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Direito Administrativo para XXIII Exame OAB 2017

Teoria e exercícios comentados


Prof. Erick Alves Aula 10

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Direito Administrativo para XXIII Exame OAB 2017
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Prof. Erick Alves Aula 10

AULA 10

Olá pessoal!

Na aula de hoje estudaremos o assunto “responsabilidade civil do


Estado”.

Seguiremos o seguinte sumário:

SUMÁRIO

Responsabilidade civil do Estado ..........................................................................................................................3


Responsabilidade objetiva: art. 37, §6º da CF.................................................................................................5
Responsabilidade civil das empresas estatais ............................................................................................... 14
Responsabilidade civil das prestadoras de serviços públicos................................................................. 14
Responsabilidade civil por omissão da Administração.......................................................................... 18
Excludentes de responsabilidade ....................................................................................................................... 25
Ação de reparação do dano: particular x Administração ...................................................................... 29
Ação regressiva: Administração x agente público..................................................................................... 34
Denunciação à lide..................................................................................................................................................... 40
Casos especiais .............................................................................................................................................................. 43
Responsabilidade civil por Atos legislativos .................................................................................................. 44
Responsabilidade civil por Atos judiciais ........................................................................................................ 45
Responsabilidade por danos de obras públicas ............................................................................................ 48
Responsabilidade civil dos notários................................................................................................................... 52
Jurisprudência............................................................................................................................................................... 54
RESUMÃO DA AULA..................................................................................................................................................... 61
Questões comentadas na aula............................................................................................................................... 63
Gabarito............................................................................................................................................................................. 70

Depois de 2012, o tema não vinha sendo cobrado nas provas da OAB,
mas voltou a aparecer em exames mais recentes, inclusive exigindo
conhecimento da jurisprudência. Sendo assim, bastante atenção nesta
aula!

Aos estudos!

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RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

O vocábulo “responsabilidade” é utilizado para qualquer situação


em que alguém deva responder pelas consequências dos seus atos. Esse
“alguém”, no nosso tema de estudo, é o próprio Estado que, por possuir
personalidade jurídica, também é titular de direitos e obrigações na ordem
civil.
No campo do Direito, verifica-se a existência de uma tríplice
responsabilidade: a administrativa, a penal e a civil, inconfundíveis,
independentes entre si e, eventualmente, cumuláveis.
Em apertada síntese, a responsabilidade administrativa resulta de
infração a normas administrativas; a responsabilidade penal decorre da
prática de crimes e contravenções tipificados na lei penal; já a
responsabilidade civil decorre de infrações a normas de direito civil,
gerando para o infrator a obrigação de reparar o dano ou de ressarcir o
prejuízo causado a outrem.
A reponsabilidade do Estado, como pessoa jurídica, é sempre
civil1.
A responsabilidade civil tem como pressuposto a ocorrência de um
dano (prejuízo). Significa que o sujeito só é civilmente responsável se sua
conduta ou omissão provocar dano ao terceiro, dano que pode ser de
ordem material (patrimonial) ou moral.
A sanção aplicável no caso de responsabilidade civil é a indenização,
que é o montante pecuniário necessário para reparar os prejuízos
causados pelo responsável.
Na maioria das relações entre particulares, o direito civil reconhece a
chamada responsabilidade contratual. A responsabilidade contratual,
como o próprio nome sugere, se funda no descumprimento de cláusulas
estabelecidas em contratos prévios firmados entre as partes.
Diversamente, a responsabilidade civil do Estado constitui
modalidade extracontratual, por inexistir um contrato que sustente o
dever de reparar. Para caracterizar a responsabilidade civil ou
extracontratual do Estado, basta que haja um dano (patrimonial e/ou
moral) causado a terceiro por comportamento omissivo ou comissivo
de agente público. A responsabilidade civil impõe ao Estado a obrigação
de reparar (indenizar) esse dano.

1 Não confunda com a responsabilidade dos agentes públicos (pessoas físicas), que pode ser

administrativa, penal e civil.

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RESPONSABILIDADE OBJETIVA: ART. 37, §6º DA CF

O art. 37, §6º da Constituição Federal assim dispõe:

§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado


prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

A doutrina ensina que esse dispositivo constitucional consagra no


Brasil a responsabilidade extracontratual objetiva da Administração
Pública, na modalidade risco administrativo.
Sendo assim, a Administração Pública tem a obrigação de indenizar o
dano causado a terceiros por seus agentes, independentemente da
prova de culpa no cometimento da lesão (e independentemente da
existência de contrato entre ela e o terceiro prejudicado).
A responsabilidade objetiva prevista no art. 37, §6º da CF alcança:
 Todas as pessoas jurídicas de direito público (administração direta,
autarquias e fundações de direito público), independentemente das
atividades que exerçam;
 As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços
públicos (empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações
públicas de direito privado que prestem serviços públicos);

 As pessoas privadas, não integrantes da Administração Pública, que


prestem serviços públicos mediante delegação (concessionárias,
permissionárias e detentoras de autorização de serviços públicos).

1. (Cespe – DP/DF 2013) Segundo o ordenamento jurídico brasileiro, todas as


pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado que integrem a
administração pública responderão objetivamente pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros.
Comentário: A responsabilidade civil objetiva abrange (i) todas as
pessoas jurídicas de direito público e (ii) as pessoas jurídicas de direito
privado prestadoras de serviço público, mas não as pessoas jurídicas de
direito privado exploradoras de atividade econômica. Portanto, a palavra
“todas” macula o quesito.
Gabarito: Errado

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exercendo. Não importa se a atuação do agente foi lícita ou ilícita2; o


que interessa é exclusivamente ele agir na qualidade de agente
público, e não como pessoa comum.
Dessa forma, se um policial fardado, agindo em nome do Estado (o
que, no caso, presume-se pelo só fato de o agente estar fardado e
integrar efetivamente os quadros da corporação policial), ainda que em
dia de folga, causar dano ao particular, a obrigação de indenizar compete
ao Poder Público, independentemente da existência de irregularidade na
conduta do agente.

2. (FGV – OAB 2011) Um policial militar, de nome Norberto, no dia de folga,


quando estava na frente da sua casa, de bermuda e sem camisa, discute com um
transeunte e acaba desferindo tiros de uma arma antiga, que seu avô lhe dera.
Com base no relatado acima, é correto afirmar que o Estado
(A) será responsabilizado, pois Norberto é agente público pertencente a seus
quadros.
(B) será responsabilizado, com base na teoria do risco integral.
(C) somente será responsabilizado de forma subsidiária, ou seja, caso Norberto não
tenha condições financeiras.
(D) não será responsabilizado, pois Norberto, apesar de ser agente público, não
atuou nessa qualidade; sua conduta não pode, pois, ser imputada ao Ente Público.
Comentários: Não haverá responsabilidade do Estado nos casos em que
o agente causador do dano seja realmente um agente público, mas não esteja
atuando na sua condição de agente público (nem parecendo estar).
Assim, na situação narrada no comando da questão, o Estado não será
responsabilizado, pois o policial, apesar de ser agente público, não atuou
nessa qualidade; seu comportamento derivou de interesse privado, motivado
por sentimento pessoal. Dessa forma, sua conduta não poderá ser imputada
ao Estado, daí o gabarito (alternativa “d”).
Sobre esse assunto, cabe ressaltar que existe uma polêmica na
jurisprudência. Caso, na mesma situação, o disparo tivesse sido efetuado com
uma arma da corporação, não há consenso sobre se haveria ou não

2Conforme ensina Hely Lopes Meirelles, a atuação ilícita do servidor não exclui a responsabilidade
objetiva da Administração. Antes, a agrava, porque tal atuação traz ínsita a presunção de má escolha do
agente público para a missão que lhe fora atribuída.

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3. (FGV – OAB 2011) Antônio, vítima em acidente automobilístico, foi atendido


em hospital da rede pública do Município de Mar Azul e, por imperícia do médico que
o assistiu, teve amputado um terço de sua perna direita. Nessa situação hipotética,
respondem pelo dano causado a Antônio
(A) o Município de Mar Azul e o médico, solidária e objetivamente.
(B) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, regressivamente, em caso
de dolo ou culpa.
(C) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, subsidiariamente.
(D) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, solidária e subjetivamente.
Comentários: A questão apresenta um caso de dano causado a terceiro
por um agente do Município. Assim, nos termos do art. 37, §6º da CF, o próprio
Município responderá objetivamente pelo dano causado ao paciente,
independentemente de dolo ou culpa do médico. Posteriormente, o Município
poderá entrar com ação regressiva contra o médico, a fim de cobrar o
ressarcimento da indenização paga ao paciente na ação de reparação. A
diferença é que, na ação regressiva, o médico responderá subjetivamente, ou
seja, apenas será condenado em caso de dolo ou culpa.
Gabarito: alternativa “b”

4. (Cespe – PC/CE 2012) A responsabilidade civil do Estado exige três requisitos


para a sua configuração: ação atribuível ao Estado, dano causado a terceiros e nexo
de causalidade.
Comentário: A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito
público e das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço
público, responsabilidade objetiva, com base no risco administrativo, ocorre
diante dos seguintes requisitos:
a) Dano a terceiro;
b) Ação administrativa;
c) Nexo causal entre o dano e a ação administrativa.
Essa responsabilidade objetiva, com base no risco administrativo, admite
pesquisa em torno da culpa da vítima, para o fim de abrandar ou mesmo
excluir a responsabilidade da pessoa jurídica de direito público ou da pessoa
jurídica de direito privado prestadora de serviço público.
Gabarito: Certo

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5. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Para a configuração da


responsabilidade civil do Estado, é irrelevante licitude ou a ilicitude do ato lesivo.
Embora a regra seja a de que os danos indenizáveis derivam de condutas contrárias
ao ordenamento jurídico, há situações em que a administração pública atua em
conformidade com o direito e, ainda assim, produz o dever de indenizar.
Comentário: Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente
causador do prejuízo a terceiros deve ter agido na qualidade de agente
público, sendo irrelevante o fato de ele atuar dentro, fora ou além de sua
competência legal, nem mesmo se o ato foi culposo ou doloso. Não importa,
portanto, perquirir se a atuação do agente foi lícita ou ilícita, uma vez que essa
atuação – legal ou ilegal – é imputada ao órgão ou entidade cujos quadros ele
integra.
Por exemplo, o agente da Administração, ao realizar a manutenção dos
bueiros da cidade, pode esquecer a tampa de um deles aberta e, com isso,
provocar estragos num veículo particular que transitar sobre o local. Nessa
hipótese, mesmo que o fato de deixar a tampa do bueiro aberta não caracterize
um ato ilícito do agente público, ainda assim a Administração deverá indenizar
o particular.
Gabarito: Certo

6. (ESAF – IRB 2006) Caio, servidor público federal efetivo e regularmente


investido na função pública, motorista da Presidência da República, ao dirigir carro
oficial em serviço, dorme ao volante e atropela uma pessoa que atravessava,
prudentemente, em uma faixa de pedestres em Brasília, ferindo-a.
Considerando essa situação hipotética e os preceitos, a doutrina e a jurisprudência
da responsabilidade civil do Estado, assinale a única opção correta.
a) Na hipótese, há aplicação da teoria do risco integral.
b) A teoria aplicada ao caso para a responsabilização do Estado é a subjetiva.
c) No âmbito de ação indenizatória pertinente e após o seu trânsito em julgado, Caio
nunca poderá ser responsabilizado, regressivamente, caso receba menos de dois
salários mínimos.
d) Caso Caio estivesse transportando material radioativo, indevidamente
acondicionado, que se propagasse no ar em face do acidente, o Estado só poderia
ser responsabilizado pelo dano oriundo do atropelamento.
e) Na teoria do risco administrativo, há hipóteses em que, mesmo com a
responsabilização objetiva, o Estado não será passível de responsabilização.
Comentário: A situação narrada no enunciado apresenta um típico
exemplo de incidência da responsabilidade civil objetiva do Estado. Afinal, um

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agente público, agindo nessa qualidade (no exercício de suas funções),


causou um dano a terceiro. Portanto, estão presentes os elementos fato do
serviço, nexo causal e dano, caracterizadores da responsabilidade
extracontratual do Estado. No caso, a União terá que indenizar o pedestre
independentemente de Caio (o motorista público) ter atuado com dolo ou culpa
(a responsabilidade é objetiva). A culpa ou dolo de Caio só importará na ação
de regresso. Nesta ação, se ficar comprovado que o agente agiu com dolo ou
culpa (o que parece ser o caso, pois ele dormiu ao volante, demonstrando pelo
menos a culpa), terá que ressarcir ao erário o valor dispendido com a
indenização paga ao pedestre.
Dito isso, vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADO. Na hipótese, há a aplicação da teoria do risco administrativo.
Isso porque a responsabilidade da União poderá ser afastada caso ela
demonstre (o ônus da prova é dela) a presença de algum excludente de
responsabilidade, como a culpa exclusiva da vítima ou a ocorrência de caso
fortuito e força maior. Não parece ser o caso, pois o pedestre estava na faixa.
b) ERRADO. Como dito acima, a responsabilidade do Estado é objetiva;
apenas a responsabilidade do agente, na ação de regresso, que é subjetiva.
c) ERRADO. Caio poderá sim ser responsabilizado na ação regressiva,
caso seja provado que agiu com dolo ou culpa, não importando, para tanto, o
valor do seu salário.
d) ERRADO. O acidente com o material radioativo caracterizaria um dano
nuclear, em que a responsabilidade civil do Estado também é objetiva, só que
na modalidade risco integral.
e) CERTO. De fato, se ficar comprovada a presença de algum excludente
de responsabilidade, como a culpa exclusiva da vítima ou a ocorrência de caso
fortuito e força maior, o Estado não será responsabilizado. Por exemplo, se a
União conseguisse provar que o pedestre não estava atravessando
prudentemente na faixa, e sim havia se jogado sobre o veículo oficial, fora da
faixa, numa tentativa de suicídio, a responsabilidade do Estado poderia ser
afastada ou, ao menos amenizada.
Gabarito: alternativa “e”

7. (ESAF – CGU 2006) A responsabilidade objetiva do Estado, em última análise,


resulta na obrigação de indenizar, quem tenha sido vítima de algum procedimento
ou acontecimento, que lhe produza alguma lesão, na esfera juridicamente protegida,
para cuja configuração sobressai relevante haver
a) ausência de culpa do paciente.

