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Resumo de Trabalho Acadêmico

MODELO BUROCRÁTICO – Segunda Parte

Chard Willian Novais Mendonça; Jonas Barbosa Ferreira Junio; Pedro Gabriel
Machado Siqueira.
Professor: Rafael Castro Rabelo
Introdução à Administração - Analise e Desenvolvimento de Sistemas/IFG

Palavras chaves: burocracia, organização.

Resumo: Para Weber, a burocracia é uma organização cujas consequências desejadas se


resumem na previsibilidade do seu funcionamento no sentido de obter a maior eficiência da
organização. Todavia, ao estudar as consequências previstas (ou desejadas) da burocracia que a
conduzem à máxima eficiência, Merton, notou também as consequências imprevistas (ou não
desejadas) que levam à ineficiência e às imperfeições. A essas consequências imprevistas,
Merton deu o nome de disfunções da burocracia para designar as anomalias de funcionamento
responsáveis pelo sentido pejorativo que o termo burocracia adquiriu junto aos leigos no
assunto. Merton salienta que os cientistas deram muita ênfase aos resultados positivos da
organização burocrática e descuidaram das tensões internas, enquanto o leigo, ao contrário, tem
exagerado as imperfeições da burocracia. Emanadas por meio das normas e regulamentos para
atingir os objetivos da organização, tendem a adquirir um valor positivo, próprio e importante,
independentemente daqueles objetivos, passando a substituí-los gradativamente. As normas e os
regulamentos passando a transformar de meios em objetivos. Passam a ser absolutos e
prioritários: o funcionário adquire "viseiras" e esquece que a flexibilidade é uma das principais
características de qualquer atividade racional. Com isso, o funcionário burocrata torna-se um
especialista, não por possuir conhecimento de suas tarefas, mas por conhecer perfeitamente as
normas e os regulamentos que dizem respeito ao seu cargo ou função. Os regulamentos, de
meios, passam a serem os principais objetivos do burocrata. A necessidade de documentar e de
formalizar todas as comunicações dentro da burocracia a fim de que tudo possa ser devidamente
testemunhado por escrito pode conduzir a tendência ao excesso de formalismo, de
documentação e, consequentemente, de papelório. Aliás, o papelório constitui uma das mais
gritantes disfunções da burocracia, o que leva o leigo, muitas vezes, a imaginar que toda
burocracia tem necessariamente um volume inusitado de papelório, de vias adicionais de
formulários e de comunicações. Quando surge alguma possibilidade de mudança dentro da
organização, essa mudança tende a ser interpretada pelo funcionário como algo que ele
desconhece, e, portanto, algo que pode trazer perigo à sua segurança e tranquilidade. Com isso,
a mudança passa a ser indesejável para o funcionário. E, na medida do possível, ele passa a
resistir a qualquer tipo de mudança que se queira implantar na burocracia. Essa resistência à
mudança pode ser passiva e quieta, como pode ser ativa e agressiva através de comportamentos
de reclamação, tumultos e greves. A burocracia tem como uma de suas características a
impessoalidade no relacionamento entre os funcionários. Daí o seu caráter impessoal, pois ela
enfatiza os cargos e não as pessoas que os ocupam. Isso leva a uma diminuição das relações
personalizadas entre os membros da organização: diante dos demais funcionários, daí a
despersonalização gradativa do relacionamento entre os funcionários da burocracia. Os
funcionários passam a conhecer os colegas, não pelos seus nomes pessoais, mas pelos títulos
dos cargos que ocupam. Algumas vezes, o conhecimento é feito pelo número do registro do
colega ou por qualquer outra forma de identificação das pessoas imposta pela organização. A
burocracia se assenta em uma rígida hierarquização da autoridade. Portanto, quem toma
decisões em qualquer situação será aquele que possui a mais elevada categoria hierárquica,
independentemente do seu conhecimento sobre o assunto. Quem decide é sempre aquele que
ocupa o posto hierárquico mais alto, mesmo que nada saiba a respeito do problema a ser
resolvido. Por outro lado, categorizar significa uma maneira de classificar as coisas, facilmente,
a fim de lidar com elas com mais facilidade. A burocracia baseia-se em rotinas e procedimentos,
como meio de garantir que as pessoas façam exatamente aquilo que delas se espera. Como uma
burocracia eficaz exige devoção estrita às normas e regulamentos, essa devoção às regras e
regulamentos conduz à sua transformação em coisas absolutas: as regras e rotinas não mais são
consideradas relativas a um conjunto de objetivos, mas passam a ser absolutas. Essa
superconformidade às regras, regulamentos, rotinas e procedimentos conduz a uma rigidez no
comportamento do burocrata: o funcionário passa a fazer o que está estritamente contido nas
