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Sobre o Autor JOHN W. CRESWELL
Job.n w. Cttswell é professor de Psicologia Educacional e ministra cursos e esaeve
sobre metodologia qualitativa e pesquisa de m~odos mistos. Trabalha rui cerca de 30
anos na Universidade de Nebraska·Linroln e é autor de 11 livros, muilos deles focados
no projeto de pesquisa, na pesquisa qualitativa e na pesquisa de métodos misros, os
quais foram tt11dutldos para muiras llnguas e são utilizados no mundo todo. Além disso,
é codiretor do Oepnnamenco de ~uisa Qualitativa e de Métodos Mistos da Universi·
dade de Nebrask.1°Uncoln, o qual dá suporte aos acadêmkos que incorporam a pesqui-
sa qualitativa e de métodos mistos em projetos para financiamento exremo. 1\-abalha
como cocditor fundador da revista da Sage, Joumal of Mlxcd Mcthods Rcscarch, e foi
professor a<Uunto de Medicina de Fam1lia na Universidade de Michigan, tendo auxiliado
os investigadores de d!ncias da saúde na metodologia da pesquisa para seus projetos.
Foi re~ntemente escolhido para ser Senior Fulbrighr Scholar e crnbalhou na Africa do
Sul em outubro de 2008, levando os mérodos mistos aos dentlsrrui sociais e aos aurores
de documentários sobre vidmrui da AIDS e suas familias. Toca piano, escreve poesia e é
ativamente envolvido em esportes. ITISire-o em seu websire: www.johnwueswell.com.

Tradução
Magda França Lopes

Consultoria, supervisão e revisão técnica desta edição


DirCl?U da Silva
C923p Creswell, John W. Mestre em Física. Doutor em Educação pela USP.
Projoto de pesquisa : métodos qual1talivo, quanlirarivo e Docence na Universidade Estadual de Campinas.
misto / John W. Cresweli ; ttad~ Magda Lopes ; consultoria,
supervisão e revisão téa>ica desta edição Dirceu da Silva. - 3.
ed. - Porto Alegre : Anmed, 2010.
296 p. : il. ; 23 an.

••
ISBN 978-85-363-2300-8

1. Métodos de pesquisa. L Titulo.

CDU 001.891 (i)SAGE


Cornlogação nn publicação: Renata de Souza Borges CRBI0/ 1922 2010
Obra originalmem• publicada sob o útulo
Ra<arch .0..(gn · Qua/uanw, Quantllati.., and Mà'td M<thods l\pproadtes. 3td Edtllon.
C 2009 by SACE P\lbliamons, lnc:.
Ali righrs ~.
No pan oí this book mny be reprod~ or utiliud in any fonn or by any '"""""•
elecuonic or mechonlcal, indudmg photocopying. recording, or by any lníommtlon
storage and rerrievnl system, wfthout pennls$ion in wriâng from the publishct
SAGE Publioatoon>, lne., ~•editora onginol nos Estados Unid05, Londres e Nova Oclhi
Tradução cm llnguo portuguc;o publicada por acordo flnnndo com SAGE Pubhcntlons,loc.

Capa: Pnola Mcurica

Prcpnrnçno do 01 /~inlll: Josianc Tibwrky

Lejrura fina) Janint Pinhearo dt ltfello

Editora Sênlor - Cil'nclas Humanas: Móruoo Balle)O Canra

Editora =po~v•I por esta obra: Carla R.osa Araujo

Editornção elcuônlca: li>rmaro Arta Grd/ic4s

Dedico este livro a Karcn Drumm Creswell.


Ela é a inspiração para meus escritos e para mínha vida.
Por causa dela, como esposa, estimuladora e editora
decalliada e atenta, consigo traballrar dura11te longas horas
Reservndos todos os dlrchos de pubUcação. em Ungua pon.ugucsa, à e manter o valor doméstico aceso durante os anos
ARTMED• EDITORAS.A. que dedico ao meu rrabal/10 e aos meus livros.
Av. Jerônimo de Om•lns, 670 - Santana
90040-340 Pono Al•grc RS Obrigado, do fundo do meu coração, por estar sempre ao meu lado.
fone (SI) 3027·7000 Fu (51) 3027-7070

É proibida a duplicação ou rcproduçio dest• volume, no iodo ou em pan•,


sob quaisquer formas ou por quaiiquer meios (elcuônico, m<dnko, gn1vaçJo,
foto<6pta, disuibuíçiio na Web e ouuos), ~ permi$$ão exproua da Edltorn.
SÃO PAULO
Av. Emll'1ÍJ<odor Macedo Soaru, 10.735 - Pavilhão S -Cond. Espace Cenier
Vila Ana>Ulclo - 05095·035 - Sao Paulo SP
Fone (1 1) 3665· 1IOO Fllx (11) 3667·1333

SAC 0800 703·3444


IMPRESSO NO 811ASIL
PRINTED 1N BRAZll.
Agradecimentos

Este livro não poderia ter sido escrito sem o encorajamento e as ideias
de centenas de alunos do doutorado em "Desenvolvimento de Propostas"
para os quais miniscrei ao longo dos anos na Universiry of Nebraska-Lincoln.
Ex-alunos e editores específicos foram essenciais em seu desenvolvimento:
Dr. Sharon Hudson, Dr. Leon CanrreU, a já falecida Nerte Nelson, Dr. De To-
nack, Dr. Ray Ostrander e Diane Greenlee. Desde a publicação da primeira
edição, fiquei em dívida com os alunos de meus cursos incrodutórios aos mé-
todos de pesquisa e com as pessoas que paràciparam de meus seminários de
métodos mistos. Esses cursos foram meus laboratórios para a elaboração de
ideias antigas, a incorporação de novas e o compartilhamento das minhas
experiências como escritor e pesquisador. Minha equipe no Departamento de
Pesquisa Qualitativa e de Métodos Mistos da Universiry of Nebraska-Linco!J1
também foi de inestimável ajuda. ·sinto-me também em débito com os traba-
lhos acadêmicos de Ora. Vícki Plano Clark, Dr. Ron Shope, Ora. l<im Galr, Dr.
Yun Lu, Sherry Wang, Amanda Garrett e Alex Morales.
Além disso, sou grato às criteriosas sugestões apresentadas pelos re-
visores da Sage Publications. Também não poderia ter produzido este livro
sem o apoio e o encorajamento de meus amigos dessa editora. A Sage é e
tem sido, uma editora de primeira linha. Estou particularmente em dívida
com minha ex-editora, e memora, C. Deborah Laughton {arualmence na
GuiUord Press) e com Lisa Cuevas-Shaw, Vicki Knight e Stephanie Adams.
Durante quase 20 anos de trabalho, crescemos juntos para ajudar a de-
senvolver os métodos de pesquisa. A Sage Publications e eu agradecemos
reconhecidamente as contribuições dos seguintes revisores:
Mahasweta M. Banerjee, da Universiry of Kansas
Miriam W. Boeri. da Kennesaw Srare Universiry
vlll Agradecimentos
Sharon Anderson Dannels, da George Washington University '
Sean A. Forbes, da Auburn Universicy
Alexia S. Georgakopoulos, da Nova Southeastem Universiry
Mary Enzman Hagedom, da Universicy of Colorado em Colorado
Springs
Sumário
Richard D. Howard, da Monrana State University
Orew lshii, do Whittier College
Marilyn Lockhmt, da Monrana Statc Univcrsity
Carmen McCrink, da Barry University
Barbara Safford, da Universicy of Norte de Iowa
Stephen A. Sivo, da University of Northern Flórida
Gayle Sulik, do \lassar College
Elizabelh Thrower, da Universiry of Momevallo
Conteúdo analftlco das técnicas de pesquisa................................... 11
Prefácio .................................................................................................. 15

Parte 1- Consid erações Preliminares


1 Seleção de um Projeto de Pesquisa .............................................. 25
2 Revisão da Literatura...................................................................... 48
3 Uso da Teoria.................................................................................. 76
4 Estratégias de Redação e Considerações Éticas.......................... 101

Parte li - Planejamento da Pesquisa


5 Introdução....................................................................................... 127
6 Declaração de Objetivo .................................................................. 142
7 Questões e Hipóteses de Pesquisa............................................... 161
8 Métodos Quantitativos.................................................................... 177
9 Métodos Qualitativos...................................................................... 206
1O Métodos Mistos.............................................................................. 238
Glossário ................................................................................................ 267
Referências............................................................................................ 275

Índice onomá811co................................................................................. 285


Indica re missivo ................................................................................... 289
Conteúdo analítico das
técnicas de pesquisa

Capitulo 1. Seleção de um Projeto de Pesquisa


• Como pensar sobre o projeto a ser utilizado
• Identificação de uma concepção com a qual se sinta mais à von·
tade
• Definição dos rrês tipos de projetos de pesquisa
• Como escolher qual dos três projetos ucilizar

Capitulo 2. Revisão da Literatura


• Como avaliar se seu tópico pode se.r pesquisado
• Os passos na condução de uma revisão da literatura
• Bancos de dados computadorizados disponíveis para a revisão da
literatura
• Desenvolvimento de uma prioridade para os tipos de literatura a
ser revisada
• Como projetar um mapa da literatura
• Como escrever um bom resumo de um esmdo de pesquisa
• Elementos importantes de um manual de estilo a ser utilizado
• Tipos de termos a serem definidos
• Um modelo para a escrita de uma revisão da literarura

Capítulo 3. Uso da Teoria


• Os tipos de variáveis em um esrudo quantitativo
• Uma definição prática de uma teoria quantitativa
• Um modelo para a escrita de uma perspecciva teórica em um estudo
n11;1n1ir;1rivn uriH1nndo um roteiro
12 John W Creswell Projeto de pesquisa 13

• Os tipos de teorias utiliiadas na pesquisa qualitativa • A consideração de como o roteiro pode mudar dependendo de sua
• Opções para colocar as teorias em um estudo qualiiativo esiratégia de investigação de métodos mistos
• Como colocar uma leme teórica em um escudo de métodos mistos
Capitulo 7. Questões e Hipóteses de Pesquisa
Capitulo 4: Estratégias de Redaç.ã o e Considerações Éticas • Um roteiro para a escrita de uma questão central qualitativa
• Avaliação de como a escrucura de uma proposta pode diferir; de- • A consideração de como este roteiro pode mudar dependendo da
pendendo de um projeto serqualiu1tivo, quantitativo ou de métodos estratégia qualitativa da investigação
mistos • Um roteiro para a escrita de questões e de hipóteses da pesquisa
• Uma esiratégia escrita para esboçar um propósito quantitativa
• Desenvolvimento do hábito de escrever • A consideração de como este roteiro pode mudar dependendo da
• Diferenças entre ideias abrangemes, grandes ideias, pequenas ideias esiratégia quanritativa da investigação e dos diferentes tipos de
e ideias que alraem atenção na escrita hipóteses
• A técnica dos c!rculos e das retas para a consistência na escrita • Um modelo para uma declaração de questões e de hipótese~ quan-
• Princípios da prosa bem escrita titativas descritivas e inferenciais
• Questões éticas no processo da pesquisa • Roteiros para a escrita de diferentes formas de questões da pesquisa
em um escudo de métodos m.istos
Capitulo S. Introdução
Capitulo 8. Métodos Quantitativos
• DU:erenç~ entre as introduções nos mérodos quantitativo, quaJi.
cauvo e m1s1os • Uma lista de verificação para a pesquisa de levantamento visando
• O modelo de deficiência para a escrita de uma introdução criar tópicos em um procedimento de levantamento'
• Como planejar um bom gancho narrativo • Passos na análise de dados para um procedimento de levantamento
• Como identificar e escrever um problema de pesquisa • Uma discussão completa dos mérodos de levantamento
• Como resumir a literatura sobre um problema de pesquisa • Uma lista de verificação para a pesquisa experimental visando à
• A distinção enire diferentes tipos de deficiências na lirerarura pas- criação de seções em um procedimento experimental
sada • Identificação do tipo de procedimento experimental que melhor se
• A consideração de grupos que podem se beneficiar de seu escudo ajusta ao estudo proposto
• Traçado de um diagrama dos procedimentos experimentais
:apltulo 6. Declaração de Objetivo • Identificação das ameaças potenciais à validade interna e à vai idade
externo de seu estudo proposto
• U~ roteiro para a escrita de uma declaração de propósito quali-
tauva
Capítulo 9. Métodos Qualitativos
• A consideração de como o roteiro pode mudar dependendo de sua
esrrattlgia de investigação qualitativa • Uma 1is ta de verificação para a pesquisa qualitativa visando à cria-
• U~ roteiro para a escrira de uma declaração de propósito quanci- ção de 1ópicos em um procedimento quantitativo
tauva • As características básicas da pesquisa qualitativa
• A consideração de como o roteiro pode mudar dependendo de sua • Determinação de como a reflexívidade será incluJda em um escudo
estratégia de investigação quantitativa proposto
• Um roteiro para a escrita de uma declaração de propósito de méto· • N de R.T. Neste livro o termo em inglés surwy foi rraduiJndio por pesquisa de lcvan-
dos mistos ta1nento.
14 John W. Creswell

• As düerenças entre os cipos de dados coletados na pesquisa quali-


tativa
• Oiscinção entre as fonnas genéricas de análise dos dados e de
análise nas estratégias de invescigação
• Diferentes níveis de análise na pesquisa qualitativa Prefácio
• Estratégias para estabelecer a validade dos estudos qualitativos

Capítulo 1O. Métodos Mist os


• Enrendimento de uma definição da pesquisa de métodos mistos
• Como o controle do tempo, a atribuição de pesos, a mixagem e a
teoria se relacionam com um projeto de métodos mistos
• As diferenças .entre os seis modelos de investigação com métodos
mistos
• Como delinear um procedimento de métodos mistos utilizando PROPÓSITO
uma notação apropriada
• As diferentes esaururas de escrita para a pesquisa de métodos mistos Este livro apresenta modelos de escrurura, procedimento e aborda-
gens inregrativas para o planejamento de pesquisas qualitacivas, quanti-
tativas e de métodos mistos em ciências humanas e sociais. O interesse e
o uso crescente da pesquisa qualitativa, o surgimento de abordagens de
métodos mistos e o uso contínuo das fonnas tradicionais dos projetos
quantitativos criaram a necessidade da comparação ímpar que este livro
faz dos três projetos de pesquisa. Essa comparação tem início com a con·
síderação preliminar de alegações filosóficas para os três tipo de projetos,
uma revisão da literatura, uma avaliação do uso da teoria nos projetos
de pesquisa e algumas reflexões sobre a importância da escrita e da ética
na pesquisa acadêmica. O livro então aborda os elementos fundamentais
do processo de pesquisa: escrever uma introdução, declarar o objetivo
do escudo, identificar questões e hipóteses de pesquisa e propor métodos
e procedimentos para a coleta e a análise dos dados. Em cada passo des-
se processo, o leitor é conduzido por meio das abordagens dos projetos
qualitativos, quantitativos e de métodos mistos.

PÚBLICO

Este livro destina-se a alunos de pós-graduação e professores que


buscam ajuda na preparação de um plano ou uma proposta para um anigo
acadêmico, uma dissertação ou uma tese. Em um nível mais amplo, o livro
oode ser útü canto como obra de referência ouamo como manual para
16 John W. Creswell Projeto de pesgulsa 17

cursos de pós-graduação em métodos de pesquisa. Para tirar o maior pro- caso e pesquisa narrativa na pesquisa qualitativa; e projetos concomitantes,
veito dos aspectos desenvolvidos neste livro, o leitor necessita de uma fa- sequenciais e cransfonnativos na pesquisa de métodos mistos. Embora os
miliaridade bâsica com a pesquisa qualitativa e quantitativa; no entanto, alunos que estão preparando uma proposta de dissertação devam considerar
os termos serão explicados e definidos e apresentadas as estratégias reco· este livro proveitoso, os tópicos relacionados à polltica de apresentação e à
mcndadas para aqueles que precisam de assistência introdutória no pro- negociação de um escudo com os comitl!s de pós-graduação estão tratados
cesso de planejamento e de pesquisa. Os termos destacados no texto e um mais detalhadamente em oucros textos.
glossário dos termos no final do livro proporcionam uma linguagem de Em consonância com as convenções aceitas da escrita acadêmica, ten·
trabalho para compreender a pesquisa. Este livro também se destina a um 1ei eliminar quaisquer palavras, ou exemplos, que cransmirrun uma orien·
público amplo nas ciências sociais e humanas. Os comentários dos leitores cação discriminatória (p. ex., sexista ou étnica). Os exemplos foram sele-
à primeira edição desta obra indicam que os usuários indjviduais se ori- cionados para proporcionar uma série de orientações de gl!nero e culturais.
ginam de muitas disciplinas e de vários campos do saber. Espero que esta o favoritismo também não entrou em jogo em meu uso de discussões qua-
terceira edição seja útil aos pesquisadores de diferente áreas, como mar- litativas e quantitativas: alterei intencionalmente a ordem dos exemplos
k~cing. administração, rureito penal, estudos da comunicação, psicologia, qualitativos e quantitativos em todo o texto. Os leitores devem observar que,
sociologia, ensino fundamental e médio, superior e continuado, enfemia- n05 exemplos mais longos citados neste livro, são feitas muitas referências a
gem, ciências da saúde, urbanismo, entre outras áreas. oucros textos. Será citada apenas a referência à obra que estou usando como
ilustração, e não toda a lista de referências incorporadas a qualquer exemplo
particulai: Assim como nas edições anteriores, mantive alguns recursos para
FORMA
melhorar a legibilidade e o entendimento do material: marcadores para
Em cada capítulo, são apresentados exemplos de diversas disciplinas. enfatizar pontos importantes, itens numerados para enfatizar os passos em
Esses exemplos são extraídos de livros, artigos de periódicos, propos- um processo, exemplos mais longos de passagens completas com minhas
tas de teses e disserrações. Embora minha principal especialização seja anotações para destacar as ideias fundamentais da pesquisa que estão sendo
na educação e, mais amplamente, nas ciências sociais, a intenção dos comunicadas pelos aurores.
exemplos é a de abarcar tanto as ciências sociais quanto as humanas. Eles Nesta terceira edição, novos recursos foram adicionados em resposta
refletem questões de justiça social e exemplos de estudos realizados com aos desenvolvimentos na pesquisa e aos comentários dos leitores:
indivíduos marginalizados de nossa sociedade, bem como as amostras e • As suposições filosóficas ao examinar a pesquisa e ao usar as teorias
as populações trndicionais estudadas pelos pesquisadores sociais. A in- estão presentes no inicio do livro como passos preliminares que 05
clusão também se estende ao pluralismo metodológico presente hoje em pesquisadores precisam considerar antes de planejarem seus escudos.
pesquisa, e a discussão incorpora ideias filosóficas alternativas, modos de • A discussão sobre questões éticas foi expandida para incluir mais
investigação e numerosos procedimentos. considerações relacionadas à coleta de dados e ao relato dos
. Este livro não é um texto detalhado de um método, ao contrário, aqui achados da pesquisa.
saliento as características essenciais do projeto de pesquisa. Gosto de pensar • Estão incorporadas as novas tecnologias baseadas na Internet para
que reduzi a pesquisa às suas ideias básicas essenciais que os pesquisadores as buscas de literatura, tais como o Google Scholar, ProQuest e
precisam conhecer para planejar um estudo abrangente e criterioso. A SurveyMonkey.
cobertura das estraiégias de pesquisa da investigação está limitada às formas • O capitulo sobre procedimentos de métodos mistos foi extensi-
frequentemente utilizadas: levantamentos e experimentos em pesquisa vamente revisado para incluir as ideias mais recentes sobre esta
quantitativa; fenomenologia, ecnogralin, teoria fundamentada·, estudos de escrumra. Estiio incluídos e citados artigos recentes da revista da
Sage, o Joumal of Mixed Methods Resenrch.
· N. de R.1: Ncs~ livro o termo cm inglh grounded theoiy foi traduzido como teoria • O capitulo da segunda edição sobre definições, limitações e deli-
l11ndamenrndn. mitações foi eliminado, e as informações foram incorporadas aos
18 John W. Creswell Projeto de pesquisa 19

capítulos sobre revisão da literatura e introdução a uma proposta. Capitulo 1. Seleção de um Projeto de Pesquiso
Arualmenre, os criadores de propostas estão incluindo essas ideias Neste capírulo, começo definindo as pesquisas quantitativa, qualita·
em oucras seções de uma proposta. tiva e de métodos mistos e as discuto enquanto projetos de pesquisa. Es·
• Esra terceira edição contém um glossário de cermos que os pesqui· tes projetos são planos para um estudo e incluem crês elementos impor-
sadores iniciantes e os mais experientes podem utilizar para entender tantes: suposições filosóficas, estratégias de investigação e métodos de
a linguagem da pesquisa. Isso é especialmente imponante devido à pesquisa espeáficos. cada um desses elementos ' discutido em todos os
evolução da linguagem da pesquisa qualitativa e dos métodos mistos. seus detalhes. A escolha do projeto de pesquisa baseia-se na consideração
No decorrer de todo o texto, os termos são cuidadosamenre definidos. desses crês elementos e cambém na questão de pesquisa do estudo, nas
• Inclui, em vários capltuJos, um delineamento de dicas de pesquisa experiências pessoais do pesquisador e no público para o qual será es-
sobre diferentes tópicos que rêm me ajudado a aconselhar alunos e crito o esrudo de pesquisa. Esse capítulo deve auxiliar aqueles que estão
professores nos métodos de pesquisa nos últimos 35 anos. desenvolvendo propostas a decidir o projeto mais adequado para seus
• O livro conrém referências completas atualizadas e uma atenção às estudos: qualitativo, quantitativo ou de métodos mistos.
novas ed ições das obras.
• Algumas caracrerísticas da última edição foram mantidas, tais como: Copftulo 2. Revisão da Literatura
./' A escrurura ge.ral do livro com sobreposições de projetos de pes· É imponante examinar extensivamente a literatura sobre seu tópico
quisa qualitativa, quantitaciva e de métodos mistos no processo antes de planejar sua proposta. Por isso, você precisa começar com um
geral e nos passos do processo da pesquisa. tópico passível de ser pesquisado e, depois, explorar a lite ratura utilizando
./'As principais estratégias práticas do e nte ndimento das suposi· os passos propostos neste capítulo. Isco requer estabelecer uma priorida·
ções filosóficas da pesquisa, dicas sobre a redação acadêmica, de para a revisão da literarura, traçar um mapa visual dos estudos relacio-
realização de um mapa de literatura da pesquisa, roteiros na es· nados a seu tópico, escrever bons abstracts, empregar as habilidades
crica das apresentações do propósito e das questões da pesquisa e aprendidas sobre o uso dos manuais de estilo e definir as palavras-chave.
listas de verificação para a escrita dos procedimentos detalhados Esse capítulo deve auxiliar aqueles que estão desenvolvendo propostas a
da condução de pesquisa qualitativa, quantitativa e de métodos considerar criteriosamente a literatura relevante sobre seus tópicos e a
mistos começar a compilar e a escrever revisões da literatura para as proposras.
./' Cada capírulo termina com questões para discussão e referências
fundamentais. Ca pítulo 3. Uso da Teoria
As teorias servem a diferentes propósitos nas crês formas de inves·
tigação. Na pesquisa quantitativa, proporcionam uma explanação pro-
RESUMO DOS CAPITULOS posta para a relação encre as variáveis que estão sendo testadas pelo
investigador. Na pesquisa qualitativa, com frequência podem servir como
Este livro está dividido em duas partes. A Parre 1 consiste de passos
uma lente para a investigação ou podem ser geradas durante o esrudo.
a serem considerados pelos pesquisadores antes de desenvolverem suas Nos estudos de métodos mistos, os pesquisadores as empregam de mui-
propostas ou seus planos de pesquisa. A Parte n discute as várias seções tas maneiras, incluindo aquelas associadas às abordagens quantitativa e
de uma proposta. qualitativa. Esse capírulo auxilia os construtores de propostas a consi-
derar e a planejar como a teoria pode ser incorporada a seus estudos.
PARTE l : CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Capítulo 4. Estratégias de Redaçdo e Considerações Ét icas
Esta pane do livro discute a preparação para o projeto de um estudo Ames de começar a escrever, convém ter um esboço geral dos tópi·
acadêmico. Abrange o Capírulo 1 ao 4. cos a serem incluídos na orooosta. Por isso. esse caoítulo inicia com dife·
20 John W. Creswell Projeto de pesquisa 21

rentes esboços para propostas escritas; podem ser usados como modelos, quantitativas e também a empregar as duas íonnas na elaboração de ques·
dependendo se seu estudo propos~o é qu~ica~vo, quantitativo _ou de mé- tões e de hipóteses de métodos mistos. Muitos exemplos servem como
todos mistos. Depois apresento diversas ideias sobre a redaçao real da roteiro para ilustrar esses processos.
proposta, tais como o desenvolvimento do hábito de escrev~r e ideias ~e
gramática que me têm sido úteis no aprimoramento de manha redaçao Capítulo B. Métodos Quantitativos
acadêmica. Finalmente, passo às questões éticas e as discuto, não como Os métodos quantitativos envolvem o processo de colet-a, análise,
ideias abstratas, mas como considerações as quais precisam ser previstas interpretação e redação dos resultados de um estudo. Existem métodos
em todas as fases do processo de pesquisa. específicos, ramo no levantamento quanto na pesquisa experimental, os
quais se relacionam à identificação de uma amostra e de uma população,
à especificação da estratégia da investigação, à coleta e análise dos dados,
PARTE 11: PLANEJAMENTO DA PESQUISA à apresentação dos resultados, à realização de uma interpretação e à
redação da pesquisa de uma maneira consistente com um levantamento ou
Na Pane 11, passo aos componentes do planejamento da proposta de estudo experimental. Nesse capítulo, o leitor aprenderá os procedimentos
pesquisa. Os Capítulos 5 a l Ocratam dos passos neste processo. especlficos para planejar o levantamento ou os métodos experimentais
de que necessita para penetrar em uma proposta de pesquisa. As listas de
Capítulo 5. Introdução verificação apresentadas nesse capítulo ajudam a garantir que todos os
É importante fazer uma introdução apropriada para um estudo de passos importantes sejam incluídos.
pesquisa. Apresento um modelo para você escrever uma boa introdução
ocadêmica a sua proposta. Essa introdução inclui a ídentificaçiío do problema Capítulo 9. Métodos Qualitativos
ou a questão de pesquisa, a estruturação desse problema dentro da literatura As abordagens qualitativas de coleta, análise, interpretac;ãq e redação
existente, a indicação de deficiências na literatura e o direcionamento do do relatório dos dados diferem das abordagens quantitativas cradicionais.
estudo para um público. Esse capítulo apresenta um método sistemático pa- A amostragem intencional, a coleta de dados abertos, a análise de textos
ra o planejamento de uma introdução acadêmica a uma proposta ou estudo. ou de imagens, a representação de informações em figuras e em quadros e
a interpretação pessoal dos achados informam procedimentos qualitativos.
Capítulo 6. Decloroção de Objetivo Esse capítulo sugere passos no planejamento de procedimentos qualitativos
No início das propostas de pesquisa, os amores mencionam o pro- ern uma proposta de pesquisa e também inclui uma lista de verificação
pósito ou a intenção central do estudo. Essa passagem é a declaração mais para garantir que você cubra todos os procedimentos importantes. Amplas
importante de toda a proposta. Nesse capítulo, você aprenderá a escrever ilustrações proporcionam exemplos extra.Idos da fenomenologia, da teoria
essa declaração para estudos quantitativos, qualitativos e de métodos fundamentada, da etnografia, de estudos de caso e da pesquisa narrativa.
mistos e será apresentado à roteiros os quais o ajudarão a planejar e a
escrever essas declarações. Capítulo 1O. Métodos Mistos
Os procedimentos de métodos mistos empregam aspectos dos métodos
Capítulo 7. Questões e Hipótes"s de Pesquiso quantirntivos e dos procedimemos qualitativos. A pesquisa de métodos
As questões e as hipóteses tratadas pelo pesquisador servem para mistos aumentou em popularidade nos últimos anos, e esse capitulo destaca
estreitar e para focar o propósito do estudo. Como outra indicação impor- importantes desenvolvimentos no uso desse modelo. Seis tipos de projetos
tante em um projeto, o conjunto de questões e de hipóteses de pesquisa de métodos mistos são enfatizados, juntamente com uma discussão sobre os
preci.sa ser escrito com muito critério. Nesse capítulo, o leitor aprenderá critérios para selecionar um deles tendo por base a distribuição do tempo,
a escrever questões e hipÓteses de pesquisa tanto qualitativas quanto a atribuicão de ocso. a mistura e o uso da teoria. São apresentadas fi~uras
22 Jonn w. CtesweU

que sugerem apelo visual que o perquisador pode planejar e incluir em uma
proposta. Os pesquisadores obtêm uma introdução da pesquisa de métodos
mistos como praticada hoje, assim como os tipos de projetos que podem ser
utilizados em uma proposro de pesquisa.
O planejamento de um esrudo é um processo diffc:il e demorado. Es-
te livro não vai necessariamente tomar o processo mais fácil ou mais rá- Parte 1
pido, mas pode apresentar as habilidades específicas úteis no processo, o
conhecímento dos passos envolvidos no processo e um guia prático para
compor e escrever uma pesquisa acadêmica. Antes do esclarecimento dos Considerações Preliminares
passos do processo, recomendo que os aurores da proposta pensem sobre suas
abordagens de pesquisa, realizem revisões da literatura sobre seus tópicos,
desenvolvam um esboço dos tópicos a serem incluídos no planejamento de
uma proposta e comecem a prever quesrões éticas potenciais que possam
surgir na pesquisa. A ~ 1aborda tais tópicos. 1 Seleção de um Projeto de Pesquisa

2 Revisão da Literatu ra

3 Uso da Teoria

4 Est.r atégias de Redação e Considerações Éticas

Este livro destina-se a auxiliar os pesquisadores a desenvolver um pia·


no ou uma proposca para um eswdo de pesquisa. A Parte 1 aborada
diversas consideraçõe.s preliminares necessárias antes de elaborar
uma proposca ou um proíeto de estudo. Essas considerações estão re-
lacionadas à seleção de um projeto de pesquisa apropriado. à revisão
da literatura para posicionar o estudo proposto dentro da literatura
existente. à seleção de uma teoria no estudo e ao emprego. desde o
início, de uma boa redação e de práticas éticas.
1
Seleção de um
Projeto de Pesquisa

Os projetos de pesquisa são os planos e os procedimentos para a pes·


quisa que abrangem as decisões desde suposições amplas até métodos
detalhados de coleta e de análise dos dados. Esse plano envolve várias
decisões, os quais não precisam ser tomadas na ordem em que fazem
sentido para mim e na ordem de sua apresentação aquL A decisão
geral envolve qual projeto deve ser utilizado para se estudar um t6pico.
A i11jormação dessa decisão deveria refletir as concepções que o pes·
quisador traz para o estudo, os procedimentos da investigação (cha-
mados de estratégias) e os métodos espedficos de coleta e de análise e
interpretação dos dados. A seleção de um projeto de pesquisa é tam-
bém baseada na natureza ilo problema ou na questão de pesquisa que
está sendo tratada, nas experiências pessoais dos pesquisadores e no
público ao qual o estudo se dirige.

OS TR~S TIPOS DE PROJETOS

Neste livro, são apresentados rrês tipos de projetos: qualitativos,


quantitativos e de métodos mistos. Sem dúvida, as três abordagens não
são tão distintas quanto parecem inicialmente. As abordagens qualitativa
e quantitativa não devem ser encaradas como extremos opostos ou di·
cocomias, pois, em vez disso, representam fins diferentes em um contí-
nuo (Newman e Benz, 1998). Um estudo tende a ser mais qualitativo do
que quantitativo, ou vice-versa. A pesquisa de métodos mistos reside no
26 John W. Creswell Projeto de pesquisa 27

meio deste contínuo porque incorpora elementos das duas abordagens, posições sobre a cestagem dedutiva das teori~s, s~bre a criaç~o de prote·
qualitativa e quantitativa. ções contra vieses, sobre o conrrole de explicaçoes alternativas e sobre
Com frequência a distinção enrre pesquisa qualitativa e quantitativa é sua capacidade para generalizar e para replicar os achados.
esrruturada em termos do uso de palavras (qualitativa) em vez de números • A pesquisa de mé todos mistos é uma abordagem da inves·
(quantitativa), ou do uso de questões fechadas (hipóteses quantitativas) tigação que combina ou associa as formas qualitativa e _quantirariva. En-
em vez de questões abertas (questões de enrrevista qualitativa). Uma ma- volve suposições filosóficas, o uso de abordagens qualitativas e quana-
neira mais completa de encarar as gradações das diferenças enrre elas tativas e a misrura das duas abordagens em um estudo. Por isso, é mais do
está nas suposições filosóficas básicas que os pesquisadores levam para o que uma simples coleta e análise dos dois tipos de dados; envolve também
estudo, nos tipos de esrratégias de pesquisa utilizados em coda a pesquisa o uso das duas abordagens em conjunto, de modo que a força geral de um
(p. ex., experimentos quantitativos ou estudos de caso qualitativos) e nos escudo seja maior do que a da pesquisa qualitativa ou quantitativa isolada
métodos específicos empregados na condução destas esrratégias (p. ex., (Creswell e Plano Clark, 2007).
coleta quantitativa dos dados em insmunencos versus coleta de dados
qualitativos arravés da observação de um ambiente). Além disso, as duas Essas definições têm consideráveis infom1ações em cada uma delas.
abordagens têm uma evolução histórica, com as abordagens quantitativas Ao longo de codo o livro, discuto as panes das definições para que seus
dominando as formas de pesquisa nas ciências sociais desde o final do significados fiquem claros.
século XIX até meados do século XX. Durante a segunda metade do século
XX, o interesse na pesquisa qualitativa aumentou e, junto com ele, o de-
senvolvimenco da pesquisa de métodos mistos (ver Creswell, 2008, para OS TR~S COMPONENTES ENVOLVIDOS EM UM PROJETO
mais informações sobre essa história). Com esse pano de fundo, convém
observarmos as definições desses rrês termos fundamemais, conforme uti- Dois importantes componentes em cada definição são que a abor-
lizados neste livro: dagem da pesquisa envolve suposições filosóficas e rambém métodos ou
• A pesquisa qualitativa é um meio para explorar e para entender procedimentos distintos. O projeto de pesquisa, a que me refiro como
o significado que os indivíduos ou os grupos atribuem a um problema social 0 plano ou proposta para conduzir a pesquisa, envolve a intersecção de
ou humano. O processo de pesquisa envolve as questões e os procedimentos filosofia, de estratégias de investigação e de mécodos específicos. Uma
que emergem, os dados tipicamente coletados no ambiente do participante, esrrurura que utilizo para explicar a inreração desses três componentes
a análise dos dados indutivamente consrruída a partir das particularidades pode ser visra na Figura L L Para reiterar, no planejamento de um estudo,
para os temas gerais e as interpretações feitas pelo pesquisador acerca do os pesquisadores precisam pensar por meio das suposições da concepção
significado dos dados. O relatório final escrito tem uma esrrutura flexível. filosófica que eles trazem ao estudo, da estratégia da investigação que
Aqueles que se envolvem nessa forma de investigação apóiam uma maneira está relacionada a essa concepção e dos métodos ou procedimentos de
de encarar a pesquisa que honra um estilo indutivo, um foco no significado pesquisa específicos que transformam a abordagem em prática.
individual e na importância da interpretação da complexidade de uma
situação (adaptado de Creswell, 2007).
• A pesquisa quantitativa é um meio para testar teorias objetivas, Concepções filosóficas
examinando a relação enrre as variáveis. Tais variáveis, por sua vez, podem
ser medidas tipicamente por insmunentos, para que os dados numéricos Embora as concepções filosóficas pem1aneçam em grande parte
possam ser analisados por procedimentos estatis ricos. O relatório final escrito ocultas na pesquisa (Slife e Williams, 1995), ainda assim influenciam sua
tem uma estrutura fixa, a qual consiste em inrrodução, literatura e teoria, prática e precisam ser identificadas. Sugiro que os indivíduos que preparam
métodos, resultados e discussão (Creswell, 2008). Como os pesquisadores uma proposta ou plano de pesquisa explicitem as ideias filosóficas mais
qualitativos, aqueles que se engajam nessa forma de investil(ação rêm su· abranl.'entes oue adoram. Essa informação ajudará a explicar o motivo
28 John W. Cteswell Projeto de pesqU1S3 29

pelo qual escolheram a abordagem qualitativa, quantitativa ou de métodos consmmVJSta, reivindicatória/participarória e pragmática. Os principais
mistos para sua pesquisa. Ao escrever sobre as concepções, uma proposta elementos de cada posição estão apresentados no Quadro 1.1.
pode incluir uma seção que trate do seguinte:
• A concepção filosófica proposta no estudo
Quadro 1.1 Quatro concepções
• Uma definição das considerações básicas dessa concepção
• Como a concepção moldou sua abordagem da pesquisa ( P61..,.,-llMlbl >
Con1tru1M118
l >-:-Z 1
• En4endimonto
• ReduCIOnlsmo • Significados mülllplos do pot1Jefpanl8
Eattaltglu ci. ln-lipçlo
• OóseMlçêo e - a i ; a o emplricas • ConsWçao soaal • tutOrica
Concopç6es 111....Sffcas MleclonMn
Estratégias quakla!Nn • Veril'icaçao da teoria • Geração de l80ria
~sta
(p. ex., etnografia)
Consuuçao soe.ai Eslratég... qualileUVa•
Reriindlca10.WparticipaWa
(p. &x.. 9l<P6rimenloe) • Pcllllca • Consequências das aç0e9
Pragm•tica
Eslral~Jas de métodos mistos • Cllpacllação orientada para a quos1ao • Conlrada no problema
(p. ex.• sequenciai&) • Colnborellva • Pluralista
Projeto• de peaqulu • Orlonlada para a mudança • Orieniacta para a préllce no mundo real
Qualit.!Uvo
Ouanblativo
~mistos A conc~çâo pós-posit ivista
M4t-ci. Pffqulu As suposições pós-positivistas têm representado a fonna tradicional
Ouestões
da pesquisa, e são mais válidas para a pesquisa quantitativa do que para a
Colela dos dados
Análise dos dados qualitativa. Às vezes é chamada de método cientifico ou da realização de
rnterprela~ ~quisa na ciéncia. É também chamada de pesquisa positivis1alp6s-posi-
Redação tivisia, de ciência empúica e de pós-posítivismo. Este último termo é chama-
Valida~
do pós-positivismo porque representa o pensamento posterior ao positi-
Figura 1.1 Uma estrutura para o projeto - a interconexão das concepções esrra- vismo, que desafia a noção tradicional da verdade absoluta do conheci-
tégias da investigação e métodos de pesquisa. ' mento (Phillips e Burbules, 2000) e reconhece que não podemos ser "po-
sitivos• sobre nossas declarações de conhecimento quando escudamos o
Optei por usar o termo concepção significando "um conjunto de comportamento e as ações de seres humanos. A tradição pós-positivista
crenças básicas que guiam a ação" (Guba, 1990, p. 17). Outros 1êm chamado vem dos esaicores do século XIX, como Comte, Mill, Durkheim, Newton e
as concepções de paradigmas (Lincoln e Guba, 2000; Menens, 1999); epis- Locke (Smith, 1983), e cem sido mais recentemente a.rticulada por es-
temologias e onrologias (Crotty, 1998) ou de metodologias de pesquisa am- critores como Phillips e Burbules (2000).
plamertre concebidas (Neuman, 2000). Encaro as concepções como uma Os p ós-p ositivist as defendem uma filosofia determinística, na qual
orientação geral sobre o mundo e sobre a natureza da pesquisa defendidas as causas provavelmente determinam os efeitos ou os resuhndos. Assim,
por um pesquisador. Tais concepções são moldadas pela área da disciplina os problemas escudados pelos pós-positivistas refletem a necessidade de
do aluno, pelas crenças dos orientadores e dos professores em uma área do identificar e de avaliar as causas que influenciam os resultados, como
aluno e pelas experiências que tiveram em pesquisa. Os tipos de crenças aquelas encontradas nos experimentos. É também reducionista, pois a
abraçadas pelos pesquisadores individuais com frequência os conduzirão a intenção é reduzir as ideias a um conjunto pequeno e distinto a serem
adotar em sua pesquisa uma abordagem qualitativa, quantitativa ou de mé- testadas, como as variáveis que compreendem as hipóteses e as questões
todos mistos. Quatro concepções diferentes são discutidas: PÓS·POSitivista. de pesquisa. O conhecimento que se desenvolve por meio de um enfoque
30 John W. Creswell Projeto de pesquisa 31

posiávista é baseado em uma observação e mensuração atenta da reali- pesquísa qualitativa. As ideias provêm de Mannheim e de obras como Tl1e
dade objetiva que está no mundo "lá fora". Desse modo, o desenvolvimento Social Coosrruction of Reality, de Berger e Luekmann (1967) e de Naru-
de medidas numéricas de observações e o estudo do comportamento dos raliscic /nquiry, de Guba (1985). Os escritores mais recentes que têm
indivíduos tomam-se fundamentais para um positivista. Por fim, há leis ou resumido essa posição são Lincoln e Guba (2000), Schwandt (2007),
teorias que governam o mundo, e elas precisam ser resradas ou verificadas Neuman (2000) e Crotty (1998). Os construtivistas sociais defendem
e refinadas, para que possamos compreende.r o mundo. Assim, no méto- suposições de que os indivíduos procuram entender o mundo em que vi-
do cie.nâfico, a abordagem da pesquisa aceita pelos pós-posidvisras, um vem e trabalham. Os indivíduos desenvolvem significados subjetivos de
indivíduo inicia com uma reorla, coleta os dados que a apoiam ou refutam, suas experiências, significados dirigidos para alguns objetos ou coisas. This
e depois faz as revisões necessárias antes de realizar tesres adicionais. significados são variados e múltiplos, levando o pesquisador a buscar a
Lendo Phillips e Burbules (2000), você pode adquirir uma percepção complexidade dos poncos de vista em vez de esaeirá-105 em algumas cate·
das suposições fttndamenrais dessa posição, como, por exemplo: gorias ou ideias. O objetivo da pesquisa é confiar o máximo possível nas
l. O conhecimento é conjectura) (e antifundacional) - a verdade visôes que os participantes têm da siruação a qual está sendo estudada. As
absoluta nunca pode ser encontrada. Assim, a evidência esrabelecida na questões romam-se amplas e gerais, para que os partidpames possam cons-
pesquisa é sempre imperfeita e falfvel. Por esta razão, os pesquisadores truir o significado de uma situação caraaeristicamence baseada em discus-
afirmam que não provam uma hipótese, mas indicam uma falha para sões ou interações com outras pessoas. Quanto mais abeno o questiona-
rejeitar a hipótese. mento, melhor, enquanro o pesquisador ouve atentamente o que as pessoas
2. A pesquisa é o processo de fazer declarações e depois refiná-las ou direm e fazem nos ambientes em que vivem. Com frequência, esses signi-
abandonar algumas delas em prol de outras declarações mais solidamence ficados subjetivos são negociados social e historicamencc. Eles não estão
justificadas. A maior parte das pesquisas quantitativas, por exemplo, inicia simplesmente estampados nos indivíduos, mas são formados pela interação
com o teste de uma teoria. com as outras pessoas (dai o coDStIUtivismo social) e por nonnas históricas
3. Os dados, as evidências e as considerações racionais moldam o e culrurais as quais operam nas vidas d05 indivíduos. Por isso, os pesqui-
conhecimento. Na prááca, o pesquisador coleta informações sobre os ins- sadores construdvistaS frequentemente tratam dos processos de interação
trumentos baseadas em avaliações preenchidas pelos participantes ou em entre os indivíduos. Thmbém se concentram nos contextos específicos em
observações registradas pelo pesquisador: que as pessoas vivem e trabalham, para entender os ambientes históricos e
4. A pesquisa procura desenvolver declarações relevantes e verda- culruraís d05 parddpantes. Os pesquisadores reconhecem que suas próprias
deiras, as quais servem para explicar a siruação de interesse ou que des- origens moldam sua imerpreração e se posicionam na pesqu1S3 para recc>-
crevam as relações causais de interesse. Nos estudos quantitativos, os nhecer como sua imerpreração flui de suas experiências pessoaís, culrurais e
pesquisadores sugerem a relação entre as variáveis e a apresentam em históricas. A intenção do pesquisador é extrair senádo dos (ou interpretar)
termos de questões ou de hipóteses. significados que os oucros atribuem ao mundo. Em vez de começar com
5. Ser objetivo é um aspecto essencial da investigação romperenre; uma teoria (como no pós-positivismo), os investigadores geram ou indutiva-
os pesquisadores precisam examinar os métodos e as conclusões para mente desenvolvem uma teoria ou um padrão de significado.
evitar vieses. Por exemplo, o padrão de validade e a confiabilidade são Por exemplo, ao discutir o construtivismo, Crotty ( 1998) identificou
importantes na pesquisa quantitativa. várias suposições:
J. Os significados são conscruídos pelos seres humanos quando
A eoneepção eonstrutlvlsto social eles se engajam no mundo que escão interpretando. Os pesquisadores
qualitativos rendem a uálizar questões abertas para que os participantes
Outros adoram uma concepção difereme. O consautivismo social possam comparcilbar suas opiniões.
(com frequência associado ao interpretivismo: ver Mertens, 1998) é uma 2. Os seres humanos se engajam em seu mundo e extraem senrido
perspectiva desse tipo, e é tipicamente encarado como uma abordaRem da dele baseados em suas perspectivas históricas e sociais, pois todos nós
32 JoM W. Creswell Projeto de pesquisa 33

nascemos em um mundo de significado que nos é conferido por nossa pensas da pesquisa. A pesquisa reivindicatória proporciona uma voz a
cultura. Assim, os pesquisadores qualitativos procuram entender o contexto esses participantes, elevando sua consciência ou sugerindo uma agenda de
ou o cenário dos participantes, visitando tal contexto e reunindo informações mudança para melhorar suas vidas. Toma-se uma voz unida para a re-
pessoalmente. Também interpretam o que encontram, uma interpretação forma e a mudança.
moldada pelas próprias experiências e origens do pesquisador. Essa concepção filosófica se concentra nas necessidades dos gn1pos
3. A geração básica de significado é sempre social, surgindo dentro e e dos indivíduos em nossa sociedade os quais possam estar margina·
fora da interação com uma comunjdade humana. O processo da pesquisa lizados ou privados de privilégios. Por isso, as perspectivas teóricas po-
qualitativa é principalmente indutivo, com o investigador gerando signifi- dem esrar integradas às suposições filosóficas que constroem um quadro
cado a partir dos dados coletados no campo. das questões que estão sendo examinadas, as pessoas a serem estudadas
e as mudanças são necessárias, como perspectivas feministas, discursos
A concepçao reivindicatória e participatória racializados, teoria crítica, teoria queer', reoria da homossexualidade e
teoria da incapacidade - enfoques teóricos que serão discutidos detalha-
Outro grupo de pesquisadores abraça as suposições filosóficas da damente no Capítulo 3.
abordagem reivindicatária/participatória. Essa posição surgiu durante as Embora esses sejam grupos diferentes e minhas explicações aqui
décadas de 1980 e 1990, a partir de indivíduos que acreditavam que as sejam generalizações, cabe examinar o resumo de Kemmis e Wilkinson
suposições pós-positivistas impunham leis e teorias estruturais que não se (1998) sobre os principais aspectos das formas defensivas ou participativas
ajustavam aos indivíduos de nossa sociedade ou às questões de justiça de investigação:
social que precisavam ser abordadas. Essa concepção é tipicamente en- 1. A ação participativa é recursiva ou dialética e se concentra em
contrada na pesquisa qualitativa, mas pode servir como base também para produzir mudança nas práticas. Assim, no final dos escudos defensivos/
a pesquisa quantitativa. Historicamente, alguns dos esc.ritores que adotam participativos, os pesquisadores sugerem uma agenda de ação para a
a concepção reivindicatória/participatória (ou emancipatória) têm se ba- mudança.
seado nas obras de Marx, Adorno, Marcuse, Habermas e Freire (Neuman, 2. Essa forma de investigação está concentrada em ajudar os indi·
2000). Fay (1987), Heron e Reason (1997) e Kernmis e Wilkinson (1998) víduos a se libenarem das restrições enconcradas nos meios de comunicação,
são escritores mais recentes que estudam essa perspectiva. Esses inves- na linguagem, nos procedimentos de trabalho e nas relações de poder nos
tigadores acreditam, principalmente, que a posição construtivista não foi cenários educacionais. Os estudos defensivos/participativos com frequência
longe o bastante na defesa de uma agenda de ação para ajudar as pessoas se iniciam com urna questão ou uma posição importante sobre os problemas
marginalizadas. Uma concepção reivin dicatória/p articipatória de- da sociedade, como a necessidade de capacitação.
fende que a investigação da pesquisa precisa estar interligada à política e 3. Ela é emancipatória, no sentido de que ajuda as pessoas a se
à uma agenda política. Por isso, a pesquisa contém urna agenda de ação libertarem das restrições das estruturas irracionais e injustas que limitam
para a reforma que pode mudar as vidas dos participantes, as instituições o aurodesenvolvimento e a autodeterminação. Os estudos defensivos/
nas quais os indivíduos trabalham ou vivem e a vida do pesquisador. Além participativos têm como objetivo criar uni debate e uma discussão políticos
disso, precisa-se tratar de questões especificas, re.lacionadas a importantes para que a mudança possa ocorrer.
questões sociais atuais, como capacitação, desigualdade, opressão, domi- 4. É prática e colaborativa, porque é uma investigação realizada com
nação, supressão e alienação. O pesqllisador com frequência começa com outras pessoas, em vez de sobre ou para ouccas pessoas. Nesse espírito,
urna dessas questões como o ponto focal do estudo. Essa pesqllisa também
assume que o investigador vai proceder colaborativamente, de modo a não • N. de T. A teoria queer é uma teoria sobre o gênero que afirma que a orientação
sexual e a identidade sexual ou de gêne.ro dos indivíduos são o resultado de um
marginalizar ainda mais os participantes como um resultado da investi- con.structo social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologica~
gaçiio. Nesse sentido, os participantes podem ajudar a planejar as ques- nlente jnsc.ritos na natureza humana, antes formas socialmente vnriáve.is de descro·
tões, a coletar os dados, a analisar as informações ou a colher as recoro- penhar um ou vários papéis sexuais.
34 John W. Creswell Projeto de pesquisa 35

os aurores reivindkatórios/panicipatórios engajam os pan:icipantes como res usam tanto dados quantitativos, quanto qualitativos, porque
colaboradores ativos em suas investigações. eles intentam proporcionar o melhor entendimento de um proble-
ma de pesquisa.
A concepção progmcltlca • Os pesquisadores pragmáticos olham para o que e como pesquisai;
Oucra posição sobre as concepções vem dos pragmáticos. O pragma- baseados nas consequências pretendidas, ou seja, aonde eles que-
tismo deriva das obras de Peirce, James, Mead e Dewey (Cherrybolmes, rem chegar com ela. Os pesquisadores de métodos mistos preci-
1992). Escritores recentes incluem Rorty (1990), Murphy (1990), Panon sam, antes de rudo, estabelecer um propósito para sua combina-
(1990) e Chenyholmes (1992). Essa filosofia tem muitas fonnas, mas, ção, uma base lógica para as razões pelas quais os dados quantita-
para muicos, o pragmatis mo enquanto concepção surge mais das ações, tivos e qualitativos precisam ser combinados.
das sicuações e das consequências do que das condições ancecedentes (co- • Os pragmáticos concordam que a pesquisa sempre ocorre em con-
mo no pós-positivismo). Há uma preocupação com as aplicações, o que textos sociais, históricos e políticos, entre outros. Dessa maneira,
funciona, e as soluções para os problemas (Panon, 1990). Em vez de se os escudos de métodos mistos podem incluir uma feição pós-mo-
concencrarem nos métodos, os pesquisadores enfatiuun o problema da derna, um enfoque teórico o qual reflita objetivos de justiça social
pesquisa e utilizam todas as abordagens disponíveis para entender o pro- e objetivos políticos.
blema (ver Rossman e Wilson, 1985). Como uma base filosófica para os • Os pragmáticos acreditam em um mundo externo independente da
mence, assim como daquele alojado na mente. No entanto, acre-
escudos de métodos mistos, Thshakkori e Teddlie (1998), Morgan (2007) e
dicam que precisamos parar de formular questões sobre a realida-
Paccon (1990) comunicam sua importância por concentrar a atenção no
de e as leis da natureza (Cherryholmes, 1992). "Eles simplesmen-
problema de pesquisa na pesquisa das ciências sociais e utilizam aborda-
te gostariam de mudar o tema" (Ron:y, 1983, p. xiv).
gens plurallsticas para derivar conhecimento sobre o problema. Usando as
• Por isso, para o pesquisador de métodos mistos, o pragmatismo
concepções de Cherryholmes (1992), Morgan (2007), e as minhas pró-
abre a porta para mí1hiplos métodos, diferentes concepções e di-
prias, o pragmatismo proporciona uma base filosófica para a pesquisa:
ferentes suposições, assim como para diferentes formas de coleta e
• O pragmatismo não está comprometido com nenhum sistema de
análise dos dados.
filosofia e de realidade. Isso se aplica à pesquisa de métodos miscos,
em que os investigadores se baseiam abundantemente tanto nas su-
posições quantitativas quanto nas qualitativas quando se envolvem Estratégias da investigação
em sua pesquisa.
• Os pesquisadores individuais têm uma liberdade de escolha. Desta O pesquisador não apenas seleciona um escudo qualitativo, quantica·
maneira, os pesquisadores são livres para escolher os métodos, as tiva ou de métodos mistos para conduzir, também decide sobre um tipo de
técnicas e os procedimentos de pesquisa que melhor se ajuscem a escudo dentro destas rrês escolhas. As estratégias da investigação
suas necessidades e propósitos. são os tipos de projetos ou modelos de métodos qualitativos, quanticativos
• Os pragmáticos não veem o mundo como uma unidade absoluta. e mistos que proporcionam uma direção específica aos procedimentos em
De maneira semelhante, os pesquisadores que utilizam métodos um projeto de pesquisa. Outros as têm chamado de abordagens da investi-
mistos buscam muitas abordagens para coletar e analisar os dados, gação (Creswell, 2007) ou de metodologias da pesquisa (Menens, 1998).
em vez de se aterem a apenas uma maneira (p. ex., quantitativa As escratégias disponíveis ao pesquisador aumentaram no correr dos anos,
ou qualitativa). à medida que a tecnologia da computação impulsionou nossa análise dos
• A verdade é o que funciona no momento. Não se baseia em uma dados e a capacidade para analisar modelos complexos e que os indivíduos
dualidade entre a realidade independente da mente ou inserida articularam novos procedimentos para conduzir a pesquisa nas ciências
na mente. Assim, na pesquisa de métodos mistos, os investigado· sociais. A escolha dos tipos será enfatizada nos Gapírulos 8, 9 e 1 O, escra-
36 John W. CresweU Projeto de pesquisa 37

tégias frcquentemenre utilizado nas ciências sociais. lnlrOduw aqui aquelas riJnentos, os quais utilizam projetos não aleatórios (J<eppel, 1991). Dentro
que serão discutidas mais adiante e que são citadas em exemplos cm todo dos quase-experimentos estão incluídos os projetos de tema único.
o livro. Uma visão geral dessas estratégias está mostrada no Quadro 1.2.
Estratégias qualitativas
Quadro 1.2 Esrrarégias alternativas da investigação
Na pesquisa qualilativa, os números e os tipos de abordagens também se
Quonti.. thlo

• Projetos experimenteis
OuolflatJva
"' • Pesquisa narrativa • Soquenctal
1 tomaram mais claramente visíveis durante a década de 1990 e o início do
século XXJ. Os livros têm resumido os vários tipos (como as 19 estratégias
• Projetos n&o exporimen1&ls. • Fenomenologia • ConoomJtante identificadas por Wolcott, 2001), e arualmente estão disponíveis procedi-
como os levontementos • Etnograrias • Tronsformotlva
• Estudos de teoria mentos t'Ompleros sobre abordagens específicas de investigação qualitativa.
fundamentada Por exemplo, Clandinin e Connely (2000) construíram um quadro sobre o que
• Estudo de caso fazem os pesquisadores narrativos, Moustakas (1994) discutiu as doutrinas
filosóficas e os procedimentos do método fenomenológico, e Strauss e Corbin
(1990, 1998) identific:aramosprocedimentosdateoriafundamentada. Wolcott
átratéglas quantitativas (1999) resumiu os procedimentos etnográficos, e Stake (1995) sugeriu pro-
Ouranre o fina) do século XIX e todo o skulo XX, as estrarégias da in- cessos envolvidos na pesquisa de estudo de caso. Neste livro, os exemplos são
vestigação associadas à pesquisa quanótativa eram as que invocavam a con- baseados nas estratégias que se seguem, reconhecendo que abordagens como
cepção pós-positivista. Estas incluíam experimencos reais e os experimentos a pesquisa de ação paniópaàva (Kenunis e Wilkinson, 1998), a análise do
menos rigorosos, chamados de quase-experimentos e de estudos correlacionais discurso (Cheek, 2004) e ouaas não menóonadas (ver CresweU, 2007b) são
(Gampbell e Smnley, 1963), além de experimen1os específicos de tema único lllJTlbém maneiras viáveis para a condução de estudos quallrativos.
(Cooper, Heron e Heward, 1987; Ncuman e McConnick, 1995). Mais re- • Etnografia é uma estratégia de investigação em que o pesquisador
centemente, as estratégias quantitativas têm envolvido experimentos com- estuda um grupo cultural intacto em um cenário natural durante um período
plexos, com muitas variáveis e tratamentos (p. ex., projetos fatoriais e pro- de tempo prolongado, coletando principalmente dados observacionais
jetos de medição repetida). Elas também têm incluído mede.los de equação e de entrevistas (Crcswell, 2007b). O processo de pesquisa é flexível e se
estrutural elaborados que incorporam caminhos causais e a identificação da desenvolve, tipicamente, de maneira contextual em resposta às realidades
"força" coletiva de múltiplas variáveis. Nesre livro, concentro-me em duas vividas encontradas no ambiente de campo (LeCompte e Schensul, 1999).
estratégias de investigação: levantamentos e experimentos. • Teoria fundamentada· é uma estratégia de investigação em
• A pesquisa de levantam.e nte proporciona uma descrição quanti- que o pesquisador deriva uma teoria geral, abstrata, de um processo,
tativa ou numérica de rendências, de atirudes ou de opiniões de urna po- ação ou inceração fundamentada nos pontos de vista dos participantes.
pulação, esrudando uma amostra dessa população. Inclui estudos uansver- Esse processo envolve o uso de muitos estágios da coleta de dados e o
sais e longitudinais, utilizando questionários ou entrevistas esrruturadas pa- refinamento e a inter-relação das categorias de informação (Charmaz,
ra a coleta de dados, com a intenção de generalizar a partir de uma amostra 2006; Strauss e Corbin, 1990, 1998). Duas caracterlstic:as principais deste
para uma população (Babbie, 1990). modelo são a constante comparação dos dados com as categorias emer-
• A pesquisa exp erimental busca detenninar se um tratamen- gentes e a amostragem teórica de diferentes grupos para maximizar as
to especifico influencia um resultado. Esse impacto é avaliado propor- semelhanças e diferenças encre as informações.
cionando-se um tratamento específico a um grupo e o negando a outro, e
depois determinando como os dois grupos pontuaram em um resultado.
Os experimentos incluem os experimentos verdadeiros, com a designação • N. de R. Paro dcrnlhcs ver: CHARMAZ, K.A con$trução da itorlafimdamenrada: guia
aleatória dos individues às condições de tratamento, e os quase-expe- prático parn análise qunlitaliva. Pono Alegre: Aruned, 2009.
38 JOhn W. Creswell Projeto de pesquisa 39

• Estudos d e caso são uma estratégia de investigação em que o dos qualitativos e quanritativos (Jick, 1979). No início da década de 1990,
pesquisador explora profundamente um programa, um evento, uma ati- a ideia da combinação evoluiu da busca da convergência para a real in·
vidade, um processo ou um ou mais indivíduos. Os casos são relacionados tegração, ou conexão, dos dados quantitativos e qualitativos. Por exem·
pelo tempo e pela atividade, e os pesquisadores coletam informações de- pio, os resultados de um mérodo podem ajudar a identificar os partici·
talhadas usando vários procedimenros de coleta de dados durante um pe- panres a serem escudados ou as pergunras a serem feiras pelo outro méco-
ríodo de tempo prolongado (Srake, 1995). do (Tashakkori e Teddlie, 1998). Como alternativa, os dados qualitativos e
• Pesquisa fenomenológica é uma estratégia de investigação em 1 quantitativos podem ser unidos em um grande banco de dados ou os re-
que o pesquisador identifica a essência das experiências humanas, com 1 sultados usados lado a lado para reforçar um ao oucro (p. ex., citações
respeito a um fenômeno, descritas pelos participantes. O entendimento qualitativas corroboram resulcados estatísticos; Creswell e Plano Clark,
das experiências vividas distingue a fenomenologia como uma filosofia 2007). Ou os métodos podem servir a um propósito maior, transformativo,
e também como um método, e o procedimento envolve o esrudo de um para defender grupos marginalizados, como mulheres, minorias émicas/
pequeno númerQ de indivíduos por meio de um engajamento extensivo raciais, membros das comunidades gays e lésbicas, pessoas portadoras de
e prolongado para desenvolver padrões e relações significativas (Maus· deficiências e pobres (Menens, 2003).
takas, 1994). Nesse processo, o pesquisador inclui ou põe de lado suas Essas razões para combinar os métodos levaram os escritores do
próprias experiências para entender aquelas dos participantes do estudo mundo todo a desenvolver proced imenros para estratégias de investigação
(Nieswiadomy, 1993). de métodos mistos, o que trouxe os numerosos termos encontrados na
• Pesquisa narrativa é uma estratégia de investigação na qual o literatura, tais como mulrimécodos, de convergência, integrados e com·
pesquisador estuda as vidas dos indivíduos e pede a um ou mais indi- binadas (CresweU e Plano Clark, 2007), e a moldar procedimentos para a
víduos para contar histórias sobre suas vidas. Essas informações sã.o, com pesquisa (Tashakkori e Teddlie, 2003).
frequência, recontadas ou re-historiadas pelo pesquisador em uma crono- Em particular, três estratégias gerais e umas tantas variações dentro
logia narrativa. No fim, a narrativa combina visões da vida do participante ~ delas estão ilustradas neste livro:
com aquelas da vida do pesquisador em uma narrativa colaborativa • Procedimentos de m étodos misto s seque n ciais são aqueles
(Clandinin e Connely, 2000). em que o pesquisador procura elaborar ou expandir os achados de um
método com os de outro método. Isso pode envolver iniciar com uma
1 entrevista qualitativa para propósitos exploratórios e prosseguir com um
Estratégias de mlltados mirtos
método quantitativo, de levantamento com uma amostra ampla, para que
As estratégias de métodos mistos não são rãa conhecidas quanto as o pesquisador possa generalizar os resultados para uma população. Como
abordagens quantitativas ou qualitativas. O conceito de misturar diferen- alternativa, o esrudo pode iniciar com um método quantitativo, no qual
tes métodos originou-se em 1959, quando Campbell e Fisk utilizaram múl- uma teoria ou conceito é tesrado, seguido por um método qualirativo que
tiplos métodos para estudar a validade de traços psicológicos. Eles enco- envolva uma exploração detalhada de alguns casos ou indivíduos.
rajaram outros a empregar sua maaiz de múltiplos métodos para examinar • Procedimentos de métodos mistos concomitantes são aque-
múltiplas abordagens à coleta de dados. Isso estimulou outros a combi· les em que o pesquisador converge ou mistura dados quantitativos e qua-
narem os métodos, e logo abordagens associadas aos mécodos de campo, lirativos para realizar uma análise abrangente do problema da pesquisa.
como observações e entrevistas (dados qualitativos), foram combinadas Nesse modelo, o investigador coleta as duas formas de dados ao mesmo
aos levantamentos tradicionais (dados quantitativos; Sieber, 1973). Reco- tempo e depois integra as informações na interpretação dos resultados
nhecendo que codos os métodos têm limitações, os pesquisadores acharam gerais. Além disso, nesse modelo, o pesquisador pode incorporar uma
que os vieses ineremes a qualquer mérodo especifico poderiam neutralizar fomrn menor de dados com ouua coleta de dados maior para analisar
ou cancelar os vieses de outros métodos. Nascia assim a criangulação das diferentes tipos de questões (o qualitativo é responsável pelo processo
fontes de dados. um meio oara a busca de convervência en1 re os méro- enouanto o ouantitativo é resoonsável oelos resultados).
40 John w. craswen Projeto de pesquisa 41

• Procedimentos de métodos mistos transformativos são aque- ver visitar um local de pesquisa e observar o comportamento dos indi-
les em que o pesquisador utiliza um enfoque teórico (ver Capfrulo 3) como v[duos sem questões predeterminadas ou conduzir uma entrevista em
uma perspectiva ampla em um projeto que contém tanto dados quanti- que seja permitido ao indivíduo falar abertamente sobre um tópico, em
tativos quanto qualitativos. &se enfoque proporciona uma estruturo para grande parte sem o uso de perguntas especificas. A escolha dos métodos
tópicos de interesse, métodos para coleta de dados e para os resultados vai depender de a intenção ser especificar o tipo de infonnação a ser co·
ou mudanças previstos pelo estudo. Dentro desse enfoque pode haver um letada antes do estudo ou pennitir que ela surja dos participantes do
método de coleta de dados que envolva uma abordagem sequencial ou projeto. Além disso, o tipo de dados analisados pode ser informações nu-
concomitante. méricas reunidas em escalas de instrumentos ou informações de texto
registrando e relatando a voz dos participantes. Os pesquisadores fazem
interpretações dos resultados estatísticos ou interpretam os temas ou os
Métodos de pesquisa padrões que emergem dos dados. Em algumas fonnas de pesquisa, são
coletados, analisados e interpretados tanto dados quantitativos quanto
O terceiro elemento imponance da estrutura são os métodos de pes- qualitativos. Os dados coletados por instrumento podem ser ampliados
quisa específicos que envolvem as fonnas de coleta, análise e interpretação com observações abertas, ou os dados de censo podem ser acompanhados
dos dados que os pesquisadores propõem para seus estudos. Como mostra o de entrevistas exploratórias detalhadas. Nesse caso dos métodos mistos,
Quadro 1.3, convém considerar toda a série de possibilidades da coleta de o pesquisador faz inferências tanto sobre os bancos de dados quantita-
dados e organizar esses métodos, por exemplo, por seu grau de natureza tivos quanto sobre os bancos de dados qualitativos.
predeterminada, seu uso de questionamento fechado YeTSus abeno e seu en-
foque na análise de dados numéricos ~'l!rsus dados não numéricos. &ses
métodos serão mais desenvolvidos nos Capítulos 8 a 10.
OS PROJETOS DE PESQUISA - CONCEPÇÕES,
ESTRATÉGIAS E MÉTODOS
Quadro 1.3 M~todos quantitativos, mistos e qualitativos
Métodos quentltotlvos -> M6lodo1 ml1lo1 +- Mêlodot qu1lltotlvo1 As concepções, as estrntégias e os métodos, todos concribuen1 para
• Prodotormln&do • Tanto métodos • Métodos omor-gontet um projeto de pesquisa que 1ende a ser quantitativo, qunlimtivo ou misto.
• Oueslões baseados no P<edelormlnados quonlo • Perguntas abertas O Quadro 1.4 cria distinções qune podem ser úteis na escolha de uma abor-
inSllUn*llO omergentee • Dedos de entrevistas,
• Dados do dosampenho. • Tanlo qUMtõel ebec1as dado$ do -oçlo. dagem. Essa tabela também inclui práticas de todas as três abordagens
- do llAudes. dados quanto fechadas dados d o - • que estão enfatizadas nos caplculos restantes deste livro.

~·­
• Formas müft;plas de dados audiovisuais Os cenários típicos da pesquisa podem ilustrar como esses crês ele-
de°""'° Cadolba-em • Anéise de toxto e
• Anilllse osl8lis!JC8 !Odas as poss.lbNIClades imagem
mentos são combinados em um projeto de pesquisa.
• lnl8<proloção ostalfsllca • Ané6se eslallsllco o de • lnle<p<etação de 1emas
1ex10
• Abordagem quancitativa - Concepção pós-positivista, estratégia de
e do pad1Ces
• Por meiO do lnl8fl)rol.açao investigação experimental e avaliações pré e pós-teste das atitudes
dos b-Oncos óo dados
Nesse cenário, o pesquisador testa uma teoria especificando hjpó-
teses estritas e a coleta de dados para corroborar ou para refutar as
Os pesquisadores coletam dados sobre um instrumento ou teste (p. hipóteses. É utilizado um projeto experimental em que as atitudes são
ex., um conjunto de quesrões sobre atitudes com relação à autoestima) avaliadas tanto antes quanto depois de um tratamento experimental.
ou reúnem informações sobre uma lista de controle comportamental (p. Os dados são coletados em um instrumento que mede atitudes, e as
ex_, observação de um trabalhador engajado em uma habilidade com- infonnações são analisadas por meio procedimentos estatísticos e da
plexa). Na outra extremidade do condnuo, a coleta de dados pode envol- testagem de hipóteses.
42 John w. Creswell Projelo de pesquisa 43

Quadro 1.4 Abordagens qualiracivas, quantitativas e de métodos mistos dessa maneira é observar os comportamentos dos parricipantes engajan-
Abord1g1na il do-se em suas aóvidades.

Tende e ou
___,..._gUllntftettv•• m6eo da1 mlsloa
li~---·

- -..--
• Abordagem qualitativa - Concepção parricipativa, modelo narrativo
u..- 0 Clll ;C do ~do Oedel9QÕ8S de
"'POt';c.. conhec:imenlD
conmlMsln/
con.'lldr1*.,
~
.,_..._
OOl .:""*'*'4o e entrevista aberta
Para esse esrudo, o investigador procura examinar uma questão rela-
cionada à opressão dos indivíduos. São coletadas histórias sobre a opressão
do individuo usando uma abordagem narrativa. Os indivíduos são entre-
~··
Empt9QaetNll F1nome<10iogll. Levantamenlôt e
etll8t6gtil de leorie fundamentada. experimonlOI c:oneomltenlet e
vistados com uma certa profundidade para determinar como experimen-

- .. -...-
lnvHtigllÇOO etnogratla. eal'Udo de 1ran1tormetlvas
caao e narrellva raram a opressão pessoalmente.
Emprege euea
º""'- ebe'1as. • Ouesio.1 fechndat. Tanto queslOM
• Abordagem de métodos mistos - Concepção pragmática, coleca se-
.,.-..
m610dao eb0rdag6ns obonlagena aberta& quan\O
. . _ ..... - d o quencial de dados quanótaóvos e qualitativos .
texto ou imagem dadoo- obctdagtns

·--
-quanto O pesquisador baseia a investigação na suposição de que a coleta de

·-
-
~ diversos tipos de dados proporciona um melhor entendimento do pro-
blema da pesquisa. O estudo começa com um levantamento amplo para

-ou --
generalizar os resultados para uma população e depois, em uma segunda
- ..-
Usa- Pwitbe-M

...
• T..Uou~
Cdma-- fase, concentra-se em entrevistas qualitativas aberras visando a coletar

--·
-do Coloca t l g o - - pontos de vista detalhados dos participantes.

