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E. E. Pe.

José Scampini
Apostila sobre o Romantismo
Aluno(a): ______________________________________nº: _________ _____º ano: ______
Literatura/Língua Portuguesa – Prof. Gil

Romantismo como consequência da Revolução Francesa, os artistas,


aristocratas, olhavam para o burguês como um arrivista social
Movimento artístico e filosófico surgido no final do
que tinha dinheiro e poder, mas carecia de cultura e educação.
século XVIII na Europa que perdurou até grande parte do
Era preciso, portanto, que ocorresse uma transformação
século XIX. Nasce na Alemanha quando Goethe publicou
cultural equivalente à política. Somente os burgueses,
Werther, mas é na França que ganha força e de lá se espalha interessados em somar poder econômico ao prestígio social,
pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao
podiam realizar essa reforma.
rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a
Características do Romantismo
liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam
Subjetivismo: o romancista trata dos assuntos de forma
o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a
pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O
natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência está subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na
impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa
primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião particular,
(1789).
dada por um indivíduo que baseia sua perspectiva naquilo que
Panorama histórico-cultural
as suas sensações captam. Com plena liberdade de criar, o
A palavra-chave em fins do século XVIII e no início do
artista romântico não se acanha em expor suas emoções
XIX era a liberdade. O Romantismo rompe com a tradição
pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua
clássica e abre caminho para a modernidade.
obra. O eu é o foco principal do subjetivismo, o eu é egoísta,
Os burgueses pregavam o liberalismo econômico e a
forma de expressar seus sentimentos.
democracia no terreno preparado pelos filósofos iluministas da
Egocentrismo: a maior parte dos poetas românticos volta-se
primeira metade do século XVIII. Décadas depois, a Revolução
predominantemente para o próprio eu, numa postura
toma conta da Europa. Os ideais de liberdade, igualdade e
tipicamente narcisista. Como o nome já diz, é a colocação do
fraternidade contagiaram os setores populares – o
ego no centro de tudo.
campesinato e os trabalhadores urbanos, arregimentando-os
Idealização: empolgado pela imaginação, o autor idealiza
para a derrubada dos regimes absolutistas.
temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa
Economicamente, a Europa presenciava a euforia e
forma, a mulher é uma virgem frágil, o índio é um herói
as consequências decorrentes da Revolução Industrial na
nacional, e a pátria sempre perfeita. Essa característica é
Inglaterra: novos inventos para a indústria, divisão do trabalho
marcada por descrições minuciosas e muitos adjetivos. Fusão
e maior produtividade, formação de centros fabris e urbanos, do Grotesco e do sublime: há a fusão do belo e do feio.
surgimento do operariado, revoltas sociais e nascimento de
Apesar da tendência idealizante, o Romantismo procura captar
sindicatos, associações de trabalhadores e de patrões.
o homem em sua plenitude, enfocando também o lado feio e
A substituição do trabalho dos camponeses pelas máquinas
obscuro de cada um.
desencadeou o êxodo rural, uma vez que as indústrias
Sentimentalismo: a relação do artista romântico com o mundo
localizavam-se nas proximidades dos grandes centros é sempre mediada pela emoção, sendo as mais comuns a
urbanos. Esse deslocamento já permitia antever problemas
saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o
futuros, mas naquele primeiro momento da Revolução
sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre
Industrial era de entusiasmo e crença nos benefícios
uma vida.
econômicos trazidos por ela. O triunfo do Capitalismo como
Religiosidade: sobretudo nos primeiros românticos, surgiu
sistema econômico consuma-se pouco a pouco.
como reação ao materialismo racionalista; evidentemente,
O Arcadismo não deixara de ser em essência a
porém, não se trata de uma fé apoiada em base inteligente, e
continuação do Classicismo, com seus modelos e regras,
sim em base emocional, servindo até de válvula de escape
enquanto os românticos, num clima de liberdade e
para a frustração da vida real.
transformação, puderam, de fato, propor uma ruptura com os
Medievalismo: alguns românticos se interessavam pela
modelos preestabelecidos e a absoluta liberdade de criação.
origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na
O novo público consumidor, de origem burguesa, não Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo
mais aceitando os padrões clássicos que indicavam uma
de retratar as culturas de seu país; no Brasil, o índio é a
concepção estática do mundo, dita novos valores: o apego às
representação viva do nosso passado medieval.
tradições nacionais, o gosto pelas lendas e narrativas de
Indianismo: o interesse pelo índio e sua idealização estão
origem medieval e pelo heroísmo; o sacrifício e sangue
relacionados com o projeto nacionalista do Romantismo. O
derramado, que evocam o recente passado revolucionário, e a índio, contrapondo-se ao colonizador português e à sua
afirmação das nacionalidades.
cultura, representa o elemento nativo, as próprias origens do
A arte até então era produzida e consumida pela
país.
aristocracia. Era feita pela elite e para a elite. Com a mudança
O Indianismo é o medievalismo "adaptado" ao Brasil, como os
no cenário político, após a chegada da burguesia ao poder
brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os

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escritores adotaram o índio como o ícone para a origem Religiosidade: sobretudo nos primeiros românticos, surgiu
nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o como reação ao materialismo racionalista; evidentemente,
ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o porém, não se trata de uma fé apoiada em base inteligente, e
qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria sim em base emocional, servindo até de válvula de escape
o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade para a frustração da vida real.
européia. Medievalismo: alguns românticos se interessavam pela
A evasão ou escapismo: resultado do conflito do eucom a origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na
realidade, o que leva o romântico a evadir-se na aspiração por Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo
um outro mundo, onde ele não encontre as dificuldades da de retratar as culturas de seu país; no Brasil, o índio é a
realidade a que está vinculado. Resultam daí: representação viva do nosso passado medieval.
