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ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE SARGENTOS DAS ARMAS

2º Sgt Inf nº 030 Wilson Texeira de Mendonça


2º Sgt Inf nº 034 Ramon Sinedino Oliveira
2º Sgt Inf nº 038 Thiago Afonso Aguiar da Silva
2º Sgt Inf nº 042 Paulo Henrique Carvalho Silva
2° Sgt Cav 204 Diogo Soltau Gomes
2º Sgt Art nº 330 Neuri Rodrigues Junior
2º Sgt Art nº 334 Nelson Lemos Nobre
2º Sgt Eng nº 424 Edmilson Fontenele Nunes
2º Sgt Com nº 520 Geraldo Dantas Pinto

O SARGENTO TEMPORÁRIO NO EXÉRCITO BRASILEIRO


A IMPORTÂNCIA DO SARGENTO TEMPORÁRIO NA ESTRUTURA DO
EXÉRCITO

Projeto Interdisciplinar

CRUZ ALTA - RS
2016
2º Sgt Inf nº 030 Wilson Texeira de Mendonça
2º Sgt Inf nº 034 Ramon Sinedino Oliveira
2º Sgt Inf nº 038 Thiago Afonso Aguiar da Silva
2º Sgt Inf nº 042 Paulo Henrique Carvalho Silva
2° Sgt 204 Diogo Soltau Gomes
2º Sgt Art nº 330 Neuri Rodrigues Junior
2º Sgt Art nº 334 Nelson Lemos Nobre
2º Sgt Eng nº 424 Edmilson Fontenele Nunes
2º Sgt Com nº 520 Geraldo Dantas Pinto

O SARGENTO TEMPORÁRIO NO EXÉRCITO BRASILEIRO


A IMPORTÂNCIA DO SARGENTO TEMPORÁRIO NA ESTRUTURA DO
EXÉRCITO

Projeto Interdisciplinar apresentado à Escola


de Aperfeiçoamento de Sargentos das
Armas (EASA), como parte das exigências
do CAS para obtenção do Título de Sargento
Aperfeiçoado.

Orientador: Cap Cav EDER CORDOVA


DA SILVA

CRUZ ALTA - RS
2016
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AGU Advocacia Geral da União


CF/88 Constituição Federal do Brasil de 1988
CFC Curso de Formação de Cabos
CFST Curso de Formação de Sargentos Temporários
COTER Comando de Operações Terrestres
EBST Estágio Básico de Sargento temporário
EP Efetivo Profissional
EV Efetivo Variável
IIB Instrução Individual Básica
IIQ Instrução Individual de Qualificação
OM Organização Militar
PIM Programa de Instrução Militar
PP Programa-Padrão
PPE Programa Padrão Experimental
QMS Qualificação Militar Singular
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4

2. HISTÓRICO DO SARGENTO TEMPORÁRIO NO BRASIL ................................... 6

3. O REGIME JURÍDICO DOS MILITARES DA ATIVA DAS FORÇAS ARMADAS


BRASILEIRAS ............................................................................................................ 8

3.1 Os sargentos de carreira .................................................................................. 10

3.2 Os sargentos temporários ................................................................................ 11

4. ESPÉCIES DE MILITARES TEMPORÁRIOS....................................................... 12

4.1 Cabos e soldados .............................................................................................. 12

4.2 Sargentos temporários ..................................................................................... 13

4.2.1 Do sargento temporário combatente ................................................................ 13

4.1.1 Do sargento técnico temporário ....................................................................... 15

5. A IMPORTÂNCIA DO COMANDANTE DAS PEQUENAS FRAÇÕES ................ 17

6. A FUNÇÃO DOS SARGENTOS TEMPORÁRIOS NA ESTRUTURA DO


EXÉRCITO ................................................................................................................ 19

7. A ESTABILIDADE DO MILITAR TEMPORÁRIO ................................................ 21

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 23

9. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 25
4

1. INTRODUÇÃO

O serviço militar temporário prestado voluntariamente no Exército


Brasileiro se constitui em uma atividade de vital importância ao cumprimento
das missões constitucionais e subsidiárias atribuídas à Força Terrestre. Em
que pese à situação de relativa calmaria em nossas fronteiras, o preparo
constante tanto para a guerra convencional quanto para eventual emprego
interno, através das operações de garantia da lei e da ordem, continua sendo
uma realidade em nosso país.

De acordo com PERIN (2006 p. 43):

A prestação do serviço militar temporário, precipuamente aquele


prestado após sucessivas prorrogações, tem uma outra virtude de
extrema importância, que é preparar e qualificar uma reserva de
cidadãos aptos para serem mobilizados e convocados quando
ocorrerem os motivos constitucionais e legais que justificam essas
medidas.

No mesmo sentido o item 23 da Estratégia Nacional de Defesa1


estabelece:

O Serviço Militar Obrigatório é condição para que se possa mobilizar


o povo brasileiro em defesa da soberania nacional. É, também,
instrumento para afirmar a unidade da Nação acima das divisões das
classes sociais

O sargento por sua vez, se estabelece na hierarquia da Força Terrestre


como um líder militar por excelência, esta graduação está presente na maioria
das Forças Armadas mundo afora e o militar dela investido conduz com
perfeição o comando de pequenas frações, o que o torna elemento primordial
para o cumprimento das diversas missões que o Exército necessita.

