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ART.

1º - ANTERIORIDADE, LEGALIDADE E Conforme o Supremo Tribunal Federal, é vedada no


RESERVA LEGAL direito penal a aplicação da interpretação extensiva,
em face da observância do princípio da legalidade,
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o embora seja admitida a subsunção dos fatos ao tipo
defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
penal.
Questões
6. Uma das funções do princípio da legalidade
refere-se à proibição de se realizar incriminações
1. O princípio da legalidade compreende: vagas e indeterminadas, visto que, no preceito
primário do tipo penal incriminador, é obrigatória
a) a capacidade mental de entendimento do
a existência de definição precisa da conduta
caráter ilícito do fato no momento da ação ou da
proibida ou imposta, sendo vedada, com base em
omissão, bem como de ciência desse
tal princípio, a criação de tipos que contenham
entendimento.
conceitos vagos e imprecisos.
b) o juízo de censura que incide sobre a formação
7. O princípio da reserva legal aplica-se, de forma
a exteriorização da vontade do responsável por
absoluta, às normas penais incriminadoras,
um fato típico e ilícito, com o propósito de aferira
excluindo-se de sua incidência as normas penais
necessidade de imposição de pena.
não incriminadoras.
c) a oposição entre o ordenamento jurídico
8. No item a seguir, é apresentada uma situação
vigente e um fato típico praticado por alguém
hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada.
capaz de lesionar ou expor a perigo de lesão bens
Juliano foi preso em flagrante por ingressar no
jurídicos penalmente protegidos.
país portando cloreto de etila, uma substância
d) a obediência às formas e aos procedimentos definida como entorpecente em portaria expedida
exigidos na criação da lei penal e, principalmente, pelo Ministério da Saúde. O advogado de Juliano
na elaboração de seu conteúdo normativo. impugnou judicialmente a prisão, argumentando
que, em respeito ao princípio da legalidade, uma
e) a conformidade da conduta reprovável do substância somente pode ser definida como
agente ao modelo descrito na lei penal vigente no entorpecente mediante lei federal. Nessa
momento da ação ou da omissão situação, o argumento do advogado é
2. O princípio da legalidade, que é desdobrado nos improcedente.
princípios da reserva legal e da anterioridade, não 9. No que diz respeito a noções gerais aplicadas no
se aplica às medidas de segurança, que não âmbito do direito penal, julgue o próximo item.
possuem natureza de pena, pois a parte geral do A analogia, cuja utilização é vedada no direito
Código Penal apenas se refere aos crimes e penal, constitui método de integração do
contravenções penais. ordenamento jurídico.
3. Quanto ao princípio da legalidade penal pode-se 10. De acordo com a atual jurisprudência do STJ, a
dizer que do princípio da legalidade decorrem, ao aplicação do princípio da consunção pressupõe a
menos, três acepções, quais sejam, reserva legal, existência de ilícitos penais que funcionem como
anterioridade da lei e taxatividade. fase normal de preparação ou de execução de
4. A analogia é considerada uma forma de auto outro crime com evidente vínculo de dependência
integração da lei. A respeito dela é possível ou subordinação entre eles.
afirmar que nada impede a aplicação da analogia 11. Aplica-se o princípio da especificidade aos tipos
às normas incriminadoras quando se vise, na mistos alternativos, já que, mesmo havendo
lacuna evidente da lei, favorecer a situação do réu várias formas de conduta no mesmo tipo,
por um princípio de equidade. somente um único delito será consumado,
5. Com referência à aplicação da lei penal, julgue o independentemente da quantidade de condutas
item subsequente. realizadas no mesmo contexto.

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12. Subsidiariedade, consunção, alternatividade e responder por um único delito, em virtude do
especialidade são princípios que resolvem o princípio da alternatividade.
conflito aparente de normas penais.
19. Conforme o Código Penal Brasileiro, é correto
13. Jefferson, segurança da mais famosa rede de afirmar que se Jorge Mano atirar com uma Pistola
supermercados do Brasil, percebeu que João em via pública com intenção de matar alguém,
escondera em suas vestes três sabonetes, de valor Jorge não responderá pelo crime de disparo de
aproximado de R$ 12,00 (doze reais). Ao tentar arma de fogo, mas pelo crime que ele pretendia
sair do estabelecimento, entretanto, João é preso praticar, ou seja, crime doloso contra a vida.
em flagrante delito pelo segurança, que chama a
20. O Presidente da República, diante da nova onda
polícia. A conduta de João não constitui crime,
de protestos, decide, por meio de medida
uma vez que o fato é formalmente atípico.
provisória, criar um novo tipo penal para coibir
14. Carlos, primário e de bons antecedentes, subtraiu, os atos de vandalismo. A medida provisória foi
para si, uma mini barra de chocolate avaliada em convertida em lei, sem impugnações. Com base
R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos). nos dados fornecidos, é correto afirmar que há
Denunciado pela prática do crime de furto, o ofensa ao princípio da reserva legal, pois não é
defensor público em atuação, em sede de defesa possível a criação de tipos penais por meio de
prévia, requereu a absolvição sumária de Carlos medida provisória.
com base no princípio da insignificância. De
21. É incorreto afirmar que, com relação ao princípio
acordo com a jurisprudência dos Tribunais
da legalidade, tal princípio impede a aplicação de
Superiores, o princípio da insignificância afasta a
analogia de qualquer forma no Direito Pena.
tipicidade material do fato.
22. Os tipos penais são criados pelo legislador,
15. Acerca dos princípios e fontes do direito penal,
excepcionalmente, entretanto, o juiz pode,
assinale a opção correta. Segundo a
usando analogia, criar tipos penais.
jurisprudência do STJ, o princípio da
insignificância deve ser aplicado a casos de furto 23. As normas penais em branco homólogas, ou em
qualificado em que o prejuízo da vítima tenha sentido amplo, podem ser homovitelinas e
sido mínimo. heterovitelinas, sendo que essas últimas são
aquelas que têm suas respectivas normas
16. O princípio da legalidade é parâmetro fixador do
complementares oriundas de outro ramo do
conteúdo das normas penais incriminadoras, ou
direito.
seja, os tipos penais de tal natureza somente
podem ser criados por meio de lei em sentido 24. A lei penal admite interpretação analógica,
estrito. recurso que permite a ampliação do conteúdo da
lei penal, através da indicação de fórmula
17. Dado o reconhecimento, na CF, do princípio da
genérica pelo legislador.
retroatividade da lei penal mais benéfica como
garantia fundamental, o advento de lei penal mais 25. A interpretação extensiva é admitida em direito
favorável ao acusado impõe sua imediata penal para estender o sentido e o alcance da
aplicação, mesmo após o trânsito em julgado da norma até que se atinja sua real acepção.
condenação. Todavia, a verificação da lex mitior, 26. Considere que Adolfo, querendo apoderar-se de
no confronto de leis, é feita in concreto, cabendo, bens existentes no interior de uma casa habitada,
conforme a situação, retroatividade da regra nova tenha adentrado o local e subtraído telas de LCD
ou ultra atividade da norma antiga. e forno micro-ondas. Nessa situação, aplicando-
18. Considera-se, em relação aos crimes de conteúdo se o princípio da consunção, Adolfo não
múltiplo, que, se em um mesmo contexto, o responderá pelo crime de violação de domicílio,
agente realizar ação correspondente a mais de um mas somente pelo crime de furto.
dos verbos do núcleo do tipo penal, ele só deverá 27. Havendo conflito aparente de normas, aplica-se o
princípio da subsidiariedade, que incide no caso

