônscio de que excedia sua parte disponível (tornando anulável o benefício), responsabilizar-se-á pelos prejuízos que o donatário tiver, derivados da falsa doação.

d) Responsabilidade nos contratos onerosos - responde cada uma das partes por mera culpa (id., ib.,

2a parte); ex.: no atraso do pagamento do aluguel, o inquilino responde pelas consequências da mora,

mesmo que tenha sido por dificuldades financeiras; o vendedor responde pelos vícios redibitórios, mesmo que os desconheça (ant. CC, art. 1.102).

1.4 Responsabilidade extracontratual (aquiliana)

a) Fundamento - resulta do descumprimento de obrigação imposta pela lei, por constituir um atentado

contra o interesse privado de outrem (ilícito civil).

b) Compreensão - compreende a responsabilidade: 1) por fato próprio; 2) por fato de terceiro, em

razão da culpa em escolher (= in eligendo) ou em vigiar (= in vigilando); 3) por dano advindo à vítima, embora sem culpa pessoal do responsável, em decorrência do risco da atividade profissional assumida por aquele.

c) Cláusula de irresponsabilidade - inadmissível, no caso, por estarem em jogo interesses impostos ou

salvaguardados pela própria lei.

1.5 Culpa contratual x culpa extracontratual

a) Ontologicamente e quanto a seus efeitos - identificam-se ambas as culpas, pois estas estão sujeitas a

prova, distinguindo-se por isso em razão do ônus desta.

b) Na culpa extracontratual - cabe ao queixoso demonstrar a transgressão, o dano e a relação de

causalidade, pois o dado único é o dever negativo de não prejudicar, imposto pela lei.

c) Na culpa contratual - dá-se a inversão do encargo acima, pois no contrato há um dever positivo de

prestar uma obrigação, o que, por si só, impõe a responsabilidade do devedor.

1.6 Isenção da responsabilidade civil

a) Se pactuada a cláusula. de não-indenizar - o que pode ser legítimo ou não, conforme o caso:

a.1) legitimidade da cláusula de não-indenizar - a qual se justifica: 1) se não houver um dever de

reparar, instituído em lei de ordem pública;

2)

se não for expressamente proibida em lei;

3)

se o agente não tiver causado o dano intencionalmente;

a.2) ilegitimidade da cláusula de não-indenizar - o que ocorre: 1) se a cláusula tiver por objeto:

1°) eliminar as consequências do dolo do agente; 2°) atentar contra a ordem pública; ou 2) se o negócio jurídico contratual não for permitido.

b) Se o dano ocorrer nas seguintes circunstâncias:

b.1) por caso fortuito ou força maior (CC, art. 393 e par. único) exceto se o devedor estiver em mora

(CC, arts. 394/395 e 399): pois o pressuposto da responsabilidade é a culpa; ex.: não responde o proprietário pela impossibilidade da venda de um imóvel, em ocorrendo sua desapropriação ou incêndio; b.2) por culpa exclusiva da vítima; ex.: o patrão não é responsável pela absoluta imprudência do operário no exercício de suas funções.

c) Nos casos que não constituem atos ilícitos (CC, art. 188, I/lI e par. único; CP, art. 23, I/III e 24/25),

a saber:

1) legítima defesa; ex.: é lícito atirar antes em alguém, que ameaça matá-lo verdadeira ou presuntivamente (ante gesto da vítima);

2) exercício regular de um direito; ex.: o dono de uma fazenda pode impedir pela força a invasão de

suas terras, desde que o faça de imediato e usando apenas o indispensável à manutenção de sua posse (CC, art. 1.210, § 1 °);

3) estado de necessidade; ex.: é legítimo tentar salvar a própria vida, lutando contra outrem, mesmo

que seja necessário feri-lo ou matá-lo, para conseguir uma balsa, num naufrágio, que não comporte mais de uma pessoa; é lícita a deterioração ou destruição de coisa alheia, a fim de remover perigo iminente, desde que não se excedam os limites do indispensável para a remoção do perigo.

1- Conceito:

Mora (CC, arts. 394/401)

Mora é o retardo no cumprimento culposo de uma prestação devida, na forma, tempo e lugar convencionados (CC, art. 394); ex.: se o proprietário recusar o pagamento do aluguel para forçar uma ação de despejo; se o mutuário for pagar sua dívida em lugar outro que o ajustado

2.Termo inicial da constituição em mora

a) Nas obrigações com prazo prefixado - dá-se a mora ex re, a qual deriva da lei, resultando do simples

fato do descumprimento, independentemente de provocação do credor, nos termos do adágio: dies

interpellat pro homine (a data interpela em vez da pessoa [credora]). Ocorre então:

1) nas obrigações positivas e líquidas, desde o advento do termo, o 6 qual constitui o faltoso em mora,

de pleno direito (CC, art. 397); ex.: se a livraria entregar o livro após 13/11/98 (dia do aniversário de

um amigo), contra o que fora ajustado, frustrando assim a intenção de quem pretendia ofertar um presente exatamente naquela data;

2) nas obrigações negativas, desde o dia em que o devedor executar o ato proibido (C C, art. 390), pois

aquelas se confundem com seu inadimplemento, visto como, praticado o ato de que o devedor deveria abster-se, já foi a obrigação infringida; ex.: a partir do momento em que o dono de um sítio, que tiver concedido passagem aos moradores de um prédio vizinho, impedir transitem aqueles por suas terras (nos trechos especificados); 3) nas obrigações provenientes de ato ilícito (CC, art. 398), a mora retroage à data em que foi perpetrado o evento danoso (v.CC, arts. 186/187).

b) Nas obrigações sem prazo prefixado - dá-se a mora ex persona, começando a fluir desde a

interpelação judicial ou extrajudicial (CC, art. 397, par. único; CPC, arts. 867/873) ou desde a citação

inicial no rito adequado (CPC, art. 219), que supre aquela.

c) Casos excepcionais (mistos) - a fim de proteger o devedor, a lei atribui procedimento ex persona,

exigindo prévia interpelação (a qual não pode ser suprida inclusive pela citação inicial), apesar de haver prazo prefixado não cumprido (o que caracterizaria a mora ex re), nos seguintes casos: 1) nos compromissos de compra e venda. à prestação. de lotes urbanos e rurais (DL n° 58, de 10/12/37, art. 14 e § 1° e Lei n° 6.766, de 19/12/ 79, art. 32 e § 1°) e nos de imóvel não loteado (DL n° 745, de 07/8/69, art. 1°), a mora exige prévia interpelação judicial ou extrajudicial nos prazos de 2 (trinta) ou 15 (quinze) dias, respectivamente;

2) nas obrigações mercantis (CCo, art. 138), como norma geral.

2.3 A mora do devedor (mora solvendi/debendi)

a) Fundamento - reside na culpa do devedor em cumprir a prestação devida. Consequência: ocorrerá

exclusão da mora na inexecução total ou parcial da obrigação (CC, art. 396), se o devedor provar que o inadimplemento se deu por fato alheio à sua vontade; ex.: por motivo de roubo, naufrágio ou incêndio; ou: na dívida quérable (a pagável no domicílio do devedor), se o credor não for lá cobrá-la.

b) Pressupostos da mora do devedor:

b.1) a liquidez e certeza da dívida

1) nas obrigações positivas, líquidas (isto é: já quantificadas) e vencidas, a exigibilidade é imediata (CC,

art. 397);

2) nas obrigações ilíquidas, são de ser consideradas duas situações diversas:

1°) nas dívidas em dinheiro, cabem os juros de mora desde a citação, pois a iliquidez resultou, então, da negligência do devedor em acertar suas contas com o credor no tempo devido (CC, art. 405);

2°) nas prestações de outra natureza, os juros somente se iniciam a partir de quando sentença de liquidação, arbitramento ou acordo lhes fixar o valor pecuniário, pois antes disso não seriam passíveis de satisfação (CC, art. 407);

b.2) a constituição em mora do devedor 1) pela ocorrência do termo, na mora ex re:

2)

pela interpelação, nos casos de mora ex persona ou por imposição da lei.

c)

Consequências da mora do devedor:

c.1) a responsabilidade pelos prejuízos causados ao credor (CC, art. 395) - a mora do devedor o obrigará, relativamente ao credor: 1) ao pagamento dos juros moratórios (legais ou convencionais), como indenização pelo prejuízo causado, não sendo os aludidos juros, porém, substitutivos da prestação devida, a qual pode vir a ser reclamada conjuntamente com ela; 2) ao reembolso das despesas decorrentes da mora; 3) à satisfação da cláusula penal (se houver), a qual resulta, de pleno direito, do não pagamento; c.2) a responsabilidade pela inutilidade da prestação (CC, art. 395, par. único) - em decorrência do cumprimento tardio, equiparando-o ao descumprimento absoluto: 1) o credor deve provar tal inutilidade; 2) o credor poderá, então, cumulativamente:

1 °) enjeitar a prestação; e 2°) exigir perdas e danos; ex.: se A comprar de B 1.000 sacas de café, que seriam embarcadas para a Europa pelo navio X, e B só as entregar após a saída do navio, A poderá não só devolver as sacas de café, como ainda exigir de B perdas e danos, com base nos prejuízos sofridos com a exportação frustrada;

c.3) a responsabilidade pela impossibilidade da prestação - da qual resultará para o devedor a perpetua tio obligationis (a perpetuação da obrigação), isto é, a responsabilidade pelos riscos da coisa, juros, frutos, perdas e danos etc., de forma que:

1) o caso fortuito ou força maior, ocorridos durante o atraso, não eximirão o devedor (CC, arts. 399, 1ª

parte e 393): pois, por uma ficção jurídica, passa a coisa a ser considerada subsistente, como sanção

pela mora;

2) exceção: eximir-se-á o devedor da responsabilidade, caso prove isenção de sua culpa ou que o dano

sobreviria, embora a obrigação viesse a ser desempenhada a tempo (CC, art. 399, 2ª parte); ex.: se o devedor for atropelado no momento em que ia pagar o credor; ou: se alguém dever um cavalo não se isentará de culpa se este morrer após a data ajustada para sua entrega; mas ficará isento do risco, se um raio incendiar a baia do devedor onde se encontrava o animal ou a baia do credor para onde ele devia ter sido transportado, no dia e hora que estavam previstos para a entrega do animal. Obs.: É defeituosa a redação da primeira parte do artigo, porquanto, se houver "isenção da culpa", não haverá mora (conforme se pode ver do primeiro exemplo dado acima).