1 Anexo do Decreto Nº 6.703, de 18 de dezembro de 2008.


5

Neste sentido, verificou-se na segunda metade do século passado, que


os efetivos de sargentos das unidades do Exército nem sempre estavam
plenos, assim sendo fora criado no âmbito da Força Terrestre a figura do
sargento temporário, que será o principal objeto de estudo no presente artigo.

Desta feita, o estudo em tela tem por objetivo de discorrer sobre a


importância dos sargentos temporários no âmbito do Exército Brasileiro, bem
como seu lugar na estrutura da Força Terrestre, abordando desde um breve
histórico acerca de seu surgimento, passando pelos fundamentos jurídicos que
consubstanciam a necessidade destes militares e, a posteriori2, abordando a
importância que o exercício das atividades dos profissionais temporários, em
especial os combatentes, representa para o Exército Brasileiro.

2(locução latina, com significado de "a partir do que é posterior", de a, a partir de, desde, de +
posterior, -ius, que está atrás, posterior)
6

2. HISTÓRICO DO SARGENTO TEMPORÁRIO NO BRASIL

Historicamente desde os primórdios das formações territoriais e nas


eras temporais em todo o mundo, mesmo que não definido como sargento,
essa referência que temos hoje como “o elo entre o comando e a tropa”, a
figura daqueles que serviam e auxiliavam os superiores já eram bem
evidenciadas. A origem da palavra sargento vem do latim dos tempos do
Império Romano, a necessidade de assessoramento e lideranças fez com que
o conceito ganhasse força e destaque.

No Brasil, a figura do sargento é incontestável, sua importância para os


movimentos de resistências a invasões estrangeiras foram evidenciadas ao
longo do tempo, podemos citar o ilustre Antônio Dias Cardoso, o mestre das
emboscadas que foi um dos líderes do movimento militar que expulsou os
holandeses do Nordeste. No Sul, temos o guerreiro Rafael Pinto Bandeira, que
lutou contra os espanhóis, querido e idolatrado por sua tropa. No Centro Oeste,
podemos citar o celebre Antônio João Ribeiro, lutou ferrenhamente contra a
tentativa de invasão paraguaia. Mas sem dúvida o exemplo maior de bravura,
espírito de luta, coragem, é o nosso grande Sargento Max Wolf Filho, herói na
Itália durante a Segunda Guerra Mundial, representante da liderança em sua
forma mais combativa e do cumprimento da missão mesmo com todas as
intempéries.

Tais episódios citados anteriormente mostram o quanto a tropa


necessita da figura do sargento, o quanto é necessário que os efetivos sejam
os mais completos possíveis para que não haja prejuízo da operacionalidade,
pois o sargento é o assessor direto da tomada de decisão, não existe batalha
sem sargento e muito menos combate sem liderança, sem que se tenha
referência. Se as Escolas de Formação não conseguem suprir tal necessidade,
o temporário é a alternativa mais eficaz e inteligente.
7

O terceiro-sargento temporário, por sua vez, foi instituído no Exército


Brasileiro por intermédio da Lei nº 6.144, de 29 de novembro de 1974 3, com a
finalidade de preencher parcela das vagas de terceiros-sargentos com praças
temporárias. Foi considerada, ainda, a necessidade de graduados para compor
a reserva mobilizável da Força Terrestre. A solução adotada permitiu estruturar
a carreira dos graduados por meio da adequação dos efetivos de sargentos de
carreira, fato que permitiu um fluxo mais regular e harmônico. Em 1976, foi
iniciada a formação da primeira turma de 3º sargentos temporários das
Qualificações Militares Singulares (QMS) combatentes. Posteriormente,
contemplou-se a formação de todas as QMS: Infantaria, Cavalaria, Artilharia,
Engenharia, Comunicações, Material Bélico, Intendência e Saúde. Atualmente,
além dos Cursos de Formação de Sargentos Temporários, conduzidos nas
diversas Organizações Militares (OM) do Exército Brasileiro, funcionam os
Estágios Básicos de Sargentos Temporários Voluntários.

Tendo em vista as demandas das organizações militares e da evolução


da Força Terrestre a Lei nº 6.144, primeiramente foi revogada pela Lei nº 7150,
de 1º de dezembro de 1983, que por sua vez, foi revogada pela Lei 12.918, de
20 de dezembro de 2013, tendo em vista a atualização da necessidade de
efetivo.

Contextualizando os efetivos estipulados pelas leis supracitadas,


observa se que em 1974 era fixado que a Força Terrestre deveria possuir por
volta de 35500 subtenentes e sargentos, já em 2013 a composição passou a
ser de 75000, praticamente o dobro. As escolas de formação não conseguiam
suprir esta demanda, o que reforçou a ênfase no Sargento Temporário, tendo
em vista que é uma forma de recompletamento rápida e segura, tanto na parte
operacional quanto técnica.