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b) culpa ou dolo do agente causador.


c) nexo causal entre aquele comportamento e o dano causado.
d) prova de ilicitude desse acontecimento danoso.
e) prova de falta ou deficiência do serviço que causou o dano.
Comentário: Sinteticamente, os elementos necessários para a definição
da responsabilidade civil extracontratual objetiva do Estado são:
▪ Ato lesivo causado pelo agente público, nessa qualidade;
▪ Ocorrência de um dano patrimonial ou moral;
▪ Nexo de causalidade entre o dano e a atuação do agente, ou seja, é necessário que
o dano efetivamente tenha decorrido diretamente da ação do agente público.

A doutrina também costuma apontar o requisito da alteridade, isto é, o


prejuízo deve ter sido provocado por outrem, e não por culpa exclusiva da
vítima.
Sendo assim, correta a alternativa “c”.
Na opção “a” o erro é que a ausência de culpa do paciente é justamente
um indicativo de que a responsabilidade do Estado não pode ser afastada
(como excludente de responsabilidade tem-se a culpa exclusiva da vítima ou,
como atenuante de responsabilidade, a culpa concorrente).
Na opção “b”, o erro é que o dolo ou culpa do agente público não tem
influência alguma sobre a responsabilidade civil do Estado, afinal, este
responde de forma objetiva, com base na teoria do risco administrativo. No
caso, a presença de dolo ou culpa do agente terá repercussão apenas
posteriormente, na ação regressiva do Estado contra ele.
O erro da opção “d” é que o Estado responde, objetivamente, por atos
lícitos ou ilícitos de seus agentes que tenham provocado danos a terceiros.
Por fim, o erro da opção “e” é que a prova de falta ou deficiência do
serviço que causou o dano é necessária para caracterizar a responsabilidade
civil subjetiva do Estado (por omissão); o enunciado trata da responsabilidade
objetiva.
Gabarito: alternativa “c”

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8. (Cespe – TCE/ES 2012) De acordo com o entendimento do STF, empresa


concessionária de serviço público de transporte responde objetivamente pelos danos
causados aos usuários de transporte coletivo.
Comentário: Na verdade, de acordo com o entendimento do STF, empresa
concessionária de serviço público de transporte responde objetivamente pelos
danos causados aos usuários e aos não-usuários de transporte coletivo. Não
obstante, embora incompleto, o quesito pode ser considerado correto.
Gabarito: Certo

9. (Cespe – PC/BA 2013) O corte de energia elétrica por parte da concessionária


de serviço público presume a existência de dano moral, sendo desnecessária a
comprovação dos prejuízos sofridos à honra objetiva de empresa ou usuário afetado
pela interrupção do serviço.
Comentário: Para restar configurada a responsabilidade civil objetiva da
concessionária de serviço público, é necessário que se demonstre a existência
do dano, do ato da empresa e do nexo causal entre um e outro. Portanto, ao
contrário do que afirma o quesito, é necessária a comprovação dos prejuízos
sofridos.
Gabarito: Errado

10. (ESAF – PGFN 2012) Assinale a opção que corresponde ao entendimento


atualmente esposado pelo Supremo Tribunal Federal sobre a responsabilidade civil
das empresas concessionárias de serviços públicos.
a) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, na
modalidade do risco administrativo.
b) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, desde que
caracterizada ao menos culpa da prestadora do serviço.
c) É reconhecida a possibilidade de responsabilização em face de dano causado a
não-usuário do serviço, uma vez caracterizada ao menos culpa da concessionária e
nexo de causalidade entre a conduta e o resultado prejudicial.
d) É reconhecida a possibilidade de responsabilização objetiva das concessionárias,
mesmo em face de terceiros não-usuários do serviço.
e) A teoria da responsabilidade subjetiva é aplicável tanto perante usuários como
não-usuários do serviço público, considerando-se que as concessionárias são
empresas privadas que não integram o Poder Público.
Comentário: Vale transcrever a jurisprudência do STF sobre o tema

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(RE 591.874/MS):
EMENTA: CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE DO ESTADO. ART. 37, § 6º,
DA CONSTITUIÇÃO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO
PRESTADORAS DE SERVIÇO PÚBLICO. CONCESSIONÁRIO OU
PERMISSIONÁRIO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO A TERCEIROS NÃO-USUÁRIOS
DO SERVIÇO. RECURSO DESPROVIDO. I - A responsabilidade civil das pessoas
jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva
relativamente a terceiros usuários e não-usuários do serviço, segundo decorre do
art. 37, § 6º, da Constituição Federal. II - A inequívoca presença do nexo de
causalidade entre o ato administrativo e o dano causado ao terceiro não-usuário do
serviço público, é condição suficiente para estabelecer a responsabilidade objetiva da
pessoa jurídica de direito privado. III - Recurso extraordinário desprovido.

a) ERRADA. A responsabilidade das concessionárias é perante os


usuários e os não-usuários do serviço público, daí o erro. Não obstante, é
certo que a responsabilidade é na modalidade risco administrativo.
b) ERRADA. Como dito, a responsabilidade da concessionária é objetiva,
na modalidade risco administrativo, ou seja, independe da demonstração de
culpa do agente ou da própria concessionária.
c) ERRADA. De fato, é reconhecida a possibilidade responsabilização em
face de dano causado a não-usuário do serviço. No entanto, não é necessária a
caracterização da culpa da concessionária, embora seja imprescindível existir
nexo de causalidade entre a conduta e o resultado prejudicial.
d) CERTA. Suficiente a leitura da ementa transcrita acima.
e) ERRADA. A jurisprudência do STF trata da responsabilidade objetiva.
Ademais, a responsabilidade das concessionárias não deriva do fato de serem
“empresas privadas que não integram o Poder Público”, e sim porque são
pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público.
Gabarito: alternativa “d”

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RESPONSABILIDADE CIVIL POR OMISSÃO DA ADMINISTRAÇÃO

Como já foi afirmado, o Estado pode causar dano a particulares por


ação ou omissão.
Quando há ação, os danos podem ser gerados por conduta culposa
ou não do agente público. Em ambos os casos incide a responsabilidade
civil objetiva, desde que presentes os seus pressupostos – o fato do
serviço, o dano e o nexo causal.
Todavia, quando há omissão, em regra existe a necessidade da
presença do elemento culpa para a responsabilização do Estado. Em
outras palavras, nas hipóteses de danos provocados por omissão do Poder
Público, a sua responsabilidade civil passa ser de natureza subjetiva, na
modalidade culpa administrativa. Nesses casos, a pessoa que sofreu o
dano, para ter direito à indenização do Estado, tem que provar (o ônus da
prova é dela) a culpa da Administração Pública.
A culpa administrativa, no caso, origina-se do descumprimento do
dever legal, atribuído ao Poder Público, de impedir a consumação do dano.
Ou seja, decorre de falta no serviço que o Estado deveria ter prestado
(abrangendo a inexistência, a deficiência ou o atraso do serviço) e que, se
tivesse sido prestado de forma adequada, o dano não teria ocorrido.
Tal “culpa administrativa”, no entanto, não precisa ser
individualizada, isto é, não precisa ser provada negligência, imprudência
ou imperícia de um agente público determinado. Basta ao lesado provar o
nexo causal entre o dano e a omissão estatal.
A responsabilidade subjetiva do Estado usualmente se aplica a
situações em que há dano a um particular em decorrência de atos de
terceiros, não agentes públicos (ex: delinquentes ou multidões) ou de
fenômenos da natureza (ex: enchente ou vendaval).
Por exemplo, na hipótese de ocorrência de uma enchente que
provoque estragos na residência de um particular, este terá direito à
indenização do Estado caso consiga provar que os bueiros e as galerias
pluviais, cuja manutenção é dever do Poder Público, estavam entupidos.
Nesse exemplo, como o dano foi causado por um evento da natureza, e
não por um ato de um agente público atuando nessa qualidade, para se
atribuir ao Estado a responsabilidade civil pelo prejuízo, há necessidade de
se provar a culpa administrativa (a responsabilidade é subjetiva,
portanto). A culpa, na situação, está caracterizada pela ausência ou
deficiência no serviço de manutenção, que contribuiu para o dano causado

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ao patrimônio do particular; não há, contudo, necessidade de provar qual


foi o agente público responsável pela omissão8.
Por outro lado, caso se verifique que o dano decorreu
exclusivamente de atos de terceiros ou fenômenos da natureza, sem
qualquer omissão culposa da Administração, esta não terá a obrigação de
indenizar.
No mesmo exemplo anterior, caso todo o sistema de escoamento
estivesse em perfeitas condições e, mesmo assim, por conta de uma
chuva de intensidade excepcional e imprevisível, não tenha sido suficiente
para evitar a enchente, a responsabilidade do Estado será afastada,
porque o dano terá ocorrido exclusiva e diretamente de situação de força
maior, sem qualquer culpa da Administração. A responsabilidade pela falta
do serviço só existe quando o dano era evitável.
Assim, podemos concluir que a regra da responsabilidade objetiva da
Administração Pública não vale para os casos de omissão estatal. A
responsabilidade passa a ser subjetiva. Este é o entendimento tanto
doutrinário como jurisprudencial dominante 9 , e que deve ser tomado
como regra geral.
Disse que deve ser tomado como regra geral porque há situações em
que os atos omissivos acarretarão a responsabilidade objetiva do
Estado, nos termos do §6º do art. 37 da CF.
Segundo a jurisprudência do STF 10 , quando o Estado tem o dever
legal de garantir a integridade de pessoas ou coisas que estejam sob
sua proteção direta (ex: presidiários e internados em hospitais públicos)
ou a ele ligadas por alguma condição específica (ex: estudantes de
escolas públicas) o Poder Público responderá civilmente, por danos
ocasionados a essas pessoas ou coisas, com base na responsabilidade
objetiva prevista no art. 37, §6º, mesmo que os danos não tenham sido
diretamente causados por atuação de seus agentes. Nesse caso, de forma
excepcional, o Estado responderá objetivamente pela sua omissão no
dever de custódia dessas pessoas ou coisas.
Como exemplo, pode-se citar um presidiário que seja assassinado por
outro condenado dentro da penitenciária ou um aluno de escola pública

8 Não obstante, a detecção do agente causador da omissão é importante para o Estado, para que possa

apurar as devidas responsabilidades, e, assim, acionar o agente público em sede de ação regressiva, mas
essa é outra história, que veremos daqui a pouco.
9 STF RE 695.887/PB; STJ RE 602.102
10 RE 633.138/DF

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servidores no caso de dolo ou culpa.


Portanto, correta a alternativa “d”, pois o cidadão faleceu quando estava
sob a guarda do Estado (internado em hospital público), em razão de uma
omissão específica dos servidores que possibilitou a ocorrência do acidente.
Gabarito: alternativa “d”

12. (FGV – OAB 2016) José, acusado por estupro de menores, foi condenado e
preso em decorrência da execução de sentença penal transitada em julgado. Logo
após seu recolhimento ao estabelecimento prisional, porém, foi assassinado por um
colega de cela. Acerca da responsabilidade civil do Estado pelo fato ocorrido no
estabelecimento prisional, assinale a afirmativa correta.
A) Não estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do
Estado, porque está presente o fato exclusivo de terceiro, que rompe o nexo de
causalidade, independentemente da possibilidade de o Estado atuar para evitar o
dano.
B) Não estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do
Estado, porque não existe a causalidade necessária entre a conduta de agentes do
Estado e o dano ocorrido no estabelecimento estatal.
C) Estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do
Estado, porque o ordenamento jurídico brasileiro adota, na matéria, a teoria do risco
integral.
D) Estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do
Estado, porque o poder público tem o dever jurídico de proteger as pessoas
submetidas à custódia de seus agentes e estabelecimentos.
Comentário: vamos analisar cada item:
a) ERRADA. Segundo a jurisprudência dos nossos tribunais superiores, o
Estado possui sim o dever de assegurar a segurança dos detentos em
estabelecimentos prisionais públicos. Em razão desse dever, não há que se
falar em “fato exclusivo de terceiro” como excludente de responsabilidade. É
diferente, por exemplo, de um assalto ocorrido dentro de um ônibus de
concessionária de serviço público. Neste caso, o fato exclusivo de terceiro
afasta a responsabilidade civil objetiva da concessionária, pois esta não tem o
dever de proteger os seus passageiros contra assaltos (tal função seria das
forças de segurança públicas).
b) ERRADA. Existe sim o nexo de causalidade entre a conduta de agentes
do Estado e o dano ocorrido no estabelecimento estatal, uma vez que a
omissão dos agentes em garantir a integridade do detento acabou
possibilitando que ele fosse assassinado dentro da cela.

