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Muriaé

150 anos de História

Revista Comemorativa do
Sesquicentenário de Muriaé
1855 - 2005

Administração
2005 - 2008
Muriaé 150 anos de História
Revista comemorativa do Sesquicentenário de Muriaé

Realização:
Prefeitura Municipal de Muriaé – Administração 2005-2008
Prefeito: José Braz – Vice-Prefeito: Rodrigo Guarçoni
Fundarte – Fundação de Cultura e Artes de Muriaé
Diretora: Gilca Maria Hubner Napier Porcaro

Pesquisa e Redação: Adellunar Marge


Arte e Diagramação:
Alexandre Augusto de Andrade Gomes,
João Carlos Pereira Vargas

Sumário
Breve Histórico de Muriaé ........................ 2
Certidão de Idade de Muriaé ................ 5
A Origem do Nome .................................... 6
Nascimento e Evolução de Muriaé ........... 8
Muriaé nos Séculos XIX, XX e XXI ....... 10
A Revolta dos Turcos de 1918 ................. 13
Memórias da Praça João Pinheiro ......... 16
O Nosso Rio Muriaé................................. 18 Colaboradores:
Alexandre Augusto de Andrade Gomes
Simbologia da Bandeira .......................... 20 Bruno Campos de Morais,
Mapa do Município de Muriaé ............... 22 César Augusto Bianchi Botaro,
Dados Geográficos do Município ............ 23 Eudoxia Augusta Canedo Montezano,
Hino a Muriaé .......................................... 25 Fábio Almeida Vieira,
Prefeitos de Muriaé Filomena Rodrigues Monteiro do Nascimento,
João Camilo da Silva Sobrinho,
1861 – 1936 .............................................. 26 José Henrique Dias Maia,
1936 – 2004 .............................................. 27 Luciana Gomes Furtado Goulart,
2005 – 2008 .............................................. 28 Maria de Fátima Barbosa,
Vereadores de Muriaé.............................. 28 Poliana Santos Ferrarez,
Rita de Cássia de Matos Barroso Rodrigues.
Muriaé
150 anos de História

Revista Comemorativa do
Sesquicentenário de Muriaé
1855 - 2005

1
BREVE HISTÓRICO DE MURIAÉ
Gonçalo Gomes Barreto, foi o
terceiro Diretor de Índios do Presídio,
ou São João Batista do Presídio (que é
hoje a cidade de Visconde do Rio
Branco). As referências a seu respeito
afirmam ter sido um homem de
temperamento amável e de bom
relacionamento com os escravos (que
possuía em grande número) e com os
indígenas, que nele confiavam. Foi
nomeado para o cargo por Guido
Thomas Marliére, para suceder a José
Ferreira da Silva, na Direção dos índios.
Os índios Purís Guido Marliére
foram os primeiros Às vezes não possuía a energia
habitantes da região
de Muriaé. Vindos
necessária para conter os abusos que expedição de Constantino José Pinto
do litoral norte do eram cometidos contra os indígenas e, até a região dos ribeirões “Sargento João
Estado do Rio e sul
do Espírito Santo. conforme relata o historiador Oíliam do Monte” e “Robinson Crusoé”, que
Fugidos dos
portugueses, José, chegou até a ser advertido por formam o rio Muriaé. Dessa expedição
ocupavam a região
dispersos na mata,
Guido Marliére que o instava a ser mais nasceria a Povoação de São Paulo do
sem uma aldeia ativo e vigilante para prevenir delitos e Manoel Burgo, que daria origem a
delimitada. A
gravura de castigar os responsáveis, quando Muriaé.
Rugendas mostra as
feições que podemos necessário. Não era fácil, àquela época, penetrar
ainda encontrar
entre os habitantes
Foi Gonçalo Gomes Barreto quem pelos sertões da Mata Mineira.
atuais da cidade. financiou, a pedido de Marliére, a Principalmente porque a região se
localizava
dentro da região
demarcada
c o m o
“proibida” à
exploração.
Diogo de
Vasconcelos em
“A História
Média de Minas
Gerais”, afirma
que, até 1784,
apenas os
2
Ao lado vemos os Índios Purís em sua cabana
bastante primitiva. Abaixo, Arco e Flechas usadas
por eles. Desenhos do livro “Viagem ao Brasil” do
Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied.

aldeamentos do Pomba e do Presídio de na qualidade de


São João Batista, mereceram diligência perito, com a missão
oficial. O restante, que constituiria a de avaliar o potencial
Zona da Mata, permanecia ignorada. Foi aurífero daqueles
o governador Luiz da Cunha Meneses, sertões, fazer um
quem mandou explorar e abrir para o levantamento dos
povoamento, as chamadas “áreas rios que cortavam a
proibidas”. Encarregou o Sargento-mor região, do número de
do Regimento dos Dragões, Pedro habitantes instalados
Galvão de São Martinho da tarefa de e de que viviam esses
estudar a área e propor uma maneira habitantes.
eficiente de garantir os interesses da
Coroa na região, agora aberta ao
povoamento. O interessante, como
registra Paulo Mercadante em sua obra
“Crônica de uma Comunidade
Constantino Pinto
Cafeeira”, pág. 25, é que na mesma aparece aqui na
portaria designando o Sargento-Mor única imagem que
restou dele: um
Pedro Galvão de São Martinho, o retrato apagado,
pendurado na
governador Luiz da Cunha Meneses parede, em uma
foto antiga. Ele
designa também o Alferes Joaquim chegou em Muriaé,
José da Silva Xavier, o Tiradentes, que acompanhado de
40 soldados, com a
à época fazia a ronda do mato, para missão de civilizar
os índios e povoar
acompanhar o Sargento São Martinho, a região.

3
Índia Purí em
gravura de
A região era muito vasta.
Rugendas - artista A área, antes proibida, estendia-
francês que esteve
no Brasil entre os se a partir de Mar de Espanha,
anos de 1821 e
1823, voltando em numa faixa inicialmente estreita
1842.
de mata que ia se alargando em
direção à floresta capixaba.
Eram matas quase
impenetráveis, cortadas por
brejos insalubres, que só
conseguiram ser domadas pelo
espírito forte e ousado do
desbravador destemido que se
aventurava por estas paragens.
Foi nesta região, de difícil
acesso e de matas e capoeiras
Mapa de 1816 hostis, que iria surgir a nossa
mostrando o Rio
Muriaé Muriaé. Como a maioria das
desaguando no
Paraiba. Do livro cidades, Muriaé também nasceu
“Viagem ao
Brasil” do Príncipe
ás margens de um rio, o rio que
Maximiliano de lhe deu o nome.
Wied-Neuwied.

