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Ev ndo
... ^ o z e .
Iransgressoes
Evitqndo
Iransaressoes
r a 4 J o z e

Sergio Scataglini
Scataglini, Sergio
Evitando as doze transgressões / Sergio Scataglini; tradutor Fernando
Sanches. - Belo Horizonte: Editora Atos, 2003.

Título original: The twelve transgressions.


ISBN: 85-7607-010-3

1. Santidade 2. Transgressões —Ensino bíblico I. Título.

03-2778 CD D -241.3

índices para catálogo sistem ático:


1. Transgressões: Ensino bíblico: Cristianismo 241.3

Traduzido do original em inglês


The twelve transgressions

Copyright © 2002 por Sergio Scataglini


Todos os direitos reservados

Tradução
Fernando Sanchcs

Revisão
Christopher Walker

Capa
Holy Design

Primeira edição
Junho de 2003

Todos os direitos em língua portuguesa reservados à Editora Atos Ltda.


N enhum a parte deste livro pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida
por qualquer meio —eletrônico, mecânico, fotocópias, etc - sem a devida
permissão dos editores, podendo ser usada apenas para citações breves.

Publicado com a devida autorização e com todos os direitos


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Telefone: (31) 2121-0006
w ww .editoraatos.com .br
Sumário

Apresentação................................................

Prefácio
Detido pelo fogo divino ...............................

Introdução
As doze transgressões: Uma sinopse ............

Capítulo
A transgressão de Eli:
Quando a fraoueza se torna pecado ...............

Capítulo 2
A transgressão de Jacó:
Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

Capítulo.;)
A transgressão de Sansão:
Carisma sem caráter ......................................

Capítulo -7
A transgressão de Moisés:
Usando a ira piedosa de forma impiedosa . . . .
Capítulo 5
A transgressão de Elias:
Entregando-se à desilusão.................................................... 105

Capítulo p
A transgressão de josué:
O pecado da presunção .......................................................125

Capítulo /
A transgressão do rei Saul:
Permitindo quc a insensatez se transforme em pecado ..........143

Capítulo eV
A transgressão de Davi:
Falhando em estabelecer limites ............................................... 161

Capítulo 9
A transgressão de Salomão:
Distrações fatais ......................................................................183

Capítulo Íí)
A transgressão de jonas:
Servindo a Deus com relutância.............................................. 197

Capítulo j /
A transgressão de Pedro:
Temendo mais o homem do Q_ue a Deus ..................................215

Capítulo Í 2
A transgressão do jovem rico:
Recusando-se a abrir mão do último íd o lo ............................... 239

Notas .................................................................................... 255


Aos dedicados obreiros
cristãos de todo o mundo:

Q u e Deus use este livro para encorajá-lo


no caminho cia santidade e para reduzir
drasticamente o número de baixas espirituais
no Corpo de Cristo.

E à minha equipe de casa:

Kathj, minha amada esposa e adjutora;


Pablo, meu filh o no Senhor;
Nathan, Jerem y e Miqueas,
meusfilh os e discípulos.
Agradecimentos

ste livro é fruto de um trabalho em equipe. Agradeço a Kathy

G
por todas as horas que despendeu organizando, digitando e tor­
nando a digitar o m anuscrito original. Agradeço a Jeannie
Stutzman que, de boa vontade, também ajudou na digitação.
Sou profundamente grato ao meu amigo Lee Grady por toda a aju-
da que nos ofereceu durante a preparação deste livro e por seu empenho
em vê-lo publicado. Também quero agradecer ao meu am igo Steve
Swihart por suas observações precisas e perspicazes, e a todos os nossos
intercessores que, constantemente, cobrem nossas vidas com oração.
Quero expressar minha gratidão aos líderes do mundo inteiro que
me encorajaram e inspiraram a publicar a mensagem deste livro.
Também gostaria de agradecer a cada irmão que compõe a equipe
do Ministério Scataglini. Cada integrante é um colaborador efetivo em
nosso ministério.
Sobretudo, agradeço a Deus por minha família que me acompanha
em todo esta emocionante vida de viajar, pregar e escrever.
Apresentação

o concluir a leitura deste livro, muitos vão dizer: “Ah, se eu


tivesse lido um livro como este há mais tempo!” Ao refletir
sobre seu passado, valorizarão profundamente a sabedoria en­
contrada nestas páginas.
Este livro é como um guia de estradas que nos mostra onde —e por
que —outros viajantes se acidentaram! Após um acidente, aéreo ou rodo­
viário, normalmente há uma investigação. As lições aprendidas podem
preservar a vida de outros viajantes no futuro.
Este livro, escrito por meu amigo Sergio Scataglini, disseca em deta­
lhes os doze “acidentes” que estamos sujeitos a sofrer ao longo da vida.
Quando não aprendemos com a história, corremos o risco de repeti-la.
Se você, como eu, está cansado de ler as mais recentes manchetes sobre
tragédias cristãs, então estude este livro com cuidado!
As explicações claras e profundas de Sergio Scataglini, sem dúvida
alguma, vão salvar a vida de alguém. Acredito que este livro ofereça
suficiente revelação até para, quem sabe, proteger alguém de uma
possível queda. Sergio faz das palavras de Judas as suas próprias, ao
dizer que o misericordioso Pai Celestial o “impedirá de cair” —se você
Evitando as d oze transgressões

praticar um “cristianismo acautelado”. Não vá acelerando em lugares onde


os próprios anjos “temem pisar”! Ser “preservado” é melhor do que
ser “liberto”.
E bom ver uma ambulância chegar ao pé do penhasco depois de um
acidente, mas seria melhor ver uma barreira de proteção no alto do preci­
pício! Creio que seríamos unânimes em dizer que é melhor bater na
barreira e sair com alguns arranhões do que cair no precipício e ser
esmagado dentro do carro. Este livro é mais do que um curativo para
aplicar depois do acidente; é uma barreira que impede a catástrofe antes
de acontecer! Estimado leitor e companheiro de viagem, não deixe que o
tema de crise o assuste e o impeça de ler este livro —você precisa das
informações nele contidas.
Muitas vezes apreciamos mais um livro quando conhecemos a vida
do autor. Sergio vive apaixonadamente o que escreveu. Poderíamos dizer
dele o que Jesus disse de outro homem —“um verdadeiro israelita, em
quem não há falsidade”. Sergio tem um espírito puro. Esta palavra vinda
do alto é incontaminada. Levei a sério o que li aqui porque conheço a
ambos —a Fonte e o vaso.

- T ommy T enney
Descobridor de Deus

12
Detido pelo fogo divino

m maio de 1997, despedi-me de minha congregação na cidade de


La Plata, Argentina, dizendo: “Volto em uma semana; vou co­
nhecer os avivamentos que estão ocorrendo em algumas regiões
dos Estados Unidos. Quando estiver de volta, vou apresentar aos irmãos
um relatório sobre o que Deus está fazendo no mundo”. De um modo
geral, eu achava que estava tão bem com o Senhor que a única coisa que
me faltava era receber mais um toque dele, nestes lugares afamados de
avivamento. Acreditava que tais encontros simplesmente fortaleceriam
meu ministério. Não tinha a menor idéia de que Deus estava prestes a
fazer uma revolução em minha vida.
No entanto, durante os meses que antecederam minha viagem, havia
um clamor e uma oração muito estranha em meu coração. Muitas vezes,
quando me ajoelhava para orar, encontrava-me dizendo: “Senhor, se não
vais trazer outro avivamento, leva-me para ti. Não quero mais viver”.
Todas as vezes que orava assim, tentei repreender minha própria alma,
pois sou casado e pai de três filhos; além disso, meu ministério não
estava indo tão mal. Pensava: Não devo orar destaform a; o Senhor p od e respon­
d erá minha oração!
Evitand o as doze transgressões

Então compreendi que o Espírito Santo estava colocando um peso


por avivamento em meu coração. Sentia uma fome santa por mais de
Deus. John Knox costumava dizer: “Senhor, dá-me a Escócia, senão
morrerei”. Oro para que você deseje o avivamento mais que a sua pró­
pria vida; que anseie mais por ver sua nação inteira sacudida pelo poder
de Deus do que continuar vivendo.
Como tantos outros, eu orava por avivamento, mas não me preparava
para ele. Queria voltar à minha igreja com um relatório sobre os diversos
locais que estavam experimentando avivamento. Então visitei um desses
lugares e exultei ao Senhor pelo que vi. Fiquei empolgado e, no dia
seguinte, saí bem cedo para o norte da Indiana, onde morava a família da
minha esposa.
Dois dias depois, estava em pé, no meio de uma congregação daquele
estado, para saudar os irmãos. Naquela manhã de domingo, outro pastor
fora convidado para pregar e, por isso, eu tinha apenas alguns momentos
no programa. Não era minha vez de pregar ali; para dizer a verdade,
precisava sair logo e correr para outra igreja onde estava escalado para
pregar. Mas o Senhor tinha outros planos.
Depois que concluí minha saudação, o pastor disse: “Vou pedir ao
pastor Sergio que venha à frente um momento. Vamos orar para que o
fogo o acompanhe à igreja onde ele vai pregar agora”.
Alguns jovens começaram a orar calmamente. Estava tudo tranqüilo
e em ordem, e o culto estava prosseguindo normalmente, de acordo com
o boletim da igreja. Fechei os olhos e minha mente não estava no aviva­
mento ou em qualquer outra coisa. Estava com pressa para ir à próxima
igreja e pregar. Mas, subitamente, minhas mãos fechadas começaram a
tremer sem o meu consentimento; não conseguia controlá-las. Em nossa
denominação e, especialmente, no treinamento que recebi de meu pai,
aprendi que sempre precisamos manter o controle enquanto estamos na
plataforma. Permitimos que o Senhor nos use, mas não perdemos o
controle da situação. Nossa preocupação era que, se perdêssemos o con­
trole, o resto da igreja também perderia.
Mas, pela primeira vez em minha vida, estava acontecendo algo comi­
go que fugia ao meu controle. Pensei: Isto é impróprio! Abri os olhos e vi a
congregação diante de mim. Ninguém estava tremendo. Tentei parar o

14
Pre fá c io

tremor. Fechei as mãos com mais força tentando parar aquele movimen­
to, contudo, meu corpo inteiro começou a tremer. Lembro-me de ter
travado os joelhos, deixando-os bem enrijecidos —e, em seguida, de ter
caído no chão.
Algo estranho estava acontecendo e eu disse: “Isto não está certo;
preciso me levan tar” . Estava no chão, trem endo, com pletam ente
incontrolado. Olhei para as pessoas e elas estavam olhando para mim.
Ninguém mais estava orando! O pastor começou a dirigir a congregação
em alguns cânticos. Eu chorava e, no momento seguinte, ria. Senti-me
muito, muito embaraçado, meio atônito, e extremamente feliz —tudo ao
mesmo tempo.
Então falei: “Preciso sair daqui!” Tentei ficar em pé três vezes. Na
terceira, dois recepcionistas me ajudaram. O pastor auxiliar estava ao
meu lado. O pastor da igreja desceu da plataforma e veio até onde eu
estava. Em lágrimas, eu disse: “Pastor, não quero atrapalhar a reunião;
por favor, tire-me daqui”.
Mas ele colocou sua mão no meu ombro e disse: “Você não está
atrapalhando, irmão. Isto é a presença de Deus”. Suas palavras foram
como um bálsamo sobre a minha alma. Eu sabia que, diante de uma nova
manifestação da glória do Senhor, era tão importante a presença de pes­
soas consagradas que pudessem testemunhar a experiência e interpretar
o que havia acontecido.
Finalmente, levantaram-me do chão e me carregaram dali. Pensei que
estivessem me levando para uma sala para eu poder ficar a sós com
Deus. Mas tiveram a péssima idéia de colocar-me num assento da primei­
ra fila! Eu continuava tremendo e, de quando em quando, caía novamen­
te no chão. Alguém me pegava e me colocava de volta no assento. Tentei
controlar-me o máximo que pude, mas quanto mais me esforçava, mais
fortes eram as ondas do Espírito sobre mim. Sentia surtos de poder por
todo o corpo. Sua glória estava ali. Eu não sabia que nome dar àquela
experiência.
Sem falar comigo, alguém foi ao escritório e ligou para o pastor da
outra igreja que estava me esperando para pregar. O recado que lhe
deram foi: “Ao que tudo indica, Sergio não vai conseguir chegar aí hoje
para pregar”. Levei duas semanas para chegar àquela igreja para pregar!

15
Evitando as d o ze transgressões

Entretanto, neste estágio da minha experiência, minha mente ainda


não fora transformada; meus pensamentos não estavam renovados. Meu
corpo estava tremendo e eu sentia as ondas da glória do Senhor. Mas
ainda não sabia o que aquilo significava. A Bíblia fala em milagres, sinais
e maravilhas. Creio que aquela experiência foi um sinal do Senhor para
atrair a minha atenção. E Ele certamente conseguiu! Durante os seis dias
seguintes, fiquei disponível a Ele durante vinte e quatro horas por dia.
Então um irmão aproximou-se de mim e fez uma pergunta um tanto
humilhante: “Irmão, você quer que alguém o leve para casa?”
“Sim ”, respondi, “creio que sim”. Enquanto me levavam para a casa
dos meus sogros, só havia uma oração no meu interior. Como continu­
ava tremendo, chorando e rindo, meu pedido insistente era: “Senhor,
por favor, não deixe que meus sogros me vejam assim ”. Orei para que
eles não estivessem em casa quando chegássemos. Já havia uma certa
“tensão teológica” com meus sogros e não achei que concordariam
com este meu insólito encontro com o Espírito Santo. Também pedi:
“Senhor, não perm ita que isto cause qualquer divisão”. Mas o Senhor
não atendeu ao meu primeiro pedido, para que eles não me vissem
naquele estado.
Quando abrimos a porta da casa, bem ali, diante de mim, estava a
minha sogra e o meu sogro. Eu não conseguia andar muito bem, por isso
estava apoiado sobre o irmão que me levara para casa, quase como se
estivesse embriagado. Estava transpirando e não conseguia falar com
clareza, mas lembro-me de ter dito à minha sogra: “Mãe, estou bem; não
se preocupe, mas por favor não olhe para mim”.
No mesmo instante, minha sogra ergueu as mãos e começou a louvar
e glorificar a Deus. Ela iniciou um jejum de três dias porque sabia que
Deus estava me tocando. Ao dirigir-me ao meu quarto, para minha sur­
presa, ouvi-a dizer: “E disso que precisamos em nossas igrejas!”
O homem que me dera carona começou a explicar-lhes o que havia
acontecido na igreja. Isso me deu a oportunidade de subir para o meu
quarto. Fechei a porta e senti-me muito feliz por estar sozinho. Continuei
tremendo e chorando, sem saber o que estava acontecendo.
Duas horas depois, as manifestações físicas cessaram por completo;
não havia mais tremor, e tudo voltou ao normal. Então disse a mim

16
Pídácio

mesmo: Sérgio, agora você realmente tem o que contar à sua igreja em Lxi Plata.
Pensei que a experiência tivesse acabado.
Já que estava “normal” outra vez, desci para explicar aos meus sogros
o que acontecera. Antes que eu conseguisse, porém, minha sogra pôs um
prato de comida na minha frente e disse: “O Senhor não é maravilhoso?”
No momento em que falou estas palavras, senti a glória dele vindo sobre
mim novamente. Caí para trás e comecei a tremer. Mais uma vez, arrastei-
me pelas escadas até meu quarto!
Precisava confirmar com outro pastor daquela região se pregaria ou
não em sua igreja, mas não conseguia sequer fazer uma ligação. Orei:
“Senhor, se esta experiência provém de ti, por que não estou conseguin­
do fazer a tua obra? Eu devia estar mais ocupado que nunca”. Sobre a
minha escrivaninha estava uma lista de coisas a fazer. A passagem de
avião que havia comprado para ir àquela igreja custara caro, por isso senti
que devia voltar ao trabalho. Fiquei olhando para minha lista, enquanto
ela “olhava” de volta para mim. Queria estar ocupado na obra do Senhor,
mas não conseguia entender que o Senhor tinha um plano diferente para
mim. Ele não estava preocupado com a minha agenda; Ele a fez em
pedacinhos!
Passei seis dias na presença do Deus Todo-poderoso, chorando e
clamando no quarto de hóspedes da casa de meus sogros. Quando acha­
va que estava normal, vestia meu terno e me arrumava. Antes de tocar a
maçaneta da porta, o poder de Deus vinha sobre mim e me jogava no
chão, de tal forma que não conseguia me levantar. Às vezes, permanecia
ali durante horas sem conseguir ficar de pé.
No dia seguinte ao de minha experiência naquela igreja, a presença do
Senhor foi ainda mais poderosa. Por volta das sete da manhã, comecei a
passar minha camisa, porque queria fazer algo para Deus. Só consegui
terminar de passar a camisa perto das três da tarde. Entre minhas tentati­
vas, a glória do Senhor inundava o quarto, eu caía no chão e o adorava.
No momento, não conseguia entendia o que estava acontecendo, mas
algum tempo depois eu viria a entender que estava experimentando um
encontro com o fogo da santidade cie Deus.
joão Batista explicou este fenômeno claramente em Mateus 3.11:

17
r .v íta iu J o ns <lo/.c tr:m.sj> r e s s o e s

Eu os batizo com água para arrependim ento. Mas depois de m im vem


alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar
as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.

Deus não é igual a nós —Ele é mais poderoso. E por esse motivo que
não consegue encaixar-se nos nossos velhos padrões religiosos. É por
isso que não podemos experimentar um novo derramamento do seu Es­
pírito em nossas vidas e, ainda, manter os mesmos odres velhos. Para
o Espírito poder descer sobre nós, precisamos de odres novos. Se o
Espírito Santo vier enquanto você ainda está preso aos seus próprios
caminhos e padrões, o odre velho será quebrado. Mas odres novos são
diferentes porque são elásticos.
M uitos dizem: “Recebi o Espírito Santo há quinze anos”. Creio
que o Espírito Santo vem aos nossos corações no momento em que
recebemos Jesus. Este é o início. A sua presença está conosco. Não
poderíamos ser cristãos sem o Espírito Santo. Mas, de alguma forma,
temos conseguido separar o batismo com o Espírito Santo do fogo do
Espírito.
Durante aqueles dias, senti muitas ondas do Espírito vindo sobre a
minha vida, mas minha mente só foi transformada depois do terceiro
dia sob a ação deste fogo do Senhor. Naquele dia, tudo mudou. Acor­
dei e havia uma espécie de tristeza no quarto. Aquela mesm a presença
divina que, no dia anterior, afagara-me com seu amor, agora me rejeita­
va e se aproximava de mim com tanta força e, ao mesmo tempo, com
tanto perigo.
Naquela manhã, a santidade de Deus estava tão próxima e tão in­
tensa em meu quarto que tive medo. Comecei a me afastar. Andei para
trás até encostar-me na parede; depois pensei: O que estou fazendo? Esta
é a presença do Senhor; não posso me esconder dela. Orei: “Senhor, por favor,
já chega”. Era a primeira vez que orava desta forma. Estava tão assus­
tado que disse: “Senhor, não sei se consigo suportar mais. Tu és santo
demais”.
Continuei: “Senhor, o que é isto? Eu sei que há alguma coisa errada.
Por favor, tem misericórdia de mim; não me mate aqui”. Naquela tarde,
saí do quarto para dar uma volta no jardim. De repente, o poder de Deus

18
Prdáí ío

veio sobre mim e caí de joelhos no chão. Foi algo tão imprevisível e tão
rápido que desatei em lágrimas no mesmo instante. Então, o Espírito
Santo começou a mostrar-me quadros da minha vida onde havia pecado
—questões ainda não resolvidas.
Eu nasci e fui criado num lar cristão. Mesmo durante meus primeiros
anos de vida, meus pais costumavam ler a Bíblia para mim. Ensinaram-
me os caminhos do Senhor. Mas, naquele dia, Deus começou a tratar
com o que eu chamava “pecados evangélicos” —coisas que achava que
não o incomodavam. Havia acreditado numa mentira do Diabo, segundo
a qual sempre teremos uma porcentagem de pecado voluntário em nós.
Naquele dia, o Espírito Santo estava me resistindo. Não estava mais mc
afagando.
Enquanto estava ali, no chão, o Senhor me mostrou muitas coisas
específicas que não estavam certas em minha vida. Antes, pensava que o
tempo as eliminaria porque não eram importantes. Mas Deus me fez
lembrar que, para Ele, “pecadilhos” ainda são pecados. Todo pecado é
nocivo e destrutivo. Lembranças de ocasiões em que endurecera o cora­
ção contra um irmão surgiram na minha mente. Dava para ver até o lugar
onde o incidente havia acontecido. Jamais o tratara mal, mas, secretamente,
decidira não me aproximar mais dele. O Senhor também me fez lembrar
das vezes em que fixara meu olhar por tempo demais em imagens que
não lhe agradavam.
Ainda ali, deitado no chão, comecei a chorar por meus pecados. Esta­
va tão contrito que comecei a me sentir mal, como se uma febre estives­
se dominando meu corpo. O Espírito Santo estava falando comigo e,
agora, minha mente já começava a entender o que o Senhor queria fazer
comigo. Lembrei-me do verso: “A ssim, porque você é morno, não ê frio net?i
quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca’’ (Ap 3.16).
Levei um choque. “Senhor, estou no ministério há anos. Sou um
pregador da tua Palavra. Jejuei na semana passada e oro todos os dias.
Como pude ser tão enganado? Por que nunca notei estas coisas em mi­
nha vida?”
O Senhor respondeu: “Gostaria que você fosse frio como um incré­
dulo, para que pudesse salvá-lo outra vez, ou quente como um cristão
que entregou 100 por cento de sua vida a mim. Então poderia usá-lo do

19
Evitan d o as doze transgressões

meu modo”. Então, Ele prosseguiu respondendo à pergunta sobre por


que nunca antes tinha visto estas coisas: “O coração do homem é mais
enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável”. Estava
aterrorizado; naquele momento, ainda não conseguia crer. Então o Se­
nhor falou outra vez ao meu coração e disse claramente: “Noventa e oito
p o r cento de santidade não é o bastante”.
Em certo sentido, acabara de descobrir que era o pior fariseu do
mundo. Fui criado numa igreja cristã. Meu objetivo era ser razoavelmen­
te santo, ter um bom padrão, passar no exame com 80 por cento de
aproveitamento, ou com média B. Mas o Senhor tinha outras exigências.
Ele me repreendeu por minha justiça própria e expôs a mentira do
meu coração. Então compreendi meu maior erro: não estava tentando ser
como Jesus; estava apenas tentando ser razoavelmente bom. Naquele
momento, senti que toda a minha religiosidade, toda a minha disciplina
eram como trapos imundos em sua presença. Antes dessa experiência,
não pensava que o Senhor me chamara para ser uma pessoa razoavel­
mente boa - sabia que fora chamado para ser como Jesus. Na semana
anterior à minha viagem aos Estados Unidos, havia jejuado e orado bas­
tante e estava me sentindo muito bem espiritualmente. Senti como se
tivesse 90 por cento ou mais de santidade em minha vida. Agora, enten­
dia que tal porcentagem não era suficiente.
As vezes, permitimos que pecados aparentemente pequenos entrem
em nossos corações. Mas precisamos nos perguntar: “O Senhor vai per­
mitir que entremos com quantos pecados no céu? Que porcentagem de
mal você acha que Ele vai permitir que levemos conosco quando o dia
do Senhor chegar? Quantos ídolos levaremos conosco ao céu?” Se qui­
sermos ser como Jesus, toda atitude de aquiescência em relação ao peca­
do deve ser confrontada e derrotada.
Enquanto estava em sua presença, Deus falou comigo usando pala­
vras que até uma criança pudesse entender. Naquele momento, não seria
capaz de entender algo mais complexo que isso. Ele me disse: “Ninguém
se levanta pela manhã e prepara uma xícara de café ou chá e, depois,
adiciona apenas uma gota de veneno, mexe e toma”. Então Ele começou
a falar comigo a respeito da igreja: “Há pessoas na igreja que permitem
veneno em seus corações e mentes, e isto os está destruindo. Ninguém

20
IVel í<k>

compraria uma garrafa de água mineral se lesse no rótulo: ‘98% —água


mineral pura; 2% —água de esgoto’. No entanto, é exatamente isto que
muitos cristãos estão permitindo em suas vidas”.
Muitos se perguntam: P orque o poder de Deus e a fo rça do Senhor se esvaem
tão rapidamente em minha vida? Talve£ eu seja um fracassado, ou talve^ isso acontece
porque não recebi treina?nento. Posso afirmar a você que até mesmo se hou­
ver 1% de pecado voluntário em nossas vidas, esta pequena quantia
pode eventualmente destruir por completo nossa devoção a Deus.
Chorei, confessei e me arrependi. O Senhor me mostrou pecados
específicos em minha vida. Ele não falou de forma genérica; Ele foi
dolorosamente específico.
Satanás exerce um ministério falso na igreja. Seu ministério é trazer
culpa e condenação. A Bíblia nos diz que ele é o acusador dos irmãos.
Hle vem e nos dá uma sensação geral de culpa. Ele nunca nos ajuda a
resolvê-la. O resultado final é só nos levar a sentir mal. Há alguns líde­
res, obreiros e servos do Senhor no ministério que, de coração, estão
fazendo o melhor que podem, entretanto, continuam sendo torturados
pela culpa. Antes de pregar, eles precisam dar um jeito de se livrar
daquela culpa por mais ou menos uma hora, mas depois tudo volta nova­
mente. Este não é o ministério do Espírito Santo.
O ministério do Espírito é trazer convicção de pecado (João 16.8).
Ele fala direta e especificamente, e sua Palavra é clara a nós. Ele nos diz
o que está errado em nossos corações, pensamentos e afeições, e exige
arrependimento. Ele quer transformar as nossas vidas. Esta é a obra do
Espírito Santo. E muito diferente da obra de Satanás.
Satanás vem para destruir vidas, para levar ministérios inteiros à de­
pressão e solidão. Há pessoas que dizem: “Espero que ninguém des­
cubra como é a minha vida pessoal”. Mas vou lhe dizer uma coisa: quan­
do o Espírito Santo vier sobre a sua vida, você dirá com o apóstolo
Paulo: “Minha consciência está limpa”. Sua vida será purificada por cau­
sa de Jesus. Como precisamos desesperadamente deste fogo!
Naquele dia voltei para meu quarto e, pouco a pouco, comecei a
recuperar a alegria do Senhor. Em vez de voltar ao mesmo lugar de
sempre, havia mudado para um novo endereço. A alegria do Senhor
estava naquele quarto.

21
Evitando as do/.e transgressões

Não estou contando meu testemunho apenas para relatar algo que
está acontecendo no outro lado do mundo. Estou contando porque sei
que o Senhor também quer imprimir em sua vida o mesmo que Ele me
deu —o fogo da sua santidade. Ele quer derramar este fogo sobre sua
igreja neste momento crucial da história humana.

O Que aprendi sobre santidade

Moisés, Josué, Elias, Davi e Pedro —que semelhança podemos encontrar


na vida de cada um destes líderes da Bíblia? Talvez a imensa fé que eles
—e outros líderes bíblicos —exibiram durante suas vidas de compromis­
so com Deus. Talvez, você diria que foi o grande impacto que cada um
deles teve em sua nação - e nos cristãos de hoje.
Mas há outro laço que une estes homens, um laço compartilhado por
outros como Eli, Jacó, Sansão, Saul, Salomão, Jonas e o jovem rico a
quem Jesus mandou vender tudo que possuía. E o laço da transgressão!
Cada um destes líderes sentiu a dor de falhar diante de Deus, por causa
de um pecado cometido num momento de desobediência ao Senhor que
amavam e serviam.
Estes homens não eram maus. Cada um foi chamado por Deus para
conduzir seu povo à justiça. Entretanto, alguns desses líderes foram
destruídos por seu pecado; outros se arrependeram a tempo. Cada um
deles pagou um alto preço por sua transgressão. E seus fracassos ser­
vem como sérias advertências para nós hoje.
Quando o Senhor chamou minha atenção para os relatos bíblicos
desses servos de Deus, comecei a indagar por que estas transgressões
foram incluídas na história dos seus feitos para Deus durante sua vida na
terra. Nenhum de seus pecados está na Bíblia apenas para nos entreter.
Ao contrário, as Escrituras dizem que estas coisas foram incluídas para
nos encorajar e admoestar. Deus incluiu estas histórias, não para nos
desencorajar, mas para proteger seu povo de cair nas mesmas armadilhas
(veja 1 Coríntios 10.11).
Tantos cristãos dedicados lutam muito para conseguir viver em
obediência a Deus. Quando meditei sobre a luta que enfrentam os

22
1’relácio

para obedecer, percebi que nosso maior problema não é a incapacida­


de de guardar os Dez Mandamentos. Nosso maior problema, como
vou expor neste livro, é evitar estas coisas que estou chamando “As
Doze Transgressões”.
Creio que um tremendo avivamento espiritual está se aproximando.
Em algumas partes do mundo, já começou. Talvez seja o maior aviva­
mento já registrado na história da humanidade. É um avivamento de
santidade combinada à unção e aos dons do Espírito Santo. Deus está
fazendo algo novo e sem precedentes na terra.
Muitas vezes, quando digo às pessoas que Deus está trazendo um
avivamento de sua santidade, elas o associam a algo severo e negativo.
Quando falo de santidade, imaginam que estou falando sobre viver de
acordo ao conjunto legalista de regras humanas, que diz respeito a vestu­
ário e cortes de cabelo. Pensam assim porque, em tempos passados, a
igreja infelizmente definia santidade como não fumar e não participar de
entretenimento mundano.
Isto não é a verdadeira santidade! A Bíblia não define santidade como
o esforço humano para viver de acordo a certas regras ou normas criadas
por ele mesmo. Na realidade, a verdadeira santidade é uma obra interior
do Espírito Santo no coração de um cristão. Somente Deus pode nos
tornar santos, e Ele está mais interessado em moldar nossas atitudes e
nos libertar de nossos desejos errados do que em nos conformar a algum
código humano de conduta. Ele quer formar Cristo em nós! E esta obra
de refinamento só pode ser realizada por seu Espírito.
Deus, em sua misericórdia, coloca seus braços ao redor de sua igreja
e lhe diz: “Quero proteger você. Não quero que você continue caindo.
Não quero mais vítimas feridas —baixas de uma guerra espiritual. Não
quero que meus servos se machuquem. Eu os amo e sofro quando se
corrompem pelo pecado”.
Oro para que através dessa obra você seja encorajado e desafiado a se
levantar para uma nova posição em Deus. Não escrevi este livro com a
atitude de alguém que pensa ter “chegado lá”, ou que não se considera
sujeito a cair nestas doze transgressões. Sou um de vocês. Choro quando
vocês choram, e me alegro quando se alegram. Não afirmo ter alcançado
a perfeição, mas o Senhor tem me ensinado a andar no “caminho da

23
t.vita n d o as d o z e triin.s^re.vNÕes

santidade” conforme Ele me capacita. Meu desejo para vocês, queridos


co-obreiros no Reino de Deus, é que possam olhar nos olhos de Jesus
sem culpa ou pecado oculto e ouvi-lo dizer: “Muito bem, servo bom e
fiel!”
Espero que você permita que este livro o ajude a evitar diversas
ciladas espirituais em sua vida, e que ele abra a porta para uma empolgan­
te e frutífera vida de santidade. Oro para que o Santificador, o Espírito
de Deus, descrito em Hebreus 12.29 como um “fogo consumidor” o
visite —e o transforme à sua imagem.

24
As doze transgressões: lima sinopse

t f" ) m 2000, mudei com minha família da Argentina para os Estados


Unidos, onde adquirimos uma casa. Como não se tratava de um
imóvel novo, decidimos aceitar as inspeções que a imobiliária
estava oferecendo, a fim de verificar as condições gerais da casa.
Os corretores nos sugeriram uma inspeção para gás radônio. “Sim,
quero uma inspeção quanto a este gás”, disse ao corretor.
“Você sabe o que é isso?” minha esposa, Kathy, perguntou, olhando
para mim surpresa.
“Apenas ouvi o corretor dizendo que é um tipo de gás perigoso que,
às vezes, é encontrado nas casas”, respondi. “Ele disse que não é bom
para as pessoas, por isso precisamos da inspeção.” O gás radônio é invisí­
vel e inodoro, mas pode causar problemas nos pulmões e câncer.
“Mas vamos ter de pagar por isso”, advertiu-me Kathy.
Decidi fazê-la mesmo assim, só por via das dúvidas. Após vários dias
de testes, descobrimos que o nível de gás radônio no porão estava muito
alto, especialmente sob certas condições climáticas. Fiquei triste em sa­
ber que aquele gás estava presente na casa, mas feliz por termos realiza­
do os testes antes de entrar nela. Isso nos permitiu identificar e solucio-
E v ita n d o :ts d o z e tra n s g re s s õ e s

nar aquele problema invisível. O problema foi resolvido com a instala­


ção de um medidor permanente que controla o nível do gás, além de
uma tubulação exaustora que o expele da casa.
Muitas vezes a Bíblia funciona como aquele teste para gás radônio.
Ela sonda áreas escondidas que não vemos em nossas vidas. Podemos
estar completamente inconscientes da presença de uma atitude potenci­
almente destrutiva, um hábito pecaminoso, ou algum desejo contrário à
Palavra. Então, de repente, Deus nos diz: “Teste isso. Verifique a exis­
tência deste mal. Preste muita atenção aos seus passos. Vou guiá-lo, mas
você precisa estar atento”.
Neste livro descrevo doze transgressões invisíveis que foram sérios
obstáculos ao povo de Deus, desde que o pecado entrou no mundo. Não
queremos que esses erros impercebidos ou pecados invisíveis envene­
nem nossos casamentos, nossas vidas ou nossos lares. A Bíblia diz:

C om o fonte contam inada ou nascente poluída, assim é o justo que


fraqueja diante do ím pio (Provérbios 25.26).

Queremos a pureza do céu em nossas mentes e em nossos corações.


Embora ainda estejamos na terra, o carimbo cm nosso passaporte diz:
“Celestial”. Somos cidadãos dos céus (Fp 3.20). Somos chamados a viver
sob um diferente código de regras.
Tenho duas cidadanias. Sou argentino por nascimento e americano
por escolha. No meu país, você não perde sua cidadania quando se torna
cidadão de outra nação. Viajo com os dois passaportes e, quando passo
pela alfândega de outros países, uso qualquer um dos dois. Entretanto,
sei que há regras e leis diferentes nos dois países.
Da mesma maneira, se você nasceu de novo, possui duas cidadanias.
Você tem o passaporte de seu país, mas também tem o passaporte do
Reino celestial. A cada dia aprendemos mais e mais sobre as regras, os
mandamentos e as normas do Reino dos céus.
Não quero atrasar o mover de Deus em avivamento pelo mundo (e
sei que você também não o quer), pelo simples fato de atrasar minha
obediência a Ele. E por este motivo que é tão importante expormos e
erradicarmos estas doze transgressões nas nossas vidas.

26
nUodtit.ao

Por Que o avivamento não vem?

Muitas vezes refletimos sobre nosso mundo, nossos vizinhos e nossas


próprias vidas e nos perguntamos: Como pode haver um avivamento ? Minha
ddade não está sendo transformada para Cristo. Vidas não estão sendo transformadas
nem tocadas. 0 que está impedindo um poderoso mover de Deus? Muitos estão
esperando um avivamento que toque cada parte da sociedade. No entan­
to, tal avivamento parece fugir de nós. Por quê?
Avivamento é a renovação da igreja. Também é o despertamento de
incrédulos e a reforma da sociedade. Quando Deus age com seu as­
sombroso poder, a luz da sua Palavra prevalece contra as trevas. Sem­
pre que ocorre um genuíno avivamento num país, mais cedo ou mais
tarde a história desse país é transformada. Não somente a igreja é reno­
vada —cidades e nações inteiras são envolvidas com os braços do Es­
pírito Santo.
Alguns parecem ter dificuldade em crer que isso é possível. Quero
encorajar esses cristãos com um exemplo bíblico. Quando Jonas levou a
palavra do Senhor à cidade de Nínive (Jonas 1-4), a cidade inteira foi
impactada. Os ninivitas proclamaram um jejum, e todos jejuaram —inclu­
indo os animais. Como resultado, Deus reteve seu julgamento e sua mi­
sericórdia prevaleceu.
O primeiro avivamento descrito no livro de Atos mudou a história do
planeta. O avivamento que promete abalar esta geração também transfor­
mará o mundo inteiro. Mas o ponto fundamental é este: pa ra que este
avivamento comece dentro da igreja, precisamos primeiro ser purificados de nossas
transgressões.
Quais são as doze transgressões? O Senhor gerou estes princípios
em meu espírito a fim de que eu pudesse encorajar a igreja a vencer
totalmente o pecado e a viver “com glória cada vez maior” (2 Co 3.18).
Em cada capítulo apresento as conseqüências da desobediência à vonta­
de divina e como personagens bem conhecidos da Bíblia permitiram que
tais pecados os enredassem. Mostro também como Deus pode ajudá-lo a
transformar seus fracassos num testemunho de sua maravilhosa graça.
Examinemos então estas doze transgressões.

27
EvUanclo :is d o / e I r a n s g r c . v s õ e s

!. Quando a fraqueza se torna pecado


Podemos observar a tragédia desta transgressão demonstrada na vida de
Eli, o sacerdote cujos próprios filhos se apartaram do Senhor. Eli sabia
que seus filhos viviam em pecado, porém foi fraco demais para fazer
alguma coisa em relação a isso. Eli acabou morrendo tragicamente —tal
como seus filhos —apesar de ter servido a Israel durante quarenta anos
no sacerdócio.

2. Usando meios carnais a fim de obter bênçãos divinas


Embora jacó tivesse recebido a promessa de uma bênção no momento
de seu nascimento, usou seus próprios artifícios a fim de tomar a bênção
de seu irmão. Como é trágico, hoje, ver tantos cristãos no Corpo de
Cristo pensando que podem manipular a Deus ou a seus amigos para
obter seus desejos carnais.

3. Carisma sem caráter


Sansão é um exemplo de um homem que tinha um claro chamado de
Deus em sua vida, além de um poder espiritual fora do comum. No
entanto, por não ter um caráter santificado, sua transgressão custou-lhe a
visão e, por fim, a vida. Esta triste história nos ensina que habilidades
físicas e espirituais não substituem a necessidade de integridade interior.

4. Usando ira piedosa de forma impiedosa


Moisés nos deu um exemplo desta transgressão. A primeira vez que os
filhos de Israel se queixaram de falta de água, Deus disse a Moisés que
batesse na rocha. Ele bateu na rocha e saiu água. A segunda vez que
pediram água, Deus disse a Moisés que falasse à rocha, mas ele a golpeou
com fúria. Surpreendentemente, saiu água da rocha, mas por causa da sua
ira e obediência parcial, ele perdeu o privilégio de entrar na terra prome­
tida. Quantos líderes hoje têm frustrado a graça de Deus por usar
indevidamente sua autoridade desta forma!

5. Entregando-se à desilusão
Elias derrotou os 450 profetas de Baal no monte Carmelo e viu o fogo
do avivamento de Deus descer diante de toda uma nação. Contudo, após

28
Iniíu i luçãu

estc episódio, entregou-se a uma profunda depressão. Sucumbiu a um


obstinado espírito de desânimo e, embora Deus tenha renovado seu
espírito, Elias foi instruído a ungir seu próprio sucessor. Com muita
freqüência, somos tentados a alimentar pensamentos de desânimo e até
de suicídio. Mas se estamos caminhando na verdadeira santidade, não
vamos permitir que esta negatividade governe nossos corações ou roube
nossa alegria cm Cristo.

6. O pecado da presunção
Logo depois de sua grande vitória em Jericó, Josué, comissionado por
Deus para conquistar a terra prometida, levou seu exército para uma
batalha contra a cidade de Ai - onde os israelitas foram completamente
derrotados. Sem saber do pecado oculto no acam pam ento,Josué pensa­
va que Deus lhes daria a vitória. Muitas pessoas lutam com ira interior,
por causa de uma experiência semelhante. Não entendem por que Deus
permitiu que fracassassem. Talvez, foi porque existia pecado oculto no
seu acampamento, e acharam que não havia necessidade de sondar seus
motivos e desejos. Não importa quantas vitórias você tenha experimen­
tado no passado. Uma derrota inexplicável sem pre vo ltará para
atormentá-lo.

7. Permitindo que a insensatez se transforme em pecado


O rei Saul tornou-se uma vítima do seu próprio chamado porque preci­
pitou as coisas. Incapaz de esperar pacientemente que o profeta Samuel
oferecesse o sacrifício ao Senhor, Saul decidiu agir por conta própria c
ofereceu, ele mesmo, o sacrifício. Por conta da sua pressa insensata e
carnal, Saul foi rejeitado como rei e seu reino foi destruído.

8. Falhando em estabelecer limites


Davi abrigou pecado oculto em sua vida. Após algum tempo, este peca­
do tornou-se oculto até para sua própria consciência! Foi preciso que
outra pessoa, o profeta Natã, despertasse o rei para a realidade de seu
pecado. Apesar de ser um pecado oculto, Davi ainda sofreu as conse­
qüências dele. Durante este processo, ele saiu de uma condição de peca­
do impercebido para um estado de convicção de pecado e, por fim, de
arrependimento genuíno.

29
Evitand o as doze transgressões

9. Distrações fatais
0 principal pecado que destruiu o relacionamento de Salomão com Deus
não foi a imoralidade sexual. Seu principal pecado foi este: Salomão
ignorou o aviso de Deus de cjue sua união com mulheres estrangeiras
faria seu coração inclinar-se aos ídolos pagãos. Tal como aconteceu com
Salomão, há distrações em nossas vidas que, com o tempo, inclinarão
nossos corações para o mal. Se não formos vigilantes, estas distrações
vão nos destruir.

10. Servindo a Deus com relutância


Jonas foi chamado a pregar na cidade de Nínive, mas não queria ir. Atra­
vés da intervenção sobrenatural de Deus, Jonas finalmente foi convenci­
do de que deveria ir. Ele deixou de ser desobediente para tornar-se um
servo relutante. Ele foi até Nínive contra a vontade. Seus pés estavam
ali, mas seu coração não. Quando nossos corações não acompanham
nossa obediência, inevitavelmente, acabaremos frustrados. Muitas vezes,
pensamos que estamos “fazendo um favor a Deus” por obedecê-lo, mas
a verdade é que estamos arrastando os pés o tempo todo - e atrapalhan­
do seus propósitos com nossas queixas!

1 1. Temendo mais o homem do Que a Deus


Pedro se preocupava mais em agradar o homem, e suas ações revelaram
este erro. Quando esteve com os gentios, demonstrou-lhes aceitação.
Contudo, quando posto contra a parede por legalistas religiosos, recu-
sou-se a estar com os gentios. Seu temor o levava a ter duas caras. Era
difícil para ele retratar a verdade. Sua hipocrisia influenciava outros e
comprometia sua integridade. Aqueles que temem os homens passam a
agradá-los. Se esta atitude tiver lugar em nossos corações, vamos acabar
tropeçando.

12. Recusando-se a abrir mão do último ídolo


A última transgressão sempre vem na forma de um ídolo. No Novo
Testamento, um líder jovem e bem-sucedido encontrou-se com Jesus a
fim de lhe fazer algumas perguntas sobre a vida eterna. Seu currículo
religioso era impecável, contudo, o Senhor o sondou além de seu statits

30
Introdução

religioso e encontrou um ídolo em seu coração. Obediência externa não


é o bastante. Precisamos sempre identificar e erradicar aquela área que
ainda ficou, onde continuamos nos recusando a seguir a Cristo.
Cada um desses líderes bíblicos falhou com Deus numa área de
obediência —tal como todos nós já fizemos. Mas, à medida que come­
çarmos a examinar de perto cada uma dessas transgressões, quero que
você descubra as chaves para vencê-las, a fim de poder experimentar a
graça de Deus, capacitando-o a viver uma vida de santidade. Pelo poder
do Espírito Santo que habita em sua vida, você pode vencer o fracasso
da transgressão e tornar-se um precursor de avivamento em sua comu­
nidade.

31
/
A transgressão de Eli:
Quando a fraoueza se torna pecado

ano de 1999 foi um ano de sucessão presidencial na minha terra


natal da Argentina. Após dez anos de governo peronista, o povo
decidiu apoiar outro partido —o partido Radical. Fernando de la
Rua, candidato dos radicais, foi eleito presidente. Obviamente, ele assu­
miu o governo na condição deixada pelos peronistas. O país estava numa
situação bastante delicada. Durante o período em que o peso permane­
ceu artificialmente equiparado ao dólar, o país acumulou uma dívida
externa de mais de 100 bilhões de dólares. Diversas companhias estatais
foram privatizadas, entre elas, empresas de telefonia, aviação, transporte
ferroviário e petróleo.
De la Rua poderia ter obtido êxito. Não havia vestígios de corrupção
em sua vida pública e, como presidente, tinha intenções muito boas para
o país. Mas a sua falta de resolução e a ausência de medidas e estratégi­
as sensatas corroeram a confiança dos argentinos. Quando o povo per­
cebeu que o presidente não estava proporcionando uma liderança sóli­
da para o país, que a economia começava a se deteriorar, e que o de­
semprego estava aumentando, sua desilusão transformou-se cm deses­
pero. Não demorou muito, o povo frustrado saiu às ruas para protestar,
o que resultou na morte de 27 pessoas. O governo bloqueou as contas
Evitand o as d oze transgressões

bancárias da população. Multidões do lado de fora das agências exigiam


que o governo mudasse sua política. Após somente dois anos de man­
dato, o presidente De la Rua foi forçado a renunciar. Fugiu do palácio
presidencial num helicóptero. Sua fraqueza política custou-lhe a presi­
dência.
Neste capítulo vamos examinar um líder bíblico que enfrentou um
dilema semelhante. Vamos aprender que nossas boas intenções não vão
nos justificar se formos irresponsáveis.

O problema de Eli: Aouiescendo com o pecado alheio

Em 1 Samuel 2, encontramos a história de Eli, um líder que guiou o


povo de Israel durante quarenta anos. De um modo geral, ele era um
bom homem. Não vivia em adultério nem roubava as ofertas do templo.
Sabemos pelas Escrituras que ele era um homem pacífico. Entretanto,
terminou seus dias em tragédia.
Eli foi um bom homem que fracassou. Por que isso aconteceu? Em 1
Samuel 2 lemos também a respeito dos filhos perversos de Eli, que não
respeitavam o Senhor:

Eli, já bem idoso, ficou sabendo de tudo o que seus filhos faziam a
todo o Israel e que eles se deitavam com as mulheres que serviam jun­
to à entrada da Tenda do Encontro. Por isso lhes perguntou: “Por que
vocês fazem estas coisas? D e todo o povo ouço a respeito do mal que
vocês fazem ”.
- I Samuel 2.22, 23

Ao que tudo indica, quando Eli tomou conhecimento dos atos peca­
minosos de seus filhos, em vez de repreendê-los com rigor, deu-lhes
apenas “um tapinha na mão”:

Não, meus filhos; não é bom o que escuto se espalhando entre o po vo


do S enhor. Se um hom em pecar contra outro hom em , os juizes p o ­
derão intervir em seu favor; mas, se pecar contra o S enhor, quem in­
tercederá p o r ele?
- 1 Samuel 2.24, 25

34
A transgressão de Eli: Quando a fraqueza se lorna pecado

Mas, apesar da branda repreensão de Eli, seus filhos não deram ouvi­
dos ã correção de seu pai. Seus corações já estavam endurecidos.
Embora tivesse boas intenções, Eli foi fraco ao tratar com o pecado
na vida de outros. Ele tinha o manto e o chamado para guiar Israel. Ele
parecia estar na posição certa. Contudo, sua tolerância para com o peca­
do tornou-se sua ruína.

Os três erros de Eli

Eli não teve força moral para lidar de maneira severa com a impiedade de
seus filhos. Por sua própria fraqueza, ele incorreu em três erros. Estes
três erros tiveram um forte impacto na eficácia de sua liderança, não
somente sobre seus filhos, mas também sobre a nação de Israel. Estes
erros irão abalar a liderança de qualquer pessoa que se recuse a tratar
com rigor a impureza na vida de seus liderados. Precisamos evitar estes
erros a qualquer preço.

1. Ele era tolerante demais


Eli permitiu homens imorais em seu ministério. Hofni e Finéias estavam
servindo no templo e, no entanto, mantinham relações sexuais na entrada
da tenda do encontro! Suas consciências estavam tão cauterizadas que
cometiam fornicação à vista de Deus e de seu povo! O erro de Eli foi ter
tolerado isso. Há um momento em que o servo do Senhor precisa exer­
cer correção.

2. Ele era tímido demais


A Escritura diz que Eli era “bem idoso” (1 Sm 2.22). Precisamos tomar
cuidado com os pecados da velhice. Talvez Eli pensou que estava idoso
demais e cansado demais para repreender seus filhos ímpios e indepen­
dentes de forma enérgica. Talvez eles tratavam seu velho e debilitado
pai de modo agressivo.
A idade realmente traz fraqueza física, mas não precisa trazer fraque­
za espiritual. A velhice deve ser um tempo de grande maturidade espiri­
tual. Ao enfrentar esta situação de forma temerosa, Eli revelou sua pró­
pria falta de maturidade espiritual. Como é trágico ver um homem de

35
Evitand o as d oze transgressões

Deus falhando de forma tão lamentável no final de sua vida, simples­


mente por ter permitido que sua debilidade física o desqualificasse.

3. Ele demorou demais


Quando Eli finalmente se deu ao trabalho de repreender seus filhos,
estes não lhe deram ouvidos. Era tarde demais para tentar corrigir a
impiedade de seus filhos. Talvez Eli pensasse que por serem filhos de
um sacerdote, e por terem crescido perto do templo, seus filhos serviam
a Deus fielmente. Sem dúvida, a falha de Eli foi de não ter exigido
obediência de seus filhos quando estes ainda eram garotos —muito antes
de entrarem no sacerdócio e começarem a escandalizar a nação com sua
maldade. O pecado dos filhos de Eli era tão grande que as Escrituras
nos dizem que o Senhor queria matá-los (v. 25).

Lições vitais sobre autoridade espiritual

Responsabilidade e autoridade são tão importantes que Deus pedirá con­


tas de todo irresponsável. Aqui estão oito lições que poderão beneficiar
a todos nós:

I . Os líderes prestarão contas a Deus


Não há dúvida de que os filhos de Eli eram homens ímpios. As Escritu­
ras dizem que eles “não se importavam com o S e n h o r ” (1 Sm 2.12). Eles
eram imorais. Estavam envolvidos em pecados escandalosos. Contudo,
Deus disse a E/i: “Por que vo cês %ombam de meu sacrifício e da oferta que
determinei para a minha habitação?” (v. 29, ênfase acrescentada).
Os pecados que Eli tolerava tornaram-se seus! Evitar esta transgres­
são não significa impor o cristianismo aos nossos filhos, mas será preciso
afastar homens ímpios do ministério quando isso depende de nossa auto­
ridade —e mesmo quando se tratar de nossos próprios filhos. Em outras
palavras, se quisermos evitar esta transgressão, teremos de acertar a situ­
ação diante de Deus quando coisas erradas estiverem acontecendo den­
tro de nossa esfera de responsabilidade.
Conheço pastores que empregam seus filhos adultos como parte da
equipe de suas igrejas. Tal experiência pode ser maravilhosa, é claro. Mas

36
A transgressão de Eli: Quando a íraoueza se lorna pecado

há casos em que os pastores fazem vista grossa aos pecados de seus


filhos, simplesmente porque querem protegê-los ou proteger a reputa­
ção de sua família. Isto é trágico, pois a falta de disciplina bíblica permi­
tirá que o pecado se alastre como um câncer nestas igrejas.
Um pastor não tem como evitar que um de seus filhos se torne
imoral, mas pode evitar que este filho permaneça em uma posição de
ministério. Esta mesma regra se aplica quando a pessoa envolvida não é
seu filho. Um líder espiritual não deve tolerar pessoas imorais em seu
ministério —mesmo quando se trata daquelas que dão dízimos vultosos,
que são pessoas influentes na igreja, com muitos anos de conversão, ou
parentes.

2. Deus não aceita o segundo lugar


Deus perguntou a Eli: “Por que você honra seus filh os mais do que a m im ?” (v.
29). Deus não aceita estar em segundo plano. Ele quer ser o primeiro.
Ele nos diz isso claramente: 'Pois o S enhor, o seu Deus, ê Deus %eloso; éfogo
consumidor” (Dt 4.24).
Ao deixar de lidar com a impiedade de seus filhos, Eli estava colo­
cando seus desejos, vontades —e pecados —acima da vontade e dos
mandamentos de Deus. Nunca devemos permitir que aquilo que é preci­
oso para nós —o que inclui nossos próprios filhos —tenha precedência à
vontade de Deus. Isto é idolatria.

3. Deus tem o direito de voltar atrás em suas promessas


Muitas das promessas de Deus vêm com uma etiqueta de preço — a
nossa obediência. Embora Deus tivesse prometido a Eli que sua família
ministraria para sempre, por causa da sua desobediência, Deus mudou de
idéia e cancelou sua promessa. A promessa divina foi substituída por
uma maldição:

Portanto, o S enhor, o D eus de Israel, declara: “Prom eti à sua família e


à linhagem de seu pai, que ministrariam diante de mim para sem pre” .
Mas agora o S enhor declara: “Longe de mim tal coisa! H onrarei aque­
les que m e honram , mas aqueles que me desprezam serão tratados com
desprezo. É chegada a hora em que eliminarei a sua força e a força da
família de seu pai, e não haverá mais nenhum idoso na sua família, e

37
Evitand o as d oze transgressões

você verá aflição na minha habitação. Em bora Israel prospere, na sua


família ninguém alcançará idade avançada. E todo descendente seu que
eu não eliminar de m eu altar será poupado apenas para lhe consum ir os
olhos com lágrimas e para lhe entristecer o coração, e todos os seus
descendentes m orrerão no vigor da vida” .
- I Samuel 2.30-33

4. Deus pode encontrar um substituto


Os chamados e dons de Deus são irreversíveis. Quando Deus traça um
plano para nossas vidas, sua intenção é cumpri-lo cabalmente, porém, a
nossa desobediência pode cancelar seus melhores intentos. Depois de
amaldiçoar Eli e o ministério de sua família, Deus disse:

Levantarei para mim um sacerdote fiel, que agirá de acordo com o meu
coração e o meu pensamento. Edificarei firm em ente a família dele, e ele
ministrará sempre perante o meu rei ungido.
- I Samuel 2.35

Então Deus levantou Samuel como “sacerdote” fiel ao Senhor. Que


diferença entre a determinação de Ana, de criar seu filho para que este
servisse a Deus de todo o coração, e a atitude de Eli, que não corrigiu
seus filhos por seu pecado flagrante diante de Deus. Ana fez um voto de
dedicar seu filho ao Senhor, e somente a Ele: “O S e n h o r dos Exércitos, se
tu deres atenção à humilhação de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de
tua serva, mas lhe deres um filho, então eu o d ed ica rei ao Senhor p o r todos os dias d e
sua vid a , e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados ” (1 Sm 1.11, ênfase
acrescentada). Precisamos recordar que, na verdade, Eli zombou das
orações de Ana. Ele não entendia sua dor, nem respeitava seu desejo de
criar um libertador para Israel. Ele demonstrou esta mesma atitude ao
criar filhos que zombavam de Deus.
Que aprendamos a desenvolver uma “atitude de Ana” a fim de não
transgredirmos como Eli.