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c) ERRADA. No caso, o ordenamento jurídico brasileiro adota a teoria do


risco administrativo, que conduz à responsabilidade civil objetiva do Estado.
d) CERTA. De fato, estão presentes os elementos configuradores da
responsabilidade civil do Estado, que é a conduta do agente público (no caso,
a falha dos agentes em proteger o detento), o dano a terceiro (no caso, o
assassinato do detento) e o nexo de causalidade (no caso, o detento foi
assassinado dentro da cela, onde o Poder Público deveria garantir a sua
segurança). Detalhe é que, neste caso, a despeito de o dano ter ocorrido por
uma omissão dos agentes públicos, a jurisprudência entende que a
responsabilidade civil do Estado é objetiva, pois seria uma espécie de omissão
específica.
Gabarito: alternativa “d”

13. (Cespe – TCDF 2012) A responsabilidade do Estado por danos causados por
fenômenos da natureza é do tipo subjetiva.
Comentário: Nos danos decorrentes de caso fortuito ou força maior –
como se pode classificar os fenômenos da natureza – sem que haja conduta
comissiva da Administração Pública, esta somente será responsabilizada caso
se comprove que a adequada prestação do serviço estatal obrigatório teria
evitado ou reduzido o resultado danoso. Nesses casos, a responsabilidade do
Estado, se houver, é subjetiva, baseada na teoria da culpa administrativa.
Gabarito: Certo

14. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) O fato de um detento morrer em


estabelecimento prisional devido a negligência de agentes penitenciários configurará
hipótese de responsabilização objetiva do Estado.
Comentário: Na hipótese de danos sofridos por pessoas sujeitas à guarda
do Estado, como os detentos, a jurisprudência reconhece que a
responsabilidade do Estado é objetiva, ainda que o dano não tenha sido
provocado por uma atuação direta de um agente público. Ou seja, trata-se de
uma exceção à regra de que a omissão estatal acarreta responsabilidade
subjetiva do Estado.
Gabarito: Certo

15. (ESAF MDIC 2012) Assinale a opção em que a responsabilidade civil dar-se-á
de forma subjetiva.
a) Responsabilidade pela omissão também chamada de serviço deficiente ou falta
do serviço.
b) Responsabilidade do Estado pelo ato comissivo ensejador de dano que seu

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agente cause a terceiro.


c) Responsabilidade dos prestadores de serviço público por ato comissivo causador
de dano ao usuário do serviço.
d) Responsabilidade pela omissão ensejadora de serviço deficiente, ocasionando
dano nuclear.
e) Responsabilidade pela atuação omissiva do Estado no seu dever de assegurar a
integridade de pessoas ou coisas.
Comentários: A responsabilidade civil do Estado dar-se-á de forma
subjetiva nas hipóteses em que o dano ao terceiro decorre diretamente da
omissão estatal. São danos causados por fatos da natureza ou fatos de
terceiros, mas que poderiam ter sido evitados ou minorados se o Estado,
tendo o dever de agir, se omitiu. Decorre, portanto, de falta no serviço que o
Estado deveria ter prestado (abrangendo a inexistência, a deficiência ou o
atraso do serviço). Então, está correta a alternativa “a”. Todas as demais
alternativas apresentam situações nas quais incide a responsabilidade civil
objetiva do Estado (na alternativa “c”, a responsabilidade é da pessoa jurídica
prestadora do serviço). Ademais, perceba que, em todas as demais
alternativas, a responsabilidade objetiva é na modalidade risco administrativo,
exceto na “d” (dano nuclear), em que a modalidade é risco integral. Por fim,
atente para a alternativa “e”, que se refere a um caso específico de omissão
que enseja responsabilidade objetiva do Estado (ao contrário, portanto, da
regra geral, em que omissão gera responsabilidade subjetiva); com efeito,
quando o Estado peca por omissão no seu dever de assegurar a integridade de
pessoas ou coisas, a jurisprudência entende que o Poder Público responderá
objetivamente, mesmo que o dano não tenha sido causado diretamente por
atuação de seus agentes (ex: presidiário que fere outro dentro da
penitenciária).
Gabarito: alternativa “a”

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Por exemplo: um motorista, servidor público, vem dirigindo em


serviço de forma cautelosa quando, de repente, um particular avança o
sinal vermelho e colide com o veículo oficial. Nesse caso, o Estado não
teria o dever de indenizar o proprietário do automóvel particular, pois o
dano foi causado exclusivamente por ato do próprio particular. Em outras
palavras, não houve nexo de causalidade entre alguma ação do agente
público e o dano, daí o fundamento para a exclusão da responsabilidade
civil do Estado.
Detalhe é que a responsabilidade do Poder Público, em razão de culpa
atribuível à própria vítima, pode ser totalmente excluída como também
pode ser reduzida proporcionalmente. No exemplo dado, a
responsabilidade foi totalmente excluída, pois a culpa pelo acidente foi
exclusiva do particular.
Por outro lado, se alguma ação do servidor público, de alguma forma,
tivesse contribuído para o acidente, haveria aquilo que a doutrina chama
de culpa concorrente (do agente público e da vítima). Nesse caso, a
responsabilidade civil da Administração seria afastada apenas
parcialmente, ou seja, o Estado teria o dever de indenizar o particular, só
que o valor da indenização seria reduzido proporcionalmente.
Outra excludente de responsabilidade se verifica na hipótese de
caso fortuito ou força maior.
Não há consenso na doutrina acerca do que vem a ser caso fortuito e
do que vem a ser força maior. Alguns autores dizem que caso fortuito
decorre de eventos da natureza e força maior da conduta humana; outros
autores afirmam exatamente o contrário. Entretanto, não nos interessa
aqui fazer distinção entre os conceitos. Para o nosso objetivo, vamos
adotar a posição majoritária da doutrina e da jurisprudência que considera
“caso fortuito” e “força maior” como se fossem a mesma coisa.
Nesse sentido, tanto o caso fortuito como a força maior
constituem fatos imprevisíveis, não imputáveis à Administração e
que podem romper a necessária causalidade entre a ação do Estado e o
dano causado.
Os eventos de caso fortuito e força maior só podem ser considerados
excludentes de responsabilidade nas situações em que o dano decorrer
exclusivamente dos efeitos do evento imprevisível. Isso é necessário
para caracterizar a necessária quebra do nexo de causalidade entre o
dano e alguma ação ou omissão estatal.

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Sendo assim, na ocorrência de algum evento imprevisível que tenha


causado dano a terceiros, deve-se analisar se houve omissão por parte do
Estado (ou do prestador do serviço público) quanto a providências de sua
incumbência para evitar o prejuízo. Caso fique caracterizada a omissão
culposa, a responsabilidade do Estado não será afastada, havendo direito
de indenização por parte do prejudicado.
Aqui, vale o mesmo exemplo apresentado anteriormente sobre os
danos causados por uma enchente e a manutenção dos bueiros e galerias
pluviais. Se a ausência ou deficiência na manutenção a cargo do Estado
contribuiu para a produção dos efeitos da enchente, não há que se falar
em exclusão da responsabilidade civil da Administração (no caso, de
natureza subjetiva); por outro lado, se os bueiros e galerias pluviais
estavam em boas condições e, mesmo assim, a enchente ocorreu devido a
forte chuva de intensidade imprevisível, então esse evento pode ser
considerado um excludente da responsabilidade do Estado, pois foi ele
próprio (o evento imprevisível) que provocou diretamente o dano, sem
nenhuma contribuição da Administração Pública.

No que diz respeito ao fato exclusivo de terceiros, a posição


prevalente é de corresponder também a uma excludente da
responsabilidade civil da Administração Pública. A análise assemelha-se à
relativa aos fatos imprevisíveis (caso fortuito ou força maior): sem que se
possa imputar atuação omissiva direta ao Estado, não há como
responsabilizá-lo civilmente por atos de terceiros.
É o que ocorre, por exemplo, em assaltos nos ônibus. Se não ficar
caracterizada a omissão do prestador do serviço público, não há como
responsabilizar a empresa concessionária de transporte pelo prejuízo
provocado pelo assaltante. Afinal, segurança não está relacionada ao
serviço prestado pela empresa. Nesse caso, o fato exclusivo de terceiro
seria uma excludente de responsabilidade.
Outro exemplo de fato exclusivo de terceiros seria o dano causado
por multidões a bens particulares, como ocorre em muitos protestos no
Brasil e no mundo. Também nesse caso deve-se perquirir se a
Administração poderia ou não evitar o tumulto, a fim de preservar o
patrimônio das pessoas. Se ficar comprovada a omissão do Poder Público,
não há como afastar a responsabilidade civil do Estado; caso contrário, se
os danos decorreram exclusivamente dos atos da multidão enfurecida,
sem que o Poder Público pudesse fazer algo para contê-la, então o fato
não acarreta a responsabilidade civil do Estado.

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16. (FGV – OAB 2012) Ambulância do Corpo de Bombeiros envolveu-se em


acidente de trânsito com automóvel dirigido por particular, que trafegava na mão
contrária de direção. No acidente, o motorista do automóvel sofreu grave lesão,
comprometendo a mobilidade de um dos membros superiores. Nesse caso, é correto
afirmar que
(A) existe responsabilidade objetiva do Estado em decorrência da prática de ato
ilícito, pois há nexo causal entre o dano sofrido pelo particular e a conduta do agente
público.
(B) não haverá o dever de indenizar se ficar configurada a culpa exclusiva da vítima,
que dirigia na contramão, excluindo a responsabilidade do Estado.
(C) não se cogita de responsabilidade objetiva do Estado porque não houve a
chamada culpa ou falha do serviço. E, de todo modo, a indenização do particular, se
cabível, ficaria restrita aos danos materiais, pois o Estado não responde por danos
morais.
(D) está plenamente caracterizada a responsabilidade civil do Estado, que se
fundamenta na teoria do risco integral.
Comentário: A banca formulou a questão de modo a levar ao
entendimento de que o acidente foi causado por culpa do motorista do
automóvel, que trafegava na direção contrária, ou seja, na contramão. A culpa
exclusiva da vítima é considerada um excludente de responsabilidade do
Estado, pois afasta o nexo de causalidade entre o dano sofrido pelo particular
e a conduta do agente público. Assim, o Estado não terá o dever de indenizar a
vítima (opção “b”).
Gabarito: alternativa “b”

17. (Cespe – TJDFT 2013) Se um particular sofrer dano quando da prestação de


serviço público, e restar demonstrada a culpa exclusiva desse particular, ficará
afastada a responsabilidade da administração. Nesse tipo de situação, o ônus da
prova, contudo, caberá à administração.
Comentário: A responsabilidade civil objetiva na modalidade risco
administrativo admite excludente de responsabilidade para afastar o dever de
indenizar do Estado. Entre os excludentes de responsabilidade, está a culpa
exclusiva da vítima, o caso fortuito e a força maior. Detalhe é que o ônus da
prova em relação à presença do excludente de responsabilidade é da própria
Administração (afinal, ela é que será beneficiada com a exclusão).
Gabarito: Certo

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18. (Cespe – MIN 2013) Considere que um particular, ao avançar o sinal vermelho
do semáforo, tenha colidido seu veículo contra veículo oficial pertencente a uma
autarquia que trafegava na contramão. Nessa situação, o Estado deverá ser
integralmente responsabilizado pelo dano causado ao particular, dado que, no
Brasil, se adota a teoria da responsabilidade objetiva e, de acordo com ela, a culpa
concorrente não elide nem atenua a responsabilidade do Estado de indenizar.
Comentário: De acordo com a teoria da responsabilidade objetiva, na
hipótese de culpa concorrente, a responsabilidade do Estado será atenuada,
ou seja, o valor da indenização que terá de pagar será reduzido
proporcionalmente, na medida de sua culpa. Como o particular também teve
culpa, parte do prejuízo será suportado por ele.
Gabarito: Errado

*****

Vamos agora aprender como ocorre a reparação do dano causado


pelo agente público ao particular, e como a pessoa jurídica poderá exercer
o seu direito de regresso contra o agente.

Em frente!

AÇÃO DE REPARAÇÃO DO DANO: PARTICULAR X ADMINISTRAÇÃO

Caso a Administração e o terceiro lesado não consigam entrar em


acordo para reaver o prejuízo de forma amigável, na via administrativa, o
particular que sofreu o dano praticado por agente público deverá intentar
a ação judicial de reparação em face da Administração Pública,
pleiteando indenização pelo prejuízo.