3Segundo a Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa tendo como fonte o Centro


de Comunicação Social do Exército/Revista Verde-Oliva
8

3. O REGIME JURÍDICO DOS MILITARES DA ATIVA DAS FORÇAS


ARMADAS BRASILEIRAS

Os militares brasileiros constituem uma classe especial de servidores da


pátria com um regime jurídico próprio que se faz mister devido às
peculiaridades do serviço militar, neste contexto, regime jurídico, como o
próprio nome já sugere, é o conjunto de normas, deveres, garantias e demais
direitos aplicáveis a determinada área ou relação social.
No Brasil, a base do regime jurídico é a Constituição Federal de 1988,
que contém o conjunto de princípios e normas que norteiam o Estado e toda a
dinâmica das relações sociais do país. Essa mesma carta constitucional traz as
Forças Armadas como defensora da pátria e soberania nacional, sendo de
suma importância para a manutenção da paz social. Está assim disposto no
Artigo 142 da CF/88:
As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas
com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do
Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos
poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da
ordem.

Ainda sobre a importância das Forças Armadas e seu regime jurídico


diferenciado leciona Silva (2004 p. 751):

Constituem, assim elemento fundamental da organização coercitiva a


serviço do Direito e da Paz Social. Esta nelas repousa pela afirmação
da ordem na órbita interna e do prestígio estatal na sociedade das
nações. São, portanto, os garantes materiais da subsistência do
Estado e da perfeita realização de seus fins.

Justamente por ser um órgão que pretende a manutenção da paz, as


Forças Armadas não detêm sentimento político partidário, sendo assim, a Lei
nº 6.880, de 09 de dezembro de 1980, denominada, estatuto dos militares,
esclarece:
Art. 3° Os membros das Forças Armadas, em razão de sua
destinação constitucional, formam uma categoria especial de
servidores da Pátria e são denominados militares.
9

Logo, fica patente que os militares das Forças Armadas, são uma
espécie de agentes públicos com regime jurídico diferenciado, isso porque têm
atividade diferenciada dos demais agente públicos. O Estatuto dos Militares é a
base jurídica que rege os militares das Forças Armadas, estabelecendo
conceitos e normas gerais que devem ser complementados com legislação
específica.
O artigo 142, inciso X da Constituição Federal se refere às regras para o
ingresso na carreira militar:
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de
idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar
para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as
prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas
as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por
força de compromissos internacionais e de guerra.

Como visto no artigo supracitado, o dispositivo constitucional


estabeleceu à lei especifica, determinar as diferentes formas de ingresso nas
Forças Armadas, neste sentido surge a Lei do Serviço Militar4, que trata do
ingresso nas Forças Armadas através do serviço militar obrigatório.
Posteriormente a Lei nº 6.391, de 9 de dezembro de 19762 designou as
espécies de militares da ativa conforme segue:

Art. 3º O Pessoal Militar da Ativa pode ser de Carreira ou Temporário.


I - O Militar de Carreira e aquele que, no desempenho voluntário e
permanente do serviço militar, tem vitaliciedade assegurada ou
presumida.
II - O Militar Temporário é aquele que presta o serviço militar por
prazo determinado e destina-se a completar as Armas e os Quadros
de Oficiais e as diversas Qualificações Militares de praças, conforme
for regulamentado pelo Poder Executivo.

No mesmo sentido temos o parágrafo 1ª do artigo 3º do estatuto dos


militares:
§ 1° Os militares encontram-se em uma das seguintes situações:

a) na ativa:

I - os de carreira;

II - os incorporados às Forças Armadas para prestação de


serviço militar inicial, durante os prazos previstos na legislação

4 Lei nº 4.375, de 17 de agosto de 1964


10

que trata do serviço militar, ou durante as prorrogações


daqueles prazos;

III - os componentes da reserva das Forças Armadas quando


convocados, reincluídos, designados ou mobilizados;

IV - os alunos de órgão de formação de militares da ativa e da


reserva; e

V - em tempo de guerra, todo cidadão brasileiro mobilizado para o


serviço ativo nas Forças Armadas.

[...]
§ 2º Os militares de carreira são os da ativa que, no desempenho
voluntário e permanente do serviço militar, tenham vitaliciedade
assegurada ou presumida. (GRIFO NOSSO)

Neste contexto observa-se que existem os militares de carreira e os


militares temporários, embora ambos se subordinem aos mesmos diplomas
legais e, portanto se submetam ao mesmo regime jurídico, ingressam de forma
diferente na Força.

3.1 Os sargentos de carreira

Os sargentos de carreira do Exército ingressam na Força unicamente


mediante concurso público este requisito em especial se faz mister à luz do
disposto no artigo 37 da Constituição Federal uma vez que estes militares,
após aprovados em curso de formação específico de suas qualificações
militares, possuem estabilidade assegurada, permanecendo na Força até a
transferência para a reserva remunerada.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos


Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
[...]