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de a norma descrever várias formas de realização A lei penal mais grave aplica-se ao crime
da figura típica, bastando a realização de uma continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é
delas para que se configure o crime. anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

28. Aquele que utilizar laudo médico falso para, sob Questões
a alegação de possuir doença de natureza grave, 1. Em relação a lei penal no tempo e a
furtar-se ao pagamento de tributo, deverá ser irretroatividade da Lei penal, é correto afirmar
condenado apenas pela prática do delito de que a lei penal mais
sonegação fiscal se a falsidade ideológica for
cometida com o exclusivo objetivo de fraudar o a) severa aplica-se o princípio da ultra atividade.
fisco, em virtude da aplicação do princípio da b) benigna aplica-se o princípio da extra
subsidiariedade. atividade.
29. O princípio da consunção enseja a absorção de c) severa aplica-se o princípio da retroatividade
um delito por outro, sendo aplicável aos casos
mitigada.
que envolvam crime progressivo, crime
complexo, progressão criminosa, fato posterior d) severa aplica-se o princípio da extra atividade.
não punível e fato anterior não punível.
e) benigna aplica-se o princípio da não ultra
30. Segundo Nelson Hungria, aplica-se o princípio atividade.
da subsidiariedade aos crimes de ação múltipla
2. No caso de entrar em vigor lei penal que inove o
ou de conteúdo variado, ou seja, aos crimes
ordenamento jurídico ao prever como crime
plurinucleares.
conduta até então considerada atípica, será
GABARITO: 1D – 2E – 3C – 4C- 5C – 6C – 7C – aplicada a retroatividade.
8C- 9E – 10C – 11E – 12C- 13E – 14C – 15E- 16C-
17C- 18C- 19C- 20C- 21C- 22E- 23C- 24C- 25C-
26C- 27E- 28E- 29C- 30E 3. Considerando os princípios informativos da
retroatividade e ultratividade da lei penal, a lei
ART. 2, 3 E 4 DA LEI PENAL NO TEMPO nova mais benéfica será aplicada mesmo quando
a ação penal tiver sido iniciada antes da sua
Lei penal no tempo vigência.
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime, cessando em 4. Um crime de extorsão mediante sequestro
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença perdura há meses e, nesse período, nova lei penal
condenatória. entrou em vigor, prevendo causa de aumento de
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer pena que se enquadra perfeitamente no caso em
modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores,
apreço. Nessa situação hipotética, a lei penal
ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado. mais grave deverá ser aplicada, pois a atividade
delitiva prolongou-se até a entrada em vigor da
Lei excepcional ou temporária nova legislação, antes da cessação da
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora permanência do crime.
decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato 5. A revogação expressa de um tipo penal
praticado durante sua vigência. incriminador conduz a abolitio criminis, ainda
que seus elementos passem a integrar outro tipo
Tempo do crime
penal, criado pela norma revogadora.
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no
momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o 6. No Código Penal brasileiro, adota-se, com
momento do resultado. relação ao tempo do crime, a teoria da
ubiquidade.
SÚMULA 711 - STF
7. Sob a vigência da lei X, Lauro cometeu um
delito. Em seguida, passou a viger a lei Y, que,

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além de ser mais gravosa, revogou a lei X. Depois mesmo já tendo sido revogada a lei que vigia no
de tais fatos, Lauro foi levado a julgamento pelo momento da consumação do crime.
cometimento do citado delito. Nessa situação, o
16. Considere que um indivíduo seja preso pela
magistrado terá de se fundamentar no instituto da
prática de determinado crime e, já na fase da
retroatividade em benefício do réu para aplicar a
execução penal, uma nova lei torne mais branda
lei X, por ser esta menos rigorosa que a lei Y.
a pena para aquele delito.
8. Não retroage a lei penal que alterou o prazo
Nessa situação, o indivíduo cumprirá a pena
prescricional de dois anos para três anos dos
imposta na legislação anterior, em face do
crimes punidos com pena máxima inferior a um
princípio da irretroatividade da lei penal.
ano.
17. Na hipótese de o agente iniciar a prática de um
9. Na hipótese de crime continuado ou permanente,
crime permanente sob a vigência de uma lei,
deve ser aplicada a lei penal mais grave se esta
vindo o delito a se prolongar no tempo até a
tiver entrado em vigor antes da cessação da
entrada em vigor de nova legislação, aplica-se a
continuidade ou da permanência.
última lei, mesmo que seja a mais severa.
10. Sobre a lei penal temporária ou excepcional.
18. A lei penal que beneficia o agente não apenas
Aplicar-se-á aos crimes praticados no período em
retroage para alcançar o fato praticado antes de
que esteve em vigor, embora decorrido o prazo
sua entrada em vigor, como também, embora
de sua duração ou cessadas as circunstâncias que
revogada, continua a reger o fato ocorrido ao
a determinaram, mesmo que ainda não tenha sido
tempo de sua vigência.
instaurada a ação penal.
19. A lei penal que, de qualquer modo, beneficie o
11. A lei penal que, de qualquer modo, beneficia o
agente deve retroagir, desde que respeitado o
agente tem, em regra, efeito extra-ativo, ou seja,
trânsito em julgado da sentença penal
pode retroagir ou avançar no tempo e, assim,
condenatória.
aplicar-se ao fato praticado antes de sua entrada
em vigor, como também seguir regulando, 20. Em caso de abolitio criminis, a reincidência
embora revogada, o fato praticado no período em subsiste, como efeito secundário da infração
que ainda estava vigente. A única exceção a essa penal.
regra é a lei penal excepcional ou temporária que, 21. No Código Penal (CP), é adotada a teoria da
sendo favorável ao acusado, terá somente efeito ubiquidade, segundo a qual tanto o momento da
retroativo. ação quanto o do resultado são relevantes para a
12. No que diz respeito à eficácia temporal da lei definição do momento do crime.
penal, o término da vigência das leis 22. Segundo os princípios que regem a lei penal no
denominadas temporárias e excepcionais não tempo, a nova lei penal, independentemente de
depende de revogação por lei posterior. ser mais ou menos benéfica ao acusado, será
Consumado o lapso da lei temporária ou cessadas aplicada aos fatos ocorridos a partir do momento
as circunstâncias determinadoras das de sua entrada em vigor, mas a lei revogada,
excepcionais, cessa, então, a vigência dessas leis. desde que mais benéfica ao acusado, continua a
13. A extra atividade da lei penal constitui exceção à ser aplicada a fato anterior, ou seja, a fato
regra geral de aplicação da lei vigente à época dos praticado durante o período de sua vigência.
fatos. 23. Ocorrendo a hipótese de novatio legis in mellius
14. Ainda que se trate de crime permanente, a em relação a determinado crime praticado por
novatio legis in pejus não poderá ser aplicada se uma pessoa definitivamente condenada pelo fato,
efetivamente agravar a situação do réu. caberá ao juízo da execução, e não ao juízo da
condenação, a aplicação da lei mais benigna.
15. A lei mais benéfica deve ser aplicada pelo juiz
quando da prolação da sentença — em 24. Considere que uma pessoa tenha sido denunciada
decorrência do fenômeno da ultratividade — pela prática de determinado fato definido como