4
Francisco de Paula Silveira Alfere
do Destricto de S. Joze do Barr os
CERTIDÃO de IDADE de MURIAÉ
Termo da Lial Cidade de Mariann
O mais velho documento até agora encontrado sobre Muriaé, sendo mesmo o que se pode
denominar de sua certidão de idade ou registro de nascimento, é o Auto de Medição das terras
destinadas aos índios, feito pelo Medidor Aprovado, vindo da cidade de Mariana. A locação foi

medidor apr ovado. Aos trinta e hum


realizada com a presença de Marlière, assistido pelo Alferes João do Monte, seu auxiliar.
Esse auto faz parte da documentação do Serviço de Índios recolhida ao Arquivo Público
Mineiro, tendo sido transcrito na Revista do Arquivo Público Mineiro, ano II, páginas 16 e 17.
Está redigido nos seguintes termos:
dia do mez de Agosto de mil oit
"Francisco de Paula Silveira Alferes do Destricto de S. Joze do Barroso Termo da Lial
Cidade de Marianna medidor aprovado. Aos trinta e hum dia do mez de Agosto de mil oito
sentos e disanove no Quartel do Cap.m
sentos e disanove no Quartel do Cap.m e Deretor Geral dos Índios Guido Thomas Marlière em
S.m Paulo de Manoel Burgo, prezente o Alferes Commandante da 2ª devizão Militar do Rio
Doce João do Monte da Fonseca; por elle Cap.m, me foi dito, que tinha Provizão da Junta
e Deretor Geral dos indios Guid
Militar da Conquista e Sivilização dos Índios desta Capitania de Minas Geraes de vinte e cinco
de Maio deste anno para fundar hum Estabelicimento para Índios Puris; levantar Igreja para
elles, e demarcar-lhes terras quantas fossem bastante para sua Cultura, e Sustentação, neste
Thomas Marliere em S.m Paulo d
Sertão do Muriahé; e me ordenava que com os meus Ajudantes Lucio Pires Ribeiro, e Joaquim
José de Oliveira, medisse e demarcasse nove mil braças em quadra para este fim; principiando
minha medição pela parte de cima em hum Rebeirão que corre do Sul para Norte e fas Barra
Manoel Burgo, prezente o Alfere
no Rio do Robison Cruzoé; a Cujo Rebeirão, por esta cauza, demos o nome de Divizorio;
servindo as suas agoas de Lemite natural entre as posseçoens dos ditos Índios, e dos Portuguêzes
que pelo fucturo vierem povoar o Sertão. Alli, que se contão onze legoas medidas e demarcadas
Commandante da 2ª devizao Militar
do Prezídio de S.m João Baptista ao dito Ribeirão Divizorio, voltemos para o rumo do Oeste
para Leste, pelo Rio do Robison Cruzoé abaixo, e medimos nove mil braças, ou tres Legoas,
que findarão em hua grande varje de muitos tacoarussus, e cortada por hum Valão ahonde se
do Rio Doce Joao do Monte da Fonseca
A área demarcada

acha hum Páo de Jacarandá preto ahi nassido, em que fizemos tres Cruzes a golpes de machado;
para servir de terras

Cujo sítio se acha vista de hua grande Pedra ao Norte que representa hum Castello, (hoje
dos Índios Purís ia
da região do

Pedra Santa Maria), servindo deste modo o Rio de Robinson Cruzoé e parte do Muriahé, de
por elle Cap.m, me foi dito, que tinh
Córrego Divisório à

limites ao Norte. - E voltando para o Sul fomos à Serra que divide as agoas do Pomba com o
Pedra Santa Maria,
indo fechar o quadro

Muriahé no alto do qual se ade fincar hum Padrão Lavrado de quatro faces, que fique servindo
na região do

de Limites entre as terras dos Puris, e o Sertão


Belvedere.

P r ov iz ao d a
do Leste. E para concluir a quadra de Leste
para o Oeste o dito Cap.am de Cavalaria de
Área Urbana Atual

Área Demarcada

Linha e Derector Geral declarou que a dava


para os Índios Purís

Junta Militar d
por feita e acabada pois não avia feixo milhor
do que o ponto mais elevado da mesma Serra.
Nesta forma dei por feita e acabada a medição
C on qu i s ta e
e demarcação das ditas terras. - E para constar
fizemos este Termo neste ja referido quartel
por mim feito e sob escrevido, asim como todos
Sivilizaçao
os àsima nomeados, aos tres de Setembro de
mil oito sentos e dezanove, dia em que findou
a medição: - João do Monte da Fonseca - Alf.s
d os i n d i os
Comm.te de 2.ª Divizão. - Lucio Pires -
Joaquim Joze - Francisco de Paula Silveira -
Guido Ths.° Marliére, Director Geral."
desta Capitania
5 d
Mi as Geraes de vi te e ci co de Mai
A Origem do Nome
da Cidade
Há muitas versões para a origem do em seu relato sobre a região de Campos
topônimo Muriaé. Algumas, aceitáveis, dos Goitacases, já utilizava o nome
outras, carregadas de especulações “Moriaé” para se referir ao nosso rio.
fantasiosas. O certo é que quando o Seria necessária uma pesquisa sobre o
branco colonizador aqui chegou, o rio dialeto dos puris, que habitavam a nossa
já era chamado pelos silvícolas pelo região, mas não existe um estudo
nome de Muriaé, ou uma palavra de lingüístico sobre o referido dialeto.
O Rio Muriaé sonoridade parecida. Segundo Oíliam José, Muriaé teria sua
constantemente
alagava toda a De acordo com as especulações de origem no dialeto tupi e significaria “o
cidade devido a
uma cachoeira diversos pesquisadores, temos diversas que grita”, ou “o que chora ou
existente na direção
da Praça do
possibilidades para a origem do lamenta”. Segundo Salvador Pires,
Rosário. Esta topônimo “Muriaé”. Pesquisas mais “Meru-aé”, significando o mosquito
cachoeira foi
totalmente aprofundadas, no futuro, talvez possam diferente e mau, poderia ter dado origem
demolida em 1948,
melhorando assim nos indicar a origem mais provável do ao topônimo do rio e de nossa cidade.
as condições de
salubridade da
nome dado a nossa cidade. Ninguém Teria evoluído das formas: “Mber-u-aé”
região. Ao lado sabe, por exemplo, quando o próprio rio que significariam: mbir=pele, ú=morder,
vemos a cachoeira
antes da demolição. recebeu o nome de Muriaé. Couto Reis, Aé=diferente, outro. Ou, “Aen-

6
ahe”=mau, perverso. O que nos levaria século XIX possuía uma incidência
a supor que significasse: “O mosquito altíssima de febre amarela, é de se supor
mau ou diferente que pousa ou morde que as opções etimológicas mais
a pele”. plausíveis sejam aquelas que ligam o
Segundo Theodoro Sampaio significado do nome aos mosquitos
”Muru-aé ou Meru-aé”= moscas que abundantes na região palustre onde
afligem, mosquitos que atacam, seria surgiria a nossa cidade e à febre que
a etimologia mais aceitável. provocavam. Aliás, em uma das mais
Se optarmos pela origem tupi, antigas menções ao vale do Muriaé,

O Rio Muriaé num


trecho da Avenida
Juscelino Kubitschek.

