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Coordenação do Curso de Engenharia Elétrica

Laboratório de Instrumentação, Sistemas de


Controle e Automação (LINSCA)

Instrumentação Virtual
Instrumentação Eletrônica

Prof. Ademar Gonçalves da Costa Junior, Dr.


ademar.costa@ifpb.edu.br

2018.1
Introdução
Os instrumentos tradicionais autônomos tais como
osciloscópios e geradores de sinais são muito poderosos, caros
e projetados para executar uma ou mais tarefas específicas
definidas pelo fabricante;
Entretanto, o usuário geralmente não pode estendê-las ou
customizá-las;
Todos os botões e as teclas no instrumento, como também os
circuitos internos, e as funções disponíveis ao usuário, são
específicos à natureza do instrumento;
Esta tecnologia especial e os componentes que devem ser
desenvolvidos para construí-los tornam estes instrumentos
caros e difíceis de se adaptar a outras aplicações requeridas
pelos seus usuários.
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Introdução

Um sistema de instrumentação virtual é um sistema


computacional, o qual um usuário desenvolve um sistema
de teste e de medição computadorizado, por meio de um
computador (um dispositivo de hardware externo), e na
tela de um computador, por exemplo, apresentam-se os
dados medidos e/ou analisados;
Instrumentação virtual também pode ser estendido a
sistemas computacionais para controle de processo
baseado em coleção de dados e processados por um
sistema de instrumentação computacional.

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Introdução
Um instrumento virtual consiste em uma ferramenta de
programação adequada, um equipamento de aquisição flexível,
que acoplado ao computador pessoal, executam juntos as
funções de instrumentos tradicionais;
Os instrumentos virtuais (Virtual Instrument – VI), pela virtude
de serem baseados em PC, beneficiaram-se das últimas
tecnologias incorporadas ao computadores;
Estes avanços de tecnologia e de desempenho estão diminuindo
rapidamente a diferença entre instrumentos tradicionais e
virtuais, incluindo processadores mais velozes e Sistemas
Operacionais (SO) que além de incorporar características
poderosas oferecem também o acesso fácil às ferramentas tais
como a Internet.
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Introdução
Os instrumentos tradicionais estão perdendo, na maioria
das vezes, por não serem portáteis, visto que os VI’s
funcionam também em notebooks incorporando
automaticamente a sua natureza de portabilidade;
Atualmente diversos instrumentos analógicos ou digitais
podem ser concentrados de maneira virtual em um único
VI, possibilitando redução de espaço e de custo;
Ex: um único computador pode conter um gerador de
funções, um multímetro, um osciloscópio, um analisador
de espectro e outros instrumentos.

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Definição
Goldberg (2000): “um VI é composto por alguns periféricos
especializados, um computador de uso geral, um software de
desenvolvimento adequado, e conhecimento específico à
aplicação desejada”;
Kogler (2004): “o VI é um sistema formado por um
computador mais um instrumento de medida ou equipamento
de comando (reais) colocados em comunicação”;
Um programa executado no computador torna o instrumento ou
o controlador acessível ao operador por meio de uma interface
gráfica de software;
Essa interface é dotada de botões, chaves, mostradores,
indicadores, painéis de exibição de gráficos, entre outros,
apresentados como objetos interativos, animados sob ação do
operador por meio do cursor do mouse.
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Definição
O instrumento conectado ao computador pode ser desde
um equipamento completo (ex: osciloscópio), ou mesmo
um simples sensor como um termopar ou um
extensômetro;
Botões e indicadores que aparecem na tela do VI podem
não corresponder a controles reais do instrumento que está
conectado ao computador;
Ou seja, usando um PC, pode-se ampliar a funcionalidade
de um instrumento, acrescentando-lhes novas funções
executadas pelo PC com as medidas fornecidas pelo
instrumento.
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Definição

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
Hardware associado ao PC em um Sistema VI:
Dispositivos de aquisição de dados: convertem os sinais
analógicos obtidos pelos sensores/transdutores em sinais
digitais, que possam ser interpretados pelo PC;
Dispositivos de controle de instrumentos: neste caso, o PC é
responsável por monitorar e controlar os instrumentos
utilizados nas experiências laboratoriais via comunicação
digital de dados, requerendo o uso de interfaceamento e
transmissão de sinais digitais.

