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Penha,

Património Histórico e Natural

Relatório da atividade

Unidade Curricular: Problemáticas Históricas


Ano letivo: 2017/2018
Docente: Professora Doutora Cláudia Ribeiro

8 de junho 2018
Porto

Discentes:
Juliana Freitas
Paula Ferreira
Dedicatória

Aos nossos alunos, das turmas 9.º A e 11.º C2,


pela experiência tão especial e gratificante que vivenciamos juntos.

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Agradecimentos

A realização desta atividade contou com importantes apoios e incentivos, sem os


quais não se teria tornado possível e aos quais estaremos eternamente gratas.
À nossa Professora Orientadora, Doutora Carla Sanfins pelo seu apoio, orientação,
disponibilidade, pelo saber que transmitiu, pelas críticas construtivas, pela colaboração
no solucionar de dúvidas que foram surgindo ao longo de todo o processo de trabalho e
por todas as palavras de incentivo.
À Direção da Escola E, B 2,3 Santos Simões por terem autorizado e facilitado a
concretização da atividade num local exterior ao estabelecimento escolar, por terem
permitido, posteriormente, o “coffee break” no interior da escola, e por todo o apoio
prestado no decorrer do ano letivo.
À Irmandade da Nossa Senhora do Carmo da Penha pelo auxílio prestado durante
o processo prévio da atividade, e em específico à Doutora Luísa por toda a sua
disponibilidade, simpatia, orientação, e apoio para que a concretização da atividade fosse
possível.
Merecem também um elevado agradecimento e destaque, os alunos das turmas 9.º
A e 11.º C2 de Artes Visuais pela sua ativa participação na atividade, por todo o seu
esforço e trabalho apresentado, pela sua disponibilidade em deslocar-se da escola para
outro local numa tarde livre, e agradecemos também aos seus encarregados de educação
por terem autorizado a saída dos seus educandos. Sem eles o sucesso da atividade não
teria sido o mesmo!
Não poderíamos esquecer, os nossos colegas do Mestrado e a Professora Doutora
Cláudia Ribeiro que se deslocaram do Porto para Guimarães, marcando uma importante
presença na atividade da Penha.

A todos o nosso sincero e profundo Obrigado!

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1. Introdução

Como professoras estagiárias do núcleo de Guimarães, decidimos que uma visita


de estudo à deslumbrante riqueza da Penha seria o ideal para cumprir com o que foi
proposto na Unidade Curricular de Problemáticas Históricas: a dinamização de um
evento.
Considerámos que as temáticas relacionadas com o centro histórico de Guimarães
já são muito abordadas e não era esse o caminho que pretendíamos percorrer, pelo que o
nosso objetivo foi chamar a atenção dos nossos alunos de 9.º ano e 11.º de História da
Cultura das Artes, como também dos nossos colegas e Professores da FLUP para uma
temática não tão abordada, como a do notável património material (por exemplo, com a
belíssima obra do Santuário da Penha, projetada pelo arquiteto José Marques da Silva,
temática abordada no programa de História da Cultura das Artes de 11.º ano) e imaterial
(com as suas peregrinações, festas e lendas que marcam várias gerações) do local da
Montanha da Penha.
Para o efeito, delineámos um conjunto de objetivos que pretendíamos atingir com
a realização da visita de estudo à Montanha da Penha: 1- Documentar valores materiais,
culturais e naturais da Penha no Presente, relacionando com o seu passado; 2- Observar
a arquitetura portuguesa de José Marques da Silva; 3- Evidenciar a importância assumida
pela Penha na memória afetiva dos vimaranenses; 4- Convidar os visitantes a olhar de
forma retrospetiva para o passado da Penha; 5- Promover o conhecimento do património
histórico, artístico, cultural e natural português e sensibilizar para a sua salvaguarda e
preservação; 6- Promover o trabalho em grupo entre os discentes e docentes, e
desenvolver as competências de comunicação com os respetivos convidados.
Apresentando o local, e ainda como justificação da escolha do mesmo, a
Montanha da Penha é notória pela sua vasta área verde preservada, as suas grutas e
ermidas, cheias de lendas e tradições, constituindo um lugar repleto de encantos e um
verdadeiro templo de calma interior e introspeção. O Santuário da Penha representa um
dos locais de maior importância existentes na Montanha, sendo um centro de peregrinação
que faz deslocar muitos fiéis, principalmente da cidade e arredores, mas não só. Este
Santuário simboliza a fé de Guimarães, traduzindo-se num monumento de enorme beleza
e com um amplo valor histórico, arquitetónico e religioso.

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Posto isto, o local da Penha concentra o Património Material com o Santuário e as
suas grutas, capelas e ermidas, com o Património Imaterial e Religioso com as suas
festividades e peregrinações religiosas que o local suscita, e com a sua vasta quantidade
de lendas que são transmitidas geracionalmente.

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2. Enquadramento científico
2.1. Património Material
A designação de um templo dedicado à Senhora da Penha confunde-se, desde o
fim do século XIX (altura em que se começou a pensar na edificação de um santuário)
até à atualidade, entre a adoção dos termos ora “igreja”1, ora “santuário”2. Talvez seja
mais apropriado ao termo “santuário” uma referência que se estenda a um conjunto
monumental que integra a Igreja de Nossa Senhora da Penha, esplanada defronte (isto é,
o amplo terreiro que se estende, num plano inferior, desde a escadaria da igreja até ao
cruzeiro do santuário) e o miradouro privilegiado sobre a cidade de Guimarães e
cercanias.
Depois da definição dogmática do Papa Pio IX, em 1854, e da edificação do
Santuário do Sameiro em glória da Imaculada Conceição de Maria, em 1864, a Penha
tornou-se cada vez mais apetrechada para o culto, através da construção de monumentos
e estruturas diversas. Sentiu-se a necessidade de um templo mais adequado ao espaço e
às manifestações religiosas: um santuário em honra da Imaculada Conceição.
O desejo de construção de um santuário dedicado à Virgem ganhou, pela primeira
vez, forma em projeto de João Fonseca Lapa, em 1897. A execução deste projeto chegou
a ser iniciada sem que, no entanto, tivesse passado dos alicerces. Era adiada a
concretização do sonho de construção de um grandioso templo mariano. Apesar da falta
de uma igreja adequada ao culto das massas, a Penha continuava a receber em
peregrinação muitos fiéis e a sua popularidade crescia com o passar dos tempos.
Mas o sonho da construção de um templo na Penha não esmoreceu, começando a
delinear-se quando, em 1930, é pedido ao arquiteto Marques da Silva a elaboração do
projeto para uma igreja. O projeto é apresentado em Junho de 1931 e de imediato se
iniciam as obras.

1
Do grego ekklesia, que significa “assembleia”, comunidade que se reúne dentro de um templo. Mas o
termo também se refere ao edifício. O cristianismo concebe a igreja precisamente como lugar destinado
a acolher assembleias, pelo que a arquitetura eclesiástica adapta-se à ideia de congregação, preenchendo
os requisitos da liturgia cristã. A Igreja da Senhora da Penha corresponde a este ideal arquitetónico, capaz
de conjugar adequadamente assembleias no interior e no exterior do templo religioso. Também por isso
o templo foi dedicado à Eucaristia, sacramento que faz da Igreja a assembleia do Corpo de Cristo.
Testemunha-o o Pelicano Eucarístico na fachada principal, enquanto símbolo do típico rito cristão da
fração do pão.
2
Um santuário nem sempre é uma igreja. É também um lugar, como a gruta de Lurdes, em França.

6
No dia 4 de Fevereiro de 1939 deflagrou um incêndio na capela-mor que destruiu
por completo o antigo retábulo do altar de talha dourada. Porém, as obras prosseguem,
demonstrando o arquiteto a vontade de ajudar, reconstruindo o que ficara danificado.
A Igreja da Penha constitui uma obra de influência Art Déco3, controlada e
adaptada às suas exigências tipológicas, institui-se como exemplo do paradigma de uma
modernidade, já pressentida nos aspetos estruturais de obras anteriores, como os Grandes
Armazéns Nascimento.
Na escolha do local de implantação pesou a necessidade de um amplo recinto para
a celebração campal da missa, de forma a responder aos gostos e representações dos
devotos. A funcionalidade do espaço deveu-se às necessárias formas populares de
celebração da fé:

“O sítio era já consagrado pelas cerimónias litúrgicas,


enfrentando o campo da esplanada, à margem do talude da montanha
que se desenvolve em declive até à cidade. A disposição da planta da
igreja era resultante desta localização eminente, com a frente voltada
para a esplanada, tendo por dominante o altar móvel, a colocar no
peristilo4 nos dias de missa campal, e com a torre, na parte posterior,
rematada pela cruz, recortada frente à cidade, a iluminar nos dias de
grandes cerimónias. O alçado principal é o coroamento natural do
altar, com o gablete5 estilizado (eu cujo o vértice se insere o pelicano
eucarístico6), rematando o primeiro nível da fachada, com ampla
padieira, apoiada em duas colunas lisas de suporte e isentas, gerando
um espaço vestibular.” (CARDOSO, 1994: 149).

