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CADEnNOSFUNDAP Sáa Pavio.Anda Nçi6.págs.ls-z4-jun.

íl08e

Políticas ambientais e
desenvolvimento no Brasil
Ellz8b8th MQlta80W6kl

ConsplDrBemp/amHmenD4/nÓfenrai

Introdução: a evolução das políticas ambientais cursos d'agua. o desmatamento Indiscdmlnadaetc. A escala
noBrafil crescente desses Knpactos cria deseconomias globais que,
a longo prazo. poderão vir a çampnmeter a base mateóatdo
desenvolvimento.
A recente aprovação de um capÊulosobre meio ambiente na
nova Consüuição vem coroar um processo de evoluçãodas Por outro leda, o processo acelerado de urbanizaçãopromo-
polRicas amUentals brasileiras, no cursa das últimas déca- veu uma grande concenbação da população e a conse-
das. Essa evolução retlete as diferentes concepções e es- qüonte ínetropolizaçãodas grandes cidades brasileiras.A
tratégias do Estado quanto ao tratamento da questão ar» rara de uma palRiça urbana e de investimentos em equipe
biental no contexto do desenvolvimento brasileiro. mentes e serviços para o atendimento às necessidades cria-
das por essas populações conduziu a uma profunda degra-
Como indica MorÉein(1981). a economia brasileira. desde dação do ambiente urbano. Assim, acentuararneseos desnG
os tempos coloniais. caracterizou-se hislalicamenle por "cb fieis sociais. decorrentes de condições de vida $ubumanas
elos" que enfatizavam a exploração da detentninadosrecur- Que afetam a grande maloúa das populações metropolitanas:
sos naturais. Assim, a percepção e o valor atübuldos aos re- a$ más condiçõesdDtrabalhoe habRação.
o desempregoe
cursos naturaisleriam um papel mais decisivo nos proces- subomprego endémicos. os riscos para a saúde resultaMes
sos de lomada de decisões do que a percepção clentN+cado da baila de saneamento etc.
ambiente.
A evolução das polRlcasamühntais coloca-se também no
A$ estratégias de desenvolvimento adoradas desde os anos quadro de uma preocupação social crescente com a questão
SO também assumem essas características ao privilegiar Q ambiental na Brasil. que se manifosÉa cnnünuamente nas úb
crescimento económico a curto prazo, mediante a madorni- umas décadas, como o indicam a criação de numerosas as-
zação maciça e acelerada dos meios de produção. A induz. mciações de ploteçáo à natureza. os protestos e manifesta-
triallzação. a implantação de grandes projetos de tnfra-estro. ções populares ou o destaque dado à questão pelos meios
tunae a exploração de'recursos minerais e agropecuárias pa de comunicação.
ra fins de exportaçãofazem partedessas estratégias,que
lêm produzida importantes impactos negativos no meio am- A problemática das consequências ambientais de pdRicas de
biente,Estes assumem as mais variadas forma. tais como a desenvolvimento representa um campo de discussão vasto
superexploração de recursos naturais. a.poluição do ar. da e. sem dúvHa. essencial à cornpíeensão da questão arn
águae do solo,problemas
de erosãoe assoreamento
de biental no Brasil. permeando áreas tão diversas como o plP
'-''t polRicas ambierilais e desenvalvlmBnb no Bra

nejamento eneQétíco, o programa nuclear. a questão indlge. A abordagemestratégicaaditada nessa fase ê a da adr
na. a reforma agrária ou a exploraçãode recursos minerais. nistraçâo dos recursos naturais. A legislação amhental
época caracbriza-se por uma preocupação. de um lado
Neste artigo. no entanto. dadas a abrangência e a complexa racbnalizaro uso e a exploraçãodos recursosnaturais
dado do tema. nos !imttaremQ$
à discussão das.chamadas água. a Hora, a fauna) 9 regulamentar as atividades extratv
polRicas ambientais, aqui enbndidas Gamoas que apresen- ja pesca, a exploraçãomineral)e. de outro. de definir
tam uma preocupação explicita quanto a proteção. conserva- áreas de preservação permanente. Seu objetivo principal é
ção e uso dos recursos naturais e do meio ambiente. Esses de regulamentar
a apropriação
de cadarecursonatural
políUcas,expressas na legislaçãoe na organizaçãoinstlu- âmbito nacional, tendo em vista a$ necessidades d8 inda
çbnal correspondente. dehnem o$ instrumentos de interven- trialização nascente. Destacam-se, dentre os pdnçipais ir
ção do Estado na administraçãodos recursos e da qualidade Irumentos legàs adotados
do meio ambiente.
o Código das Águas. que desde o$ direitos de propriedai
Podemos distinguir quatro abordagens estratégicas básicas e uso dos recursos hídricospara o abastecbneMo.
a ír
nas polnlcas ambientais brasileiras=a adminisbação dos re- gaçãa. a nlavegaçéa. os usos industriais e a produção
cursos naturoís. o controle da poluição industrial, o planefa- energia. e as normas para a proteção da quanbdade
meüo terütorial e a gestão integrada de recursos. expressa qualidadedas águas territoriais; l
na PolRica Nacónal do Meio Ambiente. Essas abordagens
correspondem a diferonlos concepções do meb ambiente e o Código Florestal. que caracteúza as florestas e a veg
de seu papel em relação à$ slratégias de deseavolvirniento taçâo como bens de interesse comum, submetidos. pc
económica adoradas paio Estado. acompanhando "grosso tanto, a limüações quanto aos direitos de propriedade. e
modo" a evolução destas primas. Elas correspondem tam- tabelecendo também os critérios para a delimitação di
bém H mudanças significativas do quadro instüucbnal para a áreas de preservação permanente de vegetação. a cri
aplicaçãodas polMçasambientais. ção de parques e reservaqbiológícas. a exploração de fl
restose Qdesmatamental2
Para o exame dessas abordagens. propomos uma categotb
cação segundo seus objetivos principais. sem perdermos de a Código de Mineração. que devir» os princípios para
vista sua evolução histórica. Isso porque a estabelecimento prospecçãoe a exploraçãodm jazidase. em especk
dessas categorias. segundo um crltérb puramente cronológi- dissocia o direüa de propriedadedas leiras do direita c
co. não refletiria uma de suas principais caíacterlslicas: a exploração d)s ncursos do subsolo; 3
sua'permanência. no sentido de.que muitas dessas estraté-
gias continuam a ser aplicadas. superpondpse num preces o Códigode Pesca, qw declarapertencentesao domín
se cumulativo.
público todos os animais e vegetais das aguas teniloria
brasileiras e lxa os prlncrNos e as rnodalHados para
pesca e a exploração dos recursos biológicos da água; 4

o Estatutoda Terra.que determinaos çútériose as made


lidades de dosapíopriação e do distribuição de terias. a
condiçõesde taxação. a$ normaspara a colmização pC
A administração de recursos mturais blica e privada e para a implantaçãodas infra.estrutura
de apoia à atividade oral; 5