2.4 A mora do credor (mora accipiendi)

a)

Fundamento - é a injusta recusa do credor a receber a obrigação.

b)

Pressupostos para a mora do credor.

1)

uma dívida vencida - porquanto o devedor

não é obrigado a recebê-la antes de seu termo;

2) a oferta da prestação pelo devedor (CC, art.28) - a ser efetuada pelo devedor, pessoalmente, ou por

terceiro, juridicamente interessado ou não (CC, arts. 24/25);

3) a recusa injustificada do credor a receber o pagamento; ex.: se o credor não aceitar a prestação sob o

pretexto, falso, de não corresponder ao conteúdo da obrigação; ou: se se ausentar do lugar do

pagamento, sem deixar representante;

4) a constituição do credor em mora ante a recusa injustificada deste - cabendo ao devedor tal prova

(servindo, então, a ação de consignação como meio probatório, por identificar se de fato o credor

recusou ou não a oferta).

c)

Consequências da mora do credor (CC, art. 400):

c.1) a isenção da responsabilidade do devedor pela conservação da coisa - cujos riscos de perda ou deterioração se transferem para o credor moroso, que terá de recebê-la no estado em que se encontrar;

c.2) a sujeição do credor (CC, art. 96, § 2 c/ CC art. 400):

1) ao ressarcimento do devedor

pelas despesas com a conservação da coisa recusada, autorizando o reembolso das

benfeitorias necessárias;

2) ao recebimento da coisa pela estimativa mais favorável ao devedor, se o valor daquela oscilar entre o

tempo do contrato e o do pagamento; ex.: se os ajustados 500 kg de café, oferecidos no prazo e qualidade estipulados, forem recusados pelo credor, caso este resolva receber afinal o produto e nesse meio tempo tenha ocorrido aumento no preço daquele, o devedor só será obrigado a entregar um número menor de quilos, proporcionalmente à aludida elevação no preço; mas se este diminuir, o devedor entregará apenas os 500 kg ajustados para a data em que a prestação foi recusada, lucrando com a diferença a seu favor.

2.5 A mora do credor e do devedor

a) Na mora simultânea - compensa-se uma pela outra, permanecendo as coisas no mesmo estado

anterior, como se não tivesse havido mora; ex.: se nem o credor nem o devedor comparecerem ao local

ajustado para o pagamento, aniquilam-se as moras de ambos, que se liberam das respectivas penas pecuniárias, porventura convencionadas.

b) Na mora sucessiva - a mora de um exclui a do outro: mas só a última acarretará efeitos jurídicos;

ex.: se o credor se recusar a receber, cessa a mora do devedor (que veio purgar) e começa a do credor; e

vice-versa (ant. CC, art. 959, III).

2.6 Purgação da mora

a) Fundamento - é a faculdade que a lei oferece ao credor ou devedor morosos de evitar os efeitos do

próprio retardamento.

b) Admissibilidade - é sempre admitida na mora (não no inadimplemento absoluto!), mas nos moldes

previstos na lei específica; ex.: na ação de despejo por falta de pagamento, o inquilino poderá requerer,

no prazo da contestação, autorização para o depósito dos aluguéis vencidos, mais multas, juros de

mora, custas e honorários advocatícios (Lei n° 8.245, de 18/10/91, art. 62, II, a/ d); na alienação fiduciária, a purgação está condicionada ao pagamento de 40% do preço financiado (DL n° 911, de 01/10/69, art. 3°, § 1°, 2ª parte).

c) Purgação da mora pelo devedor (CC, art. 401, 1) - desde que este ofereça a prestação (que não se

tiver tornado inútil), mais a importância dos prejuízos decorrentes até o dia da oferta (Súmula

122/STF); ex.: ao devedor cabe o pagamento da prestação atrasada, mais os juros moratórios.

d) Purgação da mora pelo credor (CC, art. 401, lI) - se este convier, afinal, em receber a oferta do

devedor, sujeitando-se aos efeitos da mora até então; ex.: se o credor concordar em reembolsar o devedor das despesas efetuadas pela conservação da coisa e em ressarci-lo de eventual variação no preço.

CASO CONCRETO Aula 11

(Juiz Substituto MG 2004/2005) João compra de Mário determinado bem, sendo o preço fixado para pagamento a prazo. Vencido o prazo, João pediu prorrogação, mas Mário dele exigiu nota promissória, com o mesmo valor, com nova data de pagamento, mas sem qualquer ressalva. Não sendo pago o título na data aprazada, Mário pediu a rescisão do contrato, com a devolução do bem, apresentando a nota promissória nos autos. Qual seria a decisão CORRETA do Juiz. Justifique a sua resposta.

QUESTÕES OBJETIVAS Aula 11

1 Assinale a alternativa verdadeira:

a) Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia

posterior de uma delas.

b) Se duas dívidas são pagáveis no mesmo lugar, não se podem compensar sem dedução das despesas.

c) Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas, no compensá-

las, as regras estabelecidas quanto à novação objetiva.

d) Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro.

2 Assinale a alternativa correta:

a) A novação não pode ocorrer por meio de procurador, sob pena de haver prejuízo para o credor.

b) Na novação subjetiva passiva o novo devedor assume a dívida, permanecendo o mesmo vínculo

obrigacional.

c) A novação subjetiva passiva por extromissão ocorre quando o devedor indica terceira pessoa que

assumirá o débito com a aquiescência do credor.

d) Na novação objetiva a primeira obrigação é quitada e substituída pela nova obrigação.

CASO CONCRETO Aula 12

José assumiu com João a obrigação de confeccionar em seu atelier de costura, 150 (cento e cinquenta) uniformes para os empregados deste num prazo 90 (noventa) dias. Como José estava descapitalizado para comprar o material necessário (tecidos, linhas, botões e outros aviamentos) resolveu pedir um empréstimo a seu amigo Fernando, no valor de R$10.000,00, para pagar em 100 dias. Ocorre que a costureira de José adoeceu e a confecção dos uniformes atrasou por 20 dias. João só recebeu a encomenda 30 dias depois do combinado. Com isso José atrasou o pagamento do empréstimo constituindo-se em mora. Mas ficou tranquilo porque ouviu dizer que em caso de inadimplemento pelo devedor da obrigação assumida no contrato, este pode purgar a mora oferecendo ao credor as prestações vencidas, acrescidas da indenização dos danos causados ao credor pela mora. Assim, se o devedor purgar a mora, não poderá o credor rejeitar a prestação, transformando a mora em inadimplemento definitivo e pleitear a resolução do contrato. José está certo ou errado? Responda justificadamente.

QUESTÃO OBJETIVA Aula 12

(MP/MG 1999)"Purgação da mora é um ato espontâneo do contratante moroso, que visa remediar a situação a que deu causa, evitando os efeitos dela decorrentes, reconduzindo a obrigação à normalidade". A propósito da mora, é incorreto afirmar que:

a) Se a mora é do credor, este pode purgá-la, dispondo-se a receber o pagamento, acrescido da

importância dos prejuízos que sofreu até o dia da quitação;

b) Se a obrigação é positiva e líquida, contraída a termo certo, a mora decorrerá do simples vencimento

do prazo;

c) Se a obrigação é positiva e líquida, contraída sem prazo determinado, a mora só se verificará após

decorrido o prazo fixado através de notificação, interpelação ou protesto;

d) Se a obrigação é negativa, o devedor estará em mora desde o dia em que executar o ato a cuja

abstenção se obrigara;

e) Se a obrigação foi contraída por devedores solidários, todos eles são responsáveis pelos juros de

mora, mesmo que a ação tenha sido proposta apenas contra um deles.

Perdas e Danos

ART. 402.: Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidos ao credor

abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.

efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Caracterização da perda e do dano ART. 403.:
efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Caracterização da perda e do dano ART. 403.:

Caracterização da perda e do dano ART. 403.: Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.

e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Lucro cessante é o que foi deixado

Lucro cessante é o que foi deixado de lucrar em decorrência do inadimplemento.

Dano emergente é a efetiva diminuição no patrimônio.