-·-..
~
·~
quan10QU11à111Yol

P"QUl>ldo<
eonc.nin.M om um
conceito ou fenõmeno
Onloo
Tm valof"es pessoais
• ldentdk• v•~

. -.
variéveh &m . J-·-·
DN1n<'Ofwl uma

ooml>lnaçao
lnlogra os dados de CRIT~RIOS PARA A SELEÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA
P8'8 o esiudo qUf!laKlétou d1ftffflefl estágios
Estuda o <Xlfltexto hlpólNOI da lnvoSllgaçao
Dada a possibilidade das abordagens qualitativas, quantitativas ou de

--- -- ..
ou o ambiente dot • Observa eevall • Apres&nta quadros
pwbc:ipantss as JnformeçOos vlsuO:Jtctot métodos mistos, quais fatores afetam a escolha de uma abordagem sobre
- • P<oaiça•- numericamente procedimentos do
U..•botdoQoN HWdo
outra para o projeto de uma proposta? Além da concepção, da estratégia
Fazlnlltpr-- Empcega as e dos métodos, estariam o problema de pesquisa, as experiências pessoais

do- ~- _...
E- do pesquisador e o(s) público(s) para o qual o relatório será redigido.
e... .... _..._ pt1Q;1t1111t11Ce

~ou- ....lbbcoo ~Q--


Colobo<o "'"'..
~ O problema de pesquisa

Um problema de pesquisa, mais detalhadamente discutido no Capítulo


• Abordagem qualitativa-Concepção construtivista, modelo emográ-
S, é uma questão ou uma preocupação que precisa ser tratada (p. ex., a ques-
fico e observação do comportamento
t-âo da discriminação racial). Alguns tipos de problemas de pesquisa social
Nessa situação, o pesquisador procura estabelecer o significado de requerem abordagens específicas. Por exemplo, se o problema requer (a) a
um fenômeno a partir dos pontos de vista dos participantes. Isso significa identificação de fatores que influenciam um resultado, (b) a utilidade de uma
identificar o grupo que compartilha uma cultura e estudar como ele de- intervenção ou (c) o entendimento dos melhores prcditores de resultados,
senvolve padrões compartilhados de comportamento no decorrer do tem- então uma abordagem quantitativa é melhor. Essa é também a melhor abor-
po (isso é, emografia). Um dos principais elementos da coleta de dados dagem a ser utilizada para testar uma teoria ou uma explica~ão.
44 John w. Croswell Projeto de pesquisa 45

Por outro lado, se um conceito de fenômeno precisa ser entendido Como os estudos quantitativos são o modo tradicional de pesquisa,
porque pouca pesquisa foi realizada a respeito, então ele merece uma existem para eles procedimentos e regras criteriosamente elaborados. Os
abordagem qualitativa. A pesquisa qualitativa é exploratória e conveniente pesquisadores podem se sentir mais à vontade com os procedimentos ex-
quando o pesquisador não conhece as variáveis importantes a serem tremaniente sistemáticos da pesquisa quantitativa. Além disso, para alguns
examinadas. Esse tipo de abordagem pode ser necessária porque o tópico indivíduos, pode ser desconfortável desafiar as abordagens aceitas entre al-
é novo, porque o tópico nunca foi tratado com uma determinada amoscra guns docenres utilizando abordagens qualitativas e reivindicatóriaS/parti-
ou grupo de pessoas e porque as teorias existentes não se aplicam à amos- cipatórias para a investigação. Por outro lado, as abordagens qualitativas
tra ou ao grupo particular que escá sendo escudado (Morse, 1991). abrem espaço para a inovação e para trabalhar mais dentro das estrUturas
Um projeco de mécodos mistos é úcil quando a abordagem quantitativa planejadas pelo pesquisadot Elas permitem uma escrita mais criativa, em
ou qualitativa em si é inadequada para um bom entendimento de um estilo literário, uma forma que os indivíduos, podem gostar de usar. Para os
prnblema de pesquisa, ou quando os potenciais da pesquisa quantiu1tiva escritores que prefere m a abordagem reivindicarória/panicipatória, há, sem
e da pesquisa quantitativa não conseguem proporcionar o melhor enten- dúvida, um fone estímulo para escolher cópicos de interesse pessoal - ques-
dimento. Por exemplo, um pesquisador pode querer generalizar os re- cões que se relacionem a pessoas marginalizadas e a um interesse em criar
sulcados para uma população e também desenvolver uma visão detalhada uma melhor sociedade para elas e para rodos.
do significado de um fenômeno ou de um conceito para os indivfduos. Nessa Para o pesquisador de métodos mistos, o projeto vai requerer um tempo
pesquisa, o investigador primeiro realiza uma exploração geral para saber extra, devido à necessidade de coletar e de analisar dados quantitativos e
quais variáveis estudar e depois estuda essas variáveis com uma amostra qualitativos. Isso se ajusta a uma pessoa que goste tanto da estrUrura da
maior de indivfduos. Como alrernativa, os pesquisadores podem primeiro pesquisa quantitativa quanto da flexibilidade da investigação qualitativa.
levantar um grande número de indivíduos e depois acompanhar alguns
participantes com o intuito de obter sua linguagem e suas expressões es- Pú blico
pecíficas sobre o tópico. Nessas situações, mostra-se vantajoso coletar tanto
dados quantitativos fechados quanto dados qualicativos abertos. Finalmente, os pesquisadores são sensíveis ao público para quem
relatam sua pesquisa. Esse público pode ser composto de editores de
periódicos, leitores de reviscas, comitês de escudantes de pós-graduação,
Experiências pessoais participantes de conferências ou colegas da sua área. Os estudantes
devem considerar as abordagens normalmenre preferidas e usadas por
O treinamento e as experiências pessoais do próprio pesquisador seus orientadores. As experiências desses públicos com os estudos
cambém influenciam sua escolha da abordagem. Um individuo treinado quanticacivos, qualitativos ou de métodos mistos podem moldat a cornada
em escrita técnica e ciencífica, em estatística e programas de estatística de decisão em relação a essa escolha
computadorizados e que cambém seja familiarizado com as publicações
de natureza quantitativa teria uma maior probabilidade de escolher um
projeto quantitativo. Por outro lado, os indivfduos que gostam de escrever RESUMO
de uma maneira lirerária ou de realizar entrevistas pessoais ou, ainda, de
realizar observações de peno, podem preferir a abordagem qualitativa. Ao planejar um projeto de pesquisa, os pesquisadores precisam iden-
O pesquisador de métodos mistos é um indivíduo familiarizado com a tificar se empregarão um projeto qualitativo, quantitativo ou de mé todos
pesquisa quantitativa e com a pesquisa qualitativa. Além disso, também mistos. Esse projeco se baseia em unir uma concepção ou as suposições
tem o tempo e os recursos para colecar tanro dados quantitativos quanto sobre pesquisa, as estratégias de investigação especificas e os métodos
qualitativos, bem como os meios para a realização de estudos de métodos de pesquisa. As decisões sobre a escolha de um projeto também são
mistos, os quais tendem a ter um an1pio escopo. influenciadas pelo problema de pesquisa ou pela questão que está sendo
46 John W. Creswell ProJ!to de pesquisa 47

estudada, pelas experiências pessoais do pesquisador e pelo público para abordagem da investigação e discutem como a pesquisa de ação é praticada nos nlvcis
Individual, social ou em ambos.
a qual o pesquisador escreve.
Guba, E. G. 8t Uncoln , Y. S. (2005). "Paradlgmatlc contl:'Oversles, con tra -
dlctlons, and e merglng confluences•. Bm N. K. Detuln a Y. S. Lincoln, The
Exen:Jcios de Red•çlo Sage handbook of qualitotiw re~earclt (3rd ed., p. 191·215). Tbousand
Oaks, CA: Sage.
1. Identifique uma questAo de pesquisa em um artigo de periódico e discuta
qual projeto seria o melhor para estudar a queslllo e por quê.
Yvolll\8 Lincoln e Egon Cuba apresentaram 11$ crenças básicas dos cinco paradigmas da
investigação alternativa na pesquisa de ciêndM sociais: positivista, pós-positivista, da
2. Escolha um tópico que gostaria de estudar e, utilizando as quatro combi- teoria crítica, consrrutivlsta e participatório. Isso amplia a análise anterior apresentada
nações de concepções, estratégias de Investigação e métodos de pesquisa na primeira e segunda edições do Handbook. Cada um é apresentado em termos da
apresentadas na Figura 1.1 , discuta um projeto que reuna concepção, es- oncologia (isto é, natureza da realidade), da epistemologia (lstso é, como sabemos o
tratégias e métodos. Identifique se essa seria uma pesquisa quanlitativa, que sabemos) e da metodologia (isto ~. o processo da pesquisa). O paradigma par-
qualitativa ou de métodos mistos. ridpatório acrescenta outro paradigma altemaúvo àqueles originalmente sugeridos
3. O que distingue um estudo quantitativo de um estudo qualitativo? Mencione na primeira edição. Após uma breve apresentação dessas dnco abordagens, eles as
três caractertsticas. contrastam em termos de sete questões, como da natureza do conhecimento, como o
conhecimento se acumula e dos critérios de excelência ou de qualidade.

Neuman, w. L. (2000). Social ruearclt m etltods: Quallratl ve an.d quantl·


LEITURAS ADICIONAIS tati.v e approache6. Bos ton: Allyn & Bacon .
Lawrence Neuman apresenta um tex10 abrangente sobre os métodos de pesquisa
CbUT)'holmes, C. H. (19 92, agosto-setembro). "Notes on p ragma.tism como introdução à pesquisa em ciências sociais. Especialmente dtll no entendJmen10
and sclendfic ttalism". Educational ltuearclter, 14, 13- 17. do significado ahemauvo da metodologm é o Capítulo 4, inu1ulado "Os Significados
Cleo Olenyholmes discute o pragmnlismo enqunnto perspectiva comrnsmntc do realismo da Metodologia", cm que ele contrasra tr~s metodologias - d~ncio social positivlsra,
dentífico. O ponto forte desse artigo são as numerosas d~ de escritores sobre o prag· ciência social interpretativa e ciência social critica - em termos de oito pergumas (p.
modsmo e um esclarecimento de uma versão do pragmorismo. A vers.'lo de Cherryholmes ex., O que constitui uma explicação ou teoria do realidade social? O que parece uma
indica que o pragmatismo é direcionado por consequências amecipadas, pela relu~cia boa evidência ou umn informação facrunl?)
cm contar uma história verdadeira, e pela adoção do ldcla de que há um mundo externo
independente de ll05S8S mentes. 1àmbém estão incluídas nesse artigo mulw refcrênc:ias a Phillips, D. C. a Burbules, N. C. (2000). Pos tposi.tivúim and edu.cational
csc:ritottS históricos e rcc~ucs sobre o pragmatismo como uma posrura filos66ca. rueardt. Lanham, MD: Rowman Se Uttlef'leld.
O. C. Phíllips e Nichola.s Burbules resumem 11$ prinópais ideias do pensamento pós·
Cl:'Ott)I M. (1998). The fouruJatíoru of M>dal • m ndt: Mconing and per. positivista. Em dois capltulos, "O que é Pós-Positivismo?" e "Compromissos FilosóftCOS
1pC!Ctl.ve in the research procas. 1bousand Oaks. 1bousand Oaks, CA: Sage. dos Pesquisadores Pós-Positivistas", os autores apresentam importantes ideias sobre o
Mlchllcl Crouy oferece uma esmnura útil para vincular as muitas questões epistemológicas, pós·positivismo, especlnlme.nte aquelas que o diferenciam do positivismo. isso inclui
perspectivas teóricas, metodologia e métodoo da pesquisa social. Ele imer-rcladono os quatr0 saber que o conhecimento humano~ mais conjectura! do que incomcsulvcl, e que nossas
componentes do processo de pesquisa e mostra em uma tabela uma amOStm representativa justificativas para o conhecimento podem ser extraldas de novas ltwe.tlgações.
dos tópiros <li! cada componente, tais como o pós-modernismo, o feminismo, a indagação
aitica, o inierpreóvismo, o consuucionismo e o positivismo.

Kemnds , s. a WUJdns on, M. (1998). " Perdd patory acdo n ttSearch and
the s tudy of p r a ctlce". Em 8. AtWeh, S. Kemmls Se P. Weeks (tds.), Action
rucarch in practlce: Partnershlps f or soclaljusrice in educatlo n (p. 2 1-
36). New York: Ro utledge.
Stephen Kemmis e Mervyn Wilklnson apresenmm uma excelente vislio geral da
pesquisa participativa. Registram, em especial, l1S seis principais caractcristicas dessa
Projeto de pesquisa 49

frase curta. O tópico 1oma·se a ideia cemral a respeito da qual se vai


aprender ou explorar.

2 Há várias maneiras de os pesquisadores obterem informações sobre


seus tópicos quando estão começando a planejar sua pesquisa (a meu ver,
o tópico deve ser escolhido pelo pesquisador e não por um orientador
ou membro de comitê): uma maneira de consegui-lo é esboçar um breve
óculo para o escudo. Fico surpreso ao observar a frequência com que os
Revisão da Literatura pesquisadores deixam de esboçar um titulo no inicio do desenvolvimemo
de seus projetos. Em minha opinião, a elaboração ou o esboço de um titulo
torna-se um sinalizador importante na pesquisa, uma ideia tangível que o
pesquisador pode continuar reenfocando e alterar à medida que o projeto
prossegue (ver Glesne e Peshkin, 1992). Acredito que, em minha pesquisa,
esse tópico me mantém focado e proporciona uma indicação do que estou
estudando, assim como uma indicação com frequência utilizada para co-
municar aos outros a ideia central de meu estudo. Quando os alunos me
Além de selecionar uma abordagem quanritativa, qualitativa ou de apresentam sua primeirn perspectiva de um escudo de pesquisa, eu lhes
méiodos mistos, quem elabora uma proposta também precisa rever peço para dar útulo ao trabalho caso ainda não o tenham escolhido.
a literatura acadêmica sobre o tópico de seu interesse. Essa revisão Como seria escrito esse lftulo do trabalho? Experimente completar
da literatura ajuda a detenninar se vale a pena estudar esse tópico esta frase: "Meu escudo é sobre ...". Uma resposta pode ser: "Meu estudo é
e proporciona insight sobre as maneiras em que o pesquisador pode sobre as crianças em risco no ensino médio" ou "Meu estudo é sobre como
limitar o escopo para uma drea de investigação necessdria. ajudar os docentes a se tomarem melhores pesquisadores". Nessa rase do
Este cap(wlo continua a discussão sobre as considerações preliminares planejamento, estruture a resposta à pergunra de forma que ourro acadêmico
a serem feitas antes de iniciar uma proposta. Ele começa com uma dis· possa facilmente captar o significado do projeto. Uma falha comum aos
cussão sobre a seleção de um tópico e sobre a redação desse tópico, para pesquisadores iniciantes é estruturarem seu escudo em uma Linguagem com·
que o pesquisador possa refletir continuamente sabre ele. Nessa altura, plexa e erudira. Essa perspectiva pode resultar da leitura de artigos publicados
os pesquisadores também precisam considerar se um c6piro pode e deve que passaram por muitas revisões antes de serem publicados. Os projetos
ser pesquisado. Depois a discussão passa para o processo real da revisão bons e sólidos se iniciam com pensamentos diretos, não complicados, fá.
da literaruro, tratando do propósito geral de se utiliz.ar a literatura em ceis de ler e de entender. Pense em um artigo de peródico que você leu re-
um estudo, seguindo para os prindpios úteis para o planejamento da centemente. Se foi fáál e rápido de ler, provavelmente foi escrito em uma
lirerarura em esrudos qualitativos, qua11titntivos e de métodos mistos. linguagem geral, com a qual muitos leitores podem facilmente se identificar,
de uma maneira direca e simples, no projeto e na conceirualização gerais.
Wilkinson (1991) proporciona conselhos úteis para a criação de
O TÓPICO DA PESQUISA um titulo: ser breve e evitar desperdiçar palavras. Eliminar palavras des·
necessárias como "Uma abordagem do..." "Um estudo de ...", e assim por
Antes de considerar qual literatura usar em um projeto, primeiro diante. Use um titulo único ou um titulo duplo. Um exemplo de um título
identifique um tópico a ser escudado e reflita se é prática e proveitosa duplo seria: "Uma emografia: compreendendo a percepção que uma criança
a realização do es1 udo. O tópico é o 1ema ou assunto de um estudo tem da guerra". Além das ideias de Wilkinson, considere um título com não
proposto, tal como "ensino acadêmico", "criatívidade organizacional" ou mais de 12 palavras, elimine a maior parte dos artígos e das preposições e
"escresse psicológico". Descreva o tópico em algumas palavras ou em uma certifique-se de que ele inclua o foco ou o tópico do estudo.
50 John W. Creswell Projeto de pesquísa 51

Outra escracégia para o seu desenvolvimento é colocar o tópico como estaria interessado no tópico. Sendo possível a escolha entre um tópico
uma questão breve. Qual ques1ão necessita ser respondida no estudo que pode ser de interesse regional limitado ou um de interesse nacional, cu
proposto? Um pesquisador pode perguntar: "Qual é o melhor cratamemo optaria pelo último, p0is teria um apelo maior para um público mui10 mais
para a depressão?", "O que significa ser árabe hoje na sociedade norte· amplo. Os editores de periódicos, membros de comitê, planejadores de
-americana?", "O que leva as pessoas aos locais turísticos do Meio-oeste?". conferências e agências de financiamenro apreciam a pesquisa que atinge
Ao elaborar perguncas como essas, concentre-se no tópico-chave da per- um público abrangenre. Finalmente, a questão do deve também está relacío·
gunta como o princípal indicador para o estudo. Considere como essa nada aos objetivos pessoais do pesquisador. Considere o tempo necessá-
questão poderia ser posteriormente expandida para ser mais descritiva rio para realizar um projeto, para revisá-lo e para disseminar os resultados.
de seu estudo (ver Capítulos 6 e 7 sobre a declaração do propósi10 e as Todos os pesquisadores devem considerar como o estudo e seu pesado
questões e as hipóteses da pesquisa). compromisso de tempo serão compensados na promoção de seus objetivos
Alçar ativamence esse tópico a um esrudo de pesquisa requer a re- de carreira, quer rais objetivos sejam o de realizar mais pesquisa, de obter
flexão de se o tópico pode e deve ser pesquisado. Um rópico pode ser uma posição furura ou de progredir na direção de um titulo acadêmico.
pesquisado se os· pesquisadores tiverem participantes dispostos a se en- Antes de prosseguir com uma proposca ou com um estudo, a pessoa
volver no estudo. Thmbém pode ser pesquisado se os investigadores tive- precisa pesar esses fatores e consultar outras pessoas para obse1var sua
rem recursos para coletar os dados durante um período prolongado e reação a um tópico que está sendo considerado. Busque as reações de
para analisar as informações, bem como a disponibilidade de programas colegas, de autoridades de destaque no campo, de orienradores acadêmicos
computadorizados. e de membros de comitês acadêmicos.
A questão do deve ser pesquisado é mais complexa. Vários fltcores podem
intervir nessa decisão. Talvez o mais importame seja se o tópico acrescenta
algo ao conjunto do conhecimenco de pesquisa disponível sobre ele se replica A REVISÃO DA LITERATURA
estudos passados, se dá voz aos grupos ou indivíduos sub-representados, se
ajuda a lidar com a justiça socíal ou se transforma as ideias e as crenças do Depois que o pesquisador tiver identificado um tópico que pode e deve
pesquisador. ser estudado, pode passar para a busca da literatura relacíonnda ao tópico.
Um primeiro passo em qualquer projeto é despender um tempo A revisão da literatura cumpre vários propósitos. Compartilha com o
considerável na biblio1eca, examinando as pesquisas sobre um tópico lei1or os resultados de oucros estudos que estão intimamente relacioOlldos
(as esrra1égias para o uso efetivo da biblio1eca e dos recursos da biblio- àquele que está sendo realizado. Relaciona um estudo ao diálogo maior e
teca aparecem mais adiante oeste capítulo). Esse pomo não pode ser contínuo na literamra, preenchendo lacunas e ampliando estudos anteriores
superenfatizado. Os pesquisadores iniciantes podem propor um grande (Cooper, 1984; Marshall e Rossman, 2006). Proporciona uma escrurura
estudo que seja completo em todos os aspectos, tanro na clareza das para estabelecer a imp0rtâncía do esmdo e também uma referência para
questões da pesquisa quanto na abrangência da coleta de dados e na comparar os resul1ados com outrOS resultados. Todas ou algumas dessas
sofisticação da análise estacística. No entanto, o pesquisador pode conse- razões podem ser a base para a redação da literamra acadêmica em um
guir pouco apoio dos comitês acadêmicos ou dos planejadores de escudo (ver Miller, 1991, para um escudo mais extensivo dos propósitos do
conferêncía se o estudo não acrescentar nada de novo ao corpo da pesquisa. uso da literatura em um escudo).
Pergunre "Como este projeto contribui para a literatura?". Pondere como
o estudo pode crarar um tópico que ainda não foi examinado, estender O uso da literatura
a discussão incorporando novos elementos ou replicar (ou repetir) um
estudo em novas situações ou com novos participantes. Além da questilo de por que a literatura é usada, há a questão adi-
A ques1ão de se o tópico deve ser esrudado também se relacíona a se cional de como ela é usada na pesquisa e nas proposras. Ela pode assu-
alguém fora da inscituição ou da área imediara do próprio pesquisador mir várias formas. Meu melhor conselho é buscar a ooinião de seu oriema-
52 John W. Creswell Projeto de pesquisa 53

dor ou de membros do corpo docente sobre a maneira como eles gostariam Com uma abordagem fundamentada no conhecimento dos panici-
de ver tratada a literatura. Eu em geral recomendo a meus orientandos pames e na variação pelo tipo de pesqu isa qualitativa, há vários mode-
que a revisão da literatura em uma proposta seja breve e que resuma los para se incorporar a revisão da literatura. Sugiro três locais de posi·
a principal literatura sobre o problema de pesquisa; ela não precisa ser cionamento, e ela pode ser apresentada em qualquer um ou em todos esses
totalmente desenvolvida e abrangente nesse momento, pois o corpo do- locais. Como mostra o Quadro 2.1, a pesquisa pode incluir a revisão da lite-
cente pode requerer imponantes modificações no estudo, por exemplo, ratura na introdução. Nessa colocação, a literatura proporciona um pano
em uma reunião para a discussão da proposta. Nesse modelo, a revisão de fundo útil para o problema ou a questão que conduziu à necessidade do
da literatura é mais curta, digamos que tenha 20 páginas de extensão, estudo, tal como quem tem escrito a respeito, quem o tem estudado e quem
e comunica ao leitor que o proponente está informado da literatura sobre tem indicado a importância de se estudar essa questão. Essa estruturação
o tópico e sobre os últimos escritos. Outra abordagem é desenvolver do problema, evidentemente, depende dos estudos disponíveis. Pode·se
um esboço detalhado dos tópicos e das referências potenciais que serão encontrar ilustrações desse modelo em muitos estudos qualitativos que
posteriormente desenvolvidas em todo um capitulo, em geral o segundo, empregam diferentes tipos de estratégias de investigação.
intitulado uRevisão da Literatura", o qual pode se estender por cerca de
20 a 60 páginas. Quadro 2.1 Usando a literatura em um estudo qualítativo
A revisão da literatura em um artigo de periódico é uma forma Exemplot de Upoa de
Uso da Literatura Crttérfot
abreviada daquela encontrada em uma dissenação de mestrado ou tese de fftrltéglaa adequadas
doutorado. Está contida tipicamente em uma seção chamada "Literatura A literatura é usada paro Deve hlMf alguma Tipicamente. a llle<otura
Relacionada" e segue a introdução a um estudo. Esse é o padrão para os esll\lturar o problema na lltOO!tura dlspoolvel é usada em todoe os
Introdução do estudo 8Sludos quaitalNOS.
anigos de pesquisa quantitativa nas revistas. Para os artigos de pesquisa •t-
~ ldepetldet do tipo.
qualitativa, a revisão da literatura pode ser encontrada em uma seção A r.t8nltura é """"'8f1lad8 Esta abotdagem é c:om Esla abordegem • -
separada, estar incluída na introdução ou permear todo o estudo. Inde- em uma seção separada, frequência aceilével c:om aquele$ estudos que
pendente da forma, outra consideração é como a literatura pode ser exa- como revisão da literatura. para um público mais emp<egam uma teo~a &611da
famlllarltado com a e uma literatura de base no
minado, dependendo da escolha de uma abordagem qualitativa, quan- ebordagem pós-positivista Inicio de um estudo, como
titativa ou de métodos mistos. 118diclonal das revisões da etnografias e estudos de
Na pesquisa qualicativa, os investigadores usam a literatura de ma- fitetatuta teoria crítica.
neira consistente com as suposições de conhecimento do panicipante, e A ~te<atura 6 ap<esenlada Esta abordagem 6 mais Esta abotdagem • usada
no'*" do0$lud0; _ .. . adequada para o p1 e e1110 em lados os lipos de
não para prescrever questões que precisem ser respondidas pelo ponto uma base para CO<Tq)at8I lndutiw da pesquisa projetos qualitatlvos, mas
de vista do pesquisador. Uma das principais razões para se conduzir um e para contrastar os qualitativa; a titaratura é mais popular na teoria
estudo qualitativo é que o estudo é exploratório. Isso em geral significa roouttndos do estudo nao guia nem direcion8 o fundamentada. na qual se
qualltolivo. osludo, mas se toma Ulll, contrasta e compara uma
que nfio foi escrita muita coisa sobre o tópico ou sobre a população que uma vez ldentifle&doa os teoria com outras te0<las
está sendo estudada, e que o pesquisador procura ouvir os participantes e padrões ou as calegorfes. encontradas na líloratura.
desenvolver um entendimento baseado nas ideias deles.
Entretanto, o uso da literatura na pesquisa qualitativa varia conside- Uma segunda maneira é examinar a literatura em uma seção sepa-
ravelmente. Em estudos de orientação teórica, como emografias ou emo- rada, um modelo tipicamente utilizado na pesquisa quantitativa, com fre-
grafias criticas, a literarura sobre um conceito cultural ou sobre uma quência encontrado em revistas com orientação quantitativa. Nos estudos
teoria critica é introdutida no início do relato ou da proposta como uma qualitativos orientados para a teoria, como a emografia, a teoria crítica ou
esrruwra de orientação. Na teoria fundamemada, nos estudos de caso e um objetivo reivindicatório ou emancipatório, o investigador pode colocar
nos estudos fenomenológicos, a literatura é com frequência menos uti- a discussão da teoria e a literatura em uma seção separada, normalmente
lizada para determinar o cenário do estudo. no início da escrita. Uma terceira maneiro é o pesquisador incorporar a
54 John W. Creswell Projeto da pesquisa 55

literatura relacionada na última seção, sendo usada para comparar e para formas qualitativas ou quantitativas. Resumindo, o uso da literarura em
coni:ra.star com os resultados (ou temas ou categorias) que emergem do um projeto de métodos mistos dependerá da estratégia e do peso relativo
estudo. Esse modelo é especialmente popular cm estudos de teoria funda- atribuído à pesquisa qualitativa ou quantitativa no estudo.
mentada, e eu o recomendo porque ele utiliza a literatura indutivamente. Minhas sugestões para o uso da literatura no planejamento de um
A pesquisa quancúaliva, por outro lado, incluí uma quantidade subs- esrudo qualitativo, quantitativo ou de métodos mistos são as seguintes:
tancial de lircratura no início de um estudo para proporcionar direção às • Em um estudo qualitativo, utilize a literatura parcimoniosamente no
questões ou às hipóteses da pesquisa. É também usada aí para introduzir um inicio, para comunicar um projeto indutivo, a menos que o tipo do
problema ou para descrever em detalhes a lireratura existente em uma seção projeto requeira uma orientação substancial da literatura no inicio.
intirulada "Literatura Relacionada" ou "Revisão da Llterarura", ou algum ou- • Considere o local mais apropriado para a literarura em um esrudo
cro úrulo similar. Além disso, a revisão da literatura pode introduzir uma qualitativo, e baseie a decisão no público visado pelo projeto. Man-
teoria, uma explicação para os relacionamentos espe.rados (ver Capitulo 3), tenha em mente as opções: colocá-la no infcio para estruturar o
descrever a teoria que será utilizada e sugerir por que é uma teoria válida de problema, colocá-la em uma seção separada e usá-la no final para
ser examinada. No l'inalde umesrudo, a literatura é revisitada pelo pesquisador compará-la e contrastá-la com os resultados.
e é feita urna comparação encre os resultados e os resultados existentes na • Utilize a literarura em um estudo quantitativo dedutivamente, como
literatura. Nesse modelo, o pesquisador quantitativo usa a literarura dedutiva- base para a apresentação das questões ou das hipóteses da pesquisa.
mente como estrUtura para as questões ou para as hipóteses da pesquisa. • Em um plano de estudo quanritalivo, utilize a literatura para intro-
Cooper (1984) sugere que as revisões da literatura podem ser integra- duzir o esrudo, para descrever a literatura relacionada em uma
doras, na qual os pesquisadores resumem cernas amplos na literatura. Esse seção separada e para comparar os resultados.
modelo é popular nas proposras de dissertação e teses. Uma segunda forma • Se for utilizada uma revisão separada, pondere se a literarura sen\
recomendada por Cooper é urna revisão reóriaJ, na qual o pesquisador se constituída de resumos imegrativos, de revisões teóricas ou de revisões
concentra na teoria existente relacionada ao problema que está sendo es- metodológicas. Uma prática ópica na redação das dissertações é apre-
cudado. Essa forma aparece em artigos de periódicos em que o autor integra sentar uma revisão imegraciva.
a teoria na introduçào. Uma forma final sugerida por Cooper é uma revisão • Em um estudo de métodos mistos, utilize a literatura de maneira
metodológica, na qual o pesquisador se concentra nos métodos e nas definições. consistente com o principal tipo de estratégia e com a abordagem
Essas revisões podem proporcionar tanto um resumo dos escudos quanto qualitativa ou quamitativa mais prevalente no projeto.
uma aítica dos pontos fones e fracos das seções dos métodos. Essa última
forma não é vista frequentemente hoje em clia nas dissenações e nas teses. Técnicas de planejamento
Em um esrudo de métodos mistos, o pesquisador utiliza uma abor·
dagem qualitativa ou quantitativa da literarura, dependendo do tipo de Independentemente do ripo de estudo, vários passos são úteis na
estratégia que está sendo utilizada. Em uma abordagem sequencial, a condução de uma revisão da literatura.
literatura é apresentada em cada fase de uma maneira consistente com
o método que está sendo usado. Por exemplo, se o esrudo se inicia com Passos no condução de uma revisão do literatura
uma fase quantitativa, provavelmente o investigador incluirá uma revisão Uma revisão da literatura significa locali1.ar e resumir os estudos so-
substancial da literatura para ajudar a estabelecer uma justificativa para as bre um tópico. Com frequência esses são estudos de pesquisa (desde que
questões ou para as hipóteses da pesquisa. Se o estudo começa com uma você esteja conduzindo um estudo de pesquisa), mas podem também incluir
fase qualitativa, a literatura é substancialmente menor, e o pesquisador artigos conceituais ou reflexões que proporcionem escruturas para se pensar
pode incorporá-la mais próximo ao final do estudo, uma abordagem indu- sobre os tópicos. Não há uma única maneira de condução de uma revisão
tiva. Se o pesquisador propõe um esrudo concomitante com igual peso e da literatura, mas muitos acadêmicos procedem de maneira sistemática
ênfase aos dados Qualitativos e Quantitativos. a literarura DO<le assumir para captar. avaliar e resumir a literamra. Bis a maneira Que recomendo:
56 John w. C<eswell Projeto de pesquisa 57

1. Comece identificando as palavras-chave, as quais serão úteis na 7. Depois de resum ir a literatura, re(ina a revisão da literatura, estru·
localização dos materials em uma biblioteca acadêmica de uma faculdade curando-a tematicamente ou organizando-a por conceitos importantes.
ou uníversidade. Essas palavras-chave podem emergir na idemificação de Termine a revisão da literatura com um resumo dos principais temas e
um tópico ou resultar de leituras preliminares. sugira como seu estudo pode constituir um acréscimo à literatura.
2. Tendoemmemeessaspalavras-chave,dirija·seàbibliotecaecomece
a procurar os materiais (isto é, periódicos e livros) no catálogo. A maioria Busca em bancos de dados computadoriz:ados
das bibliorecas importantes Lem bancos de dados computadorizados, e eu
Lhe sugíro se concentrar inicialmente nos periódicos e livros relacionados ao Para facilitar o processo de busca por material relevante, há algumas
tópico. Também comece a buscar bancos de dados computadorizados que cécnicas úteis no acesso rápido à literatura por meio de bancos de dados.
sejam normalmente consu ltados pelos pesquisadores das ciências sociais, Os bancos de dados computadorizados da literatura estão atual-
como ERIC, PsyclNFO, Sociofile, Social Scíence Citation lndex, Google mente disponíveis nas bibliotecas e podem proporcionar um acesso rápido
Scholar, ProQuesc e outros (eles serão examinados deralhadarnente mais a milhares de revistas, textos de confe.r tncias e materiais sobre mtútos
adiante). Esses bancos de dados estão disponíveis on-line pelo websire da tópicos diferentes. As bibliotecas acadêmicas das principais universidades
biblioteca ou podem estar dispoiúveis em CD-ROM. têm adquiddo bancos dados comercializados e também obtido bancos de
3. Inicialmente, tente localizar cerca de 50 relatórios de pesquisa em dados de domínio público. Somente alguns dos principais bancos de dad os
artigos ou livros relacionados à pesquisa de seu tópico. Estabeleça uma disponíveis serão examinados aqui, mas eles são as principais fomes para
prioridade na busca por artigos de periódicos e por Livros, pois são mais artigos de periódicos e documentos que você deve consultar para determinar
íáceis de localizar e obter. Determine se esses ardgos e livros existem em a literatura disponível sobre seu tópico.
sua biblioteca acadêmica ou se você precisa solicitá-los por empréstimo O ERIC (Educational Resources lnformation Center) é uma biblioteca
inter-bibliorecas ou adquiri·los em uma livraria. de pesquisa e informações sobre educação, sendo digital, gratuita on·line
4. Dê uma olhada nesse grupo inicial de artigos ou de caplrulos e e patrocinada pelo lnstituce of Education Sciences (IES) do Ministério da
tire uma cópia dos que são fundamentais para seu tópico. Ao longo desse Educação dos Estados Unidos. Esse banco de dados está disponível em
processo, Lente simplesmente obter uma percepção se o artigo ou capitulo http://www.eric.ed.gov, e proporciona uma busca de 1,2 milhões de itens
dará uma contribuição úcU para seu entendimento da literamro. indexados desde 1966. A coleção inclui artigos de periódicos, livros, sín-
5. Depois que identificar a literatura útil, comece a montar um ma- teses de pesquisa, textos de conferência, relatórios técnicos, documentos
p a da lite ratura (a ser discutido amplamente mais adiante). Esse é normativos e outros materiais relacionados à educação. O ERIC cem in·
um quadro (ou figura) visual dos agrupamentos da literatura sobre o dexados mais de 600 periódicos, com links dispoiúveis para cópias de
tópico, o qual ilustrará como seu estudo vai contribuir para a literatura texto integral de muitos dos materiais. Para uma melhor utilização do
posicionando seu próprio escudo dentro do corpo maior da pesquiso. ' ERIC, é importante identificar os descritores apropriados parn seu tópico,
6. À medida que for montando o mapa da literatura, comece também os cermos utilizados pelos indexadores para categorizar o artigo ou os
a esboçar resumos dos anigos mais importantes. Esses resumos serão documentos. Os pesquisadores podem realizar sua busca por meio do
acrescentados à revisão final da literatura que você escrever para sua Thesaurus of ERJC Descripcors (Ed ucational Resources lnformation Center;
proposta ou estudo de pesquisa. Inclua refer!ncias precisas da literatura 1975) ou navegar pelo chesaurus on·line. Uma dica de pesquisa na
usando um guia de estilo apropriado, como o manual de esdlo da Arnerican condução de sua busca no ERIC é Localizar os artigos de periódicos e
Psychological Association (APA, 2001)', para ter uma referência completa documentos recemes sobre seu tópico. Esse processo pode ser melhorado
par.i usar no final da proposta ou esmdo. com a realização de uma busca preliminar utilizando descritores do che-
saurus on-line e localizando um artigo de periódico ou docume nto sobre
• N. de R. Pam detalhes ver: APA. Manual de Estilos da APA: regras básicas. Pono Ale· seu tópico. Depois observe atencamente os descritores usados nesse a rd-
gre: Aruned, 2006. ltO ou documento e realize outra busca utilizando esses mesmos termos.
58 John W. Creswell Projeto de pesquisa 59

Esse procedimento vai maximizar a possibilidade de obtenção de uma boa relacionadas. Para a literarura no campo da psicologia e de áreas relacio-
lista de artigos para sua revisão da literatura. nadas, consulte outro banco de dados comercial, o PsyclNFO (hrt:p://
Outro banco de dados gratuito para sua busca é o Google Scholar. www.apa.org). Ele cem indexados 2.150 lltulos de periódicos, livros e dis-
Ele proporciona um caminho para uma ampla busca da lireratura em senações de muitos países. Cobre o campo da psicologia e também os
muitas disciplinas e fontes, como documentos revistos por colegas, teses, aspectos psicológicos de disciplinas relacionadas, incluindo medicina, psi-
livros, resumos e artigos de editoras acadêmicas, sociedades profissionais, quiatria, enfennagem, sociologia, educação, farmacologia, fisiologia, lin-
universidades e oucras organizações acadêmicas. Os artigos identificados guística, antropologia, administração e direito. Tem um Thesaurus o/ Psy-
em uma busca no Google Scholar proporcionam links para resumos, artigos chological lndex Terms para a localização de termos úteis em uma pesquisa
relacionados e versões eletrônicas de artigos afiliados a uma biblioteca de literatura.
que você especifique. A Internei busca infonnações sobre essa obra e Um último banco de dados comercial disponível nas bibliotecas é o
as possibilidades de adquirir o texto integral do artigo. Social Sciences Citarion lndex (SSCI, Web of Knowledge, Thomson Scientific
Os pesquisadores podem obter resumos de publicações nas ciências (http://isiwebofknowledge.com)). Ele tem indexados 1.700 periódicos,
da saúde através ·do PubMed, com acesso livre. Este banco de dados é um abrangendo 50 disciplinas, e indexa seletivamente irens relevantes de mais
serviço da U.S. Narional Library ofMedicine e inclui mais de 17 milhões de de 3.300 revistas científicas e técnicas. Pode ser utilizado para localizar
citações do MEDLINE e de outras revistas de ciências da vida para artigos artigos e aurores que conduziram pesquisa sobre um determinado tópico.
biomédicos publicados desde a década de 1950 (www.ncbi.nlm.nih.gov). t especialmente útil na localização de estudos que fizeram referência
O PubMed inclui links para artigos de 1exto completo Oocalizados nas a um estudo importante. O SSCI lhe permite rastrear todos os estudos,
bibliotecas acadêmicas) e ourros recursos relacionados. Para a busca desde a publicação do estudo principal que citou a obra. Usando esse
no PubMed, o pesquisador usa os termos do MeSH (Medical Subject sistema, você pode desenvolver uma lista cronológica das referências
Headings), o Thesaurus do vocabulário controlado da U.S. Nacional Library que documentam a evolução histórica de uma ideia ou estudo. Essa lista
of Medicine usado para indexar anigos para o MEDUNE e para o PubMed. cronológica pode ser mais útil no rastreamento do desenvolvimento de
Essa tenninologia do MeSH proporciona uma maneira consistente de ideias sobre a revisão de literatura de seu tópico.
recuperar informações sobre tópicos que podem ser descritos com o uso Em resumo, minhas dica s de pesquis a para a busca em bancos de
de diferentes termos. dados computadorizados são:
As bibliotecas acadêmicas também têm autorização para o acesso a • Utilize canto os bancos de dados de literatura gratuitos on-line
importantes bancos de dados comerciais. Um normalmente disponível é o quanto aqueles disponíveis em sua biblioteca acadêmica.
ProQuest (hctp://proquest.com), o qual permite a um pesquisador buscar • Faça sua busca em vários bancos de dados, mesmo que ache que
muitos bancos de dados diferentes, e é um dos maiores repositórios do seu tópico não seja estritamente educação, como encontra-se no
mundo de conteúdo on-line. Por exemplo, você pode ter acesso ao ERIC, ERIC, ou psicologia, como no PsyclNFO. Tanto o ERIC quanto o
PsycJNFO, Dissenation Abstracts, Periodicals lndex, Health and Medical PsyclNFO encaram a educação e a psicologia como cennos amplos
Complete e muitos outros bancos de dados especializados (p. ex., o Inter- para muitos tópicos.
nacional !ndex to Black Periodicals). Como ele dá acesso a muitos bancos • Utilize guias de termos para localizar seus anigos, como um 11ie-
de dados diferentes, pode ser uma ferramenta de busca a ser usada antes saurus, quando disponível.
de acessar bancos de dados mais especializados. • Localize um artigo que seja próximo a seu tópico, depois examine os
Outro banco de dados autorizado comercialmente enconcrado em termos usados para descrevê-lo e use esses termos em sua busca.
muitas bibliotecas acadêmicas é o Sociological Abstraas (Cambridge Scientific • Utilize canto quanto possível os bancos de dados que deem acesso a
Absrracts). Esse banco de dados cem indexados mais de 2 mil periódicos, cópias de texto integral de seus artigos (pelas bibliotecas acadêmicas
textos de conferências, listas de dissenações relevantes, criticas de livros ou mediante o pagamento de uma taxa) para poder reduzir a quan-
e livros selecionados de socioloRia. de assistência social e de disciolinas tidade de tempo buscando cópias dos artigos de seu interesse.
60 John W. Cteswell Projelo de pesquisa 61

Uma prioridade para a seleção da material da literatura imponantes, e você pode solicitar cópias delas por meio de empréstimos
Recomendo que estabeleça uma prioridade na busca de literatura. interbibliotecas ou da Universiiy of Michigan Microfüm Llbrary.
Quais tipos de literarura podem ser examinados e em qual prioridade? 6. A Internet também proporciona materiais úreis para uma revisão da
Considere o seguinte: literatura. O fácil acesso e a possibilidade de capturar artigos inteiros tomam
1. Especialmente se você estiver examinando um tópico pela primeira atrativa essa fonte de material. Entremnro, examine atentamente os artigos
vez e não tiver informações a respeito das pesquisas sobre ele, comece com com relação a sua qualidade e seja cauteloso ao verificar se representam
uma síntese ampla da literatura, como as visões gerais encontradas em enciclo- uma pesquisa rigorosa, criteriosa e sistemática a ser utilizada em uma re-
pt&iias (p. ex., Aikin, 1992; Keeves, 1988). Pode também procurar resumos da visão da literatura. Os periódicos on-line, por outra lado, com frequência
literatura sobre seu t6pico apresentados em artigos de periódico ou em séries incluem artigos que passaram por rigorosas revisões dos conselhos edito-
de resumos {p. ex.,Annual Review of Psydiology, 1950.). riais. ~ pode verificar para ver se os periódicos têm um conselho editorial
2. Em seguida, recorra a artigos de periódicos nacionais respeirados, de avaliação que examine os manuscritos e que tenha padrões publicados
especialmente aqueles que relatem escudos de pesquisa. Por pesquisa, para a aceitação de manuscritos em uma instrução editorial.
entendo que o autor ou autores colocam uma questão ou hipótese, coletam Em resumo, coloco os anigos de periódicos avaliados em alta posição
dados e tentam responder a questão ou hipótese. Há periódicos bastante na lisra porque são os mais fáceis de localizar e reprod uzir. Eles também
lidos em seu campo, e normalmente há publicações com um conselho relatam a pesquisa sobre um tópico. As dissertações são liscadas em um
editorial de alia qualidade, consistindo de indivíduos de todo o país ou nível menor de prioridade porque variam consideravelmente na qualidade
do exterior. Examinando as primeiras páginas, você pode determinar se e constituem o material de leitura mais difícil de localizar e reproduzir.
um conselho editorial está listado e se é composto de indivíduos de todo o Deve-se ter caurela na escolha de anigos de periódicos na Internet, a
país ou do mundo. Comece com os números mais recentes dos periódicos menos que façam parte das revistas on-line avaliadas por especialistas.
e procure estudos sobre seu tópico, e depois volte para rrás no rempo.
Examine as referências no final dos artigos para mais fontes a serem Um mapa da literatura da pesquisa
examinadas.
3. Recorra aos livros relacionados ao tópico. Comece com monografias Uma das primeiras tarefas de um pesquisador que trabalha com um
de pesquisa que resumam a literatura acadêmica. Depois considere livros tópico novo é organizar a literatura. Como foi anteriom1ente mencionado
inteiros sobre um único tópico, de um ou vários autores, ou livros que essa organização permite à pessoa compreender como o estudo proposto'
contenham capítulos escritos por diferentes aurores. acrescenta, amplia ou reproduz as pesquisas já realizadas.
4. Siga essa busca por textos de conferências recentes. Procure as con· Uma ferramente útil para essa etapa é montar um mapa da !itera·
ferêndas nacionais importantes e os textos nelas distnbuídos. Com frequência, rura. Essa é uma ideia que tive há vários anos, e tem sido útil para os
os textos de conferências relatam os últimos desenvolvimentos da pesquisa. alunos quando organizam sua revisão da literatura para fazer apresenta·
Muitas conferências importanres requerem ou solicitam que os autores sub- ções para comitês de graduação ou para resumir a literatura para uma
metam seus textos para inclusão em índices computadorizados. Faça contato apresentação acadêmica ou para a publicação de um artigo de periódico.
com os autores de estudos pertinenres. Procure-os em conferências. Escreva Esse mapa é um resumo visual da pesquisa que já foi conduzida
ou telefone para eles, perguntando-lhes se t"Onhecem estudos relacionados a por outros e é tipicamente representado em uma figura. Os mapas são
sua área ele inreresse e indague também se têm algum inslTUmento que possa organizados de diferentes maneiras. Uma maneira pode ser uma estrucura
ser usado ou modificado para você usar em seu estudo. hierárquica, com uma apresentação de cima para baixo da literatura, ter·
5. Se o tempo permitir, escaneie as enrradas no Dissertation Absrracts minando na base com o estudo proposto. Outra maneira pode ser similar
(Universiiy Microfilms, 1938). As dissem1ções variam imensamente em a um fluxograma, em que o leitor entende a literarura como se desdobran-
qualidade, e é preciso ser seletivo na escolha daquelas a serem examinadas. do da esquerda para a direita, com a seção mais à direita sugerindo o es·
Uma busca nos Abst:racts pode resultar em uma ou duas dissertações tudo proposro. Um terceiro modelo pode ser uma série de círculos, cada
62 John W. Creswell Projeto de pesquisa 63

. .
., -~

um representando um corpo da literatura e, a interseção dos círculos, o . 1


local em que a pesquisa futura está indicada. Tenho visto exemplos de
todas essas possibilidades e penso que todas são eficazes. lf 1
A ideia central é que o pesquisador comece a construir um quadro visual
da pesquisa existente sobre um tópico. Esse mapa da literatura apresenta
1 l-1
j 1- ;
1111• ilfij~
.. , s
.
uma visão geral da literatura existente. A Figura 2.1 é uma ilustração de
.... "
-1!1 :
-.~
1 . ·'
um mapa que apresenta a literatura encontrada nos procedimentos re- .
1
gulamentares em esrudos organizacionais (Janovec, 2001}. O mapa de 1 li

Janovec ilustra um modelo hierárquico, e ela utilizou vários principias para


a montagem de um bom mapa.
• Ela colocou o tópico da revisão de literatura na caixa que fica no
copo da estrutura hierárquica.
lt.
.ll
,__.:. t·K
JJJ r j'! 1131
~31! •
"
• Em seguida, tomou os estudos que encontrou nas buscas no compu- - 1
. '
' I•
. 1
. 1; 1 ~
tador, localizou o6pias desses esrudos e organizou-os em D'ês amplos sub.
tópicos (isto é, formação de procedimentos regulamenwes, efeitos dos re-
l ·o

} _l • • ii !fl 1,
·ªe.."
gulamentos e os regulamencos na mudança organiUlcional). Para outro ma-
•2
fJ-·l 11 .. -· .
"O

., '!l!'
pa, o pesquisador pode rer mais ou menos do que quatro categorias principais,
-
1 iJI l!i ~
...:i..
dependendo da extensão e do número de publicações sobre o tópico. u
n
• Dencro de cada caixa estão os rótulos que descrevem a natureza
l- t l il 1

!
1
dos estudos na caixa (p. ex., resultados).
• Também dencro de cada caixa estão referências às principais cita-
ções que ilustram seu conceúdo. É conveniente utilizar referências atuais,
"'•
o
!
1- ili~ g --
~igl
.'1i!S;, _ . 1 ....
.e
"O

"O

ilustrativas do tópico da caixa, e apresentar brevemente as referências em


um estilo apropriado, como, por exemplo, o da APA.
• Considere vários níveis para o mapa da literatura Em outras palavras,
1
..
-1
..11 !• J!Jj .fi"
"'o
~ -
e2 .,..
~ 5- .
• ' :3 ·e .g
os principais tópicos conduzem a subtópicos e depois a sub-subtópicos. .. ;'-e
" :1
"O
• Algumas seções do mapa estão mais desenvolvidas do que outras.
1tl~ .. ,,
~~e
::;: o "

Esse desenvolvimento depende da quantidade de literatura disponível e ..
da profundidade da exploração da literarura pelo pesquisador.
• Depois de organizar a literatura em um diagrama, Janovec consi-
derou as seções do mapa que proporcionam um trampolim para seu
IC
-
-
1~
3j .nJf l I~~
-11
1
1 § .: ·~
., "O
"O
o "
1!
e=. a.

ili.
o
'ê. Q.~
:1f·· 5 ..e .
1
estudo proposto. Ela colocou uma caixa de "necessário estudar" (ou estu-
do proposto) na base do mapa, identificou brevemente a natureza desse - ~

estudo proposto (procedimentos regulamentares e cultura) e então traçou -


1

.E~
·ªI
!f,!
cil ·~ ~
e"" ~
linhas para a líterarura passada a que seu projeto ampliaría. Ela propôs !~. ::> -! i;~
tal estudo baseada em ideias escriras por ouu·os aurores nas seções de
pesquisa futura de seus estudos.
i! !IJ• ...
.. :!. :a
"' ~.,
• Inclua estudos quantitativos, qualitativos e de métodos mistos em 1 ~~ ~
seu mapa da literatura. .
-"' "".2
64 John W. Creswell Projeto de pesquisa 65

Resumo dos Estudos


Quando os pesquisadores escrevem revisões da literatura para estudos
propostos, eles localizam artigos e desenvolvem resumos breves dos artigos
compreendidos na revisão. Um resumo é uma revisão breve da literatura
(geralmente em um parágrafo curto) que resume os principais elementos
para permitir ao leitor ampliar os aspectos fundamentais do artigo. Ao
desenvolver um resumo, os pesquisadores precisam considerar que material
extrair e resumir. Essa é uma informação importante quando se examina
tolvez dezenas, se não centenas, de escudos. Um bom resumo de um estudo
de pesquisa relacado em um periódico pode incluir os seguintes pontos: Meus colegas e eu iniciamos com uma referência no texto de acordo
• Mencionar o problema que está sendo tratado. com o formato sugerido no manual de estilo da APA (2001). Em seguida,
• Declarar o objetivo central ou o foco do escudo. examinamos o propósito cemral do escudo, seguidos de informações
• Apresentar brevemente informações sobre a amostra, a população sobre a coleta de dados. O resumo terminava declarando os principais
ou os indivíduos. resultados e apresentando as implicações práticas desses resultados.
• Examinar os resultados fundamentais relacionados ao estudo Como são resumidos os ensaios, as opiniões, as tipologias e as sínteses
proposto. das pesquisas passadas, uma vez que esses não são estudos de pesquisa?
• Caso se trate de uma revisão metodológica (COoper, 1984), indicar O material a ser extraído desses estudos não empíricos seria o segu inte:
as falhas técnicas e as metodológicas do escudo. • Me ncionar o problema que está sendo tratado pelo artigo ou livro.
• Identificar o tema central do estudo.
Quando se examina um escudo com vistas à redação de um resumo, • Declarar as principais conclusões relacionadas a esse tema.
há locais para se buscar essas partes. Em artigos de periódicos bem con. • Se o tipo da revisão for metodológica, mencionar as falhas no ra-
feccionados, as declarações de problema e de propósito são claramente ciocínio, na lógica, na força do argumento, etc.
apresentadas na introdução. As informações sobre a amostra, a população
o u os sujeitos são encontradas no meio, em uma seção dedicada ao mé- Considere o exemplo que se segue, o qual ilustra a inclusão desses
todo (ou procedimento), e os resultados são frequentemente relatados aspectos:
próximo ao final. Nas seções dos resultados, procure passagens em que os
pesquisadores relatam informações para responder ou para tratar de cada Exemplo 2.2 Revido da lderstura em um
questão ou hipótese de pesquisa. Em estudos de pesquisa em extensão de estudo qus dBs&nVOlvo UIJlB liPo/Qgfa
livro, procure os mesmos pontos. Considere o seguinte e xemplo:
Suddulh (1992) realizou uma dissertaçto 9U1111tltativa em,ci6náa polllk:a.ldlnl
o tópico do uso da adaptação estnlléglca 11111 ho$p1.-. Nr9i&. Ele nlVilou a
Exemplo 2.1 RevrSllo da lit&ratunl em um estudo quan6tativo literatura em vãnos capllulos no inicio do llSIUdo. Em um axemplo 40.~
Segue-se um parãgraro ~mlndo os principais componente.a de um estudo de um estúdo Isolado propondo uma ti~!ógla, Sudctuth 111eum1u o p~r(\a, o
q1.1aotltallvo (C111sw&ll, Seagren a H•n!Y, 1~79), clé'Ult1a·manelra m~lda tema e a tipologia:
com a que o parágrafo pc<lê 11i5Brec:et ti1I urna i9Visllj da ~dfde Dteratura
Ginter.Duncan.Ríchatd«JQeSWayne(l9gf)~o/mpaçto.doanibJtml8
de uma dissertação ou de um àrllgô dli'P41r1óclicó: Nessa'pauagem; e9COlhl
oomponentes importantes a Mf8lll resumidos.
extemo' sobre a capacidade de um hospitBI para# edap/ll!f li mudança. &ts
defend8m um processo que chamam de anMJse .anib/enlal B que petm/18 li
Craswell, Soogran e Henry (191§)'tnflltanl, o modelO de BiOfBll, um modlllo organlzaçno dB/emi/nar estrsteg/camBnte as metli6iu8 18açôes <Is mudal'IÇBS
trldlm11ns/on11/ que sgrvps 38 áreas acadM!/Clls en:i d/flce/8 ou fdéé1S puras que ocomlm no amblOnte. Enttemn/o, d8pol8 de examinar as muitas técnicas
ou aplicadas. relacionadas ou nêo mlaa/onlldes li vida, como um previsor usadas psra a aná#se amb/enlal, psrece n4o ter sido desenl/O/v/do algum
66 John W. CresweU Projeto de pesquisa 67
As considerações de estilo mais importantes em relação ao manual
de estilo envolvem o uso de citações no corpo do texto, no final do texto,
nos tfrulos e nas figuras e tabelas. Seguem algumas sugestões para o uso
de manuais de estilo para a redação acadêmica:
• Ao usar cirações no corpo do texto, renha em mente a forma apro·
priada para os tipos de referências e pres1e muita acenção ao for·
mato das citações múltiplas.
• Ao usar referências no final do texto, observe se o manual de estilo
requer que elas sejam apresentadas em ordem alfabética ou nu-
Nesse exemplo, os autores citaram o escudo com uma referência no meradas. Além disso, certifique-se de que cada citação no corpo do
texto, mencionaram o problema ("a capacidade de um hospital de se adap- texto seja acompanhada de uma referência ao final do texto.
tar à mudança"), identificaram o rema central ("um processo que eles cha· • Os cabeçalhos são ordenados em um texto acadêmico em termos de
mam de análise ambiental") e apresentaram as conclusões rela.clonadas a níveis. Primeiro, obse1ve quantos níveis de cabeçalho você rerá em
esse rema (p. ex., "nenhum modelo conceicual abrangente", "desenvolveram seu esrudo de pesquisa. Depois, consulte o manual de estilo para se
a tipologia"). informar sobre o formato apropriado para cada um deles. Em geral, os
relatórios de pesquisa conrêm entre dois e quatro níveis de tículos.
Manuais de estilo • Se forem utilizadas notas de rodapé, consulte o manual de estilo para
Nos dois exemplos, introduzi a ideia do uso do estilo apropriado da verificar sua localização apropriada. As n0tas de rodapé são usadas
APA e para tomar como ponto de referência para o artigo no início do menos frequentemente nos textos acadêmicos hoje em dia do que
resumo. Os manuais de estilo apresentam direoizes para a criação de um eram há alguns anos. Se forem incluí-las, observe se serão inseridas
estilo acadêmico de um manuscrito, assim como um fonnato consistente no fim d:i página, no fim de cada capírulo ou no fim do texto.
para citar as referências, criar drulos, apresentar tabelas e figuras e uti· • As rabeias e as figuras têm uma fonna específica em cada manual
lizar linguagem não discriminatória. Um princípio básico na revisão da de estilo. Observe nos exemplos apresentados aspectos como linhas
literatura é usar ao longo da escrita um estilo de referência apropriado e e tírulos em negrito e espaçamento.
consistente. Quando identificar um documento útil, faça uma referência
completa à fome, usando um estilo apropriado. No caso das propostas Em resumo, o aspecto mais importante do uso de um manual de csti·
para dissertação, os alunos graduados devem buscar a orientação do corpo lo é ser consistente na abordagem em toda a extensão do trabalho.
docente, dos membros do comitê de pós-graduação ou dos funcionários
do departamento ou da faculdade sobre o manual de estilo apropriado a
ser usado para citar as referências. A DEFINIÇÃO DOS TERMOS
O PubUcacion Manual of the American Psychological Association, Fifth
Edition (APA, 2001), é o manual de estilo mais popular utilizado nos Outro tópico relacionado à revisão da literatura é a identificação e a
campos da educação e da psicologia nos Estados Unidos. São cambém definição dos rermos de que os leirores necessitam para entender um projeto
utilizados nas ciências sociais os manuais da Universidade de Chicago (A de pesquisa proposto. Uma seção de definição dos termos pode ser
Manual ofSryle, 1982), de Turabian (1973) e de Campbell e Bailou (1977), encontrada separada da revisão da Lircrarura, incluída como parte da revisão
mas menos frequentemente do que o estilo da APA. Alguns periódicos da literatura ou colocada em diferentes seções de uma proposta.
desenvolveram suas próprias variações dos estilos populares. Recomendo Defina os termos que os indivíduos fora do campo de escudo possam
identificar um estilo aceitável para o público e adotá-lo desde o início, já não enrender e que extrapolem a linguagem comum (Locke, Spirduso e
no processo de planejamento. Silverman. 2007). Evidentemente. a decisão se um termo deve ser definido
68 John W. Creswell Projeto de pesquisa 69

é uma questão de julgamento, mas defina um tenno se houver qualquer a adiar a definição dos tennos até que eles apareçam no escudo e roma
probabilidade de os leitores não conhecerem seu significado. Além disso, essas definições diflceis de especificar nas propostas da pesquisa. Por
defina os tennos quando aparecerem pela primeira vez, para que o leitor não essa razão, as propostas qualitativas com frequência não incluem seções
prossiga na leitura da proposta operando com um conjunto de definições e separadas para a definição dos termos, mas os autores propõem definições
descubra, mais adiante, que o autor está utilizando um conjunto diferente. provisórias e qualitativas anres de sua entrada no campo.
Como comentou Wtlkinson (1991), "os cientistas cêm precisamente definidos • Por outro lado, os estudos quantitativos -, os quais operam mais den·
os tennos com os quais pensam claramente sobre sua pesquisa e comunicam cro do modelo dedutivo de objetivos de pesquisa fixados e estabelecidos,
com precisão de seus resultados e ideias" (p. 22). Definir os tennos também incluem definições extensivas desde o início da proposta da pesquisa. Os
adiciona precisão a um estudo científico, como declara Firestone: investigadores os colocam em seções separadas e os definem com precisão. Os
pesquisadores tentam definir abra.ngentemente todos os tennos relevantes no
As palavras da linguagem cotidiana são riens em significados múltiplos. início dos estudos e utilizar as definições aceitas encontradas na literatura.
Como outros s!mbolos, seu poder vem da combinação de significado cm um • Nos estudos de métodos misros, a abordagem das definições pode
ambiente específico... A linguagem cientifica remove ostensivamente essa incluir uma seção separada se o esrudo iniciar com uma primeira fase de coleta
multiplicidade de significado das palavras no interesse da precisão. Essa é
a razão pela qual são auibuldos aos cennos comuns "significados técnicos• de dados quantiraúvos. Se começar com uma coleta de dados qualitntivos,
pam propósitos científicos. (p. 17) então os termos podem emergir durante a pesquisa, e serão definidos nos
resultados ou na seção de resultados do relatório final. Se a coleta de dados
Em função dessa necessidade de precisão, os rennos estão declarados quantitativos e qualitativos ocorrer simultaneamente, então a prioridade dada
já na introdução dos anigos. Nas propostas de disse.reações e de teses, os a um ou outro vai direcionar a abordagem das defüúções. Entretanto, em
termos são tipicamente definidos em uma seção especial do estudo. A todos os estudos de métodos mistos, há termos que podem não ser familiares
j usrificativn é que, na pesquisa formal, os alunos devem precisar como aos leitores - por exemplo, a definição de um esrudo de mérodos mistos,
uúliuun a linguagem e os termos. A necessidade de pensamentos fun. em si, em uma discussão dos procedimentos (ver Capitulo 10). Além dis-
damenrados nas definições consagradas constitui a boa ciência. so, esclareça os termos relacionados à estratégia de investigação usada, co-
Defina os tennos inr:roduzidos em todas as seções do plano de pesquisa: mo cont'Omitante ou sequencial, e seu nome especifico (p. ex., projeto de
• O útulo do estudo triangulação concomitante, como é discutido no Capítulo 10).
• A declaração do problema Nenhuma abordagem determina como uma pessoa define os termos em
• A declaração do objetivo um estudo, mas seguem várias sugestões (ver também Locke et ai., 2007):
• As questões, as hipóteses ou os objetivos da pesquisa • Defina um termo quando ele aparecer pela primeira vez na pro-
• A revisão da Literatura posta. Na introdução, por exemplo, um termo pode requerer definição
• A teoria que constitui a base do esrudo para ajudar o leitor a entender o problema de pesquisa e as questões ou
• A seção dos métodos as hipóteses do estudo.
• Escreva as definições em um nível operacional ou aplicado es-
Os termos especiais que precisam ser definidos aparecem em todos pecífico. As definições operacionais são escritas em uma Linguagem es-
os três tipos de esrudos: qualitativos, quantitativos e de métodos mistos. peciÍica, em vez de se utilizar definições abstratas e conceiruais. Como a
• Nos estudos qualicativos, por causa do projeto metodológico indu· seção de definições em uma dissertação proporciona uma oportunidade
tivo e em evolução, os investigadores podem definir alguns rermos no para o autor ser específico sobre os termos usados no esrudo, existe uma
in feio, embora possam propor definições temporárias. Por outro lado, preferência pelas definições operacionais.
1emas (ou perspectivas ou dimensões) podem emergir pela análise dos • Não defina os termos na Linguagem cotidiana; em vez disso, use
dados. Na seção do procedimento, os autores definem esses tennos à me- a linguagem aceita disponível na literatura da pesquisa. Dessa maneira,
dida que aparecem durante o processo da pesquisa. Essa abordagem visa os termos são funda mentados na literatura, e não inventados (Locke et
70 John W. Creswell Projeto de pesquisa 71

aL, 2007). É possível que a definição precise de um tenno que não esteja
estudo. Ilustro abailco dois de seus termos. Observe como ela fez a referência
disponível na líceracura e que a linguagem cotidiana precise ser usada. de suas definições em significados criados Por outros autores na literatura:
Nesse caso, proporcione uma definição e use o termo consistente durante
Reflexlo Individual
rodo o planejamento e rodo o estudo (Wilkinson, 1991).
Schon (1983) dedicou todo um livro a conce~ que Chamou de pensamenro
• Os pesquisadores podem definir os termos para atingirem objetivos reflexivo, rellexêo na aç4o e préticli reflexiva; Isso delJO'S de ter escrito um
diferentes. Uma definição pode descrever uma palavra da linguagem comum livro uma década 8nl8S com Argyris (Argyris e SchOn, 1978) pera introduzir
(por exemplo, organização). Pode rambém estar relacionada a uma limitação, esses cona.ltos. Porfsso, seria d/fleti de conseguir uma definl91Jo concisa
como, por exemplo, "O amirulum estará limitado àquelas atividades extra· do entendlmenlo desse pesquisador sobre a reflexllo Individual qµe fizesse
justiça a algo que a maioria muito apropriadanlflnlfl havia identincado como
curriculares que o School District Manual aprovou para os alunos do ensino
um 11tb lntunivo. Enll&lanro. as caruct11rtstlc8s ma/S $ll/ientN <ta reMxáo
médio" (Locke et ai., 2007, p. 130). Você pode estabelecer um critério que lndrvidual pera os propósitos deste Ntrido toram H ~ $69Ulrit8t; af IJlfl
será usado no estudo, ral como "Média de pontos de grau elevado significa "talento a11lst1Co para a prdtica• (Schon, 1983); b) como uma p11ssoa pratica
um GPA. cumulativo de 3,7 ou mais em uma escala de 4,0." Pode também abertamente o que sabe intu/UVaments; e] como um pl'()fissional melhora sua
definir um rermo operacionalmente, como em "O ~forçt> vai se referir ao prática p0r melo do discurso refletido dentro da mente.
procedimento da listagem de todos os membros do clube no jornal da escola, Proftsslon11I de Orlentaçlo Acadêmica
proporcionando passes especiais para os membros e listando os membros do Umprofissionaltem sidOdescrfto de multas maneirn. Uma descrl~o ldenbflccú
clube nos seus históricos escolares" (Locke et ai, 2007, p. 130). vm /nd/Vlduo quo exibia "um eito grou df!J /ul!J8mento lndependent11, baseádo
em um corpo de Ideias. pel'S{)8Clivas. lnfonnsções. fl0/7ll8S e hâbnos colelivos
• Embora não exisca nenhum formato para definir os tennos, uma e 1t1fi>rmados (li que Nlá enga;ado no saber profissional}" (Basketl e Marsj(;k,
abordagem seria desenvolver uma seção separada, chamada "Definição 1992, p. 3). Um profissional de ori&ntaçlo ecad6mJca exil1ía asas 1fB90S no
dos Termos", e, evidentemente, acionar os tennos e suas definições sa- serviço 80$ olunos de uma /nstllvlçlfo de educáç80 s~rlor, em qualquar uma
lientando o termo no corpo de texto. Dessa maneira, é designado à palavra das várias flJnções que apoiam o sucesso 8cadfmloo e cqcutricul11r.
um significado constante (Locke et ai., 2007). Tipicamente, essa seção (VanHom-Grasameyer, 1998. p 11-12)
não tem mais de duas ou três páginas de extensão.
Exemplo 2.4 Termos-definidos em um8 seçSO de 1111rlllveís independentes
Dois exemplos ilustram estruturas variadas para definir os tennos
em um esrudo de pesquisa. Este segundo conjunto de dois exemplQs lluslrauma tonna abreviada da esaita
de definições para um estudo. O primeiro llualntume.,élefit~ operacional..-
peçlfica de um tenno fundamental. e. a Segunda, .1f~pt0ce<fur81 de um
tarmo-chave, Vernon (1992) estúdou como o dfvórdO 11a geraÇllo lntennilblária
causa Impactos nos relaelonamentoS doa evôs com seua netós. E9sas definições
toram incluldas em uma seção Sobnl varl61181s ~ri'd8iltes.
Relacionamento de Proximidade com oa Netôa
Relacionamento de proxlmld11de com os netos reff[!H9 eoo avós serem 81/Ós
matemos ou paternos. Apesqu/safllltsrlor. (p 11x.. Cherl/tl e Fuf3/e11b61'f1, 19811)
sugere qUe os evós matamos te~m a ser ma/S ptWdmos a seus netos.
Sexo dos Avós
Tem-se observado que o fato de ser um 8111) ou de uma 81/Ó é um fator /mfX*
tente no relacionamento avó (avó)fm1to(a) (lstD í!. a11 avós .tendem 8 ser mais
• N. do R.T. GPA ~sigla de Grade A>int AverQge - um índicador usado no ensino médio envolvidas do que os avõs, o que Bll itrnigJna é$llii' 111/adon'ado ao papel de
de pafses europeus, Estados Unidos. Canadá, etc. o qual considera a carga honlria e as cuidadora das mulheres dentro dJJ fem/lla (p_. e1<., H~s6iií, 1988).
noras dos disciplinns cursadas. t usado para >Vllliação de futuros empregos ou acesso
às universidades. Nos Estados Unidos ele varia de 1 a 4 pomos. (Vemon, 1992, p 35-36)
<.......--....~~~~~~~~~~~~--~~
72 John W. Creswell
Projeto de pesquisa 73
Uma revisão de literatura sobre m étodos quantitativos ou mistos 4. Examine o Tópico 3, que inclui a literarura acadêmica que rela-
ciona a variável (ou variáveis) independente à dependence. Aqui estamos
Quando se escreve uma revisão da literarura, é diffcil determinar no ponto crucial do esrudo proposto. Por isso, essa seção deve ser rela-
a quantidade de literarura a ser revista. Para lidar com esse problema, tivamente cuna e conter estudos extremamente próximos ao tópico do
desenvolvi um modelo que proporciona parâmetros em tomo da revisão estudo proposto. Talvez nada tenha sido escrito sobre o tópico. Construa
da literatura, especialmeate quando ele pode ser urilizado para um estudo uma seção que seja o mais próxima possível do tópico ou dos esrudos de
quantitativo ou de métodos mistos que empregue uma seção padronizada revisão que lidem com o tópico em um nlvel mais geral.
de revisão da literatura. Para um esrudo qualitativo, a revisão da literatura 5. Apresente um sumário que destaque os estudos mais importantes,
pode explorar aspectos do fenômeno central que está sendo tratado e capte os principais temas, insinue por que é necessária mais pesquisa sobre
ser dividida em tópicos. Porém, a revisão da literatura, para um estudo o tópico e sugira como o estudo proposto vai preencher essa necessidade.
qualitativo, como foi discutido amerionnente, pode ser colocada em
uma proposta de várias maneiras (p. ex., como uma justificativa para o Esse modelo se concentra na revisão da literatura, a relaciona inti-
problema de pesquisa, como uma seção separada, como algo que permeia mamente às variáveis nas questões e nas hipóteses da pesquisa, e estreita
todo o estudo, como comparada aos resultados de um projeto). suficientemente o estudo. Toma-se um ponto de panida lógico para as
Para um unido quantitativo ou o elemento quantitativo de um esrudo questões da pesquisa e para a seção do método.
de métodos miscos, escreva uma revisão da literarura que contenha seções
sobre a literatura relacionadas a imponantes variáveis independentes,
imponantes variáveis dependeates e esrudos que relacionem as variáveis RESUMO
independentes e dependentes (há mais informações sobre as variáveis no
Capítulo 3). Essa abordagem parece apropriada para as dissenações e para Antes de realizar a busca de literatura, identifique seu tópico utilizando
a conceituação da literatura a ser introduzida em um artigo de periódico. estratégias como o esboço de um titulo breve ou a declaração de uma
Considere uma revisão da literarura composta de cinco componentes: uma questão fundamental da pesquisa. Considere também se este tópico pode e
introdução, Tópico 1 (sobre a variável independente), Tópico 2 (sobre deve ser pesquisado, examinando se há acesso aos panicipantes e aos re-
a variável dependente), Tópico 3 (estudos que tratam tanto da variável cursos, e se o tópico irá acrescentar algo à literatura, ser de interesse para
independente quanto da dependente) e um resumo. Eis mais detalhes os outros e ser consistente com os objetivos pessoais.
sobre cada seção: Os pesquisadores usam a literatura acadêmica em um estudo para
1. Introduza a revisão informando o leitor sobre as seções nela in- apresentar resulrados de esrudos similares, para relacionar o estudo presente
cluídas. Essa passagem é uma declaração sobre a organização da seção. com um diálogo contínuo na literatura e para proporcionar uma estrutura
2. Examine o Tópico 1, que trata da literatura acadêmica sobre a para comparar os resultados de um estudo com outroS estudos. Para projetos
variável ou as variáveis independenru. Quando há várias variáveis in- qualitativos, quantitativos e de métodos mistos, a literatura serve a diferentes
dependentes, considere as subseções ou se concentre na variável mais propósitos. Na pesquisaqualirat:iva, a literatura ajuda a substanciar o problema
importante. Lembre-se de tratar apenas da literarura sobre a variável de pesquisa, mas não restringe os pontos de vista dos participantes. Uma
abordagem popular é a inclusão de mais literatura no final do que ao inicio
independente; nesse modelo, mantenha a literatura sobre as variáveis in·
dependentes e dependentes separada.
3. Examine o Tópico 2, que incorpora a literatura acadêmica so-
de um esnido qualitativo. Na pesquisa quantirativa, a literatura não apenas
ajuda a substanciar o problema, mas também sugere possíveis questões ou
'
bre a variável ou as variáveis dependentes. Se houver muitas variáveis hípóteses que precisam ser traradas. Uma seção separada de revisão da
dependentes, escreva as subseções sobre cada variável ou se concentre literatura é tipicamente encontrada nos esntdos qualitativos. Na pesquisa de
em uma única variável dependente importante. métodos mistos, o uso da literatura vai depender do tipo de projeto e do peso
atribuído aos aspectos qualitativos e quantitativos.
74 John W. Creswell Projeto do pesquisa 75

Quando realizar uma revisão da lirerarura, identifique palavras-cl!ave LEITURAS ADICIONAIS


para a busca na literarura. Depois faça sua busca nos bancos de dados
on-line, como o ERIC, o ProQucst, o Google Scholar, o PubMed e bancos de tocke, L. R, Splrduso, W. W. & Sllve rman, s. J. (2007). Proposaü 1hat
dados mais especializados, como o PsycJNFO, o Sociofile e o SSCI. Em se- work: A guide for plannlng dlsserlatlons and grant p ropo sala (Sth ed .).
Thousand Oaks, CA: Sage.
guida, localize artigos e livros tendo como prioridade de buscar primeiro Lawrence Locke, Wancen Spinluso e Sttphen Silvennan d~ ~ estágios pa-
por artigos de periódicos e depois por livros. Identifique referências que m o revisão da literatura: desenwlvímento dos conceitos que proporoonam uma
darão uma contribuição a sua revisão da líterarura. Agrupe esses estudos justificativa para o esrudo, desenwlvimentode subcópicos para cada conceito lmporrnme
em um mapa da literarura que mostre as principais categorias dos estudos e acréscimo das referências mais imporrnntes que corroboram cada conceito. Eles
e das posições de seu esrudo propostas dentro dessas categorias. Comece também ap~ntam seis regras para a definição dos termos em um estudo acadêmico:
escrevendo resumos dos estudos, registrando referências completas de nunca in''C!l°' palavras, apr~ente as definições no inicio da proposta, não use formas
acordo com um manual de estilo (p. ex., APA, 2001) e extraindo informações de palavras da linguagem comum, defina as palavras na primeira vez em que surgirem
no texto e use definições especificas parn as palavras.
sobre a pesquisa que incluam o problema de pesquisa, as questões de pes.
quisa, a coleta e análise dos dados e os resultados finais. Merrlam, s. B. (1998) . Qualitative ruearch and ca n study applic4tioru
Defina as palavras-chave e, se possível, desenvolva uma seção de definição in education . San Francisco : Jossey-Bass.
de termos para sua proposta ou os inclua em sua revisão da literatura. Final- Sharnn Merrinm opresenta umn cxccnsa discussão sobre o uso da literoniru nos estudos
meme, considere a esrrurura geral para a organização desses esrudos. Um qualitativos. Elo identifica os possos na revisão da literatura e apresenta critérios úteis
modelo de pesquisa quantitativa é dividir a revisão em seções segundo as prin- para a .sel~ão das referências. Isso ioclul verificar se o autor é uma autoridade no
cipais variáveis (uma abordagem quantitativa) ou os principais subtemas do tópico, se a obra foi publicada ~temente, se o recurso é relevante para o tópico de
fenômeno cencral (uma abordagem qualitativa) que você está estudando. pesquisa proposto e se a qualldade do recurso é boa. Merriam também sugere que a
revisão da Utcrarurn não é um processo linear dn leirurn do literamm, da identificação
da esrrurura teórica e da escrita da declaração do problema. Em vez disso, o processo
~ exuemamenre Interativo entre esses passos.
Exerc/cios de Redaçl o

