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I Colóquio Winnicott da Universidade

Estadual de Feira de Santana

Este evento encontra-se registrado na PROEX Sob o número PROEX 08/2015


UNIVERSIDADE DE FEIRA DE SANTANA

Reitor
Evandro do Nascimento Silva

Vice-Reitora
Norma Lúcia Fernandes de Almeida

Pró-Reitora de Ensino e Graduação


Amali de Angelis Mussi

Pró-Reitor de Extensão
Márcio Campos Oliveira

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação


Eurelino Teixeira Coelho Neto

Pró-Reitor de Administração e Finanças


Carlos Eduardo Cardoso Oliveira

Diretor do Departamento Ciências Humanas em Filosofia


Nilo Henrique Neves dos Reis

Ficha catalográfica- Biblioteca Central Julieta Carteado - UEFS

Colóquio Winnicott da Universidade Estadual de Feira de


Santana (1. : 2015: Feira de Santana, BA)
C693 Caderno de resumos [do] I Colóquio Winnicott da
Universidade Estadual de Feira de Santana. - Feira de Santana:
Universidade Estadual de Feira de Santana, 2015.
20 p. : il.

ISSN: 2447-2956

1. Winnicott, Donald Woods – Teoria. 2. Psicanálise –


Criança – Desenvolvimento. I. Título.

CDU: 159.964.2-053.2

____________________________________________________________
COORDENAÇÃO GERAL
Profa. Caroline Vasconcelos Ribeiro (UEFS)
Prof. Carlos César Barros (UEFS)

COMISSÃO ORGANIZADORA
Fernanda de Jesus Almeida (Graduanda da UEFS)
Jilvânia de Jesus Barbosa (Graduanda da UEFS)
Priscila Leal Bispo Lopes (Graduanda da UEFS)
Stefanie de Almeida Macêdo (Graduanda da UEFS)
Thaís de Almeida Santos (Graduanda da UEFS)
Willima Cíntia Santos Barboza (Graduanda da UEFS)
Tétis Mori Muniz (Psicóloga e Mestre em educação pela UNICAMP)

COMISSÃO CIENTÍFICA
Drª Conceição Aparecida Serralha (SBPW/UFTM)
Dr. Eder Soares Santos (UEL/SBPW)
Drª Marie Claire Sekkel (USP)
Drª. Roseana Garcia (SBPW)
Dr ª Suze Piza (SBPW/FGV)

TRABALHO DE EDIÇÃO
Priscila Leal
APRESENTAÇÃO

A realização, pela UEFS, de um evento dedicado ao pensamento de Winnicott


representa o corolário de um movimento interno de fomento ao estudo da teoria
winnicottiana do amadurecimento humano. Esse movimento vem ocorrendo através de
iniciativas na graduação em Psicologia e em grupos de estudos interdisciplinares como
o GEFIP (Grupo de Estudos em Filosofia e Psicanálise), coordenado pela professora
Caroline Vasconcelos e o Grupo de Estudos vinculado ao projeto de pesquisa
“Psicologia e reconhecimento dos direitos humanos: categorias psicológicas na teoria
do reconhecimento de Axel Honneth”, coordenado pelo professor Carlos Barros.

Intolerante quanto à incidência de doenças que podem ser prevenidas – sejam elas
orgânicas ou psíquicas – Winnicott direcionou boa parte de suas intervenções a
propósitos profiláticos, proferindo palestras para pediatras, psicólogos, obstetras,
enfermeiros, assistentes sociais, juristas e educadores. O autor em comento não reduziu
sua prática ao consultório psicanalítico, antes, estendeu seu campo de atuação ao âmbito
institucional: hospitais de pediatria, estabelecimentos de assistência social a menores
com tendência anti-social e instituições asilares. Esta vasta experiência institucional o
habilitou a construir uma trajetória intelectual marcada por profundos diálogos com a
área social, educacional e de saúde, o que conferiu à teoria winnicottiana do
amadurecimento humano um marcante caráter interdisciplinar. Além disso, a referida
teoria tem sido alvo de constantes análises filosóficas, em função da presença de uma
discussão que se aproxima do pensamento de Martin Heidegger e de Axel Honneth.

Com a realização do I Colóquio Winnicott da UEFS objetivamos transformar a


Universidade Estadual de Feira de Santana em um pólo de fomento ao debate acerca do
pensamento de um psicanalista que dialoga com diversos campos de saberes e que tem
como foco principal a adoção de medidas profiláticas no campo da saúde psíquica.
Desejamos a todos um frutífero evento!