teríamos também várias versões. datada de 1785, Couto Reis descreveu


“Mboriahu”, significaria aflição, a região realçando-lhe as condições
pobreza. Ou “Meruim-hu” = rio dos “horrorosas e pestíferas de suas
mosquitos. entranhas”, cuja colonização só foi
Apesar das inúmeras tentativas de possível graças à coragem dos primeiros
explicações, o tema continua em aberto desbravadores que, “fazendo fogos,
para especulações. No entanto, há de se descortinando matas e purificando ares,
considerar que em quase todas as tornaram os sertões menos rigorosos”.
possíveis versões existe uma Para se ter uma idéia das condições de
confluência para se ligar a origem do saúde da região, tomemos como base um
topônimo à característica palustre e aos antigo registro citado pelo Almanaque
males provocados pelos mosquitos, das Casas Americanas de 1914, que
abundantes na região. afirma que de 550 crianças nascidas até
Como a história registra que a região, 31 de dezembro de 1876, nas quatro
em seu início de povoamento era uma freguesias do município, 83 faleceram,
região palustre e que até pelos finais do ou seja, 15% de óbito infantil.
7
Nascimento e Evolução de Muriaé
O Príncipe
W. L. Von Eschwege in “Pluto aqui em nossa região já existiam
Maximiliano de
Wied-Neuwied
Brasiliensis”, Cia. Editora Nacional, faz fazendas desenvolvidas.
esteve no Brasil menção a atividades agrícolas de cana- Mas foi nos idos de 1819 que
entre os anos de
1815 e 1817 e de-açúcar, em nossa região, quando Constantino José Pinto chegou a nossa
contou sua
aventura no livro
registra, em carta-mapa, o Rio região, nomeado pelo oficial da Diretoria
“Viagem ao
Brasil”.
Robinson Crusoe, na primeira década Geral dos Índios da Província de Minas
do séc. XIX. Gerais, Guido Tomaz Marlière. Vinha,
O Príncipe Maximiliano, em Constantino Pinto, com a missão de
registro de sua notável viagem, civilizar e preparar as condições para a
fez também referência a catequização dos índios Purís que aqui
produção de açúcar e a habitavam.
existência de engenhos juntos ao Desceu pela confluência dos ribeirões
“pequeno Rio Muriaé. Esses Robinson Crusoe e João do Monte,
relatos deixam claro que muito formadores do rio Muriaé e dali dirigiu-
antes de Guido Marliére ter se até o local onde se ergue hoje a Igreja
nomeado Constantino Pinto do Rosário, fundando, ali, o aldeamento
Príncipe Maximiliano
primeiro “Diretor dos Puris”, dos índios e demarcando as terras

O Barão Wilhelm
Ludwig Von
Eschwege trabalhou
no Brasil entre os
anos de 1808 e
1821. O seu mapa
da nossa região
mostra o Rio
Muriaé, que na
época levava o nome
de Rio Robinson
Crusoé, apenas no
trecho acima do Rio
Preto (na época
chamado Ribeirão
João do Monte).

8
origem ao “Porto”, à “Barra” e à A Poaia é uma
planta medicinal,
“Armação”, em razão do rio que cujas raizes são
usadas para tratar
margeavam, depois, disseminando o seu as vias
respiratórias. Foi a
casario em todas as direções. primeira atividade
Em 1841 já era Distrito do município de econômica de
Muriaé. Era tão
São João Batista do Presídio (atual valiosa que tinha
cotação na bolsa de
Visconde do Rio Branco) e subordinado, valores de Londres.
Foi tão explorada
eclesiasticamente, à Santa Rita do Glória na época que
(atual Miradouro). Em 16 de maio de 1855, acabou entrando
em extinção.
pela lei nº 724, já agora com o nome de
São Paulo do Muriahé, desmembra-se de
São João Batista do Presídio.
Lei nº 724 de 16 de maio de 1855

“Francisco Diogo Pereira Vasconcelos,


Presidente da Província de Minas Gerais.
Faço saber, etc.

Art. 1 – Fica elevada à categoria de Vila a


Freguezia de S. Paulo do Muriahé, com a
mesma denominação.

Art. 2 – O seu município compreenderá as


Freguezias de S. Paulo, de N.S. do Glória
e da Conceição dos Tombos de Carangola.

Art. 3 – Os habitantes deste município


ficam obrigados a prontificar à sua custa
a respectiva casa da Câmara e cadeia.

Art. 4 – Logo que houver casa para as


sessões da Câmara e do Jury, será
instalada a Nova Vila.

Art. 5 – Este município pertencerá à


destinadas ao plantio para o sustento Comarca de Muriahé.
dos silvícolas. Nascia São Paulo do
Art. 6 – Ficam revogadas as disposições
em contrário.
Manoel Burgo.
Por aqui passariam a aportar
extratores de madeiras-de-lei e A Vila de São Paulo do Muriahé seria
principalmente de plantas medicinais elevada à condição de cidade pela lei nº
que aqui chegavam em busca de 1257, de 25 de novembro de 1865. Mas foi
raízes de ipecacoanha, chamada pela lei nº 843, de 7 de setembro de 1923
vulgarmente de poaia. O povoado que teve sua denominação reduzida para
cresceu rapidamente, a princípio com Muriahé. Em 1930 a reforma ortográfica
uma só rua ao longo do rio, dando suprimiu-lhe o “h”.
9
Muriaé nos Séculos XIX, XX e XXI
O Café, a Agropecuária,
a Rodovia Rio-Bahia e as Confecções.
As últimas décadas do séc. XIX desenvolvimento da nossa região e do
alcançaram o município de Muriaé já país. A riqueza, no entanto, concentrava-
como grande produtor de café, condição se nas mãos de uns poucos, não
que manteve até meados do século XX. promovendo benefícios às extensas
A monocultura cafeeira foi a primeira camadas populacionais que aumentavam
grande promotora do desenvolvimento a cada ano.
econômico do município. Os coronéis, A crise de 1929, com o “cracking” da
O café chegava aos
armazéns no lombo proprietários das grandes fazendas Bolsa de Valores de Nova Iorque, viria
de tropas de burros.
Os grandes produtoras, representavam, não só a elite afetar profundamente a economia do
comerciantes
exportavam o
econômica da região, como também sua país e do nosso município. O café,
produto pelo porto expressão política, com forte influência sustentáculo da nossa economia durante
do Rio de Janeiro.
Abaixo vemos o no cenário político do estado e do país. décadas, perdia o seu valor como
armazém de Afonso
Canedo. Era o “ouro verde” promovendo o produto de exportação, abalando a nossa

10
João Ventura Júnior, imigrante português,
fez fortuna plantando e comercializando
café. Mandou construir o Grande Hotel
Muriahé, inaugurado em 1904, usando
técnicas portuguesas de construção.

e s t r u t u r a
econômica. Mas a
economia do nosso
município e da
região voltaria a
crescer durante a
fase getulista,
principalmente após a abertura da trazido pela nova rodovia inseriu Muriaé
estrada Rio-Bahia, inaugurada por entre as cidades de maior progresso da
Getúlio Vargas em visita a nossa cidade região. A monocultura cafeeira cedia
em 1939. O grande fluxo de veículos espaço a outras atividades econômicas.
A produção
l e i t e i r a
intensificou-se,
chegando Muriaé
a ocupar, durante
muitos anos, lugar
de destaque no
ranking nacional,
em virtude, A Rodovia
principalmente, da Rio-Bahia passava
inicialmente pela
apuração do Rua Capitão Gil
Moreira. Ao lado
rebanho com vemos a Procissão
de São Cristóvão
seleção de de 1957. Nesta
matrizes e avanços época a cidade
toda se
técnicos no movimentava para
a benção dos
manejo. automóveis.