1. Desenvolva um mapa de literatura sobre seu tópico. Inclua no mapa o Punc h, K.. R (2005). Introduction to soda! re4earclt: Quantllatlve and q 11a-
estudo proposto e trace linhas do estudo proposto pera outras categorias lltntlve approaclt u (2nd d .). Londres: Sage.
de estudos, para que um lehor possa lacllrnenle perceber como seu esludo ~ith Punch apresenta um guia para a pesquisa social que trata lgualmeme das
vai ampliar a literatura existenle. abon!agens quantitativa e qualitativa. Suas conceituações das questões pnncipau que
2. Organize uma revisão da lileratura para um estudo quantitativo e siga o dívldem as duas abon!agens tratam de diferenças fundamentais. Punch observa que,
modelo para delimitar a literatura de modo a refletir as variáveis no esludo. ao escrever uma proposta ou relatório, o mo1nenlo en1 que se deve concentrar na
Como atternaUva, organize uma revisão da Literatura para um estudo qua- literatura varia nos diferentes estilos de pesquisa. Fatores que afemm essa decisão
litativo e a Inclua em uma introdLIÇao como justificativa para o problema de índuem o estilo da pesquisa, a estratégia geral da pesquisa e o quão de perto o esmdo
pesquisa do estudo. vai seguír as direç66 da literatura.
3. Pratique o uso de um banco de dados computadorizado para a busca de
literatura sob<e seu tópico. Realize várias buscas até encontrar um artigo que
seja o mais próximo posslvel de seu t6pk:o de pesquisa. Depois realize uma
segunda busca usando os descritores mencionaôos nesse artigo. Localàe 1O
artigos que você selecionaria e resumiria para sua revisão da literatura.
4. Tendo por basa os resultados de sua busca do Exerclcio 3, escreva um
resumo quantltaUvo e outro qualitativo de dois estudos de pesquisa
encontrados em sua busca on-One. Use as diretrizes apresentadas neste
capllulo para os elementos a serem lncluldos em seus resumos.
Projeto de pesquisa n
irwestigadores qualitativos usam termos diferences para as teorias,
tais como padrões, lente teórica ou generalizações naturalísticas, pa·

3 ra desaever as explicações amplas utilizadas ou desenvolvidas em seus


estudos. Os exemplos apresentados nestecap(rulo ilustram asalternacivas
disponíveis aos pesquisadores qualitativos. Por fim, o cap(tulo passa a
se referir ao uso das teorias na pesquisa de métodos mistos e ao uso de
uma perspectiva transformativa que é popular nesta abordagem.
Uso da Teoria
U SO DA TEORIA QUANTITATIVA

Variáveis na Pe.s quisa Quantitativa

Antes de discutir as teorias quantitativas, é imponante emender as


variáveis e os tipos que são utilizados na geração das teorias. Uma variável
Um componente da nvisão da lituarura é determínar quais teorias refere-se a uma característica ou atributo de um individuo ou de uma
podem suutílizadaspara exploraras questões em um estudo acadêmico. organização que pode ser medida ou observada, e que varia encre as pessoas
Na pesquisa quancirariva, os pesquisadores com frequência restam as ou organizações que estão sendo estudadas (CresweU, 2007a). Uma variável
teorias como uma explicação para as respostas a suas questões. Em irá tipicamenre variar enrre duas ou mais categorias ou entre um contínuo
uma dissertação quantitativa, uma seção inteira de uma proposta de pomos, e pode ser mensurada ou avaliada em uma escala. Os psicólogos
de pesquisa deve ser dedicada a apresentar a teoria para o escudo. preferem usar o tenno consrrucro (em vez de variável), o qual carrega a
Na pesquisa qualitatíva, o uso da teoria é muito mais variado. O Ílt· conotação mais de uma ideia abstrata do que de um termo especificamente
vestigador pode gerar uma teoria como o resultado final de um estudo definido. Ent.retanro, os cientistas sociais usam caracteristicamente o tenno
e colocd-la no fim de um projeto, como em uma teoria fundamentada. varidvel, e esse será empregado nessa discussão. As variáveis com frequência
Em ou11·os estudos qualitativos, ela aparece no início e proporciona medidas nos estudos incluem gênero, idade, status quo socioeconômico
uma lente que define o que é observado e as questões indagadas, CO· (SSE) e atitudes ou componamentos, tais como racismo, controle social,
mo nas etnografias ou na pesquisa reivindicatória. Na pesquisa de poder polftico ou liderança. Vários textos proporcionam discussões deta·
métodos mistos, os pesquisadores podem tanco testar teorias quanto Jhadas sobre os tipos de variáveis que podem ser usadas e suas escalas
gerd-las. Além disso, a pesquisa de métodos mistos pode conter uma de medição (p. ex., Isaac e Michael, 1981; Keppel, 1991; Kerlinger; 1979;
lente teórica, como um fOCJ) nas questões feministas, raciais ou de das· Thomdike, 1997). As variáveis são distinguidas por duas características:
se, que guia todo o escudo. ordem temporal e sua medição (ou observação).
Tnido este cap(rulo me concenuando no uso da teoria em um escudo Ordem temporal significa que uma variável precede outra no tempo.
quantitativo. Ele examina uma definição de uma teoria, o uso das Devido a essa ordenação do tempo, diz-se que uma variável afeta ou cau-
varidveis em um estudo quantitativo, a colocação da teoria cm um sa outra variável, embora uma declaração mais precisa seria que uma va·
estudo quanritativo e as fonnas altemacivas que ela pode assumir em riável provavelmenre causa outra. Quando se lida com estudos no ambienre
um plano escrito. Em seguida, são apresentados os procedimentos na natural e com seres humanos, os pesquisadores não podem, em absoluto,
identificação de uma teoria, seguidos de um roteiro de uma seção de provar causa e efeito (Rosenthal e Rosnow, 1991), e os cientistas sociais
perspectiva teórica de uma proposta de pesquisa quantitativa. Então atualmente dizem que há uma provável relação causal ou "causação".
a discussão passa para o uso da teoria em um estudo qualitativo. Os Ordem temporal significa que os pesquisadores pensam sobre as variáveis
78 John w. Creswell Projeto de pesguisa 79

cm uma ordem da "esquerda para a direita" (Punch, 2005) e ordenam as do, porque elas podem rer operado para explicar a relação enLre
variáveis em declarações de propósito, questões de pesquisa e modelos visuais a variável independente e a variável dependente, mas não foram
em apresencações de causa e efeito, da esquerda para a direita. Assim, ou não puderam ser facilmente avaliadas (p. ex., atitudes discri·
• Variáveis indepenckntes são aquelas que (provavelmente) causam, minatórias).
influenciam ou afetam os resultados. Elas também são chamadas de
variáveis de tratamento, manipuladas, antecedentes ou preditoras. Em um estudo de pesquisa quantitativa, as variáveis esrõo relacionadas
• Variáveis dependences são aquelas dependem das variáveis indepen- à resposta a uma questão da pesquisa (p. ex., "Como a autoestima in·
dentes; são as consequências ou os resultados da influência das Buencia a fonnação de amizades entre adolescentes?") ou à realização de
variáveis independentes. Ourros nomes para as variáveis depen. previsões sobre o que o pesquisador espera que os resuhados mostrem.
dentes são variáveis de critério, de rnultado e de efeito. Tais previsões são chamadas de hip6teses (p. ex., "A autoestima positiva
• As variáveis intervenientes ou mediadoras situam-se entre as variá- individual expande o número de amigos dos adolescentes.").
veis independentes e as dependentes, e mediam os efeitos da va-
riável independente sobre a variável dependeme. Por exemplo, se
os alunos têm um bom desempenho em um teste de métodos de Definição de uma teoria
pesquisa (variável dependente), esse resultado pode se dever (a)
a sua preparação do estudo (variável independenre) e/ou {b) a Com esse pano de fundo sobre as variáveis, podemos proceder ao uso
sua organização das ideias do estudo em uma esrrurura {variável das teorias quantir:ativas. Na pesquisa quantitativa, existem alguns pre·
interveniente) que influenciou seu desempenho no teste. A variável cedentes históricos para encarar a teoria como uma previsão ou explicação
mediadora, a organização do estudo, situa·se entre as variáveis in- científica (verG. Thomas, 1997, para maneiras diferentes de conceituar as
dependentes e dependentes. teorias e de como elas podem restringir o pensamento). Por exemplo, a
• Variáveis moderadoras são novas variáveis construídas por um pes· definição de Ke.rlinger (1979) de uma reoria ainda é válida hoje. Ele disse
quisador para tomar uma variável e multiplicá·la por outra para que uma teoria é "um conjunto de consrructos {variáveis latentes), defi-
detem1inar o impacto conjunto de ambas (p. ex., as atitudes da nições e proposições inter-relacionados que apresentam uma visão sis-
idade X sobre a qualidade de vida). Essas variáveis são tipicamente temática dos fenômenos especificando as relações enrre as variáveis men-
enconrradas nos experimentos. suradas, com o propósito de explicar os fenômenos naturais" (p. 64).
• Os dois ourros tipos de variáveis são as variáveis controles e as va· Nessa definição, uma teoria é um conjunto inter·relacionado de cons·
riáveis espúrias. As variáveis controles desempenham um papel tructos (ou variáveis latentes) rransfonnados em proposições, ou hipóteses,
ativo nos estudos quantitativos. Elas são um tipo especial de va- que especificam a relação entre as variáveis (tipicamente em tennos de
riável independente que os pesquisadores medem, pois elas in- magnitude ou direção). Uma teoria pode aparecer em um estudo de pesquisa
fluenciam potencialmente a variável dependente. Os pesquisadores como um argumento, uma discussão ou uma justificativa, e ajuda a explicar
usam procedimemos estadsticos (p. ex., análise de covariança) {ou a prever) fenômenos que ocorrem no mundo. Labovitt e Hagedom
para o conrrole dessas variáveis. Elas podem ser variáveis demo- (1971) adicionam a essa definição a ideia de uma justificativa ce6rica, que
gráficas ou pessoais (p. ex., idade ou gênero) que precisam ser eles define m como "especificando como e por que as variáveis e as de·
"conrrolodas" para que possa ser determinada a verdadeira influên· clarações relacionais são inter-relacionadas" (p. 17). Por que uma variável
eia da variável independente sobre a dependente. Outro cipo de independente X influencia ou afeta uma variável depende nte Y? A teoria
variável, uma variável espúria, não é realmente medida ou obser· proporcionaria uma explicação para essa expectativa ou previsão. Uma
vada em um estudo. Ela existe, mas sua influência não pode ser discussão sobre essa teoria apareceria em uma seção de uma proposta sobre
diretamente detectada. Os pesquisadores comentam sobre a in· a revisão da literatura ou sobre a base da cearia, a jusrificati>'O teórica ou
An~n~iA <IA< vMülvP.i< P<oúrias deoois oue o esrudo foi completa· a perspecti>'O te6rica. Prefiro o termo perspectiva ceórica porque ele tem si-
80 John W. Creswell Projeto de pesquisa 81
do popularmente usado como uma seção requerida para as propostas de dados de literatura (p. ex., Psychological Abstracts, SociologicalAbstracts) ou
pesquisa quando uma pessoa submete um pedido para apresentar um o exame de guias para a literatura sobre teorias (p. ex., ver Webb, Beals e
trabalho na conferência da American Educacional Research Association. White, 1986).
A metáfora de um arco-íris pode ajudar a visualizar como uma ieoria
opera. Suponha que o arco-úis cransponha as variáveis independentes e Formas de teorias
dependentes (ou conscructos) em um escudo. Esse arco-íris une as variáveis e
proporciona uma explicação abrangente para como e por que se deveria ~ pesqui~dores declaram suas ieorias nas propos1as de pesquisa
esperar que essa variável independente explicasse ou previsse a variável de vár!as maneiras, como uma série de hip6teses, de declarações lógicas
dependente. As teorias se desenvolvem quando os pesquisadores testam uma se-enta~ ou de modelos visuais. Primeiro, alguns pesquisadores declaram
previsão repetidas vezes. Por exemplo, eis como funciona o processo de as teonas na ~orma de hi~1eses interconecradas. Por exemplo, Hopkins
desenvolvimento de uma teoria. Os investigadores combinam as variáveis (1964) .comurucou sua teona dos processos de influência como uma série
independences, mediadoras e dependentes baseados em diferentes formas de de 15 hipóteses. Algumas das hipóteses são as seguin1es (essas foram ligei-
medições para as questões. Essas questões proporcionam informações sobre ramente alteradas para remover os pronomes específicos do gênero):
o tipo de relação (positiva, negativa ou desconhecida) e sua magnitude (p. 1. Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua centralidade.
ex., alto ou baixo). 1hlnsformando essa informação em uma declaração pre- 2. Quanto maior a centralidade da pessoa, maior sua observabUidade.
ditiva (hip6tese), um pesquisador pode escrevei; "Quan10 maior a centralização 3. Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua observabi·
do poder nos lfderes, maior a negação dos direitos dos seguidores". Quando lidade.
os pesquisadores testam repetidamente hip6teses como essa em diferentes 4. Quanto maior a centralidade da pessoa, maior sua conformidade.
locais e com diferentes populações (p. ex., os escoteiros, uma igreja pres- 5. Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua conformidade.
biteriana, o Rotnry Clube um grupo de alunos do ensino médio), uma teoria 6. Quanto maior a observabilidade da pessoa, maior sua conformi-
emerge e alguém lhe dá um nome (p. ex., uma teoria de atribuição). Assim, dade.
a teoria desenvolve-se como urna explicação para sugerir conhecimento em 7. Quan10 maioraconformidadeda pessoa, maior sua observabiUdade.
campos espec.íficos (Thomas, 1997). (p. 51)
Outro aspecto das teorias é que elas variam na amplitude de sua co-
bertura. Neuman (2000) examina as teorias em três níveis: micro, meso e Uma segunda maneira é declarar uma teoria como uma série de
macro. As teorias do nível micro proporcionam explicações limitadas pa- ~eclarações se~ntão que expliquem por que se esperaria que as variáveis
ra pequenas quantidades de tempo, espaço ou números de pessoas, co- independentes influenciassem ou causassem as variáveis dependentes.
mo a teoria do trabalho de face de Goffman, que explica como as pes- Por exemplo, Homans (1950) explica uma teoria da interação:
soas se envolvem em rituais durante imerações face a face. As teorias de Se a frequência da in1eração entre duas ou mais pessoas aumema 0 grau
nível meso vinculam os níveis micro e macro. Essas são teorias de orga- de vinculação uma com a outra rambém aumentará, e více-ve;sa ... As
nizações, movimento socíal ou comunidades, como a teoria do controle ~ que têm ~n~imenros de \lfnculo uma com a olltrll expressarão esses
nas organizações de Collins. As teorias de nível macro explicam agregados scnumen~ em anvtdades além e acima das atividades do sistema ex1erno,
maiores, como instituições sociais, sistemas culturais e sociedades inteiras. e essas aa~dades podem fon.alecer ainda mais os sentimentos de vinculo.
A teoria da estratificação social de nível macro de Lenski, por exemplo, Quanto ma1S frequenrememe as pessoas in1eragcm uma com a outra, mais
explica como a quantidade de excedente que uma sociedade produz semelhantes em alguns aspectos suas atividades e seus sentimentos rendem
a se tomar. (p. ll2, 118, 120)
aumenta com o desenvolvimento da sociedade.
As teorias são encontradas nas disciplinas de ciências sociais de psico- . Terceiro, um autor pode apresentar uma teoria como um modelo
logia, sociologia, antropologia, educação e economia, e também em muitos V!Sual. Convém traduzir as variáveis em um quadro visual. Blalock (1969,
º"hrº""""' 1nr~l i1.;ir" ler sobre essas teorias requer a busca em bancos de 1985, 1991) defende a modelagem causal e reformula as teorias verbais
82 John W. Creswell Projeto de pesquisa 83

em modelos causais para que o leitor possa visualizar as interconexões Diagramas causais mais complicados podem ser construídos com uma
das variáveis. Dois exemplos simplificados são apresencados aqui. Co- notação adicional. Este retrata um modelo básico de variáveis limitadas,
mo mostra a Figura 3.1, três variáveis independentes influenciam uma como aquelas típicamente encontradas em uma pesquisa de levanramemo.
única variável dependente, mediada pela influência de duas variáveis in- Uma variação sobre esse tema é ter variáveis independentes em
tervenientes. Um diagrama como esse moscra a possível sequência causal que grupos controles e experimentais são comparados a uma variável
entre as variáveis que conduz à modelagem acravés da análise de cami- independente em termos de um resultado (variável dependente). Como
nhos e de análises mais avançadas utilizando medidas múltiplas de va- mostra a Figura 3.2, dois grupos da variável Xsão comparados em termos
riáveis, como é enconcrado na modelagem de equação estrurural (ver de sua influência sobre Y, a variável dependente. Esse projeto é um projeto
Kline, 1998). Em um nível inrrodutório, Duncan (1985) apresenta su- experimental entre grupos (ver Caplrulo 8). São aplicadas as mesmas re-
gestões úteis sobre a notação para a construção desses diagramas cau- gras de notação previamente discutidas.
sais visuais:
• Posicione as variáveis dependentes à direita no diagrama e as va-
riáveis independentes à esquerda. v..u...ix
• Use setas unidirecionais panindo de cada variável determinante Grupo eirperimental
para cada variáveis dependentes.
• Indique a "força" da relação entre as variáveis inserindo sinais de
valência nos caminhos. Use valências posiávas ou negativas que
postulem ou infiram relações.
• Use setas bidirecionais conectadas para mostrar relações não ana-
lisadas entre as variáveis não dependentes de o utras relações no
modelo (correlação). Figura 3.2 Dois grupos com dlferemcs rrnmmentos em X são comparados em
rermos de Y.

Esses dois modelos precendem apenas introduzir possibilidades para CO·


nectar variáveis independentes e dependences para construir teorias. Projetos
mais complicados empregam múltiplas variáveis independentes e dependen-
ces em modelos de causação elaborados {Blalock, 1969, 1985). Por exemplo,
Jungnickel (1990), em uma proposra de cese de doutorado sobre a produ-
tividade em pesquisa entre docentes das faculdades de farmácia, apresentou
um modelo visual complexo, como mosrra a Figura 3.3. Jungnickel pergun-
tou quais fatores influenciam o desempenho de um membro docente oa
pesquisa acadêmica. Depois de identificar esses fatores na literatura, adaptou
uma estrutura teórica encontrada na pesquisa em enfermagem (Megel,
Langston e CresweU, 1988) e desenvolveu um modelo visual retratando a
X,
Var!Aveis relação entre tais fatores, seguindo as regras para a construção de um modelo
1Klependentes anteriormente introduzido. Ele listou as variáveis independentes na extrema
esquerda, as variáveis intervenientes no meio e as variáveis dependentes à
Figura 3.1 Três variáveis independenres iníluenciam uma única variável depen- direita. A direção da influência fluiu da esquerda para a direita, e ele usou
deme mediada por duas variáveis intervenientes. sinais de mais e de menos para indicar a direção da hipótese.
84 John W. Creswell Projeto de pesquisa 85
Colocação das teorias quantitativas
Independentes
EndóQeMs
Dependentes Nos estudos quantitativos, a pessoa utiliza a teoria dedutivamente e a
&~n..
coloca no inicio da proposta de um estudo. Com o objetivo de testar ou de
verificar uma teoria, em vez de desenvolvê-la, o pesquisador propõe uma
Vnrillvols (+/-
Dffompenho teoria, coleta os dados para testá-la e reflete sobre sua confumação ou não
domograncas AcacMmlco confirmação por meio dos resultados. A teoria toma-se uma estrutura para
Carga do trabalho
•(-~ • AprG$0nleçllO
todo o estudo, um mode.lo de organização para as questões ou hipóteses de
(nllo pesquisa) (nOo pesquisa) pesquisa e para o procedimento de coleta dos dados. O modelo dedutivo do
Pedrõeade
eSlllbllldede
(z • ~rosonlàçOOs
(pesquisa)
pensamento usado em um estudo quantitativo é apresentado na Figura 3.4.
O pesquisador testa ou verifica uma teoria examinando hipóteses ou ques-
lnsbluclonal PressêO para
tões dela derivadas. Essas hipóteses ou quesrões contêm variáveis (ou cons-
• At1ig09 de reVlSlas t:ructos) que o pesquisador precisa definii: Como alternativa, uma definição
a roalização 1--(+)-+ (nao relorenCiados)
de pesquisa aceitável pode ser encontrada na literatura. A partir daf, o investigador
lndicaQOet do • Arllfl06 rel<W•IC!ados localiza um instrumento para ser usado na medição ou na obseivação das
(+) proressonis (pe-) atitudes ou dos comportamentos dos panicipantes em um estudo. Depois,
etnptOCeSIO
de conseow
o investigador coleta as pontuações nesses instrumentos para confirmar ou
Colaboração (>). ... • Arl>QO$ rele<endados para desmentir a teoria.
e&lab Jodede (MO pesqusa)

CenltO de ciências do • capltuloa de IV!O


O pesqulsadO< lesta ou verifica uma1eona
saúdo na faculdade Recursos +)-...
(+) "livros
.
C/ • SubVençOOs ledel8is
o pesquisador lesta as hlpóleseeouaa
(+)-+ (B?<ovadas) quesiões de pesquisa da teo~a
AuloportepçAo
como pesquisador

(•)
Apolo dos
col<lgas f-.. • &.bvençOes rod...,1$
(ftnandadas)

• Subvenções não o pesqUlsadoJ deline e Opet8Ciooa!luas


Trelnamenlo () variáV81S doriYadas da teona
'-ais
anieno• AP"QUIS8
•• -
A;poíodO
• Ccnltalae

d>eledo 1-(• } • O pesQulS8<kl< mede ou ob$erva as va""'911 utiiundo


departamenlo um inslrumenlo para obC« as ponluações
Tipo do lnd"'8çao
chefe do depatuimanlO
vs. dooonlo
(+/-) f Figura 3.4 A abordagem dedutiva tipicamence utilizada na pesquisa quantitativa.

Figura 3.3 Modelo visual da teoria sobre desempenho do corpo docente ucadêmico. Essa abordagem dedutiva da pesquisa na abordagem quantitativa
r'Ome: Jungnickcl (1990). Reprodução autorizada. cem implicações para a colocação de uma reorla em um estudo de pesquisa
quantitativo (ver Quadro 3.1).
86 John w. Creswell Projeto de pesquisa 87

Uma diretriz geral é introduzir a teoria no início de um plano ou pesquisa. Suponha que a tarefa seja identificar uma teoria que explique a
estudo: na introdução, na seção de revisão da literatura, imediatamente relação entre variáveis independentes e dependentes.
após as hipóteses ou as questões da pesquisa (como uma justificativa para l. Procure uma teoria na literatura baseada na disciplina. Se a uni-
as conexões entre as variáveis) ou em uma seção à parte do estudo. Cada dade de análise para as variáveis for um individuo, procure na
colocação tem suas vantagens e desvantagens. literatura de psicologia; para estudar grupos ou organizações, pro-
cure na literatura sociológica. Se o projeto examinar indivíduos e
grupos, considere a literatura de psicologia social. É claro que as
Qu•dro 3.1 Opções para colocar a 1eoria em um estudo quantitativo
e teorias de outras disciplinas também podem ser úteis (p. ex., pa-
l, Cala Clf'O *'"''.. '*'*'~
= i; <itlál para ra estudar uma questão econômica, a teoria pode ser encontrada
Na lntloduÇêo Uma abon!agem 1 - - l e um lellOt l9olat e
na economia).
enconltada em 11t1J110S de separar a base da leoria de oultOS
revisla. Senl famNlar..,. ie;iores. ~18$ do p<OCeUO de 2. Examine também estudos ameriores que tratem do tópico ou de
Transmite uma abordagem pesquisa. um tópico intimamente relacionado. Quais teorias foram usadas
dedÜ1iva. por outros aurores? Limite o número das reorlas e tente identificar
Na revl'6<> d• As teorias sao enconiradas na Ê dlflcll para um klll0< enxergar
llleratura e sua lnclu'6<> em uma a teoria tsoladamenlo da revisão
uma teoria abrangente que explique a hipótese central ou a prin-
llterntura
revisão da lh&f&tura 6 ou uma acedémlce da literatura cipal questão da pesquisa.
extensão lógica ou parte da 3. Como foi mencionado anteriormente, faça a pergunta abrangente
lilerall.n. que transpõe as variáveis independentes e dependentes: Por que as
Depois das Adiscoissllo da ~ 6 ume Um escottor pode induor l.ITl8
justdic:aüva leó<Q depois das variáveis independentes influenciam as variáveis dependentes?
hip04eses ou exlensão lógica das hlpôleses
que-de ou queslões de pesquisa porque hipóteses e das queslões e omitir 4. Faça um roteiro da seção da teoria. Siga estas sentenças principais:
pes<iulsa explica como e PO< que as uma ampla dlscussêo sobre a "A teoria que eu uliliw é (nome da teoria). Ela foi
variáveis estilo rotacionadas origem e o uso da leoria
desenvolvida por (identifique a origem, a fome ou
Em uma~ Esta abordagem separa Adiscussão da 1eoria nca Isolada
dos ootros componentes do
o autor que desenvolveu a teoria), e foi utilizada para estudar
li parto claramente a teoria doa outros
componentes do processo de processo de pesqulll8 e. assim, - - - - - (identifique os tópicos em que se encontra aplicada
pesquisa e pennlta ao leitor um lellor pode não conoctâ-la a teoria). Essa teoria indica que (identifique as
Identificar e enlander melhor a facilmente com oolros
componentes do p<OCeSSO de
proposições ou hipóteses da teoria). Aplicada a meu estudo, essa
base teórica do estudo.
pesquisa. teoria me faz pensar que espero que minhas variáveis independentes
_ _ _ _ _ _ (declare as variáveis independentes) influenciem
ou expandam as va.riáveis dependentes (declare as variáveis
Uma dica de pesquisa: escrevo a teoria em uma seção à parte dependentes), pois (dê uma justificativa baseada na
em uma proposta de pesquisa para que os leitores possam identificar lógica da teoria)."
claramente a teoria dos outros componentes. Essa passagem separada
proporciona uma explicação completa da seção da teoria, de seu uso e de Assim, os tópicos a ser incluídos em uma discussão da teoria quan-
como ela se relaciona com o estudo. titativa são a teoria a ser usada, suas hipóteses ou proposições fundamentais,
as informações sobre o uso passado da teoria e sua aplicação e as decla-
rações que refletem como ela se relaciona a um estudo proposto. Esse
Redação de uma perspe ctiva t eórica quantitativa modelo está ilustrado no seguinte exemplo de Crutchfield (1986) .

Utilizando essas ideias, apresento em seguida um modelo para a


redação de uma seção de perspectiva teórica quantitativa em um plano de
Projeto de pesquisa 89
88 John w. Creswell

Exemplo 3.1 Uma seçao de teoria quantítatlva


Crutchfield (1986) escreveu uma tese de doutorado lnlitulada LO<;US of Contrai,
/nterpBfSOnal Trust, and Scholeriy Prod1Jct1vrly. Pesquisando educadores de
enfermagem. sua intenção foi delermínarse o tocus do controle e da <:Qnfiança
interpessoal afetava os nlveis das publicações do docente. Sua tese incluía uma
seção separada no capitulo introdutófio. íntrtulada ·perspectiva Teórica'. a qual
se segue. Ela incluí os seguintes pontos;
• A teoria que ela planejou usar
• As hipóteses centrais da teoria
• Informações sobre quem usou a teori11 e sua aplicabilidade
• Uma adaptação da teoria às variáveis de seu estudo usando uma lógica se.
-entAO
Acrescente!11notações em rtélíco para marcar as principais passagens

Perspectiva teórica
Na formula~ ae uma perspectiva teórlce paro o estudo da produtividade
académica do docente, a teoria da aprendizagem soe/ai proporciona um protótipo
útil. Essa concepçllo do CQmpottemento lenta conseguiruma slntese equUlbreda
da pslcclogia cognitiva com os (JIÍtlc/pios de mod1fiCBÇilo do componamento
(Bower e Hílgard. 1981). BssJcamenle. esse estrutura te6rica unificada 'abotda
a e~ do ~amento humano em tennos de uma intaraçOO continua
(raclproca} antre os detarminantes cognrlNOS. compottamentais e amblenlais'
(Bandura, 19n. p. vii). (Aautora identifica a teoria para o estudo.)
Embora a teoria dá oprenditegam social aceite e aplicação da rofot90S como
a moldagem ·de prinolplos, ela tende a Mxergat ó papel das recompensas
tanto trsnsmilindo informaÇôes sobre a resposta ótima quanto proporcionando
motfvaçâodefncenbvoparoumdetermlnedoafodevidoàrecompensepnMsta.
Alàm dlSSO. os pnnc/pfos de eprendlZBgem desse taoria colocsm uma ~fase
especJat nos impottantes papà1s desempenhados pelos processos vic6rios,
simbólicos e pelos processos de autorregufaçlo (Bandura, 1971 ).
A teoria da aprendizagem social nllo apenas lida com a aprendizagem, mas
procuro descrever como um grupo de compet(!ncias sociais e pessoais (a
chamada personalldoda} pode evoluir a partir das condiç/Jes sociais dentro
das quais ocorro a sprondlzegem. Tamb4m lida com técnicas de aval/aç4o
da personalidade (M1schet, 1968) e de modificaçllo do compottamento em
ambientes cffnicos e educacion81s (Bandura, 19T7; Bower e Hdgard. 1981:
Rotter. 1954). (A autora descteve a teoria da aprendiZagem 90Cial.)
AJ(!m disso, os princtpios da teoria da eptent:llzagem socJa1 tfm sido apliCados
a uma ampla sàrie de compoltamentos sociais. como compefltiV/dllde, llgfllS·
slvldade, papàis dos sexos, dNVlos e comportam1mlo patológico (Bandura a
Wallers, 1963; Bendura, 1917i Mlschel. 1968; Miiier e Oollard, 1941; Rotter,
1954; Staats, 1975). (A autonl descreve o uso da teoria.)
---
90 John W. Creswell Projeto de pesquisa 91

incluir essas lemes teóricas. Elas guiam os pesquisadores com relação


às questões importantes de serem examinadas (p. ex., marginalização,
capadraçiio) e às pessoas que precisam ser estudadas (p. ex., mulheres,
desabrigados, grupos minoritários). Também indicam como o pesquisador
se coloca no estudo qualitativo (p. ex., diante ou desviado dos contextos
pessoais, culturais e históricos) e como os relatórios escritos finais precisam
ser escritos (p. ex., sem marginalizar ainda mais os indivíduos, colaborando
com os participantes). Nos esrudos de emografia crítica, os pesquisadores
iniciam com uma reorla que informa seus estudos. Essa teoria causal pode
ser uma reorla de emancipação ou de repressão (Thomas, 1993).
USO DA TEORIA QUALITATIVA Algumas dessas perspectivas ce6ricas qualitativas disponíveis ao pes-
quisador são as seguintes (Creswell, 2007):
Variação no uso da teoria na pesquisa qualitativa • As perspectivas feministas encaram como problemáticas as diferenres
situações das mulheres e as instituições que estruturam essas si·
Os investigadores qualitativos utiliUU1l a teoria em seus estudos de tuações. Os cópicos de pesquisa podem incluir questões politicas
várias maneiras. Primeiro, de uma maneira muito semelhante àquela da relacionadas à justiça social para as mulheres em contextos espe-
pesquisa quantitativa, ela é utilizada como uma explicação ampla para o clficos ou o conhecimento de situações opressivas para as mulheres
comporramento e as atitudes, e pode ser completada com variáveis, cons- (Olesen, 2000).
truaos e hipóteses. Por exemplo, os emógrafos empregam remas culturais • Os discursos racializados levantam questões importantes sobre o
ou "aspecros da cultura" (Wolcon, 1999, p. 113) para estudar em seus controle e a produção do conhecimenro, particularmente sobre as
projeros qualitativos, como controle social, linguagem, estabilidade e mu- pessoas e as comunidades de afrodescendentes (Ladson-Billings,
dança, ou organização social, como o parentesco ou as famílias (ver a dis· 2000).
cussão de Wolcott em 1999 sobre textos que lidam com tópicos cultura.is na • As perspectivas da teoria critica estão interessadas na capacitação
amropologin). Os cernas nesse concexto proporcionam uma série de hipó- dos seres humanos para transcenderem às rescrições impostas
teses prontas a serem cescadas a partir da literatura. Embora os pesquisadores sobre eles pela raça, pela classe e pelo gênero (Fay, 1987).
possam não se referir a elas enquanto ceorias, eles apresentam explicações • A teoria queu, um termo utilizado nessa liceratura, se concentra nos
amplas que os antropólogos usam para estudar o comporramento de com- indivíduos que se denominam lésbicas, gays, bissexuais ou pessoas
partilhamento da culrura e as atitudes das pessoas. Essa abordagem é rransgêneras. A pesquisa que usa essa abordagem não objecifica
popular na pesquisa qualirativa das ciências da saúde, em que os inves· os indivíduos, pois está interessada nos meios culturais e políticos
tigadores começam com um modelo teórico, como a adoção de práticas de e comun.ica as vozes e as experiências de indivíduos que têm sido
saúde ou uma oriencação ceórica da qualidade de vida. reprimidos (Gamson, 2000).
Em segundo lugar, os pesquisadores usam cada vez mais uma lente • A invt.stigação da incapacidade trata do significado da inclusão nas
ou perspectiva teórica na pesquis a qualitativa, a qual proporciona escolas e abrange adminisrradores, professores e pais que têm fi.
uma lente geral de orienração para o estudo de questões de gênero, classe Lhos com incapacidades (Mertens, 1998). ·
e raça (ou outras quescões de grupos marginalizados). Essa lente toma-se
uma perspectiva defensiva que molda os tipos de quest.ões formuladas, Rossman e Rallis (1998) capturam a percepção da teoria como pers-
informa como os dados são coletados e analisados, e proporciona um pecrivas críticas e pós-modernas na investigação qual.itativa:
chamado à ação ou à mudança. A pesquisa qual.irativa da década de 1980 À medida que o século XX se aproxima do seu fim, a ciência social uadicional
sofreu uma transformação para ampliar seu escop0 de invesci~ação para oassa oor um escruánio e oor um arnque cada vez maior, enquanto aqueles
92 John w. Oeswell Projeto de pesquisa 93

que adoram perspectivas criticas e pós-modernas desafiam as suposições exemplo, na pesquisa de estudo de caso, Scake (1995) refere-se a uma afir.
objetivas e as normas tradicionais paro a conduta da pesquisa. Quatro no. mação como uma generalização proposicional, o resumo das interpretações
ções inter-relacionadas estão no cenrro desse ataque: (a) A pesquisa envol· e afirmações do profissional, a que são adicionadas as experiências pessoais
ve fundamentalmente questões de poder; (b) o relam da pesquisa não ~ do próprio pesquisador, chamadas de "generalizações naturallsticas" (p. 86).
transparente, mas desenvolvido por um indivíduo orientado por questões Como outro exemplo, a teoria fundamentada proporciona uma conclusão
raciais, de c:lasse, de gênero e polfticas; (e) a raça, a c:lasse e o gênero são diferente. Os investigadores esperam dest'Obrir uma teoria que é fundamentada
fundamenrois para se compreender a experiência; e (d) a pesquisa histó- nas informações do partiàpance (Strauss e Corbin, 1998). Uncoln e Guba
rica, tradicional, tem silenciado os membros dos grupos oprimidos e m.argi·
(1985) referem-se às "teorias padronizadas" como sendo explicações que se
nalizados. (p. 66)
desenvolvem durante a pesquisa natura.lística ou qualitativa. Em vei da forma
Em terceiro lugar, distintos dessa orientação teórica, estão os estudos dedutiva enconrrada nos estudos quantitativos, tais teorias padronizadas
qualitativos em que a teoria (ou algwna ourra explicação ampla) toma-se ou generalizações representam pensamentos ou panes interconecr.adas li·
o ponto final. Esse é um processo indutivo da construção a partir dos dados gadas a um todo.
para temas amplos e para um modelo generalizado da teoria (ver Punch, Neuman (2000) apresenra informações adicionais sobre as teorias
2005). A lógica dessa abordagem indutiva é apresentada na Figura 3.5. padronizadas:
A teoria padronizada não enfatiza o raciocínio dedutivo lógico. Como a teoria
causal, ela contém um conjuncodeconceitos e relações lncerconecradus, mas nao
O pesqutSador faz generallZllÇÕOS oo teonas
a partir das experiências passadas e da filenllura
requer declarações causnls. Em vez disso, a teoria padronizada usa metáforas
ou analogias para que a rela<;ão "faça sentido". As teorias padronizadas são
sistemas de ideias que informam. Os conceitos e as relações dentro delas for-
O pesquisador busca padrões amplos. generahzações mam um sistema fechado, muruamente reforçado~ Eles especificam umn se-
oo 1eorias a palbr de lemaS ou categoóas quênàa de fuses ou vinculam as panes a um todo. (p. 38)

o pesq<oaador anafisa os dados a parar


Em quano e último lugar, alguns estudos qualitativos não empregam
d& tema• ou calogorias nenhuma teoria expllcita. Enrretanto, pode-se defender a ideia de que
nenhum estudo qualitativo se inicia a partir da observação pura e que a
estrutura conceituai anterior composta de teoria e métodos proporciona
o pesquisador faz perguntas abet18s aos
particip;lntes ou mglstra as anotaçees de campo o ponto de partida para todas as observações (Schwandt, 1993). Além
disso, podem-se observar estudos qualitativos que não contêm orientação
teórica explícita, como na fenomenologia, em que os investigadores ten·
o pesqUisador reüne onr"""8Ç6es tam construir a essência da experiência dos participantes (p. ex., ver Rie·
(p. ex.. entrevistas. oboervaÇOes)
men, 1986). Nesses estudos, o investigador constrói uma descrição rica e
Figura 3.S A lógica indutiva da pesquisa em um esrudo qualitativo. detalhada de um fenômeno central.
Minhas dicas de pesqulsa sobre o uso da teoria em uma proposta
O pesquisador começa reunindo infonnações detalhadas dos paniàpames qualitativa são as seguintes:
e então as transforma em categorias ou temas. Esses remas são desenvolvidos • Decida se a teoria será utilizada na proposta qualitativa.
em padrões, ceorias ou generalli:ações amplas que são então comparados com • Se for utilizada, identifique como - como uma explicação direta,
as experiênàas pessoais ou com a literatura existente sob~ o tópico. como uma conclusão ou como uma lente reivindicatória.
O desenvolvimento dos temas e das categorias em padrões, teorias ou • Localize a teoria na proposta de uma maneira consistente com seu
generalizações sugere várias conclusões para os estudos qualitativos. Rir uso.
94 John W. Creswell Projeto de pesquisa 95

Localb:ação da teoria na pesquisa qualitativa

A maneira como a teoria é utilizada afeca sua colocação em um estudo


qualirarivo. Nos esrudos com um rema cultural ou uma leme teórica, a
reoria ocorre nas passagens de abertura do escudo. Consistente com o
projeto emergente da investigação qualitativa, a teoria pode aparecer no
inicio e ser modificada ou ajustada tendo por base os pomos de vista dos
participantes. Mesmo no projeto qualitativo mais orientado para a teoria,
como a emografia crítica, Lather (1986) qualifica o uso da teoria:
A consrrução de uma reoria de base =pfrica requer uma relação reciproca
entre os dados e a reoria. Deve-se permitir que os dados gerem as proposições
de uma maneira dialéâca, que pe.nnita o uso de estruturas a priori teóricas,
mas que impeçam uma estrutura parâcular de se tomar o contêiner em que
os dados devem ser despejados. (p. 26n

Como mostra esse exemplo, desenvolvemos um modelo visual que


inter-relacionava as variáveis, derivamos indutivamente de comentários
dos informantes e colocamos o modelo no final do escudo, onde as prin·
cipais proposições nele enconcradas podiam ser concrastadas com as teo·
rias e a literatura existentes.

USO DA TEORIA DE M~TODOS MISTOS

O uso da teoria nos e s tudos de m étodos mistos pode incluir


a teoria dedutivamente na tescagem e verificação da teoria quantitativa,
ou indutivamente, como na teoria ou padrão qualitativo emergente. A
teoria de uma ciência social ou de uma ciência da saúde pode ser usada
como uma estrutura a ser restada em uma abordagem quantitativa ou
qualitativa da investigação. Outra maneira de pensar sobre a teoria na
pesquisa de métodos mistos é como uma lence ou perspectiva tt6rica para
guiar o esrudo. Estão começando a emergir estudos que empregan1 pro·
jetos de métodos mistos usando uma leme para estudar gênero, raça ou
96 John W. Creswell Projeto de pesquisa 97

ernicidade, incapacidade, orientação sexual e outras bases de diversidade Quadro 3.2 Questões transformntivos·emancipatórins para os pesquisadores de
(Mertens, 2003). métodos miscos cm todo o processo da pesquisa
Historicamente, a ideia de usar urna lente teórica na pesquisa de Oeftn~ do Prob191na • Buoc.o no Lllomu,.
métodos mistos foi mencionada por Greene e Caracelli em 1997. Eles • Você busoou - t e na lllonltura preocupaçOes de di!erootes grupos e
identificaram o uso de um proje10 transfonna1ivo como urna forma dis- questõe$ de dlsc:rtmlnaçi!o e opressêo?
linta da pesquisa de métodos mistos. Esse projelo dava primazia à pes- • A definição do problema surgiu do comunidade de Interesse?
• Sua abolllàQGm de mélodos mlsl0$ surgiu de despende< 1empo de qualdade com es-
quisa orientada para ação, baseada no valor, como a pesquisa de ação
sas oomunldados? (isto é, desenYOI- conliença? UbllZando outra eslrul\.V8 leÓ<IC8
participativa e as abordagens de capacitação. Nesse projeto, sugerem ffiis.
turar os compromissos de valor das diferentes tradições (p. ex., a ausência
""""'""'ª
llY9$
além de um - de dêllc:ll? Oesemolvendo qo ieslões equilibtadas - posl-
e negatves? DeserwcMlndo queslOes que ~ e respostas tranllormati-
de vieses da quantitativa e o acúmulo de vieses da qualitativa), o uso de vas, como queslOes ooucenlladas na 8Uloridade e nas rel<lçlões de poder em lnsblui-
çOes e corn<.nidades?)
mécodos diversos e o enfoque em soluções de ação. A implementação
dessas ideias na práricada pesquisa de métodos mistos tem sido alUalmente ldenllflcaçlo do Projeto de PHqulu
desenvolvida por outros autores. • S.... projeto de pesquisa nega lralamento o algum grupo e respeito as considerações
Mais informações sobre os procedimentos apareceram em um cap!- él>eas dos panldponleS?
lUlo escrito por Creswell, Plano Clark, Gurrnann e Hanson (2003). Eles
identificaram o uso de perspectivas teóricas, tais como de gênero, femi- ldenllllceçlo das Fonlff de o.dos • Seleçlo doe Particlpanlff
nista; culruraVraciaVémica; de estilo de vida; critica; e de classe e s1arus • Os partlcipanles dos grupos estão associados a dlscrimlnaçao e opressão?
social. Essas perspectivas tomaram-se uma superposição aos projecos de • Os partlcipan1os estao adeQuadamento classincados?
• O que pode sor feito para me&horar a Inclusividade da amostra para aumentar a pro-
métodos mistos (ver Capitulo 10). Também desenvolveram modelos vi- babilidade de grupos tradlcionalmenle margínalizados M< rep<esenlados de maneira
suais para retratar como essas lemes podem proporcionar uma perspectiva adequada e inma1
de orientação para um estudo de métodos mistos. Mertens (2003) conó-
nuou a discussão. Conforme está esboçado no Quadro 3.1, ela defendeu a ldentlflcaçlo ou ConstruçJo de lnatnrmentos o Mêlodoa de Coleta de Oldoa
importância de uma leme teórica na pesquisa de métodos mistos. Ao deta- • O processo e os resultado$ da coleta de dados beneficlarllo e comunidade quo estfl
lhar um paradigma transfomiativo-emacipatório e os procedimentos espe- sendo estudada?
• Os resullados de pesquisa pod0<n M< dignos de crédito para essa comunidade?
cíficos, ela enfatizou o papel que os valores desempenhavam no estudo das • A comunicação oom essa comunidade Mri eleliva?
questões feministas, émicas/raciais e de incapacidade. Sua teoria rransfor- • A c:olela de dados abrira caminhos para a partielpaçllo no PfOC$$$O de mudança
mativa foi um termo abrangente para a pesquisa emancipatória, antidiscri- social?
minatória, participativa, freiriana, feminista, raciaVémica, para indivíduos
An61lse. lnterpretaçlo. Relato e Uso do• Rnullados
portadores de incapacidades e para todos os grupos marginalizados.
Mertens identifica as implicações dessas teorias transformativas para a • Os resollados IOYanuirao novas hipóteses?
• A pe$qUisa examinará subgrupos (Isto • . análise$ de nl...., m~ltlplos) pe<a analisar o
pesquisa de métodos mistos. Elas envolvem a integra.ção da metodologia lmpado dilerendal - difen!llles llfUPOS?
transformativa-emancipatória em todas as fases do processo de pesquisa. • Os re.. - ajudarão • entender o • e1ucldar •• """90M de pOder?
Lendo-se, do início ao fim, as questões apresentadas no Quadro 3.2, adqui· • Os resu"""°9 1aa~1arao a mudança social?
re-se uma percepção da importância de se estudar questões de discrimina·
Fonte: Adaplada do O.M. Mertens (2003). 'Mlxed Melhoda and lho Polilics ar H"man Rosearch:
ção e opressão e de reconhecer a diversidade entre os participantes do es· Tho Transla<mativ&-Emanelpa10<y Petspeall/G", em A Tashakl<ori & e. Teddlie (Eda.). Hondl>ool<
tudo. Essas questões também se referem a tratar os indivíduos de maneira oi Mlxtld Method$ ln thlt Social & BehavlOtal S-..:..S. AdaplaÇão ª"loriz.ada
respeicosa por meio da reunião e comunicação da colera de dados e do re-
lato de resultados que conduzam a mudanças nos processos e relaciona-
mentos sociais.
98 John W. Cresweft
Projeto de pesquisa 99

Exemplo 3.4 A reorla em um estudo de métodos da pesquisa. Uma teoria explica como e por que ns variáveis esrão rela-
mistos transtormalM><imancipalMo cionadas, atuando como uma ponte ent:re ns variáveis. A teoria pode ser
Hopson, Lucas e Petel1IOll (2000) estudaram as dificuldades em uma~
ampla ou est:reita em seu escopo, e os pesquisadores declaram suas teorias
nidade urbana, predomlnaotemeilta afn>-arneric:ana, polllldora de HIY./ÃIDS d~ várias m~neiras, tais como uma série de hipóteses, de declarações ló-
Consistentes com uma estrulura transfQrrnativ&-emal)Clpalórle, elff ~ gicas se-entao ou de modelos visuais. Usando as teorias dedutivamente
a hnguagern doa participantes com HIV/AIO& dentro do ~· iP9.! os investigadores as propõem no início do estudo, na revisão da literatura'.
partlclpanlft. Primeiro conduziram 75 enn•lstlls eb1119'*8& Também as incluem com as hjpóreses ou questões de pesquisa ou as
ldenllflcaros"lamasdallngullgelyl'(l>. 31).lalt • "'~~ e coloca~ em uma seção à parte. Um roceiro pode ajudar a planejar a seção
ou nlo aceftaçlo. Taiilbêm colelal8111 itO
tra1avam das caractertlllcas deínogrtliça1, élil'rOtlilâ !lléllii, U80'. da teona para uma proposta de pesquisa.
nhecimento dos riscos de HIV/AIOS e c:a111cte1latlc:as•.íioc:ioccxi\j) Na pesquisa qualitativa, os investigadores empregam a teoria como
uso de drogas e sexuais. A perlir desses dadOa quetllatlvoe, os. _.~:"·~-,, uma explicação ampla, muito parecido com o que ocorre na pesquisa quan-
os <:oneello8 e as questões para Alllilar aa ~:ele àrativa, assim como nas etnografias. Pode também ser usada uma lente ou
Incluindo o projeto de um Instrumento de pcls-intel ll9flÇlo perspectiva reórica.que_levame questões relacionadas a gênero, classe, raça
to<ea sugeriram que es abordagens dei capacitação na ava11I~~~c.(!'llJllJ
úteis, com os peaquieadorea ouvindo as vozee de~ reais e~ 80
ou a alguma combinaçao desces. A teoria também aparece como uma con-
que dizem os pattlclpantes dó prograrria. :. ;·ti;;.~~ clusão de um estudo qualitativo, uma teoria gerada, um padrão ou uma
generalização que emerja indutivamente da coleta e análise dos dados. Os
teóricos fundamentados, por exemplo, geram uma teoria fundamentada
O projeto desse estudo deu "primazia às dimensões baseadas nos nos pontos de vista dos participantes e a colocam como a conclusão de seus
valores e orientadas para a ação de diferentes tradições de investigação" esnidos. Alguns estudos qualitativos não incluem uma teoria expllcica e
(Greene e Caracelli, 1997, p. 24) em um estudo de métodos mistos. Os apresentam a pesquisa desoitiva do fenômeno central.
autores usaram uma lente teórica para reconfigurar a linguagem e o diálogo Os pesquisadores de métodos mistos usam a teoria dedutivn (como na
dos participantes e sugeriram a importância da capacitação na pesquisa. pesquisa quantitativa) ou indutivamente (como na pesquisa qualitativa).
Ao urilizar uma teoria em uma proposta de métodos mistos Os a~1tores t3;IT'bém estão começando a identificar o uso de lentes ou pers-
• Determine se uma teoria será usada. ~vas teóncas (p. ex., relacionadas ao gênero, estilo de vida, raça/etni·
• Identifique seu uso segundo as abordagens quantitativa ou qua· cidade e classe) em seus esrndos de métodos mistos. Um projeto transfor-
litativa. mativo-emancipatório incorpora essa perspectiva, e desenvolvimentos re·
• Se a teoria for usada como em urna estratégia transformacional de centes têm identificado procedimentos para incorporá-la em todas as rases
investigação, defina essa estratégia e discuta os pontos no estudo do processo de pesquisa.
proposto em que serão usadas as ideias emancipatórias.
Exerc/c/os de Redaçlo

RESUMO 1. Escreva uma seção de perspectiva teórica para seu plano de pesquisa
seguindo o roteiro para uma discussão da teoria quantitativa apresentada
neste o;apllulo.
A teoria tem um lugar na pesquisa quantitativa, qualitativa e de 2. Para uma proposta quantrtativa que você estâ planejando, monte um modolo
métodos mistos. Os pesquisadores usam a teoria em um estudo quantitativo visual das var'.ãvels na teona usando os procedimentos para o projeto de
para proporcionar uma explicação ou uma previsão sobre a relação entre modelo causal propostos neste capitulo.
as variáveis no estudo. Por isso, é essencial haver fundamentação na 3 Localize artogos de revtstas qualitabvos que (a) usem uma teoria a priori que
narureza e no uso das variáveis, pois eles formam as questões e as hipóteses seja modificada durante o processo de pesquisa, (b) gere ou desenvolva
100 John W. Creswell

uma teoria no f111al do estudo e (e) represente a pesquisa descritiva sem o


uso de um modelo teónco explicito.
4 Localize um estudo de métodos mistos que use uma lente teórica, como uma
· perspectiva feminista, étnica/racial ou de classe. Identifique especificamente
como as lentes moldam os passos seguidos no processo da pesquisa,
usando o Quadro 3.2 como guia.
4
Estratégias de Redação
,
e
LEITURAS ADICIONAIS
Considerações Eticas
Fllnders, D. J. 8t Mills, G. E. (Eds.). (1993). Tht!Ory and concepu ln quQU.
tative """ardi: Puspectivufrom thejield. Nova Yor k: Teachers College
Press. Teachers College, Columbla On lverslty.
David Flindcrs e Geoffrey Mllls editaram um livro sobre as pcrspeccivas do campo -
·n ccoria em nçlio" - como são descritas por diferences pesquisadores qualitativos. Os
capltulos ilusU11m pouco consenso sobre a definição da te0ria e se ela é um vicio ou urna Antes de preparar uma proposta, é importante ctr uma ideia da estru-
vimlde. Além dÍS$0, a te0ria apem em muitos nlYl!is na pesquisa, como teorias formais, tura ou um esboço geral dos c6picas e de sua ordmi. A estrutura vai
teorias cpist<'Mológicas, teorias metodológicas e meraccorias. Dada essa d1Yl!rsidade, diferir dependendo de você escar escreve!ldo um projeto quanritativo,
é melhor wr a teoria atual cm ação nos estudos qualitativos, e esse volume ilustra a
prática a pnrtir da crítica pessoal, formal e educacional. qua/icativo ou de métodos mistos. Outra consideração geral é conhecer
boas práticas de redação que irão ajudá./o na composição de uma pro-
Mertens, D. M. (2003). "Mlxed m ethods and the polltJcs of b umen tt. posta (e projeto de pesquisa) consiscente e extremamente legível. Durante
seerch: Tbe trensformatlve-emancip etory perspectlve". ln A. Tash ekkori todo o projeto, é importante se envolver nas práticas éticas t prever as
8t e. Ted dllc (Eds.), Randbook o/ mi.ttd mctho<U ln 80Cial & bchavlorol
nllcarch (p . 195-164). Tho us and Oaks, CA: Sage .
que.irões éticas que poderão surgir. Esce cap(tu/o apresenta esboços para
Donna Mertcns reconhece que, historicamente, os métodos de pesquisa não estilo P"°' a estmcura geral das proposcas, das práticas de redação que as tomarão
cupados com as questões da polltica da pesquisa humana e da justiça social. Seu caplrulo legíveis e das questões éticas que precisam ser consideradas quando as
explora o paradigma ttanSfonnativo-emancipatório da pesquisa como uma csuurura ou propostas são escricas.
lente para a pesquisa de métodos mistos como cendo emergido de acadêmicos de diferences
grupos émi~raciais, pessoas portadoras de incapacidades e femlnlstas. Um aspecco
singular de seu cnpículo é o modo como ela entrelaça esse pamdlgmo do pensamento com ESCREVENDO A PROPOSTA
os passos no processo de condução da pesquisa de mécodos mistos.
Thomas, G. (1997). Wltat' s the use of theory? Harvard Educatlonal Re- As seções e m uma proposta
view, 67(1), p. 75-104.
Cary Thomas apresenta uma crítica criteriosa do uso da teoria na investigação Convém considerar os tópicos que serão abordados em uma proposta.
educacional. Ele comenta DS várias definições da teoria e mapeia quauo usos nmplos Todos os 1ópícos precisam escar inter-relacionados e proporcionar um
da teoria: (a) como pensamento e reflexão, (b) como híp6teses mais rigidM ou mais
frouxas, (c) como explic:aç6es para se ad.idonar conbedmenco cm diferentes cam~
quadro coeso de todo o projeco. Um esboço é útil, mas os tópicos vão diferir
e (d) como declarações formalmente expressadas na ciblda. Tendo comencndo cais dependendo de a proposta ser para um escudo qualitativo, quantitativo
usos ele encão abraça a tese de que a teoria escrucura e restringe desnecessariamente o ou de métodos mistos. Neste caplculo, proponho esboços para as seções
pcns'.amento. Em vez disso, ns Ideias deveriam estar em um nuxo constancc e deveriam de uma proposta e também uma visão geral do processo. Nos capítulos
ser ad hoc. como foi caracreri1.1do por Toffier. seguintes, as seções serão detalhadas.
102 John w. Creswell Projeto de pesquisa 103

No geral, entretanto, há argumentos centrais que estruturam qual-


Papel do pesquisador
quer proposta. Eles são introdU7.idos por Maxwell (2005) como nove ar- Proe»dimefltos de coleta doutados
gumentos cemrais. Eu os coloco aqui como questões a serem tratadas em EsÜitflglàs P8tll validaçlo dos l'aaultados
uma proposla acadêmica. l!slriltllra "alTilllva preposta do estudo
1. O que os leitores precisam para entender melhor seu tópico? a~ étfcas previstas
2. O que os leitores pouco conhecem em relação a seu tópico? ReSIJllBdos pilotos prelimtnares (se d~fveis)
3. O que você se propõe estudar?
Besultados esperados
4. Qual é o ambiente e quem são as pessoas que você vai estudar?
Apêndices: Perguntas da entrevista, lormulãrlos observaclona1s, cronograma
S. Quais são os métodos você planeja utilizar para proporcionar os
e orçamento proposto.
dados?
6. Como você vai analisar os dados?
7. Como vai validar seus resultados?
Nesse exemplo, o escritor inclui apenas duas seções importantes: a
8. Quais são as questões éticas seu estudo vai apresentar?
introdução e os procedimentos. Pode ser incluída uma revisão da lite-
9. O que os estudos preliminares mostram sobre a viabilidade e valor
ratura, mas isso é opcional e, como foi discutido no Capítulo 3, a literatura
do estudo proposto? pode estar incluída em maior extensão no final do estudo ou na esperada
Essas nove questões, se adequadamente abordadas em uma seção para seção dos resultados. Acrescentei seções que à primeira vista podem
cada pergunta, constituem a base da boa pesquisa e podem proporcionar parecer pouco comuns. A realização de um cronograma para o estudo e
a estrutura geral para uma proposta. A inclusão de validação de resuha- a apresentação de um orçamento proporcionam informações úteis para
dos, as considerações éticas (que serão mencionadas resumidamente), a os comitês de pós-graduação, embora tais seções não sejam tipicamente
necessidade de resultados preliminares e as primeiras evidências de im- encontradas nos esboços das propostas.
ponãncia prática concentram a atenção do leitor nos elementos-chave com
frequência negligenciados nas discussões sobre projetos propostos.
lnlroduçlo
Rot eiro para uma proposta qualitat iva Declaração do problema (induindo a quetllflo reMndicatbria/participat6ria <1ue
estA Mf1Clo tratade. a literatura ex1Slenlll SObnl o p(oblema e a fmportênda
A luz desses pontos, proponho dois roteiros alternativos. O Exemplo doeatudO
O prop6alto dO estudo e as delimila90es do estudo
4.1 foi excraldo de uma perspectiva construóvista/interpretivista, en- ,.. quesl&'les da pesquisa
quanto o Exemplo 4.2 foi mais baseado em um modelo reivindicatório/
ProCll(llma~tos
panic:ipacório da pesquisa qualitativa.
Supoa19õa* lllo~flcas da ~Isa qualltaUlla
Eslrl!l6gfada Pesqtilsa qualitativa
O papel do pesquisador
Proceéllme11toa de coleta de dados (lndulnclo QS abQrdegens eolabciralivaa
usadas com ·os participantes)
Procedimentos de registro dos dados
Procedimentos da allâllsa dos dados
Estratégias para a valldaçao dos resultados
EsllUIUra namitllla
Questões ébcas previstas
104 John W. Creswell Projeto de pesquisa 105

Importância do estudo Populaçlo, amostra e palllcipantes


ResulladoS pilotos preliminares(• disponlv911) tnsttumenióa, V8I iéwela a materiais de colala de c1ac1og
Prooadlrnllllos da análila doe ci.-
Mudanças re1vindlcatõriaslpar1lcipal6rias esperadas
0\IBSlõat élícea ~istas no es!Lido
Apêndices: Perguntas da enlrevlsta, ll>nnulérfos observacionels, cronograma
Estudos preUmlnmes ou testes-piloto
e orçamento pr~to
Apêndices: Instrumentos. CtOnograma e orçamento preposto

Esse roteiro é similar ao do construtivistalimerpretivisra, exceto pelo


fato de que o investigador identifica uma questão reivindicatória/panici· Roteiro para uma proposta de m étodos mistos
patória específica que está sendo explorada no estudo (p. ex., margina-
lização, capacitação), propõe uma forma colaborativa de coleta dos da- Em um roteiro de projeto de métodos mistos, o pesquisador reúne
dos e menciona as mudanças previstas que o estudo de pesqltisa prova- abordagens que estão incluídas nos roteiros quanticativo e qualitativo (ver
velmente acarretarão. Creswell e Plano Clark, 2007). Um exemplo de tal roteiro aparece no
Exemplo 4.4 (adaptado de Creswell e Plano Clark, 2007).
Rotei ro para uma proposta quantitativa
Para um estudo quantitativo, o roteiro obedece às seções tipicamen-
te cnconcradas nos estudos quantitativos relatados em artigos de perió-
dicos. A forma, em geral, acompanha um modelo com introdução, revisão
de literatura, métodos, resultados e discussão. Ao planejar um estudo
quantitativo e elaborar uma proposta de dissenação, considere o seguinte
roteiro para rraçar o plano geral (ver Exemplo 4.3).
O Exemplo 4.3 é um roteiro padrão para um esrudo de ciências sociais,
embora a ordem das seções, especialmente na inrrodução, possa variar de um
estudo para outro (vei; por exemplo, Millei; 1991; Rudesram e Newton, 20on.
Esse exemplo é um modelo útil para a elaboração as seções de um plano
de dissertação ou do delineamento dos tópicos para um estudo acadêmico.

Exemplo <4.3 Um roteÍIO quantitativo


Introdução
Dell:lição do problema (queetlQ, ~nela da quesllo)
ObJetJvo do eatu~ e suas {9llni~
Parapeçliva teórica
QuastOes ou hipóteses da ~llta
ReYido da llltl'llula
Mélódos
Tipo de projeto de pesquisa
106 John W. Creswell Projeto de pesquisa 107

A REDAÇÃO DAS IDEIAS

Com o passar dos anos, colecionei livros sobre como escrever, e nor·
malmenre tenho um novo que estou lendo enquanto trabalho nos meus
projetos de pesquisa. Enquanto trabalho nesta terceira edição, estou len-
do Reading Like a Writer, de Francine Prose (2006). Lendo livros como
este, sou constantemente lembrado dos bons principias da escrita, os
Esse roteiro l1l05trll que o pesquisador apresenta tanro uma declaração quais precisam ser incluídos ao que escrevo sobre pesquisa. Meus livros
do propósito quanto questões de pesquisa para componentes quantitativos e abrangem um amplo espectro, desde livros de negócios profissionais
qualitativos, assim como para componentes misros. É importante especificar até livros de escrita acadêmica. Nessa secção, extraí as ideias-chave que
no início da proposta as razões para o uso da abordagem de métodos mistos e para mim foram imponantes, encontradas nos muitos livros de escrita
identificar os elementos-chave do projeto, como o tipo de estudo de métodos interessantes que tenho utilizado.
mistos, um quadro visual dos procedimentos e os procedimentos de coleta e Uma característica dos escritores inexperientes é que preferem discutir
análise dos dados tanto quantitativos quanro qualitativos. seu estudo proposto em vez de escrever sobre ele. Recomendo o seguinte:
• No ín(cio do processo de pesqu~a, anote as ideias em vez de falar sobre
elas. Os especialistas em redação escrevem enquanto pensam (Bailey. 1984).
Planejamento das seções de uma proposta Zinsser (1983) discute a necessidade de tirarmos as ideias de nossas mentes
e colocá-las no papel. Os orientadores reagem melhor quando leem as Ideias
Seguem-se várias dJcas de pesq uisa que dou aos alunos sobre o
planejamenro da esuutura geral de uma proposta. no papel do que quando ouvem e discutem um tópico de pesquisa com um
• Especificar as seções no início do planejamenro de uma proposta. aluno ou colega. Quando um pesquisador coloca as ideias no papel, um leitor
'Thlbalhar em uma seção írequenremenre suscita ideias para oull11S seções. pode visualizar o produto final, realmente ver como ele se parece e começar a
Primeiro desenvolva um esboço e depois escreva rapidameme algo para esclarecer as ideias. O conceito de trabalhar as ideias no papel tem funcionado
cada seção, para colocar as ideias no papel A seguir aperfeiçoe as seções bem para muitos escritores experientes. Antes de planejar urna proposta,
quando considerar em maiores detalhes as informações que devem apare- delineie uma ou duas páginas sobre a visão geral de seu projeto e solicite
cer em cada uma. a seu orientador a aprovação do direcionamento de seu escudo proposto.
• Encontre propostas que outros alunos já tenham realizado com seu Esse esboço pode conter as informações essenciais: o problema de pesquisa
orientador e observe-as atentamente. Peça a seu orientador cópias das que está sendo abordado, o propósito do estudo, as questões íundarnemais
propostas que ele tenha gostado mais e percebido como bons produtos que serão formuladas, a fome dos dados e a imporcãncia do projeto para
acadêmicos. Estude os tópicos abordados e sua ordem, assim como o nível diferentes públicos. Pode também ser útil esboçar várias declarações de uma
de detalhes utilizado na redação da proposta. ou duas páginas sobre diferentes tópicos e ver qual seu orientador gosta mais
• Determine se seu programa ou instituição oferece um curso sobre e sente que seria a melhor conmôuição para seu campo.
o desenvolvimento da proposta ou sobre algum tópico similar. Muito • Faça vdrios esboços de uma proposta em vez de tentar polir o pri·
frequentemente esse curso será útil como sistema de apoio para seu meiro esboço. É esclarecedor ver no papel como as pessoas pensam. Zinsser
projeto e também para conhecer indivíduos que possam reagir a suas (1983) identificou dois tipos de escritores: os "pedreiros", que compõem
ideias propostas à medida que elas se desenvolvem. cada pará8rafo antes de partir para o próximo parágrafo, e o escritor que
• Sente-se com seu orientador e e1C1mine o formato preferido por "deixa todas as ideias expostas como elas surgem no primeiro esboço'', que
cle para uma proposta. A ordem das seções encontradas nos anigos de escreve rodo o primeiro esboço sem se importar se ele parece desmazelado
periódicos publicados podem não proporcionar as informações desejadas ou se está mal-escrito. Entre os dois está alguém como Pecer Elbow (Elbow,
por seu orientador ou comissão de pós.graduação. 1973), o qual recomenda que se deve prosseguir pelo processo repetitivo
108 John W. Creswell Projeto de pesquisa 109

da escrita, revendo e reescrevendo. Ele eira esce exercício: se tiver apenas semanas em blocos de meia-hora. Provavelmente vai encontrar um
wna hora para escrever uma passagem, escreva quatro esboços (um a cada tempo para escrever.
15 minutos) em vez de apenas um esboço durante uma hora (normalmente • Escreva quando estiver bem-disposto.
nos últimos 15 minutos). Os pesquisadores mais experientes escrevem o • Evite escrever em ~repentes".
primeiro esboço de maneira ruidadosa, mas não bu~ um 1exto polido; o • Escreva em quantidades pequenas e regulares.
polimenco vem relativamente tarde no processo da escnta • Programe as carefas de redação de forma que você a planeje tra-
• Não edice sua proposra na fase do primeiro esboço. Em ve.z disso, balhar em unidades de escrita especificas e administráveis em cada
considere os crês modelos de Franklin (1986). que tenho achado útil no sessão.
desenvolvimenco das proposras e em minha redação acadêmica: • Mantenha gráficos diários. Represeme por meio deles pelo menos três
1. Primeiro, desenvolva um esboço - pode ser o esboço ou um mapa coisas: (a) tempo despendido escrevendo, (b) equivalentes de páginas
visual de uma frase ou palavra. tenninadas e (e) percentagem de tarefa planejada realizada.
2. Escreva um rascunho e depois modifique e selecione as ideias, mo- • Planeje além dos objetivos diá.rios.
vendo parágrafos inteiros no manuscrito. • Compartilhe seus escritos com amigos solidários e construtivos até
3. Finalmente, edile e dê polimento a cada sentença. se sentir pronco para tomá-los públicos.
• Tente trabalhar concomitantemente em dois ou crês projetos de
escrita para não ficar sobrecarregado por um único projeto.
O hábito de escrever
Também é imporranre reconhecer que redigir é um processo que
Estabeleça a disciplina ou o hábito de escre ver de uma maneira transcorre devagar e que um escritor precisa estar tranquilo para escrever.
regular e contínua em sua proposta. Embora pôr de lado por algum tempo Como o corredor que se alonga antes de uma corrida, o escritor necessita
um esboço terminado de sua proposta possa proporcionar alguma pers- de exercícios de aquecimento tanto para a mence quanto para os dedos.
pectiva para examinar seu trabalho ames do polimenro final, um processo Algumas atividades relaxantes de redação, como escrever uma carta para
de escrita de começar-e-parar com frequência quebra o íluxo do trabalho. um amigo, colocar uma série de ideias no computador, ler algum bom
Pode tran_~formar wn pesquisador bem intencionado no que chamo de um material escrito ou decorar um poema favorito, pode tomar mais fácil a
escritor de fim-de-semana, um indivíduo que só tem tempo para trabalhar tarefa real da escrita. Isso me recorda do "período de aquecimento" de
na pesquisa nos fins-de-semana, depois que todo o rrabalho "importante" John Steinbeck (1969, p. 42), descrko em detalhes emJoumal ofa Novel:
da semana tiver sido realizado. O trabalho contínuo na proposca significa The Eas1 of Eden Letters. Steinbeck iniciava cada dia escrevendo uma carca
escrever algo todos os dias, ou pelo menos estar envolvido diariamente para seu editor e grande amigo Pascal Covici, em um grande caderno de
no processo de pensar, coletar informações e rever o que vai entrar no anotações fornecido por Covici.
manuscri10 e na produção da proposta. Outros exercícios também podem se moscrar úteis como aquecimento.
Escolha para trabalhar na proposta o período do dia melhor para Carrol! (1990) fornece exemplos de exerclcios para melhorar o controle
você, e então use a disciplina para escrever todos os dias nesse período. de um escritor em passagens descritivas e emotivas:
Escolha um lugar isento de distrações. Boice (1990, p. 77-78) oferece • Descreva um objeto por suas panes e dimensões, sem imediatamente
ideias para estabelecer bons hábitos de escrita: dizer ao leitor o nome desse objeto.
• Com a ajuda do principio da prioridade, faça do ato de escrever • Escreva uma conversa entre duas pessoas sobre um tema dramárico
uma atividade diária, independentemente de seu humor, indepcn· ou inrrigante.
dentemente de sua disposição para escrever. • Escreva um conjunto de orientações para uma tarefa complicada.
• Se você acha que não tem tempo para escrever regularmente, co- • Escolha um tema e escreva sobre ele de três maneiras diferentes
mece fazendo um esquema das suas atividades para uma ou duas (p. 113-116).
11O John W. Creswell Projeto de pesquisa 1 11