5. Deus pode parecer excessivamente severo


Por que Deus trouxe um castigo tão duro sobre Eli? Porque Ele havia
depositado tanta confiança e autoridade sobre sua vida. Em Tiago 3.1
lemos:

38
A transgressão de Eli: Quando a fraqueza se torna pecado

Meus irm ãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem
que nós, os que ensinamos, serem os julgados com m aior rigor.

A Palavra de Deus é clara: “A quem muito f o i dado, muito será exigido; e a


quem muito f o i confiado, muito mais será pedido” (Lucas 12.48). Deus havia
confiado a Eli a tarefa de nutrir e cuidar de seu povo amado. Ele não
podia ser negligente e abdicar de sua responsabilidade, simplesmente
virando o rosto enquanto seus filhos praticavam atos pecaminosos con­
tra aquele povo. Ele traiu a confiança de Deus e sentiu o aguilhão da
severa punição divina. Obviamente, sabemos que quando nos humilha­
mos em arrependimento, Deus é misericordioso e perdoa nossos peca­
dos. Mas a misericórdia de Deus nem sempre nos restaura para suas
promessas especiais. Líderes que caminham em desobediência podem
ser desqualificados.

6. A falta de energia moral é perigosa


A atitude tolerante de Eli para com o pecado foi a causa de sua morte.
Deus não vai ignorar a presença de impiedade em sua igreja. Ele não vai
lidar brandamente com aqueles que não se empenharem em erradicar o
pecado de suas igrejas. Hofni e Finéias morreram por sua desobediência.
A descendência de Eli foi amaldiçoada —e o próprio Eli foi acometido
de grande aflição ao ver sua família sofrer as conseqüências da perversi­
dade de seus filhos:

É chegada a hora em que eliminarei a sua força e a força da família de


seu pai, e não haverá mais nenhum idoso na sua família, e você verá
aflição na m inha habitação. Em bora Israel prospere, na sua família nin­
guém alcançará idade avançada. E todo descendente seu que eu não
eliminar de m eu altar será poupado apenas para lhe consum ir os olhos
com lágrimas e para lhe entristecer o coração, e todos os seus descen­
dentes m orrerão no vigor da vida.
- I Samuel 2.3 I-33

7. Irresponsabilidade na liderança traz Icabode na terra


Icabode significa: “A glória partiu”. Muitas vezes, a glória de Deus se vai
porque o líder permite que a corrupção entre quando estava dentro do

39
Evitando as doze transgressões

seu poder evitá-la. Em muitos casos na Bíblia, nem mesmo a arca da


presença de Deus pôde salvar seu povo das conseqüências de uma lide­
rança corrompida.
Depois que os israelitas perderam quatro mil homens numa batalha
contra os filisteus, decidiram ir buscar a arca da aliança em Siló, acredi­
tando que esta os salvaria de seus inimigos (veja 1 Samuel 4.1-10). Eles
mandaram buscar a arca. Os dois filhos ímpios de Eli acompanharam a
arca de Deus. Os filisteus vieram contra eles novamente e, desta vez,
trinta mil soldados de infantaria foram mortos, a arca foi capturada, e os
dois filhos de Eli morreram. A presença da arca não protegeu os israelitas
do juízo divino através dos filisteus.
A presença de Deus em sua igreja não acobertará o pecado. Mesmo
que adoremos a Deus com mais intensidade, não impediremos o juízo
divino se houver perversidade em nosso meio. Podemos aumentar o
volume da nossa música, pregar mais alto e gritar por mais tempo; mas, se
estivermos abrigando pecado, a glória do Senhor não permanecerá entre
nós.

8. Aouele o_ue tem o dom de liderança precisa utilizá-lo com


diligência
Apesar de nossos corpos estarem envelhecendo, precisamos permane­
cer fortes no espírito. O apóstolo Paulo disse:

E m b o ra e x te rio rm e n te estejam os a d esg astar-n o s, in te rio rm e n te


estam os sendo renovados dia após dia.
- 2 Coríntios 4 .16

Precisamos dizer não ao envelhecimento espiritual. Estamos sendo


renovados e, a cada dia, ficamos cada vez mais parecidos com Jesus —até
o último dia de nossas vidas. Deus nunca nos dá permissão para nos
“aposentarmos” espiritualmente.
Aos oitenta anos, Policarpo, o bispo de Esmirna, apresentava espo­
rões nos joelhos, por passar tanto tempo em oração. Mas ele não perdeu
sua autoridade espiritual nem se deixou envelhecer moralmente. Os prin­
cípios que havia seguido durante toda a sua vida foram guardados dili­
gentemente até o dia de sua morte.

40
A transgressão de Eli: Quando a íraoueza se torna pecado

Certa noite, este bispo sonhou que seu travesseiro estava em chamas.
Na manhã seguinte ele disse aos seus companheiros: “Acho que vou ser
queimado vivo”. O sonho não o abalou. Ele tinha o poder de Deus em
sua vida. Apesar de seus oitenta anos, seu corpo débil agasalhava um
espírito forte, e ele esperava ansiosamente pela ressurreição de seu cor­
po em Jesus.
Três dias depois, alguns soldados vieram e o prenderam. Eles o leva­
ram, amarraram-no a uma estaca e prepararam tudo para queimá-lo.1Eles
acenderam o fogo debaixo dele, e, enquanto as chamas ardiam, Policarpo
começou a adorar a Deus com tanta intensidade que parecia nem lembrar
que estava sendo queimado. O santo veterano descobriu que as chamas
do fogo de Deus em seu coração eram mais fortes que as do fogo da
perseguição.
Policarpo foi executado num estádio repleto de espectadores, ansio­
sos por ver sangue. Eles estavam ali para assistir a mais um “mártir da
causa” morrer numa estaca. M as ele não morria. Ao ver que Policarpo não
estava sendo consumido pelas chamas, os líderes militares ficaram atôni­
tos. Por fim, ordenaram aos soldados que perfurassem seu corpo com
uma lança. A história registra que Policarpo foi morto pela lança —não
pelo fogo!2
Antes de sua morte, as autoridades da cidade o haviam advertido:
“Ouça, você pode escapar da fogueira. Tudo que precisa fazer é negar
J esus >>.
A resposta de Policarpo ecoa pelos anais de história: “Durante oitenta
e seis anos o servi e Ele nunca foi injusto comigo; como então vou
blasfemar contra meu Rei, que me salvou?” 3
Todo cristão hoje deve tomar sua decisão de permanecer firme em
Cristo. Precisamos ter a determinação de não sermos fracos moralmente.
Precisamos ter um compromisso sólido de viver —e se necessário mor­
rer —por Jesus.

Resultados confusos

Os cristãos ficam confusos ao ver servos de Deus, que pareciam estar


realizando uma grande obra para Ele, de repente traírem seu compromis­

41
Evitand o as doze transgressões

so espiritual num devastador ato de pecado. Tais comportamentos escan­


dalosos parecem inexplicáveis. Como pessoas piedosas podem fazer coi­
sas impiedosas?
Todos nós já ouvimos histórias de líderes cristãos surpreendidos em
imoralidade, fraudando o governo, desviando fundos da própria igreja e
coisas do tipo. Nos últimos anos, os escândalos têm se alastrado pela
igreja americana. Ministros de igrejas supostamente cheias do Espírito
têm caído em adultério, homossexualismo e pedofilia. E, em alguns ca­
sos, os ministros que caem são rapidamente “restaurados” às suas posi­
ções.
Se abrigarmos fraquezas ocultas, podemos até nos tornar pessoas
violentas. No decorrer dos anos, tenho aconselhado alguns servos do
Senhor que me dizem: “Pastor, não sei o que aconteceu, mas eu estava a
ponto de dar um soco naquela pessoa. Fiquei surpreso com a violência
em meu interior”. É surpreendente descobrir que a violência doméstica
é um sério problema na igreja hoje —até mesmo nos lares de alguns
ministros. A fraqueza espiritual pode causar reações perigosas em nós, e
precisamos lutar continuamente para caminhar na força e no poder do
Espírito de Deus. Como evitamos estes fracassos devastadores? Por que
há uma crise moral tão grande na igreja hoje? Acredito que seja por causa
do pecado da negligência espiritual.
Dia após dia, ano após ano, negligenciamos nossos corpos, nossas
famílias e nossas igrejas; depois, em pânico, perguntamos a Deus por que
estamos caindo. Aprendi, anos atrás, que a força espiritual é uma decisão
e uma escolha que cada pessoa precisa fazer. Força não é um dom. Não é
um talento especial. E uma escolha da nossa fé. O Senhor falou estas
palavras a Josué:

Seja fo rte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o S enhor, o


seu Deus, estará com você por onde você andar.
- |osué 1.9

Deus não apenas lhe dará forças, mas também o motivará a ser cora­
joso.
O livro de Provérbios compara o homem justo que cede à impiedade
a uma “nascente poluída” (Pv 25.26). Esta poluição entra em nossas

42
A transgressão de Eli: Quando a fraqueza se torna pecado

vidas quando não buscamos nossa força espiritual em Deus, mas, em v


disso, negligenciamos nosso tempo na sua Palavra, em oração, e em cor
truir uma relação de intimidade com Ele. Por causa da nossa negligênc
começamos a dar espaço aos ímpios. Embora Eli fosse um homem jus-
um sacerdote no templo de Deus, ele negligenciou seu relacionamen
com Deus, entrou num estado de letargia espiritual, e deu lugar a
ímpios —seus próprios filhos. Como resultado, destruiu a sua vida c
vida de seus filhos, e trouxe ruína espiritual sobre uma nação.
Em 2002, um terrível escândalo veio à tona na Igreja Católica R on
na. De acordo com os noticiários, ficou provado que bispos católicr
cientes de casos de pedofilia entre o clero, encobriam sacerdotes imor;
e até os enviavam a outras paróquias a fim de ocultar seu pecado. Sac<
dotes que estavam abusando sexualmente de meninos inocentes tivera
permissão para continuar ministrando na igreja.
Complacência espiritual semelhante acontece em muitas igrejas ho
Há pastores que, por sua negligência espiritual, cometem terríveis inji
tiças. Eles têm consentido e tolerado situações irregulares com pessc
—às vezes até membros de suas próprias igrejas. Alguns pastores deixa
de afastar pessoas impiedosas do seu ministério porque temem que ur
medida como esta provoque a ruína financeira de sua igreja. Muitas \
zes, o pastor deixa de tratar com o erro em sua igreja, ou entre se
obreiros, porque, aparentemente, mesmo em meio ao pecado conhecic
sua igreja continua crescendo e florescendo.
Acredito que o Diabo queira fazer um pacto conosco. Ele bargan
conosco dizendo: “Cuide do crescimento da sua igreja. Não se preocu
muito com a imoralidade; não seja fanático sobre santidade. Não vá pa
os extremos. Cuide do seu rebanho, que eu cuido da sua cidade”.
O Diabo não teme o crescimento de nossas igrejas. Ele não se pre
cupa com o tamanho delas —desde que não busquemos avivamente
santidade. Alguns líderes cristãos tentam manter um certo envolvimen
no mover do Espírito, ao mesmo tempo em que pagam tributos ao D:
bo. Depois de algum tempo, estes pastores começam a se perguntar pí
onde foi a unção. Eles nem se deram conta de que Deus escrev
“Icabode” na porta de suas igrejas!
Eli queria manter sua família em paz. Como ele poderia denunc:
seus próprios filhos, repreendê-los publicamente e expulsá-los do n

43
Evitando as doze transgressões

nistério? Afinal de contas, isso poderia destruir sua reputação! Ele tinha
a autoridade de Deus para cuidar do templo, mas não tomou as decisões
necessárias. Talvez pensasse: A lgum dia vou ter deja ^ er alguma coisa com estes
meninos! Mas nunca teve a coragem de fazê-lo. O “algum dia” jamais
chegou. Talvez achasse que esta atitude lhe custaria caro demais. Quais­
quer que tenham sido suas razões, Eli, conscientemente, permitiu que o
pecado continuasse sob o manto de sua liderança.
Se você tem permitido que pessoas ímpias continuem em sua lideran­
ça, mesmo que seu ministério esteja prosperando agora, mais cedo ou
mais tarde a destruição virá sobre sua vida e obra espiritual. Se você
permite filhos da iniquidade em seu meio, está amaldiçoando sua igreja e
seu ministério. Que Deus nos dê forças e sabedoria para sermos líderes
e modelos de integridade e caráter.
Mesmo que isto lhe custe o salário —ou até seu ministério —determi­
ne viver na santidade de Deus. Não se venda por coisa alguma. Não faça
transações com o Diabo.
Quando você desenreda sua vida e ministério para viver em santidade
e pureza, o resultado não será apenas o crescimento de sua igreja. A
glória de Deus descerá sobre a sua congregação. E não apenas sobre ela,
mas sobre toda a cidade. Deus está procurando pessoas que fiquem na
brecha —na brecha da santidade —para que Ele não precise trazer juízo
sobre nossas cidades.

Uma palavra especial para os Que estão em autoridade

Se, como Eli, Deus o colocou numa posição de autoridade espiritual


no corpo de Cristo, é muito importante que você examine sua vida
para encontrar quaisquer áreas de fraqueza moral ou espiritual que
possam existir. Na igreja de Cristo precisamos trabalhar em parceria
com outros cristãos. Se você reconhece uma área de fraqueza em sua
própria vida, determine trabalhar diligentemente para se fortalecer no
Senhor. As recomendações seguintes o ajudarão a permanecer forte e
puro durante um período de transição para uma vida de santidade
mais profunda:

44
A transgressão de t!i: Quando a íraotteza se torna pecado

Procure o conselho e o acompanhamento espiritual de alguém


em autoridade
Quando sentir que lhe falta autoridade espiritual, procure alguém que a
tenha e comece a caminhar com esta pessoa. Quando eu estava no semi­
nário, na Argentina, decidi não participar das reuniões na capela. Elas
eram obrigatórias, mas achei que empregaria melhor meu tempo se ficas­
se a sós com Deus. Escrevia cânticos, orava e lia a Palavra.
Certo dia, o reitor do seminário, que também era meu amigo e mentor,
perguntou a respeito da minha ausência da capela. Respondi com muita
autoconfiança (e arrogância jovem): “Só preciso de Deus, da Bíblia e de
mim mesmo”, querendo dizer com isso que não precisava da comunhão
com outros seminaristas nos cultos da capela.
O reitor olhou bem para mim e disse: “Sérgio, o espírito de indepen­
dência não é o espírito de Cristo”. Esta repreensão, vindo de um homem
que eu respeitava como professor e mentor, resolveu instantaneamente
aquela questão em minha vida. Daquele dia em diante, identifiquei inde­
pendência egoísta e isolamento como pecados. Meu coração começou a
buscar unidade, respeito e cooperação mais do que nunca em minha
vida.
Se você está à frente de um ministério, mas não tem a confirmação do
Senhor ou a sua força, você precisa de um servo de Deus ao seu lado.
Corra para esta pessoa e diga: “Perdi minha força moral. Perdi a autorida­
de para exercer disciplina na igreja. Estou confuso. Preciso de ajuda”.
A disposição de sermos submissos e admitir nossa vulnerabilidade
trará cura para a igreja. E assim, por desígnio de Deus, que o corpo de
Cristo funciona melhor. Paulo descreveu esta atitude em sua primeira
carta aos Coríntios:

Mas D eus estruturou o corpo dando maior honra aos m em bros que
dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que
todos os m em bros tenham igual cuidado uns pelos outros. Q uando um
m em bro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um m em bro é
honrado, todos os outros se alegram com ele.
- 1 Coríntios I 2.24-26

45
Evitan d o as doze transgressões

Imite a Cristo, Que não demonstrou fraoueza moral


A Bíblia diz que não havia defeito no Cordeiro de Deus (1 João 1.5). Ele
andou em perfeita santidade, não apenas para que pudéssemos admirá-lo,
mas para que o imitássemos (Ef 5.1). Se cremos que Jesus andou em
pureza, e se somos seus seguidores, então nós também andaremos em
pureza.
Se você der um m inuto para o Diabo, ele poderá destruir a sua vida.
Para cuidar de minha própria integridade moral, fiz um pacto com meus
olhos. Viajo pelo mundo inteiro, passo por muitos aeroportos e muitas
coisas passam diante dos meus olhos, muitas vezes, quando menos
espero. Mas fiz um pacto de jamais olhar para uma mulher com desejos
impuros. Se, em qualquer momento, meus olhos se fixarem em algo
ilícito por mais de um segundo, ajoelho-me onde estiver e peço perdão
a Deus. Quero experimentar o mesmo padrão de santidade que Jesus
tinha.
Viajo com freqüência e passo muitas noites em quartos de hotel. Isto
pode ser uma grande tentação para ministros que viajam bastante, porque
muitos hotéis oferecem filmes pornográficos em seu circuito interno de
TV. Por isso, quando entro em meu quarto, normalmente estendo uma
toalha sobre a televisão e coloco ali a minha Bíblia, para convertê-la num
“altar”. Este é o meu modo de consagrar o quarto —e minha vida —a
Deus para que não venha a ceder a qualquer tentação.
Tenho aprendido que, no que diz respeito à santidade, precisamos
ser radicais! Por isso digo: “Senhor, mesmo que precise ajoelhar a cada
cinco minutos, mesmo que minhas calças comecem a se desgastar, ou
que estejam amassadas na hora de subir ao púlpito, prefiro usar calças
amassadas e ter certeza de que não ficou nenhuma mancha na minha
alma”.
Muitos preciosos servos de Deus estão sendo seduzidos pela por­
nografia na Internet, devido à facilidade de acesso. Digo a estes ho­
mens que sejam implacáveis com o pecado. Se for preciso, desligue seu
computador e livre-se dele! Seria melhor ficar sem Internet do que
perder seu ministério por estar comprometendo sua vida espiritual. Se
você fizer o mesmo compromisso e praticá-lo dia a dia, momento a
momento, mais poder e autoridade virão sobre sua vida. O Senhor fará
crescer em você uma santa indignação contra o pecado. Ele lhe dará

46
A transgressão dc 1li: Quando a íraqueza se torna pecado

intolerância em relação ao pecado, mas um grande amor para com os


pecadores.

Reaja rapidamente contra o pecado


Quando um pastor ou líder reconhece que há pecado em sua igreja —ou
quando um cristão identifica pecado em sua própria vida —mas não se
sente moralmente forte o bastante para lidar com tal pecado, deve deci­
dir imediatamente o que pretende fazer. Esta pessoa pode começar a
jejuar, orar e buscar aconselhamento. Também pode procurar outro pas­
tor e lhe dizer: “Há pecado em minha igreja (ou, em minha vida). Se eu
disciplinar a pessoa que está em pecado, metade dos membros vai sair da
igreja (ou, não tenho forças para disciplinar a mim mesmo). Preciso de
ajuda, pastor. Ajuda-me a encontrar forças, porque desejo viver em santi­
dade”.
Muitos líderes praticam a santidade pessoal, mas fracassam na hora
de praticar a santidade ministerial. Eli tinha ótimas intenções. Ele guiou o
povo de Israel durante quarenta anos, mas os resultados finais de seu
ministério foram avassaladores — sua família foi julgada para sempre.
Deus não nos julga apenas por nossa impiedade pessoal; Ele também
julga a impiedade encontrada sob a nossa autoridade e que nos recusa­
mos a tratar.
Faça deste dia um dia de purificação. Banhe suas finanças em santida­
de. Se houver transações fraudulentas nas finanças de sua igreja, ou se
você tem pedido ao tesoureiro para mentir um pouco a fim de encobrir
alguns detalhes, então tome a decisão de mudar tudo isto hoje.
Se você não lidar com o pecado da sua vida ou da sua igreja, seu
destino será o destino de Eli. O pecado sempre traz morte!

Receba o fogo de Deus e tenha sua autoridade moral restaurada


Algumas pessoas têm o Espírito Santo, mas não o seu fogo. Elas sentem a
presença do Senhor, e isto lhes causa arrepios e manifestações carismáticas,
porém carecem de autoridade moral para corrigir o pecado em suas pró­
prias vidas ou em suas igrejas.
Deus está chamando cada um de nós a uma vida de integridade total —
custe o que custar. Todo aquele que quiser viver em justiça sofrerá
tribulações. Pedro nos diz claramente:

47
Evitando as d oze transgressões

P ortanto, uma vez que Cristo sofreu corporalm ente, arm em -se tam ­
bém do m esm o pensamento, pois aquele que sofreu em seu corp o rom ­
peu com o pecado.
- I Pedro 4 .1

O que significa isso? Talvez as palavras de Cristo sejam mais fáceis


de entender: “N este mundo vocês terão aflições” (João 16.33). Não recuse
tribulações e perseguições.
Normalmente, a santidade começa com sofrimento e perseguição.
Mas uma glória indescritível é derramada sobre aqueles que suportam o
sofrimento e a perseguição, e permanecem firmes na vida de santidade.
Por isso, não tenha medo de ser perseguido. Mesmo que o mandem para
uma prisão, como Paulo e Silas, comece a adorar o Senhor. A santidade
está chegando! Um terremoto de libertação irá sacudir a sua casa, seu
carcereiro se converterá ao Senhor, e sua cidade, tal como a de Filipos,
será reavivada pelo fogo de Deus.

Uma oração de arrependimento

Pai, percloa-me pelas ve^es em que me tornei espiritualmente fraco e letárgico. Não
quero falhar contigo, cometendo a mesma transgressão de EU. Concede-me graça
para que eu possa evitar as ciladas do pecado. Quando sou tentado a ignorar o
pecado ou a tolerá-lo, ajuda-me a confrontá-lo com diligénría. Dá-me a ousadia de
não me calar quando souber que alguém está espalhando o pecado como câncer no
meio da tua igrja. E, quando meus amigos ou familiares precisarem de correção
piedosa, ajuda-me a falar a verdade em amor. Em nome de Jesus, amém.

48
A transgressão de Jacó:
Usando meios carnais para
obter bênçãos divinas

erto pastor de uma cidade grande implantou mais de quinze no-


u vas igrejas. Embora todas começassem como congregações, com
V/ o tempo cada uma delas recebeu independência e tornou-se uma
igreja autônoma. O líder de uma dessas congregações resolveu que não
queria mais continuar numa posição de auxiliar. Queria ser um pastor
sênior (ou pastor presidente).
Um dia, portanto, renunciou ã sua posição, levando consigo toda a
mobília que o pastor havia colocado em sua congregação. Parou um
caminhão em frente à porta do salão onde os cultos eram realizados e
carregou as cadeiras, o púlpito, e o sistema de som. Ele levou até objetos
de decoração e as plantas que ficavam em volta da plataforma!
Na verdade, este homem teria se tornado um pastor sênior quando
sua congregação se tornasse uma igreja independente. Mas era impa­
ciente demais para esperar —então nomeou a si mesmo pastor.
Quando ouvi esta história pela primeira vez, ainda era jovem e não
tinha o entendimento que tenho agora a respeito das doze transgressões.
Estava certo de que este indivíduo não ficaria mais que alguns meses
como pastor autonomeado. Esperei ouvir em breve a notícia de que
Evitand o as doze transgressões

tinha fracassado terrivelmente. No entanto, ele não fracassou. Iniciou


sua própria igreja com os poucos membros que arrebanhou da outra
obra, e continuou a experimentar certo crescimento.
Contudo, há um apêndice a esta história. Cerca de quinze anos depois,
quando as feridas já estavam cicatrizadas ou esquecidas, este homem
experimentou um período em que membros de sua própria diretoria o
apunhalaram. Alguns de seus líderes jovens o trataram de forma ainda
mais desleal do que ele fizera com o pastor responsável, quando era
pastor auxiliar daquela congregação. Seus pecados passados voltaram
para persegui-lo. Ele acabou colhendo o que havia plantado.
Existe uma lei espiritual que não pode ser quebrada —mesmo quando
temos a unção de Deus. Podemos experimentar curas e milagres em
nosso ministério, mas a Bíblia diz:

Não se deixem enganar: de D eus não se zomba. Pois o que o hom em


semear, isso também colherá.
- Gálatas 6.7

Mesmo que quinze anos se passem, ou que nada aconteça até a volta
de Cristo, algum dia prestaremos contas de tudo que fizermos. É por isso
que é tão importante jamais cairmos na transgressão dejacó.

Bem-sucedido, porém inescrupuloso?

Você já se perguntou por que algumas pessoas são bem-sucedidas na


igreja apesar de demonstrarem uma aparente falta de ética? Tenho visto
pessoas desleais experimentando certa medida de sucesso. Conheço ca­
sos de homens que até tiveram um certo nível de “sucesso” enquanto
viviam em adultério.
Nas Escrituras, Jacó é um exemplo de alguém que quebrou as regras
da ética e, contudo, experimentou uma medida de sucesso por causa do
chamado em sua vida. Em Gênesis 25 e 27, vemos como Jacó passou de
manipulador a usurpador. Na verdade, ele roubou a posição de outra
pessoa. Ele também era um negociador —ele negociou com Deus em

50
A transgressão cie |acó: Usando meios carnais para oblei bênçãos divinas

Betei (Gn 28). B etei significa “casa de Deus”. Muitas pessoas estão presas
em Betei. Estão presas em sua religião, na casa de Deus, o que é bom,
mas nunca passam desse ponto.
Anos depois, Jacó acampou-se em Peniel onde lutou com o anjo de
Deus e se tornou um homem quebrantado. Enquanto não chegarmos a
este ponto em nossas vidas, ao nosso Peniel espiritual, qualquer sucesso
que alcançarmos em nosso serviço cristão terá relativamente pouco va­
lor no Reino de Deus.
Todos nós temos uma luta marcada com o anjo de Deus! É uma
partida que vamos perder, e seremos feridos em nossa carne. É a partir
daí que os verdadeiros propósitos de Deus começam a se cumprir em
nossas vidas. Todos nós precisamos ser jogados no chão e vencidos por
Deus, a fim de receber um golpe mortal em nosso orgulho.
N os últim os anos Deus tem me levado a um novo nível de
quebrantamento. Quando pensamos já estar aprovados nesta área, Ele
vem e nos quebranta outra vez. Viver a vida cristã num estado de
quebrantamento é a melhor maneira de caminharmos com Deus. Isto não
é prejudicial nem destrutivo. O estado de quebrantamento é bom, por­
que nele nossa carne é ferida, mas o nosso espirito é curado.
Após seu encontro com Deus, Jacó começou a mancar. Não cami­
nhava mais com uma atitude arrogante. Deus havia quebrado seu orgu­
lho. A igreja precisa desesperadamente de um encontro com Deus em
Peniel!

A vontade de Deus no tempo errado

A Bíblia nos diz que Esaú realmente perdeu tanto seu chamado como
seu destino, por causa da impaciência. Em Gênesis 25.29-34 lemos:

Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto,


voltando do campo, e pediu-lhe: “D ê-m e um pouco desse ensopado
verm elh o aí. E stou fam into!” Por isso também foi chamado Edom .
Respondeu-lhe Jacó: “Venda-m e prim eiro o seu direito de filho mais
v e lh o ” .

51
Evitando as d o z e transgressões

Disse Esaú: “E stou quase m orrendo. D e que m e vale esse direito?”


Jacó, porém , insistiu: “Jure prim eiro”. Ele fez um juram ento, ven­
dendo o seu direito de filho mais velho a Jacó. Então Jacó serviu a Esaú
pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se
foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento nos dizem que Esaú


chorou amargamente por este ato impulsivo (veja Gênesis 27.34; Hebreus
12.16, 17). Ele tentou pegar de volta sua bênção e seu direito de primo-
genitura, mas era tarde demais. Ele o havia negociado e trocado por uma
satisfação imediata.
Esaú também buscava sucesso imediato. Ele se tornou um apóstata,
alguém que nega a sua fé.
Aqui está uma palavra de advertência para aqueles que receberam
promessas, profecias, e um chamado de Deus para suas vidas. Se formos
impacientes, se nosso apetite por reconhecimento, posição e sucesso nos
dominar, podemos chegar a fazer algo desesperado, tal como Esaú. Ele
vendeu sua bênção por um ensopado de lentilhas.
Jacó foi chamado por Deus para herdar a bênção que Esaú despre­
zou. Deus certamente a teria dado a Jacó, de qualquer forma. No entan­
to, precisamos saber que no Reino de Deus o fim não justifica os meios.
Muitos pensam que se Deus nos prometeu algo, devemos ir em frente e
tomar posse da bênção. Mas Ele quer que esperemos até chegar seu
tempo exato.
Algumas divisões em igrejas acontecem por causa de uma atitude
semelhante à de Jacó. Um obreiro, servindo na igreja sob a autoridade de
seu pastor, de repente anuncia que Deus o chamou para pregar a Palavra.
O pastor sugere a esse obreiro que vá ao seminário e se prepare para o
ministério, e que espere uns dois anos antes de iniciar seu trabalho. Em
vez de trilhar o longo caminho da preparação, o obreiro sai da igreja
ofendido, e a divide. Alguns membros o acompanham, e ele começa a
pregar no domingo seguinte, esperando que o Senhor abençoe seu mi­
nistério. Ele não consegue esperar pela bênção e unção divinas.
O que nos deixa atônitos é que, muitas vezes, o Senhor de fato unge
aquele novo trabalho. Às vezes, temos vontade de orar para que Ele

52
A transgressão de |acó: Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

mude seu modo de fazer as coisas. Talvez oremos: “Faze-o fracassar,


Senhor. Faze-o sofrer para que as pessoas vejam a tua justiça”. Cristãos
bem-intencionados, às vezes, ficam desanimados diante de situações as­
sim. Eles esperam que a justiça divina opere imediatamente. Querem ver
o merecido fracasso daquele traidor já nas próximas semanas. Mas Deus
não trabalha dessa forma —pelo menos, nem sempre.
Jacó decidiu “ajudar” a Deus com um plano —ele usou meios carnais
a fim de obter bênçãos divinas. As promessas eram para ele. Quando
nasceu, o Senhor havia dito à sua mãe, Rebeca: “O m ais velho servirá ao mais
novo" (Gn 25.23). Em outras palavras, um dia Esaú seria servo de Jacó.
Em essência, Deus disse: “Jacó é o meu escolhido. Isto está predetermi­
nado”. Jacó conhecia a profecia de Deus para sua vida. Sua mãe conhe­
cia. Seu pai conhecia. No entanto, Rebeca e Jacó tentaram “ajudar” a
Deus — tentaram acelerar seu plano — e tiveram problemas por isso.
Precisamos entender que não podemos “ajudar” a Deus com nossa ma­
nipulação carnal!

Lícito, porém incorreto

Na realidade, Jacó tomou dois atalhos desonestos. O primeiro foi quando


manipulou seu irmão ao ver que este estava faminto. Ele se aproveitou
da extrema fome do irmão, achando que seu plano era lícito. Embora
muitas coisas sejam lícitas, nem todas são corretas. Na sociedade moder­
na, podemos recorrer a ações judiciais ou ameaças legais a fim de lesar
pessoas e ganhar mais dinheiro do que deveríamos. Isso pode ser legal,
mas não é justo. E uma tentação que precisamos evitar. Isso pode tornar-
se um meio carnal de se obter bênçãos financeiras.
Tenho ouvido cristãos enfurecidos falando em abrir um processo
para ganhar muito dinheiro. Se perderam mil dólares, estão prontos para
exigir vinte mil. Este tipo de batalha judicial pode ser muito injusto.
Como cristãos, precisamos estabelecer limites justos para nossas deman­
das. Precisamos buscar a justiça —e não agir movidos pela ganância.
Muitos cristãos perderam o senso de integridade, igualdade e justiça.
O problema é que, muitas vezes, eles experimentam êxito na obra do

53
Evitan d o as d oze transgressões

Senhor ou em seus negócios particulares, apesar de não estarem prati­


cando a justiça. Eles se comparam a pessoas humildes que estão sempre
se arrependendo e tentando fazer o que é certo diante de Deus e, pelo
fato de seu próprio sucesso, dinheiro e bens serem bem maiores do que
os daquelas pessoas, pressupõem que suas bênçãos mensuráveis repre­
sentam um sinal de aprovação divina.
Quando Deus chama uma nação ao avivamento, uma das evidências
será que o pecado passa a ser denunciado abertamente ali. A igreja, por
sua própria falta de discernimento, pode estar inconsciente deste tipo de
pecado interior que destrói relacionamentos e mina confiança entre as
pessoas. Jacó conseguiu o direito de primogenitura de Esaú, mas perdeu
sua confiança. Seu relacionamento com o irmão foi perdido —por quase
o resto de sua vida. Por usar meios carnais para chegar ao propósito de
Deus para sua vida, acabou trazendo divisão em sua família.

Quando a ambição toma o lugar da visão

Impaciência é fruto da carnalidade. Às vezes, ficamos muito irritados por


demoras —sem saber que algumas delas são, na verdade, projetadas por
Deus. Vivemos na era da satisfação imediata. Procuramos soluções ins­
tantâneas a qualquer preço e, ao fazer isso, podemos estar certos de que
a nossa carne está presente. A carnalidade faz com que a visão seja
substituída pela ambição egoísta. Esta nos levará a vender o melhor a
fim de obter o que é apenas bom.
Há uma maneira melhor de se andar nos caminhos do Senhor; é andar
nos caminhos elevados de santidade e justiça, e aceitar o tempo dele;
este é o caminho de paciência piedosa e de total rendição a Ele.
Jacó não apenas conseguiu o direito de primogenitura, mas recebeu
também a bênção de seu pai. A fim de enganar seu pai para que este o
abençoasse, tramou uma estratégia junto com sua mãe:

D isse Jacó a Rebeca, sua mãe: “Mas o meu irm ão Esaú é hom em pelu­
do, e eu tenho a pele lisa. E se meu pai me apalpar? Vai parecer que
estou tentando enganá-lo, fazendo-o de tolo e, em vez de bênção, trarei
sobre mim m aldição”.

54
A transgressão de |ató: Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

D isse-lhe sua mãe: “Caia sobre mim a maldição, meu filho. Faça
apenas o que eu digo: V á e traga-os para m im ”.
Então ele foi, apanhou-os e os trouxe à sua mãe, que preparou uma
com ida saborosa, com o seu pai apreciava. Rebeca pegou as m elhores
roupas de Esaú, seu filho mais velho, roupas que tinha em casa, e colo­
cou-as em Jacó, seu filho mais novo. D epois cobriu-lhe as mãos e a
parte lisa do pescoço com as peles dos cabritos, e po r fim entregou a
Jacó a refeição saborosa e o pão que tinha feito.
Ele se dirigiu ao pai e disse: “M eu pai” .
Respondeu ele: “Sim, meu filho. Quem é você?”
Jacó disse a seu pai: “Sou Esaú, seu filho mais velho. Fiz com o o senhor
m e disse. Agora, assente-se e com a do que cacei para que me abençoe”.
Isaque perguntou ao filho: “C om o encontrou a caça tão depressa,
meu filho?”
Ele respondeu: “O S enhor, o seu Deus, a colocou no meu cam inho”.
- Gênesis 2 7 .1I -20

As palavras de Jacó pareciam tão religiosas e certinhas, no entanto


estava mentindo para o próprio pai. Isaque já era bastante idoso e não
conseguiu enxergar o filho muito bem, por isso lhe disse: “Chegue mais
perto, meu filho, para que eu possa apalpá-lo e saber se você é realmente meu filh o
Esaú" (v. 21).
Meus três filhos descobriram um jeito de me enganar. Quando estou
viajando e ligo para casa, um deles é capaz de imitar a voz dos outros
dois. Quando pergunto: “Quem é?”, com uma voz mais fina, ele diz o
nome do irmão mais novo. Uma ou duas vezes, pensei mesmo que esti­
vesse falando com meu caçula. A brincadeira deles ajudou-me a enten­
der melhor como foi fácil para Jacó imitar a voz e a pele de Esaú, especi­
almente no caso de Isaque, que já estava numa idade bastante avançada
e, sem dúvida, enxergava e ouvia muito pouco.
Jacó aproximou-se de Isaque que o tocou e disse: “A vo^ é de Jacó, mas
os braços são de E saú” (v. 22). Como as mãos de Jacó estavam peludas como
as de seu irmão, Esaú, Isaque não o reconheceu e o abençoou. “Você é
mesmo meu filho Esaú?” perguntou Isaque.
“Sou”, respondeu ele. O resultado da sua mentira? Ele foi abençoado.

55
Evitando as d o ze transgressões

É difícil assimilar isso. O homem estava mentindo e enganando e,


mesmo assim, obteve a bênção divina. Obteve porque aquela bênção
seria sua de qualquer maneira. Estava destinada a ele. Mas ele usou
meios carnais a fim de obtê-la. Uma preciosa bênção desceu sobre Jacó,
mas isso não significa que Deus ignorou sua maquinação.
Quando percebeu que fora enganado, ‘E saú pediu ao p a i: ‘M eu pai, o
senhor tem apenas uma bênção? Abençoe-me também, meu pai!'E ntão chorou Esaú
em alta vo%” (v. 38). Isaque atendeu ao pedido do filho, mas lhe deu uma
palavra dura (veja Gênesis 27.39, 40).
No verso 41 vemos outro resultado da manipulação carnal de Jacó:

Esaú guardou rancor contra Jacó p o r causa da bênção que seu pai lhe
dera. E disse a si mesm o: “Os dias de luto pela m orte de meu pai estão
próxim os; então m atarei meu irm ão Jacó”.

A trapaça de Jacó o colocou em sério perigo. Se o nosso passado não


for coberto pelo sangue de Jesus, poderá nos trazer perseguição no futu­
ro. Precisamos confessar quaisquer transações fraudulentas que tenha­
mos feito com alguém. Que o Espírito Santo nos revele quaisquer ocasi­
ões em que tenhamos roubado, mentido ou manipulado alguém, a fim de
obter lucro pessoal. Se tivermos falado alguma inverdade, Deus nos
dará a graça para reparar este pecado e lavá-lo no sangue de Jesus.

Preste atenção aos sinais de advertência!

Certo dia, saí do meu escritório em La Plata, Argentina, e fui para minha
casa que não ficava muito longe dali. O trânsito na Argentina é um pouco
diferente do trânsito de outros países - se você não anda rápido, será
empurrado! Eu estava tentando evitar um acidente, mas, ao passar por
um cruzamento, não vi nem o sinal vermelho nem o próprio semáforo, e
passei direto. Alguns minutos depois, notei um outro tipo de luz no
retrovisor, uma que piscava! Era um guarda de trânsito!
Se você é pastor ou ministro, certamente vai compreender a oração
silenciosa que fiz: “Senhor, não deixe que ele pergunte sobre a minha

56
A transgressão de laco: Usando meios carnais para obtei bênçãos divinas

ocupação”. Parei o carro, o guarda se aproximou, e expliquei-lhe a minha


inocência. Esperando tocar algum ponto de compaixão em seu coração,
eu disse: “Seu guarda, para ser honesto com o senhor, não vi o sinal
vermelho. Eu nem vi que havia um semáforo ali”. Ele não se sensibili­
zou com a minha explicação, porque as conseqüências de não parar no
sinal vermelho —vendo-o ou não —poderiam ter sido trágicas.
Deus tem alguns sinais vermelhos aos quais precisamos nos atentar.
Ele quer que fiquemos atentos, em alerta, vigiando o tempo todo. Preci­
samos nos perguntar: “Sou uma pessoa honesta, ou uma enganadora e
manipuladora como Jacó? Os negócios que faço com as pessoas são
honestos, ou estou constantemente dizendo mentiras ‘brancas’ e meias
verdades?”
Meias verdades equivalem a mentiras. Nossa ignorância não nos sal­
vará. Quando chegarmos aos portões do céu, não vamos poder alegar
ignorância dizendo: “Perdão, Senhor, não li a história de Jacó”.
Talvez o Senhor lhe responda: “Mas você tem umas dez versões da
Bíblia!”
Muitos deram suas vidas para poderem segurar uma Bíblia em suas
mãos. A história da igreja é repleta de exemplos daqueles que morreram
para preservar os manuscritos da Palavra de Deus. Por causa dessas
pessoas, a Palavra do Senhor está disponível a nós hoje. Deus nos cha­
mou para que fôssemos instruídos em justiça, sábios e conhecedores de
sua Palavra. Podemos usar nossa ignorância como desculpa, mas isso não
nos livrará da nossa responsabilidade. Não podemos ignorar os sinais de
advertência quando estes estão bem à nossa frente.

Betei: Negociando com Deus

A mesma pessoa que manipulou o irmão, Esaú, tentou manipular a Deus.


Ele tentou fazer um acordo com Deus. Provavelmente pensou que, como
fora capaz de manipular tantas circunstâncias em sua vida, também seria
capaz de manipular a Deus.
Jacó teve um sonho em Betei, com a presença de Deus.

57
Evitand o as d oze transgressões

Q uandojacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o S enhor está neste


lugar, mas eu não sabia!” Teve medo e disse: “Temível é este lugar! N ão é
outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus” . Na manhã seguinte,
Jacó pegou a pedra que tinha usado com o travesseiro, colocou-a em pé como
coluna e derramou óleo sobre o seu topo. E deu o nom e de Betei àquele
lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz. Então Jacó fez um
voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que
estou fazendo, prover-m e de comida e roupa, e levar-me de volta em segu­
rança à casa de meu pai, então o S enhor será o meu D eus”.
-Gênesis 28.16-21

Quando despertou, Jacó fez o que chamo de “voto condicional”.


Quando o avivamento vem, coisas desse tipo vêm à luz muito rapida­
mente. Quando o mover de Deus começa a florescer em nosso meio,
subitamente, pessoas como Jacó dizem: “Se conseguir de Deus o que
preciso, vou servi-lo”. Pessoas que pareciam ser totalmente comprome­
tidas com Deus revelam-se cristãos condicionais. Fazem pactos com Deus
com base em seus próprios ditames. “Se o Senhor fizer o que lhe pedi,
vou segui-lo, e se Ele não o fizer, desisto.”
Lembro-me de uma senhora cristã que levou sua mãe enferma à
igreja; mas, quando viu que a mãe não fora curada, deixou de freqüentá-
la. Em virtude do que aconteceu —ou não aconteceu —afastou-se do
evangelho. Ela pensava que poderia barganhar com Deus e convencê-lo
a ceder às suas condições!
Pessoas como esta mulher são os “Jacós” de hoje. Elas negociam
com Deus e são condicionais em seu compromisso. Não dizem que o
Senhor será o seu Deus, ainda que venham a perder a vida no proces­
so. Ao contrário, tentam ser Deus, elas próprias. Esta é a essência do
orgulho.
Jacó poderia ter dito: “Senhor, tu serás o meu Deus, mesmo que
nunca chegue à casa de meu pai. Tudo que quero é agradar a ti”. Mas,
além de trapacear o irmão, foi condicional na presença do Senhor. Pode­
mos avançar até mesmo usando atalhos desonestos, mas, no final, uma
colheita amarga nos esperará.

58
A transgressão de |acõ: Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

Lutando com as próprias forças

Jacó, que havia agido de forma tão enganosa com seu irmão e seu pai,
acabou colhendo engano e traição. Anos mais tarde, seu sogro, Labão, o
enganou. Sua semana de núpcias foi uma crise para ele. Após a primeira
noite, percebeu que Labão lhe havia entregado a outra filha! Ele foi
obrigado a trabalhar mais sete anos para pagar o preço por Raquel, a
mulher que amava.
Jacó, o enganador, agora estava sendo enganado. Estava colhendo o
que plantara. E foi uma colheita amarga. Mesmo com a bênção do Se­
nhor... mesmo com aquele maravilhoso chamado de Deus para ser pai de
nações... o enganador foi enganado.
Jacó ficou tão desanimado que decidiu sair da casa de seu sogro.
Não mais bem -vindo na casa de Labão — ou na casa de seu pai —
agora estava na terra de ninguém. O enganador estava isolado. Não
tinha ministério e, aparentemente, tampouco um futuro. Estava apenas
tentando sobreviver e não ser morto pelo irmão. O homem que sem­
pre tinha uma carta na manga, agora estava completamente sem idéias.
Estava desesperado.
Creio que Deus, em sua misericórdia, permite tal desespero e crise
em nossas vidas, a fim de nos levar a outro nível —acima do cristianismo
condicional. Jacó estava prestes a ter um encontro com Deus que poria
fim à sua rendição condicional à vontade divina. Lemos sobre este mo­
mento especial em Gênesis 32:

Naquela noite Jacó levantou-se, tom ou suas duas mulheres, suas duas
servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.
D epois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar tam bém tudo o
que possuía. E Jacó ficou sozinho. Então veio um hom em que se pôs a
lutar com ele até o amanhecer. Q uando o hom em viu que não poderia
dom iná-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de form a que lhe des­
locou a coxa, enquanto lutavam. Então o hom em disse: “D eixe-m e ir,
pois o dia já desponta”.
M asjacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
O hom em lhe perguntou: “Qual é o seu nom e?” “Ja c ó ”, respondeu
ele.

59
Evitando as d o ze transgressões

Então disse o hom em : “Seu nom e não será mais Jacó, mas sim Israel,
porque você lutou com Deus e com hom ens e venceu”.
Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nom e” .
Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nom e?” E o abençoou
ali.
Ja có cham ou àquele lugar Peniel, pois disse: “V i a D eus face a face e,
todavia, m inha vida foi poupada” .
- Gênesis 32.22-30

Observe que Jacó, que antes roubara a bênção de seu irmão, ainda a
estava buscando. Desta vez, ele a recebeu —porém de acordo com os
termos de Deus, e não com os seus. Muitos cristãos já usaram todo tipo
de artimanhas, mas ainda não receberam sua bênção. Num artigo da re­
vista 'Leadership (Liderança), Allan Redpath fez algumas observações inte­
ressantes a respeito do episódio em que Jacó lutou com Deus, o que
ocorreu vinte anos depois de sua fuga para Harã:

U m anjo lutou com ele —enfrentando-o precisamente no ponto em que era


forte. Jacó fora um usurpador desde o nascimento, e sua vida subseqüente
fora uma peleja constante e bem-sucedida contra seus adversários. Seguindo
seu instinto interior, o forasteiro luta com o anjo que, ao ver que não conse­
guia dominá-lo, toca-lhe na articulação da coxa, forçando-a para fora do seu
encaixe. A coxa é o pilar da força de um homem, a junção com o quadril, o
sustentáculo da força física de um lutador. Desloque a coxa de um homem,
e este ficará completamente inválido. Jacó descobre agora que este misterioso
adversário arrancou dele, num único toque, toda a sua força, e que ele já não
consegue perm anecer em pé sozinho. Sem qualquer sustento de si mesmo,
teve de apoiar-se no vencedor e, nesta condição, aprende na prática a depender
totalmente daquele que é mais forte que ele. Este foi o ponto decisivo no
drama singular da vida d e ja có .1

Enquanto não temos um encontro decisivo com Deus, é como se


nada tivesse sentido em nossas vidas. Este encontro divino é para todos.
Cada cristão deve ter um encontro transformador com Deus, um mo­
mento em que somos “marcados” por Ele. Após sua luta desesperada,
Jacó não era mais Jacó. Seu nome, Jacó, que significa “enganador”, foi
substituído por Israel, que significa “príncipe”.

60
A transgressão de |acó: Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

A vontade do Senhor é que nosso caráter, vidas e ministérios sejam


transformados de Jacó para Israel. Não era a primeira vez que Jacó
parara para descansar da viagem e, logo depois, tivera um encontro
com o Senhor. Vinte anos atrás, depois de fugir de seu irmão furibundo,
ele parou num lugar para pernoitar. Naquela noite, encontrou-se com o
Senhor num sonho, no alto de uma escada. Foi ali que o Senhor prome­
teu a Jacó: “Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de
volta a esta terra” (Gn 28.15). Quando deixou aquele lugar, chamou-o
Betei, que significa “casa de Deus”.
Nosso problema como cristãos é que nos sentimos tão confortáveis
em Betei que não queremos mais caminhar. Como Jacó, alguns chegam a
Betei e dizem: “Esta é a casa de Deus. Tenho bons sonhos aqui. Posso
ver anjos descendo da presença do Senhor. Isto é maravilhoso, tenho
tudo que preciso aqui, então por que me preocupar com o próximo
passo?”
A menos que demos o próximo passo, nossa terra não será restaurada.
Todos precisamos sair de Betei e ir a Peniel. Após seu encontro com
Deus em Peniel, Jacó viajou para encontrar-se com seu irmão, Esaú.
Desta vez, não houve guerra, nem mortes, e nem tragédia. Ele não preci­
sou lutar com Esaú —pois já tinha lutado com Deus.
É muito importante aprendermos que há muitas batalhas na carne que
precisamos evitar. Há somente uma luta que conta —a luta com Deus.
Com a tenacidade de Jacó, precisamos travar uma luta santa com Deus e,
em temor, dizer-lhe: “Senhor, não te deixarei ir, a não ser que me aben­
çoes”. Precisamos permitir que Deus esmague nossa vontade própria e
nossa natureza manipuladora.
Alguns anos atrás, a igreja que pastoreava na Argentina atravessou um
ano de conflitos muito intensos. Até aquele momento, havíamos traba­
lhado em unidade, mas, devido a algumas divergências internas, os obrei­
ros da igreja de repente se dividiram. Alguns membros da equipe defen­
diam um lado da questão, enquanto outros se alinhavam com a oposição.
O caso ficou tão difícil que algumas pessoas começaram a falar em divi­
dir a igreja.
Como o pastor responsável, fiz o melhor que pude para solucionar
a questão. Porém, quanto mais tentava, pior ficava a situação. Eu marca-

61
Evitand o as d oze transgressões

va uma reunião após a outra a fim de negociar uma solução, mas era
tudo em vão. Além de orarmos bastante, também realizávamos muitas
reuniões, tentando fazer que as duas partes envolvidas no conflito dialo­
gassem e encontrassem uma saída para o caso. Algumas dessas reuniões
se tornavam bastante tensas.
Certa noite, estava esgotado com tudo aquilo. Ali estava eu, viajando
às nações do mundo para levar a mensagem de santidade, justiça, e o
fogo de Deus, e minha própria igreja estava dividida. “Senhor, isto não é
bom!” clamei. Senti que minhas idéias para solucionar a crise haviam se
esgotado. Algumas de nossas idéias para pôr fim ao impasse tinham sido
bastante criativas. Esforçamo-nos muito para encerrar o conflito. Mas
nada do que tentávamos dava certo. Tudo que tocávamos simplesmente
ficava pior.
Aquela noite, caí com o rosto em terra e disse: “Senhor, não vou
dormir até que me respondas”. Já estava iniciando minha partida de luta
com o anjo do Senhor. “O Senhor tem de abençoar a mim e a minha
igreja”, orei. Continuei orando hora após hora. Estava determinado a
ouvir a voz de Deus. Preferiria desmaiar a dormir naturalmente.
Por fim, deitei-m e no sofá com a Bíblia nas mãos, e adorm eci,
exausto. Menos de duas horas depois já era dia. O Senhor, em sua
m isericórdia, estava prestes a me abençoar. Ele me levou a uma pas­
sagem específica das Escrituras. Quando li o verso, sabia que havia
recebido minha resposta.
Imediatamente, peguei o telefone e liguei para uma das partes envol­
vidas no conflito, pedindo que viesse falar comigo o mais rápido pos­
sível. “Temos uma solução para o problema”, disse àquele irmão, assim
que o vi. A partir daquele momento, apesar de passarmos por um pro­
cesso cuidadosamente ponderado, saímos do conflito —sem perder um
único membro nem experimentar uma divisão dolorosa. Os dois ministé­
rios dirigidos pelas partes envolvidas no conflito ainda estão juntos hoje,
e não pensam em separar-se. Por causa da pura graça do Senhor, a mise­
ricórdia de Deus desceu sobre nós.
Como é próprio de Deus, perm itir aquela situação a fim de me
levar ao ponto de desespero. Ele interveio quando eu não tinha mais

62
A Lransgressão cic lat.ó: Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

uma idéia para tentar. Nem mesmo o acordo de 14 páginas que haví­
amos elaborado foi suficiente para pôr fim à discussão, porque nin­
guém queria assiná-lo. Mas, quando finalmente decidi lutar com o anjo
do Senhor, a resposta veio.

Quebrantamento atrai Deus

Deus está procurando por cristãos com a carne ferida. A Palavra diz:
"Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tiago 4.6). Deus
está procurando um povo cujo nome não seja mais Jacó —que não é mais
o esperto, o trapaceiro, aquele que quer tirar vantagem de tudo. O povo
de Deus precisa ser quebrantado diante dele. Ele está procurando pes­
soas que digam: “Senhor, estou sofrendo, mas estou tão desesperado por
ti que vou continuar lutando até obter minha resposta”.
A sua resposta virá! Não tenha medo deste encontro de luta com
Deus. Não importa se você sair deste confronto mancando em sua carne.
Eu espero que isso aconteça! Os caminhos ardilosos da nossa carne
precisam ser derrotados. No relato da luta de Jacó, lemos que o anjo do
Senhor deslocou-lhe a coxa. A coxa contém o maior osso e o maior
músculo do corpo. Representa a força humana. Mas, para que Jacó viesse
a ser verdadeiramente forte em Deus, o Senhor teve de quebrar sua
força humana.
Precisamos ter o nosso orgulho despedaçado. Precisamos dizer: “Se­
nhor, usa-nos como uma geração de pessoas que são puras, não apenas
em nossos objetivos, mas também nos meios que utilizamos a fim de
alcançá-los. Faça-nos pessoas de uma só palavra”.
Jesus nos advertiu: “Seja o seu ‘s im ’, 'sim', e o seu ‘n ão’, ‘n ão’” (Mt 5.37).
Em nosso mundo moderno, atemorizado pelo litígio, com todas as suas
assinaturas e garantias de toda espécie, as pessoas ainda não cumprem
sua palavra. As alianças feitas no casamento e seladas com votos, anéis e
fotos são quebradas com extrema facilidade. As pessoas rompem acor­
dos comerciais, não mantêm a palavra em seus relacionamentos, e enga­
nam a fim de obter o que desejam.
Torne-se um homem (ou uma mulher) de palavra. Diga: “Deus Todo-
poderoso, a partir de hoje, vou ser um homem honrado; um homem

63
Evitando as d oze transgressões

honesto, um homem de palavra. Quando disser ‘sim’, as pessoas vão


saber que estou falando sério”.