A adição. em 1934. do Código das Aguas. do CÓdIgoda Mib a legislação para a píobção do patdmânio ttistórloo B a
Relação e do Código Fbíestal. e tamb&n a criação. em 1937. tlstico nacional que prevê a preservaçãodas objetos
do Parque Nacional de ttaüaia e da legislação de proteção do
patrimõno histórico e arHstiço nacional marcam o inicio das
açóes governamentais no campo das polRicas ambientais.
VQrDeaelD nç 24.643. de l0/07/34. LBIn94.904. de 17/12/65.p De
Grelong 58.076. de 24/0&'66.
Esse porhdo corresponde também ao pdncrpio da industrlall.
cação brasileira, Iniciada çam Q esforço de guerra e cansolb 2 A VFer$ão
original da 1934{DecBlo ng2&793. de2#01.r34) bi6ub$b
Dada8 seguir. nos anãs sO. corri Q Plano de Metas da Go Eurd8pela LBI n94.77T. de 15/0965i ver aüida o Düaeio rP 289. d
demo de JuscelÉru Kubitschek. O objetivo principal da indus- 2NOa67.
Malização seria substituir as importações de bens de con-
sumo corrente por uma pmduçâo local A iniciativa privada 3 A vergão odgjnRI {Dnrelo n? 1.9B5. de 29/01/40} bi sub3tluma pe
Decreb-lel ne 227, d9 2w02/67
foi, assim, privilegiada e o Estado assumiu Q papel de forne-
cedor d8s intra-estruturas. A indústria automobilística foi es- 4 A yenâo DÓgin&l{Decr8b n9 794. de 19/1a38) 10i $ubsiurda pek
colhida como Q agente catalisador da desenvolvirnenloin Deaeb-lei ne221, de 28/02f67; verümb&n a Lej DelegadanEl D,dÊ
tl/fQr62. madHçHda pelo DBcreb n9 73.632. de 13r02r74. e a De
dusnai; por suas cancterTstioasde Integraçãoda produção
ndusthal. ela favoreceu a criação de pübs industriais e a cr8ton?6ü.459.de01/04/71
concentração espacial da população e de sewiços. 5 Leing4s04. de 30fl i/64

16
polRicasambientais Qdnen\iqlvimBnlo no Brasll

dos imóveis(inclusive sítios naturais e paisagens) de ante das no quadro do Ministério da Agricultura pna a implan-
reste público. por seu.major arqueológico, etrngráficc, bi tação da polaca agrária Qfundiária;o Instituto Brasilelto de
bliográticoou artístico.o Retoma Agrária(IBRA}, o InstihitoNacionaldo Desenvol.
pimento Agrário LINDA) 8 0 Grupo Executivo da Reforma
Essa legislação jú apresenta algumas preocupações quanto Agrária(GERA). Anualmente.o INCHA está vinculadoao
à preservação ambiental. Por exemplo, o Código Florestal Ministério da Reforma Agrária. ceado em 1984.7
prevê a aplicação de penas fiscais ou de pHsãoem casos de
destruição de florestas de preservação permanente.extração As instituições governamentais enumeradas acima exercem
ão autoüzada de essências a recursos mineral ou uso do suas atribuições e competências sobre a totalidadedo territb
bgo para desmalamento.As disposiçõesquanb à protecáo rio nacional. Elas definem suas estratégias de modo inde-
da fauna aquática. no Código de Pesca, Incluemo çontíole pendente B segundo diferentes prioridades. o que conduz a
da poluição das águas. No entanto, talvez Q mais importante ações isoladas. não-coordenadasg às vezes até mesmo
desses instrumentos seja o que estabelece o princípio da oarüitantes. A muRÜllcaçãoe a supeíposição de competên-
função social da propriedade fundiária nioEstatuto da Terra: a cias e a disputa por recursos geralmente escassos propiciam
onseívação dos recursos naUrais é consideradade inte- o estabeleclrUenta de conflitos de poder entre a$ dibrentes
osse social, seja 8m caso de desapropüação,sela pam a instituiçõesgovernamentais,com consequênciasimportantes
concessão de incentivos fiscais lesse princípio seria aditado sobre a implantação das polRlcas ambientais.
posteriormente pela nova Constituição de 1 988).
Um exemplo dessa superposição:a praEeçãoda qualidade
A estratégia de admlmstraçãc das recursos naturais oóginou das águas ê regulamentadapor uma dezena de textos. se
ainda a cüação, em nível loderal. das agências setoriais para mente rn legislação federal. Segundo rompeu t1070}, as se-
Q desenvolvimeHO da pesca, das atividades Horestais, da guin!es instituições federais têm competência legal definida
agua e da eletricidade, e da exploração de recursos minerais, para a gestão das águas: QDepartamento Nacional de Obras
que caracterizam a atual estrutura gerencialde recursos na- e Saneamento tDNOS), o DqaRamento Nacional de Obras
hlrais no Brasil. Assim. ao longo da década dos 60 Foram Contra a$ Socas(DNOCS). o DNAEE. a Secretaria Especial
criados, respectivamente: de Meio Ambiente(SEMA}. o. IBDF, o INCRA, a SUDEPE. o
DNPM. as Minisléíios Miltlares. o Ministério da Fazenda e a
a Ministério das Minas B Energia (MME} e o Departamento Presidênciada República.A isso se acrescentama$ legisla
Nacional de Aguas o Energia Elétíica (DNAEE}, para a iões e Q quadro institucional dos estados B municípios. e a
execução da Código das Aguas e a promoção Qdesen- intervenção dos comités interinstituconais. tais como o Co-
volvimentoda produção de enoígia elétrical rütê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidngráfiças
(CEEIBH)
o Instituto Brasilelío de Desenvolvimento Flonstal(IBDF),
vinculado ao Ministério da AgricuRura,para a fomlulação e Conforme Indicamos anteriormente,o segundo eixo da estra-
a execução da polRicaflorestal, a aplicação da Código Fio- tégia de adminis&ação de recursos maioraisé a definiçãode
estal B a coordenaçãodo uso raconal e da provaçãoe áreas de preservação pemaneMe. Assim. a criação e a de-
conservação dos recursos naturais renováveis, incluindo limitação de zonas pntogidas foi íncenüvada, sendo estas
afaunaterrestre; selecionadas segundo sou inbresse cultural ou cbnHico.
Com Q passar dos anos, grande número do parques nacio-
o Departamento Nacional de Prospecção Mineral {DNPM). nais e de reservas florestas foram criados. distóbuHos por
anualmentevinculado ao RIME.responsável pela aplicação todo o território nacional, dentre os quais podemos ainda
da polRicade recursos minerais; destacar os Parques Nacionais do lguaçu(1939} e de Serra
dos Órgãos t1939) e a Floresta Nacionalde Araripe-Apodi
a Superintendência
de Desenvolvimento
da Pesca(SU- (1946). Em 1959, foram criados o Parque Nacional de Ubaja-
DEPE). no quadro do Ministério da Agricultura. para a for- r% a Floresta Nacional de Juba. Q Parque Nacional de Ap+
mulação e a execução do Plana Nacional de Desenvolvi- aços da Serra e o Parque Nacional do Ataguaia; em 1961.
mento da Pesca e.a nscalizaçáo das atividades de pesca os Parques Nacionais das Emas, do Tocantins. do Xingu, de
rn mar territorial brasileiro. responsabilidade essa partilha- Caparaó, de Sete Quedas B de São Joaqulm o as reservas
da com o Ministérioda Marinha.com o apoiodo Ministério fluestais de Jam. Pedras Negras. Gurupi, Juruena. Rio Ne-
da Aeronáutica; gro, Gaíaüre. Mundurucaia. Paómã e Tumucumaque. A polRl-
ca de criação de parques e reservas biológicas continua
o Insbüito do Fletrimõnia Histórico e Artístico Nacional sendo aplicada atualmente e consiste num dos eixos princi-
atuatmente vinculado ao Ministério da Cultura. para o con- pais da polaca ambiental brasileira mais de SOparques e re-
trole sobre a transmissão e a conservação dos bens tom- wwas biológicas foram criadas ao longo dos últimos 25
bados; anos, somente om nhet federal.