Profa. Caroline Vasconcelos Ribeiro (UEFS)


Prof. Carlos César Barros (UEFS)
Coordenadores do evento
SUMÁRIO
Amanda Azevedo Mota Carneiro e Diana Paula Nunes do Carmo – Conceito de mãe
suficientemente boa na psicanálise winnicottiana – pág. 7

Edivaneide de Araújo Oliveira – A comunicação da criança na clínica de psicanálise


infantil – pág. 8

Flavia Cristina Gorni, Gabriela Shimaneski de Carvalho e Gessica Greschuk Ribeiro -


Interpretação de um caso clínico pela visão da teoria de D. W. Winnicott – pág. 9

Géssica Karine Araújo Silva e Jamile Santos Mercês – Impressões de uma mãe sobre
a gestação, o parto e o desenvolvimento do bebê – pág. 10

Indiara Lima Miranda Oliveira e Natiara Cristian Araújo dos Santos – Relatos de mães
sobre a gestação e o pós-parto à luz da preocupação materna primária– pág. 11

Larissa Aleluia Nunes – Donald Winnicott na teoria do reconhecimento de Axel


Honneth: amor e luto – pág. 12

Ludmilla Couto da Silva – Winnicott e suas contribuições para a intervenção


profilática no espaço da UTI neonatal – pág. 13

Maria Carolina de Oliveira Silva e Vanderleia Alves de Oliveira – A creche à luz da


teoria winnicottiana – pág. 14

Mariana de Oliveira Pinheiro– Brincar é coisa séria: o lúdico como recurso no


atendimento psicológico a crianças em situação de violência sexual – pág. 15

Mirella Almeida de Souza e Sandy Karolyne de Carvalho Araújo – O autismo e a


teoria do amadurecimento pessoal de Winnicott – pág. 16

Rafaela Braga Pereira Veloso – Contribuições do pensamento winnicotiano aos


cuidados de enfermagem à população – pág. 17

Rosane Marcely Amparo Macêdo– A perspectiva winnicottiana de entendimento da


tendência antissocial e a formação de professores: breves considerações – pág. 18

Soraya de Lima Cabral Conturbia– Diálogos entre Heidegger e Winnicott: um olhar


sobre o conceito de tempo – pág. 19

Stefanie de Almeida Macêdo e Willima Cintia Santos Barboza – A contribuição da


teoria do amadurecimento de Winnicott para a teoria do reconhecimento de Axel
Honneth – pág. 20

Thaís de Almeida Santos – O direito de brincar: uma articulação entre o ECA e o


brincar na obra de Winnicott – pág. 21
Conceito de mãe suficientemente boa na psicanálise winnicottiana

Amanda de Azevedo Mota Carneiro


Especialista em Gestão da Inovação Tecnológicae graduanda em Psicologia - UEFS

Diana Paula Nunes do Carmo


Graduanda em Psicologia - UEFS

A psicanálise de Winnicott é desenvolvida com base na Teoria do Amadurecimento,


que comporta a ideia de que o sujeito só irá amadurecer mediante cuidados. Nesta
perspectiva ele aborda conceitos como ambiente, maternagem, holding, handling, e o
conceito de mãe suficientemente boa. Na teoria do desenvolvimento emocional humano,
de Winnicott, a mãe é tida como essencial. Ela é para o bebê, o primeiro ambiente,
sendo quem se adapta ativamente para as necessidades daquele, considerando termos
biológicos e psicológicos. A mãe recebe um destaque especial em Winnicott, quando ele
se refere a ela como “natural” e “sadia”, concomitante ao que ela faz com essa
“naturalidade. Quando Winnicott se refere à mãe como “suficientemente boa”, faz
referência ao processo de adaptação da mãe a todas as necessidades de um bebê recém-
nascido, sendo que esta, é quem torna o bebê capaz de ter uma experiência de
onipotência. Nos estágios iniciais de vida do bebê, há uma dependência absoluta onde a
figura materna se faz extremamente necessária, nesta fase, a mãe está num estado de
preocupação materno primária. Nesses momentos iniciais, são necessárias três funções
da maternagem, apontadas por Winnicott como essenciais – holding, handling e
apresentação dos objetos. Winnicott defende que, um bebê a quem seguram bem é
muito diferente de outro, cuja experiência de ser segurado não foi muito positiva. Um
Holding suficientemente bom será o mecanismo responsável para que o bebê seja
integrado, desenvolva uma relação objetal e tenha sua psique alojada ao corpo.
Handling é traduzido por manejo, como contato corpo a corpo, contato do toque, do
físico, do corporal. É a forma como o bebê é tratado, cuidado e manipulado. Na
apresentação dos objetos a mãe começa a se colocar como alguém substituível para o
bebê, e novos objetos serão apresentados em seu lugar.