Pagamento em dinheiro Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional. Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar. Termo inicial Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial. Fundamentos: Artigos 402 a 405 do Código Civil

Aspectos doutrinários do tema O inadimplemento de uma obrigação causa para o outro contratante um

Aspectos doutrinários do tema O inadimplemento de uma obrigação causa para o outro contratante um dano, o qual deverá ser reparado pelas perdas e danos, que devem compor o que ele perdeu e também deixou de lucrar.

Perdas e danos é o instituto responsável por reparar

o dano causado, pelo

inadimplemento relativo ou absoluto da obrigação, e experimentado pelo credor. As perdas e danos devem cobrir todo o prejuízo experimentado pela vítima, no caso

o credor, pois é isso que será pleiteado quando a pessoa pedir perdas e danos.

PERDAS E DANOS = DANO EMERGENTE + LUCRO CESSANTE.

Dano emergente é o efetivo prejuízo patrimonial sofrido pela vítima; é a diferença entre seu patrimônio antes do ato ilícito ou do inadimplemento contratual e o que passou a ter depois. Ex: “A” tem seu carro danificado por “B”, e precisa fazer gastos para consertá-lo.

Esses gastos são os danos emergentes que “B” deve pagar a “A”, junto com o que ele deixou de ganhar se for um taxista. Lucro cessante é a frustração da expectativa de lucro, em outras palavras é a perda

Juros Legais

Juros são a remuneração do capital alheio e integram a classe das coisas acessórias, em conformidade com o artigo 95 do Código Civil: “Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico”. Podem ser compensatórios ou moratórios.

Os juros compensatórios (remuneratórios ou juros-frutos) decorrem da compensação pela utilização consentida de capital de terceiros e requerem previsão contratual. Não podem exceder a taxa em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, como determinado nos artigos 406 (“Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”) e 591 (“Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual”) do Código Civil.

Os juros moratórios decorrem do inadimplemento e incidem a partir da constituição em mora, sendo devidos à taxa legal, com equiparação à taxa em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional (parte final do artigo 406 do Código Civil).

Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional.

Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívidas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes.

Natureza jurídica

São frutos civis, bens acessórios, presumem-se pagos quando da quitação do capital.

Classificação dos juros

Juros compensatórios: remuneração pelo uso do capital alheio. Independem de inadimplemento e, em regra, só são cobrados se houver previsão expressa no contrato.

Juros moratórios: uma das formas de composição das perdas e danos. São devidos independentemente de

cláusula expressa no contrato, ainda que a parte não sofra prejuízo.

Juros convencionais: fixados pela vontade das partes. Sejam eles compensatórios ou moratórios, não podem exceder ao dobro da taxa legal.

Juros legais: fixados por força de lei. Tal ocorre quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada.

Juros simples: incidem apenas sobre o capital principal.

Juros compostos/anatocismo: juros sobre juros. São proibidos, salvo algumas hipóteses. Forma de pagamento e de estipulação

Em porcentagem. Pagos em dinheiro.

Correção monetária

Assegura a integridade do valor da moeda no tempo.

Extensão dos juros moratórios

São devidos nas dívidas em dinheiro ou de outra natureza, independente da alegação de prejuízo. Se a petição

não incluiu os juros, ainda assim a sentença poderá condenar o vencido ao pagamento dos juros legais. Se a sentença não os incluiu, a execução não poderá fazê-lo.

condenar o vencido ao pagamento dos juros legais. Se a sentença não os incluiu, a execução

Cláusula Penal

A cláusula penal, ou multa convencional, é a fixação de cláusula contratual facultativa e por escrito de

indenização imposta àquele que descumprir, ainda que parcialmente, ou retardar o cumprimento, da obrigação contratual. Existem dois tipos de cláusulas penais: a compensatória, que gera multa por descumprimento total ou parcial de obrigações previstas em leis ou contratos, e a mora, ou atraso no cumprimento da obrigação.

A cláusula penal tem natureza de assessória à obrigação principal (Art. 412 do Código Civil: “O valor da

cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal”).

ART. 408.: Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora.

ART. 409.:A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora.

ART. 410.: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor.

ART. 411.: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal.

ART. 412.: O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal.

ART. 413.:A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.

ART. 414.: Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores, caindo em falta um deles, incorrerão na pena; mas esta só se poderá demandar integralmente do culpado, respondendo cada um dos outros somente pela sua quota. Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena.

Art. 415.: Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringir, e proporcionalmente à sua parte na obrigação.

Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente.

Conceito a cláusula penal é disposição contratual acessória em que as partes estabelecem uma penalidade para o descumprimento absoluto ou relativo (mora) da obrigação assumida, com o escopo de reforçar o vínculo, causando nas partes receio em descumprir o contrato, já que a multa é ainda mais onerosa. A cláusula penal amplia as chances de adimplemento e por isso é interessante ao credor, que ainda tem a vantagem de não precisar demonstrar perdas e danos para fazer jus ao valor estabelecido em cláusula penal. Contratos como o de locação, mútuo etc. prevê com frequência a cláusula penal. Natureza jurídica:

Trata-se de obrigação assessória, a sua existência pressupõe uma prestação principal, cujo cumprimento a cláusula penal visa justamente assegurar.

Por ser obrigação assessória, será nula se for nula a obrigação principal; anulável (e suscetível de ratificação) se assim o for a obrigação principal.

A nulidade e os vícios do acessório não contaminam a obrigação principal, de modo que se for nula a

cláusula penal, ou anulável, a obrigação principal pode ser plenamente válida.

É por ser assessória que a cláusula penal pode ser elaborada junto com a obrigação principal ou

ulteriormente (art. 409, CC). Também é por ser prestação assessória que o valor estipulado em cláusula penal não pode exceder o valor da obrigação principal (art. 412 do CC).

Da finalidade da cláusula penal.

1. Reforço à obrigação principal, porque o devedor teme a pena e fica compelido, assim, ao

cumprimento da prestação principal.

2. Pré-avaliação das perdas e danos devidos pelo inadimplemento do contrato. Com o

inadimplemento, o credor tem alternativa: recorre ao cálculo das perdas e danos ou pleiteia,

independentemente da prova de prejuízo, o valor estipulado na cláusula penal.

Das vantagens ao credor:

1. Aumento das chances de adimplemento do contrato.

2. Facilidade no recebimento da indenização em caso de inadimplemento. O credor não precisa alegar

ou fazer prova de seu prejuízo (art. 416, caput do CC). A cláusula penal é pré-avaliação das perdas e danos.

O art. 410 do CC prescreve que, quando a cláusula penal é estipulada para o caso de total

inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa em benefício do credor.

Obs.: Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, o credor só pode pedir indenização suplementar se esta estiver convencionada. E neste caso a multa estipulada vale como mínimo da indenização, cabendo ao credor provar o prejuízo excedente (art. 416, parágrafo único do CC).

Das espécies:

1. Compensatória: refere-se à inexecução completa da obrigação. A multa compensatória não pode

ser cumulada com a prestação principal, posto que a substitui, tornando-se alternativa para o credor (art. 410 do CC).

2. Moratória: para os casos de inadimplemento relativo da prestação ou descumprimento de cláusula

especial estipulada pelas partes (art. 411 do CC). Nesse caso, o credor pode exigir a prestação principal

mais a multa fixada em razão da mora.

Do valor fixado em cláusula penal:

O valor não pode exceder o da obrigação principal (art. 412 do CC) e deve ser reduzido pelo juiz se a

obrigação principal for cumprida parcialmente de forma proveitosa para o credor (art. 413 do CC).

A redução proporcional da multa prevista no art. 413 do CC é norma cogente, não pode ser elidida por

cláusula em sentido contrário.

A multa moratória não sofre redução por cumprimento parcial, pois sua finalidade é indenizar o credor

justamente pelo descumprimento parcial. A redução proporcional é feita em caso de cláusula penal compensatória.

Cláusula penal em obrigação indivisível. Se a obrigação é indivisível e por causa do inadimplemento os codevedores estão obrigados a pagar o

valor estabelecido em cláusula penal, cada codevedor só pode ser cobrado de sua quota. O valor total da multa compensatória só pode ser cobrado de quem deu causa ao inadimplemento. É o que determina o art. 414 do CC.

E os não culpados ainda têm ação regressiva contra o que deu causa à aplicação da pena (art. 414,

parágrafo único do CC).

Cláusula penal em obrigação divisível. Art. 415 do CC só incorre na pena o devedor ou herdeiro do devedor que descumprir a obrigação, e no que concerne à sua parte.

Da exigibilidade da multa:

Obrigações a termo a partir do vencimento estará inadimplente ou em mora o devedor, conforme

o caso, sendo exigível desde então o valor estabelecido na cláusula penal.

Obrigações condicionais ocorrendo a condição, cuja prova cabe ao credor, pode ser exigido o cumprimento da obrigação ou a multa estipulada em cláusula penal.

Da cláusula penal e da multa penitencial:

Ambas são cláusulas acessória no contrato, mas não se confundem. Quando as arras são ajustadas como valor a ser perdido em caso de arrependimento, não há reforço da obrigação principal. É o caso da multa penitencial, que na realidade enfraquece a obrigação principal ao permitir que ocorra a

desistência sem risco de prejuízo maior que a perda do chamado sinal ou a sua restituição “em dobro”, quando se restitui o valor recebido e ainda se paga valor equivalente ao outro pré contratante.