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Art déco é um movimento artístico internacional que começou na Europa em 1910, conheceu o seu
apogeu nos anos 1920 e 1930 e teve o seu declínio entre 1935 e 1939. O conceito de Art Déco é
referenciado a uma moda ou gosto decorativo emergente da modernidade urbana, de padrões
geométricos e estilizados, percorrendo objetos, interiores arquitetónicos ou artes gráficas. Privilegia a
linha reta e os motivos geométricos e estilizados.
4
O Peristilo é a galeria de colunas que rodeia um edifício ou parte dele; ou o recinto rodeado de colunas.
5
Gablete é uma parede ornamental triangular, construída sobre um arco, vão de porta, portal ou janela.
Foi muito utilizado na arquitetura gótica para proporcionar uma maior ilusão de verticalidade aos
edifícios. O gablete triangular da fachada principal da igreja da Penha remete para a tradição gótica de
enfatização dos portais de entrada nas igrejas.
6
O Pelicano Eucarístico é um símbolo católico que apresenta relação direta com a refeição por excelência,
a Eucaristia, uma vez que Cristo deu seu próprio sangue para alimentar o povo. Assim, o pelicano, ave
grande que vive em regiões aquáticas, apresenta relações diretas com o sacrifício de Jesus afinal, segundo
a Lenda do Pelicano Eucarístico, na falta de peixes para alimentar seus filhotes, o pelicano bica o próprio
peito oferecendo sua carne e sangue para os filhos.

7
A amplitude da esplanada é propícia a grandes manifestações exteriores. A igreja
está na margem da montanha, como que debruçada no declive que a liga à cidade lá em
baixo. Marques da Silva reservou a fachada principal ao espaço sagrado da montanha,
virado para a esplanada, voltando à cidade a fachada posterior da igreja.
O espaço interior da Igreja da Penha é formado por uma nave de planta quadrada
à qual se junta uma capela-mor, de planta retangular alongada, ladeada por dois pequenos
nichos, destinados a altares laterais, e pelas sacristias. Ao quadrado perfeito da nave da
igreja corresponde um outro, concêntrico com este, delimitado por quatro colunas e pela
elevação da cobertura, sobre ele. A torre sineira aparece colocada na parte posterior da
igreja, a sua a forma, em planta, é também quadrangular, reduzindo-se o seu espaço
interior à caixa de escadas de acesso aos sinos.
“O interior é formado de nave quadrada própria a cerimónias
processionais mesmo dentro do templo. Quatro altas colunas
determinam a circulação. Como altares, apenas o da capela-mor e dois
laterais, secundários. Um coro com acesso por duas escadas de pedra.”

A capela-mor é ladeada por dois pequenos nichos para altares laterais iguais e
colocados simetricamente. Em conjunto, a capela-mor e estes dois nichos laterais
constituem os únicos locais reservados à colocação de imagens e símbolos religiosos
sendo todo o resto da nave desprovido de qualquer outro motivo religioso. Há uma clara
intenção de focalizar a atenção dos crentes apenas no plano de topo da igreja.
A fachada principal assume-se como pano de fundo da celebração em dia de missa
campal, sendo por isso um elemento fundamental na definição formal do edifício.
Elevando-se ao nível do campo em frente à igreja, esta fachada é precedida por uma
escadaria de vários lanços que estabelece um embasamento para o edifício. Marcada por
um núcleo central de entrada e por uma simetria absoluta de elementos em relação a esse
núcleo, nesta fachada, destaca-se um gablete triangular alongado, encimado por uma cruz
de remate. Esse gablete sobrepõe-se a uma abertura dividida por um reticulado granítico,
preenchido por pequenos vitrais que iluminam o interior da igreja.
O granito é o material predominante na imagem da igreja da Penha, tendo sido
usado em dois tons e também com diferentes tratamentos, de modo a destacar elementos
preponderantes na composição das fachadas. No interior da igreja, o betão e o granito são
os materiais empregues. “No monumento domina a construção de pedra, material este

8
que se arranca do próprio solo em que está assente. Quer no exterior, quer no interior
aparece a pedra no seu aparelho rude como elemento de construção e de decoração.”7
Nesta igreja existe uma hierarquização das entradas, correspondendo a principal
à fachada voltada ao campo aberto que a precede. Também existe, duas entradas,
simétricas, feitas através das fachadas laterais. De acordo com a Memória Justificativa do
projeto, estas têm como objetivo «a evacuação fácil do público».
Na Igreja da Penha estamos perante um edifício de caráter singular, tal qual, o
arquiteto se propôs a projetar “qualquer coisa de próprio e adequado, de expressão e de
moderno (…) um edifício de caráter particular e muito próprio da situação que ocupa…”8
No dia 6 de Junho de 1947, no ano de conclusão deste projeto, falecia o arquiteto
Marques da Silva, sem, no entanto, ver concluído o seu projeto para o Santuário da Penha.
Todavia, as obras continuaram a decorrer com a colaboração projetual de Maria José
Marques da Silva (filha do arquiteto José Marques da Silva) e David Moreira da Silva
(marido de Maria José Marques da Silva).
Um ano após o falecimento de Marques da Silva, Guimarães prestou uma
homenagem ao arquiteto. Por iniciativa da Irmandade celebrou-se uma missa no santuário
e foi erigida uma lápide no exterior da igreja, junto ao pórtico posterior, onde se pode ler:
“Marques da Silva- Mestre Insigne- Por amor à Montanha Sagrada e a Guimarães- foi
altruisticamente o arquiteto deste Santuário”.
O resultado final da Igreja da Penha tem, efetivamente, as caraterísticas às quais
o arquiteto se propunha: é um edifício singular pela sua localização e também pela sua
imagem.

O arquiteto José Marques da Silva


Nasceu no Porto, a 18 de outubro de 1869 e faleceu no dia 6 de junho de 1947, no
Porto. Frequentou em 1882, na antiga Academia Portuense de Belas-Artes do Porto, o
curso de Arquitetura Civil, mas também o 3.º ano de Escultura e o curso de Desenho
Histórico. Aqui foi aluno de nomes de referência como o escultor António Soares dos
Reis e o pintor João Marques de Oliveira.
No ano letivo de 1889/1890 termina o curso e parte para Paris, onde frequentou a
Escola Nacional e Especial das Belas Artes de Paris (École Nationale et Spécial de Beaux-

7
Marques da Silva: Memória Justificativa do Projeto.
8
Marques da Silva, Carta a José Gilberto Pereira, datada de 11 de Maio de 1930, na qual o arquiteto
aceita realizar o projeto da Igreja da Penha.

9
Arts). Durante este período, num contexto de Belas-Artes (Beaux-Arts), frequenta o ateliê
de Victor Laloux, autor de projetos como a Gare de Tours e a Gare d`Orsay. A cidade de
Paris celebrava as exposições universais com símbolos, como a Torre de Gustave Eiffel,
caraterísticos de uma nova expressão arquitetónica que prenunciava a cidade moderna.
Passado 6 anos de ser admitido na Escola Nacional e Especial das Belas Artes de
Paris, obteve o diploma de Arquitetos Diplomados pelo Governo Francês, em 1896.
Fortalecido pelo título e pela cultura cosmopolita parisiense, num ambiente de Belle
Époque, que nunca abandonaria, Marques da Silva regressa a Portugal. Assim, e pelas
suas qualidades, o arquiteto veria o seu percurso coincidir com o do ensino e em 1900 é
nomeado professor de Desenho do Instituto Industrial e Comercial do Porto. Em 1906 é
também nomeado professor da cadeira de Arquitetura Civil, na Academia Portuense de
Belas-Artes do Porto, onde exerceu o cargo de diretor até 1939. As boas práticas do
desenho e rigor projetual foram a base da sua filosofia enquanto profissional e educador,
fato que lhe permitiu ser o mentor ideal de algumas das melhores gerações de arquitetos
modernos. O arquiteto dedicava a mesma atenção e empenho a todos os projetos, fossem
eles grandes obras públicas, pelos quais ficou célebre, habitações ou simplesmente
jazigos funerários.
Autor de inúmeros e distintos projetos destacam-se alguns dos principais, entre eles:
❖ A Estação de S. Bento, Porto (1896-1916);
❖ O Teatro Nacional S. João, Porto (1909-1920);
❖ A Sociedade Martins Sarmento, Guimarães (1899-1908);
❖ O Monumento Comemorativo do Centenário das Guerras Peninsulares, na
Rotunda da Boavista, Porto (1909);
❖ Os Grandes Armazéns Nascimento (1914-1927), Porto;
❖ A participação no projeto Casa e Jardins Serralves (1925-1943);
❖ O Santuário da Penha (1930-1947);