Saudosismo: da infância, do passado, da pátria, dos entes Indianismo: o interesse pelo índio e sua idealização estão
queridos. relacionados com o projeto nacionalista do Romantismo. O
O sonho: que permite a criação de um mundo pessoal e índio, contrapondo-se ao colonizador português e à sua
idealizado. cultura, representa o elemento nativo, as próprias origens do
A consciência da solidão: resultante de uma inadaptação ao país.
mundo e da crença de que é um incompreendido. O Indianismo é o medievalismo "adaptado" ao Brasil, como os
O exagero: apelo aos extremos e ao excesso de figuras de brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os
linguagem. escritores adotaram o índio como o ícone para a origem
Byronismo: inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o
inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o
e sexo, podendo estar representado no personagem ou na qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria
própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade
pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela européia.
angústia e, por vezes, pelo satanismo. A evasão ou escapismo: resultado do conflito do eucom a
Condoreirismo: trata-se de uma corrente de poesia político- realidade, o que leva o romântico a evadir-se na aspiração por
social que ganhou repercussão entre os poetas da terceira um outro mundo, onde ele não encontre as dificuldades da
geração romântica no Brasil, os quais estão comprometidos realidade a que está vinculado. Resultam daí:
com a causa abolicionista e republicana. Na Europa, tornam-se Saudosismo: da infância, do passado, da pátria, dos entes
defensores da classe operária. queridos.
O Romantismo em Portugal O sonho: que permite a criação de um mundo pessoal e
Iniciou-se em 1825, Almeida Garrett publicou o poema idealizado.
Camões, biografia do célebre poeta que retratava A consciência da solidão: resultante de uma inadaptação ao
principalmente o sentimentalismo. mundo e da crença de que é um incompreendido.
O Romantismo durou cerca de 40 anos e termina por volta de O exagero: apelo aos extremos e ao excesso de figuras de
1865, com a Questão Coimbrã, encabeçada por Antero de linguagem.
Quental. Assim como em outros países, o Romantismo Byronismo: inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta
português uniu-se ao liberalismo e à ideologia burguesa. inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo
Há três momentos distintos no desenvolvimento e sexo, podendo estar representado no personagem ou na
do Romantismo português: própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado
Primeira geração pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela
Atuante entre os anos de 1825 e 1840, ainda bastante angústia e, por vezes, pelo satanismo.
ligada ao Classicismo, contribui para a consolidação do Condoreirismo: trata-se de uma corrente de poesia político-
liberalismo em Portugal. Os principais escritores como Almeida social que ganhou repercussão entre os poetas da terceira
Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho, geração romântica no Brasil, os quais estão comprometidos
embora influenciados pela formação clássica, voltam seus com a causa abolicionista e republicana. Na Europa, tornam-se
interesses para a recuperação do passado histórico português, defensores da classe operária.
eminentemente medieval, escolha que acentuará o caráter O Romantismo em Portugal
nacionalista de suas obras. Iniciou-se em 1825, Almeida Garrett publicou o poema
Camões, biografia do célebre poeta que retratava
Segunda geração principalmente o sentimentalismo.
Fusão do Grotesco e do sublime: há a fusão do belo e do O Romantismo durou cerca de 40 anos e termina por volta de
feio. Apesar da tendência idealizante, o Romantismo procura 1865, com a Questão Coimbrã, encabeçada por Antero de
captar o homem em sua plenitude, enfocando também o lado Quental. Assim como em outros países, o Romantismo
feio e obscuro de cada um. português uniu-se ao liberalismo e à ideologia burguesa.
Sentimentalismo: a relação do artista romântico com o mundo Há três momentos distintos no desenvolvimento do
é sempre mediada pela emoção, sendo as mais comuns a Romantismo português:
saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o Primeira geração
sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre Atuante entre os anos de 1825 e 1840, ainda bastante ligada
uma vida. ao Classicismo, contribui para a consolidação do liberalismo

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em Portugal. Os principais escritores como Almeida Garrett, o projeto de construção de uma identidade nacional.
Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho, embora A publicação da obra Suspiros poéticos e saudades
influenciados pela formação clássica, voltam seus interesses (l836), de Gonçalves de Magalhães, tem sido considerado o
para a recuperação do passado histórico português, marco inicial do Romantismo no Brasil. A importância dessa
eminentemente medieval, escolha que acentuará o caráter obra reside muito mais nas novidades teóricas de seu prólogo,
nacionalista de suas obras. em que Magalhães anuncia a revolução literária romântica, do
Segunda geração que propriamente na execução dessas teorias.