Esce úlómo exercício parece apropriado para pesquisadores qualita. 2. Grandes ideias na escrita - ideias ou imagens especificas que re·
tivos, que analisam seus dados para códigos e remas múltiplos (ver o caem no âmbito dos pensamentos abrangentes e servem para re-
Gaplrulo 9 para a análise de dados qualicativos). forçar, clarificar ou elaborar os pensamentos abrangentes
Considere rambém os implememos de escrita e a localização física 3. Pequenas ideias - ideias ou imagens cuja principal função é re-
que auxiliam o processo da redação disciplinada. Os implememos - um forçar as grandes ideias
compucador, um bloco de papel camanho ofício, a caneta favorica, um 4. Ide.ias que acraem atenção ou interesse - ideias cujos propósitos
lápis, até mesmo café e salgadinhos (Wolcott, 2001) - oferecem ao escri- são manter o leitor no rumo cerro, organizar as ideias e manter a
cor opções para se sentir confonável quando estiver escrevendo. O am. atenção de um indivíduo
bieme físico cambém pode ajudar. Annie Oillard, romancista vencedora
do prêmio Pulitzer; evicava locais de crabalho acrativos: Os pesquisadores iniciantes parecem ter mais problemas com os
pensamentos abrangentes e os que nuaem atenção. Uma proposta pode
COSto de um local sem nenhuma visra, para que a imaginação consiga en. incluir demasiadas ideias abrangentes, com o conteúdo insuficientemente
contrat a memória no escuro. Quando mobiliei meu esaicório, há sete anos, decalhado para corroborar grandes ideias. Isso pode ocorrerem urna revisão
coloquei minha mesa con1r11 uma parede branca, de modo que não pudesse da licerarura, na qual o pesquisador precisa apresentar menos seções
olhar por janela alguma. Cena vez, há 15 ano.~. escrevi em uma pequena sala
menores e mais seções maiores para vincular grandes corpos de literamra.
de tijolos de concrcco sobre um estacionamento. Ele dova para um telhado de
Um sinal claro desse problema é uma mudança continua de ideias de uma
piche e cascalho. Esta cabana de pinho sob árvores não é cão boa quanto o
escritório de tijolos de conaeto, mas vai íuncionat (Dillard, 1989, p. 26-27). ideia imponante para outra em um manuscrito. Com frequência, veem-se
apenas parágrafos curtos nas incroduções das propostas, como aqueles
escritos por jornalistas em artigos jornalísticos. Pensar em termos de uma
Legibilidade do manuscrito narrativa detalhada para corroborar ideias abrangentes pode ajudar a
solucionar este problema.
Ames de começar a elaborar uma proposta, considere como você vai Ideias que atraiam atenção, que apresentam declarações organiza.
melhorar sua legibilidade para as outras pessoas. O Publicacion Manual cionais para orientar o leitor, também são necessárias. Os leitores pre-
da APA (2001) discuce uma apresentação sistemática, mostrando as rela· cisam de sinais para orientá-los de uma ideia principal para a seguinte
ções encre as ideias e pelo uso de conetivos. Além disso, é importance uti- (os Gapírulos 6 e 7 deste livro discutem sinais importantes na pesquisa,
lizar termos consistenres e apresentar uma preparação e uma previsão das como declarações de propósito e quescões e hipóteses da pesquisa). Um
ideias e coerência integrados ao plano. parágrafo de organização é com frequência útil no início e no fim das
• Use termos consisrences durante toda a proposta. Use o mesmo termo revisões de literacura. Os leitores precisam enxergar a organização geral
cada vez que uma variável for mencionada em um esrudo quanticativo das ideias ao longo dos parágrafos introdutórios e ser informados dos
ou que um fenômeno cem:ral for mencionado em um escudo qualitativo. pontos de maior destaque que devam se lembrar em um resumo.
Evite usar sinônimos para esses termos, um problema que faz o leitor • Utilize a coerência para aumentar a legibilidade do manuscrito.
ter de se esforçar para compreender o significado das ideias e monitorar Coerência na escrita significa que as ideias se vinculam e fluem lo-
mudanças sutis no significado. gicamente de uma sencença para oucra e de um parágrafo para oucro.
• Considere como ideias de diferentes tipos orientam um leitor. Por exemplo, a repetição dos nomes da mesma variável no rírulo, a
Esse conceito foi proposto por Tarshis (1982), o qual recomendou que os declaraçãô do propósito, as questões da pesquisa e a revisão dos tópicos
escritores preparassem as ideias para oriencar os leitores. Elas eram de da literatura em um projeto quantitativo ilustram esse pensamento. Essa
quauo tipos: abordagem confere coerência ao estudo. Enfarizar uma ordem consis-
1. Ideias abrangentes - as ideias gerais ou básicas que a pessoa está tente quando as variáveis indcpendences e dependentes são mencionadas
tenrando explicar também reforça essa ideia.
112 John W. Creswell Projelo de pesquisa 113
Em um nlvel mais detalhado, a coerência é construída por meio da
conexão das sentenças e dos parágrafos no manuscrito. Zinsser (1983)
sugere que ioda sentença deve ser uma sequência lógica daquela que a
precede. O objetivo do exercício de setas e círculos (Wilkinson, 1991) é
úàl para conectar os pensamentos de uma sentença para outra e de um
parágrafo para outro.
A passagem que segue, extraída de um esboço da proposta de um
aluno mostra um alto nível de coerência. Ela pencnce à seção introdutória
de um projeto de dissenação qualitativo sobre alunos em risco. Nessa
passagem, tomei a liberdade de traçar seras e circulos para conectar as
ideias de uma sentença para outra e de um parágrafo para outro. Como
foi mencionado anteriormente, o objetivo do exercício de setas e circulas
(Wilkinson, 1991) é conectar os principais pensamentos de cada sentença
e parágrafo. Se essa conexão não puder ser facilmente realizada, a pas-
sagem escrita fica sem coerência, as ideias e os tópicos ficam deslocados,
e o escritor precisa adicionar palavras, expressões ou sentenças de tran-
sição para estabelecer uma conexão clara.
Em minhas aulas de desenvolvimento de proposta, apresento uma
passagem de uma introdução a uma proposta e peço aos alunos para
conectarem as sentenças usando círculos para as ideias principais e
setas para conectar essas ideias principais de ltma sentença para outra.
É importante que o leitor encontre coerência em uma proposta desde a
primeira página. Primeiro dou n meus alunos uma passagem sem marcação
e, posteriormente, depois do exercício, forneço uma passagem marcada.
Como a ideia principal de uma sentença deve estar conectada com uma
ideia fundamental na sequência seguinte, eles precisam marcar essa
relação na passagem. Se as sentenças não se conectarem, estão faltando
conetivos que precisam ser inseridos. Também peço aos alunos que se
certifiquem de que, assim como as sentenças individuais, os parágrafos
também estejam conectados com setas e círculos.
1 14 John w. Creswetl Projeto de pesquisa 115
A voz, o tempo verbal e os " excessos" os resultados e apresentar as conclusões. Não considero essa urna regra
rigorosa, mas uma diretriz útil.
Do uabalho com pensamentos amplos e parágrafos, passo ao nível das • Espere editar e rever os rascunhos de um manuscrito para conar os
sentenças e palavras escritas. Questões similares de gramática e construção excessos. "Excessos" são as palavras adicionais desnecessárias para co-
de frases estão uacadas no Public.acion Manual da APA (2001), mas incluo municar o significado das ideias. Escrever muitos rascunhos de um ma-
essa seção para destacar algumas questões gramaticais comuns que tenho nuscrito é uma prática-padrão para a maior pane dos escritores. O processo
observado nas propostas dos alunos e em minha própria escrita. consiste tipicamente de escrever, rever e edirar. No processo da edição, corre
Meus pensamentos estão direcionados para o nível de polimento da as palavras em excesso das sentenças, assim como os modificadores amon-
escrita, para usar o termo de Franklin (1986). É uma etapa abordada no coados, o excesso de preposições e as construções - por exemplo, "o estudo
final do processo de redação. Pode-se encontrar uma abundância de livros de" - as quais adicionam urna verbosídade desnecessária (Ross-Larson,
de redação sobre a escrita de pesquisa e a escrita literária, com regras e 1982). Lembrei-me da prosa desnecessária que aparece nas redações pelo
prindpios a serem seguidos relacionados à boa sinraxe e à escolha lexical. exemplo mencionado por Bunge (1985):
Por exemplo, Wolcott (2001), um em6grafo qualitativo, fala sobre o aprimo-
ramento das habilidades editoriais para eliminar palavras desnecessárias, Hoje em día voe~ quase pode ver pessoas brilhantes se esforçando para
não utilizar a voz passiva, reduz.ir os adjetivos, eliminar as e.xpressões exces. reinventar a sentença complexa díante de seus olhos. Um amigo meu que é
sivamente usadas e reduzir o excesso de citações, o uso de itálicos e os co- adminísrrador de uma faculdade de vez em quando tem que dizer uma
mentários entre parênteses. As ideias adicionais que seguem sobre a voz sentença complexa, e então emra em uma daquelas complicações que
começam, "Eu esperaria que fôssemos capazes ..." Ele nunca falava dessa
ativa, o tempo verbal e a redução dos "excessos" podem fonalecere revigorar
maneira quando o conheci, mas mesmo na sua idade, com seu distanciamento
a redação acadêmica para as propostas de dissertações e teses. da crise nas vidas dos jovens, ele está de cena forma alienado da fala fácíl.
• Use o máximo possível a voz ativa nos escritos acadêmicos (APA, (Bunge, 1985, p. 172)
2001). Segundo o escritor literário Ross-Larson (1982), "Se o sujeito age,
a voz é ativa. Se o sujeito é objeto da ação, a voz é passiva• (p. 29). Além Comece estudando bons textos que usam projetos qualitativos, quan-
disso, um sinal da construção passiva é alguma variação de um verbo au- titativos e de métodos mistos. Na boa redação, o olho não pausa e a mente não
xilíar, como era. Exemplos incluem serd, cem sido e estd sendo. Os escritores tropeça em uma passagem. Neste livro, tentei exuair exemplos de boa prosa
podem usar a construção passiva quando a pessoa que age pode ser logi· de periódicos de ciências humanas e sociais, como Americm1 Jouma/ of
camente deixada fora da sentença e quando a que é objeto da ação é o Soc:iofogy, Jouma/ ofApplitd Psychology, Administrative Science Quanerly, Ame-
sujeito do resto do parágrafo (Ross-1.arson, 1982). riam Educ.acional Rtsearr.h Joumal, Sociology of Educarion e lmage: Joumal of
• Use verbos fones e os tempos de verbos apropriados para a pas- Nursing Scholarship. Na área qualitativa, a boa literatura serve para ilustrar a
sagem. Verbos preguiçosos são aqueles que carecem de ação (p. ex., é ou prosa clara e passagens detalhadas. Os indivíduos que ensinam pesquisa qua-
era), ou aqueles usados como adjetivos ou advérbios. litativa indicam livros conhecidos da literatura (p. ex., Moby Diclc, The Sc.arlet
• Existe uma prática comum ao uso do tempo passado para rever a l..elw· e 'l71e Bonfire oft11e Vaniàes) como atribuições de leitura (Webb e Glesne,
literatura e relatar os resultados de um esrudo. O tempo futuro seria 1992). Qualicatil'e lnquúy, QualitaàveResearch, SymboUc lnteraction, Qunlirative
apropriado em todos os outros momentos nas propostas e planos de pes· Family Research e Joumal of Contemporary Etltnogmphy representam bons
quisa. Para estudos já finalizados, use o tempo presente para adicionar periódicos acadêmicos a serem examinados. Quando utilizar a pesquisa de
vigor a um estudo, especialmente na introdução. O Public.ation Manual da métodos mistos, examine periódicos que relatem escudos com pesquisa e dados
APA (2001) recomenda o tempo passado (p. ex., '!Jones relatou") para a qualitativos e quantitativos combinados, incluindo muitos periódicos de ciências
revisão e os procedimentos da literatura baseados em eventos passados e sociais, como Joumal of Mixed Metltods Research, Field Methods e Qualicy and
descrever os resultados (p. ex., "o estresse baixou a autoestima") e o Quanticy. Examine os muiros artigos citados no Handbook of Mixed Methods in
tempo presente (p. ex., "os resultados qualitativos moscram") para discutir the Social & Be/1avioral Sdences (Thshakkori e Teddlie, 2003).
116 John W. Cteswell Projeto de pesquisa 117

QUESTÕES ÉTICAS A SEREM PREVISTAS Berg, 2001; Punch, 2005; Sieber, 1998). Essas questões se aplicam à
pesquisa qualitativa, quantitativa e de métodos mistos, e a todos os
Além de conceituar o processo da redação para uma proposta, os estágios d a pesquisa. Os au tores das propostas precisam prevê-las e
pesquisadores precisam prever as questões éticas que podem surgir du· abordá-las diligentemente em seus planos de pesquisa. Nos capítulos
rante seus estudos (Hesse-Bieber e Leavey, 2006). A pesquisa envolve seguintes, na Pane li, refuo-me às questões éticas em muitos esrágios da
coletar dados das pessoas, sobre as pessoas (Punch, 2005). Como foi pesquisa. Mencionando-os nesse momento, espero encorajar o escritor
mencionado anteriorme nte, é necessário escrever sobre essas questões da proposta a colocá-las ativamente nas seções de uma proposta. Embora
para criar um argumento para um estudo, além de ser um tópico impor- essas discussões não cubram de fonna abrangente todas as questões
tante no formato para as propostas. Os pesquisadores precisam proteger éticas, elas abordam as principais. Essas q uestões surgem principalmente
os participantes de sua pesquisa, desenvolver uma relação de confiança, durante a especificação do problema de pesquisa (Capítulo 5), n iden-
promover a integridade da pesquisa, proteger-se concra conduta inade- tificação de uma declaração de objetivo e das questões de pesquisa
quada e impropriedades que possam refletir em suas organizações ou (Capítulos 6 e 7) e a coleta, a análise e a redação dos resultados dos
instituições, e enfrentar problemas novos e desafiadores (Israel e Hay, dados (Capítulos 8, 9 e 10).
2006). Os problemas é ticos são aparentes atualmente em questõe.s como
revelação pessoal, aute nticidade e credibilidade do relatório da pesquisa,
o papel dos pesquisadores em contextos interculturais e questões de Questões éticas no problema d e pesquisa
privacidade pessoal por meio de formas de coleta de dados na Internet
(Israel e Hay, 2006). Hesse-Biber e Leavy (2006) pergunram, "Como as questões éticas
Na literatura, as questões éticas surgem em discussões sobre códigos entram na escolha de um problema de pesquisa?" (p. 86). Ao escrever
de conduta profissional para os pesquisadores e em comentários sobre uma introdução para um estudo, o pesquisador identifica um problema
dilemas éticos e suas potenciais soluções (Punch, 2005). Muitas associações ou uma questão importante a ser estudada e apresenta uma justificativa
nacionais têm publicado padrões ou códigos de ética em seus sites na para sua importância. Ourante a identificação do problema de pesqui-
Internet para profissionais de seus campos. Para exemplos, ver sa, é importante identificar um problema que beneficie os indivíduos que
• Ethical Principies of Psychologists and Code of Conduct, escrito em estão sendo estudados, um problema que será significativo para oucras
2002, disponível em www.apa.org/ethics pessoas além do pesquisador (Punch, 2005). Uma ideia básica da pesquisa
• The American Sociological Association Code of Ethics, adaptado de ação/ participatória é que o investigador não marginalize ou incapacite
e m 1997, disponível em www.asanet.org ainda mais os participantes do estudo. Para se proteger contra isso, aque-
• The American Anthropological Association's Code of Ethics, apro- les que desenvolvem propostas podem conduzir projeros-piloro para esta·
vado em junho de 1998, disponível em www.aaanet.org belecer um vínculo de confiança e respeito com os participantes para que
• The American Educational Research Association EthicaJ Standards os investigadores possam detectar qualquer marginalização ames que a
of the American Educacional Research Association, 2002, disponlvel proposta seja desenvolvida e o estudo iniciado.
em www.aera.net
• The American Nurses Association Code of Ethics for Nurses-Provisions,
aprovado em junho de 2001, e disponlvel em www.ana.org Questõ-;s éticas no propósito e nas questões

As práticas éticas envolvem muito mais do que apenas seguir Ao desenvolver a descrição de objetivo ou a intenção e as questões
um conjunto de diretrizes estáticas, como aquelas proporcionadas pe- fundamentais de um estudo, os indivíduos que elaboram a proposra preci-
las associações profissionais. Os escritores precisam prever e abordar sam comunicar o propósito do estudo, o qual será descrito para os parti-
quaisquer dilemas éticos que possam surgir em sua pesquisa (p. ex., ver cipantes (Sarantakos, 2005). A decepção ocorre quando os participantes
118 John W. Creswell Projeto de pesQuisa 119

entendem um propósito, mas o pesquisador cem em mente um propósito dos participantes serão protegidos durante a coleta dos dados. Os ele·
diferente. É também importante que os pesquisadores especifiquem opa- mentos de tal formulário incluem o seguinte (Sarantakos, 2005):
uocínio de seu estudo. Por exemplo, ao planejar as cartas de encami. • Identificação do pesquisador
ohamento para sua pesquisa, o patrocínio é um elemento importante no • Identificação da instiruição pacrocinadora
estabelecimento da confiança e da credibilidade para um instrumento • Indicação de como os participanres foram selecionados
de pesquisa encaminhado. • Identificação do propósito de pesquisa
• Identificação dos benefícios da participação
• Identificação do nível e do tipo de envolvimenro dos participantes
Q uestões éticas na coleta dos dados • Informação dos riscos aos participantes
• Garanria de confidencialidade para o participante
Quando os pesquisadores preveem a coleca dos dados, precisam • Garantia de que o participante pode se retirar da pesquisa a qual-
respeitar os participantes e os locais da pesquisa. Surgem muiras questões quer momento
éticas durante essa fase da pesquisa. • Fornecimento de nomes para as pessoas concacarem se surgirem
Não coloque os participantes em risco e respeite as populações vulne- problemas
ráveis. Os pesquisadores precisam ter seus planos de pesquisa revistos
Uma questão a ser prevista sobre a confidencialidade é que alguns
pelo Conselho de Revisão lnstirucional Onstitutional Review Board - IRB)"
participantes podem desejar que sua identidade permaneça confidencial.
do campus de sua faculdade ou universidade. Os comitês do IRB existem
Concordando com isso, o pesquisador permite ao~ participantes manterem
nos campi devido às regulamentações federais que protegem conua
o controle de suas vozes e exercerem sua independência na tomada de
violações dos direitos humanos. Para um pesquisador, o processo do IRB
decisões. Entretanto, eles precisam estar bem informados sobre os possíveis
requer avaliação do potencial de risco - dano físico, psicológico, social,
riscos da não confidencialidade, como a inclusão de dados no relatório
econômico ou legaJ (Sieber, 1998) - para os participantes de um e.studo.
final que eles podem não ter considerado, informações que infringem os
Além disso, o pesqu isador precisa considerar as necessidades especiais de
direitos dos outros e que devem permanecer ocultas, e assim por diante
populações vulneráveis, corno os menores de idade (abaixo de 18 anos),
(Giordano, O'Reilly, Taylor e Dogra, 2007).
participantes mentalmente incapacitados, vítimas, pessoas com deficiências • Ouuos procedimentos éticos durante a coleta de dados envolvem
neurológicas, mulheres grávidas ou fetos, prisioneiros e indivíduos porta· obter a concordância dos indivíduos em posição de autoridade (p. ex.,
dores de AIDS. Os investigadores submetem as propostas de pesquisa porteiros) para proporcionar o acesso aos participantes do estudo aos
contendo os procedimentos e as informações sobre os participantes ao locais da pesquisa. Isso com frequência envolve a redação de uma carta
comitê do IRB do campus para que o conselho possa examinar em que que identifique a extensão do tempo, o potencial impacto e os resultados
extensão a pesquisa que está sendo proposta expõe os indivíduos a algum da pesquisa. O uso de respostas dadas pela internet, obtidas por meio de
risco. Além dessa proposta, o pesquisador desenvolve um formulário enuevistas ou de levantamentos eleuônicos, necessita de permissão dos
de consentimento Informado" para os participantes assinarem antes participantes. Ela pode ser obtida primeiro pela obtenção da permissão e
de se engajarem na pesquisa. Esse formulário reconhece que os direitos depois do envio da entrevista ou levantamento.
• Os pesquisadores precisam respeitar os locais de pesquisa para
• N. de R. No Brasil há o CONEP - Comíssão de t<ica em pesquisa <bnp://conselho. que permaneçam intactos após um estudo de pesquisa. Isso exige que os
saude.gov.br/comissaQ/eticapesq.hun>, o qual estabelece regras para a pesquisa com investigadores, especialmente em estudos qualirativos, os quais envolvam
seres humanos. Em muiw uni~rsldades há os comitb de &ica que podem avalias
projetos de pesquisa, quando do envolvimento com seres humanos. observação prolongada ou entrevistas em um local, tenham conheci-
• N. de R.'t No site do CONEP há regras e modelos dos íormulários de consentimencos mento de seu impacto e minimizem a perturbação do ambiente físico.
de informação. Por exemplo. eles oodem fazer visiras com hora marcada oara oue elas
120 John W. Creswetl Projeto de peaguisa 121
perturbem pouco o fluxo das atividades dos participanres. Além disso, as Questões éticas na análise e na interpre tação dos dados
organizações com frequência têm díreaizes que proporcionam orientaçào
para a condução de pesquisas sem penurbar seus locais. Quando o pesquisador analisa e interpreta tanto dados quantitativos
• Em estudos experimentais, os investigadores precisam coletar da- quanto qualitativos, emergem questões que requerem boas decisões éticas.
dos para que todos os participantes, não apenas um grupo experimen- Na previsão de um estudo de pesquisa, considere o seguinte:
tal, se beneficiem dos tratamentos. Isso pode exígír que se proporcio- • Como o estudo vai proteger o anonimato dos indivíduos, dos papéis
ne algum tratamento a todos os grupos ou que se disponha do cratamen- e dos incidentes no projeto? Por exemplo, na pesquisa de levantamento,
10 de tal modo que finalmente todos os grupos recebam o tratamento os investigadores dissociam os nomes das respostas durante o processo de
benéfico. codificação e regiscro. Na pesquisa qualitativa, os investigadores usam
• Uma questão ética surge quando não há recíprocidade encre o pes- nomes falsos ou pseudônimos para os indivfduos e os locais, para proteger
quisador e os participantes. Tanto o pesquisador quanto os participantes as identidades.
devem se beneficiar da pesquisa. Em algumas situações, pode facilmente • Os dados, uma vez analísados, precisam ser guardados durante um
haver abuso de poder, e os participantes podem ser coagidos a participar período razoável (p. ex., Sieber, 1998, recomenda 5 a 10 anos). Os inves-
de um projeto. Envolver os individuas colaborativamente na pesquisa tigadores devem então descamr os dados para que não caiam em mãos de
pode proporcionar reciprocidade. Estudos extremamente colaborativos, outrOS pesquisadores que possam utilizá-los inadequadamente.
populares na pesquisa qualitativa, podem engajar os participantes como • Aquestão de a quem penence os dados uma vez colemdos e analisados
copesquisadores durante todo o processo de pesquisa, como o plane- pode também ser um problema que divide as equipes de pesquisa e L-oloca 05
jamento, a coleta e análise dos dados, a redação do relatório e a dívuJ. indivfduos uns contra os outros. Uma proposta pode mencionar essa questão
gaçiio dos resultados (Patton, 2002). da propriedade dos dados e discutir como ela será resolvida - por exemplo,
• A entrevista, na pesquisa qualitativa, está sendo cada vez mais vista por meio do desenvolvimento de um enrendimenco claro entre o pesquisadoi;
como uma investigação moral (Kvale, 2007). Por isso, os entrevistadores os participantes e, ~lmente, os orientadores docentes (Punch, 2005).
precisam considerar como a entrevista vai melhorar a situação humana (e Berg (2001) recomenda o uso de acordos pessoais para designar a proprie-
mmbém aumentar o conhecimento cienrífico), como uma interação sen- dade dos dados de pesquisa. Uma extensão dessa ideia é evitar o compar-
sível na entrevista pode ser estressante para os participantes, se os par- tilhamento dos dados com indivíduos não envolvidos no projeto.
ticipantes têm influência na maneira como suas declarações são inter- • Na interpretação dos dados, os pesquisadores precisam providen-
pretadas, até que ponto os entrevistados podem ser criticamente questio- ciar um relato preciso das informações. Essa precisão pode requerer uma
nados e quais podem ser as consequências da entrevista para os entre- prestação de contas coere o pesquisador e os participantes da pesquisa
vistados e para os grupos a que pertencem. quantitativa (Berg, 2001). Pode incluir, na pesquisa qualitativa, o uso de
• Os pesquisadores também precisam prever a possibilidade de que uma ou mais estratégias para verificar a precisão dos dados com os par-
informações prejudiciais e íntimas sejam reveladas durante o processo de ticipantes ou ent:re diferentes fontes de dados (ver as estratégias de valida-
coleta dos dados. É difícil prever e tentar planejar com relação ao impacto ção no Capitulo 9).
dessas informações durante ou depois de uma entrevista (Patton, 2002).
Por exemplo, um aluno pode discutir o abuso dos pais ou prisioneiros Questões éticas na redação e divulgação da pesquisa
podem falar sobre uma fuga. Tipicamente, nessas situações, o código de
ética para os pesquisadores (os quais podem ser diferentes para as escolas •
As questões éticas não param com a coleta e análise dos dados; elas
e as prisões) visa proteger a privacidade dos participantes e comunicar também se aplicam à redação propriamente dita e à divulgação do rela-
essa proteção a todos os indivíduos envolvidos em um estudo. tório final da pesquisa. Por exemplo,
• Faça com que a pesquisa não utilize linguagem ou palavras tenden-
ciosas contra as pessoas devido a gênero, orientação sexual, grupo racial ou
122 John w. Creswetl Projeto de pesQuísa 123

émico, incapacidade ou idade. O Publirotion Manual da APA (2001) sugere RESUMO


três diretrizes. Primeiro, apresentar uma linguagem não lendenciosa em wn
nível de especificidade apropriado (p. ex., em vez de dizer "O compomunenro Convém considerar como redigir uma proposta de pesquisa antes
do clieme foi tipicamente masculino", declarar, "O comportamento do cliente de realmente se engajar nesse processo. Considere os nove argumentos
foi [especifique)". Segundo, usar uma linguagem que seja sensível proposlos por Maxwell (2005) como os elementos-chave a serem incluí-
aos rótulos (p. ex., em vez de "400 hispânicos", indicar "400 mexicanos, dos, e depois use um dos quatr0 esboços de tópicos apresentados para
espanhóis e porto-riquenhos"). Terceiro, reconh.ecer os participantes em um desenvolver uma proposta qualitativa, quantitativa ou de métodos mislOS.
estudo (p. ex., em vez de "sujeito", usar a palavra "parcicipame", e em vez de No desenvolvimento da proposta, comece colocando as palavras no
"médica mulher'', use simplesmeme "médica" ou "doutora"). papel para pensar sobre as ide.ias; estabeleça o hábito de escrever regu-
• Outras questões éticas na redação da pesquisa vão envolver a lam1ente; e use estratégias como a aplicação de termos consistentemente,
potencial supressão, falsificação ou invenção de resullados para satisfazer diferentes n(veis de pensamentos narrativos e coerência para fortalecer
às necessidades de um pesquisador ou de determinado público. Tais prá. a redação. Escrever na voz ativa, usar verbos fortes e revisar e editar
ticas fraudulentas não são aceiras nas comunidades de pesquisa pro- também ajudam.
ftsSionais e constituem má conduta cientifica (Neuman, 2000). Uma pro- Antes de redigir a proposta, convém considerar as questões éticas
posla pode conter uma postura pró-ativa por pane do pesquisador de não que possam ser previstas e descritas na proposta. Essas questões estão
se engajar em rais práticas. relacionadas a todas as fases do processo de pesquisa. Considerando·se
• Ao planejar um esrudo, é importante prever as repercussões de con· os participantes, os locais de pesquisa e os potenciais leitores, é possível
duiir a pesquisa com determinados públicos e não usar inadequadamente planejar estudos contendo práticas éticas.
os resultados para a vantagem de um ou outro grupo. O pesquisador precisa
fornecer àqueles que estão no local da pesquisa uma cópia preliminar de
quaisquer publicações da pesquisa (Creswell, 2007). Exerclc/os de Redaçlo
• Uma questão importante na redação de um manuscrito acadêmico
é não explorar o trabalho dos colegas e reconhecer a contribuição dos 1. Desenvolva um esboço de tópicos para uma proposla quanlitatlva. qualitativa
pessoas que colaboraram substancialmente para as publicações. Isreal e ou de métodos mistos. Inclua os principais tópicos nos exemplos incluldos
neste capltulo.
Hay (2006) discutem a prática não ética da chamada concessão de au- 2. LOC811Ze um ar1igo de periódico que relate pesquises qualitativa. quantitativa
toria a indivíduos que não contribuem para um manuscrito, e da autoria ou de métodos mistos. Examine a inlroduçao do artigo e, usando o método
fantasma, em que a equipe júnior que deu importantes contribuições foi de setas e clrculos ilustrado neste capltulo. identifique o nuxo das ideias de
omitida da lista dos autores. sentença para sentença e de paragrafo para parégrafo, bem como quais-
• Por fim, é importante fornecer os detalhes da pesquisa junto ao quer defidênclas.
3. Considere um dos seguíntes dilemas éllcos que um pesquisador pode
projeto do estudo, para que os leitores possam determinar por si mesmos a enfrentar. Descreva as maneiras como você poderia praver o problema e
credibilidade do escudo (Neuman, 2000). Procedimentos detalhados para a lidar com ele ativamente em sua proposta de petqUisa.
pesquisa quantitativa, qualitativa e de métodos mistos serão enfaáiados nos a. Um prisioneiro que você está entrevistandO lhe fala sobre uma potencial
capítulos seguintes. Além disso, os pesquisadores não devem se envolver em luga da prisão naquela notte. O que você faz?
publicação duplicada ou redundante, em que os autores publicam anigos b. Um pesquisador de sua equipe copia frases de outro estudo e as incorpora
que apresentam exatamente os mesmos dados, discussões e conclusões e não no' relatório escrito final de seu projeto. O que vooé faz?
e. Um aluno coleta dados para um projeto de vários lndlvlduos entrevistados
oferecem material novo. Algumas revistas biomédicas atualmente requerem om famlllas de sua cidade. Depois da queria entrevista. o aluno lhe diz
que os autores declarem se publicaram ou se estão elaborando materiais paia que ainda nao foi recebida a aprovação do projeto por parte do Comitê
publicação que estejam intimamente relacionados ao manuscrito que está do ética. O que você faz?
sendo submetido Osreal e Hay; 2006).
124 John w. Creswell

LEITURAS ADICIONAIS

MaxweU, J. (2005). Qualltarive """'arch dul~n: An lnrero.ctlve approach.


(2.. ed.). Tbousand Oaks, CA: Sage.
Joe Maxwell apresenta uma boa visão geral do pro<:e$$0 de desenvolvimento de
proposm para pesquisa qualitativa que é aplidvel de multas maneiras também à
pesquisa quantitativa e à pesqulS<I de métodos miscos. Ele declara que uma proposta é
um argumento para condutlr um estudo e apresenta um exemplo qual descreve nove
Parte li
passos necessários. Além disso, Inclui uma proposm qunlilativn completa e a annlJS<I
como Ilustração de um bom modelo a seguir. Planejamento da Pesquisa
Slebe.r, J. B. (1998). " Planning ethlcally responslble rcsearch." Bm L.
Bkkman & D.J. Rog (Eds.). Handbook of applled •ocial rueard1 method$
( p. 127· 156). Thousand Oaks, CA: Sage.
Joan Siebcr dÍ$CUle a importância do planejamento ético como integrante do processo
do projeto de pesquisa. Neste capitulo, ela apresenta uma revisão abrangente de 5 Introdução
muitos tópicos relacionados às questões éticas, como IRBs, consentimento infonnado,
privacidade, confidencialidade e anonimato, assim como demcntos de risco de pes-
quisa e de populoção vulneráveis. Sua cobertura é ampla e suas recomendações para 6 Declaração de Objetivo
estratégias slio numerosas.

Israel, M. & Hay, J. (2006). Ruearch ethiu for •ocial •clentúro: Between
ethical conducr and regulatory compliance. London: Sage. 7 Questões e Hipóteses de Pesquisa
Mark Israel e Lain Hay apresentam urna análise completa do valor prático de se pensar
séria e sisrcmatlcamcntc sobre o que constitui conduta ética nas ciências sociais. Eles
examinam as diferentes teorias da ética, tais como as abordngcns do conduta ética
consequendalístas e nfio consequencialistas, ética da vlnudc e normativas e orien1adas
8 Métodos Quantitativos
para o cuidado. 'làmbém oferecem uma perspectiva lntcmaclonnl, baseando.se na
hisrória de práticas éticas em países do mundo todo. Ao longo do Uvro, oferecem
exemplos de caso práticos e maneiras em que os pesquisadores podem tratar os casos de 9 Métodos Qualitativos
maneira ética. No apêndice, apresenmm três exemplos de caso e soUdtam a acadêmicos
de destaque que comentem como abordariam determinadas questões éticas.

Woleott, R. R (2001). Wrltlng up quaUtatlve ruearch (2ª ed.J. Tbousand 1 O Métodos Mistos
Oaks, CA: Sage.
Harry Wolcon, etnógrafo educacional, compilou um excelente guia de recursos tratando A Parte li relaciona os três métodos - quantitativo. qualitativo e de
de muitos aspectos do pro<:e$$0 de redação na pesquisa quo.llrativa. Ele examina
mistos - aos passos seguidos no processo da pesquisa. Cada capítulo
técnicas úteis para se iniciar na redação; para desenvolver detalhes; para estabelecer
vínculos com a literatura, a teoria e o método; para ser rigoroso nn revisão e na edição; aborda um passo separado desse processo.
e para concluir o processo cuidando de aspectos como o thulo e os apêndices. Para
todos os aspirantes a escritores, esse é um livro essencwl, independentemente de se
rramr de um estudo qualltatlvo, quantitativo ou de métodos mistos.
5
Introdução

Depois de cer opiado por uma abordllgem qualitativa, quantitativa ou de


métodos mistos, e depois de conduzir uma revisão preliminar da literarum
e de optar por um formato para uma proposta, o próximo passo no
processo l projetar ou planejar o esrudo. Enliio, inicia-se um processo de
organização e de redação das ideias, o qual começa com o planejamento
de uma introdução para uma proposta. &ce capículo discuce a composição
e a redação de uma introdução para esses três diferences tipos de projetos.
Em seguida a discussão possa aos cinco componentes da redação de
uma boa introdução: (a) determinar o principal problema do estudo,
(b) rewr a licerarura sobre o problema, (c) identificar as dtficiincias na
literarura sobre o problema, (c0 visar um príblico e indicar a importd11cia
do problema para ele e (e) identificar o objetivo do esrudo proposto. Esses
componenles compreendem um modelo de deficiênda das ciências sociais
da redação de uma introdução, pois um importante compo11ente da
introdução é expor as deficiências das pesquisas anterioru Paro iluscror
esse modelo, l apresencada e analisada uma incroduçà{> compleca de um
escudo de pesquisa publicado.

A IMPORTÂNCIA DAS INTRODUÇÕES

Uma introdução é a primeira passagem em um artigo de periódico,


dissenação ou estudo de pesquisa acadêmico. Ela prepara o terreno para
todo o esrudo. Como disse Wilkinson (1991),
Projeto de pesquisa 129
128 John W. Creswell

Aintrodução é a pane do material que proporciona aos le!tores as infonnações INTRODUÇÕES QUAL.I TATIVAS,
de fundo para a pesquisa relatada no papel. Seu propósito é estabelecer uma QUANTITATI VAS E DE MÉTODOS MISTOS
estrutura para a pesquisa, para que os leitores consigam entender como ela
está relacionada a outras pesquisas. (p. 96) Um exame geral de todas as introduções mostra que elas seguem um
padrão similar: os autores anunciam um problema e justificam por que ele
A introdução estabelece a questão ou o interesse que conduz à pes.. precisa ser estudado. O tipo de problema apresentado em uma introdução
quisa ao comunicar informações sobre um problema. Como é a pane vai variar dependendo da abordagem utilizada (ver Capítulo 1). Em um
iniciaÍ de um estudo ou proposta, deve-se tomar um cuidado especial ao projeto qualitativo, o auror vai descrever um problema de pesquisa que
escrevê-la. A introdução precisa suscitar o interesse no leitor pelo tó- pode ser mais bem entendido explorando-se um conceito ou um fenômeno.
pico, estabelecer o problema que conduz o cstu~o, si tu~ o ~studo d.entro Sugeri que a pesquisa qualitativa é exploratória, e que os pesquisadores a
do contexto mais amplo da literatura acadêmica e atingir um pubhco utilízam para explorar um tópico quando as variáveis e a base teórica são
especifico. Tudo isso é realizado em uma seção concisa, de poucas pá- desconhecidas. Por exemplo, Morse (1991) diz o seguinte:
ginas. Devido às mensagens que ~recisam ser c~municadas e ao espaço
limitado que lhes é destinado, as mrroduções sao desafiadoras ranto de As caracteristica.s de um problema de pesquisa qualitaóva são: (a) o conceito
escrever quanto de entender. _ é "imaruro• devido a uma evidente falta de teoria e pesquisa prévia; (b) a uma
Um proble m a de p esquisa é o problem~ ~u a questa? que con- noção de que a teoria disponível pode ser Imprecisa, inadequada, incorreta
duz à necessidade de um estudo. Ele pode se ongmar de muitas fontes ou tendenciosa; (c) à existência de uma necessidade de explorar e descrever
potenciais. Pode provir de uma experiên~ia que os pesquisadores tiveram os fenômenos e de desenvolver uma teoria; ou (d) ao fato de n nnrurcza do
fenômeno poder não ser adequada às medidas quantitativas. (p. 120)
em suas vidas pessoais ou em seus locais de trabalho. Pode decorrer de
um debate extenso que tenha surgido na literatura. Pode se desenvolver Por exemplo, o problema da expansão urbana (um problema) precisa
a panir de debates pollticos no governo ou entre _aJ~os executi~os. As ser explorado, pois não tem sido examinado em algumas áreas de um
fomes dos problemas de pesquisa são, em geral, múltiplas. ldenuficar. e esrado. Por outro lado, as crianças das salas de aula do ensino fundamental
estabelecer o problema de pesquisa subjacente a um estudo não é fácil: têm uma ansiedade que interfere com a aprendizagem (um problema) e
por exemplo, identificar a questão da gravidez na adolescência é. apontar a me.lhor maneira de explorar esse problema é ir às escolas e abordá-lo
um problema para as mulheres e para a sociedade em geral. lnfehzme~te, diretamente com os professores e os alunos. Alguns pesquisadores qua-
muitos aurores não identificam claramente o problema de pesquisa, litativos têm uma lente teórica através da qual o problema será examinado
deixando a cargo do leitor decidir a importância da questão. Quando o (p. ex., a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres ou as
problema não está claro, é difícil entender a import~cia da ~squisa. atitudes raciais envolvidas no perfil dos mororistas nas estradas). Thomas
Além disso, o problema de pesquisa é com frequê?cia c?nfundido co~ (1993) sugere que "os pesquisadores críticos partem da premissa de que
as questões de pesquisa, aquelas questões que o 10vesr1gador gostaria toda vida cultural está em constante tensão entre o conrrole e a resistência"
que fossem respondidas para entender ou ex~hcar o p~oblema. _ (p. 9). Essa orientação teórica molda a estrutura de uma introdução. Beisel
A essa complexidade soma-se a necessidade de mtroduçoes para (1990). por exemplo, propôs que se examinasse como a teoria da politica
encorajar o leitor a continuar lendo e percebendo a importância do de classe explicava o insucesso de uma campanha contra o vicio em uma
estudo. entre crês cidades americanas. Assim, em alguns estudos qualitativos,
Felizmente, há um modelo em que se guiar para redigir uma boa a abordagem na introdução pode ser menos indutiva, embora ainda se
introdução acadêmica nas ciências sociais. Antes de apresentar esse mo· baseie na perspectiva dos participantes, como a maior parte dos estu-
delo é necessário distinguir sutis diferenças entre as introduções para dos qualitativos. Além disso, as introduções qualitativas podem começar
os e;tudos qualitativos, quantitativos e de métodos mistos. com uma declaração pessoal das experiências do autor, como aquelas
encontradas nos estudos fenomenológicos (Moustakas, 1994). Também
130 John W. Creswell Projeto de pesquisa 131

podem ser escritas de um ponto de visrn pessoal, subjetivo, em primeíra abordagem para planejar e redigir uma introdução a um estudo de pesquisa o
pessoa, em que o próprio pesquisador se posiciona na narrativa. qual os pesquisadores possam usar independentemente de sua abordagem.
Menos variação é observada nas introduções quanticacivas. Em um O modelo de deficiências de uma Introdução é um padrão geral
projeto quantitativo, o problema é mais bem trabalhado entendendo-se quais para se redigir uma boa introdução. É uma abordagem popular utilizada
os fatores ou as variáveis influenciam um resultado. Por exemplo, em resposta nas ciências sociais, e uma vez elucidada sua estrutura, o leitor vai perceber
a cortes de trabalhadores (um problema para todos os empregados), um in· que ela aparece repetidas veus em muicos estudos de pesquisa publicados.
vestigador pode procurar descobrir quais fatores influenciam as empresas Consiste de cinco partes, e um parágrafo separado pode ser dedicado a cada
para reduzir seu contingente humano. Outro pesquisador pode precisar pane, para uma introdução de cerca de duas páginas de exrensão:
entender o alto índice de divórcios entre c:asais (um problema) e examinar se 1. O problema de pesquisa
as questões financeiras conmbuem para o divórcio. Nessas duas situações, o 2. Os estudos que têm abordado o problema
problema de pesquisa é um no qual o entendimento dos fatores que explicam 3. As deficiências nos estudos
ou se relacionam a um tesultado auxilia o investigador a conmpreender e a 4. A importância do escudo para determinados públicos
explicar melhor o problema. Além disso, nas introduções quantitativas, os 5. A declaração de objetivo
pesquisadores às vezes propõem a testagem de uma teoria e incorporam re·
visões substanciais da literatura para identificar questões de pesquisa que
precisam ser respondidas. Uma introdução quantitativa pode ser esoita do Uma ilustração
ponto de vista impessoal e no tempo passado, para garantir objetividade à
Antes de uma revisão de cada pane, segue um exemplo excelente
linguagem da pesquisa.
Um estudo de mécodos miscos pode empregar tanto a abordagem de um escudo quantitativo publicado por Terenzlni, Cabrera, Colbeck
qualitativa quanto a quantitativa (ou alguma combinação delas) para a Mjorklund e Parenre (2001) no Joumal of Higher Education e intitulado
redação de uma introdução. Em qualquer estudo de métodos mistos, a "Racial and Etlrnic Oiversity in the Classroom" (reprodução autorizada).
ênfase pode apontar na direção da pesquisa quantitativa ou qualitativa, Após cada seção impommre da introdução, destaco brevemente o compo-
e a introdução vai refletir essa ênfase. Para outros projetos de métodos nente que está sendo abordado.
mistos, a ênfase será igual entre a pesquisa qualitativa e a quantitativa. Desde a oprovnç5o do Ato dos Direitos CMs de 1964 e do Ato da Educação
Nesse caso, pode abordar-se um problema em que exista uma necessidade Superior de 1965, ns faculdades e universidades da América têm se esforçado
tanto de entender a relação entre as variáveis em uma situação quanto de para aumenrnr a diversidade racial e émica de seus alunos e seus docentes,
explorar o tópico em ma.íor profundidade. Um projeto de métodos mistos e a "ação alinnaci1111" tomou-se a política de escolha para atingir essa hete-
pode inicialmente buscar explicar a relação entre o comportamento de rogeneidade. (0$ aurores dttlaram o gancho na1T11rivo.) Essas políticas, no
fumar e a depressão entre os adolescentes, e depois explorar os pontos de entanto, estilo agora no cenrro de um intenso debate nacional. A base legal
vista detalhados dos adolescentes e exibir diferentes padrões de fumo e arual para as pollticas de ação olirmnciva se apóia no processo Regenl3 o/ the
Univusíryo/California v. Bakke, de 1978, em que ojuiz William Powell declarou
depressão. Sendo a primeira fase desse projeto quantitativa, a introdução
que a raça poderia ser considerado entre os fatores em que são baseadas as
pode enfatizar uma abordagem quantitativa com a inclusão de uma teoria
decisões das admissões. Mais recentemente, conrudo, o Tn'bunal de Apelação
que prevê essa relação e uma revísão substantiva da literatura. do Quinto Circuito dos Estados Unidos, no processo Hopwood v. Stau of
Ttms, em 1996, achou deficieme o argumento de Powell. As decisões do
m'bunal que se desviam d:1.1 polfticas de ação afirmativa têm sido acompanha-
MODELO DE INTRODUÇÃO das por referendos e legislações estaduais e por ações relacionadas banin·
do ou reduzindo baStante o problemn de disaiminaç.lo por raça nas admis-
F.ssas diferenças entre as várias abordagens são pequenas, e estão am- sões ou contratações na Califórnia, Flórida, Louisiana, Maine, Massachusem,
plamente relacionadas aos diferentes tipos de problemas abordados em escu- Michigan, Mississipi, Ncw Hampshire, Rhode lsland e ~rto Rko (Healy,
dos qualitativos. QWIJltitativos e de métodos mistos. Pode ser úál ilustrar urna 1998a. 1998b. 1999).
132 John W. Creswell Projeto de pesgulsa 133
Em resposta, educadores e outros profissionais apresentaram argumentos de aula tem um efeito direto sobre os resultados é algo que permanece uma
educacionais apoiando a ação afirmativa, declarando que um corpo de alunos questão em aberto. (São obsenttda.s deficiências nos estudos.)
diversificado é mais educacionalmente efetivo do que um mais homogêneo.
A escassez de informações sobre os beneflcios educacionais da diversidade es·
O reitor dn Universidade de Harvard, Neil Rudenstine, alega que •a justifica.
trurur:tl cm um campus ou cm suas salas de aula é lamenrável, pois é o tipo de
tiva fundamental para a di11ersidade dos alunos na educação superior é seu
evidência que os aibunais p.1recem exigir para dar apoio a politicas de admissões
valor educacional" (Rudenstine, 1991, p. 1). Lee Bollinger, contraparte de
sensíveis à raça. (lmportânàa do esrudo para um público mencionado.)
Rudenstine na Universidade de Michigan, afirmou, "Urna sala de aula que não
tem uma representação significativa de membros de diferentes raças produz l!ste estudo tentou contribuir para a base de conhecimento, explorando a
uma discussão empobrecida" (Schrnidt, 1998, p. A32). Esses dois reitores não influência da diversidade estrurural na sala de aula sobre o desenvolvimento
estiio isoLldos em suas crenças. Uma declaração publicada pela Associação das das habilidades acadêmicas e intelectuais dos alunos... Examina tanto 0
Universidades Americanas e endossada pelos reitores de 62 universidades de efeito direto da diversidade na sala de aula sobre os resultados acadêmicos e
pesquisa afirmava: "Falamos, antes de tudo, como educadores. Acreditamos inteleccuais quanto se quaisquer efeitos da diversidade na sala de aula podem
que nossos alunos se beneficiam significativamente da educação que cem lugar ser moderados pela extenslio em que abordagens de ensino colaborativas
em um ambiente diversificado" ("On the importance of Diversity in Universiiy são utilizadas no curso. (O propdsiro do estudo 1. identijirodo.) (p. 510·512,
Admi.ssions", The New York Times, 24 de abril de 1997, p. A2n. (Os aurores reprodução amorizada por The Joumal of Higher Education)
identijioom o problema de ~uÍ$a.)
Esrudos do impacto da diversidade sobre os resultados educacionais dos alunos O problema de pesquisa
tendem a abordar as maneiras como os alunos enfrentam a "diversidade" em
uma entre rrês maneiras. Um p<!queno grupo de esrudos trata os conmtos ~oa~g?d~Ter~~iniecolaboradores (2001), a primeira frase cumpre
dos alunos com a "diversidade" em grande parte como uma função da misru- os dotS pnnopais Objetivos de uma imrodução: despertar o interesse no
ra de alunos raciaVétnica ou de gênero, numérica ou proporcional em um
esrudo e comunicar um problema ou questão distinro de pesquisa. Qual
compus (p. ex., Chang, 1996, 1999a; Kanter, 1997; Sax, 1996)... Um segundo
efeito causou essa frase? Ela motivou o leicor para continuar a ler? Foi
conjunto de esrudos consideravelmente maior trata urna pequena quamidaclt
de diversidade estrurural como uma realidade admirida e operacionaliza os apresentada de tal maneira que um amplo público pudesse entendê-la?
encontros dos alunos com a diversidade usando a frequência ou a naruttza Essas quescões são irnportames para as frases de abertura, e são chamadas
de suas relatadas interações rom colegas que são racial e etnicamente dlf'e. de gancho narrativo, um termo extraído da composição inglesa, o qual
rentes de.les próprios... Um terceiro conjunto de estudos examirut os esforços significa palavras que servem para atrair, engajar ou conectar o Jeiror
programáticos instirudonalmente estruturados e destinados a ajudar os alunos com o esrudo. Para aprender como escrever bons ganchos narrativos,
a se engajarem com a "diversidade" mciaVétnica e/ou de gênero, tanto na estude as frases de abenura das principais revistas de diferentes campos
forma de ideias quanto de pessoas. de estudo. Os jornalistas, geralmente, proporcionam bons exemplos nas
Essns várias abordagens têm sido usadas para examinar os efeitos da diversidnde frases iniciais de artigos de jornais e revistas. Seguem-se alguns exemplos
em uma ampla série de resultados educadonais dos alunos. A evi<lmoa é quase de frases iniciais de periódicos de ciências sociais.
IUliformemente consistente na indkação de que os alunos em uma comunidade • "A celebridade transexual e er:nometodológica Agnes mudou sua
diversa em termos raciai.s/étnicos ou de gênero, ou engajados em uma atividade identidade quase três anos antes de ser submetida à cirurgia de
relacionada à ®=idade. rolhem lllD.1 ampla série de beneficios educacionais mudança de sexo." (GahiU, 1989, p. 281)
positivos. (Os aurores mencionam esrudos que abordam o problema.) • ",Quem controla o processo de sucessão do presideme de uma em-
Apenas relativamente poucosesrudos (p. ex., Chang, 1996, 1999a; Sax, 1996) presa?" (Boeker, 1992, p. 400)
examinaram espccificrunente se a composição raciallétic:.a ou de glnero dos • "Há um grande corpo de literatura que estuda a linha canográ-
alunos em um campus, cm um mestrado acad~ro ou em urna sala de aula fica (um recente anigo resumido é Buttenfield, 1985) e a gene·
(isto é, diversidade estrutural) tem os benefícios educacionais reivindicados... ralização das linhas cartográficas (McMaster, 1987).• (Carsten·
Entretanto, se o grau de diversidade racial de um aunpus ou de uma sala sen, 1989, p. 181)
134 John W. Creswell Projeto de pesquisa 135

Esses crês exemplos apresenram informações facilmente entendidas • Como regra geral, evite usar citações, especialmenre as mais longas,
por muiros leitores. Os dois primeiros, incroduções em estudos qualita- na sentença inicial. As citações levantam muitas possibilidades de
tivos, demonstram como o interesse do leitor pode ser despenado por interpretação e, por isso, criam inícios obscuros. Entretanto, como
referência ao único participante e pela colocação de uma pergunta. O está evidente em alguns estudos qualitativos, as cicnções podem
terceiro exemplo, um estudo experimental quantitativo, mostra como é despenar o interesse do leitor.
possível começar com uma perspectiva da literatura. Os três exemplos • Evite expressões idiomáticas ou expressões banais (p. ex., "O mé-
demonstram bem como a sentença inicial pode ser escrira de forma que o todo expositivo continua sendo uma 'vaca sagrada' entre a maioria
leitor não seja conduzido a uma complicação detalhada do pensamenro, dos professores das faculdades e universidades.").
mas levado delicadamenre ao tópico. • Considere dados numéricos para causar impacto (p. ex., "Todo nno,
Eu uso a metáfora do escriror baixando um balde em um poço. O cerca de S milhões de americanos experimentam a mone de um
escriror iniciante mergulha o balde (o leiror) nas profundidades do po. membro da família imediata.").
ço (o anigo). O leitor enxerga apenas o material com o qual não esrá • Identifique claramente o problema de pesquisa (isto é, dilema,
familiarizado. O escriror experiente baixa o balde (o leiror, mais uma vez) questão) o qual conduz ao estudo. Pergunte a si mesmo, "Há uma
lemamente, permitindo ao leitor se aclimatar à profundidade (o estudo). sentença (ou sentenças) especifica por meio da qual eu posso co-
Esse baixar do balde se inicia com um gancho narrativo de generalidade municar o problema de pesquisa?"
suficiente para o leitor enrender e conseguir se relacionar com o tópico. • Indique por que o problema é imponante citando muitas referên-
Além dessa primeira senrença, é importante identificar claramente a{s) cias que justifiquem a necessidade de se estudá-lo. Talvez de uma
questão(ões)ou o(s) problema(s) que conduz(em) à necessidade do estudo. maneira não tão jocosa, digo a meus alunos que se eles não tiverem
Terenz.ini e colaboradores (2001) discutem um problema distinto: o esforço uma dúzia de referências citadas na primeira página de sua pro-
em aumentar a diversidade écnica nos campi das faculdades e universidades posra, eles não têm um estudo acadêmico.
dos Estados Unidos. Eles observam que as pollticas para aumentar a diver- • Cenifique-se de que o problema esteja estruturado de uma ma-
sidade estão "no cencro de um incenso debare nacional" (p. 509). neira consistenre com a pesquisa do estudo (p. ex.. exploratória
Na pesquisa das ciências sociais aplicada, os problemas se originam nos qualitativos, examinando as relações ou os prognosticadores
de questões, dificuldades e práticas atuais. O problema de pesquisa em um nos quantitativos e uma ou outra abordagem na investigação de
estudo começa a se tomar claro quando o pesquisador pergunta "Qual é a métodos mistos).
necessidade deste esrudo?" ou "Qual problema iolluenciou a necessidade de • Reflita e escreva sobre a existência de um único problema envolvido
realizar este estudo?" ~r exemplo, as escolas podem não ter implementado no estudo proposto ou problemas múltiplos que conduzam à neces-
diretrizes multiculturais, as necessidades do corpo docente nas faculdades sidade do estudo. Múltiplos problemas de pesquisa são com fre-
são tais que ele necessita se envolver em atividades de desenvolvimento em quência abordados nos estudos de pesquisa.
seus departamentos, os alunos das minorias precisam de melhor acesso às
universidades ou uma comunidade precisa entender melhor as contribuições
das mulheres que foram suas primeiras pioneiras. Esses são todos problemas Estudos que aborda m o pro blema
de pesquisa irnponantes, os quais merecem estudo adicional e estabelecem
uma questão ou um interesse prático que necessita ser abordado. Quando Depois de estabelecer o problema de pesquisa nos parágrafos de aber-
planejar os parágrafos de abertura de uma proposta que incluam o problema tura, Terehiini e colaboradores {2001) justificam então sua importância
de pesquisa, tenha em mente as seguintes dicas de pes quis a : revendo estudos que examinaram a questão. Preciso ser cuidadoso quando
• Escreva uma sentença de abertura que estimule o interesse do leitor íalo aqui sobre a revisão de estudos, pois não tenho em mente uma revisão
e que também comunique uma questão com a qual um público am- completa da literatura para a fase da incrodução. Somente mais tarde,
olo oode se relacionar. · na seção de revisão da literatura de uma proposta, os alunos examinam
136 John W. C<esweU Projeto de pesquisa 137

cxaustivamenre a literatura. Na introdução, essa parte da revisão da lite. em risco no ensino elementar pode não ter sido pesquisado; entretanto, se
ratura deve resumir grandes grupos de estudos, não estudos individuais. pensarmos em termos mais amplos, o tópico de alunos em geral em risco
Digo a meus alunos para refletirem sobre seus mapas de lirerarura (descritos no ensino fundamenral ou em qualquer nível de educação pode ter sido
no Capitulo 2) e examinarem e resumirem as principais categorias amplas estudado. O pesquisador resumiria a Literatura mais geral e terminaria
nas quais alocaram sua literatura. A menção a essas categorias amplas é o com declarações sobre uma necessidade de estudos que examinem os
que entendo por examinar os estudos em uma introdução a uma proposta. alunos afro-americanos em risco no nível do ensino fundamencal.
O objetivo da revisão d os estudos em uma introdução é justificar Para examinar a literatura relacionada ao problema de pesquisa para a
a importância do estudo e criar distinções entre os estudos anteriores e o introdução de uma proposta, considere as seguintes clicas de pesquisa:
estudo proposto. Esse componente pode ser chamado de "colocar o proble· • Refira-se à literarura resumindo gmpos de estudos, não estudos
ma de pesquisa dentr0 do diálogo corrente na literatura". Os pesquisadores individuais (diferentemente do foco em escudos individuais na
não desejam conduzir um estudo que replique exacamente o que outra revisão integrada do Capítulo 2). A intenção deve ser estabelecer
pessoa já estudou. Os novos estudos precisam fazer acréscimos à !itera. áreas amplas de pesquisa.
cura ou ampliar ou retestar o que outros examinaram. Marshall e Rossman • Para re tirar a ênfase de estudos individuais, coloque as referências
(2006) referem-se a essa breve revisão da literatura em uma introdução no texto ao fim de um parágrafo ou ao final de um ponto no resumo
como uma maneira de colocar o estudo dentr0 do contexto de outros es· que se refere a vários estudos.
tudos relacionados. A capacidade para estmrurar o estudo dessa maneira • Examine estudos de pesquisa que tenham usado abordagens quan-
separa os pesquisadores novatos dos mais experientes. O veterano examinou titativas, qualitativas ou de métodos mistos.
e entende o que foi escrito sobre um tópico ou algum problema no campo. • Dê preferência à literatura recente para resumir, como aquela
Esse conhecimento vem de anos de experiência que seguem o desenvol· publicada nos últimos 1O anos. Cite estudos mais antigos apenas
vimento de problemas e da literatura a eles associada. se forem valiosos cm função de terem sido amplamente citados por
Frequentemente surge a questão sobre qual o tipo de literatura outros autores.
examinar. Meu melhor conselho seria examinar os estudos de pesquisa
em que os amores propõem questões de pesquisa e relacam dados para
respondê-las. O ponto importante é que a literatura apresente estudos Deficiências na lite ratura existente
sobre o problema de pesquisa que está sendo abordado na proposta. Os
pesquisadores iniciantes com frequência perguntam, "O que faço agora? Depois de apresentar o problema e de examinar a literatura sobre ele,
Nenhuma pesquisa foi realizada sobre meu tópico." É claro que, em alguns o pesquisador então identifica as deficiências encontradas nessa literatura.
estudos restritamente conscruídos, ou em projetos novos, exploratórios, Por isso chamo este formato de modelo de defici€ncias para escrever uma
não existe literatura para documentar o problema de pesquisa. Além disso, introdução. A natureza dessas deficiências varia de um estudo para outro.
faz sentido que um tópico esteja sendo proposto para estudo justamente As d eficiências n a lit eratura exist e nte podem existir porque os
porque pouca pesquisa venha sendo conduzida a seu respeito. Para me tópicos não foram explorados enquanto grupo, amostra ou população
contrapor a essa afirmação, muitas vezes sugiro que um investigador espedfica; a lite ratura pode precisar ser replicada ou repetida para ver
pense sobre a literatura usando um aiãngulo invertido como uma ima· se os mesmos resultados se mantêm com novas amostras de pessoos ou
gem. No ápice do aiãngulo invertido fica o escudo acadêmico que está novos 1~ de estudo; ou se a voz dos grupos sub-representados não foi
sendo proposto. Esse estudo é restrito e concentrado (e podem não exis· ouvida na literatura publicada. Em qualquer estudo, os autores podem
tir estudos a seu respeito). Quando se amplia a revisão da literatura as- mencionar uma ou mais dessas deficiências. As deficiências podem com
cendentcmente, na direção da base do triângulo invertido, pode-se en· frequência ser encontradas nas seções de "sugestões para pesquisa futura"
contrar literarura, embora ela possa ser de algum modo removida do dos artigos de revistas, e os aurores podem encaminhar estas ideias e
estudo em ouestão. Por exemolo. o tópico restrito dos afro-americanos apresentar outras justificativas para o estudo que propõem.
138 John W. Creswell Projeto de pesquisa 139
Além de mencionar as deficiências, os autores da proposta precisam • Discutir como um estudo proposto vai remediar essas deficiências
dizer como seu esrudo planejado vai remediar ou abordar essas deficiências. e proporcionar uma contribuição singular para a literatura acadê-
Por cxen1plo, como os esrudos existentes negligenciaram uma variável im- mica.
portante, um estudo irá incluí-la e analisar seu efeito: por exemplo, como os
esrudos passados negligenciaram o exame dos nativos americanos enquanto Essas deficiências podem ser mencionadas usando-se uma série de
grupo cultural, um estudo irá incluí-los enquanto participantes do projeto. parágrafos curtos que identifiquem crês ou quatro falhas da pesquisa pas-
Nos dois exemplos que seguem, os autores apontam as lacunas ou sada ou concencrando-se em uma falha importante, como ilustrado na
deficiências da literatura. Observe seu uso das expressões principais para introdução de Terenzini e colaboradores (2001).
indicar as deficiências: "o que pennanece a ser explorado", "pouca pes.
quisa empírica" e ªmuito poucos esrudos".
Importância de um estudo para o público

Nas dissertações, com frequência os aurores incluem uma seção


especifica descrevendo a importância do estudo para públicos seletos,
para comunicar a importância do problema para diferentes grupos que
podem se beneficiar da leitura e do uso do estudo. Incluindo essa seção, o
escritor cria uma justificativa clara para a importância do estudo. Quanto
mais públicos puderem ser mencionados, maior a importância do estudo
e mais ele será visto pelos leitores como tendo uma aplicação ampla. Ao
planejar essa seção, pode-se incluir:
• Três ou quatro razões que o estudo acrescenta à pesquisa acadêmica
e à literatura da área
• Três ou quatro razões sobre como o esrudo ajuda a melhorar a
prática
• Três ou quatro razões sobre por que o estudo vai melhorar a polftica

No exemplo a seguir, o autor declarou a importância do estudo nos


parágrafos de abertura de um artigo de periódico. Esse estudo realizado
por Mascarenhas (1989) examinou a propriedade de firmas industriais.
Ele identificou explicitamente os tomadores de decisão, os membros da
organização e os pesquisadores enquanto público para o escudo.
Em resumo, ao identificar as deficiências na literatura existente, os
autores das propostas podem usar as seguintes dicas d e pes quisa:
• Citar várias deficiências para tomar o caso ainda mais forte para
um estudo.
• Identificar especificamente as deficiências de outros esrudos (p. ex.,
falhas metodológicas, variáveis negligenciadas).
• Escrever sobre as áreas negligenciadas pelos estudos passados, in·
cluindo tópicos, tratanlencos esradsricos especiais, implic~ções im·
oortantes. etc.
140 John w. Creswell Projeto de pesquisa 141

ra\/e/ar 11 J6glca subjacente das 111Mdacles das 011111niZaçôes e pode au Exerclclos de Redação
os membros da OIYJ8nizsçlo a avaliar 11stret6giea.•. Em segundo lugar, u
de~o fundamental qua confronte Iodes as sociedades ealá r9/llí:Jci"1áe 1. Esboce vários exemplos de ganchos narTatJVOS para a Introdução de um
ao tipo 4f1 tnsttruiçõlls a Slltllm flllCOnljadss ou adotadas para a cond~ q estudo e compartilhe-os com seus colegas para determinar se atraem o
atividade... o conh11clmento d11s conseqUlnclas do domfnlo cios difarantss tl leitor, se criam interesse no estudo e se são apresentados em um nlvel çom
de proprlsdad#I pode seM( como uma contnbu;çto para assa deaS4o... o qual os leitores possam se relacionar.
ttm:elro lugsr. os pesquisadoras tlm com fraqulncia estudsdo otplllliZllçOíl 2. Escreva a introdução para um estudo propos1o. Inclua um parágrafo para
que retletem um ou dois tipos de propriedllde, mas seus resunados podem~ cada um dos seguintes: o problema de pesquisa. a literatura sobre esse
sido JmpJicitsmente supergeneralizados para tÇ<fas as Ol'f18nízações. problema, as deRclênclas da literatura e os públicos que potencialmente
(Masca<enllas, 1989,p.58 terâ interesse no estudo.
3. Localize vários estudos de pesqul.s a publicados em peri6dicos acadêmicos
em um campo particular de estudo. Examine as Introduções e localize a
sentença ou as sentenças em que os autoras declaram o problema oo
Terenzini e colaboradores (2001) terminam sua introdução mencio- questão de pesquisa.
nando como os tribunais poderiam usar as informações do estudo para
exigi r que as faculdades e universidades apóiem "políticas de admissões
sensíveis à raça" (p. 512) . Além disso, os autores poderiam ter mencionado
LEITURAS ADICIONAIS
a importância desse estudo para os escritórios de admissões e para os
alunos que buscam admissão, assim como para os comitês que examinam Bem, D. J. (1987). "Wr lting the emplrlca.ljournal artlcle". Em M.P. Zanna
as candidaturas à admissão. a M. M. Darley (Eds.). Th.e compleat academü: A p ractical guidefor the
Por fim, boas inrroduções aos estudos de pesquisa terminam com uma beginnlng aocial scienrist (p. 17 1-201), NY: Random House .
Datyt &III enfatiza a ímponãnda da declaração de abertura na pesquisa publicada. Ele
declaração do objetivo ou intenção do estudo. Terenzini e colaboradores
aprescnm wnB lista de n:gras pmticns para as declarações de obcnurn, enfalizando a
(2001) terminaram sua introdução comunicando que planejavam examinar nttl!SSidade de uma prosa dara e legível e de uma e$UUWB que amduia o Jel1or passo a
a influência da diversidade eslJUtural nas habilidades dos alunos na sala posso a1é a declanl~~o do problema. Silo proporcionados exemplos Clll\to de dl'Clara.,ões
de aula. lladsfatórias quantO de insatisfalórias. &III deíende dedataçôes de abemua que ~
ecessl\>Cis ao não cspecialisia, po~m não cediosas pof8 o leitor tecnicamente sofisticado.
Maxwell, J. A- (2005). Qualitad"" rucarch design: An interru:tive app roach
RESUMO (2" ed.). Thousand Oaks, CA: Sage.
Joe Maxwell rcllete sobre o propdoiro de wna psopoaa para wna dis:senação qualitallva.
Este capitulo oferece conselhos sobre a composição e a redação de uma Um dos aspectos fundamenrais de uma propostll é justificar o projeto, para ajudar os leitores
introdução para um estudo acadêmico. O primeiro elemento é considerar a compreender não npetUIS o que ,ixf planeja faze; mas rambán por~ Ele menciona a
como a introdução incorpora os problemas de pesquisa associados à pesquisa lmponãncia de idenlificar os questões que planeja nbordar e indicar por que é lmponnme
quantitativa, qualitativa ou de métodos mistos. Depois, urna introdução de cswdá·las. Em um exemplo de uma proposta de dlsscrtnção de m..uado, ele compwtilha as
prindpais questões que o aluno abordou para alar um argumcnro efetivo para o csrudo.
cinco partes é sugerida como um modelo ou padrão para uso. Chamado de
modelo de deficiências, ele é baseado primeiro na identificação do problema Wllklnson, A. M. (1991). The schnwt'• hmufbool< for w~ pópers and
de pesquisa (e inclui um gancho narrativo). Depois inclui uma breve dí.snrta.tions. Englewood CUffs, NJ: Prentlce Hall.
revisão da literatura que tem abordado o problema, indicando urna ou mais Antoinette Wllkinson ldenlifoca as ufs panes de uma incrodução: a derivação e a dcdal8c;ão
do problema e uma dlscussão de sua na1ureza, a discussão dos antecedentes do problema
deficiências na literatura exisrente e sugerindo como o escudo vai remediar e a dcclara<;no da quesúlo de pesquiso. Seu livro oferett muitos exemplos dessas uês
essas deficiências. Essa seção é seguida da especificação dos públicos que panes, juncamente com uma discussão de como redigir e esmuurar uma lmroduçllo.
vão se beneficiar da pesquisa sobre o problema, e a introdução termina com Enfatiza a necessidade de que a Introdução conduza lógica e inevitavelmente à declaração
uma declaração de objetivo que apresenta a intenção do estudo. da quesuio de pesquisa.
Projeto de pesgulsa , ...,

Outros autores a estruturam como um aspeeto do problema de pesquisa


(Catener e Heisleir, 1977). No encanto, um exame atento de suas discus-

6
sões indica que ambos se referem à declaração de propósito çomo a ideia
central e dominante em um esrudo.
Essa passagem é chamada de declaração de objetivo por comunicar
a intenção geral de um esrudo proposto em uma sentença ou várias sen-
tenças. Nas propostas, os pesquisadores precisam distinguir claramente
Declaração de Objetivo entre a declaração de objetivo, o problema de pesquisa e as questões de
pesquisa. A declaração de objetivo apresenra a intenção do esrudo, não
o problema ou a questão que conduz à necessidade do estudo (ver Capf-
rulo 5). O objetivo rambém não são as questões de pesquisa, aquelas ques-
tões que a coleta de dados vai tenrar responder (discutidas no Capítulo 7).
Em vez djsso, e mais uma vez, a declaração de objetivo apresenta os
objetivos, a intenção ou as principais ideias de uma proposta ou esrudo.
Essa ideia cria uma necessidade (o problema) e é refinada em questões
A última seção de uma inlTOdução, como mencionado no Capftulo 5, específicas (as questões de pesquisa).
é apresentar uma declaração de objetivo que esrabeleça a incenção de Dada a importãncia da declaração de propósito, convém esrabelecê-la
rodo o estudo de pesquisa. É a declaração mais importante de rodo separadamente de outros aspectos da proposta ou do esrudo e escrucurá-la
o esrudo, e precisa ser apresencada de maneira clara e especifica. A como uma sentença ou parágrafo único que os leitores possam identificar
partir da( seguem-se rodos os outros aspeccos da pesquisa. Nos arrigos facilmente. Embora as declarações de pesquisa qualitativa, quantitativa e de
de periódico, os pesquisadores escrevem a declaração de objetivo nas métodos mistos compartilhem tópicos similares, cada uma delas é identifi·
introduções; nas dissertações e nas proposcas de dissertação, com fre- cada nos parágrafos seguintes e ilustrada com roteiros inseridos para cons-
quência aparece como uma seção à parce. truir uma declaração de objetivo completa, porém fácil de adminisrrar.
Nesce capírulo, dedicado exdusivamence d declaração de objetivo, abor-
do as razões para desenvolvê-la, os princípios-chave a serem usados em
seu planejamenco e apresenco exemplos de bons modelos a serem usados Uma declaração de objetlvo qualitativa
na criação de uma declaração de objetivo para sua proposca.
Uma boa declaração de objetivo qualitativa contém informações so-
bre o fenômeno central explorado no esrudo, os panicipantes do esrudo e
IMPORTÂNCIA E SIGNIFICADO DE o local da pesquisa. Também comunica uma intenção emergence e utiliza
UMA DECLARAÇÃO DE OBJETIVO palavras de pesquisa extraídas da linguagem da investigação qualitativa
(Schwandt, 2007). Por isso, é preciso considerar vários aspectos básicos
Segundo Locke e çolaboradores (2007), a declaração de objetivo in- de projeto para redigir a declaração:
dica "por que você quer fazer o esrudo e o que pretende atingir" (p. 9). • Use palavras como propósito, Intenção ou objetivo para assinalar
Infelizmente os textos de redação de proposta dão pouça atenção à decla- atenção à declaração como a ideia central dominante. Apresente a decla-
ração de obj~tivo e aqueles que escrevem sobre o método çom frequência ração como uma sentença ou parágrafo separado e use a linguagem de
a inçorporam nas discussões sobre outros tópicos, como a especificação pesquisa, como, por exemplo, "O propósito (ou intenção ou objetivo) des-
das questões ou hipóteses de pesquisa. Wilkinson (1991), por exemplo, te estudo é (foi) (será) ...". Os pesquisadores com frequência usam o verbo
refere-se a ela denrro do contexto da questão e do objetivo da P!!Squisa. no tempo presente ou passado nos artigos de periódicos e dissertações, e o
144 John W. Creswell ProjelO de pesquisa 145
tempo futuro nas proposcas, porque os pesquisadores estão apresentando oever também notar que essa definição não deve ser confundida com a
um plano para um estudo ainda não realizado. definição detalhada da seção de termos, como foi discutido no Capítulo 2,
• Concentre-se em um único fenômeno (ou conceito ou ideia). Es. sobre a revisão da licerarura. A intenção aqui é comunicar aos leitores, em
creite o estudo a uma ideia a ser explorada ou entendida. Esse foco signJ. um esrágio inicial de uma proposta ou estudo de pesquisa, uma percepção
fica que um objetivo nào comunica a relação entre duas ou mais variáveis geral do fenômeno central para que possam entender melhor as informa-
ou a comparação de dois ou mais grupos, como é tipicamente encontrado ções que vão sendo apresentadas durante o estudo.
na pesquisa quantitativa. Em vez disso, apresenta um fenômeno isolado, • Inclua palavras que denotem a estratégia de investigação a ser usada
reconhecendo que o esrudo pode se desenvolver em uma exploração de na coleta de dados, na análise e no processo da pesquisa - por exemplo, se
relações ou comparações entre ideias. Nenhuma dessas explorações re. 0 escudo vai usar uma abordagem emográfica, de teoria fundamentada, de
!acionadas pode ser antecipada no início. Por exemplo, um projeco pode escudo de caso, fenomenológica, narrativa ou alguma outra estratégia.
começar explorando os papéis do reitor na promoção do desenvolvimento • Mencione os panic:ipantes do estudo, podem ser um ou mais indi-
do corpo docente (Creswell e Brown, 1992). Outros estudos qualitativos víduos, um grupo de pessoas ou uma organizaçáo inteira.
podem começar explorando a identidade do professor e a marginalização • Identifique o local da pesquisa, tais como lares, salas de aula, orga-
dessa identidade para um professor em uma determinada escola (Huber e nizações, programas ou eventos. Descreva esse local cm detalhes suficien-
Whelan, 1999), o significado de uma cultura do beisebol em um estudo do tes para que o leitor saiba exatamente onde o estudo será realizado.
trabalho e da conversa dos empregados de um escádio (Trujillo, 1992), ou • Como um pensamento final na declaração de objetivo, inclua algu-
como os indivíduos retratam cognitivamente a AIDS (Anderson e Spencer, ma linguagem que delimite o escopo de participação ou os locais de pesqui-
2002). Todos esses exemplos ilustram o foco em uma única ideia. sa do esrudo. Por exemplo, o estudo pode ser limitado apenas a mulheres
• Use verbos de ação para comunicar corno será reali.1.ado o esrudo. ou a hispânicos. O local da pesquisa pode ser limitado a uma metrópole ou
Os verbos e as expressões de ação, cais como descrever, entender, desenvol· a uma área geográfica pequena. O fenômeno central pode ser limitado a
ver, examinar o significado de ou descobrir, mancêm a investigação aberta indivíduos em empresas que participam de equipes criativas. Tais delimita-
e comunicam uma intenção emergente. ções ajudam a definir melhor os parãmerros do estudo de pesquisa.
• Use palavras e expressões neuuas - linguagem não direcional -
Embora haja urna variação considerável na inclusão desses pontos
como, por exemplo, explorar as "experiências dos indivíduos" em vez de
nas declarações de objetivo, uma boa proposta de dissertação ou tese
"as experiências bem·sucedidas dos indivíduos". Ouuas palavras e expres·
deve conter muitos deles.
sões que podem ser problemáticas incluem útil, positivo e in/onnalivo,
Para ajudá-lo, segue-se um roceiro que deve ser útil no esboço de
pois todas elas são palavras que sugerem um resultado que pode ou não
uma declaração completa. Um roteiro, como é usado nesce livro, contém
ocorrer. McCracken (1988) refere-se à necessidade, nas entreVistas quali-
as principais palavras e ideias de uma declaração e proporciona espaço
cativas, de deixar o respondente descrever sua experiência. Os entrevista·
·para o pesquisador inse.rir informações.
dores (ou as pessoas que elaboram declarações de objetivo) podem faciJ.
mente violar a "lei da não direção" (McCracken, 1988, p. 21) na pesquisa O propósito desce estudo (estratégia de investiga-
qualitativa, usando palavras que sugerem uma orientação direcional. ção, como unia emografia, esrudo de caso ou outro tipo) é (foi?
• Apresente uma definição do funcionamento geral do fenômeno ou será?) (entender? descrever? desenvolver? desco-
ideia central, especialmente se o fenômeno é um ceemo que não é típica· brir?). o (fenômeno cemral que está sendo
meme entendido por uma audiência ampla. Consistente com a recórica estudado) para (os participantes, tais como
da pesquisa qualitativa, essa definição não é rígida e estabelecida, mas o individuo, grupos, organização) em Oocal da pes-
provisória e evolutiva durante rodo um estudo baseado nas informações quisa). Nesta fase da pesquisa, o (fenômeno central que
dos panic:ipames. Por isso, um escritor pode usar as pa lavras "Uma defi· está sendo estudado) será em geral definido como
nição provisória atual para (fenômeno principal) é ..............' (proporcione uma definição geral).
-----
146 John W. Creswell Projeto ele pesquisa 147

Os exemplos a seguir podem não ilust:ra.r perfeitamente todos os ele- 0 círulo de "Objetivo do &tudo" para chamar a atenção para ele, e men-
mentos desse roteiro, mas representam modelos adequados para estudar cionou os participantes. No resumo e na seção da metodologia, um leitor
e imitar. percebe que o esrudo usou a estratégia de investigação da pesquisa de
escudo de caso e que teve lugar em uma sala de aula.