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação


prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de
acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na
forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
11

Desta forma, embora a legislação militar estabeleça que os sargentos


não-estabilizados, mesmo o que ingressem mediante concurso público, se
submetam ao reengajamento anual para permanecer na ativa, estes possuem
estabilidade assegurada após dez anos de serviço ativo conforme preconiza o
Estatuto dos Militares:
Art. 50. São direitos dos militares:
[...]
IV - nas condições ou nas limitações impostas na legislação e
regulamentação específicas:

a) a estabilidade, quando praça com 10 (dez) ou mais anos de tempo


de efetivo serviço;

3.2 Os sargentos temporários

No caso dos sargentos temporários temos duas espécies distintas,


primeiramente os sargentos combatentes e os sargentos técnicos, ambos
regidos pelo estatuto dos militares.
Os primeiros ingressam no Exército através do serviço militar obrigatório
e se qualificam internamente em especialidades exclusivas das carreiras das
armas, ou seja, são militares voltados para a atividade fim do Exército. Já no
caso dos técnicos, são profissionais que ingressam mediante processo seletivo
de âmbito regional e possuem alguma habilitação de nível técnico exigido pelo
Exército, ambos os militares serão tratados de forma mais específica nos
capítulos seguintes deste estudo.
12

4. ESPÉCIES DE MILITARES TEMPORÁRIOS

4.1 Cabos e soldados

O soldado é a graduação mais numerosa da Força Terrestre, eles


formam a base do Exército Brasileiro. A rotina desses militares é rígida,
começando às 6 horas da manhã, para aqueles que vivem no quartel,
arrumando seus alojamentos, vestindo seus uniformes e indo para o rancho,
local do refeitório que utilizam para realizar suas refeições. Os soldados
aprendem a manusear armamentos como: fuzil, pistola, metralhadora, morteiro
e canhão. Eles também recebem instrução de lutas e de como atuar em
operações militares diversas. Muito desses soldados ao completar o tempo
mínimo de serviço podem, desde que requeiram solicitar uma ou mais vezes a
sua prorrogação de tempo de serviço, previsto no art. 33 da Lei do serviço
militar in verbis:

Art. 33. Aos incorporados que concluírem o tempo de serviço a que


estiverem obrigados poderá, desde que o requeiram ser concedida
prorrogação desse tempo, uma ou mais vezes, como engajados ou
reengajados, segundo as conveniências da Força Armada
interessada.

O cabo é a segunda graduação após o soldado, estes são qualificados


dentre as várias especializações existentes, como a infantaria, material bélico
(mecânico ou motorista), intendência. Uma de suas atribuições dentro de uma
organização militar é o assessorar diretamente ao seu superior hierárquico
mais próximo, o sargento. Para alcançar a graduação de cabo, o Soldado
especializado Efetivo Profissional 'EP' pode ser promovido após um processo
de seleção e conclusão de Curso de Formação de Cabos, CFC. É a segunda
graduação após o Soldado EV, ser promovido a EP, abaixo de terceiro
sargento. A graduação pode ser recebida em campo ou através de um curso
13

preparatório, chamado CFC (Curso de Formação de Cabos). Contudo, o


soldado possuidor do CFC ou o cabo propriamente dito podem ser
selecionados para a realização do Estágio básico de Sargento temporário
(EBST), para posterior ao curso serem promovidos a graduação de terceiro
sargento temporário. Cumpre ressaltar que os cabos e soldados não podem
ultrapassar a oito anos de efetivo serviço, conforme preconiza o Art. 15 da
portaria do comandante do Exército nº 257, de 30 de abril de 2009, vejamos:

Art. 15 O tempo máximo de permanência no serviço ativo para os


cabos e soldados é de oito anos.

Parágrafo único. Os cabos e soldados não podem ultrapassar oito


anos de efetivo serviço, contínuos ou interrompidos, computados,
para esse efeito, todos os tempos de Serviço Militar (inicial, estágios,
prorrogações e convocações eventuais) e os tempos de serviço
prestados em órgãos públicos da administração direta, indireta ou
fundacional de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e dos antigos Territórios. (Alterado
pela Portaria Cmt Ex nº 380, de 29 de maio de 2012).

4.2 Sargentos temporários

4.2.1 Do sargento temporário combatente

A formação do 3º sargento temporário por meio do Curso de Formação


de Sargentos Temporários (CFST) é realizada em diversas organizações
militares (OMs) da Força Terrestre. O Curso desenvolve-se sob a coordenação
das Regiões Militares, orientado pelos Comandos Militares de Área e regulado
pelo Comando de Operações Terrestres (COTER). Conduzido de forma
eminentemente prática, tem como universo de seleção os cabos e soldados
engajados que tenham concluído o Curso de Formação de Cabos com
aproveitamento. Destacada conduta e alto desempenho nas funções inerentes
aos cargos que ocupam na OM são, também, aspectos considerados. A
estrutura do curso, o rol de instruções e as condições para o funcionamento do
14