A cláusula penal, por sua vez, reforça o contrato ao estabelecer multa (vista como onerosa a ponto de

compelir ao cumprimento da obrigação principal) para a sua inexecução.

Arras ou Sinal

ART. 417 e s. do CC. Tratadas na parte geral dos contratos no CC/1916, as arras ou sinal vêm disciplinadas hoje junto à matéria de inadimplemento das obrigações no CC/2002.

Conceito: as arras são a importância em dinheiro ou a coisa móvel dada por um contratante ao outro, na conclusão do contrato, com o escopo de firmar a presunção de acordo final e tornar obrigatório o ajuste. É frequente, porém, que, por convenção expressa, as arras sirvam para assegurar a cada contratante o direito de arrependimento, com a perda apenas do valor correspondente ao sinal. No Direito Romano o consenso sem formalidade não vinculava o contratante e as arras surgem para reforçar o liame contratual, provando o negócio jurídico. Quando a força do consentimento passa a aperfeiçoar por si o contrato, as arras perdem o caráter de elemento de reforço do vínculo para servirem apenas de prova da existência do contrato. Hoje as arras são usadas mais como direito de arrependimento, com a perda do sinal, ou a sua devolução em dobro, que como indício da conclusão do contrato (prova do acordo final, com caráter confirmatório).

Das espécies de arras:

1. Arras confirmatórias: têm a finalidade de demonstrar a existência da composição final de vontades. Tais arras são computadas na prestação principal devida, se do mesmo gênero da principal; ou devem ser restituídas (art. 417 do CC). São as arras com a função principal de confirmação do contrato, não contemplando cláusula sobre o direito de arrependimento (a inexecução da obrigação será reputada como descumprimento contratual).

2. Arras penitenciais (art. 420 do CC): asseguram às partes o direito de se arrepender, com a perda do sinal (quem ofereceu o sinal o perde e, que o recebeu, o devolve e ainda paga valor correspondente ao outro pré-contratante daí se dizer que se devolve em dobro o sinal). A devolução em dobro ainda seguirá com correção monetária, juros e honorários advocatícios. São as arras com função principal de assegurarem o direito de arrependimento entre as partes, impedindo a cobrança de indenização suplementar (perdas e danos) por inexecução da obrigação por qualquer das partes. As arras penitenciais têm natureza indenizatória.

Obs.: sem convenção expressa em sentido contrário, as arras serão (no silêncio das partes) confirmatórias. Diante do descumprimento do contrato ocorre a perda do sinal, ou a sua restituição em dobro, e mais as perdas e danos; ou o pleito de execução do contrato e mais perdas e danos (art. 419 do CC).

A faculdade de arrependimento decorre do contrato e não da natureza das arras.

Natureza Jurídica:

Tem natureza de pacto assessório, para demonstrar a existência e tornar obrigatório (confirmar) o vínculo principal, ou permitir o desfazimento da obrigação principal (arras penitenciais). Por ser pacto acessório, depende do principal e se contamina pelo vício do principal. Ainda, trata-se de pacto real, que existe a partir da entrega da res. A promessa do sinal não gera os efeitos atribuídos pela lei ao ajuste arral.

não gera os efeitos atribuídos pela lei ao ajuste arral. Funções: • Confirmar e tornar obrigatória

Funções:

Confirmar e tornar obrigatória a execução do contrato (artigos 418 e 419 do Código Civil);

Prefixar as perdas e danos pela inexecução do contrato;

Dar início ao pagamento (cumprida a obrigação, as arras podem ser abatidas do preço final).

ART. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal.

ART. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.

ART. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.

ART. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.

CASO CONCRETO Aula 13

Antônio e Maria contrataram a prestação de serviço de um laboratório particular para coletar células- tronco embrionárias do cordão umbilical de seu filho que iria nascer, pagando previamente pelo serviço de coleta. Por ocasião do parto, o laboratório foi avisado pelo casal, mas nenhum representante compareceu, deixando de coletar o material genético que poderia ser usado, no futuro, em eventual tratamento da saúde do nascituro. Proposta ação indenizatória pelos pais e a criança, aponte a decisão que melhor soluciona a questão. Fundamente sua resposta.

QUESTÕES OBJETIVAS Aula 13

1. (TCE-RO) As perdas e danos :

a) nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas atualizadas monetariamente, com juros,

custas e honorários advocatícios, prejudicada a pena convencional.

b) mesmo que resultantes de dolo do devedor, só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes

por efeito direto e imediato da inexecução.

c) dizem respeito apenas aos prejuízos materiais e morais, causados por ato doloso do ofensor.

d) abrangem os lucros cessantes, que se caracterizam pelo que o credor efetivamente perdeu,

diminuindo seu patrimônio.

e) abrangem, na inexecução dolosa, inclusive os prejuízos eventuais, remotos ou potenciais.

2. Os juros remuneratórios também são chamados de juros:

a) Compostos

b) Moratórios

c) Convencionais

d) Legais

e) Compensatórios

CASO CONCRETO Aula 14

Fabrício celebrou contrato de promessa de compra e venda de um terreno com Milena. O contrato foi pactuado por escritura pública e o pagamento foi convencionado em trinta e seis parcelas mensais, com uma entrada no ato da escritura a título de arras, sem previsão do direito de arrependimento. Após o pagamento da sétima parcela, Fabrício restou inadimplente durante oito meses, o que fez com que Milena pleiteasse a rescisão do contrato. Considerando que não houve qualquer referência à natureza das arras, qual é o direito de Milena nesse contrato? Fundamente sua resposta.

QUESTÃO OBJETIVA Aula 14

(OAB/MS 70º exame). Marque as alternativas incorretas:

I - A formalização de uma cláusula, condição, ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, afetará a posição dos outros devedores solidários

II - O credor não pode renunciar a solidariedade em favor de um, alguns, ou todos os devedores;

III - O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal;

IV - Sendo presumida a culpa, a sua ausência não exonera de responsabilidade o inadimplente, salvo

se for feita a prova da ocorrência do caso fortuito ou força maior.

a)

As alternativas “I” e “III” estão incorretas;

b)

As alternativas “II” e “IV” estão incorretas;

c)

As alternativas “I” e “II” estão incorretas;

Fontes das obrigações

Atos Unilaterais

Fatos ou circunstâncias de onde surgem as obrigações

o

Da lei: como pagar alimentos aos parentes necessitados, pagar tributos, ser

eleitor.

o Da vontade humana: contratos, atos ilícitos, atos unilaterais.

- Os Atos Unilaterais não são contratos

o Têm natureza própria: comportamento de uma pessoa que gera obrigações.

- Resgate histórico

O CC de 1916 considerava declarações unilaterais da vontade, como fonte

autônoma das obrigações apenas os “Títulos ao portador” e a “Promessa de pagamento”

O novo diploma alterou a denominação do título para “Dos Atos Unilaterais”

mantendo a “Promessa de Recompensa” e agregou a ela a “Gestão de Negócios, o “Pagamento Indevido” e o “Enriquecimento sm causa” os “Títulos ao Portador” foi deslocado para os Títulos de Crédito.

A gestão e o Pagamento já eram disciplinados no CC de 1916 em títulos

diversos, o primeiro em “Das várias espécies de contrato” e o outro como um “Defeito das obrigações”, já o enriquecimento sem causa não era regulado em capítulo próprio, embora o princípio que o veda tivesse sido adotado em dispositivos esparsos como o art 517 que deferia ao possuidor de boa-fé o direito de ser ressarcido pelas benfeitorias necessárias.

A circunstância de terem sido incluídas as normas sobre títulos de crédito em

título distinto não significa negar a estes a natureza de atos unilaterais. Trata-se

de uma questão de ordem prática, baseada na consideração de que o grande número daquelas normas demandaria sua disciplina em título próprio.

DA PROMESSA DE RECOMPENSA

Conceito (Art. 854 do CC)

o Ato obrigacional de alguém que, por anúncio público, se compromete a recompensar, ou gratificar, pessoa que preencha certa condição ou desempenhe certo serviço.

Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido. Requisitos

1º) Publicidade: que lhe tenha sido dada publicidade por quaisquer meios.

Deve dirigir-se a pessoas indeterminadas, ainda que pertencentes a um grupo determinado,

como uma escola, uma associação, um clube, etc. Não pode haver individualização sob pena de

a

hipótese se transformar em negócio bilateral. Expressa

Tácita: quando a promessa se dá de acordo com os costumes do lugar

Exemplo: o “pau de sebo” – sempre tem algum tipo de recompensa lá em cima.

2º) Comportamento: a especificação da condição a ser preenchida ou o serviço a ser desempenhado.

Pode tratar-se de uma ação como oferecer milhões de dólares àquel que fornecer informações sobre Bin Laden, ou de uma ato omissivo como recompensa aos alunos que ao faltarem a nenhuma aula durante todo o ano letivo. Ex: Subir no pau-de-sebo, achar uma carteira perdida.

3º) Recompensa: indicação da recompensa ou gratificação.

Regra geral o anúncio menciona apenas uma declaração de recompensa, não se fixando a quantia ou o objeto da recompensa. Nesses casos, a fixação não fica a critério exclusivo do promitente, em caso de desacordo será fixado pela autoridade judiciária

Exigibilidade da recompensa

A pessoa que desempenha a atividade não precisa ter ciência da promessa. Independentemente de saber, caso cumpra o fixado poderá cobrar a recompensa.