Não se adiante à vontade de Deus

Jacó esperou mais de vinte anos até que a vontade de Deus se cumprisse
em sua vida. Nem sempre precisaremos esperar vinte anos, mas, muitas
vezes, atravessaremos um período de seca, um tempo de espera no de­
serto, até que a vontade de Deus se cumpra em nós. Não se adiante à
vontade de Deus para a sua vida.
Muitos cristãos de fato se adiantam. Não seja um jovem (ou uma
jovem) que não consegue esperar pelo casamento a fim de desfrutar da
intimidade física. Não pense: Não consigo esperar até o casamento; estou sendo
tentado demais. Afinal, amo minha noiva; sei que ela é a pessoa que Deus me
prometeu. Este tipo de pensamento o levará à fornicação.
E não fique ansioso para que Deus o coloque no ministério ao qual
foi chamado. Não tente apressar o Senhor, começando as coisas “por
conta própria” . Quem não consegue esperar até que as portas do mi­
nistério se abram não terá respeito para com a autoridade. Podemos
chamar isso de “síndrome de Frank Sinatra” —porque ele cantava uma
canção que dizia: “Fiz do meu jeito”. Já temos bastante vontade pró­
pria na igreja!
Quando o fogo do Senhor veio sobre mim em 1997, uma coisa ficou
bem clara —não foi do meu jeito. Foi do jeito dele. Fiquei perplexo,
envergonhado e assustado, mas esta experiência também trouxe um perí­
odo de grande regozijo quando vi Deus revelando seu plano para minha
vida. Dê tempo a Deus para que Ele trabalhe em sua vida. Vá a Peniel, e
então, em oração, espere pacientemente que seu destino seja revelado.
Deus o conduzirá até a sua bênção!
Sonho com uma nação de justiça, apesar de, muitas vezes, ver a igreja
trilhando caminhos que não são justos. Antes de receber o fogo de Deus
em minha vida, sentia-me bem. Tinha a certeza de não ter pecados es­
candalosos em minha vida. Então Deus me mostrou meu coração cor­
rupto, e as coisas começaram a mudar. Precisamos nos livrar de qual­

64
A transgressão de lacó: Usando meios carnais para obter bênçãos divinas

quer fingimento, falsidade, mentira e trapaça. Precisamos confessar cada


pecado específico, em qualquer área que Deus traga às nossas mentes.
Precisamos nos render completamente ao Senhor. Tome a decisão de,
a partir de hoje, ser uma pessoa íntegra —não mais um Jacó, mas um
Israel.
Enquanto você se esvazia desses maus caminhos, o Senhor lhe mos­
trará os dele. Toda m entira e simulação no corpo de Cristo devem ser
transform adas em com pleta honestidade. M inha oração é para que
sejamos marcados por Deus, feridos em nossa carne, para que não
ousemos mais realizar qualquer ministério em nossa carnaüdade. Que
realizemos nosso ministério no poder do Espírito Santo. Que Deus
nos faça mancar como lembrete permanente da nossa dependência
total em seu poder.
Vejo um exército sendo treinado. Este exército será tão bem equipa­
do que não sofrerá baixas. Este é o único exército em que o Comandan­
te-chefe, Deus, assegura aos seus soldados que não se tornarão vítimas.
Tudo que precisamos fazer é obedecer às suas instruções. Deus está
preparando o seu exército.
Há mais de duzentos anos, o avivalistajohn Wesley inscreveu mais de
duzentas mil pessoas em grupos pequenos. Ele se referia a estes grupos
como “clubes santos”. Certa vez, preparou 22 perguntas para serem
usadas durante seu período diário de devoções. Duas destas perguntas
eram: “Você está consciente ou inconscientemente fingindo ser alguma
coisa ou alguém que não é?” e “Você procura ser visto pelos outros
como alguém que é melhor do que realmente é?”
Precisamos voltar à honestidade no corpo de Cristo. Precisamos vol­
tar à sinceridade e veracidade. Talvez alguns terão de dar passos de
restituição. Peça a Deus sabedoria. As vezes, a oração de arrependimento
não é o último passo, e sim o primeiro. Talvez você precise dar vários
passos em direção a Deus.
Se você tem dúvidas sobre como fazer isso, peça ajuda a seu pas­
tor e a seus líderes. A medida que for treinado numa nova dimensão
de justiça, talvez você descubra que precisa fazer restituição. Se o Espí­
rito Santo o dirigir a fazer isso, faça uma lista de todos os passos es­
pecíficos que planeja dar. Assim produzirá frutos dignos de arrepen­
dimento (Lc 3.8).

65
Evitand o as doze transgressões

Uma oração de arrependimento

Pai, vê se há em mim caminhos desonestos. Sonda o maisprofundo do meu ser, ó Deus.


Tu estás me preparando para algo tão grande, tão além de minhaforça carnal. Quero
depor minhas armas carnais. Neste momento, eu as coloco no teu altar, e peço a tua
misericórdia.
Estou a ponto de lutar contigo. Não quero ser mais Jacó. Transforma-me em
Israel. Eeva-me de Bete! a Peniel Muda a minha vida p or completo. Eu renunrío a
ambição egoísta, o temor do homem, e o desejo de estar sempre agradando a todos. Em
nome de Jesus, assumo uma posição contra a falsidade, contra espíritos de mentira,
engano, insinceridade efalta de transparência. Senhor, peço que purifiques a minha
mente, meus caminhos e meus olhos. Fere a minha carne. Fa^-me mancar. Prefiro ter
minha carneferida p or ti, Senhor, do que destruída por Satanás.
Vem, ó Deus, em tua misericórdia. Quero passar de negociação à entrega total;
de compromisso condicional à consagração incondicional a ti. Recebe-me; aceita-me;
eu te entrego 100 % da minha vida! Em nome de Jesus, amém.

66
A transgressão de Sansão:
Carisma sem caráter

lguns anos atrás, ouvi falar de um pastor que estava experi­


mentando tremendas manifestações sobrenaturais em sua igre­
ja. Muitas vezes, enquanto ele pregava numa estação de rádio
cristã, o poder de Deus se manifestava nas casas dos ouvintes. Alguns
ligavam para a rádio e testemunhavam que, durante a pregação ou oração,
pó de ouro caía em suas casas. Quando ouvia esses testemunhos maravi­
lhosos, o pastor olhava para os técnicos de som e para os outros funcio­
nários da rádio para contar-lhes, mas estavam todos caídos no chão sob o
poder de Deus.
Ele contava de outros sinais e maravilhas insólitos em sua igreja.
Durante a adoração, pedras preciosas caíam na galeria do coral. Os in­
tegrantes do coral as tiravam dos cabelos! Outros descobriam que seus
dentes haviam sido obturados com ouro. Conheci pessoalmente algumas
das pessoas que viram essas obturações e também as pedras preciosas.
Depois que todas essas coisas começaram a acontecer, o pastor foi
convidado a visitar outros países a fim de compartilhar sua experiência.
Houve relatórios que contavam como pó de ouro caía num raio de apro­
ximadamente 30 metros ao redor dos templos onde ele pregava.
Evitand o as d o ze transgressões

Era evidente que Deus estava se manifestando no ministério deste


pastor. Sua igreja estava experimentando sinais e maravilhas sobrenatu­
rais, e muitas vidas foram acrescentadas à sua congregação. Houve cres­
cimento numérico a passos largos.
Alguns anos depois, recebemos notícias bem diferentes a respeito
deste homem: deixara a esposa, fugira com outra mulher e não estava
mais no ministério! Você sem dúvida me perguntaria: “Este comporta­
mento escandaloso começou de uma hora para a outra?”
E eu responderia: “Não, é preciso mais de uma machadada para der­
rubar uma árvore grande”. Ao que tudo indica, ele já dvera uma certa
medida de infidelidade durante um bom tempo e, por fim, a “árvore” não
resistiu mais. Infelizmente, este é o exemplo de um homem que tinha
carisma e dons sobrenaturais, mas não tinha um caráter sólido para
sustentá-los.

Brincando com fogo

Infelizmente, esta transgressão é muito comum em nossas igrejas. Pode­


ríamos chamá-la também “a transgressão de flertar com o mundo”. Ocorre
quando nos tornamos amigos demais das coisas que Deus não aprova ou
quando estabelecemos relacionamentos firmes que não o agradam. Na
história de Sansão, vemos um homem que destruiu a própria vida porque
flertou com o mundo. Ele se divertiu com o inimigo e brincou com a
unção que Deus lhe havia concedido.
Não há dúvida de que Sansão tinha carisma. Ele recebeu dons do
Espírito com sinais e maravilhas. Ele era um líder, chamado desde o
nascimento para a obra de Deus. Deus o encarregou como juiz para guiar
sua nação.
Este homem fora agraciado com uma boa criação. Seus pais eram
tementes a Deus. Um anjo os visitou para anunciar a chegada de um
filho. Sinais e maravilhas acompanharam seu nascimento. O anjo do Se­
nhor, isto é, a presença de Deus manifestada na forma de um anjo, disse
a seus pais: “O menino será na^ireu, consagrado a Deus desde o nascimento’’
(Juizes 13.5). Sansão fora dedicado à vontade de Deus antes mesmo de
nascer. Ele era especial.

68
A transgressão de Sansão: Carisma sem caráter

Sansão tinha as profecias certas, o treinamento certo, e uma formação


piedosa. Muitas coisas estavam certas em sua vida, mas faltava-lhe o
fundamento de um caráter piedoso. E muito perigoso ter carisma sem um
bom caráter moral.
Muitas vezes temos a impressão de que o corpo de Cristo está dividi­
do entre aqueles que aceitam os dons do Espírito e aqueles que os
rejeitam. Tenho amigos nos dois lados. Respeito tanto os tradicionais
quanto os pentecostais, e aprendo com os dois grupos. Mas é triste ver
algumas pessoas exibindo dons sem caráter piedoso. Como resultado,
tornam-se pedras de tropeço para aqueles que estão tentando caminhar
no Espírito.
A medida que lê este livro, espero que Deus lhe conceda a graça
especial de ser envolvido por toda sua santidade. Eu o convido a buscar
a santidade radical. Não espere por uma data posterior; esta pode nunca
chegar. Se você sentir o Espírito Santo falando ao seu coração sobre a
necessidade de encontrar sanddade total em sua vida, não importa qual
sua idade, comece hoje.

Você precisa de duas asas para voar

Quando meu filho caçula tinha seis anos, morávamos na Argentina. Cer­
to dia, fizemos uma competição de aviões de papel na sala de estar. Meu
filho decidiu fazer um avião bastante original —com apenas uma asa.
“Ele não vai voar”, prognostiquei.
“Papai, você não sabe; deixe-me fazer assim”, ele respondeu.
“Tudo bem”, falei, e deixei-o tentar. Com grande expectativa, ele
lançou seu avião ao ar com toda a sua força. Este deu uma frustrante
pirueta no ar e caiu de bico no chão. Conforme lhe predissera, o avião
não conseguiu voar.
Infelizmente, algumas pessoas seguem esse mesmo padrão. Elas pen­
sam que podem “voar” no ministério, mas insistem em fazê-lo com ape­
nas uma asa. Começam com grande expectativa, mas terminam amarga­
mente desapontadas. Para voar na vontade de Deus, é necessário ter duas
asas —carisma e caráter.

69
Evitand o as d oze transgressões

É impossível voar com uma única asa. No entanto, alguns cristãos


decidem ser pessoas de excelente caráter moral e se dedicam exclusiva­
mente ao ensino da Bíblia. Eles se esquecem da unção, dos milagres,
sinais e maravilhas. Alguns até foram ensinados que Deus só operava
milagres na época do Novo Testamento. Outros pensam que por senti­
rem a presença de Deus e serem usados com sinais e maravilhas sobre­
naturais, estão completamente corretos diante de Deus. Eles se esque­
cem do caráter.
Nenhum dos dois extremos é bíblico. Deus está chamando o corpo
de Cristo a ter a ousadia de crer que podemos ter as duas coisas. Pode­
mos ser cheios do Espírito e ter seus dons em nossas vidas —e também
possuir um caráter íntegro.

Sete vantagens espirituais

Cada uma das seguintes vantagens espirituais estava presente na vida de


Sansão. Elas também podem estar presentes na vida de qualquer homem
ou mulher de Deus. Porém, sem caráter, nenhuma destas vantagens lhe
garantirá o sucesso em sua vida espiritual.

1. O chamado de Deus
Sansão foi chamado para ser nazireu e líder desde o ventre de sua mãe:

C erto dia o A n jo do S enhor apareceu a ela e lhe disse: “V ocê c estéril,


não tem filhos, mas engravidará e dará à luz um filho. Todavia, tenha
cuidado, não beba vinho nem outra bebida ferm entada, e não coma
nada im puro; e não se passará navalha na cabeça do filho que você vai
ter, porque o m enino será nazireu, consagrado a Deus desde o nasci­
m ento; ele iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus”.
- luízes I 3.3-5

E maravilhoso ser chamado por Deus. Mas você sabia que muitos
daqueles que foram chamados se desqualificaram? Alguns não respon­
deram ao chamado. Outros procuraram cumprir o chamado a seu próprio
modo carnal ou de acordo ao seu próprio cronograma.

70
A transgressão dc Sansão: Carisma sem caráter

2. Uma boa preparação


Os pais de Sansão o treinaram e equiparam exatamente de acordo com as
instruções do anjo do Senhor. Levaram sua responsabilidade paterna a
sério:

Então Manoá orou ao S enhor: “Senhor, eu te imploro que o homem


de Deus que enviaste volte para nos instruir sobre o que fazer com o
menino que vai nascer”. Deus ouviu a oração de Manoá, e o Anjo de
Deus veio novamente falar com a mulher quando ela estava sentada no
campo; Manoá, seu marido, não estava com ela. Mas ela foi correndo
contar ao marido: “O homem que me apareceu outro dia está aqui!”.
- juizes I 3.8-10

Uma herança piedosa é uma maravilhosa vantagem. Mas isso não


garante o sucesso. O simples fato de nossos pais nos terem ensinado a
Palavra de Deus não significa automaticamente que vamos escolher o
caminho da santidade.

3. Sinais e maravilhas
Um anjo apareceu para anunciar o nascimento de Sansão, e depois subiu
ao céu na chama do altar onde Manoá havia oferecido um sacrifício a
Deus.

Quando a chama do altar subiu ao céu, o Anjo do S enhor subiu na


chama. Vendo isso, Manoá e sua mulher prostraram-se, rosto em terra.
Como o Anjo do S enhor não voltou a manifestar-se a Manoá e à sua
mulher, Manoá percebeu que era o Anjo do S enhor.
- Juizes I 3.20, 2 I

Deus pode fazer coisas grandes ou difíceis para chamar a sua atenção
e reafirmar seu chamado. Contudo, mesmo grandes milagres não assegu­
ram o sucesso.

4. A bênção de Deus em sua vida


Sansão teve a bênção inicial de Deus sobre a sua vida.

71
Evitando as doze transgressões

A m ulher deu à luz um m enino e pôs-lhe o nom e de Sansão. Ele cres­


ceu, e o S enhor o abençoou.
- luízes 13.24

A verdade é que precisamos fazer uma escolha para andar na bênção


de Deus. Se continuarmos flertando com o mundo, ou escolhermos um
caminho de flagrante desobediência, podemos perder tudo que Ele pla­
nejou para nós.

5. A presença tangível do Espírito


Sansão sendu o mover do Espírito em sua vida e começou a realizar
obras poderosas. As pessoas obviamente ficaram impressionadas com
suas vitórias espetaculares.

E o Espírito do S enhor com eçou a agir nele quando ele se achava em


M aané-D ã, entre Z orá e Estaol.
- luízes 13.25

O simples fato de “sentirmos a presença do Espírito Santo” numa


reunião não significa automaticamente que o pregador que a dirige esteja
caminhando em santidade. Não podemos avaliar um ministério com base
em nossos sentimentos.

6. Extraordinários milagres sobrenaturais


O Senhor permitiu que Sansão rasgasse um leão ao meio.

O Espírito do S enhor apossou-se de Sansão, e ele, sem nada nas mãos,


rasgou o leão com o se fosse um cabrito. Mas não contou nem ao pai
nem à mãe o que fizera.
- luízes 14.6

Muitos ministros caíram por presumir que os milagres em seu m i­


nistério eram um sinal de que estavam bem com Deus. Após algumas
curas, ficaram impressionados com seu próprio ministério —como se
eles fossem a origem das curas —e seu orgulho, por fim, causou-lhes a
ruína.

72
A transgressão de Sansão: Carisma sem caráter

7. Longevidade na obra
Sansão guiou Israel na posição de juiz durante vinte anos. Não podemos
pressupor que só porque alguém está pregando há muitos anos, o Espíri­
to Santo endossa tudo que tal pessoa diz ou faz.

Vá além da bênção inicial

A fim de sermos bem-sucedidos no ministério que Deus nos dá, precisa­


mos ir além da bênção inicial. Todas as aparentes vantagens que Sansão
tinha em sua vida não foram suficientes para guardá-lo do desastre espi­
ritual. O pastor Pedro Ibarra, que aconselha muitas pessoas no ministé­
rio, disse-me uma vez: “Esta é uma lei da vida: o caráter sustenta a unção,
e não vice-versa”.
Alguns anos atrás, a televisão e os jornais começaram a relatar muitos
casos de acidentes de trânsito, provocados principalmente por SUVs
com pneus defeituosos. Se esta falha não tivesse sido detectada, poderia
ter causado a perda de muitas vidas.
Podemos observar muitas falhas de caráter na vida de Sansão que,
mais adiante, vieram a ser parte de sua queda. Seriamos prudentes
em aprender com esta história das Escrituras e em evitar as mesmas
armadilhas.

Impulsividade
Uma das falhas morais de Sansão foi sua impulsividade. Juizes 14.19 diz
que Sansão ficou “enfurecido”. Sansão fora chamado para libertar Israel
da opressão dos filisteus. Foi Deus quem o chamou, mas quando matou
os homens de Ascalom, ele não estava agindo dentro do seu chamado
divino. Ele pode ter sentido a poderosa presença do Senhor —mas não
foi isso que o moveu. Sua motivação foi uma ira que não fora domada
pelo Espírito Santo.
Há pessoas que agem na força da sua ira. Há cristãos que não perdo­
aram aqueles que os maltrataram, e há supostos cristãos que ainda abri­
gam ódio por alguém. Eles não aprenderam a lição de Jesus que, mesmo
sendo crucificado, pediu ao Pai que perdoasse seus algozes. A ira pode
ser uma força motriz destrutiva.

73
Evitand o as doze transgressões

Sansão também se tornou um homem vingativo, com reações vio­


lentas.

Sansão lhes disse: “D esta vez ninguém poderá me culpar quando eu


acertar as contas com os filisteus!”.
- luízes I 5.3

Sansão lhes disse: “Já que fizeram isso, não sossegarei enquanto não me
vingar de vocês”.
- luízes I 5.7

Ele era um líder, mas, em vez de estar preparado para qualquer cir­
cunstância inesperada, sua impulsividade o levou a adotar um comporta­
mento reacionário. Ele reagia a toda ofensa que encontrava.

Personalizando o ministério
Outra falha moral de Sansão foi personalizar seu ministério. Ele come­
çou a traçar seus próprios planos de ataque sem a direção do Senhor. Em
J uízes 15.11 lemos: “Fi% a eles apenas o que eles me fiz era m ”.
Há pessoas na igreja que não conseguem encontrar seu lugar no
corpo. Elas servem durante algum tempo em um ministério, depois se
aborrecem, ficam iradas e vão para outra igreja. Mudam de igreja como
mudam os canais da TV. Se somos o povo de Deus, equipados para ser
fortes e inabaláveis no ministério, por que há tanta falta de fidelidade em
nossos ministérios? Por que tantos cristãos esperam ano após ano e nun­
ca encontram seu lugar?
Um dos problemas é a personalização do ministério. Cristãos centrali­
zados em si mesmos pensam que a obra da igreja gira em torno deles. “Se
me oferecerem tanto...” “Se tiver de incluir tal coisa nas minhas respon­
sabilidades...” “Depois que fizer isto ou aquilo primeiro...” Pensamos que
Deus nos dá uma página em branco e nos permite escrever nela à vonta­
de. Esquecemos que é exatamente o contrário —nós entregamos a Deus
a página em branco de nossas vidas, e Ele escreve nela como quer.
Achamos que somos donos de nossos ministérios. Esquecemos que so­
mos propriedade de Deus.

74
A transgressão de Sansào: Carisma sem caráter

Deslealdade
Quando as coisas davam errado ou ficavam difíceis demais, Sansào
esquecia seus compromissos e era desleal. Em Juizes 14.19, 20 lemos:
“Então o Espírito do S enhoR apossou-se de Sansào. E le desceu a Ascalom,
matou trinta homens, pegou as suas roupas e as deu aos que tinham explicado o
enigma. Depois, enfurecido, f o i para a casa do seu pai. E a m ulher de Sansào f o i
dada ao amigo que tinha sido o acompanhante dele no casamento ”, Sansào havia
se casado com uma mulher filistéia. Durante a festa do casamento,
numa explosão de jactância e orgulho, ele propôs um enigma a seus
novos amigos filisteus. Ele tinha certeza de que jamais seriam capazes
de resolvê-lo. Mas depois que sua esposa os ajudou a achar a resposta
de forma irregular, Sansào se irou e abandonou o casamento. Simples­
mente, arrumou as malas e foi embora, demonstrando total deslealdade
para com sua nova esposa.
Durante uma conferência na Argentina, um jovem pastor veio falar
comigo e me fez uma confissão. A mensagem da santidade estava cortan­
do seu coração. Ele disse: “Minha esposa e eu havíamos nos separado,
mas quando ouvi a mensagem da santidade total, fui até meu apartamen­
to, arrumei minhas coisas e voltei para casa”. Diferentemente de Sansào,
este jovem pastor aprendera que Deus exige lealdade.
Em Lucas 3.8, João Batista disse: “Dêem fru tos que mostrem o arrependi­
m ento”. O fruto do nosso arrependimento deve ser evidente, notório às
pessoas. Não podemos andar em deslealdade, ignorando os compromis­
sos e as promessas que fizemos. Não podemos abandonar as pessoas e
nossas responsabilidades numa explosão de ira. Sei de um evangelista
que viajava por todas as partes dos Estados Unidos, realizando reuniões
de avivamentos. As pessoas ficavam impressionadas com suas mensa­
gens e milagres. Mas, algum tempo depois, descobriu-se que este homem
se divorciara duas vezes e era procurado pela polícia de outro estado por
não pagar a pensão de seus filhos. Aqueles que não estão cuidando de
suas próprias famílias, não têm o direito de representar Deus atrás de um
púlpito.

Olhares sensuais
Sansão tinha uma falha em sua maneira de tratar as mulheres e nos seus
relacionamentos. Juizes 16.1 diz: “Certa ve% Sansão fo i a Ga^a, viu ali uma

75
Evitando as d oze transgressões

prostituta, e passou a noite com ela”. Como nazireu, Sansão sabia que fora
chamado à pureza moral e sexual. Mas foi incapaz de resistir ã tentação
que Satanás lhe trazia através dos desejos de sua carne.
Em Juizes 16.4 lemos: “Depois dessas coisas, ele se apaixonou p o r uma
mulher... chamada D alila”. Com certeza, você conhece a história de Sansão
e Dalila. A cobiça dos olhos e um romance imaturo foram passos decisi­
vos para sua destruição. Você precisa estar apercebido do poder que a
cobiça dos olhos e os desejos da carne têm de destrui-lo. As vezes, um
simples olhar pode levar um homem ao adultério.

Perdendo o bom senso


Sansão tornou-se tão insensível em relação à direção de Deus que che­
gou ao ponto de brincar com a unção divina. Quando Dalila lhe pergun­
tou de onde vinha sua força, ele mentiu para ela, brincando, e depois
usou a força do Senhor para se livrar da situação. Isto é perigoso!
Sansão disse a ela: “Se alguém me amarrar com sete tiras de couro ainda
úmidas, fica rei tão fra co quanto qualquer outro homem” (Juizes 16.7). Claro, “ele
arrebentou as tiras de couro como se fossem um fio de estopa posto perto do fo g o ” (v.
9). Deus instruíra Sansão a não revelar o segredo da sua força, que
estava em seu cabelo comprido.
Mas seus inimigos não estavam dispostos a desistir. Dalila continuou
perguntando qual era a fonte de sua força. Finalmente, ele lhe contou a
verdade; revelou o segredo que lhe fora confiado pelo Senhor. Lançou
suas preciosas pérolas aos porcos.
Ele pensava que quando os inimigos viessem, ainda seria capaz de
se libertar através da sua imensa força e destrui-los. Mas as coisas fo­
ram diferentes desta vez —sua força havia desaparecido. Como um pas­
tor veterano disse certa vez na Argentina: “A essência do pecado é a
estupidez”. Sansão ouviu Dalila perguntar-lhe: “Conte-me, p o r favor, de onde
vem a sua grande fo rça e como você pode ser amarrado e subjugado” (v. 6), e,
numa decisão extremamente irracional, ele lhe contou. Perdera o bom
senso.

Um falso senso de segurança


Sansão era moralmente instável. Não conseguia suportar pressão cons­
tante. Dalila o importunou e o instigou dia após dia até deixá-lo exausto

76
A transgressão de Sansão: Carisma sem caráter

(Jz 16.16). Quando as pessoas flertam com o mundo, chega um momen­


to em que suas almas ficam à beira da exaustão. Quando chegam a
esse ponto, dizem: “N ão consigo resistir mais a esta tentação. E forte
demais”.
Muitos cristãos brincam com a unção de Deus em suas vidas de
forma muito parecida à de Sansão. Eles brincam com relacionamentos
que estão fora da vontade de Deus. Assistem a seus favoritos programas
de TV —mesmo quando estes são abomináveis a Deus. Fazem coisas
erradas, falam palavras erradas, vão a lugares errados. Contudo, não se
acham tão pecadores. E, como Sansão, sua força é limitada. Chega um
momento em que não conseguem mais lutar.

Tornando-se espiritualmente indiferente


Sansão tornou-se indiferente às coisas de Deus. Ele pensou que sua vida
nunca mudaria. Ele havia dominado a “arte” de conciliar a unção divina
com o pecado em sua vida. Tornara-se um homem de muitas paixões.
Podemos ler a triste evidência de como Sansão se tornara indiferente às
coisas de Deus em Juizes 16.20:

Então ela chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando!” Ele acordou


do sono e pensou: “Sairei com o antes e me livrarei” . Mas não sabia que
o S enhor o tinha deixado.

Ele não sabia que havia brincado com a unção e também com as
coisas do mundo durante tanto tempo que, sem mais nenhum aviso, o
Espírito Santo se retirou de sua vida.
Precisamos lembrar que Jesus prometeu jamais nos abandonar. Ele
pode realmente remover a sua bênção de nossos ministérios, mas não
removerá a sua graça e o seu perdão se nos arrependermos. Certa vez,
um homem veio à casa de meus pais chorando, completamente desespe­
rado. “Acho que cometi o pecado imperdoável”, disse ele gritando. Fora
tomado pelo terror de pensar que o Espírito o havia deixado para sempre
e que não haveria mais perdão para ele.
Tenho boas notícias para aqueles que se sentem assim. Se você está
preocupado porque pensa que cometeu o pecado imperdoável... e se

77
Evitan d o as doze transgressões

está clamando a Deus por este motivo... isto é um sinal de que o Espírito
Santo não o deixou. Preocupação espiritual a respeito do estado da sua
alma só pode vir do Espírito Santo.

Andando no elevado caminho da santidade

Talvez você me pergunte: “Você está me dizendo que Deus espera que
eu ande em total e absoluta santidade?” Sim, estou! Precisamos ser total­
mente santos, ou totalmente arrependidos. Isto é possível? Por nós mes­
mos não. Você e eu não conseguimos produzir este tipo de santidade. É
por isso que prego a santidade como um milagre que vem do céu. Aque­
le que o salvou milagrosamente o santificará milagrosamente. O mesmo
Jesus que morreu por sua salvação também morreu por sua justificação,
retidão, sabedoria, e santificação. A salvação é pela fé, e a santidade
também.
Não escrevi este livro a fim de contar a você como sou santo. Acre­
dite, eu poderia contar-lhe em grandes detalhes como minha alma é
desesperadamente perversa. Minha carne é tão corrupta quanto a de
qualquer outra pessoa. Se não fosse pela misericórdia de Deus, ape­
sar de minha herança cristã de quatro gerações, ainda estaria a cami­
nho do inferno. Mas o Deus Altíssimo purificou minha alma, meus
olhos, minha mente e meu corpo. Apesar de nunca ter sido um apóstata
e de ter sido criado numa igreja cristã, houve tempos em que apostatei
em meu coração.
O que é um apóstata? Aqui está uma nova definição: é uma pessoa que
tem os pés na igreja e os olhos no mundo. Você pode ser até um ministro
e ainda assim ser um apóstata —se o seu coração estiver ansiando pelo
mundo.
Antes de partir para estar com o Senhor, o cantor Keith Green com­
pôs uma canção popular que se chamava: “Você Ama o M undo (e Está
me Evitando)”. Quando amamos o mundo evitamos a Deus. Sansão
amava o mundo, e estava evitando a vontade de Deus. Ele jam ais se
autodenominou um apóstata. Ele nunca disse oficialmente: “Desisto...”
Ele nunca declarou: “Não quero ter nada a ver com o Deus de Israel”.
Na realidade, ele pensava que estava indo muito bem. Ele nem sequer

78
A transgressão de Sansão: Carisma sem carálci

notou quando o Espírito de Deus o deixou. Achava que estava tudo


normal.
Como afirmei antes, as histórias bíblicas não foram registradas para o
nosso entretenimento. Precisamos aprender com os erros daqueles que
viveram antes de nós. Estas decisões o colocarão no rumo certo:

• Decida não usar a unção divina em detrimento do caráter. Não encubra o


pecado com sinais e maravilhas. Não permita que milagres o im­
pressionem demais. Ainda que Deus o esteja usando de forma
poderosa, se houver pecado em sua vida, você precisa se arre­
pender.
• Decida p a ra r de flerta r com o mundo imediatamente. Temos lido a res­
peito de jovens na América que dizem não ter cometido im orali­
dade sexual ou atos reais de fornicação, mas que se relacionam
com o sexo oposto de uma forma indecente. Precisamos reexami­
nar nossos hábitos de namoro e envolvimento físico. Em seu
livro Eu D isse A deus ao Namoro, Joshua Harris adverte:

Qual é a idéia principal na maioria dos namoros? Geralmente o namoro


estimula a intimidade pela própria intimidade - duas pessoas se aproximam
sem nenhuma real intenção de um compromisso de longo prazo.
... A intimidade sem compromisso desperta desejos —emocionais e
físicos —que nenhum dos dois pode satisfazer se agirem corretamente.1

• D ecida reduzir todas as suas paix ões a uma só —D eus e seu Reino.
Sansão era um homem de muitos impulsos e de muitas paixões:
a paixão da ira, a paixão da vingança, e muitas relações românticas.
Mas Deus chama seu povo a uma única paixão, a paixão por Ele
mesmo.
• Decida obter vitória permanente em Cristo, e não apenas vitórias ocasionais.
• Decida sair da posição clefra q u eja e desenvolver um caráter íntegro e sólido.
• Decida tornar-se uma pessoa completa. A sua unção, acrescente santida­
de; aos dons do Espírito, acrescente o fruto do Espírito. Ao batis­
mo no Espírito Santo, acrescente o fogo da santidade. Ao carisma,
acrescente caráter.

79
Evila n d o as d o ze transgressões

• Decida aproveitar a oportunidade que D eus lhe der p a ra restauração.


Juizes 16.22 diz: “Mas, logo o cabelo da sua cabeça com eçou a crescer de
novo”.

Na cruz, Jesus pagou o preço da nossa restauração. Ele morreu em


nosso lugar para que não tivéssemos que morrer por nossos pecados.
No final de sua vida, Sansão pediu a um servo que o guiasse até as
colunas que sustentavam o templo pagão, onde o Espírito do Senhor
veio sobre ele pela última vez. Com sua força sobrenatural restaurada,
destruiu o templo por completo. O templo desabou sobre ele e mais de
três mil filisteus. A Bíblia diz que em sua morte Sansão realizou mais do
que em sua vida (Jz 16.30).
Como é maravilhoso quando podemos honrar a Deus com nossa obe­
diência, e não através da nossa desobediência. Sim, há arrependimento e
perdão. Sim, haverá graça. Mas, como é melhor investir nossa vida em
santidade agora - enquanto ainda há tempo para servirmos a Deus. Como
é melhor ser usados como vasos de honra e não de desonra.
Se você está mantendo uma amizade constante com o mundo, e que
não é da vontade de Deus, peço que pare um momento agora para se
arrepender. Não há nada de errado em ser amigo dos pecadores —Jesus o
foi. Mas o propósito de nossa amizade com eles deve ser levá-los a
Deus, e não que eles nos levem para longe do Senhor. Relacionamentos
contrários à vontade de Deus colocam sua alma em risco.
Seja o que for que você esteja tentando conciliar à bênção e à unção
de Deus em sua vida, trate com isso agora mesmo. Elimine isso de sua
vida antes que o Espírito Santo o abandone, como fez com Sansão.
Talvez sejam programas impuros de TV poluindo seus olhos. Talvez
sejam olhares sensuais, ou a deslealdade. Livre-se disso agora.
Em muitas das conferências onde prego, preparamos uma “lata de
lixo espiritual” e convidamos as pessoas a purificar suas vidas e casas,
trazendo tudo que é ofensivo a Deus e jogando-o ali. Temos enchido
muitos barris de lixo espiritual nessas conferências. As pessoas trazem
vídeos pecaminosos, CDs demoníacos, drogas, preservativos, material
pornográfico, jóias guardadas de um caso amoroso ilícito, e muitas outras
coisas. A lista é interminável.

80
A transgressão de Sansão: Carisma sem caráter

Precisamos limpar nossas almas. Não importa se você se considera


“mais ou menos santo” ou “razoavelmente bom, porém sem a santidade
de Cristo”. Você precisa do toque de Jesus em seu coração, e que Ele o
purifique de todo vestígio de pecado em sua vida. Pare por alguns mo­
mentos, e peça que Ele faça isso agora mesmo.
Se seus olhos são impuros... se você costuma alimentar-se de algo
contaminado e não possui a pureza de Jesus em sua vida... Ele pode
imprimir em você sua própria santidade. Ele disse: “E quem vier a mim eu
jam a is rejeitarei" (João 6.37). Se você vier ao Senhor com um coração que­
brantado, não importa quão “negros” seus pecados têm sido —Jesus vai
suprir sua necessidade e restaurar sua alma.
Nunca vou me esquecer do que aconteceu numa conferência em
que ministrei sobre santidade. Em meio à glória do Senhor que desceu
sobre aquele lugar, um homem veio à frente e foi empurrando até
chegar perto da plataforma. Quando me aproximei dele para orar, ele
disse: “Pastor Sergio, molestei uma criança. Não sei se haverá perdão
para mim”.
A tremenda verdade sobre a obra de Cristo no Calvário é esta —o
sacrifício de Jesus incluiu todos os pecados. Respondi àquele homem:
“Se você se arrepender, o nosso Deus lhe perdoará”.
Não importa que ação errada que ainda o estiver torturando, seja o
que for que ainda o mantém escravo, se você se arrepender, o Deus
Todo-poderoso lhe perdoará. Ele o abraçará e lhe dará forças para re­
nunciar a este pecado para sempre.
Nas horas que antecederam a crucificação, Jesus pediu ao Pai: “Se
queres, afasta de mim este cálice”. Jesus sabia que o cálice que precisava
tomar continha toda a maldade do mundo. Naquele cálice havia homos­
sexualidade, ódio, ira, vingança, pornografia, inveja, ciúmes e acessos de
ira —tudo isso estava ali. Cada pecado da raça humana —passado, presen­
te e futuro —foi colocado no cálice da morte sacrificial de Cristo.
Por você e por mim, Jesus tornou-se a carne do pecado. Ele se tornou
o troféu do pecado. Embora jamais houvesse pecado em sua própria
vida, Ele bebeu o cálice do pecado da humanidade. Ele se tornou a
oferta definitiva por nossos pecados. Depois disso, o véu do templo
rasgou-se de alto a baixo. Não há mais divisão entre o lugar santo e o
santo dos santos.

81
Evitan d o as doze transgressões

Os grilhões do pecado foram quebrados. Uma entrada direta ao trono


de Deus foi inaugurada —uma entrada que pode ser usada por qualquer
pessoa, de qualquer parte, que venha a Cristo em arrependimento. Jesus
abriu o caminho para que os pecadores venham diretamente à presença
de Deus onde podem ser perdoados e receber o dom da vida eterna.
Não há razão para terminarmos como Sansão.

Uma oração de arrependimento

Senhor, obrigado pelos avisos contidos em tua Palavra sobre os perigos do pecado.
Obrigado por me dar uma oportunidade de acertar minha vida contigo. Deus, per­
doa-me as ve^es em que talve%brinquei com teu chamado em minha vida, e com a
tua unção sobre mim. Peço-te perdão por minha aliança pecaminosa com o mundo.
Senhor, tem misericórdia de mim. Preciso da tua purificação. Preciso ser trans­
formado ã tua imagem. Salva-me antes que seja tarde demais. Tem compaixão da
minha alma. Em nome de Jesus, amém.

82
A transgressão de Moisés:
Usando a ira piedosa de
forma impiedosa

uidado com a ira no púlpito! Alguns anos atrás, ouvimos falar de


um cristão que tocava na equipe de adoração de sua igreja local.
Provavelmente, não era um cristão muito maduro, e havia algu­
mas áreas em que precisava crescer.
Certo dia, durante uma reunião, num momento de ira —talvez até
legítima —o pastor interrompeu o culto e disse àquele homem que, por
seu pecado e rebeldia, tinha de deixar seu instrumento e sair da platafor­
ma naquele mesmo instante. Naturalmente, o homem fez o que o pastor
lhe mandara —e saiu praticamente rastejando da plataforma. Ele ficou tão
arrasado por aquela humilhação pública que saiu da igreja, para nunca
mais voltar. Foi direto ao mundo —pois não conseguiu lidar com aquela
demonstração de ira “piedosa”.
Este homem perdeu vários anos de sua vida no mundo, fazendo
coisas das quais, mais adiante, viria a se arrepender. Felizmente, esta
história teve um final feliz. Ele acabou voltando para o Senhor e co­
meçou a freqüentar outra igreja. No entanto, há milhares de outras
histórias, semelhantes à desse jovem, que não terminaram da mesma
maneira. Muitas pessoas têm sofrido de verdadeiro abuso espiritual na
casa de Deus.
Evitando as do/o transgressões

Há um grande número de cristãos bem -intencionados que são


irritadiços, nervosos e perigosamente frustrados em suas vidas pessoais.
Com o tempo, esta frustração pode trazer terríveis conseqüências. Moisés
nos dá um exemplo disso. Ele era um homem de temperamento forte.
Certo dia enfureceu-se e, numa explosão de ira, matou um egípcio. Isto
lhe custou muitos anos longe de sua terra natal.
Sua vida é um exemplo do que um homem “não-tão-piedoso” pode
vir a ser. Ele nos dá esperança. Se este tipo de transgressão estiver
presente em nossas vidas, Deus pode lidar com nossa natureza hostil e
transformar-nos em pessoas mais úteis e autocontroladas.
Há pessoas que possuem uma grande medida da unção de Deus em
suas vidas, mas carecem de autocontrole. Sua ira não foi refreada. O
ministério dessas pessoas irá bem durante algum tempo, mas, de um
modo geral, seus lares —e ministérios —terminam em desastre. Se não
tivermos caráter, tanto em nossos ministérios como também em nossos
lares, será muito difícil obtermos êxito.

A ira de Moisés

Moisés foi separado para os propósitos de Deus desde seu nascim en­
to. Ele estava destinado a tornar-se um poderoso líder para o povo
de Israel —e de fato foi ele quem os conduziu para fora da terra da
escravidão. Entretanto, até mesmo o homem mais manso de todos pode
vir a explodir em ira injustificada e colher sérias conseqüências. Moisés
foi um grande libertador, mas, devido ao seu problema nesta área, não
pôde levar seu povo a entrar na terra prometida. As Escrituras nos
dizem:

N ão havia água para a comunidade, e o p o vo se juntou contra M oisés e


contra Arão. D iscutiram com M oisés e disseram: “Q uem dera tivésse­
m os m orrido quando os nossos irmãos caíram m ortos perante o S e ­
nhor! Por que vocês trouxeram a assembléia do S enhor a este deserto,
para que nós e os nossos rebanhos m orrêssem os aqui? Por que vocês
nos tiraram do Egito e nos trouxeram para este lugar terrível? A qui não
há cereal, nem figos, nem uvas, nem romãs, nem água para beber!”

84
A transgressão de Moisés: Usando a ira piedosa de forma impiedosa

M oisés e A rão saíram de diante da assembléia para a entrada da


Tenda do E ncontro e se prostraram , rosto em terra, e a glória do S e­
nhor lhes apareceu.
- Números 20.2-6

Recentemente li num jornal a história de um pai que, numa partida de


hóquei, espancou o treinador do seu filho até a morte por causa de uma
divergência sobre a escalação do time.1 O incidente voltou a chamar
nossa atenção para o problema da violência nos esportes. Este caso dra­
mático destaca a dimensão dos danos que a falta de autocontrole pode
causar.
A boa notícia é que várias organizações estão tratando com este pro­
blema. No dia 25 de maio de 1999, numa conferência de cúpula patroci­
nada pelo Instituto de Ética Josephson, pela Liga Character Counts! (E o
caráter que conta!) e pelo Comitê Desportivo Americano, Divisão de
Treinamento, quase cinqüenta líderes esportivos influentes discutiram o
Arizona Sports Summit Accord (Tratado da cúpula desportiva do Arizona).
Alguns princípios deste tratado são:

• A fim de promover o espírito esportivo e fomentar o desenvolvi­


mento de um bom caráter, os programas esportivos devem ser
conduzidos de forma a melhorar o desenvolvimento mental, soci­
al e moral dos adetas e transmitir-lhes experiências de vida positi­
vas que os ajudem a tornar-se pessoalmente bem-sucedidos e so­
cialmente responsáveis.
• Os programas esportivos devem estabelecer padrões de participa­
ção por meio da adoção de códigos de conduta para treinadores,
atletas, pais, espectadores e outros grupos que tenham impacto na
qualidade dos programas.
• Todos os esportistas devem, de forma regular, demonstrar e exigir
integridade escrupulosa, observar e reforçar o espírito e a letra
das regras.
• A importância do caráter, da ética e do espírito esportivo deve ser
enfatizada em todos os comunicados relacionados ao recrutamen­
to de atletas, incluindo materiais promocionais e descritivos.

85
Evitan d o as doze transgressões

• Na convocação, as instruções educativas devem determinar espe­


cificamente que o atleta está seriamente comprometido em adqui­
rir uma educação e que possui ou irá desenvolver habilidades
acadêmicas e caráter a fim de obter êxito.
• Todos os envolvidos na competição esportiva têm o dever de
tratar as tradições do esporte e os demais participantes com res­
peito. Os treinadores têm a responsabilidade especial de modelar
um comportamento respeitoso e a obrigação de exigir que seus
atletas se abstenham de condutas desrespeitosas, incluindo abuso
verbal de adversários e oficiais, palavreado hostil ou profano, e
comemorações provocativas ou impróprias.
• A profissão de treinador é a profissão de um educador. Além de
ensinar nas esferas mental e física de seu esporte, os treinadores,
por palavra e exemplo, também devem esforçar-se por construir o
caráter de seus adetas ensinando-os a ser confiáveis, respeitosos,
responsáveis, justos, prestativos e bons cidadãos.2

A National Alliance for Youth Sports (Aliança Nacional para Espor­


tes Juvenis) defende que “os pais devem receber uma orientação que os
ajude a entender o importante impacto que o esporte causa no desenvol­
vimento de seus filhos”. A instituição também recomenda que os pais
assinem e cumpram um “Código de Ética para os Pais”, parte do qual
declara: “Praticarei o bom espírito esportivo demonstrando apoio positi­
vo a todos os jogadores, treinadores e árbitros em todas as partidas,
treinos ou outros eventos esportivos”.1
Muitas pessoas passam rapidamente da empolgação para a ira. A Am é­
rica Latina tem assistido a muita violência —e, infelizmente, a muitas
mortes —provocadas por emoções tempestuosas durante suas partidas
de futebol.
A ira amargurada e a frustração extrema podem ter conseqüências
terríveis. Controlar nossas emoções e o nosso caráter é muito importante
para todos —especialmente para os cristãos que estão tentando desen­
volver um espírito semelhante ao de Cristo. A ira explosiva normalmen­
te nos pega de surpresa. Lembro-me que durante meus anos de Ensino
Médio na Argentina, eu pensava ser um ótimo cristão. Mas também me

86
A transgressão do Moisés: Usando a ira piedosa de fornia impiedosa

lembro das vezes em que os professores nos pediam para fazer uma fila
antes de entrar na escola, um costume nas escolas argentinas. Muitas
vezes os que estavam atrás de mim na fila começavam a me provocar
empurrando enquanto esperávamos. Todas as vezes que isso acontecia,
eu ficava ali parado e dizia para mim mesmo: “Não vou ficar irado; não
vou ficar irado; não vou ficar...” Mas antes de terminar a frase pela ter­
ceira ou quarta vez já estava brigando com o rapaz que estava atrás de
mim! Bastava uma pequena importunação, e eu explodia!

Violência vs. Masculinidade

Quando era mais jovem, eu aceitava a ira como parte de minha masculini­
dade. Na América Latina fala-se muito em ser macho, e muitas vezes
misturamos o conceito de violência com o de masculinidade. Alguns
homens latino-americanos pensam realmente que a violência é uma vir­
tude! Acham que quanto mais você perde o controle, mais “poderoso”
você é —mais forte, e mais valente. E por isso que o espancamento de
mulheres casadas é um problema comum em alguns países da América
Latina.
Mas, à medida que os anos se passaram, entendi que eu tinha um
problema com a ira. Mesmo quando me esforçava ao máximo para con­
trolar meu gênio forte, às vezes não conseguia. A consciência de não
estar em total controle de suas próprias emoções torna um homem inse­
guro. Você não tem certeza de como reagirá na próxima vez.
Certa vez, durante uma discussão sem importância, esmurrei uma
porta para descarregar minha ira. Periodicamente, quando morava na
A rgentina, eu fazia isso: batia numa porta com os punhos cerrados.
Nunca acontecera nada, como conseqüência. Mas, desta vez, eu estava
nos Estados Unidos —onde algumas portas baratas são muito mais
finas! Parecia uma porta de madeira sólida, mas era fina como uma
folha de papel. Embora parecesse ser muito forte, abri um buraco
nela com meu soco.
Dei um passo para trás e olhei para a porta, simplesmente sem acredi­
tar que meu golpe provocara aquele estrago. Foi aí que percebi que

87
Evitando as d oze transgressões

alguma coisa devia estar errada. Talvez esta “ira de macho” não fosse
uma virtude. Estas minhas explosões de ira já não estavam mais sob meu
controle.
Antes daquele dia, já havia orado muitas vezes para vencer minha ira.
Eu tinha de lutar muito para vencer a tendência de perder o controle.
Talvez muitos se considerem facilmente frustrados ou propensos à ira.
Este é um problema que pode nos custar caro, a menos que o levemos a
Deus para que Ele realize um milagre em nossas vidas.

Da ira para a desobediência

Quando criança, li o episódio em que Moisés bateu na rocha para obter


água e depois foi proibido por Deus de entrar na terra prometida, por
causa da sua desobediência. Não consegui digerir esta história. Pensava
que seria um eterno mistério para mim. Como Deus pôde ser tão se­
vero com um homem tão consagrado e honrado como Moisés? Moisés
havia seguido a Deus fielmente durante muitos anos. Por que o Senhor
disciplinou Moisés de forma tão dura, se tudo que ele fez de errado foi
ficar um pouco irado? Afinal de contas, ele só bateu numa rocha —de
modo muito parecido ao meu golpe que abriu um buraco naquela porta.
Leia a passagem em que Moisés reagiu às reclamações do povo:

E o S f.nhor disse a Moisés: “Pegue a vara, e com o seu irmão A râo reúna a
comunidade e diante desta fale àquela rocha, e ela verterá água. Vocês tirarão
água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem ”.
Então Moisés pegou a vara que estava diante do S enhor, com o este lhe
havia ordenado. Moisés e A rão reuniram a assembléia em frente da rocha, e
Moisés disse: “Escutem, rebeldes, será que teremos que tirar água desta rocha
para lhes dar?” Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas ve^es com a vara.
Jo rro u água, e a comunidade e os rebanhos beberam.
O S enhor, porém , disse a M oisés e a A rão: “C om o vocês não con fi­
aram em mim para honrar m inha santidade à vista dos israelitas, vocês
não conduzirão esta com unidade para a terra que lhes do u”.
- Números 20.7-12

88
A Iran:pressão de Moisés: Usando a ira piedosa de fornia impiedosa

Hoje entendo as implicações da resposta de Deus ao ato de de­


sobediência de Moisés. Agora sei que a ira incontrolada desonra a
Deus. A ira é sinal de desconfiança. Explosões descontroladas de ira
são impulsos de desobediência. Quando somos movidos pela ira car­
nal, revelam os que estamos confiando em nós mesm os e não em
Deus.
Nos versos acima, vemos Moisés passando de um estado de frus­
tração e ira para desobediência. Por seu ato de desobediência, Deus
lhe disse que não entraria na terra prometida. Observe que mesmo as­
sim o milagre aconteceu. Milagres não são necessariamente um sinal de
santidade. Nosso caráter pode estar fora da vontade de Deus, mas,
por termos fé para fazer o que Deus nos ordenou, o milagre acontece.
Nenhuma disciplina poderia ter causado mais angústia para Moisés
do que ser proibido de entrar na terra, pela qual havia ansiado durante
todos aqueles longos anos de peregrinação no deserto. Em sua miseri­
córdia, Deus não o levou à destruição eterna, contudo o último estágio
de sua carreira foi arruinado. Uma grande parte de sua vida — quase
quarenta anos —fora gasta sonhando com o dia em que cruzaria o rio e
entraria na terra de Canaã. Vivera os últimos anos de sua vida com a
promessa divina de chegar àquela terra.
Como resultado de sua desobediência Moisés só teve permissão para
ver a terra à distância, do topo de um monte. Ele nunca entrou ali. Tudo
por causa da sua ira!
A boa notícia é que Moisés tornou-se um homem manso e um exem­
plo para todos nós. Mas nunca podemos nos esquecer deste erro crucial
que cometeu. Sua ira era justificável, mas a falta de controle em sua
reação, não. Ele usou uma ira dada por Deus de forma impiedosa.
Reações im piedosas representam uma tentação para m uitos ser­
vos de Deus. Pessoas que têm uma boa posição diante do Senhor
em todas as outras áreas podem ser traídas por falta de controle
em seu caráter ou tem peram ento. N a realidade, às vezes as pessoas
pensam que têm o direito de reagir em ira por estarem em p o si­
ções de autoridade. Contudo, D eus requer que os líderes andem
em hum ildade.

89
Evitand o as doze transgressões

Frustração residual

A frustração de Moisés era residual. Não era a primeira vez que o povo
de Israel reclamava dele. Ele já enfrentara situações semelhantes. Apa­
rentemente, nas outras ocasiões, as queixas do povo não o haviam afeta­
do muito. No entanto, quando viu que o povo continuava reclamando,
saiu do sério. Você está enfrentando uma situação que não sabe por
quanto tempo será capaz de suportar? Pressão, importunação, reclama­
ções, críticas ou desaprovação de outras pessoas estão acumulando-se
em seu coração, de forma tão perigosa que está a ponto de explodir em
ira? Tome cuidado para não lidar com sua ira de uma forma que desonre
a Deus.
Perder o controle de suas reações diante das situações que enfrenta é
como dizer: “Senhor, até aqui confiei em ti, mas isto já é demais. De
agora em diante, vou ter de cuidar desse assunto do meu jeito. Parece
que o Senhor não tem uma resposta para este problema”.
Estamos lidando com esta questão da ira na minha família. Tenho três
garotos com nove, onze e treze anos. Tenho visto a dinâmica da ira
operando neles. Sempre oro: “Senhor, não permita que eles herdem a ira
que já houve em minha vida em anos passados”. Entretanto, aquela incli­
nação para a ira impiedosa pode ser notada neles.
Qualquer um de nós pode ter tendência à irascibilidade —crianças,
jovens, adultos ou líderes no ministério em posição de autoridade. Mas
isso não a justifica. Explosões extremas de ira normalmente são resulta­
do de uma dor interior. Antes da pessoa perder o controle, tem de haver
uma fonte contínua de irritabilidade. Algo foi perturbando e aborrecen­
do aquela pessoa, e ela permitiu que essa irritabilidade atingisse seu
coração. Ela finalmente chega a um ponto em que não consegue mais dar
uma resposta controlada, proporcional à situação —e assim há uma ex­
plosão em que a pessoa “perde as estribeiras”. Este não é um problema
apenas para os incrédulos; é um problema para os crentes também.
Ouço falar, freqüentemente, a respeito de ministros de temperamento
explosivo. As vezes, estes homens de Deus pregam no domingo e, du­
rante o resto da semana, tratam suas esposas e os obreiros da igreja de
modo grosseiro. Ouvi falar de ministros que chegaram a ser denuncia-

90
A transgressão de Moisés: Usando a ira piedosa de fornia impiedosa

dos por agressão física durante uma discussão. Isso não deve aconte­
cer! Talvez tenhamos nos esquecido do que o apóstolo Paulo disse em
1 Timóteo 3.3 —um homem violento não é qualificado para servir a
igreja.
Eu trato a ira com muita seriedade. Recentemente, convenci um de
meus filhos a procurar ajuda. Fui bondosamente firme, até que ele relu­
tantemente concordou em visitar um conselheiro cristão. Acompanhei-o
ali, não apenas para ajudar meu filho, mas também para aprender mais.
Sim, o fogo da santidade desceu sobre minha vida e permanece comigo,
mas a santidade nunca nos leva à auto-suficiência. Preciso de meus ir­
mãos e irmãs como nunca antes. O conselheiro deu algumas dicas práti­
cas para que meu filho lidasse com suas reações de ira. Temos visto uma
mudança desde então. O problema está sob controle. Oramos sobre o
problema, depois agimos e procuramos ajuda. Pode haver momentos em
que Deus não lhe dê uma “revelação” sobre como resolver uma situa­
ção, mas lhe dê discernimento sobre pessoas a quem você pode recorrer
a fim de obter ajuda. Permaneça aberto para as duas possibilidades. Deus
sabe como nos ajudar.
Se você está carregando um sentimento de frustração crônica ou fica
irado toda vez que se lembra de determinada situação ou pessoa, então
está precisando de cura. Esta frustração crônica pode atrapalhar seu
ministério e provocar um “curto-circuito” para o impedir de alcançar o
propósito de sua vida.
Talvez você esteja frustrado com os membros ou líderes de sua
igreja. Talvez você seja um líder cristão frustrado com seus seguidores.
A frustração não é algo incomum; acontece com freqüência nesta vida. A
ira também. A Bíblia nos dá permissão para nos irarmos. O pecado de
Moisés não foi a ira; seu pecado foi a ira enraizada na desconfiança,
desobediência e desonra do nome de Deus. A Bíblia nos diz que não
devemos pecar quando nos iramos (Ef 4.26). Não devemos permitir que a
nossa ira se manifeste de forma impiedosa.
Certo dia, logo que comecei a pastorear uma congregação, um cristão
que se dizia profeta foi ao meu escritório. Numa atitude de condenação,
ele apontou o dedo para mim e disse: “Você não é o pastor desta igreja, e
nunca o será”.