o Instituía Nacional de Colonização e Reforma Agrária


jINCRA]. que reagrupoutrês instituiçõesinicialmentecrla-
7 Nota ü) aunn Esu Mini8léÓofQiexlnb em 19B8 o $uM hlngÓH re
di$tÓbuba$ erige 03 F#nlst&los da ht«lor e da A9íiwlüm. Isso Indica
que as mudanças in5ülucionai$ no Brasll ooairBm cam uma rapidez
6 DecrebnQ25. de 3a/llf37. que d@alla a anãiw çrrbn.
PolHcn arnb»rHal$e dennvoNirnenlono DIAS

A$ dHculdades e olhitos r» delimitação e mano» dessas Enõm. não sa pode negllgenciw Q pna da derrota da posição
áreas. que têm sido objeb de continuas invasões. poderiam brasileira na Conferênda do Estocolmo. O Bresil sustentava
hdicw uma eontradlção em mlaçáa à esbalégla de àdMniv a tese de que a proteçao do meb ambienteseria um oyetivo
balão de ncurso$ naturaisaqü cnacterlzada.No entanto, secundário e náo priorRárb para os partes em vias de de-
essa mnlradição é apenas aparente;com íreqOência,as wnvolvimento. e em eonRib com o objetivo central e imediato
pressões contrárias à Implantação de parques e reserva do cresdmenb oçonõmiço. O$ eçursos naturaisdo Terceiro
são a expressão de interesses bcais e regionais dmtamenle Mundo seriam ainda subutilizados e algumas décadas pode-
8fetados. Em nível de polfUcanadonal a criação de algumas riam tmn$cQrrêrartes que os invesümenlos para oontlolar as
reservas ecológicas Q de "área-santuário' para a pesquisa degradaçõos amblentás se tornassem necessárias. A prote-
dentHlca ou como testemunln pára a$ futuras gerações ape- çêo do meb ambienteseria, portanto.mais um obstáculo ao
nas acentuaíia o caráter de disponibilidade à epropdação do dpsonvolvimento(Almoida. 1972). Ewa argumentaçãoe a
terMório nmanescente e de seus recursos naturais para o palavra de ordem "poluição = progresso'. l8nçadena oca-
desenvolvimentoda aüvidadeeconómica. slãa. foram multo negatlvm pam a imagem internacionaldo
Pala. Assim. a criação da GEMA responderia também a urna
r»cessidadediplomática.

A Secretaria Especial de Meb AinbleMe(SEMA}, coada em


1973 peb Decreto ng 73.030. de 30 de outubn. encarrega-se
da çonsewação do meio ambientee do u$o racionaldos re-
0 controleda poluiçãoiodustrial cursos naturais. Dentre suas abibuições.rnulb extensas.
estãoInclusos

Inspiradapela pHmeiraConfedncia das Nações Unidas so-


o acanpanhamentodas bansfomaçõesdo meh ambien-
bre o Meio Ambiente(Estocokm, 1972). a criação da Secre-
te. IdeótlRcandoas mudanças adversas e agindopara sua
tãíb Especial do Meio Ambiente inaugurou lona nova fase. oorreçao;
arde se marüfesta uma vontade polRicano üvatamen©expli-
cito da prablemáücaambiental enquanto "suporte de vida'. B
o estabelwimmD do norma e parâmetro para a prever
não apenastonte de recursos.
fiação. do meio ambiente e, em particular. para o$ recursos
hülricos;
Essa vontade porca se manifesDU num quadro conjuntural
pàrticulac primeiro. Q modelo de desenvolvimento aditado no
Brasil. baseado em uma industrialização rápida B concentra- o controle e a fiscalização dessas norma e parâmetros
da. criou suas primeins deseconomias do escala. Estas se
manifestaram pela agravação de certos problemas urbnnlas, a presewaçãode espéciesmlmals e vegetdsem perigo
em especial o cíescimenb da poluição indusHal. a falta de de extinção e a manuteçã0 8 esloagem de material gert&
$Bneamentoe os problemas de ab8stecimenb de água. que llCC

alegama popubção das principais cidades do Pais.


a fomnção de quadros técnicos especializados nlocampa
Em conseqüênçia. esse perbdo conhece também uma $en- da probção do meb ambiente;
slbiJlzação e uma organização do movimenb soçiõl sobre a$
questões ambientes. om razão da degradaçãodas condi- a educação pública pam o u$o adequado dos ncursos
ções de vida nio meio urbano, como indicaram os rasurados naturais e a conservação do meb ambbnte.
des pesquisas de opirüãorealizadas em Sáo Paulo em 1975.
De acordo com essas pesquisas,a maioriada população
A GEMA tambémleda o papelde coordenaras ações dos
wnsldera a poluição ambientalcomo $eu maior ptoblana,
&gãos govemamenlais em todos os níveis. porá a pesquisa,
póoritárb até mesmo em rebçâo às questões económicas.
o planejamento.
o controlee a localizaçãoparaa conserva-
De fato, essa organização.em parteespontânea,
servirá ção do meio ambienb 8 Qu$o racional dos rnur$o$ naturais.
também a alguns grupos sociais para exprimir. de modo inda
reb. $ou desooritentan»nb e sua oposiçãoà$ ações de um
govemo aubíilário. Isso poderá explicar Qenomle Interesse No entanto, desde o início de sua atueção+constola.se uma

$ suscitado pelo debate sobro Qmeio ambiente. sobreüido na$


grandescidades.
defasagem entre as tarefas atribuüas à SOMA B os meios
dos quais ela fd dotada para sua nalização. A GEMA dspóe.
oté Q presume. de um número reduzido de quadros técnicos
ã Por outro lado. o Governo rolem. e mesmo incita, a discus- e de um oíçamenb insuficiente. aos quais w acnscentam a
Faltade Instalações e de laboratórios.