Não precisa haver consenso para o estabelecimento da promessa e conseqüente obrigação.

Art. 855. Quem quer que, nos termos do artigo antecedente, fizer o serviço, ou satisfizer a condição, ainda que não pelo interesse da promessa, poderá exigir a recompensa estipulada.

Em face da existência da promessa ela será devida independetemente da consciência do realizador. Ex: a primeiro atleta a ganhar uma medalha de ouro no Tae Kwon Do receberá R$ 10.000,00;

A Promessa de recompensa como um negócio jurídico se submete às suas regras: objeto lícito, possível, capacidade.

O executante para fazer jus à recompensa deve estar legitimado para recebela independentemente de sua capacidade civil. Assim, o absolutamente ou relativamente incapaz que cumpre a condição, tem direito a receber a recompensa, sendo a quitação dada por seu representante legal ou assistente.

A promessa de recompensa feita por incapaz só terá validade se de valor irrelevante.

Revogação

Manifestada a declaração unilateral de vontade, na forma de promessa de recompensa, pode ser revogada, mas somente se o promitente o fizer pela mesma via em que a declarou. Assim, se A prometeu recompensar alguém, por meio de jornal de grande circulação, pela tarefa de encontrar seu animal de estimação, somente mediante nova publicação, na mesma fonte, poderá se desobrigar. Tal afirmação deve ser temperada com a questão da boa-fé, pois, se o serviço já tiver sido realizado ou a condição já tiver sido preenchida por terceiro, informado o fato ao promitente, parece- nos que a revogação não mais será possível. Tanto isso é lógico que, se o candidato de boa-fé houver feito despesas para tentar atender à condição ou realizar o serviço, terá direito ao reembolso, na forma do parágrafo único do art. 856 do CC/2002. Cumpre-nos advertir, outrossim, que, por expressa regra legal (art. 856, caput, do CC/2002), se o promitente “houver assinado prazo à execução da tarefa, entender-se-á que renuncia o arbítrio de retirar, durante ele, a oferta”.

A promessa pode ser feita por prazo determinado ou indeterminado, tal distinção tem relevância na sua revogação.

Art. 856. Antes de prestado o serviço ou preenchida a condição, pode o promitente revogar a promessa, contanto que o faça com a mesma publicidade; se houver assinado prazo à execução da tarefa, entender-se-á que renuncia o arbítrio de retirar, durante ele, a oferta.

Por tempo determinado: não pode ser revogada. Enquanto não transcorre o prazo a promessa tem de ficar de pé e o promitente não pode arrepender-se.

O promitente coloca-se na mesma condição jurídica do policitante nos contratos entre ausentes se obriga a esperar a resposta da outra parte durante certo praz (arts. 428, III e 434 II).

Por tempo indeterminado pode ser revogada, mas deverá ser dada a mesma publicidade que a fez. Ressalvados os direitos a reembolso das despesas do candidato de boa-fé.

Art. 856 - Parágrafo único. O candidato de boa-fé, que houver feito despesas, terá direito a reembolso. Uma vez emitida a promessa, dirigida a pessoa indeterminada, o promitente fica vinculado obrigacionalmente, se não a revogar com a mesma publicidade com que a fez. Preceitua, com efeito, o art. 856 do Código Civil: “Antes de prestado o serviço ou preenchida a condição, pode o promitente revogar a promessa, contanto que o faça com a mesma publicidade; se houver assinado prazo à execução da tarefa, entender-se-á que renuncia o arbítrio de retirar, durante ele, a oferta”. O cumprimento da promessa de recompensa é, portanto, obrigatório. Se revogá-la, “o candidato de boa-fé, que houver feito despesas, terá direito a reembolso” (CC, art. 856, parágrafo único).

Concurso Público

Estatui o art. 859 do Código Civil que, “nos concursos que se abrirem, com promessa pública de recompensa, é condição essencial, para valerem, a fixação de um prazo, observadas também as disposições dos parágrafos seguintes”. Em geral, tais concursos são realizados para a apresentação de trabalhos literários, científicos e artísticos. Justifica-se a solução pelo fato de tais concursos exigirem uma grande concentração de espírito por parte dos concorrentes, pesquisas, estudos, esforço incomum, dispêndio de energias, tempo e dinheiro. Nesses casos, com razão estabeleceu o legislador que o promitente não pode retirar ad libitum, arbitrariamente, a promessa, impondo-lhe a fixação de prazo. Enquanto este não se escoa, a promessa é irrevogável. Esse prazo é, portanto, condição essencial nos concursos públicos 202. A decisão da “pessoa nomeada nos anúncios como juiz obriga os interessados”, proclama o § 1º do aludido art. 859 do Código Civil. Ao participar do concurso as pessoas se submetem às suas condições, dentre elas a de concordarem com o veredito do juiz ou dos juízes cujos nomes em regra constam do edital. Em falta de pessoa designada para julgar o mérito dos trabalhos que se apresentarem, “entender-se-á que o promitente se reservou essa função” (CC, art. 859, § 2º). Se os trabalhos tiverem mérito igual, “proceder-se-á de acordo com os arts. 857 e 858” (art. 859, § 3º), isto é, far-se-á a partilha, se a recompensa é divisível, e sorteio, se indivisível. A promessa visa estimular o trabalho intelectual. As obras premiadas só ficarão pertencendo ao promitente, “se assim for estipulado na publicação da promessa” (CC, art. 860).

Diversas pessoas concorrem para a atividade prometida;

Em geral tais concursos são realizados para a apresentação de trabalhos científicos e artísticos;

Prazo determinado: Como tais concursos exigem uma grande concentração de pesquisa, esforço, dispêndio de energia por parte dos concorrentes o legislador impõe a fixação de um prazo para evitar a retirada arbitrária da promessa pelo promitente;

Art. 859. Nos concursos que se abrirem com promessa pública de recompensa, é condição essencial, para valerem, a fixação de um prazo, observadas também as disposições dos parágrafos seguintes. Direito do autor

Art. 860. As obras premiadas, nos concursos de que trata o

artigo antecedente, só ficarão pertencendo ao promitente, se assim for estipulado na publicação da promessa. O Direitos do autor só cai no domínio do promitente se previsto no edital.

Gestão de Negócios

Conceito: Dá-se- a gestão de negócios quando uma pessoa, sem autorização do interessado, intervém na administração de negócio alheio, dirigindo -o segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono.

Na maioria das vezes se trata de um ato de altruísmo, em que o gestor intervém na órbita de interesses de outra pessoa com a intenção de evitar um prejuízo para esta, mesmo sem estar por ela autorizado, agindo de acordo com a vontade presumida do dono do negócio.

Por exemplo: dá-se -a gestão de negócios quando alguém, presenciando em prédio alheio estragos capazes de o destruir, ajusta em nome do proprietário ausente, mas sem sua autorização, um empreiteiro para o reparar.

Outro exemplo: pode ser visto quando alguém socorre pessoa desconhecida, vítima de um acidente, conduzindo-a ao hospital e tomando todas as providências par a o seu atendimento, realizando inclusive o depósito exigido pelo hospital.

Com efeito, o art. 861 do Código Civil dispõe:

“Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que tratar”.

02 - PRESSUPOSTOS

A partir da análise do art. 861 pode -se se inferir que os pressupostos da gestão de negócios são:

2.1 Trata-se de “negócio alheio”

Esta expressão não tem o sentido técnico de negócio jurídico, mas de interesse de terceiro, em sentido amplo.

Aplicam-se lhe os preceitos ora em estudo ainda que o gestor trate do negócio alheio pensando que era dele próprio, ou mesmo supondo que era de uma pessoa, quando, na realidade, era de outra.

2.2 Ausência de autorização do dono do negócio.

O dispositivo supratranscrito refere-se -a intervenção em negócio alheio “sem autorização do

interessado”.

- Não tem caráter contratual

- Existe a atuação ou fato de uma pessoa que gera a obrigação.

- A lei considera que é necessário intervir para proteger interesses de ambos.

Conceito

o Dar-se-á gestão de negócio quando uma pessoa, sem autorização do interessado, intervém na administração de negócio alheio, dirigindo-o segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono.

É a administração oficiosa de negócio alheio feita sem procuração.

ART. 861. Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que tratar.

Exemplo: O vizinho vendo que uma pedra vai rolar, executa obras de contenção de uma encosta.

Pressupostos

Negócio alheio

Tem a concepção de interesse terceiro em sentido amplo. Aplica-se os preceitos ainda que o gestor trate de negócio alheio pensando que era dele próprio, ou mesmo supondo que era de uma pessoa quando na realidade era de outra.

Ausência de autorização do dono do negócio

O dono não deve ter, até então conhecimento do ocorrido, pois, caso o tenha e dê a sua autorização caracterizado está o mandado tácito, ou a locação de serviços.

Atuação do gestor no interesse e vontade presumida do dominus

O gestor procura fazer exatamente o que o dono do negócio desejaria se estivesse presente. Se o negócio não é bem gerido, pode aquele correr o risco de não ter os seus atos ratificados.