11
A mecânica automotiva atingia grande
expressão a partir da década de 60 do
século passado, sendo referência nacional
no ramo da retífica de motores. Muriaé
diversificara a sua economia.
A partir da década de 80, uma outra
grande e promissora atividade surgia em
nosso município: a indústria de
confecções. O espírito empreendedor e
ousado do empresário muriaeense
Acima, a sala de acabamento da acompanhou o avanço tecnológico do
Cuecas Lecoy, com produção diária
de 25.000 peças. Ao lado e abaixo a
ramo, dotando nossas indústrias de
Central da Pronta Entrega de Muriaé confecções dos mais modernos processos
- local de comercialização no
atacado e varejo do pólo de fabricação, facilitando as exportações,
confeccionista.
inclusive, para países do Mercosul.
Hoje, com cerca de cem mil habitantes
e uma economia diversificada, Muriaé
ocupa lugar de destaque entre as vinte
maiores cidades do estado,
transformando-se em um pólo de
referência econômica, cultural e,
especialmente, na área da educação
superior, em toda a Zona da Mata.

Apesar do grande
crescimento,
Muriaé consegue
conciliar progresso
com preservação do
meio ambiente.

12
A REVOLTA DOS TURCOS DE 1918
Um Episódio Marcante Na História De Muriaé
O nome “Revolta dos Turcos”, já
carrega em si, ab initio, uma
impropriedade pois, na realidade, jamais
houve imigração de turcos para a nossa
cidade e sim de sírios/libaneses. O termo
“turco” foi sempre usado, no entanto,
por grande parte da população, para se
referir àqueles imigrantes sírios/
libaneses que aqui chegaram, se
estabeleceram e constituíram famílias,
integrando-se, com o passar dos anos, à
comunidade muriaeense. São inúmeras impossível, a esse povo, promover uma Rua Doutor Alves
Pequeno - palco
as famílias de origem árabe em nossa “revolta armada” em nossa cidade. principal da “Revolta
cidade. O nome “turco”, dado a todo A chamada “Revolta dos Turcos” foi, A Casa dos Turcos”.
Colosso
árabe que aqui aportava, deve-se ao fato de fato, um equívoco de nomenclatura destaficava na esquina
rua com a Rua
de os turcos ou otomanos, terem histórica, pois na realidade nunca houve Dr. Antônio Canedo.
dominado todo o Oriente Médio e boa uma “revolta” por parte dos sírios/
parte da Ásia, até a eclosão da primeira libaneses, mas sim, um episódio isolado,
grande guerra mundial, que teve início provocado pelos ânimos exaltados de
em 1914. algumas pessoas.
É de se ressaltar, também, que grande Para se entender o episódio de vinte e
parte daqueles imigrantes árabes que cinco de agosto de 1918, é necessário
chegavam ao Brasil, vinham com entender a própria realidade econômica
passaportes emitidos pelas autoridades e social da época. Ao final da primeira
turcas. Guerra Mundial o mundo atravessava
A maior parte desses árabes eram uma período de grave crise econômica
libaneses, descendentes diretos dos e social que, obviamente afetava o Brasil
fenícios povo do qual herdaram a veia e a nossa cidade. A retração econômica,
comercial. Adaptaram-se bem ao Brasil o desemprego eram apenas alguns dos
e percorreram o seu interior como componentes da crise social que
mascates, ou vendedores ambulantes, provocava a insatisfação popular.
levando aos mais longínquos rincões as Os jornais da época, como o Alto
últimas novidades dos tecidos e do Muriahé de 5 de setembro e o Germinal,
armarinho, de um modo geral. Pelo seu de 3 de setembro, registraram o episódio
temperamento pacífico e sua facilidade daquele domingo, 25 de agosto de 1918.
em estabelecer relações, seria Segundo relato do “Germinal”, na
13
noite de 21 de agosto, reuniram-se no uma representação para exigir da
vasto salão do Cinema São Paulo os Câmara Municipal uma atitude contra o
representantes do “Centro de Resistência que eles consideravam “atos explorativos
Operária”. Uma multidão imensa afluiu dos negociantes da cidade”. “Nenhuma
ao local, segundo relato do jornal. Ainda voz se manifestou em apoio à sugestão,
segundo o jornal, eram pessoas simples numa delirante aclamação todos unos
e pobres que, naquela reunião, pediam e coesos, recuaram. Ninguém pediria
à Câmara Municipal “providências mais nada á Câmara da cidade” (citação
enérgicas contra os exploradores e do jornal).
açambarcadores. A multidão delirava Neste momento o Dr. Timponi
diante dos brilhantes oradores, Dr. concitou os operários a se unirem com
Itagyba de Oliveira e Dr. Miguel calma e energia, passando a palavra ao
Timponi, este último, presidente do novo operário João A. S. Monteiro que
centro. Nada porém se conseguiu de “interpretou os sentimentos da sua classe
concreto naquela reunião de 21 de oprimida e vilipendiada” afirmando que
agosto. “os seus colegas não queriam a violência
A sessão seguinte, realizada no dia 25 e sim os seus direitos tão menosprezados
de agosto, foi mais tensa. O vasto salão, pelos açambarcadores da cidade.
repleto de participantes, permanecia Ninguém mais usou da palavra e após
calmo e em ordem. O Dr. Miguel encerrada a sessão pelo presidente, todos
Timponi, presidindo a sessão, passou a saíram em calma e aplaudindo.
palavra ao secretário geral que leu a ata. Todos se dirigiram ao Café São
É então dada a palavra ao Dr. Itagyba Geraldo e lá, novamente o Dr. Timponi
de Oliveira, que usa da palavra por meia tomou a palavra para pedir aos operários
hora, falando sobre o operariado e a “que não fizessem manifestações hostis
política brasileira e conclamando os a quem quer que fosse, nem por palavras
participantes a lutarem por seus direitos. nem por atos”. Um operário moveu-se
O Dr. Miguel Timponi, orador emérito, aos vivas e protestou contra a exploração.
falou em seguida a respeito da De repente, quando desciam em
organização do novo Centro e direção à esquina da rua São
Dr. Itagiba de nomeou uma comissão Paulo, ouviu-se um tiro e, em
Oliveira
(1886-1923) composta pelos senhores: Dr. seguida, um forte tiroteio. Na
Bacharel em
Direito, brilhante Mário Macedo, Prof. José rua, a grande massa popular,
jornalista, promotor
de justiça e um dos
Paulino, Tenente Ladislau composta de mais de 500
vereadores de maior Andrade e Jayme Cysneiros, pessoas, tendo entre eles
prestígio da
Câmara Municipal este último, um dos diretores cerca de 7 ou 8 homens
de Muriaé durante
o Governo do Dr. do jornal “Germinal”. armados, desferiu um intenso
Silveira Brum, foi
um dos
Depois, falando aos tiroteio contra a Casa
personagens da operários, o Dr. Miguel Timponi Colosso, que durou cerca de 20
“Revolta dos
Turcos”. perguntou se eles queriam formar minutos. O menino e operário,
14
Philipe Fuina caiu ferido por uma bala e muitas vezes a violência popular. Depois
foi socorrido pelo capitão Modesto que da meia noite, no entanto, foram atiradas
o levou à Pharmácia Torres, onde foi dinamites na Casa Colosso. Cerca de 50
atendido pelos Drs. Rodrigo, Lyrio e libaneses foram presos no dia seguinte,
Otávio Torres. Com uma bala na face, alegando a polícia que para a própria
cai ferido o operário José Mendonça. As segurança daqueles imigrantes.
famílias vizinhas fugiam à Telegrama datado de 02 de
procura de abrigo. De setembro de 1918, destinado O Doutor Miguel
Timponi, um dos
espaço a espaço ouvia-se ao Chefe de Polícia de Minas criadores do
“Centro de
descargas de tiros. O povo Gerais, reclama providências Operários” de Juiz
atirava e procurava invadir das autoridades estaduais e de Fora, advogou
em Muriaé durante
as casas à procura de armas reiterando o pedido de um 2 anos e estimulou
a classe operária a
e munições. O delegado de Delegado militar lutar por seus
direitos. Advogou
polícia, Dr. Teixeira de acompanhado de força também em Belo
Mello, enfrentando a policial, para garantir a vida Horizonte e
escreveu o livro “A
fuzilaria, penetrou na Casa e a propriedade de cidadãos Psicografia ante os
Tribunais”.
Colosso e retirou os donos pacíficos. O telegrama
da firma, Srs. Salim José e Pedro José informa, inclusive, idênticas
e, para garantir a vida de ambos, perturbações no distrito de Santa Rita
conduziu-os provisoriamente à casa do do Glória (hoje Miradouro) em que a
médico Dr. Mário Braune, até que maioria dos árabes abandonaram suas
pudessem ser removidos para as casas buscando segurança em Muriaé.
dependências da cadeia pública. Segundo testemunhas da época, o
O povo, queria invadir a qualquer próprio consulado francês solicitou às
custo a casa do Dr. Mário Braune e a autoridades brasileiras segurança para os
farmácia do jovem Mário de Castro, a libaneses residentes em nossa região, em
fim de linchar o “turco” Salim, só não o virtude de o Líbano ser, à época,
fazendo em virtude da ação enérgica e basicamente um protetorado francês.
do conceito dos senhores Mário de Como podemos observar, a chamada
Castro e Dr. Mário Braune, que também “Revolta dos Turcos” foi mais um fato
evitaram o bombardeamento e o isolado, motivado por uma reunião
incêndio da Casa Colosso. inflamada, baseada em pressupostos
Em diversos pontos da cidade, casas econômicos mais ligados à conjuntura
comerciais de libaneses foram saqueadas mundial do que à economia do nosso
e travou-se tiroteio. No alto da Armação, município. Os libaneses, por se
quando a multidão se dirigia para atacar despontarem no comércio, acabaram por Fontes:
-O Alto Muriahé
uma casa, o operário Manoel Moreira serem responsabilizados por crise -O Germinal
-Arquivo Público
foi ferido casualmente. O policiamento econômica que transcendia as fronteiras Mineiro
-Relato pessoal de
agiu durante a tarde e a noite para do nosso país e que só se amenizaria participante com
acalmar os ânimos exaltados, impedindo décadas mais tarde. pedido de não
identificação.