] são das questõesambientaiscomo um meb de desviar a


abnçáo da opinião pública dos problemaseconómicos 6 polo.
tacos,provenientes do Im da 'mllagn brasileira'. Além disso. Além disso. a SECA esteve. iniclalmeMe. suboMinada ao
a proteçâo do mob ambiente. tratada como questão técnica. Minlstérb do Interin, um dos principàs responsáveis pela
permlürádemonstrarum certo grau de e$ciênch,além do hPantação da estratégia de cresclmenlo económico acele-
elaborei um discurso çotlsensual ern relação a unia aspjía- rado. 8m flagrante contradição com © atribuições e objetivas
ção soclalespecflica. do controle ambiental.Asslrn, a atuaçãoda SERÁ assume

18
pQlhcBSambientais BdQ@nwlvlmenlo no Brasl

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prioridade secundária em relação às demais atividades do serva-se, portanto. que a competência quanto a decisões
Ministério.8 que possam alegara$ aividades industriaisde base. ou as
empresas estatais. é centralizada na própria Presidência da
É compreensível que. nesse contexto, o papel e Q alcance República. excluindo-se assim, de certa forma, os órgãos
das polRicas ambientais sejam bastante limitados. As ostra. setoriais de controle ambiental.
ténias adoradas nesse momento atacam feros efeitos do
modelo de desenvolvimento. sam no entanto questiona-lo: São ainda adorados uma classi$caçâo das aguas iMeriores
seu oHetivo é reduzir as degradações ambbMais. que pode- segundo seu uso e os pmãmetras de qualidademínima das
riam comprometer. em certas áreas. Q bom andamento das águas para os diferentes usos previstos {Resolução Minis-
atividades produtivas. Essa abordagem procura também res- terial GM.ng 0013, do 15 01/76) e estabelecklos paràmo'
ponder a uma pressão da opinião Pública,sensibilizada pela tios de emissão de efluentes e normas para o tratamento de
degradação do ambiente urbano. esgotos.

O SegundoPlanoNacionalde Desenvalvünento
+ PND para Parâmetosde qualidadedo ar sâo tambémdohnidos.em
o peílódo 1975f'79,em seu caprtub sobre o desenvolvimento teKrtlosde concentrações máximas admitidas para partículas
urbano, controlo da poluição e preservação do meio ambien- em suspensão. dióxido de enxofn. monóxido de carbono e
le. define uma prioridade para o conbolB da pohpiçãoindus- oxidantes fotoquTmicos {Resolução Ministeúal ng 231. de
Mal, através da adição da normas antipoluição e de uma pa- 27/04/76}.
IRicade localização industrial nas regiões densamente urbe.
nlzadas. São também dehnidas as áreas crRicas de paluiçãa. Privilegiaram-se. assim. um problema(a poluição industrial).
compreendendoas regiões metropalRanasdo São Paulo, Rio um agente(a Indústria) B uma responsabilidadede controb {o
de Janeiro. Belo HoHzonte.Recite. Salvadore Porto Ale- Estado). A estratégia adotada consiste em reduzir as emls-
gre. as regiões industriais de Cubatão e Vara Fledonda. as }ões de poluentes peb instalação de equipamentos de coB
bacias hidrográhcas do Tietê, do Paraíbado Sul e do Jacul. o rale, de modo a atingir os padrões de qualidade do ar e da
estuário de Guaba 8 ainda as bacias hldroarâficas de Per- águafixados nalegislação.
nambuco.
Essa abordagem se caracteHza por uma negociação restdla
Essa abordagemesuatégica foi cansdidada pelos Decretos entre as empresas privadas Q o órgão do Estado, negociação
nv 1.4}3. do 14i08l75. e n?76.389. de 03 '10.'75.que de6nem essa que se concentra sobre os meios técnicos do çontrob
as medidas de prevenção e console da poluição indusuial.A da poluição, sem um questk)namento maior quanto ao modem
legislação autoriza a criação de sistemas de licenciamento de industrialização. à localização industrial ou às tecnologias
nos estados e municípios para a instalação e o funciona. utilizadas.
mento das atividades Industriais potencialmente poluidoras.
As penalidades pela não.obs rvação das normas estabeleci- A anão de controle matou-se prioritariamente ao problema da
das incluem as restrições de incentivos hscais e de finan- poluiçãoindustrial que se manifestaa curo prazo e que
ciamentos governamentais. e até mesmo a suspensão das dela áreas limitadas. em especial as regiões metropolitanas.
atividades industüats. No entanto. esta última medida ê uma
Essa escolha está. sem dúvida. ligada à existência de uma
atribuição exclusiva do Presidente da República. salvo em concentração populacional importante. afetada pela problema
casos de urgência. com graves riscos à vida humana. Nes- e dispondo de alguns meios de pressão polRlca.
sas circunstancias. os governos estaduais podem determb
nar a redução ou a paralisação temporáriadas atividades No entanto. os efeitos amUentais a longo prazo são relega-
poluidoras. dos a segundo plano. mesrnn sendo irreversíveis ou de gran-
des dimensões. Também as regiões menos povoadas sáo
O controle do funçbanamenta das atividades consideradas de excluídas do campo de intervenção. Dessa ética, aqe.se se
nteresse da desenvolvimento e da segurança nacioriaf' é bre um espaço fagmentado, considerado como uma suces-
atribuição exclusiva do Governo federal. Elas incluem lodos são de ponbs isolados, onde intervêm athidades humanas
as empresas públicas, a$ concessionárias de serviços públi. igualmente isoladas.
cos federais e as indústrias de armamentos. as relnarias de
petróleo. as Indústrias química o petroquímica. de cimento. OUros efeitos, provenientesdos estilos de consumo ou de
siderúrgica. material de transportes. celulose. fertilizantes e outras atividados proaiüvas, foram !ambém excluHos das
defensivos agrícolas. mecânica pesada e processamento dc ações de geonciamento ambiental. Por exemplo, nessa fase,
metais não-ferrosos(Decreto ng õt.I07. de 22/12.r77).Ob- a poluição do ar provocada pek)s automóveis náo é idontifi-
mda como problema que nquer soluções, mas como "peça
do progresso' e. em consaqüência, socialmente aceitável.
B Rale.$eque somonleem1985a quesHoambientalpas80ua$«ge- Um outro exemplo é a falta de atenção dada aos pnblemas
mnclada gm nlwl miniseóal, cmi a criação dD MlniaérlQda De$en. criados pela agdcuRuraintensiva: a poluição do solo pw ferth
volvimenloUrbanoo Meio Amblenb. aa qual se vlnçulaua SEMAaié lizantes químicos, denunciada por Lutzemberger t1975), não
Bcenlemente. No entanto. «n setombro dB 19B8. eSSeMlnlgério fai
é objeto de ação governamental.
exÍmIo e as aülbuüçãg$da SEFilAvollararn ao 8rnbüo do MinisléHo do
nbriQr. Em Janeiro de 1989. 1DIcriado a In$bbb Nacional dQ n4Bho
Ambiente e RocuBos Flomslai8 {INhlARF). agB9ando a SECA e o Um comportamento unifonne é atribuiu ao meio ambiente.
sem se considerar a variação da capacidade de assimilação

