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ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE TRANSPORTE MARÍTIMO,

FLUVIAL OU AÉREO.

Art. 261 - Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato
tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos.

Sinistro em transporte marítimo, fluvial ou aéreo

§ 1º - Se do fato resulta naufrágio, submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição


de aeronave:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

Prática do crime com o fim de lucro

§ 2º - Aplica-se, também, a pena de multa, se o agente pratica o crime com intuito de obter
vantagem econômica, para si ou para outrem.

Modalidade culposa

§ 3º - No caso de culpa, se ocorre o sinistro:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Trata-se de um crime em que o bem jurídico tutelado é a incolumidade pública,


especificamente nos transportes aéreos, marítimos e fluviais1.

Em razão das penas cominadas no caput e no parágrafo primeiro, não se admite os


benefícios da lei 9.099/95. Todavia, tratando-se de modalidade culposa, desde que não
incida a majorante do art. 263, caberá tanto a transação penal quanto a suspensão
condicional do processo2.

Esse crime é formal, portanto, não exige resultado naturalístico; é unissubjetivo ( pode
ser praticado por um único sujeito); plurissubsistente e, por essa característica, admite
tentativa. É crime instantâneo3.

Como a lei não prevê nenhuma qualidade relacionada ao sujeito ativo, o crime é
definido como comum, isto é, qualquer um pode ser o sujeito ativo 4.

1
Cunha, Rogério Sanches, Manual de direito penal: parte especial (art. 121 ao 361)/ Rogério Sanches
Cunha - 8. ed. rev., ampl, e atual - Salvador: JusPODIVM,2016. P. 588
2
Idem
3
Nucci, Guilherme de Souza Curso de direito penal : parte especial : arts. 213 a 361 do Código Penal
/ Guilherme de Souza Nucci – Rio de Janeiro: Forense, 2017. P. 307
O sujeito passivo é toda a coletividade e os eventualmente lesados, em caso do sinistro
ocorrer.

A ação penal é pública incondicionada.

Tipo penal

Trata-se de tipo misto alternativo, assim, tanto expor, impedir ou dificultar o transporte
marítimo, fluvial ou aéreo constituem um único crime, mesmo que sejam praticadas
duas ou mais ações típicas 5.

É necessário lembrar que, nesse tipo penal, não abrange a navegação lacustre, isto é, a
navegação em lagos6. Também é importante a definição do que seja embarcação e
aeronave. A primeira diz respeito a tudo que é destinado à navegação em águas, já o
conceito de aeronave, está presente no art. 106 do Código Brasileiro de Aeronáutica,
que diz:

Art. 106. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo, que


possa sustentar-se e circular no espaço aéreo, mediante reações
aerodinâmicas, apto a transportar pessoas ou coisas 7.

Qualificadoras

“§ 1º - Se do fato resulta naufrágio, submersão ou encalhe de embarcação ou a queda


ou destruição de aeronave.” (Art. 261, § 1º. CP).

Observa-se que a qualificadora é preterdolosa, assim, tem-se o dolo nas condutas


tipificadas no caput e culpa nos danos causados (naufrágio, submersão, encalhe da
embarcação ou destruição da aeronave) 8.

4
SALIM, Alexandre; AZEVEDO, Marcelo André de. Direito Penal - Parte Especial - dos crimes
contra a incolumidade pública aos crimes contra a administração pública. Salvador: JusPODIVM,
2017.
5
Nucci, Guilherme de Souza Curso de direito penal : parte especial : arts. 213 a 361 do Código Penal
/ Guilherme de Souza Nucci – Rio de Janeiro: Forense, 2017. P. 306
6
Idem. P. 306

7
BRASIL. Lei n. 7.565, de 19 de dez. de 1986. Dispõe sobre o Código Brasileiro de Aeronáutica,
Brasília,DF, Dez 1986.
Em relação à qualificadora do § 2º, caso o agente cometa o crime com a intenção de
lucro haverá, na cominação, a pena de multa.

Quanto a qualificadora o § 3º, só será punido a título de culpa quem efetivamente causar
o dano (sinistro). Dessa forma, caso o agente, culposamente, somente realize as
condutas do caput, não haverá crime, sendo o fato atípico9.

ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE OUTRO MEIO DE TRANSPORTE

Art. 262 - Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o
funcionamento:

Pena - detenção, de um a dois anos.

§ 1º - Se do fato resulta desastre, a pena é de reclusão, de dois a cinco anos.

§ 2º - No caso de culpa, se ocorre desastre:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Esse tipo penal refere-se aos outros transportes, desde que sejam públicos que não
foram abarcados pelos artigos anteriores, assim sendo, resta o rodoviário e o lacustre. É
tipo misto alternativo, tal como o artigo anterior.

O bem jurídico tutelado é a incolumidade pública.

No caso de culpa (art. 262, § 2º) ou a ação do caput, caberão os benefícios da lei
9.099/9510.

Todavia, se resultar em morte ou lesão grave, tem-se a seguinte análise: (i) Se o crime
foi praticado a título de dolo, não caberá nenhum dos benefícios. (ii) Caso tenha sido a

8
Cunha, Rogério Sanches, Manual de direito penal: parte especial (art. 121 ao 361)/ Rogério Sanches
Cunha - 8. ed. rev., ampl, e atual - Salvador: JusPODIVM,2016. P. 588
9
Nucci, Guilherme de Souza Curso de direito penal : parte especial : arts. 213 a 361 do Código Penal
/ Guilherme de Souza Nucci – Rio de Janeiro: Forense, 2017. P. 307
10
Cunha, Rogério Sanches, Manual de direito penal: parte especial (art. 121 ao 361)/ Rogério Sanches
Cunha - 8. ed. rev., ampl, e atual - Salvador: JusPODIVM,2016. P. 591
título de culpa, continuará cabendo tanto a transação penal quanto a suspensão
condicional do processo11.

Como é crime plurissubjetivo o crime pode ser cometido por qualquer pessoa, e como
sujeito passivo encontra-se a sociedade12.

As condutas puníveis que podem ser extraídas do caput são: Expor a perigo outro meio
de transporte público ou dificultar/ impedir seu funcionamento.

Dolo

É Vontade de agir de acordo com os núcleos do artigo. Não se exige aqui alguma
finalidade em especial (nem mesmo incidirá como qualificadora, como no artigo
anterior, no caso da finalidade lucrativa).

Caso a vontade do agente tenha sido matar alguém, segundo o Prof. Rogério Sanches
(2016), a maior parte da doutrina entende que o agente responderá tanto pelo homicídio
qualificado pelo emprego de meio que possa resultar em perigo comum ( art. 121, § 2º,
inc. III) quanto pelo o crime previsto no art. 262 em concurso formal (art. 70. CP)13.

Consumação

Como se trata de crime formal, basta a realização de uma das ações do caput que o
crime estará consumado, não sendo necessário o resultado naturalístico. Por ser crime
plurissubsistente é possível a tentativa14.

Qualificadoras

A qualificadora do parágrafo 1º é preterdolosas, dessa forma, o desastre deve ser


culposo e a exposição de perigo ou impedimento/transtorno devem ser dolosos.

Já o parágrafo 2º, a culpa só será punida se houver desastre, caso não haja o fato é
atípico.

11
Cunha, Rogério Sanches, Manual de direito penal: parte especial (art. 121 ao 361)/ Rogério Sanches
Cunha - 8. ed. rev., ampl, e atual - Salvador: JusPODIVM,2016. P. 591
12 12
Nucci, Guilherme de Souza Curso de direito penal : parte especial : arts. 213 a 361 do Código
Penal / Guilherme de Souza Nucci – Rio de Janeiro: Forense, 2017. P. 309

13
Cunha, Rogério Sanches, Manual de direito penal: parte especial (art. 121 ao 361)/ Rogério Sanches
Cunha - 8. ed. rev., ampl, e atual - Salvador: JusPODIVM,2016. P. 592

14
SALIM, Alexandre; AZEVEDO, Marcelo André de. Direito Penal - Parte Especial - dos crimes
contra a incolumidade pública aos crimes contra a administração pública. Salvador: JusPODIVM,
2017. p. 75