Também conhecida como Ultra-Romantismo, marcado As gerações do Romantismo
pelo exagero, desequilíbrio, sentimentalismo, prevalece até Tradicionalmente se têm apontado três gerações de escritores
1860. Principais escritores: Camilo Castelo Branco e Soares românticos. Essa divisão, contudo, engloba principalmente os
Passos. autores de poesia. Os romancistas não se enquadram muito
Terceira geração bem nessa divisão, uma vez que suas obras podem apresentar
De 1860 a 1870, é considerado momento de transição, por já traços de mais de uma geração.
anunciar o Realismo. Traz um Romantismo mais equilibrado, Primeira geração
regenerado (corrigido, reconstituído). Principais escritores: Nacionalista, indianista e religiosa. Destacam-se os poetas
João de Deus, na poesia, e Júlio Dinis, na prosa. Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães. A geração
Além da poesia e do romance, nesses três momentos nacionalista introduz e solidifica o Romantismo no Brasil. Outro
românticos, desenvolveram-se ainda o teatro, a historiografia e representante dessa geração é José de Alencar, que escreve
o jornalismo de forma nunca vista antes em Portugal. não somente sobre o índio, mas sobre o Brasil como um todo,
Romantismo no Brasil dos campos e das cidades, dos negros e dos índios, da
O Romantismo nasce no Brasil poucos anos depois burguesia e do povo e encontra sua própria dimensão, sua
de nossa independência política. Por isso, as primeiras obras e íntima razão literária. É a partir de seu exaltado romantismo
os primeiros artistas românicos estão empenhados em definir que os futuros literatos do Brasil irão traçar as diretrizes para a
um perfil da cultura brasileira em vários aspectos: a língua, a aquisição de um estilo nacional.
etnia, as tradições, o passado histórico, as diferenças Gonçalves Dias
regionais, a religião, etc. Pode-se dizer que o nacionalismo é o É considerado pela crítica como mais equilibrado de todos os
traço essencial que caracteriza a produção de nossos poetas românticos. Suas poesias não continham os exageros
primeiros escritores românticos, como é o caso de Gonçalves de outros poetas. Ao lado de José de Alencar consolidou o
Dias. Romantismo brasileiro. 83
A história do Romantismo no Brasil confunde-se com Sua obra poética apresenta os gêneros lírico e épico.
a própria história política brasileira da primeira metade do Na lírica, os temas mais comuns são a pátria, a natureza,
século passado. Com a invasão de Portugal por Napoleão, a Deus, o índio e o amor não correspondido. Na épica, canta os
Coroa portuguesa muda-se para o Brasil em 1808 e eleva a feitos valorosos que substituem a figura do herói medieval
colônia à categoria de Reino Unido, ao lado de Portugal e europeu.
Algarves.
As consequências desse fato são inúmeras. A vida Segunda geração
brasileira altera-se profundamente, o que de certa forma Marcada pelo "mal do século", apresenta
contribui para o processo de independência política da nação. egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração
A dinamização da vida cultural da colônia e a criação pela morte. Destacam-se os poetas Álvares de Azevedo,
de um público leitor (mesmo que, inicialmente, de jornais) Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire. Essa
criam algumas das condições necessárias para o florescimento geração é conhecida também por Ultra-Romantismo, devido à
de uma literatura mais consistente e orgânica do que eram as forte influência byroniana. Além das mencionadas acima, há
manifestações literárias dos séculos XVII e XVIII. ainda o determinismo, vítimas de destino, melancolia, desejo
A Independência política, de 1822, desperta na de evasão, recordação de um passado longínquo, que não
consciência de intelectuais e artistas nacionais a necessidade tiveram, cansaço da vida antes de tê-la vivido.
de criar uma cultura brasileira identificada com suas próprias Álvares de Azevedo (1831 – 1852)
raízes históricas, linguísticas e culturais. Representante brasileiro mais legítimo do mal-do-
O Romantismo, além de seu significado primeiro, o de século, foi fortemente influenciado por Lord Byron e Musset.
ser uma reação à tradição clássica, assume em nossa Sua poesia é marcada pelo subjetivismo, melancolia e um forte
literatura a conotação de um movimento anticolonialista e sarcasmo. Os temas mais comuns são o desejo de amor e a
antilusitano, ou seja, de rejeição à literatura produzida na busca pela morte. O amor é idealizado, povoado por virgens
época colonial, em virtude do apego dessa produção aos misteriosas, que nunca se transformam em realidade,
modelos culturais portugueses. causando assim a dor e a frustração que são acalmadas pela
Portanto, um dos traços essenciais de nosso presença da mãe e da irmã.
Romantismo é o nacionalismo, que orientará o movimento e Já a busca pela morte tem o significado de fuga, o eu lírico
lhe abrirá um rico leque de possibilidades a serem exploradas. sente-se impotente frente ao mundo que lhe é apresentado e
Dentre elas se destacam: o indianismo, o regionalismo, a vê na morte a única maneira de libertação.
pesquisa histórica, folclórica e linguística, além da crítica aos De sua obra, toda ela publicada postumamente,
problemas nacionais todas essas posturas comprometidas com destacam-se os contos do livro "Noite na Taverna" (1855), a

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peça de teatro "Macário" (1855) e o livro de poesias "Lira dos tradições, abandonando o aspecto urbano das capitais.