19
?/.
polRlcnarnbbrúal$8de3BnwlvlmenbnDBmsll

dos diferentes ecossistemas. devido às características es- prática se deu somente em 1980. quando da promulgoçgoda
peçüicas do meio natural o de seu modo de apropriação pe- lel que estabelece as direhzes de zoneamento hdustrlal(Lei
bs aüvidndes humanas. Esse çaráter indifennciado se ex- ng6.803.de 02/07).
prkne também na escolha dos critêrbs. Por exeínpb. os .pa'
râmetros de emissão de certos poluentes não são o produto Em certas áreas do teMlório nacional, como as regiões me'
de uma experiência endógena apoiada em estudos epide- trQpolitanas,o$ recursos naturais se tornaram bens escas-
rNo1ógicos.ma$ são emprestados à legislação americana sos. sela em quantidadeou em qualidade,e portantomus
(EPA). No eniartlo. os pwàmelros americanos foram esta- caos'. A ordernçâo do território adquire então uma impor-
belecidos em condições sociais e ecológicas bastante dis- tânciacnscente dente os instrumentos
de uma polnicapre-
tintas {Hahn et alli. 1984). Esse é o caso dos parâmelnosde ventiva dos Impactos soba o meb arnbleíile. A indúsna.
emissão para o$ materiais em suspensão e do dióxido de 8nteóormonte nnslderada enquanto um fenómeno isolado.
enxobe. adotados primeiro no Estado de São Pauboe. em nsore-se agora no contexD da urbanização. Nossa aborda.
seguida, aplicados indlst nlamenle, pelo Govomo federal. a gem.critéãosecdógicos são uüllzadosparaa deRniçãaB a
todo o bríitório nacional. p denmitação das áreas Industüais e para a bçalizaçâo das
atividades poluidoras nas principais regiões metropolitanas.
Par outro lado. o$ limites espaciais de aplicação desses cb As leis metropolitanas de zoneamento industrial e de prole"'
térios são definidos segundo 8 divisão polaco'administrativa. çâo de mananciais e as planos de zoneamento de u$o do
Uma vez definida a região-problema,os padrões de qualida- solo para a proteçãode bacias hidrográficassâo exemplos
de das águas e do ar w os parâmetros de emissão das po- representativosdessas estratégias. Destacam»se,em para'
luentes são adotados indistintamente para o cmjunto do ter- Guiar. e$ trabalhos desenvolvidos peb Comité Especial de
ritório considerado. Em conseqüêncla, as zonas mais sonsa' Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas {CEEIBH) para
vela, seja pelas caracteífsticas desfavoráveisdo meio, seja a classificação dos cursos d'água sob jurisdição federal e pa-
pela concentração das atlvidades humanas, sao mas seria' a o planejaíntentodo uso dos recursos hídricos das bacias
mente õtingldas e exigem investimentos crescentes pala & interestaduais.I"
recuperação da qualidade da meio. quando isso é pessNel.
Além disso, são perdidas as vantagens comparativas da to. Padeiros notar. em primeiro lugar. que as ações de controle.
calização das atividades industriais ern áreas mais prophias nessa abordagem. votam-se fundamentalmente para as atl-
à absorção de poluentes, o que permitiria uma redução.das vidades do selar privado. As estratégias governamentais não
custos sociàs. Essa CHacterização abstrata e ind#orenciada são óbjeto do çontrde, excouando-se as ativldadesde al-
do rnoio ambiente reforçou as tendências observadas à con- guns setores, em função de pressões externas. Assim, as
centração de ativldades. agravando os problemas dos gran- mod#icações provocadas pelos grandes projetos da trans-
des centrosindustrlals. brmação da natureza são objeto de uma preocupação mar-
ginal, mais influenciada pelas praticas das agênclag interna-
;ioÜis da que p« uma'd;ci:ào p.lítica mciona}. É o caso,
por exemplo. das primeiras aplicações da avaliação de im-
pactos ambentais (AIA). nn análise de pmjetos que depen-
dem de fundos internacionais para sua implantação.Uma vez
que os procedimentos do Bando Mundial passaram a exIgIr a
0 planejameMOterritorial realização de uma AIA para o financiamento de grandes prc-
ietos hídricos, a ELETROBRÀ$ instituiu,desde 1974.a exh
gênçla desse üpo de estudos para a Implantaçãode urinas
Os anos 70 foram caracterizados por uma estratégia de de- hidrelélriças.
senvolvimento baseada na implantação de grandes projelos
de infraestrutura ou de exploração de recursos naturais. Ao No entanto. apesar dessas Inlciaüvas sobrids isoladas. a$
lado dês mulünacionals.o Estado mostra-se o único parceiro polRicas ambientais continuam urbanas. O conceito de açõo
nacional que dispõe de capacidade económica para a im' porÉualestendeu-sea um conceitode área cínica de poluo
plantação desses píoietos. A prioridade é dada à unificação ção; no entanto, o espaço de intervenção continua fragnen-
do espaço nacional. da qud os símbolos mais tocantes são todo e descontínuo. Os efeibs sobre o meio ambiente cau.
os eslüiços de ocupaçãodo cerradoe da Amazünia.Parou- fados peb procesw de apropriaçãoe de alteraçãodas foi
tro lado, esse pedodo conheceu uma urbanização intensiva e mas de utilização do espaço rural - desmatamento. erosão,
um cre$cimenta muito acentuadodas regiões metropolitanas, mudanças climáticas. poluição dos rias por fertilizantes e
onde as condições de vida atingem níveis crRlcos. heíblcidas problema pna essa polaca. Se Q es-
paço urbarn ê objeto de uma regulação. o espaço oral per-
A adição do concebode áreacrlücade poluiçãointroduz manece abeto a todas a$ formas de apropriação, Q meio
uma primeira diferenciação espacial na regulação do medo ambiente coMinua sendo apenas um recurso pua o desen-
de apropriação do meb ambiente. Embora esse concoho já volvhneMo.
houvesse sido definido no ll PND. em t974. sua apliçaçõa

wr nR/nea231.de27/mivÜ. demão pavio-+pana a i' E"' .asest«dmpaaê::: asasõ rlospar'hajas«hPa'