A ação de reparação deve ser movida contra a


Administração (pessoa jurídica), e não contra o
agente que causou o dano.

Isso porque, conforme o art. 37, §6º da CF, é a própria pessoa


jurídica (de direito público ou de direito privado prestadora de serviço
público) que responderá objetivamente pela reparação dos danos
causados a terceiros por seus agentes. Portanto, quem deve figurar no
polo passivo (respondendo, sendo processado) da ação de indenização
movida pelo particular é a pessoa jurídica, e não o agente público; este
tampouco poderá figurar em conjunto com a pessoa jurídica, na posição
de litisconsorte.

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Como a responsabilidade civil do Estado é do tipo objetiva (ou seja,


independe de culpa ou dolo da Administração), basta ao particular, na
ação de reparação, demonstrar a existência de um nexo causal entre o
fato lesivo (de autoria da Administração) e o dano (material ou moral). A
partir daí, se o Poder Público quiser se eximir da obrigação de indenizar
deverá provar que a vítima concorreu com dolo ou culpa para o evento
danoso. Caso não consiga provar, o Estado responderá integralmente pelo
dano (ou parcialmente, se conseguir provar a culpa concorrente), devendo
indenizar o particular.
O valor da indenização deve abranger o que a vítima efetivamente
perdeu e o que gastou – por exemplo, com advogado – para ressarcir-se
do prejuízo (danos emergentes), bem como o que deixou de ganhar em
consequência direta do dano provocado pelo agente público
(lucros cessantes). Some-se a isso, quando for o caso, a indenização
pelo dano moral.
Detalhe importante é que, conforme previsto na Lei 9.494/97 11 , a
ação de reparação contra a Administração se sujeita a prazo de
prescrição de cinco anos.
Em outras palavras, o particular tem cinco anos para mover a ação
judicial de reparação contra as pessoas jurídicas cujos agentes tenham lhe
provocado algum prejuízo. Passado esse prazo, o particular perde o direito
à indenização. O prazo prescricional de cinco anos se aplica, inclusive,
para os danos provocados pelos agentes das delegatárias de serviços
públicos, não integrantes da Administração.

11Art. 1o-C. Prescreverá em cinco anos o direito de obter indenização dos danos causados por agentes de
pessoas jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços
públicos.

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submetem à regra da responsabilidade civil objetiva do Estado. Frise-se que a


responsabilidade é da própria concessionária, e não do ente político titular do
serviço delegado. Assim, no caso narrado na questão, a concessionária de
ônibus terá que ressarcir os danos materiais e morais sofridos por Manoel,
independentemente de dolo ou culpa do motorista. Manoel terá o prazo de
cinco anos para entrar com a ação de reparação em face da concessionária,
sob pena de prescrição do direito à indenização.
Gabarito: alternativa “a”

20. (Cespe – PGE/BA 2014) Suponha que viatura da polícia civil colida com
veículo particular que tenha ultrapassado cruzamento no sinal vermelho e o fato
ocasione sérios danos à saúde do condutor do veículo particular. Considerando essa
situação hipotética e a responsabilidade civil da administração pública, julgue o item
subsequente.
No caso, a ação de indenização por danos materiais contra o Estado prescreverá em
vinte anos.
Comentário: A ação de indenização contra o Estado prescreverá em
cinco anos, e não em vinte.
Gabarito: Errado

21. (Cespe – TRT10 2013) Todos os anos, na estação chuvosa, a região


metropolitana de determinado município é acometida por inundações, o que causa
graves prejuízos a seus moradores. Estudos no local demonstraram que os fatores
preponderantes causadores das enchentes são o sistema deficiente de captação de
águas pluviais e o acúmulo de lixo nas vias públicas.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente.
Caso algum cidadão pretenda ser ressarcido de prejuízos sofridos, poderá propor
ação contra o Estado ou, se preferir, diretamente contra o agente público
responsável, visto que a responsabilidade civil na situação hipotética em apreço é
solidária.
Comentário: Com base na jurisprudência do STF, a ação de indenização
deverá ser proposta contra o Estado, e não diretamente contra o agente
público, daí o erro. A responsabilidade do Estado, no caso, é subjetiva, na
modalidade culpa administrativa, de modo que o cidadão só terá direito a
indenização se restar comprovado – e o ônus da prova é do cidadão – que
determinada omissão culposa da Administração concorreu para o surgimento
do resultado danoso.
Gabarito: Errado

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22. (FGV – OAB 2011) Tendo o agente público atuado nesta qualidade e dado
causa a dano a terceiro, por dolo ou culpa, vindo a administração a ser condenada,
terá esta o direito de regresso.
A respeito da ação regressiva, é correto afirmar que
(A) em regra deve ser exercida, sob pena de afronta ao princípio da
indisponibilidade.
(B) o prazo prescricional tem início a contar do fato que gerou a ação indenizatória
contra a Administração.
(C) a prescrição será decenal, com base na regra geral da legislação civil.
(D) o prazo prescricional será o mesmo constante da esfera penal para o tipo
criminal correspondente.
Comentários: A doutrina majoritária é no sentido de que a ação
regressiva é obrigatória. Afinal, é a integridade do erário que está jogo, não
podendo o agente público abrir mão, a seu critério, de um patrimônio que é de
todos. Tanto é assim que a Lei 4.619/1965 estipula o prazo de 60 dias para
ajuizamento da ação regressiva, a contar da data em que transitar em julgado a
condenação imposta ao Estado. O não cumprimento desse prazo pelos
procuradores responsáveis por impetrar a ação constitui falta no exercício do
dever. Sendo assim, correta a alternativa “a”.
Quanto às demais opções, o erro é que ação de regresso, em si, é
imprescritível, ressalvado algum entendimento contrário da banca a partir da
decisão do STF no RE 669.069, conforme explanado anteriormente.
Gabarito: alternativa “a”

23. (Cespe – MDIC 2014) Considere que o motorista de um veículo oficial de


determinado ministério, ao trafegar em velocidade acima do limite legal, tenha
colidido contra um veículo de particular que estava devidamente estacionado. Nessa
situação, embora o Estado seja obrigado a indenizar o dano, somente haverá o
direito de regresso do Estado caso se comprove o dolo específico na conduta do
servidor.
Comentário: Nos termos do art. 37, §6º da CF, direito de regresso do
Estado existe em caso de dolo ou culpa (e não apenas em caso de dolo).
Gabarito: Errado

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24. (Cespe – MTE 2014) O servidor que, por descumprimento de seus deveres
funcionais, causar dano ao erário, ficará obrigado ao ressarcimento, em ação
regressiva.
Comentário: O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo
exercício irregular de suas atribuições. Nos termos do art. 122 da Lei
8.112/1990, “a responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo,
doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros”. Assim, na
hipótese de um ato do servidor causar dano ao erário, ele responderá na
esfera civil diretamente, ficando obrigado ao ressarcimento. A ação regressiva
ocorre para os casos de danos a terceiros, daí o erro.
Gabarito: Errado

25. (ESAF – CGU 2006) No caso de responsabilidade civil do Estado, por dano
causado a outrem, cabe ação regressiva, contra o agente causador, que tenha agido
culposa ou dolosamente, mas constitui requisito essencial para tanto, ter havido
a) ajuizamento de ação pelo paciente, cobrando indenização do dano.
b) condenação do Estado a indenizar o paciente.
c) reconhecimento de culpa ou dolo, por parte do agente.
d) prova produzida pelo paciente, de culpa ou dolo do agente.
e) recusa do agente em assumir o ônus da reparação desse dano.
Comentário: Para entrar com a ação de regresso contra o agente, a
pessoa jurídica (entidade pública ou delegatária de serviços públicos) deverá
comprovar que já foi condenada judicialmente a indenizar o particular que
sofreu o dano. Isso porque o direito de regresso nasce com o trânsito em
julgado da decisão condenatória prolatada na ação de indenização. Portanto,
pode-se afirmar que o requisito essencial para a ação regressiva é a
condenação do Estado a indenizar o paciente (opção “b”). Perceba que o
“reconhecimento de culpa ou dolo, por parte do agente” (opção “c”) não é
propriamente requisito para a propositura da ação regressiva, e sim para a
condenação do agente nessa ação.
Gabarito: alternativa “b”

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DENUNCIAÇÃO À LIDE

Antes de encerrar esse tópico, cabe abordar a (in)aplicabilidade da


“denunciação à lide” aos processos judiciais fundados na
responsabilidade civil objetiva do Estado.
Primeiro, vamos ver o que significa essa expressão. Lide quer dizer
litígio, uma questão a ser resolvida, normalmente, em processo de
natureza judicial. Assim, “denunciar à lide” significa, de maneira simples,
trazer para um processo judicial alguém que pode (ou deve, em
algumas situações) ser trazido.
O art. 70, III, do Código de Processo Civil determina que “a
denunciação à lide é obrigatória àquele que estiver obrigado, pela lei ou
pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do que perder a
demanda”. Isso significa que, na esfera do direito privado, se uma
empresa é alvo de ação civil por prejuízo causado por um de seus
empregados, será obrigatória a “denunciação da lide” ao funcionário, ou
seja, aquele funcionário deverá ser chamado a responder na mesma ação
e se defender.
Existem divergências doutrinárias e jurisprudenciais a respeito da
aplicação ou não do instituto da denunciação à lide às ações civis contra o
Estado. Não obstante, a posição majoritária da doutrina e da
jurisprudência é no sentido da inaplicabilidade da denunciação à lide
pela Administração a seus agentes.
Em outras palavras, a Administração não pode, já na primeira ação
(isto é, na ação de indenização movida pela pessoa que sofreu o dano),
trazer para o processo (denunciar à lide) seu agente cuja atuação
ocasionou o dano.
O argumento é: a responsabilidade do agente é subjetiva; a do
Poder Público, objetiva. Admitir a denunciação pelo Poder Público ao
agente importaria trazer, já para a ação de indenização, a discussão
acerca da existência de dolo ou culpa na conduta do agente público, o que
certamente traria prejuízos ao particular interessado; primeiro porque
atrasaria o recebimento da indenização (afinal, enquanto a
responsabilidade da Administração é objetiva, não demandando análise de
culpa, denunciar o agente à lide tornaria a ação dependente da
demonstração da sua culpa, ou seja, seria gasto mais tempo com análise
de provas, atrasando a solução final do litígio), e segundo porque, se
ficasse comprovada a culpa do agente já na ação de reparação, este é que
seria o responsável por indenizar o particular, e não a Administração,

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RESPONSABILIDADE CIVIL POR ATOS LEGISLATIVOS

No que diz respeito aos atos legislativos típicos, a doutrina e a


jurisprudência têm admitido, por exceção, a responsabilização do
Estado em duas hipóteses:
 Edição de leis de efeitos concretos; e
 Edição de leis inconstitucionais, desde que declaradas pelo STF.

Leis de efeitos concretos são aquelas que não possuem caráter


normativo, não detêm generalidade, impessoalidade e nem abstração. São
leis exclusivamente formais, provindas do Legislativo, mas que possuem
destinatários certos, determinados.
No caso, o administrado atingido diretamente pela lei de efeitos
concretos tem direito à reparação dos eventuais prejuízos advindos da
aplicação da norma, configurando-se a responsabilidade extracontratual
do Estado.
A razão para que as leis de efeitos concretos determinem o dever de
o Estado arcar com os prejuízos que elas tenham causado ao particular é
que tais atos legislativos são leis apenas formalmente (isto é, quanto à
forma, eis que aprovadas pelo Legislativo), mas, materialmente (isto é,
quanto ao conteúdo), são muito parecidas com os atos administrativos
(por possuírem destinatários certos e determinados), proporcionando,
portanto, os mesmos efeitos de atos desta natureza (administrativos).
São exemplos as leis que aprovam planos de urbanização, as leis que
concedem isenções fiscais a determinado setor ou pessoa, etc.
Em relação à edição de leis inconstitucionais, parte-se da
premissa de que o Poder Legislativo, embora possua soberania para editar
leis, deve elaborá-las em conformidade com a Constituição. Assim, caso o
Legislativo não observe essa condição e venha a elaborar leis
inconstitucionais, poderá surgir a responsabilidade extracontratual do
Estado.
Ressalte-se que a responsabilização do Estado, nessa hipótese,
depende da declaração de inconstitucionalidade da lei pelo
Supremo Tribunal Federal (STF), tanto no controle concentrado como
no difuso. Sem a declaração da Suprema Corte, não há que se cogitar a
responsabilidade estatal.
Ademais, é necessário que a lei tenha efetivamente causado dano
ao particular. Dessa forma, havendo a declaração de inconstitucionalidade
da lei, a pessoa que tenha sofrido danos oriundos da sua incidência terá

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que ajuizar uma ação específica pleiteando a indenização, a fim de


demonstrar o dano sofrido.
Para a autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o entendimento quanto
às leis inconstitucionais pode ser estendido aos regulamentos do Poder
Executivo e às normas das agências reguladoras, com a
peculiaridade de que a indenização poderá ser pleiteada com
fundamento na simples ilegalidade do ato, dispensando-se a prévia
apreciação judicial.