Vinte Anos" (1853). O Gaúcho de José de Alencar, O Cabeleira de
Castro Alves (1847-1871) Franklin Távola, O seminarista e A escrava Isaura de Bernardo
Escreveu poesias que mostram uma libertação do Soares, são algumas obras que se enquadram nesse romance.
egocentrismo absoluto, abrindo-se para a compreensão dos O Romance Urbano
grandes problemas sociais e expressando sua indignação Tanto na Europa quanto no Brasil, o romance urbano,
contra as tiranias e as opressões. A poesia abolicionista é sua pelo fato de tratar da vida cotidiana da Burguesia, conquistou
melhor realização na linha social. Ex: “Navio Negreiro” e um enorme prestígio entre o público dessa classe. Tem o
“Vozes d’África”, integrantes da obra Os escravos. objetivo de captar o conflito do espírito nacional em face de
Cultivou a poesia lírica e social, de que são exemplos influências estrangeiras, cujo teatro era naturalmente a corte, a
as obras Espumas flutuantes e A cachoeira de Paulo Afonso; a capital, aquele meio urbano no qual a mentalidade nacional em
poesia épica, em Os escravos; e o teatro, em Gonzaga e a formação ia recebendo aos poucos assimilando os exemplos
Revolução de Minas. que lhe chegavam de fora.
A Poesia Social também é chamada de A literatura brasileira contou com consideráveis
Condoreirismo, nesse tipo de poesia predominam as romances urbanos, entre os quais se destacam: Memórias de
comparações, metáforas, antíteses, hipérboles. um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida,
Este seu estilo contestador o tornou conhecido como Lucíola, Cinco Minutos, A viuvinha, Diva e Senhora de José de
o “Poeta dos Escravos”. Alencar. 85
O Romantismo brasileiro contou com um grande
número de escritores, com uma vasta produção, nos diferentes
gêneros, que, em resumo, pode ser assim apresentada: Texto 1
Na lírica: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Álvares Um índio
de Azevedo, Cardoso de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Um índio descerá de uma estrela colorida brilhante
Freire, Castro Alves e Sousândrade, dentre outros. De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
Na épica: Gonçalves Dias e Castro Alves. E pousará no coração do hemisfério sul na América num claro
No conto: Álvares de Azevedo. instante
No romance: José de Alencar, Manoel Antônio de Almeida, Depois de exterminada a última nação indígena
Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Visconde E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
de Taunay, Franklin Távora e outros. Mais avançado que a mais avançada das tecnologias
No teatro: Martins Pena, José de Alencar, Gonçalves de Virá
Magalhães, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e outros. Impávido que nem Muhamad Ali
O Romance Indianista Virá que eu vi
O indianismo foi uma das principais tendências do Apaixonadamente como Peri
Romantismo brasileiro. Dele saíram, tanto na poesia quanto na Virá que eu vi
prosa, algumas das melhores realizações da nossa literatura. A Tranquilo e infalível como Bruce Lee
vida e os costumes dos índios sempre despertaram Virá que eu vi
curiosidade. Assim como o romantismo europeu valorizava o O axé do afoxé filhos de Ghandi
passado medieval, o romantismo brasileiro passou a resgatar Virá
seus valores e assim, o índio foi visto como o passado histórico VELOSO, Caetano. Álbum Circulado vivo, Universal Music Brasil, 1992.
nacional. O índio foi encontrado como o verdadeiro (Fragmento).
representante da raça brasileira. Essa simpatia também foi Texto 2
consequência do trabalho de conscientização feito pelos O Guarani
jesuítas. O rosto do selvagem iluminou-se; seu peito arquejou de
As principais realizações indianistas em prosa de felicidade; seus lábios trêmulos mal podiam articular o turbilhão
nossa literatura são três romances de José de Alencar: O de palavras que vinham do íntimo da alma.
Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874). — Peri quer ser cristão! disse ele.
O Romance Regionalista D. Antônio lançou-lhe um olhar úmido de reconhecimento.
Diferentemente dos outros tipos de romances — A nossa religião permite, disse o fidalgo, que na hora
românticos, o romance regional não tinha modelos no extrema todo homem possa dar o batismo. Nós estamos com o
Romantismo europeu e, por isso, foi obrigado a construir seus pé sobre o túmulo. Ajoelha, Peri!
próprios modelos. Como consequência, a literatura alcança O índio caiu aos pés do velho cavalheiro, que impôs-lhe as
maior autonomia e o Brasil passa a se conhecer melhor em mãos sobre a cabeça.
suas enormes diversidades regionais. — Sê cristão! Dou-te o meu nome.
Ocorre um deslocamento de interesses, do nacional Peri beijou a cruz da espada que o fidalgo lhe apresentou, e
para o regional. O romancista vai fazer uma obra mais ergueu-se altivo e sobranceiro, pronto a afrontar todos os
representativa de certas regiões, pois estas pareciam mais perigos para salvar sua senhora.
diferenciadas e de características mais fortes. Dentro de cada ALENCAR, José de. O guarani. São Paulo: Ática, 1995.
região, seria focalizado o aspecto interior, a vida agrícola e Texto 3
pastoril com suas peculiaridades, seus hábitos, costumes e

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I-Juca Pirama Também a brisa corre fresca e leve
Meu canto de morte, Da manhã no arrebol!