91
Evitand o as d oze transgressões

Quando ouvi suas palavras, um calafrio correu minha espinha, e pen­


sei: Talve^ tenhamos cometido um erro. Mas depois percebi que aquele ho­
mem não apreciava muito meu ministério. Pela maneira como falou comi­
go, tive a impressão de que preferiria ver-me morto a pastorear uma
igreja. Quando ele saiu, havia frustração em meu coração, e sabia que era
o inicio da amargura. Mas em seguida, ajoelhei-me e disse: “Senhor, não
vou me levantar até que quebrantes meu coração”.
Eu sabia muito bem que se permitisse aquele ressentimento em meu
coração, logo se transformaria numa raiz de amargura. Um pensamento
pecaminoso cruzou a minha mente: jam ais perm itirei que outro profeta se
levante em minha igreja. 1/ou me livrar de tudo que seja profético. Alimentei tais
pensamentos por causa de uma pessoa que agira agressivamente para
comigo.
Alguns minutos depois, comecei a chorar e orar pela misericórdia de
Deus sobre a vida daquele profeta. Meu coração estava transformado.
Mas, apesar de minhas orações, ele piorou espiritualmente. Semanas de­
pois, ele começou a insultar alguns de meus líderes com palavras de
maldição. As coisas iam de mal a pior. Então preparamos uma estratégia.
Decidimos que não íamos entregar aquele homem a Satanás. Decidimos
cercá-lo com nossas orações até que estivesse espiritualmente seguro.
Seis meses depois, ele foi restaurado através de um processo que incluiu
o ensinamento de sabedoria espiritual, um pouco de disciplina e muita
paciência. Um dia ele me procurou novamente, e desta vez disse: “Sei
que você é o servo de Deus para esta igreja”. Que milagre ver tamanha
reviravolta espiritual!

Da ira momentânea à perda permanente

Creio que a capacidade que Moisés tinha de irar-se fazia parte do caráter
que Deus lhe dera. Ele ficava irado diante de coisas que feriam a honra
de Deus. Irou-se quando o povo desobedeceu às leis de Deus. Mas,
desta vez, ele usou sua ira de forma impiedosa. Por causa disso, sua ira
momentânea custou-lhe sério prejuízo. Isto aconteceu por quatro razões
básicas:

92
A transgressão de Moisés: Usando a ira piedosa de forma impiedosa

I . Moisés usou mal sua autoridade


A Bíblia nos diz que o Senhor mandou Moisés pegar a vara que estava
em sua presença. Era a vara de Arão, aquela que floresceu sobrenatural­
mente num encontro anterior com Deus e que, por ordem divina, seria
guardada no tabernáculo (veja Números 17). Aquela vara representava
autoridade e unção. A ordem de Deus era que Moisés a levasse consigo
quando estivesse diante do povo e quando falasse à rocha. Era um mo­
mento importante na vida de Moisés, e ele mal-usou a autoridade que
Deus lhe deu, usando a vara de Arão para bater na rocha.
Conhecemos uma jovem muito talentosa (que chamaremos aqui de
Nancy), que tocava teclado em sua igreja. Ela tocava nos cultos, para o
coral, e em todas as apresentações especiais. Era quase uma celebridade
na igreja. Sua formatura no Ensino Médio estava se aproximando, e vári­
os outros jovens de sua idade na congregação estavam se preparando
para ingressar na faculdade e iniciar sua formação profissional.
Nancy falou com seu pastor sobre seu desejo de ir ao seminário a fim
de se preparar para o ministério. O pastor lhe respondeu: “Não, você não
pode ir. Quem vai tocar teclado para nós?” Embora a função daquele
pastor fosse cuidar da vida espiritual das ovelhas, ele usou mal sua auto­
ridade, pensando apenas em seu conforto pessoal —de não ter de procu­
rar outro músico.
Nancy ficou na igreja e continuou no teclado. Mas, à medida que via
outros jovens indo para o seminário ou para a universidade, sentiu que as
palavras de seu pastor haviam frustrado seus planos pessoais. Pouco
tempo depois, embora suas mãos estivessem no teclado, seu coração
estava no mundo. Ela acabou se casando com um homem incrédulo. A
última coisa que ouvi falar dela é que estava no segundo casamento.
Nós que somos líderes em nossas igrejas precisamos tomar cuida­
do para não usar a autoridade que Deus nos deu em áreas que não
estão sob nossa jurisdição espiritual, especialmente quando isso envol­
ve decisões que visam nosso próprio conforto. Quando mal-usamos
nossa autoridade, em vez de ajudar as pessoas a descobrirem a vonta­
de de Deus por si mesmas, começamos a ditar-lhes o que a vontade
de Deus é para suas vidas.

93
Evitand o as d oze transgressões

Acredito que a igreja está vivendo um tempo em que não há neces­


sidade de “batermos na rocha” em nosso ministério —precisamos “falar à
rocha”. Não precisamos subir ao “monte Sinai” com uma mensagem de
condenação. Precisamos nos posicionar no “monte Calvário” e pregar
uma mensagem de esperança e salvação.
Certa vez, fui ministrar num país da América Central. Fui recebido
por um irmão que, no caminho do aeroporto até o local das reuniões,
alertou-me: “Pastor, gostaria de avisá-lo que a palavra santidade não é uma
palavra muito apropriada para ser usada onde o senhor vai pregar”. Ex-
plicou-me, a seguir, que esta palavra estava sendo usada de forma nociva
e negativa por muitas igrejas: “Estão usando esta palavra para golpear os
jovens na cabeça”, contou-me.
Fui ao meu quarto para orar antes da reunião, e perguntei ao Senhor
se Ele ainda estaria comigo, caso não usasse a palavra santidade. Precisava
de sua permissão para pregar sem mencionar esta palavra. O Senhor
havia colocado uma mensagem ardente sobre santidade em meu coração.
Ele me deu permissão.
Em vez de usar a palavra santidade, usei as palavras consagração, pu ri­
fica çã o, dedicação ao Senhor, e assim por diante. Mas, na terceira reunião,
senti liberdade de usar a palavra santidade. Deus derramou seu poder
sobre aquela reunião. Mais de seis mil adolescentes estavam presentes
e, quando ainda estava no segundo ponto da mensagem, centenas de­
les começaram a vir à frente. Eu nem sabia ao certo por que estavam
vindo. Ficaram de pé diante do altar. Muitos se ajoelharam , chorando
enquanto terminei de entregar a mensagem. Pediam a Deus que os
batizasse com sua santidade.
A santidade não é algo ruim, mas, naquela ocasião, não precisei conti­
nuar batendo na rocha. Deus havia mudado sua unção. Assim como
Deus disse a Moisés: “Fale à rocha”, Ele me deu uma nova forma de
ministrar naquela circunstância.
Embora Deus tivesse orientado Moisés para falar à rocha, ele estava
tão irado diante da rebeldia dos israelitas que bateu na rocha duas vezes.
Posso ouvi-lo dizendo: “Vocês querem água? Muito bem, aqui está a sua
água”, enquanto golpeava a rocha.

94
A Iranse/cssão de Moisés: Usando a ira piedosa de forma impiedosa

Seja qual for o papel ministerial que Deus o chamou a cumprir, cer-
tifique-se cuidadosamente de que ouviu com clareza suas instruções, a
fim de permanecer na unção que Ele derramou sobre sua vida. Cada um
de nós é chamado para servir ao Senhor. Mas não use mal a autoridade
que Deus lhe deu, tentando cumprir seu chamado a seu próprio modo.
Muitos crentes foram feridos por alguém que “bateu na rocha” em vez
de “falar à rocha”.
E fácil usar mal a autoridade. Lembro-me dos primeiros meses após
meu casamento. Foi um período em que estava tentando resolver a ques­
tão sobre a autoridade do marido na família. Eu não sabia muito bem
como ia fazer isso. Pedira a Deus uma esposa virtuosa, inteligente, e que
fosse capaz de me confrontar quando precisasse de sua sabedoria. Mas,
agora que Deus me dera alguém com estas qualidades, não estava certo
de como agir com ela! Tinha de aprender a não usar mal minha autorida­
de de marido.
O vovô Scataglini, que era descendente de italianos, costumava dizer
que seu gênio tinha um pouco a ver com suas origens na Itália. Muitas
pessoas tentam justificar seu temperamento forte com suas origens étni­
cas —especialmente quando é um lugar bem longe de onde vivem! Quando
meu avô se irritava, batia na mesa com a mão fechada. Ainda me lembro
como os pratos e talheres pulavam quando o vovô batia na mesa com
suas mãos pesadas. Era uma visão assustadora. Mas sua ira nunca passava
deste ponto. Era sua demonstração máxima.
Não posso dizer se ao bater daquele jeito na mesa, meu avô alguma
vez estava usando mal sua autoridade. Se Deus não mandou bater os
punhos na mesa, mas você o faz assim mesmo, é possível que esteja
usando mal sua autoridade. Precisamos tomar cuidado para reagir de
acordo com as ordens de Deus em nossos relacionamentos. A autorida­
de pode ser mal-usada.
Uma das áreas em que podemos usar mal nossa autoridade é na nossa
função de pais. Quando um pai enfrenta um adolescente rebelde, agindo
de forma agressiva ou descontrolada, é impressionante ver a reação e as
ameaças que o pai é capaz de fazer contra o filho. Mas, se começarmos a
usar palavras pesadas e a gritar para defender nossas opiniões, é muito
provável que acabemos abusando de nossa autoridade como pais. Levan-

95
Evitando as d o ze transgressões

tar nossas vozes fará bem pouco no sentido de aumentar nosso nível de
autoridade na situação.
Um dia pedi a um de meus pastores auxiliares que ligasse para a casa
de uma família que não vinha à igreja por algumas semanas. Ele ligou e
alguém lhe disse: “Não, não estamos com problemas; estamos todos
bem. Está tudo bem”. E pôs o fone no gancho. No entanto, o filho
caçula do casal tinha pressionado o botão sp eak erào aparelho, e a ligação
não foi encerrada.
O pastor auxiliar não acreditou no que ouvia. Insultos, gritos e m al­
dições —num lar supostamente cristão. Ele ficou atônito com o que
ouviu.
Depois ele me disse: “Eles foram tão educados comigo. Pensei que
estava tudo bem mesmo, até o momento em que pensaram ter desligado
o telefone. Então começaram a lançar palavras agressivas uns contra os
outros”.
Amigo, existe uma linha que sempre está aberta em sua casa. Os céus
estão ouvindo cada palavra. E preciso que haja uma autoridade disposta a
servir no lar. Gritaria, raiva e ameaças vãs não têm lugar na família de
Deus. Precisamos falar à situação e não mais usar força brutal.
Quando um homem está numa posição de liderança, mas abriga feri­
das em seu coração, não existe paz. E muito difícil liderar de maneira
efetiva quando temos explosões de ira. Isso é uma ofensa tão grande que
Paulo nos diz: “Ora, as obras da carne são manifestas... ira... e coisas semelhantes.
Eu os advirto, como antes j á os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não
herdarão o Reino de D eus” (Gl 5.19-21).
Eu pensava antigamente que Deus ficava muito bravo com o adulté­
rio, mas que uma explosão de ira uma hora ou outra não contava muitos
pontos negativos em seu livro. Mas não é assim que acontece. Deus quer
que seu povo demonstre a mansidão de Jesus Cristo. A ira de Moisés o
levou à desobediência, e Deus não lhe permitiu entrar na terra prometi­
da. Não deixe que suas explosões de ira o afastem do destino divino para
a sua vida.
Frustração é muito comum entre os cristãos. Talvez seja porque as
pessoas pensam que podem realizar mais com sua frustração e ira.

96
A transgressão de Moisés: Usando a ira piedosa de fornia impiedosa

Anos atrás, durante uma viagem missionária à Argentina, perguntaram


a um jovem : “Por que você é tão sério? Você parece chateado o
tempo todo”.
Sua resposta foi: “Porque quando estou sério e bravo, parece que
aprendo melhor”.
Gritos e ameaças parecem funcionar durante algum tempo. E quando
funcionam, você tem a tendência de continuar usando esta tática a fim de
continuar obtendo resultados. No entanto, a nossa ira e a justiça de Deus
não se misturam.

Pois a ira do hom em não produz a justiça de Deus.


- Tiago 1.20

Às vezes, todos nós somos tentados a usar mal a autoridade que


nos foi dada. A Bíblia nos ensina que o momento de golpear nunca é
quando estamos irados. Este é o momento de falar cuidadosamente
de acordo com a direção divina. Deus instruiu M oisés a falar à rocha,
e não golpeá-la.
Estamos vivendo na era da graça de Deus. Devemos falar a palavra
do Senhor —esta é a vara de correção mais forte que existe.

2. Moisés ministrou em frustração, não em obediência


O serviço de Moisés poderia ser chamado “serviço de ressentimento”.
Ele servia em meio à sua frustração cumulativa. Em vez de visualizar a
promessa de Deus que dizia: “Vou fazer a rocha verter água”, Moisés
viu apenas o problema.
Olhar para o problema ou para a promessa é uma decisão nossa. Ou
focalizamos no problema, ou nas promessas divinas. Não podemos evi­
tar alguns de nossos problemas. Mas se focalizarmos na promessa de
Deus para as nossas vidas, Ele falará aos nossos corações e nos dará uma
palavra rhema. Será uma palavra de esperança, uma palavra que vai nos
capacitar a abraçar a promessa divina e a continuar sendo fiéis a Ele.
Enquanto focalizarmos na promessa, vamos aprender a confiar mais nele
e não precisaremos perder o controle. Se perdermos o controle, é por­
que perdemos a confiança.

97
Evitan d o as doze transgressões

3. Moisés perdeu a nova oportunidade poroue voltou ao passado


Quando Jesus visitou Jerusalém, Ele expressou seu pesar pelo fato do
povo ter perdido o tempo da visitação de Deus. No Novo Testamento,
há pelo menos duas palavras para definir o tempo. Uma é chronos-, a outra
é kairós. Chronos é o tempo que medimos com o calendário ou relógio.
Kairós é um “momento de Deus” —um tempo específico para a interven­
ção de Deus em nossas vidas.
Quando o povo murmurou por falta de água, Deus estava dando a
Moisés uma oportunidade para mostrar seu caráter divino ao povo. Mas
Moisés não entendeu o propósito daquele momento kairós\ ele viu ape­
nas a oportunidade chronos.
Outro exemplo bíblico em que podemos ver uma oportunidade de
escolha entre um momento kairós e um simples evento chronos é a história
do paralítico no tanque de Betesda, relatada em João 5. A Bíblia diz que
de vez em quando um anjo vinha e agitava a água do tanque. Quando
isso acontecia, o primeiro que entrasse na água era curado. Por isso,
aquele paralítico ficava perto do tanque esperando, não pelo tempo chronos,
mas pelo momento kairós —o momento em que as águas eram agitadas —
para poder entrar no tanque e ser curado.
Como o homem não conseguia pular na água sozinho, ele nunca era o
primeiro a entrar depois que o anjo vinha. Quando Jesus o viu deitado ali
e descobriu que não havia ninguém para levá-lo até a água, Ele lhe fez
esta pergunta: “Você quer ser curado?” Em essência, Jesus estava dizen­
do: “Você está buscando um simples momento chronos, ou está pronto
para um evento kairós em sua vida?” Então Jesus o curou diretamente.
Creio que muitos de nós têm esperado por um momento kairós, por
uma presença angelical que traga uma bênção aos nossos lares, o milagre
que estamos esperando, a força para seguir em frente ou a volta dos
nossos filhos desviados ao Senhor. Mesmo que tenhamos esperado há
muito tempo, Deus tem um momento kairós quando Jesus vem e nos
visita. Se não perdermos o tempo de sua visitação, Ele fará milagres em
nosso meio.
Naquele momento kairós da vida de Moisés, em que devia falar à
rocha, ele obedeceu de forma seletiva e perdeu a oportunidade. Ele
falou com o povo e fez várias coisas que Deus lhe dissera para fazer.

98
A transgressão de Moisés: Usando a ira piedosa de forma impiedosa

Entretanto, perdeu a oportunidade de falar à rocha e honrar a Deus com


uma nova forma de milagre (sem falar da nova forma de obediência).
Irado, acabou batendo na rocha duas vezes.
As vezes, quando estamos irados, temos a tendência de voltar ao
passado. Você pode estar caminhando em sua vida cristã, com as coisas
indo muito bem, mas descobre que, por estar acumulando frustração e
ira, sua tendência é voltar ao velho estilo de vida. Alguns crescem muito
lentamente nas coisas de Deus, mas Ele ainda está moldando nosso
caráter e nos ajudando a controlar a nossa ira. Se quisermos estar na
primeira raia, precisamos abandonar a ira e abraçar a mansidão.
Na primeira raia, fica o altar do Senhor, o lugar onde entregamos 100
% de nossas vidas a Ele. Ali, em seu altar, renovamos nossa dedicação a
Deus e ao seu povo. E ali que dizemos: “Não terei mais explosões de
ira”.
Não somos capazes de cumprir esta promessa por nós mesmos a
menos que o poder de Deus desça sobre nós. Seu poder desce quando
Ele sabe que vamos usá-lo da forma correta. Então Ele nos envia seu
batismo de fogo e santidade. Ele nos dá a força de que precisamos para a
jornada.
Moisés não usou a unção e o poder de Deus da forma correta. Ele
recorreu à velha maneira de resolver as coisas —usando a ira. Contudo,
este mesmo homem tornou-se um grande pacificador. Você pode ser
semelhante a Moisés e, ainda assim, abrigar um caráter violento em seu
interior. Creio, no entanto, que você será transformado. O fogo de Deus
transforma o nosso caráter. Se você tem gerado contenda e divisão em
suas experiências de vida, tenho certeza que Deus lhe dará a graça de
tornar-se um embaixador da paz. Você pode se tornar um m ediador—uma
pessoa que une as pessoas em vez de separá-las.
Jesus disse aos fariseus: “E porq u e vocês transgridem o mandamento de Deus
p o r causa da tradição de vocês?... Hipócritas!” (Mt 15.3, 7). As pessoas têm a
tendência de voltar às suas tradições, fazendo as coisas da maneira velha.
Um dos problemas que impedem alguns negócios de se desenvolverem
e crescerem mais é o pensamento fixo de pessoas cjue dizem: “Sempre
fizemos deste jeito. Não queremos mudar”. O avivamento anterior pode
se tornar nossa rebelião presente.

99
f'.v il ando as do/.e transgressões

4. Moisés representou Deus mal diante do povo


O Senhor se revelara ao povo como um Deus santo. Ele sempre foi
fiel. O Senhor tinha um compromisso com Israel. Ele estava pro­
vando sua fidelidade e justiça. Embora sejamos infiéis, Ele permanece
fiel.
Mas Moisés fez diferente. A Bíblia diz que ele não confiou em Deus
o bastante. Ele não o honrou. Seu comportamento desonrou a integrida­
de de Deus aos olhos do povo. Não siga este exemplo de Moisés. Você
é uma pessoa extremamente frustrada e tem um temperamento agressi­
vo? Suas respostas são ríspidas a ponto de cortar a alma daqueles que as
ouvem? Se este for o caso, você pode estar desonrando a Deus diante de
seu povo. Quando é movido por ira e frustração, você representa mal
Jesus diante dos incrédulos.
Sei de um homem de Deus que implantou muitas igrejas e pregou
em muitos países. Ele tinha paixão pelas almas e um zelo contagiante
por pureza. Entretanto, este homem também tinha a tendência de irar-
se bastante com os pastores que treinava no ministério. Ele os tratava
como crianças rebeldes e, freqüentemente, os repreendia em público.
Por fim, estes pastores decidiram deixar a autoridade deste homem, e
procurar nova cobertura espiritual. Por sua tendência à agressividade,
o homem acabou perdendo seu ministério. A frustração é fruto da
confiança parcial. Ficamos frustrados quando dizemos: “Não creio
que Deus possa transformar a vida desses pastores que venho trei­
nando. Não creio que Deus é poderoso o bastante para vencer as
fraquezas deles. Não tenho qualquer esperança nestas pessoas”. Isso
pode acontecer nos negócios, na família, numa célula da igreja, ou até
mesmo no casamento. Falta de confiança provoca ira.
Se este é o seu problema, confesse sua ira e frustração ao Senhor
e arrependa-se. Talvez você esteja lidando com a ira há muito tempo.
Talvez até esteja com vontade de dizer: “Já confessei e me arrependi
centenas de vezes. Isso não funciona para mim”. Então arrependa-se
pela centésima prim eira vez —mas, desta vez, receba o batism o de
santidade.

100
A transgressão de Moisés: Usando a ira piedosa de forma impiedosa

A forma correta de reagir

Houve uma ocasião em que, ao ser confrontado com as queixas e exi­


gências do povo de Israel, Moisés reagiu de modo diferente. Que con­
traste entre a reação de Moisés em Números 20 e sua resposta anterior
em Êxodo 17:

Por essa razão queixaram-se a Moisés e exigiram: “Dê-nos água para beber”.
Ele respondeu: “Por que se queixam a mim? P o r que colocam o
S enhor à prova?”
M as o p o vo estava sedento e reclam ou a M oisés: “Por que você nos
tirou do Egito? Foi para matar de sede a nós, aos nossos filhos e aos
nossos rebanhos?”
E ntão M oisés clamou ao S enhor: “Q ue farei com este po vo? Estão
a p onto de apedrejar-m e!”
Respondeu-lhe o S enhor: “Passe à frente do povo. Leve com você
algumas das autoridades de Israel, tenha na m ão a vara com a qual você
feriu o Nilo e vá adiante. Eu estarei à sua espera no alto da rocha do
m onte Horebe. Bata na rocha, e dela sairá água para o p o vo beber”.
A ssim fez Moisés, à vista das autoridades de Israel. E cham ou aquele
lugar Massá e M eribá, porque ali os israelitas reclamaram e puseram o
S enhor à prova, dizendo: “O S enhor está entre nós, ou não?”.
- Êxodo 17.2-7

No primeiro incidente em que o povo de Israel precisava de água e


reclamou, o povo desconfiou de Deus —mas Moisés não. Moisés não
teve problema com a atitude do povo. Mas foi um problema para ele
quando aconteceu novamente em Números 20. Moisés agora estava acu­
mulando a ira e a frustração das contínuas pressões —o interminável
resmungo e queixume do povo que liderava. Ele estava à beira de um
colapso de caráter.
Você também está à beira de um colapso semelhante? Uma situação
recorrente em sua vida criou ira e frustração em seu coração, e você não
sabe como lidar com isso? Você começou a levar as coisas para o lado
pessoal?

101
f.vilünclo as d o /e transgressões

Dois de meus filhos brigaram recentemente. Embora meu lar seja


cristão, às vezes há conflitos a serem resolvidos. Meus filhos são muito
jovens, e estamos no processo de treiná-los nos caminhos do Senhor. Os
dois estavam discutindo com os ânimos exaltados por uma questão insig­
nificante. Comecei a corrigir o mais velho, que tem vinte anos. Notei que
ele estava tão nervoso que não conseguia controlar-se. Não fiquei assus­
tado com a carne dele, fiquei assustado com a minha.
Naquele momento, pai e filho estavam brigando por poder. Senti o
Espírito me resistindo, como se estivesse me perguntando: “O que você
está fazendo, papai? Por que está levando isso para o lado pessoal?”
Imediatamente me acalmei e disse: “Filho, não vou brigar com você.
Estou desapontado pela forma como você está agindo agora”. Com efei­
to, estava retrocedendo. Logo vi o efeito benéfico que esta atitude teve
em meu filho. Sua ira começou a cessar.
Alguns minutos depois, ele veio até meu quarto e me pediu perdão.
Depois procurou seu irmão mais novo e lhe pediu perdão também. Ele
até preparou chá para seus dois irmãos e para mim, e tivemos uma reu­
nião de reconciliação. Gostaria de poder dizer que sempre ajo dessa
forma quando enfrentamos situações tensas. Infelizmente, isso não é
verdade. Mas gosto de saborear a lembrança das vezes em que tenho
autocontrole e sou capaz de transformar uma potencial batalha numa
oportunidade de deixar um exemplo para meus filhos.
Em Exodo 17, Moisés nos deu um bom exemplo de como lidar com
reclamações. Ele não levou o problema para o lado pessoal. Ele disse ao
povo: "Por que colocam o Senhor àprova?" (v. 2, ênfase acrescentada). Ele
não ficou amargamente irado com o povo. Ele pediu a Deus instruções
específicas sobre como lidar com a situação, e em seguida obedeceu a
cada uma delas.
Quando você começar a orar pelas coisas que o estão frustrando,
o Espírito Santo lhe dará instruções cm seu coração. Ele falará com
você claramente. Esta é uma das realidades do cristianismo —Deus
pode falar conosco, e podemos ouvir sua voz. Haverá um tempo de
instrução da parte de Deus. O Espírito Santo fala conosco em amor e
nos mostra o caminho a seguir. Precisamos seguir o exemplo de Moisés
em Exodo 17, e não seu exemplo negativo em Números 20. Se res­

102
A Iransgressão de Moisés- Usando a iia piedosa dc forma impiedosa

pondermos ao Senhor e seguirmos a cada uma de suas instruções...


se formos diligentes em obedecer tudo que Deus já falou aos nossos
corações... veremos uma tremenda revolução em nossas vidas. Vere­
mos resultados poderosos.
Se você sente em seu coração aquele maravilhoso sentimento de
convicção que vem do Espírito Santo, não o resista; receba-o de braços
abertos. E parte da misericórdia de Deus em nossas vidas. Deus vê o
ressentimento em nossos corações. Se você sente dor ao ouvir o nome
de certa pessoa ou ao lembrar-se de determinada situação dolorosa, en­
tão seu coração precisa de cura.

Uma oração de arrependimento

Senhor, obrigado pelos avisos que estão na tua Palavra. Enquanto o Senhor quiser,
enquanto o Senhor me instruir a ja^er assim, vou suportar a situação frustrante em
minha vida. Não me tornarei uma pessoa violenta. Quero ser teu servo. Quero
tornar-me uma pessoa mansa. Com a tua ajuda sei que vou mudar.
1ispírito Santo, fala comigo e dá-me as instruções de que preciso para saber
como reagir a esta situação. Senhor, remove todafrustração residual em meu coração.
Ajuda-me a não levar este problema para o lado pessoal. Peço que me ajudes a
mudar o padrão de minhas reações à frustração. Ti/// nome de Jesus, amém.

103
A transgressão de Elias:
Entregando-se à desilusão

erek fora convidado a falar num a conferência cristã. O


organizador da conferência, que ouvira sua pregação em outro
lugar, declarou publicamente que o havia convidado por dire­
ção do Espírito Santo. Derek aceitou o convite e, alegremente, se prepa­
rou para a conferência com jejum e oração.
No entanto, antes da conferência, Derek e o organizador se desen­
tenderam durante uma conversa. Por causa dessa divergência, o
organizador começou a fazer algumas coisas com a intenção de corroer
a credibilidade de Derek como orador. Ele conversou com o pastor
responsável pela conferência e expôs sua “preocupação” sobre possí­
veis diferenças doutrinárias entre Derek e a igreja deles. Com um tom
de espiritualidade, ele também começou a arm ar intrigas contra Derek
entre os anciãos da igreja, com o objetivo de levantar suspeitas sobre
estas supostas divergências.
Pouco antes da conferência, alguém contou a Derek o que estava
acontecendo, e ele não tinha mais certeza se devia comparecer à confe­
rência. Contudo, decidiu ir, e o Espírito Santo se manifestou de forma
poderosa. Dezenas de pessoas foram tocadas e transformadas pela ver­
dade ensinada e pela obra do Espírito Santo. Após a conferência, vários
f-vilando ;is (lo /c transgressões

assistentes compartilharam com Derek como a mensagem havia falado


aos seus corações. Alguns escreveram cartas para agradecer-lhe a
ministraçào.
Apesar de tudo isso, Derek não conseguia parar de pensar no que o
pastor, os anciãos e os outros líderes poderiam estar pensando dele por
causa dos rumores espalhados pelo organizador da conferência. Decidiu
jamais voltar àquele lugar. Sua ministraçào naquela conferência poderia
ter sido o início de um tremendo avanço e um tempo de vitória, em
virtude do que Deus acabara de fazer através de sua vida e ministério.
Mas ele deixou-se abater por sua dúvida e constrangimento pessoais,
provocados por seus problemas com o organizador.

A síndrome do pós-avivamento

Talvez um bom nome para esta transgressão seria este: “A Transgressão


Favorita dos Servos Especiais do Senhor”. É algo que acontece com
muitos, e eu o encorajo a estudar com cuidado as lições que vamos
aprender neste episódio da vida de Elias.
Elias caiu nesta transgressão logo após sua vitória no Monte Carmelo
onde o fogo de Deus caiu sobre o altar, humilhando os profetas de Baal
que foram incapazes de obter uma resposta de seu deus pagão. Como
resultado dessa vitória sobrenatural, Elias mandou matar mais de quatro­
centos e cinqüenta profetas de Baal (veja 1 Reis 18). Elias certamente
estava num ponto muito alto do seu ministério. Era uma experiência de
avivamento.
Mas, picos de avivamento normalmente são seguidos por severas
depressões. Imediatamente após sua vitória no Monte Carmelo, encon­
tramos Elias fugindo para o monte Horebe, temendo por sua vida.

O ra, Acabe contou a je z a b el tudo o que Elias tinha feito e com o havia
m atado todos aqueles profetas à espada. P or isso Jczabel m andou um
m ensageiro a Elias para dizer-lhe: “Q ue os deuses me castiguem com
todo o rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer com a sua vida o que
você fez com a deles” .
- I Reis 19.1. 2

106
A transgressão de f.lias: r.nlregando-se à desilusão

Jezabel, a mulher ímpia do rei Acabe, ameaçou a vida de Elias por


causa de sua vitória sobre os profetas idólatras. Ela jurou que no dia
seguinte Elias seria morto. Apesar do profeta ter acabado de sair do que
chamaríamos um avivamento, ele entrou na “síndrome do pós-aviva-
mento” devido à ameaça que recebeu da rainha Jezabel.
Mesmo após experimentar um avivamento, este pecado pode provo­
car derrota na vida dos servos de Deus. Elias acabara de confrontar uma
nação inteira de pagãos e obtivera uma grande vitória. Quando ficou
provado que o altar de Baal era impotente e que o deus pagão não
responderia, mesmo depois de quatrocentos e cinqüenta profetas clama­
rem como loucos durante meio dia, Elias chamou fogo do céu que caiu
sobre o altar do Deus vivo em questão de minutos. A Bíblia diz que
quando o povo viu isso, todos caíram prostrados diante do Senhor. Co­
meçaram a chorar: “O S enhor é Deus! 0 S b n h o r é D eus!” (1 Reis 18.39).
Em meia hora, a nação inteira mudou de religião. Numa única tarde, o
povo de Israel arrependeu-se de sua idolatria a Baal e voltou a adorar o
Deus verdadeiro. Foi uma vitória gloriosa, mas uma sutil derrota estava
iminente.

Uma transgressão para fortes e fracos

Elias era um homem de Deus forte. Ele resolveu suas disputas teológi­
cas matando todos os profetas de Baal. Não recomendo este método
hoje! Na era do Novo Testamento há outras formas de aplicar a mensa­
gem, mas, naqueles tempos, aquele procedimento era um mandamento
de Deus. Andando no poder do Deus Todo-poderoso, Elias pôs fim à
maldição religiosa em Israel.
Contudo, após derrotar o paganismo, Elias entrou numa profunda
depressão. A desilusão pode afetar tanto fortes instrumentos de Deus
quanto indivíduos fracos. A desilusão tem um efeito de diminuir, aos
seus próprios olhos, tudo que você já fez no passado. Não importa
quantas vitórias você obteve; a desilusão o fará ver a vida por uma lente
escura, negativa, e severa. Quando o infecta, independentemente do que
você ou sua igreja estejam fazendo no presente, você se sentirá triste e

107
Evitand o as d o /c transgressões

verá a si mesmo como um derrotado. A desilusão o faz sentir-se como se


não tivesse razão para seguir em frente.
Foi isso que aconteceu com Elias. Este poderoso guerreiro e profeta
de Deus, que acabara de derrotar quatrocentos e cinqüenta profetas de
Baal no Monte Carmelo, estava sendo ameaçado agora por uma mulher
poderosa —e temeu tanto que fugiu para salvar sua vida.

"Eu só Quero morrer”

Diante das ameaças da rainha Jezabel, Elias fugiu para o sul, para o
deserto próximo a Berseba. Quando chegou a Berseba de Judá, deixou
ali seu servo e “entrou no deserto, caminhando um dia” (1 Reis 19.4). Chegou
a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele, e orou pedindo a morte: ‘Já
tive o bastante, S enhor” (v. 4). Talvez você já tenha sentido esta mesma
disposição. Talvez, como Elias, você esteja dizendo: “Já tive o bastante;
não posso suportar mais. Minhas forças se esgotaram. Não estou pronto
para enfrentar o futuro. De forma silenciosa, humilde e bastante evangé­
lica, vou me retirar disso tudo”. Talvez você não esteja fazendo um
escândalo e não esteja gritando. Talvez você não tenha mais forças para
gritar, mas sente que seu entusiasmo, fé e coragem chegaram ao fim.
Este homem de Deus havia matado os profetas de Baal. Quando
orou ao seu Deus, o fogo veio, e destruiu o altar de Baal. Após ter
declarado uma seca que durou três anos, orou, e a chuva veio. Através
do poderoso ministério de Elias, a bênção de Deus voltou a Israel, mas
Elias se esqueceu de tudo que Deus havia realizado em sua vida e atra­
vés do seu ministério, e queria morrer! Ele chegou a ter pensamentos
suicidas!
Em muitas cidades por onde passamos, encontramos cristãos com
pensamentos de morte. Talvez esta manhã, ou a noite passada antes de
se deitar, você desejou morrer. Talvez você pense que haja alguma
forma honrada de m orrer logo e escapar desta vida. O Espírito Santo
pode transform ar este tipo de pensamento negativo. |esus veio para
nos dar uma vida plena. O espírito de morte e suicídio não provém de
Deus.

108
A transgressão de f lias: F.ni regando-se à desilusão

Um dia nossa vida aqui na Terra vai terminar —mas somente Deus
sabe o dia e a hora. Não cabe a nós escolher a hora. Deus jamais lhe dá o
direito de tirar a própria vida. Sua vida pertence a Ele.
Jesus não veio em nossas vidas para nos trazer pensamentos depressivos
de suicídio. Ele disse: 'E u vim para que tenham vida, e a tenham p len a m en te ”
(João 10.10). Se neste momento você está nutrindo, ou alguma vez já
nutriu pensamentos dc desespero a ponto dc pensar em pôr fim à própria
vida, tenho uma boa notícia para você! Jesus Cristo vai libertá-lo desses
pensamentos.

Uma cultura de morte

Alguém definiu a nossa cultura atual, não como uma cultura de entrete­
nimento ou tecnologia, mas como uma cultura de morte. Nossa cultura é
repleta de música rock, filmes e vídeos negativos que exaltam o suicídio
e a morte. Este não é o plano de Deus; c a própria natureza do inferno.
Numa ocasião em que visitamos a Alemanha, certa mãe preocupada
trouxe-me um CD que seus filhos estiveram ouvindo. Ela não falava
nem entendia inglês, por isso não sabia o que as letras das músicas dizi­
am. Mas disse que um de seus filhos estava sofrendo muitos problemas
emocionais e de comportamento. Quando li a letra de algumas músicas,
não fiquei surpreso por ele estar com tais problemas. Uma das canções
estimulava os ouvintes a “decidir entre viver ou cometer suicídio”.
Quando li aquilo, uma ira divina veio sobre mim. Só uma mente de­
moníaca seria capaz de compor uma canção como aquela para adoles­
centes! Por que os adolescentes deveriam preocupar-se com esse tipo de
decisão? A mente dos nossos adolescentes deveria estar repleta de esco­
lhas sobre qual esporte praticar, que instrumentos tocar, e em qual res­
taurante de fast-food parar no caminho para o jogo —e não sobre cometer
ou não suicídio. A mente deles deveria estar cheia de decisões sobre que
carreira seguir e como podem ajudar mais na igreja ou levar um amigo a
Cristo. Esta é a vontade de Deus para nossos filhos.
Tal como nos dias de Elias, hoje há um forte e opressivo espírito
satânico levando as pessoas a desejarem a morte. Mas, enquanto estamos

109
f.vitando as doze transgressões

nesta terra, nosso desejo deve ser o de trabalhar o máximo que puder­
mos no Reino de Deus.
Quando Elias deixou seu servo em Berseba e adentrou sozinho no
deserto sem comida ou provisões, temos a impressão de que não planeja­
va voltar.

Chegou a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele e orou, pedindo a m or­


te: “Já tive o bastante, S enhor. Tira a minha vida; não sou m elhor do
que os meus antepassados”. D epois se deitou debaixo da árvore e dor­
miu. D e repente um anjo tocou nele e disse: “Levante-se e com a”. Elias
olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre bra­
sas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo.
- 1 Reis 19.4-6

Como a misericórdia do Senhor é maravilhosa! Ele trouxe até "fast-


fo o d ” para o profeta! Elias comeu e bebeu, em seguida deitou-se outra
vez porque estava esgotado demais. Depressão e desespero podem levá-
lo ao esgotamento! As atividades e demandas do dia-a-dia provocam
incrível stress físico em nós. Muitas pessoas hoje estão sofrendo de esgo­
tamento. Seja por seus negócios, por Jesus, ou por sua família, o cansaço
e a letargia tornaram-se o estado normal para muitas pessoas.
Quando nos mudamos para os Estados Unidos, este país se tornou
uma verdadeira terra de oportunidades para mim. Durante meus primei­
ros dias neste país, surgiram tantas oportunidades de ministério que logo
me dei conta: se havia um lugar no mundo onde poderia ficar esgotado
rapidamente, este lugar era a América.
No mundo inteiro hoje, com o fenômeno da Internet, mesmo de­
pois de onze horas de trabalho, você ainda pode passar outras duas
respondendo a seus e-maih. Nos dias de Elias, ele pelo menos podia
dormir quando o sol se punha, mas a eletricidade dos nossos tempos
esticou o tamanho dos nossos dias. Nossas vidas parecem estar ficando
cada vez mais ocupadas. Como Elias, ficamos tão esgotados que aca­
bamos em crise. E este tipo de esgotamento é bastante comum entre os
ministros hoje.

110
A transgressão de I lias: Entregando-se à desilusão

Elias estivera servindo a Deus de todo o coração, mas estava esgota­


do. Quando o anjo lhe trouxe comida revigorante e água, ele comeu,
bebeu, e voltou a dormir.

O anjo do S enhor voltou, tocou nele e disse: “Levante-se e com a, pois


a sua viagem será m uito longa” . Então ele se levantou, com eu e bebeu.
Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias c quarenta noites,
até chegar a H orebe, o monte de Deus. A li entrou numa caverna e pas­
sou a noite. E a palavra do S enhor veio a ele: “O que você está fazendo
aqui, Elias?”.
- I Reis 19.7-9

Elias deu uma resposta ao Senhor. Na verdade, ele deu a mesma


resposta pelo menos duas vezes.

Ele respondeu: “Tenho sido muito zeloso pelo S enhor, o D eus dos
Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus alta­
res, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e
agora tam bém estão procurando m atar-m e”.
- I Reis 19.10, compare com o verso 14

Creio que Elias viu as notícias no canal errado. Tudo que ele relatou
ao Senhor, as duas vezes, era negativo. Ele só viu as más notícias - não
mencionou as boas.
A resposta do Senhor foi esta: “Saia e fiq u e no monte, na presença do
S e n h o r, p ois o S e n h o r vai passar” (v. 11). Ali, experimentou um vento
forte, um terremoto, e um fogo, mas Deus não estava nestas poderosas
manifestações. Ele veio numa brisa suave.

Não preparados para o fogo

No início deste ministério de levar o fogo de Deus às nações, eu tinha


um forte desejo de orar por todos. Orava e orava, impondo as mãos
literalmente sobre milhares de pessoas. Algumas vezes, porém, senti mi­

111
[ w i l a n d o ys do/.e Iraii.sgrc.ssões

nhas mãos se retraírem quando queria orar por alguém. Era como se o
Senhor não me permitisse orar por certas pessoas. Ficava muito preo­
cupado. Ia para o hotel e dizia: “Senhor, o que aconteceu ali? Por que
não pude orar por aquela pessoa?”
O Senhor me levou ao entendimento de que algumas pessoas não
estão prontas para o fogo. Se o fogo viesse, elas poderiam perdê-lo
rapidamente ou seriam destruídas, porque seus corações estavam cheios
de desilusão, amargura e ressentimento. Estas pessoas queriam mais po­
der, mas não haviam mudado a disposição básica de seus corações.
Com este entendimento, quando vou orar por alguns indivíduos para
que recebam o fogo da santidade, mas tenho a impressão de que o Se­
nhor freia meu espírito, oro então para que o bálsamo de Gileade seja
aplicado em suas almas. Peço ao Senhor que venha sobre eles com a
unção, com seu óleo restaurador, e cure as feridas e o coração dessas
pessoas. Sei que depois que o Senhor as curar, receberão o fogo de
Deus —e aí poderão mantê-lo.
Lembre-se de como Deus ministrou a Elias naquela hora de grande
necessidade. Em vez de falar através do vento, do terremoto, ou do fogo,
Ele veio numa brisa suave. Se você está lutando com a desilusão e ficou
preso a uma atitude negativa e melancólica, deixe que a brisa suave de
Deus envolva sua alma. Se você sofre de depressão crônica, deixe que a
suave brisa da Palavra de Deus venha e o cure.
Quando Elias ouviu a suave brisa de Deus, puxou sua capa para
cobrir o rosto, saiu da escuridão de sua caverna e foi até a entrada. Então
ouviu aquela brisa suave mais uma vez, desta vez perguntando-lhe: “O
que você está fazendo aqui, Elias?” Foi então que ele deu a mesma
resposta que dera antes:

Ele respondeu: “Tenho sido muito zeloso pelo S enhor, o D eus dos
Exércitos. O s israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus alta­
res, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e
agora tam bém estão procurando m atar-m e”.
- I Reis 19.14

Embora Deus estivera ministrando de forma miraculosa às profun­


das necessidades de Elias, o profeta não compreendeu bem seu Deus.

112
A transgressão de l: lí:is: tnlregando-si: à desilusão

Pensou que tinha de continuar se preocupando, e estar triste porque


tudo estava dando errado. Achou que tinha o direito de estar deprimido e
desiludido. Mas, desta vez, Deus tinha mais instruções para ele:

O S enhor lhe disse: “Volte pelo caminho po r onde veio, e vá para o


deserto de Damasco. Chegando lá, unja Haz.ael com o rei da Síria. Unja
também Jeú, filho de Ninsi, com o rei de Israel, e unja Eliseu, filho de
Safate, de A bel-M eolá, para suceder a você com o profeta.
- I Reis 19.15, 16

Elias estava prestes a ver que o melhor ainda estava por vir. Em
essência, o Senhor estava lhe dizendo: “Você começou uma revolução
espiritual em sua nação. Agora estou enviando-o para completar a obra,
mas com uma mudança política”. Esta é a obra do avivamento. O aviva-
mento não é completo enquanto não estivermos afetando a legislação e
os líderes do governo em nosso país.

Avivamento na esfera política

John Wesley, avivalista e fundador do movimento metodista, começou a


pregar aos mineiros da Inglaterra no século 18. A história nos conta que
os mineiros vieram para ouvi-lo com seus rostos ainda negros do pó de
carvão. Mas, à medida que sua pregação começava a trazer convicção de
pecado aos seus corações, as lágrimas rolavam por suas faces, deixando
listras brancas. Mas Wesley não queria que seu trabalho ficasse limitado
a isso. Suas pregações e ensinos acabaram influenciando o parlamento
inglês. As leis começaram a mudar. Ele foi um precursor da libertação
dos escravos. Esta é a influência da pregação de avivamento.
Deus quer completar a obra que começou em nós. Esta obra envolve
mais que mudança religiosa em nossos corações —mais que uma bênção
dominical. Sua obra afetará cada aspecto de nossas vidas. O poder de
Deus, a alegria do Senhor, e sua santidade precisam nos afetar de segun­
da a domingo.

113
Evitando as d o /c transgressões

Deus estava prestes a completar a obra que iniciara na vida de Elias.


Talvez ele pensasse que já estava terminada. Talvez estivesse tão desilu­
dido que queria desistir de tudo. Talvez até tivesse desejado morrer. Mas
o Senhor estava dizendo: “Tenho mais trabalho para você. Minha obra
não depende simplesmente das suas forças. Já calculei tudo que você
precisa. Agora é o momento de ungir seu sucessor; é hora de treinar
alguém para estar ao seu lado”.
É im portante lembrarmos que a obra de Deus será concluída —
conosco ou sem nós. Se entrarmos na caverna da desilusão e do deses­
pero, e nos recusarmos a sair quando Ele intervier em nossas vidas, Ele
pode nos substituir mais cedo do que pretendia por causa de nossa obs­
tinada desilusão. Lembro-me de ter ouvido meu pai pregar esta mensa­
gem quando ainda era criança. Desde aquele tempo, mantenho minha
mente focalizada no fato de que não posso ficar desapontado ou desilu­
dido demais. Não quero que Deus me remova do ministério e coloque
outro em meu lugar. Quero continuar fazendo o que o Senhor me cha­
mou a fazer até que tenha terminado comigo.
Se Elias tivesse se recusado a sair daquela caverna para ouvir a voz
de Deus, poderia ter perdido sua unção profética. Mas, por ter respondi­
do quando o Senhor lhe sussurrou, Ele permitiu que ungisse um assis­
tente para ajudá-lo em seu trabalho. Este assistente acabaria herdando
seu ministério e receberia porção dobrada de sua unção.

Características da desilusão

Você é capaz de reconhecer um ataque de desilusão e desespero? Você


é capaz de discernir a diferença entre as frustrações e desafios diários de
sua vida e a paralisia devastadora provocada pela desilusão? Sete caracte­
rísticas podem ser encontradas em pessoas que estão atravessando o
portal para a desilusão. Estes pontos o ajudarão a identificar se você é
uma delas.

1. A pessoa desiludida tem medo


Elias não tinha motivos para pensar em morte. Afinal de contas, ele era
um homem que jamais teria um funeral —ele seria levado ao céu numa

114
A transgressão de Elias: Entregando-se à desilusão

carruagem de fogo! Contudo, por causa de sua desilusão, estava fugindo


para salvar a vida.
Alguns anos atrás, tive um problema de saúde devido a um forte
esgotamento físico. Um médico de minha congregação prescreveu-me
exatamente a terapia que não desejava —um intervalo de sete dias em
meu ministério, e repouso absoluto! Fui com minha família a uma fazen­
da para descansar. Enquanto estávamos ali, um estimado pastor e amigo
ligou-me para perguntar: “Você está assustado?”
Embora ele não tivesse como saber disso, naquela ocasião estava
sendo atacado por muitos temores, então lhe respondi afirm ativa­
mente.
“Quero lhe dizer que Satanás está atacando você exatamente na área
em que o Senhor planejou que fosse mais forte”, respondeu ele. Em
outras palavras, ele estava me dizendo que eu teria tremenda força e
resistência no futuro, e que Satanás viera para intimidar-me naquela área.
Aquela frase iniciou a minha cura como nenhum outro remédio o teria
feito.
Elias foi atacado na área em que Deus lhe queria dar uma unção
especial. Um dos dons que Deus preparou para Elias era o fato de não
provar a morte. Ele não teria um funeral - seria arrebatado ao céu. Então
Satanás o intimidou com ameaças de morte.
Muitos dos temores que temos são totalmente infundados. Não têm
base. Satanás é um aborteiro —ele tenta frustrar os dons de Deus em nós.
A A gência de Proteção A m biental (E nvironm ental Protection
Agency), que trabalha para limitar a quantidade de toxinas liberada no
meio ambiente, recentemente publicou um artigo dizendo que existe
mais poluição no interior das casas e escritórios das pessoas do que ao ar
livre. Alguns dos poluentes normalmente encontrados em casas e escri­
tórios são cancerígenos (o que significa que podem provocar câncer).
Outros podem agravar problemas de saúde preexistentes como asma e
doenças cardíacas.1
Na verdade, o problema da poluição dentro de casas e locais de
trabalho vem agravando-se nos últimos anos, por causa dos esforços no
sentido de se construir casas e escritórios mais econômicos do ponto de
vista energético. Hoje em dia, aprendemos a isolar os prédios tão bem

115
Evitando as doze transgressões
O

que não recebem o ar fresco do exterior. Isto seria excelente se o ar


capturado no interior dos prédios fosse o ar puro das montanhas —mas,
na maioria das vezes, não é este o caso. Normalmente, é um ar conta­
minado e extremamente tóxico. Sou uma dessas pessoas que gosta de
dormir com a janela aberta. Prefiro arriscar-me com o ar lá de fora.
M inha esposa gosta da janela fechada. Assim, podemos refinar um ao
outro!
Há estudos que indicam que a população em geral está exposta a
substâncias cancerígenas, em níveis excepcionalmente altos, em suas pró­
prias casas. Há agências que ensinam sobre estas substâncias e o que
fazer em relação a elas. Não sou uma autoridade em poluição do ar,
mas enquanto lia o artigo da Agência de Proteção Ambiental pensei: A
igreja está exatamente assim. A lguns dos poluentes que temos em nossos corações,
nossos pensamentos, nossa imaginação —tudo no interior das quatro paredes de
nossas igrejas —parecem estar causando mais problemas do que toda a impiedade do
mundo exterior.
Quando Jezabel informou a Elias: “Vou matá-lo”, ele não experi­
mentou os sintomas da “poluição externa” —e sim os da “poluição
interna”. O problema era sua própria desilusão interior, provocada por
seus pensamentos equivocados. Embora Deus já tivesse determinado
que ele não morreria, sua poluição interior ameaçava destruir sua alma
e levar sua vida. Ele precisava ser liberto daquela poluição que produ­
zia temor. Ele precisava de um sopro de ar puro —o ar do Espírito de
Deus e da sua unção.
Tal como fez com Elias, o Senhor está nos chamando a purificar
nossos corações e mentes para que sejamos libertos do temor.

2. A pessoa desiludida decide Quando acha oue já chega


Não foi Deus que disse a Elias: “Você já teve o bastante. Vou dar-lhe
um descanso. Vou levá-lo ao céu agora”. O próprio Elias tomou esta
decisão e disse a Deus que havia chegado ao seu limite! E assim que a
desilusão opera; estabelece falsos limites. A desilusão nos fará dizer a
Deus quando vamos parar com nosso ministério. Impede-nos de pergun­
tar a Deus se devemos avançar, se devemos continuar buscando seu
poder e seguir em frente.

116
A transgressão de Elias: Entregando-se à desilusão

Enquanto viajava pela Ásia, li um artigo a respeito do povo de Hong


Kong que dizia que o hábito de ranger os dentes está aumentando na­
quela cidade. O estilo de vida estressante, comum em Hong Kong, aca­
bou afetando a saúde dental do povo. M uitos nem sabem que de­
senvolveram o problema; em geral, rangem os dentes enquanto estão
dormindo.
Algumas pessoas experimentam stress e ficam tão tensas e ansiosas
que não conseguem descansar, nem mesmo durante a noite. Mesmo quan­
do passam oito horas dormindo, seu sono é tão agitado que se levantam
pela manhã tão cansadas quanto estavam na hora de deitar. O stress é um
fator que está afetando quase todas as pessoas na América - e no mundo
inteiro. Às vezes, ficamos tão cansados de nossas vidas estressantes que
dizemos ao Senhor: “Já tive o bastante!”
Considere isto: talvez você já teve bastante stress —mas não serviu a
Deus o bastante. Deus tem uma agenda para cada um de nós. Deus tem
um plano para mim, e um para você. Deus tem um glorioso cronograma
a ser seguido. Mas quando decidimos que não vamos mais seguir o
cronograma de Deus, criamos um problema. Isso nunca é a vontade de
Deus. Você não é o dono da sua vida; portanto, não pode dizer a Deus
quando pretende parar!
Oro para que o fogo de Deus desça sobre a sua vida e o faça dizer:
“Senhor, nunca vou desistir. Sei que talvez vou chorar e ser fraco, mas
com a força de Jesus em minha vida, jamais vou desistir”.

3. A pessoa desiludida diz Que não houve avanço


Aqueles que vivem com desilusão em suas vidas costumam dizer que
não há avivamento em suas igrejas, e que a presença do Senhor não se
manifesta nas reuniões. Parecem ter ansiedade para encerrar as coisas
quando Deus ainda não está pronto para isto.
Quando era pastor em La Plata, recebi a visita de um colega de minis­
tério. Este pastor ouvira falar que nossa igreja estava experimentando
uma visitação do Senhor, com sinais, maravilhas, e o poder do Espírito
Santo que traz convicção de pecados. Oramos por ele num culto. Mas,
enquanto saía pela porta da nossa igreja, um recepcionista ouviu-o dizer
a um de seus assistentes: “Não há nada acontecendo nesta igreja. Por que
viemos para cá hoje?”