Palavras-chave: mãe; holding; handling.

7
A comunicação da criança na clínica de psicanálise infantil

Edivaneide de Araujo Oliveira


Especialista em Psicologia de Trânsito pelo Instituto Nacional de Cursos

Este trabalho empreende uma reflexão sobre como ocorre a comunicação entre a criança
e o seu analista na clínica de Psicanálise Infantil, bem como uma análise das técnicas de
interpretação que ajudam o analista a compreender a linguagem pré-verbal da criança na
clínica. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica do caminho histórico
percorrido pela Psicanálise Infantil, para a qual foi escolhido o arcabouço teórico de
Winnicott. Buscou-se revisar sua teoria do amadurecimento humano, que trata dos
estágios do amadurecimento, para compreender os processos relativos ao
desenvolvimento emocional na infância e as formas de comunicação utilizadas pela
criança no setting analítico. Durante a revisão dos estudos, fora realizado um estudo de
caso com uma criança atendida no contexto da clínica-escola de Psicologia da
Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC,durante o qual pôde-se analisar como, por
meio do brincar, a criança pode se expressar e re-significar certos conteúdos latentes no
processo terapêutico. O referido estudo foi realizado respeitando as Diretrizes e Normas
Regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos do qual se pôde perceber
nos resultados gerais, uma harmonia verdadeira e importante entre a teoria estudada e as
questões apresentadas no caso, no que se refere à constituição da demanda, à evolução
clínica do paciente e ao final do tratamento.

Palavras-chave: psicanálise Infantil, desenvolvimento maturacional, brincar.

8
Interpretação de um caso clínico pela visão da teoria de
D. W. Winnicott

Flavia Gorni, Gabriela Carvalho e Gessica Greschuk


Graduandas em Psicologia - UFPR

O presente resumo refere-se à interpretação de um caso clínico pela perspectiva


de Winnicott. A paciente era uma freira afastada temporariamente do convento para
verificar a vocação. Foi atendida por dois anos. A paciente procura a analista
identificando-se já inicialmente com o nome da mesma. Ela relata ser vítima de abuso
sexual, cometido pelo irmão mais velho e primos, as cenas tiveram início na infância,
aos sete anos e perduraram até os dezoito. A paciente os narrava como se não fosse ela
que tivesse vivido, com falta de afeto e com certa irrealidade. A infância é o período em
que amealhar fatores externos para dentro da área da onipotência da criança está no
processo de formação. O cuidado materno auxilia o ego da criança. O relacionamento
da paciente com sua mãe é conturbado. A problemática é pré-edípica. Após oito meses
de análise, a paciente relata que pode confiar na analista. A posição do analista é a de
holding. A demanda por parte da paciente é grande, fazendo com que nenhuma madre
superiora consiga suprir, sempre a mandando para outro convento. Falta diferenciação
de eu e não eu na paciente e diferenciação da realidade, pelos traços psicóticos. A
paciente sente necessidade de voltar ao convento abruptamente, e nesse momento, é
necessário holding da analista, preparando a paciente para que essa transição seja menos
traumática possível. Antes da volta ao convento houve uma passagem na casa da mãe da
paciente que teve uma função desorganizadora sobre a mesma. O tratamento é
encerrado gradualmente. A paciente escreve eventualmente contando sobre a vida no
convento.

Palavras-chave: análise; Winnicott.

9
Impressões de uma mãe sobre a gestação, o parto e
o desenvolvimento do bebê

Géssica Karine Araújo Silva e Jamile Santos Mercês


Graduandas em Psicologia - UFRB

Prof. Drª. Cristiane Ajnamei dos Santos Alfaya - UFRB


(orientadora)