15
MEMÓRIAS DA PRAÇA JOÃO PINHEIRO

Seu nome já foi Praça das Dores, fazia parte do contexto. O “flirt” era o
Quem diria? Mas ficou mesmo olhar profundo, olhos nos olhos, cada
conhecida como a praça dos amores. Ali vez que os olhares se cruzavam (duas
criou-se o termo “rodar praça” e os vezes a cada volta na praça) e era o sinal
jovens de nossa cidade “rodavam a inicial do interesse mútuo. A partir daí
praça”. estava aberta a possibilidade do
João Pinheiro da
Silva foi “Rodar praça” não se resumia em um encontro, que se dava, quase sempre,
governador de
Minas Gerais de simples andar ao redor da praça. Era junto ao relógio.
1906 a 1908,
quando veio a
muito mais do que isso. O homens, Não se usavam os termos “azarar” ou
falecer. Neste ano, a rodando em um sentido e as mulheres “ficar”. Flertava-se e namorava-se e a
principal praça da
cidade que até em outro, arquitetavam planos para os Praça João Pinheiro era cúmplice nesse
então era chamada
simplesmente de encontros. Todo um jogo de seduções jogo de sedução.
Jardim, recebeu o
nome deste grande
Quantos romances ali se iniciaram e
político mineiro. quantos olhares, ali também, jamais
Aqui vemos a praça
em duas épocas: encontraram respostas e se perderam no
1910, quando foi
inaugurado seu horizonte da vida, sozinhos... apesar da
primeiro projeto
paisagístico, e
praça.
1941, já com sua A praça era um instrumento de vida
segunda feição e
depois de e crescimento interior, mas não podia
inaugurado o
relógio. ser responsabilizada por nossos sucessos
16
ou fracassos no amor. Era apenas um Poderíamos dizer que a nossa Praça
instrumento, cujo efeito catalizador dava João Pinheiro já foi palco de amores, de
início às emoções, o resto era por conta tragédias, de carnavais, de comícios e
da criatividade de cada um. de comédias ou, poemizando:
Os carnavais da Praça João Pinheiro Seu calçadão imenso estendia-se democraticamente
foram inesquecíveis. Munidos de lança- sob os pés de toda gente,
em sentidos de mão e contra-mão,
perfume, os rapazes perfumavam as desde ninguém sabe quando,
costas descobertas das moças (só os mal- sustentando sonhos e nutrindo as esperanças
educados atingiam os olhos) e elas dos que “rodavam a praça”.
respondiam com um “fricote”, num Os mesmos pés, às vezes outros os caminhos.
misto de susto e alegria. Susto pelo Um destino em cada passo
impacto do éter frio e alegria pela e a multidão de pés pela calçada...
escolha. Serpentinas e confetes
Rápidos pés da inocência, em disparada.
completavam a alegria daquela João Pés idosos, temerosos, vacilantes.
Pinheiro de outrora, onde se molhava a Pés compassados e firmes do destino certo
palavra nos saudosos bares “Café e os pés maliciosos dos amantes.

Jardim” e “Centenário”, de tantas Um só caminho prá caminhos tantos,


noitadas alegres. em mosaico a calçada se estendia.
E os bazares? O René, o São (ou de cimento fendido e ofendido pela multidão
de passos ou de chão batido pelos pés descalços).
Cristóvão, a Futurista, a Barateira, a
Casa Gusman, a Sedutora, a Casa A alma da praça estava ali e era suave
Paulista, todos, com fazendas como a brisa de uma manhã de primavera
e nunca discriminou os passos sobre ela.
multicoloridas, exibindo nas calçadas
peças de pura seda, tricoline, casimira, Um dia anfiteatralizaram a praça.
percal, chapéus Prada, tudo em sintonia Tolheram-lhe o trajeto.
Dissiparam dezenas de metros de confidências
com o gosto mais refinado e recente da e de afetos.
capital federal. E os engraxates, com O povo não “roda” mais a praça,
A praça em 1935:
uma língua estranha de fonemas Mas comemora a vida em seu anfiteatro... calma e bucólica.