117
Evitando as d oze transgressões

Algumas semanas depois, ouvi o restante da história. Quando aquele


pastor voltou para sua congregação, ele não sabia que recebera o fogo de
Deus durante a oração. Pensava que o fogo do Espírito seria demonstra­
do por meio de alguma explosão emocional, e naquele momento não
sentira coisa alguma. No entanto, quando abriu sua Bíblia para pregar, a
presença de Deus invadiu a reunião, e um novo mover de Deus teve
início em sua igreja. Este homem aprendeu que o fogo da santidade não
é uma emoção; não é um sentimento —é uma obra soberana do Espírito
Santo em nossas vidas.
Fico pensando em meu país natal, Argentina, que experimentou di­
versas ondas do poder de Deus. Em algumas de nossas reuniões no
passado, o poder de Deus era tão intenso que dava a impressão de ter ido
ao céu e voltado. Entretanto, há pessoas no meu país —inclusive líderes
de igrejas —desperdiçando tinta com artigos que dizem que nunca houve
um avivamento na Argentina.
Talvez não houve avivamentos em suas cidades e estão dizendo, como
Elias: “Tenho sido muito zeloso pelo poder do Senhor. Sou o único que
sobrou. Não há mais ninguém justo”. Pessoas assim contagiam outras
com sua depressão. Falam negativamente; realmente gostam de procla­
mar a morte do avivamento. Em vez de exaltar o que o Espírito Santo fe ^
só apontam o que Ele ainda não fe%. Pessoas assim sempre encontrarão
um defeito e dirão que não houve progresso algum.
Talvez, em seu íntimo, você esteja discordando do Senhor. Não é um
rebelde declarado em relação a isso; não está gritando com Deus ou com
seus líderes, mas, em seu coração, está sofrendo de desilusão. Talvez
tenha já se retirado da cena de ação. Como Elias, você pegou seus dons,
seu tempo, seus recursos, sua força —tudo que tem - e fugiu para uma
caverna, só para ficar ali sentindo pena de si mesmo.
Talvez você tenha motivos para isso. Talvez não seja porque uma
Jezabel está lhe dizendo que vai matá-lo amanhã —mas pode ser que um
líder da igreja o ofendeu. Talvez seu cônjuge o deixou para ficar com
outra pessoa. Talvez você tenha superado a dor e a tristeza, mas não
consegue escapar da desilusão que invadiu sua alma. Talvez você esteja
clamando a Deus: “Se o Senhor realmente tivesse estado ali, as coisas
teriam sido diferentes. O que aprendi é que não posso confiar totalmente
em ti”.

118
A transgressão de I lias: Entregando-se à desilusão

Você está confiando em Deus para a sua salvação —e mais nada? Sua
desilusão o está impedindo de envolver-se emocionalmente em sua igre­
ja, porque da última vez que fez isso, as coisas não deram muito certo?
As pessoas ficam relutantes para assumir seu próximo desafio no minis­
tério quando não entendem o que aconteceu na sua última tarefa. Preci­
samos resistir à força da desilusão que nos torna parte de uma “audiência
passiva”, encontrada em tantas igrejas.
A transgressão da desilusão pode atacar um cristão que serve a Deus
há trinta, quarenta, ou até cinqüenta anos na igreja. Pode apresentar-se
mascarada, na forma de uma queixa legítima, e parecer uma atitude pie­
dosa —mas no fim sua essência é sempre o sentimento de estar desapon­
tado com Deus.

4. A tristeza da pessoa desiludida leva-a ao esgotamento


Existe uma tristeza emocional extremamente intensa e problemática, ca­
paz de levar nossos corpos físicos ao esgotamento. Elias estava tão can­
sado fisicamente que se deitou duas vezes. O anjo precisou vir a ele,
despertá-lo, e dar-lhe comida as duas vezes. Em vários países a depres­
são é uma das principais doenças hoje. Você sabia que a depressão pode
até mesmo enfraquecer seu sistema imunológico e torná-lo mais vulne­
rável às doenças? Ela também leva as pessoas a confiarem em medica­
mentos prejudiciais à sua saúde.

5. A pessoa desiludida foge e se esconde


Algumas pessoas deprimidas se escondem em seus vícios; uns comem
demais, outros não comem o suficiente. Alguns se entregam ao entrete­
nimento e à televisão, com uma necessidade de preencher as 24 horas do
dia —mas com coisas contrárias à vontade de Deus. A desilusão os leva a
fazer alguma coisa —qualquer coisa —para fugirem da realidade dia após
dia, mantendo suas mentes distraídas. Como é trágico ver tantos pastores
— que são chamados a curar os oprimidos —infectados também por esta
síndrome!

6. A pessoa desiludida confunde sua desilusão com zelo religioso


Algumas pessoas estão tão enganadas e confusas que pensam estar
fazendo um favor a Deus com sua negatividade. Acreditam que estão

119
r.vilando as do/.e transgressões

feridas, amarguradas, ressenddas e excluídas porque todo o mundo


está errado. Crêem que são as únicas pessoas certas. Desenvolveram
um complexo de mártires. Sempre que sou tentado a pensar que sou
muito espiritual e que os outros não o são, sei que estou numa ar­
madilha. E perigoso andar neste caminho, pois logo virão os proble­
mas. Deus está nos chamando a sair dessa estrada; termina num beco
sem saída.
A maioria das pessoas que assistem TV —inclusive eu —surfa por
todos os canais. Quando vejo TV, quero ver tudo que está passando ao
mesmo tempo. Vivemos na era das alternativas, mas também da inquietude,
da agitação. Algumas pessoas “surfam” pelas igrejas da mesma maneira
que surfam pelos canais da sua televisão. Com o simples “toque de um
botão” (ou o giro da chave na ignição de seu carro), elas mudam de
igreja. Talvez dizem: “Não gostei do programa deste mês”, então vão
embora. Elas continuam mudando e nunca se estabelecem em algum
lugar. Nada lhes interessa.
Pessoas desiludidas, em geral, fazem parte de um grupo conhecido
como “surfistas de igreja”. Costumam ser agitadas, contudo pensam
estar protegendo seu zelo religioso. Às vezes, chegam a pensar que
Deus as enviou a uma igreja específica a fim de corrigirem o pastor.
Mas não se enraízam em igreja alguma, porque nenhuma é espiritual o
bastante para elas.

7. A pessoa desiludida não visualiza a conclusão do plano de


Deus, ignorando o fato de Que o melhor ainda está por vir
Elias não sabia que Deus estava prestes a usá-lo para completar a obra
que tinha para ele. Ainda faltava ungir Hazael e Jeú como reis de na­
ções. E também precisava ungir Eliseu como seu sucessor. Provavel­
mente, esta última tarefa seria a maior e a mais duradoura que Elias
taria para Deus e seu Reino. Satanás adora tirar os cristãos da corrida,
especialmente durante a última volta, antes da maior vitória de todas.
Precisamos estar alertas às maquinações do inimigo e orar para que
Deus nos proteja e nos guarde, até que seu plano seja cabalmente
cumprido em nossas vidas.

120
A transgressão t!e f'lí:.is: L n trc g a n d o se à desilusão

Se você tem acreditado que tem o direito de se isolar ou desconfiar


de Deus (ou de seus pastores e líderes espirituais), você pode estar
sofrendo do que chamo trauma religioso. Oro para que você se coloque
diante do Senhor e renda seu trauma à cruz de Cristo. Esteja disposto a
trocar sua desilusão por esperança, fé e poder.

Quebrando o padrão antigo

Se há muito você vive na desilusão, precisará de tempo para mudar a


maneira como vê e reage à realidade que o cerca. Lucas 22 revela alguns
princípios que nos mostram como agir:

C om o de costum e, jesus foi para o monte das Oliveiras, e os seus discí­


pulos o seguiram. Chegando ao lugar, ele lhes disse: “ O rem para que
vocês não caiam em tentação”. F.le se afastou deles a uma pequena dis­
tância, ajoelhou-se c com eçou a orar: “Pai, se queres, afasta de mim este
cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” . Apareceu-
lhe então um anjo do céu que o fortalecia. Estando angustiado, ele orou
ainda mais intensam ente; e o seu suor era com o gotas de sangue que
caíam no chão. Q uando se levantou da oração e voltou aos discípulos,
encontrou-os dorm indo, dom inados pela tristeza.
- Lucas 22.39-45

Vamos examinar mais de perto os princípios revelados nestes versos.

Precisamos nos render totalmente à vontade de Deus (v. 42)


Precisamos aprender a confiar em Deus mesmo quando não entende­
mos o processo inteiro. Você está disposto a abrir mão de sua ira e
amargura para com Deus por causa de questões ejue lhe causaram dor
ou frustração, pelo fato de não ter conseguido ver o quadro completo
como Deus o vê? Não conseguimos ver como Deus vê. Salomão, o
homem mais sábio que já viveu no mundo, fez esta declaração em
Eclesiastes 3.11: “Ele fes^ tudo apropriado ao seu tempo. Também p ô s no cora­

121
F.vitando as d o /c transgressões

ção do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender
inteiramente o que D eus fe%”.
A Bíblia nos ensina que os caminhos de Deus são perfeitos. No
entanto, com que facilidade culpamos a Deus quando as coisas dão erra­
do! Se alguém cometeu um erro, não foi Deus —e sim o homem. Como
Romanos 3.4 nos ensina: "Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso”. Em
outras palavras, Deus tem razão; nós estamos errados.
Enquanto orava na noite anterior à sua crucificação, Jesus expressou
um desejo contrário ao de seu Pai: ‘Vai, se queres, afasta de mim este cálice;
contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tu a” (Lucas 22.42). Separe um
momento para entregar a Deus tudo que você possui. Entregue tudo ao
Senhor, e Ele lhe dará algo novo.

Não se renda à tristeza (v. 44)


Lucas 22.44 diz: ‘Estando angustiado, ele orou ainda mais intensamente”. Jesus
estava triste, porém não amargurado. Ele não estava desiludido. Não se
escondeu numa caverna. Estava disposto a marchar pelas ruas com sua
cruz e ser crucificado no alto de um monte. Devemos seguir o exemplo
de Jesus. Não se renda à tristeza.
Observe que os discípulos caíram no sono, vencidos pela tristeza.
Algumas pessoas na igreja estão dormindo, pelo menos espiritualmente,
porque estão exaustas de tanta tristeza. Existem coisas que não conse­
guimos resolver por nós mesmos, mas podemos levar nossa tristeza a
Jesus. Ele suporta as nossas cargas. Como sua Palavra nos ensina:

Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu


lhes darei descanso. Tomem sobre voccs o meu jugo e aprendam de
mim, pois sou m anso e humilde de coração, e vocês encontrarão des­
canso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
- Mateus I 1.28-30

Jesus o receberá de braços abertos c lhe dará um novo coração e uma


nova maneira de pensar. A Palavra de Deus também nos ensina que
somos transformados pela renovação da nossa mente (Rrn 12.2). Jesus
nos ajudará a pensar e agir de forma diferente.

122
A transgressão de í.lias: Lnlrc^ando-sc a desilusão

Ore para não cair em tentação


Se você está desiludido, corre o risco de cair em outros tipos de peca­
do. Ore para não cair em tentação. Este é um chamado urgente para os
que estão trilhando o caminho da desilusão. Você precisa voltar. Uma
das mais fortes advertências na Bíblia é esta: “Cuidem que ninguém se
exclua da graça de Deus; que nenhuma rai^de amargura brote e cause perturbação,
contaminando m uitos” (Hb 12.15). Amargura não tratada pode arruinar
sua vida cristã.

Diga à sua alma o Que fazer


Não deixe que sua alma lhe diga o que fazer. O salmista sabia que pode­
mos exercer autoridade sobre nossas emoções rebeldes:

Por que você está assim tão triste, ó minha alma?


Por que está assim tão perturbada dentro de mim?
Ponha a sua esperança em Deus!
Pois ainda o louvarei;
Ele é o meu Salvador e o meu Deus.
- Salmo 43.5

O salmista estava falando à sua própria alma. Ele não estava louco.
Sabia que tinha autoridade sobre a sua própria alma.
Se persistirmos em abraçar a desilusão, continuaremos nos sentindo
como vítimas. Podemos até chegar a sentir que Deus deveria nos dar
mais atenção. Algumas pessoas querem comprar a compaixão de Deus,
sentindo pena de si próprias. Alguns ficam esperando que Deus fique
comovido e venha ajudá-los.
Por experiência própria, posso lhe dizer que Deus não trabalha assim.
Sempre que faço uma birra espiritual ou me sinto como uma vítima, não
consigo resultados. Aprendi algo melhor —eu nem sequer tento mais
aquela tática. Ele nunca aceitou meu convite a festas de autopiedade!
Não tento mais impressionar o coração de Deus com minha mentalidade
de vítima. Em vez disso, tento alcançá-lo com minha fé.
E quanto a você? Você quer alcançar Deus?

123
Evitando as doze transgressões

Uma oração de arrependimento

Pai, obrigado por esclarecer nossos pensamentos e desfazer a confusão através da tua
Palavra. Pai, obrigado porque tu estás mostrando o caminho a seguir e estás remo­
vendo o temor e os complexos de inferioridade de nossas vidas.
Senhor Deus Todo-poderoso, em nome de Jesus, eu te peço que venhas e nos
libertes da desilusão. Para ti nada é impossível. Oramos p or uma poderosa e
transformadora visitação do teu Espírito. No lugar da desilusão, dá-nos esperança.
En via teus anjos para nos ajudarem. Obrigado por tua proteção contra o inimi­
go. Ajuda-nos a discernir nossos próprios pensamentos. Liberta-nos daqueles que
não provêm de ti, e purifica-nos. Em nome de Jesus, amém.

124
6 A transgressão de |osué:
O pecado da presunção

\ s irmãos de uma igreja que conheço passavam muito tempo orando


( J e buscando a Deus. Em várias ocasiões o Senhor lhes deu uma
palavra indicando que um avivamento estava para chegar àquela
região. Estes irmãos ansiavam muito fazer parte daquela grande colheita.
Os momentos de adoração eram maravilhosos; os de oração, poderosos.
Apesar disso a igreja nunca crescia. A porta da frente era como uma
porta giratória; quando uma nova família vinha para a igreja, uma ou duas
saíam.
Após muitos anos neste ciclo, descobriu-se que o pastor estivera
envolvido em práticas sexuais ilícitas durante todo este tempo. Foi um
choque devastador para toda a congregação. A princípio, não consegui­
am acreditar naquilo. Aquele servo do Senhor estivera no púlpito du­
rante trinta anos! Quando foi confrontado, perguntaram-lhe: “Como você
pôde continuar pregando a cada semana, se sabia que estava vivendo
um estilo de vida pecaminoso?” Sua resposta foi inesquecível. Ele dis­
se: “Eu me arrependia a cada semana e pedia perdão a Deus antes de
pregar”.
O seu pecado provocou muitas feridas na congregação. Muitos sim­
plesmente a abandonaram e foram para outra igreja —mesmo depois do
[.vilando as do/.e transgressões

pastor já ter ido embora. A igreja não conseguia acreditar que Deus
deixaria uma pessoa no púlpito durante tantos anos sem revelar seu pe­
cado. Algumas pessoas saíram e não procuraram outra igreja.
Transgressões são pecados ou fraquezas que, mais cedo ou mais tar­
de, nos arrastarão para fora do caminho de Deus, trazendo derrota e
desastre para nossas vidas. A transgressão da presunção ocorre quando
acreditamos ter ouvido a voz de Deus, mas não examinamos nossos
corações, nem obedecemos às suas ordens. Presunção espiritual é agir
com base na palavra rhema de Deus e esquecer-se de sua palavra logos. A
palavra rhema comunica uma orientação específica de Deus. Ela pode vir
através de uma profecia ou de uma palavra de conhecimento. Muitas
pessoas passam a vida inteira procurando por este tipo de conhecimento
espiritual e, mesmo assim, fracassam na vida. Desenvolvem uma sensibi­
lidade por palavras de direção, mas fazem isso em detrimento de apren­
der e aplicar a Palavra de Deus, a palavra logos.
Josué tinha uma palavra rhema que lhe disse: “Vá e tome posse da
terra”. Mas ele negligenciou a palavra logos, a lei da santidade estabelecida
por Deus muitos anos antes.
Quando agimos com presunção, nossas vidas e ministérios não pros­
peram da forma como imaginávamos. Alguns cristãos ficam profunda­
mente feridos porque presumiram ter ouvido e entendido a Deus. Então,
quando as coisas não saem conforme esperavam, acham que nunca vão
superar isso.

Sinais de presunção

E possível discernir presunção em nossas vidas. Examinando um episó­


dio na vida de Josué, podemos aprender princípios importantes que re­
velam os sintomas da presunção. Aprenda a identificar estes sintomas em
sua própria vida.

Ficando arrasado Quando as coisas não saem conforme se esperava


Imediatamente após a gloriosa vitória sobre a cidade de Jcricó, Josué
guiou os israelitas a outra batalha com seus inimigos —desta vez, os
resultados foram avassaladores.

126
A I raasy/cssão de losuc: O pecado da prcsuncíu

Assim o S enhor esteve com Josué, cuja fama espalhou-se p o r toda a


região. Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagra­
das. Acã, filho de Carm i, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá,
apossou-se de algumas delas. E a ira do S enhor acendeu-se contra Isra­
el. Sucedeu que Josu é enviou hom ens de Jerico a Ai, que fica p erto de
B etc-A ven, a leste de Betei, c ordenou-lhes: “Subam e espionem a re­
gião” . Os hom ens subiram e espionaram Ai.
Q uando voltaram a Josué, disseram: “N ão é preciso que todos avan­
cem contra Ai. E nvie uns dois ou três mil hom ens para atacá-la. N ão
canse todo o exército, pois eles são poucos” . P or isso cerca de três mil
hom ens atacaram a cidade; mas os hom ens de A i os puseram em fuga,
chegando a m atar trinta e seis deles. Eles perseguiram os israelitas des­
de a porta cia cidade ate Sebarim, e os feriram na descida. D iante disso
o povo desanimou-se completamente.
- ]osué 6.27-7.5, ênfase acrescentada

Quando os israelitas foram derrotados por seus inimigos, não viram o


episódio apenas como uma perda temporária —eles perderam a confiança
no futuro. Seu senso de confiança e esperança foi quebrado.
Em meus anos de colegial na Argentina, eu tinha problemas parti­
cularmente com uma matéria —inglês. Sempre ficava de recuperação. Era
difícil. Pensava que não tinha o “dom” de falar inglês e ficava desanima­
do. Mas, no processo de lutar com aquela matéria, determinei que iria
dominar tanto o curso quanto o idioma. Alguns anos depois, eu já conse­
guia ler, falar e pensar em inglês. A princípio, minha experiência foi
traumática. Depois vi que cresci através dela.
Muitos cristãos experimentam derrota e não sabem como superá-la;
por isso seus corações derretem e esfriam para com Deus. Mas Deus
não usa derrotas para nos assolar e, sim, para nos ensinar novas lições.
Precisamos vencer o choque inicial da derrota, tirar proveito da expe­
riência difícil, e seguir em frente no plano de Deus.

Experimentando perplexidade em vez de propósito


Se você se sente perplexo diante das situações que se lhe apresentam, é
possível que esteja caminhando para a presunção. Talvez você esteja
tentando entender a Deus e as coisas que Ele faz em sua vida, mas não

127
E v ita n d o a s d o z e t r a n s g r e s s õ e s

consegue entender o propósito divino em sua situação. Por isso, você


não tem um senso de propósito em sua vida - apenas perplexidade.

Então Josué, com as autoridades de Israel, rasgou as vestes, prostrou-


se, rosto em terra, diante da arca do S enhor, cobrindo de terra a cabe­
ça, e ali perm aneceu até a tarde.
- Josué 7.6

Hoje em dia encontramos muitos membros do corpo de Cristo num


estágio de perplexidade. São igrejas e famílias sofrendo por situações
que não conseguem entender. Elas ficaram desapontadas e agora estão
na fase do “Por quê?” Se você está nesta fase, talvez esteja fazendo
perguntas do tipo:

• “Por que confiei naquele pastor durante tanto tempo?”


• “Por que fui tão ingênuo?”
• “Por que acreditei tanto em Deus? Veja o resultado!”
• “Por que me dediquei tanto à nossa igreja?”
• “Por que acreditei que os dons do Espírito operariam em minha
vida?”
• “Por que fui ter este sonho absurdo de que Deus ia me usar?”
• “Por que perdi tanto tempo orando para cjue aquela pessoa fosse
curada?”
• “Por que não cuidei de minha própria vida e me dediquei a coisas
seculares?”

E muito provável que algumas dessas perguntas tenham ocorrido à


mente de Josué aquele dia, enquanto permaneceu diante do Senhor. Ele
estava cheio de perplexidade. Ele não podia entender por que o Senhor
havia guiado Israel para a batalha - só para ser derrotado.

Sentindo-se arrependido por ter seguido a Deus no último passo


Pessoas paralisadas por uma decisão presunçosa errada normalmente se
perguntam por que se arriscaram no último passo que tomaram. Josué
expressou seu desapontamento:

128
A transgressão cie Josué: ü pecado da prc.surK.iio

Disse então Josué: “A h , Soberano S enhor, p o r que fizeste este po vo


atravessar o Jord ão? Foi para nos entregar nas mãos dos am orreus e
nos destruir? A ntes nos contentássemos em continuar no outro lado do
Jo rd ã o !” .
- |osué 7.7

Josué não era o único c]ue ansiava pelo “outro lado do Jordão” —toda
a nação de Israel anelava pela mesma coisa. Alguns pastores buscaram
renovação para suas igrejas sem obter resultados e estão no estágio da
perplexidade. Talvez estejam dizendo: “Se tivéssemos nos esquecido
desse negócio de fome de Deus, fogo de santidade, e desse anseio e luta
por coisas novas de Deus! Por que não continuamos simplesmente le­
vando nossa igreja como estávamos acostumados?”
Há uma grande tentação confrontando a igreja hoje —de vender a
visão do avivamento, vender orações fervorosas e ficar contente com o
status quo. Aqueles que se entregam a esta tentação ficam satisfeitos em
fazer um trato com o Diabo. Em essência, dizem; “Se você não me
aborrecer, não vou aborrecê-lo. Vamos fazer um acordo de paz. Você é
um inimigo forte demais. Vou cuidar dos meus assuntos, e você cuida
dos seus”. Na maioria dos casos, cederam a esta tentação por terem
ficado perplexos em relação às ações de Deus.
Quando as pessoas atravessam uma crise de fé, elas se perguntam o
que Deus está fazendo. Sem dúvida acreditavam que Deus as estava
guiando a seguir uma certa direção ou a fazer algo específico. No entan­
to, depois que seguiram aquela direção, parece que as coisas não deram
certo. É isso que chamamos traumas religiosos —situações que acontecem
na igreja e que permanecem sem solução em nossas mentes e corações.
Os cristãos que sofrem os efeitos de um trauma religioso ainda vão à
igreja, participam da ceia do Senhor e fazem muitas coisas “religiosas”.
Mas, quando chega a hora de se levantar em fé e fazer algo grande para o
seu Deus, eles param. Uma voz interior lhes diz: “Espere um minuto;
lembre-se da derrota em Ai. Lembre-se que você não tem sequer uma
pista sobre por que foi derrotado —mas o fato é que foi. Você vai ser
derrotado outra vez”. Esta voz de desapontamento paralisa as pessoas e
as impede de tentar uma nova conquista.

129
If.vitando as do/.c transgres.síics

Eliminando a presunção

Você reconheceu algum destes sintomas de presunção em sua vida?


Você sente que não entende mais os propósitos de Deus naquilo que
Ele está fazendo em sua vida? Você perdeu seu propósito —ou está sem
direção para seguir em frente com Deus?
Há alguns passos que podemos dar a fim de nos livrarmos da presun­
ção —e não nos afundarmos mais nela. Siga estes passos para recuperar o
propósito em sua vida. A medida que fizer isso, Deus lhe dará uma nova
revelação de seus propósitos e destino para você.

Resolva suas derrotas anteriores


Antes de podermos pôr fim à nossa perplexidade, precisamos resolver
nossas derrotas anteriores. Siga o exemplo de Josué. Permaneça diante
do Senhor o tempo que for necessário para ouvir sua voz. Pergunte a
Ele o que saiu errado. Peça a Ele que o ajude e o ensine. Diga que está
disposto a aprender. Talvez você não consiga mudar a situação a partir
do passado, mas, com certeza, pode mudar seu modo de pensar —c a
forma como irá trabalhar no futuro.
Josué estava numa daquelas síndromes de pós-avivamento. Pouco
antes da derrota dos israelitas em Ai, houve uma vitória sobrenatural que
provocou a queda de Jericó. O povo de Israel derrotou a cidade fortificada
que poderia tê-lo impedido de avançar à terra prometida. Os inimigos de
Israel estavam tomados de temor. Por causa da orientação e do plano
soberano de Deus, os muros caíram miraculosamente. Israel havia con­
quistado o inconquistável! Josué provavelmente estava experimentando
grande confiança e esperança para o futuro.
Não importa quantas vitórias você tenha experimentado no passado,
ou quantas pessoas tenha levado ao Senhor. Também não vai fazer muita
diferença quantos milagres você tenha visto o Senhor realizar através de
sua vida. Se você tiver uma experiência cm Ai —uma derrota não explicada
—esta o perseguirá. Ela o imobilizará. Se seu pastor disser: “Muito bem,
igreja, é hora de dar o próximo passo”, você será incapaz de seguir em
frente. Haverá um sentimento doentio em seu coração. Talvez você diga:

130
A tran sg ressão de |osuc: O p e tad o da p iesu n eao

“J á ten tei isso a n te s ” . P o rta n to , to m e c u id ad o p ara qu e sua relu tâ n c ia n ã o


se tra n s fo r m e n u m a transgressão.

Proteja a honra de Deus


Q u a n d o s o m o s c o n fro n ta d o s p o r situ ações qu e n ão e n te n d e m o s , n ã o é
a p en as o n o s s o n o m e que está cm jo g o - c a h o n ra d o D e u s T o d o -
p o d e ro s o . Q u a n d o fa lh a m o s diante de v iz in h o s o u am ig o s, aos seus o lh o s
é D e u s q u e está fa lh a n d o . O ú n ic o q u a d ro d e Je s u s q u e m u ito s n ã o
c re n te s p o d e m v e r é o qu e v ê e m em v o c ê e sua fam ília. O q u e eles
v ê e m q u a n d o o lh a m p a ra v o c ê ? J o s u é n ã o e stav a p re o c u p a d o apenas
c o m sua im a g em d e líder:

Q ue poderei dizer, Senhor, agora que Israel foi derrotado p o r seus ini­
migos? Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso,
nos cercarão e eliminarão o nosso nom e da terra. Q ue farás, então, pelo
teu grande nom e?
-losué 7.8. 9

Josu é n ã o e sta v a p re o c u p a d o apen as c o m o fu tu ro de Isra el — estava


p re o c u p a d o c o m a re p u ta ç ã o de D eu s. A p e s a r de Josu é ter ca íd o em
p re s u n ç ã o , ele re a lm e n te fez a co isa certa ao e x p re s s a r sua p re o c u p a ç ã o
c o m a h o n ra de D eu s. E le fez a p erg u n ta certa: “ Q u e farás, en tã o , p elo
teu g ra n d e n o m e ? ”
C o m o v o c ê reage n o s m o m e n to s em que n ã o e n te n d e os caminht>s de
D e u s ? S e v o c ê p e rd e a fé e as fo rç a s, aq u eles q u e e s tã o à sua v o lta
p o d e m v e r o c ristia n ism o c o m o um fracasso. N o ssa s re a ç õ e s e m situ a ­
çõ e s qu e n ã o e n te n d e m o s são m u ito im p o rta n te s. N ã o c u id e m o s apenas
de n o ssa p ró p ria re p u ta ç ã o ; acim a de tu d o , c u id e m o s d a h o n ra de D eu s.

Seja leal
O p a s so d a leald a d e é de im p o rtâ n c ia vita l p ara e v ita rm o s a p re su n ção .
P en sem o s na q u estã o da lealdade en tre os o b re iro s de u m a igreja. Q u antas
ve z e s v e m o s o b re iro s p re o c u p a d o s c o m sua p ró p ria h o n ra e rep u taçã o ,
em v e z de se p re o c u p a re m c o m a re p u ta ç ã o de seu p a sto r. P o r ex e m p lo ,

131
r.vitando as do/.e tran.sgressõe

às vezes alguém sentado no banco da igreja pensa que recebeu o encar­


go de corrigir o pastor. Então, equivocadamente, o acusa de má condu­
ta ou de ensinar heresias.
E muito raro ver um indivíduo como este levar suas acusações dire­
tamente ao pastor. Na maioria das vezes, ele espalha suas “preocupa­
ções” por meio de rumores. Esse tipo de procedimento difama as pesso­
as sem dar-lhes uma chance de defesa.
Quando alguém começa a espalhar rumores numa igreja, os obreiros
têm duas opções imediatas. Podem ficar na defensiva, por estarem mais
preocupados com o efeito que tais rumores terão sobre sua própria ima­
gem, ou podem se levantar para defender o pastor. Quando, em vez de
lealdade para com seu pastor, um obreiro escolhe a preocupação com
ofensa pessoal contra si mesmo, esta escolha o torna parte do problema.
Se ele continuar espalhando a acusação por meio de comentários, vai
ampliar o círculo de conflito. Muitas vezes, um obreiro com esta atitude
passa até a fazer parte da oposição ao pastor.
A outra opção seria entender que seu papel envolve proteger a vida de
seu pastor —em vez de apunhalá-lo pelas costas. O pastor pode realmen­
te estar errado, mas espalhar rumores e ficar falando por trás não é a
maneira de resolver a situação. Só é possível resolver o problema atra­
vés do diálogo frente a frente. Há uma questão de lealdade em jogo. A
primeira reação do obreiro de uma igreja deve ser expressar sua preocu­
pação pela honra de seu pastor —e pela honra de Deus —e não pela sua
própria.
Irmãos, precisamos proteger a honra de Deus na nossa nação, como
também diante daqueles que nos cercam. Às vezes pode parecer que
tudo que tocamos se transforma em desastre e fracasso. Mas a nossa
atitude ou preocupação deve se estender além de nós mesmos. A honra
de Deus está em jogo. Nossa resposta à crise não deve trair a Deus.

Convença o Senhor a proteger sua honra divina


Moisés orou muitas vezes: “O que os egípcios dirão se destruíres teu
povo? O que os povos pensarão se permitires que este povo fracasse e
morra no deserto?” Moisés nos ajuda a saber como se pode persuadir o
Senhor a proteger sua própria honra. Ele disse: “Mesmo que tu levantes
uma nova geração através de mim, o que os egípcios pagãos vão dizer

132
A transgressão de |osué: ü pecado da presunção

acerca deste povo que saiu do Egito e depois morreu? Senhor, não
acabe com eles”.
Moisés permanecia na brecha entre Deus e o povo de Israel. Ele nos
dá um lindo modelo do ministério de intercessão. Deus estava pronto
para eliminar o povo por sua contínua desobediência. Mas, por causa da
intercessão de Moisés, o povo foi poupado da destruição.
Em Gênesis 18, vemos o exemplo de outro intercessor, Abraão. Quando
Deus lhe revelou sua intenção de destruir as cidades de Sodoma e
Gomorra por seu grande pecado, Abraão imediatamente suplica pela mi­
sericórdia divina. “Exterminarás o ju sto com o ímpio ? E se houver cinqüenta
ju stos na cidade? A inda a destruirás e não pouparás o lugar p o r am or aos cinqüenta
ju sto s que nele estão?” (Gênesis 18.23, 24).
Então Deus teve compaixão e concordou em poupar as cidades se
encontrasse cinqüenta justos nelas. Mas isso não era o bastante para o
intercessor Abraão! Ele voltou a falar ao Senhor, intercedendo pelo povo:
“E se faltarem cinco pa ra completar os cinqüentajustos?... E se encontrares apenas
quarenta?... E se apenas trinta forem encontrados ali?... E se apenas vinte forem
encontrados ali?” (v. 28-31).
Mesmo quando Deus concordou em poupar as cidades caso encon­
trasse vinte justos, Abraão ainda intercedeu mais em favor do povo:
“N ão te ires, Senhor, mas permite-me fa la r só mais uma vetç. E se apenas de^forem
encontrados?" (v. 32).
Através de sua intercessão, Abraão persuadiu o Senhor a guardar sua
honra. Em resposta à súplica de Abraão, Ele disse: “Por am or aos de% não a
destruirei” (v. 32). Quando fazemos o tipo de oração que Abraão, Moisés e
Josué fizeram, estamos demonstrando que nos preocupamos com a hon­
ra de Deus.

Aceite o fato de Que uma genuína vitória deve ser precedida por
santidade
Não há chance de alcançar vitória quando há pecado no acampamento,
mesmo quando a batalha é de Deus. Se o corpo de Cristo não está vendo
avivamento na sua nação, acredito que é porque ainda não tratou com
todo o seu pecado. Talvez seja apenas uma pequena porcentagem do
total, mas mesmo o menor elemento de iniquidade pode trazer derrota.
Vemos isso ilustrado na derrota de Israel em Ai:

133
Lvilun d o as d o ze transgressões

O S enhor disse a Josué: “Levante-se! Por que você está aí prostrado? Israel
pecou. Violou a aliança que eu lhe ordenei. Apossou-se de coisas consagra­
das, roubou-as, escondeu-as e as colocou junto de seus bens.
- |osué 7.10, 1 1

Temos aceitado certas transgressões como algo normal. Mas este é o


tempo de separar o joio do trigo. Não podemos mais tolerar pecado
no acampamento. Creio que o Senhor está dizendo à igreja: “Não é hora
de aquiescer, lamentar, ou chorar pelo leite derramado. Não é hora de
se sentir vítima ou sofrer de complexos de inferioridade. Israel pecou.
Violou a aliança que lhe ordenei. Apossou-se de coisas consagradas, rou-
bou-as, mentiu, e as integrou ao seu estilo de vida como algo natural. E
por isso que o meu povo não consegue resistir aos seus inimigos”.
Como líder, Josué não entendeu por que o Senhor permitiu que os
inimigos derrotassem seu exército. Josué não estava encobrindo seu pró­
prio pecado. Em sua vida pessoal, ele estava fazendo exatamente o que
o Senhor lhe mandara fazer. Josué não estava vivendo em adultério;
não estava roubando o dinheiro de ninguém. Não estava se divertindo
e bebendo. No entanto, não estava experimentando vitória —ele foi der­
rotado!
Talvez você esteja na mesma situação de Josué. Talvez esteja fazen­
do a coisa certa, e, mesmo assim, está experimentando fracasso. Talvez
você tenha recebido uma clara luz verde de Deus para avançar naquilo
que sabe ser a vontade dele para sua vida. Contudo, sua igreja, sua
família, sua comunidade, estão passando por derrota. Por quê? Uma
possível explicação é a mesma que o Senhor deu a Josué —talvez haja
pecado no acampamento. A desobediência abre a porta para a des­
truição.

Destrua as coisas consagradas à destruição


Em outras palavras, Israel não foi diligente em livrar-se do pecado; o
povo não destruiu os laços pecaminosos em seu meio. Sua fraqueza e
cobiça os tornaram consagrados à destruição.

134
A Iransgicssyo de |osuc: O p a n d o da pieyjruyo

Deus não permanecerá com aqueles que não eliminam coisas nas
suas vidas que forem consagradas à destruição. O Senhor está dizendo:
“Não estarei mais com você a menos que você destrua os ídolos que
ainda estão em sua vida”.
Tenho visto cristãos de quem o Senhor parece ter retirado sua mão.
Quando vemos isso perguntamos: “Onde está a bênção? Onde está o
temor de Deus?”
Ninguém chega a esta condição de uma hora para a outra. Algumas
vezes, leva anos para entristecer e apagar o Espírito. Pode levar anos
para poluir a mente ou encher os olhos de cobiça. Mas isso começa —e
termina —com a atitude de satisfazer a carne em vez de satisfazer o
Espírito. Se continuarmos alimentando a carne, vamos chegar a um pon­
to em que o Senhor dirá: “Não estarei mais com você a menos que você
destrua tudo que é consagrado à destruição”.
Ouvi falar de uma senhora cristã que, em determinado momento de
seu casamento, foi infiel ao marido através de um caso extraconjugal. Um
dos presentes que recebeu de seu amante durante aquele tempo foi um
colar de ouro. Ela acabou rompendo a relação imoral, mas decidiu guar­
dar o colar. Afinal de contas, valia um bom dinheiro.
Toda semana, esta senhora ia à igreja com seu marido e os dois filhos,
usando o colar de ouro. Certo domingo, durante um apelo, o Espírito
Santo começou a incomodá-la a respeito daquela lembrança do pecado
que trazia no pescoço. Ela foi até o altar e o deixou ali como uma oferta
pelo pecado ao Senhor. Deus lhe pedira que se livrasse de algo cm sua
vida que Ele havia destinado à destruição.
Este é o brado de Deus à sua igreja hoje. Não culpe o Senhor por seu
fracasso dizendo: “Senhor, o que fizeste conosco? Por que não experi­
mentamos mais sucesso? Por que temos tantos traumas em nosso passa­
do?” Primeiro, lembre-se que o Senhor exige santidade de seu povo.
Sem santidade ninguém verá a Deus.

Consagre-se
A solução de Deus para este momento de derrota dos israelitas foi que o
povo se consagrasse. Não seria possível vencer a batalha enquanto não
identificassem e removessem seus próprios ídolos pessoais:

135
1’v i l a n d o a s do/. t: t r a n s g r e s s õ e s

Vá, santifique o povo! Diga-lhes: Santifiquem-se para amanhã, pois assim


diz o S enhor, o D eus de Israel: Há coisas consagradas à destruição no
meio de vocês, ó Israel. Vocês não conseguirão resistir aos seus inimigos
enquanto não as retirarem.
- Josué 7 .13

No mesmo dia em que eu ia ministrar numa conferência em Sydney,


Austrália, a cidade estava realizando uma celebração de carnaval para
homossexuais, bem no centro da cidade. Era uma grande concentração
com milhares de pessoas.
Também tivemos muitas pessoas em nosso evento cristão, incluindo
alguns oficiais do governo que se sentaram na primeira fila. Estes ofici­
ais me disseram que a celebração para homossexuais também fora reali­
zada no ano anterior. Durante a nossa conferência, o Senhor lhes deu
uma poderosa palavra profética. Eu os incentivei a escrever esta pala­
vra. A profecia dizia: “O que está acontecendo nas ruas de sua cidade
esta noite é uma abominação para mim (referindo-se à marcha de ho­
mossexuais). Mas uma abominação ainda maior para mim é o pecado do
meu povo, que permitiu que uma árvore de injustiça crescesse em sua
cidade”.
O Senhor estava dizendo ao seu povo que Ele se preocupava mais
com os pecados na igreja do que com os pecados dos homossexuais. A
profecia continuou: “Esta árvore de injustiça continua crescendo. Cres­
ceu tão alta que já não pode ser cortada apenas com um machado; ficou
tão enorme que não pode ser cortada com uma serra. A única forma de
derrubar esta árvore de injustiça em sua cidade é privá-la dos nutrientes
que a alimentam —o pecado do meu povo”.
Esta palavra poderia ser aplicada à igreja em muitas cidades do mun­
do. A injustiça em nossas cidades é tão forte que temos a impressão de
que nada pode removê-la - de que nada vai mudar. E porque há injustiça
e pecado na igreja.
Não estou trazendo uma acusação de pecado contra alguma igreja
específica. Estou dizendo que o corpo de Cristo ainda não está puro
como Jesus quer que esteja. Anseio pelo tempo em que já não precisare-

136
A transg re ssão de Josué: O pecado tia pres unção

mos pregar sobre santidade nas igrejas. O tempo em que os cristãos


dirão: “Não precisamos mais de pregadores de santidade em nossas igre­
jas”. Anseio pelo dia em que nossos clamores por santidade só precisem
ser direcionados àqueles que estão nas ruas e nos estádios —àqueles que
nunca ouviram o evangelho.
Anseio pelo tempo em que poderemos pregar aos incrédulos por­
que a igreja já ouviu e obedeceu. A Bíblia diz que o Senhor está prepa­
rando sua noiva, a igreja. O vestido desta noiva não terá ruga nem
mancha. O Espírito Santo está removendo as últimas manchas de peca­
do na igreja. Prepare a si mesmo removendo as manchas de pecado de
sua própria vida.

Una-se com os outros cristãos contra o inimigo


Em minha cidade natal, La Plata, Argentina, vimos um tremendo aviva-
mento que entrou para a história. Em 1984, o evangelista Carlos
Annacondia veio à nossa cidade para uma cruzada a céu aberto, e acabou
permanecendo ali seis meses. Mais de cinqüenta mil pessoas vieram a
Cristo durante este período. Dali, o avivamento espalhou-se a muitas
cidades da Argentina. Dizem que mais de dois milhões de pessoas vie­
ram a ]esus durante os últimos quinze anos como resultado daquele
avivamento. Milagres genuínos aconteceram um após o outro. Vimos
milhares de pessoas salvas e centenas curadas e libertas de opressão
demoníaca. Muitas congregações que tinham apenas algumas dezenas de
pessoas cresceram e passaram a ter centenas de membros.
Mas, enquanto aquele estupendo avivamento se espalhava, algo mais
começou a acontecer. Quando Deus age em nosso meio, duas coisas
podem acontecer: ou somos transformados ou voltamos ao ponto em
que nos encontrávamos antes do avivamento. Alguns pastores argenti­
nos decidiram voltar ao seu antigo estilo de ministério. Estavam conten­
tes em trabalhar para suas próprias igrejas, esquecendo-se das necessida­
des de suas cidades. Esqueceram-se da unidade, esqueceram-se da visão,
e se concentraram no crescimento isolado de suas próprias igrejas e
ministérios. Em certa cidade, as coisas chegaram a tal ponto que alguns
pastores começaram a criticar colegas de ministério pelo rádio, usando
seus microfones para difamá-los.

137
[■'vilaiulo as d o / c tra n s g re s s õ e s

Por que isso aconteceu? Permitiram a permanência de pecado em


suas igrejas e não quiseram tratar com ele. Alguém disse que para que o
mal abunde, tudo que o justo tem a fazer é nada. Vimos o efeito espiritual
dessa atitude nas cidades argentinas. Hoje há mais viciados em drogas do
que em qualquer época anterior. O crime está aumentado. Há ladrões
capazes de matar por três dólares. Eles roubam o dinheiro e depois
atiram na cabeça de suas vítimas. A insegurança e a instabilidade abun­
dam por toda parte. Enquanto escrevo este livro, nossas cidades se pare­
cem com zonas de guerra por causa do colapso econômico.
Acredito que isso está acontecendo porque recebemos uma visitação
do Senhor, mas, depois não buscamos diligentemente a santidade de
Deus em nossas vidas e relacionamentos. Permitimos que uma árvore de
injustiça crescesse em nossas cidades. Muitos pastores, incluindo eu mes­
mo, chegaram ao ponto em que clamaram: “Senhor, por que fizeste este
povo atravessar o Jordão para entregá-lo nas mãos dos amorreus e des­
truí-lo?”
Quando não perseveramos em santidade e pureza, os avivamentos, as
bênçãos, e a direção que recebemos no passado podem tornar-se em
nossa destruição. Os contra-ataques do inimigo podem ser mais fortes e
mais violentos que antes.
No entanto, estou cheio de esperança. Voltamos a La Plata e realiza­
mos “Encontros Transformadores” com o objetivo de unir a cidade. Em
setembro de 2000, vimos um ginásio de esportes lotado com mais de seis
mil pessoas. Quando voltamos no ano seguinte, pela primeira vez na
história da cidade de La Plata, realizamos uma reunião de unidade no
grande estádio de futebol. Nem todas as igrejas compareceram, mas esta
história ainda está sendo escrita.

Revelação, não remorso

Quando as coisas ficam realmente difíceis em sua família ou em seu


casamento, você precisa perguntar a Deus por que sua vida está assim.
Peça a Ele que lhe revele onde as coisas deram errado. Peça a Ele que

138
A transgressão de Josué: O pecado cia presunção

lhe diga o que fazer em seguida. Ficar lamentando não irá melhorar a
situação. Se seu casamento estiver indo de mal a pior, sentir tristeza pelo
passado não irá salvá-lo. Você precisa de revelação. Você precisa ouvir a
voz de Deus em seu coração.
Se você está numa situação em que está pronto para abandonar sua
igreja, carreira, ministério, vida de oração ou qualquer outra área saudá­
vel de sua vida, você precisa de revelação. Você precisa ouvir a voz do
Espírito Santo em seu coração com uma palavra de esperança.
O pecado de Acã foi a causa do problema de toda uma nação. Sua
violação da aliança do Senhor trouxe desgraça a todo o povo de Israel.

“Apresentem-se de manhã, uma tribo de cada vez. A tribo que o S e­


nhor escolher virá à frente, um clã de cada vez; o clã que o S enhor

escolher virá à frente, uma família de cada vez; e a família que o S enhor
escolher virá à frente, um homem de cada vez. Aquele que for pego
com as coisas consagradas será queimado no fogo com tudo o que lhe
pertence. Violou a aliança do S enhor e cometeu loucura em Israel!”.
- )osué 7 .14, 15

Acã explicou por que tinha pecado. Ele descreveu sua cobiça:

Acã respondeu: “ É verdade que pequei contra o S enhor, o Deus de Isra­


el. O que fiz foi o seguinte: quando vi entre os despojos uma bela capa
feita na Babilônia, dois quilos e quatrocentos gramas de prata e uma barra
de ouro de seiscentos gramas, eu os cobicei e me apossei deles. Estão
escondidos no chão da minha tenda, com a prata por baixo”.
- Josué 7.20, 2 I

Esta era a explicação para a derrota do povo. M antenha este princípio


em mente: Quando algo dá errado, não é Deus que está errado.
Nós cremos no caráter de Deus. Ele é perfeito em todos os seus
caminhos. Quando algo dá errado em minha vida, certamente foi algo
que eu fiz de errado, seja por minhas tendências malignas, minha carne,
ou por minha própria ignorância e insensatez.

139
Evitand o as d oze transgressões

Josué caiu no pecado da presunção porque presumiu erroneamente


que iria vencer a batalha em Ai, assim como havia vencido em Jericó —
mas sem uma auto-análise espiritual. Um único problema alterou a equa­
ção —desta vez havia pecado no acampamento.
Josué pressupôs coisas demais. Tome cuidado com o tipo de fé ou
pressuposição que diz: “Se eu disser isto várias vezes, se repetir algo
centenas de vezes, Deus terá de fazê-lo, e vai acontecer do meu jeito”.
Não podemos manipular Deus para que Ele faça as coisas do “nosso
jeito”. Nossas orações devem estar em harmonia com a vontade de Deus
ou não serão ouvidas. Acredito nesta verdade: se confessarm os e
declararmos a Palavra do Senhor e sua vontade, esta se cumprirá. Mas
se persistirmos em nossa teimosia, tentando manipular os céus para nossa
própria agenda egoísta, então seremos desapontados.

Arrependa-se e cumpra sua missão

Observe o que aconteceu mais adiante nesta história. Os israelitas se


arrependeram, trataram com seu pecado, depois voltaram à cidade de Ai
e a conquistaram numa grande vitória. Depois que trataram com sua
presunção, foram capazes de possuir a terra.
O Senhor quer que você invada sua cidade com o evangelho. O
Senhor quer que você declare vitória em sua casa. Mas, se houver peca­
do em sua vida, trate com este pecado e purifique seu coração. Depois
volte ao campo de batalha. Não temos o direito de nos autodesqualificar
por causa de fracassos passados.
Não fique desiludido por causa dos erros que cometeu. Algumas
pessoas não conseguem mais confiar em Deus como antes. Algumas que
estavam inflamadas com o fogo de Deus se deixam queimar com muita
cautela agora. Talvez cometeram alguma tolice no passado, mas agora
dizem: “Não vou mais confiar no Espírito Santo”. Um espírito de temor
tomou conta delas. Liberte-se disso. Confie em Deus novamente. Seja
como a criança que confia plenamente em seu pai.
Precisamos retornar à simplicidade de nossa fé e dizer: “Deus, se
fizeste isto no passado, o Senhor pode fazê-lo outra vez. Se o Senhor

140
A transgressão de iosué. O pecado da presunção

nos ajudou a tom ar Jericó, pode nos ajudar a tomar Ai. Isto não é
impossível”. Deus quer levantar outros Elias que dirão àqueles que os
cercam: “Venham encontrar-se comigo; o Deus que responder por meio
de fogo é o Deus verdadeiro”. Precisamos de desafiadores, pessoas que
terão a ousadia de crer.
Em meus tempos de colégio, eu tinha um amigo chamado Marcelo.
Ele parecia extremamente pagão, tão selvagem e ímpio. Certo dia, en­
quanto Marcelo caminhava à nossa frente, eu disse a outro amigo: “Esse
cara nunca vai se converter”.
Quando liderei a Marcha parajesus na cidade de La Plata, alguns anos
depois da primeira visita de Carlos Annacondia, fiquei olhando para uma
multidão de mais de seis mil pessoas que lotou a praça pública. Notei
alguém na plataforma filmando o evento. Parecia ser o Marcelo, aquele
que pensei que jamais se converteria. Após a reunião, ele veio me cum­
primentar. Para minha grande surpresa, era Marcelo!
Marcelo fora salvo miraculosamente. Renovamos nossa amizade e
ele começou a freqüentar minha igreja. Pouco tempo depois, ele se tor­
nou um dos líderes da igreja. Mesmo depois que me mudei, ele conti­
nuou ali, na mesma comunidade. Eu havia desistido de Marcelo no colé­
gio, mas Deus me surpreendeu, salvando-o e estabelecendo-o como um
dedicado obreiro cristão.
Talvez você esteja como Josué após sua primeira vitória; por não
conseguir ver o futuro, está perguntando a Deus por que Ele o trouxe a
este ponto. Talvez você esteja perguntando se sua vida estava destinada
ao fracasso. Deus tem um plano maravilhoso para sua vida. Com a ajuda
do Senhor, você será capaz de alcançar cidades, almas, sua família, e seu
casamento para Deus.
Culpar Deus e querer fugir de sua vontade quando experimentamos
fracasso não é apenas um erro inocente. E uma transgressão. S ejo su é
não tivesse se arrependido e purificado o acampamento, Israel teria sido
aniquilado. A fim de resistir aos nossos inimigos, precisamos de correção
e perdão.
Se você está frustrado, Deus quer dar-lhe alegria. Creio que o Senhor
trará revelação ao seu coração, e que obterá respostas do alto com um

141
Evitand o as d oze transgressões

novo senso de direção. Você entenderá mais de seu passado e terá mais
fé para o futuro. Você irá além de sua experiência humilhante em Ai e
tomará posse da terra para o Reino de Deus.

Uma oração de arrependimento

Pai, perdoa-nos p or culpar a ti quando não entendemos a ra^ão de nosso fracasso.


Purifica a tua igreja dos vícios espirituais e fracassos morais. Uberta-nos, ó Deus.
Oramos por transformação. Estamos como Josué, apenas tentandofazçer a tua von­
tade, mas boas intenções não são o bastante. Suplicamos, ó Senhor, que reVeles os
ídolos ocultos em nossas vidas. Ajuda-nos a purificar nossos acampamentos e a
remover coisas consagradas à destruição. Torna-nos eficazes em teu Reino.
Senhor, prometo lealdade a ti. Quando não entender teus caminhos ou as mi­
nhas circunstâncias,prometo, ó Deus, defendera tua honra, sabendo que tu és verda­
deiro e que todo homem é mentiroso. Mesmo que não me cures toda ve\ quepedir, vou
di^er como Jó: ‘Embora ele me mate, ainda assim esperarei nele”. Submeto-me ã
tua autoridade em minha vida. Em nome de Jesus, amém.

142
A transgressão do rei Saul:
Permitindo Que a insensatez
se transforme em pecado

ecentemente, recebi um informativo sobre cuidados odonto-


' U f lógicos de um amigo dentista com um título bastante estimu-
,_y (£, lante: “Cuide bem de seus Dentes, ou Sofra as Conseqüên­
cias”. Fiquei pensando como muitas pessoas desafiam esta lei da boa
higiene dentária imaginando: Ta/ve% o tempo cure p o r completo minha dor de
dente. Então, em vez de marcar uma consulta com seu dentista, elas espe­
ram... e esperam... até que chega uma noite em que a dor é tão forte que
já não têm como adiar o tratamento.
Este título me fez pensar em minha própria alma: “Cuide bem de sua
Alma, ou Sofra as Conseqüências”. Se não estivermos dispostos a expor
as transgressões que existem na igreja hoje, aquelas que são normalmen­
te invisíveis e impercebidas, vamos acabar sofrendo conseqüências do­
lorosas. E por isso que há tantas vítimas morais. Não temos confrontado
o pecado. E por isso que há tantos cristãos bem-intencionados que aca­
bam em desastre espiritual.
Certo dicionário descreve a palavra insensate% como “falta de bom
senso ou julgamento; qualidade de insensato ou tolo”. Um professor do
seminário costumava dizer: “A essência do pecado é a estupidez”. Vamos
examinar como a insensatez levou um dos personagens centrais da Bíblia
à ruína espiritual.
Evita n d o as d o z e transgressões

A santidade jamais se mistura à insensatez

Poderíamos chamar a transgressão do rei Saul de “o pecado da estupi­


dez”. Estou certo que você, assim como eu, já tenha visto uma porção
de pessoas fracassarem espiritualmente por causa de sua falta de paixão.
Mas temos visto um número muito maior de cristãos cair espiritualmente
por causa de sua falta de sabedoria. Onde há insensatez não há santidade
—as duas coisas nunca se misturam. Se você quer ser santo, mas gosta de
sua insensatez, chegará uma hora em que será obrigado a escolher uma
coisa ou outra.
Antes de examinarmos a insensatez na vida de Saul, quero lhe mos­
trar a partir de minha própria vida como este princípio funciona. Lem­
bro-me muito bem como me sentia quando estava completando 19 anos.
Já estava pregando, ensinando e liderando na igreja. Era presidente dos
Royal Rangers (uma organização cristã semelhante à dos Escoteiros) na
Argentina, e me achava bastante maduro.
Estava certo de que seria muito importante me casar logo. Afinal de
contas, não queria completar 20 ou 21 anos ainda solteiro. Então, como
era um homem de oração, comecei a pedir ao Senhor que encontrasse
aquela jovem especial que viria a ser minha esposa. Como estava com
muita pressa para dar este passo, achei que poderia ser aquela atraente
jovem que conhecera no seminário. Após orar, senti paz em relação a ela
e pensei: Bem, Deus, o Senhor respondeu rápido desta ve%!
Ficamos amigos e começamos a namorar quase que imediatamente.
Por que esperar? J á tinha a revelação. Mas, alguns meses depois, percebi
que não queria aquela jovem como esposa! Então comecei a me queixar
com o Senhor: “Senhor, tu colocaste esta jovem em minha vida”, disse-
lhe. “Mas eu não gosto dela! Contudo, se o Senhor quiser que me case
com ela, vou em frente.” Sentia-me um mártir. Estava perplexo. Por ficar
preso a meu próprio conceito falso sobre a vontade de Deus para minha
vida, avançara o sinal. Aprendi que quando nos precipitamos, não ouvi­
mos a voz de Deus claramente. Um dia decidi terminar aquela relação.
Mas, por não ter um claro entendimento sobre a vontade de Deus na­
quela situação, durante muito tempo depois tive dúvidas e me senti con­
fuso; pensava: A cho que perdi a vontade de Deus. Talve%E le nunca mais use a
minha vida.