pafRicRSambientais e dBnnwlvlnnnb niDBms

Essa aparenU omissão se explicaria pelos diferentes papéis bientals. Uma nova instância polaca de decisões é assim
que assumem esses espaços no conloxto económico. A definida. A criação do CONAMA 8 dos consellns am-
área crRica de poluição 6 um espaço onde as principais deci- bientais estaduais propiciada a integração e a cooldena-
sões quinto a $ua organização já foram tomadas. a partir da çâo das ações de düerenles setores governamentais.A
racionalidade dominarüe. Assim, a possibilidade de $e pro- participação pública nas decisões é contemplada.embora
moverem modlficeções estruturais mais eficazes do ponto de de toma limitada. através da inclusão de organizações re-
vista ecológico. mesmo a preço de uma menor eficiência presentativas da sociedade civil entre os 72 membros do
econ&nica. ê extremamente limRada. Nesse contexto. as Conselho;
estratégias atoladas têm por ob#etivapromover uma anão de
atenuação dos efeitos negativos mais evidentes do modem)
de desenvolvimeNOadorado. a criação do Sistema Nacional de Meio Ambiente
(SISNAMA),tendo por instânciasuporbr o CONAMA O
SISNAMA inclui o conjunto das instituições governamen-
Ao contráüo, o ambiente rural, especialmente nes frentes
tais que se ocupam da prateção e da gestão da qualidade
pioneiras. deverá ficar fora de qualquer controle. para que
ambiental, em nível federal. estadml e municipal. e tam-
seus recursos se prestem às formas de apropriaçãomais
bém o$ Órgãos da AdminisBaçãe Pública federal. cujas
rentáveis a curto prazo. Assim. a racionalidade económica atlvidades afetem dlretamente o meio ambiente.
hstrumeMal. baseada no livre jogo das forças de mercado.
podorâ manHestar-se em toda sua amplitude. em detrimento
da consideração das perspectNas de longo prazo. caracteó- A PolRica Nacionlal de Meio Ambiente propõe. igualmente. al-
zando uma racionalidade ambiental Ern prima instância, as gumas inovações quanto aos instrumentos e estratégias de
palRicas
ambientescontinuamatacandoaspectosconside- sua implantação. Dentre os setores prioritários para ação go.
vernamental. incluem-se:
rados marginais em relação às esbatégias governamentais
do desenvolvimento.
o estabelecimentode critérios e padrões de qualidade.
bem como de diretrlzes para â aproprbção dos recursos
naturais

a pesquisa a difusão de tecnologias apropriadas à ges.


tão do meio ambiente;
A Política llacional de RleioAmbiente
o lamecimentode dados 8 infomações para a formação
Uma nova fase inicia-se em 1981. mm a lei da Pollüca Na- de uma consciência coleüva votada à preservação da
qualidadeambiental.
cional .de Meb Ambiente e com sua regulamentação em ju-
nho de 1983. 11 Nesse texto legal se consolidam as estrato
alas atueuse os arranjas inslRucünais vigores niotratameMO Segundo essa palRiço, os ncursos naturais devem ser pre-
da questãoambiental Essa consolidaçãoê completadapela servados e recuperados para garanórsua úilização racional
criação. em 1985. do Ministério de Desenvolvimento Urbano e sua dsponibtlidade permanente; os poluidores e predada
B Meio Ambiente,que assumea definiçãodas po#Ricas
ea res são obrigados a reparar ou indenizn as degradações
coordenação das atividades governamentaisna área am- provocadas; o usuádo deve trazer uma contribuição para a
biental utilização económica dos recursos naturais.

O abjeüvo principal dessa pdRica é a "presewação. melhoria Dentre os instrumentos adotadas poí essa legislação pam
e recuperação da qualidade ambientalpropícia à vida visando aplicar a PolRica Nacional do Meio Ambiente. destacam.se.
assegurar. no País. condições ao desenvolvimento sócio- por seu caráter inovador o zoneamento ambiental; a avalia-
econõmlco. aas inbresses da segurança nacional e à píotê ção de impactos ambientais; os Incentivos a produção e ins-
çâo da dignidade da vida humana" tartigo 2q.. Os objetivos talação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnQ-
nacionais sobre a questão ambiental são definidos buscando- bgla. voltados para a melhoria da qualidade ambientatlo C#
se levar em consideraçãoas desigualdades
e especílcida- destro Técnico Federal de Atividades e InstmmenlQ$de Dp
des regionais e propondo novos instrumenbs técnicos e ins- lesa Ambiental; e as penalidades discplinues ou compen'
titucionais. satórias ao não-cumprimentodas medias necessárias à
preservação ou correção da degradação ambiental.
Dente as principais inovações dessa Id. duas se destacam.
em nível Institucional;
Uma das mais importantes abordagens estratégicas adora
das ê a responsabilização do Estado em relação a suas pr&
a criação do Conselho Nacional de Meio Ambiente pias ações. ao se exigir que as atividadespúDócas e priva-
(CONAMA}. diretamente vinculado ao Presidente da Re- das sejam exercidas conforme os princbios da legislação
públicae encarregadoda formulaçãodas polacasar» ambiental. Essa é uma inovação importante, em especial no
que $e refere aos grandes projotos de transformação da na-
tureza, que até Q momonb estavam fora do controle das
11 LBIn9&93B. de 31/0B/BI. e DBaeb n?8&351/83. agências governamentaispara a proteção ambiental.

21
pdRlcasambientaise dennvolvinenb noBTMÉI

Também 6 introduzida a responsabilização cómlnal para as PQroutro lado. mantém-se Q diacronismo ern relação às polf-
degradações ambientais, cubo proceda)entes são definidos Ucas de desenvolvimenb: basicamente, as medidas propos-
e regulamentadospela Lel n9 7.347. do 03/06/B5. Essa le tas continuama não acompanhare/ou orientaro plmeja-
cria a açâo civil pública de responsaUlidade para os prejuh mento económico. constituindo-senuma reação ms seus
zo$ provocados no meio ambiente ao çonsumldar e a bens eleitos. Essa dafasagom. que tambémmarcou a$ aborda-
aítístiços. estéticos, históricos B urrsücos. gens anteriores. üca evideMe no caso da AIA. em cuja regu-
lamentação náo estão incluídos procedimentos que tornem
A estratégia do pbnolamenlo amóíen18fó adorada através de real a obrigaçãode sua inclusãodesde Qinblo do ciclo da
dois instrumentos: o zoneamenlo ambiental g a avaliação de prometo.ou a utilização de seus resultados no gerenclamenla
mpactos ambientais. O zoneamenb definiria. em termos ge- deste. Assim. a AIA continua sendo proposta como um 'a-
rais. as diretrizes de uso e ocupação do solo e de apiopHa- derido" ao processo de licenciameNO,correndo o risco de se
çêo de recurso?naturais, pera as diversas regiões. A avalie transformar em apenas uma tonalidade burocrática,ou piar.
ção de Impactos ambientais $e aplicaria ao estudo das pos- em uma iusüRcaüva de decisões já tomadas e. por vezes.
síveis consequênciasambientaise sociais de pmjetospübh inadequadas(Morwnwsk1. 1986).
ms e privados.
Ainda é cedo para se avaliarem o$ sugados e consequên-
A participação pública nas decisões da polHça ambiental ê cias dessa abordagemestralégiça. uma vez que muros dos
contemplada através de representação no CONAMA e con- Instrumentos propostos ou estão em vias de implantação au
wlhos estaduais. e também no processo de licenciamento de ainda não foram regulameMados. No entanto. dificuldades de
atividados.Em ospntal. a regulamentação
da AIA(Resalu. toda ordem estão ando enfrentados na implantação eleüva
çâo CONAMA nq 001/86) prevê a possibilidadede convoca- dealgumas das mediam propostas.
ção de audi6nd8s públicas para a discussão de proletos.
abrindo assim um espaço do negociação social no pncesso Obsewamos que alguns instrumentos nâo estão sendo pos-
detomadade d cisões. tos em prática por tara ou de capacklades técnicas B institu-
cionais ou de um interesse polRiooreal Esse seda o caso da
zoneamento ambiental ou da responsabilidade criminal pela
A inclusão de um capRulosobreo meio ambientena nova
Constituição brasileira e de ume série de disposkivos legais degradação do meio ambiente.
correlatos vem consoUdn os princípios. diretrlzes e instru-
rr»ntQS anteriormenb anotados pela PdRica Nacbnal de Outros sofrem uma çonfrantação com a realidade: sua apll-
MeioAmbiente.caracterizando
e delimitandoo canpo de cõçáo será mais ou menos bomsucedida segundo as condi-
responsabilidades do Estado e da sociedade em relação à ções políticas e insütucimais de cada órgão ambiental. Nes-
questão ambiental. M sRuaçãa $e encontram a imHantação do sistema de licen
ciamenlo e do processo de análise dos Relatórios de Impac-
k)s Ambientais(RIMA), a criaçãodos ConselhosEsta
Nesse capRub, são também incorporados alguns novos Ins- duais do Meio Ambiente ou o atendimeílb às decisões do
!omenüs e estratégias. destacando-se=
CONAMA.