Encontrei a declaração de objetivo de Lauterbacb (1993) na seção


de aberrara do artigo da revista sob o óculo "Objetivo do &tudo''. Desse
modo, o óculo chama a atenção para essa declaração. As "experiências
vividas das mães" seriam o fenômeno central, e a autora usa a palavra
de ação retrocar para discutir o significado (uma palavra neutra) dessas
experiências. A amora também definiu quais experiências foram exarai·
nadas quando identifica "lembranças" e experiências "vividas". Ao longo
de toda essa passagem fica claro que Lauterbach utilizou a estrarégia da
fenomenologia. Além disso, a passagem comunica que as participantes
eram mães, e, mais adiante no artigo, o leitor é informado de que o autor
entrevistou uma amostra de cinco mães, cada uma das quais experimen·
tou uma a morte perinatal de um filho em seu lar. (Rhoads, 1997, p 271!)
Observe a ressalva de Kos (1991) de que o estudo não foi quantita·
tivo, medindo a magnitude das mudanças de leitura nos alunos. Kos co-
locou-o claramente dentro da abordagem quafüaciva, utilizando palavras Com a intenção de melhorar o campus, esse escudo qualitativo cai
como "explorar". Ela concentrou sua atenção no fenômeno cemral dos no gênero de pesquisa reivindicatória, como mencionado no Capítu lo 1.
"fatores" e apresentou uma definição provisória, mencionando exemplos, Além disso, essas sentenças aparecem no início do anigo, para indicar
raie; rnmn "~fPtivnc: ~i:ti( ,,. Prlnr.Arinn:t ic:" Fl:t inrl11i11 n rlPrl:trnrtlo sob ~" .... :........ ... "'h;º..;"" ...4n A~turln A~ nPrl"t:;~ifl~rlPt:õ rlP.sse.Ci alunos tomam·se
148 John W. Creswell Projeto de pesquisa 149
o fenômeno cencral do estudo, e o autor procura identificar áreas que principais variáveis, independentes, mediadoras, moderadoras e depen·
podem melhorar o clima para homens gays e bissexuais. O autor também dentes, apresentadas no Capítulo 3.
mencionou que a escratégia de investigação será etnográfica e que o esru. A intenção de uma declaração de objetivo quantitativa inclui as
do envolverá homens (participantes) de uma grande universidade Oocal). variáveis no escudo e suas relações, os participantes e o local da pesquisa.
Nesse ponto, o autor não apresenta informações adicionais sobre a nacu. também inclui a linguagem assodllda à pesquisa quantitativa e à tesragem
reza exata dessas necessidades ou uma definição operacional para iniciar dedutiva das relações ou teorias. Uma declaração de objetivo quantitativa se
o artigo. Entretanto, ele se refere à identidade e oferece um significado inicia com a identificação das principais variáveis propostas em um estudo (in·
provisório a esse termo na seção seguinte do estudo. dependente, interveniente, dependente), acompanhada por um modelo visual
para identificar claramente essa sequência, e a localização e especificação de
como as variáveis serão medidas ou observadas. ~r fim, a intenção de utilizar
as variáveis quantitativamente será relacionar as variáveis, como se vê típica·
mente em um levantamento, ou a de comparar amostras ou grupos em termos
de um resultado, como é comumente encontrado nos experirnenros.
os principais componentes de uma boa declaração de objetivo quan·
ôrativa incluem o seguinte:
• Inclua palavras para indicar a principal intenção do estudo, como
propósito, incenção ou objecívo. Comece com "O propósito (ou obje·
tivo ou intenção) deste estudo é (foi, será)..."
• Identifique a teoria, o modelo ou a estrutura conceptual. Nesse pon·
to, não é necessário descrevê·lo em detalhes; no Capitulo 3, sugiro
a possibilidade de redigir uma seção à parte, "Perspectiva Teórica",
para tal propósito. A menção disso na declaração de objetivo dá ên·
fase à importância da teoria e prenuncia seu uso no estudo .
Nessa declaração, o fenômeno central é o desenvolvimento da carrei· • Identifique as variáveis independentes e dependentes, assim como
ra, e o leitor é informado de que o fenômeno é definido como influências quaisquer variáveis mediadoras, moderadoras ou de controle utili·
fundamentais no sucesso profissional das mulheres. Nesse escudo, o suces· zadas no estudo.
so, uma palavra direcional, serve mais para definir a amostra de indivfdu0$ • Use expressões que conectem as variáveis independentes às depen·
a serem estudados do que para limitar a investigação sobre o fenômeno dentes para indicar que estão relacionadas, tais como •a relação en·
principal. Os autores planejam explorar tal fenômeno, e o leitor é infor· rre" duas ou mais variáveis ou uma "comparação de" dois ou mais
mado de que todos os participantes são mulheres, em diferentes grupos grupos. A maioria dos estudos quant.itativos emprega uma dessas
ocupacionais. A reorla fundamentada enquanto estratégia de investigação ~ duas opções para conectar variáveis na declaração de objetivo. Thm·
mencionada no resumo e mais adiante na discussão do procedimento. bém pode haver uma combinação entre comparação e relação - por
exemplo, um experimento de dois fatores em que o pesquisador tem
dois ou mais grupos de tratamento, e uma variável independente
Declaração d e ob jetivo quantitativa contínua. Embora tipicamente se encontre estudos sobre a compa·
ração de dois ou mais grupos em experimentos, é também possível
As declarações de objetivos quantitativas diferem consideravelmente comparar grupos em um estudo de levantamento.
dos modelos qualitativos em termos da linguagem e de um foco ao re- • ~icione ou ordene as variáveis da esquerda para a direita na decJa.
lacionar ou comparar variáveis ou constructos. Lembre-se dos tipos das ração de objetivo, com a variável independente seguida da variável
150 John W. CresweU Projeto de pesguisa 151
dependente. Coloque as variáveis intervenientes enire as variáveis Os exemplos que seguem ilustram muitos dos elementos desses roteiros.
independentes e as dependentes. Muitos pesquisadores também OS dois primeiros escudos são levantamentos; o último é um experimento.
colocam as variáveis moderadoras encre as variáveis independen.
tes e as dependentes. Como alternativa, as variáveis de concrole
podem ser colocadas imediatamente após a variável dependente,
em uma expressão como "controle para..." Nos experimentos, a
variável independente será sempre a variável manipulada.
• Mencione o tipo específico de estratégia ou investigação (como
levantamento ou pesquisa experimental) usado no estudo. Incor-
porando essa informação, o pesquisador antecipa a discussão dos
métodos e permite ao leitor associar a relação das variáveis à abor-
dagem da investigação.
• Faça referência aos participantes (ou à unidade de análise) does-
cudo e mencione o local da pesquisa.
• Defina, em tem1os gerais, cada variável fundamental, preferencial-
mente usando definições estabelecidas apresentadas e aceitas, encon-
tradas na literatura. Nesse ponto, são incluídas definições gerais para
auxiliar o leitor a entender melhor a declaração de objetivo. El.as não
substituem as definições espedficas e operacionais encontradas mais
tarde, na seção de "Definição de Termos" (detalhe sobre o modo como
as variáveis serão medidas). Thmbém devem ser mencionadas as deli- Embora Kalof (2000) não mencione uma teoria que busque testar, ela
mitações que afetam o escopo do escudo, tais como o escopo da coleta identifica tanto sua variável independente (ver atitudes de papel) quanto a
de dados ou se ele está limitado a determinados indivíduos. variável dependente (vitimização sexual). Ela posicionou-as da independente
para a dependente. Também discutiu mais o vínculo do que a relação en1.re as
Tendo como base esses pontos, o roteiro de uma declaração de obje· variáveis para esmbelecer uma conexão entre elas. Essa passagem identifica
tivo quantitativa pode incluir as seguintes ideias: os participantes (mulheres) e o local da pesquisa (um ambiente uníversitá·
rio). Mais tarde, na seção de método, mencionou que o escudo foi um levan-
O propósito deste escudo (experimento? levantamen- tamento realizado pelo correio. Embora ela não defina as principais variáveis,
to?) é (foi? será?) testar a teoria que----~ apresenta medidas específicas das variáveis nas questões de pesquisa.
(compara? relaciona?) a (variável independente) à
_ _ _ _ __ (variável dependente), conuole para _ __ _ _
(variáveis de controle) para (participantes) em
_ _ _ _ _ (local da pesquisa). A(s) variável(s) independente(s)
_ _ _ _ _ será(ão) definida(s) como - - -- - - -
(apresente uma definição). A(s) variável(s) dependente(s) será(ão)
definida(s) como (apresente uma definição), e a(s)
variável(s) de conuole e interveniente(s), (idenáfi·
que as variáveis de conuole e intervenientes) será(ão) definida(s)
como (apresente uma definicão).
152 John W Creswell
Projeto de pesquisa 153

Essa declaração também refletiu muiras propriedades de uma boa


declaração de objetivo. A declaração foi separada de outras ideias na in·
rrodução como um parágrafo separado, mencionou que seria realizada
uma comparação e identificou os participames do experimento (i. e., a
unidade de análise). Em termos da ordem das variáveis, os autores as
apresentaram com a variável dependente em primeiro lugar, contraria-
mente a minha sugestão (entretamo, os grupos estão claramente identi-
ficados). Embora a base teórica não seja mencionada, os parágrafos pre-
cedentes à declaração de objetivo examinaram os achados da teoria ante·
rior. Os autores também não se referem à estratégia da investigação, mas
oucras passagens, especialmente aque.las relacionadas aos procedimentos,
discucem o estudo enquanto experimento.

Uma dec.l aração de objetivo de métodos mistos

Uma declaração de objetivo de métodos mistos contém a intenção


Essa declaração incluiu vários componentes de uma boa declaração geral do escudo, as infonnações sobre as tendênc.ias quantitativas e quali·
de objetivo. Foi apresentada em uma seção à parte, utilizou a palavra cativas do estudo e uma justificativa da incorporação das duas tendências
relação, os ccrmos foram definidos e a população foi mencionada. Além para esrudar o problema de pesquisa. Essas declarações precisam ser iden-
disso, a parrir da ordem das variáveis apresentadas na declaração, po· tificadas de início, na introdução, e apresentam sinalizações importantes
de-se identificar claramente as variáveis independente e a dependente. para o leitor compreender as partes quantitarivas e qualitativas de um
estudo. Várias diretrizes podem orientar a organização e a apresentação
da declaração de objetivos de métodos mistos:
• Comece com palavras indicativas, como "O objetivo de" ou "A in-
tenção de". ·
• Indique a intenção geral do esrudo a partir de uma perspectiva do con-
teúdo, como "A intenção é aprender sobre a eficácia organizacional"
ou "A intenção é examinar familias com enteados". Dessa maneira, o
leitor tem uma âncora para entender o esrudo geral antes de o pesqui-
sador dividir o projeto em tendências quanticativas e qualitativas.
• Indique o tipo de projeto de métodos mistos - tal como sequencial,
concomitante ou transformativo - que será uciliiado.
• Disc;uta as ratões para a combinação de dados quantitativos e qua-
litativos. Essa razão poderia ser uma das seguintes (ver o Capítulo
10 para mais detalhes} :
"'Melhor entender um problema de pesquisa convergindo (ou
triangulando} as tendências numéricas da pesquisa quantitativa
e os detalhes da pesquisa qualitativa.
154 John W. Creswell Projeto de pesquisa 155

.r Explorar as concepções do panicipante com a intenção de am- que (relacione, compare) (variá-
pliar essas visões com a pesquisa quantitativa para que possam vel dependente) para (amostra da população) em
ser exploradas com uma grande amoscra de uma população. - --.,..,-,...--- (local da pesquisa). A razão de se coletar os da-
./Obter resultados estaásticos e quantitativos de uma amostra e dos qualitativos inicialmente é que (p. ex., os instru-
depois realizar o acompanhamento com alguns indivíduos para mentos são inadequados ou indisponíveis, as variáveis não são conhe-
ajudar a explicar esses resultados em maior profundidade (ver cidas, há pouca teoria para orientação ou poucas caxonomias).
também O'Cslhaín, Murphy e NichoU, 2007).
"Comunicar melhor as tendências e as vozes de grupos ou indiví- 2. Um escudo sequencial com a fase de acompanhamento qualitativa
duos margínalízados. ampliando e ajudando a explicar a fase quantitativa inic.ial:
• Inclua as características de uma boa declaração de objetivo qualira-
áva, como a concentração em um único fenômeno, usando palavras A intenção desre estudo de métodos misros de duas fases, sequen-
de ação e linguagem não direcionada, mencionando a estratégia da cial, será (mencionar o objetivo de conteúdo
investigação ·e identificando os participantes e o local da pesquisa. do estudo). Na primeira fase, as questões ou hipóreses da pesqui-
• Inclua as características de uma boa declaração de objecivo quan- sa quantitativa irão abordar a relação ou compara·
titacivo, como a identificação da teoria e das variáveis, a relação ção de (variável independente) e - -- --
entre as variáveis ou a comparação dos grupos em termos das va- (variável dependente) com (participantes) em
riáveis, colocando-as em ordem de independentes para dependen- - - -- - - (local da pesquisa). As informações desta primeira
tes, mencionando a estratégia da investigação e especificando os fase serão mais bem exploradas em uma segunda fase qualitativa.
participantes e o local da pesquisa. Na segunda fase, serão utilizadas entrevistas qualitativas ou obser-
• Considere adicionar informações sobre os usos específicos das co- vações para sondar os (resultados quantitativos)
letas de dados quantitativa e quantitativa. explorando aspec1os do (fenômeno principal) com
(alguns participantes) em (local da
Baseados nesses elementos, seguem quatro roteiros de declaração - -----
pesquisa). A razão de se fazer o acompanhamento com pesquisa qua-
de objeávo de métodos mistos (CresweU e Plano Clark, 2007). Os dois litativa na segunda fase é (p. ex., melhor entender e
primeiros são esrudos sequenciaís com um tipo de coleta de dados am- explicar os resultados quantitativos).
pliando o outro; o terceiro é um escudo concomitante com os dois tipos
de dados coletados ao mesmo tempo e reunidos na anál.ise dos dados. O 3. Um estudo concomicame com a intenção de reunir dados quanri·
quarto exemplo é um roteiro de escudo de métodos mistos também ba- cativos e qualitativos e fundi-los ou integrá-los para entender melhor um
seado em um projeto concomitante. problema de pesquisa:
l. Um estudo sequencial com uma segunda fase quantitativa am-
pliando uma fase inicial qualitativa: O objetivo deste esrudo de métodos mistos concomitante é _ _
_ _ ___ (objetivo do conteúdo do estudo). No estudo, serão usa-
O objetivo deste escudo de métodos mistos de duas fases e sequencial dos (instrumentos quantitativos) para avaliar a rela-
é (mencionar o objetivo de conteúdo do escudo). A ção CJltrC (variável independente) e - -- - --
primeira fase será uma exploração qualitativa de um - -- -- (variável dependente). Ao mesmo tempo, o (fenôme-
(fenômeno principal) coletando (tipos de dados) de no principal) será explorado por meio de (entrevis·

l
- - - - (participantes) em (local da pesquisa). tas qualitativas ou observações) com (participan-
Os resultados desta fase qualitativa serão encão utilizados para testar tes) em (local da pesquisa). A razão de se combinar
- - -- - - (uma teoria, questões ou hipóteses de PCSQuisa) dados ouantitativos e oualimtivos é entender melhor esse problema de
156 John w Creswell Prqeto de f)!!9uisa 157

pesquisa convergindo os dados quantitativos (tendências numéricas


aniplas) e os dados qualitativos (concepções detalhadas).

4. Este roteiro final pode ser utilizado por um pesquisador de métodos


mistos com uma estratégia de investigação de métodos mistos transforma-
tivos. O roteiro foi redigido para um estudo concomitante, mas o projeto
de métodos mistos pode usar uma estratégia de investigação tanro con-
comitante (dados quantitativos e qualitativos coletados ao mesmo tempo)
quanto sequencial (os dois tipos de dados coletados em sequência ou fases).
Os elementos que designam este roteiro como transformacional são o fato Essa seção estava contida sob o título de "Objetivo• e indicava que
de o objetivo do esrudo ser o de abordar uma questão fundamental para tanto os dados quantitativos (levantamenros) quanto os dados qualitativos
grupos ou indivíduos sub-representados ou marginalizados. Além disso, 0 (entrevistas) foram incluJdos no estudo. As duas formas de dados foram
resultado de um estudo desse tipo é defender as necessidades destes grupos coletadas durante o período de três anos, e os autores podem ter iden-
ou indivíduos, e essa informação esc.1 incluída na declaração do objetivo. tificado seu estudo como um projeto de triangulação ou concomitante.
Embora a justificativa para o estudo não esteja incluída nessa passagem,
O objerivo deste estudo de métodos mistos concomitante é ela é aniculada mais adianre, na discussão dos métodos sobre os levan-
_ _ _ (declarar a questão que precisa ser abordada para o grupÕOO tamentos e as entrevistas. Aqui percebemos que "as entrevistas também
indivíduos). No estudo, serão utilizados (instrumentos foram utilizadas para explorar as variáveis sob investigação em maiores
quantitativos) para medir a relação entre (variável detalhes e os resultados criangulados utilizando-se dados quantitativos e
independente) e (variável dependente). Ao mes- qualitativos" (Hossler e Vesper, 1993, p. 146).
mo tempo, o (fenômeno principal) será explorado
com o uso de (entrevistas qualitativas ou observa·
ções) com (participantes) em (local
da pesquisa). A razão de se combinar os dados quantitativos e qua-
litarivos é entender melhor esse problema de pesquisa convergindo
tanto os dados quantitativos (tendências numéricas amplas) quanto
os qualitativos (concepções detalhadas) e defender a mudança para
-----(grupos ou indivíduos).

Nesse exemplo, a declaração se inicia com as palavras indicativas


"o objetivo de". Depois menciona o tipo de projeto de métodos mistos e
contém os elementos básicos tanto da fase qualitativa inicial quanto um
158 JOl'ln W. Creswell Projeto de pesquisa 159

acompanhamento da fase quantitativa. Inclui informações sobre os dois RESUMO


tipos de coleta de dados e termina com uma justificativa para a incorpora- Este capímlo enfatiza a fundamental importância de uma declaração
ção das duas formas de dados em um projeto sequencial. de objetivo - apresentar a ideia centra.! de um estudo. Ao escrever uma de-
claração de objetivo qualitativa, o pesquisador precisa identificar um úni-
co fenômeno principal e lhe proporcionar uma definição provisória. Além
disso, o pesquisador emprega palavras de ação, como descobn'r, desenvolver
ou entender; usa lit'guagem não direcional; e menciona a estratégia de in-
vestigação, os participantes e o local da pesquisa. Em uma declaração de
objetivo quantitativa, o pesquisador declara a teoria que está sendo testada
e também as variáveis e sua relação ou a comparação entre elas. É impor-
tante colocar a variável independente primeiro e depois a dependente. O
pesquisador comunica a estratégia da investigação e também os participan-
tes e o local de pesquisa para a investigação. Em algumas dedarações de
objetivo, o pesquisador também define as variáveis fundamentais usadas no
esrudo. Em um esrudo de métodos mistos, o tipo de estratégia é também
mencionado como sua justificativa, assim como se os dados são coletados
Essa declaração de objetivo começa com a intenção do estudo e apre- concomitante ou sequencialmente. São incluídos muitos elementos de boas
senta a questão da Igualdade entre os gêneros como uma questão de inte- declarações de objetivo qualitativas e quantitativas.
resse. Essa passagem aparece no final da introdução, e o leitor já percebeu
que a Suécia rem um objetivo polltico de trabalhar na direção da igualda-
Exerr;ícios de Redação
de entre os gêneros, em que "o equillbrio do trabalho e do poder entre os
sexos seja eliminado" (Nordenmark e Nyman, 2003, p. 182). Os autores 1. Usando o roteiro para uma declaração de objetivo qualrtaliva, escreva uma
mencionam os dois tipos de dados a serem coletados (levantamento e declaração preenchendo as lacunas. Faça uma declaração curta; não escreva
entrevistas) e, depois dessa passagem, referem-se às vantagens de se com- mais do que aproximadamente três quartos de uma página dlgítada.
binar os dois métodos e afirmam que os dois conjuntos de dados são com- 2. Usando o roteiro para uma declaração de objetivo quantitativa, esaeva uma
declaração. Faça também uma declaração curta, com não mais do que três
plementares. Por isso, é sugerido um projeto concomitante. A declaração quartos de uma página digitada.
de objetivo mencionou as variáveis quantitativas que foram relacionadas 3. Usando o roteiro para uma declaração de objellvo de métodos mistos,
no estudo; adiante, veremos que várias dessas variáveis foram também esaeva uma dedaraçAo de objetivo. Certifique-se de Incluir a razao para
transformadas em questões de pesquisa qualitativa. Entretamo, os auto- misturar dados quantitativos e qualitativos e de Incorporar os elementos de
res poderiam rer sido mais explícitos também na explicitação de seus pro- uma boa declaração de objetivo qualitativa e de uma boa declaração de
objetivo quantitativa.
cedimentos quantitativos e qualitativos, especificando o tipo de estratégia
de métodos mistos que utilizaram. Além disso, não houve menção de
como esse estudo auxiliaria a criar maior igualdade na Suécia. Entretamo,
na parte final do estudo publicado, os autores sugerem que os objetivos LEITURAS ADI CIONAIS
conflitantes e o comportamento e as ideias contraditórios podem todos ter
um impacto sobre a igualdade dos gêneros na Suécia, e reivindicam me- Marshall, e. Bt Rossman, G. e . (2006). Dulgnlng quaUtative ruearch (4"
didas de justiça e maior igualdade para pesquisas em larga escala. ed.). Tbousaod Oaks, CA: Sage.

l Carherine Marshall e Grerchen Rossman chamam a arenção para a principal inrenção


do estudo, o objetivo do esrudo. Essa seção fica em geral Incorporado h discussão do
160 John W. Creswen
1ópíco, e é mencionada em uma ou duas sentenças. Comunica ao lel1or que os resul.
todos da pesqui.sn de~m ser concluldos. As autOl'8$ caracterizam os objetivos como

7
explonuórios, explanatórios, descritivos e emancipatórios. TamW!n mencionam que a
declnraçã.o inclui •unidade de anllllse (p. ex., individuas, dladcs ou grupos).

Creswell, J, w., a Pla no Clark, 'll L. (2007). Deslgning and condw:ring nú.iced
meth ods reuarch. Thousand Oaks, CA: Sage.
John W. CrcsweU e Vicld L Plano Clark esaeveram U11U1 visão geral e uma introdução
à pesquisa de métodos mistos que cobre todo o processo de pesquisa, desde a redação Questões e Hipóteses de Pesquisa
de uma introdução, da coleta de dados, da an'.llse dos dados e interpretação e da
redoçilo de estudos de métodos mistos. Em seu capitulo sobre a introdução, discutem
ns declarações de objetivo qualitativa, quantirativn e de métodos mistos. Apresentam
roteiros e exemplos para quatro tipos de estudos de métodos miotos, assim como dirc-
tritts gerais para a redação dessas declarações.

Wllkins on, A. M. (]991). The ac/cntíst's handbookfor writlng papert1 and


dis1er tatlons. Bnglewood CUffs, NJ: Prentlce Hall.
Anroinenc Willdnson chama a declaração de objetivos de "objetivo imedia10" do es·
tudo de pe$Quisa. Ela afirma que o objeàvo do objetivo é responder à questão de pes.
Os invesri,gadores colocam indicações paro ccnduzir o lritor ao longo
quisa. Além disso, o objetivo do estudo precisa ser aprescnrado na introdução, embora
de wn plano paro um estudo. A prime.ira indicação é a declaração de
possa estar implidinmenie declarado como o objeto da pesquisa, do artigo ou do mé· objetivo, a qual estabelece a direção principal do escudo. Da declaração
todo. Se explicitameme declarado, o objetivo é enconrrado no final do argumento, na de objetivo gera~ ampla, o pesquisador estreita o foco para as questões
Introdução; pode também ser en<'Ontmdo próximo ao lnlcio ou no melo, dependendo especificas a serem respondidas ou para as previsões baseadas em hipó-
da estrutura da íntrodução. teses a serem tescadtu. .Este capítulo inicia cem a apresentaçáo de vdrios
principias no planejamento e de roteiros para a redaçáo de questões de
pesquisa qualitativa; as questões, os ob]eti\10$ e as /1ip6teses da pesquisa
quancitaciva; e as questões de pesquisa de métodos mistos.

QUEST ÕES DA PESQUISA QUALITATIVA

Em um esrudo qualitalivo, os investigadores apresentam as quescões


de pesquisa, não os objetivos (os objetivos específicos da pesquisa) ou as
hipóteses (as previsões que envolvem variáveis e restes estatísticos). Essas
questões de pesquisa assumem duas fonnas: uma questão central e as
subquestões associadas.
A questão central é uma questão ampla que pede uma exploração do
fenômeno óu do conceilo central em um esrudo. O investigador coloca essa
questão, consisceme com a mecodologia emergente da pesquisa qualitativa,
como uma questão geral para não limitar a investigação. ?ara chegar a ela,
pergunte, "Qual é a questão mais ampla que posso formular no estudo?" Os
pesquisadores iniciantes treinados na pesquisa quantitariva podem ter difi-
162 John W. Creswell Projeto de pesquisa 163
culdades com essa abordagem, pois estão acostumados à abordagem inversa: hospitalar. Em um escudo de caso qualitativo, as questões podem tratar de
identificar questões ou hipóteses estritas e específicas baseadas em algumas uma descrição dos casos e dos temas que emergem de seu escudo.
variáveis. Na pesquisa qualiraóva, a intenção é explorar o conjunto complexo • Comece as questões de pesquisa com as palavras o que ou como
de fatores que envolvem o fenômeno cenaal e apresentar as perspectivas ou para comunicar um projeto aberro e emergente. O uso do por que com
os significados variados dos parócipances. Seguem as diretrizes para a formu. frequência implica que o pesquisador está tentando explicar porque algo
lação de questões amplas de pesquisa qualiraóva: ocorre, e isso me sugere um tipo de pensamento de causa·e-efeito que
• Fonnule wna ou duas questõts, seguidas de não mais do que S a 7 sub- associo à pesquisa quancica1iva em vez de à postura mais abena e emer-
questões. Várias subquestões seguem cada pergunra central geral; as subper. gente da pesquisa qualitativa.
guncas estreiram o foco do escudo, mas deixam em aberto o quesóonamenco. • Concentre-se em um fenômeno ou conceito único. Como um es·
Essa abordagem está bem dentro dos limites estabelecidos por Miles e Hu- tudo vai se desenvolvendo com o tempo, vão emergir fatores que podem
berman (1994), os quais recomendaram que os pesquisadores não escreves- influenciar esse fenômeno único, mas inicie o estudo com um foco único
sem no todo mais de 12 questões de pesquisa qualitaóva (questão central a ser explorado muito detalhadamente.
e subquestões). AS subquestões, por sua vez, podem se tomar questões es- • Utilize verbos exploratórios que comuniquem a linguagem do pro-
pecíficas uólizadas durante as entrevistas (ou na observação ou quando se jeto emergente. Esses verbos vão dizer ao leitor que o escudo irá
e...:amina documentos). Ao desenvolver um protocolo ou guia de entrevista, "' Descobrir (p. ex., ceoria fundamentada)
o pesquisador pode formular no início uma pergunra para "quebrar o gelo", -1' Buscar entender (p. ex., emografia)
por exemplo, seguida de umas cinco subquestões no escudo (ver Capitulo 9). -1' Explorar um processo (p. ex., esrudo de caso)
A encrevista terminaria então com uma questão de fechamento ou resumo, "' Descrever as experiências (p. ex., fenomenologia)
como fiz em um de meus escudos de caso qualitaóvos. '\\quem eu deveria re- oi' Relatar as histórias (p. ex., pesquisa narrativa)
correr para aprender mais sobre esse tópico?" (Asmussen e Creswell, 1995).
• Rei.acione a questão cenlTOI à eslTOcégia qualitativa específica da in· • Utilize esses verbos mais exploratórios, que são não direcionais em
vestigação. Por exemplo, a especificidade das questões na emografia nesse vez de as palavras direcionais, as quais sugerem pesquisa quanótaóva, como
estágio do projeto difere daquela de outras estratégias qualitaóvas. Na pes. "afetar", "influenciar", "impactar", "determinar", "causar" e "relacionar".
quisa etnográfica, Spradley (1980) apresentou uma taxonomia de questões • Espere que as questões de pesquisa evol uam e se modifiquem du-
emográficas que incluía um mínicour do grupo que compartilha a culrura, rante o escudo, de uma maneira consistente com as suposições de um
suas experiências, o uso da llngua nativa, contrastes com outros grupos cuJ. projeto emergente. Com frequência, nos estudos qualicativos, as questões
rurais, e questões para verificar a precisão dos dados. Na etnografia crlóca, estão sob revisão e reformulação contínuas (como em um esrudo de teoria
as questões de pesquisa podem basear·se em um corpo de literarura existen· fundamentada). Essa abordagem pode ser problemática para indivíduos
te. Essas questões tomam·se mais diretrizes de trabalho do que verdades a acostumados a projetos quantitativos, em que as questões de pesquisa
serem comprovadas (Thomas, 1993, p. 35). Altemaóvamente, na fenome- permanecem fixas durante todo o escudo.
nologia, as questões podem ser amplamente apresentadas sem referência • Utilize questões abertas sem referência à literarura ou à teoria, a menos
específica à lirerarura existente ou a uma ópologia de questões. Moustal<as que indicado de outra forma por uma estratégia de investigação qualitativa.
(1994) fala a respeito de se perguntar sobre as experiências dos participan· • E.sptciftque os participantes e o local da pesquisa para o estudo, se as
res e sobre os contextos ou as siruações em que ocorreram as experiências. informações ainda não tiverem sido prestadas.
Um exemplo fenomenológico é "Como é para uma mãe viver com um filho •
Eis um roteiro para uma questão cenual qualitativa:
adolescente que está morrendo de câncer?" (Nieswiadomy, 1993, p. 151).
Na 1eoria fundamentada, as questões podem ser direcionadas para a gera· - - - - - (Como ou o que) é a ("história" da
ção de uma teoria de algum processo, como a exploração de um processo pesquisa narrativa; o "significado" do fenômeno para a fenomeno-
sobre a maneira como cuidadores e pacientes iareragem em um ambiente logia; a "teoria que explica o processo" para a teoria fundamenta·
164 John W. Creswell Projeto de pesguisa 165
da; o "padrão de companilhamento da cultura" para a emografia; a Essas três questões centrais se iniciam com a palavra como; elas in·
"questão" no "caso" para o estudo de caso) do-:----.,.-,---,.-- cluem verbos abertos, como "descrever", e se concentram em três aspectos
(fenômeno princípal) para (participantes) cm da experiência do doutorado - o retomo à escola, o reingresso e a mudan-
- - - -- - (local da pesquisa). ça. Também mencionam os participantes como mulheres em um progra-
ma de doutorado em uma universidade de pesquisa do Meio-oeste.
Seguem exemplos de questões de pesquisa quafüativa extraídas de
vários tipos de estratégias.
QUESTÕES E HIPÓTESES DA PESQUISA QUANT ITATIVA

Nos escudos quantitativos, os investigadores utilizam questões e hipó-


teses - e às vezes objetivos - da pesquisa quantitativa para moldar e focar
especificamente o objetivo do estudo. As questões da pesquisa quan-
titativa investigam as relações entre as variáveis que o investigador pro-
cura conhecer. São usadas frequentemente na pesquisa de ciências sociais
e especialmente em estudos de levantamento. As hipótes es quantitati-
vas, por outro lado, são previsões que o pesquisador faz sobre as relações
esperadas entre as variáveis. São estimativas numéricas dos valores da po-
pulação baseados em dados coletados de amostras. A testagern de hipóte·
ses emprega procedimentos estatísticos em que o investigador faz inferên-
cias sobre a população a partir dn amostra de um estudo. As hipóteses são
usadas com frequência em experimentos em que os investigadores compa-
A questão cencral de Finders (1996) se inicia com como; usa um ver- ram grupos. Os conselheiros com frequência recomendam seu uso em um
bo aberto, ler; concentra-se em um conceito único, a literatura ou as revis- projeto de pesquisa formal, como uma dissertação ou tese, como um meio
tas para adolescentes; e menciona os participantes, garotas adolescentes, de estabelecer a direção que um estudo vai tomar. Os objetivos, por sua vez,
como o grupo de compartilhamento da cultura. Observe como a autora indicam as metas ou os objetivos para um estudo. Com frequência apare·
criou uma questão única e concisa a qual precisava ser respondida no cem em propostas para financiamento, mas cendem a ser usados com me-
estudo. É uma questão ampla, estabelecida para pennitir às participantes nos frequência atualmente na pesquisa de ciências sociais e de saúde. De·
compartilharem diferentes perspectivas sobre a leitura da literatura. vido a isso, o foco aqui serão as questões e as hipóteses de pesquisa. Segue
um exemplo de um roteiro para uma questão de pesquisa quantitativa:

- - - - - ( O nome da teoria) explica a relação entre-:--.,..---


(variável independente) e (variável dependente), contro-
lando para os efeitos de (variável concrole)?

Altel'flativamente, um roceiro para uma hipótese quantitativa nula


pode ser o seguinte:

Não há diferença significativa entre (os grupos contro-


le e experimental na variável independente) sobre a(o) _ _ _ __
(variável dependente).
166 John W. Creswell Projeto de pesquisa 167

As direaizes para a redação de boas quescões e hipóteses da pesquisa estudos anteriores sobre o tópico que sugerem um resultado potencial.
quantitativa incluem o seguinte: Por exemplo, o pesquisador pode prever que "As pontuações serão mais
• O uso de variáveis nas questões ou hipóteses de pesquisa é tipicamente elevadas para o Grupo A do que para o Grupo B" na variável dependente,
limitado a IJ'ês abordagens básicas. O pesquisador pode comparar grupos em ou que "O Grupo A vai mudar mais do que o Grupo B" no resultado. Es·
uma variável independente para ver seu impacro em uma variável dependen. ses exemplos ilusi:ram uma hipótese direcional, pois é feita uma previsão
ce. Como alternativa, o investigador pode relacionar uma ou mais variáveis esperada (p. ex., uma mudança maior, mais mudança). O exemplo que
dependentes. Em terceiro lugai; o pesquisador pode desaever as resposw às segue ilustra uma hipótese direcional.
variáveis independentes, mediadoras ou dependentes. A maioria das pesqui-
sas quantitativas cai em uma ou mais dessas a'ês categorias.
• A forma mais rigorosa da pesquisa quantitativa segue um teste de
uma ceoria (ver Capítulo 3) e a especificação das questões ou das hipóce·
ses de pesquisa que estão incluídas na teoria.
• As variáveis independentes e dependentes devem ser medidas se-
paradamente. Esse procedimento reforça a lógica de causa e efeito da
pesquisa quantitativa.
• Para eliminar a redundância, escreva apenas as questões ou hipóte.
ses de pesquisa, não ambas, a menos que as hipóteses ampliem as questões
de pesquisa (segue discussão). Escolha a forma tendo por base a i:radição,
as recomendaçõe.s de um orientador ou de um comitê de docentes, ou se
as pesquisas anteriores indicam uma previsão sobre os resultados.
• Se forem usadas hipóteses, há duas formas: nula e alternativa. Uma
hipótese nula representa a abordagem rradicional: faz uma previsão que,
na população geral, não há relação ou diferença significante emre os grupos
em uma variável. A maneira de expressar isso é, "Não há diferença (ou rela·
ção)" ent:re 05 grupos. O exemplo que segue ilustra uma hipótese nula.

• Outro tipo de hipótese alternativa é a n ã o direcional - uma pre·


visão é feita, mas a forma exata das diferenças (p. ex., mais alta, mais
baixa, mais, menos) não é especificada, pois o pesquisador não sabe o
• A segunda forma, popular nos artlgos de periódicos, é a hipótese que pode ser previsto a partir da literatura anterior. Assim, o investiga-
alternativa ou hipótese direcional. O investigador faz. uma previsão dor pode escrever, "Há uma diferença" entre os dois grupos. Segue-se um
sobre o resultado esperado. baseando essa previsão na literatura e nos exemplo que incorpora os dois tipos de hipóLeses.
168 John W. Creswell Projelo de pesquisa 169

Um modelo para questões e hipóteses descritivas


Exemplo 7.5 Hipóteses n4o dlteclollals e direcionais
As vez.as as hipóteses direcional• alo criadas para examlnat: a ~ Considere um modelo para questões ou hipóteses escritas baseadas em
variévels, am vez de oomparar grupos. Por exemplo, -Moore (2000) eatud questões descritivas escritas (descrevendo algo) seguidas de questões ou hi·
slgntncado da ldéntidade de gênero para mulheras Judias e Arabea relJgloÕ a
póteses inferenciais (extraindo Inferências de uma amostra para uma popu-
seculares na sociedade israelense. Em uma amoslra de prol>abllldade n•cionál
de mulheres judias e árabes, o autor Identificou três hip6tese8 para estu(lo. A lação). F.ssas questões ou hipóteses incluem tanto variáveis independentes
primeira é nao direcional e as duas Ulllmas são direcionais. quanto dependentes. Nesse modelo, o amor especifica questões descritivas
H1 • A Identidade de 1}4nero de mulh6f8s árabes e judias, religlosaa e ..,_ para cada variável independente e dependente, e para importantes variá·
cu/ares. está ratacionada a d1fef811tes onlens sod&s sociopo/lliea& que veis intervenientes ou moderadoras. As questões (ou hipóteses) inferenciais
refletem os diferentes sistemas de valores que elas adotam. as quais relacionam variáveis ou comparam grupos seguem essas questões
H2: As mulheres religiosas com Identidade de~ acentuada sáo manos descriàvas. Um conjunto final de questões pode acrescentar questões ou
soclopoliliellmente aUvas do que es muni.tas sacu/ares com Identidades de hipóteses inferenciais em que as variáveis são coniroladas.
g6noro acentuadas.
H3: As relaçCOs entre a /denlidsde do g6116f'O, e 191/g/os/dlJde e as llÇÕBS scclals
sló mais fracas entro as mulheres árabes do que entre as mulhellls JUd//Js.

• A menos que o escudo empregue intencionalmente variáveis demo-


gráficas como preditores, use variáveis não demográficas (i. e., atirudes
ou comportamentos) como variáveis independentes e dependentes. Como
os estudos quanàtativos tentam verificar teorias, as variáveis demográ-
ficas (p. ex., idade, nível de renda, nível educacional, etc.) tipicamente
entram nesses modelos como variáveis intervenientes (ou mediadoras ou
moderadoras), e não como importantes variáveis independentes.
• Use o mesmo padrão de ordem de palavras nas questões ou hipó.
teses para permitir ao leitor identificar facilmente as principais variáveis.
Isso exige repeàção de frases-chave e posicionamento das variáveis come-
çando com a independente e concluindo com a dependente, na ordem da
esquerda para a direita (como foi discutido no Capítulo 6, sobre as boas
declarações de objetivo). Segue-se um exemplo de ordem de palavras com
as variáveis independentes apresentadas no começo da frase.

Exemplo 7.6 Uso padrtJo da linguagem em hlpó(•se•


1. Nllohé relação entre a utilização de HtVlçoede apoioawciliareH pertl116n
acadêmica para mulheras uni\lertltilrias de idade não tradicional.
2. Não hé relação entre os sistemas de apolo famlllar a a ~lsttnc:ia
démoca para mulheres umversltilnas de Idade não tradlcionll.
3. Não hé relação entre os StfVlÇOI de apolo awór1818S e os sislema da
familiar para rrulheres unlversUltas de Idade l)IÔ &ài!ICloMI. . ··
170 John W. Creswell Projeto de pesquísa 171
Esse exemplo ilustra como organizar codas as quescões de pesquisa • Ao escrever essas questões ou hipóceses, siga as diretrizes deste
em questões descritivas e inferenciais. Em omro exemplo, um pesquisador capítulo para formular boas questões ou hipóteses.
pode querer comparar grupos, e a linguagem pode mudar para refletir • Deve-se prescar atenção à ordem das questões e hipóteses de pes·
essa comparação nas questões inferenciais. Em oucros estudos, muico mais quisa. Em um projeto de duas fases, as questões da primeira fase devem
variáveis independences e dependentes podem estar presentes no modelo vir primeiro, seguidas das questões da segunda fase, para que os le.itores
que esrá sendo tescado, o que resulcaria em uma lisca mais longa de quescões as vejam na ordem em que serão tratadas no estudo proposco. Em uma
descritivas e inferenciais. Recomendo esse modelo descritivo-inferencial. estratégia de investigação de fase única, as questões devem ser ordenadas
Esse exemplo cambém ilustra a utilização das variáveis para descre- conforme o método que recebe mais peso no planejamento.
ver e cambém para relacionar. Especifica as variáveis independentes na • Inclua uma ques tão de pesquisa de métodos mistos que tra·
primeira posição nas questões, as dependentes na segunda e as controles te diretamente da mistura das tendências quantitativas e qualicativas da
na tercelra posição. Emprega a demografia mais como variáveis concro. pesquisa. Essa é a questão que será respondida no escudo tendo por base
les do que centrais nas questões, e o leitor precisa supor que as questões essa mistura (ver Creswell e Plano Clark, 2007). Essa é uma nova forma de
fluem a partir de um modelo ceórico. questão nos métodos de pesquisa, e Thshakkori e CresweU (2007, p. 208) a
denominam de questão "híbrida" ou "integrada". Tui questão pode ser escri·
ta no inicio ou quando emergir; por exemplo, em um escudo de duas fases
QUESTÕES E HIPÓTESES DA
em que uma amplia a outra, as questões de métodos mistos podem ser co-
PESQUISA DE MÉTODOS MISTOS
locadas em uma discussão entre as duas fases. Isso pode assumir uma de
Nas discussões sobre métodos, os pesquisadores normalmente não se duas formas. A primeira é redigi-la de uma maneira que comunique os mé·
deparam com as questões ou hipóteses específicas, talhadas especialmen- todos ou procedimentos utilizados em um estudo (p. ex., Os dados qualitati-
te para a pesquisa de métodos mistos. Entretanto, a discussão se iniciou vos ajudam a explicar os resulcados da fase quanticativa inicial do estudo?
com respeito ao uso das questões de métodos mistos nos estudos e tam- Ver Creswell e Plano Oa.tk, 2007). A segunda forma é escrevê-la de uma
bém a como planejá-las (ver Creswell e Plano Clark, 2007; Tashakkori e maneira que comunique o conceúdo do escudo (p. ex., O tema do apoio so-
Creswell, 2007). Um estudo sólido de métodos mistos começaria com cial ajuda a explicar por que alguns alunos adoram um comportamento
uma questão de pesquisa de métodos mistos para moldar os métodos e o ameaçador nas escolas? Ver Tashakkori e Creswell, 2007)
planejamento geral do estudo. Como um estudo de métodos mistos não se • Considere várias maneiras diferenres em que todos os tipos de
baseia apenas na pesquisa quantitativa ou qualicativa, alguma combina- questões de pesquisa (quantitativas, qualitativas e mistas) podem seres-
ção das duas proporciona as melhores informações para as questões e as critos em um estudo de métodos mistos:
hipóteses de pesquisa. Devem ser considerados quais os tipos de questões "' Escreva as questões ou hipóteses quantitativas e as questões qua-
a serem apresentadas, e quando e quais ínformações são mais necessárias litativas em separado. Elas podem ser escritas no inicio de um es·
para comunicar a natureza do escudo: tudo ou quando aparecem no projeto, se o estudo se desdobra em
• Tanto as questões (ou hipóteses) da pesquisa qualitativa quanto estágios ou fases. Com essa abordagem, a ênfase é colocada nas
aquelas da pesquisa quantitativa precisam ser apresentadas em um estu· duas abordagens, e não no componente de métodos mistos ou no
do de mécodos miscos para estreitar e concentrar o foco da declaração de componente integrativo do estudo.
objetivo. Tuis questões ou hipóteses podem ser apresencadas no início ou "' Es1:reva as questões ou hipóteses quantitativas e as questões quali-
quando surgirem, durante uma fase poscerior da pesquisa. Por exemplo, tativas separadamente, e acompanhe-as com uma questão de mé·
se o estudo começa com uma fase quantitativa, o investigador pode in· todos mistos. Isso destaca a importância das duas fases do escudo,
troduzir hipóteses. Mais adiante no estudo, quando a fase qualitativa é qualitativa e quantitativa, assim como sua força combinada, e por
abordada, aparecem as questões da pesquisa qualitativa. isso é, provavelmente, n abordagem ideal.
172 John W. CresweU Projelo de pesquisa 173

oi' Escreva apenas uma questão de mécodos mistos que rellica os proc:e-
diment~ ou o conteúdo (ou escreva a questão de métodos mistos em dffempen/lo8111 cilncJas da---~~
ClOln ~a este /lfOCN»de ~'l
uma abordagem canco de procedimenco quanto de conceúdo), e não
inclua questões quanticativas e qualicaávas separadamence. Esta abor-
dagem vai melhorar a concepção de que o escudo pretende conduzir a
alguma integração ou conexão entre as fases quanticativa e qualitativa
do estudo (i. e., a soma das duas panes é maior do que cada pan e).

Exemplo 7.8 H/pó(e8'Js e q1111stões de


posqUlsa em um~ de m61cK/os m/a/0$
HOUIJ(1995) apretenta um axemP!c!de"l!'~JIClod•dll!la fatal com hlpólases
a questões da paequisa quanlitàtiYà*'.iiÍJalilalivd à parte, ~ em
989Õ!I• que Introduzem cada ~ Efa.%0 idllliau uma:~ di 'pliequisa
da mélodol millo* Wpa~~ eitlldo rn\.etllg!iu., clfenlnças
entre as estialtgles do~~ {nlo ~) e dq Inicio do
ensino médio (lnldldonais)'P8'8'àlíliio8:.'d8 7" 6'81 .._ e 11181 •llbidee com
~às cl6nclas e a seudeseiÍlpi1fi~em~ Seú~:fol C:Qndlaldo
em um momet\IO em que muitas 9séiolás ~)111~ CIO Conóeilo de
dois anos Junioles do ensino médici P.ãffl ll 8IJolda!leln edlil:lic:lonal da três
anos de ensino fundamental (lnduindó a 6" 8'rle). Nesse eatudo de duas fa-
sas, a prinielra tue en\'tJIVéu avaliar as atitudes e o desempeílllo ~ e
põs-. . . utillmndo esc:ald a P.Ofl~ no~. Houtz •COlllPlllhOU enllo
os resultado& quanli1ativos c:om entnivistas qualltatlvas com os p~s de
ciênclae, o diretor da escola e os ollan!lldores. A segunda fase ajudou a explicar
as diferenças a as semelhanças entré as duas abordagens de ensino obUdas
na primeira fasa.
Com um esludo quanlifaUvo dtt plt'!\eJre fase, Hou~ (1995, p. 630) mencionou
as hipóteses que guiaram sua pescjulsa:

Esse é um bom exemplo de uma questáo de métodos miscos concen-


crada na incenção de mix~ para incegrar as encreviscas qualicativas e os
dados quantitativos, a relação entre as notas e o desempenho dos alunos.
Essa quescão enfatizou o que a integração estava tentando realizar - um
emendimenco abrangence e sutil - e, no final do anigo, os aucores apre-
sentaram evidências respondendo a ela.

• N. de R. ·r: CEEPT sigla cm inglês paro um teste realiMdo em ambiente ínfonnati.za·


do para alunos cujo lngl~ é a seguada lfngua.
Projeto de pesquisa 17S
174 Jolln W. CresweH

RESUMO
Exercic/os de Redaçlo
As quesrões e as hipóreses de pesquisa restringem a declaração de 1. Para um estudo qualitatiYo, redigir uma ou duas questões centrais seguidas
objetivo e se tomam indicações importantes para os leitores. Os pesqui- de 5 a 7 subquestões.
sadores qualicacivos formulam pelo menos uma questão cencral e várias 2. Para um estudo quantitatiYo, elabore dois oonjuntos de questões. O p<imeiro
conjunto deve ser de questões descritivas sobra as variáveis Independentes
subquestões. Eles iniciam as questões com as palavras como ou o que, e
e dependentes do estudo. O segundo conjunto coloca questões que rela-
utilizam verbos exploratórios, tais como explorar ou descrever. Formu- clonam (ou comparam) a variável (ou variáveis) Independente com a variável
lam questões amplas e gerais para permitir aos participantes explicar (ou variáveis) dependente. Isso segue o modlllo apresentado neste capitulo
suas ideias. Também se concentram inicialmente em um fenômeno de para combinar questões descritivas e lnferenclals.
interesse central. As questões podem também mencionar os participan- 3. Para métodos mistos. elabore uma questllo de pesquisa. Redija uma ques-
tllo de pesquisa de métodos mistos. Redija-a primeiro como uma questão
tes e o local da pesquisa. Incorporando os procedimentos de seu estudo de métodos mistos e depois
Os pesquisadores quantitativos escrevem questões ou hipóteses de a reescreva para Incorporar o conteúdo. Comente qual abordagem runciona
pesquisa. As duas formas incluem variáveis que são descritas, relaciona- melhor para você.
das e caregorizadas em grupos para comparação, e as variáveis indepen-
dentes e dependentes são medidas separadamente. Em muitas propostas
quantitativas, os autores usam questões de pesquisa; no entanto, urna
declaração de pesquisa mais formal emprega hipóteses. Essas hipóteses LEITURAS ADICIONAIS
são previsões sobre as conclusões dos resultados e podem ser redigidas
Creswell, J, W. (1999). Mlxed-medtod research: lntroductlon and ap.
como hipóteses alternativas especificando os resultados exatos a serem pUcatlon. l!m G. J. Cizek (Ecl.), Handbool< of educatlonal policy (p. 455-
esperados (mais ou menos, mais elevados ou mais baixos que al.guma 472) . San Diego: Acaclemlc Press
coisa). Também podem ser declarados na forma nula, indicando que não Nesse capítulo, discuto os nove passos na conduçlio de um estudo de métodos mistos.
se espera diferença ou que não há relação entre os grupos em uma variá· Eles sllo os seguintes:
vel dependente. Geralmente, o pesquisador escreve a variável (ou variá- 1. De1ermlnnr se um estudo de métodos mistos é neccsstlrfo para esmdar o problema.
veis) independente primeiro, seguida da variável (ou variáveis) depen- 2. Considerar se um estudo de métodos mistos é factlvet.
dente. Um modelo para ordenar as questões em uma proposta quantitati- 3. llJcrevcr qutstões de pesquisa tanto qualitativas quanto qunncimdvas.
4. Examinar e decidir sobre os tipos de colem de dados.
va é começar com questões descritivas seguidas de questões inferenciais S. Avaliar o l>C$O relativo e a estn1tégia de tmplcmenroção pa.ra cada método.
que relacionem variáveis ou comparem grupos. 6. Apresenrar um modelo visual
Eu encorajo os pesquisadores de métodos mistos a construir questões 1. Determinar como os dados serão analisados.
de métodos mistos separadamente em seus esrudos. Essas questões po- 8. Avaliar os critérios para avaliar o estudo.
dem ser escritas para enfatizar os procedimentos ou o conteúdo do estu- 9. Desenvolver um plano para o estudo.
do, e podem ser colocadas em diferences momentos. Ao escrever essas Ao redigir as quescõcs de pesquisa, recomendo desenvolver tipos lllllto qualitativos
questões, o pesquisador comunica a importância de integrar ou combinar quanto quantimivos e declarar dentro delts o tipo de estratégia quali111tiva de inves·
os elementos quantitativos e qualitativos. Existem vários métodos para dgação que está sendo usada.
redigir as quesiões de métodos mistos nos escudos: escrever apenas as
Tashakkorl, A. a Creswell, J. W. (2007). &xplorlng th e nature of resear<:h
questões ou hipóteses quantitativas e as questões qualitativas, ou escrever qucstlon ln mlxed methods research. BdLtorlal. Journal of Mixed MetlwdJ;
tanto as questões ou hipóteses quantitativas quanto as questões qualitati- Rucarch, 1(3), p. 207-211.
vas seguidas por uma questão de métodos mistos, ou escrever apenas uma Esse editorial trata do uso e da natureZa das questões de pesquisn nn pesquisa de métodos
questão de métodos mistos. mistos. Dcsmca n importãncin das questões de pesquisa no processo da pesquisa e discute
o ll<!Ccssldade de um melhor entendimento do uso das qu~tões de m~todos mistos. Ele
176 John W. Creswell

pcrgunia, "Como R estrucwa uma qllCSlão de pesquisa cm um csrudo de métodos mis-


1os?" (p. 207). São apr-..iados afs modelos: redigir questões quantitativas e qualitati"as

8
separndamenie. redigir uma questão de métodos mistos abrangente, ou redigir questôes
de pesquisa paro cada ~ de um csrudo à medida que a pesquisa R d<Rn~.

Morse, J. M. (1994). Deslgnlng funded qualltatlve reseAl'Cb. Bm N. K. Den-


zln & Y. s. Uncoln (Eds.), Handbook o/ qualitatlve raearc:h (p. 220-235).
Thousand Oitks, CA: Sage.
Janice Morse, pesquisadora de enfermagem, identifica e descreve as principais ques- Métodos Quantitativos
tões envolvidos no planejruncmo de um projeto qualitativo. Elo compara várias estra-
tégias de investigação e mapeia o lipo de questões de pesquisa u1illzadas em cada es-
tratégin. Paro a fenomenologia e a emografia, a pesquisn exige ques1ões de significado
e questões descritivas. Paro a teoria fundamentada, as qucSLões precisam lidar com
o processo, enquanto que, na emometodologia e na análise do discurso, as questões
estão relacionndas à inlernçào verbal e ao diálogo. Ela indica que o 1eor da questão de
pesquisa determina o foco e o escopo do estudo.

Tuckman, B. W. (1999). Conducting educational researdt (Sth ed.). Fort A1ra muitos daqueles que ndigem propostas, a seção do método é a
Worth, TX: Hareourt Brace. parte mais concreta e específica ck uma proposta. Es1e cap(tulo apresenta
Bruce Tuclanan apreRnta um capítulo inteiro sobre a construção de hipóteses. Ele os passes ess<nciais no planejamento de métodos quantitativos para
identifica a origem das hipóleses nas posições teóricas dedutivas e nas observações uma proposta ou estudo de pesquisa, com um foco específico no levan-
indulivas. lllmbém define e ilustra as hipóteses alternativas e as hipóteses nulas, e tamento e em projetos experimentais. Esses projetos refletem suposições
conduz o leitor pelo procedimento de testagem das hipó1eses. filos6ficas p6s-positivistas, como discutiu-se no Cap(culo 1. Por exemplo,
o determinismo sugere que o exame das relações entre as variciveis é
fundamental para responder às questões e hip6teses por meio de levan-
tamentos e experimentos. A redução a um conjunto parcimonioso de
variciveis, rígidamente controladas pelo planejamento ou pela análise
estatística, proporciona me.didas ou observações para a testQ8em de
uma teoria. Dados objetivos resultam de observações e de medidas emp(-
ricas. A validade e a confiabüidade das pontuações nos instrumentos
conduzem a interprttações significativas dos dados.
Relacionando essas suposições e os procedimentos que as implementam,
essa disawão não aborda exnu.stivamente os milodos de pesquisa quan-
titatil!OS. Textos excelentes e detalhados proporcionam informações sobre
a pesquisa de levantamento (p. ex, 11er Babbie, 1990, 2007; Fink, 2002;
Salan1 e Dillman, 1994). Alra procedimentos experimentais, alguns li-
vros tradicionais (p. ex., Campbell e Stanley, 1963; Cook e Campbell,
1919), assim como alguns textos mais recentes, ampliam as ideias aqui
apresen1adas (p. ex., Bausel~ 1994; Boruclt, 1998; Field e Hole, 2003;
Keppe~ 1991; Lipsey, 1990; Reicltardt e Mark, 1998). Neste capftulo, o
foco são os componentes essenciais de uma seção de método nas propos1as
para um levantamento e um experimento.
178 John W. Creswell Projeto de pesquisa 179
DEFININDO LEVANTAMENTOS E EXPERIMENTOS • Indique por que um levantamento é o tipo preferido de proce-
dimento de coleta de dados para o estudo. Nessa justificativa, considere as
Um projeto de levantamento apresenta uma descrição quamira- vantagens dos projetos de levantamento, como a parcimônia do projeto e o
tiva ou numérica de tendências, atirudes ou opiniões de uma população, es- processo rápido na coleta dos dados. Discuta a vantagem da identificação
cudando-se uma amosrra dessa população. A partir dos resulcados da amos. dos aoibucos de uma população grande a partir de um grupo pequeno de
era, o pesquisador generaliza ou faz afirmações sobre a população. Em um indivíduos (Babbie, 1990; Fowler; 2002).
e.xperimenro, os investigadores cambém podem identificar uma amoscra e
generalizar para uma população; no entanto, a intenção básica de um pro- Quadro 8.1 Uma lista de questões para o planejamento de um método dele-
jeto experimental é testar o impacto de um tratamento (ou de urna in- vanrnmento
teivenção) sobre um resultado, controlando todos os oucros fatores que pos-
sam influenciar esse resultado. Como forma de controle, os pesquisadores
indicam aleatoriamente os indivíduos para os grupos. Quando um grupo
O ~Ivo 6 ..-
Sto mordonadas .. razões PI<" 1 -·do
oomo p<Oje<o do 1r.>on11,,,.noo?

Ett.to mendonedas a 6rea e seu tamanho?


Pf'llolO?

recebe um cracamenro e o outro grupo não o recebe, o experimentador pode Apopdaçtt sera es:1ra~? Se'°'· como..,..,
isolar se é o traramenro - e não ouD'OS fatores - que influencia o resultado. 0.-US pes.soas larlo pene dll .,,..,...., Em que MM..,. ~ b MCOl'lêdo?
Qulll: wt o pcx::d1.et*> para 8 ~ dluM ~ (p.- ft ...orso. Mo
-)?
Oi...-~ tett Uliarado no lih••11191110? Oulm d111mc1YM.1 o~?
COMPONENTES DE UH PLANO O.... No M 6reas de conlilUdO 1ib01 SGOtt no _.......,._ito? E as esc:Mu?
DE MÉTODO DE LEVANTAMENTO Õl.llf poocedi1•4'1*> tefâ usado peta o .... ploto ou ... o,. . dl campo do
lov-?
Oulll • . lnha de~ utllz8dl pare ~o '9vanl.wntnl0?
O planejamento de uma seção de método de levantamento segue Ouail do as varitveis ~no ..tudo?
um formato padrão. Muitos exemplos desse formato aparecem em pu- Como assas variâvels se auz.am oom as quneõet • OI..,. de pttqUIN no~?
blicações acadêmicas, e proporcionam modelos úteis. As seções que se-
guem detalham componentes típicos. Ao preparar o planejamento desses
componentes em uma proposca, considere como gu ia geral as questões
(•) __
(b) _ _
Quais pasSOI especlfiic:os Mrto tomadõt na an.,IH doa d3do1 para
analisai os relomos?
vorlflC81 O& vleses das respos&M?
(e) _ _ conduzir uma enâlise descritiva?
apresentadas na lista apresentada no Quadro 8.1. (d) _ _ fragmentar oa ilens em Mealls?
<•>- -
(!) _ _
wri'Q1r a confiabilidede das escalas?
_.,_,es1atlsticas infe<endeàpora.._- •-IOndo _..?
O pro jeto de levantamento eomo .. . - -..... ...,.._1

Em uma proposta ou plano, uma das primeiras panes da seção do método • Indique se o levantamento será de corte transversal, com os dados
pode incroduzir os leitores ao objetivo e à justificativa básicos para a pesquisa de coletados em um momento do tempo, ou será longirudinal, com os dados
levancamenro. Inicie a discussão examinando o propósito de um levanramento coletados no decorrer do tempo.
e a justificativa para sua seleção para o esrudo proposto. êssa discussão ~e: • Especifique a forma de coleta dos dados. Fink (2002) identifica
• Identificar o propósito da pesquisa de levantamento. Esse obJeavo quatro tipos: questionários autoadministrados; emrevisras; revisões de
é generalizar a partir de uma amostra para uma população, para que pos- registTos esmnurados para coletar informações financeiras, médicas ou
sam ser feitas inferências sobre algumas características, atitudes ou com· escolares; e obseivações estruturadas. A coleta de dados pode também
portamenros dessa população (Babbie, 1990). Proporcione uma referência envolver a criação de um levantamento baseado na web ou na internet e
para esse objetivo a partir de um dos textos de método de pesquisa (vários administrado on-line (Nesbary, 2000; Sue e Ritter; 2007). Independen-
estão identificados neste capítulo). temente da forma de coleta dos dados. aoresente uma iustificativa oara o
180 John W. Oreswetl ProJeto de pesquisa 181

procedímento, usando argumen1os baseados em seus pontos fones e fra- divfduos com determinadas características (Fowlei; 2002). Quando se sele-
cos, custos, disponibilidade dos dados e conveniência. ciona aleatoriamente as pessoas de uma população, essas características po-
dem ou não estar presentes na amostra nas mesmas propof\'ÕeS que na po-
pulação; a estratificação garante sua representação. Também identifica as
A população e a amostra caraccerísticas usadas na estratificação da população (p. ex., gênero, nJveis de
renda, educação). Em cada camada, identificar se a amostra contém indivíduos
Especifique as características da população e os procedimentos da
com a caraccerística na mesma proporção em que a carncrer!stica aparece na
amostragem. Os mecodologisras têm escrito excelentes discussões sobre
população em geral (Babbie, 1990; Millei; 1991).
a lógica básica da 1eoria da amostragem (p. ex., Babbie, 1990, 2007).
• Discutir os procedimentos para a seleção da amostra a panir das
Seguem aspectos essenciais da população e da amostra a serem descritos
listas disponíveis. O método mais rigoroso para a seleção da amostra
em um plano de pesquisa:
é escolher os indivíduos usando uma tabela de números aleatórios, ta-
• Identificar a população do estudo. Também declarar o tamanho
bela essa disponlvel em muitos textos introdutórios de estatística (p. ex.,
dessa população, se este puder ser detenninado, e os meios para iden-
Gravetter e Wallnau, 2000).
tificar os indivíduos na população. Aqui surgem questões de acesso, e
• Indicar o núme.ro de pessoas na amostra e os procedimentos usados
o pesquisador pode se referir à disponibilidade das-estruturas de amos-
para computar esse número. Na pesquisa de levantamento, recomendo o
tragem -Hs1as de correio ou listas publicadas de respondentes potenciais
uso de uma fórmula de 1amanho de amostra disponlvel em muitos textos
na população.
de levantamento (p. ex., ver Babbie, 1990; Fowlei; 2002).
• Identificar se o proje10 da amoStiagem para essa população é de fase
única ou mullifásico (chamado clustcring). A amostragem por cluster· é ideal
quando é ímpossível ou pouco prático compilar uma lista dos elementos que Instrumentação
compõem a população (Babbie, 2007). Um procedímen10 de amostragem
de fase única é aquele em que o pesquisador tem acesso aos nomes na po- Como pane de uma coleta de dados rigorosa, o autor da proposta
pulação e pode amostrar as pessoas (ou outras elementos) diretamente. também apresenta infonnações detalhadas sobre o instrumento real de
Em um procedimento multifásico ou de clu1tering, o pesquisador primeiro levantamento a ser usado no estudo proposto. Considere o seguime:
identifica os clusters (grupos ou organizações), obtém os nomes dos indi- • Nomeie o instrumento de levantamento usado para coletar os
víduos penencentes a eles e depois as amostras dentro deles. dados. Discuta se é um insm1mento designado para essa pesquisa, um
• Identificar o processo de seleção dos indivíduos. Recomendo sele- instrumento modificado ou um instrumento in1ac10, desenvolvido por
cionar uma amoStra aleat6ria, em que cada indivíduo na população tenha outra pessoa. caso se trate de um instrumento modificado, indique se
uma probabilidade igual de ser selecionado (uma amostragem sistemática o autor concedeu a permissão apropriada para seu uso. Em alguns pro-
ou probabil1srica). Menos desejável é uma amostra de não probabilidade jetos de levantamento, o pesquisador compõe um instrumento a partir
(ou amostra de conveniência), em que os responden1es são escolhidos de componentes de vários instrumentos. Mais uma vez, precisa-se obter
baseados em sua conveniência e disponibilidade (Babbie, 1990). Com a a permissão para o uso de qualquer pane de outros instrumentos. Além
randomização, uma amostra representativa de uma população proporciona disso, cada vez mais est.ã o sendo designados instrumentos para levan·
a capacidade para generalizar para uma população. tamentos on-line (ver Sue e Riner, 2007). Uma ferramenta de levan-
• Identificar se o estudo vai envolver estratificação da população ames tamento on-line é o SurveyMonkey (SurveyMonkey.com), um produio
da seleção da amosrra. Estrarificação significa que as características espeáficas comerciâl disponível desde 1999. Utilizando esse serviço, os pesquisado·
dos indivíduos (p. ex., tanto mulheres quanto homens) estão represenmdas rcs podem criar rapidamente seus próprios levantamentos utilizando ga-
nas amosrras e que a amostra reflete a real proporção na população de in- baritos personalizados e colocando-os em sites da web, ou os enviando
por e-mail aos participantes para que os completem. O SurveyMonkey
• N. de R.T. Cluscer, termo em inglês que significn conglomerado. pode então gerar resultados e remetê-los de volla ao pesquisador como
182 John W. Creswell Projeto de pesquisa 183

estaásticas descritivas ou informações em gráficos. Os resultados podem • Indique as principais seções de conteúdo do instrumento, como a
ser baixados em uma planilha eletrônica ou em um banco de dados para carta de apresentação (Dillman, 1978, proporciona uma lista útil de itens
análise posterior. O programa básico é gratuito para 100 respostas por a serem incluídos nas canas de apresentação), os itens (p. ex., itens de-
levamamento e não mais de 10 questões por levantamento. Para respos. mográficos, itens atitudinais, irens componamentais, irens factuais) e as
tas adicionais, mais questões e várias características personalizadas, o instruções de fechamento. Também mencione o tipo de escalas usadas pa-
SurveyMonkey cobra uma taxa mensal ou anual. ra medir os irens no instrumento, tais como escalas contínuas (p. ex., con-
• Para usar um instrumento já existente, descreva a validade e a corda fortemente a discorda fortemente) e escalas categóricas (p. ex., sim/
confaabilidade das pontuações obtidas pelo uso passado do instrumento. não, classificação da maior para a menor importância).
Isso significa os esforços relatados pelos autores para estabelecer a vali- • Discuta os planos para o teste piloto ou teste de campo do levanta·
dade - se a pessoa pode extrair inferências significativas e úteis das menro e apresente uma justificativa para esses planos. Essa tesragem é
pontuações obtidas pelos instrumentos. As três formas tradicionais de imponante para estabelecer a validade de conteúdo de um instrumento
validade a serem buscadas são a validade do conteúdo (Os itens medem e para melhorar as questões, o formato e as escalas. Indique o número
o conteúdo que foram destinados a medir?), a validade preditiva ou con- de pessoas que testarão o instrumento e os planos para incorporar seus
comitante (As pontuações preveem uma medida de critério? Os resultados comentários nas revisões finais do instrumento.
se correlacionam com outros resultados?) e a validade de construcro (Os • Para uma pesquisa realizada pelo correio, identifique os passos para
itens medem constructos ou conceitos hipotéticos?). Em estudos mais administrar o levantamento e para realizar seu acompanhamento para ga·
recentes, a validade do constructo também tem incluído se as pontuações rantir um alto índice de resposta. Salant e Dillman (1994) sugerem um pro-
servem a um propósito útil e têm consequências positivas quando são cesso de administração de quatro fases. A primeira correspondência é uma
usadas na prática (Humbley e Zumbo, 1996). Estabelecer a validade das carta de apresentação e informações enviada a todos os membros da amostra,
pontuações em um levantamento ajuda a identificar se um instrumemo e a segunda correspondência é a pesquisa real, distribu!da cerca de uma se·
pode ser bom para ser utilizado na pesquisa de levantamento. Essa forma mana depois da carta de apresencação e informações. A terceira correspon·
de validade é diferente de identificar as ameaças à validade na pesquisa dência consiste em um canão de acompanhamento enviado a rodos os mem·
experimental, como será discutido mais adiante neste capítulo. bros da amostra quatro a oito dias depois do questionário inicial. A quarta
correspondência, enviada a todos os não respondentes, consiste de uma carta
Também discuta se os resultados resultames do uso passado do ins· de apresentação e informações com uma assinatura à mão, o questionário e
crumento demonstram conflabilidade. Veja se outros aucores relatam um envelope subscrito e selado para o retomo. Os pesquisadores enviam essa
medidas de consistência interna (As respostas dos irens são consistences por quarta correspondência crês semanas após a segunda. Assim, no total, con·
meio dos constructos?) e de correlações teste-reteste (As pontuações são tanto que os retornos satisfaçam os objetivos do projeto, o pesquisador conclui
estáveis no decorrer do tempo quando o instrumento é administrado uma o período de administração quatro semanas depois de seu inkio.
segunda vez?). Também determine se houve consistência na administra·
ção e na pontuação do teste (Os erros foram causados por negligência na
administração ou na pontuação?; Borg, Gall e Gall, 1993). Variáveis no estudo
• Quando se modifica um instrumenro ou se combina instrumentos em
um estudo, a validade e a confiabilidade originais podem não corroborar Embora os leirores de uma proposta sejam informados sobre as variáveis
o novo instrumento, e roma-se importante restabelecer a validade e a nas declarações de propósito e nas seções de questões/hipóteses de pesquisa,
confiabilidade durante a análise dos dados. convém, na seção do método, relacionar as variáveis às questões ou hipóteses
• Inclua itens da amostra do instrumento para que os leitores possam específicas no instrumento. Uma técnlca é relacionar as variáveis, as questões
ver os itens reais utilizados. Em um apêndice à proposta, anexe itens da ou hipóteses de pesquisa e os itens no instrumento do levantamento, para
amostra ou todo o instrumento. que o leltor possa facilmente determinar como o pesquisador utilizará os itens
184 John W. Creswell Projeto de pesquisa 185

do questionário. Planeje incluir uma tabela e uma discussão que faça uma Baseado na supÔsição de que aqueles que retomam os levantamentos nas
referência cruzada às variáveis, às questões ou hipóteses e a itens específicos semanas finais do perlodo de resposta são quase todos não respondentes, se
do levantamemo. Esse procedimento é especialmente útil nas dissertações em as respostas começam a mudai; existe um potencial para um viés de resposta.
que os investigadores testam modelos de larga escala. O Quadro 8.2 iluscra Uma verificação alternativa para o viés de resposta é entrar em contato por
uma tabela desse tipo usando dados hípotéticos. telefone com alguns não respondentes e determinar se suas respostas dife-
rem substancialmente daquelas dos respondentes. Isso constitui urna verifi.
cação respondente/não respondente para o viés de resposta.