27. (Cespe – MPTCDF 2013) O Estado só responderá pela indenização ao


indivíduo prejudicado por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional
pelo STF.
Comentário: O Estado responderá pela indenização ao indivíduo
prejudicado por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo
STF e também quando este for um ato legislativo de efeitos concretos.
Portanto, a palavra “só” restringe indevidamente o item. Sobre o tema,
ressalte-se que alguns autores também apontam que a omissão legislativa
pode gerar a responsabilidade civil do Estado, especialmente quando a mora
do legislador é reconhecida por meio de decisão judicial (ex: mandado de
injunção).
Gabarito: Errado

RESPONSABILIDADE CIVIL POR ATOS JUDICIAIS

No que diz respeito aos atos judiciais típicos, a própria Constituição


Federal estabeleceu, como garantia individual, que “o Estado indenizará o
condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do
tempo fixado na sentença” (CF, art. 5º, LXXV).
Portanto, na hipótese de o indivíduo ser condenado por
erro judiciário, terá direito, contra o Estado, à reparação do prejuízo. No
caso, a responsabilidade extracontratual do Estado é objetiva, isto é,
independe de dolo ou culpa do magistrado.

O erro judiciário que gera a


responsabilização civil do Estado restringe-
se a erro na esfera penal.

Detalhe é que esse dispositivo da CF alcança apenas os erros


cometidos pelo Judiciário na esfera penal. Nesses casos, o Estado poderá

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28. (Cespe – DP/DF 2013) Considere que o Poder Judiciário tenha determinado
prisão cautelar no curso de regular processo criminal e que, posteriormente, o
cidadão aprisionado tenha sido absolvido pelo júri popular. Nessa situação
hipotética, segundo entendimento do STF, não se pode alegar responsabilidade civil
do Estado, com relação ao aprisionado, apenas pelo fato de ter ocorrido prisão
cautelar, visto que a posterior absolvição do réu pelo júri popular não caracteriza, por
si só, erro judiciário.
Comentário: A questão apresenta corretamente o entendimento do STF
acerca do assunto, no sentido de que a prisão preventiva, por si só, não é
suficiente para atrair a responsabilidade civil objetiva do Estado nos casos em
que o réu, ao final da ação penal, venha a ser absolvido ou tenha sua sentença
condenatória reformada na instância superior.
Gabarito: Certo

29. (Cespe – TCDF 2014) Incidirá a responsabilidade civil objetiva do Estado


quando, em processo judicial, o juiz, dolosamente, retardar providência requerida
pela parte.
Comentário: À época da prova, vigorava o CPC antigo, o qual estabelecia
que, quando o juiz, dolosamente, retardasse providência requerida pela parte,
incidiria a responsabilidade pessoal subjetiva do magistrado, ou seja, não
seria o Estado quem deveria pagar a indenização ao prejudicado, e sim o
próprio juiz. Porém, o novo CPC modificou essa regra: a partir de agora, na
hipótese de conduta dolosa do magistrado que venha a causar prejuízo à parte
ou a terceiro, incide a responsabilidade civil objetiva do Estado, assegurado o
direito de regresso contra o juiz. Assim, vamos atualizar o gabarito original da
questão.
Gabarito: Certo

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Direito Administrativo para XXIII Exame OAB 2017
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RESPONSABILIDADE POR DANOS DE OBRAS PÚBLICAS

Na aferição da responsabilidade civil por danos decorrentes de obras


públicas interessa indagar, a priori, se o dano foi causado:
 Pela própria natureza da obra, ou seja, pelo só fato da obra;
 Pela má execução da obra.

Quando o dano decorre da própria natureza da obra ou, em outras


palavras, pelo só fato da obra, sem que tenha havido culpa de alguém, a
responsabilidade da Administração é do tipo objetiva, na modalidade
risco administrativo.
Nesta situação, o dano resulta da obra em si mesma, por sua
localização, extensão ou duração prejudicial ao particular, sem relação
direta com alguma falha na execução propriamente dita.
A ideia subjacente é que, como o resultado da obra pública, em tese,
irá beneficiar a todos, é justo que os danos decorrentes da própria
natureza da obra também sejam repartidos, através da indenização
arcada pelo erário.
Nessa hipótese (dano causado pelo só fato da obra), a
responsabilidade da Administração independe de quem estava
executando a obra (se a própria Administração ou algum particular
contratado).
Como exemplo de dano provocado pelo só fato da obra, Marcelo
Alexandrino e Vicente Paulo trazem as rachaduras nas paredes das casas
próximas a uma obra para ampliação do metrô, provocadas pelas
explosões necessárias à perfuração e abertura de galerias, apesar de
todas as precauções e cuidados técnicos tomados. Nesse caso, o dano a
essas casas é ocasionado pelo só fato da obra, sem que haja culpa de
alguém, e quem responde pelo dano é a Administração Pública
(responsabilidade civil objetiva), mesmo que a obra esteja sendo
executada por um particular por ela contratado.
De outra parte, danos também podem ser causados pela
má execução da obra, ou seja, pela falha na adoção das técnicas
construtivas ou pela não observância dos procedimentos corretos por
parte do executor da obra.
Nessa hipótese, já interessa saber quem está executando a
obra.

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30. (FGV – OAB 2016) A fim de pegar um atalho em seu caminho para o trabalho,
Maria atravessa uma área em obras, que está interditada pela empresa contratada
pelo Município para a reforma de um viaduto. Entretanto, por desatenção de um dos
funcionários que trabalhava no local naquele momento, um bloco de concreto se
desprendeu da estrutura principal e atingiu o pé de Maria. Nesse caso,
A) a empresa contratada e o Município respondem solidariamente, com base na
teoria do risco integral.
B) a ação de Maria, ao burlar a interdição da área, exclui o nexo de causalidade
entre a obra e o dano, afastando a responsabilidade da empresa e do Município.
C) a empresa contratada e o Município respondem de forma atenuada pelos danos
causados, tendo em vista a culpa concorrente da vítima.
D) a empresa contratada responde de forma objetiva, mas a responsabilidade do
Município demanda comprovação de culpa na ausência de fiscalização da obra.
Comentário: Na situação narrada, dois fatores contribuíram para o dano
provocado a Maria:
(i) o fato de a vítima ter atravessado uma área proibida.
(ii) a desatenção do funcionário que fez despender o bloco de concreto.
O primeiro fator denota que Maria contribuiu para a ocorrência do
acidente, caracterizando um excludente de responsabilidade, qual seja, a culpa
concorrente da vítima, que atenua a responsabilidade do Poder Público. Não
se trata de culpa exclusiva da vítima por causa da presença do segundo fator
acima, que também concorreu para a ocorrência do dano.
O segundo fator mostra que houve uma má execução da obra, em razão
da não observância dos procedimentos corretos por parte do funcionário, que
estava desatento. Neste caso, como a obra estava sendo executada por uma
empresa contratada, é ela quem responderá civilmente pelo dano causado a
Maria. A responsabilidade da empresa é do tipo subjetiva, conforme previsto
no art. 70 da Lei 8.666/93. O Estado, no caso, responderá apenas de forma
subsidiária.
Pelo exposto, nota-se que apena a alternativa “c” está correta.
Gabarito: alternativa “c”

31. (FGV – OAB 2016) Um servidor público federal em São Paulo viajou a serviço
para Brasília, para uma inspeção, e cobriu todas as despesas com recursos
próprios. Passados exatos 3 anos e 10 meses, o servidor formulou pedido na esfera

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administrativa de reembolso de despesas e pagamento das diárias de viagem. A


decisão final no processo administrativo somente foi proferida 1 (um) ano e 6 (seis)
meses após a formalização do pedido, negando o pleito. Diante desse fato, ele
pretende ingressar com demanda para cobrar o referido valor. Considerando o
exposto, assinale a afirmativa correta.
A) O prazo prescricional é de 3 (três) anos, que já se tinha consumado quando o
servidor formulou o pedido na esfera administrativa.
B) O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos e este foi suspenso pelo pedido
administrativo. Com a decisão negativa, volta a correr a prescrição contra o servidor.
C) O prazo prescricional é de 10 (dez) anos e, a despeito de não haver previsão de
suspensão ou interrupção do prazo, este ainda não se consumou em desfavor do
servidor.
D) O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos e, portanto, este já transcorreu
integralmente, visto que o pedido formulado na esfera administrativa não suspende e
nem interrompe a prescrição.
Comentários: A resposta está no Decreto 20.910/1932, que regula a
prescrição das dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem
assim de todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou
municipal:
Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e
qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for
a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do
qual se originarem.
Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento
ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou
funcionários encarregados de estudar e apurá-la.
Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificar-se-á pela entrada
do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das
repartições públicas, com designação do dia, mês e ano.

Uma vez suspenso o prazo prescricional, este não poderá retomar seu
curso enquanto não houver manifestação definitiva da Administração. Correta,
portanto, a alternativa “b”. Detalhe é que, no caso, trata-se de suspensão, e
não de interrupção do prazo prescricional.
Gabarito: alternativa “b”

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RESPONSABILIDADE CIVIL DOS NOTÁRIOS

O serviço público notarial e de registro é serviço próprio do


Estado, uma vez que tem a finalidade de assegurar autenticidade,
segurança jurídica, eficácia e publicidade aos assentos, atos, negócios e
declarações dos registros e/ou das notas, todos com fé pública 18.
Nos termos da Constituição Federal, o serviço notarial e de registro é
exercido em caráter privado, por delegação do Poder Público (CF,
art. 23619). Ressalte-se que tal delegação não está entre as regidas pelo
art. 175 da CF (as quais estudamos na aula sobre serviços públicos).
Uma das diferenças é que a delegação dos serviços notariais e
registrais não é feita mediante licitação e sim por meio de concurso
público de provas e títulos.
Ademais, essa delegação é feita pelo Poder Judiciário, cabendo-lhe,
ainda, competência exclusiva para a fiscalização; esta, vista como poder
de polícia, permite a cobrança de taxa.
O delegatário, também chamado de notário ou tabelião, é uma
pessoa física. É considerado um agente público em sentido amplo
(mas não é um servidor público detentor de cargo efetivo, é só agente
público).
A serventia (cartório) não é uma pessoa jurídica, sendo o próprio
particular, para o qual foi conferida a outorga da delegação, o responsável
pela prestação do serviço. Como dito, ele exerce a atividade em caráter
privado, e é responsável por todos os atos praticados na serventia.
O tabelião pode causar dano a terceiros quando, por exemplo,
reconhecer uma firma falsa ou registrar erroneamente um protesto,
causando restrições cadastrais indevidas. Sendo assim, qual seria a
responsabilidade civil do tabelião nesses casos?
A responsabilidade civil dos tabeliães é de natureza subjetiva,
conforme expressamente previsto no art. 22 da Lei 13.286/2016:

18 Hely Lopes Meirelles (2014, p. 475).


19Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder
Público.
§ 1º - Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de
registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.
§ 2º - Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos
serviços notariais e de registro.
§ 3º - O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se
permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por
mais de seis meses.

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Art. 22. Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis


por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo,
pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que
autorizarem, assegurado o direito de regresso.
Parágrafo único. Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil,
contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial.

Assim, o terceiro lesado terá que provar dolo ou culpa do tabelião


para que este venha a responder civilmente pelo dano causado.
Ressalte-se que a responsabilidade é pessoal do tabelião (em caso
de dolo ou culpa), e não do Estado. E a ação prescreve em três anos,
diferente, portanto, da prescrição em cinco anos das ações de reparação
propostas contra o Estado.
****

Por hoje é só pessoal!

Bons estudos!

Erick Alves

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JURISPRUDÊNCIA

STF – RE 591.874/MS (26/8/2009)


1 EMENTA: CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE DO ESTADO. ART. 37, § 6º,
DA CONSTITUIÇÃO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO PRESTADORAS
DE SERVIÇO PÚBLICO. CONCESSIONÁRIO OU PERMISSIONÁRIO DO SERVIÇO
DE TRANSPORTE COLETIVO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO A
TERCEIROS NÃO-USUÁRIOS DO SERVIÇO. RECURSO DESPROVIDO. I - A
responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de
serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e não-usuários do
serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. II - A
inequívoca presença do nexo de causalidade entre o ato administrativo e o dano
causado ao terceiro não-usuário do serviço público, é condição suficiente para
estabelecer a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica de direito privado. III
- Recurso extraordinário desprovido.

STF – RE 291.035/SP (28/3/2006)


Responsabilidade civil objetiva do Estado (CF, art. 37, § 6º). Policial militar,
que, em seu período de folga e em trajes civis, efetua disparo com arma
de fogo pertencente à sua corporação, causando a morte de pessoa
inocente. Reconhecimento, na espécie, de que o uso e o porte de arma de fogo
pertencente à Polícia Militar eram vedados aos seus integrantes nos períodos de
folga. Configuração, mesmo assim, da responsabilidade civil objetiva do
Poder Público. Precedente (RTJ 170/631). Pretensão do Estado de que se acha
ausente, na espécie, o nexo de causalidade material, não obstante reconhecido
pelo Tribunal "a quo", com apoio na apreciação soberana do conjunto probatório.
Inadmissibilidade de reexame de provas e fatos em sede recursal extraordinária.
Precedentes específicos em tema de responsabilidade civil objetiva do Estado.
Acórdão recorrido que se ajusta à jurisprudência do supremo tribunal federal. RE
conhecido e improvido.

