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II Colóquio Winnicott da Universidade

Estadual de Feira de Santana

Este evento encontra-se registrado na PROEX sob o número PROEX 15/2016


UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

Reitor
Evandro do Nascimento Silva

Vice-Reitora
Norma Lúcia Fernandes de Almeida

Pró-Reitora de Ensino e Graduação


Amali de Angelis Mussi

Pró-Reitor de Extensão
Márcio Campos Oliveira

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação


Eurelino Teixeira Coelho Neto

Pró-Reitor de Administração e Finanças


Carlos Eduardo Cardoso Oliveira

Diretor do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia


Ágabo Borges de Souza

Ficha catalográfica- Biblioteca Central Julieta Carteado - UEFS

Colóquio Winnicott da Universidade Estadual de Feira de


Santana (2. : 2016: Feira de Santana, BA)
C693 Caderno de resumos [do] II Colóquio Winnicott da
Universidade Estadual de Feira de Santana. - Feira de Santana:
Universidade Estadual de Feira de Santana, 2016.
20 p. : il.

ISSN 2447-2956

1. Winnicott, Donald Woods – Teoria. 2. Psicanálise –


Criança – Desenvolvimento. I. Título.

CDU: 159.964.2-053.2

____________________________________________________________
COORDENAÇÃO GERAL
Profa. Drª. Caroline Vasconcelos Ribeiro (UEFS)
Prof. Dr. Carlos César Barros (UEFS)

COMISSÃO ORGANIZADORA
Fernanda de Jesus Almeida (Graduanda em Psicologia da UEFS)
Igor Vinicius Rodrigues de Sousa (Graduando em Psicologia da UEFS)
Jilvânia de Jesus Barbosa (Graduanda em Psicologia da UEFS)
Maria Simone Xavier (Graduanda em Psicologia da UEFS)
Stefanie de Almeida Macêdo (Graduanda em Psicologia da UEFS)
Thaís de Almeida Santos (Graduanda em Psicologia da UEFS)
Willima Cíntia Santos Barboza (Graduanda em Psicologia da UEFS)
Tétis Mori Muniz (Psicóloga e Mestre em educação pela UNICAMP)

COMISSÃO CIENTÍFICA
Profª. Drª. Carla Biancha Angelucci (USP)
Profª. Drª. Claudia Dias Rosa (SBPW/IWA)
Profª. Drª. Conceição Aparecida Serralha (UFTM/SBPW/IWA/)
Prof. Dr. Eder Soares Santos (UEL/SBPW/IWA)
Profª. Drª. Gabriela Bruno Gálvan (SBPW/IWA)
Profª. Drª. Marie Claire Sekkel (USP)
Profª. Drª. Suze de Oliveira Piza (UFABC/SBPW/IWA)

TRABALHO DE EDIÇÃO
Igor Vinicius Rodrigues de Sousa
Stefanie de Almeida Macêdo
SUMÁRIO

O brincar no hospital como suporte psíquico


Aclais Tainã Amaral Gomes Santos ............................................................................................ 06

Considerações winnicottianas sobre a adoção


Alinne Gomes de Almeida e Marivânia Carvalho Lima .............................................................. 07

O brincar como experiência criadora na educação infantil


Alisson da Silva Souza ................................................................................................................ 08

O mal estar na creche: reflexões acerca do lugar do(a) educador(a)/cuidador(a)


Andrea Pires de Oliveira .............................................................................................................. 09

Relato de experiência em estágio supervisionado na abordagem winnicottiana


Daniela Meira Silveira e Débora Fernandes dos Anjos ............................................................... 10

Nascimento e memória: o nascimento inscrito no corpo


Jaqueline Cristina Salles Trindade ............................................................................................... 11

Subjetividade docente na gestão de conflitos relacionais na escola sob a ótica de


Winnicott
Katherinne Rozy Vieira Gonzaga ................................................................................................ 12

Compreensão do processo de separação dos bebês de mães encarceradas à luz da


teoria de D. W. Winnicott
Ludmilla Silva Couto .................................................................................................................. 13

Nise da Silveira e a psicanálise winnicottiana: a importância do impulso criativo na


reintegração do self
Matheus Cerqueira Medrado ....................................................................................................... 14

O conceito winnicottiano de 'preocupação materna primária' e a depressão pós-


parto: breves considerações
Mirella Almeida de Souza ........................................................................................................... 15

Ações profiláticas e autismo: considerações à luz da teoria do amadurecimento


Sandy Karolyne Araújo ............................................................................................................... 16

A criança e a psicanálise: a importância do brincar na sessão analítica


Simone Batista Nascimento ......................................................................................................... 17