normas, regras, regulamentos, rotinas e procedimentos impostos pela organização. Essa perde
toda a sua flexibilidade, pois o funcionário restringe-se ao desempenho mínimo. Perde a
iniciativa, a criatividade e a inovação. Como a burocracia enfatiza a hierarquia de autoridade,
torna-se necessário um sistema capaz de indicar, aos olhos de todos, aqueles que detêm o poder.
Daí surge a tendência à utilização intensiva de símbolos ou de sinais de status para demonstrar a
posição hierárquica dos funcionários, como o uniforme, a localização da sala, do banheiro, do
estacionamento, do refeitório, o tipo de mesa etc., como meios de identificar quais são os
principais chefes da organização. Em algumas organizações - como o exército, a Igreja etc. o
uniforme constitui um dos principais sinais de autoridade. O funcionário está voltado para
dentro da organização, para suas normas e regulamentos internos, para suas rotinas e
procedimentos, para seu superior hierárquico que avalia o seu desempenho. Essa atuação
interiorizada para a organização o leva a criar conflitos com os clientes da organização. Todos
os clientes são atendidos de forma padronizada, de acordo com regulamentos e rotinas internos,
fazendo com que o público se irrite com a pouca atenção e descaso para com os seus problemas
particulares e pessoais. Não existe somente um tipo de burocracia, mas sim diferentes graus de
burocratização. A burocracia da atualidade é tida como contínua, e não algo imutável. O grau de
burocracia varia de acordo com a burocratização e classificar algo como burocrático ou não e
até mesmo seu grau de burocratização acabou se tornando um feito muito mais específico, e
estudando muitas obras de diversos autores, Hall chegou as seis dimensões da burocracia, que
são elas: divisão do trabalho baseada na especialização funcional, hierarquia de autoridade,
sistema de regras e regulamentos, formalização das comunicações, impessoalidade no
relacionamento entre as pessoas, seleção e promoção baseadas na competência técnica. Com o
auxílio de questionários, Hall conseguiu ver que tais itens estavam presentes em grande escala
nas estruturas muito burocráticas e pouco presente nas pouco burocratizadas. Dessa forma Hall,
entende que as instituições podem estar burocratizadas em graus altos em determinadas áreas e
em graus menores em outras, pois as características podem variar. A burocracia realiza de
maneira racional a organização do ambiente do trabalho para fins específicos, e obviamente
existem muitos adeptos e críticos dessa teoria. Perrow é um desses adeptos e defende a tese da
burocracia ampla, pois para ele essa é uma maneira efetiva e eficiente de organizar as mais
complexas organizações. Para a burocracia não gera erros se instaurada da maneira correta.
Como dito antes, existem críticos da burocracia, e Katz e Kahn fazem parte deste grupo. Eles
acreditam que a burocracia não leva em conta fatores do ambiente específico, além de ter caráter
racionalizado. Para eles a burocracia somente obtém êxito quando tarefas individualizadas são
mínimas, quando as exigências de trabalho são claras e não existe a necessidade de transmissão
de informação para os funcionários, quando a agilidade é intrínseca ao processo produtivo e a
organização é necessária. Perrow diz que a burocracia exige que exista especialização,
necessidade de controlar seus componentes e os tornam protegidos de fatores externos, além de
manter o ambiente externo imutável. A Teoria Tradicional tem três modelos clássicos, são eles a
Administração Científica, a Teoria Clássica e o Modelo Burocrático. Todas essas teorias tem
foco no organizacional e nas estruturas internas. A termologia Teoria da Máquina pode ser
entendida nos três modelos clássicos e é nessa teoria que fica explícito o caráter mecanicista da
Administração Científica, pois nela o trabalhador agia como uma mera engrenagem do sistema
produtivo e o empregador pouco se importava se ele estava lidando com um humano ou uma
máquina, para ele ambos mereciam o mesmo tratamento. Kahn e Katz explicam algumas
características dessa teoria: nela a especialização de tarefas é essencial para maior eficiência
produtiva; padronização do desempenho da função; a unidade de comando e centralização da
tomada de decisão, onde a decisão é pautada na figura humana, figura essa que está dentro da
cadeia escalar; uniformidade de práticas institucionalizadas, onde tratam todos de acordo com a
equidade; não duplicação de função, onde cada trabalhador é responsável apenas por uma única
função. Mas Katz e Kahn também nos mostram os pontos fracos do mecanicismo: as influências
do ambiente no meio de trabalho, daí se tem a importância da mudança que não ocorre, pois se