STF – AI 473.381/AP (20/9/2005)


EMENTA: - CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
AGENTE E VÍTIMA: SERVIDORES PÚBLICOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO
ESTADO: CF, art. 37, § 6º. I. - O entendimento do Supremo Tribunal Federal é
no sentido de que descabe ao intérprete fazer distinções quanto ao vocábulo
"terceiro" contido no § 6º do art. 37 da Constituição Federal, devendo o Estado
responder pelos danos causados por seus agentes qualquer que seja a vítima,
servidor público ou não. Precedente. II. - Agravo não provido.

STF – RE 633.138/DF (4/9/2012)


Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. DANOS MORAIS. PROFESSOR. SALA DE

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AULA. ALUNOS. ADVERTÊNCIA. AMEAÇAS VERBAIS. AGRESSÃO MORAL E
FÍSICA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. ARTIGO 37, § 6º, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 279 DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INVIABILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
(...) 2. In casu, a recorrida moveu ação de conhecimento com o fim de promover
a responsabilização civil do Distrito Federal e dos Diretores do Colégio nº 06 em
Taguatinga, por terem agido com culpa, por negligência, em agressão sofrida
pela professora, provocada por parte de um aluno daquela escola. 3. O Tribunal
a quo, ao proferir o acórdão originariamente recorrido, consignou, verbis: “CÍVEL
E PROCESSO CIVIL. DANOS MORAIS. DISTRITO FEDERAL. PROFESSOR. SALA DE
AULA. ALUNOS. ADVERTÊNCIA. AMEAÇAS VERBAIS. AGRESSÃO MORAL E
FÍSICA. OMISSÃO E NEGLIGÊNCIA DOS AGENTES PÚBLICOS. SENTENÇA.
PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. RECURSOS DE APELAÇÃO. PRELIMINAR. REJEIÇÃO.
MÉRITO. DESPROVIMENTO. MAIORIA. Os réus não apresentaram elementos
suficientes que justificassem a declaração de não-conhecimento da apelação da
autora. Tratando-se de ato omissivo do Poder Público, a responsabilidade
civil por esse ato é subjetiva. Imprescindível, portanto, a demonstração de
dolo ou culpa, esta numa de suas três modalidades – negligência, imperícia ou
imprudência. O dano sofrido pela autora ficou demonstrado pelos relatórios
médicos, laudo de exame de corpo de delito, relatório psicológico e relatório do
procedimento sindicante, bem como por meio dos depoimentos acostados. Se a
autora foi agredida dentro do estabelecimento educacional, houve
inequívoco descumprimento do dever legal do Estado na prestação
efetiva do serviço de segurança, uma vez que a atuação diligente
impediria a ocorrência da agressão física perpetrada pelo aluno. A falta
do serviço decorre do não-funcionamento, ou então, do funcionamento
insuficiente, inadequado ou tardio do serviço público que o Estado deve prestar.
O fato de haver no estabelecimento um policial militar não tem o condão
de afastar a responsabilidade do Estado, pois evidenciou-se a má-
atuação, consubstanciada na prestação insuficiente e tardia, o que
resultou na agressão à professora. Agressão a professores em sala de aula é
caso de polícia, e não de diretor de estabelecimento e seu assistente. A
responsabilidade é objetiva do Distrito Federal, a quem incumbe garantir
a segurança da direção e do corpo docente, por inteiro, de qualquer
estabelecimento. A valoração da compensação moral deve ser apurada
mediante prudente arbítrio do Juiz, motivado pelo princípio da razoabilidade, e
observadas a gravidade e a repercussão do dano, bem como a intensidade, os
efeitos do sofrimento e o grau de culpa ou dolo. A finalidade compensatória, por
sua vez, deve ter caráter didático-pedagógico, evitado o valor excessivo ou
ínfimo, objetivando, sempre, o desestímulo à conduta lesiva. Não se aplica o
disposto no art. 1º-F, da Lei 9.494/97, uma vez que se trata de juros de mora
incidentes sobre verba indenizatória, devendo incidir os juros de mora legais, nos
termos do art. 406, com observância ao percentual de 1% ao mês, fixado pelo

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art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (e-STJ fls. 363).” 4. Agravo
Regimental a que se nega provimento.

STF – RE 179.147/SP (12/12/1997)


I. A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público e das pessoas
jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, responsabilidade
objetiva, com base no risco administrativo, ocorre diante dos seguintes
requisitos: a) do dano; b) da ação administrativa; c) e desde que haja nexo
causal entre o dano e a ação administrativa. II. - Essa responsabilidade
objetiva, com base no risco administrativo, admite pesquisa em torno da culpa
da vítima, para o fim de abrandar ou mesmo excluir a responsabilidade da
pessoa jurídica de direito público ou da pessoa jurídica de direito privado
prestadora de serviço público. III. - Tratando-se de ato omissivo do poder
público, a responsabilidade civil por tal ato é subjetiva, pelo que exige dolo ou
culpa, numa de suas três vertentes, negligência, imperícia ou imprudência,
não sendo, entretanto, necessário individualizá-la, dado que pode ser atribuída
ao serviço público, de forma genérica, a faute de service dos franceses.

STF – RE 695.887/PB (11/9/2012)


Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
ADMINISTRATIVO. ROMPIMENTO DE BARRAGEM. INUNDAÇÃO. OMISSÃO DO
PODER PÚBLICO. RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA. ANÁLISE DA
COMPROVAÇÃO, OU NÃO, DA CULPA DO ENTE PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE.
REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 279 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL
A QUE SE NEGA PROVIMENTO (...) Na espécie, a responsabilidade civil do Estado
encontra-se comprovada, uma vez que tem este, por obrigação, manter em
condição regular e fiscalizar as obras públicas, onde sua omissão, caracterizada
na falha da prestação desses serviços, acarretará a sua culpabilidade.
Precedentes do TJPB. Havendo indícios de que houve perdas de natureza
material, em virtude de sérios danos na casa da parte autora, deve ser
julgado procedente o pedido de indenização. 5. Agravo regimental a que se
nega provimento.

STJ – REsp 602.102 (6/4/2004)


ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO – ATO OMISSIVO –
MORTE DE PORTADOR DE DEFICIÊNCIA MENTAL INTERNADO EM HOSPITAL
PSIQUIÁTRICO DO ESTADO.
1. A responsabilidade civil que se imputa ao Estado por ato danoso de seus
prepostos é objetiva (art. 37, § 6º, CF), impondo-lhe o dever de indenizar se se
verificar dano ao patrimônio de outrem e nexo causal entre o dano e o
comportamento do preposto.

2. Somente se afasta a responsabilidade se o evento danoso resultar de caso


fortuito ou força maior ou decorrer de culpa da vítima.

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3. Em se tratando de ato omissivo, embora esteja a doutrina dividida
entre as correntes dos adeptos da responsabilidade objetiva e aqueles
que adotam a responsabilidade subjetiva, prevalece na jurisprudência a
teoria subjetiva do ato omissivo, de modo a só ser possível indenização
quando houver culpa do preposto.

4. Falta no dever de vigilância em hospital psiquiátrico, com fuga e suicídio


posterior do paciente. 5. Incidência de indenização por danos morais.

7. Recurso especial provido.

STF – RE 422.941 (6/12/2005)


EMENTA: CONSTITUCIONAL. ECONÔMICO. INTERVENÇÃO ESTATAL NA
ECONOMIA: REGULAMENTAÇÃO E REGULAÇÃO DE SETORES ECONÔMICOS:
NORMAS DE INTERVENÇÃO. LIBERDADE DE INICIATIVA. CF, art. 1º, IV; art.
170. CF, art. 37, § 6º. I. - A intervenção estatal na economia, mediante
regulamentação e regulação de setores econômicos, faz-se com respeito
aos princípios e fundamentos da Ordem Econômica. CF, art. 170. O
princípio da livre iniciativa é fundamento da República e da Ordem econômica:
CF, art. 1º, IV; art. 170. II. - Fixação de preços em valores abaixo da realidade e
em desconformidade com a legislação aplicável ao setor: empecilho ao livre
exercício da atividade econômica, com desrespeito ao princípio da livre iniciativa.
III. - Contrato celebrado com instituição privada para o estabelecimento de
levantamentos que serviriam de embasamento para a fixação dos preços, nos
termos da lei. Todavia, a fixação dos preços acabou realizada em valores
inferiores. Essa conduta gerou danos patrimoniais ao agente econômico,
vale dizer, à recorrente: obrigação de indenizar por parte do poder
público. CF, art. 37, § 6º. IV. - Prejuízos apurados na instância ordinária,
inclusive mediante perícia técnica. V. - RE conhecido e provido.

STF – RE 429.518/SC (17/8/2004)


EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CIVIL. RESPONSABILIDADE
CIVIL DO ESTADO: ATOS DOS JUÍZES. C.F., ART. 37, § 6º. I. - A
responsabilidade objetiva do Estado não se aplica aos atos dos juízes, a não ser
nos casos expressamente declarados em lei. Precedentes do Supremo Tribunal
Federal. II. - Decreto judicial de prisão preventiva não se confunde com o
erro judiciário - C.F., art. 5º, LXXV - mesmo que o réu, ao final da ação
penal, venha a ser absolvido. III. - Negativa de trânsito ao RE. Agravo não
provido.

STF – RE 385.943 (15/12/2009)


E m e n t a: responsabilidade civil objetiva do estado (CF, art. 37, § 6º) -
configuração - "Bar Bodega" - decretação de prisão cautelar, que se
reconheceu indevida, contra pessoa que foi submetida a investigação penal pelo
poder público - adoção dessa medida de privação da liberdade contra

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quem não teve qualquer participação ou envolvimento com o fato
criminoso - inadmissibilidade desse comportamento imputável ao
aparelho de Estado - perda do emprego como direta conseqüência da indevida
prisão preventiva - reconhecimento, pelo Tribunal de Justiça local, de que se
acham presentes todos os elementos identificadores do dever estatal de reparar
o dano - não-comprovação, pelo Estado de São Paulo, da alegada inexistência do
nexo causal - caráter soberano da decisão local, que, proferida em sede recursal
ordinária, reconheceu, com apoio no exame dos fatos e provas, a inexistência
de causa excludente da responsabilidade civil do poder público -
inadmissibilidade de reexame de provas e fatos em sede recursal extraordinária
(Súmula 279/STF) - doutrina e precedentes em tema de responsabilidade civil
objetiva do estado - acórdão recorrido que se ajusta à jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal - recurso de agravo improvido.

STJ – REsp 816.209 (24/4/2014)


PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRADO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA
182/STJ. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E TORTURA
DURANTE O REGIME MILITAR. IMPRESCRITIBILIDADE DE PRETENSÃO
INDENIZATÓRIA DECORRENTE DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS
FUNDAMENTAIS DURANTE O PERÍODO DE EXCEÇÃO. INAPLICABILIDADE DO
ART. 1.º DO DECRETO N. 20.910/32. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ.
(...) 2. Conforme jurisprudência do STJ, são imprescritíveis as ações de
reparação por danos morais ajuizadas em decorrência de perseguição,
tortura e prisão, por motivos políticos, durante o Regime Militar.
Inúmeros precedentes (...)

STJ – Resp 435.266/SP (17/6/2004)


PROCESSO CIVIL E CIVIL - ATO ILÍCITO - RESPONSABILIDADE CIVIL DO
ESTADO - INDENIZAÇÃO - HOMICÍDIO CULPOSO CAUSADO POR POLICIAL
MILITAR EM PERÍODO DE FOLGA - CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM
JULGADO - VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC - INEXISTÊNCIA - DANO MATERIAL
- PRESCRIÇÃO - QUANTITATIVO - JUROS MORATÓRIOS - SÚMULA 54/STJ -
DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.

(...) 3. O termo inicial da prescrição, em ação de indenização decorrente


de ilícito penal praticado por agente do Estado, somente tem início a
partir do trânsito em julgado da ação penal condenatória. Precedentes
desta Corte (...)

STJ – REsp 1089955/RJ (24/11/2009)


RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA
DO ESTADO. MORTE DECORRENTE DE ERRO MÉDICO. DENUNCIAÇÃO À LIDE.
NÃO OBRIGATORIEDADE. RECURSO DESPROVIDO.

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1. Nas ações de indenização fundadas na responsabilidade civil objetiva
do Estado (CF/88, art. 37, § 6º), não é obrigatória a denunciação à lide
do agente supostamente responsável pelo ato lesivo (CPC, art. 70, III).
2. A denunciação à lide do servidor público nos casos de indenização
fundada na responsabilidade objetiva do Estado não deve ser
considerada como obrigatória, pois impõe ao autor manifesto prejuízo à
celeridade na prestação jurisdicional. Haveria em um mesmo processo, além da
discussão sobre a responsabilidade objetiva referente à lide originária, a
necessidade da verificação da responsabilidade subjetiva entre o ente público e o
agente causador do dano, a qual é desnecessária e irrelevante para o eventual
ressarcimento do particular. Ademais, o direito de regresso do ente público em
relação ao servidor, nos casos de dolo ou culpa, é assegurado no art. 37, § 6º,
da Constituição Federal, o qual permanece inalterado ainda que inadmitida a
denunciação da lide. 3. Recurso especial desprovido.

