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A antiga profecia diz que quando a águia do norte e o condor do sul voarem juntos em um mesmo céu,

a Terra vai acordar. Tem sido dito que esses seres do ar não podem ser livres, a menos que se unam
para formar um Todo em conhecimento, em entendimento e nas coisas do Espírito. O vôo da águia e
do condor juntos é o Caminho da Paz, da cura e do equilíbrio.

Os Q'ero são os últimos incas - uma tribo de 600 pessoas que buscaram refúgio em alturas acima de 4.200
metros para escapar dos conquistadores. Por 500 anos, os chefes da tribo Q'ero conservaram uma sagrada
profecia sobre uma grande mudança, ou pachacuti, na qual o mundo mudaria, e em que harmonia e ordem
seriam restauradas, pondo fim ao caos e a desordem.
Os Q'ero tinham vivido em suas aldeias, no alto dos Andes, praticamente isolados do mundo, até sua
"descoberta" em 1949. Nesse mesmo ano, um antropólogo estava em um festival em um vale nas encostas
orientais dos Andes, ao sul do Peru, quando ele encontrou dois índios que falavam um fluido quechua, a
língua dos incas.
Quando os espanhóis conquistaram os incas, há 500 anos, ocorreu a última pachacuti, ou grande mudança.
Os Q'eros esperaram até que o próximo pachacuti ocorresse, quando as coisas que estavam de cabeça para
baixo retornariam ao seu lugar e a ordem emergiria do caos. Durante os últimos cinco séculos eles
mantiveram seu conhecimento sagrado. Mas nos últimos anos, se cumpriram os sinais de que a grande
mudança estava próxima: as lagoas das altas montanhas secaram, o condor quase se extinguiu e se descobriu
o Templo Dourado, após o terremoto de 1949 que representou a ira do sol.

A cada quinhentos anos, existe uma era chamada Pachakuti. O quarto Pachakuti começou nos anos 1490 e o
quinto começou nos anos 90. Cristóvão Colombo abriu o mundo do Ocidente ao mundo "civilizado" em
1492, e em 1990 começou o tempo de comunicação universal como nunca antes: um interesse dos povos das
nações industrializadas pelos ensinamentos indígenas e uma abertura dos povos indígenas para compartilhar
seus conhecimentos.

A profecia diz que, desde tempos imemoriais, as sociedades humanas decidiram tomar dois caminhos
separados e se tornar dois povos diferentes: o povo da Águia e o povo do Condor.
O povo da Águia tem sido orientado principalmente para o intelectual, industrial e energético relacionado ao
masculino, e é frequentemente identificado com a ciência e a tecnologia. Aqui estão os exploradores, os
colonizadores e os agressores nos registros históricos.
Por seu turno, o povo do Condor é intuitivo, criativo, sensível e principalmente relacionado à energia
feminina. Os povos indígenas se identificam em geral com esse caminho, pois priorizam em suas culturas o
coração sobre a mente e o misticismo sobre o racionalismo.
A profecia afirma que por muitos anos ambas as estradas não se cruzariam. Então, no Quinto Pachakuti, eles
se encontrariam e a Águia seria tão forte que praticamente levaria o Condor à extinção, mas não
completamente. E sabemos que, depois de Cristóvão Colombo, foi isso que aconteceu em muitos
continentes.
No entanto, o Quinto Pachakuti criaria um portal para que a Águia e o Condor pudessem voar juntos em um
único céu, para unir e dar origem a uma nova "criação": uma consciência humana superior.
No quinto Pachakuti (neste terceiro milênio), o povo da Águia terá desenvolvido um alto senso de estética e
de suas habilidades cognitivas, e sua capacidade de projetar e construir será incrível. Ele atingirá o apogeu
do conhecimento científico e tecnológico. A enorme implantação de suas tecnologias criará incríveis
milagres tecnológicos que expandirão suas mentes.
Essas conquistas irão gerar imensa riqueza material para os líderes do seu grupo. No entanto, seu "calcanhar
de Aquiles" será o vazio espiritual que cercará suas vidas. Sua existência estará em perigo.
O povo do Condor, o povo do coração, do espírito, dos sentidos, de uma profunda conexão com o mundo
natural, desenvolverá suas habilidades intuitivas. O povo do Condor alcançará um poderoso zênite na
sabedoria de seus ancestrais.
Conhecerá claramente os ciclos da Terra e será capaz de se relacionar com os espíritos do reino animal e
vegetal. No entanto, ele não saberá como executar satisfatoriamente o mundo material da águia com quem se
sentirá em desvantagem. Esse será seu maior risco. A incapacidade de interagir com o mundo material
comprometerá sua existência.