Ambiência inclusiva e comunicação com autistas


Stefane Machado Silva ................................................................................................................ 18

A reificação e o falso self como formas de despersonalização


Stefanie de Almeida Macêdo ....................................................................................................... 19

“Mãe, cadê o Haroldo?”: O papel dos objetos transicionais na infância


Thaís de Almeida Santos ............................................................................................................. 20

A importância da constituição do mundo psíquico na luta por reconhecimento


Willima Cintia Santos Barboza ................................................................................................... 21
O brincar no hospital como suporte psíquico

Aclaís Tainã Amaral Gomes Santos


Graduanda em Psicologia – Faculdade Anísio Teixeira

A infância constitui-se em uma fase essencial para o desenvolvimento humano. Frente a


hospitalização, a criança tende a mostrar-se frágil por causa das implicações da doença,
do afastamento de seus familiares, amigos e escola, revelando um sofrimento psíquico.
Porém, mesmo estando em um hospital, o brincar deve ser incentivado. A brincadeira é o
mais importante meio de expressão da criança, no qual ela elabora seus conflitos e
compartilha seus sentimentos, ansiedades, como compreende o mundo a sua volta e seus
desejos. Fenômeno transicional, o brincar se localiza entre a realidade e a fantasia, uma
ligação entre a relação do indivíduo com a realidade interior e a relação com a realidade
externa, buscando harmonizar os aspectos conflitantes. A inserção de brincadeiras no
hospital com a finalidade de amenizar o momento, ocasiona uma série de expressões
acerca da hospitalização, onde a criança através da brincadeira seja ela um desenho,
fantoches, dinâmicas, teatro, se coloca frente a situação, onde buscam o eu (self) e estão
tentando encontrar-se nos produtos de suas experiências criativas. É durante o brincar no
hospital que a criança busca elaborar e interpretar a ocasião que se encontra. Neste relato,
o intuito é abordar a prática do estágio no Hospital Estadual da Criança no segundo
semestre de 2015, onde foi possível realizar intervenções lúdicas para as crianças com o
intuito de ouvi-las e posteriormente auxiliá-las na elaboração do seu sofrimento psíquico,
expressão e a hospitalização. A intervenção serve também como garantia de acolhimento,
convertendo-se em uma função terapêutica para a criança, mesmo que não se trate de um
atendimento clínico ou de uma terapia.

Palavras-chave: hospitalização; brincar no hospital; intervenções lúdicas.

6
Considerações winnicottianas sobre a adoção

Alinne Gomes de Almeida e Marivânia Carvalho Lima


Graduandas em Psicologia – UEFS

Profª. Drª. Lílian Carla Lopes Wanderley


(orientadora – UEFS)

A presente comunicação possui o intuito de discorrer sobre os cuidados e possíveis


problemas relacionados à adoção com base na Teoria do Amadurecimento. Winnicott
ressalta a necessidade de atentar para alguns cuidados no processo de adoção a partir de
duas categorias: a adoção de crianças nos primeiros dias de vida e a adoção de crianças
que já tiveram um lar, sofreram com a perda deste, e que necessitam de um manejo
adequado e resistente. A adoção de bebês nos primeiros dias de vida envolve cuidados
relacionados às fases do processo de amadurecimento. Estes cuidados podem necessitar
de um manejo diferencial em relação a crianças não adotivas, e a mãe adotiva também
deverá ser auxiliada no processo de preocupação materna primária e amamentação,
processos estes muito importantes para a relação mãe e bebê. Para as crianças adotadas
tardiamente, é necessário envolver manejos adequados que restituam a deprivação sofrida
com a perda do ambiente que antes tiveram. Assim, além de adequado o manejo dos pais
adotivos também deve ser resistente, visto que a criança adotada testará a confiabilidade
do ambiente de diversas maneiras, desde enureses noturnas até roubos. A resistência a
estes supostos ataques é importante para a garantia de um sentimento de segurança na
criança em seu novo lar. Por estas e outras considerações, a teoria winnicottiana apresenta
importantes contribuições na compreensão do processo de adoção. Com base nesta teoria,
percebe-se a necessidade de um diálogo e, em vários casos, um acompanhamento
específico com os casais que pretendem adotar crianças, no sentido de esclarecer e
prepará-los para uma decisão capaz de mudar a vida de todos os envolvidos.

Palavras-chave: adoção; deprivação; manejo.