O presente relato de experiência teve por objetivo coletar impressões de uma mãe sobre
a gestação, o parto e o desenvolvimento do bebê durante os seus primeiros seis meses
de vida. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas adaptadas dos instrumentos de
entrevistas “Impressões da mãe sobre o desenvolvimento do bebê”, “Entrevista sobre a
experiência da maternidade” e “Entrevista sobre a gestação e o parto” do
GIDEP/NUDIF-UFRGS. Observou-se por meio dos relatos da mãe entrevistada, a
presença de uma posição subjetiva de preocupação materna primária no relacionamento
mãe-bebê. Nesta díade, partindo de pressupostos winnicottianos, é possível refletir-se o
quanto é pertinente para e no desenvolvimento bidirecional, tal como na identificação
mãe-bebê, a constituição da preocupação materna primária, desdobrando-se na figura da
mãe suficientemente boa. A partir do discurso materno “meu primeiro momento a sós
com minha filha foi fantástico, foi lindo. [Ela] é a grande realização da minha vida.
[...] A maternidade me amadureceu, me senti capaz de cuidar do meu bebê por mim
mesma, eu queria os cuidados para mim.” foi possível compreender que lançar luz aos
pressupostos teóricos da preocupação materna primária e da mãe suficientemente boa
para compreender a questão posta sobre o desenvolvimento do relacionamento mãe-
bebê apresenta-se como ponto central de articulação entre esses seres.

Palavras-chave: preocupação materna primária; relacionamento mãe-bebê; mãe


suficientemente boa.

10
Relatos de mães sobre a gestação e o pós-parto à luz da
preocupação materna primária

Indiara Lima Miranda Oliveira


Pedagoga pela UFBA e graduanda em Psicologia - UFRB

Natiara Cristian Araújo dos Santos


Graduanda em Psicologia - UFRB

O termo Preocupação Materna Primária, cunhado por Donald Woods Winnicott, refere-
se à possibilidade da mulher grávida sadia ingressar num estado psicológico
especialmente sensível e adaptado às necessidades corporais e egóicas do bebê. Esta
condição de dedicação exacerbada surge no final da gestação e permanece até algumas
semanas após o nascimento do bebê, sendo dificilmente recordado pelas mães que a
vivenciam. Conforme o pensamento winnicottiano, a mãe que se encontra nesse estado
quase que enfermo de completa devoção, viabiliza o desenvolvimento saudável do seu
bebê, configurando-se num ambiente suficientemente bom para a constituição do seu
ego pessoal. Destarte, a saúde física e psicológica da criança depende do ingresso da sua
mãe neste estado de “doença saudável”, bem como da sua ‘recuperação’. A tese de
Winnicott aponta ainda, que algumas mães podem resistir a esta condição mantendo-se
ligadas a interesses outros, ou podem desenvolvê-la durante a gravidez de um filho e de
outro não. Com efeito, o objetivo do presente trabalho é discutir à luz desta tese
winnicottiana da Preocupação Materna Primária, relatos de mães referentes ao período
da gravidez e pós-parto. Participaram do estudo quatro mães que responderam a uma
entrevista semiestruturada. Através dos relatos, os resultados obtidos revelaram diversas
correspondências entre os discursos maternos e o conceito winnicottiano referido, que
nos permite, portanto, aprofundar a compreensão da teoria bem como confirmar a sua
atualidade.

Palavras-chave: Preocupação materna primária; Winnicott.

11
Donald Winnicott na teoria do reconhecimento de Axel Honneth:
amor e luto

Larissa Aleluia Nunes


Graduanda em Psicologia - UEFS

Prof. Dr. Carlos César Barros - UEFS


(orientador)

Essa comunicação resulta de um projeto de pesquisa que buscou identificar, descrever e


analisar criticamente as categorias psicológicas de Winnicott mencionadas por Honneth
em “Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais”. O texto de
Honneth proporciona interpretar as relações amorosas como processo de
reconhecimento recíproco. A teoria psicanalítica das relações objetais possibilita uma
ilustração do amor como tal, sendo que o sucesso das relações afetivas depende do
equilíbrio entre dependência e autoafirmação durante a infância. Assim, as perguntas
que direcionaram a pesquisa foram: “Como se constitui o processo no qual ocorre a
ruptura da dependência mãe-bebê?”“Como o luto da dependência pode levar à
autoafirmação ou constituição de si no reconhecimento da relação com o outro?” A
pesquisa centrou-se nas seguintes obras de Donald Winnicott: O ambiente e os
processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional (1983) e
O brincar e a realidade (1975). Ao aproximar estes autores tem-se que o padrão
primordial de todas as formas de amor se encontra na relação de dependência mãe-bebê,
sendo que a criança só é capaz de reconhecer um objeto se o seu ambiente permitir a
utilização dos mecanismos de “destruição” e dos “fenômenos transicionais”. Na
transição da dependência relativa à independência, a criança passa por um luto desse
objeto parcial, pois o perde. O trabalho do luto seria a manutenção do processo dialético
entre o real e a fantasia, necessária ao bebê para lidar com a separação da mãe. A
criança aprende a poupar o objeto para salvá-lo da destruição e essa reparação vincula-
se à brincadeira, à criatividade e, consequentemente, ao trabalho, visto que implica no
tornar responsável. Deste modo, ao relacionar os conceitos psicológicos descritos em
Honneth (2003) com a teoria mais ampla de Winnicott, aproximou-se amor e luto
através da teoria das relações objetais.

