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P 14 De acordo com os autores vivemos atualmente a “tragédia do não comum”, que se

dá não pela humanidade ignorar determinados fatores, mas sim por ela ser dominada por
grupos econômicos, classes sociais e por castas políticas que não abrem mão de seus
privilégios, manter sua dominação através da manutenção de uma guerra econômica,
chantagem do desemprego, medo de estrangeiros, etc. Acredita ser ilusório acreditar que
o Estado Nacional vá proteger a população das deslocalizações, do mercado financeiro e
dos impactos climáticos. Assim, o Estado não pode ser o recurso da sociedade contra os
efeitos desastrosos provocados pelo capitalismo.

Cita Ugo Mattei, que insistia no significado das “privatizações” “que transferiram das
mãos do Estado para as mãos de grupos oligárquicos o que podia ser visto como fruto
do trabalho comum ou que estava ligado ao uso comum” p. 15

A propriedade publica deixa de proteger o que é comum a todos e passa a ser uma
forma coletiva de propriedade privada voltada aos interesses da classe dominante, que
dispõe dela da forma que quer para espoliar a população de acordo com seus interesses.

P 16 Essa reivindicação do Comum é trazida a tona primeiro pelos movimentos sociais


e culturais contra a ordem capitalista do Estado empresarial como uma alternativa ao
neoliberalismo. Se tornou o principio efetivo de movimentos que resistem, há duas
décadas, à dinâmica capitalista. É a formula de movimentos e de correntes de
pensamento para se opor a ampliação da propriedade privada à todas as esferas sociais,
da cultura e da vida. Esse termo designa não o ressurgimento de uma ideia comunista
eterna, mas sim o surgimento de uma forma nova de contestar o capitalismo.

Cap 3

P 101 – Em manifestos, plataformas e declarações publicadas nos últimos anos em


nome da luta contra a globalização, o termo “comuns” ou a expressão “bem
comum/bens comuns” são usadas para traduzir lutas, práticas, formas de viver que vão
contra o processo de privatização e formas de mercantilização. A categoria surge no
inicio do século XXI.

P103 A novidade que o autor mostra em relação ao termo é que ele ganhou a concepção
de dois tipos de bens: os comuns e os públicos. Assim, o movimento ambientalista
defende os comuns que são definidos como “recursos comuns naturais” contra a
predação e a destruição, enquanto movimentos antineoliberais e anticapitalistas atacam
a liquidação de “bens públicos”. O que faz coincidir esses dois termos, dando sentido a
eles, é a noção de uma nova forma, mais duradoura, justa e responsável de gestão
comunitária e democrática dos bens comuns.

De acordo com o autor, a ampliação do campo da propriedade privada teria levado a um


segundo movimento de cercamento dos comuns. Seria um movimento geral de
cercamento de recursos naturais, espaços públicos, patrimônio cultural, instituições
educacionais, comunicação, etc, realizado pelas grandes empresas apoiadas por
governos submissos à lógica de mercado.

P 11 Segundo Dardot e Laval, o paradigma dos comuns tem um aspecto ofensivo e


outro defensivo. Primeiro se apresenta como um movimento de defesa dos comuns,
entendendo por comum todos os recursos comuns existentes que deveriam permanecer a
disposição de uma comunidade ou da sociedade ao todo. Para Bollier, deveríamos tomar
consciência de que recursos comuns não são só as paisagens, mas a água, o ar, as ideias,
a ciência, ondas de rádio, internet, relações sociais, educação, etc. O paradigma mais
ofensivo atua pela promoção de praticas comunais que podem ser desenvolvidas com
base em recursos comuns. A riqueza poderia assim ser criada por comunidades ou
sociedades cujos membros põe em comum saberes e competências para cria-la. Cita
como exemplo o crescimento de comunidades virtuais.

P 130 – da pra relacionar com projeto

P 134 também

135 Alguns autores tendem a a crescente mercantilização da vida social e cultural, as


politicas neoliberais de privatização como uma nova forma de colonização interna (Ex.
David Harvey). Ele desenvolveu uma teoria de acumulação por despossessão. Esseautor
desconfia da analogia entre os cercamentos e os commons, mostrando que nem todos os
bens comuns possuem a mesma natureza de tal processo. A despossessão é uma
modalidade especifica de acumulação ao lado da exploração. O autor percebe dois
processos: o primeiro é a acumulação por reprodução ampliada, ou seja, exploração do
lucro na atividade economica normal e o segundo o processo de acumulação por
despossessão, que é a espoliação por manipulações e especulações ligadas ao poder
financeiro e estatal, ambos em estreita conivência.
Segundo Dardot e Laval, no entanto, o neoliberalismo “não é tanto uma acumulação por
despossessão, mas uma acumulação por subordinação ampliada e aprofundada de todos
os elementos da vida da população: consumo, transporte, lazer, educação, saúde, uso
dos espaços e do tempo, reprodução social e cultural, e por fim, as subjetividades”