-
Quadro 8 .2 Variáveis, questões de pesquisa e itens em um Jcvontnmento
1 ~om• da vari•v•I
~- .. v.- .. ~ 11. 12. 13, 14•
Passo 3. Discuta um plano para apresentar uma análise descritiva
dos dados para todas as variáveis independentes e dependentes do estudo.
•?d'•;c 1 .,.,.. 1
.,. '*"l"'"t
·-poc>.afu----
OuosUotauo.-p......, IS espl ' ;' ~*1ilgoe Essa análise deve indicar as médias, os desvios padrão e a variação das

____ -·
.,,-.. de-?
p o l " l -. - - d e
oonllftncia. capitulo• de !Moo pontuações para essas variáveis .
publlçados enttt <I• defesa d• Passo 4. Se a proposta contém um instrumento com escalas ou um plano

-·.. "---·
a---·-·...
Ouoslio3
V.• Oueslõet 18, 17. 18;:
........ ..p.• .,.~
..-.ç6os · - • oubwn\>OM
para desenvolver escalas (combinando os ite.ns em escalas). identifique o
procedimento estatistico (i. e., a análise fatorial) para sua realização. Tam·
bém mencione as verificações de confiabilidade para a consistência interna

--
anoe?
- ..is. das escalas (i. e., a estatística alfa de Cronbach).
VOrtévet Controle 1: Pesquila dotcriltv• Vtf • Questao 19. Hteblldacte (sim.'
Sl«us de au..tto 5 O dOcenle 1em nlo) Passo 5. Identifique as esraústicas e o programa de estatística compu-
est":' 11"' no cetQO?
radoàzado para testar as principais questões ou hípóteses de pesquisa no
estudo proposto. As questões ou hipóteses inferen clais relacionam as
variáveis ou comparam grupos em tennos de variáveis, de tal modo que se
Análise e interpretação dos dados
possa extrair inferências da amostra para uma população. Apresente uma
justificativa para a escolha do teste esraústico e mencione as suposições
Na proposta, apresente infonnações sobre os passos envolvidos na associadas com a estatística. Como está mostrado no Quadro 8.3, baseie esta
análise dos dados. Recomendo as seguintes dicas de pes quisa, apre· escolha na natureza da questão de pesquisa (p. ex., relacionando variáveis
sentando-as como uma série de passos para que o leitor possa ver como ou comparando grupos como os mais populares), no número de variáveis
um passo conduz a outro para uma discussão completa dos procedimentos independentes e dependentes e no número de variáveis controladas (p. ex.,
de análise dos dados. ver Rudestam e Newton, 2007). Além disso, considere se as variáveis serão
Passo 1. Relate as informações sobre o número de membros da amostra medidas em um instrumento como uma pontuação contínua (p. ex., idade,
que retomaram e os que não retomaram o levantamento. Uma tabela com de 18 a 36) ou corno uma pontuação categórica (p. ex., mulheres • 1, ho-
números e percencagens descrevendo os respondentes e os não responden· mens = 2). Finalmente, considere se as pontuações da amostra podem ser
tes é um instrumento útil para apresentar essa infonnação. nonnalmente distribuídas em uma cwva do sino se colocadas em um gráfico
Passo 2. Discuta o método pelo qual o viés da resposta será detem1ina- ou não normalmente distribuídas. Há outras maneiras de detem1inar se as
do. Viés de resposta é o efeito das não resposras nas estimativas do levan· pontuações estão normalmente disml>ufdas (ver Creswell, 2008). Esses fa.
ramento (Fowler, 2002). Viis significa que, se os não respondentes tivessem tores, em combinação, permitem a um pesquisador detenninar qual reste
respondido, suas respostas teriam alterado substancialmente os resultados estaósticô será adequado para responder a questão ou hípótese de pesquisa.
gerais. Mencione os procedimentos usados para verificar o viés de resposia, No Quadro 8.3, mostro como os fatores, em combinação, conduzem à se-
como a análise de onda ou uma análise de respondente/não respondente. Na leção de vários testes estatísticos comuns. Para outros tipos de testes esta-
análise de onda, o pesquisador examina os retornos em itens selecionados tísticos, os leitores podem recorrer a livros de métodos estatísticos, como o
semanalmente para detenninar se a média de respostas muda (Leslie, 1972).
1 de Gravetter e Wallnau (2000).
186 John W. Creswell Projeto de pesquisa 187

fb.sso 6. Um passo final na análise dos dados é apresenrar os resultados


em rabeias ou figuras e interpretar os resultados do teste esmdstico. Uma
interpretação dos resultados significa que o pesquisador tira conclusões
a partir dos resulmdos para as questões e hipóteses de pesquisa e para o
significado maior dos resultados. Essa interpretação envolve vários passos.
• Relate se os resultados do reste estaústico foram ou não estatis·
ricamente significanres. Por exemplo, "a análise da variância revelou
uma diferença estatisticamente significan1e emre homens e mulheres em
1ermos das atitudes com relação à proibição de fumar em restaurantes
F (2;6) = 8,55, p = 0,001."
• Relate como esses resultados responderam a questão ou hipótese
de pesquisa. Os resultados corroboraram a hipótese ou coniradisseram o
que era esperado?
• Indique o que pode explicar por que os resultados ocorreram. Essa
g
! i implicação pode remeter à teoria apresentada no estudo proposto (ver o
Capítulo 3), à lireratura ancerior examinada na revisão da literatura (ver

1 1i
o Capítulo 2) ou ao raciocínio lógico.
• Discuta as implicações dos resultados para a prática ou para a pes·
quisa futura sobre o tópico.

o o o o o o o
188 John W. Creswell Projeto de pesquisa 189
é destacar os tópicos fundamentais a serem tratados em uma proposta
Dunmlll o ~' de Bbril de 1979' de método experimental. Um guia geral para esses tópicos pode ser en·
Um8 a7IOSt1ll hOmogênee "' 1 centrado na resposta às questões na lista exibida no Quadro 8.4.
com Cidadal• ~,-IJG#,fliil
ftta an6Jíse pam f Kduir alglJlll# ~8 ~diill/ldà
O&S$&s mtllheffls, 71 etam estouras. 55118/avam /IO stig'Utldo 1no e 9 Participantes
no terceiro ano; 95" tinhfm .,,,,.,t 8 • 2 1 ~- Esta-~ lf
com re/açAo a elurl06 com {Xlblndal lnteléctual meis ~. Os leitores precisam ~ informados sobre a seleção, a designação e o
indicado pelaspontuaÇ()es noi.steACl: {OallUloreS apr111181'11nm número de pessoas que participarão do experimento. Considere as seguintes
desorttives sobf8 a amoslr8 ) sugesrões ao escrever a seção de método para um experimento:
Os dados foram colefsdos por ~lo 118 um queSllOll~rlo ao11terido:ft • Descreva o processo de seleção para os participantes como aleatório
A ma/orla de/as eram itens JJpo ~,,.~ eír1ô ~~-;~=t ou não aleatório (p. ex., convenientemente selecionados). Os participan-
e~tensaô muito pequena• para "uina e~ mu!IO~~
foram fonnulsdu para a obteiiÇAO de fnfomí~ ~. ÇOIJIQ tes podem ser selecionados por seleção aleatória ou amosCTQgem alea16ria.
no resta ACT, notas no ensino méd/O e n1vel ~ diià Com a seleção aleatória ou amos tragem aleatória, cada indivíduo
mform~s ut/llzsdas nests aml/lse (óteni c/e~'.IJP,t!atto!l,1/9,.q~ tem uma probabilidade igual de ser selecionado da população, garantindo
o q/Jeslionirlo foi desmivo/vldó a ttstàdtl'e~"Wi ~ Hl~l/t~ que a amostra será representativa da população (Keppel, 1991). Em mui-
seu uso nesta feculdade. (09 autores ~o::lnSuUmehlÕ.) tos experimentos, no entanto, somente é possível uma amostra de conve-
A va/Jdade conoomdanfBecon~(CsmpbeleFislre, 1959) de$S8$ niência, pois o investigador deve usar grupos naturalmente formados (p.
foi eslabeleclds ps/8 snlll1&e fatorial, e avahide como estalido Mfl um ex., uma classe de alunos, uma organização, uma unidade familiar) ou
adequado. A conflabllkfade dos fakmls foi &Slllbelecldapelo QOé~
consrructos foram reptesantedos por 26 medidas - Itens mtJlt/pki4
voluntários. Quando os indivíduos não são designados aleatoriamente, o
tendo por base a snáfise '8tortaJ ~ra ~os lndlces-• 27 procedimento é chamado de quase-experimento.
indlCBdOros de llens ünicos. (A valldade'll '~ ~ • Quando os indivíduos podem ser aleatoriamente designados 305 gru-
A rtgtess4o múlbpls e a análise de caminho (He/se, 1969: KIJll/njjire pos, o procedimento é chamado de experimento verdadeiro. Se for feita
1973) foram utilizadas para anal/sar os dados uma designação aleatória, discuta como o projeto irá designar aleatoriamente
No modelo causei..•• foi fe/(8 a;~~~'f..o\.'!lt@!lçllo lls al!ilndoilN' O
os indivíduos para os grupos de cratamento. Isso significa que, do conjunto de
solw todas as variáveis que (1 ~Ili.,~ êit#1í{ participantes, o Indivíduo l vai para o Grupo 1, o Indivíduo 2 para o Grupo 2,
foHa e tegt'8$$60 das wmvels ~!~~~-~~ e assim por diante, para que não hàja viés sistemático na designação dos indi·
lnlençOO de abandonar o CUl$0, $0bte as veliévels organittK:lonais, víduos. Esse procedimento elimina a possibilidade de diferenças sisremáticas
pessoais, variáveis ambienteis e variévels de $91lUlldO plano (Foram 8P'~llll entre as caracrerísticas dos participantes que possam afetar os resultados, de
dos os passos pare e anfll1se de dedo.s.)
modo que quaisquer diferenças nos resultados podem ser atribuídas ao crara-
mento experimental O<eppel, 1991).
• Identifique oucras características no projeto experimental que siste-
COMPONENTES DE U H PLANO DE MÉTODO EXPERIMENTAL maticamente controlarão as variáveis que podem influenciar o resultado.
Uma discussão do método experimental segue uma forma padrão: Uma abordagem é unir os participantes em rennos de um derenni·
participantes, materiais, procedimentos e medidas. Esses quatro tópicos nado traço ou característica e depois designar um indivíduo de cada con·
em geral são suficientes. Nesta seção, examino esses componentes e tam· junto unido para cada grupo. Por exemplo, podem ser obtidas pontuações
bém as informações sobre o projeto experimental e a análise estadstica. em um pré-reste. Os indivíduos podem então ser designados a grupos,
Da mesma maneira que na seção sobre os levantamentos, a intenção aqui com cada gnipo rendo o mesmo número de pontuadores altos, médios e
baixos no pré-teste. Como alternativa, os critérios para a união podem ser
• N. de R.T. Sigla cm inglês para Amerkan College TtsL os níveis de capacidade ou as variáveis demográficas.
Projeto de pesquisa 191
190 John W. Creswell

Qua d.r o 8.4 Uma lism de questões para o planeíamento de um procedimento


hipótese nula com dados da amostra quando a hipótese nula é, na
verdade, falsa.
cxperimenral
.1 O tamanho do efeito, as diferenças esperadas nas médias encre os
Q\M do oa .,.., s as do eslUOO?
Oulll • . popg+eçto pw8. qual ....ao geii•'*'8dol 09 rlllUltldol do& pw •• •lO:i? grupos concrole e experimental expressadas em unidades de des-
eomooo ~--?Fol_um_doMIOçlo-? vio padrão.
eomooo~---~?Eloowlo"'*"'*""'­
porn ou grupoa? Como? • Os pesquisadores estabelecem valores para esses crês fatores (p.
Outntol partlc:lpan•es ~ not Gt\IPOI 00inttdt •e~
Qull 6 a llriWI 011 V8fléveis dope-~· o.• 1 ve-1 do tHUitedo) no ..luOO?
=
ex., alfa 0,05, potência = 0,80 e tamanho do eíeito = 0,50) e podem
Como INO ..,. medido? s." medido anlff 1 clopoia do oxpetfmonto? procurar em urna tabe.la o tamanho necessário para cada grupo (ver
Cohen, 1977; Lipsey, 1990). Dessa maneira, o experimento é planejado
Quol1 tto a1 oondlQOes do tretamento? Como ltto fof opereclonaJIZAdo?
AI variiwelt wlo cavariadU no experimento? Como•• aorto medldat? de tal forma que o tamanho de cada grupo de tratamento proporcione a
Ouel ~de pesquisa 8XS)efimental Mrt uNdO? Como MM um moclOIO visual deste
maior percepção de que o efeito sobre o resu ltado realmente se deve à
pn>jt<o?
Oull(lt) 1naorumonl0(1) senl(IO) uuóo(•) peno mod• o , . . . - no HWdo?
foi e.coHdo? Quem o dtsetNofVeu? a. tem~• oon~ ee:tabelecidts?
"°'
~ e1t manipulação experimental no estudo.
8~ .... ,, , ,.topara~?
°"9iltloOSpilMOldop: ;1 •1.-*>(p U., 0Mlgrwçle>~d09prll~lles
-grupoe. c:d9ladilff«iii111;0.Jdei•IOOl....&.~dt~• Varlivels
........ oçllO do~·~ idi1lililllloçll0 do~)?
º..,..,.
o.,m, do - pc:iee.- càl• if"nMÇ8S • . . . . , . hem9. pera o pn:!felo. o
As variáveis precisam ser especificadas em um experimento para que
po a: 1 ..,.,., ....,...,IOti&ais? Como .... w1o .....,_,

()ull--..,.-
Ser*' conduzido um ..... plolo do 6Xj)l(.me1110?

Comooo,....aadot_ln_?
pera..,...., .. - (p .. . - - • i""'••IClll)?
fique claro aos leitores quais grupos estão recebendo o cratamento ex-
perimental e quais resultados estão sendo medidos. Eis algumas sugestões
para desenvolver ideias sobre as variáveis em urna proposta:
• Identifique claramente as variáveis independentes no experimento Oem-
Entretanto, um pesquisador pode não decidir unir os participantes, bre-se da discussão das variáveis apresentada no Capítulo 3). Uma variável
pois isto é caro, requer tempo (Salkind, 1990) e con_duz a grupos incom- independente deve ser a variável de ITCICamento. Um ou mais grupos recebem
paráveis se os participantes abandonarem o expenrnento (Rosencbal e a manipulação experimental, ou cratamento, por parte do pesquisador: Oucras
Rosnow, 1991). Oucros procedimentos para estabelecer concrole nos ex- variáveis independentes podem simplesmente ser as variáveis medidas nas
perimentos envolve o uso de covariadas (p. ex., pon~ações n_o ~ré-teste) quais que não ocorre manipulação (p. ex., atitudes ou características pes-
como variáveis moderadoras e controle de seus eíe1tos estaasacamence, soais dos participantes). Oucras variáveis dependentes, ainda, podem ser es-
selecionando amostras homogêneas ou bloqueando os participantes em tatisticamente concroladas, como as demográficas (p. ex., gênero ou idade).
subgrupos ou categorias e analisando o impacto de cada subgrupo no re- A seção de método deve listar e identificar claramente todas as variáveis
sultado (Cteswell, 2008). independentes em um experimento.
• Informe ao leitor o número de participantes de cada grupo e os pro- • Identifique a variável ou varidveis dependenres (i. e., os resultados)
cedimentos sistemáticos para determinar o tamanho de cada grupo. No caso no experimento. A variável dependente é a resposta ou a variável de cri-
da pesquisa experimental, os investigadores utilizam urna análise estatística tério que se presume ter sido causada ou influenciada pelas condições
de potência (Upsey, 1990) para identificar o tamanho de amosoa adequado de cratarnemo independentes e por quaisquer oucras variáveis inde-
para os grupos. Esse cálculo envolve: . pendentes. Rosenlhal e Rosnow (1991) apresenrararn três medidas de
.1 Umn consideração do nível de significância esratísnca para o ex- resultados protocípicas: a direção da mudança observada, a quantidade
perimento, ou alfa. . . dessa mudança e a facilidade com que o participante muda (p. ex., o par-
.1 A quantidade de potência desejada em um estudo - up1ca~ente ticipante readquire a resposta correta em um projeto de tema único).
apresentada corno alta, média ou baixa - para o teste esradsnco de
192 John W. Creswell Projeto de pesquisa 193
Instrumentação e materiais cem um grupo-controle para ser comparado ao gmpo experimental. Nos
quase-experimenios, o investigador usa grupos«>ntrole e experimental,
Durante um experimento, faz.se observações ou obtém-se medidas mas não designa aleatoriamcnre os participantes aos grupos (p. ex., eles
utilizando instrumentos em um estágio de pré-teste ou pós-teste (ou am. podem ser grupos intactos disponíveis ao pesquisador). Em um experimento
bos) dos procedimentos. Um plano de pesquisa sólido requer uma dis- real, o investigador designa aleatoriamente os participantes para os grupos
cussão meticulosa sobre o instrumento, ou instrumentos, seu desen. de tratamento. Um projeto de ind ivíduo único ou projeto N de 1 en·
volvime.nto, seus itens, suas escalas e relatos da confiabilidade e valida. volve a observação do comportamento de um único indivíduo (ou de um
de das pontuações em usos anteriores. O pesquisador também deve re- pequeno número de indivíduos) ao longo do tempo.
latar os materiais utilizados para o tratamento experimental (p. ex., 0 • Identifique o que está sendo comparado no experimento. Em
programa especial ou as atividades espec.lficas designadas ao grupo muitos experimentos, aqueles de um tipo chamado de projetos entre
experimental). indivíduos, o invescigador compara dois ou mais grupos (Keppe.I, 1991;
• Descreva o instrumento ou instrumentos que os participantes preen- Rosenthal e Rosnow, 1991). Por exemplo, um experimento de projeto
chem no experimento, tipicamente preenchidos antes do início do expe- facorial, urna variação do projeto enrre grupos, envolve o uso de duas ou
àmemo e em sua conclusão. Indique a validade e a confiabilidade estabe- mais variáveis de tratamento para examinar os efeitos independentes e
lecidasdas pontuações nos ínstrumentos, os indivfduosque osdesenvolveram simultâneos dessas variáveis de rracarnento sobre um resultado (Vogt,
e quaisquer permissões necessárias para sua utilização. 1999). Esse projeto de pesquisa comportamental, amplamente utilizado,
• Discuta exaustivamente os materiais utilizados para o tratamento explora os efeitos de cada tratamento separadamente e também os efei·
experimenral. Um gmpo, por exemplo, pode participar de um plano de tos das variáveis utilizadas cm combinação, proporcionando, assim, uma
aprendizagem amúliado por computador, utilizado por um professor em visão multidimensional rica e reveladora (Keppel, 1991). Em outros ex-
uma sala de aula. Esse plano pode envolver apostilas, lições e instruções perimentos, o pesquisador estuda apenas um grupo, no que é chamado
escritas especiais para auxiliar os alunos desse grupo experimental a apren- de um projeto dentro do grupo. Por exemplo, em um projeto de medidas
der como estudar um tema usando computadores. Um teste piloto desses reperidas, os participantes são designados a diferentes tratamentos em
materiais pode também ser discutido, assim como qualquer treinamento diferentes momentos durante o experimento. Outro exemplo de um pro·
necessário para administrar os materiais de uma maneira padronizada. A jeto dentro do grupo seria um estudo do comportamento de um único
intenção desse teste piloto é assegurar que os materiais possam ser admi· indivíduo no decorrer do tempo, em que o experimentador proporciona
nistrados sem variabilidade para o gmpo experimental. e mantém um tratamento cm diferentes momentos do experimento para
determinar seu impacto.
• Apresente um diagrama ou uma figura para ilustrar o projeto
Procedimentos experimentais de pesquisa específico a ser utilizado. Nessa figura, precisa-se usar um
sistema de notação padrão. Uma dica d e pesquisa que recomendo é
Os procedimentos específicos do projeto experimental também pre- a utilização de um siscema de notação clássico, criado por Campbell e
cisam ser identificados. Essa discussão envolve indicar o tipo geral do Stanley (1963, p. 6):
experimento, citando as razões que motivaram o projeto e apresentando ./ X representa uma exposição de um grupo a uma variável ou evento
um modelo visual para ajudar o leitor a entender os procedimentos. experimental, cujos efeitos deverão ser medidos.
• Identifique o tipo de projeto experimental a ser utilizado no estudo ./ O representa uma observação ou medida registrada em um ins·
proposto. Os tipos disponíveis nos experimentos são projetos pré-expe· rrumenco .
rimentais, experimentos reais, quase·experimentos e projetos de indivíduo ./ Os X e O em uma dada linha são aplicados às mesmas pessoas
único. Nos projeros pré-experimenrais, o pesquisador estuda um único gru· especificas. Os X e O na mesma coluna, ou colocados verticalmente
po e realiza uma incervenção durante o experimento. Esse projeto não em relação um ao outro, são simultâneos.
Projeto de pesquisa 195
194 John W. Creswetl

~ A dimensão da esquerda para a direita indica a ordem remporal


dos procedimemos em um experimento (às vezes indicada com
uma seta).
~ O s!mbolo R indica designação aleatória.
Aseparação de linhas paralelas por uma linha horizontal indi~ que os
grupos de comparação não são iguais (ou igualados) pela designação
aleatória. Nenhuma linha horizontal entre os grupos indica designação
aleatória dos indivíduos aos grupos de trataml!nco.

Nos exemplos que seguem, essa notação é usada para ilustrar proje-
tos pré-experimentais, quase-experimentais, experimentais reais e de
individuo único.

Projeto de Sérlff Temporais Interrompidas com Grupo-Controle


uma modift<:açêo do projeto de Sénes Temporais Interrompidas com Grupo
único, em que dois grupos de participantes, nllo aleatoriamente deSignados,
são observadoS no decorrer do tempo. Um tratamento• administrado a apena$
um dos grupos (ao Grupo A).
GrupoA 0-0-0--0-X-0-0-0-0