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crime, que, em seguida, foi descriminalizado pela 29. Lei superveniente que abrande a penalidade
lei A. Posteriormente, foi editada a lei B, que referente a determinado crime somente
revogou a lei A e voltou a criminalizar aquela beneficiará réu processado na vigência da lei
conduta. Nessa situação, a última lei deve ser anterior se não houver trânsito em julgado da
aplicada ao caso. sentença condenatória quando de sua entrada em
vigor.
25. Túlio sequestrou Caio com o intuito de obter
vantagem pecuniária por meio da exigência de 30. A lei penal retroage em benefício do agente,
resgate. Durante o período em que a vítima respeitada a coisa julgada.
permaneceu presa no cativeiro, entrou em vigor
uma nova lei penal que agravou a pena referente
ao crime de extorsão mediante sequestro. Alguns GABARITO: 1B– 2E- 3C- 4C- 5E- 6E- 7E- 8C-
meses depois, a vítima foi solta em virtude do 9E- 10C- 11E- 12C- 13C – 14E- 15C-16E – 17C-
pagamento do resgate. Com base nessa situação 18C- 19E- 20E- 21E- 22C- 23C- 24E- 25A – 26E-
hipotética e na jurisprudência firmada pelos 27C- 28C- 29E- 30E
Tribunais Superiores, assinale a opção correta.
a) Se Túlio for condenado por extorsão mediante
sequestro, deve ser aplicada a nova lei penal mais
gravosa. ART. 5, 6 E 7 DA LEI PENAL NO ESPAÇO
b) Se Túlio for condenado por extorsão mediante
sequestro, não se deve aplicar a nova lei penal Territorialidade
mais gravosa, em razão do princípio da Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
irretroatividade da lei penal mais severa. convenções, tratados e regras de direito internacional,
ao crime cometido no território nacional.
c) Se Túlio for condenado por extorsão mediante § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se
sequestro, aplica-se uma combinação da lei como extensão do território nacional as embarcações e
antiga com a lei nova, para que sejam aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
determinadas as disposições mais favoráveis das do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
duas leis. mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
d) O crime de extorsão mediante sequestro respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em
consumou-se com o pagamento do resgate. alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes
e) O crime de extorsão mediante sequestro praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
consumou-se com a exigência do resgate. estrangeiras de propriedade privada, achando-se
aquelas em pouso no território nacional ou em voo no
26. Desde que em benefício do réu, a jurisprudência espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
dos Tribunais Superiores admite a combinação de territorial do Brasil.
leis penais, a fim de atender aos princípios da
ultratividade e da retroatividade in mellius. Lugar do crime
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar
27. Ainda que se trate de tentativa delituosa, em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte,
considera-se lugar do crime não só aquele onde o bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
agente tiver praticado atos executórios, mas resultado.
também aquele onde deveria produzir-se o
resultado. Extraterritorialidade
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora
28. No que diz respeito ao tema lei penal no tempo, cometidos no estrangeiro:
a regra é a aplicação da lei apenas durante o seu I - os crimes:
período de vigência; a exceção é a extra atividade a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da
República;
da lei penal mais benéfica, que comporta duas
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União,
espécies: a retroatividade e a ultra atividade. do Distrito Federal, de Estado, de Território, de

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Município, de empresa pública, sociedade de economia 2. De acordo com o princípio da nacionalidade, é
mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder possível a aplicação da lei penal brasileira a fato
Público; criminoso lesivo a interesse nacional ocorrido no
c) contra a administração pública, por quem
exterior.
está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro 3. A aplicação da lei penal brasileira a cidadão
ou domiciliado no Brasil; brasileiro que cometa crime no exterior é
II - os crimes: possível, de acordo com o princípio da defesa.
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se 4. De acordo com o princípio da representação, a lei
obrigou a reprimir; penal brasileira poderá ser aplicada a delitos
b) praticados por brasileiro; cometidos em aeronaves ou embarcações
brasileiras privadas, quando estes delitos
c) praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, ocorrerem no estrangeiro e aí não forem julgados.
quando em território estrangeiro e aí não sejam 5. Segundo o princípio da territorialidade, a lei
julgados.
penal brasileira poderá ser aplicada no exterior
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido quando o sujeito ativo do crime praticado for
segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou brasileiro.
condenado no estrangeiro.
6. No Código Penal brasileiro, adota-se a teoria da
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei
brasileira depende do concurso das seguintes ubiquidade, conforme a qual o lugar do crime é o
condições: da ação ou da omissão, bem como o lugar onde
se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi 7. A lei penal brasileira aplica-se ao crime
praticado; perpetrado no interior de navio de guerra de
pavilhão pátrio, ainda que em mar territorial
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais
estrangeiro, dado o princípio da territorialidade.
a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro 8. O crime contra a fé pública de autarquia estadual
ou não ter aí cumprido a pena; brasileira cometido no território da República
Argentina fica sujeito à lei do Brasil, ainda que o
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro
ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, agente seja absolvido naquele país.
segundo a lei mais favorável. 9. Jurandir, cidadão brasileiro, foi processado e
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime condenado no exterior por ter praticado tráfico
cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do internacional de drogas, e ali cumpriu seis anos
Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo de pena privativa de liberdade. Pelo mesmo
anterior: crime, também foi condenado, no Brasil, a pena
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; privativa de liberdade igual a dez anos e dois
b) houve requisição do Ministro da Justiça. meses. Nessa situação hipotética, de acordo com
o Código Penal, a pena privativa de liberdade a
Questões
ser cumprida por Jurandir, no Brasil, não poderá
1. Considere que tenha sido cometido um homicídio ser maior que quatro anos e dois meses.
a bordo de um navio petroleiro de uma empresa
10. A bordo de um avião da Força Aérea Brasileira,
privada hondurenha ancorado no porto de Recife
em sobrevoo pelo território argentino, Andrés,
– PE. Nessa situação hipotética, caberá à
cidadão guatemalteco, disparou dois tiros contra
autoridade policial brasileira instaurar, de ofício,
Daniel, cidadão uruguaio, no decorrer de uma
o inquérito policial para investigar a
discussão. Contudo, em virtude da inabilidade de
materialidade e a autoria do delito, que será
Andrés no manejo da arma, os tiros atingiram
punido conforme as leis brasileiras.
Hernando, cidadão venezuelano que também
estava a bordo. Nessa situação, em decorrência