Palavras-chave: Psicologia; Honneth; Winnicott.

12
Winnicott e suas contribuições para a intervenção profilática
no espaço da UTI neonatal

Ludmilla Couto da Silva


Graduanda em Psicologia - UEFS

Prof.ª Dr.ª Caroline Vasconcelos Ribeiro - UEFS


(orientadora)

A UTI neonatal é comumente associada a um local específico de um Hospital, para o


qual são levados os recém-nascidos que apresentam risco de morte e os que nasceram
prematuramente. Esse ambiente é visualizado a partir de uma ótica biomédica, em que
toda assistência visa fornecer auxílio e cuidados que assegurem a saúde e o
desenvolvimento dos bebês. De fato, se o auxílio e os cuidados referidos forem efetivos,
a sobrevivência do lactente será garantida, o que representará um triunfo no plano
fisiológico. Tal triunfo, todavia, não deve nos fazer perder de vista os elementos
psíquicos que estão envolvidos durante e depois da internação. Sendo assim, torna-se
fundamental pensar ações no campo da profilaxia para a saúde psíquica. Com essa
comunicação visamos explanar sobre a possibilidade de aplicação de alguns elementos
da teoria de D. W. Winnicott, em especial sua concepção de holding, handling e
comunicação, na compreensão da relação mãe-bebê internado numa UTI neonatal.
Almejamos também pensar a função do pai e da equipe médica nesse contexto. Em
suma: pretendemos tecer breves considerações sobre a relação entre a Teoria do
Amadurecimento Pessoal proposta por Winnicott e a prática hospitalar em UTI
neonatal, com ênfase nas necessidades do bebê em internação.

Palavras-chave: holding, relação mãe-bebê, UTI neonatal.

13
A Creche à luz da Teoria Winicottiana

Maria Carolina de Oliveira Silva e Vanderleia Alves de Oliveira


Graduandas em Psicologia - UEFS

A creche é espaço educativo, que usualmente é caracterizado por conceder suporte


pedagógico e cuidadosa bebês e crianças com até três anos de idade. Tendo em vista que
esta se encontra cada vez mais presente na rotina dos indivíduos, e em geral, ser um
ambiente a qual são transferidos os cuidados inicialmente maternais, visamos apresentar
contribuições para um possível diálogo entre a Teoria do Amadurecimento Emocional,
proposta por Winnicott e o contexto da Creche. Partindo da premissa de Winnicott de
que o período da primeira infância é fundamental para o desenvolvimento e saúde
mental do bebê, este trabalho propõe discutir maneiras de tornar a Creche um ambiente
favorecedor de um desenvolvimento saudável e da própria constituição psíquica da
criança. Desta forma, julgamos necessário uma otimização na relação cuidador-bebê,
por meio de medidas como: o holding (sustentar, conter), o handling (manipulação) e a
comunicação oferecidos de forma correta e adequada para que assim possa instaurar no
sujeito o sentimento de confiança no ambiente, de modo que este se torne favorável ao
desenvolvimento do mesmo.

Palavras-chave: comunicação; handling; holding.

