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Instituição essencial à justiça

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA _____


VARA CÍVEL DA COMARCA DE ITAPETINGA.

PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO:
CRIANÇA E ADOLESCENTE

KAIO DA CONCEIÇÃO CARVALHO, brasileiro, menor impúbere, neste


ato devidamente assistidos por sua genitora CICERA SOUZA DA CONCEIÇÃO,
brasileira, solteira, do lar, filha de Francisco Martins da Conceição e Maria de Souza da
Conceição, portadora do RG de n° 12892072-67 SSP/BA e CPF de n° 015376655-70,
domiciliada na Tv. 15 A, n°4, Res. 12 de dezembro, Bairro Vila Erika, Itapetinga/BA,
Tel.:(77) 81526696, assistidos pela Defensoria Pública do Estado da Bahia, por intermédio
de um dos seus membros (conforme art. 128, XI da Lei Complementar 80/94, e na Lei
Estadual 26/06, devendo ser intimada pessoalmente, contando-se-lhe em dobro todos os
prazos processuais), com endereço na Rua Coronel Belizário Ferraz, nº 137, Centro,
Itapetinga/BA, vem, perante Vossa Excelência propor

AÇÃO DE ALIMENTOS

em face de ISRAEL SANTOS CARVALHO, brasileiro, solteiro, filho de José Souza


Carvalho e Sonia Maria dos Santos, residente na Rua A1, n° 240, Bairro George
Américo, Feira de Santana/BA, CEP: 44020-610, devendo-se, para tanto, adotar o rito
procedimental sumário especial estipulado pela Lei nº 5.478/1968, bem como
obedecendo-se a legislação civil e processual civil em vigor, tendo como base os fatos e
fundamentos jurídicos que passa a expor.

1. DA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO DO FEITO


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Faz-se mister ressaltar, inicialmente, a prioridade absoluta na tramitação dos


feitos em que seja parte criança e adolescente, em observação ao espírito protecionista da
Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, que aponta o dever do
Poder Público, com prioridade absoluta, à efetivação dos direitos referentes à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, máxime em
seu art. 4º, parágrafo único, b, o qual determina a precedência de atendimento nos
serviços públicos ou de relevância pública, devendo tal informação constar no rosto
dos autos.

2. DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA

Inicialmente, requer os benefícios da justiça gratuita, por não poder, o


pleiteante, remunerar advogado ou custear processo judicial, sem prejuízo do sustento
próprio ou de seus familiares, tendo em mira que, com o advento da Lei 7.510/86, o
Estatuto da Assistência Judiciária teve seu art. 4º modificado, ali passando a constar que
as isenções constantes nos incisos do art. 3º da Lei 1.060/50, se dariam com a mera
afirmação da parte.

3. DOS FATOS

Os genitores do Requerente mantiveram um relacionamento por cerca de


2(dois) anos, e do relacionamento adveio o nascimento de 01(uma) filho, KAIO DA
CONCEIÇÃO CARVALHO , ora requerente.

Ocorre que o casal não convive mais, ficando o Requerente sob a guarda e
responsabilidade da genitora, devendo, assim, permanecer.

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O genitor do Requerente, por sua vez, nunca contribuiu financeiramente
para o sustento do filho. Portanto, se busca com esta Ação, a fixação de um valor a ser
devido ao autor à título de pensão alimentícia.

Dessa forma, faz-se necessário estipular um valor da obrigação alimentar


para garantir a subsistência do Requerente, em razão das despesas decorrentes de
educação, saúde, moradia, lazer, vestuário, alimentação, dentre outras. Assim, não pode
a representante legal do menor arcar sozinha com estes custos.

Dessa maneira, requer que a pensão alimentícia seja estipulada no montante


de 40% (quarenta por cento) dos vencimentos e vantagens do Requerido.

Não vendo outra solução, os Requerentes buscam a guarida do Poder


Judiciário, com o fito de resguardar o Direito aos alimentos e, consequentemente, ao
desenvolvimento físico, moral e social com dignidade.

4. DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS

E é dentro desta realidade que também se faz imperiosa a fixação de


alimentos provisórios a serem pagos pelo Requerido, haja vista a necessidade do
Alimentado e a possibilidade e obrigação por parte do Alimentante.

Os alimentos provisórios pleiteados na presente ação têm como objetivo


promover o sustento da criança. Encontra-se previsto no art. 4º da Lei 5.478/68, que
dispõe sobre a Ação de Alimentos, senão vejamos:

“Art. 4º. Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos


provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor
expressamente declarar que deles não necessita.”

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No caso sub examine, resta translúcida a necessidade de fixação de tal
provisão legal, face à dificuldade financeira enfrentada pela genitora, o que fatalmente
resvala na manutenção do seu filho.

Isto posta, com o objetivo de propiciar aos Requerentes meios a sua


mantença digna durante o curso do processo, solicita-se alimentos provisórios nos
termos da pensão alimentícia requerida alhures.

5. DO DIREITO

A presente Inicial tem inegável amparo na legislação pátria. Com efeito, a


própria Carta Magna de 1988, em seu art. 226 e 227, caput e 229, que dispõe, in verbis:

“Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do


Estado”.
“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança a ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida,
à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a à convivência
familiar e comunitária, alem de colocá-los a salvos de toda forma
de negligencia, discriminação,exploração, violência, crueldade e
opressão.”

“Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos


menores, e os filhos maiores têm o dever e amparar os pais na
velhice, carência ou enfermidade”.(Grifo nosso).

São deveres de ambos os cônjuges, inclusive em decorrência do poder


familiar, o sustento dos filhos, conforme assevera o artigo 1566, inciso IV, primeira parte,
do Código Civil, e o artigo 22 da Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente).

“Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:


I - ...
IV – sustento, guarda e educação dos filhos;
V - ...” (grifo nosso)

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“Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação
dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a
obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.”
(grifo nosso)

O art. 1.694 e seu §1° do Código Civil determina, in verbis:


“Art. 1694, §1°. Os alimentos devem ser fixados na proporção das
necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada”.
(Grifo nosso).

Por outro lado, a mais abalizada doutrina, na voz do mestre Yussef Said
Cahali, orienta-nos para o real sentido e alcance da expressão “alimentos”, senão
vejamos:

“Alimentos são, pois as prestações devidas, feitas para quem as recebe


possa subsistir, isto é, manter sua existência, realizar o direito à vida,
tanto física (sustento do corpo) como intelectual e moral (cultivo e
educação do espírito, do ser racional”.1

Dessa forma, mostra-se cabível o presente pleito de condenação do


Requerido ao pagamento de pensão alimentícia para que o Requerente possa subsistir
com o mínimo de dignidade, suprindo suas necessidades de educação, alimentação,
saúde, vestimenta, lazer e tudo o mais na medida do binômio necessidade-possibilidade.

6. DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) seja deferido o pedido de prioridade de tramitação do feito;

b) a concessão dos benefícios da justiça gratuita;

c) o arbitramento de alimentos provisórios, a serem depositados


mensalmente, até o dia 10 (dez) de cada mês, em conta poupança de n° 16195-5 Agencia
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CAHALI, Yussef Said. Dos Alimentos, 3ª edição, São Paulo: Revistas dos Tribunais, p. 16.

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0635, Operação 013, Caixa Econômica Federal , de titularidade da representante legal do
Requerente, em percentual não inferior 40% dos vencimentos e vantagens do Requerido,
percentual que deverá incidir sobre o 13º salário, férias, gratificações, adicionais de
quaisquer natureza e eventuais verbas rescisórias, a ser descontado em folha de
pagamento, caso esteja empregado, mediante expedição de ofício a fonte empregadora,
devendo ser intimado o Requerido para que informe a qualificação e endereço do
empregador;

d) a intimação do Requerido para que tome ciência do despacho de fixação


dos alimentos provisórios, notificando-o da audiência de que trata o art. 5° da Lei
5.478/68 e citando-o para, caso queira, responder à mesma, sob pena de revelia;

e) para tanto, requer seja intimado o Requerido para que informe a


qualificação e endereço do empregador, bem como, sucessivamente, a expedição de
ofício à fonte empregadora determinando o envio a esse Insigne Juízo de informações a
respeito da sua remuneração mensal, acompanhadas de original ou cópia autenticada
atual do respectivo comprovante (demonstrativo) de pagamento;

f) que, ao final, seja o pedido julgado totalmente procedente, com a


condenação do Requerido ao pagamento dos alimentos definitivos, PERMANECENDO
O DESCONTO EM FOLHA, a serem devidos mensalmente, até o dia 10 (dez) de cada
mês, em conta poupança de n° 00016195-5, Agencia 0635, Operação 013, Caixa
Econômica Federal, de titularidade da representante legal do Requerente, fixados em
percentual não inferior a 40% (quarenta por cento) dos vencimentos e vantagens do
Requerido, percentual que deverá incidir sobre o 13º salário, férias, gratificações,
adicionais de quaisquer natureza e eventuais verbas rescisórias, a ser descontado em
folha de pagamento, caso esteja empregado, mediante expedição de ofício à fonte
empregadora devendo, para tanto, ser intimado o Requerido para que informe a
qualificação e endereço do empregador;

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g) e que, ainda, fique determinado que o Requerido divida em proporções
iguais com a genitora do menor as despesas com fardamento, material escolar, matrícula
e mensalidade escolar, medicamentos e tratamentos médico e odontológico do
Requerente, quando for necessário, desde que devidamente comprovadas;

h) a intimação pessoal do Doutor Membro do Ministério Público para


intervir no feito;

i) a condenação do Requerido ao pagamento das custas processuais e dos


honorários advocatícios de sucumbência, este último no importe de 20% (vinte por
cento) sobre o valor da causa, devendo ser revertido em favor da Defensoria Pública do
Estado da Bahia, ex vi o artigo 6º, inciso II , da Lei Complementar Estadual nº 26/2006
(Lei Orgânica da Defensoria Pública do Estado da Bahia);

Dá à causa o valor de R$ 3.475,20 para os efeitos legais.

Nestes Termos, pede Deferimento.

Itapetinga-Bahia, 18 de agosto de 2014.

ADRIANA ALMEIDA ALBERGARIA


Defensora Pública

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