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Curso de

Física Básica
H. Moyses Nussenzveig

Resolução do
Volume II
Capítulo 10
A Segunda Lei da
Termodinâmica
Grupo Física-Nussenzveig Capítulo -10

1 – Demonstre que duas adiabáticas nunca podem se cortar. Sugestão: Supondo que isto fosse
possível, complete um ciclo com uma isoterma e mostre que a 2ª lei da termodinâmica seria violada
se um tal ciclo existisse. (Resolução)

2 – Uma usina termoelétrica moderna opera com vapor de água superaquecido, a temperaturas da
ordem de 500°C, e é resfriada com água de rio, tipicamente a 20°C. Devido a inúmeros tipos de
perdas, a eficiência máxima que se consegue atingir na prática é da ordem de 40%. Que fração da
eficiência máxima idealmente possível para esses valores isto representa? (Resolução)

3 – Chama-se coeficiente de desempenho K de um refrigerador a razão Q2/W, onde Q2 é a


quantidade de calor removida da fonte fria (congelador) e W o trabalho fornecido pelo compressor,
por ciclo de refrigeração.
a) Para um refrigerador de Carnot ideal, exprima K em função das temperaturas T1 e T2 das
fontes quente e fria, respectivamente.
b) Exprima K em função da eficiência da máquina de Carnot obtida operando o refrigerador
em sentido inverso.
c) Um dado refrigerador doméstico tem coeficiente de desempenho 40% do ideal; o motor
do compressor tem 220 W de potência e o congelador é mantido a –13°C. Para uma temperatura
ambiente de 27°C, qual é a quantidade de calor removida do congelador, em 15 min de
funcionamento do motor? Que quantidade de gelo ela permitiria formar, partido de água a uma
temperatura próxima de 0°C? O calor latente de fusão do gelo é 80 cal/g. (Resolução)

4 – Um mol de um gás ideal diatômico ( = 7/5) descreve o


ciclo ABCDA (fig.), onde P é medido em bar e V em l.
a) Calcule a temperatura nos vértices.
b) Calcule a eficiência de um motor térmico operando
segundo esse ciclo.
c) Compare o resultado (b) com a eficiência máxima
ideal associada às temperaturas extremas do ciclo.
(Resolução)

5 – Um gás ideal com  = 5/3 sofre uma expansão isotérmica em que seu volume aumenta de 50%,
seguida de uma contração isobárica até o volume inicial e de aquecimento, a volume constante, até
a temperatura inicial.
a) Calcule o rendimento deste ciclo.
b) Compare o resultado com o rendimento de um ciclo de Carnot que opere entre as mesmas
temperaturas extremas. (Resolução)

6 – Um gás ideal de coeficiente adiabático  é submetido ao


ciclo ABCA da fig., onde AB é um segmento de reta.
a) Calcule o rendimento.
b) Mostre que ele é menor do que o rendimento de
um ciclo de Carnot operando entre as mesmas temperaturas
extremas. (Resolução)

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7 – Numa máquina térmica, o agente é um gás ideal de coeficiente


adiabático , que executa o ciclo da fig., onde BC é uma adiabática
e CA uma isoterma.
a) Calcule o rendimento em função de r e .
b) Exprima o resultado em função da razão  = T1/T2 entre
as temperaturas extremas.
c) Para  = 1,4 e r = 2, qual a razão entre o rendimento
obtido e o rendimento de um ciclo de Carnot que opere entre T1 e
T2? (Resolução)

8 – A fig., onde AB e CD são adiabáticas, representa o ciclo de


Otto, esquematização idealizada do que ocorre num motor a
gasolina de 4 tempos: AB representa a compressão rápida
(adiabática) da mistura de ar com vapor de gasolina, de um volume
inicial V0 para V0/r (r = taxa de compressão); BC representa o
aquecimento a volume constante devido à ignição; CD é a expansão
adiabática dos gases aquecidos, movendo o pistão; DA simboliza a
queda de pressão associada à exaustão dos gases da combustão. A
mistura é tratada como um gás ideal de coeficiente adiabático .
a) Mostre que o rendimento do ciclo é dado por
 1
T  TA 1
  1 D  1  
TC  TB r
b) Calcule  para  = 1,4 e r = 10 (compressão máxima permissível para evitar pré-ignição).
(Resolução)