CFST são normatizados nos respectivos programas-padrão (PP) 5 da série


QUEBEC6 específicos para cada Arma, Quadro e Serviço. Além desses
documentos, outras informações e diretrizes específicas estão
consubstanciadas no Programa de Instrução Militar (PIM) e em portarias do
Comandante do Exército, além de constarem das Diretrizes de Instrução dos
Grandes Comandos e Grandes Unidades enquadrantes das OM com encargo
de formação.
O curso desenvolve-se em duas fases. A primeira coincide com a
execução da 1ª subfase da Instrução Individual Básica (IIB) 7, e ocorre ao longo
de oito semanas. Busca-se, nessa fase, focar a instrução na função que o
concludente ocupará na OM. São ministradas instruções referentes às matérias
comuns a todas as QMS: Armamento e Tiro, Chefia e Liderança Militar,
Comunicações, Educação Moral e Cívica, Inteligência e Contra-inteligência,
Instrução Geral, Marchas e Estacionamentos, Metodologia da Instrução,
Operações de Garantia da Lei e da Ordem, Ordem Unida, Topografia e
Treinamento Físico Militar, além das instruções peculiares aos diversos
grupamentos de instrução. Uma vez que os alunos estejam instruídos e
orientados para a execução das atividades básicas inerentes a seus cargos,
inicia-se a 2ª fase do curso. Ela tem a duração de 13 semanas, coincidentes
com a Instrução Individual de Qualificação (IIQ) 8. O instruendo passa a
desempenhar as funções do cargo para o qual está sendo formado e tem
participação ativa na IIQ. Contribui, dessa forma, para a formação dos recrutas
incorporados naquele ano, os quais, ao término da IIQ, serão seus
subordinados diretos. Em princípio, cada OM é responsável pela formação de
seus próprios sargentos temporários. Caso necessário, principalmente para a
formação das QMS mais técnicas ou para proporcionar economia de recursos,
é possível centralizar a 1ª fase do curso em uma OM da Brigada ou da Região
Militar. Para a realização da 2ª fase, os alunos que, eventualmente,
5 Documento que regula as atividades de instrução militar e define objetivos que permitam
padronizar a instrução e conciliá-la com o desenvolvimento do instruendo. Visa a possibilitar o
treinamento necessário às atribuições dos cargos existentes no Exército.
6 Refere-se aos programas-padrão que tratam acerca da qualificação técnica dos militares.
7 Fase da instrução com a finalidade de ambientar os soldados incorporado no corrente ano à

vida militar, desenvolver os valores morais e éticos e habilitá-los para o período de Instrução
Individual de qualificação.
8 Fase da instrução que visa qualificar o combatente, habilitando-os a ocupar cargos previstos

de uma determina organização militar.


15

freqüentaram a 1ª fase em outra unidade, retornam às suas unidades de


origem, onde concluirão o curso. Após a conclusão, o 3º sargento temporário
será efetivado no cargo para o qual foi formado, passando a desempenhá-lo
em sua plenitude. O término do CFST coincide com o início do período de
adestramento, no qual o concludente do Curso atuará como comandante de
fração, instruindo e conduzindo seus subordinados nos diversos exercícios.
Nas OM especializadas, é permitida e estimulada a participação dos
sargentos temporários nos cursos e estágios ministrados para os graduados de
carreira, a fim de permitir a participação desses militares nas atividades
específicas conduzidas na Unidade. Ao ser matriculado no CFST, o aluno
assume, por escrito, compromisso de servir ao Exército Brasileiro pelo prazo
mínimo de um ano, caso conclua o curso com aproveitamento, a contar da data
da promoção à graduação de 3º sargento. É facultada ao 3º sargento
temporário a permanência na ativa por um período máximo de sete anos,
computados todos os tempos de serviço público (Serviço Militar Inicial,
engajamentos e outros), consecutivos ou não. O fato de o sargento temporário
não ser movimentado permite o pleno aproveitamento de seu tempo de serviço
pela OM formadora.

4.2.2 Do sargento técnico temporário

Algumas especialidades técnicas são críticas e indispensáveis para o


efetivo funcionamento das OM da Força e essas vagas não são passíveis de
preenchimento com os recrutas incorporados para a prestação do Serviço
Militar Inicial. Para o atendimento dessas necessidades específicas, foi
idealizado o Estágio Básico de Sargento Temporário (EBST). O Estágio tem
como universo de seleção os reservistas de 1ª e 2ª categorias, os dispensados
de incorporação e as mulheres, voluntários e integrantes de categorias
profissionais de nível médio relacionadas com áreas de conhecimento de
interesse do Exército.
16