14
Brincar é coisa séria: o lúdico como recurso no atendimento
psicológico a crianças em situação de violência sexual

Mariana de Oliveira Pinheiro


Graduanda em Psicologia - UFBA

O lúdico caracteriza-se como componente primordial na prática psicoterápica com


crianças. Nesse contexto, o brincar adquire caráter significativo, atuando junto à fala e a
demais formas de comunicação no processo de expressão da criança e de conhecimento da
sua realidade. Portanto, através do brincar torna-se possível a construção de vínculo com a
criança e o acesso ao seu mundo interno, considerando-se suas limitações e possibilidades.
Destarte, o presente trabalho objetiva, através de um relato de experiência, evidenciar a
relevância das atividades lúdicas na prática psicológica com crianças no Serviço de Atenção
a Pessoas em Situação de Violência Sexual – VIVER, localizado em Salvador – Ba. Através
de acolhimentos psicossociais e do atendimento psicoterápico a esses indivíduos, o lúdico
mostrou-se como principal ferramenta de aproximação e interação, possibilitando um
trabalho com essas crianças pautado em conteúdos de suas vivências e realidades. Por meio
da prática psicológica no referido serviço que, dentre outras ações, caracteriza-se pelo
acolhimento e acompanhamento desses sujeitos com intuito de atender a suas demandas,
estejam elas relacionadas ou não a situação de violência sexual, o brincar entra como recurso
no manejo da sexualidade infantil, no processo de autocuidado com o corpo da criança e no
mapeamento de elementos associados à sua vulnerabilidade, bem como na avaliação de
riscos oriundos da violência. Assim, ante a compreensão do papel intermediador do lúdico
entre a psicologia e o mundo infantil, tal trabalho buscará discutir os benefícios e a
importância do brincar no contexto da prática psicológica com crianças expostas à situação
de violência sexual.

Palavras-chave: lúdico; psicologia; violência sexual.

15
O autismo e a teoria do amadurecimento pessoal de Winnicott

Mirella Almeida de Souza e Sandy Karolyne de Carvalho Araujo


Graduandas em Psicologia - UEFS

Prof.ª Dr.ª Caroline Vasconcelos Ribeiro - UEFS


(orientadora)

Esta comunicação objetiva discutir, de maneira preliminar, a relação entre a teoria


winnicottiana do amadurecimento pessoal e o desenvolvimento do autismo, expondo a
importância da maternagem e do ambiente facilitador durante o processo de
desenvolvimento do bebê. Desde a perspectiva winnicottiana o bebê não dispõe, de
antemão, a integração, o alojamento da psique no corpo e a capacidade de se relacionar
com objetos, sendo assim, só poderá adquirir estas conquistas e tornar-se um existente
mediante cuidado humano realizado por uma mãe suficientemente boa, caracterizado
pela relação de empatia e identificação desta com o seu bebê. Ao falar de cuidados
maternos Winnicott não defende que a figura materna deva ser infalível, mas se esse
ambiente falha de forma severa e repetida, não sendo corrigido a posteriori, acaba por
não fornecer a provisão necessária para o bebê, surgindo o sentimento agônico de
aniquilação. Uma organização defensiva se forma a fim de afastar a ameaça ou o reviver
desta agonia primitiva vivenciada na fase de dependência absoluta. Quando essa defesa
se torna constante a criança pode apresentar um quadro de autismo. Almejamos, com
esse trabalho, apresentar as contribuições winnicottianas para o entendimento do
autismo. Visamos, ainda, explanar sobre a maneira como privações ambientais podem
obstaculizar o gesto espontâneo, a integração no tempo e espaço, o conluio
psicossomático e a relação com objetos compartilhados, conquistas que não são
inteiramente alcançadas em casos de autismo.

Palavras-chaves: amadurecimento; autismo; maternagem.

16
Contribuições do pensamento winnicotiano aos cuidados de
enfermagem à população

Rafaela Braga Pereira Velôso


Enfermeira especialista em Saúde da Família e Mestranda em Saúde Coletiva
pela UEFS

Introdução: Os profissionais de enfermagem possuem singular importância no cuidado


à saúde, devido as funções nas práticas desse campo. Pode-se considerar que a sua
essência é o cuidado humano, seja individualmente, família ou comunidade. Winnicott
ao explorar a importância da pessoa e do ambiente para o desenvolvimento do indivíduo
produz uma aproximação das ciências. Isso ocorre com a intersubjetividade e
construção da relação com o outro, fundamental para a compreensão do cuidado de
enfermagem. De acordo com Winnicott a palavra saúde possui seu próprio significado
positivo, fazendo com que a ausência de doenças não seja mais que o ponto de partida
para uma vida saudável. Objetivo: Analisar a relação entre o pensamento winnicottiano
e os cuidados ofertados pela enfermagem. Metodologia: Estudo descritivo do tipo
bibliográfico. As fontes foram encontradas a partir dos descritores Winnicott
/enfermagem na base de dados SCIELO. Identificou-se três publicações que foram
selecionadas por se adequar ao tema. Os artigos foram publicados entre os anos 2005 e
2010. Os artigos foram submetidos a análise de conteúdo. Resultados: A partir da
apreciação do material identificamos que o cuidado de enfermagem tem proximidade ao
conceito winnicottiano de holding e à sua continuidade na vida adulta, pela necessidade
de proteção do indivíduo contra riscos, danos e agravos à saúde, levando em conta a
sensibilidade e a observação de mudanças físicas e psicológicas e de repercussões que a
enfermidade pode trazer ao cotidiano. Os conceitos de ambiente facilitador, espaço
transicional e relações suficientemente boas agregam novos valores ao cuidado de
enfermagem, permitindo uma vitalidade integradora. Conclusão: O cuidado de
enfermagem pode ser mais explorado e os pensamentos winnicottianos possuem ricas
contribuições ao entendimento das relações entre profissionais de saúde e usuários. Essa
associação permite uma reflexão teórica e contribui para a produção dos cuidados de
enfermagem nos serviços de saúde.