9 – O ciclo Diesel, representado na fig., onde AB e CD são


adiabáticas, esquematiza o que ocorre num motor Diesel de 4
tempos. A diferença em relação ao ciclo de Otto (Problema 8) é que
a taxa rc = V0/V1 de compressão adiabática é maior, aquecendo
mais o ar e permitindo que ele inflame o combustível injetado sem
necessidade de uma centelha de ignição: isto ocorre a pressão
constante, durante o trecho BC; a taxa de expansão adiabática
associada a CD é re = V0/V2.
a) Mostre que o rendimento do ciclo Diesel é dado por
 
1 1
   
1  TD  TA  1  re   rc 
  1     1 .
  TC  TB   1 re   1 rc 
b) Calcule  para rc = 15, re = 5,  = 1,4.
c) Compare o resultado com o rendimento de um ciclo de Carnot entre as mesmas
temperaturas extremas. (Resolução)

10 – O ciclo de Joule, representado na fig., onde AB e CD são adiabáticas, é uma idealização do


que ocorre numa turbina a gás: BC e DA representam, respectivamente, aquecimento e resfriamento
a pressão constante; r = PB/PA é a taxa de compressão.
a) Mostre que o rendimento do ciclo de Joule é dado por
 1
1 
  1  
r
b) Calcule o rendimento para r = 10. (Resolução)
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11 – O ciclo da fig. é formado por isotermas de temperaturas


T1 (BC), T3 (DE) e T2 (FA), e pelas adiabáticas AB, CD e
EF. As taxas de expansão isotérmica VC/VB e VE/VD, são
ambas iguais a r. Calcule o rendimento do ciclo e mostre que
é menor do que o rendimento de um ciclo de Carnot entre as
mesmas temperaturas extremas. (Resolução)

12 – A partir dos dados fornecidos no Problema 2 do Cap. 8, calcule a entropia molar s do NaCl a
baixas temperaturas, T << TD é a temperatura de Debye (para um sólido a baixas temperaturas,
CV = CP). Tome s = 0 para T = 0. (Resolução)

13 – Um fluido é submetido a um ciclo reversível. Se o ciclo é representado por um diagrama no


plano (T, S), onde S é a entropia do fluido:
a) Mostre que o trabalho associado ao ciclo é dado por W   TdS , a área orientada por ele
compreendida.
b) Represente um ciclo de Carnot para um gás ideal no plano (T, S). Verifique o resultado
da parte (a) neste caso.
c) Calcule o rendimento  do ciclo de Carnot da parte (b) diretamente a partir do diagrama
(T, S). (Resolução)

14 – Um quilograma de gelo é removido de um congelador a –15°C e aquecido, até converter-se


totalmente em vapor, a 100°C. Qual é a variação de entropia deste sistema? O calor especifico do
gelo é de 0,5 cal/g°C; o calor latente de fusão do gelo é de 79,6 cal/g, e o calor latente de
vaporização da água é de539,6 cal/g. (Resolução)

15 – Dois litros de ar ( = 1,4), nas condições normais de temperatura e pressão, sofrem uma
expansão isobárica até um volume 50% maior, seguida de um resfriamento a volume constante até
baixar a pressão a 0,75 atm. De quanto varia a entropia deste sistema? (Resolução)

16 – Um recipiente de paredes adiabáticas contém 2 l de água a 30°C. Coloca-se nele um bloco de


500 g de gelo.

