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Par trançado

Alunos:
Felipe Augusto da Silva Ribeiro
Joel Chitunda
Klebson A. de Oliveira

Recife
2018
Par Trançado
O cabeamento por par trançado (Twisted pair) é um tipo de cabo que tem um par fios
entrelaçados um ao redor do outro para cancelar as interferências eletromagnéticas de
fontes externas e interferências mútuas (linha cruzada ou, em inglês, crosstalk) entre
cabos vizinhos. A taxa de giro (normalmente definida em termos de giros por metro) é
parte da especificação de certo tipo de cabo. Quanto maior o número de giros, mais o
ruído é cancelado. Foi um sistema originalmente produzido para transmissão telefônica
analógica que utilizou o sistema de transmissão por par de fios. Aproveita-se esta
tecnologia que já é tradicional por causa do seu tempo de uso e do grande número de
linhas instaladas. A matéria-prima fundamental utilizada para a fabricação destes cabos
é o cobre, por oferecer ótima condutividade e baixo custo, portanto deve-se analisar
com bastante cuidado a segurança contra descargas elétricas.

História
Nos anos 90 era muito comum encontrar rede de computadores usando cabo coaxial
de 50 Ohms. Isso se dava pelo fato de ser uma rede mais fácil de ser instalada pois o
cabo era parecido com o cabo de antena de televisão e poderia ser instalado em
qualquer local sem problemas com interferências. Com o avanço das redes de
computadores, aumentando sua taxa de transferência, o cabo coaxial começou a ser
substituído pelo cabo par trançado. As principais vantagens de uso do cabo par trançado
são: uma maior taxa de transferência de arquivos, baixo custo do cabo e baixo custo de
manutenção de rede.
O cabo par trançado é composto de pares de fios entrelaçados entre si com o propósito
de cancelar as interferências eletromagnéticas (EMI). Essa técnica foi inventada em
1881, por Alexandre Graham Bell, o inventor do telefone, que percebeu que entrelaçar
as linhas de transmissão nos postes ajudava a eliminar interferências
O cabo de par trançado é uma evolução daquele fio de telefone cinza, que ainda é usado
nas residências brasileiras. Na verdade, o cabo usado nas redes contém internamente
4 pares daqueles fios só que mais finos e com a capa colorida para facilitar sua
identificação.
Antes do aparecimento do cabo de par trançado as redes locais de computadores
usavam cabos blindados. Estes são constituídos por um condutor central rodeado de
uma malha de fios trançados, que também conduzem sinal, mas, ao mesmo tempo,
formam uma blindagem contra a interferência eletromagnética que poderia atingir o
condutor principal e diminuir ou impossibilitar a comunicação através do cabo, devido
ao ruído introduzido na transmissão.
Para evitar esta interferência e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de
transmissão, o cabo de par trançado para redes adotou a mesma tecnologia chamada
"cancelamento" usada há décadas nos sistemas de telefonia.

Técnica do cancelamento
Toda corrente elétrica que passa por um condutor gera ao redor do mesmo um campo
magnético. Se a corrente for forte o suficiente o campo magnético poderá induzir uma
corrente no fio ao lado, que pode corromper os dados transmitidos através dele, devido
ao ruído gerado. Este fenômeno é chamado de "cross-talk" (algo como "fala cruzada").
A direção deste campo magnético, isto é, sua polaridade, depende do sentido da
corrente que circula pelo fio, se positiva ou negativa. A figura 1 ilustra o processo de
cancelamento desta interferência.