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do princípio da territorialidade, aplicar-se-á a lei deverá ser processado e julgado segundo as leis
penal brasileira. brasileiras.
11. Segundo a atual redação do Código Penal GABARITO: 1C-2E- 3E-4C – 5E- 6C-7C- 8C- 9E-
Brasileiro, os crimes cometidos no estrangeiro 10C-11E-12C-13E-14C-15E- 16E- 17E-18E- 19C-
são puníveis segundo a lei brasileira se praticados 20E
contra a administração pública quando o agente
delituoso estiver a serviço do governo brasileiro, ART. 13 DA RELAÇÃO DE CAUSALIDADE
salvo se já absolvido pela justiça no exterior com
relação àqueles mesmos atos delituosos. Relação de causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência
12. Preenchidos os requisitos legais, é possível que a do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
lei penal brasileira seja aplicada ao estrangeiro Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o
que cometa crime fora do território nacional, resultado não teria ocorrido.
sendo a vítima brasileira.
Superveniência de causa independente
13. Pela lei brasileira, o território nacional estende-se § 1º - A superveniência de causa relativamente
a aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes independente exclui a imputação quando, por si só,
ou de propriedade privada, onde quer que se produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto,
imputam-se a quem os praticou.
encontrem.
14. A lei penal brasileira será aplicada a crime Relevância da omissão
cometido contra a administração pública por § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
servidor público em serviço, ainda que seja
dever de agir incumbe a quem:
praticado no estrangeiro. a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou
15. A extraterritorialidade da lei penal condicionada vigilância;
e a da incondicionada têm como elemento b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de
impedir o resultado;
comum a necessidade de ingresso do agente no c) com seu comportamento anterior, criou o risco
território nacional. da ocorrência do resultado.
16. Somente mediante expressa manifestação pode o
Questões
agente diplomático renunciar à imunidade
diplomática, porquanto o instituto constitui causa 1. Nos crimes comissivos por omissa o, são delitos
pessoal de exclusão da pena. de mera atividade, que se consumam com a
simples inatividade.
17. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos
no estrangeiro, os crimes contra a vida do 2. O nexo causal consiste em mera constatação
presidente da República, exceto se o agente tiver acerca da existência de relação entre conduta e
sido condenado no estrangeiro. resultado, tendendo a sua verificação apenas às
leis da física, mais especificamente, da causa e do
18. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos
efeito, razão pela qual a sua aferição independe
no estrangeiro, os crimes contra a administração
de qualquer apreciação jurídica, como a
pública praticados por quem esteja ao seu
verificação da existência de dolo ou culpa por
serviço, exceto se o agente for absolvido no
parte do agente.
estrangeiro.
3. Considere que Márcia, com intenção homicida,
19. Segundo o princípio da territorialidade, se uma
apunhale as costas de Sueli, a qual, conduzida
pessoa comete latrocínio em embarcação
imediatamente ao hospital, faleça em
brasileira mercante em alto-mar, aplica-se a lei
consequência de infecção hospitalar, durante o
brasileira.
tratamento dos ferimentos provocados com o
20. O embaixador de um país estrangeiro que praticar punhal. Nesse caso, Márcia responderá por
um crime contra a vida do presidente da tentativa de homicídio.
República Federativa do Brasil, neste país,