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2.2. Património Imaterial

Património, salvaguarda do património, valorização do património, e promoção


cultural pela via da compreensão desse património são termos e frases que cada vez mais
se insurgem e são comuns na atualidade. Sendo essencial entender que valores que estes
termos e frases possuem, que outrora pareciam estar a ficar relegados para segundo plano
das preocupações intelectuais, estão agora perante um grande interesse e entusiasmo. José
Alves refere na obra Património Artístico e cultural de Guimarães que o começo da
história dos Homens é no momento preciso em que a sua memória pode funcionar. O que
se transmite de homem para homem num processo histórico, ajuda à radicalização de uma
identidade que se insere no todo que é o património universal. Deste modo, a memória,
que não permite o esquecimento do passado, irá sofrer de forma inevitável a influência
desse passado e dessa influência temos de tirar proveito.
Um dos valores mais caros de um povo, como afirma José Alves, é o património
cultural imaterial. Alves reitera que uma sociedade que não tem passado, que não tem
património moral e cultural é pobre, mesmo que a nível do gozo de efémeros bens
materiais seja rica, atrevendo-se a referir que uma sociedade sem património moral e
cultural, isto é, sem passado, é uma sociedade inexistente.
Contextualizando com a nossa temática, a pertinência do património imaterial da
Penha é observável na proximidade e enraizamento da religião católica, através do seu
património arquitetónico e religioso, da sua mensagem divina ou dos seus manifestos ritos
de culto, no imaginário dos fiéis e na vivência comunitária vimaranense, em particular.
Um pouco por todo o concelho de Guimarães (como na grande parte do país) são visíveis
as influências do cristianismo sobre a vida social quotidiana, fazendo as pessoas depositar
fé na tradição oral, nos momentos de reverência e de devoção coletiva, vividos por uma
comunidade fundamentalmente crente.
No caso do planalto da Montanha da Penha, o retorno inspirador do passado
permitiu a construção social de um espaço sagrado homólogo aos primeiros montes
sacros, com vários locais de culto, evocações divinas condizentes, imagens iconográficas,
associações religiosas, rituais sagrados e festas litúrgicas.
As caraterísticas do espaço condicionantes para um processo gradual de ocupação
sacralizada prendem-se à própria elevação montanhosa, aos penedos e grutas naturais
existentes de forma aleatória e caprichosa e aos respetivos batismos/nomes associados às
várias entidades divinas (quer dos penedos e das grutas, quer da própria serra e das

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edificações religiosas posteriores, como os cruzeiros, oratórios, nichos, capelas). A
Montanha da Penha, e em particular a sua “crista”, carrega um significado fundado em
crenças resultantes de um passado mitificado e representa um espaço que recebe, segundo
acreditam os fiéis peregrinos, a proteção das entidades divinas.
Objeto de apropriação espiritual por parte dos crentes, a Montanha da Penha
tornou-se familiar e conhecida, essencialmente, pelos mais de trezentos anos (desde 1702)
de evocações e dedicações à Virgem Maria, tributada e hospedada em vários marcos na
sacralização dos espaços: nichos, alminhas, edículas, oratórios, capelas ou igrejas, e
mostrando a primordial importância do culto mariano no local. Segundo se acredita, a
invocação à Senhora da Penha surgiu no ano de 1702, quando um ermitão de nome
Guilherme Marino veio de muito longe (não se sabendo ao certo se Itália ou França), e
depois de deambular por terras da Galiza e do Norte de Portugal, escolheu a cumeeira da
Montanha da Penha para se fixar numa das várias grutas naturais. De acordo com os seus
desígnios espirituais considerou o local propício à vida contemplativa. Adaptada a gruta,
o ermitão terá mandado esculpir em Braga uma pequena imagem da Virgem e terá
colocado para devoção na dita formação rochosa. O ato constituiu o momento fundador
da gruta como ermida da Nossa Senhora do Carmo. Esta colocação, de uma primitiva
imagem da Virgem numa rocha/penha, por parte do ermitão, fundador do culto e do
processo de sacralização do espaço, fundamenta a denominação da Montanha e também
de “Maria” enquanto formas de expressão devocional.
Falamos do ano 1702 como um momento fundador, porque é uma data em que se
regista pela primeira vez a utilização do espaço não só para fins espirituais e religiosos,
como também dedicado à prática do culto mariano. Desde a fixação, na Penha, do ermitão
e a adaptação da gruta como local de culto à Virgem, até à atualidade decorreu um
processo de ocupação sagrada do espaço.
Relativamente aos cultos praticados na Montanha da Penha, o elemento pedra
posiciona-se nos processos de significação mitológica da fé: 1- penha significa rocha,
penhasco ou fraguedo; 2- a Serra de Santa Catarina (ou Montanha da Penha) é
caraterizada pela existência de muitas e enormes pedras graníticas; 3- o ermitão
Guilherme colocou uma imagem da Virgem sobre uma penha, fundando o culto, iniciando
o processo de sacralização do espaço e fundamentando a denominação da montanha e da
representação mariana enquanto local e forma de expressão devocional; 4- o templo
primitivo do culto mariano no planalto da montanha tem um altar de pedra; 5- o início da
construção de qualquer infraestrutura ou monumento é sempre precedido pelo ato solene

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de se colocar uma pedra angular, precisamente a primeira e mais fundamental, sobre a
qual as outras se erguerão; 6- tal como Jesus Cristo confiou no apóstolo Pedro a fundação
da Igreja, aos conjuntos rochosos, os homens atribuíram um significado transcendental,
com um simbolismo ditado pelas condições do território.
Conforme o que consideram ser a tradição a preservar os devotos rendem culto
aos símbolos, venerando imagens e relíquias um pouco por toda a parte, com festas que
assinalam as virtudes conhecidas das entidades divinas. As imagens iconográficas
tornam-se, quase sempre, o centro das atenções nas práticas de culto. São várias as
festividades religiosas que têm lugar anualmente no alto da Penha, patrocinadas pelas
coletividades concelhias ou pela Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha, esta
última tem ao seu encargo a conservação e manutenção do Santuário e a zona da mata
envolvente. Deste modo, as festas religiosas da Montanha da Penha são as seguintes: a
peregrinação anual concelhia à Penha (realiza-se todos os anos no segundo domingo se
setembro, e representa a maior festividade da Penha, e das principais festas religiosas de
Guimarães); festa à Nossa Senhora do Carmo (no domingo seguinte ao dia da Padroeira
que é dia 16 de julho); festa a São Cristóvão (segundo domingo de agosto); e a festa a
Santa Catarina (no domingo imediato após o dia evocativo da entidade, neste caso 16 de
junho).
A Montanha da Penha foi, e continua a ser, uma grandiosa fonte de encanto nas
suas lendas. Umas das suas mais bonitas e mais conhecida pelos vimaranenses é a lenda
de Santa Catarina, a mesma conta que certo dia uma pastora, de seu nome Catarina, ao
avistar do cimo da Montanha da Penha um exército de mouros a avançar em direção à
Montanha destruindo tudo ao seu redor, não teve mais onde se apoiar, a não ser rezar. De
repente, como uma inspiração divina algo chama o seu rebanho, e nas pontas dos cornos
de cada uma das suas ovelhas Santa Catarina acende um archote. Devagarinho as ovelhas,
como um disciplinado exército, descem a Penha, como um rio de luz, de clarões
iluminados. Os mouros, julgando ser um exército de homens, recuam e vão embora. A
pastora Santa Catarina agradece e continua com o seu rebanho. Segundo a mesma lenda
uma pedra com formato de cama junto à Capela de Santa Catarina era o local onde a
menina pastora repousava quando se encontrava no cimo da Montanha com o seu
rebanho.
Parece-nos que o papel explicativo e normativo dos mitos nas complexas
sociedades contemporâneas permanece vital para as consciências e comportamentos
sociais, porque os mitos são narrações de histórias sagradas. O Pensamento mítico é

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também uma linguagem, algo que depois de criado ou formado, serve de transmissão e
de preservação.
Os fenómenos de importância coletiva são
verbalizados pela aplicação de contos tradicionais. Esses
fenómenos são os da vida social, do ritual religioso, do
medo dos fenómenos da Natureza, da experiência da
doença; e outros problemas gerais da sociedade humana.
Uma parte do seu valor está na simples existência
de um fundo de experiência partilhada e verbalizada.9

Com efeito, a memória social é a responsável pela construção de uma consciência


comunitária sobre as “coisas” do passado. Através das lendas e “estórias” que nos
chegaram através da cultura imaterial e as premissas enunciadas, este local parece ter-se
assumido como um “lugar” carregado de significações simbólicas, passadas de geração
em geração, o que proporcionaria às populações que o frequentaram e que aí participaram
em diversos atos e cerimónias, um sentimento de pertença, além de experiências
emocionais e, simultaneamente, integradoras num universo cognitivo comum, daí
também a enorme importância das festas religiosas como um elemento simbólico do
património cultural imaterial da Penha.