Cada par de fios transmite a mesma informação, porém com a polaridade invertida em
um deles. Desta forma cada condutor gera um campo magnético da mesma intensidade,
mas em sentido contrário, fazendo com que o campo magnético gerado por um fio
cancele o campo gerado pelo vizinho. Além deste auto cancelamento, ao chegar no
destino o sinal de um dos condutores é invertido novamente, e tudo o que não for o sinal
original será apenas ruído, eventualmente induzido na transmissão, mas que será
cancelado automaticamente.
Na construção física do cabo os dois fios com sinais opostos são enrolados um ao outro,
para aumentar a força da proteção magnética`. É justamente por isso que este cabo é
chamado de "par trançado", sua característica física.
É importante destacar que o cancelamento de ruído se dá principalmente em relação a
indução magnética de um cabo no outro, ou seja, a ideia é evitar o cross-talk. O
cancelamento de ruídos criados por campo magnéticos externos também acontece,
mas pode não ser tão bom quanto o necessário em situações críticas. Por isto, quando
houver grandes focos de interferência eletromagnética no percurso do cabo,
recomenda-se utilizar cabos de fibra ótica ou então os cabos STP, mostrados adiante:

A Questão da Blindagem: Cabos UTP e STP


Apesar do bom cancelamento de cross talk os cabos de par trançado ainda sofrem um
pouco os efeitos da interferência magnética que porventura exista ao longo do percurso.
Para eliminar de vez esta interferência existem os pares de par trançado blindados, uma
mistura dos antigos cabos blindados para rede com os cabos de par trançado para
telefonia. Em relação à blindagem, portanto, existem três tipos principais de cabo tipo
par trançado:
- Sem blindagem - Chamados também de UTP, abreviação de "Unshilelded Twisted
Pair", ou seja, "par trançado sem blindagem". São os mais usados.
- Com blindagem - Também chamado de STP, abreviação de "Shield Twisted Pair", ou
seja, "par trançado blindado". Usados apenas em situações especiais, mas cada vez
menos, devido aos cabos de fibra ótica.
- Blindagem em folha – Também chamados de FTP (Foiled Twisted Pair), são cabos
cobertos pelo mesmo composto do UTP categoria 5 Plenum, para este tipo de cabo, no
entanto, uma película de metal é enrolada sobre o conjunto de pares trançados,
melhorando a resposta ao EMI, embora exija maiores cuidados quanto ao aterramento
para garantir eficácia frente às interferências.
A blindagem pode ser simples, com uma única malha envolvendo apenas a parte
externa do cabo, ou do tipo par a par, onde existe uma blindagem adicional para cada
par que compõe o cabo.
O cabo blindado (STP) é pouco utilizado e difícil de encontrar no comércio pois a
esmagadora maioria das instalações podem ser feitas com o cabo sem blindagem(UTP)
e, nas citadas situações especiais, o cabo de fibra ótica tem sido mais utilizado que o
STP, com vantagens.
O cabo de par trançado é relativamente barato e fácil de instalar, inclusive em canaletas
e eletrodutos embutidos como é o caso das tubulações existentes nos edifícios mais
modernos.
Além disto, este tipo de cabo possibilitou o surgimento do chamado " cabeamento
estruturado ", sistema de organização dos equipamentos de rede em instalações com
muitos pontos.
O cabeamento estruturado abrange não apenas os cabos de dados, mas também
tomadas de força, TV, telefone, racks para equipamentos e outros acessórios.
Inicialmente as redes feitas com par trançado eram apenas de 10 Mbps. Logo surgiram
as de 100 Mbps e já existem outras especificações mais rápidas. Em resumo, temos as
seguintes velocidades de transmissão:
10 Mbps (Ethernet): Já caiu em desuso, só existe mesmo em instalações antigas.
100 Mbps (Fast Ethernet): É a mais usada e comum atualmente.
1000 Mbps (Gigabit Ethernet): Ainda é pouco usada no Brasil, mas já está tudo aí para
ser usada a custo acessível.
10000 Mbps ou 10Gbps (10Gigabit Ethernet): Estas potentes redes foram padronizadas
em 2006 e ainda pouco utilizadas.
Para atingir altas velocidades, tanto os adaptadores de rede quanto os outros
equipamentos (switches e roteadores) devem também ser capazes de trabalhar com as
mesmas taxas de transmissão.
Categorias e Normas de Cabos Metálicos
No início de 1985, preocupadas com a falta de uma norma que determinasse
parâmetros das fiações em edifícios comerciais, os representantes das indústrias de
telecomunicações e informática solicitaram para a CCIA (Computer Communication
Industry Association) que fornecesse uma norma que abrangesse estes parâmetros. Ela
então solicitou para a EIA (Electronic Industries Associaton) o desenvolvimento da
norma que, em julho de 1991, foi publicada como a 1ª versão da norma EIA/TIA 568
(Electronic Industries Associaton/ Telecommunications Industry Association).
Subsequentemente, vários boletins técnicos foram sendo emitidos e incorporados a esta