invertidos, que ganharam até


reportagem em jornal da
capital na década de 50.
De uma das extremidades
da praça, a nossa ZYD-2,
Rádio Sociedade Muriaé,
em seus 1470 kilociclos,
comandava o show de
notícias na voz do Almir ou
nas jornadas esportivas de
domingo com o saudoso
José Pires.
17
O nosso Rio Muriaé
Na época das chuvas o rio Muriaé outra rua estendia-se até ao rio, de resto,
desce caudaloso da Barra ao Porto, ora eram os quintais que lhe faziam
em corredeiras fortes, assoreando fronteira. Quintais que eram verdadeiros
margens, ora espraiando-se em remansos pomares. Eram mangas, goiabas,
profundos, instigando mistérios em suas sapotis, jabuticabas, pitangas, amoras,
águas turvas. jambos e araçás...Algumas dessas frutas
Todo rio guarda em si lembranças de estão praticamente extintas em nossa
poesia e de mistérios. Os rios fazem região.
parte da história humana. As sociedades Na estação das chuvas o rio inundava
se iniciam em povoados às margens dos esses quintais, levando para o seu leito,
rios. Ali surgem as cidades que, um dia, restos de frutos, insetos e outros
matarão o rio que lhes deu origem. materiais orgânicos que alimentariam
O rio Muriaé já foi soberbo. Percorria seus abundantes peixes. E o rio seguia o
a cidade em correnteza forte e volumosa, seu caminho. Lá pelas bandas do
arrastando tudo o que estivesse em seu Rosário, do Porto e da Encoberta,
caminho. Em tempos passados, ainda precipitava-se em cachoeiras, num
não existia a Av. Kubitschek. Uma ou murmúrio surdo e constante que se
escutava a centenas de metros de
distância, como lamentos de despedida
do rio que partia.
Possuía uma parte navegável ou, mais
precisamente, canoável, que ia da
Prainha (após as corredeiras) até as
proximidades da cachoeira do Rosário.
Por ali circulavam canoeiros famosos,
como o Sr. Manoel, o Clóvis, o Índio, o
“Zé Mentiroso”, o “Sô Lão”, o Júlio

O Rio Muriaé
em dia de águas
límpidas e com
suas águas
barrentas em
época de
chuvas.

18
Fárria e tantos outros que fazem parte
da história do nosso rio. A bordo de suas
embarcações de vinhático, uns, em
canoas estreitas e ágeis, pescavam os
piaus, os lambaris, os cascudos e os
bagres que àquela época eram
abundantes em nosso rio. Outros, em
canoas largas e mais lentas, eram os
tiradores de areia que, munidos de
conchas de ferro com longos cabos de guarda-mão. E lá embaixo, as águas Esquina da Rua
bambu, retiravam a areia do leito revoltas do rio à espera dos Constantino Pinto
profundo do rio, alimentando com o seu mergulhadores corajosos que dali se
com a rua que
desce da Praça
paciente trabalho, a construção civil em atiravam em mergulhos ousados. Muitos
José Henrique
Hastenreiter. Foto
nossa cidade. Os hábeis canoeiros jovens aprenderam a nadar nas águas tirada no dia 13 de
março de 1926,
faziam a canoa deslizar sobre as águas ameaçadoras do rio e muitos, ali numa das maiores
do rio com longos bambus, cujas pontas, também, perderam suas vidas. O rio às
enchentes de
Muriaé.
fincavam no profundo do leito e com as vezes era poesia, às vezes, tragédia. Seu
duas mãos forçando o bambu para baixo leito guarda segredos e histórias
e para traz, impulsionavam a canoa para incontáveis que se perderam no tempo.
a frente. Um dia, dinamitaram as cachoeiras
Já houve tempo em que tomar banho do rio para evitar enchentes, como
no rio Muriaé era moda entre a aquela memorável de 1946. As
rapaziada. Uns preferiam a prainha, na enchentes diminuíram mas o rio perdeu
Barra, outros, nadavam nas águas a sua grandeza e impetuosidade.
mansas ao final do “Beco do Simplício”, Tiraram-lhe parte da alma, tiraram-lhe
hoje, rua Júlio Brandão ou nos fundos a majestade.
do campo do Nacional, atrás da casa do Mais raso e poluído a cada dia o rio
Mário Venâncio, o grande craque do Muriaé, clamando por socorro, segue o
passado. Havia outros, mais audaciosos, seu caminho de penúria, morrendo em
que preferiam o mergulho, pulando das cada cidade, em cada vila, em cada
laterais da ponte de madeira ao final da aglomerado humano por onde passa.
rua Capitão José Justino, a “ponte do Desviará de obstáculos naturais, em seus
Dr. Brum”. meandros caprichosos, mas não
Na década de 50 ainda não existia conseguirá se desviar dos homens que
aquela ponte de madeira. Ao final da rua vão ao seu encalço, morar em suas
Capitão José Justino havia era uma margens e macular as suas águas.
ponte para pedestres, feita com quatro Depois, cansado e doente, pedirá
cabos de aço: dois na parte de baixo que emprestado o leito do Paraíba para
sustentavam as tábuas do piso e dois na cumprir o seu destino... realizar o sonho
parte de cima que funcionavam como de ser mar.
19
Simbologia da Bandeira
A bandeira municipal de Muriaé foi da sobre-faixa representa, em heráldica,
idealizada de acordo com as normas dedicação, amor-próprio, audácia,
gerais da heráldica. Possui um fundo intrepidez, coragem.
azul dividido em quatro partes por duas Os quartéis em azul representam as
faixas que, partindo dos ângulos propriedades rurais existentes no
extremos da bandeira, cruzam-se no território municipal e a sua cor azul
centro, sobre o qual é aplicado um simboliza justiça, nobreza,
retângulo contendo o brasão municipal. perseverança, zelo, lealdade.
O brasão, figurado na bandeira, As bandeiras são ícones
representa o governo municipal e o representativos de grande valor para as
retângulo amarelo que se encontra no instituições que representam e por isso
centro da bandeira, onde é aplicado o devem ser respeitadas e honradas.
brasão, simboliza a
própria cidade sede do
município.
A cor amarela é símbolo
de glória, esplendor,
grandeza, riqueza e
mando. As faixas que
partem do vértice da
bandeira, amarelas com
sobre-faixas vermelhas,
representam a irradiação
do poder municipal a todos
os quadrantes do seu
território. A cor vermelha

SIMBOLOGIA DO ESCUDO
O escudo usado para representar o A coroa mural, ao alto do brasão, é o
Brasão de Armas de Muriaé, instituído símbolo universal dos brasões de
pelo decreto 147 de 05 de setembro de domínio. É prateada, com oito torres, das
1969, foi herdado de Portugal pela quais apenas cinco são visíveis. Esta
heráldica brasileira, evocando a raça coroa classifica a cidade na Segunda
latina colonizadora e principal Grandeza, o que significa que é sede da
formadora da nossa nacionalidade. comarca.
20
A cor azul do campo do escudo,
simboliza em heráldica justiça,
perseverança, zelo, lealdade, alegria e
formosura.
Quanto às armas, o escudete de
cor prata, cortado por uma faixa
em vermelho e contendo três
romãs dispostas
triangularmente (duas na parte
superior e uma na inferior), é
uma homenagem ao
desbravador da região, o
indianista Guido Tomás
Marliére, de cuja comitiva
pertencia Constantino
Pinto, o fundador da
cidade.
As armas contidas no
Brasão são de uma das mais
nobres e ilustres famílias
francesas brasonadas, da qual
descende Guido Marliére. A simbologia
heráldica das armas da família Marliére
(ou Marlier) é a seguinte: A faixa que
corta o escudo é a segunda das peças
honrosas da França. Simbolizando o Em ponta, o terrado em ouro, com Escudo
instituído pelo
cinto do cavaleiro, a cor prata do campo elevação ao centro, está representando decreto 147 de
significa paz, trabalho, amizade, pureza, os dois principais acidentes geográficos 05 de setembro
de 1969
espiritualidade. O vermelho simboliza do município: a Pedra de Santa Maria e
dedicação, amor pátrio, audácia, o Rio Muriaé. A elevação traz uma
intrepidez, coragem. As romãs estão buzina de caça estilo boiadeiro, em
dispostas triangularmente, simbolizando vermelho, lembrando a pecuária, uma
o chefe que defende qualquer fortaleza. das expressões econômicas do
As espadas que ladeiam o escudete, município. O café e o arroz lembram,
douradas, e postas em riste, significam no brasão, os produtos principais da terra
vigilância, defesa das leis de domínio e fértil.
é o símbolo de São Paulo, o padroeiro No listel vermelho, em letras
da cidade e cujo nome figurou no prateadas, o nome da cidade de Muriaé,
primitivo nome de nossa cidade (São ladeado pela data de sua elevação a
Paulo do Muriahé). município: 16/05/1855.
21
Mapa do Município de Muriaé
Parque Estadual da
Salvador
Serra do Brigadeiro
Governador Valadadres
Pico do Itajuru APA-Itajuru