3. Enquadramento prático
O professor pode contribuir para a investigação e conservação do património
local, como por exemplo agrupando as pessoas interessadas no processo, pais e os alunos,
alertando as entidades locais, e propondo visitas de estudo guiadas. Foi precisamente com
base nestes objetivos que delineámos o que se pretendia abordar no local para a efetivação
da atividade, para tal agrupámos os alunos de modo a que os mesmos pudessem investigar
sobre o património material e imaterial da Penha, dividindo as suas pesquisas nos
seguintes tópicos:

9
Penha, Retrospectiva Iconográfica da Sacralização da Montanha, PINTO e BARROSO, 2005: 71.

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• O Santuário da Penha
A Penha assume de forma notável a sua presença como local sagrado, onde grutas
e capelas fixam o culto cristão e onde o desejo de construção de um santuário dedicado à
Virgem ganhou, pela primeira vez, forma em projeto de João Fonseca Lapa, em 1897. A
execução deste projeto chegou a ser iniciada sem que no entanto, tivesse passado dos
alicerces. Era adiada a concretização do sonho de construção de um grandioso templo
mariano.Apesar da falta de uma igreja adequada ao culto das massas, a Penha continuava
a receber em peregrinação muitos fiéis e a sua popularidade crescia com o passar dos
tempos. Mas o sonho da construção de um templo na Penha não esmoreceu, começando
a delinear-se quando, em 1930, é pedido ao arquiteto Marques da Silva a elaboração do
projeto para uma igreja.
O projeto é apresentado em Junho de 1931 e de imediato se iniciam as obras. No
dia 4 de Fevereiro de 1939 deflagrou um incêndio na capela-mor que destruiu por
completo o antigo retábulo do altar de talha dourada. Porém, as obras prosseguem,
demonstrando o arquiteto a vontade de ajudar, reconstruindo o que ficara danificado.
Nesse mesmo ano, a Irmandade agradecia-lhe o empenho e o trabalho, nomeando-o irmão
benemérito: “Homenagem de gratidão a quem tão desinteressadamente tem prestado o
seu valiosíssimo concurso de Arte no engrandecimento e embelezamento da encantadora
estância da Penha”. 10
No dia 6 de Junho de 1947, no mesmo ano de conclusão deste projeto, falecia o
arquiteto, sem, no entanto, ver completamente concluído o seu projeto para o Santuário
da Penha. Contudo, as obras continuaram com a colaboração dos arquitetos Maria José
Marques da Silva (filha de Marques da Silva), e David Moreira da Siva (genro de Marques
da Silva). Um ano após a o falecimento de José Marques da Silva, “devotado amigo e
grande benfeitor da Penha, Guimarães prestava uma sentida homenagem ao arquiteto.
Por iniciativa da Irmandade e com a celebração de uma missa no santuário, é erigida uma
lápide no exterior da igreja, junto ao pórtico posterior, onde se pode ler: “Marques da
Silva- Mestre insigne- Por amor à Montanha Sagrada e a Guimarães- foi altruisticamente
o arquitecto deste Santuário”.

10
MEIRELES, Maria José, Revista Mínia, 3.ª série, Ano II, 1994- A obra do arquitecto Marques da Silva em
Guimarães, pp. 150.

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• Monumento aos Aviadores
O Monumento dedicado a Gago Coutinho e Sacadura Cabral é um trabalho do
Professor José de Pina, que levou cinco anos a esculpi-lo na rocha. Este é um Monumento
comemorativo da travessia aérea do Atlântico Sul pelos dois aviadores solitários que
levavam com eles a coragem e o espírito aventureiro do povo português. Os dois
navegadores portugueses tinham como objetivo a travessia aérea do Atlântico Sul, num
pequeno hidroavião, o Lusitânia, que acabou por amarar, já sem gasolina, junto aos
penedos de São Pedro e São Paulo, já em domínio marítimo brasileiro, junto à costa. Gago
Coutinho e Sacadura Cabral já anteviam um desfecho dramático, em alto mar, por falta
de combustível e incerteza quanto à fiabilidade e correção da rota tomada, devido ao
primitivismo dos instrumentos de navegação elaborados por eles próprios a partir do
astrolábio, que guiou os navegadores das caravelas na descoberta do Mundo Português.
Todavia, quando tudo lhes parecia perdido, surgiu à sua frente, com
impressionante precisão de trajetória, os penedos de São Paulo. Mas a amaragem foi
trágica e causou danos irreparáveis no pequeno hidroavião, impedindo os dois aviadores
de continuar a sua aventura, que estava praticamente no final.
Estes dois aviadores foram alvo de homenagens nacionais e a Câmara de
Guimarães deliberou erguer na Penha um Monumento que fizesse perdurar para a
posteridade o feito destes heróis. Assim foi esculpido na rocha o Monumento porventura
mais original de quantos ficaram a recordar este momento e a reconhecida tendência dos
portugueses para o aventureirismo e para os grandes rasgos de coragem que levaram, em
épocas passadas, a que Portugal desse novos mundos ao Mundo.

• Capela de São Cristóvão


A Capela de São Cristóvão surge ao lado de uma torre acastelada e sobre diversos
e enormes penedos, cuja disposição formam a Gruta da Senhora do Carmo. Esta
construção foi inicialmente designada por “Casa do Relicário” ou apenas “Relicário.
Trata-se de um templo religioso cuja construção foi iniciada em 1880 e concluída no ano
seguinte (tendo sido benzida em 1882). Foi adaptada de forma a albergar a imagem
representativa de São Cristóvão (oferecida pelos motoristas de Guimarães para a
veneração dos fiéis). A Capela foi aberta ao culto em 1936, ano em que foram levadas
processionalmente de Guimarães, por ocasião da festa em honra do santo, também as
imagens da Senhora do Ar e da Senhora do mar.

16
A torre da Penha, ou de São Cristóvão, é uma infraestrutura ameiada de estilo
medieval, que serve também de privilegiado miradouro sobre o ponto mais alto da
penedia em que se encontra a Gruta da Senhora do Carmo. A primeira pedra para a
edificação desta torre sineira terá sido colocada a 30 de agosto de 1886, sendo que no dia
8 de setembro os curtidores ofereceram quatro sinos para a torre, que chegaram num
cortejo com a devida pompa e circunstância. Esta infraestrutura da torre da Penha terá
sido concluída em 1888.
Nos dias de hoje representa mais um local de culto da Penha, muito visitado pelos
crentes, motivo que fundamente a realização na Penha de uma festa anual no último
domingo de julho (a seguir ao dia litúrgico de São Cristóvão, 25 de julho).

• Nicho de Santo Elias


Localiza-se no enfiamento de enormes penedos, cuja disposição se deve a uma
formação natural, precisamente na entrada da protetora gruta-ermida onde se venera a
Senhora do Carmo. Trata-se de uma curiosa “construção” rochosa que o engenho e a fé
humana transformaram num nicho, num exíguo espaço dedicado ao Santo Elias, a quem
a tradição popular atribui a causa ou padroado do sono. Por isso, são frequentes as
deslocações de devotos e até de visitantes circunstanciais ao nicho, ou para entregarem
uma esmola ao santo em troca de uma interpelação ou, simplesmente, para conhecerem o
lugar, por onde se chega através de um estreito e curto percurso entre penedos. Santo
Elias é uma das entidades que motivam invocações dos crentes. Interpelações
suficientemente fortes, ao ponto de estimularem as suas deslocações, em cumprimento de
promessas, ao espaço sacralizado da Montanha da Penha. Porque creem que uma visita
ao Santo Elias apazigua o sono, os fiéis acorrem ao local durante todo o ano. De acordo
com Moisés Espírito Santo, o sono é meio quotidiano que os crentes têm para reencontrar
a psicológica segurança intrauterina, com vista à regeneração, na medida em que “ao
entrar nessas capelas escavadas na rocha, penetra-se no ventre de uma mãe”.
O dia do calendário litúrgico romano dedicado à celebração festiva de Santo Elias
é 20 de Julho.

17
• Gruta da Nossa Senhora do Carmo
Pequena ermida no Planalto Norte da Penha, é uma espécie de “escavação” entre
penedos, onde viveu em retiro espiritual o monge carmelita Guilherme Marino, no início
do século XVIII. Guilherme Marino recolheu-se na crista da serra da Penha e transformou
a Gruta em capela. O monge terá colocado uma imagem em madeira da Virgem, trazida
de Braga, adotando-a para a invocação e veneração mariana, traduzindo isto no momento
fundador do culto mariano na Montanha da Penha (colocação por parte do ermitão da
imagem da Virgem numa lapa- o que faz com que o culto mariano na Penha já mais de
300 anos). O ermitão viveu na Montanha durante cerca de 3 décadas. Foi descoberto por
caçadores, e segundo a tradição, a sua adaptação de um local de culto e a subsequente
colocação da imagem mariana para veneração levou os devotos a visitarem o novo espaço
sagrado e a oferecerem esmolas para a digna consagração do culto.
Atribuem-se vários milagres à Senhora do Carmo da Penha (como por exemplo,
a cura de uma criança muda à nascença, cuja intervenção milagrosa tinha sido solicitada
à Virgem pela sua mãe; a salvação de uma mulher gravemente enferma, grávida de quatro
ou cinco meses e já sem esperança de vida; a cura de um rapaz encamado; e o tratamento
de uma senhora de quem se dizia “endemoniada”. Estas narrativas estão preservadas e
difundidas pela tradição oral, para que sirvam de exemplo dos poderes divinos da Senhora
do Carmo da Penha.
O local foi adaptado para templo religioso rupestre, por assentar em estruturas
naturais e primitivas e estar rodeado de penedo, e por isso é também designado por Gruta-
ermida de Nossa Senhora do Carmo. O templo tem um Nicho com a imagem esculpida
de Santo Elias (outro profeta que terá vivido e realizado prodígios no local após a morte
de Marino), e é composto pelo altar principal, dedicado à Virgem do Carmo.
A Senhora do Carmo da Penha tem uma festa religiosa, reafirmada a partir de
1872, que se realiza no domingo seguinte a 16 de julho de cada ano. O culto é ancestral
e, por conseguinte, mais antigo que a data da ereção da respetiva irmandade.