Tabela 5: Classificação segundo a EIA/TIA-568B

EIA/TIA-568B LARGURA DE BANDA OBSERVAÇÕES

Categoria 1 1 MHz
Não reconhecidas pela
EIA/TIA
Categoria 2 4 MHz

Categoria 3 16 MHz

Categoria 4 20 MHz

Categoria 5 100 MHz

Categoria 5E 100 MHz

Categoria 6 250 MHz

Categoria 6ª 500 MHz

Não definida
Categoria 7 600 MHz
oficialmente pela TIA

Fonte: MF101 Furukawa

Tabela 6: Classificação segundo a ISO/IEC 11801

ISSO/IEC 11801 LARGURA DE BANDA

Classe A 100 KHz

Classe B 1 MHz

Classe C 16 MHz

Classe D 100 MHz

Classe E 250 MHz

Classe Ea 500 MHz

Classe F 600 MHz

Fonte: MF101 Furukawa


O incremento na largura de banda dos cabos conforme a categoria e classe aumentam
são resultados de melhores projetos e de processos de manufatura mais elaborados.
De maneira geral, a geometria do cabo, o passo de trançamento entre os pares e os
materiais utilizados no cobre e no isolante são fatores importantes para que estes
resultados sejam melhores. Isso garante aos cabos uma velocidade de transmissão
superior, como nota-se na relação com a banda requerida da tabela abaixo para as
aplicações ethernet:

Tabela 7: Banda Requerida para Aplicações Ethernet

APLICAÇÃO VELOCIDADE BANDA REQUERIDA

Ethernet 10 Mbit/s 7,5 MHz

Fast Ethernet 100 Mbit/s 31,25 MHz

Gigabit Ethernet 1.000 Mbit/s 62,5 MHz

10 Gigabit Ethernet 10.000 Mbit/s 450 MHz

Fonte: MF101 Furukawa, o autor.

As principais características das categorias são as seguintes:


• Categoria 1: Utilizado em instalações telefônicas, porém inadequado para
transmissão de dados.
• Categoria 2: Outro tipo de cabo obsoleto. Permite transmissão de dados a até
2.5Mbit/s e era usado nas antigas redes Arcnet.
• Categoria 3: Cabo de par trançado sem blindagem muito usado em redes na
década de 90. A principal diferença do cabo de categoria 3 para os obsoletos
cabos de categoria 1 e 2 é o entrançamento dos pares. Enquanto nos cabos 1 e
2 não existe um padrão definido, os cabos de categoria 3 (assim como seus
subsequentes) possuem pelo menos 24 tranças por metro e por isso são muito
mais resistentes a ruídos externos. Cada par de cabos tem um número diferente
de tranças por metro, o que atenua as interferências entre os pares de cabos.
• Categoria 4: Cabos com uma qualidade um pouco melhor que os cabos de
categoria 3. Este tipo de cabo foi muito usado em redes Token Ring de 16Mbit/s.
Em teoria podem ser usados também em redes ethernet de 100Mbit/s, mas na
prática isso é incomum, pois não são viáveis e deixaram de ser produzidos.
• Categoria 5: A grande vantagem desta categoria de cabo sobre as anteriores é
a taxa de transferência: eles podem ser usados tanto em redes de 100Mbit/s,
quanto em redes de 1Gbit/s.
• Categoria 5e: Os cabos de categoria 5e são os mais comuns atualmente, com
uma qualidade um pouco superior aos de categoria 5. Eles oferecem uma taxa
de atenuação de sinal mais baixa o que auxilia nos cabos mais longos,
principalmente próximo dos 90 metros máximos permitidos pela norma.
• Categoria 6: Utiliza cabos de 4 pares, semelhantes aos cabos de categoria 5 e
5e. É uma opção de alta performance para um sistema estruturado, permitindo
suporte para aplicações como voz tradicional (telefone analógico ou digital),
VoIP, Ethernet (10 Base-T), Fast Ethernet (100 Base-TX) e Gigabit Ethernet a 4
pares (1000 Base-T), com melhor performance em relação à Categoria 5e.
Permite ainda suporte para aplicações a 10Gbit/s sem investimentos adicionais
na infraestrutura.
• Categoria 6A: Permite uma maior banda passante devido à espessa camada de
proteção de reveste o cabo em seu exterior, diminuindo a interferência com
outros cabos, além da convencional cruzeta incluída na construção dos cabos
Categoria 6 que aumenta a distância entre os 4 pares trançados no interior do
cabo.
• Categoria 7: Esta categoria de cabos ainda não foi definida oficialmente, mas
também utilizam 4 pares de fios, porém com conectores mais sofisticados, o que
torna está uma solução mais cara. Tanto a frequência máxima suportada, quanto
a atenuação de sinal são melhores que nos cabos categoria 6.
O limite nominal do comprimento de um cabo trançado é de 100m e somente os pares
1-2(TX) e 3-6(RX) são efetivamente utilizados na comunicação.

Sequência de cores dos conectores RJ-45


Existem dois padrões para as cores são eles o 568-A e 568-B esses padrões são
normalizados pela EIA/TIA que neste caso atua com cabos com a categoria UTP (par
traçado não blindado de 4 pares). Especificamente falando em relação às cores de
sequência é necessário saber o uso adequado dos padrões, se o cabo a ser usado é
destinado para conexão entre computadores e outros dispositivos considerados como
hosts a serem ligados a hubs ou switches é normalmente utilizado o padrão de cor 568-
A nas duas pontas, entretanto pode-se utilizar também o 568-B nas duas extremidades
este tipo de cabo é o mais utilizado. No caso de conexão entre dispositivos do mesmo
gênero como, por exemplo, dois computadores ou dois hubs em cascata são
necessários o uso do cabo crossover (invertido) que neste caso é utilizado no mesmo
cabo os dois padrões de cores um em cada lado, as sequências de cores padronizadas
são as seguintes:
Para o 568-A, neste caso seria um exemplo de cabo normal onde às duas pontas
possuem o mesmo padrão de cores salientando que também pode ser usado o outro
padrão na construção de cabos comuns;

Para o 568-B, ele é mais utilizado no uso de cabos crossover;

Pode ser observado que foram invertidas as duplas de posições de cores a 1º e a 3º e


2º e a 6º, assim os cabos que possuem a cor verde ficaram no lugar das laranjas e elas
as da verde, isto acontece por que as posições 1, 2,3 e 6 é que são realmente usadas
na prática pela camada física tanto do modelo OSI como também do tcp/ip isto no
padrão 100baseT que possui a velocidade máxima teórica de 100 Mbits/s.
Uma observação importante a ser feita é em relação aos cabos crossover, atualmente
os hubs e switches modernos já possuem um recurso chamado de auto-crossover, esta
tecnologia permite o uso de cabos comuns mesmo na conexão de equipamentos que
possuem a mesma função como, por exemplo, um modem dsl e um hub ou switch a
flexibilidade é tão grande deste aprimoramento que ele permite até mesmo o uso de
cabos invertidos onde normalmente deveria ser usado um cabo normal um exemplo
seria a conexão comum entre um host e um equipamento de rede.