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02 DIR. EMP./ATO COM. ATO EMP. EMPRESAR.

31/07/2015

1. OBJETO DO DIREITO EMPRESARIAL

Empresários são os sujeitos de direito que estruturam as organizações especializadas e negociadas no


mercado.
A atividade dos empresários (empresa) é a atividade de articular os fatores de produção (capital, mão
de obra, insumo e tecnologia). Trata-se de atividade sujeita a grande risco.
O Direito Empresarial cuida do exercício desta atividade, chamada de empresa.
O Objeto do Direito Empresarial é o estudo dos meios socialmente estruturados de superação de
conflitos envolvendo empresários ou relacionados às empresas que exploram. Ou seja, tem como
objeto as leis, a forma pela qual são interpretadas, os valores prestigiados pela sociedade e o
funcionamento do aparato estatal na resolução destes conflitos.

2. COMÉRCIO E EMPRESA

Na antiguidade, as roupas e artigos de utilidade eram produzidos na própria casa para os moradores.
Apenas parcos excedentes eram trocados entre vizinhos. Alguns povos, como os fenícios, se
destacaram ao intensificar as trocas, estimulando a produção de bens especificamente destinados à
venda.

Na Idade Média (1ª fase do Direito Empresarial. Corporações de ofícios), o comércio já havia
deixado de ser característica de alguns povos. Durante o Renascimento Comercial, artesãos e
comerciantes reuniam-se nas chamadas corporações de ofícios (entidades burguesas), que tinham
grande autonomia. Como resultado disso, surgiram normas destinadas a disciplinar a relação entre os
seus filiados. Os usos e costumes de cada corporação determinavam a aplicação das normas.

No início do século XIX, na França (2ª fase do Dir. Emp. Atos de Comércio), Napoleão patrocinou a
criação de dois códigos, o Código Civil e o Código Comercial. A delimitação do alcance do Código
Comercial era feita pela chamada Teoria dos Atos de Comércio. Sempre que alguém explorava uma
atividade que o Direito considerava atos de comércio, estava submetido às obrigações (manter
escriturações de livros, etc) e usufruía dos direitos deste código (concordata, etc).
Na lista dos atos de comércio não estavam atividades importantes como a prestação de serviço e
aquelas ligadas a terra (resultado da briga ideológica entre burgueses e senhores feudais).
Dessa forma, esta teoria revelou-se insuficiente para a delimitação do alcance do Direito Empresarial.

3. TEORIA DA EMPRESA (3ª FASE DO DIREITO EMPRESARIAL)

Surge em 1942, na Itália fascista de Mussolini.


Nesta terceira fase, o direito empresarial deixa de enumerar determinadas atividades que serão
abrangidas por suas normas, para disciplinar uma forma específica de produzir ou circular bens e
serviços, liga-se, desta forma, ao conceito de empresário.
A Empresa nesta fase representava o ideal fascista, onde a luta de classes terminaria na harmonização
social pelo estado nacional. No entanto a teoria se libertou do radicalismo fascista e foi adotada nos
códigos de tradição romana.
No Brasil, o Código Comercial de 1850 sofria forte influência da Teoria dos atos de Comércio.
Devido à defasagem desta teoria, a partir de 1960 a doutrina brasileira e as decisões judiciais já
apresentavam o ideal da Teoria da Empresa.
Esta teoria somente foi positivada com o Código Civil de 2002.
02 DIR. EMP./ATO COM. ATO EMP. EMPRESAR. 31/07/2015

4. CONCEITO DE EMPRESÁRIO

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada
para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Pelo texto legal, destaca-se para a caracterização do empresário, as noções de:


a) Profissionalismo
b) Atividade econômica organizada
c) Produção ou circulação de bens e serviços

Profissionalismo:
É associada, na doutrina a consideração de três ordens:

a) Habitualidade: Não será considerado empresário aquele que realiza tarefas de modo
esporádico

b) Pessoalidade: O empresário, no exercício do profissionalismo, deve contratar empregados.


Enquanto o empresário exerce atividade empresarial pessoalmente, os empregados o fazem
em nome do empregador.

c) Monopólio das informações (Noção mais importante do profissionalismo): As informações


sobre os bens ou serviços que oferece ao mercado (qualidade, insumos empregados, defeitos
de fabricação, etc.) são de inteiro conhecimento do empregador, que as monopoliza.

Atividade:
É o conceito de empresa, ou seja, a atividade de produção ou circulação de bens ou serviços.
Importante destacar as definições técnicas termológicas:

a) Empresa: é a atividade de produção ou circulação de bens e serviços. É o empreendimento.

b) Estabelecimento empresarial: É o local (espaço físico) em que a empresa é desenvolvida.

c) Sociedade: É o conjunto de capital delimitado por pessoas para a exploração de uma empresa.

Econômica:
A atividade deve ser econômica, uma vez que busca o lucro, que pode ser o objetivo ou o meio para
se alcançar o objetivo (universidades controladas por igrejas).

Organizada:
Na empresa (atividade) se encontram articulados os quatro fatores de produção, quais sejam:
a) Capital
b) Mão de obra
c) Insumos
d) Tecnologia (não precisa ser de ponta)
*Sem qualquer um destes fatores, a sociedade não será empresária

Produção de bens ou serviços:


Produção de bens é a fabricação de produtos ou mercadorias (ex.: indústrias).
Produção de serviços é a prestação de serviços
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Circulação de bens ou serviços:


É o comércio em sua forma originária. É a atividade de intermediação na cadeia de escoamento de
produtos ou na prestação de serviços.

Bens ou Serviços:
A definição clássica diz que bens são corpóreos, enquanto serviços não possuem materialidade.
No entanto, no mundo globalizado, com a existência dos chamados bens virtuais, essa definição se
mostra insuficiente.