• Monumento ao Papa Pio IX


A definição dogmática da Imaculada Conceição confirmou oficialmente a fé
popular à Virgem. Mas também suscitou um certo dinamismo devocional em Portugal,
ao ponto de se pretender erguer um monumento nacional que assinalasse a definição
promulgada pelo Papa Pio IX. No Sameiro, em Braga, essa pretensão concretizou-se

18
primeiramente, em 1869, com a edificação de um monumento e, depois, de um santuário
dedicado à Imaculada Conceição de Maria. Na penha, a efeméride foi assinalada também
com um monumento, cuja construção se iniciou mais tarde, em 18 de Junho de 1882, com
a solene colocação da primeira pedra (ato presidido por D. João Crisóstomo de Amorim
Pessoa, Arcebispo Primaz), tendo sido inaugurado onze anos depois (em 8 de Setembro
de 1893), em homenagem ao Papa que, em 1854, permitiu que o lugar se tornasse sagrado
e dedicado à Imaculabilidade de Nossa Senhora. No local da colocação da primeira pedra,
D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, Arcebispo Primaz, colocou na cavidade da pedra
um pequeno cofre de estanho contendo uma lâmina de cobre com uma inscrição
comemorativa do ato. («Anno de 1882, reinado de D. Luiz 1.º e pontificado de Leão XIII.
Monumento a Papa Pio IX pela cidade de Guimarães e catholicos portuguezes. Primeira
pedra lançada a 18 de Junho pelo Arcebispo de Braga D. João Chrysostomo de Amorim
Pessoa»), várias moedas de ouro, prata e cobre do reinado de então, os últimos três jornais
da localidade («O Progresso Católico»; «Religião & Pátria»; e «Imparcial») e um
exemplar do programa das festas.
A estátua em mármore, de cinco metros de altura, representa Pio IX a abençoar,
enquanto segura a bula Ineffabilis Deus, com a qual proclamou, em 8 de dezembro de
1854, na Basílica de São Pedro, como dogma a Imaculada Conceição.
Trata-se de um miradouro privilegiado, circundado por sinuosos e esguios
caminhos. Atualmente, além de uma infraestrutura em honra de um Papa que contribuiu
para o culto mariano e para a ocupação e expansão religiosa do espaço, o local constitui
um ponto emblemático no processo de sacralização da Penha, de onde se tem uma
perspetiva deslumbrante sobre a paisagem envolvente. Em 2004, assinalaram-se as
celebrações do centenário da Coroação da Imagem da Senhora da Conceição do Monte
do Sameiro, em Braga, e dos 150 anos da definição do dogma, revelando-se a afeição
popular à Virgem Maria venerada como Imaculada Conceição, entre as inúmeras
invocações com as quais os devotos se dirigem a Nossa Senhora.

• Capela de Santa Catarina


Pequeno templo, escondido entre penedos, e está localizado na parte sul do Cume
da Montanha da Penha. É provável que este templo tenha sido erguido entre os séculos
XV e XVI, precisamente devido aos séculos que se julga ter, a capela terá sido alvo de
várias reformas ao longo do templo.

19
Esta capela possui uma singularidade: um púlpito portátil em talha antiga e na
forma de um cálice. Apesar da ausência de provas documentais, talvez esta antiga capela
tenha sido erigida num local sobranceiro como o resultado de um processo de crença
baseada na função de proteção das lendas maléficas e de clamores de inspiração medieval.
A designação da serra pelo nome de Santa Catarina derivou da fervorosa devoção
popular à Santa. A Santa que se venera na Serra de Santa Catarina parece ser o produto
de apropriações lendárias de crenças de intenso cariz popular. Na Penha a Santa venerada
tem uma identidade própria no imaginário popular do local, assumindo-se como uma
pastora virtuosa e protetora das comunidades em torno da serra. De tal modo estimado e
venerada pelas populações vizinhas que estas, para cimentarem as suas crenças e os
motivos piedosos sobre a santa, alimentam uma lenda que insiste em historiar um feito
corajoso e inteligente de Santa Catarina (lenda acima referida – “Património imaterial”).
O Padre António Caldas considera que a lenda, apesar de “visível e incontestavelmente
falsa, prova a boa fé e a simplicidade dos camponeses”.
A capela de Santa Catarina é o centro devocional na Penha dos caçadores de
Guimarães. A festividade da Santa decorre no domingo imediato após o dia evocativo da
entidade, neste caso 16 de junho. A festa religiosa é breve, e à celebração tradicional,
organizada pelo Clube de Caçadores de Guimarães, concorrem algumas dezenas de
populares.
Também existe uma fonte com o nome da referida Santa, pelo que a sua água é
considerada pura ou até santa pelos devotos, sendo solenemente benzida a 13 de junho de
1887.

• Gruta da Senhora de Lurdes


A Gruta da Senhora de Lurdes situa-se na penedia anexa ao monumento dedicado
ao Papa Pio IX. A imagem em mármore da Senhora de Lurdes foi oferecida por um
benemérito (Fernando de Castro Abreu Magalhães, de Fafe, negociante em Petrópolis, no
Brasil). A colocação da imagem numa gruta batizada em homenagem à Virgem, por
ocasião da festa de Nossa Senhora do Carmo (em 17 de Julho de 1892), originou a
primeira peregrinação anual à Penha em 8 de Setembro de 1893 (no mesmo dia da
inauguração do monumento dedicado ao Papa Pio IX).
A imagem da Virgem de Lurdes foi entronizada em 19 de Julho de 1893. A
partir desta data passaram a realizar-se as peregrinações anuais à Penha. Posteriormente,

20
houveram sucessivas intervenções no local, como em junho de 1946, quando se procedeu
ao restauro da Gruta de Nossa Senhora de Lurdes da Penha. Um ano depois, verificou-se
a ampliação e reforma do espaço dedicado ao culto mariano. Nessa altura, existia um
gradeamento que delimitava o local e que, entretanto, foi retirado. A prática do culto à
Senhora de Lurdes da Penha recebeu influências das aparições da Virgem à Pastorinha
Bernadette Soubirous, este fenómeno, ocorrido em 1958 (na gruta Massabielle, em
Lourdes, França).11 Em Portugal já eram conhecidas as entusiásticas devoções à Senhora,
proclamada Padroeira de Portugal em 25 de Março de 1646 (festa da Anunciação da
Virgem Maria) por D. João IV sob o título de Senhora da Conceição. O benfeitor
Fernando de Castro Abreu Magalhães, por ser devoto, mandou esculpir uma estátua da
Virgem de Lurdes para ser colocada numa gruta da Penha, à semelhança do que aconteceu
em França, em sinal de agradecimento e louvor à Senhora, à Penha e ao povo de
Guimarães. No dia 16 de Fevereiro de 1958 iniciaram-se no alto da Penha, diante da Gruta
da Senhora de Lurdes, as comemorações oficiais do centenário das aparições de
Massabielle. A ocasião foi vivida com intenso fervor religioso, apesar de no Sameiro
também se festejar a efeméride com grande participação e entusiasmo. As comemorações
do centenário das aparições da Senhora de Lourdes, em França, foram realizadas na Gruta
da Virgem de Lurdes da Penha com a presença do Arcebispo Primaz, D. António Bento
Martins Júnior, e do Bispo da Guarda, tendo a devoção dos vimaranenses à Imaculada
Conceição sido registada para a posteridade mediante uma inscrição gravada num dos
penedos do local:
O povo de Guimarães
Aos pés da Imaculada
1.º Centenário
Das Aparições de Lurdes
14-IX-958.

11
As narrativas das aparições marianas de Lourdes e de Fátima, por exemplo, pertencem ao mesmo
estereótipo, na medida em que possuem aspetos comuns, como a iconografia da Virgem, a transmissão de
mensagens divinas a apelar à conversão.