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4. O estudo do nexo causal nos crimes de mera 10. A omissão é penalmente relevante quando o
conduta é relevante, uma vez que se observa o elo omitente devia e podia agir para evitar o
entre a conduta humana propulsora do crime e o resultado.
resultado naturalístico.
11. De acordo com o Código Penal, “o resultado, de
5. Como a relação de causalidade constitui que depende a existência do crime, somente é
elemento do tipo penal no direito brasileiro, foi imputável a quem lhe deu causa”. Ainda de
adotada como regra, no CP, a teoria da acordo com o Código Penal, considera-se causa a
causalidade adequada, também conhecida como ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
teoria da equivalência dos antecedentes causais. ocorrido.
6. Suponha que Mara, com intenção homicida, 12. A superveniência de causa relativamente
desfira dois tiros em Fábio e que, por má independente não exclui a imputação quando, por
pontaria, acerte apenas o braço da vítima, a qual, si só, produziu o resultado.
conduzida ao hospital, faleça em consequência de
13. O CP adota, como regra, a teoria da causalidade
um desabamento. Nesse caso, Mara deverá
adequada, dada a afirmação nele constante de que
responder por homicídio doloso consumado.
“o resultado, de que depende a existência do
7. Em uma festividade natalina que ocorria em crime, somente é imputável a quem lhe deu
determinado restaurante, o garçom, ao estourar causa; causa é a ação ou omissão sem a qual o
um champanhe, afastou-se do dever de cuidado resultado não teria ocorrido”.
objetivo a todos imposto e lesionou levemente o
14. Para os crimes omissivos impróprios, o estudo do
olho de uma cliente, embora não tivesse a
nexo causal é relevante, porquanto o CP adotou a
intenção de machucá-la. Levada ao hospital para
teoria naturalística da omissão, ao equiparar a
tratar a lesão, a moça sofreu um acidente
inação do agente garantidor a uma ação.
automobilístico no trajeto, vindo a falecer em
consequência exclusiva dos ferimentos 15. A respeito da relação de causalidade, é incorreto
provocados pelo infortúnio de trânsito. Com afirmar que não há crime sem resultado.
referência a essa situação hipotética e ao instituto 16. Denis desferiu cinco facadas em Henrique com
do nexo causal no ordenamento jurídico intenção de matar. Socorrido imediatamente e
brasileiro, o garçom poderá responder apenas encaminhado ao hospital mais próximo,
pelo delito de lesão corporal culposa. Henrique foi submetido a cirurgia de emergência,
8. Um policial militar em serviço, ao abordar um em razão da qual contraiu infecção e, finalmente,
cidadão, exigiu dele o pagamento de determinada faleceu. Acerca dessa situação hipotética, julgue
soma em dinheiro, utilizando-se de violência e o item, com base no entendimento majoritário
ameaçando-o de sequestrar o seu filho. A vítima, dos Tribunais Superiores.
ante o temor da ameaça, cedeu às exigências a) Trata-se de causa absolutamente independente
formuladas e entregou ao policial a quantia superveniente, que rompeu o nexo causal,
exigida. Nessa situação, não obstante a prática de devendo Denis responder por tentativa de
crime pelo agente, não há que se falar em delito homicídio.
de concussão, pois inexiste nexo causal entre a
função pública desempenhada pelo policial e a b) Trata-se de causa relativamente independente e
ameaça proferida. superveniente que rompeu o nexo causal,
devendo Denis responder por tentativa de
9. A superveniência de causa relativamente homicídio.
independente exclui a imputação quando, por si
só, produziu o resultado; os fatos anteriores, c) Não houve rompimento do nexo de causalidade,
entretanto, imputam-se a quem os praticou. devendo Denis responder por homicídio doloso
consumado.
d) Trata-se de causa relativamente independente e
superveniente que rompeu o nexo causal,

8
devendo Denis responder por lesão corporal Crime consumado
seguida de morte. Art. 14 - Diz-se o crime:
I - consumado, quando nele se reúnem todos os
e) Não houve rompimento do nexo causal, mas elementos de sua definição legal;
Denis deve responder apenas por tentativa de
homicídio. Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se
17. Considere a seguinte situação hipotética. consuma por circunstâncias alheias à vontade do
Alberto, pretendendo matar Bruno, desferiu agente.
contra este um disparo de arma de fogo,
atingindo-o em região letal. Bruno foi Pena de tentativa
imediatamente socorrido e levado ao hospital. No
segundo dia de internação, Bruno morreu Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-
queimado em decorrência de um incêndio que se a tentativa com a pena correspondente ao crime
assolou o nosocômio. consumado, diminuída de um a dois terços.

Nessa situação, ocorreu uma causa relativamente Questões


independente, de forma que Alberto deve
1. Pune-se a tentativa no crime de:
responder somente pelos atos praticados antes do
desastre ocorrido, ou seja, lesão corporal. a) omissão de socorro.

18. Nos crimes omissivos próprios e impróprios, não b) injúria cometida verbalmente.
há nexo causal, visto que inexiste resultado c) induzimento a suicídio sem resultado lesivo.
naturalístico atribuído ao omissor, que responde
apenas por sua omissão se houver crime previsto d) lesão corporal leve dolosa.
no caso concreto. e) homicídio culposo.
19. Crimes omissivos impróprios, comissivos por 2. O crime tentado é punido da mesma forma que o
omissão ou omissivos qualificados são os que crime consumado, pois o que vale é a intenção do
objetivamente são descritos como uma conduta agente.
negativa, de não fazer o que a lei determina,
3. A tentativa e o crime omissivo impróprio são
consistindo a omissão na transgressão da norma
exemplos de tipicidade mediata.
jurídica sem que haja necessidade de qualquer
resultado naturalístico. Para a existência do 4. É possível a consumação do furto em
crime, basta que o autor se omita quando deva estabelecimento comercial, ainda que dotado de
agir. vigilância realizada por seguranças ou mediante
câmara de vídeo em circuito interno.
20. Caio dispara uma arma objetivando a morte de
Tício, sendo certo que o tiro não atinge um órgão 5. Em relação à punição da modalidade tentada de
vital. Durante o socorro, a ambulância que levava crime, a teoria que o Código Penal adotou foi a
Tício para o hospital é atingida violentamente subjetiva, segundo a qual a tentativa deve ser
pelo caminhão dirigido por Mévio, que punida da mesma forma que o crime consumado,
ultrapassara o sinal vermelho. Em razão da com redução da pena.
colisão, Tício falece. Os crimes imputáveis a 6. Se um indivíduo desferir cinco tiros em direção a
Caio e Mévio, respectivamente, são tentativa de seu desafeto, com intenção apenas de o lesionar,
homicídio e homicídio culposo. e, no entanto, por má pontaria, nenhum projétil
GABARITO: 1E- 2C- 3E- 4E- 5E- 6E- 7C- 8C- 9C- atingir a vítima, ocorrerá a denominada tentativa
10C-11C-12C-13E-14E- 15C- 16C- 17E- 18E- cruenta.
19E- 20C 7. Admite-se a tentativa nos crimes
unissubsistentes.
ART.14 CRIME CONSUMADO E TENTADO 8. Quando o agente dá início à execução de um
delito e desiste de prosseguir em virtude da