Pacha significa o cosmos ou a Terra, enquanto Cuti significa virar, corrigir.

As profecias também falam do tempo do Mastay, ou a reintegração do povo das quatro direções. Os Qéros e
outros andinos têm oferecido seus ensinamentos para ajudar o mundo a se preparar para o Grande Mastay.
Como eles expressam, o tempo está chegando para a Grande Águia do Norte e o Grande Condor do Sul
(referindo-se às Américas como um todo) voarem juntos novamente.

Há muitos caminhos para o despertar da semente da divindade em todos nós. Através da oração (fala
sagrada), através das cerimônias e rituais (ações sagradas), através de transmissões diretas (graça sagrada), e
através da prática de Ayni (o ser sagrado), as sementes dentro de nós podem despertar e prosperar. No
entanto, essas sementes não vão despertar até que nos livramos das falsas crenças que nos dizem que
estamos separados da natureza.
A visão holística andina da importância das inter-relações também se estende aos tipos de pessoas e culturas.
Nesta visão, existem três tipos de pessoas:
- Aqueles que têm conhecimento, conhecido como Yachay.
- Aqueles que têm amor e sentimentos, conhecidos como Munay.
- Aqueles que têm a capacidade de se manifestar, conhecidos como Llankay.
Dizem que o povo europeu personifica principalmente o grande poder intelectual de Yachay. Dizem que o
povo da América do Norte tem a força física mais desenvolvida e a vontade forte que os leva à ação no
mundo externo, correspondendo a Llankay. E os índios da América do Sul dizem possuir o maior amor,
representando Munay. No entanto, de acordo com o pensamento andino, nenhuma das habilidades é superior
ou completa em si mesma.

Os Karpay (ritos) plantam a semente do conhecimento, a semente de Pachacuti, no corpo luminoso do


recipiente que a contém. Cabe a cada pessoa regá-la e cuidar da semente para que ela cresça e floresça. Os
ritos são uma transmissão de potencial; é preciso então abrir-se ao destino. Os Karpays conectam a pessoa
com uma antiga linhagem de conhecimento e poder que o indivíduo não pode acessar - ela só pode ser
convocada por uma tribo. Em última análise, esse poder pode fornecer o ímpeto para você dar um salto para
o corpo de um Inca, um Iluminado. (Nesse sentido, o inca ao qual se faz referência é um homem que se fez
por si mesmo). Essa pessoa está diretamente relacionada às estrelas, o sol inca da cosmologia.

Diz-se que no princípio, o Deus do Tempo criou o Sol e a Lua, e com eles nasceram a Águia e o Condor,
com tal força que a Águia e o Condor fizeram com que a América do Norte e a América do Sul se unissem
formando a América Central. Dessas terras vieram as primeiras nações, passando por muitos momentos
difíceis, incluindo o pior, a divisão das nações em quatro direções.
"... E chegará o dia em que a águia e o condor voarão juntos." Essa foi a mensagem que nossos avós do norte
e do sul nos deram. A mensagem dos nossos avós é um mandato nestes tempos.
"... Depois de muitas vidas voltarei e serei milhões ... não vou morrer, só estou separado deste corpo". Foi
assim que nosso avô Ataw-Allipak, o último Inca, profetizou cinco séculos atrás. Na memória de nós os
condores andinos está presente o Incari ou celebração do retorno anunciado do Inca, o venerável Ser de Luz.