7
O brincar como experiência criadora na Educação Infantil

Alisson da Silva Souza


Mestrando em Educação – UEFS

No presente trabalho, analisa-se a importância da experiência do brincar e sua relação


com o desenvolvimento da criatividade em crianças de uma turma de Educação Infantil.
Partindo das contribuições da Psicologia histórico-cultural de Levy Vigotski e tendo
como referência os estudos do psicanalista Donald W. Winnicott sobre o brincar,
observou-se a relação que as crianças estabelecem consigo mesmas e com os outros
através do jogo. Por se tratar do espaço escolar, geralmente, todas as atividades realizadas
na classe são previamente programadas de modo que se relacionem, de alguma forma,
com o planejamento do professor. Neste trabalho, no entanto, apresenta-se uma
perspectiva diferente na qual, por um período, foi permitido aos alunos, no início da aula,
um tempo livre para brincar sem nenhum tipo de intervenção do professor. Percebeu-se
que esta experiência potencializou a criatividade das crianças para reproduzir a realidade
social através das brincadeiras. Estas geralmente traziam elementos diversos como da
cultura e também do cotidiano escolar. Observou-se também que, através desta
experiência, as crianças tiveram a oportunidade de organizar o espaço de acordo com suas
percepções internas e imprimir nele algo presente em suas subjetividades. Portanto, é
necessário por parte das escolas investir mais no momento livre do brincar, pois ele
motiva a ação criadora e oferece às crianças mais recursos para lidar consigo e enfrentar
a realidade.

Palavras-chave: educação; brincar; ação criadora.

8
O mal-estar na creche: reflexões acerca do lugar do(a)
educador(a)/cuidador(a)

Andréa Pires de Oliveira


Mestranda em Educação – UFPB

Prof. Dr. Fernando Cézar Bezerra Andrade


(orientador – UFPB)

Com os postulados winnicottianos acerca do desenvolvimento emocional infantil,


analisar-se-á a figura do(a) educador(a), entendido(a) como cuidador(a) de crianças entre
seis meses e dois anos em creche da periferia de João Pessoa/PB. Discute-se a
aplicabilidade do conceito de “maternagem” no contexto da creche. Articulam-se, assim,
psicanálise e educação, objetivando avaliar a importância do(a) educador(a) e seu papel
na organização psíquica das crianças. Apesar de problemas e limitações, o ambiente da
creche parece constituir-se, para muitas crianças, como o primeiro lugar onde podem
conviver com seus pares, compartilhar angústias e prazeres, ter direito a cuidados
materiais elementares e, por vezes, algum afeto. É relevante atentar para aspectos
inconscientes no atuar do(a) educador(a) que, não raro, de modo defensivo, se mantém
numa postura higienista, alheio(a) a questões vitais, como a influência do afeto sobre a
saúde mental de crianças dependentes de seus cuidados. Uma criança só pode ser cuidada
quando encontra um adulto disponível e com condições subjetivas para lhe dar
sustentação psíquica e, deixadas em creche, o(a) educador(a) será o(a) protagonista desse
cuidado. Porém, o manejo das crianças não raro suscita no(a) educador(a), por mais
capacitado(a) que seja, um mal-estar evidenciado em falas registradas durante o
acompanhamento de reuniões da equipe de educadores em atividade de extensão
universitária. Tais falas, submetidas à interpretação, revelam fantasias inconscientes cuja
natureza obstaculiza o cuidar e uma maternagem suficientemente boa, inerentes às
funções do(a) educador(a). Através da escuta psicanaliticamente orientada, abre-se
espaço para mudanças na posição subjetiva do(a) educador(a), através da elaboração de
temas concernentes às suas dificuldades, de um lado, nas relações com as crianças
(sobretudo agressividade e sexualidade discentes); e, de outro, com colegas de trabalho e
familiares de discentes, liberando-o(a) para cuidados mais sensíveis às demandas
cotidianas.

Palavras-chave: educador(a) de creche; mal-estar; teoria winnicottiana.

9
Relato de experiência em estágio supervisionado na
abordagem winnicottiana

Daniela Meira Silveira e Débora Fernandes A. dos Anjos


Graduandas em Psicologia – Faculdade Mauricio de Nassau

Profª. Msª. Jaqueline Salles Trindade


(orientadora – Faculdade Maurício de Nassau)

Neste trabalho, apresentamos relato de experiência em estágio supervisionado na Clínica-