Guerreiros, ouvi: Aqui também a terra produz flores,
Sou filho das selvas, Também os céus têm cor;
Nas selvas cresci; Também murmura o rio, e corre a fonte,
Guerreiros, descendo E os astros têm fulgor!
Da tribo tupi. Aqui também se arrelva o prado, o monte,
Da tribo pujante, De mimoso tapiz;
Que agora anda errante Nas asas do silêncio desce a noite
Por fado inconstante, Também sobre o infeliz!
DIAS, Gonçalves. In: Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
Guerreiros, nasci: 1998. (Fragmento).
Sou bravo, sou forte, Doridos: que têm ou expressam alguma dor.
Sou filho do Norte; Arrebol: cor avermelhada do crepúsculo (entre a noite e o nascer do sol),
Meu canto de morte, alvorada.
Tapiz: extensão de terreno coberta de flores, relva.
Guerreiros, ouvi. Estreme: puro.
DIAS, Gonçalves. Gonçalves Dias: poesia e prosas completas. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1998. 6. O texto de Gonçalves Dias é tipicamente romântico,
(Fragmento). sobretudo de acordo com o modo como retrata seu país.
1. O índio sempre foi um personagem presente em nossa a) Como a pátria é descrita no poema?
literatura, desde o fim do Arcadismo. Até hoje, como o b) Qual característica do Romantismo essa descrição revela?
comprova o texto 1, essa temática continua presente, com 7. Provavelmente o texto mais conhecido de Gonçalves Dias é
algumas alterações. Qual a imagem de índio que se pode a Canção do exílio. Pode-se dizer que este famoso poema do
extrair dos textos 2 e 3? Justifique sua resposta. autor é semelhante ao texto aqui transcrito? Em que momentos
2. Por que o índio é de fundamental importância na literatura os textos se parecem?
romântica brasileira em sua primeira fase?
3. O texto de Caetano Veloso apresenta algumas semelhanças Durante o regime militar (1964-1985), o Brasil viu nascer uma
e algumas diferenças na abordagem da temática indianista. nova onda de “ufanismo” patrocinada pelos novos governantes
Aponte-as e explique-as. do país. Naquele momento, surgiram canções de cunho
extremamente nacionalista que lembravam, e muito, a Canção
>> Leia, atentamente, o trecho a seguir, de autoria de Sérgio do exílio de Gonçalves Dias. Um bom exemplo disso é a
Buarque de Holanda, e responda às questões 4 e 5. canção a seguir.
Pode-se dizer que foi a maneira natural de traduzir em termos Eu te amo meu Brasil!
nossos a temática da Idade Média, característica do As praias do Brasil ensolaradas
Romantismo europeu. Ao medievalismo dos franceses e O chão do meu país se elevou
portugueses, opúnhamos o nosso pré-cabralismo, aliás, não A mão de Deus abençoou
menos preconcebido e falso do que aquele. Mulher que nasce aqui tem muito mais amor!
HOLANDA, Sérgio Buarque. “Prefácio de 1939”. In: MAGALHÃES, José O céu do meu Brasil tem mais estrelas
Domingos Gonçalves de. Suspiros poéticos e saudades. 6 ed. Brasília: Editora da
UnB, 1999. (Fragmento). O sol do meu país mais esplendor
4. Como deve ser entendida, em termos históricos e literários, A mão de Deus abençoou
a passagem em que o autor fala de “nosso pré-cabralismo”? Em terras brasileiras vou plantar amor!
5. Sérgio Buarque de Holanda conclui suas observações Eu te amo meu Brasil — Eu te amo!
dando a entender que tanto o medievalismo dos românticos Meu coração é verde, amarelo, branco, azul, anil!
europeus quanto o pré-cabralismo dos brasileiros não Eu te amo meu Brasil — Eu te amo!
correspondia a um resgate histórico do passado. Explique por Ninguém segura a juventude do Brasil!!!
quê. As tardes do Brasil são mais douradas
Mulatas tocam cheias de calor
Leia o texto e responda às questões 6 e 7. A mão de Deus abençoou
Eu vou ficar aqui porque existe amor!
Segundos Cantos No Carnaval os Gringos querem vê-las
A pátria é onde quer que a vida temos
Num colossal desfile multicor
Sem penar e sem dor;
A mão de Deus abençoou
Onde rostos amigos nos rodeiam,
Em terras brasileiras vou plantar amor!
Onde temos amor:
Adoro meu Brasil de madrugada
Onde vozes amigas nos consolam
As horas que eu estou com meu amor
Na nossa desventura,
A mão de Deus abençoou
Onde alguns olhos chorarão doridos
A minha amada vai comigo aonde eu for!
Na erma sepultura;
As luzes do Brasil têm mais beleza
A pátria é onde a vida temos presa:
Aurora chora de tristeza e dor
Aqui também há sol!
Porque a Natureza assopra

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E ela vai-se embora enquanto eu planto o Amor! Quem me dera, ao menos uma vez,
DOM. Os Incríveis e seus maiores sucessos, RCA Victor, 1994. Que o mais simples fosse visto como o mais importante
8. Transcreva os trechos da música que se assemelham a Mas nos deram espelhos
versos presentes na Canção do exílio. E vimos um mundo doente.