Palavras-Chave: Winnicott; relação interdisciplinar; enfermagem.

17
A perspectiva winnicottiana de entendimento da tendência
antissocial e a formação de professores: breves considerações

Rosane Marcely Amparo Macêdo


Graduanda em Psicologia – UEFS

A teoria winnicottiana do amadurecimento pessoal parte do pressuposto teórico de que


o si-mesmo (self) integrado não é uma prerrogativa do nascimento e sim uma aquisição
que se constrói mediante cuidados ambientais, a partir do potencial para o
amadurecimento. Sendo assim, a constituição de um Eu integrado, habitando em seu
próprio corpo e capaz de fazer trocas significativas com os objetos compartilhados
carece de um ambiente satisfatório para desenvolver toda sua potencialidade de ser.
Para Winnicott, inicialmente, o ambiente é a mãe ou substituta no tocante aos cuidados
e atendimento das necessidades do ser em desenvolvimento. Orientados pela
perspectiva winnicottiana de análise do amadurecimento humano e considerando
as legislações vigentes que incluem o direito à educação às crianças e aos adolescentes
em igualdade de condições, percebemos que a inserção de jovens em liberdade assistida
nas escolas regulares da rede básica de ensino é algo pouco discutido e sistematizado.
Isso se reflete na preparação dos professores que, em última instância, são os agentes
educacionais que lidam diretamente e a maior parte do tempo com os adolescentes.
Visto que esta intervenção pode ser decisiva para a reconstrução de novas referências e
possíveis realidades para o desenvolvimento emocional dos inseridos no programa de
liberdade assistida, nos propormos pensar, com essa comunicação, sobre a maneira
como a teoria winnicottiana pode contribuir na formação de professores. Dito de outra
maneira, esta comunicação visa estabelecer um diálogo no campo teórico-conceitual
entre a compreensão winnicottiana da tendência antissocial e o modelo de atendimento
desenvolvido para o público adolescente em conflito com a lei. Com isso almejamos
pensar como esta teoria pode contribuir para a formação de professores para atuarem na
rede básica de ensino regular.

Palavras-chave: Teoria winnicottiana do amadurecimento pessoal; adolescentes;


formação de professores.

18
Diálogos entre Heidegger e Winnicott:
um olhar sobre o conceito de tempo

Soraya de Lima Cabral Conturbia


Mestranda em Filosofia - UNICAMP

Prof. Dr. Zeljko Loparic - UNICAMP


(orientador)

Pretende-se analisar o conceito de tempo em Heidegger e Winnicott. Para Heidegger,


tanto o tempo quanto o espaço já são dados no mundo, em outras palavras, o Dasein (o
único ente capaz de responder pelo seu ser) já está sempre lançado no mundo. Portanto,
este Dasein já lançado é a própria abertura para fora de si mesmo, expulso de si, jogado
para ek-sistir (para fora). Desse modo, o Dasein que já se encontra na abertura para
fundamentar sua existência na compreensão, se desdobra e/ou se desenrola no tempo.
Portanto, a temporalidade é o último fundamento ontológico da ek-sistencia. O Dasein,
ek-siste porque se temporaliza. No geral, o sentido do ser na teoria Heideggeriana, se
deriva no horizonte do tempo e, desse modo, o ser é tempo enquanto tempo originário
ligado ao sentido do ser. Em Winnicott o tempo, diferentemente do tempo de
Heidegger, se apresenta na perspectiva da integração, ou seja, para que haja
temporalidade no indivíduo, esta a priori, deverá ser conquistada/ alcançada durante as
tarefas iniciais do amadurecimento emocional. Desse modo, a teoria do amadurecimento
é perpassada pela linha temporal havendo, dessa maneira, o início da jornada de
vivências a cada etapa de conquistas/integração do amadurecimento. Em linhas gerais, a
teoria Winnicottiana sobre o amadurecimento abrange a natureza humana, sendo esta,
uma amostra no tempo, ou seja, o homem é um ser essencialmente temporal, pautado o
tempo todo na própria relação com o tempo, que se apresentam nesta teoria, através dos
estágios/ etapas do amadurecimento da vida do indivíduo. O tempo é algo a ser
alcançado pelo bebê, na dependência absoluta, através dos cuidados ambientais, sendo,
nesse sentido, o tempo e o espaço, a primeira conquista a ser atingida pelo lactante. Por
ser uma conquista, esta também pode ser perdida caso falhas ambientais ininterruptas
ameacem a continuidade de ser do bebê.

