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Acústica

Propagação de ondas
sonoras
Intensidade de uma Onda Sonora

Por definição intensidade de uma onda sonora é a


taxa temporal de energia que flúi através da área A,
perpendicular à direcção de propagação da onda:
P 1
I= ou seja, I= ρvs0 2 w2
A 2

Recordando a expressão da amplitude de pressão também


se pode expressar a intensidade à custa desse valor: p0
2
I=
2 ρv
Os limites audíveis para os humanos são:
⎧⎪ I = 10 −12 Wm −2 para o limiar de audição

⎪⎩ I = 1Wm − 2 para o começo de sensação dolorosa
Nível de Intensidade Sonora
Surgiu a necessidade, dado o tão grande intervalo de
intensidades sonoras audíveis (desde 1 a 10-12 Wm-2), de
reduzir a amplitude deste intervalo, de forma a ter mais
sensibilidade para os seus valores.
O bel expressa numa escala logarítmica a razão de
duas potências acústicas. Um decibel é a décima
parte de um bel.
Aplicou-se assim a escala logarítmica, surgindo o nível de
intensidade e
⎛ I ⎞
β = 10 log⎜⎜ ⎟⎟
⎝ I0 ⎠ onde I0=10-12Wm-2

O nível de intensidade é medido em decibéis (dB) e os limites


dentro da audição ⎧humana
β = 0 dB são:
para o limiar de audição

⎩ β = 120 dB para o começo de sensação dolorosa
Frequência e a nossa audição
“Barómetro”
de Ruído
“Silêncio” 10dB
Mosquito 40dB
Conversação 50dB
O metro 100dB
Concerto 120dB
Avião 140dB
Ondas Esféricas λ
Se um corpo esférico pulsar, ou oscilar periodicamente
com o tempo, provoca a formação de frentes de onda Frentes
de onda
esféricas (sendo a distância entre duas frentes de
onda corresponde ao λ). Raios de onda

As ondas expandem-se a partir da fonte, com velocidade constante (se o


meio for uniforme). A energia propaga-se igualmente em todas as
direcções. Se a potência média for Pm, ela deverá ser uniformemente
distribuída de tal forma que a uma distância r da fonte:
Pm Pm
I= =
Aesfera 4πr 2

Comparando em duas distâncias diferentes, uma vez que Pm corresponde à


potência média emitida, vem a relação:

I1r1 = I 2 r2
2 2
Ondas Planas
Se considerarmos uma pequena parcela das
ondas esféricas, a grande distância da fonte,
verificamos que os raios de onda são
v

aproximadamente paralelos e as frentes de onda


λ
quase planas.
Esta aproximação é chamada de Onda Plana.
Se, por aproximação cada frente de onda tem a mesma área, então:
P
I= m
A
Então, numa onda plana e sendo a potência média constante, a
intensidade de onda permanece a mesma nas sucessivas frentes de
onda.

I = constante
Atenuação do som
• Existem dois mecanismos pelos quais a
energia acústica é absorvida pela
atmosfera: efeitos da viscosidade e relaxe
molecular. Este último é sem dúvida mais
importante.
• As altas frequências são mais absorvidas
que as baixas.
• Esta atenuação do som é dependente da
pressão atmosférica, da temperatura, da
humidade relativa e da frequência da onda
sonora.
Dependências da atenuação
• Esquerda: Dependência com a Frequência e função da humidade
relativa a 20°C.
• Direita: Dependência da atenuação como função da temperatura
para várias percentagens de humidade relativa.
Variação com a distância

• Magnitude da atenuação do nível de intensidade sonora


por causa da absorção atmosférica como função da
distância (1m-50m) e frequência (humidade relativa 20%
e temperatura 20º C).
Meio Absorvente
Se o meio onde as ondas se propagam for absorvente (que é o que
acontece na prática!), a potência irradiada pela fonte vai sendo
absorvida pelo meio e deixamos de ter Pm como constante.
De facto, sabe-se que o decréscimo da potência se dá com a distância a
que estamos da fonte, a partir de um valor inicial, à custa de uma
constante de proporcionalidade (ξ):
dP
dP = −ξPdr ⇔ ∫ = ∫ −ξdr ⇔ ln P = −ξr + C
P
Admitindo como condição inicial: na fonte (r=0) temos P=Pi
Aplicando, ln Pi = −ξ ⋅ 0 + C ⇔ C = ln Pi
Substituindo, ln P = −ξr + ln P ⇔ ln P = −ξr
i
−ξ r Pi
Conclui-se P = Pi e ou substituindo ξ pelo coeficiente de absorção (a,
cuja dimensão L-1), em que ξ=2a:
−2 ar
P = Pi e
No ar (a 1 atm, 20ºC, 50% HR) e para 4000Hz: a=0,03dBm-1
Aplicação de Meio Absorvente
• Onda Plana
A intensidade de onda é dada por:
P Pi e −2 ar
I= =
A A
Pi
Como área de propagação é constante, Ii =
A
logo: −2 ar
I = Iie
(esta equação só tem validade para este tipo
de ondas)
Aplicação de Meio Absorvente
• Onda Esférica P
I=
A intensidade é dada por: 4πr 2
Tomemos a potência a duas distâncias
diferentes: ⎧⎪P1 = Pi e −2 ar ⎧⎪ Pi = P1e 2 ar
1 1