21
4. Atividade
Como já se referiu na introdução, aquando da necessidade de se realizar uma
atividade do núcleo de estágio, para a Unidade Curricular de Problemáticas Históricas,
desde logo a Montanha da Penha, com todo o seu Património Histórico e Natural, surgiu
como a possível temática a ser abordada num possível evento. Assim sendo, decidimos
tratar uma temática relacionada com a História local, pois considerámos que a disciplina
de História para além da sua função de fornecer de conhecimento científico de acordo
com o programa e metas curriculares, e de toda a planificação/ estruturação e seleção de
recursos para as aulas, e da avaliação dos estudantes, a História deve ter uma função
social.
A justificação e argumentação da escolha do tema “Penha, Património Histórico
e Natural”, bem como da idealização de toda atividade, prendem-se num conjunto de
objetivos que o núcleo de estágio pretendeu atingir, como “desenvolver o conhecimento
e o apreço pelos valores característicos da identidade, História e cultura portuguesas”12;
“indicar o contributo da História para a consolidação de memórias e identidades;
explicitar a importância da História para a educação e para a cidadania”13; “manifestar
interesse pela intervenção nos diferentes espaços em que se insere, defendendo o
património cultural e a melhoria da qualidade de vida”14; “preservar e valorizar o
património artístico e cultural”15; “proporcionar aos alunos experiências que favoreçam a
sua maturidade cívica e sócio afetiva, criando neles atitudes e hábitos positivos de relação
e cooperação, quer no plano dos seus vínculos de família, quer no da intervenção
consciente e responsável na realidade circundante”16.

4.1. Estabelecimento de contactos, empenho e dedicação…


Com efeito, decidimos dinamizar uma visita de estudo até ao respetivo local
(Montanha da Penha), de modo a ser possível a abordagem temática da Penha, no
contexto curricular de Problemáticas Históricas. Portanto, dia 27 de janeiro de 2018
procedeu-se aos primeiros contactos com as entidades competentes para que a visita de
estudo/atividade se concretizasse num futuro breve.

12
Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.º 49/2005, secção II, artigo 7.º.
13
Documento de apoio às metas curriculares, pp. 4 e 5.
14
Programa de História do 3.º Ciclo do Ensino Básico, volume I, p. 127.
15
Programa de História da Cultura e das Artes, p.5.
16
Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.º 49/2005, secção II, artigo 7.º.

22
Para a consecução desta atividade, apercebemo-nos desde logo que era necessário
um meio de transporte para deslocar os alunos e professores até à montanha da Penha, e
para isso, a primeira ação tomada, foi a de contactar a Câmara Municipal de Guimarães
(CMG) para o efeito. Deste modo, realizou-se um requerimento para um autocarro
(consultar Anexo III) que foi enviado pela direção da escola Santos Simões, em nome das
estagiárias, à Câmara Municipal de Guimarães. A resposta ao requerimento foi breve, a
CMG não dispunha de autocarros para transportes de alunos no ano de 2018. Porém,
empenhadas na organização desta atividade, decidimos enviar um e-mail à Vereadora da
Educação Adelina Paula Mendes Pinto da CMG. Requereu-se uma audiência com a
mesma, para clarificar pessoalmente a importância e os objetivos da visita de estudo,
assim como a importância da cedência de um transporte, um meio fundamental para a
realização da mesma (consultar Anexo IV). A audiência fora aceite, e íamos ser recebidas
no dia 21 de fevereiro de 2018, pelas 16:00 horas (consultar Anexo IV). O dia da reunião
estava a aproximar-se, mas a audiência fora adiada para o dia 27 de fevereiro pelas 15:30
(consultar Anexo IV). No dia 27 de fevereiro, contactaram-nos por telefone, e era assim
desmarcada a audiência, ficando sem efeito a tão esperada audiência com a Vereadora da
Educação.
A motivação persistiu, compreendia-se a desmarcação da audiência, de fato a
Vereadora da Educação estava perante uma agenda cheia, e não nos podia receber.
Voltaríamos a estabelecer contacto via e-mail com a Câmara Municipal de Guimarães,
mas, desta vez não era para o concedimento de um autocarro, mas para pedir lembranças
que eventualmente a CMG pudesse disponibilizar para oferecermos aos alunos e
convidados para a atividade na montanha da Penha. A resposta foi positiva, a secção do
Turismo da CMG foi muito prestável, e disponibilizou cerca de 60 Guias da Cidade e 60
sacos de papel alusivos à cidade de Guimarães, Capital Europeia da Cultura em 2012
(consultar Anexo V e Anexo XI).
Também, desde o início se estabeleceu um contacto eficiente com a Irmandade da
Nossa Senhora do Carmo da Penha (responsável pela Montanha da Penha e pela sua
conservação/preservação patrimonial), esses contactos foram via correio eletrónico
(consultar Anexo I) e telefónicos. Com este contacto realizámos uma visita prévia ao
local, com a Doutora Luísa da Irmandade da Penha.
Com o avançar da ideia e quando obtivemos a confirmação do dia em que se iria
realizar a atividade, dia 13 de abril, entrámos em contacto com a empresa de transportes

23
(consultar Anexo II) para deslocar os alunos, professores e convidados para a Penha no
determinado dia.
Seguidamente, após a entrega do convite da referida atividade aos nossos colegas
e discentes, do Mestrado da FLUP e à Direção da Escola Santos Simões, entregámos as
autorizações (consultar Anexo VI) aos alunos para os seus encarregados de educação
autorizarem o deslocamento dos seus educandos até ao local da atividade e o pagamento
do transporte (três euros). A recolha do pagamento efetuou-se no dia 9 de abril, sendo
depois entregue o valor do custo do autocarro no dia da visita, ao motorista da empresa
encarregue pelo transporte.

4.2. Aulas de preparação e motivação


Para o desenvolvimento da nossa atividade/visita de estudo foi projetada uma
planificação, assente em estratégias, como a preparação da visita de estudo com uma aula
expositiva de contextualização histórico-cultural e de motivação para os nossos alunos,
indicando na primeira aula o guião do trabalho da pesquisa que teriam de realizar para
serem ativos participantes da atividade (consultar anexos VII e VIII). Foi pedido aos
alunos para serem “historiadores por um dia” e pesquisarem sobre os diferentes locais e
tradições e/ou lendas dos mesmos, que foram explanados no dia da atividade por eles
próprios. Para este objetivo, as restantes estratégias que delineámos foram o fornecimento
de materiais de apoio aos alunos (textos, planos de trabalho e metodologias de análise)
para orientar as pesquisas, estabeleceu-se o roteiro e o programa das atividades e os
objetivos da visita. Por fim, organizámos os grupos de trabalho e planificámos as tarefas
que cada grupo ficou incumbido de desenvolver. A entrega dos referidos trabalhos de
pesquisa teve a sua data limite até ao dia 5 de abril, e foi feita via e-mail para as
professoras.
Todo o processo de trabalho até ao dia 13 de abril decorreu de forma regular,
surgindo uma ou outra questão que prontamente foi contornada e solucionada.

4.3. O dia 13 de abril…por pouco não se dava uma intempérie, e assim,


escutadas as nossas preces, tudo correu pelo melhor…

Na manhã do dia 13 de abril, procederam-se os preparativos para a atividade, que


se ia realizar na parte da tarde (com início assinalado para as 14h30). Assim, lecionámos
a segunda aula de motivação para os estudantes (ver anexos VII e VIII), que já tinham

24
realizado o seu trabalho de investigação sobre a temática, e organizámos as lembranças
para os participantes e convidados.
Pelas 14:30 chegaram os convidados da FLUP (Professora Cláudia e colegas),
hora que estava marcada como a partida da Escola Santos Simões, porém a mesma só se
realizou às 14:45h devido ao atraso do motorista da empresa de transportes contratada
(que nos contactou, precisamente, às 14:30h informando o atraso).
A partida deu-se pelas 14:45 na Escola Santos Simões, e já todos dentro do
autocarro, prosseguimos para a montanha da Penha. O percurso da escola até ao local da
visita correu dentro da normalidade, e durante o mesmo, foi possível observar a flora
caraterística desta montanha.
A chegada à Penha, deu-se aproximadamente pelas 15h00, e dirigimo-nos em
direção ao Santuário da Penha, um projeto do arquiteto portuense, José Marques da Silva.
Os alunos estavam entusiasmados e os convidados interessados, toda a gente estava com
curiosidade do que estava por vir. A Irmandade da Penha cedeu-nos o Salão Nobre do
Santuário da Penha, e foi aqui que as organizadoras da atividade apresentaram o tema a
tratar na atividade e os respetivos objetivos da mesma. Com recurso aos painéis afixados
no Salão Nobre, fez-se uma explicação breve do que iria suceder-se na atividade. A
mesma seria pautada por um percurso pedestre pelo Património Histórico, Material e
Imaterial que a montanha da Penha oferece.
Após o momento de introdução, encaminhamos os discentes e convidados, através
de uma porta no interior do Salão Nobre, para o Santuário da Penha. Já sentados nos
bancos desta Igreja, uma aluna do 9.º A, proporcionou um notável momento musical com
a sua flauta transversal. Ainda neste espaço, as organizadoras da atividade elucidaram
para o património material em que se encontravam, o Santuário, e uma aluna do 11.º C e
um aluno do 9.º A, procederam à leitura dos aspetos fundamentais acerca da origem do
Santuário e o arquiteto responsável pelo projeto. Terminado este momento, dirigimo-nos
à esplanada do Santuário, e os alunos e convidados aproveitaram para tirar fotos. De
seguida foi apresentado por um aluno do 9.º A, o monumento esculpido na rocha em
homenagem aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Prosseguindo o percurso pedestre, por volta das 16h05 foi o momento de se
valorizar a Capela de São Cristóvão, com a apresentação por parte de dois alunos do 9.º
A sobre o local, a sua história e o seu simbolismo imaterial. Descendo as escadas da
capela de São Cristóvão, e entrando na gruta por baixo da mesma iniciou-se a explicação
dada por diferentes alunos sobre os locais do Nicho de Santo Elias e da Gruta da Nossa

