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Período Meiji (1868-1912)

Os jovens que compunham o Período Meiji tinham uma dupla motivação:

1.desejo nacionalista de fazer o melhor pelo seu país, em face da ameaça estrangeira

2. desejo de sucesso pessoal

O apoio à restauração imperial foi pelo fato de acharem o melhor para si e para o país
naquele momento, elementos que mais os importavam.

Um dos objetivos do novo governo “procurar obter conhecimento em todo o mundo


para fortalecer o país” – não tencionava fazer frente à ameaça do estrangeiro e sim
aprender com ele e integrar seus pontos fortes.

*Constituição Meiji

-Estabelecia uma Assembleia Nacional, sufrágio publico e um Grande Conselho de


Estado.

-Capital única constituindo o eixo do poder centralizado (Tóquio)

-A terra foi nacionalizada; Substituiu-se os domínios por prefeituras.

*Caminho à modernização

-Ministro das finanças enviado aos Estados Unidos para estudar sistemas monetários.

-Reforma financeira; abolição do restritivo sistema de classes; eliminação da classe dos


Samurais; serviço militar obrigatório; proibido o porte da espada;

- Houve insatisfações, entre elas a Revolta de Satsuma, advinda de antigos samurais.

*Ocidentalização da sociedade

-ocidentalização como elemento chave para a modernização do país; tornaria o Japão


mais forte, mais capaz de competir com as potências estrangeiras e, talvez, de se
equiparar a elas ou de as suplantar.

-As instituições e as práticas do ocidentais seriam introduzidas não apenas em áreas


como a políticas, as forças armadas, a indústria e a economia, mas na sociedade em
geral.

-Ocorreram diversas mudanças, por vezes desconcertantes. Ex.: mudança do calendário


lunar pelo solar; vestuário; culinária; desenvolvimento dos transportes; literatura;

-Ocidentais eram convidados ao Japão para ensinar (o emprego dos estrangeiros), assim
como japoneses visitavam o Ocidente para aprender (por exemplo a missão Iwakura,
onde foram enviados cerca de 50 membros oficiais e outros, sobretudo estudantes.)
-Desejava-se construir uma nação forte porém não o suficiente para abalar a autoridade
do governo; “numa época em que tantas ideologias diferentes competiam entre si, não
era necessariamente fácil levar todas as pessoas a pensar da mesma maneira”

*Nacionalismo

-Sentimento de identidade nacional; crise desencadeada pelo regresso da ameaça


externa.

-O nacionalismo necessitava de símbolos; ex. o imperador

-Controle da educação; da perspectiva de vida

Ex.: a bandeira do Japão começou a aparecer no cabeçalho de todos os capítulos de cada


livro;

- As ideias dos direitos humanos e da democracia eram inéditas na história do Japão e


pelo fato de os países ocidentais as valorizarem, politicamente o Japão deveria fazer o
mesmo uma vez que, “as nações ocidentais estariam mais inclinadas a levar a sério uma
nação que abraçasse os seus próprios princípios políticos”. Foi até sugerido que seria
útil ao Japão adotar oficialmente o cristianismo, uma vez que era a religião das
potências ocidentais.

-O movimento democrático não era simples; era motivado por grandes visões e ideais e
também expressava um elemento de frustração em relação a oligarquia expressa no país
onde os líderes governamentais mantinham o poder em suas mãos em nome do
imperador.

Portanto, a democracia precisava ter alguma expressão, para impressionar as potências


ocidentais, contudo, deveria ser dentro de determinados limites. “democracia
autoritária” aos moldes tradicionais.

Primeira constituição em 1889.

-O direito de votar só era concedido aos adultos do sexo masculino que pagassem pelo
menos 15 ienes por ano de impostos, o que correspondia a 2% da população adulta.

-Os ministros e as forças armadas respondiam apenas perante o imperador; a liberdade


de expressão etc eram “garantidos” desde que não “prejudicassem a paz e a ordem”.

A democracia dava um passo a frente mas ainda deixavam aos oligarcas, que agiam em
nome do imperador, o poder dominante.

As primeiras eleições ocorreram em 1890 e mostraram que os oligarcas subestimaram o


poder dos partidos políticos uma vez que o resultado não se deu muito ao seu favor.

Durante os anos seguintes, os oligarcas recorreram até a métodos ilegais para impor as
suas políticas.
O cenário político estava tenso na luta entre o autoritarismo e a democracia.

Na década de 90, o Japão se envolveu na guerra Sino-japonesa, luta contra a China pela
posse da Coreia. O Japão se mostrou superior em sua tática naval, que seguia o modelo
britânico. Desta forma, a China foi derrotada e além de pagar uma alta indenização ao
Japão, ainda teve que ceder territórios. O autor diz que este foi o primeiro passo
importante na construção do grande império japonês. Porém o Japão renunciou a parte
do território para países ocidentais para manter sua boa vontade. Isso criou uma
instabilidade política interna.