Exemplo 8.4 Prt)jotos oxpe!fmMt11/.~ v~rdodolros


Projeto de pré-Teste e Pós-Teste com Grupo-Controle
Projeto ltadlclonal e clássico. este procedimento envolve uma designação
aleatória dos participantes a dois grupos. i: apílcado lento um pré-leste quanto
um pós-teste aos dojs grupos, mas o ltatamento 6 proporcionado apenas ao
Grupo A experimental.
Grup0AR O X O
GIUpoB O GrupoB•R O O
Projeto de Tntamento Alternativo Apenas de 1'6s·TMte com Grupos Nlo
projeto Apenas de Pós-Teste com Grupo-Controle
EqulvelentH .
Este projeto usa o mesmo prooedimellto que a Comparaçao de Grupo Estático. Este projeto controle quaisquer efeitos de ruido <le um pré-teste e 6 um projeto
com a exceção de que o grupo de comparação nllo equivalente recebeu um expenmen\ai popular, Os participanles são designados aleatoriamente aos
tratamenlo diferente, grupos. um fretamento é proporcionado apenas ao grupo experimental, e os
GrupoAX1 O dois grupos são medidos no pôs-teste.
Grupo/\R X O
Grupo B X2 ------0 GrupoB R O
196 John W. Creswetl Projeto de pesquisa 197
Thmbém devem ser identificadas as ameaças potenciais à validade
Projeto Solomon de Qwitro Grupos interna e as medidas adotadas para minimizar tais ameaças. As ameaças
um caso especial de projeto falolial 2 X 2, este procedimen!o ~ à validade externa surgem quando os experimentadores extraem infe-
designação alealôr\a dos paltiCipantss a qualJo grupos 0$ sri-testeS rências incorretas dos dados da amoscra para outras pessoas, para outrOS
os lratamenlos são van&doS para os qualrO grupos. Todoa os grupos locais e para situações passadas ou futuras. Como mostra o Quadro 8.6,
submetidos a um pós-teste.
essas ameaças surgem devido às características dos indivfduos selecionados
Grupo A R 0 - -X O
GrupoBR O O para a amostra, a singularidade do local e a programação do tempo do ex-
GrupoC R X O perimento. Por exemplo, as ameaças à validade externa surgem quando
GnJpo DR O o pesquisador generaliza além dos grupos do experimento para outros
~~~~~~~~~~~-
grupos raciais ou sociais que não estão sendo estudados, para locais não
estudados ou para situações passadas ou futuras. Os passos para lidar com
Exemplo 8.5 ProjeloS de Individuo (lfl/co esses problemas potenciais estão também apresentados no Quadro 8.6.
Outras ameaças que podem ser mencionadas na seção do método
Projeto A.S·A de Individuo Unlco são as ameaças à validade da conclusão estatística, as quais surgem
Esie projeto envolve müt!Jplas obseMlçlõeS de um Unlc:OlridMifuO "O quando os experimentadores extraem inferências inexatas dos dados
tamento-aM> de um unice individuo é eslall elecido no diêórrer do'tlllnpO devido à potência estatística inadequada ou à violação de suposições es-
referido como um comportamento básico. Ocompoltamenlo b6llco 6 taústicas. As ameaças à validade de constructo ocorrem quando os
o tratamento é proporcionadO e depois o tratamento 6 rellt8clo.
Unha de Base A Tratamento B Unha de BaseA investigadores usam definições e medidas de variáveis inadequadas.
0-0-0-0--0-x-x-x-x-x-0-0-0-0-0-0
Quadro 8 .5 Tipos de ameaças à validade interna
.._ _poota. .__o
Ameaças à va lidade ~·-
Como o lempo passa dll'8nle t..m
petquttador pocM tomar
O peoqol.-podo fou< oom que
O>IPl~MO, Podem o«wrGJ G't'9MIOI tanto o grupo •xr>orimotilAI quanto o
Há várias ameaças à validade que levanrarão questões sobre a com- que Influenciam Indevidamente o controle experlmon*1'1 oe motmos
r..ull.ldo pera M6m do traiamento evento• *X1emot.
petência de um experimentador para concluir que a intervenção afeta um txperimen~.
resultado e não algum outro fator. Os pesquisadores experimentais precisam

__
Os pertk::ipentn de um experimenk> O P"QUitedor Podit telecionar os
identificar ameaças potenciais à validade interna de seus experimentos e ~-oumudlr ~que--ou
planejá-los de tal modo a não permitir o surgimemo delas, ou minimizá-las,
d..-o._..,..,.._rn-. mudflm N ,,.._,,. ~tlocided9 {p. U..
o.,,....•.•
~Ol,..·•ldOe • mMnW lded9)........,.. *».
caso surjam. As ameaças à validade interna são procedimentos, tra- o. poi1idpen!M ..... ~
•xtNn"ea do selecionados: panl o
........
Utnsi•~+r'«podl ti 1 •os

~
tamentos ou experiências experimentais dos participantes que ameaçam a
.......n••*'- ~...... unm. como aw .....I d:m de
possibilidade de o pesquisador extrair inferências corretas dos dados sobre ~ PfO'i'8Welnoel• te ~"° ..............
a população em um experimento. O Quadro 8.5 exibe essas ameaças, apre- llllilr9riO ô.nnW o'*""'*'••*>..
senta uma descrição de cada uma delas e sugere as atitudes que o pesquisador ,.,, - - com • . _.
fl0r9Mln'I NMO j m6dil.
pode tomar para que a ameaça não ocorra. Há aquelas que envolvem os PoótmlW~ OP"QUIMdotpodo.-,.,oa
participantes (i. e., história, maturação, regressão, seleção e mortalidade~, pel1idpenl0t que - llg- particlponltO - .. PI"'
CIM'llCtttl.ttica1 que os predla.ponham que u çwetMrtt1k:M &enham a
aquelas relacionadas ao uso de um tratamento experimental que o pesqw·
sador manipula (i. e., difusão, desmoralização compensatória e ressentid~
1 t.tr ôtlormlnldOt resultadOa (p. a .
que '°.INn brilhantes).
ptObobllld- de -1guall•-••
dittltbuldlt tntrt ot grupo1
expertmontel1.
e rivalidade compensatória), e aquelas que envolvem os procedimentos un-
lizados no experimento (i. e., testagem e instrumentos).
-
198 John W. Creswell Projeto de pesquisa 199

O. poo'ôdpel-- umo
14 7*C.tm•$••*>devldo
--"""'-
....'°"ou.. ..
t.MI - . . . . - .....
Quadro 8.6 Tipos de ameaças à validade cxrema
Tipo•---·
r.V!lld!d!•- --ta, J
- moit--
• mubs rwz6es poalwllla. Por a.o. l!!m •lllUdes que o
&IO 5 • "**'°"
os resultados
.,.,. ~ ln:IMcb>s..
mmplt8t aqueles
que "*ldoilllil'n 1 ~dl com
OI que conllnLMm nea., em lllm'IOI do ln!MllÇao entre Devido à$ caraàertstic:as
mault!dor pode_, -
0---~as
asei.çãoeo en~ 90bf1t grupos
0.Pll1fdpomo _ _ _

t~M~um
o -...--"'""'"'°'-
gruc>00 o pooaJYOI
tratamento
Hllffas dos participantes do
experimento, o pesquisador
nAo pode gene<all:zar para
808 q~ls 00 <MUitados
podem ...,. generallxados
não
ç0tn O outro.EtN oomunk:açlo d1,QnMO~lO
Indivíduos que não tenham O pesquisado. oonduz
pode ~DUGf'ICiaf a maneira como o.
0011 grupoo ponwom nos ._,,_. as caracterfstlcas do$ experimento• adicionais com
Ot benerlcto. do um experimento o pooq....ci0<podt propo<ci0n11< participantes. QNpos com caracterlsllcas
podem aer desiguais ou re:s.sentldot l>tMffdoo poro ot dai• grupos. dllndo diferentes.
quondo _ . . o grupo "-1menl8t eo gNpo..oonlt'Ole o ttalamento depoü Interação entre Oevkk> ês caracterlsticas do O pesqulsadOr precisa conduzir

-
O I);"* l i 1õ-r1t
recebe o tratamento (p. ex., o grupo
·~-IMaplaoo
QIUPO-OOl lb olo . . . n>eebe nada),
o. petliciponles do gnJpl><XX1lrOje
• ecNm que M&lo Mndo
º_. .___ _
q!A termina o tx~to ou daodo eo
gl\4»COOlrolo 1tgum llpo dll..-. dl
ntamento dlnnt• o el(pel'ltnento

Ptltllcrilr~--. .. -
o local e o
tratamento

lnteraçao entn1
local cios participantes em um

não
experfmento..um.pesquisado<
pode o-allzat para
lndlvlduos de OU1roS locais.
Dada a limilaçao ~
experimenloo adicionais em
00\loo locais para ver se ocorrem
OI IMSl1l08 ralUltedos do que
no local original
o~ predsa repbr
._._.,..... pelo,...dt
~etnCOll~IÇloc:om.
--. pot~. -
• • a l~M do grupo conllole 8 hlslórfl • o de wn &xperi181to, um o- em épocas pos1B<iores
nto a r'I•••••• o....,.,.._ tnltamento
-·-não para determinar se ocorrem os
o. •• t ........ Me o _ ...... - - pode
mesmos resultados de que
,..,..,,.......,com• mecMa do
dt--lot'OO-• generatzar os -
situações passadas ou ,.,__
para
no 1empo anC8ric<
......_e lembram as r~ ~do-ouo
Pl'1I o""" ~ UIO de lleN dftttn• ~ l.IT'l *ie Fonte Adapla<lo de Creswell (2008).
.,..-c1o-~-­
uqdoa em \#n ..._ tnttnor
tnstrumontoçto Ao mudtnça do lnslr\.menlo olntlrumento
pooquiNdor - • .., º"""'""'
entre um prt-ceste e um pós-teste, Pll'8 •• medidas pr&-testo O procedimento
lmpoctando. - · a s pontuações • pc)t.lttto.
no re1uMedo.
Fonce· ~tldO dt Cr••~• (2008). Oautordeumapropostaprecisadescreveremdetalhesoprocedimento
para a condução do experimento. Um leitor deve conseguir entender o
projeto que está sendo utilizado, as observações, o tratamento e a linha
Seguem dicas de pesquisa para os aurores de proposras lidarem de tempo das atividades.
com as quesrões de validade: • Discuta uma abordagem passo a passo para o procedimento no
• Identifique as ameaças à validade que podem surgir em seu estudo. experimento. Por exemplo, Borg e Gall (1989, p. 679) delinearam seis
Pllde ser composra uma seção à parte em uma proposra para apre- passos tipicamenre utilizados no procedimento para um projeto de pré-reste
senrar essa ameaça. e pós-teste com grupo-controle que compara os participantes nos grupos
• Defina o ripo exato de ameaça e qual problema potencial ele apre- experimental e conrrole:
senta o seu estudo. 1. Administre aos participanres da pesquisa medidas de variável de-
• Discuta como você planeja tratar a ameaça no planejamento de seu pendenre ou uma variável intimamente correlacionada à variável
experimento. depehdente.
• Cire referências a livros que disc:utem a questão das ameaças à va- 2. Designe os participantes para pares compatibilizados tendo por
lidade, tais como Cook e Campbell (1979); Creswel l (2008); Rei- base suas pontuações nas medidas descriras no Passo 1.
chardt e Mark (1998); Shadish, Cook e Campbell (2001); Tuckman 3. Designe aleatoriamente um membro de cada par para o grupo ex-
11999). perimental e o outro membro para o grupo-controle.
200 John W. CtesweU Projeto de pesquisa 201

4. Exponha o grupo experimental ao cracarnento experimental e não • Com uma frequência crescente, os pesquisadores experimentais relatam
adminiscre nenhum tratamento nem tratamento alternativo ao canco os resultados estatísticos da testagem da hipótese quanto os intervalos de
grupo-controle. co~ e o tamanho do efeito romo indicadores de signifidncia prática dos
S. Administre medidas das variáveis dependentes aos grupos experi- resultados. Um intervalo de confiança é uma estimativa de intervalo da
mental e controle. variação dos valores esratlsticos superiores e inferiores que são consistences
6. Compare o desempenho dos grupos experimental e controle no(s) com os dados observados e provavelmente contêm a média da população real
pós-teste(s). utilizando testes de significância estatística. Um tamanho do efeito identifica a força das conclusões sobre as diferenças
do grupo ou as relações entre as variáveis nos escudos quantitativos. O cálculo
do tamanho do efeito varia para os diferentes testes estatísticos.
Estatística de anoillse
Informe o leitor sobre os tipos de análise estacistica que serão utiliza- Interpretação dos resultados
dos durante o experimento.
• Relate as estatlsticas descritivas calculadas para observações e me- O último passo em um experimento é interpretar os resulrados à
didas na fase de pré-teste ou pós-teste dos projetos experimentais. Essas luz das hipóteses ou questões de pesquisa apresentadas no inicio. Nessa
estatisticas são médias, desvios-padrão e variações. interpretação, veja se as hipóteses ou questões foram corroboradas ou
• Indique os testes estatísticos inferenciais utiliuidos para examinar refutadas. Considere se o tratamento que foi implementado realmente
as hipóteses no estudo. Para os projetos experimentais com informações fez uma diferença para os participantes que o experimentaram. Sugira
categóricas (grupos) sobre a variável independente e informações con- os motivos pelos quais os resultados foram ou não significantes, basean-
tínuas sobre a variável dependente, os pesquisadores usam testes e ou do-se na literatura prévia que você examinou (Capitulo 2), na teoria
análise univariada de variância (ANOVA). análise de covariança (AN- utilizada no escudo (Capítulo 3) ou na lógica persuasiva que pode ex-
COVA) ou análise multivariada de variância (MANOVA - múltiplas me- plicar os resultados. Veja se os resultados podem ter ocorrido devido a
didas dependentes). (Vários destes testes estão mencionados no Quadro procedimentos experimentais inadequados, tais como ameaças à validade
8.3, apresentada anteriormente.) Nos projetos fatoriais, são utilizados interna, e indique como os resultados podem ser generalizados para
tanto os efeitos de interação quanto os principais da ANOVA. Quando os algumas pessoas, locais e épocas. Finalmente, indique as implicações
dados de um pré-teste ou pós-teste exibem um desvio marcante de uma dos resultados para a população.estudada ou para a pesquisa futura.
discribuição normal, use testes estatísticos não paramétricos.·
• Para projetos de pesquisa com indivíduo único, use gráficos de linha
para a linha de base e observações de tratamento para as unidades de tem-
po da abscissa (eixo horizontal) e para o comportamento visado da ordena-
da (eixo vertical). Cada ponto de dado é colocado separadamente no grá-
fico, e os pontos de dados são conectados por linhas (ver, p. ex., Neuman
e McCormick, 1995). Ocasionalmente, os testes de significância estatistica,
como os testes e, são util.iuidos para comparar a média agrupada da linha de
base e as fases do tratamento, embora esses procedimentos possam violar a
suposição das medidas independentes (Borg e Gall, 1989).

' N. de R.T. Pnrn umn visão em profundidade dos testes não parnm~trlcos ver Segal, S.;
Cas1ellan Jr., N. J, E.uacútica não paramitrial para Cienda do co111por1ame11to. 2• ed.
Porto Alegre: Artmed, 2006.
202 JOhn W. Creswell Projeto de pesquisa 203

Método

Participa,,,_
As part!Cfpan~s foiam 150 ünlvarSi16rfas malt!cultidas 11m cutSOs de nfve/
/nf9r/Qr 11 su/llltfór de Soclologia, Pslcolog~ a Comunfcaçôlls em uma un1-
dàde de pof1e m6d/9 e em uma faculdade comunltárfa, ambas loéallzadas
na costa oesle. (AS atrtol'as descreveram as parúdpantes do estudo.)
Plenejemenro e Manlpulaçfo etperlme~I ·
E'ste e~tudo utilizou um ptofeto fatorial~ X~ X 2z Orienlllç$p d8 Con~lbelrs
(nSoAlllxfsfa../Jumenlsta, feminlita llblmil ou feminista racílcaQ X An"Vaf4o
qe Va/009s (imp/lcios ou ei/p/IC/tO!I} X liJf{ltfnoaM:o das P8/11Cipsntffs com
o Feminismo (fflmin~ ou n4o f&lriln/stas), OS ocasionais dadQs eusentes
em detem!ln/ldos Itens fotllm tratados por: melo de. um p~dlmento de
ellmfnaÇSO.dos pares. (As autora~ldef!tificliram o projeto geral.)
As t/ds coridii;{Hls de odentaçSq "',Mo sex/sta.tiumanista, /i/iefll/ 6'faminlsta
radfcal<: foram descritas pór vlnfie(Bs de Vl!Jeotape de 10 minutos dfl. t1ms
segunda wsslfo de a®tlselhamento entre ume ori6ntadoca e uma cliantil Dllpo/s de assistirem o v/deolape que cortJISpOncfla.11 sue de~i9naçllo exptt.
... A t;Qnd/Ç4o dé. Bllrmafi!JO fmp//çlta dos valor8s .usou apenas a entrevista rim11nlal, as participantes, cPmp/étaram as ffléd'ti!Jas d,e,,.11denl!Jf 11 fo111m
qa amostrll; os valól88 da (llÍenlfidoia e'tavam. portantoi impllcitos em entrevistadas. (p. 35-36; As autoras descrewramo píóCilélimeoto usaífà'.n"b
stlas resposllls. A cond/çlo da 11fif.1l'l8Çilo eMl/lcitB dos "la/ores foi cllada e)(!lerimento.)
adlclol!a~ a~da unia. das tll!s concf~ do aconselhamento um
fracho lnlclaJ de 2 rplniltos que retratava a ollentadí>ra df!S®Vllndo para Fonte: Enns e Hadcett (1990), C 1990 da Americam Psychological Associa!lon. Reprodução
sua c/le.JJte sua caboftlagem da aconsel/lamellto e os valores assoc/aclos, autorizada.
Incluindo para a~ d~ cond/ÇÔ(ls feministas uma déscriçso de sua orien.~
fllos6flca !$p!llils1!1; libaral ou mdlcal... l~s IOleitoS de aconse111Bm1mto foram
lnloiiitm11nte deSJIQvolvfdos fendo por base es dlstínçMs entre filosofias RESUMO
n40 se~~~a11. Obe(;lls e fémlniStes f'á(flcal~ e as lmpf,1CB~s de
acon$8/harilento d8 oíien~.· As déd8f8Ç/jfls d8 cl.(erlte e Q resultado Este capítulo identificou os componentes essenciais no planejamento de
rJe Ceda e"Íltt1IV/sla foninl fflántldos cópstent~ embOra as mp0stas da umprocedimentodemécodoparaumestudodelevantamentoouexperimental.
otilin(~;.~~(!'aa~oltl89'm· (As11utorasdescfel/eram
as treil' <làS çq~ de \li!.l!J~IQ toal)lpuladas rlO estudo.) O delineamento dos passos para um estudo de levantamento iniciou com uma
discussão sobre o objetivo, a identificação da população e da amostra, os ins-
lnstríiirMiitóS
aumentos de levantamento a serem utilizados, a relação entre as variáveis, as
Vatmca~s. da 't"'IJ.IP.~. Como úmll WilfJcai;!o dá petúpÇi°o des questões de pesquisa, os itens específicos do levantamento e os passos a serem
e
pat1/CÍJ18Jifes de manlP&a~o e~nll11 OOlllO uma llim11eml8dfl perr;e.
seguidos na análise e na interpretação dos dados do levantamento. No pla-
bida da avilll~ das pafl/Dlp(lflle$ p~três Olfentadoras. éu!ls subises/as
da EScSJa dasAtri~u!Çõa_s do Tenno Femln/Stil ite Barryman-Flnk 11 Vetderber nejamento de um experimento, o pesquisador identifica os participantes do
(1986) fÓ/llm Qam'/n11das e utDizadas fiaste 118/uilõ: o QtJestiOnllrio de Dlls· estudo, as variáveis - as condições de tratamento e as variáveis do resulta-
crlç4o dQ Orl6qtador (QDOJ e o QuesQOnllrlo de D6scriç4o Pessoal (PDQ) do- e os i~scrumentos utilizados para os pré-testes e os pós-testes e os materiais
•.• Benym11n·Flllk 11 Ven1édler (1986) il!Tatllram contfaóllldades de consis- a serem utilizados nos tratamentos. O planejamento também inclui o tipo
tência lntema de 0,86 e O.SI/ para 11s v11rS09s offglna/s deSS!ls dutls {lfl· específico de experimento: um projeto pré-experimental, quase-experimenta~
besl:a/as. {A!l atJtoras discutiram os lostnmieutos e a confiab111dade das
esl:l)las para a varlâVel dePendente no estudo.) de experimento real ou de indivíduo único. Então o pesquisador traça uma
fiJ(Ura para ilustrar o projeto, usando uma notação apropriada. Isso é seguido
204 John W. Creswell Profeta de pesquisa 205

de comentários sobre as ameaças pocenciais à validade imema e extema Fink discute todos os aspectos dn pesquisa de levantamento, incluindo como formular
(e possivelmente validade estadstica e de construCto) relacionadas ao expe. qucslõts, como conduzir levancamentos. como conduzir as entrevistas por telefone,
como preparar uma amostra e como medir a va.lidade e a conílabilidadc. Grande par-
rimemo, a análise estadstica utilizada para testar as hipóteses ou questões de te dn discussão esul oriemada para o iniciante cm pesquisa de levantamento, e os
pesquisa e a interpretação dos resultados. numerosos exemplos e excelentes ilusirações sllo um instrumento ~til para a aprcn·
dlzagem dos princ!plos básicos da pesquisa de levantamento.
EJterclc/os de Redaçlo
Fowler, R J. (2002). Survey rucarch mctho<U (3rd ed.). Thousand Oalc&,
1. Trace um plano para os prooed1mentos a serem utHizados em um estudo de CA: Sage.
levantamento. Examine a lista do Quadro 8.1 depois que escrever a seção Floyd Fowler apresenta um texto 1hil sobre as decisões imponentes no planejamento
para determinar se todos os componentes foram abordados. de um projeto de pesquisa de levnntamemo. Ele trata do uso de procedimentos de
2. Trace um plano para os procedimentos para um estudo experimental. Con- amostragem al!ernariva, das maneiras de ttduz.ir os lndices de não ttsposta, da coleta
sulte o Quadro 8.4 depois de conctuir seu plano para determinar se Iodas as de dados, do planejamento de boas perguntas, do emprego de tttnicas de cnircvista
queslões foram tratadas adequadamente. oonsistemes, da preparação dos levantamemos para análise e dM questões éticas nos
projetos de levantnmemo.

Keppel, G. (1991). Design and analysis: A ruearchcr'1 handboolc (3rd


LEITURAS ADICIONAIS cd.). Englewood Cllffs, NJ: Pttntlce Hall.
Gcolfrcy Keppel apresenta um 1rt1t11mento detalhado e completo do planeja.mcnto
Babble, E. (1990). Survey ruearch methoda (2nd ed.). Belmont, CA: de experimentos desde o inJcio do planejamento a1é a análise esmtlstica dos dados
Wadsworth. experimentais. No geral, o livro dcstina·se ao aluno de estatlstlcn de nível médio a
llarl Bllbbie apresenta um 1ex10 completo e detalhado sobre todos os aspectos do proje10 avançado, o qual procura entender e planejar a antlllse es<allstica dos experimentos.
de levunwmento. Ele Wlmina os tipos de projeros, a lógica da amosuagem e exemplos O capfrulo inuodutórlo aprese.nua uma visão geral Informativa dos componcntcS dos
de proje1os. Discu1e uunbém a concdruação de um lnsuumaito de levantamento e suas projetos experimentais.
escalas. Além disso, apresenra ideias oreis sobre a admin.iwação de um questionário e o
processamento dos rcsulmdos. Thmbém inclui uma discussão sobre a análise dos dados, Llpsey, M. W. (1990). Design sensltivity: Statl6rical powerfor experimental
chmnondo a atenção para a construção e o enrendúncnto das tabelas e dn redação de um research. Newbury Park, CA: Sage.
relatório do levanromento. O livro~ detalhado, informativo e tecnicamente orientado para Mark Llpsey compôs um imponante livro sobre os tópicos dos projetos experimemals e
alunos dos nJvcis intermediário ou avançado de pesquisa de levanromcn10. do poder esl3dstico desses projetos. Sua p~ básica é que um experimento ncces-
si!JI aer sensibilidade suficiente para detecror os efeitos que ele pretende investigar. O
C&mpbell, D. T. & Stanley, J . C. (1963). Experimental and quas l-expe- livro explora o poder da estatística e inclui uma t11bcla para auxJliar os pesquisadores
rlmcntal deslgns for reseaJ'Ch. Em N. L. Gage (Ed.). Handboolc ofresearch a Identificar o tamanho apropriado dos grupos ean um cxperimcnlo.
on teaclaing (p. 1-76). Chicago: Rand-McNally.
Esae c.1plrulo do Handbook de Gage é a declaração clássica dos projetos experimentais. Ncurnan, S. 8 . 8r. McCormick, S. (Eds.). (1995). Single-subjcctexperimcntal
Crunpbdl e Scanley criaram um sistema de nooição parn os experimentos que~ utilizadoat~ racarch: Applications for l!tcracy. Newark, DE: Intcmatfonal lleadlng
hoje; 1ambém apresentruam os tipos de projetos experlmcnrais, com~ pelos fatores Assoclation.
que colocam em risco a validade interna e externa, os tipos de projeto pré-experimentais, Susnn Neuman e Sandra McCormlck editaram um guia útil e prático para o plane·
os experimentos renls, os projetos <1u11se·experimen1als e os projetos correlacio1k'IÍS e jnmcnto de uma pc$quisa de individuo único. Elas apresentam muitos exemplos de
ex post. facto. Esse cnpírulo apresenta um excelente resumo dos tipos de projetos, suas diferentes tipos de projetos, tais como proje1os reversos e proje1os de linhas de base
ameaças à validade e os procedimentos estatisticos paro testar os projetos. É um capitulo mú.lriplas, e cnJmcram os procedimentos esl3tlstieos que podem estar en>01vidos na
essencial para os alunos que estão se lnidando nos estudos experimentais. análise dos dados de um individuo único. Um dos capítulos, por exemplo, ilustrll as
(()nvenções para exibir os dados cm gr:ificos de linha. Embora o livro cite muítns
Flnk, A. (2002). Thc survey kit (2n d ed.). Thousand Oaks, CA: Sage. aplicações na alfubetlzaç.ão, tem ampla aplicação nus ciências soclnls e humanas.
"Tbe Survey KJ1" é composto de muitos livros e editado por Arlenc Pl.nl<. O primeiro
livro apresenta uma visão geral dos livros da série. Como uma inuodução aos volumes.
Projeto de pesquisa 207

pesquisa, do papel do pesquisador, dos passos seguidos na careca e a


análise dos dados, nas esmuégias para validade, na precisão dos resul-

9 1
tados e na estrutura narrariva. O Quadro 9.1 apresellCa uma lista de
quescões para o planejamento dos procedimentos qualicacivos.

Métodos Qualitativos AS CARACT ERISTICAS DA PESQU ISA QUALITATIVA

Ourante muitos anos, os autores de propostas tiveram de discutir


as características da pesquisa qualitativa e convencer o corpo docente e
o público sobre sua legitimidade. Agora essas discussões são menos fre-
quentemente encontradas na lireratura e há algum consenso sobre o que
constitui uma investigação qualitativa. Por isso, minhas sugestões sobre
essa seção de uma proposta são as seguintes:

Os métodos qualitativos mostram uma abordagem diferente da inves- Quadro 9 . 1 Umn lista de questões para o planejamento de um procedimento
tigação acadêmica do que aquela dos mérodos da pesquisa quantita- qualitativo
tiva. A investigação qualitativa emprega diferentes concepções filosó- Foram menc:lonlda• •• caracteristielit b6tlcaa dol ettudos qvelitatNos?
ficas; esrrarégin.I de investigação; e métodos de coleta, análise e inrer- Foi n•con1doo11pOespec:fk:o6t~drl "1 ·lgeçt.i quelUotlvaa w
pmação dos dados. Embora os processos sejam similares, os procedi- utiltzado no ettudO? El&i ~adtt ll hi!!(M1e. uma derinlçio e N V,eçr... da
~?
mentos qualitativos baseiam -se em dados de cexco e imagem, têm pas- O !Mor ganha um en4al'tdil1111110 dO Plll* do pel(j kldor no MIUdo (hil;ltwtco
sos singulares na análise dos dados e se valem de diferences esrraré- puMdO, ~nc:iet c:ulturala, conexões petsoait com klgeres. o PtltoeS. OI paUOI
gias de investigação. --notv-•----)?
Foi idftntificada a estral6gia d• emoetregem lntendonll para°' localt e os indMduol?
Na verdade, as escrotigias de investigação escolhidas em um projeto qua- Forwn menctonadas M formM espedbt de <dele de dadOt e estA apreMn18da
litaávo cêm uma enonne influência sobre os procedimentos que, mesmo OO'll jvst1lc:IM f*ll NU U90?
nas estrotégias, são nada unifonnes. A observação do panorama dos pro- forln\ mendoNdol OI prootdiroento1 para t&giMro das lnfOfMIÇõtt dumn1e o
poc:d1•110de c::olMli dos dadOI (•como os p1 'J e + •)?
cedimentos qualitativos mostra diver.sas perspectivas que variam desde o Foram ldentiflcttdoe: OI pa$tOI aeguldos na an611se dOI dadol?
pensamento de justiça social (Den.zin e Uncoln, 2005) até perspectivas HI ~de que O; l i•MW cwganlzou OI dadol pare a aMliM?
ideol6gicus (l.athtr, 1991), posturas jilos6ficas (Schwan.dt, 2000) e dire- O petql.lisadof examinou oa d8dOI em QOf"'I pera olMf'.....,... ~ dH
inlo!maçõM?
trizes procedurais sistemáticas (Creswelt 2007; Corbin e Strouss, 2007).
Fof uellada t.l'M o::w:iP ;"1 '*8 OI dedo&?
1bdas as perspectivas disputam o espaço central nesse modelo de in· Os OOdlQo• toram dOMnVOIVidos para fonner uma dMC:riçao ou pata lden11fleer os
vesr:igação desdobrado denominado pesquisa qualitati111J. -?
Este capítulo tenta combinar muitas persp«tivas, apresenta procedi· Os tem.ts etlto lnter·relacionedos pen.~ um rtlvt4 tnM etevado de an6liM e de
~?
mentos gerais e faz um 11.so liberal de exemplos para ilu.strar variações Foram rTMNdo'ltdet .. mt'*'8s em q.19OIdadc:lt;..,.,1epidell1ld0e. 1M oomo
nas estrocégias. Essa discussão baseia-se em pensamentos extraídos de ' em i.btl8s. orllflc:os e figuras?
vários aurores que escrevem sobre o projeto de proposta qualicativa (p. fonwn LIOC C' 1 " M baW ~ 1 ~da . . . . (p,pei1iitilidu pesaoals.,
a litennura, quettõet. agende de aoo.t)?
ex., ver Berg. 2001; Marshall e Rossman, 2006; Maxwell, 2005; Ross· Op.Mq ' 1ndc •••odorltiOU otMl.Jbdodoesludo(deteri...oiv.u um.e t.oria.eoresenlOU
man e Rallis, 1998). Os tópicos de uma seção de proposca sobre os pro- um quodro complexo- -11
cedimelllos são caraccerfsticos da pesquisa qualicativa, da esuatégia de Foram oitadat múliplas Mll'l'll6gi&t fllO a velklaçlo dos rMUltadot?
208 John w. Creswell
Projeto de pesquisa 209
• Examine as necessidades dos potenciais públicos para a proposta.
Decida se os membros do público têm conhecimento suficiente sobre as carac- ganizando os dados em unidades de informação cada vez mais
teósticas da pesquisa qualitativa de modo que essa seção não seja necessária. abstratas. Esse processo indutivo ilustra o trabalho de um lado para
• Se houver alguma dúvida sobre seu conhecimento, apresente as o ourro entre os temas e o banco de dados até os pesquisadores te-
características básicas da pesquisa qualitativa na proposta e possivelmente rem estabelecido um conjunto abrangente de temas. Isso também
discuta um artigo recente de periódico sobre pesquisa (ou estudo) quali- pode envolver a colaboração interativa com os participantes, de
tativa para utilizar como exemplo para ilusrrar as características. modo a terem uma oportunidade de dar forma aos temas ou abs-
trações que emergem do processo.
• Várias listas de características podem ser usadas (p. ex., Bogdan e
Biklen, 1992; Eisncr, 1991; Hatch, 2002; LeCompte e Schensul, 1999; • Significados dos participantes - Em todo o processo de pesquisa
Marshall e Rossman, 2006), mas vou basear-me em uma análise combinada qualitativa, o pesquisador mantém um foco na aprendizagem do
desses autores que incorporei em meu livro sobre investigação qualitativa significado que os participantes dão ao problema ou questão, e não
(CresweU, 2007). Minha lista capta tanto as perspectivas tradicionais quan- ao significado que os pesquisadores trazem para a pesquisa ou que
to as perspectivas defensiva, participatória e autorreflexivas mais recentes os autores expressam na l.iteratura.
da investigação qualitativa. Seguem as características da pesquisa qualitativa • Projeto emergente - O processo de pesquisa dos pesquisadores quali-
apresentadas em nenhuma ordem especffica de importância: tativos é emergente. Isso significa que o plano inicial para a pesquisa
• Ambiente natural - Os pesquisadores qualitativos tendem a cole- não pode ser rigidamente presaito, e que todas as fases do processo
tardados no campo e no local em que os participantes vivenciam a podem mudar ou se deslocar depois que o pesquisador entrar no
questão ou problema que está sendo estudado. Eles não levam os campo e começar a coletar os dados. Por exemplo, as questões podem
indivíduos para um laboratório (uma situação artificial) nem enviam mudar, as formas de coleta de dados podem ser deslocadas, e os
insrrumentos para os indivíduos preencherem. Esse fechamento indivíduos estudados e os locais visitados podem ser modificados. A
das informações coletadas por meio da conversa direta com as pes- ideia fundamental que está por trás da pesquisa qualitativa é a de
soas e da observação de como elas se comportam e agem dentro de aprender sobre o problema ou questão com os participantes e lidar
seu contexto é uma característica importante da pesquisa qualita- com a pesquisa de modo a obter essas informações.
tiva. No ambiente natural, os pesquisadores têm interações face a • Lente teórica - Os pesquisadores qualitativos com frequência usam
face no decorrer do tempo. lentes para enxergar seus estudos, tais como o conceito de cultura,
• O pesquisador como um insrrumento fundamental - Os pesquisadores fundamental para a etnografia, ou o de gênero, racial ou de classe
qualitativos coletam pessoalmente os dados por meio de ~ame de para as orientações teóric:às discutidas no Capitulo 3. Às vezes o
documentos, de observação do comportamento ou de enrrCVJsta com estudo pode ser organizado em tomo da identificação do contexto
os participantes. Eles podem utilizar um protocolo - instrumento para social, político ou histórico do problema que está sendo escudado.
a coleta dos dados, mas são eles próprios que coletam as informações. • Interpretativo - A pesquisa qualitativa é uma forma de investigação
Não cendem a usar ou a se basear em questionários ou instrumentos inrerpretativa em que os pesquisadores fazem uma interpretação do
desenvolvidos por outros pesquisadores. que enxergam, ouvem e entendem. Suas interpretações não podem
• Múltiplas fontes de dados - Os pesquisadores qualitativos geral· ser separadas de suas origens, história, contextos e entendimentos
mente coletam múltiplas formas de dados, rais como entrevisras, anteriores. Depois de liberado um relato de pesquisa, os leitores,
observações e documentos, em vez de confiarem em uma única assim como os participantes, fazem uma interpretação, oferecendo,
fonte de dados. Depois os pesquisadores examinam todos os dados, ainda, outras interpretações do estudo. Com os leitores, os partici-
extraem sentido deles e os organizam em categorias ou temas que panres e os pesquisadores realizando interpretações, ficam claras as
cobrem todas as fontes de dados. múltiplas visões que podem emergir do problema.
• Análise de dados indutiva - Os pesquisadores qualitativos criam • Relato hol!stico - Os pesquisadores qualitativos tenram desenvolver
seus próprios padrões, categorias e temas de baixo para cima, or- um quadro complexo do problema ou questã.o que está sendo esru-
21 O John W. Creswell Projeto de pesquisa 21 1
dado. Isso envolve o relato de múlàplas perspectivas, a idenàficação dos O PAPEL DO PESQUISADOR
muitos fatores envolvidos em uma sítuação, e, em geral, o esboço do
quadro mais amplo que emerge. Um modelo visual de muitas facetas de Como foi mencionado na lista das características, a pesquisa qualitativa
um processo ou de um fenômeno cenrral ajuda no estabelecimento é urna pesquisa interpretativa, com o investigador tipicamente envolvido em
desse quadro holísàco Mr por exemplo, Creswell e Brown, 1992). wna experiência sustentada e intensiva com os participantes. Isso inrroduz
urna série de questões estratégicas, éticas e pessoais ao processo de pesquisa
qualicativa (Locke et ai., 2007). Com essas preocupações em mente, os ín-
ESTRATÉGIAS DE INVESTIGAÇÃO vestigadores identificam explicita e reflexivamente seus vieses, seus valores e
suas origens pessoais, tais como gênero, história, cultura e status socioeco-
Além dessas características gerais, há estratégias de investigação mais nõmico que podem moldar suas interpretações durante um estudo. Além dis-
especificas. Elas se concentram na colem, na análise e na redação dos dados, so, obter o ingresso a um local de pesquisa e as questões éticas que podem
mas se originam das disciplinas e fluem durante rodo o processo de pesquisa surgir são também elementos do papel do pesquisador.
(p. ex., tipos de problemas, questões éticas importantes; Creswell, 2007b). • Inclua declarações sobre as experiências passadas que proporcionam
Exisrern muiras estratégias, como as 28 abordagens idenàficadas por Tesch dados passados por meio dos quais o público possa entender melhor o
(1990), os 19 tipos na árvore de Wolcott (2001) e as 5 abordagens da in- tópico, o local ou os panicipanres, e também a interpretação do fenômeno
vestigação qualirativa de Creswell (2007). Como foi discutido no Capítulo 1, por pane do pesquisador.
recomendo aos pesquisadores qualirativos que escolham entre as possibi- • Comente sobre as conexões entre o pesquisador e os participantes
lidades, tais como narrativa, fenomenologia, etnografia, estudo de caso e e sobre os locais da pesquisa. A pesquisa de "fundo de quintal" (Glesne e
reorla fundamentada. Selecionei essas cinco porque são populares atualmente Peshkin, 1992) envolve estudar a própria organização do pesquisador, os
nas ciências sociais e da saúde. Existem outras que têm sido adequadarneme amigos ou o local de rrabalho. Isso com frequência conduz a comprome·
traradas em livros qualitativos, corno a pesquisa de ação panicipativa (Kemmis timentos na capacidade do pesquisador de revelar informações e cria di·
e Willônson, 1998) ou a análise do discurso (Cheek, 2004). Para as cinco ffceis questões de poder. Embora a coleta de dados possa ser conveniente
abordagens, os pesquisadores podem estudar os indivíduos (narrativa, feno- e fácil, são imensos os problemas criados pelo relato de dados tendencio-
menologia); explorar processos, atividades e eventos (esrudo de caso, teoria sos, incompletos ou comprometidos. Se for necessário estudar o "fundo de
fundamentada); ou aprender sobre o comportamento amplo de companilha- quintal", empregue múltiplas estratégias de validade (corno será discutido
menro de cultura de indivíduos ou grupos (etnografia). mais adiante) para criar a confiança do leitor na exatidão dos resultados.
Ao escrever um procedimento para uma proposta qualitativa, consi- • Indique os passos seguidos na obtenção de permissão do Conselho
dere as seguintes dJcas de pe squisa: de Revisão Institucional (Capítulo 4) para proteger os direitos dos parti·
• Identifique a abordagem especifica da investigação que você estará cipantes humanos. Adicione, como apêndice, a cana de aprovação do CRJ
utilízando. e discuta o processo envolvido na obtenção da permissão.
• Apresente algumas informações básicas sobre a estratégia, cais como • Discura os passos seguidos para conseguir ingressar no local e para
a origem de sua disciplina, suas aplicações e uma breve definição dela obter permissão para estudar os participantes ou a situação (Marshall e
(ver o Capítulo 1 para as cinco estratégias da investigação). Rossman, 2006). É imponanre obter acesso aos locais da pesquisa ou dos
• Discuta por que ela é a estratégia apropriada para ser utilizada no arquivos, procurando a aprovação dos "guardiões"', indivíduos do local
estudo proposto. de pesquisa que proporcionam o acesso ao local e concedem ou permitem
• Identifique como o uso da estratégia vai moldar os tipos de questões que a pesquisa seja realizada. Uma proposta breve pode precisar ser desen-
formuladas (ver Morse, 1994, para as questões que se relacionam
às estrarégias), a forma de coleta dos dados, os passos da análise • N. de lt't O mmo guardião (gar<kttper) foi usado pelo autor para designar as pessoas
dos dados e a narrativa final. que permitem o Rtc.!SO ao local da pesquisa, toís como o diretor de uma organizat;ão.
212 John W. Croswell Projeto de pesquisa 213
volvida e submetida à aprovação dos "guardiões". Bogdan e Biklen (1992) Quadro 9 .2 1ipos, opções, vantagens e limítações da coleta de dados qualitativos
apresentaram tópicos que podem ser rrarados em uma proposta desse tipo:
• Por que o local foi escolhido para o estudo? 'PJlll!I.• -

-...o-;::::.:·-
• Quais atividades ocorrerão no local durame o esrudo da pesquisa? . o ptMqulMdOr tem Ul'NI
• O estudo será perturbador?
• P"'1lclponO. -
o pesqu!Ndor owtta o
-
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•9dofo:wno
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• Como os resultados serão relatados? t
•O podo .... p ......... ~
~····.:• . e.o o 1 3"edcr Mo pode

--·- --
• O que o "guardião" ganhará com o estudo?

·--·
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• O P11tle:ipio• oomo • ~ pour;:o cximum • O pnqulllldol poClt ftlO tor
• Comente sobre as questões éticas sutis que podem surgir (ver o obMl'vadcw .. o PIS*da poclíetn autglr durtn" 1 bon ~·de •tenç.Ao
Capítulo 3, e Berg, 2001). Para cada questão levantada, discuta como o
estudo da pesquisa será abordado. Por exemplo, quando estudar um tó-
pico delicado, é necessário omitir os nomes das pessoas, dos locais e das
atividades. Nessa siruação, o processo para mascarar as informações re· -
• Obu
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PROCEDIMENTOS OE COLETA OE DADOS ......... ........ umlDC.r~ . . ,.,_
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OOftWOltil' • linha do • A~ do peecp•Mor
Os comentários sobre o papel do pesquisador determinam o palco para Podt~r11

a discussão das questões envolvidas na coleta dos dados. Os passos da coleta •


... -~
~ !Oda .. PMlôll do

-
de dados incluem o estabelecimento dos limites para o estudo, a coleta igulltnerlie ~.
PiiOC44h-.
de informações por meio de observações e entrevistaS não estruturadas ""o- . . . . ••llOi p(iblicoa. · ~eo1wqiredm
ou semiesuuturadas, de documentos e materiais visuais, assim como do
• Doo
1* como rrhMI de · Nem~----·
- . . .. p.- *"'·~·­ ~-·
Podam w...lnrotmlÇÕIS
esrabelecimemo do protocolo para o registro das informações.
--~-·
-
• Doc::umentot prlvedOI, •cessado• em • prolegida.
• PodllTI Hf ... _ , _
• Identifique os locais ou os indivíduos intencionalmente selecionados

-
tais oomo dl6riot ou \#'n momtink>~
para o esrudo proposto. A ideia que está por crás da pesquisa qualitativa é a -dei...._
piltl OpMq.1 ' - ...ne
.,..._,
eo~p(dooou

s eleção intencional dos participantes ou dos locais (ou dos documentos • ~ (pil9 o pcc:qo 5
· ~WWWillimdldOt ~•ltdtw111çO..em
ou do material visual) que melhor ajudarão o pesquisador a entender o ~.PCli&os luONM Cllfklel9 d9 tineonnr.
problema e a questão de pesquisa. Isso não sugere, necessariamente, uma """"*""'1-.m
,,_....
. o. mlil. . . P«*fl . . .
amostragem ou seleção alentória de um grande número de participantes
e locais, como é tipicamente observado na pesquisa quantitativa. Uma
discussão sobre os participantes e o local pode incluir quarro aspectos
.,,_
·Como--
•tonÇIO 90 ~.ao..

.. ....
~...,.,.__.

••40••• tia.
. o. docunrt• •• podettt nlo
-~ouPNdloa.

--- .- ... -de..._.


identificados por Miles e Hubermao (1994): o local (onde a pesquisa será • Pode.., um mêlodo
realizada). os atores (quem será observado ou entrevistado), os evemos (o ·~ O:>n'í'f!nltnt. ele coktUi de • Pode nlO Mt .oMtlvtt

·-
• ()t)jel09 de •11t púbica ou prlY9d~.
que os atores serão observados ou entrevistados fazendo) e o processo (a . - de . . ... SlllO'•IO<-lo< • Piopoiclot1e 1.1Tte • ÃpntMnQI.""'

-
t •91b (pcw ...,,...
natureza evolutiva dos eventos realizados pelos atores no local). 09,..
........
--·
....................................
t ...
-"'6gnlo)podo -
• Indique o tipo ou os tipos de dados a serem coletados. Em muitos ~

estudos qualitativos, os investigadores coletam muitas formas de dados e


despendem um tempo considerável na coleta de informações no ambiente
. ~-lloo.Pl>ls-·
•MnçlO vttuai1meni.

natural. Os procedimentos de coleta na pesquisa qualitativa envolvem -&lo o..áolndl.j--de-(1998~ Bogdane8lolon (1992)• 0..-(2007).
quacro tipos básicos, como mostra o Quadro 9.2.
214 John W. Creswell Projeto de pesquisa 215

• Observações quaUtativas são aquelas em que o pesquisador • Use um protocolo para registrar os dados observacionais. Os pes-
faz anotações de campo sobre o componamemo e as advidades quisadores com frequência se engajam em observações múltiplas no de-
dos indivíduos no local de pesquisa. Nessas anotações de campo, correr de um escudo qualitativo e usam um protocolo o bservacional
o pesquisador registra, de uma maneira não estruturada ou semi. para registrar as informações. Ele pode ser de uma única página, com
estruturada (usando algumas questões anteriores que o invesdgador uma linha dividindo-a ao meio no sentido longitudinal para separa.r as
quer saber), as advidades no local da pesquisa. Os observadores noras descritivas (retratos dos participances, reconsrrução de diálogo,
qualitadvos também podem se envolver em papéis que variam descrição do local físico, relacos de deterrninaé!os evenros ou atividades)
desde um não panicipante até um completo participante. das notas reflexivas (os pensamencos pessoais do observador, tais como
• Nas entrevistas qualitativas, o pesquisador conduz entrevistas "especulação, sentimentos, problemas, ideias, palpires, impressões e pre·
face a face com os participantes, entrevista os pardcipames por conceitos", Bogdan e Blklen, 1992, p. 121). Também podem ser escritas
telefone ou se engaja em enrrevistas de grupo focal, com seis a oito dessa forma as informações demográfiros sobre o tempo, o local e a data
entrevistados em cada grupo. Essas entrevistas envolvem questões do local de campo onde ocorreu a observação.
não escrucuradas e em geral aberras, que são em pequeno número
e se desdnam a suscitar concepções e opiniões dos participantes. Quadro 9.3 Uma lisra de abordagens de coleta de dados qualitativos
• Durante o processo de pesquisa, o invesdgador pode coletar do-
~-··
cumentos qualitativos. Podem ser documentos públicos (p. ex.,
jornais, minutas de reuniões, relatórios oficiais) ou documentos priva-
t t
Rooliz• anocaçoeo de c a m p o - umo ot>wv1ç1o-., pon~.
1 'C

Reellzo enot11çoee de campo con<lutindO uma observaçlo como Obt«Vador.


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RNll<e onouoç6et de .,.,_
-lnOCaçoeode _P1•-1111la
_ _"'"1PG _ como
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peniclpantt
dos (p. ex., diários pessoais, carras, e-mails).
doquocomo~

• Uma categoria final dos dados qualitativos consiste de materiais R.-.z. • 1 ; e11 de campo P""*° cti 11 ~•Ido como um Mhnho •depois ennndo no klcat •
obMtv•ndo como wna peuoe envoMda.
audiovisuais. Esses dados podem assunúr a forma de fotografias,
E ., X
objetos de arte, videoteipes ou quaisquer formas de som. C:O....... uml-nlooatnlllndl.-.0. efaço~da-
• ~ utmt ~não~ lblrta, graw • flf"llNMMa em tudio e• nn.c::teva.

--...-
Conduza uma entrevista semle1trvlured1. Ol"l'Ve a entrevftc.e em *'<tio • a transcrevw
• Em uma discussão sobre as formas de coleta de dados, seja específico • Conduza uma ef'lttevista de grupo focal, orav.• em 6udlo •• transcrevo
sobre os tipos e inclua argumentos relacionados aos pontos fortes e fracos • Co<'>dvto-14>oade-· po1-.1acoot-.grupolocel.grupolocal-.
de cada tipo, como está discuddo no Quadro 9.2.
• Inclua dpos de coleta de dados que vão além de observações e en· • ManlM!ha um dl*lo ourante o ottudo de J>Mqulse.
::: l >

creviscas ápicas. Essas formas pouco comuns criam o interesse do leitor F-.;a um penldpatnce manter um dWirio dutan• o estudo ôe petQUisa
em uma proposta e podem captar informações úteis que as observações e C*'9 C*tM PMIOlia dos pirtHp . . .
--~(p ""-·"'"'''°'" _ ___ ,......_deerquM>)
entrevistas podem não conseguú: Por exemplo, examine no Quadro 9.3 a flQI Ot patt$dpM1os tirarem fotografia• ou fllmarem (11tlmutaçlo de tolot).
súmula dos dpos de dados que podem ser usados para estendec a imaginação El<lme de grilloot.
Roglao'OS-
sobre as possibilidades, como coleta de sons ou sabores, ou o uso de itens
4Mtilllfia.. A~utll =- hr z e -
apreciados para suscitar comentários durante uma entrevista. • ExNnlne evid6nc:ln.t do vostlgk>e nsk:oa (p oic.. peoad11 ne neYe)
• FMme Url'll sltuaç6o toeial, Individual ou O!'Upll
• ~bogtatuouvihw 1lpe1
• ~IO"'IP ""-· --.o....,deum1<Nnça. buzfnasde.....-)
PROCEDIMENTOS DE REG ISTRO DE DADOS • Cole4.-de-ll
• Co&ole mensagen1 de l.Oirto de telefones oelulato1,

Antes de enrrar no campo, os pesquisadores qualicadvos planejam sua


abordagem ao registro de dados. A proposta deve idendficar que dados o
"'"'""i<:>llnr v;ii ..,..,;..,..,.r e os orocedimentos oara o restistro desses dados.
.
• ~ pos...
~---
Fan"' ~de C - (2007)
ou"*""
. . Qvabquot---
Oluoia.
216 John W. C<eswen Projeto ~ pesquisa 217
• Use um protocolo de entrevista para formular perguntas e do texto e da imagem. Envolve preparar os dados para a análise, conduzir
registrar as respostas durante uma entrevista qualitativa. Esse protocolo diferentes análises, ir cada vez mais fundo no processo de compreensão
inclui os seguintes componentes: dos dados (alguns pesquisadores qualitativos gostam de pensar nisso como
• Um cabeçalho (com data, local, nome do entrevistador e nome do descascar as camadas de uma cebola), represenrar os dados e realizar
entrevistado). uma interpretação do significado mais amplo dos dados. Vários processos
• Instruções a serem seguidas pelo entrevistador para que procedi- genéricos podem ser estabelecidos na proposta para comunicar uma per-
mentos padrão sejam usados por vários entrevistadores. cepção das atividades gerais da análise de dados qualitativos como os de
• N; questões (geralmente uma questão para que~rar o gelo no in_f· minha autoria (CresweJI, 2007) e aqueles de Rossman e RaHis, (1998):
cio) seguida de quatro a cinco perguntas que sao com frequência • Trata·se de um processo permanente envolvendo reflexão contínua
as s~bquestões em um plano de pesquisa qualitativa, seguidas de sobre os dados, formulando questões anaJlticas e escrevendo anotações duran-
alguma declaração conclusiva ou uma pergunta como "Quem devo te todo o estudo. Ou seja, a análise de dados qualitativos é conduzida conco-
procurar para aprender mais sobre minhas perguntas?". mitan!emente con_i a coleta dos dados, a realização de interpretações e a
• Sondagens das quatro a cinco pergun.tas, para o a~~panh~ento reda~ de relatónos. Enquanto as entrevistaS são realizadas, por exemplo, o
e para pedir aos indivíduos para explicarem suas ideias mais deta- pesquisador pode estar analisando uma entrevisra coletada anteriormente,
lhadamente ou para elaborar sobre o que disseram. escrevendo anotações que podem ser finalmente incluídas como narrativa no
• Espaço entre as perguntas para registrar as respostas. . relatório final, e organizando a estrutura do relatório final.
• Um agradecimento final para reconhecer o tempo que o emrevistado • A análise dos dados envolve a coleta de dados abertos, baseada
gastou durante a entrevista (ver CresweU, 2007). em formular questões abenas e desenvolver uma análise das informações
fornecidas pelos participantes.
• Os pesquisadores registram infonnações das enrrevistas fazendo ano- • Com frequência vemos análises de dados qualitativos relatadas em
tações escritaS à mão, gravando-as em áudio ou. em vídeo. Mesmo q~ uma artigos de periódicos e em livros que são urna forma genérica de análise.
entrevisra seja gravada, recomendo que os pesqu1S3dores façam anoraçoes, no Nessa abordagem, o pesquisador coleta dados qualitativos, analisa-os por
caso de o equipamento de gravação falhar. Se for utilizada gra~ação em vídeo, temas ou perspectivas, e relata entre quatr0 e cinco temas. Considero
os pesquisadores precisam planejar antecipadan1ente a transenção da fita. ess.a abordagem. u~a an~se qualitativa básica; atualmente, mu itos pes-
• o registro dos documentos e dos materiais visuais pode ser baseado quisadores qualitauvos vao além dessa análise genérica e acrescentam
na estrutura de anotações do pesquisador. Tipicamente, as anotações re- um procedimento em uma das estratégias de investigação qualitativas.
fletem informações sobre o documento ou outro material, assim como ~r exemplo, a teoria fundamentada tem passos sistemáticos (Corbin e
ideias importantes que aparecem nos documentos. Convém anotar se a Stra~s, 200?; Strauss e Corbin, 1990, 1998). Estes envolvem gerar ca-
informação representa material primário (p. ex., informações diretame~te tegorias de informações (codificação aberta), selecionar uma das cate-
extrafdas da pessoa ou da situação que está sendo estudada) ou matenal gori~ e posicioná.la dentro de um modelo teórico (codificação axial),
secundário (p. ex., relatos de segunda mão da pessoa ou da situação, es- e en~ao ~licar ~a história a partir da interconexão dessas categorias
critos por ourras pessoas). Também convém redigir comentários sobre a (codificaçao selenva). O escudo de caso e a pesquisa etnográfica envolvem
confiabilidade e o valor da fonte dos dados. ~a descrição detalhada do local ou dos indivíduos, seguida pela aná·
lise dos dados realizada por remas ou problemas (ver Srake 1995·
w, 1 •
. o con, 1994). A pesquisa fenomeno16gica usa a análise de declarações
• '
ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS unportantes, a geração de unidades significativas e o desenvolvimento do
que Moustakas (1994) chama de uma descrição da essência. A p esquisa
A discussão do plano de análise dos dados pode ter vários compo· narrativa emprega a re-historização das histórias dos participantes
"""'"• n nmcesso de análise dos dados envolve extrair sentido dos dados utilizando dispositivos estruturais, como enredo, local, atividades, clímax
218 John W. Creswell Proje10 de pesquisa 219

e desfecho (Clandinin e Connelly, 2000). Como esses exemplos ilustram, Passo 1. Organize e prepare os dados para a análise. Isso envolve
os processos, assim como os termos, diferem de uma estratégica analltica transcrever as entrevistas, escanear opticamente o material, digitar as
para oucra. anotações de campo ou separar e dispor os dados em diferentes tipos,
• Apesar dessas diferenças analíticas, dependendo do tipo de estra- dependendo das fontes de informação.
1égia utilizada, os investigadores qualitativos com frequência us_am um Passo 2 . Leia todos os dados. O primeiro passo é obter uma per-
procedimento geral e comunicam, na proposta, os passos segw~os na cepção geral das informações e refletir sobre seu significado global. Quais
análise dos dados. Uma siruação ideal é mísrurar os passos gerais com as ideias gerais que os participantes estão expressando? Qual é o tom das
os passos específicos da estratégia de pesquisa. Uma visão geral do pro- ideias? Qual é a impressão da profundidade, da credibilidade e do uso
cesso de análise dos dados está apresentada na Figura 9.1. Como dica geral das informações? Às vezes os pesquisadores qualitativos escrevem
de pesquisa, estimulo os pesquisadores a observar a análise de dados anotações nas margens ou começam a registrar os pensamentos gerais
qualitativos seguindo os passos do específico para o geral e envolvendo sobre os dados nesse estágio.
níveis múltiplos de análise . Passo 3. Comece a análise detalhada com um processo de codifi-
• A Figura 9.1 sugere uma abordagem linear, hierárquica, consrrufda cação. A codificação é o processo de organização do material em blo-
de baixo para cima, mas a vejo como mais interativa na prática; os vá- cos ou segmentos de texto antes de atribuir significado às informações
rios estágios são inter-relacionados e nem sempre visitados na ordem (Rossman e Rallis, 1998, p. 171). Isso envolve manter os dados de texco,
apresentada. Esses níveis são enfatizados nos seguintes passos: ou as figuras, reunidos durante a coleta de dados, segmentando sentenças
(ou parágrafos) ou imagens em categorias e rotulando essas categorias
com um termo, com frequência um termo baseado na linguagem real do
participante (chamado um termo in vivo).

Antes de passar ao Passo 4, considere algumas observações que lhe


proporcionarão uma orientação detalhada para o processo de codificação.
Tesch (1990, p. 142-145) proporciona uma análise útil do processo em oito
passos:
1. Obtenha uma percepção do todo. Leia acentamente todas as transcrições.
Talvez você anote algum8.s ideias enquanto elas vêm à mente.
2. Pegue um documento (p. ex., uma entrevista) -o mais interessante,
o mais curro, aquele que está no alto da pilha. Aprofunde-se ne-
le, perguntando a si mesmo, "O que é isto?". Não pense sobre a
substância da infoanação, mas sobre seu significado subjacente.
Escreva seus pensamentos na margem.
3. Quando tiver rermínado essa tarefa para vários participantes, fa.
ça uma !isca de rodos os tópicos. Reíma os tópicos similares. Colo-
que-os em colunas, talvez dispostos como tópicos principais, tó-
picos únicos e descartáveis.
4. Agora, pegue essa lista e voice a seus dados. Abrevie os tópicos como
códigos e escreva os códigos próximos aos segmentos apropriados
do texto. Experimente esse esquema preliminar de organização para
1'l1?Ura 9 .1 Análise de dados na pesquisa qualiraâva. ver se emergem novas categorias e códigos.
220 John W. Creswell Projeto de pesquisa 221

5. Encontre a redação mais descritiva para seus tópicos e os trans- Outra questão sobre a codificação é se o pesquisador deve (a) de-
fonne em categorias. Busque maneiras de reduzir sua lista total senvolver códigos tendo por base apenCI$ as infonnações emergentes co-
de categorias agrupando tópicos que se relacionem. Uma ideia letadas dos participantes, (b) utilizar códigos predeterminados e depois
é traçar Unhas entre suas categorias para mostrar as inter-rela- ajustar os dados a eles, ou (c) utilizar alguma combinação de códigos
ções. predeterminados e emergentes. A abordagem tradicional nas ciências
6. Tome uma decisão final sobre a abreviação de cada categoria e sociais é pennirir que os códigos emerjam durante a análise dos dados.
ponha esses códigos em ordem alfabética. Nas ciências da saúde, uma abordagem comum é usar códigos prede-
7. Reúna o material dos dados penencente a cada categoria em um terminados baseados na [eoria que está sendo examinada. Nesse caso, os
lugar e realize uma análise preliminar. pesquisadores podem desenvolver um livro de códigos qualitativo,
8. Se necessário, recodifique seus dados. um quadro ou um registro que contenha uma lista de códigos prede-
[erminados que os pesquisadores utilizam para codificar os dados. Esse
Esses oito passos envolvem um pesquisador em um processo siste- livro de códigos pode ser composto pelos nomes dos códigos em uma co-
mático de análise de dados texruais. Há variações nesse processo. Como luna, uma definição dos códigos em ou.era coluna, e, depois, os momen-
dica de pes quisa, encorajo os pesquisadores qualitativos a analisarem tos espedficos (p. ex., números alinhados) em que o código foi encon-
seus dados para materiais que possam iratar do seguinte: trado nas iranscrições. Ter um livro de códigos desse tipo é valioso quan-
• Códigos sobre tópicos que os leitores esperariam encontrar, basea- do muitos pesquisadores estão codificando os dados de diferentes trans-
dos na lileratura passada e no bom senso. crições. Esse livro de códigos pode se desenvolver e mudar durante um
• Códigos surpreendentes e que não foram previstos no início do escudo baseado na análise decalhada dos dados, mesmo quando o pes-
estudo. quisador não está panindo de uma perspectiva de código emergente.
• Códigos incomuns e, em si e por si, de interesse conceirual para Para os pesquisadores que têm uma teoria distinta que querem testar em
os leitores (p. ex., em Asmussen e Creswell, 1995, identificamos o seus proje[OS, recomendaria o desenvolvimento de um livro de cód igos
reativamento como um dos códigos/temas na análise que sugeriu preliminar para codificar os dados e pennitir que este se desenvolva e
uma nova dimensão para nós para um incidente com u m pistoleiro mude, tendo em vista as infonnações obtidas durante a análise dos da·
no campus e que parecia estar conectado a experiências de outras dos. O uso de um livro de códigos é especialmente útil para campos em
pessoas no campus). que a pesquisa quantitativa domina e é necessária uma abordagem mais
• Códigos que tratam de urna perspectiva teórica mais ampla na pes- sistemática da pesquisa qualitativa.
quisa. Voltando ao processo de codificação geral, alguns pesquisadores têm
considerado conveniente codificar à mão as transcrições ou informações
Como uma conceituação alternativa, considere a lista proposta por qualitativas, às vezes utilizando esquemas de cor e conando e colando
Bogdan e Biklen (1992, p. 166-172) dos tipos de códigos que eles pro- segmentos de texto em canões de anocações. Essa é uma abordagem
curam em um banco de dados qualitativo: trabalhosa e que consome muito rempo. Outros 1endem a usar programas
• Códigos de local e contexto ~e compu1ador qualitativos para ajudar a codificar, a organizar e a separar
• Perspectivas dos indivíduos informações que serão úteis na escrita do escudo qualitativo. Estão dis-
• Maneiras de pensar dos indivíduos sobre as pessoas e os objetos poníveis vários programas de computador excelentes, e todos têm carac-
• Códigos de processo terísticas similares: bons CDs explicativos e demonstrativos, capacidade
• Códigos de atividade para incorporar tanto dados de texto quanto de imagem (p. ex., fotografias),
• Códigos de estratégia a caracterlsricn de armazenar e organizar dados, a capacidade de busca de
• Códigos de relacionamento e estrutura socia.I l~alizar todo texto associado com códigos específicos, códigos incer-rela-
• EsQuemas de codificação pré-designados c1onados para fazer restaurações da relação entre os códigos e a impona-
222 John W. Creswell Projeto de pesquisa 223
ção e exportação de dados qualitativos parn programas quanritativos, co- Passo 4 . Utilize o processo de codificação para gerar uma descrição
mo planilhas eletrônicas ou programas de análise de dados. do loca~ ~u das pessoas e também das categorias ou temas para análise.
A ideia básica que está por trás desses programas é que o uso do com- A descnçao envolve uma apresentação detalhada de iníormações sobre
putador é um meio eficiente para armazenar e localizar dados qualitativos. ~oas, lugares ou eventos em um local. Os pesquisadores podem gerar
Embora o pesquisador ainda precise vasculhar cada linha de t~to (~mo códigos para essa descrição, que é útil no planejamento de descrições
nas cranscrições) e atribuir códigos, esse processo pode ser mais rápido e detalha~as para projetos de pesquisa de esrudos de caso, etnográficos
mais eficiente do que a codificação à mão. Além disso, em grandes bancos e narranvos. Use então a codificação para gerar um pequeno número
de dados, o pesquisador pode localizar rapidamente todas as ~assagens de temas ou categorias, talvez cinco a sete categorias para um esrudo
(ou segmentos de texto) codificadas da mesma forma e det~rmmar _se os de pesquisa. Esses temas são aqueles que aparecem como principais re-
participantes estão reagindo a uma ideia de código de maneiras s1m1lares sultados nos estudos qualirativos e são com frequêncía utilizados para
ou diferentes. O programa de computador rambém pode facilitar a compa- criar úrulos nas seções de resultados dos esrudos. Eles devem exibir múl-
ração de diferentes códigos (p. ex., como homens e mulheres - o primeiro tiplas perspectivas dos indivíduos e ser corroborados por diversas citações
código de gênero - diíerem em termos de suas atirudes com rel~ção ao e evidências específicas.
fumo - um segundo código). Essas são apenas algumas caracterlsncas dos ~ém de identifi~ os temas durante o processo de codificação, os
programas de software que os tomam uma escolha lógica para a análise pesquisadores quahtaovos podem fazer muito com os temas para criar
de dados qualitativos em vez da codificação à mão. Como acontece com ~amadas adicionais de análise complexa. Por exemplo, os pesquisadores
qualquer um desses programas, os programas qualitativos requerem tempo mterconectam temas em um enredo de história (como nas narrativas) ou
e habilidade para serem aprendidos e empregados efetivamente, embora os desenvolvem em um modelo teórico (como na teoria fundamentada).
livros para a aprendizagem dos programas estejam amplamente disponíveis Os temas são analisados para cada caso e em diferentes casos (como
(p. ex., Weitzman e Miles, 1995). nos escudos de caso) ou moldados em uma descrição geral (como na fe-
A maioria dos programas está disponível apenas na plataforma do no~eno~ogia): Estudos qualitativos sofisticados vão além da descrição e
PC. Os programas de software de computador que minha equipe e eu usa- da 1denttficaçao e chegam a complexas conexões do tema.
mos no escritório de pesquisa são os seguintes: Passo 5. Informe como a descrição e os temas serão represencados
• MAXqda (http://maxqa.com/). Excelente programa baseado no na narrativa qualitativa. A abordagem mais popular é a utilização de uma
PC, oriundo da Alemanha, que ajuda os pesquisadores a avaliar e passagem narrativa para comunicar os resultados da análise. Essa pode
imerpretar sistemaácamente textos qualitativos. Tem todas as ca- ser uma discussã~ que mencione uma cronologia dos eventos, a discussão
racterísticas anteriormente mencionadas. detalhada de vários temas (completados com subtemas, ilustrações espe-
• Atlas.ti (http:/ /adasti.com/). Este é outro programa da Alemanha cificas, perspectivas múltiplas dos indivíduos e citações) ou uma discussão
baseado no PC, que permite a um pesquisador organizar arquivos com temas interconectados. Muitos pesquisadores qualitativos também
de textos, gráficos e dados visuais, juntamente com codificação, usam recursos visuais, figuras ou tabelas como adjuntos às discussões.
notas e resultados, em um projeto. Eles apres~n~am um modelo de processo (como na teoria íundamentada),
• QSR NVivo ((http:// qsrinternational.com). Este programa, o~un­ ~ma des:nçao do. I~ de pesquisa específico (como na etnografia) ou
do da Austrália, apresenta o popular programa N6 (ou Nud.1st) e mfonnaçoes descnovas sobre cada participante em uma tabela (como nos
o conceito NVivo de mapeamento combinado. É disponível apenas esrudos de caso e nas etnografias).
para Windows PC. PassÔ 6. Um passo final na análise dos dados envolve realizar uma
• HyperRESEARCH (http://researchware.com/). Este é um programa interpretação ou extrair um significado dos dados. ~rguntar "Quais
disponível tanto para o MAC quanto para o PC. É um software qua- foram as lições aprendidas?" capta a essência dessa ideia (Lincoln e Guba,
litativo fácil de usar e que pem1ite aos usuários codificar, recuperar, 1985). Essas líções podem ser a interpretação pessoal do pesquisador, ex-
-- - - · : .. .......... ...: ..... • N"u·1Au.,.1r ::.n:Slic;1H; rt~ rlados. pressa no entendimento que o investigador traz para o estudo de sua
224 Jolvl w. Creswell ~o de pesqUISa 225

própria culrura, história e experiências. Pode ser também um significado procedimentos. Ele também recomenda apresentar um protocolo e um
derivado de uma comparação dos resultados com informações coletadas banco de dados detalhados do escudo de caso. Gibbs (2007) sugere vários
da literatura ou de teorias. Dessa maneira, os autores sugerem que os procedimentos de confiabilldade:
resultados confirmam informações passadas ou delas divergem. Também • Veófique as transcrições para se assegurar de que elas não contêm
pode sugerir a necessidade de formulação de novas quescões - questões erros óbvios cometidos durante a transcrição.
levantadas pelos dados e pela análise que o investigador não havia pre~ • Certifique-se de que não há um desvio na definição dos códigos,
visto no início do estudo. Segundo Wokon (1994), uma maneira de os uma mudança no significado durante o processo de codificação. Isso
etnógrafos poderem concluir um estudo é formular questões adícionaís. pode ser realizado comparando-se constantemente os dados com
A abordagem do questionamento é também utilizada nas abordagens os códigos e fazendo anotações sobre os códigos e suas definiçõe.s
defensivas e participativas da pesquisa qualitativa. Além disso, quando (ver a díscussão sobre um livro de códigos qualitativo).
os pesquisadores qualitativos utilizam uma lence teórica, podem realizar • Para a pesquisa em equipe, coordene a comunicação entre os co-
interpretações que requerem agendas de ação para reforma e mudança dificadores por meio de reuniões regulares documentadas e do
Assim, a interpretação na pesquisa qualitativa pode assumir muitas for- compartilhamento da análise.
mas, ser adaptada para diferentes tipos de projetos e ser flexível para co- • faça uma verificação cruzada dos códigos desenvolvidos por dife-
municar significados pessoais, baseados na pesquisa e da ação. rences pesquisadores comparando resultados que são derivados
independentemente.

CONFIABILIDADE, VALIDADE E GENERALIZABILIDADE Os autores de propostas precisam incluir vários desses procedimentos
como evidências de que terão resultados consistentes em seu estudo pro-
Embora a validação dos resultados ocorra durante todos os passos posto. Recomendo que vários procedimentos sejam mencionados em uma
do processo de pesquisa (conforme demonstrado na Figura 9.1). essa proposta e que os pesquisadores individuais encontrem outra pessoa que
discussão se concentra nela para permitir a um pesquisador escrever possa verificar seus códi,gos, para o que eu chamo de acordo entre co-
uma passagem em uma proposta sobre os procedimentos para va.lidar os dificadores (ou verificação cruzada). Esse acordo pode ser baseado em
resultados que serão utilizados em um estudo. Os autores de propostas se dois ou mais codificadores concordam com os cód igos utilizados para
precisam comunicar os passos que seguirão em seus estudos para verificar as mesmas passagens no texto (isso não quer dizer que eles codifiquem a
a precisão e a credibilidade de seus resultados. mesma passagem do texto, mas ·se oucro codificador o codificaria com o
A validade não carrega as mesmas conotações na pesquisa qualítativa mesmo código ou com um código similar). Os procedimentos estatísticos
que carrega na pesquisa quantitativa, nem é uma companheira da confia. ou subprogramas de confiabilidade nos sofrwares de computador qualita-
bitidade (exame da estabilidade ou consistência das respostas) nem da tivos podem então ser usados para determinar o nível de consistênc.ia da
generalizabilidade (a va lidade externa da aplicação dos resultados a novos codificação. Miles e Hubem1an (1994) recomendam que a consistência da
locaís, pessoas ou amostras; ambas discutidas no Capitulo 8). A validade codificação esteja de acordo em pelo menos 80% do tempo para uma boa
qualitativa significa que o pesquisador verifica a precisão dos resultados confiabilidade qualitativa.
empregando alguns procedimentos, enquanto a confiabilidade quali- A validade, por outro lado, é um dos pontos fortes da pesquisa qua-
tativa indica que a abordagem do pesquisador é consistente entre dife· litativa, e se baseia na determinação se os resultados são precisos do pon·
rentes pesquisadores e diferentes projetos (Gibbs, 2007). to de vistâ do pesquisador, do participante ou dos leitores de um relato
Como os pesquisadores qualitativos verificam para determinar se (Creswell e Miller, 2000). São abundantes os termos na literatura quali-
suas abordagens são consistentes ou confiáveis? Yin (2003) sugere que tativa que expressam essa ideia, tais como fidedignidade, auten1icidade
os pesquisadores qualitativos precisam documentar os procedimentos e credibilidade (Creswcll e Miller, 2000), e esse é um tópico muito discuti-
de seus estudos de caso e documentar o máximo de passos possível dos do (Lincoln e Guba, 2000).
226 John w. Creswell Projeto de pesquisa 227
Uma perspectiva procedural a qual recomendo para as propostas de • Apreseme também infonnações negativas ou discrepantes as quais se
pesquisa é a de identificar e discutir uma ou mais estratégias disponíveis o~ aos temas. Como a vida real é composta de diferentes pers-
para verificar a precisão dos resultados. O pesquisador incorpora ativa- pecavas que nem sempre se unem, discutir as informações contrárias
mente a sua proposra às estratégias de validad e . Recomendo o uso de aumenra a credibilidade de um relaro. Um pesquisador pode fazer
múltiplas estratégias, as quais devem melhorar a capacidade do pesquisador isso discutindo as cvídênc.ias sobre um rema. A maior pane das evi-
para avaliar a precisão dos resultados e também para convencer os leitores dências vai gerar um caso para o tema; os pesquisadores também
dessa precisão. Há oito estratégias principais, organizadas das mais fre. podem apresentar informações que contradigam a perspectiva geral
quentemenre usadas e fáceis de implementar para as ocasionalmente usa- desse cerna. Apresentando essas evidências contradicórias, o relato
das e mais difíceis de implementar: torna-se mais reaHstico e, porcanro, válido.
• Triangule diferentes fontes de informação examinando as evidências • Passe um rempo prolongado no campo. Dessa maneira, o pesqui-
das fontes e utilizando-as para criar uma justificativa coerente para sador desenvolve um encendimenco profundo do fenômeno que
os remas. Se os cernas forem estabelecidos baseados na convergên- está sendo estudado e pode comunicar detalhes sobre o local e
cia de várias fontes de dados ou perspectivas dos parricipanres, as pessoas que conferem credibilidade ao relato narrativo. Quanto
então pode-se dizer que esse processo está auxiliando a validação mais experiência um pesquisador tem com os participantes em seu
do escudo. local real, mais acurados ou válidos serão os resultados.
• Utilize a verijiroção dos membros para determinar a precisão dos re- • Utilize a revisão por pares (peer debriefing) para aumentar a
sultados qualirativos recomando o relatório final ou as descrições ou precisão do relato. Esse processo envolve localizar uma pessoa
os temas específicos aos participanres e derenninando se esses par- (um debriefer entre os pares) a qual examina e formula questões
ticipanres os consideram resultados. Isso não significa retomar as sobre o estudo qualitativo para que o relato repercuta em outras
cranscrições bruras para verificara precisão; em vez disso, o pesquisador pessoas além do pesquisador. Essa estracégia - que envolve uma
recoma panes do produto aprimorado, como os te.mas, as análises de interpretação além do pesquisador e investida em outra pessoa -
caso, a teoria fundamentada, a descrição cultural, e assim por diante. aumenta a validade de um relato.
Tui procedimento pode envolver a realização de uma entrevista de • Utilize um audiror externo para examinar todo o projeto. Distinta-
acompanhamento com os participanres do escudo e proporcionar uma mente de um debriefer entre pares, esse auditor não está familiarizado
oportunidade para eles comentarem os resultados. co~ ? pesquisa~or ou com o projeto e pode realizar uma avaliação
• Utilize uma descrição rico e densa para comunicar os resultados. Es- obJeava do proJCtO durante todo o processo de pesquisa ou na con-
sa descrição pode rransponar os leitores para o local e proporcio- clusão do escudo. Seu papel é similar àquele de um auditor fiscal, e há
nar à discussão um elemento de experiências compartilhadas. ~r perguntas especificas

que os auditores podem fazer (lincoln
.
e Cuba
. t

exemplo, quando os pesquisadores qualiracivos apresentam descri· 1985). O proc:ed1mento de pedir que um investigador independen-
ções deralhadas do local ou apresentam muitas perspectivas sobre te examine muicos aspeaos do projero (p. ex. a precisão da transcrição,
um tema, os resultados tornam-se mais realistas e mais ricos. Esse a relação entre as questões e os dados de pesquisa, o nível de análise
procedimento pode aumentar a validade dos resultados. dos dados a partir dos dados brutos por meio da inrerpretação) au-
• Esclareça o viés que o pesquisador traz para o estudo. Essa autor· menta a validade geral de um escudo qualiracivo.
reílexão cria uma narrativa aberta e honesta a qual vai impressionar
bem os leitores. A reílectividade tem sido mencionada como uma Generalização qualitativa é um termo utilizado de uma ma-
característica básica da pesquisa qualitativa. A boa pesquisa qua· neira limitada na pesquisa qualitativa, pois a intenção dessa forma de
litativa contém comentários dos pesquisadores sobre como sua investigação não é generalizar os resultados para os indivíduos, os locais
interpreração dos resultados é moldada por suas origens, tais co- ou as situações fora daqueles que estão sendo estudados (ver Gibbs, 2007,
- ............ "ª"""~ ,.uhurn hi<;r/iiri:. P orieem socioeconõmica. para esta nota de advenência sobre a generalizabilidade qualitativa).
228 John W. Creswell Projeto de pesquisa 229

Na verdade, o valor da pesquisa qualitativa está na descrição es~ca No nível específico, algumas estratégias da escrita podem ser as
e nos temas desenvolvidos no contexto de um local especifico. É mais a seguintes:
particularidade do que a generalizabílidade (Greene e Caracelli, 1997) que • Ucilize citações e varie sua exterisào de passagens curtas a longas
constitu.i a marca da pesquisa qualitativa. Entretanto, há algumas discussões incorporadas.
na literatura qualitativa sobre a generalibilidade, especialmente quando • Faça um roteiro da conversa e relate a conversa em diferentes lín-
aplicada à pesquisa de estudo de caso em que o investigador estuda vários guas para refletir a sensibilidade culturaJ.
casos. Ym (2003), por exemplo, acreclita que os resultados do estudo de • Apresente as informações de rexto em forma de quadro (p. ex., ma-
caso qualitativo podem ser generalizados para alguma reoría mais ampla. A trizes, quadros de comparação de diferentes códigos).
generali:wção ocorre quando os pesquisadores qualitativos estudam casos • Use o modo de expressar dos participantes para formar códigos e
adicionais e generalizam os resultados para os novos casos. É o mesmo que rórulos de temas.
a lógica da replicação utilizada na pesquisa experimental. Entretanto, repetir • Entremeie citações com interpretações (do autor).
os resultados de um estudo de caso em um novo cenário de caso requer • Use recuos ou outras formatações especiais do manuscrito para
uma boa documentação dos procedimentos qualitativos, tais como um chamar a atenção para as citações dos participantes.
protocolo para documentar o problema em detalhes e o desenvolvimento • Utilize a primeira pessoa "eu" ou o coletivo "nós" na forma narrativa.
de um banco de dados completo do estudo de caso (Yin, 2003). • Use metáforas e analogias (ver, por exemplo, Richardson, 1990,
que discute algumas dessas formas).
• Use a abordagem narrativa geralmente usada em uma estratégia de
O RELATÓRIO QUALITATIVO investigação qualitativa (p. ex., a descrição nos estudos de caso e, nas
emografias, uma hlsrória detalhada na pesquisa narrativa).
Um plano para um procedimento qualitativo deve terminar com • Descreva como o resultado da narrativa será comparado às teorias
alguns comentários sobre a narrativa que emerge da nn~lise dos da~os. e à literatura geral sobre o tópico. Em muitos artigos qualitativos,
Existem muitas variedades de narracivas, e exemplos de revtstas acadêmicas os pesquisadores discutem a literatura no final do estudo (ver a
ilustram os modelos. Em um plano para um estudo, considere a sugestão discussão no Capítulo 2).
de vários ponros sobre a narrativa.
O procedimento básico no relato dos resultados de um estudo qualitativo
Exemplo 9.1 Procedlmenloi qul/llallvoa
é desenvolver descrições e temas que comuniquem perspectivas múltiplas
dos participantes e descrições detalhadas do local ou dos indivíduos. Uti-
lizando-se uma estratégia de investigação qualitativa, esses resultados po-
dem também proporcionar uma narrativa cronológica da vida de um indi-
víduo (pesquisa narrativa), uma descrição detalhada de suas experiências
(fenomenologia), uma teoria gerada dos dados (teoria fundamentada), um
retrato detalhado de um grupo que compartilha uma cultura (emografia) ou
uma análise profunda de um ou mais casos (estudo de caso).
Dadas essas diferentes estratégias, as seções dos resultados e da inter-
pretação de um plano para um estudo podem discutir como as seções
serão apresentadas: como relatos objetivos, experiências do trabalho de
campo (Van Maanen, 1988), uma cronologia, um modelo de processo, uma
história ampliada, uma análise por casos ou entre casos, ou um retrato des-
critivo detalhado (Creswell, 2007).
230 John W Creswell Projeto de pesquisa 231

t:. em grWKle p(Mfe, um processo~ no qual o pesquisadorpouco 10. A objetlvidede e a veracidada sao fundamentai.,,,,.~ ct~ ~
a pouco eJlfTIJ/ .mJdo de um fenômeno sociel contlBstando, cornpwW!do, da pesquisa. Entratanto, os cmlrios para ,.f'l'P8' !"!" !~ qualitáliilo
t8pllcendo. cMMogendoaclesslff(;àndoo ob/elodoes!Udo (Mies e ~ dlferemd«JuelesdapesqulsaquanlilatMLMtNt#..,,_:-olfogc~
1984). Marshall e Rossmen (1989) SUflBl9"' que 13SC>8'Mlll.<9 lmetsllone ~ busce a etedibilidade, baseada na COlll'lnda, nolilllgllt1t 1111 ~
cotidiane do locfll escolhido pen1 o estudo; o pesquiadorenh no mundo dos fnstrumenlal {Eisner, 1991), ea li<fedlgnldadll (Unc:okie GUbli.1985)PQr:
/nformllntese, pormelo de uma in~ COfltfnua, bu&ceasperapecliv8s !f OS melo de um processo de veriffcaçllo, em vez de pocme/o dei! medidils.
$/gnlflceclo& dos lnfotm11ntes-. (São menclQnadas as suposições qulllllallvas). tradicionais de vafldadti e connablfldllde. (As cal'aclerlstk:as qualltétiViis
Os ecedlmlcos anrmem que a pesqvlsa que/itfl/va pode 8#/r distlnguide da sao mencionadas.)
metodologla ·quantltetlva por muítllS Cllmofflrfsllcas 8/nglJl/lres as quais silo
O Projeto de Pnqulsa Etnográfico
's
in11111n1es ao projelo. Segue uma slntesa das supoWôes comumen~ articula-
das com re/açSo ca1t1cterlstlcas apresentadas porv(Jtlos pesqulSIJdores,
1. A pesquisa qual/181/va ocorre nos ambi&ntes nafu1t1ls, onde oco""m o
Este estudo vel utilizar a tradiçlo da fle1S9ulS(J e~1'6fo!!. Este~
emergiu cio campo da antropologia, principalmente daa contrlbu/ÇDtis mi
compoltamento e os ewmtos humanos. BIOnlSlaw Melinowsld, Robert Pari< e Franz Boas (Jlciob, 19117; Klrk e Miller.
2. Apepqc isa quallalMJ besela-se em Sl.J>OS9'8S que silo /llUfo dlilrallBs dos 1986). A 1ntenç10 da pesquisa etnograllce lt ob(W ;.vil ijüadrri Jió/fstkiOY/6
ptfJÍ(lf0$~ A llBOrla ou as~ nilO do eitahe/ecldas a priori. tema do estudo. oom ênfase na ntlralllçto d11s 1tiq»íflnclas ~
3. O pesquisador 1 o princJpal Instrumento na colete de dados, em vez de dos t11Cflvlduos por melo da obsetVeçAo e de entnMstas ntetlzadas com
11/gum /l'lllC6llismo inanimado (Eisner, 1991, Franket e Wallen, 1990; eles e com outras pessoas rel8vantea (Fraenkel e Walen, 1990). O estudo
Lincoln e Guba, 1985; Meniam, 1988). etnográfico me/ui entrevistas em profundidade e observeçlo persistente e
continua do p81tk;lpante em uma sítuaçllo (Jacob, 1987) e, tentlJ/ldo captar
4. Os dados que •met'gflm de um e$WdO qualitativo s4o descntivOs. Ou
lodo o qlJ/ldro, revela como as P8S$08S desct1t11em e eatMut8m seu mundo
seja, os dados silo relatados em pafavr8$ (prlncipllknente as palavras
(Frae11kel e Wallen, 1990). (O autor usou 11 abotdagem eln0gtéflca.)
do palfieipante} ou imagens, em vez de em n~ (Fraenkel e Wanen,
1990; Locke et ai., 1987; Marshall e Rossman, 1989; Mernam, 1988). O P•pet do Pnqulaador
5. O foco da pesquisa qualitativa silo as ~ e as •JtP6(16nci8s dos
(J8f1fclpantes e a maneira como 8/9S eldl8fml sentido de suas vfd8S (Fraenlull Part/cult1rmente na pesquisa qualrtatlva, o papefclopesqu/secloiciimo oprtnclpa/
e Wallen, 1990: LOCl\&et at., 1987; Merriam, 1988). Por Isso, a tentativa nao Instrumento de COieta de dadoS nece$$ila da /den~f/càlJlo dos valores pel!SOllf$,
aenlendeí uma, masmlill/p/88 realidBcles (Lincoln e Guba, 1985). das suposições e cios viesas no Inicio do estudo. A contrlbulglo do inV8Sligador:
pare 11 Situaçllo da pesquisa pode ser lltJ e ~. em vez de pre)udldel
6. A pesquisa qualllàllva se concentra no processo que es,. ocon8fldO e
(locke et ai., 1987). Minhas peroepções dll ~~e dll 1*xfll da
tamblmnoprodutoout8SUllado. Os~estaopaiflcularmente
faculdade'*" sklo moldadas por minhas ~pw1a.1s. Oe egosto de
lnlelessedosemenlendercomoascoisasm:onr-m(FraenketeWalen,
1980 e maio de 1990 trabalhei corno IKlmlni#rector de f«ddedes privfKlaB de
1990; Menlam, 1988).
600 a 5 mi alunos. Mais recentemente (1981-jf»OJ~ - Pf(Hf/lOr
7. E!ldz.a.11~ttlogiálicaEin~ptN!He­ de graduBÇ*> em i.ma pequena faculdllde do A~ CGmo ~dó
çto6a~eosdlldSS40-êlãQÁoom~a'ril* gabinete do/afw. estavaenvoMdocom1Dd41ses~•·cteci~dt~
a'8rirllldN dt um CllSO, em wzile áSgi11~
nlvel aqmit1'slnltNoclo gebíne(e, e hba6181 i~:;a=~
8. A pesquu quelltlllliva 1 um pnl/fll.D 811191VllllÍB em #IJS resulhldos ~ com bs,ollcials de gabinete, com o lab:e ~o ~llstir;:;
goçledol. 0. llgnltfcado$ e as ~ .ao negociados com as Além de me oomunlcardie"*-*com o l\lti; ili&~
tontas de dados humanos IJOlflU#J sSo as realidade• dos fndlvk/ws que o prlmeíro'eno no CBlgO. Acr9dilO que esse enflfid'trieillo ~xtoe i!Õpáfiél
pesqulaadortente reconatrulr(UllCOln 1tGuba, 1985; Merrlem, 1988). aumenta 111/nhe comcilncia, meu conhecfmelllo • t'rilillitl'~ dri mui'
9. Eaae lrlldlç4o da pesquise baseie-se na ulilizaçlo de C011/!eC/menlO M- tos dos ~ das tJecJslJes e do$ ptrlblemN enCOÍlfl'lldOS por um i'flltorem
e/lo, {COll/leC/mento intuitivo e senlldO) pois com frequência as nuances seu Pfll1leltc eno de eXfNÇfclo no CllfllO, e Vll/11'! ~ s ~llT cOm o Jn.
<1a11 teal/<I0(/91 mllltlp/lls podem ser meia epr9Clad11s dt1'84 maneira fonnante fl8Sle estudo. Tenho o COflh8cimetlkí t~ ~ lfa Bducaç6o
(LlllCOln e Gubll, 19115). Por isso, os dados l1IO do quan~vels no superior quanto do papel da rei1oti8 da ~~Siiifc:leCla uma arenÇió
pertlculot ao papal cio 110110 reitor ne lnfclllçlo dé ~ní;ils. Oonstti)f6o d8
sentido l1t1dlclona1 da palavra.
---- l
232 John W. CresweU Projeto de pesquisa 233

re/aciomVtlel)tOS, tomada de deeisOes e ctemonsttaÇAo de /id8rançe e \'fado. e os desejos do(s) informante(s). A/6 cetto ponto. e ~sq~1,
Devido és exl)8rl6nclas anteriores lrebalhe'tldo de perto com um novo reitor sempre Invasiva. A obS8rveçtJo do pattic/psnle lnlfllf/t! e Vii/à~
de facufd8d8, t1&g0 alguns vies8s e este estudo. Embora todo e~ sent (Spradley, 1980) e lnfonneç6es HnllveiS ~~
f8ilo para gatanbr a ob/8tivldade. tais vieS8s podem moldar a 1718n8inl como Esse .i uma preocupeÇlo palfk:uler neste '18fll40, ~ q_~
V8jo e entendo os de</os que coleto e a maneira em que lnterprato minhas a instituiç/Jo do Informante silo extremamente vlslwlt. S.tt eril
experifnclas. Inicio esta estudo com a perspectiva de que a raitorfa de U/718 das H seguintes salvaguardas pera ptOteger os ~ liô ~
faculdade 6 uma pOSiçSo diversíf/C8Cla e frequenlam8nte chflcil. Embora as 1) os objetiVO& da pesquise S8nl0 ettiCulado& w~e ~~
expectatives sejam imensas, quesbono quanto podero reílor tem para Iniciar
mut:Janças e damonstrar llderanÇ8 e vls4o. Encaro o primeiro ano como
para que sejam Claramente entendidos paio Informante )ft\lillulndOI
descriçllo de como os dados serllo utlflzados); 2) o /nfo!_l!!~~!!J~
critico; repleto de ajustas, frvstroÇôes. surpresas lmprovlstas e desafios. (0 uma parmlss/lo por escrito para o Pf048'flu1men10 dó~~
autor fez uma reftexao sobre seu papel no estudo.) articulado; 3) um formuláriO de isenÇlo da pe&qutsa ~ ~
lnst1tutional Review Bollrd (IRB) (Aplndlctls 81 e 82); •J o irlfoitíiMfê íiiM
Limitando o Estudo Informado de todos os dlaposilivos e as atlv(dedff de cpltt~:'1t;ií'1.o~
Local 5) as transcriç(Jes /iterais e as lntefp(U,lli'?.PB• • os ~lt!lfc?.l:t1...~
Este estudo S8ré conduzido no campus de uma faculdade estadual do Meio- rllo disponlblllzados para o lnfonnllnle; ~#. ditjjfóS, C!ií ~·
'°8sfa. A faculdade eslé situada em u/718 comunidade ruraJ do l.feit>.Oeà. desejos do lnfonnanle •rio ~ em ~ ll!'i!@l~
Os 1. 700 alunos da mstituiçllo slJo quase o triplo de populBÇSo da 1 mR forem feitas e~o/has com ral~ ~ dedQS; e 7) ' d~ó ffitil.
habitantes da cidade duranta o parlodo letivo. A instltulçllo concede lltu/os roleçllo li snonlmldade do lnfomlente cebelll 11'1 prdptlq. (0 autor'.,...1i•'"'
de licenciado, de bacharel e de mestra em 51 disciplinas das queslõé$ éticas e do exame do IRS.)
AIOtes Eatra"ela• da Colete de Dados
O Informante <ieste estudo .i o novo renor de uma faculdada esradual do
Melo-cesta. O principal Informante deste estudo .i o ro1ror. Entraranto, eu o Os dadós serllo coletados da fevereiro a maío de 1992, lnclultlci um mlnf-
estarei observando no contexto das reunlôes tKlminJsuativas do gabinete. mo de entrevistas bimensais graVlldaa, de 45 minutos. c:om o ~
O gabinete do redor inclui Irás vice-reitores (Assunros Académicos, Adml- (questões inlc/ais da entrevista, Aplnd!ce C}, ~~.I b/qlft!Sfía~dé
nistraçllo e Assunros Estudantis) e dois pro-relt0t8s (Esrudos de Groduaçllo duas horas de reuniltes do gabinete adminlslrat/vo,;,::~• bllff1
e Educaçllo Continuoda). de duas horas das alivídadfls diárias 11 ~ do '-
de documentos (minutas de tauniON, ~ 'do~
Eventos
A/6m disso, o lnfonnante concordou em gravar /mpt81186ea de ~~
Usando o metodo/ogiB de pesquisa etnográfica. o loco deste estudo wto as
rlOncias. pensamentos e sentimentos em um d/Ado Qfl!vado (dltéJP,J ~
experi6nc/Dseoseventoscolidlenosdonovoraíloráaf9éuldadeeasperoepções
re e renexllo grevada, Apéndice D). Duas entnwlllu de~
e o significado relacionados a essas expetMnclas como s4o BJl/Xflssedos pelo
lnlormanle. Isso illctul a ass.ini'açdo da e\"M/os ou de informaçOOs inesperadas
senlO mateadas para o fim da maio de 1992 <-o Aplrld/oe E ~ 1-.
nha da tempo et o programa de alMd4de f'l!'POlfOll). (O ~I
e a extniç4o de sentido de eventos e ques/6es cnooas que surgem.
zar, entrevislas face a fece, pai1iclpír como o~(Vlldor ~. ~
Procnsos tos privados.)
Estarei patticu/armente atento ao papal do novo reitor na iniclaçllo de •
mudanças. na construçáo da relacionamentos, na tomada de decis(Jes e
na demonstraçlo de llderam;e e vlsllo. (O autor mencionou os limites da
coleta de dados.)
Consldwaçlles t ucu
A maioria dos autores que discute o ptO/eto de pesquisa qualitativa lnllll
da lmpott/lncie das consideraç6es éticas (Locke et el.• 1982; MarshaU ~
Rossman, 1989; Memam, 1988; Spràdléy. 1980). Antes de tudo, o pe1qu/.
sador tem a obngaçllo de respellar os direitos. as nec.u/dades, os valotes
234 John W. Creswell Projeto de pesquisa 235

Procedimento d• An611se clo9 Dados


Meniam (1988) • ~atSllal/ • ROS$111an (tP89) a6nnam qut a colete e~
""61/se dos cledoa devem - um ~ siniifaneo ne pesqíiisã quao
fítatlve. Scha!Zmlln e StnlU# (1973) ~ qcie a anM/se do ~
qua//tetlvos envolve ptinciptllmente cla3Sllfcar as ~. tis pessoas e os
eventos e as proprl6fledes que os caractetlf.llm. 7ipk:a/fl8nl8, durante ledo
o ptOCesso de afllNse dos dados. os •tn6(Jtalos jndeum ou f:oâlllc8tn
seus dados ullllzando o mált/mo de cafeilorlft ~.(~. 1987) Elea
buscam idetltlflcere dncfever padtOss • 1'1111111• a píirt!re/e ,,..Spedlva do(s)
pat1icipante(s), a depois tentam comprHllder e e~ ""'8ll padtOes e
temas (Agar, 1980). Duranl• a anélise dos dados, e/f,s aie(!o organizados
categórica • CIOllOloglcamente, examinados ff1P8tid8s veze:J e continua-
mente codiflçado& Setá composta uma lista das princip81$ Ideias que lldln
à tona (QOmO foi •Ufl8rldo porMenirlin, 19811). Aa~~ e o
diário gravado do partiCJpante senio trenat;tltri8 ~ A& ~s
d8 campo e as Inclusões no dllltlo séifo iilgüláíriiente reWstBs: (O lliltOr
descreveu os pasaoa na an6111e dos cllidof.)
Mim dissD, O piOCeSSO de 8"'/ise dos d«Joa ilclRI 8UXilfado pelo • de
um programa computado/Zado de anl/IN de dados qllf/llÍll/v06 C!Htm•
do HypelOual. Raymond PadRla (UnlVets/dade do Esllldo dO Arlzo111i) ~
o HypelQual em 1987. para 11ttr usado com o computador MlllCinlotil O
HypetOual, utllza o software HypetCard. faollil'a o ~ • 881N111tt de
dedos de textos a grdllcos. Araas aspeçials estao ~a annezanar a
organizar os dados Ut/linndO o HyperQual, o pe$q1Jfsadq;. poda_ 'entrar
diretamente nos dados de campa, Incluindo os dados de IJ(lfr9vtste, obser-
Vl19Õ6S, anota90as do pesquisador e ·~··· {•) IOlular (ou codlflçalj
todos 0$ dados ou parte dos dados da fonte pata que os blooos de dados
possam ser extra/dos e depois f98(J1IJplldoe.,,, uma l1IMt ~ aa-
o/areoodors' (PadMla, 1989, p, 69-70). B/Qcó8 de dsdo$11Qnlffçat/lios podem
- ldenlfffcados, recuperados, Isolados, agnipados e l'IHlgnJfJ8dos para 8116· Relato doe Resultados
fse. Aa categorlas ou namBS de ~podam ser ínS8lldos lnlcialmenla ou Lolland (1974) sugara que, embora as ~de ç0/6ta a de análisa dos
em uma data posfetlor. C<ldillOS podam - ~ modiflcildoa ou dados sejam simllltes nos llWllodos ~e.;-mo os 19SllltadoS-
delegados com o adilot" HyparQual a o laxfQ PiJW #N buSC8do pa111 N /itfn-
5'o 181atados á diferente. Máas a ~lil~~~
e~ ~
cipalscategotlas, temas, palavras ou frll8es, (O autonnal\Clona o uso proposto dll
de um sot1wa111 da computador para a análise do8 d~) de ;;e .criar um painel dos dados • • natr8t/v0
forma mais (requente de aldblÇao dos · Este á um 9'teido:
nattxellstJco. Por isso, os resultat!'f- dit fOlma ~~ a
V.rtftgçlo
nanalNa, em wz de um relalórlô êlefítlftiíti ~~ se/li o~
Pare garenlir a VIJ/Jdade Interna serllo empregadas as sagu/rJtes estrallglas: para 1\ comun~ de um qutidro ~ ';!Ja'f.i;pfr;lnc111s de um (TOllC!
1. Triangulaçlo dos dados - Os dados setto coletados por maio de raltor de faculdade. o projeto finei ..~ Wfllt ~ das •xpetflnclas ao
múltiplas fonles para Incluir entrevistas. observações a anflllae de /!11!
lnf!Nmante a os significados que ela aWJúJi~ que os~
documentOS: experimen/am de forma indireta os dé11/G.i~~ 4!()Calllta a f)f'OflOldonar
2. Cltacagam do membro- O informante vul etuaroomo um controla durante uma lente etre111is da que/ os laitol'as P<fdM.19 Wo ~ do indMd<Jo. (Os
tOdo o processo de análisa, Um diálogo continuo com rstaç4o a minhas résultadoa do eSIUdo foram meoclon8dos.)
236 John W. Creswell Projeto de pesquisa 237

RESUMO
E• ercicios de Redaçlo
Es1e capítulo explorou os passos utilizados no desenvolvimento e na 1. Escreva um plano para o procedimento a ser utilizado em seu estudo qua-
redação de um procedimento qualilativo. Reconhecendo as variações exis- litativo. Depois de escrever o plano. utilize o Quadro 9.1 como lista de ven-
1entes nos estudos quali1ativos, o capítulo apresenta uma direrriz geral íicação para determinar a abrangência de seu plano.
para os procedimentos. Essa diretriz inclui uma discussão dascarac1erísticas 2. Desenvolva uma tabela que liste, em uma coluna li esquerda, os passos
gerais da pesquisa qualitativa caso o público não esteja familiarizado com que você planeje seguir para analisar seus dados. Em uma coluna à direita.
Indique os passos quando se aplicam diíetamente ao seu projeto, a es-
essa abordagem da pesquisa. Essas características são o fa10 de que a pes.
lralégia de pesquisa que planeja usar e os dados coletados.
quisa ocorre no ambiente natural, baseia-se no pesquisador como instru-
mento para a coleta de dados, emprega múltiplos métodos de coleta de
dados, é indutiva, é baseada nos significados dos panicipames, é emer-
gente, frequentemente envolve o uso de uma lente teórica, é interpretativa L.E ITURAS ADICIONAIS
e holistica. A diretriz recomenda mencionar uma estratégia de investigação, Musball, e. & Rossman, G. B. (2 006 ). Duigning qu.a litarive ruearch
como o estudo de indivíduos (narrativa, fenomenologia), a exploração de (4th ed.). Tho us and Oaks, CA: Sage.
processos, deatividadese deeven1os (estudo de caso, teoria fundamentada). Catherine Marshall e Crerchen Rossman Introduzem os procedimentos para o pla-
ou o exame amplo do comportamento de indivíduos ou de grupos que nejamento de um estudo quaUuuivo e uma proposta qualitativa. Os tópicos cobenos
companilham uma cultura (etnografia). A escolha da estratégia precisa são abrangentes. Incluem a construção de uma csmu:ura conceicual em tomo de um
ser apresentada e defendida. Além disso, a proposta precisa tratar do pa- estudo; a lógica e as suposições do projeto geral e dos métodos; os métodos de coleta
pel do pesquisador: experiências passadas, conexões pessoais com o local, de dados e os procedimentos para administrar, registrar e analisar dados qualitativos;
os passos para obter o acesso a questões éticas sensíveis. A discussão da e os ttcunoS nccessru!os parn um escudo, como tempo, pessoal e financiamento.
E.<se é um texro abrnngenre e criterioso, com o qual ramo pesquisadores qualltadvos
colera de dados deve incluir a abordagem intencional da amostragem e as iniciantes quanto mais experientes podem aprender.
fonnas dos dados a serem colerados (i. e., observações, enrrevistas, do-
cumentos, materiais audiovisuais). Convém também indicar os tipos de Fllck, U. (l!d.). ( 2007). The Sage Qualitatíve Researdt Kit. Londan: Sage.
Publicado pela Aruned Editora, a Coleçdo Pesquis<J QualitaciYa reúne seis Livros coordenados
protocolos de registro dos dados que serão utilizados. A análise dos dados
por Uwe Flid< com a prutidpação de autom de pesquisa qualirotiva de nl~ internacional,
é um processo contínuo durante a pesquisa. Envolve analisar as infor· e íol criada pera abordar coletivamente as questões básicas que surgem quando os pesqui·
mações do panicipame, e os pesquisadores geralmente empregam os sadores realmente far.em pesquisn qualitativa. Ele aborda o planejamento e o proj<?to de
passos da análise geral e também aqueles passos encontrados em uma um estudo qualitativo, a coleta e n produção de dados qualitativos, a análise de dados qua.-
estratégia de investigação específica. Os passos mais gerais incluem a titaúvos (p. ex., dados visuais, an4lise do disolnoJ e as que5lÕeS da qualldade na pesquisa
organização e a preparação dos dados, uma leitura inicial das informações, qualitativa. Em tmnos gerais, apresenta wna inserção recente e arualizada no campo da
a codificação dos dados, o desenvolvimento a partir dos códigos de uma pesquisa qualirotíva.
descriçãoedeumaanálise1emática,aousodeprogramascompuradorizados, Creswell, J . W. (2 007). Quall tative inquiry and rueardt dulgn: Choosing