⎨ ⎨
⎪⎩ P2 = Pi e − 2 ar2 ⎪⎩ Pi = P2 e 2 ar2

igualando estas duas expressões através de


P i:
P1e = P2 e
2 ar1 2 ar2
ou I1r1 e = I 2 r2 e
2 2 ar 2 2 ar
1 2
Acústica
O som é medido fisicamente por três grandezas; a
intensidade, a frequência e o timbre.
• Intensidade refere-se à amplitude das
oscilações da pressão do ar e à quantidade de
energia transmitida.
• Frequência é o número de vezes que a
oscilação ocorre por unidade de tempo.
• Timbre é relativo à presença de
harmónicos no som.
Acústica em
Recintos Fechados
Ondas sonoras em Recintos
fechados
Nos ambientes
fechados ou
delimitados por
paredes e tectos
ocorrem sempre
três mecanismos:
• Reflexão
• Absorção
• Transmissão.
Reflexão das Ondas sonoras
Quando a onda sonora encontra um
obstáculo grande, rígido e pesado ela é
reflectida, sendo a sua direcção dada pela
lei da reflexão.

Prof. Aluizio Arcela


Comparação entre salas com
revestimentos diferentes,
proporcionando diferentes
reflexões. © Tom Henderson, 1996-2004
Absorção das Ondas sonoras em
Recintos fechados
É o processo no qual a
onda sonora perde
energia ao
atravessar um meio
ou chocar contra
uma superfície.
Os materiais porosos
têm uma grande
quantidade de
pequenos orifícios.
A combinação de
material e geometria
possibilita a criação
de salas anecóicas,
isto é, ambientes
em que a absorção
é total.
Transmissão das Ondas sonoras
em Recintos fechados
Uma vez que em
salas comuns a
absorção não é
total, assim como
a reflexão, uma
parte do som não
é nem absorvida
nem reflectida,
mas sim
transmitida.
O que
acontece a um
som após
cessar a
emissão?
• Desaparece
passado
algum tempo,
porquê?
Reverberação do Som
Dentro de um recinto fechado, a maioria das
ondas que atingem um ouvinte já foram
reflectidas por uma ou mais superfícies ou
objectos da sala. De facto, as ondas sonoras vão
sofrer inúmeras reflexões (parciais) antes de se
tornarem inaudíveis.
A esta persistência das ondas sonoras dentro do
recinto, mesmo depois de ser suprimida a
origem sonora, chama-se Reverberação do
Som.
Inteligibilidade do som
• De que factores
depende?
• Será necessário
que o som decaia
rapidamente ou
lentamente?
Propriedades Acústicas de uma
Sala
Dependendo da natureza das superfícies
existentes dentro da sala, e das suas
propriedades reflectoras ou absorventes, o som
prolonga-se durante mais ou menos tempo.
A qualidade do som depende deste tempo: há
espectáculos que necessitam de um maior
prolongamento das ondas sonoras para
aumentar a vivacidade do som (por exemplo,
em concertos musicais) e outro tipo de
espectáculos necessitam que o som decaia
rapidamente para aumentar a claridade do
som (por exemplo, em conferências).
Volume: Valores recomendados,
por lugar (m3)
Auditório Mínimo Óptimo Máximo
Salas Aula 2.3 3.1 4.3
Salas Concerto 6.2 7.8 10.8
Teatros Ópera 4.5 5.7 7.4
Igrejas Católicas 5.7 8.5 12.0
Outras Igrejas 5.1 7.2 9.1
Salas Multi-funções 5.1 7.1 8.5
Cinemas 2.8 3.5 5.6
© Andrew Marsh, UWA, 1999.
Intensidade Sonora Dentro da
Sala
A variação da intensidade sonora dentro da sala, depois de
eliminada a fonte sonora, é negativo, uma vez que é um
decréscimo, é proporcional à própria intensidade e dá-se
com o tempo: dI = −k I dt
dI
Resolvendo e integrando a equação: ∫ I = −∫ kdt ⇔ ln I = −kt + C
Admitindo que, no instante inicial, a intensidade inicial seja
I’:
ln I ' = −k ⋅ 0 + C ⇔ C = ln I '
Substituindo vem então:

− kt
ln I − ln I ' = − kt ⇔ I = I ' e
Padrão: Decréscimo de 60 dB
• Porquê este valor?
Nível de Intensidade típico de uma Orquestra