a poRica de presewação da pathmõnio gené$eo e de con


trote da pesquisa e manipulação de matinal genético

a caracterização da floresta amazónica, da mata atlântica.


da serra do Mar. do pantanalmato-grossenseo da zona
wsbira wmo áreas de património nacional;
A política ambiental brasileira
Qcontrole do risco ambieNal uma avaliação critica

Observamos que a abordagem esbatégica proposta na Poli


tida Nacional de Meb Ambiente é praticamente a mesma Constata-se, a partir dessa retrospectiva, uma evolução $1g
aditada pelo capRulo sobre o meio ambiente nia nova Cons- nKicativa na concepção das polRicas ambientais brasileiras.
tituição. Essa abordagem se cnactçriza enquanto polRlcade não acompanhada. na prática. porém. das resultados espo
profeçáo do meio ambiente.de cuáter marcadamentecen- Fadosquanto a manutenção B m thorla das condições de vb
servacionista. Assim, são enfatizadas os aspmtos de restrb da B preservação dos recursos naüirais. A seguir. analisa-
R ção ao uso de ddermlnados recursos e espaços, e pouco remos alguns temoresque vêm consütuindcpse em obstácubs
elaborados os de utilização do meb ambiente para o deserb à aplicação dessas polfücas B autilização ehcaz dos instn-
Ü volvhnento. Deve-se ressaltar que a ptoblemâtica ambiental mentos disponheis.
compnece implicitamente an ouros capRulos referentes ao
uso de recursos naturais (mergi% solo. mineração. píoprle- De modo geral, podemos abwrvar uma grande disparidade
dade fundláda. programa nuclear). Desloca-se, em especial. ente retórica e realidade: a legislação ambiental brasileira
a inclusão do çritédo de pmteção ambiental na definição de acompanhou a evolução da experiência internacional e da
mnceito de interesse soclâ/ da prwüedad9 para üns de de- tou-se de novos instrumentos. extremamente sofnücados.
nproprlaçâo. Assim, essa legislação é das mais avançadas do mundo
PaiRlcwambienhise desBnvolvinBnoniDBm$il

quanto a sua forma. No entanto, as condições e os meios das, tendo inclusive difiçuRadoas tentativas de coordenação
reais de sua aplicação se apresentam multo limRados. interinsbluclonal, noçessária à implementação de pdRicas
ambientaisintegradase abrangentes.
Uma das possíveis causas dessas limitações seria a essa
ciação entre os oUeüvos das Mílcas amUentãs e as es- A superação desses eonflüos foi tentada através da cHação
fralygfas dp desenvobfrnurtfo ad)fadas. A Inserção de parâ- de um Órgão "setoriaf' também para o meio ambíênte: Q Mi-
metros ambientais no processo decisório depende de vonta- nistéHo de Habitação. Urbanismo e Meio Ambiente. No en-
de polRlca,que se exprlmiriaem todos os níveisda planaja- tanto, as dlHculdades e a ineHcácia de um tr81amenlo setoHal
mentoi au seja, no estabelecimento de polhicas. programas. da questão ambiental, somadas à pouca força polRicado Mb
planos e profetas. nas leis e regulamentos e na partilha de mistério em relação aos demais 8 à mngtnalizaçâo da área
recursos. Uma voz que a gestão do meio ambientefoi consi- de meb amNente dentro do própüo Ministêlia, culminaram
derada um objetivo marginal e até mesmo conHltanteem rela- com sua recente desativação.
ção a abjeNvos mais imediatas. cano Q crescimento eçonb
único,a questão ambiental se viu relegada a segundo plano Outro fab a ser considerado é Q de qw as instituições exi+
ngs prioridadesgavernamontais. lentos não estão aparelhadaspara garanlr a transparência
do processo decisório. Essa é uma das conseqüênclas de
Outros falares polRicos deverão também ser considerados. uma .cultura polRica vigente. de caráter centralizador. que
em especial os referentes à capacidade de cúnfrde sacia/ conduz a uma falta de explicitação dos critériosde análise
das decisões que afetam Q meio ambiente. O primeiro des- e tomada de decisões, substituRia pw uma delegação de
ses fak)res seria a asslínuú7ade poder, gerada pelo peso nsponsabilidades aos üçnicos. Portanto, a dirnlensácpolniça
dos poderes públicos em relação aos demais atires sociais. da definição dos critérbs de qualidade do mob ambiente é
nos processos de decisão de grandes projetos de desenvol- diminadn estes são apresentadosenquantodeHvaçóeslógb
vimento. Assim. os interesses do Estado nacional $e sobre- cas de um conhecimento çientRioo objetivo e independenb
pariam aos interesses locais e regionais. promovendo desi- das mplrações B intensses sociais. 12 É o caso. porexem-
gualdade na partilha espacial dos cusbs 9 benefícios; en- plo, da avaliação de impactos ambientais(AIA). onde a con-
quank) os benefícios do desonvalvimenlo seriam teorica- íiabilidade dos estudos e dos critérios de avaliação é supos-
mente distribuhos pelo conjunto do espaço nacional, os seus tamente garantida peh exigência de 'uma equipe muhidisci-
custos ambientais e sociais seriam apropriados. em primeira pinar habilitada, não dependeMe direta w indiretamente do
instância, pelas populações locais.. proponeMedo praceta' {Resolução CONAMA'tP QD1/86).