Escola de Psicologia da Faculdade Maurício de Nassau de Vitória da Conquista, sob a
abordagem winnicottiana. Relatamos um caso clínico de um garoto de 11 anos
acompanhado durante um semestre no estágio. Buscamos compartilhar como a
constituição do brincar no setting clínico foi o principal instrumento para que a criança
pudesse começar a perceber-se como alguém e expressar o que estava sentindo durante
as sessões. Advindo de um ambiente precário e incapaz de perceber suas necessidades,
isolado da relação paterna e com uma mãe que nos parece não ser suficientemente boa,
observamos a força deste ambiente familiar nada facilitador no sentido de prejudicar a
constituição de um si mesmo autêntico. Percebe-se nos primeiros encontros, por meio dos
jogos e brincadeiras, a dificuldade que a criança vive de brincar- no sentido
winnicottiano- e expressar algo que venha de seu verdadeiro self. Diante disso, a
estagiária procurou, a cada sessão, mostrar o quanto estava disponível, atenta às
necessidades de ser da criança, por meio da sustentação das angústias apresentadas,
utilizando como base para o trabalho a Teoria do Amadurecimento de Winnicott. Mesmo
com as limitações da estagiária devido à inexperiência em atendimentos clínicos, foi
possível perceber o quanto o paciente mudou a sua forma de apresentar-se e experimentar
uma relação nova com ela, à medida que o vínculo foi se fortalecendo e ele encontrando
confiança e um lugar próprio nos encontros. Por algum tempo, pareceu-nos ter ocorrido
um retraimento, durantes duas sessões estava apático, silencioso e incapaz de brincar,
acreditamos que se deva ao ambiente familiar que não favorecia sua espontaneidade e a
relação com a mãe, que não fornecia ao paciente a mesma importância dentro espaço
familiar que era dada a sua irmã. Com isso, retomamos o contato com a mãe e buscamos
sensibilizá-las para as necessidades da criança, bem como a importância de incluir o pai
no convívio com o filho.

Palavras-chave: clínica infantil; relato de experiência; Winnicott.

10
Nascimento e Memória: o nascimento inscrito no corpo

Profª. Msª. Jaqueline Cristina Salles Trindade


Docente da Faculdade Maurício de Nassau

Profª. Drª. Maria da Conceição Fonseca-Silva


(orientadora – UESB)

Neste trabalho, apresentamos resultados de análise da memória do nascimento segundo a


perspectiva de Winnicott, por meio de pesquisa bibliográfica nas obras “Da pediatria à
psicanálise” e “Natureza Humana” nos textos que abordam a questão do nascimento e
memória. Apresentamos o modo como há um funcionamento de memória distinto, nos
casos de um nascimento a termo, dentro das condições “previstas”, daqueles em que
ocorrem traumas, percalços e sofrimento excessivo durante a experiência do nascer.
Desde a concepção, o amadurecimento do bebê, o nascimento e todo o existir, são
compreendidos por Winnicott como relacionais, isto é, o existir humano só ocorre em
relação, com toda simplicidade e sofisticação que uma relação pode comportar:
inicialmente no corpo da mãe como extensão do bebê até a constituição deste como um
eu unitário podendo estabelecer relações objetais. Segundo Winnicott, as condições
ambientais podem ser sentidas pelo bebê desde o período intrauterino, causando em casos
de não adaptação suficientemente boas, reações, as quais causam perda ou ruptura no
continuar-a-ser do bebê e por isso tornam-se prejudiciais para o seu amadurecimento
emocional. Os resultados da análise indicaram que há um funcionamento de memória
inscrito no e pelo corpo, que participa da constituição do bebê como pessoa, o que poderá
ser percebido no modo como o sujeito organiza suas vivências, percebe o próprio corpo
e sensações acerca deste no decorrer do processo psicoterápico.

Palavras-chave: memória; memória do nascimento; Winnicott.

11
Subjetividade docente na gestão de conflitos relacionais
na escola sob a ótica de Winnicott

Katherinne Rozy Vieira Gonzaga


Doutoranda em Educação – UFPB
Prof. Dr. Fernando Cézar Bezerra Andrade
(orientador – UFPB)

A subjetividade docente, embora seja uma variável relevante para a gestão de situações
de conflitos relacionais na escola, em geral, é desconsiderada na formação pedagógica
continuada. E para que os conflitos sejam pedagogicamente aproveitados é necessária
uma gestão eficaz e frequente na sala de aula e na escola. A partir da tese de ser necessária
uma formação continuada específica que considere a dimensão subjetiva docente e, que
nela se intervenha, quando necessário, favorecendo ao docente, a criação de novas e
eficazes possibilidades de intervenção no manejo de conflitos próprios à convivência na
escola, este artigo visa examinar, sob a ótica de Winnicott, efeitos da posição subjetiva
de docentes em impasses da gestão de conflitos relacionais na escola. Após breve
apresentação teórica sobre o tema, para tal exame, expõe-se uma proposta de formação
docente continuada com professoras da educação infantil da rede municipal de João
Pessoa (PB), ocorrida no primeiro semestre de 2011. Os dados foram coletados através
do registro de falas, expressões faciais e gravação em áudio e vídeo e interpretados
segundo a teoria winnicottiana. Os procedimentos utilizados foram: entrevistas
individuais e grupo de reflexão. Os encontros do grupo foram semanais, com duração de
três horas cada, totalizando seis encontros. Os resultados mostram que a posição subjetiva
docente na gestão dos conflitos relacionais na escola, quando tem seus impasses
reconhecidos e geridos, favorece aos docentes uma atitude mais efetiva diante dessas
situações.