9. Compostas em momentos bastante diversos, Eu te amo Quem me dera, ao menos uma vez,
meu Brasil! e a Canção do exílio apresentam diferenças Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
também quanto à repercussão que tiveram. Após a E esse mesmo Deus foi morto por vocês –
composição e divulgação da música, seu autor e seus É só maldade então, deixar um Deus tão triste.
intérpretes foram acusados de defenderem o regime ditatorial RUSSO, Renato. Legião Urbana. Dois, EMI-Odeon, 1986. (Fragmento).
dos militares. Por que uma canção ufanista poderia ser vista 12. O trecho da canção revela um momento anterior ao que é
como negativa naquele momento e não o era na época de descrito na Introdução de Os Timbiras transcrito na questão
Gonçalves Dias? anterior. Que momento é esse?
13. A situação do guerreiro indígena mostrada por Gonçalves
Leia o texto. Dias é fruto do que houve no momento histórico mostrado pela
Os Timbiras canção do grupo Legião Urbana? Explique.
Introdução
[...] O texto a seguir é um trecho do Prólogo de Gonçalves Dias a
As festas, e batalhas mal sangradas seu livro Primeiros cantos. Nele, podemos perceber
Do povo Americano, agora extinto, características essenciais da estética romântica. Leia-o
Hei de cantar na lira. — Evoco a sombra atentamente e responda às questões de 14 a 18.
Do selvagem guerreiro!... Torvo o aspecto, Dei o nome de Primeiros cantos às poesias que agora
Severo e quase mudo, a lentos passos, publico, porque espero que não serão as últimas.
Caminha incerto, — o bipartido arco Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes,
Nas mãos sustenta, e dos despidos ombros porque menosprezo regras de mera convenção; adotei todos
Pende-lhe a rota aljava... as entornadas, os ritmos da metrificação portuguesa, e usei deles como me
Agora inúteis setas, vão mostrando pareceram quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir.
A marcha triste e os passos mal seguros Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram
De quem, na terra de seus pais, embalde compostas em épocas diversas — debaixo de céu diverso — e
Procura asilo, e foge o humano trato. sob a influência de impressões momentâneas. […] Escrevi- as
DIAS, Gonçalves. In: Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, para mim, e não para os outros; contentar-me-ei, se
1998. (Fragmento). Aljava: espécie de estojo sem tampa em que se agradarem; e se não… é sempre certo que tive o prazer de as
guardavam e transportavam as setas, e que era carregado nas costas,
ter composto.
pendente do ombro. Embalde: inutilmente.
10. Quem é o “povo Americano, agora extinto” ao qual se Com a vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos
refere o eu lírico? Qual é a “terra de seus pais”? de sobre a nossa arena política para ler em minha alma,
11. Gonçalves Dias notabilizou-se por incorporar à sua poesia reduzindo à linguagem harmoniosa e cadente o pensamento
uma exaltação à pátria e aos valores nacionais mais que me vem de improviso, e as ideias que em mim desperta a
particulares da terra brasileira. Partindo dessa premissa, vista de uma paisagem ou do oceano — o aspecto enfim da
procure explicar por que o poeta canta “o selvagem guerreiro”. natureza. Casar assim o pensamento com o sentimento — o
coração com o entendimento — a ideia com a paixão — cobrir
Agora leia o texto a seguir e responda às questões 12 e 13. tudo isto com a imaginação, fundir tudo isto com a vida e com
Índios a natureza, purificar tudo com o sentimento da religião e da
Quem me dera, ao menos uma vez, divindade, eis a Poesia — a Poesia grande e santa — a Poesia
Ter de volta todo ouro que entreguei como eu a compreendo sem a poder definir, como eu a sinto
A quem conseguiu me convencer sem a poder traduzir.
DIAS, Gonçalves. Poesia completa e prosa. (Fragmento).
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha 14. No segundo parágrafo do texto, Gonçalves Dias fala a
Quem me dera, ao menos uma vez, respeito da forma utilizada em seus poemas.
Esquecer que sempre acreditei que era por brincadeira a) O que diz ele a respeito de seus versos?
Que se cortava sempre um pano de chão b) Como sua postura reflete os ideais do Romantismo?
De linho nobre e pura seda. 15. Segundo o autor, os poemas “não têm unidade de
Quem me dera, ao menos uma vez, pensamento entre si”.
Explicar o que ninguém consegue entender: a) Explique essa afirmação, de acordo com o texto.
Que o que aconteceu ainda está por vir b) O que tal afirmação sugere a respeito do processo de
E o futuro não é mais como era antigamente criação poética no Romantismo?
Quem me dera, ao menos uma vez, 16. Ao dizer, sobre as poesias, “Escrevi-as para mim, e não
Provar que quem tem mais do que precisa ter para os outros”, Gonçalves Dias incorre num paradoxo.
Quase sempre se convence de que não tem o bastante a) Qual seria esse paradoxo?
E fala demais por não ter nada a dizer. b) Que traço romântico se evidencia por essa contradição?