A presença do interesses sociais caófrpdHór©s também de- Haveria ainda a necessidade de reforça institucional. espe-
ve ser considerada Por um lado, há interesse, por parte de cialmenteem nNel local e regbnal,que desse suportea um
determinados amoressociais. em evâar a discussão das modelo descentralizado de gerenciamenlo ambiental. À mo.
custos sociais e ecológicos, pois a inclusão desses custos dadaque fossem bçalizados muitos iitpactos ambientais. po-
pode eventualmente reduzir ceras nurgens de lucra. ou der-se-ia conseguir maior eficácia, caso a$ oamunidades
mesmo inviabilizar alguns prajetos, Deve-se levar em conta afetadas tivessem condições de intewir em seu gorencia-
que a apropriaçãode bens sociais por setoresprivados tem mentoe controle.
sdo uma caraçterlsüca marcante do modelo de desenvolvl-
menb adorado até o presente. Por ouço lado. a organização Na prática, as diversas oposições à implantação de uma po-
dos copos socids e comunidadesafilados por palatos de lítica amUental eficaz traduzir»se numa mnsfanfe Jâlü de
desenvolvimenb mostra-se ainda precária e incipianb na recursos para a área amhbntaf- que $e remetenas condições
maioria dos casos. O acesso aos meios de expressão e co- técnicas e materiais de trabalho dos órgãos governamentais
municação desses abres sociais é ainda bastanb limitada. de meio ambioMe.Assim, a Implantaçãodas esüatêgiase
assim como o acesso à inbrmação. Estas são restrições nstrumenlos propostos faz-se de maneira precária. na íalEa
signiücaüvas à sua pnticlpação no$ processos de negocia- de meios adequados de pesquisa. controle e fiscalização.
ção socialdos projetos.
Soma-sea isso a Jâln de aapaaf8çãa fécdca d)s órgáas
Outro aspecto imporbnte diz respeito à inadequação da agua ambientais para a ap#caçâodos novos üsRumenlos da M-
quadro institucional pua Q planelamenb e o gerenciamento oca amNenlaf. Poí exemplo. há uma escassez generalizada
ambóentd. Um dos principais falares dessa inadequação é a de quadros técnicos e gerenciais capacitados para a elabo-
presença de inlemsses satod s coníradMrüs, segundo as ração e análise de RiMAs dentro das exigências legais. tanto
atribuições de cada instância de governo: prefeituras. minis- o selar público como no privado. Os esforços dos órgãos
térios. empresas mistas etc. Como vimos anlorlormente.a ambientais na formação e &einamenb de pessoal têm se
polaca de administração do recursos naturais pautou-se por mostrada Ineficazes. devüo ao fenOmenada evasão desses
um carâter marcadamentesetorial.que teve profundasin- especialistas para o selor privado. graças à oferta de salários
fluências na organização insüucional pua D tratamento da mais elevados e de melhores condições de kabalho.
questão ambiental.Como conseqüêncu dessa polRica,ob.
serva-se uma tendênci% entre os ólgâos setoriais, à defini-
le No enlanloi Comoindica Ualme(19e3). Q esiabelecinenudecrüó
ção de suas esualêgias segundo uma racionalidadecoípora-
ia$ e parâmetos amblenbb não é im processo mnânim, rnB9a
bvista e limitada. A dispaa por recursos e poder entre órgãos expns$ão de cor#lilosepbt8mológlcw. filHola$ de regulação.tm-
setoíims conduziu a uma doida demarcação de competên- dlÇÕe9nacjonab, valom$ $odai9 e aHRJdes
pioflsslonal$.

23
r

FalHeM amblenuis e desenwlvimerib no Brwi

Conclusões Referências bibliografias

A evotuçãa das polacas ambientais brasileiras. aqui analisa- ALMEIDA.M.O.


da. caracterizou-se pela adição de grande número de estra- 19B2 Economia developmeM and the preservation of
tégias e instrumentos e por $ua pemlanência ao longo das envíronment In: Devefq)menuand
ÜKimasdécadas. No entanto.essas abordagensse acres- er v#onmpflr. ralis. Mwton.
centam $em um real questbnamento quanto à sua eHcácia. FBCN - Fundação Brasileira puro Conwrvação da Natureza
compatibilidade ou coerência. Por ocasião da elaboração da 1983 Leglsfação c» conservação d9 n18rweza. são
mva Constituiçãoe de $ua regulamentação.
faz-se oportuna Paulo.CESP.
B recossâria uma revisão aprofundadadõs palRicasanil HAHN.C.etalii
bipntais brasileiras, no sentido de melhor adapta-las à rnva t984 A&fod)bgapam associação dp pafuenfps
realidadesocial. econõmic8. instüucbnal e juddlce do Pais. almas/#iws ccvnocausas da agrava â satid9.
São Paula, Fawldüdo de Saúde Pública. mima
MAIONE.G.
lsn Imp6ca uma reformui8ção das estratégias atuai$. rn 1983 $clence and tens-sclence in steítdad
smüdo de se adorarempolRlcasde desenvolvhnentoe meb setting. Scfertce.r8chnobgr& Human Ualues
umbleMO iMegradas e abrmgerHe$. envolvendo o planeja- g.n., wldor.
mento e gennclamento global de recursos amblentüis. 6 NONOSOWSKI. E.
também de $e criarem instrumentos 8 tornas de orgartizaçâo
t986 Avaliação de impacto ambiental; perspecllva8 de
adequadasaessesobjeüvos. aplicação
em paísesdoterceiromundo. Slílopses.
Sâo Paulo.jun.
MONTEiRQ. C. A. F.
Em parbçular. a adição continua de novos e mais soüsüca-
1981 4 quosfâaapnüertfafno
8rasit f%a-í980. São
dos instrumenbs para Q phnejainwnto e o gerenciamonto
PeDIa.rGBOG-USP.{Tesee monografias. 42}.
ambiental tamt)ém deveria ser reavaliada. Antes. deveriam
ser adequadamente compreendidas e expbradas as potes. ROMPEU. Cid Tomanik
cialldades 6 llmiteções dos instrumentos existentes. no con- 1978 Legislação amHenial aplicável às grandes
represas. eüsla DAF. São Paulo. ano 38. n.llfi
texto do planejamento para a desenvolvimento. Sua uülizaçâo PP.s&®.
ndiscdmlnada, enquanto um substituía à adição do estraté-
VAN ACKER. F. T. & GOUVEA. Y. M. G.
gias mais abrangentes. poderá comHometer a eficiência dos
1985 1.egos/açâa;regiões metrapQlüanas,proteçâo dos
nstrumentos. dada a fará de capacidades técnicas e geren- mananciaise zoneamentoIndustrial São Paul.
ciàs para $ua cometa aplicação. CETESB.

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