144
A transgressão do rei Saul: Permitindo que a insensatez se transforme em pecado

Outro caso: nos meus tempos de mocidade era muito difícil para
mim esperar aqueles eternos dois minutos até que meu pai term inasse
com suas instruções. Eu o ouvia mas continuava andando. Por fim,
meu pai tinha de dizer: “Espere, filho; quero falar com você, depois
você pode ir”.
Algumas pessoas ficam ansiosas e tensas em relação à vontade de
Deus. Vivem num certo grau de confusão espiritual. Outras tornam-se
tão confusas que ficam iradas com Deus. Em Provérbios 19.3 lemos: “E
a insensate^ do homem que arruina a sua vida, mas o seu coração se ira contra o
S en h o r Grande parte de nossa frustração com Deus é causada por
nossa própria pressa, ansiedade, más interpretações a respeito de sua
vontade, e nossa própria insensatez.
Enquanto concluía meus estudos no seminário, trabalhava para um
homem que me dera permissão para contratar um ajudante. Contratei um
jovem do sul da Califórnia que parecia ser o candidato perfeito. Mas,
apenas alguns dias depois, meu patrão me falou: “Você precisa despedir
este sujeito”.
Como cristão, achava que não devia fazer aquilo. Pedi a meu patrão
que me desse mais tempo. Assegurei-lhe que aquele jovem era uma boa
pessoa e que um dia trabalharia direito. Mas meu patrão (que também era
cristão) respondeu: “Mas você não está vendo? Ele não quer trabalhar.
Não quer aprender”. Tentei treinar o jovem durante várias semanas, mas
ele se recusava a cooperar. Ele seguia “a lei do mínimo esforço”! Sema­
nas depois, tive de dispensá-lo.
Perdi muito tempo, mas aprendi uma preciosa lição. Tinha superesti­
mado aquele rapaz em meu coração —por não estar disposto a enxergar a
realidade. Talvez você esteja pensando: 0 que esta história tem a ver com
“Cuide bem de sua A lm a ou Sofra as Conseqüências“? O que isso te?n a ver com
avivamento?
Muito! Muitos de nossos avivamentos são desacreditados por causa
da insensatez no coração das pessoas. Boa parte do mover de Deus é
minimizada porque seu povo não sabe como cuidar de um avivamento.
Uma sucessão de decisões insensatas irá desacreditar o avivamento e
acabar por extingui-lo.
Em 1 Samuel 13, temos um exemplo da vida de Saul do que não se
deve fazer. Embora seja uma longa passagem das Escrituras, vale a pena
lê-la novamente em sua totalidade:

145
Evitando as d o ze transgressões

Saul tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou sobre
Israel quarenta e dois anos. Saul escolheu três mil homens de Israel; dois
mil ficaram com ele em Micmás e nos montes de Betei, e mil ficaram com
Jônatas em Gibeá de Benjamim. O restante dos homens ele mandou de
volta para suas tendas. Jônatas atacou os destacamentos dos filisteus em
Gibeá, e os filisteus foram informados disso. Então Saul mandou tocar a
trombeta por todo o país dizendo: “Que os hebreus fiquem sabendo
disto!” E todo o Israel ouviu a notícia de que Saul tinha atacado o desta­
camento dos filisteus, atraindo o ódio dos filisteus sobre Israel. Então os
homens foram convocados para se unirem a Saul em Gilgal.
Os filisteus reuniram-se para lutar contra Israel, com três mil carros
de guerra, seis mil condutores de carros e tantos soldados quanto a
areia da praia. Eles foram a Micmás, a leste de Bete-Áven e lá acampa­
ram. Quando os soldados de Israel viram que a situação era difícil e que
o seu exército estava sendo muito pressionado, esconderam-se em ca­
vernas e buracos, entre as rochas e em poços e cisternas. Alguns hebreus
até atravessaram o Jordão para chegar à terra de Gade e de Gileade.
Saul ficou em Gilgal, e os soldados que estavam com ele tremiam
de medo. Ele esperou sete dias, o prazo estabelecido por Samuel; mas
este não chegou a Gilgal, e os soldados de Saul começaram a se disper­
sar. E ele ordenou: “Tragam-me o holocausto e os sacrifícios de comu­
nhão”. Saul então ofereceu o holocausto; quando terminou de oferecê-
lo, Samuel chegou, e Saul foi saudá-lo.
Perguntou-lhe Samuel: “O que você fez?”
Saul respondeu: “Quando vi que os soldados estavam se dispersan­
do e que não tinhas chegado no prazo estabelecido, e que os filisteus
estavam reunidos em Micmás, pensei: Agora, os filisteus me atacarão
em Gilgal, e eu não busquei o S enhor. Por isso senti-me obrigado a
oferecer o holocausto”.
Disse Samuel: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento
que o S enhor, o seu Deus, lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria
estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel. Mas agora o seu
reinado não permanecerá; o S enhor procurou um homem segundo o
seu coração e o designou líder de seu povo, pois você não obedeceu ao
mandamento do S enhor” .
- 1 Samuel 13.1-14, ênfase acrescentada

146
A transgressão do rei Saul: Permitindo oue a insensatez se transforme em pecado

Características de uma
pessoa oue anda em insensatez

Samuel repreendeu Saul por sua decisão precipitada de oferecer o sacri­


fício. A partir desse exemplo podemos aprender a identificar as caracte­
rísticas daqueles que andam em insensatez. Que Deus nos vacine hoje
contra qualquer resto de insensatez em nossos corações. Que vivamos
sábia e justamente pelo resto de nossas vidas.

Uma pessoa insensata age fora de contexto


Algum tempo atrás, um amigo formado pelo Seminário Teológico Fuller
da Califórnia visitou nossa cidade e veio me procurar em minha casa. Ele
tinha muitas perguntas acerca do batismo de santidade que recebi em
1997. “Sergio”, começou cautelosamente, “sei que você recebeu algo
parecido a um batismo de santidade, mas gostaria de lhe fazer algumas
perguntas de índole teológica. Qual é o contexto deste batismo?”
Percebi que ele estava sendo sincero, então comecei a explicar-lhe
minha experiência. Por ter-se especializado em História da Igreja, ele fez
algumas perguntas relacionadas a esta matéria. “Você já viu algo assim
antes?”
“Oh, sim!”, respondi entusiasticamente.
“E quanto à Bíblia?”, perguntou ele. “Isso está na Bíblia?”
“Oh, sim”, respondi outra vez, “é bíblico.” Indiquei-lhe várias passa­
gens sobre o assunto. O que, a princípio, parecia ser uma conversa casu­
al de cinco minutos, tornou-se um debate de várias horas. Quando levei
meu amigo ao aeroporto, ele me pediu: “Você poderia orar por mim?
Quero receber o mesmo fogo de santidade que você recebeu”.
Este homem queria certificar-se primeiro de que o batismo de san­
tidade não era algo fora do contexto do que Deus estava fazendo em
todo o corpo de Cristo. Assim que se certificara disso, estava pronto
para recebê-lo. Sua precaução foi um sinal de sabedoria, não de incre­
dulidade. Como meu amigo, os bereanos que ouviram a mensagem do
apóstolo Paulo em sua cidade foram para casa e examinaram as Escri­
turas para descobrir o “contexto” do que Paulo estava pregando (Atos
17.11).

147
Evitan d o as d oze transgressões

Somente uma pessoa insensata age fora de contexto. Saul agiu por
conta própria. Ele não ordenou seus passos de acordo aos caminhos e
propósitos de Deus. Ele seguiu uma agenda centralizada em si mesmo.
Podemos dizer que Saul copiou as palavras de Frank Sinatra e fez do seu
próprio jeito. Fez o que interessava a si mesmo. Há muitas pessoas hoje,
nas igrejas, que vivem em isolamento. Recusam-se a receber correção, e
não buscam conselho. Agem como astros independentes que não pre­
cisam de ninguém.
Saul não estava disposto a esperar e fazer as coisas conforme Deus
lhe ordenara. Ele forçou a situação para que seus homens não fugissem
da batalha. Em minha insensatez, fiz a mesma coisa. Anos atrás, numa de
nossas reuniões de diretoria, estávamos discutindo uma área em que
precisávamos tomar uma decisão. O dr. C. Peter Wagner era membro de
nossa diretoria e eu não estava concordando com um ponto que ele
apresentou na discussão. E claro que não há problemas em alguém dis­
cordar de outra pessoa, mas, ao recordar o episódio, percebi como fora
insensato naquela ocasião.
Ali estava um homem com muitos anos de experiência, discutindo
uma área de sua especialidade no ministério. Eu acabara de sair do semi­
nário e estava tentando lhe dizer como fazer as coisas. Graças a Deus,
desde então, cresci e amadureci bastante. Aprendi a prestar mais atenção
à sabedoria desse homem, e temos mantido uma relação bastante cordial
todos estes anos. Precisamos tomar muito cuidado para não perder nossa
integridade, vivendo em isolamento e autoconfiança. Vivemos numa ge­
ração que tem o hábito de colecionar bons conselhos e colocá-los numa
prateleira para fácil acesso, mas que deixa de lançar mão deles e aplicá-
los quando mais seriam necessários.
Um líder cristão americano sugeriu que criássemos um conselho na­
cional moral para prestação de contas. Ele sugeriu que um grupo de cem
líderes se reunisse para discutir como os cristãos pudessem se tornar
responsáveis por prestar contas uns aos outros. Creio que precisamos
disso em todos os países. Há tantas falhas e desastres morais —e isto não
é a vontade do Senhor. A Bíblia não diz: “Amanhã você certamente
pecará”. A Palavra diz: "0 pecado não os dominará” (Rm 6.14). Podemos
ajudar uns aos outros a caminhar em retidão através de redes de presta­
ção de contas.

148
A transgressão do rei Saul: Permitindo que a insensatez se transforme em pecado

De acordo com muitas estatísticas nacionais recentes, o índice de


divórcios entre membros de igrejas é igual ao índice verificado entre os
que não freqüentam igreja alguma.1Algo está errado. Precisamos de aju­
da. Precisamos de uma nova onda de santificação sobre a igreja. O que
está nos arruinando é a nossa própria insensatez. Precisamos prestar
contas uns aos outros; não podemos trabalhar em isolamento.

Uma pessoa insensata possui um senso errado sobre a hora de agir


Logo que nos casamos, minha esposa, Kathy, e eu queríamos servir ao
Senhor. Eu tinha a visão e a paixão para ir à Argentina a fim de fundar
uma escola e um orfanato, e criar um programa de treinamento de líde­
res. Se fosse possível, eu queria fazer tudo isso num único ano. Quando
dei a notícia à minha esposa, que era uma mulher de Deus, ela olhou para
mim e disse: “Você está louco!”
Fiquei tão magoado que nem sequer tinha certeza se meu casamento
sobreviveria àquele golpe, então fui orar. “Senhor”, clamei, “sou um
cristão evangélico, por isso não posso me divorciar. Mas minha esposa
não quer vir comigo e cumprir a visão que o Senhor me deu.” Clamei, e
orei; jejuei, e esperei. Logo entendi que a visão estava correta, mas o
tempo estava errado. A fim de cumprirmos a vontade de Deus, precisa­
mos mais que um sinal verde mostrando aonde avançar —precisamos de
um sinal verde sobre quando avançar. Precisamos entender seu tempo
estratégico a fim de poder obedecê-lo plenamente.
Algum tempo depois, minha esposa começou a fazer algumas pergun­
tas: “Que tipo de escola você quer abrir?” “Como você pensa em come­
çar o orfanato?” Depois que compartilhei meu sonho com ela, não de­
morou muito, e ela disse: “Talvez possamos fazer isso!” E quando avan­
çamos para cumprir a vontade de Deus na Argentina, ela me ajudou a
estabelecer o orfanato, a escola, e o programa de treinamento de líderes.
Esses ministérios operam com sucesso até hoje.
Agradeço a Deus por não ter me precipitado. Consegui “recrutar”
minha esposa para o sonho que o Senhor me havia dado. O senso da
hora certa para agir faz parte da nossa santidade (e do nosso sucesso!).
Lem bro-m e de um homem que disse a meu pai: “Estou pronto
para ser um pastor autônomo, quero minha independência”. Mas o
homem não estava pronto. No decorrer de um ano, ele destruiu o

149
Evitando as d o ze transgressões

trabalho num local bastante promissor onde meu pai havia implantado
uma nova igreja.
É muito importante desenvolver uma sensibilidade divina sobre a
hora certa de agir. Precisamos desesperadamente aprender a seguir o
calendário do Senhor. As vezes, as pessoas ficam impacientes com seus
líderes na igreja, porque pensam que estão indo muito devagar ou rápido
demais. Precisamos aprender a nos sincronizar dentro da igreja, esperan­
do uns pelos outros, trabalhando como um corpo. Talvez Deus lhe deu
dons sobrenaturais. Talvez você pense que todos estão indo muito deva­
gar, exceto você. Mas você corre o risco de destruir seu próprio ministé­
rio por correr à frente da igreja —e de Deus.
Se você está correndo sozinho, é bem provável que esteja fora
da vontade de Deus. Volte! Deus está trazendo um avivamento mar­
cado por hum ildade, unidade, mansidão e respeito um pelo m inisté­
rio do outro. Talvez sejamos capazes de correr mais rápido que os
outros durante o primeiro ano ou mais, mas se ficarm os criticando a
todos e abandonarm os a igreja, mais cedo ou mais tarde nos vere­
mos em problemas.
No episódio de 1 Samuel 13, Saul precipitou as coisas. Como uma
criança que puxa sua camiseta favorita de debaixo de uma pilha de rou­
pas, porque não quer esperar para tirar peça por peça, Saul fez a pilha
inteira cair em cima dele. Prematuramente, ele declarou guerra aos filisteus.
Depois ficou assustado pelas conseqüências de sua ação irrefletida.
Saul ignorou tanto o tempo chronos como o tempo kairós para a bata­
lha. Foi uma ação insensata. O tempo chronos é aquele que podemos
observar em nossos relógios. O tempo kairós é o tempo designado por
Deus para sua intervenção específica. Às vezes podemos perder os dois.
Podemos deixar de caminhar em unidade na igreja ou em nosso casamen­
to ou família e, por fim, quando a visitação do Senhor vem, nós a perde­
mos por que estamos desorganizados demais. Alguns estão sempre adi­
antados ou atrasados demais, mas nunca se encontram dentro do tempo
de Deus.
Certa tarde, quando tinha nove anos, decidi atravessar a nado uma
piscina bem funda, por achar que era um bom nadador. “Eu nunca fiz
isso”, disse a meus amigos, “mas vou fazê-lo pela primeira vez.” Obvia­
mente, consegui sua atenção, o que me dava muito gosto, apesar do

150
A transgressão do rei Saul: Permitindo oue a insensatez se transforme em pecado

grande risco que estava correndo. Havia um elemento de orgulho em


tudo isto. Então comecei a fazer o que já vira os garotos mais velhos
fazendo. Porém, a poucos metros da beirada, não consegui mais nadar, e
tenho certeza que teria me afogado se os salva-vidas não tivessem me
socorrido. Eles me tiraram da piscina, pressionaram meu estômago para
retirar a água que tinha engolido, e eu estava salvo.
Muitos lideres cristãos hoje agem com este mesmo tipo de precipita­
ção insensata. Esta é uma advertência para o corpo de Cristo. A menos
que andemos em sabedoria e unidade, nem mesmo um avivamento nos
ajudará. Nossos relacionamentos, nossa unidade e nossa responsabili­
dade de prestar contas uns aos outros são questões que precisam estar
bem estabelecidas quando o grande poder de Deus chegar. A rede já
deve estar reparada. Nossos corações devem estar prontos.
Parte do compromisso com a vida de santidade é um compromisso
para com o corpo de Cristo. Quando o batismo de fogo veio sobre mim,
uma das primeiras mudanças que senti foi um exuberante amor pelo
corpo de Cristo, um amor que abrangia todas as denominações. Este
amor impede que eu me corra na frente do corpo de Cristo —e de Deus
—e me compele a dedicar tempo e esforço, embora de forma imperfeita,
no sentido de harmonizar-me com outros.

Uma pessoa insensata não sabe estabelecer limites claros


Saul foi ficando impaciente, enquanto esperava. Quando Samuel lhe per­
guntou: “O que você fe%?’\ Saul respondeu: ",Senti-me obrigado a oferecer o
holocausto" (1 Sm 13.12). Em essência, ele disse: “Desculpe, pastor, não
consegui esperar pelo senhor”.
Samuel fora ungido profeta e sacerdote por Deus. Saul era o rei
ungido. Saul cruzou os limites que Deus lhe dera como rei. Ele tinha um
espírito de individualismo indomado, o que não é necessariamente erra­
do, mas que o impediu de esperar pela hora certa. Seu individualismo
também o fez ir além dos limites do seu chamado e agir fora dele. Em
essência, ele decidiu que também podia fazer a obra de um profeta, além
da sua própria.
Outro rei que ultrapassou seus limites foi o rei Asa. Ansioso por
fazer um tratado de paz com Ben-Hadade, o ímpio rei da Síria, Asa
ajuntou o tesouro de prata e ouro do templo do Senhor para enviar-lhe

151
Evitand o as d o ze transgressões

como oferta de paz. Ele teve várias vitórias mas, no final, as conseqüên­
cias de seu ato de insensatez o alcançaram. Através de uma confrontação
com Hanani, o vidente, Deus lhe deu esta repreensão:

Naquela época, o vidente Hanani foi dizer a Asa, rei de Judá: “Por você
ter pedido ajuda ao rei da Síria e não ao S enhor, ao seu Deus, o exérci­
to do rei da Síria escapou de suas mãos... Pois os olhos do S enhor
estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam
totalmente o coração. Nisso você cometeu uma loucura. De agora em diante
terá que enfrentar guerras”.
- 2 Crônicas 16.7, 9, ênfase acrescentada

Um dos segredos para manter o fogo de Deus aceso em nossas vidas


é não exceder o limite de nosso próprio chamado. Desenvolva a humil­
dade de trabalhar dentro dos parâmetros que o Senhor lhe deu. Algumas
pessoas nunca aprendem a carregar a arca da aliança sem tocá-la. Há
conseqüências graves e terríveis para aqueles que tocam a arca.

Pessoas insensatas normalmente ignoram a realidade


Ao iniciar uma batalha com seus inimigos, Saul acreditava estar agindo
em nome do Senhor. Mas não parou para avaliar o tamanho do exército
inimigo ou para contar quantos carros de guerra ele possuía. A Bíblia nos
diz que os inimigos tinham três mil carros de guerra e seis mil conduto­
res de carros. Quando Saul viu aquele imenso exército vindo contra ele,
ficou aterrorizado. Ter fé para confrontar o inimigo é uma coisa —mas
presumir que você é forte o bastante para derrotá-lo é outra bem dife­
rente. Muitas vezes nossa própria coragem carnal nos leva ao desastre.
Saul ignorava os fatos; não estava em contato com a realidade.
E impressionante como o pecado pode cegar as pessoas e fazê-las
chegar a conclusões ridículas. Conheci um homem que decidiu se sepa­
rar de sua mulher. Ele chegou a ponto de dizer que Deus lhe dera
ordens para isso — e que não desse a ela nenhum dinheiro enquanto
estivessem separados.
Evidentemente, não é preciso ser um cristão maduro para discernir
que este homem não ouvira a voz de Deus. O Senhor jamais diria a
alguém que se divorciasse de sua mulher e ainda que não lhe desse

152
A transgressão do rei Saul: Permitindo que a insensatez se transforme em pecado

sustento! Mas o pecado deste homem o fez viver num triste estado de
contradição.
O juiz do tribunal até lhe disse: “Ou você paga, ou está encrencado”.
Mas ele continuou a crer que ouvira a voz de Deus. Ele até chegou à
conclusão de que aquele era um “caso especial”, apesar de violar as
Escrituras. Em poucos dias, contudo, ficamos sabendo que ele foi preso.
A realidade o atingiu duramente, e esperamos que a sentença o tenha
ajudado a reconhecer sua insensatez.
Há um preço a ser pago por agir em insensatez ou ignorar a realidade.
Saul não apenas ignorou o tamanho do exército inimigo —ignorou, tam­
bém, a falta de força de seu próprio exército. Aprendemos em 1 Samuel
13.22 que Saul levou seus homens para lutarem contra um grande e
poderoso exército, sem as armas apropriadas. As Escrituras dizem: “N e­
nhum soldado de Saul e Jônatas tinha espada ou lança nas m ãos”. De forma
semelhante, muitos pastores dizem que querem avivamento em suas igrejas,
mas poucos avaliaram o custo ou pararam para equipar a si próprios ou
aos seus membros (especialmente seus líderes chaves) com as armas
necessárias. São como Saul, e suas igrejas são como o exército de Saul —
desaparelhadas e despreparadas.

Uma pessoa insensata consome seus próprios recursos


A Bíblia diz em Provérbios 21.20: ‘N a casa do sáhio há comida e aceite
armazenados, m as o tolo devora tudo o que p o d e”. Este versículo parece ser
especialmente apropriado à nossa cultura, onde as pessoas estão atoladas
em dívidas. Vivemos dias em que somos tão pressionados a gastar que é
difícil parar de consumir.
Certa vez, preguei numa igreja no sul da Argentina onde as pesso­
as estavam trazendo seus cartões de crédito ao altar no final dos cul­
tos. O pastor me falou que o Espírito Santo havia iniciado um novo
mover em sua igreja. Muitos de seus membros estavam atolados em
dívidas de cartões de crédito, porque eram compradores compulsivos.
Se estivessem com o cartão, tinham de usá-lo. Estavam tão endividados
que não estavam conseguindo mais sustentar a obra do Senhor e, por
fim, não estavam conseguindo sustentar nem suas próprias famílias.
Comecei a ouvir um testemunho após o outro de casamentos sendo

153
Evitand o as d oze transgressões

restaurados e fortalecidos. Resolveram seus conflitos financeiros pa­


rando de comprar compulsivamente e enfrentando seus compromissos
com determinação.
Alguns expertos em vida conjugal dizem que o principal motivo para
atrito nos lares é a área financeira. Vivemos dias em que temos uma
incrível liberdade para escolher o que podemos comprar e o que não
podemos. O consumismo tornou-se uma doença. Você percebe que caiu
neste mal quando não há dinheiro para dizimar e apoiar missionários.
Somos como aquele tolo que devora tudo que tem.
John Wesley instruía seu povo a orar antes de com prar qualquer
coisa. Admiro a sabedoria de sua filosofia sobre finanças, quando disse:
“Ganhe tudo que puder, economize tudo que puder, e doe tudo que
puder”. Num determinado ponto de sua vida, o Senhor o abençoou
tanto que ele foi capaz de viver com 10% do que ganhava e dar 90% para
a obra do Senhor.
Não estou me dirigindo a você com uma atitude de quem se acha
mais santo que os outros. Dirijo-me a você em mansidão para lhe dizer
que esta área faz parte da santidade que Deus quer trazer às nossas
famílias. Ser santo também significa desfrutar de integridade física e fi­
nanceira. Alguns cristãos pensam que são santos por sua integridade
moral. Santidade não se resume apenas a uma boa moral; inclui também
uma boa ética. E ter um bom testemunho e apresentar uma boa imagem
diante dos incrédulos a fim de atraí-los a Cristo.
Se a nossa santidade não está penetrando cada área de nossas vidas,
então não somos santos! Talvez alguns pensem que são quase santos.
Mas 98%) de santidade não são o bastante. Todos precisamos buscar a
santidade de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus sem pecado. Precisamos
trazer santidade para nossa conta bancária, nossas finanças, nosso casa­
mento, nossos relacionamentos, aos filmes que assistimos e a cada aspec­
to de nossas vidas.
A igreja que busca este tipo de santidade jamais será impedida. N e­
nhum demônio será capaz de parar uma igreja totalmente comprometida
com a santidade de Jesus Cristo. O avivamento é adiado porque nossa
obediência foi adiada. A medida que estivermos prontos para obedecer,
o Deus Todo-poderoso nos dará forças para introduzir um avivamento
na nossa nação.

154
A transgressão do rei Saul: Permitindo quc a insensatez se transforme em pecado

Uma pessoa insensata terá um fim lastimável


Existe um hormônio nas plantas que influencia seu crescimento. As ve­
zes, quando uma planta está com excesso desse hormônio, seus talos e
folhas crescem antes do sistema de raízes estar totalmente desenvolvido.
Como resultado, as mudas não floreiam e, normalmente, a planta morre
antes de chegar à maturidade. Em certo sentido, este exemplo da vida
das plantas ilustra a insensatez na igreja.
Observe esta doença na esfera espiritual. Uma determinada igreja
ou ministério pode parecer uma linda planta que logo estará produzin­
do fruto, mas o hormônio espiritual da insensatez faz que a muda, ain­
da imatura, desenvolva a “doença da muda louca”. O resultado disso é
que a planta se desenvolve rápido demais. Por ainda não ter um sistema
de raízes maduro, a igreja ou ministério morre antes de chegar à maturi­
dade.
Quando começa a crescer, muitas pessoas ficam admiradas com aquele
ministério. “Puxa! Este pastor deve ser realmente ungido. Veja como sua
igreja está crescendo rápido!” Mas não sejamos enganados por cresci­
mento rápido. Deveríamos nos preocupar mais com os fundamentos dessa
igreja. Seu alicerce é forte o bastante para suportar o crescimento?
Sansão, Salomão e Saul, todos morreram antes de chegar à maturidade
espiritual. Muitos ministérios floresceram rapidamente, mas depois mor­
reram antes de chegar à maturidade. Há muitos cristãos imaturos dizen­
do: “Deus me decepcionou. Recebi uma profecia e conselhos de amigos
que me fizeram acreditar que teria êxito em meu ministério, mas isso não
aconteceu”.
Não deixe que a “doença da muda louca” infecte sua mente ou seu
ministério. Não deixe que esta enfermidade o leve a produzir fruto antes
que suas raízes estejam firmemente arraigadas. Harmonize-se com a von­
tade de Deus —e com seu tempo determinado —para o seu chamado.
Humilhe-se diante do Senhor e espere que sua sabedoria lhe ensine o
que você precisa saber.
Lembro-me de um estimado amigo dos tempos de seminário na Argen­
tina. Naquele primeiro ano de treinamento ministerial, éramos todos jo­
vens. Pensávamos que um pouco de insensatez era aceitável. Mas, no de­
correr daquele ano, passamos por um processo de amadurecimento.

155
Evitan d o as d o ze transgressões

No entanto, meu amigo não mudou. Durante seu segundo ano de


seminário, ele exibiu o mesmo tipo de superficialidade. No terceiro ano,
não foi diferente; ele ainda não havia amadurecido. Deus lhe dera tantos
dons e ele parecia ser tão ungido para a obra do Senhor, que pensei que
seria bem-sucedido no ministério. Mas hoje ele nem está no ministério.
Sua vida é um desastre.
Este homem não era uma pessoa má. Não era um homem imoral; era
apenas um indivíduo insensato, que se recusava a aprender e crescer. Durante
um certo período, Deus o cobriu e o abençoou. Mas, após algum tempo,
o Senhor não o abençoou mais.

Sinais de insensatez

Se você deseja caminhar em verdadeira santidade bíblica, precisa tomar a


decisão de andar em sabedoria. Com base nas mesmas ações que vemos
na história do rei Saul, aqui estão alguns exemplos de insensatez nos dias
atuais:

• Permanecendo no ministério em detrimento da própria alma. Alguns minis­


tros experimentam fracasso moral e ainda se recusam a submeter-
se à disciplina e ao processo de restauração. Continuam no minis­
tério normalmente. A sabedoria exige que confessem seus peca­
dos e busquem restauração, mas seu orgulho não os deixa fazer
isso.
• Cuidando do crescimento da igreja local e perdendo a cidade. Existe uma
obsessão néscia pelo crescimento da igreja local em detrimento
de uma visão maior, que pode ser compartilhada com as demais
igrejas para o benefício de toda a cidade. A sabedoria nos chama a
abrir mão de nossas agendas pessoais ou denominacionais e a ca­
minharmos em unidade bíblica, buscando ministrar ao nosso bair­
ro e à toda a cidade.
• "Lutando contra aqueles que estão no mesmo reino. Numa guerra, isso é
conhecido como “fogo amigo”. Alguns ministros atacam outras
denominações e movimentos sem primeiro descobrir os fatos.
Em geral, a causa é orgulho, inveja, e ciúme. Alguém disse sabi-

156
A transgressão tio rei Saul: Permitindo que a insensatez se transforme em pecado

amente: “N ão critique o que Deus tem abençoado” . Lembre-se


que a Palavra nos adverte que, no dia do juízo, daremos conta de
toda palavra inútil que tivermos falado. Como somos insensatos
e infantis quando contendemos entre nós mesmos por causa de
questões doutrinárias sem importância que nunca deveriam nos
dividir.
• Kecusando-se a liberar uni obreiro localpara a obra do Senhorporque aquela
pessoa ainda é necessária em seu ministério. Em geral, isso é um sinal de
ambição egoísta. O líder que age com este espírito de controle
egocêntrico nunca experimentará a plena bênção de Deus.
• Voltando a velhos hábitos religiosos. Há muitas denominações que bus­
cam a unidade e um relacionamento com o Espírito Santo, mas
depois, por causa de seu temor ou por erros cometidos por líde­
res do novo movimento, voltam às suas velhas práticas. Isso desa­
credita a causa do avivamento e atrasa o avanço do Reino de
Deus. A sabedoria nos manda abandonar estratégias infrutíferas
que não são mais relevantes para a nossa geração. Recentemente,
voltei a uma cidade da Ásia e perguntei sobre a condição de vários
líderes que conheci ali em minha primeira visita. Descobri que
eles permaneceram no mover de Deus durante algum tempo, mas,
devido a “pressões denominacionais”, voltaram à sua velha for­
malidade. Estavam mais fechados agora do que antes do mover de
Deus.
• Alimentando ilusões de nos tomarmos alguém que não fom os chamados a ser.
Nem todo o mundo é chamado a ser um Bill Bright ou um Martin
Luther K in g jr. Peça a Deus que Ele o mantenha centrado na
realidade do chamado específico que Ele lhe deu. Não tente ser
alguém que não é. Peça a Deus que esvazie seu ego, caso esteja
agindo com este tipo de orgulho espiritual.
• Sendo um líder negligente e irresponsável. Apesar de ser usado exces­
sivamente, a máxima: “Você pode guiar um cavalo até a água, mas
não pode obrigá-lo a beber”, possui um significado espiritual. Tal­
vez Deus o chamou a liderar sua igreja visando um avanço maior
de seu Reino. Mas, se você negligenciar seu chamado, escolhendo
seguir seus próprios desejos e ignorando as responsabilidades da
liderança à qual Deus o chamou, você fracassará como líder. Não

157
Evitand o as d o z e transgressões

desista só porque a tarefa é difícil. Não deixe para amanhã o que


Deus o chamou para fazer hoje.
• Vivendo em isolamento ministerial. Todos precisamos de pais, mentores
e amigos. Não ter alguém ao seu lado o coloca numa posição
perigosa e vulnerável. Deus nos colocou em um corpo, e nos
chamou a prestar contas uns aos outros. Não se isole daqueles
que podem ser seus “pais” ou “mentores” até que você chegue à
maturidade. Se você está sozinho, está agindo como insensato.
• Colocando os dons do Espírito em primeiro lugar e negligenáando o fru to do
Espírito. Alguns cristãos acreditam que a manifestação dos dons do
Espírito é mais importante que o poderoso fruto do Espírito que
é produzido dentro de nós. Não seja como o “sino que ressoa ou
como o prato que retine" (1 Co 13.1). Desenvolva as características de
liderança disponíveis através do fruto do Espírito. Valorizar o
carisma acima do caráter é expor-se ao fracasso e à desilusão.

O elevado caminho de santidade

A Bíblia diz que os justos andarão por um caminho de santidade, mas


que “os impuros não passarão p o r ele... os insensatos não o tomarão” (Is 35.8). O
Espírito Santo está chamando aqueles que cometeram atos de insensatez
a se arrependerem e se reconciliarem com Deus. E Ele quer que toda a
sua igreja abrace a sua sabedoria. Tenho aprendido por experiência pró­
pria que Deus não abençoará meu contra-senso.
Durante um apelo numa grande reunião, tive uma visão de uma
jovem tentando com eter suicídio. Comecei a descrever ao público a
arma que a vi usando. Enquanto falava, uma jovem veio à frente e
disse: “Sou eu. Eu tinha planos específicos para com eter suicídio esta
semana”. Ela ia fazer uma tolice, mas o Deus Altíssimo tinha planos
diferentes para ela.
Talvez você esteja pensando em divorciar-se. Talvez esteja dizendo:
“Minha esposa é uma boa mulher, mas me apaixonei por outra”. Isto é
insensatez —e pode arruinar sua vida. Se você está prestes a fazer algo
tolo, não fuja de Deus. Faça uma oração de arrependimento e renda-se a
Ele.

158
A transgressão do rei Saul: Permitindo que a insensatez se transforme em pecado

Talvez sua ação insensata seja criticar o que Deus tem abençoado.
Você tem um espírito crítico? Você está sempre encontrando defeitos
em outras pessoas, outras igrejas, e outros movimentos? Se este for o
caso, entre na presença do Senhor com arrependimento hoje. A igreja
está sofrendo por causa de divisões em seu meio. A crítica não vai nos
edificar. Criticar é insensatez. Há um lugar para exortação e confronta­
ção, mas isso precisa ser feito de acordo com Mateus 18, frente a frente
com o irmão, e falando a verdade em amor.
Se você tem se sentido compelida a abortar o bebê que está esperan­
do, vá ao Senhor. Ele lhe dará bom conselho.
Você fica tão irado com seu adolescente rebelde que se sente tentado
a responder no mesmo nível de gritaria, insultos e contenda em que seu
filho está? Leve sua ira ao Senhor, e peça a Ele que o encha com o fruto
do amor para que possa responder em amor.
Se você não é um homem ou uma mulher de palavra, se promete
muitas coisas que nunca cumpre, vá ao Senhor hoje. Eu já fui assim. Às
vezes, nossas promessas são muito superficiais. Aprendi que quando as
pessoas não podem confiar em nossa palavra, isto não é apenas uma
fraqueza —é um pecado. Arrependi-me muitas vezes e pedi perdão a
Deus. Quero que meu “sim” seja “sim” e que meu “não” seja “não”.
Quero ser um homem de palavra.
Preste atenção à advertência que nos é dada em Efésios 5.17: “Portan­
to, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor”. Se
você caiu em insensatez, e isso o levou a pecar, siga estes passos para
evitá-la no futuro:

1. Entenda que a rai%da insensate£ é o temor do homem. Se você se preocupa


mais com o que as pessoas pensam de você do que com o que Deus
pensa, você fará escolhas insensatas. Aprenda a buscar o temor do
Senhor.
2. Keconheça a insensate%como pecado, e arrependa-se. Peça ao Senhor que o
encha com o conhecimento de sua vontade. Exponha sua mente to­
dos os dias à sabedoria de sua Palavra. Escolher a insensatez não é
uma fraqueza e sim uma transgressão.
3. Priorize a sabedoria. O livro de Provérbios nos ensina que a sabedoria
de Deus é “mais preciosa do que rubis”. Aprenda a entesourá-la.
Busque-a e valorize-a como nunca antes.

159
Evitando as d o ze transgressões

Uma oração de arrependimento

Pai, eu confesso minhas ações e pensamentos insensatos. Eu me arrependo de verda­


de. Oro para que minha insensate£ não se transforme em desastre. Perdoa-me e
purifica-me. Mas, se fo r preciso enfrentar as conseqüências de meus atos insensatos,
peço-te coragem para enfrentá-las com humildade e determinação. Estou disposto a
aprender. Espírito Santo, fa ^ arder em mim uma paixão por sabedoria e uma
repulsa pela insensate^ Senhor, tu és a minha sabedoria. Ajuda-me a ser sábio em
minha caminhada diária. Santifica-me cada ve-%_mais. Em nome de Jesus, amém.

160
A transgressão de Davi:
Falhando em estabelecer limites

/CJ ô um pedaço de p i ^ a e j á volto para o portão de embarque para p ega r meu


/ JJ avião, disse a mim mesmo. Terminei rápido com a pizza, mas,
•— ' quando voltei ao portão de embarque, as atendentes da com­
panhia aérea me informaram que o avião já havia decolado. “Mas ainda
não é a hora da saída!” protestei.
“O avião estava pronto para partir alguns minutos antes do progra­
mado”, responderam. “Avisamos pelo sistema de som do aeroporto
que os passageiros não deveriam se afastar do portão de embarque para
que pudessem ouvir possíveis mudanças sobre o vôo.”
Eu tinha ouvido o aviso, mas, para ser honesto, não o levei a sério.
Quando decidi me afastar do portão de embarque para comer aquele
pedaço de pizza, estava “apostando na melhor hipótese”. Naquela tar­
de, passei horas caminhando pelo aeroporto de Dallas, prometendo a
mim mesmo que jamais faria aquilo outra vez. Na esfera espiritual, mui­
tas pessoas estão apenas “apostando na melhor hipótese”. Mas aí acon­
tece o pior porque deixaram de estabelecer limites em suas vidas. Se
quisermos ser bem-sucedidos espiritual e moralmente, precisamos apren­
der a viver dentro dos limites divinos.
Evitando as d oze transgressões

Este capítulo é uma advertência a todos os cristãos que não aprende­


ram a viver suas vidas cristãs em estado de alerta. O fato de você não
ver tentação prestes a atacá-lo não o escusará diante de Deus. Ele requer
que sejamos vigilantes.
Quando uma pessoa entende a transgressão de não estabelecer limi­
tes —e a evita —ela assume o controle de sua vida e não o perderá mais,
nem será derrubado por um surto de pecado à sua volta.
Muitas pessoas acreditam que o maior pecado de Davi foi o adultério,
mas creio que seu maior erro foi a cobiça. Davi tinha tanto mas, aparen­
temente, o que possuía não era suficiente para ele. O desejo ilimitado
leva uma alma saudável à tragédia moral. O problema moral é a conse­
qüência visível, mas a cobiça é a causa invisível. Davi foi repreendido
principalmente por sua cobiça, não por sua falha moral. A Palavra de
Deus sempre nos aponta a raiz do pecado. Ela vai além da ação errada
e expõe as intenções malignas por trás de tal comportamento.

Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de
dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e
medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração.
- Hebreus 4 .12

A cobiça tem sido descrita como um “intenso desejo por algo que não
podemos ter”. A cobiça acontece quando ultrapassamos a linha do con­
tentamento. Na maioria das vezes, não reconhecemos que a cobiça não
é um pecado insignificante. E uma das transgressões que causam a de­
sintegração social. “Não cobiçarás” é um dos limites dados pelo Senhor
a fim de preservar a ordem social e a civilização. Muitos dos crimes
cometidos nas ruas de nossos países nascem da cobiça e da ganância. A
escravidão financeira de milhões de pessoas é causada pela cobiça. A
Bíblia nos diz que o amor (outra forma de cobiça) ao dinheiro é a raiz
de todos os males (1 Tm 6.10).

O solo fértil de um coração cobiçoso

Jesus descreveu os desejos cheios de cobiça como sujeira interior. Ao se


dirigir aos líderes religiosos de seus dias, que evitavam os assim chama­

162
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

dos pecados espetaculares, Ele os condenou pelo que estava escondido em


seus corações:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior


do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça.
Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o
exterior também fique limpo.
- Mateus 23.25, 26

Todo pecado —seja do espírito, da alma, ou do corpo —traz conse­


qüências. Mas a força motriz de todas as ações pecaminosas reside nos
pecados do espírito, tais como a cobiça e o orgulho. Quase sempre
invisíveis, estes pecados se escondem no interior das pessoas e infectam
cada parte de suas vidas com sua doença imunda. O primeiro passo
para a purificação é uma mudança de coração — “limpe primeiro o
interior do copo”. Depois que o interior é limpo, quase que naturalmen­
te, o exterior também ficará limpo.
Hoje em dia muitas lojas ficam abertas 24 horas, todos os dias da
semana. A vida moderna, especialmente nas cidades, criou a necessidade
de lojas sempre disponíveis. Alguns comerciantes acham que este horá­
rio ininterrupto permite uma operação mais tranqüila, com mais tempo
para manutenção, limpeza e organização do que o horário de funciona­
mento convencional.
Em nossa cidade, minha esposa e eu estamos acostumados a com­
prar nestas lojas. Mais cedo ou mais tarde, sabemos que vamos precisar
de uma. As vezes, Kathy prefere fazer compras à noite, depois que os
rapazes já foram dormir e ela não precisa voltar logo para casa. Ai ela
tem tempo de sobra para procurar os melhores descontos para tudo
aquilo que a família precisa.
O Espírito Santo está procurando pessoas disponíveis 24 horas por
dia, 7 dias por semana, que tenham a porta de seu coração continua­
mente aberta à sua obra de santificação. Estas pessoas são aquelas que,
quer estejam descansando ou trabalhando, correndo ou paradas, estão
constantemente em sua presença. A luz em seus corações nunca se apa­
ga, de dia ou de noite. Elas estão sempre puras ou purificando a si
próprias. E este tipo de pessoa que conquistará o mundo para Cristo!

163
Evitando as d oze transgressões

Você quer ser um cristão cheio do Espírito 24 horas por dia e 7 dias
por semana? Para isso você precisa aprender a evitar cinco erros que
podemos observar na vida de Davi que, obviamente, pensou que não
precisava viver em santidade todas as horas do dia ou da noite.

Os passos de Davi para o desastre

A cobiça no coração de Davi, talvez naquele momento impercebida


por ele, o levou a dar vários passos errados.

I . Ficando em casa em tempo de guerra

Na primavera, época em que os reis saíam para a guerra, Davi enviou para
a batalha Joabe com seus oficiais e todo o exército de Israel; e eles derrota­
ram os amonitas e cercaram Rabá. Mas Davi permaneceu em Jerusalém.
- 2 Samuel I I . I

O livro de Eclesiastes nos diz que há “tempo cle lutar e tempo de viver em
p a (Ec 3.8). Davi estava atravessando um período de guerras. Mas ele
confiou em suas vitórias passadas e em seu exército, e permitiu que estes
homens partissem para lutar sem ele. Davi não entendia que liderança
requer diligência. Seu lugar era com seus homens, na batalha. Isso tam­
bém se aplica a nós hoje. Aqueles que lideramos precisam que estejamos
juntos a eles na batalha. E, por mais surpreendente que isso possa pare­
cer, nós também precisamos estar perto deles.
Ouço falar de muitos homens cristãos hoje que caem na cilada da
pornografia na Internet. Isso se transformou numa epidemia tão intensa
que surgiram ministérios específicos para oferecer liberdade desse per­
nicioso vício sexual. Agradeço a Deus por estes ministérios; entretanto,
fico me perguntando se estes homens teriam caído em pornografia se
estivessem no campo de batalha. Se estivessem combatendo o Diabo,
andando em alerta espiritual e ganhando pessoas para Cristo, talvez não
teriam tido tempo ou interesse em ver pornografia. Como é urgente
que entendamos nosso chamado ao campo de batalha!

164
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

2. Fazendo mau uso do seu tempo livre

Uma tarde Davi levantou-se da cama e foi passear pelo terraço do palácio.
- 2 Samuel I 1.2

Tenho lido artigos em jornais e revistas sobre o atentado terrorista de


11 de setembro de 2001 em Nova Iorque. Em todos os artigos que li,
há um consenso de que, desde o ataque, os Estados Unidos tiveram de
encontrar novas maneiras de fortalecer seu sistema de defesa nacional.
Não foi suficiente aumentar a segurança apenas nos principais aeropor­
tos. Os líderes do país tiveram de traçar planos para proteger nossos
reservatórios de água, usinas nucleares e grandes armazéns. O presidente
Bush pediu ao povo americano que permanecesse em alerta. Um oficial
do governo chamou esta intensificação de nosso estado de alerta de
“Programa Olhos Bem Abertos”.
Davi poderia ter lucrado muito se tivesse aplicado um programa
como esse em seu próprio reino! Em vez de unir-se a seus homens no
campo de batalha, ele se permitiu um pouco de tempo livre —que aca­
bou usando mal. Ele misturou descanso saudável com cobiça tóxica. Ele não
ficou em alerta. Ele provou a veracidade do velho ditado: “Mente vazia
é oficina do Diabo”.
Se você está levando a sério o ser “santo como Ele é santo”, é im­
portante tomar cuidado com suas horas livres. Faça a si mesmo estas
perguntas:

• Este tipo de entretenimento é revigorante ou poluidor?


• Sigo um código moral diferente durante minhas horas livres?
• Rejeito a indecência na vida real mas gosto dela na ficção?
• Desenvolvi uma divergência entre valores mentais e valores de
ação?

Precisamos buscar entretenimento do qual não precisemos nos arre­


pender depois. Nossas famílias —ou mesmo um indivíduo sozinho —
podem se divertir saudavelmente rindo, cantando, desfrutando da com­
panhia uns dos outros, e trazendo honra a Deus pela nossa maneira de
nos entreter.

165
Evitando as d o ze transgressões

A busca por entretenimento imoral está aumentando —mesmo entre


os cristãos. Um obreiro cristão me falou: “Só visito sites pornôs quando
estou muito cansado”. Obscenidade não é uma forma saudável de rela­
xar! Se o entretenimento saudável não o satisfaz, talvez haja uma raiz de
cobiça em sua alma que o está empurrando na direção errada.
Há um princípio importante aqui: a maneira como usamos nosso
tempo livre determinará o desempenho de nosso trabalho. Isso pode
ser visto no exemplo de Nicolino Locche, um famoso boxeador argen­
tino. Ele era um boxeador tão talentoso que podia passar as noites ante­
riores às suas lutas bebendo e se divertindo em casas noturnas, e ainda
vencer no dia seguinte.
Ele era muito rápido com seus punhos, tão rápido que desconcerta­
va seus oponentes. Ele os enfrentava com as mãos abaixadas; quando o
adversário desferia um golpe rápido na direção do seu rosto, em meio
segundo ele desviava o rosto e se esquivava do soco, deixando o adver­
sário perplexo, que só conseguia golpear o ar. Toda vez que isso aconte­
cia, seus oponentes perdiam pontos, só por errar os golpes.
Nicolino era um campeão incontestável, mas, pouco a pouco, sua
falta de concentração e preparo físico, e seu estilo de vida desregrada,
começaram a afetar seu desempenho. Logo, a Argentina começou a ver
Nicolino sendo fácil e vergonhosamente derrotado. Com o tempo, ele
perdeu seus reflexos rápidos e não conseguiu mais se recuperar. Sua
carreira terminou em derrota. Nicolino era bom no ringue, mas usava
mal seu tempo livre. Isso provocou a sua queda.
Guarde seu tempo livre com zelo. Seu tempo de descanso o está
expondo demais à tentação? Não abaixe sua guarda, nem permita que
distrações e tentações o levem a usar mal seu tempo livre. Seu sucesso
espiritual como cristão, cônjuge, pessoa de negócios ou líder depende,
em grande medida, de como você vive quando não está “na ativa” .

3. Permitindo oue o desejo determine sua direção


No caso de Davi vemos uma progressão em direção ao pecado. Ele
começou ficando onde não deveria ficar. Depois, ao permitir-se um
tempo livre enquanto seus amigos lutavam no campo de batalha, ele deu
o próximo passo em direção à transgressão: permitiu que seus olhos

166
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

descansassem sobre uma mulher bonita, despertando assim o desejo e,


em seguida, agiu movido por este desejo. Numa única frase vemos esta
progressão:

D o terraço viu uma m ulher muito bonita tom ando banho.


- 2 Samuel I 1.2

Fui criado num lar cristão. Meus pais viviam o que pregavam. Nunca
vi uma revista obscena em minha casa ou qualquer indício de piadas
imorais. Contudo, quando cheguei à juventude, fui bombardeado com
tentações imorais, provavelmente como qualquer outro jovem não cris­
tão é atacado nesta área. Embora a tentação seja normal, a intensidade
da tentação que estava sobre mim deu-me uma pista de que algo estava
errado.
Creio que há duas razões para a tentação que me confrontou e que
confronta os jovens cristãos em todas as partes.

1. Os poderes demoníacos não estão dormindo. Satanás e suas hostes malignas


seguem uma prioridade em sua agenda que consiste em tentar e des­
truir a moralidade dos jovens. Estes poderes demoníacos atacam
freqüentemente os filhos dos ministros.
2. N os dias de hoje a pornografia é facilmente acessível e amplamente encontrada em
nossas ruas. Quando era adolescente, a pornografia era visível em to­
das as partes de meu país, principalmente depois da ditadura militar.
Entramos na era do “desnudamento”. Neste período houve uma
epidemia de exposição imoral em resposta à repressão da liberdade
de pensamento que o país experimentou sob a ditadura que domina­
ra a nação durante vários anos.

Como qualquer jovem numa das maiores cidades da Argentina, eu


via fotos obscenas fixadas nas bancas de jornais a cada duas quadras
enquanto caminhava para a escola. Milhares de crianças e jovens são
confrontados com as mesmas imagens diariamente, não apenas nas ruas
da Argentina, mas também dos Estados Unidos e outros países do
mundo. Por mais curioso que estivesse, nunca parava para fitar aquelas
fotos, mas, com o tempo, só o fato de passar por elas e, inadvertida-

167
Evitando as d o z e transgressões

mente, olhar para lá, transformou as tentações naturais de um jovem


numa batalha espiritual de maiores proporções. Este é o fenômeno da
supersexualidade, uma aberração de nossa sociedade moderna. O que
foi difícil para nossos avós será ainda mais difícil para os nossos filhos.
Meu desafio e autodisciplina diários são para direcionar meus olhos
de acordo com meu propósito, e não direcionar meu propósito de
acordo com meus olhos. Meu senso de destino e missão transcendentais
governa os músculos dos meus olhos. Meu propósito proporciona os
parâmetros para o que vou ou não deixar que eles vejam.
Todos os dias estou numa tarefa sublime, tão importante, que vale a
pena podar qualquer coisa má ou vã de minha vida. Somente quando
anseio e me empenho na direção de santidade contínua é que estou no
caminho certo. Veja só, a santidade não é posicionai, é direáonal. O lugar
para onde seu coração está direcionado é muito mais importante que o
lugar onde seus pés estão pisando no momento. Meu coração está
direcionado para a santidade constante, e meus pés estão em algum
lugar no caminho para este destino. Minha tarefa diária é seguir adiante
no caminho da cruz.
Por ter me afastado tantas vezes do meu destino, perigosamente en­
roscado em santidade parcial no lugar de santidade contínua, posso lhe
dizer que há um contraste marcante entre estas duas posições. Avançar
rumo ao destino o conduz à vida e o torna mais forte à medida que
caminha, mas quando você tira os olhos do seu destino e faz concessões
em algum ponto da jornada, você se enfraquece e, por fim, é derrotado.
A busca da santidade contínua fará com que seu coração fique volta­
do o tempo todo para o caminho que Deus traçou para você. Quanto
mais forte for o vento que se levantar para tentar desviá-lo do caminho,
mais forte você terá de segurar o leme a fim de não sair dele. Peça a
Deus que o faça “santo a cada minuto”. Bem, para ser mais preciso,
peça a Ele que o faça santo a cada segundo!
Certo dia, enquanto caminhava pelas ruas de uma cidade costeira da
Argentina com meus três filhos, de repente nos deparamos com um
enorme quadro de avisos onde havia uma foto de uma mulher seminua.
Vi como eles arregalaram os olhos enquanto fitavam o pôster à nossa
frente. Aproveitei aquela oportunidade para ensinar-lhes o principio do
segundo segundo.

168
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecei limites

“Vocês viram, rapazes”, disse a eles, “quando dobramos a esquina e


nos deparamos com aquele quadro de avisos, não pudemos deixar de
vê-lo. Este foi o nosso primeiro segundo. Entretanto, cada um de nós
pôde escolher se ia continuar ou não fitando a nudez daquela mulher.
Fizemos esta escolha no segundo segundo. Precisamos aprender a esco­
lher sabiamente o que os nossos olhos vão ver a partir do segundo
segundo.”

4. Usando mal a autoridade


A progressão de Davi até a transgressão o fez mal-usar sua autoridade
real. Quando seu desejo o levou na direção daquele ato de imoralida­
de, ele usou sua autoridade a fim de trazer ao palácio a bela mulher
que vira.

E mandou alguém procurar saber quem era. Disseram-lhe: “É Bate-Seba,


filha de Eliã e mulher de Urias, o hitita”. Davi mandou que a trouxessem,
e se deitou com ela, que havia acabado de se purificar da impureza da sua
menstruação. Depois, voltou para casa. A mulher engravidou e mandou
um recado a Davi, dizendo que estava grávida.
- 2 Samuel I 1.3-5

Obviamente, você não é um rei investido de autoridade para dar


ordens e ver cada um de seus desejos realizado. Mas você possui um
nível de autoridade em sua vida que lhe permite direcionar os passos
que dá a cada dia. Não use mal sua autoridade ou seus privilégios. Não
manipule os eventos e as circunstâncias de sua vida com o objetivo de
derrubar os limites da moralidade e da santidade. Davi falhou em esta­
belecer um importante limite em sua vida. Não siga este exemplo de
Davi.
Às vezes, quando estou viajando longe de casa e sou fortemente
tentado, reflito: Este confortável quarto de hotel fo i pago pela igreja para que eu
possa me prepararpara as reuniões. É um privilégio. A sfinanças do Reino de Deus
foram usadas. Como posso me atrevera usar qualquer minuto aqui com entretenimen­
to pernicioso ou pensamentos impuros? Em seguida, resisto à tentação firmado

169
Evitando as doze transgressões

em duas bases: amor e lealdade. Amor a Deus e lealdade para com o


povo de Deus que confiou em mim e me tratou como seu hóspede.
Vivemos dias em que o nosso país reconheceu a importância de
estabelecer os limites necessários a fím de impedir que o mal e o terror
atinjam nossas vidas. Toda vez que passa por um aeroporto, ou visita
um lugar governamental, você é confrontado com estas barreiras. Mais
importante ainda é erguer barreiras espirituais em sua vida que protejam
sua alma dos “terroristas” do mal. Use a autoridade que Deus lhe deu
para ordenar a estas influências que fiquem longe de você. Não faça
mau uso de sua autoridade.