Gestão contrária

Se ela contrariar a vontade manifesta do dono, expressa ou tácita, não haverá gestão, mas ato ilícito. Atraindo para si os riscos do caso fortuito.

Ex: O dono pode até querer que a coisa pereça.

ART. 862. Se a gestão foi iniciada contra a vontade manifesta ou presumível do interessado, responderá o gestor até pelos casos fortuitos, não provando que teriam sobrevindo, ainda quando se houvesse abatido.

Prejuízos da gestão

Se a gestão foi contrária e houver prejuízos decorrentes da gestão, o dono poderá pedir que restitua a coisa ao estado anterior ou pague a diferença.

Ex: O gestor comprou ração que causou doença no gado. Pode ter que repor as cabeças ou pagar a indenização.

ART. 863. No caso do artigo antecedente, se os prejuízos da gestão excederem o seu proveito, poderá o dono do negócio exigir que o gestor restitua as coisas ao estado anterior, ou o indenize da diferença.

Obrigações do Gestor

Dever de informação

Art. 864. Tanto que se possa, comunicará o gestor ao dono do negócio a gestão que assumiu, aguardando-lhe a resposta, se da espera não resultar perigo.

Exemplo: Pratico ato inicial e envio um telegrama para você na Europa, pois as obras são provisórias. Se a outra pedra vier a rolar eu devo fazer novas obras. Iniciada a gestão não posso me descurar.

Continuidade da gestão

ART. 865. Enquanto o dono não providenciar, velará o gestor pelo negócio, até o levar a cabo, esperando, se aquele falecer durante a gestão, as instruções dos herdeiros, sem se descuidar, entretanto, das medidas que o caso reclame.

Diferentemente do mandato, a morte do dono do negócio não faz cessar a gestão.

Escusado se o gestor estiver em prejuízo.

Ratificação da gestão

ART. 873. A ratificação pura e simples do dono do negócio retroage ao dia do começo da gestão,

e

produz todos os efeitos do mandato.

Ratificação é o ato pelo qual o dono do negócio, ciente da gestão, aprova o comportamento do gestor. É tácita quando o dono ciente da gestão e podendo desautorizá-la silencia. A gestão se transforma em mandato tácito.

Quando a gestão for útil deverá sempre ser ratificada pelo dono.

Negócio útil

ART. 869. Se o negócio for utilmente administrado, cumprirá ao dono as obrigações contraídas em seu nome, reembolsando ao gestor as despesas necessárias ou úteis que houver feito, com os juros legais, desde o desembolso, respondendo ainda pelos prejuízos que este houver sofrido por causa da gestão.

Saldo da gestão às vezes é negativo

§ 1 o A utilidade, ou necessidade, da despesa, apreciar-se-á não pelo resultado obtido, mas segundo as circunstâncias da ocasião em que se fizerem.

Se tem utilidade efetiva apesar das despesas ele tem de reparar as despesas úteis e necessárias e indenizar pelos prejuízos da gestão.

§

2 o Vigora o disposto neste artigo, ainda quando o gestor, em erro quanto ao dono do negócio,

der a outra pessoa as contas da gestão.

Mesmo que seja cobrado de outro as contas da gestão, elas ainda obrigarão ao dono.

Limites da indenização pelo dono

ART. 870. Aplica-se a disposição do artigo antecedente, quando a gestão se proponha a acudir

a

prejuízos iminentes, ou redunde em proveito do dono do negócio ou da coisa; mas a indenização

ao gestor não excederá, em importância, as vantagens obtidas com a gestão.

As despesas devem se limitar ao valor da coisa, se no exemplo, a casa vale R$10.000,00 e o trabalho de contenção da encosta foi de R$ 30.000,00, melhor seria ter deixado a pedra rolar e acabar com a casa.

Alimentos

Com o ato o gestor contribui para que o alimentado não padeça. É tão útil que obriga o devedor independentemente de ratificação.

ART. 871. Quando alguém, na ausência do indivíduo obrigado a alimentos, por ele os prestar a quem se devem, poder-lhes-á reaver do devedor a importância, ainda que este não ratifique o ato.

Funeral

ART. 872. Nas despesas do enterro, proporcionadas aos usos locais e à condição do falecido, feitas por terceiro, podem ser cobradas da pessoa que teria a obrigação de alimentar a que veio a falecer, ainda mesmo que esta não tenha deixado bens.

As despesas com funeral são indenizáveis por aquele que deveria prestar alimentos.

Liberalidade do gestor

ART. 872 Parágrafo único. Cessa o disposto neste artigo e no antecedente, em se provando que

o

gestor fez essas despesas com o simples intento de bem-fazer.

As liberalidades são interpretadas restritivamente, na dúvida deve-se indenizar.

Diligência na gestão

ART. 868. O gestor responde pelo caso fortuito quando fizer operações arriscadas, ainda que o dono costumasse fazê-las, ou quando preterir interesse deste em proveito de interesses seus.

Ninguém é brigado à gestão, mas se o fizer deve agir com o máximo de diligência para que não advenha prejuízo causado por sua intromissão.

Parágrafo único. Querendo o dono aproveitar-se da gestão, será obrigado a indenizar o gestor das despesas necessárias, que tiver feito, e dos prejuízos, que por motivo da gestão, houver sofrido

Se o dono do negócio quer se beneficiar da gestão deve ratificá-la.

Gestão contrária aos interesses do dono

ART. 874. Se o dono do negócio, ou da coisa, desaprovar a gestão, considerando-a contrária aos seus interesses, vigorará o disposto nos arts. 862 e 863, salvo o estabelecido nos arts. 869 e 870.

ART. 862 prejuízos do caso fortuito e de força maior

ART. 863 restituir ao estado anterior

Gestão compartilhada

ART. 875. Se os negócios alheios forem conexos ao do gestor, de tal arte que se não possam gerir separadamente, haver-se-á o gestor por sócio daqueles cujos interesses agenciar de envolta com os seus.

Parágrafo único. No caso deste artigo, aquele em cujo benefício interveio o gestor só é obrigado na razão das vantagens que lograr.

É

a gestão em sociedade. O gestor será considerado sócio daquele na respectiva gerência.

Em síntese, a gestão de negócios consiste em uma ação (na maioria das vezes um ato altruísta) na qual o gestor a fim de evitar um prejuízo, usa do bom senso e de uma vontade presumida para tomar decisão, isto é, ainda que não autorizado pelo dono do bem, imagina que haveria o consentimento. Em outras palavras, dá-se a gestão de negócios quando houver uma intervenção/administração oficiosa de negócios alheios, sem autorização/procuração, mas, visando proteger o bem.

Cabe enfatizar que a gestão de negócios se enquadra nos atos unilaterais pelo fato de que não há um acordo de vontades entre as partes para caracterizar um contrato, muito pelo contrário, o gestor age sem preia combinação com o dono do negócio.

Há de se considerar, portanto, que os requisitos são: inicialmente que o se trate de negócio alheio, juntamente com a ausência de autorização caracterizando uma espontaneidade do gestor, completada pela atuação conforme a vontade presumida. Vale ressaltar também a necessidade de que a gestão ocorra em natureza patrimonial, que seja o ato necessário e útil, logo, operações arriscadas não configuram a gestão de negócios.

Para exemplificar, dar-se-á gestão de negócios, quando um vizinho viaja nas férias e deixa aberta uma torneira em sua residência. Um vizinho “arromba/adentra” a casa com o objeto de fechar a torneira e impedir prejuízos ainda maiores. É possível aferir que não á interesse lucrativo no ato, apenas uma

intenção de ajudar, com a vontade presumida do dono, visto que o gestor evitou o desperdiçando água e danificando alguns móveis sensíveis à umidade.

Relativo as obrigações, frisa-se que tanto o gestor quanto o dono do negócio possuem obrigações.

Obrigações do gestor: Ninguém é obrigado a iniciar a gestão, mas iniciado, deve agir com o máximo de diligência, para que não advenha ao dono qualquer prejuízo.

Comunicar ao dono do negócio o início da gestão, e esperar uma resposta (se dá espera não resultar perigo);

Responder perante o dono do negócio;

Administrar no interesse do dono e segundo sua vontade real ou presumida;

Não se fazer substituir na gestão, nem promover operações arriscadas.

Obrigações do dono do negócio:

Indenizar as despesas necessárias e os prejuízos do gestor, caso queira aproveitar-se da gestão;

Na gestão útil, o dono do negócio deve cumprir as obrigações contraídas, além de indenizar prejuízos e despesas necessárias e úteis;

Na gestão necessária (para acudir prejuízos iminentes), os efeitos são os mesmos da gestão útil.

Enriquecimento Sem Causa

Conceito: uma das partes de determinada relação jurídica experimenta injustificado benefício, em detrimento da outra, que se empobrece, inexistindo causa jurídica para tanto. Ex.: uma pessoa de boa-fé paga uma dívida por engano. Nesse caso, o recebedor da quantia enriqueceu ilicitamente à custa de terceiro. O pagamento indevido ocorre quando alguém recebe o que não lhe era devido. Sendo que aquele que recebeu o que não lhe era devido, fica obrigado a restituir. Sendo isso possível com uma ação de repetição do indébito, com base na tese que o pagamento extingue a obrigação, mas o pagamento indevido cria uma outra obrigação.

