Você está na página 1de 2

Instituto Superior de Educação de São Paulo

Disciplina: Poesia Brasileira Discente: Tábita Thaís de Araújo Laureano Data: 16/06/2018

Semestre: Terceiro Docente: Dayse Mara

Tipo: capítulo de livro.

“Máscaras”

CANDIDO, Antônio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. 6. ed. Belo Horizonte,
Editora Itatiaia Ltda, 2000.

Resumo:

O teórico começa o texto discorrendo sobre as “máscaras contraditórias” que são criadas sobre os poetas
românticos, no imaginário popular: ora santos, ora perversos. Para exemplificar, ele cita algumas obras,
movimentos e poetas que mostram a dualidade da geração, como “A Noite na Taverna” (Álvares de
Azevedo), Sociedade Epicureia (associação de poetas que buscavam viver como Byron) e o poeta Laurindo
Rabelo representando as perversidades, enquanto “O Claustro” (Junqueira Freire) e “Meus Oito Anos”
(Casimiro de Abreu) representavam a face terna do movimento. Para Antônio Cândido, é na segunda fase
do Romantismo que a ideia do “poeta mascarado” se mostra mais legítima, pois enquanto esperamos
maturidade e serenidade de outras gerações, desta esperamos rumores, contradições e mistérios, tanto na
vida quanto na obra. O autor cita Álvares de Azevedo, Junqueira Freire e Varela como os poetas mais
característicos por viverem e morrerem no contraste entre as fases de suas vidas e liras.

Antônio também atribui a isto a morte prematura destes poetas, fechados dentro do próprio sentir, com os
olhos voltados para o eu, não para o outro, ocupados demais em refletir e viver sobre a dor e o sentimento.
Em sua maioria, nasceram e morreram no período que lhes comportava. Devido a isso, eram considerados
menos brasileiros e originais do que poetas de fases anteriores. A partir de um verso do poema “Lembrança
de Morrer”, o professor elenca algumas das características mais marcantes do que foi o Mal do Século,
como o pessimismo, o humor negro, a autodestruição e a atração pela morte, balanceadas com doses de
ternura, singeleza e doçura. Os poetas desta geração são marcados pelo sentir exacerbado que não poderia
os conduzir para outro plano que não fosse o da poesia, o que é demonstrado pela falta de sucesso que
obtiveram em suas carreiras profissionais. Eram nas rodas boêmias e nos círculos estudantis que o
deslocamento em relação ao mundo desaparecia, dando lugar a uma sensação de pertencimento a um local
não permeado pela moral limitante da sociedade.

Em um segundo momento, o texto fala sobre a importância da musicalidade dos poemas, pois foram os
bailes e salões importantes espaços de circulação e divulgação durante esta fase, requerendo que os textos
fossem simples e de fácil entendimento para a degustação do público. Isso explica também o desuso das
formas clássicas e da pouca elaboração textual, já que o importante era transmitir com melodia e exagero
as questões do sentir. O contexto de crescimento de óperas e da literatura de salão criou a necessidade de
criar versos simples, porém musicalizados e fáceis de aplaudir ao serem recitados.

O autor finaliza o texto apresentado os escritores que analisará nos próximos capítulos.
Instituto Superior de Educação de São Paulo

Citações:

“Românticos ficavam sendo os rapazes que morrem cedo; que imaginamos ao mesmo tempo castos nos
suspiros e terrivelmente carnais nos desregramentos; rapazes de que a lenda se apossou, deformando-os sob
um jogo às vezes admirável das máscaras contraditórias.” (p. 133)

“Noutros, apreciamos o esforço da unificação espiritual, a superação das contradições; neles, queremos
precisamente a multiplicidade destas e o rumor com que se chocam umas às outras, na sua obra e na sua
vida.” (p. 133)

“Daí a dialética das máscaras, surgindo de repente para assustar o leitor incauto, que, em vez da fronte
pálida, anuncia pela ‘lembrança de morrer’, dá de chofre com Macário soluçando e praguejando nas alturas
do Ipiranga; ou escuta um brado dramaticamente carnal da cela de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira
Freire: Ao gozo, ao gozo amiga. O chão que pisas/ A cada instante te oferece a cova.” (p. 133)

“Pessimismo, ‘humor negro’, perversidade, de mãos dadas com ternura, singeleza, doçura, nestes poetas é
que os devemos procurar. Considerados em bloco, formam um conjunto em que se manifestam as
características mais peculiares do espírito romântico. Inclusive a atração pela morte, a autodestruição dos
que não se sentem ajustados ao mundo.” (p. 134)

“Todos eles sentiram de modo profundo a vocação da poesia; vocação exigente, que incompatibilizava com
as carreiras abertas pela sociedade do Império e nas quais se acomodaram eficazmente, na geração anterior,
Magalhães, Porto Alegre, Norberto, o próprio Gonçalves Dias: advocacia, magistério, comércio, clero,
armas, agricultura, burocracia. Por isso Junqueira Freire falhou como frase, Casimiro como caixeiro,
Laurindo como médio, Varela como tudo. (...) todos eles escolhem as veredas mais perigosas, como quem
experimenta com o próprio ser; um verdadeiro complexo de Chapeuzinho Vermelho, que leva a tomar o
pior caminho para cair na boca do lobo, com um arrepio fascinado de masoquismo.” (p. 135)

“Vimos, em um capítulo anterior, que o Romantismo tendeu para a musicalidade, adequada à busca de
estados emocionais indefiníveis, e à impaciência em relação às formas tradicionais, que lhe pareciam
prosaicas, incapazes de exprimir os matizes do sentimento. Daí a preferência por metros e ritmos
melodiosos, redimindo de certo modo as insuficiências da palavra.” (p. 135)

“Assim, ao lado das componentes de sarcasmo e desvario, há nessa fase um triunfo da musicalidade
superficial, que tanto ajudou a divulgação da obra dos poetas, aproximando-os da tonalidade mediana da
literatura de salão. Os impulsos de irregularidade se acomodaram à sensibilidade normal da época por meio
desta estilização que os amainou e de certo modo banalizou resultando o convencionalismo tão censurado
nos românticos.” (p. 136)

Indicação da obra: professores, pesquisadores e interessados na segunda geração do Romantismo.

Local: Arquivo em PDF disponível em https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2013/08/117023824-


candido-antonio-formacao-da-literatura-brasileira-vol-1-e-2.pdf.