25
Senhora do Carmo, cerca das 16:20h. Seguidamente, e caminhando para uma zona
distinta, foi o momento da aprofundação sobre o Monumento ao Papa Pio IX (pelas
16:35h) revelando neste momento a enorme importância imaterial do dogma mariano
para Portugal. Por fim, e como as condições atmosféricas eram já incontroláveis, foi
tempo de deslocar todos os presentes do Monumento ao Papa Pio IX para os locais de
explanação seguintes, sendo a visita a estes mais breve, foram eles a Capela de Santa
Catarina, observando e fazendo referência também ao suposto penedo onde a pastorinha
da lenda dormiria, e a Gruta da Nossa Senhora de Lurdes.
Assim sendo, a visita de estudo à Montanha da Penha, e aos seus locais
“encantados” terminara por volta das 17:00h, tendo alunos, professores e convidados
regressado à escola pelas 17:20h, iniciando-se após a chegada o “coffee break” preparado
pelas estagiárias.

4.4. Avaliação da atividade


4.4.1. O questionário
Para a avaliação da atividade realizada na montanha da Penha, elaborou-se um
questionário no Google forms destinado aos convidados, ou seja, aos alunos da
Faculdade de Letras da Universidade do Porto (consultar Anexo XIII). O questionário
é composto por uma introdução, onde se explica o âmbito da realização do mesmo, e
por seis partes. A primeira parte é constituída por três questões relacionadas com o
Programa da Atividade (horário, organização e duração); a segunda parte é
constituída por quatro questões que pretendem avaliar as Participações (pertinência
das temáticas abordadas; comunicação das organizadoras da atividade; comunicação
dos alunos participantes e duração); a terceira parte é composta por uma questão que
se prende com o Espaço (montanha da Penha); a quarta parte é formada por uma
questão relacionada com o Coffe Break (lanche na Escola Santos Simões); a quinta
parte é à semelhança da terceira e quarta partes, composta por uma questão que se
relaciona com apreciação global da atividade, Em suma, a atividade foi...; e a última
parte prende-se com as sugestões, críticas e comentários à atividade. É importante
referir que primeiras cinco partes são de resposta obrigatória e respeitam uma escala
linear (consultar o Anexo XIII), e a última questão é de texto de resposta longa, mas
não é de caráter obrigatório.

26
4.4.2. Análise dos resultados
Após a elaboração do questionário, o mesmo foi remetido via Facebook aos 10
convidados que compareceram no evento, e todos responderam ao referido
questionário.
Através das respostas dos inquiridos, é possível fazer um balanço muito positivo
em relação à atividade. As questões que obtiveram maior percentagem de sucesso
prendem-se com a Organização da Atividade e com o Espaço, em que dos 10
inquiridos, 9 optaram numa escala linear (de 1 a 5, sendo que 1 corresponde ordem
nada coerente, e 5 a ordem muito coerente), o número 5, e apenas um inquerido optou
pela opção 4.
A questão de resposta aberta também permitiu aferir que os convidados
apreciaram e gostaram muito do espaço, a montanha da Penha, e valorizaram a nossa
escolha, que compreendeu um local que não é abordado nas aulas de História, e que
merecia o devido destaque. Pode referir-se a título de exemplo o seguinte comentário:
“Foi um excelente momento de aprendizagem e passeio. Saliento o facto de terem
dado atenção a um complexo monumental que está "fora de moda", mas que merece
sem dúvida uma visita e a sua devida valorização”.

27
5. Considerações finais

Findada a atividade e a redação do presente relatório, é o momento de fazer um


balanço e conclusão dos mesmos.
O objetivo principal desta atividade foi, desde o seu início, permitir que uma
abordagem temática da História e do Património local se traduzisse num benefício para o
ensino da História, enquanto ciência social, para os nossos alunos. Permitindo, assim, um
esmiuçar de um tema não tão notório como o do centro histórico ou do castelo de
Guimarães, e enveredar por um local muito próximo da escola e com um imenso
Património Histórico e Natural, que poderia acabar por ser desvalorizado, quer pelos
próprios alunos quer pelos convidados da atividade.
Posto isto, fazemos uma autoavaliação da atividade não quantitativa nem
qualitativa mas sim dividida em espetos positivos e negativos. Principiando pelos
positivos, começamos por referir a clara participação dos nossos estudantes do 9.ºA e do
11.ºC2 de História da Cultura e das Artes ao longo de todo o decurso do trabalho da
atividade, uma vez que foram os mesmos que realizaram as pesquisas sobre os locais, que
no dia 13 de abril deram a conhecer a todos os convidados, ou seja, participaram no
processo indireto e teórico da atividade (ainda que apoiados e avaliados pelas
professoras), e igualmente foi visível a sua substantiva participação na dinâmica da
atividade. Julgamos também como aspeto positivo, o fato de se mobilizar todos os alunos
(das duas turmas referidas) numa sexta-feira à tarde, sem aulas, para um local externo da
escola, juntamente com todos os convidados do evento, aliás consideramos positiva a
particularidade de aceitar o horário do nosso evento para a parte de tarde, para que a
manhã pudesse ser ocupada pelo evento do núcleo de estágio da Escola Básica e
Secundária D. Dinis, fazendo com que colegas e professora apenas se deslocassem para
a zona (ainda mais) a norte apenas uma vez.
Ainda no que diz respeito aos aspetos positivos, e relacionada com a participação,
foi a posição das professoras estagiárias em toda a produção e dinamização da atividade,
revelando sempre uma enorme autonomia e ação, apresentando uma maturidade e
responsabilidade mesmo quando surgiram algumas questões que não se previam. O apoio
e colaboração da Irmandade da Nossa Senhora do Carmo da Penha foi, também, essencial
para que a atividade pudesse decorrer sem qualquer problema no referido local e foi

28
igualmente graças à autorização da mesma que iniciámos a sessão de abertura no seu
Salão Nobre, bem como tivemos livre acesso a todas as capelas e ermidas.
Para finalizar os aspetos positivos da nossa atividade não poderíamos deixar de
engradecer a beleza do local escolhido e todo o seu ambiente puro e calmo, propiciando
o contacto entre os alunos/convidados com a natureza e com o passado histórico.
No concernente aos aspetos menos positivos, podem elencar-se, o estado do
tempo, estava frio e a chuva não tardava em chegar. De fato a atividade realizou-se com
sucesso, mas talvez tivesse sido ainda mais proveitosa se o sol tivesse na ordem do dia.
Outro aspeto menos positivo prende-se com a obrigatoriedade do pagamento de 3 euros
por parte dos alunos, para o aluguer do autocarro. E por último pode referir-se o local do
Coffee break, que embora fosse agradável, o objetivo inicial era a realização de um
piquenique na montanha da Penha, mas prevendo as más condições atmosféricas, optou-
se pela realização de um lanche num lugar seguro e coberto, ou seja, na escola Santos
Simões.

29
6. Bibliografia

ALVES, José Maria Gomes (1984) - Património Artístico e cultural de


Guimarães. Guimarães: 2 vols.
CARDOSO, António (1997) – O Arquitecto José Marques da Silva e a
arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX. Porto: FAUP publicações.
CARDOSO, Ana Sofia (2011) – Marques da Silva. Porto: QuidNovi.
MEIRELES, Maria José, Revista Mínia, 3.ª série, Ano II, 1994- A obra do
arquitecto Marques da Silva em Guimarães.
PINTO, Elisabete; BARROSO, Paulo (2005) - Penha, Retrospectiva Iconográfica
da Sacralização da Montanha. Guimarães: Orgal Impressores.
TELMO, Isabel Cottinelli (1989) - O Património e a Escola: do passado ao
futuro. Lisboa: Texto Editora.