a representação dos resulrados em quadros, gráficos e figuras e a inter· o.mong ftve approaches (2nd ed.) . Thousand Oaks, CA: Sage.
pretação dos resultados. Essas interpretações envolvem declarar as lições À3 vous a~uclcs que escrevem sobre pesquisa qualitativa assumem uma postura filo-
aprendidas, comparar os resultados com a literatura anterior e com a sófw:a com relação ao tópico e os leitom são deixados sem uma comprcensõo dos
teoria, levantar questões e/ou sugerir uma agenda para refonna. A pro· procedimentos e das práticas realmente utilizadas no planejamento e na condução de
posta deve também conter urna seção sobre os resultados esperados para um esrudo qualitativo. Meu livro utiliza cinco abordagens da investigação qualitati·
va - pesquisa narrativa, fenomenología, teoria fundamentada, emogruJia e escudo de
o esrudo. E, por fim, um passo adicional importante no planejamento de caso-ediscute como os procedimentos para a condução dessas formas de invesllgação
uma proposta é mencionar as estratégias que que serão utilizadas para silo, oo mesmo tempo, semelhantes e diferentes. No fim, os leitores podem escolher
validar a precisão dos resultados, demonstrar a confiabilidade dos proce· mais facilmente qual dos cinco vai se adequar melhor a seus problemas de pesquisa e
dimentos e discutir o papel da generalibilidade. tamMID a seus estilos pessoais de pesquisa.
Projeto de pesquisa 239

de pesquisa concentradas na compreensão de um problema utilizando,


concomicantemence, mécodru qualicativru e quanricativos (Capítulos 6

10 1
e 7) e apresenta as razões para se utilizar miíltiplas fom1as de coleta
e anólise dos dados (Capíru.los 8 e 9).

COMPONENTES DOS PROCEDIMENTOS


Métodos Mistos D E MÉTODOS MISTOS

A pesquisa de métodos mistos desenvolveu um conjunto de proce-


dimenros que os autores de propostas podem utilizar no planejamento
de um escudo de métodos mistos. Em 2003, foi publicado o Handbook
of Mixed Mechods in che Social e Behavior Sciences (Thshakkori e Teddlie,
2003), apresentando a primeira visão geral abrangente dessa estraté-
gia de investigação. Atualmente, várias revistas acadêmicas enfacizam a
Com o desenvolvimenco e a legitimidade percebida tanto da pesquisa pesquisa de métodos mistos, como o Joumal of Mixed Methods Researc/1,
qualitativa quanto da pesquisa quantitativa nas ciências sociais e Qualicy and Quanticy e Fie/d Methods, enquamo muitas outras encorajam
humanas, a pesquisa de métodos mistos, empregando a combina· atívamente essa forma de investígação (p. ex., lncernarional Joumal of
ção de abordagens quantitativas e qualicarivas, ganhou populari· Social Research Mechodology, Qualicacive Health Research, Annals of Fami-
dade. Essa popularidade deve-se ao fato de que a metodologia da ly Medicine). Muitos estudos de pesquisa publicados têm incorporado a
pesquisa continua a evoluir e a se desenvolver, e os métodru mistOJ pesquisa de métodos mistos nas ciências sociais e humanas em diversos
são ourro passo adiante, utilizando os pontos fortes das pesquisas campos, como a terapia ocupacional (Lysack e Krefting, 1994), a comu-
qualicariva e quandrariva. Além disso, os problemas abordados pe- nicação interpessoal (Boneva, Kraut e Frohlich, 2001), a prevenção da
los pesquisadores das ciências sociais e da saúde são complexos, e o AIDS (Janz e1 ai., 1996), o cuidado da demência (Weiczman e Levkoff,
uso de abordagens quantitativas ou qualitativas em si é inadequado 2000), a saúde mental (Rogers, Oay, Randall e Bentall, 2003) e as ciên-
para lidar com essa complexidade. A narureza incerdisciplinar da cias no ensino médio (Houcz, 1995). Novos livros são lançados a cada
pesquisa também contribui para a formação de equipes de pesquisa ano dedicados apenas à pesquisa de métodos mistos (Bryman, 2006;
compostas de indivíduos com interesses e abordagens metodol6gicru Creswell e Plano Clark, 2007; Greene, 2007; Plano Clark e Creswell,
diferences. Por fim, pode-se obter mais insighrs com a combinação .2008; Tashakkori e Teddlie,1998).
das pesquisas qualitativa e quantitativa do que com cada uma das O Quadro 10. l apresenta uma lista das questões para o planeja-
formas isoladamente. Seu uso combinado proporciona uma maior mento de um estudo de métodos mistos. Esses componentes preconi-
compreensão dos problemas de pesquisa. zam o avanço da nacureza da pesquisa de métodos mistos e o típo de
Este capírulo une muitos dru fios introduzidru nos capírulru ancerio- estratégia que está sendo proposto para o escudo. Incluem também a
res: ele amplia a discussão sobre as suposições filosóficas de uma fi· necessidade de um modelo visual dessa abordagem, os procedimentos
losofia pragmótica, o uso combinado de modos de investigação qua· específicos para a coleta e a análise dos dados, o papel do pesqufaador
litativru e quantitarivru e o uso de métodos múltiplos apresentados e a estrucura para a apresentação do relatório Anal. Após a discussão de
no Capítulo J. Também estende a discussão sobre os problemas de cada um desses componentes, é apresentado um exemplo de uma seção
pesquisa que incorporam tanto a necessidade de explorar quanto a de de procedimentos de um escudo de métodos mistos para demonstrar
explicar (Cap(rulo S). Abrange uma declaração de objetivo e questões como aplicar tais ideias.
240 John W. Creswell Projeto de pesgulsa 241

A NATUREZA DA PESQUISA DE MÉTODOS MISTOS entender, explicar ou construir a partir dos resultados da outra aborda-
gem). Também comente que a combinação das duas pode ocorrer dencro
Como a pesqu isa de métodos mistos é relativamente nova nas ciên- de um estudo ou entre vários estudos em um programa de investigação.
cias sociais e humanas, enquanto abordagem de pesquisa distinta, convém Reconheça que muitos termos diferentes são utilizados para essa aborda-
apresentar na proposta uma definição e descrição básicas da abordagem. gem, como integração, síntese, métodos qua111itat:ivos e qualicalivos, mulli-
Isso pode incluir o seguinte: métodos e metodologia mista, mas que os textos recentes utilizam o termo
métodos mistos (Bryman, 2006; Tushakkori e Teddlie, 2003).
Quadro 10-1 Uma lista de quescões para o planejamento de um procedimento • Discuta brevemente o aumento do interesse na pesquisa de méto-
de mécodos mistos dos mistos como está expressado em livros, em anigos de periódicos, em
Apfosenlou-se '""" definiçao b&siea da pesquisa de mélodoS mislOS? diferentes disciplinas e em projetos financiados (ver Creswell e Plano Cla-
Apresenlou-se uma razao para o uso concomílanto das abordagens (ou rk, 2007, para uma discussão sobre as muitas iniciativas que contribuem
dados) quantluil!vn e qualitativa?
para os métodos mistos atualmente).
o leolO< tem <.ma petcepção do uso pocencial de um prcjeto de m6IOdos mistoa?
São ldenlificadoo os c:rdêrios pera • escolha de '""" es1ratêgia de méledos
• Comente sobre os desafios que essa forma de pesquisa impõe ao in-
mlslOI? . vestigador - eles incluem a necessidade de uma extensa coleta de dados,
A estratégia é ldonllncada e foram menclondos os crilétlos pera e escolha? a natureza de tempo intensivo da análise de dados de textos e numéricos
Ap<eseniou-se um modelO visual que esclareça e estratégia da pesquisa? e a exigência de que o pesquisador esteja familiarizado com as formas de
Ulllzou-se a notaç6o 8PfCJl)Óad4 na 111Xosentaçao do modelo vtsual? pesquisa quantitativas e qualitativas.
São mencionados os piooedol 1ientos do oolela e analise dos dados da letrna
como eles se relacionam com o model07
S&o mencionadas os estratégias do amostragom P"'ª a coleta de dados
quontiUltlvos e qual1U1tlvos? EJes••tão relacloolldos à estrlltôgla?
T IPOS D E ESTRATÉGIAS E MODELOS
V ISUAIS DOS MÉTODOS MISTOS
sao discutidos os piocedil•"" •tos """' Yatidaçllo dos dados quanlltlllvoo •
qualilallvos?
é mencionada a ostrutura nairallva, e ela estâ relacionada ao tipo de Há várias tipologias paro classificar e identificar os tipos de estratégias
ostralégla de métodos mistos quo esté sendo utilizada? de métodos mistos que os autores podem utilizar em seu estudo de métodos
misto proposto. Creswell e Plano Clark (2007) identificam 12 sistemas de
classificação extraídos dos campos de avaliação, enfermagem, saúde pú-
• Faça um breve bisrórico da evolução dessa abordagem. Várias fontes blica, política e pesquisa educacional e pesquisa social e comportamental.
identificam seu início na psicologia e na matriz multitraços-multímétodos de Nessas classificações, os autores utilizam diversos termos para seus tipos de
Campbell e Fiske (1959), prossegue com o interesse na convergência ou oian- projetos, e existe uma quantidade substancial de justaposição nas tipolo-
gulação de diferentes fontes de dados quantitativas e qualitaóvas (Jick, 1979) gias. Para os objetivos desta discussão, irei identificar e discutir os seis tipos
e, posteriormente, com o desenvolvúnento de uma metodologia de investiga- que meus colegas e eu propusemos em 2003 (Creswell et ai., 2003).
ção distinta (ver Creswell e Plano Clark, 2007; Tushakkori e Teddlie, 1998).
• Defina a pesquisa de métodos mistos íncorporando a definição
apresentada no Capítulo 1, a qual se concenira na combinação da pesqui- Planejame nto dos procedimentos de métodos mistos
sa e dos métodos quantitativos e qualitaóvos em um estudo de pesquisa
(ver uma visão mais abrangente da definição da pesquisa de métodos Entretànto, antes de discutir os seis tipos convém considerar diversos
mistos em Johnson, Onwuegbuzie e Turner, 2007). Destaque as razões aspectos que influenciam o planejamento dos procedimentos para um es-
pelas quais os pesquisadores empregam um projeto de mécodos mistos tudo de métodos mistos. Quacro aspectOS importantes são a disoibuição
(p. ex., para ampliar o entendimento incorporando tanto a pesquisa qua- do tempo, a atribuição de peso, a combinação e a teorização (como está
litativa quanto a quantitativa, ou para usar uma abordagem para melhor mosttado no Quadro 10.2).
242 John W. Creswell Projeto de peSquisa 243
Quadro 10.2 Aspectos a ~rem consíderados no planejamento para um ~tudo Atribulç6o de peso
de métodos miscos
Um segundo fator que entra nos procedimentos do planejamento é
Dlalllblllçlo Atrlbulçlo
clellmpo depno
Comblnaçlo TtOrlzaçio o peso ou a prioridade atribuída à pesquisa quantirativa ou qualitativa
em um determinado escudo. Em alguns estudos, o peso pode ser igual;
~neo
em outros, pode enfatizar um ou outro. Priorizar um tipo depende dos
OCOnlda '-' interesses do pesquisador, do público ao qual está direcionado o escudo
ExpHclll
(p. ex., comitê de docentes, associação profissional) e do que o inves·
tigador busca enfatizar no estudo. Em termos práticos, a atribuição do
Oedoe quelfali•'OI Qualilallve peso em um estudo de métodos mistos ocorre por meio de estratégias que
C91etadoa primeiro Conec:lar1llo
dependem de serem enfatizadas primeiro as informações quantirativas
ou qualitacívas, da extensão do tratamento de um tipo ou outro de dados
~leila no projeto, ou, principalmente, do uso, de uma abordagem indutiva (p.
ex., geração de temas na abordagem qualirativa) ou de uma abordagem
dedutiva (p. ex., a cescagem de uma teoria). Às vezes o pesquisador usa
intencionalmente uma forma de dados como apoio para um estudo mais
Fonte: Adaptado de Creawell e colabonldon1s (2003).
amplo, como é encontrado em alguns testes experimentais (ver Rogers
ec ai., 2003).
Distribuição do t empo
Combinação
Os autores de propostas precisam considerar a distribuição do
tempo na coleta de seus dados qualitativos e quanticativos, se ela será Combinar os dados (e, em um sentido mais amplo, a combinação
realizada em fases (sequencialmente) ou se os dados serão coletados ao das questões de pesquisa, da filosofia, da interpretação) é difícil princi·
mesmo tempo (concomitantemente). Quando os dados são coletados paimente quando se considera que os dados qualitacívos consistem de
em fases, é indiferente quais vêm primeiro, os qualitativos ou os quan- texto e imagens e de dados qualitativos, números. Há duas questões di·
ritativos. Depende da intenção inicial do pesquisador. Quando os dados ferentes aqui: Quando um pesquisador faz a combinação dos dados em
qualitativos são coletados primeiro, a intenção é explorar o tópico com um estudo de métodos mistos? E como ela ocorre? A primeira questão é
os participantes nos locais. Depois, o pesquisador expande o entendi- muico mais fácil de responder do que a segunda. A combinação dos dois
menro por meio de uma segunda fase, em que são coletados os dados de tipos de dados pode ocorrer em diversos estágios: na coleta dos da-
um grande número de pessoas (geralmente uma amostra representativa dos, na análise dos dados, na interpretação dos dados, ou nas três fases.
de uma população). Quando os dados são coletados concomitantemen- Para os autores de propostas que utilizam métodos mistos, é impor·
te, tanto os dados quantitativos quanto os qualitativos são coletados ao tante discutir e apresentar em uma proposta quando ocorre a combina-
mesmo tempo, e a implementação é simultânea. Em muitos projetos, ção dos dados.
pode ser impraticável coletar os dados durante um período de tempo O modo como os dados são mixlldos cem recebido uma atenção re·
extenso (p. ex., nas ciências da saúde, quando o pessoal médico atare- cente considerável (Creswell e Plano Clark, 2007). Combinar significa
fado tem um tempo límitado para a coleta de dados no campo). Nesse ou que os'dados qualicativos e quantitativos estão realmente fundidos em
caso, é mais funcional coletar os dados quantitativos e os qualitativos uma e.xtremidade do continuo; ou são mantidos separados na outra ex-
mais ou menos ao mesmo tempo, quando o(s) pesquisador(es) está(ão) tremidade do contínuo; ou, ainda, se estão, de algum modo, combinados
no campo coletando os dados, em vez de revisitar o campo muitas vezes entre estes dois extremos. Os dois bancos de dados devem ser mantidos
para a coleta de dados. separados, porém conecrados; por exemplo, em um projeto de duas fases
244 John W. Creswell Projeto de pesquísa 245

que começa com uma fase quantitativa, a análise dos dados e seus resulta. de como uma lente transfonnadora molda todas as fases do processo de
dos podem ser utilizados na identificação dos participantes para a coleta pesquisa na pesquisa de métodos místos.
de dados qualitativos em uma fase de acompanhamento. Nessa situação,
os dados quantitativos e qualitativos estão conectados durante as rases
Estratégias alternativas e modelos visuais
de pesquisa. Conectados, na pesquisa de métodos mistos, significa que
uma combinação da pesquisa quantitativa e qualitativa está conectada en- Estes quatro fatores - disuibuíção do tempo, atribuição de peso, com-
tte uma análise de dados da primeira rase da pesquisa e a coleta de dados binação e teorização - ajudam a moldar os procedimentos de um estudo
da segunda fase da pesquisa. Em outto estudo, o pesquisador pode coletar de métodos mistos. Embora essas não esgotem todas as possibilidades,
os dados quantitativos e qualitativos concomitantemente e integrar ou, há seis estratégias principais para os investigadores escolherem quando
então, fundir os dois bancos de dados, transformando os temas qualitati- planejam uma proposta de pesquisa; elas são adaptadas de Creswell e co-
vos em contagens, e comparar essas contagens com dados quantitativos laboradores (2003). Uma proposta conteria uma descrição da estratégia
descritivos. Nesse caso, a combinação consiste em integrar os dois ban- e um modelo visual dela, assírn como os procedimentos básicos que o in·
cos de dados, realmente fundindo os dados quantitativos aos dados qua. vestigador utilizará na implementação da estratégia. cada estratégia esrá
litativos. Em um cenário final, o pesquisador pode ter um objeóvo princi- brevemente descrita e ilustrada nas Figuras 10.l e 10.2. As palavras qua-
pal de coletar uma fonna de dados (digamos, quantitativa) e ter a outra litativo e quantitativo foram abreviadas nas figuras como "qual" e "quan",
forma de dados (digamos, qualitativa) para proporcionar informações de respectivamente (ver a discussão que acompanha as figuras).
apoio. Não está sendo utilizada nem a combinação nem a conexão dos Essas estratégias de métodos mistos podem ser descritas usando-se a
dados entre as fases. Em vez disso, o pesquisador está incorporando notação que foi desenvolvida no campo dos métodos mistos. A notação
uma forma secundária de dados dentro de um escudo mais amplo, tendo dos métodos mistos apresenta rótulos e símbolos abreviados que co-
uma fonna de dados díferente como o banco de dados principal. O banco municam írnportantes aspectos da pesquisa de métodos mistos e apresen-
de dados secundário desempenha um papel de apoio no estudo. ta um modo pelo qual os pesquisadores de métodos mistos podem facil-
mente comunicar seus procedimentos. A notação que segue foi adaptada
Perspectivas de teorfzoçdo ou tran1formaç80 de Morse (1991), Thshakkori e Teddlie (1998) e Creswell e Plano Clark
(2007), que sugerem o seguinte:
Um fator final a ser considerado é se uma perspectiva teórica maior
• Um"+" indica uma fonna simultânea ou concomitante de coleta
guia todo o projeto. Pode ser uma teoria das ciências sociais (p. ex.,
de dados, com os dados quantitativos e qualitativos coletados ao
teoria de adoção, teoria de liderança, teoria de atribuição) ou uma len- mesmo tempo.
te teórica ampla, como uma lente reivindicatória/parcicipacória (p. ex.,
• Uma ·~" indica uma forma sequencial de coleta de dados, com
gênero, raça, classe; ver Capitulo 3). Todos os pesquisadores levam teo- uma forma (p. ex., os dados qualitativos) construída sobre a outra
rias, estruturas e palpites para suas investigações, e tais teorias podem (p. ex., dados quantitativos).
ser explicitadas em um escudo de métodos mistos ou estar impllcicas e • As letras maiúsculas indicam um peso ou prioridade dos dados,
não mencionadas. Vamos nos concentrar no uso das teorias explicitas. da análise dos dados e da interpretação dos dados quantitativos
Nos estudos de métodos mistos, as teorias são geralmente encontradas ou qualitaóvos no estudo. Em um escudo de métodos mistos, os
nas seções iniciais, como uma lente orientadora que molda os ópos de dados qualitativos podem ser igualmente enfatizados, ou um pode
questões formuladas, quem participa do estudo, como os dados são co- ser' mais enfatizado do que o outro. As letras maiúsculas indicam a
letados e as implicações extraídas do estudo (geralmente para mudança ênfase de uma abordagem ou método.
e defesa). Elas apresentam uma perspectiva abrangente utilizada com • "Quan" e "Qual" representam quanrirarivo e qualirarivo, respectiva-
todas as estratégias de investigação dos métodos mistos (a serem pre- mente, e utilizam o mesmo número de letras para indicar a igual·
sentemente discutidas). Mertens (2003) apresenta uma boa discussão dade entre as fonnas dos dados.
246 John W. C<eswell Projeto de pesquisa 247

Projeto E~plan1t6rto Sequencial (a) Projeto de Trlangulaçto Corn:omitame (a)


j'""ou.
_ A_N..,, + ,_,-OU-Al
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Ouan Resultados e/Os Dados Comparado$ QUAL


Protelo Eltp!onlórlo Sequencial (b) Análfse dos Q/Jdos Anã/Is• dos Dados

IQUAll-B Projeto 1.._1do Concomltanta (b)

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QUAL
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e/Os dedos
-
ProJelo Tf81111formll!lvo Sequenciei (G)
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AMOse ao& Resultados An61/sa (los Resuffados

Projeto Translonnatlvo Concomltanta (e)


.--~~~~~~~ r~~;===::::;~--,

QUAH • QUAL
QUAH qu•I
Teoria da cl6noa social, OUAN
Teoria da ciência sooal, teoria quafitatlva, vJslo de muildo teivlndlcatõria
teoria qual1tat1va. vtsao de Teoria de ciência social,
mun<lo reivindicatória teoria quahlaUva, visllo
Figura 10.1 Projetos sequenciais. do mundo reivindicatória
Fonte: Adaptada de CresweU e colaboradores (2003).
Figura 10.2 Projetos concomitantes.
• Uma notação QUAN/qual indica que os métodos qualitativos estão Fonte: Adaptada de CresweU e colaboradores (2003).
incorporados em um projeto quantitativo.
• As caixas destacam a coleta e a análise dos dados quantitativos e EstratéflO explanatório sequencial
qualitativos.
A estratégia explanatória sequencial é uma estratégia popu-
Além disso, estão incorporados em cada figura os procedimentos es- lar para o projeto de métodos mistos e com frequência atrai os pesqtúsa-
pecíficos de coleta, análise e interpretação dos dados para ajudar o leitor dores com forres inclinações quantitativas. É caracterizada pela coleta e
a entender os procedimentos mais específicos utilizados. Dessa maneira, pela análise de dados quantitativos em uma primeira fase da pesquisa,
uma figura tem pelo menos dois elementos: o procedimento geral dos mé- seguidas de coleta e análise de dados qualitativos em uma segunda fase
todos mistos que está sendo usado e os procedimentos mais específicos de que é desenvolvida sobre os resultados quantitativos iniciais. O peso
coleta, de análise e de interpretação dos dados. maior é tipicamente atribuído aos dados quantitativos, e a combinação
dos dados ocorre quando os rcsu llados quantitativos in iciais conduzem a
coleta de dados qualitativos secu ndária. Assim, as duas formas de dados
estão separadas, porém conectadas. Uma teoria explícita pode ou não
248 John W. Creswell Projeto de pesquisa 249

informar o procedimento geral. Os passos dessa estratégia estão retrata- quando um pesquisador precisa desenvolver um instrumento, pois os ins-
dos na Figura 10. la. trumentos existentes são inadequados ou não estão disponíveis . Usando
Um projeto explanatório sequencial é tipicamente utilizado para ex- uma abordagem de três fases, o pesquisador primeiro coleta e analisa os
plicar e a interpretar os resultados quantitativos por meio de coleta e da dados qualitativos (Fase 1) e utiliza a análise para desenvolver um instru-
análise de acompanhamento dos dados qualitativos. Ele pode ser especial- mento (Fase 2) que é subsequentemente administrado a uma amostra de
mente útil quando resultados inesperados surgem de um estado quantita- uma população (Fase 3; Creswell e Plano Clark, 2007).
tivo (Morse, 1991). Nesse caso, a coleta dos dados qualitativos que segue A estratégia exploratória sequencial tem muitas das mesmas vanta-
pode ser utilizada para se examinar mais detalhadamente esses resultados gens que o modelo explanatório sequencial. Sua abordagem de duas fases
surpreendentes. Essa estratégia pode ou não ter uma perspectiva teórica (pesquisa qualitativa seguida de pesquisa quantitativa) é fácil de imple-
específica. A narureza direta desse projeto é um de seus principais pontos mentai; assim como de descrever e relatar de forma direta. É conveniente
fortes. Ele é fácil de implementar porque os passos recaem em estágios cla- para um pesquisador que quer explorar um fenômeno, mas também ex-
ros, separados. Além disso, tal aspecto do projeto facilita descrevê-lo e fazer pandir os resultados qualitativos. Esse modelo é especialmente vantajo-
seu relatório. Seu principal ponto fraco é a extensão de tempo envolvida na so quando um pesquisador está construindo um novo instrumento. Além
coleta de dados, com duas fases separadas, o que é uma desvantagem, es- disso, ele poderia tomar um esrudo em grande parte qualitativo mais pa-
pecialmente se as duas fases recebem igual prioridade. latável para um orientador, para um comitê ou para uma comunidade
de pesquisa bem versados na pesquisa quantitativa e que pode não estar
Estratégia exploratória sequencial familiarizado com as abordagens qualitativas. Como acontece com a abor-
dagem explanatória sequencial, o modelo exploratório sequencial requer
Esta próxima estratégia é similar à abordagem sequencial explana-
uma extensão de tempo substancial para completar as duas fases de co-
tória, exceto pelo fato de as fases serem invertidas. A estratégia explo-
leta de dados, o que pode ser uma desvantagem para algumas siruações
ratória s equencial envolve uma primeira fase de coleta e de análise de
de pesquisa. Além disso, o pesquisador tem que tomar algumas decisões
dados qualitativos, seguida de uma segunda fase de coleta e de análise de
importantes sobre quais resultados da fase qualitativa inicial serão des-
dados quantitativos que é desenvolvida sobre os resultados da primeira
tacados na fase quantitativa subsequente (p. ex., um tema, comparações
fase qualitativa. O peso maior é em geral atribuído à primeira fase, e os
entre grupos, múltiplos temas).
dados são combinados por sua conexão entre a análise dos dados qualita-
tivos e a coleta dos dados quantitativos. O projeto pode ou não ser imple-
Estratégia transformativa sequencia/
mentado com uma perspectiva teórica explícita (ver a Figura 10.lb).
No nível mais básico, o objetivo dessa estratégia é utilizar os dados Esta abordagem sequencial final tem duas fases distintas de coleta de
e resultados quantitativos para auxiliar na interpretação dos resultados dados, uma seguindo a outra, como nas duas primeiras estratégias descri-
qualitativos. Diferentemente da abordagem explanatória sequencial, que tas (ver Figura 10.lc). A estratégia transformativa sequencial é um
é mais adequada para explicar e interpretar as relações, o foco princi- projeto de duas fases, com uma lente teórica (p. ex., gênero, raça, teoria da
pal desse modelo está em inicialmente explorar um fenômeno. Morgan ciência social) se sobrepondo aos procedimentos sequenciais. Tem também
(1998) sugeriu que esse projeto é apropriado para ser aplicado quando uma fase inicial (quantitativa ou qualitativa), seguida de uma segunda fase
se testa elementos de uma teoria emergente resultante da fase qualitativa (qualitativa ou quantitativa), a qual se desenvolve sobre a fase anterior. A
e que também pode ser usado para generalizar resultados qualitativos lente teónca é apresentada na introdução de uma proposta, molda uma
para diferences amostras. Similarmente, Morse (1991) citou um objetivo questão de pesquisa direcional que visa explorar um problema (p. ex., desi-
para escolher essa abordagem: determinar a distribuição de um fenômeno gualdade, discriminação, injustiça), cria sensibilidade à coleta de dados de
dentro de uma população escolhida. Finalmente, a estratégia exploratória gru1>9S marginalizados ou sub-representados e termina com um chamado
sequencial é com frequência discutida como o procedimento de escolha à ação. Nesse projeto, o pesquisador pode aplicar um ou outra método na
250 John W. Creswell Projeto de pesquisa 251

primeira fase da pesquisa, e o maior peso pode ser atribuído a uma das duas métodos quantitativos e qualitativos separadamente, como meio de com-
ou distribuído igualmente a ambas as fases. A combinação está conectada pensar os pontos fracos inerentes a um método com os pontos f0rtes do
como em todos os projetos sequenciais. Diferentemente das abordagens se- outro (ou, inversamente, os pontos fortes de um aumentam os ponros fortes
quenciais exploratória e explanatória, o modelo transformativo sequencial do outro). Nessa abordagem, a coleta de dados quantitativos e qualitati-
tem uma perspectiva teórica para guiar o estudo. O objetivo dessa perspec- vos é concomita.nte, ocorrendo em uma fase do estudo de pesquisa. Em
tiva teórica, seja ela uma estrutura conceituai, uma ideologia específica ou condições ideais, é ambuído peso igual aos dois métodos, mas, na prática,
reivindicatória, é mais importante na orientação do estudo do que o uso dos frequentemente um ou outro pode ser priorizado. A combinação durante
métodos isoladamente. essa aborda,gem, em geral encontrada em uma seção de interpretação ou de
O objetivo de uma estratégia transformativa sequencial é melhor servir discussão, significa realmente fundir os dados (i. e., transformar um tipo de
à perspectiva teórica do pesquisador. Utilizando duas Cases, um pesquisador dado no outro tipo de dado, para que possam ser facilmente comparados)
transformativo sequencial pode ser capaz de dar voz a diversas perspectivas, ou integrar ou comparar os resultados dos dois bancos de dados lado a lado
defender melhor os participantes ou compreender melhor um fenômeno ou em uma discussão. Essa integração lado a lado é frequentemente vista nos
processo o qual está mudando como resultado de estar sendo estudado. estudos de métodos mistos publicados, em que uma seção de discussão
O modelo transfonnativo sequencial compartilha os pontos metodo- apresenta primeiro os resultados estatísticos quantitativos seguidos de cita-
1.ógicos fortes e fracos das duas outras abordagens sequenciais. Seu uso de ções as quais corroboram ou desmentem os resultados quantitativos.
fases disúntas facilita sua implementação e descrição e o compartilhamen- Esse modelo tradicional dos métodos mistos é vantajoso porque é
to dos resultados, embora também requeira tempo para completar duas familiar à maioria dos pesquisadores e pode resultar em resultados bem
fases de coleta de dados. Mais importante, esse projeto coloca a pesquisa validados e substanciados. Acredito que a maior parte dos pesquisadores
de métodos mistos dentro de uma estrutura transfonnativa. Por isso, essa quando considera pela primeira vez os métodos mistos emprega este mode-
estratégia pode ser mais atrativa e aceitável para os pesquisadores que já lo de coleta de dados quantitativos e qualitativos e compara as duas fontes
estão utilizando uma estrutura uansfonnativa dentro de uma metodolo- de dados. Além disso, a coleta de dados concomitante resulta em um pe-
gia diferente, como a pesquisa qualitativa. Infelizmente, como pouco tem rlodo de tempo de coleta mais curto em comparação a uma das abordagens
sido escrito até agora sobre essa abordagem, um dos seus pontos fracos é sequenciais, pois tanto os dados qualitativos quanto os quantitativos são
que há pouca orientação sobre como utilizar a visão transformativa para coletados em um mesmo momento no local da pesquisa.
guiar os métodos. Do mesmo modo, acontece com todas as estratégias Esse modelo também tem várias limitações. Requer grande esforço
sequenciais, decisões importantes têm que ser tomadas sobre quais resul- e pericia estudar adequadamente um fenômeno com dois métodos sepa-
tados da primeira fase devem ser o foco da segunda fase. rados. Também pode ser difícil comparar os resultados de duas análises
utilizando dados de diferentes fonnas. Além disso, um pesquisador pode
Estraté1la de trlanfUlaçõo concomitant e ficar confuso sobre como resolver as discrepâncias que surgem na com-
paração dos resultados, embora estejam emergindo procedimentos na li-
A abordagem de triangulação concomitante é provavelmente o teratura, como conduzir uma coleta de dados adicionais para resolver a
mais familiar dos seis principais modelos de métodos mistos (ver Figura discrepância, revisitar o banco de dados original, obter novo insight da
10.2a). Em uma abordagem de triangulação concomitante, o pesquisador disparidade dos dados ou desenvolver um novo projeto que lide com essa
coleta concomitantemente os dados quantitativos e os qualitativos e de- discrepância (Creswell e Plano Clark, 2007).
pois compara os dois bancos de dados para determinar se há convergência,
diferenças ou alguma combinação. Alguns autores se referem a essa com- Estraté1/o Incorporada concomitante
paração como cc11.fim1ação, desccnfinnação, validação cmzada ou ccrrolxr
ração (Greene, Caracelli e Graham, 1989; Morgan, 1988; Stekler, McLeroy, Assim como a abordagem da triangulação concomitante, a estratégia
Goodman. Bird e McCormick. 1992). Esse modelo geralmente utiliza· os incorporada concomitante dos métodos mistos pode ser identificada
252 John w. Creswetl Projeto de pesquisa 253

por seu uso de uma fase de coleta de dados, durante a qual são coleta- ri e Tuddlie (1998) descreveram tal abordagem como um projeto de muitos
dos, ao mesmo tempo, os dados quantitativos e qualitativos (ver a Figu- níveis. Um método pode ser aplicado dentro de uma estrutura do outro méto-
ra 10.2b). Diferemememe do modelo da criangulação tradicional, uma do, como acontece se um pesquisador planejou e conduziu um experimento
abordagem incorporada concomitante tem um método principal que guia para examinar resultados de tratamento, mas usou a metodologia de estudo
o projeto e um banco de dados secundário o qual desempenha um papel de caso para observar como os participantes do estudo experimentaram os
de apoio nos procedimentos. Recebendo menos prioridade, o método se- procedimentos do tratamento.
cundário (quantitativo ou qualitativo) é incorporado, ou abrigado, dentro Esse modelo de métodos mistos é atratívo por várias razões. Um pesqui-
do método predominante (qualitativo ou quantitativo). Essa incorporação sador consegue coletar os dois tipos de dados simultaneamente, durante uma
pode significar que o mérodo secundário lida com uma questão diferente únlca fase de coleta de dados. Isso proporciona a um estudo as vantagens de
daquela do método primário (p. ex., em um experimento, os dados quan- ambos os dados, quantitativos e qualitativos. Além disso, utilizando os dois
titativos lidam com os resultados esperados dos tratamentos, enquanto métodos diferentes dessa maneira, um pesquisador pode obter perspectivas
os dados qualitativos exploram os processos experimentados pelos indiví- dos diferences cípos de dados ou de diferentes níveis dentro do estudo.
duos nos grupos de tratamento) ou busca informações em um nível dife- Há também limitações a co.n siderar quando se escolhe essa aborda-
rente de análise (a analogia com a análise hierárquica na pesquisa quan- gem. Os dados precisam ser transformados de tal maneira que possam ser
titativa é útil na conceituação desses níveis - ver Tashakkori e Teddlie, integrados à fase de análise da pesquisa. Fora isso, se os dois bancos de
1998). A combinação dos dados dos dois métodos frequentemente signi- dados forem comparados, podem ocorrer discrepâncias que precisem ser
fica integrar as informações e comparar uma fonte de dados com a outra, resolvidas. Como os dois métodos são desiguais em sua prioridade, essa
o que é normalmente realizado em uma seção de discussão de um estudo. abordagem também resulta em evidências desiguais em um estudo, o que
Entretamo, os dados também podem não ser comparados, mas permane- pode ser uma desvantagem ao se interpretar os resultados finais.
cer lado a lado, como dois quadros diferentes os quais proporcionam uma
avaliação composta geral do problema. Isso seria o caso quando o pesqui- Estratégia transformativa concomitante
sador utiliza essa abordagem para avaliar diferences questões de pesquisa
ou diferentes níveis em uma organização. Similarmente às outras aborda- Como acontece com o modelo transformativo sequencial, a aborda-
gens, uma perspectiva teórica explicita pode ser utilizada nesse modelo, gem transformativa con comitante é guiada pelo uso do pesquisador
geralmente para informar o método principal. de uma perspectiva teórica específica e também da coleta concomitante
O modelo incorporado concomitante pode ser utilizado para servir a vá- dos dados quantitativos e qualitativos (ver Figura 10.2c). Ela pode ser
rios objetivos. Com frequência, é usado para que um pesquisador possa obter baseada em ideologias, como a teoria crflica, a pesquisa reivindicatória, a
perspectivas amplas como resultado do uso de diferentes mérodos, em opo- pesquisa participatória, ou em uma estrutura conceituai ou teórica. Essa
sição ao uso apenas do método predominante. Por exemplo, Morse (1991) perspectiva está refletida no objetivo ou nas questões de pesquisa do es-
observou que um projeto primariamente qualitativo pode incorporar alguns tudo. ~ a força direcionadora que está por mls de todas as escolhas meto-
dados quantitativos para enriquecer a descrição dos participantes da amostra. dológicas, cais como a definição do problema, a identificação do projeto e
Do mesmo modo, ela descreveu como os dados qualitativos podem ser utili· das fontes de dados, a análise, a interpretação e o relato dos resultados. A
zados para descrever um aspecto de um estudo quantitacívo o qual não pode escolha de um modelo concomitante, seja ele a triangulação ou o proje10
ser quantificado. Além disso, um modelo incorporado concomitante pode ser incorporado, é feita para facilitar tal perspectíva. Por exemplo, o projeto
empregado quando um pesquisador opta por utilizar diferentes métodos para pode ter'um método incorporado no outro, para que os diversos partici-
estudar diferentes grupos ou níveis. Por exemplo, se uma organização está pantes tenham voz no processo de mudança de uma organização. Pode
sendo estudada, os empregados podem ser esnadados quantitativamente, os e nvolver uma triangulação dos dados quantitativos e qualitativos para
administradores podem ser entrevistados qualitativamente, divisões inteiras melhor convergir as informações e para proporcionar evidências para
podem ser analisadas com dados quantitativos, e assim por dia.me. Tushakko- uma desigualdade das pollticas em uma organização.
254 John W. Creswell Projeto de pesquisa 255

Por isso, o modelo transformativo concomitante pode assumir no pro- • Considere ucilizar a abordagem sequencial explanatória. Essa é
jeto ca.racter!sticas de uma triangulação ou de uma abordagem incorporada a preferida de muitos alunos, especialmente dos quais têm pouca expe-
(os dois tipos de dados são coletados ao mesmo cempo durante uma fase riência com a pesquisa qualitativa e uma prática substancial na pesquisa
de coleta de dados e podem ter prioridade igual ou desigual). A combina- quantitativa. Nessa abordagem, uma coleta de dados quantitativos inicial
ção dos dados ocorreria por meio da fusão, da conexão ou da incorpora- é seguida por uma coleta de dados qualitativos secundária para acompa-
ção dos dados. Como o modelo aansformativo concomitante compan:ilha nhar os resultados quantitativos.
ca.racter!sticas com as abordagens da triangulação e da incorporada, também • Estude os artigos publicados que utilizem diferences abordagens e
companilha seus específicos pomos fortes e fracos. Encreranto, esse modelo determine qual faz mais sentido para você. Creswell e Plano Clark (2007)
cem a vantagem adicional de colocar a pesquisa de métodos mistos em uma incluem quatro artigos de periódicos completos para que os leitores possam
estrutura tranSfonnativa, o que pode comá-la especialmente atrativa para os examinar os detalhes dos estudos empregando diferentes formas de projetos.
pesquisadores qualitativos ou quantitativos que já utilizam uma estrurura • Encontre um artigo de periódicos de métodos mistos publicado que
aansfonnativa para guiar sua investigac;ão. seja similar ao seu projeto e o apresente a seu orientador e/ou seu grupo de
pesquisa para que tenham um modelo de trabalho para a abordagem que
Escolhendo uma estratégia de métodos mistos você planeja utilizar em seu escudo. Como estamos no estágio inicial da ado-
ção da pesquisa de métodos mistos em muitos campos, um exemplo publica-
Os amores de proposcas precisam comunicar a escratégia específica para do da pesquisa em sua área vai ajudar a criar canto legitimidade para a pes·
a coleta de dados de métodos miscos que planejam usar. As Figuras 10.l e 10.2 quisa de métodos mistos quanto a ideia de que ela é uma abordagem facável
apresentam alguns modelos úteis para orientação. Seguem algumas dicas de à pesquisa para as comissões de pós-graduação ou para outros públicos.
pesquisa sobre como selecionar uma esa-acégia de métodos mistos:
• Utilize as informações do Quadro 10.2 para avaliar os aspectos
com os quais você estará trabalhando em seus procedimentos de métodos PROCEDIMENTOS D E COLETA DE DADOS
mistos, e depois identifique 1 das 6 abordagens discutidas neste capítulo
como o projeto principal para seu escudo proposto. Apresente uma defini- Embora o modelo visual e a discussão sobre as estratégias especifi-
ção de trabalho para o projeto, juntamente com um modelo visual e urna cas em uma proposta apresentem um quadro dos procedimentos, convém
justificativa de por que ele é útil para você. discutir os tipos espedficos de dados a serem coletados. É também impor-
• Considere a quantidade de tempo que você tem para coletar os tante identificar as estratégias da amostragem e as abordagens utilizadas
dados. As abordagens concomitantes consomem menos tempo porque para estabelecer a validade dos dados.
os dados qualitativos e quantitativos são coletados ao mesmo tempo, na • Identifique e seja específico sobre o tipo de dados - tanto quantita-
mesma visita ao campo. tivos quanto qualítativos - que serão coletados durante o estudo proposto.
• Lembre-se de que a coleta e a análise tanto dos dados quantitati- Consulte o Quadro 1.3, que mostra tanto dados quantitativos quanto qua-
vos quanto dos qualitativos é um processo rigoroso e demorado. Quando litativos. Os dados diferem em termos de respostas abenas versus resposras
o tempo é um problema, encorajo os alunos a pensar em um modelo fechadas. Algumas formas de dados, como entrevisras e observações, po-
de projeto incorporado. Esse modelo enfatiza uma forma principal de dem ser quantitativas ou qualitativas, dependendo do quão abenas (qua-
coleta de dados (p. ex., levantamentos) e pode incluir uma forma secun- litativas) ou fechadas (quantitativas) possam ser as opções de resposta em
dária menor de coleta de dados (p. ex.; algumas entrevistas com alguns uma entievista ou em uma lista de verificac;ão para uma observação. Em·
dos panicipantes que concluíram os levantamentos). O fato de ambas bom a redução das informações a m1mecos seja a abordagem utilizada na
as formas de dados não serem iguais em tamanho e rigor permite que o pesquisa quantitativa, ela é também utilizada na pesquisa qualitativa.
estudo tenha um escopo reduzido e seja manejável no tempo e com os • Reconheça que os dados quantitativos frequentemente envolvem
recursos disponíveis. amosrragem aleatória, de forma que cada indivíduo tem igual probabili-
256 John W. Creswell Projeto de pesgulsa 257

dade de ser selecionado, e a amostra pode ser generalizada para a popula- numérica descritiva e inferencial) quanto na qualitativa (descrição e análise
ção mais ampla. Na coleta de dados qualitativos, é utilizada a amostragem temática de texto ou imagem) e frequentemente entre as duas abordagens.
intencional, e os indivíduos são selecionados porque experimentaram o Pbr exemplo, algumas das abordagens mais populares da análise de dados
fenômeno principal. Procedimentos rigorosos de amostragem precisam dos métodos mistos são as seguintes (ver Caracelli e Greene, 1993; Creswell
ser comunicados em uma proposta para a coleta de dados quantitativos e Plano Clark, 2007; Tashakkori e Teddlie, 1998):
e qualitativos. Além disso, Teddlie e Yu (2007) desenvolveram uma tipo- • 1Tansforrnação dos dados: Nas estratégias concomitantes, um pes-
logia de cinco tipos de amostragem de métodos mistos que relaciona a quisador pode quantificar os dados qualitativos. Isso envolve criar códigos
amostragem às estratégias de métodos mistos discutidos: e remas qualitativamente, e depois conrar o número de vezes que eles
./Estratégias básicas que envolvem a combinação de amostragem ocorrem nos dados do texto (ou possivelmente a extensão das falas sobre
quantitativa e qualitativa (p. ex., amoscragem intencional estrati- um código ou tema contando linhas ou sentenças). Essa quantificação dos
ficada, amostragem aleatória). dados qualitativos permite que um pesquisador compare os resultados
./Amostragem sequencial, em que a amostragem da primeira fase quantitativos com os dados qualitativos. Como alternativa, um investi-
ou sequência informa a segunda fose ou sequência. gador pode qualificar dados quantitativos. Por exemplo, em uma análise
./ Amostragem concomitante, em que a amostragem de probabilidade fatorial de dados de uma escala em um insaumento, o pesquisador pode
quantitativa e a amostragem intencional qualitativa são combinadas criar fatores ou temas que depois possam ser comparados aos temas do
como procedimentos de amostragem independentes ou conjuntos banco de dados qualitativo.
(p. ex., um levantamento com respostas fechadas e abenas). • Exploração dos valores discrepantes: Em um modelo sequencial,
./ Amostragem de vários níveis, em que a amoscragem ocorre em urna análise dos dados quantitativos na primeira fase pode produzir casos
dois ou mais níveis ou unidades de análise. extremos ou discrepantes. Acompanhar as entrevistas qualitativas com
./ Amostragem utilizando qualquer combinação das estratégias pre- esses casos discrepantes pode proporcionar insights sobre o motivo pelo
cedentes. qual eles divergiram da amostra quantitativa.
• Desenvolvimento do instrumento: Em uma abordagem sequencial,
• Inclua procedimentos detalhados em seu modelo visual. Por exem- consiga temas e declarações especificas dos participantes em uma coleta
plo, em um modelo explanatório sequencial, os procedimentos gerais fi. de dados qualitativos inicial. Na fase seguinte, utilize essas declarações
cam mais no alro da página e os procedimentos detalhados abaixo deles, como itens específicos e os temas para escalas para criar um instrumento
como está demonstrado na Figura !O.la. Entretanto, a figura pode ser de levanramenro baseado nas visões dos panicipaotes. Uma terceira e
ainda mais detalhada. Por exemplo, uma discussão dessa abordagem pode última fase pode ser validar o instrumento com uma grande amostra re-
incluir a descrição do uso da coleta de dados de levantamento seguida de presentativa de uma população.
análises de dados descritiva e inferencial na primeira fase. Então as ob- • Exame de vários níveis: Em um modelo incorporado concomitante,
servações e a codificação qualitativas e a análise temática em um projeto conduza um levamamemo cm um nível (p. ex., com familias) para cole-
etnográfico podem ser mencionadas para a segunda fase. tar resultados quantitativos sobre uma amostra. Ao mesmo tempo, colete
entrevistas qualitativas (p. ex., com indivíduos) para explorar o fenômeno
com indivíduos espedficos dessas famílias.
ANÁLISE DOS DADOS E PROCEDIMENTOS DE VALIDAÇÃO • Criação de uma matriz: Quando comparar os dados em um tipo de
abordagem concomitante, combine informações da coleta de dados quan-
A análise dos dados na pesquisa de métodos mistos está relacionada ao titativos e qualitativos em uma matriz. O eixo horizontal dessa matriz
tipo de estratégia de pesquisa utilizada para os procedimentos. Assim, em pode ser uma variável categórica quamitativa (p. ex., o tipo de prestador
uma proposta, os procedimentos precisam estar identificados com o proje- de serviço - enfermeiro, médico e outro tipo de profissional de saúde) e
to. Entretanto, a análise ocorre tanto na abordagem quantitativa (análise no eixo vertical estariam os dados qualitativos, as contagens do número
258 John w. Creswell Projeto de pesquisa 259

dos c6digos dos dados qualitativos, ou alguma combinação. Dessa ma. ESTRUTURA DE APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO
neira, a matriz apresentaria uma análise dos dados qualitativos e quan.
ritativos combinados. Programas de software de computador qualitativos A estrutura do relatório, como a análise dos dados, segue o tipo de
proporcionam possibilidades de produção de matriz para o pesquisador estratégia escolhida para o estudo proposto. Como os estudos de métodos
de métodos mistos (ver Capítulo 9). mistos podem nã.o ser familiares ao público, convém proporcionar alguma
Outro aspecto da análise dos dados na pesquisa de métodos mistos a orientação quanro à maneira como o relatório será estruturado.
ser escrito em uma proposta é a série de passos seguidos para verificar a • Para um estudo sequencial, os pesquisadores de métodos mistos
validade dos dados quantitativos e a precisão dos resultados qualitativos. geralmente organizam um relatório dos procedimentos na coleta de da-
Os autores que escrevem sobre os métodos mistos defendem o uso de pro- dos quantitativos e na análise de dados quantitativos seguidas da coleta e
cedimentos de validade para as fases quantitativa e qualitativa do estudo análise dos dados qualitativos. Depois, nas conclusões ou fase de interpre·
(Tashakkori e Teddlíe, 1998). O autor da proposta discute a validade e a ração do estudo, o pesquisador comenta como ~ resultados qualitativos
confiabilidade das pontuações de usos passados dos instrumentos empre- auxiliaram a elaborar ou a estender os resultados quantitativos. Como
gados no escudo. Além disso, são comentadas as ameaças potenciais à vali· alternativa, a coleta e análise dos dados qualitativos pode ocorrer primei-
dade interna para os experimentos e levantamentos (ver Capítulo 8). Para ro, seguidas da coleta e análise dos dados quantitativos. Em qualquer das
os dados qualicativos, precisam ser mencionadas as esrratégias que serão estruturas, o autor, em geral, apresenta o projeto como duas fases distin-
utilizadas para verificar a precisão dos resultados (ver Capítulo 9) . Esses ras, com títulos separados para cada fase.
podem incluir fontes de dados de triangulação, verificação dos membros, • Em um estudo concomitante, a coleta de dados quantitativos e qua-
descrição detalhada ou oucras abordagens. litativos pode ser apresentada em seções separadas, mas a análíse e a inter·
Um campo de estudo emergente é considerar como a validade pode pretação combinam as duas fonnas de dados para buscar convergência ou
ser diferente para os estudos de métodos mistos e para um estudo quan· semelhanças entre os resultados. A estrutura desse tipo de esrudo de métodos
titativo ou qualitativo. Os aurores têm começado a desenvolver uma no- mistos não faz uma distinção clara entre as fases quantitaóva e qualitativa.
menclatura bilingue para a pesquisa de métodos mistos e a têm chamado • Em um estudo transformativo, a estrutura comumente envolve a
de legitimação da validade (Onwuegbu zie e Johnson, 2006, p. 66). A legi- apresentação da questão defensiva no início, e depois usa a estrutura se-
cimação do estudo de métodos mistos se relaciona a muiras fases do pro- quencial ou concomitante como meio de organizar o conteúdo. No fim,
cesso de pesquisa, desde questões filosóficas (p. ex., as posições filosóficas uma seção à pane pode sugerir uma agenda para a mudança ou a refonna
estão misturadas de uma forma utilizável?) até a exrração de inferências que se desenvolveu como resultado da pesquisa.
(p. ex., produzir inferências de alta qualidade) e o valor do estudo para
os consumidores (ver Onwuegbuzie e Johnson, 2006). Para os indivíduos
que escrevem uma proposta de pesquisa de métodos mistos, considere os EXEMPLOS DE PROCEDIMENTOS DE MÉTODOS MISTOS
tipos de validade associados ao componente quantitativo (ver Capítulo 8),
Seguem ilustrações de estudos de métodos mistos que usam tanto as
a validade relacionada à sequência qualitativa (ver Capítulo 9) e quais·
estratég'ias e os procedimentos sequenciais quanto os concomitantes.
quer questões de validade que possam surgir relacionadas à abordagem
de métodos mistos. As questões de validade na pesquisa de mérodos mis-
tos podem se relacionar com os tipos d e estratégias discutidas neste capí·
tulo. Podem se relacionar à seleção da amostra, ao tamanho da amostra,
ao acompanhamento de resultados contraditórios, aos vieses na coleta de
dados, aos procedimentos inadequados ou ao uso de questões de pesqu isa
conflitantes (ver Creswell e Plano Clark, 2007, para uma discussão dessas
ideias).
Projeto de pe$9Uisa 261
260 John W. Creswell

A pnnclpel premissa deste estudo foi que o ~ org11t1/ZeClonlll •


o comprotniaso com•~ dos:~ se ntfMim a~
mas l(lualmsnte lnlpo11&ntts, alJWdes do profassor com rel11çdo é éSCO/a
Otp8111zec:ionelmenle 11'8tive. uq111 Ideia que 1em IJ/QUm 8po/o t1t1 lit8t'8funJ,
me• que requer val~o tµnplrlca adicional... A Fese 1 foi um estudo
qUIJl'lliteUvo o qual procurou ~s eataUst/cas lllllte o compromisso do
proteuor e os antecedentes e 18su/t8doS organizacionais em e$COl8• de
ensino fundamental e médlO. s.gulndo essa anllise de nível macro, a Fess
2 ptOCfJfOU em esco/4s especificas. utJJIZando os mllodos qualitativo e de
vsrudo de caso, 1111tender melhor 11 dindmica do compromisso qo profesaor.
• (Kushman, 1992, p. 13)

Essa declaração de objetivo iluscra a combinaçiio de um objetivo com


a justificativa para a combinação ("encender melhor"), assim como os tipos
específicos de dados colecados durance o esrudo. A incrodução concencrou-se
na necessidade de examinar o compromisso organizacional e o compromis·
so com a aprendizagem dos alunos, conduzindo a uma prioridade para a
abordagem quanticativa. Essa prioridade foi mais iluscrada nas seções que Os dados reais foram coletados de 182 alunos e pais que participa-
definiram o compromisso organizacional e o compromisso com a aprendiza.
gem dos alunos, e o uso de Liceratura extensiva para documencar esses dois
.
ram de .levantamentos durante um período de crês anos e de 56 alunos e
seus pais em entrevisms. Pela declaração de objetivo, podemos observar
conceicos. Seguiu-se enrão uma escrutura conceirual, complementadn com que eles c~etaram os dados concomiranremenre, como estratégia de im·
um modelo visual, e questões de pesquisa foram colocadas para explorar as plementaçao. Os autores apresentam uma discussão extensiva da análise
relações. Isso proporcionou uma orientação teórica para a fase quantitativa quantitativa dos dados do levantamento, incluindo uma discussão sobre a
do estudo (Morse, 1991). A implementação foi QUAN -. qual nesse estudo medic;ão das variáveis e os detalhes da regressão logistica para a análise
de duas fases. O auror apresenrou os resultados em duas fases, com a pri· dos dados. Também mencionam as limitações da análise quantitativa e
meira, os resultados quantirativos, exibindo e discutindo correlações, regres· os resultados especlficos do teste r e da regressão. O maior peso nesse es-
sões e ANOVA bidirecionais. Depois os resultados do estudo de caso foram c~d~ de métodos m~tos foi atribuído à coleta e à análise dos dados quan-
apresentados em termos de remas e de subtemas corroborados por citações. . nrat1vos, e a notaçao para o estudo seria QUAN + qual. A combinação
Acombinação dos resultados quantitativos e dos resultados qualitativos ocor· das duas fontes de dados ocorreu em urna seção intitulada "Discussão do
reu na discussão final, em que o pesquisador destacou os resultados quantita· Levan~ento e Resultados das Encreviscas" (p. 155), no estágio de inter-
tivos e as complexidades que vieram à tona com os resultados qualitativos. O ~retaçao d.o processo de pesquisa. Nessa seção, os aurores compararam a
autor não utilizou uma perspectivn teórica como lente no estudo. tmportânc1a dos fatores que explicam as contas-poupança dos pais para
os resultados quantitativos, de um lado, com os resultados dos dados da
entrevista, por oucro. De maneira similar ao Exemplo 10.1, nenhuma len-
Exemplo 10.2 um11 ~de /llvestigeçto concomitonte
te teórica orientou o estudo, embora o artigo começasse com a literatura
Em 1993. HoiSlat e Vésper ~ un eRldo examin8ndO os ~ sobre estudos econométricos e a pesquisa sobre a escolha da universida-
anociados às tcOllOllllas dol~ pera os filhos lrequenlaram as untverllicllliltl& de ~ terminasse com um "Modelo Aumentado das Poupanças dos Pais".
Ulllizanélo dados klng~udlnals é:ôiei8élo$ ele mur.o. e pela durante um pertodo de
Assam, podemos caracterizar o uso da teoria neste estudo como indutivo
262 John W. Creswell Projeto de pesquisa 263

(como na investigação qualitativa), extraído da literatura (como na pes. profundamente sua participação (um projeto sequencial explanatório). O
quisa quantitativa) e, por fim, gerado durante o processo da pesquisa. peso atribu!do aos componentes qualitativo e quantitativo foi igual, com
o pensamento de que ambos contribuem para o entendimento do proble·
ma de pesquisa. A combinação foi feita pela conexão dos resultados do
levantamento quantitativo com sua exploração mais profunda, na fase
qualitativa. Como a teoria feminista foi discutida durante todo o artigo
com um foco na igualdade e dando voz às mulheres, o estudo empregou
uma lente feminista teórica explicita.

RESUMO

Ao planejar os procedimentos para um estudo de métodos mistos, co-


mece comunicando a natureza da pesquisa de métodos mistos. Isso inclui
traçar sua história, defini.ta e mencionar suas aplicações em muitos campos
de pesquisa. Depois, estabeleça e empregue quatro critérios para escolher
uma estratégia de métodos mistos apropriada. Indique a estratégia de dis·
tribuição de rempo para a coleta de dados (concomiianre ou sequencial).
Também estabeleça o peso ou a prioridade acribu!da à abordagem quanti·
cativa ou qualitativa, tal como peso igual ou uma prioridade aos dados
quanticativos ou qualitativos. Mencione como os dados serão combinados
- pela fusão dos dados, conectando os dados de uma fase aos de outra fase,
ou incorporando uma fonte secundária de dados em uma fonte maior, pri·
mária. Finalmente, identifique se uma leme ou estrutura teórica que irá
orientar o estudo, como uma teoria das ciências sociais ou uma lente de
uma perspectiva reivindicatória (p. ex., feminismo, perspectiva racial).
Seis estratégias estão organizadas em torno de os faros serem coleta·
dos sequencialmente (explanatória e exploratória). concomitantemente
(triangulação e aninhada) ou com uma lente transfonnaóva (sequencial ou
concomirante). Cada modelo tem pontos fortes e fracos, embora a aborda·
gem sequencial seja a mais fácil de implementar. A escolha da estratégia
também pode ser apresentada em uma figura na proposta de pesquisa. En·
tão, os procedimentos especificas podem ser relacionados à figura para au·
A intenção da aurora foi dar voz às mulheres e dar uma voz mais xfüar o leiror a entender o fluxo das arividades em um projero. Esses in·
potente à desigualdade de gênero. Os dados quantitativos apresentaram cluem os ti'pos de dados quantitativos e qualitativos a serem coletados, as·
os padrões generalizados de participação, enquanto os dados qualiraúvos sim como os procedimentos para análise dos dados. Tipicamente, a análise
apresentaram as narrativas pessoais das mulheres. A distribuição do tem- dos dados envolve a transfonnação dos dados, a exploração das discrepân·
po no escudo foi a seguinte: primeiro a coleta dos dados de levantamento cias, o .exame de vários níveis ou a criação de matrizes que combinem os
e depois as entrevistas com as mulheres para acompanhar e entender mais resulcados quantirarivos e os resulcados qualitativos. Os procedimentos de
264 John W. Creswetl Projeto de pesquisa 265

validade rambém prec:isam ser explicitamente descritos. O relatório final cinco diferen1cs objetivos de mé1odos mistos e sece camcterlsticas de projeto. Desco-
escrito, pelo fato de poder ser pouco familiar para os leítores, pode também briram que os objetivos dos estudos de métodos minos baseiam-se em buscar conver-
g~ncía (triangulação), examinando as difeiemes facew de um fcn6mcno (comple-
ser descrito em uma proposta. Cada um dos crês tipos de estracégías - se-
mentaridade), utilízando os métodos sequencialmenie (desen•'Olvimenro), descobrin·
quencial, concomirance e cransfonnativa - cem uma abordagem esO'Utural do paradoxos e perspectivas novas (fniclação) e adicionando amplitude e escopo a
diferente para escrever um estudo de métodos mistos. um projeto (expansão). TumMm descobrirnm que os estudos variavam em tennos das
suposições, dos pomos fortes e das limitações do método, e se uaravam de diferentes
íenômenos ou do rnesmo fenônlcno; se eram implemcnu1dos dentro dos n1esmos ou
Exercícios de Redação de diferences paradigmas; se recebiam peso igual ou diferente no estudo; e se eram
lmplemeo!lldos de maneira independen1e, concomitante ou sequenclal. Utilizando os
1. Planeje um estudo qualitativo e quantitativo combinado que empregue duas objetivos e as carncteriscicas do projeto, os autores rte0mendacam vários projetos de
Iases sequencialmente. Discuta e ap<esente uma justmcaliva para a razão mé1odos mistos.
ele as fases estarem na sequência que você propõe.
2. Planeje um estudo qualitativo e quantitativo combinado que dê maior priori- Morse, J . M (1991) . Approaches to qualltatlve-quantftadve methodolo-
dade à coleta de dados qualitativos e menor prioridade à coleta de dados glcal tri.a ngulatlon. Nurslng Research, 40 (1), p. 120-123.
quantitativos. Discuta a abordagem que será utílfzada escrevendo na Intro- Janice Morse sugere o uso de métodos qualitativos e quantitativos para abordar com o
dução a declaração de objetivo, as questões de pesquisa e as foonas es- mesmo problema de pesquisa levan1a questões quanto ao peso de cada mé1odo e sua
pecificas de coleta de dados. sequência em um cs!Udo. Baseada nessas ideias, ela propô<! duas fonnas de triangu·
3. Desenvolva uma figura visual e os procedimentos especlf1COs que ílustram lação me1odol6glca: simultânea, usando os dois métodos ao mesmo tempo; e sequen-
o uso de uma lente teórica, como. por exemplo, uma perspectiva feminista. cial, usando os resulrndos de um método para planejar o próximo método. Essas duas
Use os procedimentos de um modelo sequencial ou concomitante para formas são descritos por meio de umn notação de letras maiúsculas e minúsculas que
conduzir o estudo. Use a notação apropriada na figura. significam peso relativo e também sequência. As diferences abordagens da triangula·
çilo são então discucidas à lw: de seu objetivo, limi1ações e abordagens.

"!Uhakkorl, A. e Teddlle, e. (Rds.). (2003). Handbool< o/ mlred methoda


ln tl1e social e behovioral sciences. Thousand Oaks, CA.: Sage.
LEITURAS ADICIONAIS llste manual, editado por Abbas Tushakkoti e Charles Teddlie, reprcsentn o esforço
mais substancial aré es1a daca paro rcuni.r os princlp:iis aurores que escrevem sobre
Creswell, J. W. e Plano Clark, V. L. (2007). DulgnJng and conducting ml- n pesquisa de mé1odos mistos. Em 27 capl!ulos, o livro Introduz o lei1or aos métodos
xed mtthods rutarch. Thousand Oatc.., CA.: Sage. mistos, ilustra qucs1ões mecodológicas e analíticas em seu uso, identifica aplicações
Plano Clark, V. L. e Creswell, J . W. (2008). Tht mlred methoda rMdtr. nas ciências sociais e humanas e troça direções futuras. Por exemplo, caphulos sepa-
Thousand Oaks, CA: Sage rados ilumam o uso da pesquisa de métodos mistos em avaliação, administração e
Crtswell e Plano Clark desenvolvernm dois livros que apresentam uma introdução organização, ciências sociais, enfennagcm, pskologia, sociologia e educação.
à ~uisa de métodos misros e aos esnidos de pesquisa com amostras e nos unlgos
metodológicos sobre a pesquisa de métodos mistos. No primeiro, enfatizamos quatro
tipos de proje1os de métodos miscos: os proje1os sequencial explanatório, sequencial
explora1ório, de triangulação e incorporação, e apresentam os artigos que ilustram
cada projeto. Esse ~• do projeto é levado adiance em seu kadu, em que os anigos
adicionais são incluídos para a.presentar estudos de pesquisa reais que cmpregum 0$
projetos, e 11Ullbém discussões em torno das fdcias básicas dos quatro projetos.
Greene, J. e ., CaraceUI, V. J. e Graham, W. E (1989) . Toward a conceptual
fra.m ework for mlxed-method evaluadon deslgns . Educational Evolua·
rion and PoUc:y Analy.i6, 11(3), p . 255-274.
Jcnnifer Greene e colaboradores cealizaram uma análise de 57 eswdos de avaliação
de mé1odos mistos rclncados de 1980 a 1988. A panír dessa análise, desenvolveram
Glossário

Abordagem transformativa coocomltAnte nos mérodos mls1os é guiada pelo uso do


pesquisador de uma perspeclivo 1eórica e também pela col<ta concomitante de dados
quantitativos e qualitariYO$.
Acordo entre codlflcadores (ou verificação cruzada) ocorre quando dois ou mais
codificadores concordam com os códigos u1íliudos para as mesmas passagens no texto.
(Não significa que codifiquem o mesmo 1e.sro, mas se outro codificaria uma passagem
similar com o mesmo código ou com um código similar). Procedimentos estatísticos ou
subprogramas de confiobilldade nos pacores de software qualhat!vos podem ser utilizados
para demminar o nfvel de con.•isiencla da codificação.
Ameaças à valida de externa surgem quando os experimeniadores extraem infW!nclas
incorretas dos dados da nmosirn pnrn outras pessoas, outros locnls e siltUkçôes passadas ou
ÍUlUftl$,
Ameaças à validade Interna do procedimentos cxpcrlmcn1ols, tratamentos ou expc·
nendas dos parricipan1es os quias ameaçam a capacidade do pesquisador de extrair infe·
rfndas corretas dos dados sobre a população em um cxpcrimento.
Amostragem ale.atórl• é um procedimento na pesqulsa quantitativa para a seleçio
dos panicipanres. Significa que cada individuo rem igual probabilidade de ser selttionado
da população, g81811tíndo que a amostra scpi repttsentariva da população.
An'llae descritiva dos dados para as variáveis cm um esrudo Inclui a descrição dos
resulrados por meio das médias, dos desvios-padrão e da variação das pon1uoções.
Bancos 'de dados computadorizados da literatura es1llo atualmenre disponíveis
ntlS bibliotecas e permhem acesso rápido a milhares de periódicos, textos de conferência e
materiais escri1os.
Codificação é o processo de organização do ma1erial em blocos ou segmen1os de cex10
para dcsenwlver um significado geral de cada scgmenro.
Códigos d e édca são as regras e os prindplos ~dcos embelecidos pelas associações
profissionais que go.~mam a pesquisa acadEmica nas disciplinas.
Coutncla na escrita signiftc:a que as ideias se unem e fluem logicamente de uma sen·
t•nça para outra e de um par4grafo para outro.
68 John W. Creswell Projeto de pesquisa 269

omblnar slgnílica que ou os dados qunlltadvos • quantlta1ivos estio realmente fundidos Entrevistas qualitativas significam que o pesqul<ador conduz entrevistas face a .face
n uma exuemidadt do contínuo. ou mantidos separados, um em cada extremidade do com os panidpantes, enirevislll os panicipantes por 1clcfone ou se cnvol\-e cm cntrtVIStas
>núnuo. ou combinados de alguma maMira no condnuo. de grupos focais com 6 a 8 enrttW!ados cm cada grupo. Tais cnuevístas envoh~m quest6es
oncepçllo reivindlcatórla/particlpatórla é uma filosofia de P"S<tulsa cm que 8 não estruturadas e, em geral, abt.nas, que são poucas em nú.mero e destinadas a e.xt:rair
vestignçfto t! interligada li poJ!tica e à agenda poütica. Assim, a pesquisa contém uma concepções e opiniões dos panicipantes.
:enda de nção para a reformn que pode mudnr as vida.; dos parddpantes, as lnstituiçõe$ l!stratégia de triangulação concomitante nos métOdos mistcs é uma abordagcn em que
n que os lndivlduos trabalham ou vivem envida do pesqUl$ador. Além dbso, s.10 tratadaJ 0 pcsquisadot colem roocomitan1cmente os dados quanlitam'OS e qualiwívos e depois rompam
.iest6es especificas referentes às quest6es sociais importantes da época, como capacitação, ()$ dois banclC>S de dados para detennlnar"' há~ diferenças ou alguma combinação.

?Sigualdade, op~. domin.açio, rupresslo e alienação. J!stratégla explanatórla sequencial, na pesquisa de métodos miStos, é caractcrí:rada
onect•do na pesquisa de métodos mistos significa que as pesquisas quanritativa e pela coleta e an'1isc de dados quantitativos cm uma primeira fase, seguida da coleta e
lallrotivn estão conectndns entre uma nnálise de dados dn primeira fase dn pesquiso e nnólise de dados qualitativos om uma segunda fose, a qual é cormruldn sobre os resultndos
no cole1n de dados da segunda fase. quantitativos iniciais.
onflabllldade refere·se a se as poawaç6es dos Itens em um ínstru.menlo s5o imemamen1e Bstratég:la Incorporada concomitante da pesquisa de métodos misms pode ser lden-
•nsísten1es (i. e, as respostas aos Itens s5o consistentes cnue os construttOS?), está•'eis no ó6cada pelo uso de uma fase de coleta de dados durante a qual cs dados quantiuu!Yos e
=rrer do tempo (oorrelaçlles •este-reteste) e se bou•-e consistlnáa na administração e na quntimtivos são coletados ao mesmo tempo. Diferentemente do modelo de triangulação ua-
>ntuaçllo do reste. dicional uma abordagem incorporada conoomi1nme tem um método principal que gula o pro-
:>nAnbUldade quallrotlva indica que uma abordagem pnrdcular é consistente enue je10 e .,;, mt!1odo secundário que desempenha um papel de apoio nos procedimentos.
ferentes pesquisadores e diferentes projetos. Estratégia tranSformativa sequencial, oa pesquisa de métodos mislos, é um projeto de
>ostrutlvlstas soclab defendem a suposição de que os lndívlduos procuram entender o duas fases com uma lerue r:e6rica (p. ex., gb>eto, ~ teoria da dtncia social) justapondo os
undo em que m1:1D e trabalham. Os indivfduos desenvol\-em significados subj<-dvos de suas proccdimeruos, oom uma fase mlc:ial (quanlitariva ou qualíladva) scsuida de uma fase (q...
perienoas. significados direcionados para alguns objetos ou coisas. lirariva ou quantítariva), tons1Nfda sobre a fase antcríot
eclaraçllo de objetivo em uma proposta de pesquisa estabelece os objetivos, a intenção Estratégias de Investigação são tipos de projetos ou modelos qualitaLlvos, quan·
' ideia principal pnrn o cs1udo. rhntivos e de métodos mistos que proporciona1n uma direção especifica aos procedimentos
oc:laraç6es de objetivo dos métodos mistos oon1bn o objetivo gemi do estudo, cm um projeto de pesquisa.
:o~ sobre as tcndWas quantitativas e qualitativas do estudo e uma justificativa Estratégias de validade na pesquisa qualitativa são procedimentos (por exemplo,
ra Incorporar as duas r<nd~náas para wudar o problema de pesquisa. verificação cios membros, triangulação das fon1es de dados) que os pesquisadores ~uali­
•claraç6es de objetivo qualitativas contêm informações sobre os fenõmcnos cen· U'ldVOS usam pnra demonstrar a precisão de seus resu1rados e parn convencer os lenores
•is explomdos no estudo, sobre os partlcipnmcs do es1udo e sobre o locnl do pesquisa. dessa prccisllo.
mbén1 comunicam un1 projeto emergente e as palavras do pesquisa cxrraídas da lin· l!studos d e caso são uma estratégia quali111tlva cm que o pesquisador explora cm pr<>-
agem da investigação qualltaliva. (undidadc um programa, um evt:nto, uma advklade, um procaso ou um ou mals indM·
!claraçlles de objetivo quantitativas incluem as variáveis no estudo e sua relação, duos. Os casos s5o limitados pelo 1cm.po 'e pela atividade, e os pesquisadores ooletam in-
participantes do ..wdo e o local da pesquisa. TamWm Incluem a linguagem associada formações detalhadas un1izando di~ procedimcn1os de colera de dados duran1c um
:na pesquisa quandtatova e a lcstagem dedutiva das relações ou teorias. perlodo de tempo prolongado.
,oClênclns na Uteratura anterior podem existir porque os tópicos nilo foram ex· Etnografia ~ uma estratégia qunJhativa em que o pesquisador cs1uda um srupo cultural
orados com um dttermlnado grupo, amostra ou populaç~o; a literatura pode precisar ser lntaeto cm um ambiente natural durante um período de tempo prolongado, colerando
1licada ou repetida para ver se os ~mos resultados se mancbn com as novas amostras de principalmente dados de observaçio e entrcvlsw.
;soas ou os noros locnis de estudo; ou a voz dos grupos sub-repmoentados não foí ~ Excessos na csmta refcrem·se às palavras adicionadas na prosa as quais s5o desne-
li""8tUrl publicada. cessárias na comunicação do significado intencional.
1inlçlo dos termos t! uma seção que pode ser encontrada em uma proposta de pes- l!xperlmenro verdadeiro t! um• forma da pesquisa experimental em que os Individuas
sa e define os 1em1os que os leitores podem não en1ender.
silo aleatoriamente designados a grupos.
cas de pesqul.sa são minhas ideias sobre"' abordagens ou técnicas que têm funcionado
Formulú!os de consentlme.nto Informado são aqudes que os panicipantes assinam
n para mim como pesquisador experiente.
antes de se tngojar na pesquisa. Esse formulilrio reconhece que os di~itos dos panldpantes
mibulçio do tempo na pesquisa de mécodos mis<os en"""" a coleta de dados quaruita- serão protegidos durante a coleta de dados.
,. e qualitativos em fases (sequencialmente) ou ooJetando.os oo mesmo tempo (oonoomirante-
nte). Gancho narrativo é um tenno extraido da composição em Inglês, significando palavras
que são utilluidas na sentença de abertura de uma lnttoduçilo e servem poro uttair ou
cumcntos qual itativos são documcnros públicos (p. ex., jornais, minulas de reu·
es, relacóríos oficial$) ou privados (p. ex. diários pessoais, cartas, e-mails).
o
engajar leitor no estudo.
270 John W. Creswell Projeto de pesquisa 271

Generalização qualitativa ~ um renno usado de uma maneira limitada na pesquisa que molda os tipos de questões formuladas, informa como os dados são coletados e
qualitativa, pois a intenção dessa fonna de invesógação não é gcncraUz.ar os resultados aos analisados e proporciona um chamado para a ação ou para a mudança.
Indivíduos, locais ou situações fora daqueles que eStão sendo escudados. Gene.raJizar os Livro de códigos qualitativo é um meio de organizar os dados qualitativos utUCzan.
resultados para teorias é uma abordagem utilizada oa pesquisa qualitativa de estudo de do·se uma lista de códigos predeterminados que são utilludos pal'll codificar os dados.
caso múltiplo, mas o pesquisador precisa ter pnxcdimencos bem documentados e um banco Pode ser composco com os nomes dos códigos em uma coluna, uma definição de c6digos
de dados qualitativo bem desenvolvido. em outra e depois os momentos específicos (i. e., os números de linhas) em que o código é
Grandes Ideias na redação são sentenças que contêm ideias ou imagens especificas encontrado nas transcrições.
que caem no Ambito das ideias abrangentes e servem para reforçar, esclarecer ou e.Laborar Manuais de estilo proporcionam diretrizes para a criação de um eso1o acadêmico de um
sobre as ideias abrangentes. rnanuscrico, como um formato consistente para a dração de referências, criação de óruJos,
Guardl6es (gatekeepers) são indivíduos nos locais de pesquisa os quais proporcionam apresentação de tabelas e figuras e uso de linguagem não discriminatória.
o acesso ao local e concedem ou pennite.m que um escudo de pesquisa qualitativa seja rea .. Mapa da literatura é um quadro visual (ou figura) da literarura de pesquisa sobre um
lizado. tópico que iluscra como um determinado estudo conoibui para a lirerarura.
Hábito de escrever é a redação de uma maneira regular e contínua sobre um objetivo, Materials qualitativos de áudlo e vídeo assumem as formas de forografias, objeros
em vet de em Impulsos ou de forma irregular. de arre, de videoteipes ou de qualquer forma de som.
Hipótese direcional, como é utilizada na pesquísa quantitaâva, é aquela em que o Métodos de pesquisa e.nvolvem as formas de coleta, de análise e de lnterpreração dos
pesquisador faz uma previsão sobre a direção ou os resultados esperados do estudo. dados que os pesquisadores propõem para seus estudos.
Hipótese não direcional, em um esrudo quantitativo, é aquela em que o pesquisador Notação dos m~os mistos proporciona rótulos e símbolos abreviados que comunicam
faz uma previsão, mas a forma exata das diferenças (p. ex., maior. menor, mais ou menos) importantes aspeaos da pesquisa dc métodos mistos e fornece uma maneira pela qual os
não é especificada, p0rque o pesquisador não sabe o que pode ser previsto a panir da pesquisadores de métodos misros podem comunicar íadlmente seus procedimenros.
lh.erarura anterior. Observação qualitativa significa que o pesquisador faz ao0taç6es de campo sobre o compor·
HJpótese nula, na pesquisa quantitativa, representa a abordagem tradicional da redação das ramento e as atividades dos indivíduos no local da pesquisa e registra suas ob$ervaç6es.
hip6teses; ela fat uma previsão de que, na população geral, não existe nenhuma relação ou Peso, na pesquisa de m.étodos mistos, ~ a prioridade am1>uída à pesquisa quanrimrivn ou
cliferença significativa entre os grupos em uma variável. quaJirariva em um determinado estudo. Em alguns esrudos, o peso pode ser iguaJ; cm ou~
Hipóteses quantitativas são previsões que o pesquisador raz sobre as relações esperadas rros. pode enfatizar dados q-ualíracivos ou qu.anrlcaúvos.
entre as variáveis.. Pesquisa de levantamento aprcsen.ta uma descrição quantitativa ou numérica das rendên·
Ideias que atraem atenção ou interesse na redação são sentenças cujos objetivos são cias, das atitudes ou das opiniões de UmB população, esrudando a amosrra dessa população.
manter o leitor conce.nr:rado, organiur ideias e manter a at"enç-ão do Indivíduo. Pesquisa de métodos mistos é uma abordagem da investigação que combina, ou associa,
Incorporação é uma maneira de combinar na pesquisa de dados mistos, em que uma as formas de pesquisa qualitativa e quantirativa. Envolve suposl~ filosóf1C3S, o uso das abor-
forma de dados secundários é alojada dentro de um estt1do mais amplo com forma de dagens qualill!tiva e quantitativa e a combinação das duas abordagens em um esrudo.
dados diferentes como o principal banco de dados. O banco de dados secundário desempenha Pesquisa experimentaJ busca determinar se um rracamenro específico influencia wn
um papel de apoio. resultado em um estudo. Esse impacto é avaliado proporcionando-se um trarsmento es-
Integrar os dois bancos de dados na pesquisa de métodos miscos significa que os bancos pecífico a um grupo e não o proporcionando ao oucro grupo e, depois, determinando como
de dados quantitativo e qualitativo são realmente fundidos por meio de uma abordage1n de os dois grupos ponruam em um resultado.
comparação ou por meio da rransformação dos dados. Pesquisa fenomenológica é uma estratégia qualitativa em que o pesquisador identifica
Interpretação, na pesquisa qualitativa, significa que o pesquisador extrai significado dos a essência das experiências humanas sobre um fenômeno descrito pelos part!cipaotes em
resultados da análise dos dados. Esse significado pode resultar em lições aprendidas, in· um estudo.
formações para serem comparadas com a Uterarura ou experiências pessoais.
Pesquisa narrativa é uma estrarégia qualitativa em que o pesquisador esruda as vidas
l.n te.rpretação dos resultados, na pesquisa quantitativa, significa que o pesquisador dos indivíduos e pede a um ou mais indivíduos para conrar histórias sobre suas vidas. Essa
tira conclusões dos resultados das questões de pesquisa, das hipóteses e do significado mais infornlação é então frequentemente recontada ou re·hisroriada pelo pesquisador em uma
amplo dos resultados. cronologia narrativa.
lntervaJo de con_tla.n ça é uma estimativa na pesquisa quantitativa da variação dos •
Pesquisa qualitativa é um me.iode explorar e de entender o significado que os indivíduos
valores estaúsdcos superiores e inferiores os quais são consistentes com os dados obser· ou grupo atribuem a um problema social ou humano. O processo<!• pesquisa envolve questões
vados e provavelmente contêm a média da população real. e procedimentos emergcnrcs; colei.ar dados no ambiente dos participantes; analisar os dados
Lente ou perspectiva teórica na pesquisa qualitativa apresenta uma Jence oricn~ indutivamente, Indo dos temas particulares para os gerais; e fazer Interpretações do significa·
radora geral que é utilizada para esrudar questões de gênero, de classe e de raça (ou ourros do dos dados. O relatório final escrito tem uma esrrutura de redação flexível.
problemas de gn1pos marginalizados). Essa lenre roma·se uma perspectiva reivindicalória
272 John W. Creswell Projeto de pesquisa 273

Pesqulaa quantitativa é um melo de testar teorias objetivos examinando a refação entre qunntitativas e qualitativas da pesquisa. Essa ~a questão que será respondida no estudo
as variávciJ. E.s~s variáveis podem ser n1edidas tipicnmcntc cm instrumentos, para que os baseado na combinaç5.o.
dados nurnemdos possam ser analisodos por meio de procedimentos es1a tlsrlcos. O relo tório Questões de pesqulaa quantitativas são declarações [nrurogativas que levantam
escrito Cinn1 tem uma estrutura füca que consiste de inuoduÇ'ão, de literatura e de teoria, de questões sobre as relações entre as variáveis que o investigador procura re:sponder.
métodos, de resultados e de diseussllo.
Questões ou blpótHeS lnlerendais relacionom variá'l'eis ou comparam grupos em ter·
Pós-pasltl.Utas rellflem uma ítlosoflll deierminlstica sobre a pesquisa em que as causas mos das variáveis para que possam ser extraídas Werendas da amostra para uma população.
prow..,lmente deicrmínam os efeitos ou os resultadoo. Assim, os problemas estudadoo
pelos pós-positivistas rdlct:em questões que precisam idcndlicar e avaliam as causas que ReOcxlvldade significa que os pesquisadora refletem sobre como seus vicscs, valores e
influenciam os rcsulcados, como aquelas encontradas nos upttimt.ntos. pttfis pessoais, mis como gfnero, história, cuhura e situação socioeconõmica, moldam as
interpretações que fazem durante um esrudo.
Pragmatis m o, enquanlO visão de mundo ou mosofio. surge de ações, de situações e de
consequências, e não das condí\"ÕCS an1ecedenccs (co1no no pós~p0sltivísmo). Há u1na Resumo enl umn revisão de lhenuura é unt ex111nc breve da literatura (gcrolmcn1c enl um
prcocupnç5o co1n as aplicações, o que funciona, e com as soluções para os problc1nas. Em parágrafo cuno) o qual sln1eliz.n os principais ele1nentos para permjtir que o leitor entenda
vez de se concentrar nos métodos, os pesquisadores enfatizam o proble·ma da pesquisa e n.s carncreriscicas fundrunc.ntais do artigo.
utilizam todas as abordagem disponlveis para se entender o problema. Revisão de estudos, em uma lntTodução,justlfica a importãncia do estudo e aia distin-
Problemas de pesquisa são os problemas ou questões que conduzem à necessidade d• ções entre os estudos anteriores e um estudo propooto.
um estudo. Rotc.lro, como é utilizado neste livro, é um gabarito de algumas sentenças que contbn as
Prottdlmcntos de métodos mistos concomitantes do aqueles em que o pesqui· principais palavras e ideias para deierminadas partes de uma proposta ou relatório d• pcs·
sador converge ou funde dados qunnlflativos e qualitativos para realizar u1na ant\lisc quisa (p. ex., declaração de objeàvo ou questão de pesquisa) e proporciona espaço para os
abrangente do problema de pesquisa. pesquisadores inscrlrc1n lníomu'ções relacionadas a scu5 projetos.
Procedimentos sequenciais dos métodos mistos são aqueles em que o pesquisador Sclcclonar lntenclonalnlente os partidpa.ntes ou os locais (ou docu1nentos ou material
procura elaboror ou expandir sobre os resuhados de um método com outro método. visual) sigoifica que os pesquisadores qualitativos selecionam os indivíduos que mais irão
Proccdlm4!ntos transformativos dos métodos mistos são aqueles •m que o pcs. ajudá·los a entender o problema de pesquisa e as qucsd5es d• pesquisa.
quisador usa uma lente teórica (VCI Capitulo 3) como perspectiva abrangente em um pro- Slgnlficincla do estudo em uma introdução comunica a imponhda do problema para
jeto que: conc~m dados quantnauvos e qualitativos. diferentes públicos que podem se beneficiar da leitura e do uso do estudo.
Projeto de Indivíduo único ou projeto N de 1 envolve~ o componamento de um Tamanho do efeito identifica a •força• das condus6cs sobre as diferenças dos grupoo ou
iinioo individuo (ou de um pequeno número de !ndlvfduoo) ao longo do tempo. das re)ações enrre as variávc(s nos estudos quanlitativos.
Projeto de levantamento apresenta um plano para umn descrição quantitativa ou Teoria fu_n da_m entada é unta escrarégia qurtlltativa em que o pesquisador deriva uma
nun1érfca do.s ccndências, das atitudes ou dns opiniões de unln população estudando unln teoria gera1 e abstrato de um processo, de ação ou de interação fundamentada nas con-
11J110Stra dessa população. cepções dos participantes de um estudo.
Projeto experimental, no pesquisa quaruirativa, tesm o impac:to de um tratamento (ou Teoria na pesquisa quantitativa é o uso de um conjunto inter·rdadonado de cons-
de uma inteMnçào) sobre um multado, controlando todos os ourros fatores que podem uunos (ou variá~is) transformados em proposições ou rup6teses que cspcciftcam a relaç3o
inllucndar esse rcsulllldo. entre as variáveis (gualmentc cm tennos de magnitude ou d• direção) e preveem os re·
Projetos de pesquisa são os planos e os procedimentoo de pesquisa que abrangem as suliados de um estudo.
decisões de suposições amplas para métodos detalhados de coleta e análise dos dados. Teorias na pesquisa de métodos mistos proporcionam uma lente orl•ntadora que
Envolvem o int•rscção de suposições filosóficas, de estratéglM de investigação e de métodos molda os dpos de questões formuladas, quem panlcipa do estudo, como os dados são co-
espedricos. letados e as implicações fe itos a partir do estudo (geralmente paro mudnnça e reivindica·
Protocolo da entrevista é um formulário usado por um pesquisador qualiratlvo pa.ro tórla). Eias apresenlllm uma pcnpcctiva abrangente utilizada em outms estmt~gias de
registrar e redigir informações obtidas durante uma entrevista. Investigação.
Protocolo observadonal é um formuhlrio utilizado por um pesquisador quolnat!YO Tópico é o tema ou assunto de um estudo proposto que um pesquisador ldentiftca no
para rqistrar e rcdigír as informaç6cs enquanto observa. Inicio da preparação de um estudo.
Quase-experimento é wna forma de pesquisa expenmental em que os índMduos nio Unllo dos partldpantes, na pesquisa experimental, é um procedimento em qu• os
são aleatoriamente designados a grupos. panicipantes com alguns m>ços ou caraaerisdcns sao reunidos e depois aleatoriamente
Qucstlo central, na pesquisa qualiwiva, é uma questilo ampla ooloeada pelo pcsqul· designados para grupos controles e experimentnis.
sador que pede uma exploração do fcnõmcno ou conceito central em um estudo. Uso da teoria nos estudos de métodos mistos pode incluir a teorrn. dedutivamente
Queatôo de pesquisa dos métodos mistos é uma questão especial colocada em um nn testagem e na veriOcaçfto da 1eoria quanthadvn. ou indutivamente, corpo na teoria ou
estudo de métodos mistos o qual lida diretamente com a combinação das tendencias no padrão qualírativo emergente.
274 John W. Creswell

Validade: da concluslo estatC.-tlca surge qua.ndo os experimcntadol'CS exttaem io.


fcr~cias inexatas dos dados devido •o podtr ts111tlstlco inadequado ou à violação de su-
posições esratistlcas.
\lllldade do eonstructo OCOfT'< quando oo lnvestigadorcs utilizam dcfinlç6es e medidas
adequadas para as vari4...,is. Referências
validade na puqulu quandtatlva rtftrt·S<! à possíbflldadt de CXU'8Çlo de iníeren.
das significativas e dt<i$ das ponruações de deiermlnodos lnsrrumentos.
Yalldade qualitativa significa que o pesquisador wrilica a pttdslo doo resultad05 <m·
pregando detenninados prooedimcntoo.
Variável refero-se a uma caracmútica ou atn1xno de um indivlcluo ou de uma organjzaçjo
que pode w medida ou observada e que vom entn as pessoas ou organizações que estão
sendo estudadas. Uma vari4vel geralmente vai variar em duas ou mais categorias ou em um
corulnuo de ponruaçóes, e pode ser medida.
Viés de resposta ~ o efeito das não respostas nas estimativas do levantamento, e significa
que, se oo não respondentes tivessem respondido, suas respostas teriam mudado substan-
cialmente os resultadoo gerais do levantamenro.
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Bailou, S.V., 66 C&su~ner. WB. 1 143
Baustll, R.B., ln Olannaz, K., 37
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B<l!ol, N., 129
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Bemall, R.P., 239
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Bcrg, B., 121, 206, 212 Connelly, RM.. 37, 38
Bergt~ P.L., 3 1
Cook, T.0., 177, 198
Bbopal. K., 262 Cooper, H., SI , 54, 112
Bíklen, S.K., 208, 212, 220 Cooper, J .O., 36
Biid, s;r., 250 Corbln, J.M., 37, 93, 206, 217
Bjorklund, S.A., 131 Creswell, J.W, 26, 27, 34, 39, 65, 83, 65, 96,
Blalock, H., 8 1, 82 105, 144, 154, 157, 160, 162, 171, 171, 175,
etase', J,J., 232 210, 220, 225, 210, 241, 243, 2'15, 249, 251,
Boeker; w , 134 2S3,2SS,2S7,2S8,264
Bogdan. R.C., 208, 212, 215, 220 Cro<r)I M., 28,31
Boitt~ R., 108 Cruethlield, J.P., 117
Boaev>,8., 239
Booth-tl.wley. s.. 152 Do)\ J., 239
B<q. WR., 182, 199, 200, 229 0.Craw, D.G., IS l
8onlch, R.F., 1 n o..uln, N.ll, 47, 176, 206
Brown, M.L., 94, 144, 210 Dillanl, A.., 110
Bryman, A., 239, 2'11 D111man, D.A, 177, 183
BWllO. N, llS Dopa. N, 119
tb..+.11- N r "ln •7 n..-.. nn AA A<t
286 lndice onomástico lndice onomástic:o 287
llchx:ntk>nal ResOlln:es lnfomiatk>n Center. S7 Hubonnan, A.M., 162, 212, 225 M<Olrlen, G., 145 Rhoods, R.A., 147
lldwordJ, Jll, 152 Humbloy, A.M., 182 Mcl.eroy. K.R., 250 Richardson, L, 65, 229
Elrnet, l!.W, 208, 230, 231 Megcl, M.E., 83 RJchie, B.S., 148
Elbow, P., 107 1saac, s..n Metriam, S.G., 75, 230, 233, 234, 235 RJernon, 0.J., 93
Eruu, c.z.. 201 lstta~ BA, 239 Mcncns, D.M., 29, 31, 35, 39, 91, 95, 96, 100 Rl1w; LA., 179, 181
lsreal, M., 116, 122, 124 Mldwl, Wll, 46, n Roblnsoo, s.. 1'48
~R.E., 1'48 Miles, M.11., 162, 212, 222. 225, 229, 235 Rogtts, A., 239, 243
Flly; 8., 91 J-,T.,62 Miller. D., 164, 225, 229 Ron)\ R.. 34, 35
Fldd, A., ln Janz, N., 240 Mílk~ D.C., SI, 105, 181 Rosonfold, e, 1s2
Finders. M.J., 164 Jiclc, T.D., 38, 240 MOIJ, G.E., 100 Rosonth~ R., n. 190, 191, 193
Finlc, A., 20'! Johnson, J., 148 Moore, D.J 168 RD<now; R.L, n. 190, 192, 193
Firesto1~. W.A, 68 Johnson, FLS., 239, 258, 259 Morgan, O., 34, 248, 250 Aoss·Larson, e.• llS
Fislto, D.,~ Jungnlckel, P.W, 83 M~J.M.,43, 129, 211, 24S, 253,260, 265 Rossm.\n, G.B., 34, SI, 92, 136, 159, 206, 208,
Flick, u. 237 Moomkas, C., 38, 129, 162, 217 212, 217, 222, 229, 230, 232, 233, 237
Fllndon, D.J. 100 s
Kalo(, 1., 1 l Murguil, E., 94 Rudestam, K.E., 105
R>wl<t, F.J., 179, 181, 18'1, 205 Ktt-..... J.P., 60 Murph)I E., IS4
Frankhn,J.107 Ktmmls, s.. 32, 33, 37, 47, 210 Mwphy.J.2, 34 SaLtn~ e, 1n, 183
Fmiden~. N.. 239 tctppot, e.. 36, n. 1n, 188, 193, 205 Salklnd, N., 190
Frohlich, D., 239 Kerlinger, F.N., 78, 79, 188 Nosbacy\ D.X., l 79 San.ntaltao, S., 117, 118
kJine, R.B., 8 1 Neuman. S.B., 36, 200, 20S Sthonsul, J.J., 37, 208
Gall, J.P., 182 Kos, R., 147 Ncumt111, W.L, 28, 31, 32, 47, 80, 93, 122 Sthwondt, T.A., 93, 143, 206
Gall, M.D., 182, 199, 200, 229 l<raUl,R., 239 Newman, t., 25 St11gren. A, 64
Gamson.J., 91 Kushmln, J.W., 259 Ncwtoo, R.R., 30, IOS, 185 shadish, W.R., 198
Gibbo, G.R., 225, 228 Kvai., S., 119 Nicholl.J., 154 Slobo~ J.E., 117, 118, 121. 124

e-.
Gio<dano,J.,119
C., 49, llS, 211
Goodman. JlM., 2SO
LaboYia, s.. 79
Ladson·BUUnp, G., 91
Nitswiadom)\ R.M., 38, 162
Noolenmart, M., l S8
Nyman, C., 158
Siobct, S.D., 38
Sil~ S.J, 67, 75, 229
Slife, B.0., 27
Graham, W, 250 Langs<on, N.R, 83 Smllh, J.K., 29
Gravtuor, F.J., 181, 185 Lather, P., 93, 207 O'Catluín, A., 154 Sponcor, M.H., 144
Grteno, J.C., 96, 98, 173, 239, 250, 257, 264 Lautorbath, S.S., 146 Oloscn, \!L, 91 Spirduso, W.W, 67, 75, 229
Gubo, l!.G., 28, 31, 47, 93, 223, 227, 230, 231 t..avy, P., 117 OnwuogbU?.lo, A.J., 240, 258, 259 Spradloy, J.P., 162, 232, 233
Gutmann, M., 96, 157 LeComp<e, M.O., 37, 208, 23S O'Rdlli M., 119 Stake, FLE., 38, 93, 217
L<o, Y.J., 173 Stanley, J.• 36, 1n, 193, 204
H.adr.olt,G.,201 t..s1i<, LI.., l BS Padílla, R.11, 94 St«llltt, A., 250
Hqtdorn, R., 79 ~S.E.,239 PadUU, MA. 164 Stdnboclc, J., 109
Hanson,W.96 U:ncoln. v.s .. 28, Jl. se, 93. 206, m, us. 127, Parontt, J.M., 131 Strauss,A.,37, 123, 217
H1tch, JA, 208 230, 231 Panon, M.Q.• 34, 120 Smiuss, J.M., 206
Hal\ 1., 116, 122, 124 Unn, S.G., 148 Pliwl, M.• 94 Suddulh, A.G., 65, 66
Heisler, R.S., 142 Llpsey, M.W., tn, 191, 205 Ptshldn, A., 49, 211 Sue, \!M., 179, 181
lfonry. T., 65 1.ocke, LR, 30, 67, 69, 70, 7S, 142, 211, 230, Pcterson, J.A.. 98 Swidlcr, S., 157
HHM,J., 32 231, 232 PhlUips, 0.C., 29, 47
Horon, T.E., 36 Luas, K.J., 98 Plano a.rlc, Ili.., 26, 39, 96, 105, 154, 160, 171, 'llll'lhls, B., 110
H<SSO·Biobct. S.N., 116 Loeknwul. T., 31 171, 239, 240, 241, 243, 245, 249, 251, 25S, 'hshakl<ori. A., 34, 39, 100, llS, 170, 171, 175,
Heward, WI., 36 Lysaclc, C.I., 239 257, 259 239. 241, 245, 252, 253, 257, 258, 26S
Hoio,G., 1n l'r<>se, F., 107 • Tayto,; H., 119
Homans, G.C., 81 Marlt, M.M., 1n Pro<sct, J., 1'48 Toddlie, C., 34, 39, 100, llS, ~. 241, 245,
Hopkins, T. K., 81 Mmhall. C., 51, 136, 159, 206, 208, 212, 229, P.unch,K.F., 7S,n,92. !IS, 116, 121 2S2,253,2SS,2S6,257, 265
Hopson, R.K., 98 230, 232, 233, 237 Thrtnilni, P.T., 131, 133, 134, 135, 139, 140
Hosslet, O., IS6, 157, 260 Mas<arcnhos, R., 140, 166, 167 RDndall, F., 239 Tesch, R., 210, 219
floua, LE., 161, 162 Maxwell,J.A., 101, 123, 124, 141, 206 Rc.,.n, P., 32 'íl1omas, G.. 79, 80, 100
Hubot J .• 111 MtConnJtk. S.. 36. 205 Rclc:lwdt, C.S., 1n, 198 Tbonw, J., 91, 129, 162
288 lndice onomástico

Thomda.., R.M., n Weiwnan, l!P., Zl9


'lrujillo, N., 144 Whelan, K., 144
Tuckman, 8.W, 176, 198 White. C.M., 80
Turablan, K.l., 66
Turner, l. A.. Zl9
Willclnson, A.M., 49, 68, 69, 127, 141, 142,
160
,
Unl~Jcy Microfllms, 61
Wllkiruon, M.. 32, 33, 37, 46, 210
Williams, R.N., 29
lndice remissivo
WilJon, B.l., 34
Vmllom.(;,...mel"J; K., 70, 71 Wok"'1, H.'C, 37, 90, 110, 114, 124, 217, 224
'hn Munen, J., 228 ~l!A. , Zl9
\b'norl, J.E., 100
~N., 190,191 Yin, R.K., 224, 228
\l>gt, \\CP., 193 'Ili, F., 255

WaUnau, l.B.. 181, 185 Zllle~ R.C., 107, 108


Webb, R.B., 115 Zlmmerman, M.A., Zl9
Wtbb, W.H., 115 Zlnsscr, W, 107, 108
W.ittman, F.A.. 222., 239 Zumbo, e.o.. 182 Ab.uracu de Disselt8ções, 58, 61 pcsqui.., qunlhollvo e. 154, 1S6, 207, 211
Acordo entre codificadores, 227 pesquisa quandta1lva e, l OS
Ameaças à validade externa, 196, 203 quesiõesétlcasc, 117, 118-120, 122
lchuras adidona.is sobre, 204 signjficado e, 32
\tu tambim Que.t6es de valld1de teoria fundamenlada e, 37·38
Mltrican F.ducatiooal R<searcb Assodation, teorias e. 83, 99
ao. 111 \b' rambim ......,wnenlOS
AmOstrqem aleatória, 189, 212, 255 Coftttpçio ponkípotórla, 32, 41
Anilise dacriâva dos dados. 185 leituras adicionais IObfe, 47
AMWe dos dados. 18+187, Z00.201, 256-258 Coooepçio pós-pooidvlsto, 29·30, 36
leituras adiciorulis sobre, 204 abordagem quand111ivn •. 41 , 177
Anrropologla, 58, 80, 90-91 leiruras adicionais $Obre, '47
Aptndkes, !OS, 183, 211 Concepções
Auditores, 228, Zl5 construtívis:ta, 28, 42. Vtr ramWm Consmui·
Autodctcnninação, 33 vismo
Au1oria, 122 filosófica, 27·28
panlc:lpatórla, 43
Blocos de dados compu111dorludos, 55, 57· plantjamento de um projc<o de pesquisa e. 45
59, 73 pós·pooirivista, 29.JO, 36, 41, 1n
Buse1 de banoos de dados, 55, 57-59, 73 pragmatisla, 28, 34-3S, 43
reivindiamlril&lponldpetórias, 32-34, 44-45
ci..~ 58, 62. 67, 113, 135, m. 229, 260 \b' tcunblm Qucst6os _....
Coclif.,,9\0, 217, 219·223, 224-227. 229, 234, Condus6os
~.256 auditores externos e, 228
Coerfnc:ia na redação, 111 credibilidade doo csludos e, 122
\tu tambim Esmllégi<>s de red açAo intcrpreraçAo dos resul1adoo e. 185
Cole:la de dados, 25, 73 resumos e, 6-4~66
dcdamçõcsdeobjecivoe, 142· 144, 261 tamanho do eJc.lto e, 201
"""'!~ trnl1Sformativa roncomltontc e, 253 vieses e, 29·30
.,tratégliu de investigação t, 210 Condulll c:lenrmce Inadequada, 122
estudos de caso e. 37-38 """ ramblm Questões ttl<as
internet e_ 115 Conectado, 244
ld1wu octiôonais sobre, 175, 204, Zl7 Conliobilldadc, 224-228
1ewnwn<n10. . . 36, 1n. 179, 11s, 191. 193 ConliabilidJlde qualltallwa
pesquisa de mhodos mistos e, 35, 38, 69, Confid<nclalldade/prtvaddade, 115, 118-120
, ., ?41-?;IA ?4<;.241\ 2•9. 250-251 leituru adicionais sobre, 124
290 lndlce remissivo Indica remissivo 291

Conselhos editoriais, 61 coleta de dados e, 261 coerência e, 111-113