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a) Calcule a temperatura final do sistema. Tome 80 cal/g para o calor latente de fusão do
gelo.
b) Calcule a variação de entropia do sistema. (Resolução)

17 – Um litro de água, inicialmente a 100°C, é totalmente vaporizado:


a) Em contato com um reservatório térmico a 100°C.
b) Em contato com um reservatório térmico a 200°C.
O calor latente de vaporização da água é de 539,6 cal/g. Calcule a variação total de entropia do
universo devida exclusivamente ao processo de vaporização, nos casos (a) e (b), e relacione os
resultados com a reversibilidade ou não do processo. (Resolução)

18 – Um cilindro contendo 1 kg de He a 150 atm, em equilíbrio térmico com o ambiente a 17°C,


tem um pequeno vazamento através do qual o gás escapa para a atmosfera, até que o tanque se
esvazia por completo do hélio. Qual é a variação de entropia do gás hélio? Que quantidade de
trabalho é desperdiçada por esse processo? (Resolução)

19 – Uma chaleira contém 1 l de água em ebulição. Despeja-se toda a água numa piscina, que está à
temperatura ambiente de 20 °C.
a) De quanto variou a entropia da água da chaleira?
b) De quanto variou a entropia do universo? (Resolução)

20 – Chama-se energia livre (de Helmholtz) de um sistema a função de estado F = U – TS, onde U é
a energia interna e S a entropia do sistema. Esta função desempenha um papel importante nas
transformações isotérmicas, tais como as que se produzem à temperatura ambiente. Mostre que,
numa transformação isotérmica:
a) Se a transformação é reversível, o trabalho W realizado pelo sistema é igual ao
decréscimo de F.
b) No caso irreversível, W é menor que este decréscimo, de modo que o decréscimo de F dá
a energia máxima disponível para realizar trabalho.
c) Mostre que, numa expansão livre, o decréscimo de F dá o trabalho desperdiçado.
(Resolução)

Resolução

R-2)
 R  0,40

T1  500C  773K
 T  20C  293K
 2

Q1 T1

Q 2 T2
Q T
I  1  2  1  2  I = 0,62
Q1 T1

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R 0,40
  R = 0,644.I
I 0,62

R-3)
Q2
a) K 
W
W = Q1 - Q2, onde Q1 é a quantidade de calor absorvida (que entra) pela fonte quente.
Q T
Como 1  1
Q2 T2
T
Q2  Q1 1 (*)
T2
Substituindo (*) na expressão de K:
Q Q1 T2 T1 
K 2 
W Q1  Q1 T2  T1 
T2
K com T1 > T2
T1  T2

T2 T 1
b) Lembrando que   1  1 
T1 T2 1  
1 T1  T2 T1 1 1 1  
  1  1 
K T2 T2 1  1 
1 
K

Tf 260
c) K I    6 ,5
Tq  T f 300  260
Portanto:
Kp = 0,4(6,5) = 2,6

Q2 Q f
K  onde W = P.t = 220(15 x 60) = 1,98 x 105 J
W W
Q2 = K.W = 2,6(1,98 x 105)  Q2 = 5,1 x 105 J

Q2 =m.L  m.g = (5,1 x 105)/(80 x 4,186)  m = 1,5 kg

R-8)
a)
 1  1
 1 V  1
TA .V0  TB . 0   TA  TB .  (I)
 r  r
 1  1
V   1 1
TC . 0   TD .VD  TD  TC .  (II)
 r  r

Substituindo TA e TD abaixo:

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 1
1
QDA = UDA = n.CV.(TA - TD)  Q DA  n.CV .  .TB  TC  (III)
r
Como QDA é o calor que sai do sistema:
QDA = - QDA , logo:
 1
1
Q DA  n.C V .  .TC  TB  (IV)
r
QBC = UBC = n.CV.(TC - TB) (V)

O rendimento é dado por:

Wciclo Q Q
  1  f  1  DA
Qq Qq Q BC

n.CV .1  .TC  TB 


 1
 Q DA  n.CV .TD  TA  r
  1  1  1
Q BC n.CV .TC  TB  n.CV .TC  TB 
 1
1
  1  
r

1, 41
  1,4 1
b)     1    0,60
r  10   10 

Outro modo de resolver:


W

QBC

Caminho W Q U
AB WAB 0 UAB = - WAB
BC 0 QBC UBC = QBC = nCV(TC - TB)
CD WCD 0 UCD = - WCD
DA 0 QDA UDA = QDA = nCV(TA - TD)
ABCDA WAB + WCD QBC + QDA 0 = - WAB - WCD + QBC + QDA

WT = QBC + QDA
W WT Q  QDA Q nC T  T 
   BC  1  DA  1  V A D
QBC Q fornecido QBC QBC nCV TC  TB 
T T T T
  1 A D  1 D A
TC  TB TC  TB

R-14)
f Tf
 T( 0 ) 
 
d' Q dT
S1  S f  Si  S gelo( 0 )  S gelo( 15 )   m.g.cgelo  m.g.cgelo .ln  
T T T
i Ti
 ( 15 ) 

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d ' Q Q mgelo .LF
S2  S f  Si  Sagua  S gelo   
T T T( 0 )
i
f Tf
 T( 100 ) 
 
d' Q dT
S3  S f  Si  Sagua( 100 )  Sagua( 0 )   mgelo .cagua  mgelo .cagua .ln  
T T  T
i Ti
 ( 0 ) 
f


d ' Q Q mgelo .LV
S4  S f  Si  Svapor  Sagua   
T T T( 100 )
i
Variação de entropia do sistema:
S = S1 + S2 + S3 +S4
S = 2076 cak/k = 8680 J/k

R-16) V0 = 2 l  ma = 2000 g
Ta = 30°C = 303 K
ca = 1 cal/g°C
mg = 500 g
Tg = 0°C = 273 k
a)
QF + Qa + Qg = 0
mg.LF + ma.ca (T - Ta) + mg.ca (T - Tg) = 0
T = 8°C

b)
S = S1 + S2 + S3

dQ F Q mg .L F
f
S1      146,52 cal/K
i
Tg Tg Tg

f T
dQ dT
S2   A  ma .ca .   150,76 cal/K
i
T T
T
a

f T
d' Qg dT
S3    mg .ca .   14,44 cal/K
i
T Tg
T
S = 10,2 cal/K

17) V = 1 litro  m = 1000 g


a) Variação de entropia: UNIVERSO = RESERVATÓRIO + ÁGUA
Su  Sr  Sa

m.LV 1000.LV
Sa    1446, 26
Ta 373
m.LV
Sr    1446, 26
Tr
Logo:
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Su = 0  reversível.

m.LV
b) Sa  
373
m.LV
Sr  
473
Su = 307,26 cal/k  Su > 0  irreversível.

R-18) Dados: m = 1 kg de He; P = 150 atm; T = 17°C = 290 K; MHe = 4 g/mol.


a)
Volume ocupado pelo gás a 1 atm:
PV = nRT  1.Vf = 250 . 0,082 . 290  Vf = 5945 l
Dentro do cilindro:
PV = nRT  150 . V = 250 . 0,082 . 290  Vi = 39,63 l
Escolhe-se um caminho onde o processo seja reversível para calcular S; aproveita-se do fato de T
ser constante, logo:
U = 0  Q = W

f f f Vf Vf

    
d' Q d'W P.dV n.R.T dV  Vf 
S  S f  Si     dV  n.R  n.R.ln  
T T T V .T V  Vi 
i i i Vi Vi

S = 1,04 . 104 J/K

b) W Desperdiçado: o trabalho que deixou de ser realizado.


Expansão livre: U = 0; Q = 0; W = 0
W = S.T = (1,04 . 10 4).290  W = 3,02 . 106 J

R-19) T1 = 100°C = 373K; T2 = 20°C = 298K


T2

 
d ' Q1 dT T 
a) Schal   m.c.  m.c.ln  2 
T1 T  T1 
T1
Schal = - 241,4 cal/K


d ' Q1 Q1
b) S pisc.  Sreserv.   = 273,0 cal/K
T2 293

S = Schal + Sreserv = 31,9 cal/K

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