9
reação oposta pela vítima, ocorre um crime 17. Segundo o STJ, configura crime consumado de
tentado. tráfico de drogas a conduta consistente em
negociar, por telefone, a aquisição de
9. Situação hipotética: Maria entrou em uma loja
entorpecente e disponibilizar veículo para o seu
de cosméticos e furtou um frasco de creme
transporte, ainda que o agente não receba a
hidratante, em um momento de descuido da
mercadoria, em decorrência de apreensão do
vendedora. Assertiva: Nesse caso, a consumação
material pela polícia, com o auxílio de
do crime ocorreu com a mera detenção do bem
interceptação telefônica.
subtraído.
18. No iter criminis, a aquisição de uma corda a ser
10. Um agente alvejou vítima com disparo e, embora
utilizada para amarrar a vítima que se pretende
tenha iniciado a execução do ilícito, não exauriu
sequestrar é ato executório do crime de sequestro.
toda a sua potencialidade lesiva ante a falha da
arma de fogo empregada, fugindo do local do 19. Os atos preparatórios de um crime de homicídio,
crime em seguida. Nessa situação hipotética, a a ser executado com o emprego de arma de fogo
atitude do agente configura tentativa imperfeita, que possui a numeração raspada, não
pois ele não conseguiu praticar todos os atos caracterizam a tentativa e não podem constituir
executórios necessários à consumação, por crime autônomo.
interferência externa.
20. Policiais surpreenderam João portando uma
11. Admite-se a tentativa nos crimes: chave-mestra enquanto circulava próximo a uma
loja no interior de um shopping Center em atitude
a) unissubsistentes.
b) culposos. suspeita. Assertiva: Nesse caso, João responderá
c) preterdolosos. por tentativa de furto, pois, devido ao porte da
d) complexos. chave-mestra, os policiais puderam inferir que
e) omissivos próprios. ele pretendia furtar um veículo no
estacionamento.
12. A tentativa, uma norma de extensão temporal,
GABARITO: 1D – 2E- 3C- 4C- 5E- 6E- 7E- 8C-
não se enquadra diretamente no tipo
9C- 10C- 11D- 12C- 13E- 14E- 15C- 16C- 17C-
incriminador; faz-se necessária uma norma que
18E- 19E – 20E
amplie a figura típica até alcançar o fato material.
13. Conforme orientação atual do STJ, é
ART. 15 - DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E
imprescindível para a consumação do crime de ARREPENDIMENTO EFICAZ
furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que
por breve espaço de tempo, a posse mansa,
pacífica e desvigiada da coisa, caso em que se ART. 16 - ARREPENDIMENTO POSTERIOR
deve aplicar a teoria da ablatio.
14. No direito brasileiro, os atos preparatórios não Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de
prosseguir na execução ou impede que o resultado se
são puníveis em nenhuma circunstância, nem
produza, só responde pelos atos já praticados
mesmo como tipo penal autônomo.
15. O STJ tem firmado entendimento de que, na Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave
tentativa incruenta de homicídio qualificado, ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa,
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato
deve-se reduzir a pena eventualmente aplicada ao
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois
autor do fato em dois terços. terços.
16. Nos crimes materiais, a consumação só ocorre
ante a produção do resultado naturalístico, Questões
enquanto que, nos crimes formais, este resultado 1. Conforme previsto no CP, a consequência penal
é dispensável. do arrependimento eficaz é a mesma do
arrependimento posterior.

10
2. Em se tratando do delito de furto, havendo por ato voluntário do agente, a pena será reduzida
subsequente arrependimento do agente e de um a dois terços.
devolução voluntária da res substracta antes do
9. Para a configuração do arrependimento posterior,
oferecimento da denúncia, fica caracterizado o
o agente deve agir espontaneamente, e a
arrependimento eficaz, devendo a pena, nesse
reparação do dano ou a restituição do bem devem
caso, ser reduzida de um a dois terços.
ser integrais.
3. A voluntariedade e a espontaneidade da
10. O instituto do arrependimento posterior não se
interrupção da execução do crime são requisitos
aplica ao autor de um crime de lesão corporal
caracterizadores fundamentais das hipóteses de
culposa.
desistência voluntária.
11. De acordo com a doutrina majoritária, a
4. Configura-se a desistência voluntária ainda que
espontaneidade não é requisito para o
não tenha partido espontaneamente do agente a
reconhecimento da desistência voluntária e do
ideia de abandonar o propósito criminoso, com o
arrependimento eficaz.
resultado de deixar de prosseguir na execução do
crime. 12. O arrependimento posterior, por ser uma
circunstância subjetiva, não se estende aos
5. Mesmo quando o agente, de forma espontânea,
demais corréus, uma vez reparado o dano
desiste de prosseguir nos atos executórios ou
integralmente por um dos autores do delito até o
impede a consumação do delito, devem ser a ele
recebimento da denúncia.
imputadas as penas da conduta típica dolosa
inicialmente pretendida. 13. Ocorre tentativa qualificada na desistência
voluntária, no arrependimento eficaz e no
6. O agente que tenha desistido voluntariamente de
arrependimento posterior.
prosseguir na execução ou, mesmo depois de tê-
la esgotado, atue no sentido de evitar a produção 14. Para que fique caracterizado o arrependimento
do resultado, não poderá ser beneficiado com os eficaz ou a desistência, a atitude do agente deve
institutos da desistência voluntária e do ser espontânea, ou seja, natural, sincera e
arrependimento eficaz caso o resultado venha a verdadeira.
ocorrer. 15. O arrependimento posterior só pode ser aplicado
7. Marcos, imbuído de animus necandi, disparou se crime tiver sido cometido sem violência ou
tiros de revólver em Ricardo por não ter recebido grave ameaça a pessoa, se houver reparação do
deste pagamento referente a fornecimento de dano ou restituição do objeto material antes do
maconha. Apesar de ferido gravemente, Ricardo recebimento da denúncia ou da queixa e se o ato
sobreviveu. Marcos, para chegar ao local onde do agente for voluntário.
Ricardo se encontrava, foi conduzido em 16. Entre a desistência voluntária e o arrependimento
motocicleta por Rômulo, que sabia da intenção eficaz, em verdade, não há nenhuma diferença,
homicida do amigo, embora desconhecesse o porquanto em ambas as situações o que se busca
motivo, e concordava em ajudá-lo. Ricardo foi é impedir o resultado.
atingido pelas costas enquanto caminhava em via
pública, e Marcos e Rômulo, ao verem a vítima 17. Na desistência voluntária o que ocorre é a
tombar, fugiram, supondo tê-la matado. desistência no prosseguimento dos atos
Assertiva: Houve desistência voluntária, pois, os executórios do crime, feita de modo voluntário,
agentes fugiram do local ao perceberem a vítima respondendo o agente somente pelo que praticou.
tombar no chão, sem disparar o tiro de No arrependimento eficaz a desistência ocorre
misericórdia. entre o término dos atos executórios e a
consumação. O agente, neste caso, já fez tudo o
8. Nos crimes cometidos sem violência ou grave que podia para atingir o resultado, mas resolve
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a interferir para evitar a sua concretização.
coisa até a audiência de instrução e julgamento,