O EBST é conduzido à semelhança do CFST e do Estágio de Adaptação


e Serviço (cursado pelos médicos, farmacêuticos, dentistas e veterinários), com
as necessárias adaptações. Sua 1ª fase, que tem a duração de 45 dias, tem
por objetivos gerais adaptar os estagiários à vida militar; proporcionar
conhecimentos e desenvolver habilidades e destrezas indispensáveis para o
exercício das funções inerentes ao 3º sargento técnico temporário, e
desenvolver os atributos da área afetiva que conformam o caráter militar. Essa
fase é realizada em OM operacional designada pelo Comando da Região
Militar e sediada na mesma Guarnição onde os estagiários realizarão a 2ª fase
do EBST – Aplicação de Conhecimentos. A 2ª fase tem a duração de 10 meses
e 15 dias, os quais, somados ao período da 1ª fase, totalizam os 12 meses
previstos para o EBST.
Os objetivos colimados para a 2ª fase do estágio são: adaptar os
estagiários ao exercício dos cargos para os quais foram convocados;
proporcionar condições de aplicação de suas técnicas profissionais; e torná-los
mobilizáveis, quando na reserva, para exercer cargos privativos de 2º sargento
de suas respectivas qualificações. As condições de funcionamento, a listagem
dos assuntos elencados para as instruções aos estagiários e demais normas
reguladoras do EBST encontram-se editadas no Programa de Instrução Militar,
na Diretriz Complementar para o Serviço Militar Temporário em Tempo de Paz,
nas diretrizes emanadas dos Grandes Comandos e Grandes Unidades
enquadrantes das OM com encargo de formação, e no Programa Padrão
Experimetral (PPE-07/3) – Estágio Básico de Sargento Temporário, elaborado
e editado pelo COTER e aprovado pelo Estado-Maior do Exército.
17

5. A IMPORTÂNCIA DO COMANDANTE DAS PEQUENAS FRAÇÕES

Como já visto no capítulo anterior, o concludente do Curso de Formação


de Sargentos Temporários (CFST) está habilitado a ocupar cargos e exercer
funções próprias de 3º Sargento chefe ou integrante de frações elementares
orgânicas do Pelotão. O Sargento assim habilitado terá suficiente base para,
após a conclusão do Curso de Formação, complementar sua habilitação por
meio do auto-aperfeiçoamento, estágios de instrução que o capacitem aos
cargos e funções de sargento não aperfeiçoado nos demais tipos de unidades
operacionais ou não.

Requisitos comuns Tendo como tarefa crítica chefiar homens em


operações de guerra e de não-guerra, o sargento tem, em considerável nível
de desenvolvimento, uma personalidade delineada por atributos tais como
liderança, iniciativa, direção, autoconfiança, equilíbrio emocional e decisão
caracterizando-o como líder de pequenas frações. Constitui-se em modelo para
seus comandados, enquadrando-os militarmente pela instrução e pelo exemplo
alicerçado em valores éticos coerentes com os princípios da Instituição. O 3°
Sargento demonstra no dia-a-dia apresentação, disciplina, responsabilidade,
meticulosidade, objetividade, organização e zelo. Integra-se à vida social da
comunidade e relaciona-se com militares e civis, evidenciando competência
interpessoal, por meio da comunicabilidade. A diversidade de tipos de
operações militares nas quais poderá ser empregado, aliada ao fato de atuar
em qualquer tipo de terreno, em quaisquer condições ambientais, exigirá, além
da competência técnica, evidenciar adaptabilidade, flexibilidade, rusticidade e
coragem, manuseando materiais e equipamentos especializados, conduzindo,
por vezes, sua tropa em situação de risco para o cumprimento de sua missão.
Assim sendo, reflete acentuado espírito de corpo por meio da
cooperação e da dedicação. Exibem higidez e vigor físico, acrescido da
persistência e resistência, condizentes com os padrões físicos compatíveis com
as exigências de seu desempenho funcional. O concludente do curso tem
18

consciência de que sua formação profissional não está completa. Inserido num
mundo em constantes transformações, preocupa-se com o auto-
aperfeiçoamento. Para tanto, procura ampliar sua cultura geral e profissional,
estando consciente da importância do conhecimento de idiomas estrangeiros,
da História Militar e da informática, dentre outros Requisitos específicos O
concludente do Curso de Formação de Sargentos Temporário evidencia
conhecimento profissional e habilidade no manuseio e utilização de
equipamentos das áreas, demonstrando, com isso, competência técnica.
Manifesta atenção concentrada necessária ao correto desenvolvimento
das atividades, evitando atitudes errôneas e acidentes. Demonstra equilíbrio
emocional, quando sob condições adversas. Apresenta boa caligrafia na
elaboração de documentos diversos. Revela espírito de cooperação e
dedicação para o trabalho em equipe. Possui organização, meticulosidade e
disciplina para cumprir suas obrigações, por vezes individualmente,
independente de fiscalização. Apresenta iniciativa ao se deparar com situações
inopinadas que exijam ações coerentes e acertadas independente de
orientações de superiores. Demonstra zelo na manutenção do material e
equipamento sob sua responsabilidade, para preservação da vida útil dos
mesmos. Age com persistência na execução de suas atividades, mantendo-se
em ação continuadamente, a fim de executar uma tarefa, vencendo as
dificuldades encontradas. É capaz de perceber e compreender o ambiente, as
características dos seus subordinados, orientando-os em suas ações rumo aos
interesses e necessidades da Instituição com prontidão, demonstrando
objetividade.
19

6. A FUNÇÃO DOS SARGENTOS TEMPORÁRIOS NA ESTRUTURA DO


EXÉRCITO

Os cargos de sargento temporário foram planejados para manter certa


proporção em relação aos terceiros sargentos de carreira e garantir as
necessidades de terceiros sargentos de uma organização militar.
Neste sentido, temos o artigo 5º da Lei 7150, de 1º de dezembro de
1983:
Art 5º - A fixação dos efetivos de alunos das escolas de formação de
oficiais e de graduados, de carreira e, temporários, será regulada pelo
Ministro do Exército, de modo a atender às necessidades dos postos
e graduações iniciais desses quadros e à formação de reservas.