Palavras-chave: subjetividade docente; conflitos relacionais; Winnicott.

12
Compreensão do processo de separação dos bebês de mães
encarceradas à luz da teoria de D.W.Winnicott

Ludmilla Couto da Silva


Graduanda em Psicologia – UEFS
Prof. Dr. Carlos César Barros
(orientador – UEFS)

É crescente o montante de mulheres que, encarceradas por cometerem crimes, são


privadas de sua liberdade. Com a ampliação da população feminina presa, por
conseguinte, há também o crescimento do número de mulheres grávidas no ambiente
prisional, que dão à luz e permanecem com seus filhos na prisão, vivenciando a
maternidade num cárcere. Este fato indica que o aprisionamento feminino não pode ser
pensado de modo isolado, visto que o mesmo repercute na vida dos familiares e
dependentes. Desse modo, faz-se necessário pensar tanto sobre o ambiente que é
oferecido a essa mãe e ao bebê dentro da penitenciária no início dessa relação, quanto no
processo de separação que eles sofrerão, conforme previsto na Lei da Execução Penal –
Lei nº 11.942. Com essa comunicação objetivamos explanar a possibilidade de aplicação
de alguns elementos da teoria de D. W. Winnicott, em especial a Teoria do
Amadurecimento Pessoal, a concepção acerca do estado de deprivação, a tendência
antissocial e as possibilidades criativas da criança, buscando uma compreensão da relação
mãe-bebê no cárcere, levando em conta o processo de separação. Visamos também pensar
a importância de preparar as mães encarceradas para o afastamento de seus filhos, assim
como dos futuros cuidadores que receberão a criança, lançando mão da noção
winnicottiana de “função materna”.

Palavras-chave: mães encarceradas; deprivação; função materna.

13
Nise da Silveira e a psicanálise winicottiana: a importância
do impulso criativo na reintegração do self

Matheus Cerqueira Medrado


Graduando em Psicologia – UEFS

Tomando como inspiração a aproximação feita entre Winnicott e Jung pelo psicanalista
Zeljco Loparic, é de considerável relevância ratificar essa afinidade, tendo como mote
uma das principais expoentes da psicanálise Jungiana no Brasil: Nise da Silveira. Atenta
às expressões mais profundas da psique humana, Nise foi uma personagem que acessou
o mundo subjetivo dos sujeitos esquizofrênicos de forma singular. Por meio da
exploração da criatividade, fundamentada por cuidados empáticos e atividades rotineiras
em um ambiente acolhedor, os sujeitos encontravam a possibilidade de se haver com um
self considerado cindido. Partindo desta perspectiva, podemos analisar o trabalho de Nise
à luz da teoria das relações objetais. Assim como na teoria winnicottiana, a psicanalista
junguiana percebeu que, mesmo em casos de sujeitos esquizofrênicos considerados
crônicos, a destruição total da criatividade não é possível. Para Winnicott, a criatividade
não é como um fruto de um trabalho bem sucedido, mas sim como uma proporção
universal, intrínseca ao valor atribuído ao viver. Em outras palavras, o impulso criativo
seria um elemento inato à condição humana, que em condições suficientemente boas,
permite a expressão autêntica do self. Sendo assim, como Winnicott, podemos dizer que
Nise percebia em um viver criativo a semente de uma vida digna de ser vivida.

Palavras-chave: Nise da Silveira; criatividade; self.