Enriquecimento sem causa é o mesmo que enriquecimento indevido ou enriquecimento ilícito. Por enriquecimento indevido pode-se dizer que é todo aumento patrimonial que ocorra sem causa jurídica que o justifique. O enriquecimento indevido traz a obrigação para o sujeito que auferiu a vantagem patrimonial indevida de compensar o sujeito às custas de quem aumentou seu patrimônio.

Requisitos do enriquecimento sem causa Sete são os requisitos necessários apontados pela doutrina para que ocorra o enriquecimento sem causa:

1) Diminuição patrimonial ou empobrecimento do lesado. 2) Aumento patrimonial do beneficiado. 3) Relação de causalidade entre o enriquecimento de um e o empobrecimento do outro. 4) Ausência de causa jurídica que justifique o enriquecimento de um e o empobrecimento do outro. 5) Restituição ART.884.:Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido”. 6) Permissão normativa Usucapião/ Alimentos provisórios. 7) Ausência do meio jurídico ART.886, NULIDADE.

Efeitos do enriquecimento sem causa “Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”. Art. 884 do CC.

Se o objeto do enriquecimento se traduzir em uma coisa, esta deverá ser devolvida e, se não mais existir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. Se de início houve causa jurídica a justificar o aumento patrimonial de um, porém, causa esta que deixou de existir, ainda assim a restituição é devida (art. 885, CC). É instituto subsidiário

A subsidiariedade do instituto do enriquecimento sem causa está prevista no art. 886 do CC com o

seguinte teor: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. Assim, se na lei existirem outros meios aptos a ressarcir o prejuízo sofrido pelo lesado, não é caso de pleito de restituição por enriquecimento indevido. Caracteriza-se pelo locupletamento alheio, sem justa causa, que resulta numa diminuição patrimonial de outrem68. Conforme o artigo 885 do Código Civil, há enriquecimento sem causa ―não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir. Ressalta Caio Mário da Silva Pereira que a causa jurídica é que deve sustentar a eficácia da majoração patrimonial de um para com a diminuição patrimonial de outrem, já que ―toda aquisição patrimonial deve decorrer de uma causa, ainda que seja ela apenas um ato de apropriação por parte do agente, ou de um ato de liberalidade de uma parte em favor de outra. Ninguém enriquece do nada69. O enriquecimento sem causa era considerado um princípio implícito do direito civil, pois, ainda que não fosse previsto no Código Civil de 1916, sua vigência nas relações pessoais era aceita tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência70. Ainda que se faça referência ao enriquecimento sem causa como enriquecimento ilícito71, não deve confundir-se este com aquele instituto, já que o enriquecimento ilícito se refere a situações em que a majorização patrimonial se dá por fato ilícito, ou seja, tem causa jurídica que o baseie.

Pagamento Indevido

O pagamento indevido ocorre quando alguém recebe o que não lhe era devido. Sendo que aquele que

recebeu o que não lhe era devido, fica obrigado a restituir. Sendo isso possível com uma ação de repetição do indébito, com base na tese que o pagamento extingue a obrigação, mas o pagamento indevido cria uma outra obrigação. Um dos requisitos para o pagamento indevido é a inexistência de causa para o pagamento, causa essa jurídica e lícita. Quem voluntariamente pagou o indevido deve provar não somente ter realizado o pagamento, mas também que o fez por erro, pois a ausência de tal comprovação leva a se presumir que se trata de uma liberalidade. Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou não fazer, não

haverá mais, em princípio, como restituir as coisas ao estado anterior, pois não sendo mais possível aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido.

O pagamento indevido é o feito para quem não tem a titularidade da condição de credor.

Do pagamento indevido decorre a obrigação para o accipiens de restituir o que ilegitimamente recebeu.

Assim, ocorre pagamento indevido quando o devedor paga a pessoa equivocada por engano, ou quando paga a pessoa correta, porém quantia ou coisa além do que esta tem direito. Assim como o pagamento devido extingue a obrigação (CC, arts. 304 a 312), o indevido cria a obrigação de restituir:

Artigo 876 do CC: Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição”.

O principal pressuposto é a inexistência de causa para o pagamento.

Como a prestação só se torna exigível após a ocorrência de evento futuro e incerto, ela não pode ser

reclamada antes de tal fato, vez que a obrigação condicional não existe ainda, não se pode exigi-la antes do cumprimento, e cumprir a obrigação condicional antes do tempo é dar, pagar o que, no momento, não é devido.

Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de “obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer”, aquele que recebeu a prestação fica na “obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido” (art. 881).

Requisitos do pagamento indevido Para que o pagamento indevido se configure, alguns requisitos são necessários:

a) A realização de um pagamento.

b) Ausência de fundamento jurídico para o pagamento.

c) Engano da parte que realizou o pagamento.

ART. 877. Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro. O solvens paga obrigação absolutamente inválida, o accipiens recebe prestação a que não tem direito.

Caracteriza-se, portanto, o pagamento indevido. Solvens Devedor Accipiens Credor

Assim, quando uma pessoa paga indevidamente à outra, não se terá desonerado da obrigação, uma vez que terá que proceder ao pagamento novamente, porém agora em relação à pessoa certa. Aquele que pagou à pessoa equivocada poderá pedir de volta o que houver pago por engano. A referida regra decorre da vedação ao enriquecimento sem causa.

Da repetição de Indébito Aquilo que foi recebido indevidamente como pagamento deverá ser restituído. Porém, tal regra comporta exceções:

ART. 880, CC: “Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador”.

Ou seja, o devedor que paga mal não poderá exigir a restituição, mas terá direito de cobrar do devedor da pessoa a quem pagou por engano. Assim, se o pagamento indevido consistiu em obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido. Art. 881 do CC. Bem como não se pode pagar novamente o que já se pagou para solver dívida prescrita, ou para cumprir obrigação judicialmente inexigível. Art. 882, do CC. Esse artigo fala do pagamento de obrigação natural, em que existe apenas o elemento débito, de forma que não é possível pedir de volta pelo que se pagou. Também, não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei. ART. 883 do CC.

Frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações supervenientes ao pagamento indevido Art. 878. Aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o disposto neste Código sobre o possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso. As regras a serem aplicadas se encontram nos arts. 1.214 ao 1.222 do Código Civil, observando-se se de boa-fé ou má-fé estava o possuidor. E acerca das acessões aplicam-se as regras dos arts. 1.253 e seguintes do Código Civil.

Alienação de imóvel dado em pagamento indevido Art. 879. Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-fé, além do valor do imóvel, responde por perdas e danos. Parágrafo único. Se o imóvel foi alienado por título gratuito, ou se, alienado por título oneroso, o terceiro adquirente agiu de má-fé, cabe ao que pagou por erro o direito de reivindicação. Assim, na hipótese daquele que recebeu um imóvel indevidamente em razão de pagamento que não deveria ter se operado e aliena a título oneroso e de boa fé, terá que restituir apenas o valor do imóvel

Se, porém, a alienação foi a título oneroso e se deu de má-fé terá que restituir o valor do imóvel acrescido das perdas e danos devidos. Se a alienação foi a título gratuito, em qualquer caso ou a título oneroso, sendo que o terceiro adquirente agiu de má-fé, aquele que pagou por engano poderá reivindicar o imóvel, e o terceiro que adquiriu gratuitamente ou o terceiro que agiu de má-fé terá que restituir o imóvel.

1.

Pagamento indevido

Com fulcro na ideia de que não é possível enriquecer-se sem uma causa lícita, todo pagamento feito, sem que seja, ainda, devido, deverá ser restituído. O mesmo se aplica àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição.

Quem pagou voluntariamente o indevido deve provar que fez o pagamento por erro, caso contrário, não terá direito à restituição.

Diante de obrigações de fazer/não fazer, o beneficiado deverá indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido.

1.1

Espécies de pagamento indevido

Pagamento objetivamente indevido: erro quanto à existência ou extensão da obrigação.

Pagamento subjetivamente indevido: por quem não é devedor ou a quem não é credor.

1.2Pagamento indevido e boa-fé

Mesmo tendo recebido o pagamento indevido, o suposto credor não estará necessariamente de má-fé, pois as circunstâncias podem levá-lo a imaginar que o valor era efetivamente devido

Quanto ao bem indevidamente recebido:

- Transferido gratuitamente: o legítimo proprietário terá direito à reivindicação.

- Transferido onerosamente:

* Terceiro de má-fé: o legítimo proprietário terá direito à reivindicação do bem. * Terceiro de boa-fé:

a) Alienante de boa-fé: o alienante entregará ao legítimo proprietário a quantia recebida.

b) Alienante de má-fé: o alienante entregará ao legítimo proprietário a quantia recebida + perdas e

danos.

Não terá direito à repetição aquele que pagou para solver obrigação judicialmente inexigível (ex.: dívida prescrita) ou para obter fim ilícito ou imoral. Neste último caso, o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência.

1.3Ação de “in rem verso”

Requisitos simultâneos:

- Enriquecimento do réu: envolve não somente acréscimo patrimonial, mas também qualquer outra

vantagem, como omissão de despesas.

- Empobrecimento do autor: diminuição efetiva do patrimônio ou o que deixou de ganhar.

- Relação de causalidade: nexo de causalidade entre o enriquecimento e o empobrecimento.

- Inexistência de causa jurídica para o enriquecimento.