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
O sinal analisado pode ser obtido a partir de um sensor ou
transdutor responsável por transformar uma dada grandeza
física (ex: sinais de tensão ou corrente, temperatura, etc)
em uma grandeza mensurável pelos dispositivos de
aquisição de dados;
Muitas vezes, o sinal gerado do sensor/transdutor precisa
ser condicionado para uma aquisição de dados eficaz;
O condicionamento de sinais maximiza a exatidão do
sistema, permitindo que os sensores operem corretamente
e garantindo segurança ao sistema.
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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
Algumas tarefas por dispositivos de condicionamento
de sinais:
Amplificação de sinais extremamente baixos;
Atenuação de sinais extremamente altos;
Isolação galvânica do sistema de alta-tensão;
Amostragem simultânea de sinais elétricos;
Alimentação de transdutores e/ou sensores ativos;
Filtragem;
Etc.

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
Dependendo da aplicação, o dispositivo de aquisição
de dados pode incluir:
Entradas ou saídas analógicas;
Entradas ou saídas digitais;
Contadores;
Temporizadores;
Filtros.

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware

Plataformas de aquisição de dados.


Fonte: National Instruments

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
O principal objetivo de se controlar instrumentos tradicionais a
partir do PC é obter os sinais e transferi-los para o PC, uma vez
que os fabricantes destes instrumentos disponibilizam estes
sinais na forma digital;
A vantagem de se fazer isso está na possibilidade de estender
as funcionalidades do instrumento, além das funções
disponibilizadas pelo fabricante;
Por exemplo, o osciloscópio pode ser transformado em algum
tipo de analisador de espectro, por meio da transformada de
Fourier, calculada no PC;
Alguns protocolos de comunicação utilizados: GPIB, serial
(RS-232), Ethernet e USB.
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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
GPIB (General-Purpose Interface Bus):
Barramento desenvolvida pela HP (agora Keysight) para
troca de informações entre computadores e equipamentos;

Especificada posteriormente pela IEEE 488, este padrão


especifica as linhas de dados, controle do mesmo, níveis de
tensão e corrente elétrica que deve ser usado com ele.

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
GPIB (General-Purpose Interface Bus):

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
Serial:
Transmissão de informações entre PCs, ou entre PCs e
equipamentos periféricos, bit a bit por um único canal,
podendo ser assíncrona ou síncrona;
O emissor e o receptor precisam usar a mesma taxa de
transferência, paridade e informações de controle;
Foi definido um padrão RS-232 para estabelecer as
conexões seriais, sendo adotada pela Electrical Industries
Association (Estados Unidos), em que se define as linhas
específicas e características de sinais usados pelas
controladoras de comunicação serial, com a finalidade de
padronizar a transmissão de dados seriais entre os
equipamentos.
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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
Ethernet:
Padrão baseado num padrão IEEE 802.3, que define o
método de disputa para redes;
Utiliza uma topologia em estrela ou de barramento,
baseando-se na forma de acesso conhecida como
CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Acess with Collision
Detection) para controle de tráfego nas linhas de
comunicação.

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware
Ethernet:
Podem ser conectados por cabos coaxiais, fibras ópticas
ou por par trançado;
Os dados são transmitidos em quadros de tamanho
variável, contendo informações de controle e entrega, e
até 1500 bytes de dados;
Oferece transmissões em banda-base de 10 Mbits/s até 10
Gbits/s.

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Dispositivos de Aquisição e
Controle: Hardware

USB (Universal Serial Bus):


Barramento serial com largura de banda de 480 Mbps
(USB 2.0) e 4,8 Gbps (USB 3.0 – 2009), que se destina a
conexões periféricas com um PC;
Capaz de conectar 127 periféricos, como sistemas de
aquisição, instrumentos de medidas e controladores;
Fornece suporte a conexões automáticas e multiple data
streams.

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Ambiente de Desenvolvimento:
Software
Apesar do avanço significativo de desenvolvimento do
hardware, o software é que tem fornecido um grande
avanço na criação de VIs, fornecendo maneiras melhores e
inovadoras de se reduzirem significativamente os custos;
Com VIs, pode-se construir sistemas de medição e
automação que servem exatamente às necessidades de
uma determinada aplicação (definida pelo usuário) em vez
de serem limitados pelos instrumentos tradicionais que
possuem as suas funções fixas (definidas pelo fabricante).