11
18. A diferença entre a desistência voluntária e o 2. Não se pune a tentativa quando, por absoluta
arrependimento eficaz está em que, na primeira, impropriedade do meio ou por ineficácia absoluta
o agente é impedido de consumar o delito, já no do objeto, é impossível consumar-se o crime.
arrependimento eficaz a consumação não ocorre
3. Configura crime impossível a tentativa de
porque o próprio agente a impede.
subtrair bens de estabelecimento comercial que
19. Configura-se a desistência voluntária caso o tem sistema de monitoramento eletrônico por
agente seja induzido a desistir no prosseguimento câmeras que possibilitam completa observação
da execução criminosa por circunstâncias da movimentação do agente por agentes de
externas, sem as quais teria ele consumado a segurança privada.
infração penal.
4. A apresentação de laudo médico falso ao Instituto
20. A desistência da tentativa inacabada deve ser Nacional do Seguro Social (INSS) para fins de
entendida como arrependimento eficaz. obtenção de auxílio-doença caracteriza crime
impossível caso sua consumação seja impedida
21. A desistência voluntária e o arrependimento
pela identificação da falsidade do documento
eficaz constituem causas que excluem a
pelos peritos do referido órgão antes do
antijuridicidade do fato típico.
deferimento do benefício pleiteado.
22. A lei penal impõe que a desistência seja
5. Nos termos da legislação penal vigente há crime
voluntária, mas não espontânea.
impossível quando a agente objetiva praticar
23. No arrependimento posterior, o agente pratica determinado crime e não alcança sua meta por
todos os atos executórios, e, arrependido, assume ineficácia absoluta do meio empregado ou
nova conduta, visando impedir que o resultado impropriedade absoluta do objeto.
inicialmente almejado se concretize.
6. O Brasil adota, em relação ao crime impossível,
24. Caso a restituição da coisa ou a reparação do a teoria objetiva temperada, segundo a qual os
dano se dê até o recebimento da denúncia, meios empregados e o objeto do crime devem ser
configurar-se-á o arrependimento posterior. Caso absolutamente inidôneos a produzir o resultado
se dê após o recebimento da denúncia e até a idealizado pelo agente.
sentença, a restituição ou reparação será
7. Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
considerada circunstância atenuante.
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade
25. O arrependimento eficaz pode ocorrer durante a do objeto, é impossível consumar-se o crime.
execução e após a consumação do crime.
8. A jurisprudência dos Tribunais Superiores tem
GABARITO: 1E-2E-3E-4C-5E-6C-7E-8E-9E- entendido que a existência de sistema de
10E-11C-12E-13E-14E-15C- 16E- 17C- 18E- 19C- monitoramento do local por câmeras não
20E- 21E- 22C- 23E- 24C- 25E autoriza, por si só, o reconhecimento de crime
impossível.
ART. 17 – CRIME IMPOSSÍVEL 9. Cecília colocou a mão no bolso esquerdo e,
posteriormente, no bolso direito da roupa de uma
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do transeunte, com a intenção de subtrair-lhe
objeto, é impossível consumar-se o crime. dinheiro. Não encontrou, contudo, qualquer
objeto de valor. Nessa situação, houve crime
Questões
impossível e, assim, Cecília não responderá por
1. Configura o crime impossível, quando por crime algum.
ineficácia absoluta do meio ou por absoluta
impropriedade do objeto, a finalização e 10. O princípio da lesividade é um dos principais
consumação do ato típico, antijurídico e culpável fundamentos para o tratamento conferido pelo
é afetada. Código Penal ao crime impossível.

12
11. Não há crime quando a preparação do flagrante 2. Diz-se que o crime é doloso quando o agente quis
pela polícia torna impossível a sua consumação. o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo, e
que o crime é culposo, quando o agente deu causa
12. Se houver absoluta ineficácia do meio à tentativa
a resultado previsível por imprudência,
é atípica, mas punível.
negligência ou imperícia. Sobre o tema, é correto
13. Não se pune a tentativa de crime quando, por afirmar que o dolo direto de segundo grau
qualquer ineficácia do meio ou impropriedade do também é conhecido como dolo de
objeto, é impossível consumar-se o crime. consequências necessárias.
14. Considere que Roberto exiba a agente de polícia 3. Caracteriza-se o dolo eventual no caso de um
carteira de habilitação falsificada, sendo que este, caçador que, confiando em sua habilidade de
imediatamente é a olho nu, constata a falsidade. atirador, dispara contra a caça, mas atinge um
Nessa situação, a conduta de Roberto configura companheiro que se encontra próximo ao animal
crime impossível que ele desejava abater.
15. Em relação à punição do fato que caracteriza 4. Ricardo, com o objetivo de matar Maurício,
crime impossível, o CP adotou a teoria subjetiva. detonou, por mecanismo remoto, uma bomba por
GABARITO: 1C-2E-3E-4E-5C-6C-7C-8C- ele instalada em um avião comercial a bordo do
9C-10C- 11C- 12E- 13E- 14C- 15E qual sabia que Maurício se encontrara, e, devido
à explosão, todos os passageiros a bordo da
aeronave morreram. Nessa situação hipotética,
Ricardo agiu com dolo direto de primeiro grau no
cometimento do delito contra Maurício e dolo
direto de segundo grau no do delito contra todos
os demais passageiros do avião.

ART. 18 – CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO 5. O crime culposo advém de uma conduta
involuntária.
ART. 19 – CRIME PRETERDOLOSO 6. De acordo com a legislação penal vigente, toda
conduta de quem prevê o resultado é considerada
Art. 18 - Diz-se o crime: dolosa.

Crime doloso 7. Em se tratando de culpa consciente, o agente


prevê o resultado, mas não se importa que ele
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo; venha a ocorrer.

Crime culposo 8. Considerando que, em determinada casa noturna,


tenha ocorrido, durante a apresentação de
II - culposo, quando o agente deu causa ao
resultado por imprudência, negligência ou imperícia. espetáculo musical, incêndio acidental em
decorrência do qual morreram centenas de
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, pessoas e que a superlotação do local e a falta de
ninguém pode ser punido por fato previsto como crime,
saídas de emergência, entre outras
senão quando o pratica dolosamente.
irregularidades, tenham contribuído para esse
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a resultado, julgue os itens seguintes. A causa
pena, só responde o agente que o houver causado ao
jurídica das mortes, nesse caso, pode ser atribuída
menos culposamente.
a acidente ou a suicídio, descartando-se a
Questões possibilidade de homicídio, visto que não se pode
1. O crime é doloso quando o agente deu causa ao supor que promotores, realizadores e
resultado por imprudência, negligência ou apresentadores de shows em casas noturnas
imperícia. tenham, deliberadamente, intenção de matar o
público presente.