14
O conceito winnicottiano de “preocupação materna primária”
e a depressão pós-parto: breves considerações

Mirella Almeida de Souza


Graduanda em Psicologia – UEFS

Profª. Drª. Caroline Vasconcelos Ribeiro


(orientadora – UEFS)

Esta comunicação objetiva discutir, de forma introdutória, a relação entre a preocupação


materna primária – descrita por Winnicott – e o quadro de depressão pós-parto, expondo
barreiras que podem se erigir na relação inicial mãe-bebê quando a mãe se encontra
deprimida. De acordo com Winnicott, o bebê deve ser pensado como uma “organização
em marcha”, marcado por uma tendência para o amadurecimento, contudo, para que esta
aconteça é necessário um ambiente facilitador. Com essa comunicação pretendemos
explanar sobre os sentimentos que a mãe vivencia na gestação, parto e puerpério e,
principalmente, sobre a constituição de um estado psicológico denominado por Winnicott
de preocupação materna primária, o qual envolve uma dedicação emocional e empática
desta para com seu filho. Almejamos, ainda, pensar como a instalação de uma depressão
pós-parto pode comprometer o comportamento materno, tendo em vista que a mãe passa
a vivenciar, na maioria das vezes, sentimentos que geram afastamento, hostilidade,
rejeição e pouca interação com o recém-nascido. Dessa forma, a figura materna tem
dificuldade em se adaptar às necessidades do neonato, o que gera obstáculos para o
desenvolvimento da preocupação materna primária e, consequentemente, da empatia e
identificação com seu bebê. Com esse trabalho pretendemos apresentar as contribuições
da teoria winnicottiana para a compreensão da preocupação materna primária, expor
descritivamente a depressão pós-parto e meditar como esta teoria pode ser frutífera para
pensar a importância do apoio emocional diante deste quadro e suas consequências para
o bebê.

Palavras chaves: depressão pós-parto; mãe; preocupação materna primária.

15
Ações profiláticas e autismo: considerações à luz da teoria
do amadurecimento

Sandy Karolyne de Carvalho Araújo


Graduanda em Psicologia – UEFS

Profª. Drª. Caroline Vasconcelos Ribeiro


(orientadora – UEFS)

Esta comunicação objetiva discutir, de modo preliminar, a maneira como a teoria


winnicottiana do amadurecimento pessoal pensa a relação entre o autismo e a provisão
ambiental. Nesse sentido, objetiva meditar sobre a possibilidade de ações profiláticas
concernentes ao desenvolvimento do autismo, o que implica em uma discussão sobre as
intrusões ambientais que podem desencadear a construção de uma defesa nesses moldes.
Conforme a perspectiva winnicottiana, o bebê não dispõe, de antemão, da integração, do
alojamento da psique no corpo e da capacidade de se relacionar com objetos, por isso, só
poderá adquirir estas conquistas e tornar-se um existente mediante cuidado humano
realizado por uma mãe suficientemente boa, caracterizado pela relação de empatia e
identificação desta com o seu bebê. Winnicott não defende que a figura materna deva ser
infalível, contudo, se esse ambiente falha de forma severa e repetida, não sendo corrigido
a tempo, acaba por inviabilizar a provisão necessária para o bebê, surgindo o sentimento
de aniquilação. Em muitos casos, uma organização defensiva extrema se forma a fim de
afastar a ameaça ou o reviver da agonia primitiva vivenciada na fase de dependência
absoluta. Winnicott nos alerta que essa defesa extrema, que visa à invulnerabilidade em
relação ao ambiente, caracteriza o quadro de autismo. Com esse trabalho pleiteamos
debater a visão winnicottiana sobre o autismo e discutir, ainda que de modo introdutório,
como medidas profiláticas podem ser pensadas em relação ao desenvolvimento deste
transtorno.

Palavras-chave: amadurecimento; autismo; maternagem.

16
A criança e a psicanálise: a importância do brincar na
sessão analítica

Simone Batista Nascimento


Graduanda em Psicologia – Faculdade Nobre

O atendimento psicanalítico às crianças nos remete a uma questão fundamental nessa


modalidade de trabalho. Qual a importância do brincar na sessão analítica? Vários
estudiosos da psicanálise, inclusive Sigmund Freud seu principal mentor, buscavam
entender o comportamento infantil a partir da interpretação dos processos inconscientes.
Logo, o objetivo desse trabalho é compreender a importância do brincar na sessão
analítica infantil, bem como pensar nas diversas formas do brincar da criança, tendo como
base a teoria do psicanalista Donald W. Winnicott. Abordar este tema é defrontar-se com
diversas perguntas que são suscitadas, como por exemplo: o brincar da criança em
processo de análise deve ser interpretado? Deve-se permitir à criança a repetição
infindável de sua brincadeira? O brincar em si é importante? Tem valor terapêutico?
Como deve ser a participação do analista nas brincadeiras que a criança desenvolve? Para
responder essas questões, foi utilizado o método qualitativo, por meio de pesquisas
bibliográficas e a partir de procedimentos de intervenção psicossocial, o local designado
para intervenção foi a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Feira de Santana
(APAE), uma instituição filantrópica, de assistência à educação, cultura, saúde, pesquisa,
esporte e lazer, sem fins lucrativos, que atende crianças, adolescentes e adultos, sendo
situada no Município de Feira de Santana, Estado da Bahia. Conclui-se que o brincar é
uma experiência importante para a manifestação da criatividade do homem, da criança ou
adulto, pois a brincadeira é o meio ao qual o homem pode experienciar os seus desejos
mais íntimos, possibilitando viver seu verdadeiro self. A brincadeira é sustentada por uma
fantasia que se oculta dentro do eu, na analise o analista vai desenvolver métodos para
interpretar essa fantasia, tendo em vista que se o analista que não “pode” brincar,
simplesmente não serve para o ofício, pois a sessão se dá a partir da relação entre paciente
e analista.

