Você está na página 1de 2

2.

Taxas e Regimes Cambiais

2.1. Taxas de Câmbio

Sabemos que a política cambial e o regime cambial adotados pelo governo causam impactos na
balança comercial. Isso porque a taxa de câmbio está relacionada com a quantidade de divisas que
entram e saem do país (exportações e importações). Além disso, alterações na taxa de cambio não
estão relacionadas apenas com o comércio internacional, podem causar mudanças nos preços
internos e por conseqüência na inflação.

A política externa brasileira dos últimos anos vem tendo como prioridade o controle da inflação. Por
isso, os governos procuram manter a moeda “forte”, ou seja, valorizada. A valorização da moeda
nacional gera aumento nas importações, pois os preços dos bens importados tendem a diminuir.
Como conseqüência, aumenta a concorrência entre os bens nacionais e importados e isso
desestimula o aumento dos preços dos bens nacionais, já que precisam estar em um nível
competitivo com os importados. Isso é chamado de âncora cambial. Uma moeda forte possibilita
importação de bens de capital mais modernos, o que proporciona um aumento na produtividade e
redução de custos de produção para as empresas. No futuro, reflete no bolso do consumidor, com a
redução dos preços dos bens finais.

Contudo, uma moeda valorizada significa maior vulnerabilidade externa. A economia interna passa
a depender muito da externa e isso pode ser perigoso. Há uma tendência de déficit na balança
comercial, já que os exportadores são prejudicados e os setores que não estão preparados para
competir com os produtos importados também.

Analisando o inverso, a desvalorização da moeda prejudica as importações, pois os preços dos


importados em termos de moeda nacional aumentam. O consumidor evita comprar o produto
estrangeiro e as empresas que dependem de matéria prima importada acabam tendo aumento nos
custos de produção e isso acaba influenciando no preço do bem final. Por exemplo: se o petróleo
aumenta, o consumidor sente no bolso o aumento da gasolina e dos produtos derivados. Se o preço
dos cereais aumenta (trigo por exemplo), todos os produtos vendidos em supermercados que
contenham esse cereal sofrem aumento de preço. É o chamado “pass through”, quando o aumento
dos preços dos insumos importados reflete nos índices de inflação. Quem é beneficiado com a
depreciação cambial são os exportadores, o que teoricamente seria bom (mais exportações e menos
importações), não fosse pelo pass through e pela necessidade de importar tecnologia para
modernizar o parque produtivo nacional.

2.2. Regimes Cambiais

Regime Cambial é forma na qual há a determinação da taxa de câmbio. Há três formas de isso se
realizar: Regime de Câmbio Flutuante, Fixa e de Bandas Cambiais.

2.2.1. Regime de Câmbio Fixo


Nesse regime, um órgão de governo pré determinado, análogo ao Banco Central brasileiro,
estabelece o valor da taxa de cambio com a qual o mercado deve operar. É claro que ele deve
garantir que isso aconteça, disponibilizando reservas de moeda estrangeira quando a demanda
aumentar e compranda moeda estrangeira quando a oferta aumentar.

A grande vantagem é a estabilidade cambial, que garante um controle sobre a inflação. Por isso esse
regime foi muito utilizado em países emergentes até a década de 90. Existem, porém algumas
desvantangens. Se perde a política monetária como instrumento de política econômica; há uma
tendência de poucos investimentos extrangeiros pela centralização elevada de uma decisão que
afeta largamente o mercado; caso o governe erre o valor de mercado da taxa, se da margem para
especulação sendo que quem pagará conta dela é o governo e também pode ser gerado um
mercado paralelo de moeda, ilegal, com valores aproximados aos supostos valores de mercado da
moeda estrangeira.

2.2.2. Regime de Câmbio Flutuante

Nesse regime, o valor da taxa de câmbio é definido pelo mercado, por meio da oferta e procura por
moeda estrangeira. A principal vantagem é a política monetária como instrumento de política
econômica, sobretudo a taxa de juros que o governo tanto faz uso para conter a inflação. Como
disvantagens, perde-se o controle dos preços de produtos importados, o que tbm pode levar a
inflação, também há a especulação e a alta volatibilidade da taxa cambial pode instaurar
instabilidades econômicas.

Nesse regime o governo pode intervir, comprando moeda estrangeira ou vendendo suas reservas,
aumentando ou diminuindo a oferta no mercado. Assim, ele continua tendo influencia na taxa de
câmbio, deixando-a em níveis que ele ocnsidera aceitáveis. Dessa forma, se configura o que
especialista chamam de flutuação suja, que é quando o governo intervém da forma explicitada.

Em geral, os países com mercados econômicos desenvolvidos e estáveis irão usar um sistema
flutuante. Na prática, todos os grandes países usam esse sistema, incluindo os EUA, o Canadá e a
Grã-Bretanha. As taxas de câmbio flutuantes são consideradas mais eficientes, já que o mercado irá
corrigir de maneira automática a taxa para refletir a inflação de outras forças econômicas.
Atualmente, o Brasil usa a taxa de câmbio flutuante.

2.2.3. Regime de Bandas Cambiais

É um misto dos dois regimes acima explanados. O governo limita uma faixa de operação mínima e
uma máxima para as taxas de câmbio. No momento em que a taxa atinge algum dos limites, é
função do governo intervir com venda ou compra de moeda estrangeira para garantir que ela opere
dentro do limites. Esse foi exatamente o regime adotado pelo Brasil durante o início do plano real
até o início de 1999.

Leia mais: https://projetoarthur119.webnode.com.br/taxas-e-regimes-cambiais/