30
Anexos
Anexo I – E-mails trocados com a Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da
Penha

31
32
33
Anexo II – E-mails trocados com a “Arriva”

34
35
36
37
Anexo III- Requerimento de autocarro à Câmara Municipal de Guimarães

38
Anexo IV – E-mails trocados com a Câmara Municipal de Guimarães

39
40
Anexo V- E-mails trocados para o efeito das lembranças (Câmara Municipal de
Guimarães e a respetiva Divisão de Turismo)

41
42
43
Anexo VI- Autorizações encarregados de educação, turmas: 9.º A e 11.º C

44
45
Anexo VII – Planos de aula das duas aulas de motivação para a atividade
Primeira aula

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS SANTOS SIMÕES

3.º ENSINO BÁSICO

PLANO DE AULA

Ano/turma Data Sala Hora Disciplina Professor


(a)
9.º A 21-03- 14 10h15 História Juliana
2018 – Freitas
11h00
Sumário:
“Vamos ser Historiadores por um dia?” – Aula de introdução e motivação
para a atividade “Penha, Património Histórico e Natural”, a realizar na
Penha no dia 13 dia abril.
Organização dos grupos de trabalho e seleção dos temas para cada
grupo.
Orientações para os trabalhos de grupo.
Questões orientadoras:
• Como se carateriza a Penha hoje e a do passado?
• Quais as fases necessárias para o trabalho de pesquisa?
• Que materiais devem ser consultados para o trabalho de pesquisa
em grupo?
• O que os familiares sabem sobre as tradições da Penha (cultura
oral, e interação geracional)?
Metas Curriculares Estratégias de Avaliação
Conteúdos/Conceitos Objetivos Aprendizagem
Gerais/Descritores
Desenvolver o Motivação:
conhecimento e o Observação de uma
Conceitos: apreço pelos fotografia do “antes”
valores da Penha
• Cidadania. característicos da comparando-a com a
• História identidade, sua morfologia atual.
local língua, história e
• Identidade.
• Memória.
• Património

46
Histórico e cultura Observação
cultural: portuguesas. do interesse,
material e Apresentação de um participação
imaterial. Indicar o
PowerPoint com no diálogo e
contributo da imagens elucidativas empenho nas
História para a da Penha antiga e da tarefas
consolidação de Penha atual, de modo propostas.
memórias e a que os alunos
identidades. compreendam as
diferenças que
ocorreram durante o
Explicitar a século XX até à
atualidade. Capacidade
importância da
para
História para a
organizar e
educação e para a sintetizar a
cidadania. informação.
Exposição dos temas/
objetos de estudo
Manifestar sobre a Penha, e
interesse pela seleção dos temas de
intervenção nos forma aleatória pelos Realização de
diferentes grupos, com registo trabalhos de
no quadro dos grupos pesquisa em
espaços em que
e do tema que lhes grupo.
se insere,
ficou incumbido.
defendendo o
património
cultural e a Explanação da
melhoria da realização do
qualidade de trabalho.
vida.

Reconhecer e
valorizar o
património
contribuindo para
a sua defesa e
preservação.

Interpretar o
diálogo passado-
presente como
um processo de
contribuições
recíprocas para a

47
compreensão das
diferentes épocas.

Proporcionar aos
alunos
experiências que
favoreçam a sua
maturidade cívica
e sócio afetiva,
criando neles
atitudes e hábitos
positivos de
relação e
cooperação, quer
no plano dos seus
vínculos de
família, quer no
da intervenção
consciente e
responsável na
realidade
circundante.

Recursos utilizados
• Quadro Branco e marcador
• PowerPoint / Iconografia
• Computador /Projetor
Bibliografia
ALVES, José Maria Gomes (1984) - Património Artístico e cultural de
Guimarães. Guimarães: 2 vols.
PINTO, Elisabete; BARROSO, Paulo (2005) - Penha, Retrospectiva
Iconográfica da Sacralização da Montanha. Guimarães: Orgal
Impressores.
TELMO, Isabel Cottinelli (1989) - O Património e a Escola: do passado ao
futur. Lisboa: Texto Editora.

48
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS SANTOS SIMÕES

3.º ENSINO BÁSICO

PLANO DE AULA

Segunda aula

Ano/turma Data Sala Hora Disciplina Professor


(a)
9.º A 21-03- 14 10h15 História Juliana
2018 – Freitas
11h00
Sumário:
“Vamos ser Historiadores por um dia?” – Aula de introdução e motivação
para a atividade “Penha, Património Histórico e Natural”, a realizar na
Penha no dia 13 dia abril.
Organização dos grupos de trabalho e seleção dos temas para cada
grupo.
Orientações para os trabalhos de grupo.
Questões orientadoras:
• Como se carateriza a Penha hoje e a do passado?
• Quais as fases necessárias para o trabalho de pesquisa?
• Que materiais devem ser consultados para o trabalho de pesquisa
em grupo?
• O que os familiares sabem sobre as tradições da Penha (cultura
oral, e interação geracional)?
Metas Curriculares Estratégias de Avaliação
Conteúdos/Conceitos Objetivos Aprendizagem
Gerais/Descritores
Desenvolver o Motivação:
conhecimento e o Observação de uma
Conceitos: apreço pelos fotografia do “antes”
valores da Penha
• Cidadania. característicos da comparando-a com a
• História identidade, sua morfologia atual.
local língua, história e
• Identidade.
cultura
• Memória.
• Património
portuguesas. Observação
Histórico e do interesse,
participação

49
cultural: Indicar o no diálogo e
material e contributo da Apresentação de um empenho nas
imaterial. PowerPoint com tarefas
História para a
consolidação de imagens elucidativas propostas.
memórias e da Penha antiga e da
identidades. Penha atual, de modo
a que os alunos
compreendam as
diferenças que
Explicitar a ocorreram durante o Capacidade
importância da século XX até à para
História para a atualidade. organizar e
educação e para a sintetizar a
cidadania. informação.

Exposição dos temas/


Manifestar
objetos de estudo
interesse pela sobre a Penha, e Realização de
intervenção nos seleção dos temas de trabalhos de
diferentes forma aleatória pelos pesquisa em
espaços em que grupos, com registo grupo.
se insere, no quadro dos grupos
defendendo o e do tema que lhes
património ficou incumbido.
cultural e a
melhoria da
qualidade de Explanação da
realização do
vida.
trabalho.

Reconhecer e
valorizar o
património
contribuindo para
a sua defesa e
preservação.

Interpretar o
diálogo passado-
presente como
um processo de
contribuições
recíprocas para a
compreensão das
diferentes épocas.

50
Proporcionar aos
alunos
experiências que
favoreçam a sua
maturidade cívica
e sócio afetiva,
criando neles
atitudes e hábitos
positivos de
relação e
cooperação, quer
no plano dos seus
vínculos de
família, quer no
da intervenção
consciente e
responsável na
realidade
circundante.

Recursos utilizados
• Quadro Branco e marcador
• PowerPoint / Iconografia
• Computador /Projetor
Bibliografia
ALVES, José Maria Gomes (1984) - Património Artístico e cultural de
Guimarães. Guimarães: 2 vols.
PINTO, Elisabete; BARROSO, Paulo (2005) - Penha, Retrospectiva
Iconográfica da Sacralização da Montanha. Guimarães: Orgal
Impressores.
TELMO, Isabel Cottinelli (1989) - O Património e a Escola: do passado ao
futur. Lisboa: Texto Editora.

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Anexo VIII – PowerPoint das aulas de motivação/ pesquisa para a atividade

Primeira aula

52
53
54
55
Segunda aula

56
57
58
Anexo IX – Convite da atividade

59
Anexo X - Programa da atividade

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Anexo XI – Lembranças oferecidas aos participantes e convidados da atividade

61
Anexo XII – Fotos da Atividade

62
63
64
Anexo XIII – Questionário/ Avaliação da atividade.

65
Respostas ao questionário:

66
67
68
Anexo XIV – Exemplo de um trabalho realizado por um grupo do 9.º ano.

“Gruta da Senhora de Lourdes”

Trata-se de uma cavidade rochosa, situada na penedia anexa ao


monumento Pio IX, com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes,
oferecida por um benemérito e entronizada a 19 de julho de 1893.

A imagem em mármore da Senhora de Lourdes foi oferecida por


Fernando de Castro Abreu Magalhães, de Fafe, negociante no Brasil,
que mandou a esculpir para que, mais tarde, fosse colocada numa
gruta, tal como aconteceu em França, em sinal de agradecimento e
louvor à Virgem, à Penha e ao povo vimaranense.

A colocação da imagem na gruta ocorreu pela festa da Senhora do


Carmo (17 de julho de 1892), ficando reconhecida como Gruta da
Senhora de Lourdes.

A primeira peregrinação anual à Penha, em honra a Nossa Senhora de


Lourdes, realizou-se a 8 de setembro de 1893, sendo perdida a tradição
à cerca de meio século.

Ao longo dos anos, o local sofreu várias intervenções, sendo a primeira


em 1915 e a última em 1947 verificando-se o aumento do espaço
dedicado ao culto mariano.
69
A 16 de fevereiro de 1958, iniciaram-se, na Penha, as comemorações
oficiais do centenário das aparições de Massabielle, na França. Estas
comemorações foram presenciadas pelo Arcebispo Primaz, D. António
Bento Martins Júnior e pelo Bispo da Guarda. Ficando assim
perpetuada num dos penedos do local a devoção dos vimaranenses à
Imaculada:

O povo de Guimarães

Aos pés da Imaculada no

1º centenário

Das aparições de Lurdes

14-IX-958

Nessa demonstração de fé, realizou-se também uma procissão para o


monumento Pio IX, onde se procedeu à bênção da cidade, do concelho
e dos fiéis presentes.”

70