5. Encobrindo o pecado em vez de confessá-lo


Certo dia, logo que aprendi a dirigir, estava indo com um amigo a um
anexo da igreja do meu pai em La Plata, Argentina. Estava prestes a
aprender uma lição importante para os motoristas. Ao longo do cami­
nho de La Plata até City Bell havia quatro quarteirões sem asfalto. Em
dias de chuva, as ruas se pareciam com chocolate derretido.
Naquela ocasião em particular, ficamos atolados na lama. Como
era um motorista inexperiente, tentei sair fazendo o que aprendera
fazer — pisando fundo no acelerador. Aquele dia aprendi que, uma
vez atolado na lam a, quanto mais você faz as rodas girarem , mais
atolado fica.
Finalmente, quando a porta do carro estava quase tocando a lama,
percebemos que era hora de pedir ajuda. Havíamos nos metido numa
situação difícil. O carro tinha afundado tanto que me perguntava se iría­
mos conseguir tirá-lo dali. Alguns homens da vizinhança trouxeram umas
tábuas grandes, tijolos, e uma pá. Após um grande esforço, durante o
qual vários deles foram enlameados pelas rodas enquanto empurravam
o carro, conseguimos tirá-lo da lama.
De modo semelhante, muitos cristãos inexperientes fazem a mesma
coisa quando ficam atolados na lama espiritual do pecado. Continuam
pisando no acelerador, tentando seguir em frente como de costume.
Não se dão conta de que é hora de pedir ajuda!
Tenho observado o mesmo padrão em vários países. Se um prega­
dor conhecido cai em imoralidade, os líderes lhe pedem para tirar uma

170
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

“licença” de um ano ou mais a fim de prestar contas e ser restaurado.


Em muitos casos, sua resposta é a mesma: “Não tenho condições de
ficar longe do ministério durante tanto tempo. Não vou me submeter
ao processo de restauração”. O resultado é que por não se afastar da
obra do Senhor temporariamente, esta pessoa acaba arruinando seu
ministério para sempre.
Davi escolheu cometer um terceiro pecado. Primeiro a lascívia, de­
pois o adultério e, por fim, o assassinato. A cada pecado, Davi estava se
afundando mais na lama.

De manhã, Davi enviou uma carta ajoabe por meio de Urias. Nela escre­
veu: “Ponha Urias na linha de frente e deixe-o onde o combate estiver mais
violento, para que seja ferido e morra”.
- 2 Samuel I 1.14. 15

Pecado não confessado causa uma terrível progressão de ações


pecaminosas. Múltiplos pecados acarretam múltiplas conseqüências. A
fim de encobrir um pecado existente, é preciso mais pecado, provo­
cando assim um a reação em cadeia. O efeito dom inó do pecado
encoberto, por sua vez, concebe um “pecado que leva à m orte”. A
pessoa cai em pecado e acaba chegando à rebelião aberta, com o
coração calejado. Se ela continua nesta condição durante certo tempo,
sua consciência acaba ficando cauterizada. Uma vez que isto acontece,
a pessoa não sente mais qualquer culpa por seu pecado. Ela pode
ministrar, orar, e exortar os outros à pureza, enquanto continua co­
metendo todos os pecados que condena. A alma de tal pessoa está
morta e a caminho de sua condenação eterna. Que condição trágica!
Saiba que cair em pecado é sério, mas encobrir o pecado é devasta­
dor. Se você está atolado na lama do pecado, não se afunde mais nela.
Grite por socorro! Procure líderes cristãos confiáveis e maduros que
possam ajudá-lo, dizendo a verdade em amor até que você seja comple­
tamente restaurado. Esteja disposto a se submeter ao seu conselho, e não
esconda qualquer aspecto do que você fez. A verdadeira cura é encon­
trada na confissão honesta.

171
Evitand o as d o ze transgressões

As conseoüências do pecado

Mesmo enquanto caminhava em direção ao seu pecado com Bate-Seba,


Davi ainda era bem-sucedido em Israel. Ele ainda tinha grande poder
para governar seu reino. E ainda era grandemente amado por Deus.
No Novo Testamento, vemos que Deus identificou Davi como um
homem segundo o seu coração (Atos 13.22). Porém, os pecados de
Davi lhe trouxeram conseqüências que teria de enfrentar como resulta­
do de sua queda. Em 2 Samuel 11.27 lemos: “M as o que Davi f e £ desa­
gradou ao S e n h o r ”.
Precisamos ter sempre em mente que, se desagradarmos ao Senhor,
as conseqüências virão. Quando percebo que minhas prioridades estão
desordenadas, algo que me ajuda bastante é uma antiga oração que diz:

Senhor, permite-me agradá-lo, apenas isso.


Se puder ver teu sorriso de satisfação com a minha vida,
Tudo estará bem para mim.
Permite-me agradá-lo.

Já fiz esta oração inúmeras vezes —em casa, no volante, e em quartos de


hotéis. Parece que, vez após vez, ela renova minha perspectiva de vida.
Davi, o homem que fora escolhido para substituir Saul como rei
porque seu coração buscava a Deus, havia desagradado ao Senhor. Seu
exemplo permanece como um eterno lembrete do fato de que nossa
antiga justiça ou posição correta diante de Deus nunca é o bastante!
Precisamos manter nossa justiça atualizada. Este princípio é visto clara­
mente nos versos seguintes:

Por isso, filho do homem, diga aos seus compatriotas: A retidão do justo
não o livrará se ele se voltar para a desobediência, e a maldade do ímpio não
o fará cair se ele se desviar dela. E se o justo pecar, não viverá por causa de
sua justiça. Se eu garantir ao justo que ele irá viver, mas ele, confiando em
sua justiça, fizer o mal, de suas ações justas nada será lembrado; ele morrerá
por causa do mal que fez... Se um justo se afastar de sua justiça e fizer o mal,
morrerá.
- Ezeouiel 33 .12. 13, 18

172
A transgressão de Davi: Falhando ern estabelecer limites

Quando Davi reconheceu seu pecado diante de Deus, jejuou e supli­


cou que o Senhor poupasse a vida do bebê que ia nascer. Ele queria
desesperadamente que aquele filho vivesse. Mas Deus já decidira o que
ia fazer. Como conseqüência de seu pecado, Davi experimentou a tragé­
dia —a criança morreu. Há conseqüências, às vezes irreversíveis, do nos­
so pecado obstinado.
As conseqüências do pecado de Davi não pararam com a morte de
seu filho. Outra conseqüência que ele enfrentou foi imoralidade sórdida
em sua própria casa. Através do profeta Natã, Deus disse a Davi:

Você matou Urias, o hitita, com a espada dos amonitas e ficou com a
mulher dele... Por isso, a espada nunca se afastará de sua família... Assim
diz o S f.nhor: “De sua própria família trarei desgraça sobre você. Tomarei
as suas mulheres diante dos seus próprios olhos e as darei a outro; e ele se
deitará com elas em plena luz do dia. Você fez isso às escondidas, mas eu o
farei diante de todo o Israel, em plena luz do dia”.
- 2 Samuel 12.9-12

Algum tempo depois, Davi tornou-se um desterrado em seu pró­


prio reino; ele experimentou grande vergonha. Quando tentamos enco­
brir o nosso pecado a fim de evitar a vergonha, a longo prazo, sofremos
uma vergonha muito maior do que se tivéssemos confessado e nos arre­
pendido imediatamente.
Há algumas lições importantes que podemos aprender do exemplo
do pecado de Davi. Se seguir estes princípios, você poderá evitar a
transgressão de não estabelecer limites e estará protegido das investidas
do pecado que sempre traz conseqüências duradouras:

• N ão vá ao terraço sozinho. Na maioria das vezes que viajo, minha


esposa ou um integrante de minha equipe vai comigo. Este passo
importante me protege de acusações infundadas e me ajuda a
permanecer concentrado em meu objetivo. E muito mais fácil
resistir à tentação quando você está cercado de amigos piedosos.
• Não perm ita banhos públicos nas imediações de seu palácio. Livre-se de
toda literatura sensual. Faça o melhor que puder para evitar a

173
Evitando as d oze transgressões

exposição a imagens pornográficas. Lute por integridade e ética.


Se você conhece locais onde há pornografia, evite-os. Não vá a
lugares onde sabe que será tentado na área sexual.
• Não abandone seu povo nasfrentes de batalha. Lembre-se da dedicação,
sacrifício e ofertas daqueles que fazem parte de seu ministério.
Desenvolva um senso de lealdade para com os membros de sua
própria família, e para com seus amigos e auxiliares no ministério
ou no trabalho. Não cometa o erro de trair um homem nobre,
como Davi fez com Urias.
• Não deixe que a legalidade governe a moralidade. Em 1 Coríntios 6.12
Paulo diz: ‘“Tudo me ép erm itid o’, mas nem tudo convém. Tudo me é
perm itido’, mas eu não deixarei que nada me dom ine”. Só porque alguma
coisa parece lícita não significa que seja a coisa certa para você. Os
padrões de Deus para nós são sempre mais elevados que os pa­
drões do mundo.
• N ão ame o mundo. Em Tiago 4.4 lemos: “A dúlteros, vocês não sabem que
a amizade com o mundo é inimizade com D eus? Q uem quer ser amigo do
mundo fa^-se inimigo de D eus”. Este verso não está dizendo que não
podemos ser amigos de alguém que ainda não conhece a Deus.
Ele mostra nossa necessidade de evitar os padrões e códigos de
conduta mundanos. Significa rejeitar atividades impiedosas. Isso
inclui desde olhares sensuais até piadas com duplo sentido.
• N ão ame as coisas que há no mundo. Não somente devemos evitar o
comportamento e os costumes do mundo, mas também muitas
coisas que o mundo nos oferece e que não honram a Deus. A
Palavra de Deus nos exorta: ‘Não amem o mundo n e m o q u e n e l e
há . Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 João 2.15,
ênfase acrescentada).

Estes princípios nos ajudarão a evitar o pecado. Precisamos traçar


limites claros. Quando os filhos de Israel entraram na terra prometida a
fim de possui-la conforme prometido por Deus, eles falharam em esta­
belecer limites para manter o inimigo fora do acampamento. Mesmo
depois de ter derrotado os inimigos que os atacaram de fora do acampa­

174
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

mento, tiveram de guerrear com os inimigos com quem haviam estabe­


lecido uma relação de aquiescência. Foram estes inimigos que represen­
taram uma ameaça de destruição.

Regras para guardar os olhos

Uma das ciladas em que Davi caiu foi a de não guardar os olhos. Ele
subiu ao seu terraço e deixou seus olhos à vontade e, ao ver Bate-Seba,
cedeu à tentação de continuar olhando para ela. Você precisa aprender a
estabelecer seus limites com cuidado e guardar seus olhos com diligên­
cia. Não deixe que o inimigo entre sorrateiramente em seu coração e
roube a bênção e a herança de Deus. Comece guardando o portão dos
seus olhos —um dos limites mais ameaçados por seus inimigos. Use
estas regras para estabelecer uma guarda para os seus olhos.

Você não precisa fitar algo só porque está na sua frente


Os músculos dos olhos são controlados pelo cérebro —não é o cérebro
que é controlado pelos olhos. Por isso, quando seus olhos são confron­
tados por uma imagem que provoca uma reação pecaminosa em você,
use estes músculos para fechá-los ou fazê-los olhar em outra direção. A
tentação só se torna pecado quando você decide agir movido por ela —
e fitar alguma coisa que desperta desejo ou lascívia em sua alma ainda
que seja apenas por dez segundos além do que deveria, é um ato que o
faz pecar.
Pense no exemplo de José que temos em Gênesis. Quando a esposa
de Potifar aproximou-se dele, agarrou-o pelo manto e o convidou a
deitar-se com ela, ele nem parou para dizer: “Por favor, solte o meu
manto”. A Bíblia nos diz isto: “M as elefugiu da casa, deixando o manto na mão
dela” (Gn 39.12). O que você acha que teria acontecido se ele tivesse
parado para olhar a atratividade dela, antes de reagir? Ele agiu com
decisão e prontidão —e é assim que devemos agir também.

Você não precisa desejar algo só poroue é atraente


Você precisa determinar seu nível de resistência. Todos os anos viajo
para mais de cinqüenta lugares diferentes a fim de pregar. Descobri que

175
Evitando as doze transgressões

o limite da minha resistência ideal enquanto estou longe de casa é de


nove ou dez dias. Então, com exceção de algumas viagens estratégicas
que duram um pouco mais, programo as outras de acordo com esta
regra. Qualquer viagem mais longa que isso é difícil para mim física e
emocionalmente. Reconheci meus limites e aprendi a administrar me­
lhor a força que o Senhor me deu para o ministério.
Se ficar longe de casa muito tempo, a tentação sexual ou a irritabilidade
podem ficar intensas. Então sei que preciso manejar minhas emoções
com cuidado e, também, programar com cuidado minhas viagens a fim
de não ter de enfrentar uma situação difícil.

Você não precisa possuir algo só poroue está ao seu alcance


Tenho um amigo jovem que, certa vez, estava viajando pelo estado da
Carolina do Norte a negócios. Após o jantar, ele voltou para o hotel a
fim de descansar e dormir. Quando estava quase estacionando o carro,
percebeu que passou por cima de um pequeno livro de capa mole joga­
do no estacionamento. Ao sair do carro, teve uma estranha impressão
de que aquele livro era pornográfico. Ele não sabia disso por ter visto
alguma coisa no livro; era realmente um aviso do Espírito Santo.
O jovem estava cheio de curiosidade. Ele apanhou o livro e, de fato,
era um romance de sexo explícito. Seu coração ficou dividido. Posso levar
este livro para o quarto para o ler, e ninguém vaifica r sabendo, pensou consigo.
M inha esposa não está aqui; nenhum conhecido meu está aqui.
Ele chegou a levar o livro para o quarto, mas, imediatamente, sentiu
forte convicção de pecado. Ele sabia que apesar do livro ter literalmente
caído à sua frente, não precisava aceitar aquilo. Então voltou ao estacio­
namento do hotel e jogou-o numa lata de lixo.

Você não precisa aceitar algo só poroue é permitido


Nem tudo que é lícito edifica. O aborto é legal nos Estados Unidos há
anos, mas não é correto aos olhos de Deus. Em muitas partes do mun­
do fazemos apelos para que os cristãos eliminem de suas vidas “lembran­
ças1’ de relações passadas contrárias à vontade de Deus. As pessoas têm
trazido jóias, cartas de amor, e fotos de antigas relações promíscuas em
suas vidas.

176
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

Em Judas 22, 23 lemos: “Tenham compaixão daqueles que duvidam; a ou­


tros, salvem, arrebatando-os do fogo; a outros ainda, mostrem misericórdia com temor,
odiando até a roupa contaminada pela carne”.
Algum tempo atrás, recebi um bilhete escrito a mão de uma senhora
cristã. Era tão lisonjeiro que fui tentado a guardá-lo; não era de interesse
espiritual, mas demonstrava algum tipo de atração emocional por mim.
Rasguei-o e o joguei fora. Embora o que estava escrito no bilhete não
fosse imoral ou explícito, sabia que não era apropriado guardá-lo.
Você já pôs uma guarda ao redor dos seus olhos? Você conhece seus
limites? Você os aceitou? Não diga nesciamente: “Pela fé, desconsidero
quaisquer limites”. Isso é insensatez ilimitada. Deus jamais honrará deci­
sões insensatas.

Prepare-se para apagar o fogo da lascívia

Na entrada de muitos hotéis você encontra mapas que mostram todas


as saídas dos andares e do hotel para o caso de alguma emergência,
como por exemplo um incêndio. Nos últimos anos, tem havido uma
epidemia de “incêndios” morais na igreja, que, muitas vezes, têm deixa­
do muitas vítimas. Tais “incêndios” trazem descrédito para o evangelho.
Muitos desses incêndios começam com o fósforo da lascívia. Os se­
guintes passos práticos o ajudarão a não ser queimado pelo fogo da
lascívia em sua vida:

Memorize o caminho para a saída de emergência


Na hora de uma emergência, talvez não haja luz ou som para guiá-lo.
Contudo, se você conhece o caminho para fora, dá até para correr na
direção da saída. A velocidade é importante. Não há nenhum problema
em deixar coisas de valor para trás, ou em ser rude com alguém. Quan­
do a tentação surge em sua vida, o importante é fugir dela.
Se você se sente tentado, cancele aquele encontro perigoso, apague
aquele e-m ailde seu banco de dados, não entre mais em salas inapropriadas
de bate-papo na Internet, ou cancele o serviço de TV a cabo que está
trazendo sujeira moral para a sua casa.

177
Evitando as d o ze transgressões

Certa vez, aluguei um escritório que tinha uma porta com painéis de
vidro. Mas os vidros tinham sido pintados para privacidade. Pedi a um
de meus ajudantes que removesse aquela tinta. As vezes, preciso conver­
sar com membros femininos de minha equipe. Se alguma acusação se
levantasse contra mim, minha equipe teria como me defender, porque
todos podem ver o que acontece em meu escritório. Aqueles painéis de
vidro foram o caminho para minha “saída de emergência”.

Se a porta estiver Quente, não a abra


Aprenda a discernir quando uma relação é contrária à vontade de Deus,
ou se é uma daquelas relações que podem “explodir”. Quando estava
no seminário teológico no Canadá, fiz meu primeiro exercício de incên­
dio. O instrutor nos disse: “Toque a porta. Se ela estiver quente, não a
abra. A sala pode explodir!” Precisamos estar continuamente com nossa
guarda levantada. Portas que estavam normais até ontem, podem ser
perigosas hoje, se o fogo da lascívia estiver aceso atrás delas. Só o fato
de abri-las pode resultar em sérios problemas.

Mantenha uma escada de incêndio sempre à mão


Nossa casa tem dois andares. Quando nos mudamos para lá, comprei
uma escada de incêndio para que pudéssemos sair do segundo piso no
caso de uma emergência. Praticamos vários exercícios com nossos fi­
lhos, que os achavam muito divertidos. Minha esposa e eu nos sentimos
desajeitados descendo por aquela escada, mas aqueles exercícios nos
emprestaram um valioso senso de segurança. Valeu a pena o tempo
investido.
Da mesma maneira, se intensificarmos a segurança em nossos cora­
ções, isso poderá salvar nossas vidas —eternamente! Evito ficar sozinho
com alguém do sexo oposto que não seja minha parente. É claro que
isso não é um mandamento bíblico, mas é uma norma de ética à qual
aderi por escolha própria e que pratico de forma não compulsiva. É
uma medida de segurança. Esta prática tornou-se minha escada de in­
cêndio. Não preciso avaliar cada situação que se apresenta e pensar se ela
seria ou não apropriada. Apenas aplico este princípio pessoal. Minha
escada de incêndio particular tem protegido minha vida de situações no
mínimo confusas.

178
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

Consiga um alarme de incêndio Que funcione


Você sabe se as baterias do alarme de incêndio de sua casa ainda estão
carregadas? Assim como verificamos os alarmes de incêndio de nossas
casas, devemos verificar periodicamente nossos “alarmes de incêndio
espirituais”. Os membros da sua diretoria, seu cônjuge, ou seus amigos
cristãos íntimos soam o alarme quando vêem indicações de “fumaça”
moral em sua vida? A quem você deu permissão para confrontá-lo
quando esta pessoa vir (ou cheirar) fumaça em seu caráter, ações ou
relacionamentos? Humilhemo-nos. Deixe o alarme soar sempre que
necessário.
Não espere até que a tentação o atinja. Depois que o fogo começa, é
tarde demais para pedir uma escada. Você precisa tê-la ali, instalada, e
deve estar apto a descer por ela em situações emergenciais. Depois que
o fogo já começou, é tarde demais para comprar baterias novas para o
alarme de incêndio que não disparou.
Minha esposa pode perguntar o que quiser sobre minhas ações. Ela
tem o direito de saber onde e com quem estou em qualquer ocasião.
Recentemente, contei-lhe sobre um querido irmão que havia cometido
adultério. Ela me perguntou: “Se você cometer uma falha moral, vai me
contar?”
“Sim”, respondi, “prometo que conto a você.” Eu sabia que o passo
de prestar contas à minha esposa era uma medida através da qual Deus
poderia fortalecer minha vida na direção correta —a menos que, é claro,
eu decidisse mentir para ela. Se algum dia eu assistir filmes obscenos em
algum hotel, conversar ou agir de forma inapropriada com alguma
mulher, tenho o compromisso de contar tudo à minha esposa. Ao esta­
belecer estes importantes limites em minha vida, com a ajuda de Deus
continuarei tendo condições de evitar a transgressão. Só de pensar na
necessidade de “reportar” ou em quebrar minha palavra, minha vonta­
de de manter padrões morais e éticos elevados é fortalecida.

Combata o fogo com fogo


Quando um incêndio numa floresta começa a se alastrar muito, os bom­
beiros costumam queimar uma faixa de terra antes que o fogo destrutivo
chegue. Dessa forma, o fogo que vem não encontra nada que possa

179
Evitando as d oze transgressões

alimentá-lo e, portanto, as chances de continuar avançando são menores.


Assim os bombeiros conseguem manter um incêndio sob controle.
O fogo de Deus é como o fogo de controle usado pelos bombei­
ros. Ele irá queimar e conter as paixões carnais em nossas vidas. Quando
você rende suas paixões e ambições a Cristo, é como se estivesse quei­
mando faixas de carne à sua volta que irão conter o fogo da tentação
que vem sobre a sua vida.
A lascívia é um pecado parasítico. E transportada por uma transgres­
são —a cobiça. A lascívia é uma obsessão por possuir o que não deve­
mos possuir. O profeta Natã confrontou Davi com base em sua cobiça,
não em sua lascívia:

“V ocê é esse hom em !”, disse Natã a D avi. E continuou: “A ssim diz o
S enhor, o D eus de Israel: ‘Eu o ungi rei de Israel e o livrei das mãos de
Saul. 'Dei-lhe a casa e as mulheres do seu senhor. Dei-lhe a nação de Israel e Judá.
E, se tudo isso não fosse suficiente, eu lhe teria dado mais ainda. P o r que você
desprezou a palavra do S enhor, fazendo o que ele reprova? Você m atou
Urias, o hitita, com a espada dos amonitas e ficou com a m ulher dele.
Por isso, a espada nunca se afastará de sua família, pois você me despre­
zou e tom ou a m ulher de Urias, o hitita, para ser sua m ulher’”.
2 Samuel 12.7-10, ênfase acrescentada

A principal impiedade de Davi foi roubar a única ovelha do homem


pobre —cobiçar a mulher do próximo. Foi a cobiça que concebeu o
adultério e o assassinato. A cobiça é o oposto do contentamento. O
coração cobiçoso não consegue dizer: “Já tenho o bastante. Obrigado,
Senhor”. Almas cobiçosas estão em constante inquietação. Cobiça ou
ambição egoísta engendra todo tipo de males diabólicos.

Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de


males.
Tiago 3 .16

Se você aplicar os princípios contidos neste capítulo, não terá que se


preocupar em cair na transgressão de não erigir limites. Se estes limites
estiverem no lugar, você experimentará os seguintes resultados:

180
A transgressão de Davi: Falhando em estabelecer limites

•M ais liberdade. Qualquer viagem de automóvel que você fizer será


muito mais fácil se você permanecer na estrada e obedecer às
regras de trânsito. Se você atravessar valas, campos abertos ou o
quintal de alguém, terá dificuldades, e poderá até ser preso! Mas
se você permanecer no caminho da prestação de contas e evitar
as valas da transgressão, chegará onde pretende ir mais rápido —e
estará a salvo durante a viagem.
• M ais alegria. Quando você não está oprimido, tentando encontrar
realização através das emoções fortes de um sucesso momentâ­
neo, seu espírito é capaz de voar alto nas asas da alegria. Os limi­
tes o ajudam a fazer uma corrida estável e a sentir a honra e a
alegria de estar correndo.
• M ais força. Os limites mantêm as coisas em seus devidos lugares.
Se você tiver uma cerca ao redor de sua casa, as cabras do vizinho
não vão comer as suas flores. E você não vai passar a noite numa
vala se um muro o proteger de cair nela. Com limites espirituais,
você se tornará finalmente um cristão firme — sólido como a
rocha! Nada o derrotará. Os limites o levarão a viver sempre na
promessa de 1 João 2.17: “O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele
que f a %a vontade de Deus permanece para sem pre”.

Uma oração de arrependimento

Querido Senhor, eu me arrependo de todo e qualquerpensamento, olbar, ou palavra


lasríva, imoral e impura. Eu renuncio a raiado problema que é a cobiça! Eu desmas­
caro a cobiça em meu coração e confesso quaisquer ações, palavras ou pensamentos
específicos motivados p or este pecado. Faço um pacto contigo de estar satisfeito com
aquilo que o Senhor me dá. Escolho viver uma vida autocontrolada sob a direção do
Espírito Santo. Prometo que vou manter pessoas piedosas ao meu redor com acesso
para corrigir a minha vida.
Porfavor, ajuda-me a estabelecer limites morais e éticos afim de que meu “bem não
seja difamado”. Confio na tua graça. Vou caminhar em integridade. Agradeço por
Jesus que se tomou minhajustiça. Amém.

181
transgressão de Salomão:
Distrações fatais

erto dia, ainda bem cedo, houve um acidente não muito longe de
minha casa. Um jovem trabalhador da construção civil, que esta­
va a caminho do trabalho em seu caminhão, abaixou-se para pegar
seu capacete que havia caído no assoalho. Sem perceber, girou o volante
e entrou na outra faixa da pista, batendo de frente com outro caminhão
que vinha na direção oposta. Ele morreu na hora.
Quando estava lendo sobre este acidente, pensei comigo mesmo: A
vida é tão injusta. A quele homem não estava bêbado, não estava tentando fa^ er nada
de errado propositadamente; não estava em rebeldia ou tentando provocar a morte de
alguém. Ele tnorreu p o r causa de uma distração momentânea.
Entretanto, ainda mais perigosas que as distrações que podem tirar
nossa atenção do volante, são aquelas que provocam acidentes no Corpo
de Cristo. As vezes, criamos um hábito de distração espiritual. Talvez
não tenha sido a primeira vez que aquele jovem se distraíra ao volante. É
provável que muitas outras distrações tenham se apresentado a ele, qua­
se todas as vezes que dirigiu seu caminhão. Nas outras vezes, tais distra­
ções sem dúvida passaram despercebidas, mas, desta vez, seu descuido
foi fatal.
Evitando as d o ze transgressões

Perdendo a concentração

O problema com motoristas distraídos é tão sério nos Estados Unidos


que a Companhia de Petróleo Shell publicou uma brochura colorida
intitulada “Distrações Fatais”. Li esta brochura, mas, devo confessar, o
fiz enquanto dirigia. Ela diz:

A s distrações estão p o r toda parte... O que é uma distração? E qualquer


coisa que tira suas mãos, olhos ou atenção do volante. Pode ser um
quadro de avisos, passageiros em seu carro, algo acontecendo fora do
seu carro, ou até m esm o algo tão simples quanto tentar ajustar a veloci­
dade dos seus lim padores de pára-brisa.1

Ao ler esta brochura, aprendi o sério risco que as distrações repre­


sentam. Até mesmo mudar a estação de rádio ou discar um número em
seu telefone celular pode tirar sua atenção. Estas mesmas advertências
sobre distrações no trânsito aplicam-se à nossa caminhada espiritual.
As distrações espirituais podem ser igualmente (ou até mais) destrutivas
para a nossa vida espiritual. A vida do rei Salomão é um exemplo clássico
do perigo das distrações:

A medida que Salom ão foi envelhecendo, suas m ulheres o induziram a


voltar-se para outros deuses, e o seu coração já não era totalm ente de­
dicado ao S enhor, o seu Deus, com o fora o coração do seu pai Davi.
- I Reis I 1.4

Salomão experimentou distrações espirituais letais. Surgiram em sua


vida quando ele era jovem e fisicamente forte, quando seu reino e minis­
tério ainda eram poderosos. Ele tinha uma forte unção de Deus sobre
sua vida como um rei jovem. A sabedoria de Deus era tão evidente que
as pessoas vinham de outras nações a fim de aprender com ele. Além de
rei, era um educador e mestre. Seu potencial em Deus era tão grande
porque fora agraciado com incrível sabedoria celestial.
Salomão recebeu duas visitações sobrenaturais do Senhor. Deus
lhe deu revelação divina, sabedoria e riquezas. Ele experimentou ex-

184
A transgressão de Salomão: Distrações fatais

traordinário sucesso, porém, por distrair-se, acabou sofrendo desastre


espiritual.
Satanás pode destruir a vida dos cristãos não apenas através de peca­
do, mas também através de distrações. Quando nos distraímos, não con­
seguimos mais nos concentrar no que Deus nos chamou a fazer. A medi­
da que distrações continuam surgindo em nossas vidas, o processo co­
meça a cansar as pessoas. As distrações minam as forças de muitos minis­
térios e servos de Deus. No início, são quase imperceptíveis, mas podem
acabar nos destruindo.
Preste atenção a esta advertência sobre o perigo das distrações. Se a
levarmos em conta, a proteção e a força de Deus estarão disponíveis
para nossas vidas.

Passos para a distração

Há algumas luzes de advertência às quais devemos prestar atenção a fim


de evitarmos os perigos das distrações. Podemos observar na vida de
Salomão que a distração foi um processo:

Salomão associou-se com mulheres idólatras


Esta distração apelou para os desejos e as emoções de Salomão. Atacou
os sentimentos naturais e normais que Deus colocou no coração de
todos os seres humanos. Os sentimentos de amor e atração pelo sexo
oposto, e o desejo de se casar são coisas que Deus colocou em nossos
corações, mas Salomão desviou-se demais por causa deles.
Salomão estava preso aos seus sentimentos, como podemos ver na
seguinte passagem das Escrituras:

O rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha do


faraó. Eram mulheres moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas.
Elas eram das nações a respeito das quais o S enhor tinha dito aos
israelitas: “Vocês não poderão tomar mulheres dentre essas nações,
porque elas os farão desviar-se para seguir os seus deuses”. No entanto,

185
Evitan d o as d oze transgressões

Salomão apegou-se amorosamente a elas. Casou com setecentas prin­


cesas e trezentas concubinas, e as suas mulheres o levaram a desviar-se.
I Reis 11.1-3

Muitas pessoas pensam que o problema de Salomão foi o adultério.


Mas não foi. A questão mais profunda é que ele cometeu a infidelidade
máxima —idolatria. Ele seguiu deuses estranhos como resultado de agra­
dar suas esposas estrangeiras. Creio que este é o principal ponto que as
pessoas perdem ao ler esta passagem. Elas a descartam, pensando: Não
tenbo nada a ver com o rei Salomão;jamais terá um harém nem me tornareipolígamo.
Mas todos nós estamos sujeitos aos perigos da cobiça, lascívia e paixões
interiores, despertadas quando começamos a negligenciar instruções es­
pecíficas que Deus nos deu.
Recentemente, um amigo cristão na Europa contou-me que se distra­
íra das coisas de Deus por causa da Internet. Depois de um tempo,
acabou fazendo contato on-line com uma mulher que fora sua namorada
anos atrás. Aparentemente, não havia nada de errado com aquilo. Eles
apenas começaram a “bater papo” de vez em quando. Mas, após algumas
semanas, seu coração começou a envolver-se com aquela mulher. “Che­
guei ao ponto”, contou-me, “de estar mais apaixonado por ela do que por
minha esposa.” O homem ficou devastado.
Enquanto orávamos juntos sobre o assunto, eu disse a ele que havia
notado que sua atração não era apenas um laço emocional. Senti que
havia uma influência demoníaca ali cujo objetivo era destruir seu minis­
tério. “Você percebe que isso não é apenas emocional?” perguntei-lhe.
“Há demônios trabalhando contra você para destruir seu casamento.”
Continuei aconselhando-o: “Não sinta apenas culpa por isso. Isso não
vai ajudá-lo. Entregue esta relação ao Senhor. Saiba que neste exato
momento você está engajado numa batalha espiritual”. Ele fez isso en­
quanto oramos.
Muitos cristãos lutam com embaraços emocionais, nos quais é tão
fácil se enredar. Há tantas pessoas, que não são más ou rebeldes, que se
envolvem facilmente numa relação contrária à vontade de Deus. Quero
lhe dizer no temor do Senhor que se você sabe que está envolvido numa
amizade ou relacionamento contrário à vontade de Deus, você precisa
entregar esta relação ao Senhor hoje mesmo.

186
A transgressão de Salomão: Distrações fatais

Talvez você se sinta tão preso emocionalmente a esta pessoa que


pensa que se encerrar a relação, vai sofrer um colapso emocional ou até
morrer. Mas eu lhe asseguro que o Senhor lhe dará poder e autoridade
para livrar-se das coisas que estão desviando sua atenção e paixão. Se seu
namoro está afastando-o das coisas de Deus, você precisa mudar isso. Se
percebe que, dia após dia e semana após semana, está cada vez menos
interessado nas coisas de Deus, e cada vez mais interessado em paixões
desordenadas, você precisa render esta relação a Deus —hoje mesmo!
Quando renunciamos as emoções que nos estão impedindo de chegar
mais perto do Senhor, Ele miraculosamente nos liberta da necessidade
de tais laços.
Se você se distraiu ou permitiu que sua alma se envolvesse num
romance ou atração que está fora da vontade de Deus, hoje é o dia
de entregar sua confusão ao Senhor. Se você der o primeiro passo pela
fé, Deus o ajudará a fazer o resto. Dê o primeiro passo orando estas
palavras:

Senhor, eu apresento este relacionamento a ti. Quero que meu coração seja liberto.
Por minhasprópriasforças não consigo terminar de ve£ esta relação, mas, com a tua
força e o teu poder em minha vida, farei isso.

Tudo que o Senhor quer de nós é uma rendição total. Então Ele nos
dará a força necessária para completar nossa libertação. Você está desti­
nado a ser emocionalmente livre.

Salomão foi vencido pela idolatria


Há muitas advertências sobre os “pecados da mocidade”. Mas gostaria
de parar um pouco para advertir os que estão na meia-idade sobre os
pecados da velhice. Tenho observado alguns ministros e cristãos leigos
que, em seus últimos anos de vida, se tornaram agressivos, amargurados,
ressentidos ou imorais. Estas pessoas acabaram perdendo a paixão que
tinham por Deus em sua juventude.
Lembro-me de um servo do Senhor na Argentina que, alguns anos
antes de sua morte, pegou uma obsessão por perseguir outros cristãos.
Ele escrevia cartas a respeito de um outro servo do Senhor e as enviava

187
Evitando as d oze transgressões

a outros ministérios por todo o país em vez de confrontar aquele colega


e irmão frente a frente.
Fiquei observando este processo, pois algo nele chamou minha aten­
ção. Talvez, como no exemplo do rei Ezequias, teria sido melhor se ele
tivesse morrido mais cedo —antes de manchar de vez seu testemunho na
velhice (veja 2 Reis 18,19). Uma oração que sempre apresento ao Senhor
é esta: “Senhor, permite-me honrar-te ou, por favor, leva-me daqui. Não
permitas que me torne uma pedra de tropeço para outros nem que venha
a desonrar o teu nome”. Se o Senhor demorar a voltar, planejo chegar à
velhice. Mas quero chegar lá com um coração ainda sensível ao Espírito
Santo, um coração cheio de paixão por Deus e amor ao próximo.
Creio que algumas pessoas se tornam agressivas na velhice porque
permitem que raízes de legalismo e crídca cresçam em seus corações.
Nunca arrancaram estas raízes. Por fim, quando envelhecem, ficam tão
esgotadas e distraídas que se tornam uma influência negativa para os
outros. Algumas coisas, se não forem corrigidas a tempo, vão piorando
cada vez mais —incluindo raízes perigosas que deveriam ter sido arran­
cadas anos atrás.
Uma noite, pouco tempo atrás, alguns amigos nossos foram dormir
em sua casa como de costume. Enquanto estavam dormindo, houve um
vazamento de monóxido de carbono que penetrou no interior da sua
casa, sem que ninguém percebesse. Um dos membros da família acordou
no meio da noite com um barulho qualquer e, reunindo todas suas últi­
mas forças remanescentes, conseguiu acordar os outros e arrastá-los para
fora da casa, no último instante antes de perderem a consciência e as
suas vidas. Como é triste ver alguns cristãos que nem sequer se dão
conta de que estão correndo perigo espiritual por causa de seu pecado.
Há uma perigosa progressividade no pecado. Tratei este assunto de for­
ma mais completa em meu livro The Fire o f H is Holiness (O Fogo da Sua
Santidadej.1 (Veja o capítulo intitulado: “The Dynamics o f Temptation”
[“A Dinâmica da Tentação”]).
Salomão permitiu que raízes de idolatria crescessem em sua vida
durante muitos anos e, por fim, elas o venceram. Raízes de sensualidade,
legalismo ou crítica podem crescer despercebidas durante muitos anos

188
A transgressão de Salomão: Distrações fatais

também. Estas transgressões, como um perigoso gás invisível, podem


estar presentes sem que sequer as notemos. Precisamos sondar nossos
corações continuamente, pedindo discernimento ao Espírito Santo para
que Ele nos ajude a detectar quaisquer pecados ocultos. Precisamos da
purificação que vai além das nossas listas de coisas conhecidas que po­
dem estar erradas em nós. Precisamos da purificação que vem da santida­
de de Jesus em nossas vidas.

Salomão tornou-se um experto em obediência parcial


Salomão não seguiu o Senhor de todo o coração. Ele seguiu o Senhor
paráalmente.

Ele seguiu Astarote, a deusa dos sidônios, e Moloque, o repugnante deus


dos amonitas. Dessa forma Salomão fez o que o S enhor reprova; não se­
guiu completamente o S enhor, como o seu pai Davi.
- I Reis I 1.5. 6

Já fui assim. Antes do batismo de santidade que recebi do Senhor


em 1997, seguia o caminho do Senhor da melhor maneira que podia -
mas o meu melhor era apenas obediência parcial. Vivia da forma que
fora treinado a viver, e achava que aquilo era o meu referencial. Acha­
va que o meu m elhor era tudo que podia fazer. Mas quando a revela­
ção da santidade de Jesus veio ao meu coração, eu sabia que Deus
estava me chamando a ser totalmente puro e com pletamente com­
prometido com Ele. Deus não perm itiria sequer 2% de pensamentos
impuros. O chamado de Deus é o mesmo para cada cristão. Ele quer
que nossos corações sejam totalmente puros e com prom etidos com a
sua vontade.

Salomão usou seus dons para Deus - e também para o Diabo


Deus havia dado a Salomão os dons de sabedoria, administração e cons­
trução. Ele sabia liderar pessoas. Tinha habilidade para motivá-las. Con­
seguia levantar recursos para realizar grandes obras. Mas os dons que
usou para construir o templo do Senhor foram os mesmos que usou para
construir uma casa para deuses estranhos.

189
Evitan d o as doze transgressões

No monte que fica a leste de Jerusalém, Salomão construiu um altar para


Camos, o repugnante deus de Moabe, e para Moloque, o repugnante deus
dos amonitas. Também fez altares para os deuses de todas as suas outras
mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e ofereciam sacrifícios a
eles.
- I Reis I 1.7. 8

Quando nos distraímos, nossos dons são levados cativos pelo inimi­
go. Quando nos envolvemos em embaraços emocionais, mais cedo ou
mais tarde, quer gostemos, quer não, acabaremos construindo coisas para
Satanás e não para Deus. O Senhor está presente para nos ajudar, e Ele
irá purificar os pensamentos e as motivações dos nossos corações, mas
precisamos estar cientes de que é perigoso distrair-se. Como é trágico
ver o homem que Deus usou para construir o templo de Jerusalém ,
construindo depois uma infra-estrutura para que poderes demoníacos
estabelecessem seu controle em Israel!
Salomão continuou experimentando sucesso parcial, apesar de ter
perdido a unção.
Por que Salomão ainda tinha sucesso? Isso parece tão confuso. Hoje
em dia há pessoas que praticam coisas que contaminam seu caráter ou
até as tornam imorais e, contudo, continuam “servindo a Deus” e fa­
zendo algo significativo com certa medida de sucesso. Como isso é pos­
sível?
A Bíblia nos ajuda a entender como Salomão ainda experimentava
sucesso. Lemos:

E Aias segurou firmemente a capa que estava usando, rasgou-a em doze


pedaços e disse a Jeroboão: “Apanhe dez pedaços para você, pois assim diz
o Senhor, o Deus de Israel: ‘Saiba que vou tirar o reino das mãos de Salomão
e dar a você dez tribos. Mas, por amor ao meu servo Davi e à cidade de
Jerusalém, a qual escolhi dentre todas as tribos de Israel, ele terá uma tribo’”.
- I Reis I 1.30-32

Salomão já não era abençoado, mas ainda estava sob a bênção de seu
pai, Davi. Ele estava desfrutando os benefícios de curto prazo de uma
unção emprestada.

190
A transgressão de Salomão: Distrações fatais

Somente depois que seu reinado acabou é que aparece o desastre


que suas distrações lhe causaram. As vezes, não vemos um desastre im e­
diato em nossas próprias vidas como resultado de nossa conduta car­
nal, nossas paixões erradas, e nossa amizade com o mundo. Mas é pos­
sível que estejamos iniciando uma influência muito negativa sobre a pró­
xima geração. Se não nos arrependermos, podemos ceifar uma colhei­
ta de lágrimas. Haverá uma conseqüência para o nosso pecado. A Es­
critura diz claramente: “E estejam certos de que vocês não escaparão do pecado
cometido" (Nm 32.23).
Sempre lembro a mim mesmo que tudo que fizer com meus olhos irá
afetar os olhos de meus filhos um dia. Este princípio me mantém longe
da lascívia e me ajuda a manter meus olhos puros. É muito fácil cair em
lascívia hoje; a pornografia invade as nossas casas —sem que precisemos
comprar coisa alguma. E por isso que é tão importante lembrar a mim
mesmo o efeito que posso causar na vida de meus filhos. Se eu me
distrair com meus pensamentos, e estes não forem puros diante do Se­
nhor, pode acontecer que o efeito disso venha sobre meu casamento e
meus filhos. Pode haver contenda em meu lar —e até mesmo a presença
de uma opressão diabólica. Não quero abrir uma brecha para a opressão.
Estou certo de que você também não quer isso em sua casa. E por esta
razão que precisamos manter nossas mentes puras.
Tome cuidado com o adultério emocional. Isso acontece quando um
homem ou uma mulher diz: “Gostaria de ter me casado com outra pes­
soa”, ou quando alguém deseja o cônjuge de outra pessoa. Mesmo que
nunca tenha havido uma relação ou um diálogo sobre o assunto, se este
pensamento foi alimentado, aquele coração já se tornou infiel e desleal
para com seu cônjuge.
Somos confrontados com centenas de tentações a cada semana. Va­
mos continuar sendo tentados, mas se temos uma forte paixão por Deus,
não precisamos deixar nenhum desses pensamentos seguir na direção
errada.
Recebi um batismo de fogo, e não abro mão disso por nada. No
entanto, digo a você: não há batismo, visitação ou experiência com o
Senhor que nos livre da tentação. Enquanto vivermos neste planeta, se­
remos tentados.

191
Evitand o as d o ze transgressões

Mas também lhe digo que é possível desenvolver uma disciplina di­
vina e ungida que o deixará sempre focalizado em Jesus Cristo, e uma
disposição para se arrepender imediatamente. Com esta disciplina, você
não irá cair. Há momentos —em aeroportos, aviões, ou qualquer outro
lugar —em que percebo que me detive demais num pensamento pecami­
noso. Um segundo seria normal; eu chamaria isso de tentação. Mas quan­
do permito que meus pensamentos demorem dois... três... ou quinze
segundos, aí é demais! Então, ali mesmo, onde quer que esteja, ajoelho-
me e me arrependo. “Deus”, clamo, “durante quinze segundos eu te traí.
Perdoa-me e purifica-me.”
Talvez você pense que isso é um jugo de disciplina que não conse­
guiria suportar. Não, amigo, o que não podemos suportar é a mistura letal
de santidade com pecado —isto é um coquetel mortal!
Salomão estava preparado para o sucesso, mas acabou em desastre.
No início de seu reinado, havia uma santa unção sobre sua vida. Foi
abençoado com duas visitações do Senhor (1 Reis 11.9). Também re­
cebeu algumas promessas divinas, que, devido à sua distração, foram
canceladas.

E ntão o S f.nhor lhe disse: “]á que essa é a sua atitude e vo cê não obede­
ceu à m inha aliança e aos meus decretos, os quais lhe ordenei, certam en­
te lhe tirarei o reino e o darei a um dos seus servos”.
- I Reis I I . I I

Embora Israel tenha vivido em paz durante o reinado de Salomão, foi


neste período que o Senhor começou a levantar os inimigos que perse­
guiriam seu povo. As vitórias da geração passada se tornaram persegui­
ção na geração seguinte.
Quando nos distraímos, Satanás contra-ataca. Velhas tentações vol­
tam com mais força. Quando não enchemos nossos corações com a
vontade do Senhor e com o poder do Espírito Santo, e permitimos que
fiquem vazios, demônios voltam em maior número que antes. A tentação
fica mais forte que a primeira que nos oprimiu. Ela vem para nos deter e
nos destruir.

192
A transgressão de Salomão: Distrações fatais

Distrações a serem evitadas

Vamos examinar com cuidado algumas das distrações que precisamos


aprender a evitar, se quisermos ser tudo que Deus quer que sejamos.
Não deixe que nenhuma destas coisas desvie sua atenção de seu com­
promisso com Cristo.

A distração do consumismo
Conforme mencionei anteriormente, visitei uma igreja no sul da Argenti­
na que estava promovendo um tipo de jejum inusitado —os irmãos esta­
vam jejuando de usar cartões de crédito! Várias pessoas testemunharam
como foram libertas de suas dívidas durante este jejum. Esta obra espon­
tânea do Espírito Santo quebrou a distração do consumismo, que provo­
cava a compra compulsiva.

O "barulho" da mídia
Desligue o som para que possa ouvir a “voz baixa e serena de Deus”.
Qualquer som constante enchendo os seus ouvidos pode desviar sua
atenção da voz de Deus, que vem do profundo do seu espírito, mesmo
que seja barulho “cristão”. Não deixe que o “barulho” da mídia se torne
um substituto para a comunhão com Deus.

Fazendo a obra de Deus com indiferença


A Palavra de Deus nos adverte: ‘Tudo o que fizerem , façam de todo o coração,
como para o Senhor, e não para os homens" (Cl 3.23). Não se distraia com sua
própria impaciência ou falta de entusiasmo para com as coisas de Deus.
Trabalhe para Ele com um coração inteiro.

Divergência constante com a visão da igreja


Se você é daqueles que sempre criticam a direção de sua igreja ou
tentam torná-la perfeita, você é uma pessoa distraída. Billy Graham
disse certa vez: “Se algum dia você encontrar uma igreja perfeita, não
se filie a ela; você vai estragá-la!” Trabalhar contra o Corpo de Cristo é
contraproducente; tome a decisão de trabalhar em harm onia com o
restante do corpo.

193
Evitando as d oze transgressões

Falta de objetivos na vida


Determine agora mesmo estabelecer algumas metas saudáveis para sua
vida e sua família. Se suas metas estiverem em harmonia com a vontade
de Deus para vocês, Ele honrará muitas delas e o ajudará a alcançá-las.
Sem metas, você será facilmente distraído.

A presença de paixões imorais em sua vida


A Bíblia condena todo tipo de impureza mental —não apenas atos explí­
citos de adultério e fornicação. Qualquer tipo de fantasia lasciva é con­
trária à vontade de Deus. Jesus é muito claro neste assunto. Se um ho­
mem desejar uma mulher, em seu coração já cometeu adultério com ela.

Esperando por reconhecimento


Não se distraia da obra do Senhor, esperando receber reconhecimento e
honra. Talvez este dia nunca chegue. Se as pessoas não reconhecerem
seus esforços, você estará disposto a continuar servindo ao Senhor, as­
sim mesmo?

Características daoueles oue não se distraem

O servo de Deus que evita a distração tem um claro senso de propósito.


Aqui estão algumas características daqueles que evitam as distrações:

• Eles têm um desejo constante de ser como Jesus.


• Têm paixão pelas almas perdidas.
• São confiáveis por sua capacidade de manter um curso reto, sem
desvios.
• Amam todo o Corpo de Cristo.
• São eficazes em seu serviço a Deus.
• Possuem senso de dignidade —mesmo quando estão realizando
pequenas tarefas para Deus.

Você tem as características daqueles que não se distraem? Você tem


amor santo pelo povo de Deus —e pelos perdidos? Suas orações unem

194
A transgressão de Salomão: Distrações fatais

as pessoas em vez de separá-las? Você se sente bem servindo a Deus,


independentemente de ter um ministério grande ou pequeno aos olhos
dos homens?
Jesus é o nosso exemplo. Ele era um homem de compromisso. Era
um homem de propósito. Em Lucas 9.51 lemos: 'Aproximando-se o tempo
em que seria elevado aos céus, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém”.
Ele não perm itiria que nem mesmo seus discípulos o distraíssem. Por
causa da “ alegria que lhe fora proposta, suportou a c r u (Hb 12.2). Jesus
tinha metas elevadas, um objetivo elevado para a raça humana. Por
causa do seu objetivo para a humanidade, Ele estava disposto a sofrer
uma morte humilhante.
Vivemos num tempo em que o Senhor está nos pedindo para criar­
mos raízes e nos tornarmos espiritualmente estabelecidos. Não podemos
continuar permitindo distrações em nossa caminhada cristã. Pelo exem­
plo de Salomão, sabemos que até grandes homens e mulheres de Deus —
que realizaram grandes proezas para Ele no passado —podem sair rapida­
mente do caminho, devido a distrações. Precisamos fixar nossos olhos
no prêmio e recusar qualquer coisa que nos queira desviar do nosso
destino.

Uma oração de arrependimento

Pai, obrigado por me advertir através da tua Palavra. Eu te peço a liberdade celestial
para, agora mesmo, romper qualquer relaáonamento em minha vida que não este­
j a em harmonia com a tua vontade. Ajuda-me a vencer quaisquer paixões que
não provêm de ti.
Deus de imensa misericórdia, vem agora e manifesta a tua presença. Envia teus
anjos para me ajudarem. Quebra ojugo do pecado. Oue todo vício seja quebrado por
teu poder. Que cada hábito pecaminoso seja despedaçado agora. Vem, Senhor, e
liberta-me de distrações fatais. Que eu possa fa sgr a tua vontade todos os dias de
minha vida. Em nome de Jesus, amém.

Comece a entregar suas distrações ao Senhor. Abra mão da inveja e


do ciúme. Deixe o Senhor tocar em seus olhos. Se sua família está à beira

195
Ev ila n d o as d o ze transgressões

de colapso, não deixe de estar perante o Senhor hoje. A distração da


falta de compromisso irá destruí-lo. A indecisão irá distraí-lo e desviá-lo
da vontade divina.
Jesus é aquele que nos abraça, não aquele que nos rejeita. Renuncie
toda atadura emocional que o está afastando de Jesus. Permaneça focali­
zado nele e em sua vontade para sua vida.

196
A transgressão de Jonas:
Servindo a Deus com
relutância

erto missionário que estava de férias visitou uma igreja a fim de


(( compartilhar sobre seu chamado ao campo missionário. Antes de
pregar, sua esposa também quis dar seu testemunho. Ela subiu
na plataforma, foi até o púlpito, e começou a contar como foi difícil
deixar sua cidade natal para morar num país distante. Ela falou sobre as
noites que passou orando com lágrimas sobre esta decisão. Falou sobre o
relacionamento íntimo que tinha com a mãe. Contou como seus filhos
gostavam de morar perto da avó e como sentiam a falta dela. Então
começou a chorar. Em lágrimas, disse: “Contudo, vou ser obediente. Irei
onde Jesus quiser que eu vá”. Quando a mulher terminou sua triste
história, metade da congregação sentiu vontade de lhe dizer: “Talvez seja
melhor você voltar para casa!”.
Soube de um pastor que, durante trinta anos de ministério em sua
igreja, dificilmente deixava passar um fim de semana sem lembrar às suas
ovelhas a posição e o bom emprego que havia renunciado para ser pas­
tor. “Vocês não são capazes de entender o sacrifício que fiz para chegar
até aqui”, dizia. “Nunca quis ser pastor, mas fiz a escolha de obedecer a
Deus.” Não sei se estava arrependido de ser pastor, mas, no mínimo,
Evitando as d oze transgressões

queria ter certeza de que todos soubessem o grande sacrifício que fizera
para vir servi-los.

Discordando da visão de Deus

Certa vez, diante do rei Agripa, o apóstolo Paulo disse: “Não f u i desobe­
diente à visão celestial” (Atos 26.19). Talvez nem todo cristão possa dizer o
mesmo. Há pessoas bastante rebeldes, desobedientes, ou que discordam
“silenciosamente” do Deus Altíssimo. Como é arrogante de nossa parte
pensarmos que podemos escolher quais aspectos de sua vontade quere­
mos obedecer!
Se Deus já repetiu algo em seu coração, duas, três ou mais vezes —e
você ainda não respondeu aos seus toques divinos —a palavra do Senhor
a Jonas será especialmente significativa para você. Deus está lhe dizen­
do: “Vá”, mas você tem resistido ao chamado divino? Através da história
de Jonas, Deus irá repetir algo em seu coração que já lhe foi dado há
muito tempo.
Jonas tinha ouvido a voz do Senhor. Tinha recebido uma revelação.
Ele sabia o que fazer, mas tinha um problema: discordava completamen­
te de Deus.

A palavra do S enhor veio a Jonas, filho de Amitai, com esta ordem:


“Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a
sua maldade subiu até a minha presença”. Mas Jonas fugiu da presença
do Senhor , dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde
encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a
passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.
- Jonas 1.1-3

Jonas ouviu seu primeiro chamado do Senhor —e correu na direção


oposta. Não conhecemos todas as razões que o levaram a fazer isso.
Talvez estivesse com medo de enfrentar as pessoas. Talvez fosse movi­
do por preconceitos raciais, já que se tratava de uma cidade gentílica.
Não sabemos por que ele queria que os ninivitas fossem condenados em

198
A transgressão de lonas: Servindo a Deus com relutância

vez de receberem a compaixão divina. Quaisquer que tenham sido suas


razões, ele disse não a Deus. Mas, apesar de ter desperdiçado sua primei­
ra chance, Deus, graciosamente, concedeu-lhe uma segunda.

A palavra do Senhor veio a Jonas pela segunda vez com esta ordem: “Vá à
grande cidade de Nínive e pregue contra ela a mensagem que eu lhe darei”.
- lonas 3.1,2

Talvez você se sinta tentado a dizer: “Por que Deus deu outra chance
ao sujeito? Ele não a merecia!” Mas, quanto a mim, não posso criticá-lo
muito por relutar em obedecer a uma ordem divina —porque já fiz isso
uma vez.