Hotel-Fazenda
Miradouro
BR Y-Juca-Pirama
116

Distrito de
Pontão da
BELISÁRIO
Água Limpa
Vieiras
Cachoeira do Naor
Represa
Muriaé, seus
APA-Rio Preto do Glória
Distrito de
distritos, Áreas de
Ouro Preto
ITAMURI Pedra Santa
Proteção Ambiental
e pontos turísticos. Viçosa Distrito de
PIRAPANEMA
APA-Pontão
BR Usina da
482 Fumaça Cachoeira do
Distrito de Rio Preto Eugenópolis
Serra de VERMELHO
Pirapanema BR
(Rampa de
356
Vôo Livre)
Distrito de
MACUCO MURIAÉ Campos

sede
Vitória

Patrocínio
Distrito de do Muriaé
BOA FAMÍLIA

Distrito de
BOM JESUS DA Barão do
CACHOEIRA
Monte Alto

Juiz de Fora
Rio de Janeiro

Distâncias dos Principais Centros Distâncias dos Principais Pontos de Turismo Ecológico
Percurso Quilômetros Percurso Pavimentada Sem Pavimento Total
Muriaé - Brasília - DF 1.129 Km Muriaé - Pico do Itajuru 29 Km 14 Km 43 Km
Muriaé - Belo Horizonte 364 Km Muriaé - Rampa de Vôo Livre 17 Km 04 Km 21 Km
Muriaé - Juíz de Fora 180 Km Muriaé - Pedra Santa 12 Km 10 Km 22 Km
Muriaé - Rio de Janeiro 304 Km Muriaé - Pontão da Água Limpa 12 Km 13 Km 25 Km
Muriaé - São Paulo 647 Km Muriaé - Usina da Fumaça 09 Km 11 Km 20 Km
Muriaé - Vitória 340 Km Muriaé - Represa do Glória 10 Km - 10 Km

22
DADOS GEOGRÁFICOS DO MUNICÍPIO
ÁREA:
Orizânia

Espera
O município de Muriaé possui uma Divino
Feliz
Fervedouro
área de 842 km2 , distribuídos pela sede Carangola Caiana
e seus sete distritos: Belisário, Boa São Faria
Francisco Lemos
Família, Bom Jesus da Cachoeira, do Glória Pedra
Dourada
Miradouro
Itamuri, Macuco, Pirapanema e Tombos
Vermelho.
PONTOS MAIS ELEVADOS:
Vieiras
Rosário da
Limeira

Muriaé
São Sebastião Antonio Prado Microrregião de
da Vargem de Minas Muriaé
A altitude mínima é de 198 metros, Alegre
Eugenópolis
na sede e a máxima de 1.580 metros, no
pico do Itajuru, situado no distrito de Patrocínio do
Miraí Muriaé

Belisário.
LIMITES:
Barão do
Monte Alto

ÍNDICE PLUVIOMÉTRICO:
Muriaé limita-se ao norte com os
Pesquisa: Secretaria
municípios de Ervália, Miradouro e Municipal de
Vieiras; ao sul com Santana de A precipitação média é de 1.191 Educação
Profas.: Maria de
Cataguases, Laranjal e Palma; a oeste milímetros, tendo como época de chuvas Fátima Barbosa e

com Rosário da Limeira e Miraí; a leste abundantes os meses de outubro e março Rita de
Cássia de Matos

com Eugenópolis, Patrocínio do Muriaé e esparsas entre abril e setembro. Barroso Rodrigues

e Barão do Monte Alto. A cidade tem A EDUCAÇÃO EM MURIAÉ:


as seguintes coordenadas geográficas: Muriaé destaca-se como pólo
21o 07’ 50” de latitude sul e 42o 51’ 59” educacional em uma vasta região.
de longitude a oeste de Greenwich. Dotado de uma extensa rede de ensino,
BACIA HIDROGRÁFICA: em seus diversos graus, o município de
Compõem a bacia hidrográfica do Muriaé possui um significativo número
município de Muriaé, os seguintes de alunos, desde a pré-escola até os
cursos d’água: Rio Muriaé, Rio Glória, diversos cursos de suas Faculdades de
Rio Preto e Rio Fumaça, completados ensino superior.
pelo Ribeirão Sem Peixe, e os córregos O ensino, do pré-escolar ao Ensino
da Armação e do Jacaré. As principais Médio, conta com uma grande rede
quedas d’água são as cachoeiras da composta por 77 escolas da rede pública
Fumaça e da Encoberta. municipal, 36 escolas da rede pública
TEMPERATURA MÉDIA: estadual e 28 da rede particular.
O clima de Muriaé é o tropical quente Quanto ao ensino superior, Muriaé é
e úmido com temperaturas variando atualmente um importante pólo
entre a média máxima de 38o C e média educacional, com os cursos oferecidos
mínima de 15o C, com uma média anual por suas três unidades de ensino
de 23o C. superior.
23
A Faculdade de Filosofia Ciências e mestres e doutores em diversas áreas do
Letras Santa Marcelina, oferece os conhecimento, além dos especialistas e
cursos de licenciatura em: Pedagogia, graduados.

DADOS SÓCIO-ECONÔMICOS
Normal Superior, Letras, Ciências
Biológicas, Tecnologia em
Desenvolvimento de Sistemas e Com uma população em torno de
Ciências com habilitação em 96.000 habitantes (51,49% do sexo
Matemática, Física e Química. feminino e 48,51% do sexo masculino)
A Universidade Presidente Antônio e um colégio eleitoral composto por
Carlos, cuja sede é em Barbacena, 67.860 eleitores, Muriaé possui uma
possui há alguns anos uma extensão em economia de significativa importância
Muriaé e oferece os cursos de Técnico na região, razão pela qual se
em Modas, Normal Superior e transformou, ao longo do tempo, em
Empreendedorismo. cidade pólo na Mata Mineira. Possui um
A FAMINAS – Faculdade de Minas, Índice de Desenvolvimento Humano de
criada há quatro anos em nossa cidade, 0,773 (acima da média dos municípios
colocou-se, em pouco tempo, entre as brasileiros) e apresenta, atualmente, os
dez maiores faculdades do Estado de seguintes dados estatísticos em sua
Minas Gerais e oferece os cursos de economia, finanças e outros:
Bacharelado em: Farmácia, Nutrição,
Imóveis Urbanos .......................... 35.456
Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Propriedades Rurais ...................... 2.500
Enfermagem, Educação Física, Serviço Veículos registrados ..................... 17.332
Social, Direito, Ciências Contábeis, Indústrias ............................................. 88
Administração de Empresas, Estabelecimentos Comerciais ........ 3.332
Jornalismo, Propaganda & Publicidade, Profissionais Liberais ....................... 500
Postos de Saúde ................................... 28
Sistema de Informação, Turismo e
Escolas de 1º Grau .............................. 88
Psicologia, perfazendo um total de 15 Escolas de 2º Grau ................................ 7
cursos, além de especializações em Escolas de 3º Grau ................................ 3
várias áreas. Ao final deste ano, a Rebanhos:
Faminas estará entrando com o pedido Bovinos .......................................... 58.903
no MEC para transformar-se em Suínos ............................................ 16.560
Eqüinos ........................................... 3.000
Universidade.
A rede de ensino superior de Muriaé, Com uma renda per capita em torno
pela qualidade dos seus cursos e pela de R$ 250,67, Muriaé possui uma
variedade de áreas que oferece, atrai arrecadação anual em torno de R$
alunos das diversas cidades da região 54.000.000,00. Sua economia gira em
que para aqui afluem em busca de torno de uma diversificada produção
conhecimento. Em razão disso, Muriaé agrícola baseada no cultivo do arroz,
conta hoje com a presença, em seu meio cana-de-açúcar, café, feijão, milho e uma
de ensino universitário, de vários variada fruticultura.
24
HINO A MURIAÉ
1 Música: Lourdes Santelli
Florescendo num trecho risonho Letra : Cândida Theodora Cerqueira
deste grande e lindo país,
Muriaé tu nascestes do sonho
De um povo heróico e feliz. 6 - Estribilho.