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17. Uma das características românticas mais notáveis é a Ouro terra amor e rosas
idealização, o descompromisso com a retratação fiel do real. Eu quero tudo de lá
Em alguns momentos do texto, Gonçalves Dias refere-se, Não permita Deus que eu morra
implicitamente, a essa característica. Sem que volte para lá
a) Transcreva duas dessas passagens. Não permita Deus que eu morra
b) Explique de que maneira essas passagens indicam a Sem que volte pra São Paulo
tendência à idealização. Sem que veja a Rua 15
18. O Romantismo, com frequência, e principalmente na E o progresso de São Paulo
primeira geração, apresentou tendências nacionalistas. No Oswald de Andrade
Brasil, em particular, tais tendências foram mais notáveis, pois Os textos 1 e 2, escritos em contextos históricos e
esse é o primeiro movimento após a Independência do país. O culturais diversos, enfocam o mesmo motivo poético: a
texto de Gonçalves Dias não é um manifesto nacionalista; no paisagem brasileira entrevista a distância. Analisando-os,
entanto, é possível depreender dele o elemento que foi mais conclui-se que:
fortemente explorado pelo Romantismo brasileiro como a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha excessivamente do
constituidor da identidade nacional. país em que nasceu, é o tom de que se revestem os dois
a) Qual é esse elemento? textos.
b) A partir das características românticas que você conhece, b) a exaltação da natureza é a principal característica do texto
elabore uma hipótese a respeito de como esse elemento é 2, que valoriza a paisagem tropical realçada no texto 1.
apresentado pelos autores brasileiros. c) o texto 2 aborda o tema nação, como o texto 1, mas sem
perder a visão crítica da realidade brasileira.
ENEM d) ambos os textos apresentam ironicamente a paisagem
1. (ENEM/2001) TEXTO I brasileira.
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras, 2. (ENEM/2010)
Onde canta o Sabiá; TEXTO I
As aves, que aqui gorjeiam, Se eu tenho que morrer na flor dos anos,
Não gorjeiam como lá. Meu Deus! Não seja já; 91
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores, Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Nossos bosques têm mais vida, Cantar o Sabiá!
Nossa vida mais amores. Meu Deus, eu sinto e bem vês que eu morro
Em cismar, sozinho, à noite, Respirando esse ar;
Mais prazer eu encontro lá; Faz que eu viva, Senhor! Dá-me de novo
Minha terra tem palmeiras, Os gozos do meu lar!
Onde canta o Sabiá. Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Minha terra tem primores, Lá na quadra infantil;
Que tais não encontro eu cá; Dá que eu veja uma vez o céu da pátria;
Em cismar –sozinho, à noite– O céu do meu Brasil!
Mais prazer eu encontro lá; 90 Se eu tenho que morrer na flor dos anos,
Meu Deus! Não seja já!
Minha terra tem palmeiras, Eu quero ouvr cantar na larajeira, à tarde,
Onde canta o Sabiá. Cantar o sabiá!
Não permita Deus que eu morra, ABREU, C. Poetas românticos brasileiros. São Paulo:
Sem que eu volte para lá; Scipione, 1993.
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá; TEXTO II
Sem qu'inda aviste as palmeiras, A ideologia romântica (...) introduziu-se em 1836. Durante
Onde canta o Sabiá. quatro decênios, imperava o "eu", a anarquia, o liberalismo, o
sentimentalismo, o nacionalimo, através da poesia, do
TEXTO II romance, so teatro e do jornalismo (que fazia sua aparição
Canto de regresso à pátria nessa época)".
Minha terra tem palmares MOISÉS, M. A literatura brasileira através dos textos. São
Onde gorjeia o mar Paulo: Cultrix, 1971 (fragmento).
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá De acordo com o texto II, o texto I centra-se,
Minha terra tem mais rosas a) no imperativo do "eu", reforçando a ideia de que estar longe
E quase que mais amores do Brasil é uma forma de estar bem, já que o país sufoca o eu-
Minha terra tem mais ouro lírico.
Minha terra tem mais terra b) no nacionalismo, reforçado pela distância da pátria e pelo

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saudosismo em relação à paisagem agradável onde o eu-lírico a) embalsama
vivera a infância. b) infinito
c) na liberdade formal, que se manifesta nos versos sem c) amplidão
métrica e temática nacionalista. d) dormir
d) no fazer anárquico, entendida a poesia como negação do e) sono
passado e da vida, seja pelas opções formais, seja pelos
temas. 5. (ENEM/2009)
e) no sentimentalismo, por meio do qual se reforça a alegria No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que
presente em oposição à infância marcada pela tristeza. no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da
mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo
3. (ENEM/2010) ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica,
Soneto costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos
Já da morte o palor me cobre o rosto, romances regionais que publicou o título geral de Literatura do
Nos lábios meus o alento desfalece, Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog,
Surda agonia o coração fenece, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em
E devora meu ser mortal desgosto! verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as
Do leito embalde no macio encosto características locais.
Tento o sono reter!... já esmorece CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e
O corpo exausto que o repouso esquece... outros ensaios.São Paulo: Ática, 2003 .
Eis o estado em que a mágoa me tem posto! Com relação à valorização, no romance regionalista
O adeus, o teu adeus, minha saudade, 92 brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas
regiões nacionais, sabe-se que 93
Fazem que insano do viver me prive a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática
E tenha os olhos meus na escuridade. essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do
Dá-me a esperança com que o ser mantive! homem por meio da mescla de características locais e dos
Volve ao amante os olhos por piedade, aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.