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Ambiente de Desenvolvimento:
Software
Com uma ferramenta adequada de programação pode-se
eficientemente criar suas próprias aplicações, projetar e
integrar rotinas que um processo particular requer;
Cria-se uma interface com o usuário apropriado, com o
melhor conjunto de programas para uma determinada
aplicação e os elementos que interajam com ela;
Pode-se definir como e quando o aplicativo adquire os
dados dos dispositivos, como se processam, manipulam-se
e armazenam-se dados, e como os resultados serão
apresentados ao usuário.
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Ambiente de Desenvolvimento:
Software
Possuem como característica principal, a linguagem de
programação visual o que permite uma execução direta do
algoritmo de medição, mesmo aos usuários que não são
peritos em programação de computador;
O algoritmo é criado graficamente, selecionando e
interconectando os blocos funcionais disponíveis na
biblioteca do sistema de desenvolvimento;
As relações gráficas, que se assemelham aos instrumentos
reais, fazem o uso e a compreensão dos instrumentos
virtuais mais imediatos para indivíduos acostumados a
trabalhar com a instrumentação convencional.
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Ambiente de Desenvolvimento:
Software

Linguagens de programação: JavaScript, Borland C++


Builder, Visual Basic, Agilent VEE Pro e LabVIEW (mais
utilizada);

Um instrumento virtual bem desenvolvido pode ser


considerado como uma rotina de programa, sendo,
portanto, usado para projetar um sistema maior ou mais
complexo, fornecendo então modularidade.

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Ambiente de Desenvolvimento:
Software

No LabVIEW, este reuso de VIs é implementado,


desenvolvendo-os como SubVI (sub virtual instrument),
possibilitando diversos tipos de argumentos como
entradas e obtendo como saídas um ou vários argumentos
processados;
São argumentos: variáveis, string, matrizes, imagens,
gráficos e diversos outros parâmetros disponíveis na
linguagem de programação.

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LabVIEW
O LabVIEW (Laboratory Virtual Instrument Engineering
Workbench) foi desenvolvido pela National Instruments,
para ser um ambiente de programação voltado ao
desenvolvimento de aplicações, utilizando o conceito de
instrumentação virtual;
A linguagem de programação visual é chamada de G (de
Graphics);
Utiliza ícones em vez das linhas de comandos para criar as
suas aplicações;
Utiliza fluxo de dados dentro do programa, que através
dos nós no diagrama de blocos, determina a ordem de
execução dos VIs e das funções.
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LabVIEW
Linguagem muito apropriada para o desenvolvimento de
interfaces com o usuário, interagindo com o programador
por meio de duas telas separadas: o painel frontal e o
diagrama de blocos;

No painel frontal, os botões, os indicadores e os gráficos


podem ser alcançados para controle direto do usuário;

No diagrama de blocos, o fluxo de dados e as funções de


controle podem ser desenvolvidas por meio do código
fonte gráficos que define a funcionalidade do VI.

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LabVIEW

Indicador Gráfico

Controles

Exemplo de painel frontal de um osciloscópio de


dois canais desenvolvido em LabVIEW
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LabVIEW
As representações
gráficas
das funções podem ser
operações matemáticas,
lógicas ou estruturas de
programação (while loop,
for loop, case structure,
etc) e os objetos do painel
frontal presentes no
diagrama de blocos.

Diagrama de blocos de um
osciloscópio de dois canais
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LabVIEW

VI em LabVIEW para um controlador PI

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LabVIEW

Diagrama de blocos do VI em
LabVIEW para um controlador PI

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Referências

Tutorial do LabVIEW;
Labview for Engineers (Larsen);
LOPES, V. J. S. Instrumentação Virtual Aplicada Ao Ensino
Experimental de Engenharia Elétrica. Dissertação (Mestrado
em Engenharia Elétrica), Escola Politécnica, USP, 2007;
SILVA NETO, J. G.; NASCIMENTO, M. M. Instrumentação
Virtual. Monografia (Especialização em Instrumentação,
Automação, Controle e Otimização de Processos Contínuos),
Escola Politécnica, UFBA, 2007.

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