Palavras-chave: crianças; brincar; psicanálise.

17
Ambiência inclusiva e a comunicação com autistas

Stéfane Machado Silva


Graduanda em Psicologia – UEFS
Prof. Dr. Carlos César Barros
(orientador – UEFS)

Esta apresentação tem como objetivo entender a relação ambiente-indivíduo com foco no
sujeito autista. A caracterização do autismo em uma perspectiva winnicottiana possibilita
pensar num fenômeno relacional entre ambiente e indivíduo, sendo necessário investigar
não apenas o indivíduo, mas também realizar um estudo de seu ambiente e das relações
entre eles. Essas relações se dão a partir de comunicações sutis, diretas ou, até mesmo, da
falta destas, que pode dificultar ou facilitar o desenvolvimento satisfatório do sujeito. O
autismo não é visto como uma doença, quando se trata dos estudos etiológicos, mas como
uma questão de imaturidade emocional que se origina de uma insuficiência do ambiente
em atender às necessidades da criança. Partindo desse pensamento, a perspectiva
relacional é essencial para abordar a inclusão escolar das crianças autistas. A inclusão da
pessoa autista deve ser pensada não apenas como desenvolvimento do indivíduo, mas
também do ambiente escolar. Para isso, é necessário que haja uma construção de um
ambiente inclusivo na Educação Infantil, considerando todo o cenário do processo
educacional, não apenas o sujeito que apresenta determinadas necessidades educacionais
especiais em uma escola regular. Dessa forma, a relação aqui pleiteada ratifica a
relevância de proporcionar uma ambiência inclusiva que favoreça um desenvolvimento
saudável dos sujeitos autistas, levando em consideração a importância da comunicação
entre indivíduo e ambiente para a constituição do sujeito.

Palavras-chave: autismo; relação ambiente-indivíduo; comunicação.

18
A reificação e o falso self como formas de despersonalização

Stefanie de Almeida Macêdo


Graduanda em Psicologia – UEFS
Prof. Dr. Carlos César Barros
(orientador – UEFS)

Dentro do extremamente racionalizado sistema de produção capitalista, a existência


humana, muitas vezes, é considerada meramente como mercadoria: reduzidos ao valor de
troca, sujeitos veem a si mesmos, aos outros e à natureza como coisas. Foi a partir dessa
perspectiva que o filósofo Georg Lukács definiu a reificação em 1923. Quase noventa
anos depois, Axel Honneth, representante da terceira geração da teoria crítica da
sociedade, atualizou esse importante conceito considerando a noção de cuidado,
desenvolvida na filosofia por Heidegger, Wittgenstein e Dewey. Aproximando-se da
psicanálise de Donald Winnicott, Honneth toma como ponto de partida não a
configuração econômica, mas as relações de reconhecimento elementar estabelecidas nos
contatos iniciais do bebê com um outro devotado afetivamente. Falhas nessa relação
conduziriam o sujeito a uma impossibilidade de captar as necessidades dos demais
sujeitos, ainda que estes sejam percebidos cognitivamente. Nesse sentido, há uma
objetivação que conduz à perda da capacidade de localização de si no próprio corpo
enquanto sujeito dotado de afetos e valores. Uma forma análoga de falha no
estabelecimento da relação do sujeito com o outro é desenvolvida na psicanálise
winnicottiana a partir da noção de falso self, uma defesa às intrusões ambientais
vivenciadas na lactência. As falhas nas relações ambientais conduzem a uma dificuldade
de construção de um si-mesmo verdadeiro devido à impossibilidade de se reconhecer
afetivamente no outro, de forma criativa e espontânea. O sujeito que se encontra na
condição de um falso self passa pelo sentimento de irrealidade em decorrência da
impossibilidade de integração da psique no corpo somático. Partindo destes pressupostos,
é possível realizar aproximações entre os conceitos de reificação e de falso self levando
em consideração a noção de “despersonalização” dos sujeitos, utilizada tanto por Honneth
quanto por Winnicott, como um eixo de convergência a ser aprofundado em uma análise
que se faz inédita.