Tempo de
Reverberação

Nível de Intensidade típico do Ruído de Fundo

http://hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/hbase/acoustic/revtim.html
Tempo de Reverberação
É definido como sendo o tempo correspondente a
um decréscimo de 60 dB no nível de intensidade
sonora. Assim: β '− β = 60dB
Substituindo à custa das intensidades:
I' I I'
10 log − 10 log = 60 log = 6

I0 I0 I
Como o tempo que passou entre I’ e I foi
precisamente o Tempo de reverberação (T):
I'
− kT
= 10 6
⇔ − ( )
=
kT ln 10 6
⇔ T =
13.8
I 'e k
K depende das características da sala e tem a dimensão de
T-1.
Fórmula de Sabine
Sabine, em 1922, determinou
experimentalmente uma equação que
permite calcular o tempo de reverberação de
uma sala, à custa do seu volume e da área
absorvente existente dentro dela:
V
T = 0.161
A
(sendo 0.161 uma constante experimental, com as
dimensões L-1T)
Área Absorvente
Esta área absorvente pode ser composta por várias
parcelas, sendo a primeira determinada
multiplicando cada superfície (Si) da sala pelo
respectivo coeficiente de absorção (ai):

Asup = ∑ Si ai
n

Estes coeficientes de absorção de superfícies são tabelados


para os diferentes materiais e são adimensionais.
Área de Absorção: Chão com
Lugares
Quando no recinto em estudo existem lugares
(cadeiras), elas ocupam determinada superfície
no chão.
Os coeficientes de absorção para os lugares existem
tabelados para “lugar ocupado” e “não ocupado”, tendo
sido determinados de tal forma que já não é necessário
contabilizar a superfície do chão que eles ocupam.
Assim, e uma vez que estes coeficientes têm
unidades (m2/unidade) apenas temos de os
multiplicar pelo número de cadeiras existentes
para termos a área de absorção desta parte do
chão: = ⋅
Alugares N lugares a ocupação
Área de Absorção: Ar
Num auditório grande, o próprio ar também
contribui para a absorção do som,
principalmente para altas frequências.
Assim, para frequências iguais ou superiores a
2000 Hz, incluímos na área de absorção este
termo que corresponde à absorção por parte do
ar: Aar = mV m = aar
(em que V corresponde ao volume da sala e m corresponde ao
coeficiente de absorção por parte do ar, que se encontra tabelado
para várias temperaturas e respectiva humidade relativa e tem as
dimensões L-1)
Área de Absorção Total
Assim, a área de absorção a inserir na fórmula
de Sabine pode ter estas três parcelas:
A = S i ai + N lugares alugares + mV
Todas as parcelas correspondem a uma área “pesada” (em
que os pesos correspondem aos coeficientes de
absorção), de forma que, enquanto os primeiros são
adimensionais e outros, como já foi referido, não o são.
Todos os coeficientes de absorção existem
tabelados para diferentes frequências e várias
situações como se exemplifica na tabela
seguinte.
Tabela de Coeficientes de Absorção (1)
a (coeficiente de absorção de superfícies)
Materiais adimensional
f=500 Hz f=1000 Hz f=2000 Hz
Painéis madeira 0.17 0.09 0.10
Parede pintada 0.06 0.07 0.09
Parede estuque 0.06 0.05 0.04
Reposteiros 0.11 0.17 0.24
leves
Vidro 0.18 0.12 0.07
Soalho madeira 0.10 0.07 0.06
Carpete no 0.14 0.37 0.60
cimento
Carpete no 0.57 0.69 0.71
soalho
Soalho tijoleira 0.02 0.02 0.02
Tabela de Coeficientes de Absorção (2)
a (coeficiente de absorção de lugares) m2
Lugares
f=500 Hz f=1000 Hz f=2000 Hz
Cadeira madeira,
0.020 0.036 0.035
não ocupada
Cadeira estofada, 0.39 0.46 0.43
não ocupada
Cadeira estofada, 0.56 0.65 0.64
ocupada
a (coeficiente de absorção ar) m-1
Ar
f=2000 Hz f=4000 Hz f=8000 Hz
20ºC, 30%humid. 0.012 0.038 0.136
20ºC, 50%humid. 0.010 0.024 0.086
Critério para uma Boa
Acústica
Ao aumentar a absorção o nível de intensidade
reverberante e o tempo de reverberação
decrescem. O tempo de reverberação óptimo
deverá ser um compromisso entre a claridade do
som, intensidade e vivacidade do som.
Assim, dependendo do tamanho da sala, e do uso
a que se destina, dever-se-á aumentar ou
diminuir a área de absorção, colocando por
exemplo painéis absorventes ou reflectores.
Arquitectura… Minneapolis Orchestra Hall

• Volumetria da Sala
• Saliências
• Dinâmica

ANDERSON UNIVERSITY -REARDON AUDITORIUM


Alguns Tempos de
Reverberação