Palavras-chave: Heidegger; Winnicott; Tempo.

19
A contribuição da teoria do amadurecimento de Winnicott
para a teoria do reconhecimento de Axel Honneth

Stefanie de Almeida Macêdo e Willima Cintia Santos Barboza


Graduandas em Psicologia - UEFS

Prof. Dr. Carlos César Barros - UEFS


(orientador)

Esta apresentação tem como objetivo analisar as contribuições da Teoria do


Amadurecimento Pessoal de Donald Winnicott para a Teoria do Reconhecimento Social
de Axel Honneth. Em sua teoria, Honneth realiza uma atualização sistemática das
categorias de reconhecimento postuladas por Hegel - amor, direito e solidariedade,
lançando mão de teóricos que oferecem fundamentação consistente para tais categorias
na contemporaneidade. Winnicott contribui para o estudo do amor na mesma linha da
perspectiva anti-atomista honnethiana, já que a dependência em relação ao outro é o que
garante a possibilidade de existência dos indivíduos. Partindo da teoria winnicottiana, o
conceito de amor é desenvolvido levando em consideração a relação afetiva entre
mãe/bebê, dessa forma, propõe-se a análise da importância de tal relação para a
construção da autoconfiança e do reconhecimento de si e do outro como seres de
direitos próprios. Entre as formas de reconhecimento, o cuidado afetivo apresenta-se
como a mais primitiva dentre as três e é constituída pelas relações amorosas baseadas no
assentamento e encorajamento afetivo. Faz-se relevante, também, a compreensão das
consequências do desrespeito das relações afetivas na identidade pessoal do sujeito e
nas relações estabelecidas com o outro, destacando, desse modo, o caráter
interrelacional das questões sociais e psíquicas e a relevância de uma relação de afeto
saudável no início da vida para o desenvolvimento moral. Dessa forma, a aproximação
aqui pleiteada ratifica a proposta de Teoria Crítica apresentada por Max Horkheimer nos
idos de 1930: a de uma construção teórico-normativa baseada na relação a ser firmada
entre as ciências sociais e a psicanálise.

Palavras-chave: amor; reconhecimento; amadurecimento.

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O direito de brincar: uma articulação entre o ECA e
o brincar na obra de Winnicott

Thaís de Almeida Santos


Graduanda em Psicologia - UEFS

Partindo do pensamento do psicanalista inglês Donald Winnicott, propõe-se uma


reflexão sobre a importância da garantia e respeito aos direitos das crianças,
regulamentados, no Brasil, pela Lei 8.069/1990 - o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA). Nessa, salienta-se a garantia, pelo Estado de Direito, a um
desenvolvimento sadio e harmonioso e a inviolabilidade da integridade física, psíquica e
moral da criança e do adolescente, abrangendo desde sua identidade aos seus espaços e
objetos pessoais. Dessa forma, tendo em vista a teoria do amadurecimento pessoal de
Winnicott, o direito à infância será defendido a partir da análise dos aspectos que
circundam o desenvolvimento saudável dos sujeitos, destacando-se o brincar como
fenômeno intermediário entre o mundo subjetivo e a realidade objetivamente percebida,
e a importância da contribuição do Estado, através da proteção às crianças e respeito aos
seus direitos, para a garantia do viver criativo, apontado pelo referido autor como
mecanismo fundamental para o desenvolvimento emocional saudável e conquistado nas
primeiras experiências da infância. Ademais, almeja-se construir provocações acerca
das contribuições da Psicologia na atenuação dos efeitos nocivos que a violação do
direito à infância tem sobre a saúde psíquica das crianças.

Palavras-chave: Direitos humanos; amadurecimento; brincar.

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