STF - RE 518894 AgR / SP (2/8/2011)


EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. DANOS CAUSADOS
A TERCEIROS EM DECORRÊNCIA DE ATIVIDADE NOTARIAL. PRECEDENTES. 1.
Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, “o Estado
responde, objetivamente, pelos atos dos notários que causem dano a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável, nos
casos de dolo ou culpa (C.F., art. 37, § 6º)” (RE 209.354-AgR, da relatoria do
ministro Carlos Velloso). 2. Agravo regimental desprovido.

STJ - REsp 1087862 / AM (2/2/2010)


ADMINISTRATIVO. DANOS MATERIAIS CAUSADOS POR TITULAR DE SERVENTIA
EXTRAJUDICIAL. ATIVIDADE DELEGADA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO
ESTADO.
1. Hipótese em que o Tribunal de origem julgou procedente o pedido deduzido
em Ação Ordinária movida contra o Estado do Amazonas, condenando-o a pagar
indenização por danos imputados ao titular de serventia.
2. No caso de delegação da atividade estatal (art. 236, § 1º, da Constituição),
seu desenvolvimento deve se dar por conta e risco do delegatário, nos moldes do
regime das concessões e permissões de serviço público.
3. O art. 22 da Lei 8.935/1994 é claro ao estabelecer a responsabilidade dos
notários e oficiais de registro por danos causados a terceiros, não permitindo a
interpretação de que deve responder solidariamente o ente estatal.
4. Tanto por se tratar de serviço delegado, como pela norma legal em comento,
não há como imputar eventual responsabilidade pelos serviços notariais
e registrais diretamente ao Estado. Ainda que objetiva a responsabilidade da

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Administração, esta somente responde de forma subsidiária ao delegatário,
sendo evidente a carência de ação por ilegitimidade passiva ad causam.
5. Em caso de atividade notarial e de registro exercida por delegação, tal
como na hipótese, a responsabilidade objetiva por danos é do notário,
diferentemente do que ocorre quando se tratar de cartório ainda
oficializado. Precedente do STF.
6. Recurso Especial provido.

STJ - REsp 624.975/SC (11/11/2010)


AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TABELIONATO. AUSÊNCIA DE
PERSONALIDADE JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DO TITULAR DO CARTÓRIO À
ÉPOCA DOS FATOS.
1. O tabelionato não detém personalidade jurídica, respondendo pelos danos
decorrentes dos serviços notariais o titular do cartório na época dos fatos.
Responsabilidade que não se transfere ao tabelião posterior. Precedentes.
2. Agravo regimental a que se nega provimento.

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RESUMÃO DA AULA
TEORIAS SOBRE A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Teoria da irresponsabilidade: o Estado não pode ser responsabilizado (Estados absolutistas; jamais existiu no
Brasil).
Responsabilidade subjetiva: a responsabilidade do Estado depende da comprovação de culpa.
▪ Teoria da culpa comum ou civilista: o Estado poderá ser responsabilizado se comprovada a culpa do seu
agente. Apenas atos de gestão, mas não atos de império.
▪ Teoria da culpa administrativa: o Estado poderá ser responsabilizado se comprovada a culpa da
Administração (falta do serviço). Aplicável nos casos de omissão na prestação de serviço público.
Responsabilidade objetiva: a responsabilidade do Estado independe da comprovação de culpa. Basta existir o
dano, o fato do serviço e o nexo causal entre eles:
▪ Teoria do risco administrativo: admite excludentes -> aplicada como regra
▪ Teoria do risco integral: não admite excludentes -> apenas casos excepcionais: danos nucleares,
ambientais e ataques terroristas a aeronaves brasileiras.

RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO: ART. 37, §6º DA CF


▪ Consiste na obrigação de o Estado reparar danos (morais e materiais) causados a terceiros.
▪ É sempre de natureza civil e extracontratual.
▪ Resulta de condutas dos agentes públicos comissivas ou omissivas, lícitas ou ilícitas.
▪ Agentes devem atuar na condição de agentes públicos.

 A responsabilidade do Estado é objetiva: o Estado responde pelos danos causados por seus agentes
independentemente de culpa.
 A responsabilidade do agente é subjetiva: agente responde ao Estado, em ação regressiva, só se agir com
dolo ou culpa.

▪ Ato lesivo causado pelo agente público, nessa qualidade;


Elementos da
responsabilidade ▪ Ocorrência de um dano patrimonial ou moral;
objetiva ▪ Nexo de causalidade entre o dano e a atuação do agente.

▪ De direito público: todas (adm. direta, autarquias e fundações)


Alcança as
▪ De direito privado prestadoras de serviço público: EP, SEM, fundações e delegatárias.
pessoas jurídicas
✓ Estatais exploradoras de atividade econômica não!

Responsabilidade civil do Estado por ação ou omissão


 Ação -> responsabilidade objetiva -> teoria do risco administrativo
 Omissão -> responsabilidade subjetiva -> teoria da culpa administrativa

▪ Ação de indenização: 5 anos


Prescrição
▪ Ação regressiva: imprescritível

 A ação regressiva depende da condenação da pessoa jurídica a indenizar a vítima (trânsito em julgado);

 A ação regressiva transmite-se aos sucessores, até o limite da herança.

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EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE
▪ Culpa exclusiva da vítima (em caso de culpa concorrente, a responsabilidade é atenuada,
proporcionalmente);
▪ Caso fortuito e força maior;
▪ Evento exclusivo de terceiros, inclusive multidões;
 O ônus da prova é da Administração!

ATOS LEGISLATIVOS E JUDICIAIS


 Responsabilidade do Estado por atos legislativos típicos
✓ Regra: NÃO HÁ
✓ Exceção: pode haver em caso de:
▪ Leis com efeitos concretos;
▪ Leis declaradas inconstitucionais pelo STF.
 Responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais típicos
✓ Regra: NÃO HÁ
✓ Exceção: pode haver em caso de erro judiciário, unicamente na esfera penal.

RESPONSABILIDADE POR DANOS DE OBRAS PÚBLICAS


 Só fato da obra -> não importa o executor -> responsabilidade civil objetiva do Estado
 Má execução da obra
✓ Execução a cargo da própria Administração -> responsabilidade civil objetiva do Estado
✓ Execução a cargo de particular contratado -> responsabilidade civil subjetiva do contratado

POSICIONAMENTOS IMPORTANTES DA DOUTRINA E DA JURISPRUDÊNCIA


➢ As concessionárias de serviço público respondem objetivamente pelos danos causados por seus agentes a
terceiros, sejam usuários ou não-usuários do serviço prestado.
➢ Nos danos causados a pessoas sob a guarda do Estado (alunos de escolas públicas, detentos e pacientes
internados), a responsabilidade civil do Estado é objetiva, na modalidade risco administrativo, mesmo que
os danos não tenham sido diretamente causados por atuação de seus agentes.
➢ Suicídio de detento acarreta a responsabilidade objetiva do Estado, não sendo admitida exclusão da
responsabilidade por culpa exclusiva da vítima.
➢ Agente público como parte no polo passivo da ação de indenização:
▪ STF: os agentes não podem responder diretamente perante o lesado, nem mesmo em litisconsórcio, só
podendo vir a responder em ação regressiva, perante o Estado.
▪ Doutrina: o agente pode responder diretamente, inclusive em litisconsórcio passivo.
➢ Não é cabível a denunciação à lide do agente público (posição majoritária).
➢ Em regra, não há responsabilidade civil do Estado unicamente pela prisão preventiva de acusado que,
depois, venha a ser absolvido na sentença final (a menos que haja alguma ilegalidade na prisão).
➢ Responsabilidade civil dos notários (tabeliães):
▪ STF: a responsabilidade objetiva é do Estado, cabendo ação de regresso contra o tabelião;
▪ STJ: a responsabilidade objetiva é do tabelião, e, conforme o caso, subsidiária do Estado, cabendo
direito de regresso contra os prepostos.
➢ STF: é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil.

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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – DP/DF 2013) Segundo o ordenamento jurídico brasileiro, todas as pessoas


jurídicas de direito público e as de direito privado que integrem a administração pública
responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros.

2. (FGV – OAB 2011) Um policial militar, de nome Norberto, no dia de folga, quando
estava na frente da sua casa, de bermuda e sem camisa, discute com um transeunte e
acaba desferindo tiros de uma arma antiga, que seu avô lhe dera.
Com base no relatado acima, é correto afirmar que o Estado
(A) será responsabilizado, pois Norberto é agente público pertencente a seus quadros.
(B) será responsabilizado, com base na teoria do risco integral.
(C) somente será responsabilizado de forma subsidiária, ou seja, caso Norberto não tenha
condições financeiras.
(D) não será responsabilizado, pois Norberto, apesar de ser agente público, não atuou
nessa qualidade; sua conduta não pode, pois, ser imputada ao Ente Público.

3. (FGV – OAB 2011) Antônio, vítima em acidente automobilístico, foi atendido em


hospital da rede pública do Município de Mar Azul e, por imperícia do médico que o assistiu,
teve amputado um terço de sua perna direita. Nessa situação hipotética, respondem pelo
dano causado a Antônio
(A) o Município de Mar Azul e o médico, solidária e objetivamente.
(B) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, regressivamente, em caso de dolo
ou culpa.
(C) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, subsidiariamente.
(D) o Município de Mar Azul, objetivamente, e o médico, solidária e subjetivamente.

4. (Cespe – PC/CE 2012) A responsabilidade civil do Estado exige três requisitos para a
sua configuração: ação atribuível ao Estado, dano causado a terceiros e nexo de
causalidade.

5. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Para a configuração da responsabilidade civil


do Estado, é irrelevante licitude ou a ilicitude do ato lesivo. Embora a regra seja a de que os
danos indenizáveis derivam de condutas contrárias ao ordenamento jurídico, há situações
em que a administração pública atua em conformidade com o direito e, ainda assim, produz
o dever de indenizar.

6. (ESAF – IRB 2006) Caio, servidor público federal efetivo e regularmente investido na
função pública, motorista da Presidência da República, ao dirigir carro oficial em serviço,
dorme ao volante e atropela uma pessoa que atravessava, prudentemente, em uma faixa de
pedestres em Brasília, ferindo-a.

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Considerando essa situação hipotética e os preceitos, a doutrina e a jurisprudência da
responsabilidade civil do Estado, assinale a única opção correta.
a) Na hipótese, há aplicação da teoria do risco integral.
b) A teoria aplicada ao caso para a responsabilização do Estado é a subjetiva.
c) No âmbito de ação indenizatória pertinente e após o seu trânsito em julgado, Caio nunca
poderá ser responsabilizado, regressivamente, caso receba menos de dois salários
mínimos.
d) Caso Caio estivesse transportando material radioativo, indevidamente acondicionado, que
se propagasse no ar em face do acidente, o Estado só poderia ser responsabilizado pelo
dano oriundo do atropelamento.
e) Na teoria do risco administrativo, há hipóteses em que, mesmo com a responsabilização
objetiva, o Estado não será passível de responsabilização.

7. (ESAF – CGU 2006) A responsabilidade objetiva do Estado, em última análise, resulta


na obrigação de indenizar, quem tenha sido vítima de algum procedimento ou
acontecimento, que lhe produza alguma lesão, na esfera juridicamente protegida, para cuja
configuração sobressai relevante haver
a) ausência de culpa do paciente.
b) culpa ou dolo do agente causador.
c) nexo causal entre aquele comportamento e o dano causado.
d) prova de ilicitude desse acontecimento danoso.
e) prova de falta ou deficiência do serviço que causou o dano.

8. (Cespe – TCE/ES 2012) De acordo com o entendimento do STF, empresa


concessionária de serviço público de transporte responde objetivamente pelos danos
causados aos usuários de transporte coletivo.

9. (Cespe – PC/BA 2013) O corte de energia elétrica por parte da concessionária de


serviço público presume a existência de dano moral, sendo desnecessária a comprovação
dos prejuízos sofridos à honra objetiva de empresa ou usuário afetado pela interrupção do
serviço.

10. (ESAF – PGFN 2012) Assinale a opção que corresponde ao entendimento atualmente
esposado pelo Supremo Tribunal Federal sobre a responsabilidade civil das empresas
concessionárias de serviços públicos.
a) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, na modalidade do
risco administrativo.
b) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, desde que
caracterizada ao menos culpa da prestadora do serviço.
c) É reconhecida a possibilidade de responsabilização em face de dano causado a não-
usuário do serviço, uma vez caracterizada ao menos culpa da concessionária e nexo de
causalidade entre a conduta e o resultado prejudicial.

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d) É reconhecida a possibilidade de responsabilização objetiva das concessionárias, mesmo
em face de terceiros não-usuários do serviço.
e) A teoria da responsabilidade subjetiva é aplicável tanto perante usuários como não-
usuários do serviço público, considerando-se que as concessionárias são empresas
privadas que não integram o Poder Público.