13
9. Nos termos do CP, a caracterização de uma 20. Considere que, durante a formação de uma
conduta dolosa prescinde da consciência ou do tempestade, Lino tenha convencido Jorge a
conhecimento da antijuridicidade dessa conduta visitar determinada floresta na esperança de que
e requer apenas a presença dos elementos que um raio o atingisse de forma letal. Considere,
compõem o tipo objetivo. ainda, que, de fato, Jorge tenha sido, na ocasião,
atingido por um raio e falecido como
10. A culpa inconsciente distingue-se da consciente
consequência. Nesse caso, Lino deve responder
no que diz respeito à previsão do resultado:
pelo delito de homicídio na modalidade dolo
naquela, este, embora previsível, não é previsto
eventual.
pelo agente; nesta, o resultado é previsto, mas o
agente acredita sinceramente que não será 21. Nos crimes preterdolosos, o dolo do agente é
responsabilizado, por confiar em suas subsequente ao resultado culposo.
habilidades pessoais.
22. Uma pessoa, com intenção de lesionar, agride
11. Excetuadas as exceções legais, o autor de fato uma pessoa hemofílica com um pontapé no
previsto como crime só poderá ser punido se o abdômen, o que resulta em pequena laceração
praticar dolosamente. hepática, hemoperitônio e morte. Nesse caso,
houve homicídio preterdoloso.
12. Se o sujeito ativo do delito, ao praticar o crime,
não quer diretamente o resultado, mas assume o 23. Admite-se a tentativa nos crimes preterdolosos.
risco de produzi-lo, o crime será culposo, na
24. Considere o exemplo a seguir: João quer ferir e
modalidade culpa consciente.
assim dá um soco no rosto de Antônio; esse ao
13. No crime preterdoloso, a totalidade do resultado cair, bate com a cabeça na pedra e morre.
representa um excesso de fim (isto é, o agente Estamos diante de exemplo de um crime com erro
quis um minus e ocorreu um majus), de modo que de tipo.
há uma conjugação de dolo (no antecedente) e
25. Segundo o Código Penal Brasileiro, o agente que,
culpa (no subsequente).
voluntariamente, desiste de prosseguir na
14. Todo crime qualificado pelo resultado é um execução ou impede que o resultado se produza,
crime preterdoloso. só responde pelos atos já praticados. De acordo
com essa informação, essa hipótese trata de crime
15. Pelo resultado que agrava especialmente a pena,
preterdoloso.
só responde o agente que não o houver causado
ao menos culposamente. GABARITO: 1E- 2C- 3E- 4C- 5E- 6E- 7E- 8E- 9C-
10C- 11C- 12E-13C- 14E- 15E- 16E- 17E- 18E- 19E-
16. A tentativa de crime preterdoloso é aceitável 20E- 21E- 22C- 23E- 24E- 25E
tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência,
porquanto, apesar de o agente não desejar o ART. 20 - ERRO SOBRE O ELEMENTO DO TIPO
resultado agravador, sua conduta inicial é sempre
dolosa.
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do
17. Nos crimes culposos, é dispensável a produção tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição
do resultado naturalístico involuntário. por crime culposo, se previsto em lei.
18. Nos crimes preterdolosos, agente prevê o Descriminantes putativas
resultado, mas espera que este não aconteça. § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente
19. No direito penal brasileiro, admite-se a justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato
que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há
compensação de culpas no caso de duas ou mais isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato
pessoas concorrerem culposamente para a é punível como crime culposo. (Redação dada pela Lei
produção de um resultado naturalístico, nº 7.209, de 11.7.1984)
respondendo cada um, nesse caso, na medida de
Erro determinado por terceiro
suas culpabilidades.

14
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina 11. Com relação à disciplina das descriminantes
o erro. putativas, é isento de pena quem, por erro
Erro sobre a pessoa plenamente justificado pelas circunstâncias,
supõe situação de fato que, se existisse, tornaria
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime
é praticado não isenta de pena. Não se consideram, a ação legítima, mas essa isenção de pena não
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão ocorre se o erro derivar de culpa e o fato for
as da pessoa contra quem o agente queria praticar o punível como crime culposo.
crime.
12. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal
de crime exclui a ilicitude, mas permite a punição
Questões por crime culposo, caso previsto em lei.
1. O erro do tipo exclui o dolo, tendo em vista que
13. Configura erro de tipo essencial a conduta de um
o autor da conduta desconhece ou se engana em
indivíduo que, após estrangular outro, com as
relação a um dos componentes da descrição legal
mãos, crendo que ele esteja morto, enforque-o,
do crime, seja ele descritivo ou normativo.
com corda, para simular suicídio, com
2. O erro do tipo exclui a culpabilidade do agente comprovação posterior de que a vítima tenha
pela ausência e impossibilidade de conhecimento morrido em decorrência do enforcamento.
da antijuridicidade do fato que pratica.
14. Considere que um servidor público receba, por
3. O erro inescusável sobre elementos do tipo exclui escrito, séria ameaça a fim de não realizar ato de
o dolo e a culpa, se essencial. ofício e se omita, e verifique, posteriormente, que
4. Motorista que, em estacionamento, se apodera de a carta tenha sido endereçada a outro servidor
veículo pertencente a terceiro supondo-o seu, em público em idêntica situação funcional. Nesse
decorrência de absoluta semelhança entre os caso, a conduta do servidor que recebe a carta
automóveis, incide em erro do tipo. configura erro de tipo essencial invencível.

5. A diferença entre erro sobre elementos do tipo e 15. É considerado erro de tipo evitável, capaz de
erro sobre a ilicitude do fato reside na reduzir a pena, aquele em que o agente atue ou se
circunstância de que o erro de tipo exclui o dolo, omita sem a consciência da ilicitude do fato,
o de fato a invencibilidade do erro. quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou
6. O erro de tipo essencial e inescusável exclui o atingir essa consciência.
dolo, mas não a culpa. GABARITO: 1C- 2E- 3E- 4C- 5E- 6C- 7C- 8C- 9E-
7. João e Paulo sobrevoam uma lavoura com um 10E- 11C- 12E- 13E- 14E- 15E
pequeno avião utilizado na pulverização de
veneno. Em dado momento o avião apresenta
pane mecânica, e põe-se a cair. Existem dois
paraquedas a bordo. João, imaginando, por erro
inevitável, haver apenas um paraquedas, e
supondo-se em estado de necessidade, joga Paulo
para fora da aeronave. João agiu em
descriminante putativa por erro de tipo.
8. O erro de tipo inevitável exclui o dolo e a culpa.
9. Se o erro de tipo for evitável, isenta-se de pena o
agente.
10. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal
de crime exclui o dolo e a culpa, podendo o
agente, no entanto, responder civilmente pelos
danos eventualmente ocasionados.

15