A fixação das quantidades de sargentos de carreira e temporários são


reguladas pelo Ministro do Exército atendendo as necessidades da força
Terrestre, visando manter a operacionalidade do Exército como um todo, de
acordo com a portaria nº 256, do comandante do Exército de 30 de abril de
2009, vejamos:
Art. 4º A formação e a complementação da capacitação do terceiro-
sargento temporário têm como objetivo:
I - preencher os claros de terceiro-sargento, observada a qualificação
militar; e
III - permitir a estruturação da carreira dos graduados, por meio da
formação adequada dos efetivos de sargentos de carreira que
permita um fluxo regular e harmônico de acesso, preenchendo
parcela dos claros de terceiros-sargentos com praças temporárias.

A portaria supracitada deixa claro que o processo de formação do


sargento temporário, bem como a fase de complementação da formação nos
quartéis, tem a finalidade de preencher o cargo vago do 3º Sargento que não
foi preenchido por um militar de carreira.
Em face das movimentações bem como pedidos de baixa dos terceiros-
sargentos de carreira, por diversos motivos, os terceiros-sargentos temporários
são os militares que possibilitaram a continuidade dos trabalhos desenvolvidos
pela unidade, devido à sua característica de profissional eminentemente
prático, o prazo e o custo de sua formação são reduzidos, quando comparado
aos militares de carreira, possibilitando ao Exército suprir qualquer eventual
deficiência de efetivo de sargentos, em curto espaço de tempo.
20

Desta feita temos o artigo 7º da Portaria Nº 256, onde encontra-se


disposto:
Art.7º A formação, a complementação da capacitação e a distribuição
de efetivos de terceiros-sargentos temporários devem ser feitas de
forma a:
[...]
II - assegurar, nas diferentes OM, um efetivo proporcional de
terceiros-sargentos de carreira e de terceiros-sargentos temporários,
de acordo com as necessidades e a natureza da OM, em
consonância com o Decreto Anual de Fixação de Efetivos do Exército
Brasileiro;
[...]
IV - atingir, gradativamente, os níveis previstos, evitando, tanto
quanto possível, conseqüentes movimentações de terceiros-
sargentos de carreira.

Assim sendo, o sargento temporário surge na estrutura do Exército como


um personagem de suma importância, pois possibilita à Força Terrestre manter
sua eficiência, mesmo sem militares de carreira em quantidade suficiente para
completar todos os cargos disponíveis na instituição a um custo reduzido em
face aos militares de carreira, corroborando com o argüido neste capítulo
temos PERIN (2006, p. 43) in verbis:

Por outro lado, não pode deixar de ser adicionado o fundamento de


que a manutenção de um efetivo integral de militares de carreira nas
Forças Armadas resultaria em um dispêndio muito grande em termos
de recursos orçamentário-financeiros para o Estado brasileiro, que,
de imediato, afetaria diretamente toda a nossa sociedade, que
haveria de arcar com esse alto custo.
21

7. A ESTABILIDADE DO MILITAR TEMPORÁRIO

Em que pese toda a importância dada no presente artigo ao Sargento


Temporário, urge frisar que o militar temporário forma uma categoria ao lado do
militar de carreira, que não tem direito à estabilidade. Sua situação é precária e
delimitada no tempo. A legislação de regência, já estudada nos capítulos
anteriores, distingue os militares de carreira dos temporários. Sendo assim,
uma vez que a lei estabelece essa distinção entre esses militares, não há
amparo legal para ser aplicado o princípio constitucional de isonomia, que
nesse caso seria possível estabilizar o militar temporário.

A questão da estabilidade dos militares temporários freqüentemente


surge nas organizações militares, casos militares que ultrapassam os dez anos
de serviço ativo e não podem ser licenciados por estarem em tratamento de
saúde, geram dúvidas quanto ao direito de estabilidade dos militares
temporários.

Contudo, a Advocacia Geral da União, já sinalizou entendimento,


ratificado pelo Superior Tribunal de Justiça, que o cumprimento de dez anos de
efetivo serviço militar, por si só não são suficientes para aquisição da
estabilidade pelos militares temporários.9 Isto se dá por disposição
constitucional que estabelece em seu artigo 37 inciso II, como condição sine
qua non10 a aprovação em concurso público para aquisição de estabilidade.

No mesmo sentido a lei nº 12.705, no artigo 2º, traz em seu bojo:

Art. 2º A matrícula para o ingresso nos cursos de formação de oficiais


e sargentos de carreira do Exército depende de aprovação prévia em
concurso público, atendidos os seguintes requisitos, dentre outros
estabelecidos na legislação vigente: [...]