11. (FGV – OAB 2016) Um paciente de um hospital psiquiátrico estadual conseguiu fugir
da instituição em que estava internado, ao aproveitar um momento em que os servidores de
plantão largaram seus postos para acompanhar um jogo de futebol na televisão. Na fuga, ao
pular de um viaduto próximo ao hospital, sofreu uma queda e, em razão dos ferimentos, veio
a falecer. Nesse caso,

A) o Estado não responde pela morte do paciente, uma vez que não configurado o nexo de
causalidade entre a ação ou omissão estatal e o dano.

B) o Estado responde de forma subjetiva, uma vez que não configurado o nexo de
causalidade entre a ação ou omissão estatal e o dano.

C) o Estado não responde pela morte do paciente, mas, caso comprovada a negligência dos
servidores, estes respondem de forma subjetiva.

D) o Estado responde pela morte do paciente, garantido o direito de regresso contra os


servidores no caso de dolo ou culpa.

12. (FGV – OAB 2016) José, acusado por estupro de menores, foi condenado e preso em
decorrência da execução de sentença penal transitada em julgado. Logo após seu
recolhimento ao estabelecimento prisional, porém, foi assassinado por um colega de cela.
Acerca da responsabilidade civil do Estado pelo fato ocorrido no estabelecimento prisional,
assinale a afirmativa correta.
A) Não estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado,
porque está presente o fato exclusivo de terceiro, que rompe o nexo de causalidade,
independentemente da possibilidade de o Estado atuar para evitar o dano.
B) Não estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado,
porque não existe a causalidade necessária entre a conduta de agentes do Estado e o dano
ocorrido no estabelecimento estatal.
C) Estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado,
porque o ordenamento jurídico brasileiro adota, na matéria, a teoria do risco integral.
D) Estão presentes os elementos configuradores da responsabilidade civil do Estado,
porque o poder público tem o dever jurídico de proteger as pessoas submetidas à custódia
de seus agentes e estabelecimentos.

13. (Cespe – TCDF 2012) A responsabilidade do Estado por danos causados por
fenômenos da natureza é do tipo subjetiva.

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14. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) O fato de um detento morrer em
estabelecimento prisional devido a negligência de agentes penitenciários configurará
hipótese de responsabilização objetiva do Estado.

15. (ESAF MDIC 2012) Assinale a opção em que a responsabilidade civil dar-se-á de
forma subjetiva.
a) Responsabilidade pela omissão também chamada de serviço deficiente ou falta do
serviço.
b) Responsabilidade do Estado pelo ato comissivo ensejador de dano que seu agente cause
a terceiro.
c) Responsabilidade dos prestadores de serviço público por ato comissivo causador de dano
ao usuário do serviço.
d) Responsabilidade pela omissão ensejadora de serviço deficiente, ocasionando dano
nuclear.
e) Responsabilidade pela atuação omissiva do Estado no seu dever de assegurar a
integridade de pessoas ou coisas.

16. (FGV – OAB 2012) Ambulância do Corpo de Bombeiros envolveu-se em acidente de


trânsito com automóvel dirigido por particular, que trafegava na mão contrária de direção. No
acidente, o motorista do automóvel sofreu grave lesão, comprometendo a mobilidade de um
dos membros superiores. Nesse caso, é correto afirmar que
(A) existe responsabilidade objetiva do Estado em decorrência da prática de ato ilícito, pois
há nexo causal entre o dano sofrido pelo particular e a conduta do agente público.
(B) não haverá o dever de indenizar se ficar configurada a culpa exclusiva da vítima, que
dirigia na contramão, excluindo a responsabilidade do Estado.
(C) não se cogita de responsabilidade objetiva do Estado porque não houve a chamada
culpa ou falha do serviço. E, de todo modo, a indenização do particular, se cabível, ficaria
restrita aos danos materiais, pois o Estado não responde por danos morais.
(D) está plenamente caracterizada a responsabilidade civil do Estado, que se fundamenta
na teoria do risco integral.

17. (Cespe – TJDFT 2013) Se um particular sofrer dano quando da prestação de serviço
público, e restar demonstrada a culpa exclusiva desse particular, ficará afastada a
responsabilidade da administração. Nesse tipo de situação, o ônus da prova, contudo,
caberá à administração.

18. (Cespe – MIN 2013) Considere que um particular, ao avançar o sinal vermelho do
semáforo, tenha colidido seu veículo contra veículo oficial pertencente a uma autarquia que
trafegava na contramão. Nessa situação, o Estado deverá ser integralmente
responsabilizado pelo dano causado ao particular, dado que, no Brasil, se adota a teoria da
responsabilidade objetiva e, de acordo com ela, a culpa concorrente não elide nem atenua a
responsabilidade do Estado de indenizar.

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19. (Cespe – OAB 2010) Manoel estava no interior de um ônibus da concessionária de
serviço público municipal, empresa não integrante da administração pública, quando o
veículo derrapou em uma curva e capotou. Em razão desse acidente, Manoel sofreu dano
material e moral. Nessa situação hipotética, a responsabilidade será
a) objetiva e da concessionária, com prazo de prescrição de cinco anos, conforme previsto
em lei especial.
b) subjetiva e da concessionária, com prazo de prescrição de cinco anos, conforme previsto
no Código Civil.
c) objetiva e do município, com prazo prescricional de três anos, conforme previsto em lei
especial.
d) subjetiva e do município, com prazo prescricional de três anos, conforme previsto no
Código Civil.

20. (Cespe – PGE/BA 2014) Suponha que viatura da polícia civil colida com veículo
particular que tenha ultrapassado cruzamento no sinal vermelho e o fato ocasione sérios
danos à saúde do condutor do veículo particular. Considerando essa situação hipotética e a
responsabilidade civil da administração pública, julgue o item subsequente.
No caso, a ação de indenização por danos materiais contra o Estado prescreverá em vinte
anos.

21. (Cespe – TRT10 2013) Todos os anos, na estação chuvosa, a região metropolitana de
determinado município é acometida por inundações, o que causa graves prejuízos a seus
moradores. Estudos no local demonstraram que os fatores preponderantes causadores das
enchentes são o sistema deficiente de captação de águas pluviais e o acúmulo de lixo nas
vias públicas.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente.
Caso algum cidadão pretenda ser ressarcido de prejuízos sofridos, poderá propor ação
contra o Estado ou, se preferir, diretamente contra o agente público responsável, visto que a
responsabilidade civil na situação hipotética em apreço é solidária.

22. (FGV – OAB 2011) Tendo o agente público atuado nesta qualidade e dado causa a
dano a terceiro, por dolo ou culpa, vindo a administração a ser condenada, terá esta o direito
de regresso.
A respeito da ação regressiva, é correto afirmar que
(A) em regra deve ser exercida, sob pena de afronta ao princípio da indisponibilidade.
(B) o prazo prescricional tem início a contar do fato que gerou a ação indenizatória contra a
Administração.
(C) a prescrição será decenal, com base na regra geral da legislação civil.
(D) o prazo prescricional será o mesmo constante da esfera penal para o tipo criminal
correspondente.

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23. (Cespe – MDIC 2014) Considere que o motorista de um veículo oficial de determinado
ministério, ao trafegar em velocidade acima do limite legal, tenha colidido contra um veículo
de particular que estava devidamente estacionado. Nessa situação, embora o Estado seja
obrigado a indenizar o dano, somente haverá o direito de regresso do Estado caso se
comprove o dolo específico na conduta do servidor.

24. (Cespe – MTE 2014) O servidor que, por descumprimento de seus deveres funcionais,
causar dano ao erário, ficará obrigado ao ressarcimento, em ação regressiva.

25. (ESAF – CGU 2006) No caso de responsabilidade civil do Estado, por dano causado a
outrem, cabe ação regressiva, contra o agente causador, que tenha agido culposa ou
dolosamente, mas constitui requisito essencial para tanto, ter havido
a) ajuizamento de ação pelo paciente, cobrando indenização do dano.
b) condenação do Estado a indenizar o paciente.
c) reconhecimento de culpa ou dolo, por parte do agente.
d) prova produzida pelo paciente, de culpa ou dolo do agente.
e) recusa do agente em assumir o ônus da reparação desse dano.

26. (FGV – OAB 2012) Sílvio, servidor público, durante uma diligência com carro oficial do
Estado X para o qual trabalha, se envolve em acidente de trânsito, por sua culpa, atingindo
o carro de João.
Considerando a situação acima e a evolução do entendimento sobre o tema, assinale a
afirmativa correta.
A) João deverá demandar Sílvio ou o Estado X, à sua escolha, porém, caso opte por
demandar Sílvio, terá que comprovar a sua culpa, ao passo que o Estado responde
independentemente dela.
B) João poderá demandar Sílvio ou o Estado X, à sua escolha, porém, caso opte por
demandar Sílvio, presumir se á sua culpa, ao passo que o Estado responde
independentemente dela.
C) João poderá demandar apenas o Estado X, já que Sílvio estava em serviço quando da
colisão e, por isso, a responsabilidade objetiva é do Estado, que terá direito de regresso
contra Sílvio, em caso de culpa.
D) João terá que demandar Sílvio e o Estado X, já que este último só responde caso
comprovada a culpa de Sílvio, que, no entanto, será presumida por ser ele servidor do
Estado (responsabilidade objetiva).

27. (Cespe – MPTCDF 2013) O Estado só responderá pela indenização ao indivíduo


prejudicado por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo STF.

28. (Cespe – DP/DF 2013) Considere que o Poder Judiciário tenha determinado prisão
cautelar no curso de regular processo criminal e que, posteriormente, o cidadão aprisionado
tenha sido absolvido pelo júri popular. Nessa situação hipotética, segundo entendimento do
STF, não se pode alegar responsabilidade civil do Estado, com relação ao aprisionado,

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apenas pelo fato de ter ocorrido prisão cautelar, visto que a posterior absolvição do réu pelo
júri popular não caracteriza, por si só, erro judiciário.

29. (Cespe – TCDF 2014) Incidirá a responsabilidade civil objetiva do Estado quando, em
processo judicial, o juiz, dolosamente, retardar providência requerida pela parte.
30. (FGV – OAB 2016) A fim de pegar um atalho em seu caminho para o trabalho, Maria
atravessa uma área em obras, que está interditada pela empresa contratada pelo Município
para a reforma de um viaduto. Entretanto, por desatenção de um dos funcionários que
trabalhava no local naquele momento, um bloco de concreto se desprendeu da estrutura
principal e atingiu o pé de Maria. Nesse caso,
A) a empresa contratada e o Município respondem solidariamente, com base na teoria do
risco integral.
B) a ação de Maria, ao burlar a interdição da área, exclui o nexo de causalidade entre a obra
e o dano, afastando a responsabilidade da empresa e do Município.
C) a empresa contratada e o Município respondem de forma atenuada pelos danos
causados, tendo em vista a culpa concorrente da vítima.
D) a empresa contratada responde de forma objetiva, mas a responsabilidade do Município
demanda comprovação de culpa na ausência de fiscalização da obra.
31. (FGV – OAB 2016) Um servidor público federal em São Paulo viajou a serviço para
Brasília, para uma inspeção, e cobriu todas as despesas com recursos próprios. Passados
exatos 3 anos e 10 meses, o servidor formulou pedido na esfera administrativa de
reembolso de despesas e pagamento das diárias de viagem. A decisão final no processo
administrativo somente foi proferida 1 (um) ano e 6 (seis) meses após a formalização do
pedido, negando o pleito. Diante desse fato, ele pretende ingressar com demanda para
cobrar o referido valor. Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
A) O prazo prescricional é de 3 (três) anos, que já se tinha consumado quando o servidor
formulou o pedido na esfera administrativa.
B) O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos e este foi suspenso pelo pedido administrativo.
Com a decisão negativa, volta a correr a prescrição contra o servidor.
C) O prazo prescricional é de 10 (dez) anos e, a despeito de não haver previsão de
suspensão ou interrupção do prazo, este ainda não se consumou em desfavor do servidor.
D) O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos e, portanto, este já transcorreu integralmente,
visto que o pedido formulado na esfera administrativa não suspende e nem interrompe a
prescrição.
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Referências:
Alexandrino, M. Paulo, V. Direito Administrativo Descomplicado. 22ª ed. São Paulo:
Método, 2014.
Bandeira de Mello, C. A. Curso de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Malheiros,
2015.
Borges, C.; Sá, A. Direito Administrativo Facilitado. São Paulo: Método, 2015.
Carvalho Filho, J. S. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
Di Pietro, M. S. Z. Direito Administrativo. 28ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2014.
Furtado, L. R. Curso de Direito Administrativo. 4ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2013.
Knoplock, G. M. Manual de Direito Administrativo: teoria e questões. 7ª ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2013.
Justen Filho, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2014.
Marrara, Thiago. As fontes do direito administrativo e o princípio da legalidade. Revista
Digital de Direito Administrativo. Ribeirão Preto. V. 1, n. 1, p. 23-51, 2014.
Meirelles, H. L. Direito administrativo brasileiro. 41ª ed. São Paulo: Malheiros, 2015.
Scatolino, G. Trindade, J. Manual de Direito Administrativo. 2ª ed. JusPODIVM, 2014.

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