Olhos por quem viveu quem já não vive! b) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance
AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, urbano, retrata a temática da urbanização das cidades
2000. brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.
O n cleo temático do soneto citado é típico da segunda c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado
gera ão rom ntica, porém configura um lirismo que o realismo no uso do vocabulário, pelo temário local,
projeta para além desse momento específico. O expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e
fundamento desse lirismo é assume frequentemente o ponto de vista dos menos
a) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade favorecidos.
da morte. d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é
b) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem
perda. brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e
c) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade. indígenas que caracterizam o nosso povo.
d) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa. e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e
e) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento. Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do
século X, cuja obra retrata a problemática do homem urbano
4.(ENEM/2001) O trecho a seguir é parte do poema em confronto com a modernização do país promovida pelo
"Mocidade e morte", do poeta romântico Castro Alves: Estado Novo.
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares; 6. (ENEM/2009)
Ver minh'alma adejar pelo infinito, Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta contínua
Qual branca vela n'amplidão dos mares. importunação de senhores e de escravos, que não a deixam
No seio da mulher há tanto aroma... sossegar um só momento! Como não devia viver aflito e
Nos seus beijos de fogo há tanta vda... atribulado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro
- Árabe errante, vou dormir à tarde inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-lhe a paz da alma,
À sombra fresca da palmeira erguida. e torturar lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e
Mas uma voz responde-me sombria: André, e uma êmula terrível e desapiedado, Rosa. Fácil Ihe
Terás o sono sob a lájea fria. fora repelir as importunações e insolências dos escravos e
ALVES, Castro. Os melhores poemas de Castro Alves. criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!...
Seleção de Lêdo Ivo. São Paulo: Global, 1983. GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1995
Esse poema, como o próprio título sugere, aborda o (adaptado).
inconformismo do poeta com a antevisão da morte A personagem Isaura, como afirma o título do romance,
prematura, ainda na juventude. A imagem da morte era uma escrava. No trecho apresentado, os sofrimentos
aparece na palavra: por que passa a protagonista

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a) assemelham-se aos das demais escravas do país, o que
indica o estilo realista da abordagem do tema da escravidão
pelo autor do romance.
b) demonstram que, historicamente, os problemas vividos
pelas escravas brasileiras, como Isaura, eram mais de ordem
sentimental do que física.
c) diferem dos que atormentavam as demais escravas do
Brasil do século XIX, o que revela o caráter idealista da
abordagem do tema pelo autor do romance.
d) indicam que, quando o assunto era o amor, as escravas
brasileiras, de acordo com a abordagem lírica do tema pelo
autor, eram tratadas como as demais mulheres da sociedade.
e) revelam a condição degradante das mulheres escravas no
Brasil, que, como Isaura, de acordo com a denúncia feita pelo
autor, eram importunadas e torturadas fisicamente pelos seus
senhores.

7. (ENEM/2009)
Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses campos, tão
diversos pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado
pelo ardor do sol transforma-se em vicejante tapete de relva,
quando lavra o incêndio que algum tropeiro, por acaso ou mero
desenfado, ateia com uma faúlha do seu isqueiro. Minando à
surda na touceira, queda a vívida centelha. Corra daí a
instantes qualquer aragem, por débil que seja, e levanta-se a
língua de fogo esguia e trêmula, como que a contemplar
medrosa e vacilante os espaços imensos que se alongam
diante dela. O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a consumir
com mais lentidão algum estorvo, vai aos poucos morrendo até
se extinguir de todo, deixando como sinal da avassaladora
passagem o alvacento lençol, que lhe foi seguindo os velozes
passos. Por toda a parte melancolia; de todos os lados tétricas
perspectivas. É cair, porém, daí a dias copiosa chuva, e parece
que uma varinha de fada andou por aqueles sombrios recantos
a traçar às pressas jardins encantados e nunca vistos. Entra
tudo num trabalho íntimo de espantosa atividade. Transborda a
vida.
TAUNAY, A. Inocência. São Paulo: Ática, 1993 (adaptado).
O romance romântico teve fundamental importância na
formação da ideia de nação. Considerando o trecho acima,
é possível reconhecer que uma das principais e
permanentes contribuições do Romantismo para
construção da identidade da nação é a
a) possibilidade de apresentar uma dimensão desconhecida da
natureza nacional, marcada pelo subdesenvolvimento e pela
falta de perspectiva de renovação.
b) consciência da exploração da terra pelos colonizadores e
pela classe dominante local, o que coibiu a exploração
desenfreada das riquezas naturais do país.
c) construção, em linguagem simples, realista e documental,
sem fantasia ou exaltação, de uma imagem da terra que
revelou o quanto é grandiosa a natureza brasileira.
d) expansão dos limites geográficos da terra, que promoveu o
sentimento de unidade do território nacional e deu a conhecer
os lugares mais distantes do Brasil aos brasileiros.
e) valorização da vida urbana e do progresso, em
detrimento do interior do Brasil, formulando um conceito de
nação centrado nos modelos da nascente burguesia brasileira.