-O Japão fez uma história aliança com a Grã-Bretanha – o primeiro pacto militar
concluído em igualdade de condições entre uma nação ocidental e outra não-ocidental.
Esta aliança garantia que a Grã-Bretanha atuaria ao lado do Japão caso este entrasse em
guerra com a Rússia visto que estavam tendo problemas quanto a partilha dos
territórios.

A Guerra se iniciou em 1904. O Japão saiu vitorioso embora tenha pedido ajuda a
Roosevelt para agir como mediador. Porém, a Guerra desencadeou grandes dívidas
pelos empréstimos tomados dos EUA e da Grã-Bretanha, pois a Rússia não ofereceu
indenização e sim territórios. Apesar do impacto financeiro, a guerra proporcionou ao
Japão grande reconhecimento internacional. Era a primeira vitória de uma nação não
ocidental sobre uma ocidental.

Apesar disso, o governo continuava sendo severamente criticado internamente. Porém,


após esta fase, por volta de 1906, a política japonesa conseguiu se manter estável até o
fim do Período Meiji.

O desenvolvimento econômico do Japão foi outro aspecto da modernização do país que


impressionou os ocidentais. Possuía uma grande força de trabalho; capital acumulado
no setor privado; oferta razoável de fontes energéticas etc. O que ainda o faltava era
tecnologia e empresários, e isso foi conseguido importando materiais estrangeiros,
empregando numerosos conselheiros técnicos ocidentais e enviando japoneses em
viagem de estudo ao estrangeiro.

Pela carência de empresários no setor privado nos anos iniciais o governo tivera de
formar ele mesmo, muitas empresas; uma coisa foi certa durante esse período “o
governo tinha relutância em deixar o desenvolvimento econômico entregue apensas às
forcas do mercado.

“A perspectiva prevalecente, a medida que a época se aproximava do fim, era


constituída pelo orgulho nacional e otimismo”

O seu objetivo era construir uma nação forte que pudesse equiparar-se ao Ocidente, ou
mesmo talvez ultrapassa-lo. Para começar, era preciso fazer com que as potencias
ocidentais levassem o Japão a sério, pelo menos suficientemente a ponto de as dissuadir
de qualquer ideia posterior de colonização e para as levar a revogar os tratados
humilhantes do fim do período Tokugawa. Isto significava modernização, o que, por sua
vez, significava uma grande ocidentalização, um processo que não só contribuiria para o
seu reconhecimento pelo Ocidente, mas permitiria ao Japão adotar os pontos fortes das
potências ocidentais para se tornar ele mesmo mais forte e competitivo.

Porém não se tratava apenas de aprender com o Ocidente, em alguns casos havia
politicas uteis no próprio passado do pais. Entre as primeiras reformas incluíram-se a
relocalização do capital imperial e a nacionalização dos domínios feudais, substituindo-
os por prefeituras, com a finalidade de centralizar o poder.

O restritivo sistema feudal foi abolido, incluindo a classe dos samurais, da qual tinham
vindo os próprios lideres governamentais. (Rebelião dos Satsuma)

Para obter o reconhecimento das potências ocidentais, era particularmente importante


trilhar um certo número de caminhos potencialmente perigosos. Ente eles, incluía-se
aceitar o cristianismo, adotar instituições econômicas e politicas ocidentais e demonstrar
poder militar. O cristianismo não atraiu a maioria dos japoneses. Na economia, com a
ajuda de conselheiros e da tecnologia ocidentais e uma boa dose de orientação e apoio
governamentais ao estilo japonês, o Japão soube fazer render os seus pontos fortes e
tornar-se uma significativa potencia economida num período de tempo muito curto. No
final do período, tinha-se afirmado como nação industrial, com um setor de indústria
pesada em desenvolvimento.

A ocidentalização politica revelou-se mais difícil e teve de ser realizada com grandes
cautela. As reformas foram feitas com uma impressionantes exibição de democracia
para efeitos externos, especialmente com a aprovação de uma nova constituição e de um
parlamento, mas estes foram invariavelmente contrabalançados por restrições. O
executivo dos oligarcas permaneceu numa posição “transcendental” e as liberdades
estavam muito limitadas.

Com a doutrinação centrada no imperador e no Estado e a que o Rescrito Imperial sobre


a Educação e os textos escolares davam corpo, o espirito de inciativa tornou-se na
ideologia do sucesso nacionalista, com as energias da população recém-libertada e
bastante desorientada a serem controladas e dirigidas para fins nacionais.

Em apenas meio século, o Japão deixou de ser praticamente ignorado pelo Ocidente
como um país obscuro e bastante atrasado, passando a ser reconhecido como uma
importante potencia mundial. Este efeito é considerado, na historia mundial, a
realização mais notável, num período tão curto, por parte de qualquer nação.