Desta forma, por mais valorosa possa ser a contribuição dada ao


Exército pelos sargentos temporários, conforme observado ao longo deste

9
Conforme notícia veiculado no portal da AGU disponível em:
<http://www.agu.gov.br/page/content/detail/id_conteudo/281817>.
10
Locução adjetiva, do latim, que significa “sem a qual não”.
22

estudo, sua estabilidade não é possível haja vista que apenas o decurso do
prazo não é suficiente para aquisição da estabilidade pela praça.
23

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir dos objetivos propostos para o estudo, quais são discorrer sobre
o histórico do Sargento Técnico Temporário, assim como o regime jurídico dos
militares da ativa das Forças Armadas Brasileiras, identificar as espécies de
militares temporários e a sua importância como comandante de pequenas
frações, verificar as funções dos Sargentos Técnico Temporários na estrutura
do Exército e a sua estabilidade na Força. Pode-se perceber que dentre os
assuntos em pauta, o Exército Brasileiro tem uma visão positiva quanto ao
militar temporário, devido principalmente a seu amplo emprego na Força.

Percebe-se que o sargento temporário combatente passa a


desempenhar as funções do cargo para o qual foi formado e tem participação
ativa na IIQ. Contribui, dessa forma, para a formação dos recrutas incorporados
naquele ano, os quais, ao término da IIQ, serão seus subordinados diretos,
assim participa diretamente na distribuição de funções, missões e serviço de
escala. No que tange aos sargentos Técnicos temporários, verifica-se que
contribuem, com seu conhecimento peculiar, de forma indubitável para o
melhor desempenho das funções administrativas necessárias para manter a
operacionalidade da Força Terrestre.

Percebe-se também que estudos voltados a investigar as metodologias


de formação de Sargentos Técnicos Temporários, remontam ao início da
década de 70, mais precisamente em 1974, quando surgiu a primeira lei que
amparasse tal procedimento.

Uma limitação importante verificada neste estudo foi o tempo de


permanência do sargento temporário na Força, quando comparados aos
militares de carreira, uma vez que estes militares não ingressam por meio do
concurso público regular e sim pelo alistamento, no caso dos combatentes, e
por intermédio de processo seletivo simplificado, no caso dos sargentos
técnicos, não há possibilidade de aquisição de estabilidade pelos militares
temporários.
24

Desta forma, os sargentos temporários têm um papel de suma


importância na estrutura do Exército Brasileiro, fortalecendo, tanto sua
operacionalidade, quanto sua área administrativa, uma vez que preenchem as
vagas em claros, no qual as Escolas de Formação não conseguem suprir,
auxiliam as Organizações Militares na área operacional e administrativa e tem
um custo reduzido, comparando-se aos de carreira, ou seja, só trazendo
benefícios ao Exército Brasileiro.
25

9. REFERÊNCIAS

ALVES, Paulo Sérgio Felipe (Org.); NADALIN, Edson Luiz (Org.). Das origens
do sargento ao seu aperfeiçoamento nos dias atuais. Cruz Alta, Fundação
Trompowsky/Editora 2015.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de


1988. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF 05 out 1988.
Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> acesso em
26 mar 2016.

BRASIL. Decreto Nº 6.703, de 18 de dezembro de 2008. Aprova a Estratégia


Nacional de Defesa, e dá outras providências. Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, Brasília, DF 19 dez 2008. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6703.htm>
acesso em 26 mar 2016.

BRASIL. Lei Nº 4.375, de 17 de agosto de 1964. Lei do Serviço Militar. Diário


Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF 03 set 1994. Disponível
em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4375.htm> acesso em 14 abr
2016.

BRASIL. Lei Nº 12.705, de 8 de agosto de 2012. Dispõe sobre os requisitos


para ingresso nos cursos de formação de militares de carreira do Exército.
Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF 09 ago 2012.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2012/Lei/L12705.htm> acesso em 6 abr 2016.

BRASIL. Portaria do Comandante do Exército N º 256, de 30 de abril de 2009.


Aprova as Diretrizes para a Formação, a Complementação da Capacitação, a
Classificação, a Prorrogação do Tempo de Serviço e o Controle de Terceiros-
Sargentos Temporários no Exército e dá outras providências. Disponível em: <
http://dsm.dgp.eb.mil.br/phocadownload/Legislacao/Servico_Militar_Temporario
/Portarias/Comandante_do_Exercito/portaria%20256_cmt_ex_30abr2009.pdf>
acesso em 20 mar 2016.

NEPOMUCENO, Enio Carneiro. A Força Expedicionária Brasileira: A


Importância Das Pequenas Frações Na Conquista De Montese. Universidade
26

do Sul de Santa Catarina, Teresina, PI, ago 2010. Disponível em:


<http://www.portalfeb.com.br/wp-content/uploads/TCC-HM-Enio-Nepomuceno-
aprovada.pdf> acesso em 07 abr 2016.

PERIN, Jair José. Regime jurídico aplicável ao militar temporário das Forças
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REVISTA VERDE OLIVA. Brasília: Centro de Comunicação Social do Exército,


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