Palavras-chave: reificação; falso self; despersonalização.

19
“Mãe, cadê o Haroldo?”: o papel dos objetos transicionais
na infância

Thaís de Almeida Santos


Graduanda em Psicologia – UEFS

Em uma realidade onde as possibilidades criativas do ser humano são tomadas como
signo do infantilismo e improdutividade, encontrar autores que reconhecem a importância
do viver criativo nas experiências humanas é um sinal de esperança. Os quadrinhos de
Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo, nos oferecem amostras da importância que
a criatividade exerce na vida das crianças: Calvin é capaz de transformar a dura realidade
de um mundo que foge ao controle do seu potencial onírico através das infinitas
possibilidades criativas decorrentes do brincar. A capacidade de recolher elementos do
mundo externo e revesti-los com significados e sentimentos oníricos é possível, para
Donald Winnicott, dada à existência de uma terceira área da experiência humana que não
constrói muros, mas possibilidades de diálogo, entre as realidades subjetiva e
objetivamente percebida: a transicionalidade. Os fenômenos e objetos transicionais
permitem à criança passar do controle de onipotência ao controle de manipulação da
realidade objetiva, sem que haja perda do gesto espontâneo, da confiança no ambiente e
do sentimento de realidade. Assim, podemos afirmar que a relação da criança com seu
objeto transicional lhe concede oportunidades para lidar com situações cotidianas que
geram conflito, dúvida ou angústia, a partir da manutenção da experiência mágica de
construir um universo próprio, ainda que inserido na realidade compartilhada. Ao lado de
seu melhor amigo e tigre de pelúcia, Haroldo, Calvin torna-se um astronauta, super-herói
ou tiranossauro faminto, descobrindo que existem tesouros em todo lugar. Nesse cenário,
recorremos às aventuras desses personagens para explorar o caráter reconfortante,
conflituoso e criativo presentes nas interações entre as crianças e seus objetos
transicionais. Ainda, através de uma análise da relação de Calvin com seus pais, buscamos
reconhecer as características do ambiente facilitador que oferecem todas as condições
necessárias para que as amostras do potencial onírico da infância possam se apresentar.

Palavras-chave: criatividade; objetos transicionais; Calvin e Haroldo.

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A importância da constituição do mundo psíquico na luta
por reconhecimento

Willima Cintia Santos Barboza


Graduanda em Psicologia – UEFS

Prof. Dr. Carlos César Barros


(orientador – UEFS)

Baseando-se no pensamento de Friedrich Hegel e George Herbert Mead, dando especial


atenção aos conceitos de reconhecimento e intersubjetividade, Axel Honneth propõe uma
atualização do conceito de reconhecimento fundamentada em três esferas – amor, direito
e solidariedade. Dentro dessa perspectiva, a concepção winnicottiana do desenvolvimento
infantil remete à compreensão da forma mais primitiva de reconhecimento – o cuidado
afetivo, pois concebe a formação do eu (self) como derivada das relações do sujeito com
objetos externos. Sendo assim, a autonomia do sujeito está diretamente ligada às relações
estabelecidas com o outro por meio da experiência de cuidado e da ruptura gradual entre
o sujeito e o objeto. Dentro desse processo, a existência do sujeito torna-se possível
através de um espaço potencial entre a realidade e a fantasia. Através dessa área
intermediária, a criança dá início ao seu relacionamento com o mundo, relação que
primeiro é proporcionada pelo uso dos objetos transicionais e posteriormente pelo
desenvolvimento do “brincar” para o “brincar compartilhado” e, deste, para as
“experiências culturais”. Dessa forma, o desenvolvimento das relações afetivas é
derivado da dependência entre mãe/bebê e da relação da criança com o objeto
transicional, portanto, a relação inicial da mãe e do bebê proporciona a confiança na
continuidade do amor e representa uma luta por reconhecimento recíproco. Sendo assim,
as demais formas de reconhecimento têm como base a relação afetiva entre mãe (ou
cuidador) e bebê. Nesse sentido, as primeiras relações sociais constituem o
reconhecimento de si e do outro como seres de direitos próprios, estabelecendo as bases
afetivas e motivacionais para reivindicação dos direitos individuais e coletivos.

Palavras-chave: relações objetais; reconhecimento; amadurecimento pessoal.

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