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Universidade Federal de Santa Catarina Centro Tecnológico

Henrique Pereira de Lucas


Resenha documentário: A lei da água

O documentário a “A lei da água”, traz à tona um importante discussão


acerca do Código Florestal de 2012, destacando a importância da preservação do
meio ambiente. Mostrando como o direito de ter um ambiente equilibrado,
assegurado pela constituição pode ser alterado e deixado de lado, quando o
assunto agroindústria entra em pauta.
Durante todo documentário fica claro como a preservação do meio
ambiente é de grande importância para o equilíbrio da natureza, que implica na
garantia da saúde da população.
O documentário inicia com uma prevê história, destacando como
desmatamento das florestas prejudica a disponibilidade de recursos hídricos.
Durante a época da Colônia a população passou por essa privação, isso se deu
por diversos motivos, o principal deles foi o desmatamento para cultivo e
construção, devido o aumento populacional.
Ao longo do documentário, podemos ver uma discussão sobre a polemica
sobre diversos pontos aprovados pelo novo Código Florestal, onde é importante
salientar o retrocesso ambiental a respeito da anistia dada a ruralistas que
desobriga os a recomporem a floresta degradada.
Destaca-se que os diversos profissionais entrevistados, confirmam a
importância de se manter área nativa em propriedades rurais. É ressaltado que
matas nativas aumentam a qualidade daqueles ambientes, pois possuem um
papel muito importante na preservação dos recursos hídricos e contribuem para
a produção de alimentos, na medida que polinizam e controlam pragas.
O documentário também faz referência a reserva legal, a qual se trata de
área localizada no imóvel rural onde o proprietário deve, obrigatoriamente,
manter parte da vegetação nativa a fim de manter processos ecológicos
essenciais para a manutenção de sua propriedade rural. A reserva legal objetiva
manter o mínimo de vegetação nativa por estado/região, tendo em vista a
importância dessa vegetação para a saúde do ambiente.
Salienta-se que um dos principais motivos para o desmatamento, é para a
produção de alimentos. Vimos que grade parte das áreas para produção de gado
é mal administrada, cerca de 40% dessas áreas, poderia receber manejo para
produção de alimentos, sem prejuízos para a produção de gado, o que satisfaria
até 2080 a produção de alimentos para a população.
No documentário é possível verificar que uma das questões em destaque
é a redução de áreas de preservação permanente, o que para os ambientalistas
é algo extremamente preocupante, haja vista que a sustentabilidade das
propriedades está diretamente ligada a necessidade de existência de floresta
nativa.
Uma das APP’s em destaque são os manguezais, os quais são destacados
no documentário como importante fator para a produção de alimentos no litoral,
seja para consumo dos habitantes que ali residem seja para abastecer o mercado
interno. A dependência dos manguezais, portanto, é ínsita para a garantia de
alimentos, mas embora de tal importância o novo código retrocedeu ao retirar a
classificação de APP deste ecossistema, permitindo a ocupação por grandes
empresas para a produção de carcinicultura, além de se admitir construções
nestas áreas.
As consequências são muitas e afetam tanto, a população que ali reside
quanto a produção de alimentos para os animais. Cerca de 70% dos peixes hoje
consumidos pelo pescado, se alimentam de produtos gerados por manguezais,
ou seja, em alguma parte da vida daquelas espécies os manguezais são de grande
importância.
Outra APP’s que teve sua área de proteção diminuída são as encostas,
alterar a vegetação nessas encostas e topos de morros causa consequência
desastrosas, uma vez que se alterar as condições do solo e remover a vegetação
o risco de deslizamento é iminente.
Outro ponto importante que se mostrou de novo um retrocesso, foi a
junção de APP’s com a reserva legal, exemplifica que se numa propriedade
houvesse 20% de reserva legal e 30% de APP’s, a propriedade teria 50% de área
intocável, porém com a junção das duas áreas, seria necessário ter somente 30%,
haja vista que as duas são uma agora.
As florestas são importantes não somente para a preservação da água e
do solo, mas também para a produção de alimentos que necessitam a ação de
polinizadores, tais como o café, o milho e a soja, produtos fundamentais para o
agronegócio brasileiro.
O filme dá voz a agricultores e especialistas, apresenta técnicas agrícolas
sustentáveis bem-sucedidas e casos onde a degradação ambiental exacerbada
impede a continuidade de qualquer tipo de cultivo ou criação de animais.