2 - Estribilho 7
Muriaé, terra querida, Continua a subir sempre mais
por um sol todo ouro banhada, pela senda do bem e da glória,
por um sol todo ouro aquecida, escrevendo com áureos sinais
serás sempre por nós venerada. frases lindas em nossa história.

3 8 - Estribilho
Em São Paulo tiveste padroeiro,
que tua sorte fiel governou, 9
transformando teu solo em viveiro Salve terra de Minas heróica,
onde sempre a virtude medrou. de imortal e feliz tradição,
fulgirás na flâmula histórica,
4 - Estribilho através de um rico brasão.

5 10
Muriaé pelo bem e o dever, Muriaé, terra querida,
o teu povo labuta a sorrir, por um sol todo ouro banhada,
pra gozar do perene prazer por um sol todo ouro aquecida,
de gloriosa vitória a luzir. serás sempre por nós venerada.

25
Prefeitos de Muriaé 1861 - 1936

01-Manoel Fortunato Pinto


1861 a 1866

04-Luiz Orozimbo A. Mesquita 06-José Maurício de Magalhães


1875 a 1878 1881 a 1882

02-Manoel Garcia de Mattos


1867 a 1868
03-Miguel Eugênio M. de Barros 05-Jerônimo Máximo V. Castro
1869 a 1874 1879 a 1880

08-João Freitas
1885 a 1887

09-Jerônimo M. Versiani e Castro


1887 a 1889

10-José Maria Figueiredo Ramos


1890

11-Antonio Dias Duarte


1891 a 1892

07-Domiciano A. M. de Castro 12-José Felippe dos Santos 13-João Crisóstomo L. Magalhães 14-Manoel Correa do Prado 15-Luiz Gonzaga da Silva
1883 a 1884 1892 1893 a 1897 substituto em 1894 1898 a 1900

16-Júlio Cézar Susano Brandão


1901 a 1903

20-Antonio José Silveira Freitas


substituto em 1919

17-João B. Gonçalves de Oliveira


substituto de 1903 a 1904

18 - Antônio da Silveira Brum - 19-Olavo Tostes 21-Antonio J. Monteiro de Castro


1905 a 1920 substituto em 1916 e 1917 1920

22-Izalino Romualdo da Silva 23-Edmundo Rodrigues Germano 24-Afonso Augusto Canêdo 25-Orlando Barbosa Flores 26-Rodrigo Rogério D. Castro
1921 a 1926 1927 a 1930 1931 1931 a 1935 1936
26
1936 - 2004

27-Francisco Alves Assis Pereira 28-Geraldo Starling Soares 29-Pio Soares Canêdo 30-Antonio José M. de Castro Jr. 31-Francisco Theodoro A.Silva Fº.
1936 a 1939 1939 a 1944 1945 a 1946 1946 a 1948 1947

32-Cândido José Mont. de Castro 33-Dante Bruno 34-Antônio Soares Canêdo 35-Dante Bruno 36-Hélio Alves Araújo
1948 a 1950 1951 a 1954 1955 a 1958 1959 a 1962 1963 a 1966

37-João Braz 38-Cândido José Mont. de Castro 39-Paulo Fraga 40-João Braz 41-Hamilton Marinho
1967 a 1970 1971 a 1972 1973 a 1976 1977 a 1982 substituto de1979 a 1981

42-Paulo Oliveira Carvalho 43-Christiano A.Bicalho Canedo 44-Paulo Oliveira Carvalho 45-Carlos Fernando Costa 46-Odilon Paiva Carvalho
1983 a 1988 1989 a 1992 1993 a 1996 1997 a 2000 2001 a 2004
27
2005 - 2008
Poder Executivo
Secretários
Agricultura e Meio Ambiente: Francisco Ofeni Silva
Chefe de Gabinete: Rui Vale de Matos
Demsur: João Paulo Goulart de Freitas
Desenvolvimento Econômico: César Augusto Bianchi Botaro
Desenvolvimento Social: Eveline Castro do Amaral
Educação: Maria Amélia Queiroz Xaia
Fazenda: Carmem Lúcia Rodrigues Caldas
Fundarte: Gilca Maria Hubner Napier Porcaro
Planejamento e Administração: Ronaldo Guarçoni
Procuradoria: Daniela Braz Tambasco Mendes
Prefeito: Vice-Prefeito:
Saúde: Marcos Guarino de Oliveira
José Braz Rodrigo Lopes Guarçoni

Poder Legislativo
Presidente 1º Vice-Presidente 2º Vice-Presidente Alexandre Pereira Feres
Antônio Augusto Pereira
Evilmerodaque Etiene de Mendonça
Helena Francisca de Oliveira Carvalho
João Batista Cândido Ribeiro
Joel Morais de Asevedo Junior
Lydio Miguel Bandeira de Melo
Odilon Fructuoso Braga
Paulo Roberto Portilho Varella
Vander Gonçalves de Oliveira
Wilson Caetano dos Reis Santos
João Fiscal Pastor Wilson Reis Paulo Varella
1.132 Votos 920 Votos 1.059 Votos
1º Secretário 2º Secretário

Pr. Antônio Augusto Dr. Alexandre Feres Evil Mendonça Helena Carvalho
913 Votos 1.075 Votos 922 Votos 1.284 Votos

Sargento Joel Dr. Lydio Bandeira Odilon Braga Vandinho


2.038 Votos 1.185 Votos 1.436 Votos 1.001 Votos

28
Realização:
O TEMPO, A MEMÓRIA, O RESGATE, A HISTÓRIA.
Construíram uma cidade os homens que venceram o tempo. Hoje, memórias
podem ser folheadas dentro desta revista. Histórias retratadas aqui voltam à
vida trazendo exemplos e nos apontando caminhos a seguir. Indicam o futuro
num desafio ao tempo, numa reconstrução de memórias. A identidade de um
presente que se enfrenta na esperança de um futuro harmonioso e possível.
Alexandre Augusto de Andrade Gomes