- Inexistência de ação específica: não caberá a actio in rem verso se a lei conferir ao lesado outros

meios para se ressarcir do prejuízo sofrido. Sempre que se identificar um enriquecimento sem causa, mesmo sem um pagamento indevido propriamente, é cabível a ação de in rem verso (ex.: o credor que perde o direito de executar o cheque por força da prescrição pode promover esta ação contra o emiten.

DO PAGAMENTO INDEVIDO

- Pagamento: quando se efetua o pagamento se libera da obrigação

- Pagamento indevido ocorre quando

Se paga algo que não se deve

Se paga algo a quem não se deve

- Conceito

Art. 876. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição.

Repetir: pedir de volta

Pagamento indevido:

o

Na condição: Se o devedor paga antes do implemento do implemento da condição, tem-se que o direito é eventual não foi adquirido, não se tem certeza da sua aquisição ou exercício, logo se pode repetir.

o

No termo: Se o devedor paga antes significa que ele renunciou ao termo não gerando direito à repetição.

- Requisito

ART. 877. Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro.

O erro: é a percepção equivocada da realidade.

Ex.: se paguei a alguém sabendo que não devia, não existe erro e sim liberalidade.

- Espécies de pagamento indevido

o Indébito objetivo

Quando o erro diz respeito à existência e extensão da obrigação, ou seja, quando o solvens paga a dívida inexistente, mas que supunha existir, ou débito que já existiu, mas se encontra extinto

o Indébito subjetivo

Quando a dívida realmente existe e o engano é pertinente a quem paga (que não é a pessoa obrigada) ou a quem recebe (que não é o verdadeiro credor).

Ex.: Alguém paga, por engano, dívida da empresa da qual é sócio, supondo que se tratava de dívida pessoal; ou de quem, por engano, deposita o pagamento na conta bancária de quem não é o verdadeiro credor, mas seu irmão cujo nome é semelhante ao daquele.

-

Regimes jurídicos do pagamento indevido

Obrigações de dar

o Accipens de boa e má-fé

ART. 878. Aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o disposto neste Código sobre o possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso.

Aquele que recebe de boa-fé o pagamento indevido e tem de restituí-lo, é equiparado ao possuidor de boa-fé fazendo

o

jus aos frutos que percebeu da coisa recebida e

o

à indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis

o

podendo levantar as voluptuárias,

o

não respondendo pela perda ou deterioração da coisa.

Aquele que recebe de má-fé

Não tem direito aos frutos e responde por eles, inclusive juros e deteriorações, desde o recebimento da coisa.

Quanto às benfeitorias será ressarcido somente pelas necessárias

-Recebimento indevido de imóvel

ART. 879. Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-fé, além do valor do imóvel, responde por perdas e danos.

Parágrafo único. Se o imóvel foi alienado por título gratuito, ou se, alienado por título oneroso, o terceiro adquirente agiu de má-fé, cabe ao que pagou por erro o direito de reivindicação.

Tendo de optar entre proteger o direito do proprietário que pagou por seu próprio erro, e o do terceiro que agiu de boa-fé, sendo conduzido a um negócio por circunstâncias que induziriam qualquer pessoa, o legislador preferiu resguardar o último que não colaborou com aquela situação de fato.

Exemplo: se A paga com a entrega de um imóvel a B e este vende o imóvel a C. Se B agiu de boa-fé responderá pelo valor e não pelas perdas e danos. Se agiu de má-fé restitui a quantia e as perdas e danos. Em resumo, o proprietário terá direito à reivindicação se:

o

O

bem ainda se encontrar com o accipiens;

o

Se este o alienou a título gratuito;

o

Se o alienou a título oneroso e o terceiro agiu de má-fé.

Obrigações de fazer e não-fazer

ART. 881. Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar

o que a cumpriu, na medida do lucro obtido.

- Pagamento indevido sem direito à repetição

Título inutilizado

Art. 880. Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador

Se o título foi inutilizado, o credor não está obrigado a restituir a importância recebida porque não poderá mais, sem o título, cobrar a dívida do verdadeiro devedor. Contra este o solvens dirigirá a ação regressiva, para evitar o enriquecimento indevido do réu. o Obrigações naturais

Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.

Quem paga obrigação natural cumpre um dever moral. Embora inexigível a dívida, paga voluntariamente, existia.

Obrigações nulas

Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.

Prevalência do princípio de que ninguém pode valer-se de sua própria torpeza. Ex.: Se alguém contrata uma pessoa pagando-lhe certa importância para que cometa um crime, não terá direito de repetir se esta embolsar o dinheiro e não cumprir o prometido. Com quem deve ficar a prestação:

Parágrafo único. No caso deste artigo, o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência, a critério do juiz. - A repetição do Código de defesa do consumidor

Preceitua o art. 42 , parágrafo úncio do CDC que o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por igual valor ao dobro do que pagou em excesso acrescido de correção monetária e juros legais.

CASO CONCRETO 15

Gumercindo, um jovem agricultor, da cidade de Vale Feliz, encontrou um carneiro perdido depois de provavelmente se evadir do cercado. Procurou as autoridades locais que se recusaram a abrigá-lo alegando não dispor de local adequado para o caprino. Assim, Gumercindo passou a alimentá-lo e dele cuidar. Passados seis meses, o dono, descobrindo seu paradeiro, foi buscá-lo, sendo-lhe imediatamente entregue, porém, cobrado das despesas comprovadamente realizadas, por Gumercindo quem o encontrara. Nesse caso, como deve proceder o dono do carneiro? Fundamente sua resposta.

QUESTÃO OBJETIVA

À luz do Código Civil, assinale a opção correta a respeito do pagamento indevido.

a) O pagamento indevido não se aplica às obrigações de fazer.

b) Proprietário de imóvel dado em pagamento indevido não poderá reivindicá-lo de terceiro alienante.

c) Pagamento de débito prescrito é considerado indevido se o solvens estiver de má-fé.

d) Se o pagamento indevido for voluntário, a restituição não dependerá da prova do erro.

e) Para a configuração do pagamento indevido, exige-se má-fé do credor na cobrança

1. Sobre a obrigação de dar coisa certa é correto afirmar que (72º exame OAB/MS):

1. Sobre a obrigação de dar coisa certa é correto afirmar que (72º exame OAB/MS):

a)

Seu objeto é constituído por um corpo certo e determinado;

(Art. 233)

b)

O credor poderá ser obrigado a receber outra coisa ou outro

objeto,

desde

que

mais

valioso;

c) Ocorrendo deterioração do objeto da obrigação por culpa do devedor, poderá o credor exigir o

equivalente mais perdas e danos, ou aceitar a coisa, no estado em que se acha, podendo também

neste caso reclamar perdas e danos; (obs.: Art. 236)

d) Todas as alternativas são verdadeiras.

2. O credor da coisa certa:

a) Pode ser obrigado a receber outra, ainda que mais valiosa;

b) Pode aceitar outra coisa, desde que haja abatimento do preço;

c) Pode aceitar receber outro bem, mas sempre que estiver de

estabelecidas no negócio

d) Não pode ser obrigado a receber outra, ainda que mais valiosa.

jurídico;

acordo com as condições pré-

3. Um palhaço foi contratado para animar uma festa de aniversário e, no dia do evento, foi vítima de sequestro. Assim:

a)

A obrigação se extingue por caso fortuito, sem dever de indenizar pelo palhaço. (Art. 248)

b)

A obrigação se extingue por caso fortuito, com dever de

indenizar pelo palhaço.

C)

A obrigação não se extingue e o palhaço deve animar outra festa indicada pelo contratante.

d)

A obrigação não se extingue e o palhaço deve pagar outro palhaço que lhe substituiu na animação da

festa.

4. Natália, dona de uma loja de produtos de beleza, promete que os futuros adquirentes da loja manterão

o direito de exclusividade concedido ao fornecedor. Ocorre que Augusta comprou a loja de Natália e não

firmou este compromisso com ela, nem tem intenção de cumpri-lo. Diante desta situação é correto dizer:

a)

Resolve-se a obrigação entre o fornecedor e Natália, devido a impossibilidade de seu cumprimento.

b)

Converte-se a obrigação de fazer em obrigação de dar. (Art. 248)

c)

O fornecedor poderá obter a execução direta da obrigação, pois

esta não é intuitu personae.

d)

Natália não pode ser obrigada a indenizar, pois o adimplemento da obrigação agora depende de

Augusta.

5. Quanto às obrigações é falso afirmar que:

a) Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á, tal qual se ache, o credor, sem

direito a indenização;

b)

A coisa incerta será indicada, sempre, pelo gênero, quantidade e qualidade; (Art. 243)

c)

Na obrigação de fazer, o credor não é obrigado a aceitar de terceiro a prestação, quando for

convencionado que o devedor o faça pessoalmente;

d) Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela

dívida toda.

6. Assinale a alternativa incorreta:

a) Na obrigação de fazer o credor não é obrigado a aceitar de terceiro a prestação, quando for

convencionado que o devedor a faça pessoalmente;

b)

Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou;

c)

Nas obrigações solidárias, o pagamento feito a um dos credores solidários não extingue

inteiramente a dívida; (art. 269)

7.

Assinale a alternativa falsa, quanto à Compensação: (OAB-MS – 65º exame)

a)