dá pouca importância; A interação com o ambiente é a mínima possível, entradas somente de
material industrial, deixando de lado o set humano e suas necessidades, até mesmo médicas;
Pouca atenção aos subsistemas da organização, com sua dinâmica e intercâmbio internos;
Negligência quanto à organização informal; Concepção da organização como um arranjo rígido
e estático de órgãos. Conclui-se então que o modelo de Weber tem caráter mecanicista, assim
como de Fayol. Bennis aponta críticas da burocracia, são elas: 1 – Não considera o crescimento
pessoal e o desenvolvimento da personalidade, 2 – Leva à conformidade e ao conformismo, 3 –
Não considera a organização informal, 4- Seu sistema rígido de controle e de autoridade está
ultrapassado, 5 – Não possui meios para resolver conflitos internos, 6 – As conformidades (e
ideias criativas) são bloqueadas ou distorcidas por causa das divisões hierárquicas, 7 – Os
recursos humanos não são plenamente utilizados por causa da desconfiança, do medo de
represálias, etc, 8 - Não assimila as novas tecnologias adotadas pela organização, 9 – Modifica
a personalidade das pessoas, que se tornam obtusas, limitadas e obscuras: o “homem
organizacional” condicionado. Organizações burocráticas desde os leviatãs de produção em
massa até as indústrias de serviços como universidades ou hospitais, são unidades complexas
destinadas a alcançar objetivos e para sobreviver deve cumprir tarefas secundárias que são:
Manter o sistema interno e integrar o lado humano da empresa e se adaptar e moldar ao
ambiente externo. A burocracia é um processo conservador e contrário à inovação (Segundo
Michels e Mises), o burocrata se comporta como ritualista apegando em regras e voltado para
“deslocamento de objetivos” (Segundo Merton). Apesar de ter se adaptado bem no séc XXI ela
está sendo levada ao desaparecimento por novas e diferentes condições do mundo
industrializado moderno. Bennis sintetiza em 4 ameaças impostas à burocracia que são:
Transformações rápidas e inesperadas do ambiente, aumento do tamanho organizacional, em
que o simples acréscimo das atividades tradicionais não é o suficiente para sustentar o seu
crescimento daí a reengenharia, crescente complexidade da tecnologia moderna, exigindo
integração entre atividades e pessoas especializadas e de competências diferentes, mudanças
radicais no comportamento administrativo e na filosofia dos negócios impondo a necessidade de
maior flexibilidade da organização. Kast e Rosenzweig destacam que o caminho moderno
consiste em usar o modelo burocrático de Weber como ponto de partida, mas reconhece que ele
tem limitações e o ponto de vista que predomina diz que: A forma mais apropriada para
atividades rotineiras e repetitivas da organização em que a produtividade é o objetivo mais
importante e a não adequada as organizações em que a criatividade e inovação são mais
importantes. Gouldner dividiu dois modelos fundamentais, o modelo racional de organização
que adota lógica de sistema fechado em busca de previsão exata como a administração científica
e o modelo natural de organização que adota lógica de sistema aberto na expectativa de
variáveis. A teoria da burocracia se preocupa em descrever, analisar e explicar as organizações
para que o administrador escolha a melhor forma de agir, levando em conta suas tarefas,
problemas, situação, restrições. Ela se caracteriza por ser descritiva e explicativa e tem
vantagem de proporcionar conhecimento profundo sobre o objeto de estudo e ampla
flexibilidade e versatilidade na solução de problemas, apesar das críticas ao seu mecanicismo
ela trouxe uma nova colocação à teoria administrativa começou a se libertar de padrões como
dogmas de conduta do administrador. Existem outras críticas a Weber entre elas a de que ele
não inclui a organização informal em seu tipo ideal de burocracia, as pessoas são vistas como
seguidores de regras e não como ser social, a distinção entre os tipos de autoridade é exagerada
e a de que o conflito interno na organização é considerado indesejável. O modelo burocrático é
o terceiro pilar da teoria tradicional da organização, foi o ponto de partida no estudo das
organizações por sociólogos e cientistas. Essa teoria se assemelha à teoria clássica da
organização no que se diz respeito à ênfase na eficiência técnica e na estrutura hierárquica da
organização se comparamos as três teorias, de Weber, Taylor e Fayol a gente percebe que, a
primeira preocupava-se com as características da burocracia e sua contribuição foi para a
organização considerada como um todo, a de Fayol estudava as funções de direção logo sua
contribuição foi para a direção e a de Taylor procurava meios e métodos científicos para realizar
o trabalho rotineiro das organizações e a sua contribuição mais evidente foi para a gerência.