Chamado para reunir a cidade

Logo depois que recebi uma visitação especial do Senhor em 1997, com
um batismo de fogo em minha vida, o Senhor me chamou para reunir as
igrejas de minha cidade natal, La Plata. Ele realmente me deu uma visão
de avivamento ali. Quando fechava os olhos, eu via um ginásio de espor­
tes lotado de pessoas buscando a santidade de Deus.
Após receber aquela visão, segui o caminho convencional e comecei
a falar com alguns de meus amigos pastores que eram líderes na cidade.
Eles me desencorajaram totalmente. Asseguraram-me que os outros pas­
tores não se disporiam a orar ou trabalhar juntos. Disseram-me que a
cidade estava tão dividida que a associação local de pastores se dividira
em dois grupos.
M esmo assim, imprimi alguns cartazes para anunciar o evento. Mas
quando descobri que nos mesmos dias haveria um festival de música
secular na cidade, decidi arquivar a idéia. Bem, pensei, acho que a idéia não
era de Deus.
Três anos depois, percebi que a voz do Senhor começou a silenciar-
se em minha vida. Passava semanas sem ouvir qualquer coisa dele. Viajei
para a Inglaterra para ministrar numa conferência, mas Ele não falou
comigo. Ia para as reuniões e via sua presença manifestar-se, mas Ele

199
Evitando as d o ze transgressões

continuava em silêncio comigo. A glória vinha, os milagres de transfor­


m ação aconteciam , mas quando voltava para o hotel, Deus estava
estranhamente quieto. Não conseguia sentir sua presença. Preocupado,
comecei a perguntar-lhe o que estava acontecendo.
Uma tarde, fui correr um pouco e levei meu walkman comigo. Estava
ouvindo o sermão do pastor que havia pregado antes de mim, naquela
conferência. Queria obter uma visão geral do que Deus estava fazendo
ali antes da minha vez de falar.
Enquanto corria, ouvi o pregador dizer: “Deus não gosta de ficar
repetindo. Ele fala conosco uma vez e depois, silenciosamente, espera
por nossa obediência”. Quando ele acabou de dizer estas palavras, eu
não estava mais correndo. Por um tempo, continuei caminhando lenta­
mente e, por fim, ajoelhei-me e disse: “Senhor, eu fiz isso. Três anos
atrás, o Senhor me pediu para reunir as igrejas da minha cidade, e não
obedeci. Perdoa-me. Se o Senhor me der uma segunda chance, pro­
meto que não terás que repetir isso outra vez. Desta vez vou obede­
cer”. Naquele momento vi que agira como o relutante profeta Jonas!
Senti uma luz verde. Deus me deu uma segunda chance. Entretanto,
nesse tempo não estávamos mais pastoreando nem vivendo na cidade de
La Plata. Da primeira vez que Deus me pedira para reunir a igreja, eu era
um dos pastores da cidade. Desde então, deixamos nossa igreja local a
fim de nos dedicar à visão mundial que o Senhor nos havia dado.
Então comecei a gravar programas para a rádio cristã de La Plata.
Planejei uma reunião com todas as igrejas da cidade. Durante os pro­
gramas, falava sobre a reunião e convidava as igrejas a participarem. Fa­
lei com um dos pastores de La Plata e pedi seu apoio e cooperação.
Ele respondeu: “Este é o pior momento para organizar uma reunião!
Os pastores estão divididos. Acabamos de ver uma nova divisão na ci­
dade, e a atmosfera espiritual não é boa. Se a situação já era ruim antes,
está pior agora. Não tente alugar o ginásio de esportes; você vai perder
muito dinheiro”. Mas, desta vez, não permiti que vozes de dúvida me
detivessem.
Sabia que havia recebido uma direção clara do Senhor, e lhe dera
minha palavra. Então decidi seguir em frente com meus planos se os
pastores pelo menos me dessem permissão —indiferente se me apoias-

200
A transgressão de lonas: Servindo a Deus com relutância

sem ou não. Por fim, recebi um e-m ailque, basicamente, era uma “permis­
são para fracassar”, mas aquilo era o bastante. Devo admitir que também
tive medo de fracassar, mas estava convencido de que preferiria fracas­
sar fazendo a vontade de Deus a experimentar êxito fazendo minha pró­
pria vontade.
“Senhor”, eu disse, “sei que as pessoas não virão. Alguns pastores já
me disseram que não vão nos apoiar e que suas igrejas não irão ao even­
to. Alguns deles estão proibindo suas ovelhas de virem às reuniões. Não
há como ter êxito neste projeto. Mas, Senhor, em obediência a ti, vou
alugar aquele ginásio de esportes. Mesmo que só compareçam umas cin­
qüenta pessoas, vou fazê-lo, e assim vou concluir minha tarefa naquela
cidade, para talvez nunca mais fazer qualquer coisa ali!”
Algumas semanas antes do início das reuniões, os pastores come­
çaram a sentir que o evento era da vontade de Deus. Jovens de dife­
rentes igrejas se ajuntaram para uma concentração especial. Imprimi­
ram panfletos e os distribuíram pela cidade. Algo novo tinha come­
çado a acontecer.
Quando entrei com minha esposa no ginásio de esportes, o lugar
estava lotado. No segundo dia, ainda sentia algumas dúvidas —c, como se
fosse para confirmá-las, choveu forte o dia todo. Mas, naquela noite, o
ginásio estava lotado outra vez. No terceiro dia, o lugar ficou pequeno.
O jornal da cidade relatou que mais de seis mil pessoas lotaram o ginásio
de esportes, que, supostamente, só tinha capacidade para três mil espec­
tadores.
Os resultados daquelas reuniões podem ser vistos ainda hoje em
La Plata. Os pastores começaram a convocar todas as igrejas a se
reunirem uma vez por mês. Já houve algumas reuniões maiores, tam­
bém. O ímpeto para alcançar um avivamento em toda a cidade con­
tinua aumentando.

Deus se glorifica no impossível

Mesmo quando algo parece impossível, saiba que Deus pode glorificar
seu nome nisso. O livro de Jonas é um livro de vitórias, apesar de seu
autor não ter gostado muito de ter participado da história.

201
Evitando as d oze transgressões

Nos primeiros dois capítulos, vemos que Jonas fez a coisa errada
fugindo da presença do Senhor. Nos capítulos 3 e 4, Jonas fez a coisa
certa, mas com a atitude errada —e assim continuou sendo um perdedor.
Até seu sucesso o deixou frustrado e irado. A palavra do Senhor veio a
Jonas pela segunda vez e lhe disse: “Vá à grande cidade de Nínive e
pregue contra ela a mensagem que eu lhe darei”.
Deus tem senso de humor. Ele escolheu um judeu ortodoxo para ir a
uma cidade odiada pelos judeus. Era uma cidade de opressores, uma
cidade cruel. Havia algo no coração de Jonas, que não era avivamento —
era vingança. Sua oração era: “Senhor, traz a tua justiça —retém a tua
graça. Ajuda-nos a ficar quites com este povo”. Ele tinha uma atitude
religiosa e crítica contra aqueles gentios impuros. Ele não percebeu que
Deus estava tentando mostrar-lhe que seu plano era levar sua palavra a
todas as nações da terra.
Muitas vezes nossas conclusões, mesmo depois que nos tornamos
cristãos, são explicitamente contrárias às conclusões de Deus. O Novo
Testamento usa uma palavra para descrever estas conclusões erradas:
são chamadas fortalezas. Uma fortaleza é uma mentira, uma conclusão
errada que aceitamos como verdade. Normalmente está tão enraizada
em nossas mentes que a luz do Espírito Santo não consegue alcançá-la.
Como demolimos uma fortaleza? Nós a demolimos com o poder de
Deus. Somente o poder de Deus é capaz de derrubar estas paredes
invisíveis em nossos corações que resistem à vontade do Senhor e à sua
verdade.
Evidentemente, havia uma fortaleza no coração de Jonas contra os
ninivitas. Ele não queria ir a Nínive, e também não queria que Deus
estivesse ali. No entanto, a segunda vez que Deus o cham ou, ele
obedeceu:

Jonas obedeceu à palavra do S f.n h o r e foi para Nínive. Era uma cidade
muito grande; sendo necessários três dias para percorrê-la. Jonas en­
trou na cidade e a percorreu durante um dia, proclam ando: “ Daqui a
quarenta dias N ínive será destruída”.
- Jonas 3.3, 4

Nestes dois curtos versos está toda a mensagem que Jonas pregou à
cidade. Ele se esqueceu de incluir a segunda parte: “Se vocês se arre-

202
A transgressão cie lonas: Servindo a Deus com relutância

penderem, Deus os perdoará”. Em essência, ele se esqueceu do último


ponto do seu sermão! A Bíblia nos diz que os ninivitas acreditaram em
Deus. O rei ordenou a todos os cidadãos —ricos e pobres —que jejuas­
sem. Eles se vestiram com pano de saco, que era um símbolo de arre­
pendimento e humilhação diante de Deus.

Quando as notícias chegaram ao rei de Nínive, ele se levantou do trono,


tirou o manto real, vestiu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinza.
Então fez uma proclamação em Nínive:
“Por decreto do rei e de seus nobres: Não é permitido a nenhum
homem ou animal, bois ou ovelhas, provar coisa alguma; não comam
nem bebam! Cubram-se de pano de saco, homens e animais. E todos
elamem a Deus com todas as suas forças. Deixem os maus caminhos e a
violência. Talvez Deus se arrependa e abandone a sua ira, e não sejamos
destruídos”.
- lonas 3.6-9

Você não ficaria eletrizado ao ver toda a sua cidade se voltando para
Deus? Imagine o que aconteceria se nossos líderes cívicos e religiosos
fizessem uma convocação como esta! Sua cidade não está fora do alcan­
ce da graça de Deus. Deus tem tanto poder que é capaz de transformar
sua cidade num único dia.
Quando Jonas começou a proclamar sua mensagem em Nínive, subi­
tamente um senso de urgência veio sobre o povo, e todos reconheceram
sua necessidade de arrependimento. Levaram tão a sério seu jejum de
arrependimento que o estenderam até para seus animais. Quando Deus
viu o que fizeram e como abandonaram seus maus caminhos, teve com­
paixão e não destruiu a cidade como ameaçara fazer. Sua misericórdia
triunfou sobre o juízo.
Se este fosse o único capítulo do livro de Jonas, presumiríamos que o
pregador tivesse ficado muito realizado e contente com a resposta do
povo. Mas, no capítulo seguinte, vemos que este pregador tinha suas
próprias conclusões sobre o tipo de resultado que estava esperando. Por
incrível que pareça, estava aborrecido com Deus por ter poupado a vida
dos ninivitas!

203
Evitand o as d o z e transgressões

Nos dias de hoje, as pessoas têm suas próprias idéias sobre aviva-
mento. Alguns pensam: Se um avivamento vier, terá que ser no estilo de adoração,
através de pessoas com este ministério. Quando já temos idéias preconcebidas
sobre como Deus deveria trabalhar, tais pensamentos podem se opor ao
conhecimento de Cristo. Neste caso, ainda que obedeçamos, talvez não
teremos oportunidade de ver os frutos. Como resultado, podemos viver
frustrados pelo resto de nossas vidas, a menos que algo mude.
Jonas obedeceu, mas ministrou sem paixão. Não sentia compaixão
pela cidade de Nínive. Na verdade, ele queria que o juízo divino caísse
sobre ela. Ele pode ter aprendido que os resultados da desobediência
eram tão terríveis que valia muito mais a pena obedecer —mas não apren­
dera a fazer a vontade de Deus com alegria.

Alegre-se no plano de Deus

Deus está chamando a igreja hoje a um nível mais elevado. Ele está nos
dizendo que é possível sermos transformados. Zacarias 3.9 proclama:
“E removerei o pecado desta terra num único dia". Deus pode avivar uma cidade
num só dia — tal como fez nos tempos de Elias e Jonas. Numa única
tarde, todo o clima espiritual do lugar pode mudar. O tempo que passa­
mos em oração, jejum e proclamação não será em vão —Deus nos dará a
colheita.
O problema é quando, por nossa teimosia, nos recusamos a alegrar-nos
no plano de Deus. Quando queremos que Deus faça as coisas à nossa
maneira e ponto, estamos nos predispondo a perder a verdadeira bênção
que Ele reservou para nós.
Jonas acostum ou-se à desobediência. Ele com eçou fugindo do
Senhor (Jonas 1.3). Quando os marinheiros com eçaram a pergun­
tar-lhe de onde era e para onde ia, ele adm itiu que estava fugindo
da presença de Deus. Então “ apavorados, perguntaram: ‘O que f o i que
vo cêfe %?” (v. 10).
Em essência, a resposta de Jonas foi esta: “Vou para qualquer parte,
desde que seja longe da vontade do Senhor”. Ele tinha um propósito
negativo. Sabia apenas para onde não queria ir e de quem estava fugin­

204
A transgressão de lonas: Servindo a Deus com relutância

do. Sua desobediência criou vários problemas. Um deles foi o atraso.


Quando você desobedece, atrasa a vontade de Deus para sua vida e
sua cidade.
Existe uma lei à qual todos nós estamos sujeitos, não im porta
quão espirituais sejamos. É a lei do tempo. O tempo não é eterno
nesta terra. Se resistimos, questionamos e discordamos da vontade de
Deus, nossa resistência gera atraso. Não temos o direito de protelar
nossa obediência.
Na igreja em que era pastor, um dos lideres ligou-me certo dia para
marcar uma conversa comigo. Disse que tinha algo muito importante
para me falar. Quando chegou em meu escritório, disse: “Pastor Sergio,
quero lhe dizer uma coisa: estou trabalhando nesta igreja há mais de 25
anos. Esta semana tomei uma decisão - vou entregar 100% de minha vida
a Deus”.
Fiquei feliz, porém perplexo. Percebi que há cristãos no ministério há
um quarto de século que nunca disseram: “Senhor, eu te entrego tudo.
Diga-me o que fazer e obedecerei”. Como aquele homem podia estar no
ministério há tanto tempo e ainda não ter se rendido completamente à
vontade de Deus?
Nem todo cristão oferece 100% de obediência a Deus. Há cristãos
que atrasam a vontade de Deus barganhando, negociando e apresentando
desculpas e condições ao Senhor. Em essência, estamos servindo a Ele,
mas “arrastando nossos pés” (servindo por obrigação). E por isso que a
igreja caminha a passos tão lentos. Se permitíssemos que Ele nos carre­
gasse, o Espírito Santo poderia avançar muito mais rápido.
O verdadeiro problema, quando adiamos nossa obediência, é que isto
se torna desobediência. Podemos nos achar muito espirituais, mas talvez
nem nos lembremos mais o que a voz de Deus nos sussurrou no passa­
do. Mas Deus não esquece, e Ele não muda de idéia.
Quando entrei com minha esposa naquele ginásio de esportes para
as reuniões de unidade que, finalmente, estávamos realizando em obe­
diência à voz de Deus que ouvira anos antes, algo maravilhoso aconte­
ceu. Algumas pessoas em meio à multidão começaram a me parar. Um
homem apertou minha mão e disse: “Pastor, o senhor se lembra de
mim? Sou aquele taxista a quem o senhor testemunhou de Jesus”. Ou-

205
Evitand o as d o ze transgressões

tra senhora desceu da arquibancada e disse: “Pastor Sergio, o senhor se


lembra de mim? Eu era sua vizinha, Coca. O senhor parou um dia em
minha casa e me falou de Jesus. Agora sou uma cristã comprometida”.
Meu coração exultou!
Eu me lembro do dia em que fui à casa de Coca em obediência ao
Espírito Santo. Ela reuniu suas filhas adolescentes à sua volta e as fez
desligarem a televisão para me ouvir. Quando acabei de falar, levei-a a
receber o Senhor em seu coração. Como estou feliz por não ter adiado
minha conversa com ela!
Um ano depois daquele primeiro evento na cidade, voltamos a La
Plata para realizar outro evento de unidade. Minha esposa, Kathy, voltou
à vizinhança onde havíamos morado para bater em cada porta e convidar
pessoalmente nossos antigos vizinhos às reuniões que estávamos organi­
zando. Quando chegou à casa de Coca, tocou a campainha. Um homem
saiu ao portão. Kathy perguntou: “A senhora da casa está? O nome dela é
Coca, certo?”
“A senhora Coca faleceu”, respondeu o homem. “Ela morreu em
dezembro do ano passado”. Isso foi apenas três meses depois que a
encontramos no primeiro evento de unidade. Sou muito grato por não ter
atrasado minha obediência à voz de Deus que me levou a falar de Jesus
para ela. Ela não teria ouvido se tivéssemos deixado para visitá-la por
ocasião daquele primeiro evento na cidade.

Desobediência: Uma influência negativa

Outro problema causado por nossa desobediência é a influência negativa


que exerce sobre as pessoas à nossa volta. Se não estivermos totalmente
comprometidos com o Senhor e cheios de alegria por ac]uilo cjue Ele nos
deu para fazer, nossa família será impactada por nossa negatividade. Nosso
casamento será impactado. Nossas igrejas também assumirão nossa atitu­
de. E inevitável. Se você não estiver na vontade de Deus e se recusar a
fazer o que Ele lhe ordenou, isto certamente exercerá uma influência
negativa sobre os outros.
No caso de Jonas, sua influência negativa era notória. O barco onde
ele se encontrava estava prestes a se afundar! Houve uma grande tem-

206
A transgressão de lonas: Servindo a Deus com relutância

pestade, e as pessoas começaram a perguntar: “Quem é o culpado? Por


que este castigo veio sobre nós?” Depois de lançar sortes, o resultado
apontou para Jonas.
Quando não estamos na vontade de Deus, nós é que somos o princi­
pal problema, não os não convertidos ao nosso redor. O problema no
caso de Jonas não era aqueles adoradores de ídolos que estavam no
barco. Era o servo do Senhor que estava se escondendo da vontade
divina. Quando somos desobedientes, nós nos tornamos o problema e
criamos crises novas e desnecessárias.
Os homens perguntaram: “0 que devemosfa^er com você, para que o mar se
acalme?” (Jn 1.11). Que pergunta! Em vez de responder: “Vamos dar as
mãos e nos arrepender diante de Deus e orar”, Jonas simplesmente disse:
“Peguem-me ejoguem-me ao mar”.
Jonas preferia morrer a cumprir a vontade do Senhor. Sua relutância o
levou ao negativismo e ao desânimo. Ele também estava tão irado que
declarou que preferia morrer. Então eles o lançaram no oceano, e um
grande peixe o engoliu sem matá-lo. As coisas que Deus precisa fazer
com pessoas rebeldes são para tirar o fôlego! Toda a criatividade do céu
é necessária para nos cercar e nos levar, de alguma forma, de volta ao
caminho certo.
Ao ver-se sepultado nas entranhas daquele grande peixe, Jonas come­
çou a orar e a se arrepender. Então disse:

O que eu prometi cumprirei totalmente.


- lonas 2.9

Finalmente, após estar no ventre daquele peixe, Jonas se dispôs a ir


onde Deus o tinha enviado.

Obediência externa

Em outras palavras, Jonas finalmente concordou em fazer o que prome­


tera a Deus. Neste ponto, notamos uma mudança de comportamento, mas
não de atitude. Muitas pessoas concordam exteriormente com a visão de

207
Evitand o as d oze transgressões

suas igrejas ou com o que Deus está fazendo em sua cidade, mas, interi­
ormente, seus corações não estão naquilo. Quando o nosso coração não
está sincronizado com nossas ações, não há contentamento.
Por fim, Jonas conseguiu chegar a Nínive e pregar. Após sua procla­
mação, o povo se arrependeu. Qual foi sua reação?

Jonas, porém, ficou profundamente descontente com isso e enfureceu-se.


- lonas 4 .1

Quando nossos corações não estão em sintonia com a vontade de


Deus, mesmo quando o avivamento chega, ficamos irados. Conheci algu­
mas pessoas —por nome e sobrenome - que ficaram muito aborrecidas
com o avivamento que veio à cidade de La Plata. Talvez você esteja se
perguntando o que leva um autêntico cristão a ficar aborrecido com a
vinda de um avivamento.
Alguns ficaram aborrecidos porque perderam seu “pastor particular”.
Antes do avivamento, alguns pastores tinham tempo para ficar nas portas
de suas igrejas e cumprimentar pessoalmente cada irmão após os cultos.
Quando milhares de novos convertidos começaram a abarrotar as igrejas,
os pastores nem sempre conseguiam apertar a mão de cada pessoa. Além
disso, muitos nem conseguiam mais encontrar lugar para sentar-se nos
cultos e, por isto, começaram a se queixar.
Algumas pessoas ligaram para seus pastores a fim de expressar seu
descontentamento. Seus corações não estavam apaixonados por sua cida­
de. Queriam apenas uma igreja que servisse às suas necessidades. Não
eram pessoas más ou ímpias —alguns haviam sido cristãos fiéis durante
muitos anos. Mas, às vezes, até os cristãos mais fiéis não conseguem
acompanhar as novas coisas que Deus está fazendo. A própria essência
da fidelidade exige que seja uma qualidade atual e presente.
Em meu coração, sei que quando começo a reclamar e a ficar descon­
tente, é um sinal de que algo está errado. Quando isso acontece, oro e
digo: “Senhor, liberta-me de qualquer ressentimento ou complexo de
vítima, e de pensar que sou o único que está se sacrificando por viajar
tanto”. Muitas vezes, quando tenho vontade de me queixar, penso nos
preciosos pastores que vivem em países onde há perseguição e que

208
A transgressão de lonas. Servindo a Deus com relutância

arriscam suas vidas diariamente pelo evangelho. Não sou digno de divi­
dir uma plataforma com eles.
Quando minha esposa e eu visitamos a República Checa para m i­
nistrar ali, tivemos reuniões poderosas —abarrotadas de pessoas e trans­
bordantes da presença do Senhor. Enquanto estivemos ali, descobri­
mos que na denominação do pastor que nos convidara havia pessoas
que passaram longos meses em prisões comunistas. Tremi quando o
soube, porque me dei conta que algumas daquelas pessoas, sentadas à
m inha frente, conheciam por experiência pessoal o sofrimento e a per­
seguição como eu jamais conhecera, e espero nunca ter de experim en­
tar. Saber a respeito do sacrifício dessas pessoas deixou-me humilhado
e tirou meu foco dos meus próprios problemas —que eram mínimos
comparados com os deles.

Obedecendo com paixão

O fogo de Deus nos dá paixão para fazer sua vontade. O fogo de Deus
não é um sentimento —é uma direção. É uma paixão por Deus e por almas.
Jonas tinha um ministério, um chamado e um título, mas não tinha paixão.
Apesar de Deus o ter usado, ele não tinha prazer na obra do Senhor.
Mesmo depois de ver a cidade inteira arrependida, Jonas continuou
com sua teimosia.

Ele orou ao Senhor: “ Senhor, não foi isso que eu disse quando ain­
da estava em casa? Foi por isso que me apressei em fugir para
Társis”.
- lonas 4.2

Quando discutimos com Deus durante muito tempo, caímos no ridí­


culo. Não faz sentido, mas continuamos discutindo com Deus, dizendo:
“Senhor, não é como lhe falei? O Senhor devia ter me escutado. Eu
estava certo”.
Apesar de Jonas ter discutido com Deus, o Senhor foi misericordioso.
Ele lhe respondeu:

209
Evitando as d o ze transgressões

Você tem alguma razão para essa fúria?


- Jonas 4.4

Se você tem ficado zangado com Deus enquanto fazia sua vontade, o
Espírito Santo quer fazer esta pergunta ao seu coração. Você tem algum
direito de se queixar? Você tem algum direito de estar zangado? Você
tem algum direito de continuar discordando do chamado de Deus para
sua vida... seu lar... sua igreja... ou sua cidade?
Há muitas pessoas que são rebeldes, mas jamais tomariam um barco a
fim de fugir da presença de Deus. A rebelião e a desobediência dessas
pessoas são mais sutis. Mas ainda se recusam a crer no plano de Deus
para suas cidades. Resistem a Deus em silêncio.
Ansiamos pelo dia em que as congregações se unirem aos pastores
que têm uma visão para suas cidades, e se dispuserem a encorajar estes
servos de Deus. Oramos para que aqueles que estiveram no banco de
reservas até agora entrem no sonho de Deus para sua região e façam um
compromisso substancial de tempo e finanças, com o objetivo de ganhar
suas cidades para Cristo.
Deus está dando a visão de buscar um avivamento em nossas cidades,
e está nos despertando para a realidade do seu chamado a cada um de
nós para fazer parte desta colheita. No tempo de Jonas, Deus o chamou
através de uma palavra direta. Hoje Deus colocou líderes e pastores na
igreja —pessoas que podem nos guiar na direção certa.
É tempo de abandonar a ira e o descontentamento. É tempo de cruci­
ficar nossa carne e obedecer à vontade divina. Observe que, exteriormente,
Jonas estava fazendo a coisa certa. Ele realmente foi a Nínive e pregou.
Mas sua atitude ainda estava errada.

Jonas... esperou para ver o que aconteceria com a cidade.


- lonas 4.5

Jonas ainda tinha esperanças de ver aquelas pessoas rebeldes, ímpias


c más serem destruídas por Deus. Então se sentou e ficou observando a
cidade. Talvez, espiritualmente falando, você esteja sentado, esperando
para ver se Deus irá mudar de idéia e fazer as coisas ao seu modo.

210
A Iransgressão de lonas: Servindo a Deus com relutância

Talvez você tenha se ofendido anos atrás e disse: “Enquanto isto não
for resolvido, não vou mais cooperar com a igreja”. Você está esperando
para ver o que vai acontecer. Jesus está de pé, na sua frente, dizendo:
“Perdoe. Deixe isso para lá. Ore por seus inimigos. Siga em frente com a
visão que tenho para você”. Não deixe que ofensas o façam cair na
armadilha dejonas!
Algumas pessoas pensam que estão sempre ouvindo as mesmas coi­
sas de Deus. Talvez seja porque ainda não estão fazendo o que Deus
lhes ordenou da primeira vez. Algumas pessoas preferem passar seus
dias oprimidas pela tristeza, em vez de abrir mão da mágoa e do desapon­
tamento e seguir em frente com a vontade de Deus.
O Senhor está perguntando: “Não deveria preocupar-me com Chica­
go... Buenos Aires... Bombaim... ou com a sua cidade natal?” Por que
insistimos em querer viver um cristianismo mais confortável? Por que
somos tão tentados a desistir de nossos esforços? Por que falamos que já
demorou demais? Por que você não se deixa renovar com a visão de
Deus para a sua cidade e acredita que, se Ele pôde transformar Nínive,
pode transformar sua cidade também?
Deus vai usar pessoas consagradas para levar a cabo sua vontade em
nossas cidades. Oro para que você não consagre apenas suas ações ex­
ternas, mas também suas atitudes. Oro para que você seja capaz de res­
ponder afirmativamente ao chamado de Deus para sua vida.
Recentemente, numa reunião, um jovem veio falar comigo e disse:
“Fui chamado para o ministério quando era criança. Depois entrei num
período de confusão, e continuo confuso até hoje. Mas esta noite vim ao
altar dizer ao Senhor que vou cumprir o que lhe prometi e obedecer ao
seu chamado para minha vida”.
No sul do Texas, assim que terminei de pregar, meu jovem tradutor
virou-se para mim e disse: “EU VOU estudar japonês!” Então explicou
que anos atrás fora instruído por Deus a aprender aquele idioma e a se
preparar para ser missionário no Japão. Ele havia protelado sua obe­
diência, mas agora estava pronto para obedecer. Você também deixou de
lado alguma orientação de Deus para sua vida?
Jesus disse: “O que darei a esta geração? Vou dar-lhe o sinal do pro­
feta Jonas. Assim como Jonas, estarei três dias no coração da terra. Mas

211
Evitand o as d o z e transgressões

depois vou ressuscitar”. Jesus tinha muitas razões humanas para ter
feito a escolha de evitar a vontade de Deus. Em sua hum anidade,
Ele orou: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice” (Lucas 22.42). Mas Ele
também orou: “Contudo, não seja feita a minha vontade, m as a tua".
Alguns ministérios serão reacesos pelo fogo de Deus. Creio que par­
te da agenda de Deus na Terra hoje é revitalizar ministérios que estão
completamente adormecidos. Tais ministérios serão como vitaminas que
estavam faltando no Corpo de Cristo.
Jonas nunca se tornou um apóstata declarado. Ele nunca deixou de
crer em Deus, nunca deixou de ser um membro do povo de Deus. M as
seu coração estava distante da vontade do Senhor. Talvez você seja um membro
ativo de sua igreja e não se considere um apóstata. No entanto, você tem
resistido constantemente à voz de Deus. Você pode até não saber ao
certo qual é a vontade de Deus para a sua vida. A desobediência sempre
trará confusão, mas a obediência traz luz. A forma de dissipar o nevoeiro
criado pela desobediência é começar a dar passos de obediência, um de
cada vez.
Levante-se, ó homem e mulher de Deus! Alinhe seu coração nova­
mente com a completa vontade de Deus para sua vida. Ganhe sua cidade
para Deus. Pare de frear no seu coração. Proclame o dia da salvação aos
perdidos. Não deixe que a negatividade, as ofensas ou as desculpas o
impeçam de entregar-se à vontade do Senhor para você. Entre no que
Deus está fazendo nestes dias em sua cidade.
Se você está relutando em entregar tudo ao Senhor, é porque não
confia no amor do Pai. Lembre-se de que a vontade de Deus é boa,
agradável e perfeita (Romanos 12.2).
Compreenda este maravilhoso lembrete da bondade de Deus para
sua vida:

S knhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu


futuro. As divisas caíram para mim em lugares agradáveis: Tenho uma
bela herança!
- Salmo 16.5, 6

212
A transgressão de lonas: Servindo a Deus com relutância

Uma oração de arrependimento

Senhor, eu te agradeço peta tua Palavra. Peço que o Senhor liberte meu coração da
transgressão de discordar da tua vontade. Liberta-me de todo descontentamento car­
nal. Uberta-me do espirito de reclamação. Espírito Santo, vem e abraça-me agora.
Peço que transformes minha vida e meu ministério.
Senhor, quero mudar Não quem seguir tua vontade apenas com meus pés, mas
também com meu coração. Eu renuncio a todo descontentamento, desgosto e também
ao meu coração infeli% e vou seguir a tua vontade com alegria. Seja o quefo r que me
pedires, eu farei, Senhor. A medida que me ensinares como fa^er, e me equipares
para esta obra, vou obedecer à tua vontade.
Pai, peço que antes de edificares qualquer coisa em minha vida, tu quebres o
odre velho. Desarma os velhos argumentos. Dissolve minhas desculpas. Senhor, li­
berta-me de meu conflito interior. Sim, Senhor, eu te suplico, antes de plantares e
edificares, fa%e isto —arranca e destrói. Vem e executa tua demolição divina em
meu coração. Destrói toda obra da carne, todo pensamento diabólico, todo pensa­
mento de confusão, rebeldia e desobediência.
Senhor, eu renuncio meus métodos e escolho seguir os teus. Renuncio àquela
atitude crítica, de julgar os outros, que me leva a sempre questionar a visão dos
líderes ou os programas da igreja, mas nunca fa% nada para ajudar.
Perdoa-me, perdoa minha insensate%perdoa meu orgulho e minha arrogância.
Senhor, não quero mais me sentirfracassado. Não importa quão fraco eu possa ser;
sou teu servo. Tu podes me usar.
1 Senhor, minhasfinanças são para o teu Reino. A medida que o Senhor me der
a tua graça, vou administrá-las sabiamente e dar a ti tudo que me pedires. Egoísmo,
sai da minha vida agora em nome de Jesus. Individualismo, sai da minha vida agora
em nome de Jesus. Vem, Espírito Santo, e edifica o caráter de Jesus em meu coração.
Eu me esvazio de qualquer coisa que pertença ã velha form a de fa^er as coisas.
Estou em Cristo. A s coisas velhas passaram, e tudo se f e ^ novo.
Senhor, vem agora e sopra vida em meus pensamentos, em meu ministério e em
minha obra. Pai, peço que toques os olhos do meu entendimento, para que eu seja
capa% agora de ver claramente a tua visão. Pai, peço que nunca venha a ser um
apóstata em meu coração, mas que eu possa te servir de todo o coração.
Em nome de Jesus, amém.

213
A transgressão de Pedro:
Temendo mais o homem
do Que a Deus

lguns anos atrás, participei de algumas maravilhosas reuniões


de avivamento na cidade de Nova Iorque. O pastor havia con­
vidado igrejas de outras regiões para participarem dos cultos.
A glória do Senhor desceu, e era como se estivéssemos vivendo aqueles
tipos de derramamento do Espírito que você só vê em livros de história.
Muitas pessoas se arrependeram; havia lágrimas e quebrantamento. O
lugar estava lotado, inclusive os corredores.
No dia da minha partida, o recepcionista do hotel disse-me que
estava tudo certo e que a igreja já acertara minha conta. O pastor tam­
bém me adiantara que não precisava me preocupar com coisa alguma.
Quando estava quase saindo do hotel com minha bagagem, um pen­
samento me veio à mente: Preciso olhar a conta. Poderia parecer meio
“abelhudo” pedir para olhar a conta e ver quanto o pastor pagou por
minha estadia ali. M as eu sabia que o Espírito Santo estava me alertando
por algum motivo.
Então, na recepção, pedi uma cópia do que fora cobrado em meu
quarto. Nunca tinha feito isso antes em todas minhas viagens. O recepcio­
nista entregou-me a conta sem hesitar e, quando a examinei, vi que havia
Evitando as d o ze transgressões

uma cobrança por um filme pay-per-vieiv. Em geral, estes filmes são por­
nográficos. Sorri e disse ao recepcionista: “Quando entrei no quarto, tirei
o fio da TV da tomada! Eu nem sequer a liguei e, contudo, há uma
cobrança aqui por um filme pay-per-vient’’. Ele removeu aquela cobrança
de minha conta num instante —eu diria até rápido demais. Fiquei pensan­
do quantas pessoas pagaram por aqueles filmes sem nunca os ter assisti­
do ou notado a cobrança em sua conta.
Quando o pastor chegou para pagar a conta, expliquei-lhe o que
havia acontecido. Então entendi que o aviso do Espírito Santo para
que eu olhasse a conta foi uma proteção divina sobre mim e sobre a
reputação de meu ministério. Deixei Nova Iorque dizendo: “Obriga­
do, Espírito Santo, por preservar minha integridade diante dessas pes­
soas”. Embora fosse inocente, aquele incidente poderia ter arruinado
meu testemunho, a menos que tivessem me perguntado pessoalmente
sobre a questão.

Aprenda a cultivar sua integridade

Desde aquele episódio, toda vez que saio de um hotel, peço uma cópia
da conta. Hoje compreendo que é minha responsabilidade proteger mi­
nha integridade diante das pessoas, da melhor maneira possível. Precisa­
mos proteger a imagem cristã que projetamos.
A santidade é um dom de Deus. Integridade é algo que precisamos
cultivar. Você e eu precisamos “alimentar” a integridade em nossas vidas
diárias. De fato, a Bíblia nos diz que é nossa responsabilidade proteger
nossa reputação:

Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência.


- Romanos 14 . 16

Aprendemos no Novo Testamento que um dos seguidores mais ínti­


mos de Jesus caiu na armadilha de comprometer sua integridade. Pedro
havia passado três anos na “Escola Bíblica de Jesus”. Ele havia caminha­

216
A transgressão: de Pedro: Temendo mais o homem do que a Deus

do ao lado do M estre e testemunhado seus milagres. Este era o homem


a quem Deus deu a graça de levar o evangelho aos gentios. Ele recebeu
as chaves do Reino.
No entanto, Pedro entrou em uma situação onde não agiu com inte­
gridade. Mesmo que você seja um professor, um pregador, ou um obrei­
ro na igreja há muitos anos, é fácil quebrar o princípio da integridade.
Mas não é necessário cair na transgressão da hipocrisia, embora tantas pes­
soas tenham se enredado nela. Isto aconteceu com Pedro pouco tempo
depois que os apóstolos levaram o evangelho para fora dajudéia.

Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude
condenável. Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os
gentios. Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios,
temendo os que eram da circuncisão. Os demais judeus também se uniram a
ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar. Quando vi que
não estavam andando de acordo com a verdade do evangelho, declarei a Pedro,
diante de todos: “Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu.
Portanto, como pode obrigar gentios a v iv e r e m como judeus?”.
- Gálatas 2 .1 I -14

Pedro estava começando a agir como hipócrita. Ele estava mais preo­
cupado em “parecer certo” diante dos cristãos judeus de Jerusalém do
que em manter seu testemunho cristão diante dos gentios a quem estava
ministrando. Ele não quis arriscar-se. Seguiu as tradições e regras do
homem —e, ao fazer isso, suas ações o denunciaram como hipócrita. O
que o fez cair nesta armadilha foi seu temor de pessoas religiosas.

Falta de integridade é hipocrisia

John Wesley, o grande pregador do século 17, elaborou uma lista de 22


perguntas que fazia em cada um de seus “clubes santos” . Durante seus
anos de ministério, mais de duzentas mil pessoas na Inglaterra participa­
vam de seus grupos em células. Ele viajava a cavalo milhares de quilô­
metros a cada ano, visitando igrejas e acendendo o fogo da santidade.

217
Evitan d o ;is d o z e transgressões

Algumas das perguntas que fazia às pessoas eram sobre integridade.


As perguntas eram discutidas nos grupos pequenos.
Uma das perguntas era: “Você está consciente ou inconscientemente
fingindo ser alguma coisa ou alguém que não é? Em outras palavras,
você está sendo hipócrita?” Outra pergunta dizia: “Você procura ser
visto pelos outros como alguém que é melhor do que realmente é?”
Estas perguntas chamaram minha atenção. Hoje há pouquíssimas pes­
soas fazendo este tipo de pergunta.
Querer parecer melhor do que realmente é tornou-se comum entre
os cristãos. Para algumas pessoas, é normal colocar uma máscara e fazer
os outros pensarem que são melhores do que realmente são. Mas, fazer
algo parecer diferente do que realmente é, ou brincar de espiritualidade
fingida é falta de integridade. Não reconhecemos que estamos colocan­
do em risco nossa integridade quando fingimos ser o que não somos.
Na antiga Roma, os artistas daquela época se dedicavam a criar escul­
turas bonitas, muitas das quais ainda se encontram hoje em museus e
coleções particulares. A história nos conta que quando uma escultura
cara feita em mármore quebrava, a parte quebrada era reconstituída com
cera, que então era coberta com tinta para parecer exatamente com o
mármore que estava substituindo. Muitas esculturas reparadas com cera
eram vendidas, geralmente, sem que tal reparo fosse mencionado ao
comprador.
A palavra sincero é derivada de duas palavras latinas: sine, que significa
“sem” e cera que significa “cera” mesmo. Houve um tempo em que a
prática de reparar esculturas com cera era tão comum que quando os
compradores queriam adquirir peças caras, pediam primeiro uma que
fosse sine cera (sem cera).
Pessoas sinceras são aquelas em quem não há falsidade. São pessoas
moralmente coerentes e que não possuem certas partes de sua vida “fei­
tas de cera”. Não há falsidade em seu caráter.
O mundo está querendo ver cristãos sinceros — cristãos que não
enganem, não mintam e que sejam confiáveis em suas práticas de tra­
balho. Quando o mundo vir cristãos que sejam exemplos de sincerida­
de, certamente crerá no evangelho que tais cristãos pregam. Um dos
grandes obstáculos que impedem o mundo de crer no evangelho é a

218
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do quc a Deus

evidência de falsidade na vida de muitos cristãos. Esses crentes pare­


cem autênticos e fingem ser sinceros, mas, devido à sua falta de inte­
gridade, tornaram -se pedras de tropeço à propagação do evangelho.
Estão cheios de cera!
Algumas pessoas se identificam rapidamente como cristãos, mas, por
sua falta de honestidade, muitos empregadores não querem tê-los como
funcionários. Estes “cristãos” fraudam o ponto, acrescentando horas de
trabalho que não trabalharam. Levam coisas do local de trabalho para
casa. Mesmo que pudéssemos ressuscitar os mortos e curar os enfermos
(e precisamos mais disso na igreja), atos de desonestidade destroem a
confiança das pessoas e anulam a efetividade de nossos ministérios.
Lembro-me de ter ouvido falar de uma secretária que fora contratada
para trabalhar numa igreja. Logo em seus primeiros dias de trabalho, ela
começou a receber ligações de agências de cobrança perguntando pelo
pastor. Certa vez, ela explicou que o pastor não estava e perguntou se a
pessoa queria deixar um recado. Um homem respondeu: “Preciso falar
com ele agora. Faz mais de sete meses que ele não paga a fatura de seu
cartão de crédito!”
Quando a secretária informou o pastor das ligações e fez algumas
perguntas diretas, foi logo dispensada de seu trabalho. O pastor explicou:
“Você não fez nada de errado; o Espírito Santo me disse para dispensá-la
de suas obrigações”. O pastor tomava o cuidado especial de manter
longe de si aqueles que quisessem fazer perguntas. Ele era um homem
desonesto e sem integridade. O que o mundo pode pensar da igreja,
quando até seus líderes agem dessa forma?

Mentirinhas brancas?

Alguns, por sua formação social e cultural, foram ensinados a mentir.


Minha formação social e cultural ensinou-me a dizer coisas que não
correspondiam à verdade. Não eram coisas ditas com más intenções; na
verdade, eram erros cometidos por ignorância. Por exemplo, fomos ensi­
nados: “Não diga àquele vendedor que você não quer comprar seu pro­
duto. Diga que é bonito, mas simplesmente não o compre”.

219
Evitand o as d o ze transgressões

Ir ao mercado com minha avó, quando era menino, era uma de


minhas experiências favoritas. Lembro-me de como as pessoas usavam
astúcia e engano a fim de comprar coisas mais barato. Elas olhavam
para os tomates e diziam ao vendedor: “Como os tomates estão caros
hoje!” Mas, depois de comprá-los, diziam para a pessoa ao lado: “Você
viu como paguei barato nos tomates?” Era como um jogo. Suas inten­
ções não eram más ou nocivas; apenas usavam um truque para comprar
as coisas a preço de barganha.
Minha avó era uma preciosa serva de Deus, mas sempre usava este
método. Ela perguntava ao açougueiro: “Quanto está o quilo desta car­
ne?” Quando o homem lhe falava o preço, geralmente respondia: “Está
muito caro”.
Depois ela dizia para mim: “Fique quietinho; esta carne está super
barata, mas acho que posso conseguir um preço melhor ainda!” Naquele
tempo, nenhum de nós compreendia que aquela era uma prática engano­
sa da nossa sociedade.
Outro tipo de mentira comum, especialmente nos países da América
Latina, é quando seu filho está com febre e você lhe diz: “Não, filho,
você não está com febre. Não se preocupe”. A questão é evitar que seu
filho fique com medo, mas o que realmente está lhe ensinando é que, às
vezes, não há problema em contar uma mentirinha. Estamos ensinando
aos nossos filhos que, às vezes, quando algo não está a nosso favor,
podemos usar uma mentira. Algumas pessoas chamam tais mentiras de
“mentiras brancas”. Podem até ser mentiras pequenas, mas, na verdade,
não há nada de inofensivo nelas.
Hábitos como esses permanecem com o indivíduo até sua vida adul­
ta. A criança que comprava tomates no mercado pode ser um pastor
hoje. Talvez você esteja dizendo ao tesoureiro da sua igreja: “Arredonde
isso um pouco, do contrário, vamos ter de pagar mais impostos”.
A Bíblia nos diz que àqueles que são desonestos em pequenas coi­
sas não serão confiadas coisas maiores para que as administrem. Dizer
mentiras, mesmo pequenas, é desonesto. Pessoas que mentem carecem
da integridade necessária para serem as pessoas que Deus planejou que
fossem.

220
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do Que a Deus

Não existe desonestidade mínima. Pode ser um dólar ou um milhão


de dólares. Uma das áreas em que aprendi a não ser desonesto é nos
postos de controle alfandegários, nos aeroportos internacionais. O pos­
to alfandegário do aeroporto de Buenos Aires, preciso confessar, é um
lugar que me deixa um pouco nervoso.
Antigamente, algumas horas antes do horário de chegada, eu já come­
çava a lutar comigo mesmo. “Senhor”, orava, “devo declarar isto? Devo
mostrar-lhes aquilo?” Havia uma tradição em Buenos Aires de práticas
corruptas como suborno, leis forjadas ou sobretaxas aplicadas aos itens
que as pessoas queriam trazer ao país.
As pessoas passavam a nem considerar isto como uma questão de
certo ou errado, pois os agentes alfandegários eram famosos por serem
pessoas descaradamente desonestas. Os viajantes que passavam pelos
postos de controle alfandegários eram basicamente sujeitos aos capri­
chos da pessoa que inspecionava suas malas.
Com o passar do tempo, notei que as leis alfandegárias estavam co­
meçando a mudar e a se tornarem mais definidas. Enquanto pensava em
todas as coisas que estava trazendo para o país em minha bagagem, per­
cebi que, normalmente, estava mais pronto a mentir do que a contar a
verdade. Em momentos como estes, o condicionamento cultural do meu
passado tentava me dominar. Os mandamentos do Senhor perdiam sua
força.
Quando reconheci que precisava fazer algumas mudanças nesta área,
comecei a orar em silêncio: “Senhor, dá-me forças para ser verdadeiro,
custe o que custar, mesmo que me façam tirar os sapatos no aeroporto”.
Depois que tomei a decisão de ser totalmente honesto, devo admitir que
isso me fez sentir como idiota. Comecei a imaginar como as pessoas do
meu país me achariam idiota ao pagar para trazer coisas de fora. Alguns
me diriam que não havia necessidade de pagar porque, afinal de contas, o
equipamento seria usado na obra do Senhor.
Faz vários anos, agora, que meu modo de pensar foi totalmente trans­
formado. O Espírito Santo renovou minha mente. Agora vejo essas ins­
peções na alfândega como uma oportunidade de mostrar aos oficiais do
aeroporto que alguns cristãos são honestos. Em geral, faço-os saber que
sou cristão. Quando me informam, em voz baixa, que vou pagar menos

221
Evitando as d oze transgressões

se não exigir nota, digo-lhes que sou um pregador. Demonstro-lhes que


quero fazer o que é certo.
Por adotar esta atitude, Deus tem me abençoado nas alfândegas. Por
exemplo, recentemente, tive de pagar $100 por trazer uma caixa de mate­
rial para o ministério. Os oficiais estavam dispostos a cobrar uma quantia
menor como suborno. Entretanto, escolhi pagar os $100 requeridos pela
lei. Quando cheguei em La Plata, um irmão que não sabia o que aconte­
cera na alfândega entregou-me um envelope. Continha uma doação de
$100! Por este e muitos outros exemplos, sei que Deus recompensa a
integridade e a veracidade.

Uma experiência gradual e progressiva

A santidade pode ser derramada sobre você num momento de fé, mas,
depois, você precisa aprender a andar nela. Depois que a santidade vem
sobre a sua vida, pela graça de Deus, você precisa aprender a caminhar
em integridade pelo resto de sua vida. A santidade veio sobre mim, e
purificou-me. Mas, pelo resto de minha vida, numa experiência gradual e
progressiva, preciso aprender a andar como Jesus andou.
Não estou trazendo condenação a você no que diz respeito a este
assunto. Sei que as leis variam de um país para o outro, mas chega um
momento em que uma luz vermelha acende em nossa consciência. Quando
esta luz começa a piscar, é melhor prestarmos atenção. Pode ser uma luz
de advertência do Espírito Santo para nos avisar de perigo iminente. Ela
lhe diz: “Cuidado! Você está prestes a comprometer sua integridade”.
Não ignore este sinal!
Lembro-me de uma pessoa que estava dirigindo de Buenos Aires para
Mar dei Plata, uma viagem de quatro horas. Enquanto dirigia, uma luz
vermelha de advertência acendeu no painel. Por não querer distrair-se
com aquela luz, ele a cobriu com um pano. Quando estava quase na
metade do caminho, nuvens de fumaça começaram a sair do capô do
carro. O motor do carro havia se fundido, porque ele não quis tomar o
tempo de atender àquele aviso e verificar o que estava errado. Não funda

2 22
A íransgres.são de Pedro: Temendo mais o homem do que a Deus

o motor de sua vida. Quando o Espírito Santo lhe envia uma luz ver­
melha, preste atenção e veja o que está errado em sua vida.
A pessoa sem integridade vai acabar perdendo a confiança daqueles
que o cercam, mesmo que tenha sucesso em outras áreas de sua vida.
O pai que mente jamais terá o respeito de seus filhos, a menos, é claro,
que haja arrependimento, confissão e mudança. Seus filhos vão se lem­
brar que seu pai mentia e pensarão: Ta/ve% esteja mentindo para mim nova­
mente; talve£ isto também não seja verdade. Às vezes, desqualificamo-nos por
coisas insignificantes. Salomão disse: “Apanhem para nós as raposas, as
raposinhas que estragam as vinhas, p o is as nossas vinhas estão florid a s” (Cantares
de Salomão 2.15).
As raposinhas invadem as vinhas quando estas estão floridas. Elas
cavam no solo e estragam as raízes sem deixar sinais externos. Conse­
guem destruir vinhas inteiras desta forma. Da mesma maneira, as peque­
nas mentiras e coisas enganosas que praticamos podem começar a des­
truir as raízes da vida cristã dentro de nós. Por fora, nossas vidas podem
ostentar uma bela “folhagem”, contudo, as vinhas talvez já estejam se
secando. De um modo geral, são as raposinhas que acabam provocando a
maior destruição em nossas vidas.

Características de uma
pessoa Que não possui integridade

Há algumas características comuns que podem ser encontradas na vida


de pessoas que não possuem integridade. E importante reconhecer estas
características e examinar nossas vidas continuamente para termos a cer­
teza de que nenhuma delas pode ser identificada em nós. Vamos exami­
nar com cuidado estas qualidades.

A pessoa Que não possui integridade parece estar sob um manto


de condenação
A pessoa que anda sob o manto da condenação já não se enquadra na
bênção de Deus. Na verdade, tal pessoa está debaixo da desaprovação

223
Evitando as d o ze transgressões

divina. Em Gálatas 2.11, Paulo confrontou um irmão chamado Pedro,


um homem que usava um manto de condenação. Lemos: “Quando, p o ­
rém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o fa ce a face, p o r sua atitude condenável”. A
igreja precisa de pessoas como Paulo, que saibam confrontar as pessoas
face a face, não de críticos anônimos.
Talvez você diga: “Mas eu creio na graça de Deus, e Ele perdoou
todos os meus pecados”. Isso é verdade, mas a pessoa que não está
vivendo em integridade sente-se condenada e não usa mais o manto da
bênção e da aprovação de Deus. Ao contrário, esta pessoa está sob a
desaprovação de Deus.
Se sua vida está cheia de mentiras —grandes ou pequenas, você pode
contar com a desaprovação divina. Se você é um comerciante que adul­
tera a balança a seu favor, está roubando a Deus —mesmo que o dinheiro
extra que ganha com esta prática seja parte de sua oferta para a igreja! Tal
oferta não o santificará, nem o purificará. Roubo é roubo. A menos que
você confesse seu pecado e procure fazer restituição, não sentirá o per­
dão de Deus.
Algumas pessoas acreditam erroneamente que integridade é um dom
para líderes e que as pessoas comuns não precisam ter em suas vidas.
Integridade não é um “dom” para líderes —é um requisito divino para
todos os cristãos. Deus ordena a todo cristão que busque o caráter de
Cristo em sua vida. Qualquer que seja sua posição na vida, qualquer que
seja sua carreira, seja você presidente de um banco ou um gari, deve
viver constantemente em integridade. Ninguém está acima da necessida­
de de prestar contas a Deus.

A pessoa Que não possui integridade age com base no temor


Alguns são tão ansiosos por agradar as pessoas à sua volta que se
dispõem a tom ar atitudes para “deixar uma boa im pressão”, fazendo
coisas que dem onstram falta de integridade. Para tais indivíduos, deixar
uma boa impressão é mais importante que agir corretat?iente. Este foi o erro
de Pedro quando caiu na transgressão de temer mais o homem do que a
Deus. Ele mudava de comportamento de acordo com o grupo com
quem estava.

224
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do Que a Deus

Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios.
Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios, te­
mendo os que eram da circuncisão.
- Gálatas 2.12

Pedro se esqueceu da fé salvadora e tentou “salvar suas aparências”.


Por medo do que os judeus poderiam dizer, Pedro começou a compor­
tar-se de forma estranha. Quando ficava com medo dos cristãos judeus e
do que podiam pensar dele, decidia que não podia comer ou ficar junto
com os gentios. Ele se separava dos cristãos gentios para ser aceito pelos
judeus.
Lembre-se, este era o homem que disse estar disposto a morrer por
Jesus. De acordo com a tradição, Pedro morreu crucificado de cabeça
para baixo. Ele pagou um alto preço por sua disposição em servir a
Cristo. Mas, neste momento de fraqueza, ele teve medo do que os outros
iriam dizer. Esta é a transgressão que cometemos quando queremos “deixar
uma boa impressão”. E uma transgressão perigosa. Há pessoas que, por
este desejo de deixar uma boa impressão, podem chegar a perder até a
sua salvação.
Meus avós se converteram ao evangelho porque minha tia foi curada
de epilepsia. Eles a levaram a um culto numa igreja cristã, onde foi
miraculosamente curada. Naquela época, devido à sua formação e cultu­
ra, a casa deles estava repleta de ídolos religiosos. A superstição tinha
sido seu estilo de vida. Mas agora entregaram suas vidas por completo ao
único Deus verdadeiro.
Alguns de seus amigos começaram a lhes perguntar: “Por que vocês
estão se envolvendo com estes pobres cristãos evangélicos? Vocês
são de outra religião”. Após algum tempo, a pressão de preocupar-se
com o que os outros estavam pensando deles começou a empurrá-los
de volta para a idolatria. Por mais estranho que pareça, a doença da
minha tia voltou. Isso chamou a atenção de meus avós, e quando vi­
ram que minha tia estava doente outra vez, voltaram para o Senhor.
Minha tia, contudo, nunca mais foi curada e morreu aos quarenta anos.
Por causa do tem or do homem, meus avós escolheram apegar-se a
ídolos pagãos.

225
Evitando as d o ze transgressões

No final dos anos cinqüenta, o evangelista Tommy Hicks ministrou


na Argentina. As pessoas superlotavam os estádios para ouvi-lo, e milha­
res de curas foram realizadas em seu ministério. Certo dia, ele foi visitar
meus avós. Ele orou por minha tia, mas ela não foi curada. O evangelista
Hicks disse à minha avó: “A alma dela está em paz”.
Embora agraciada com sua entrada no céu, essa mulher nunca foi
curada. Por quê? Creio que foi porque meus avós abandonaram o cami­
nho do Senhor. O Senhor não queria que eles se afastassem mais. Meus
avós estão agora com o Senhor. Eles se tornaram pessoas de grande
integridade —um homem e uma mulher que não se importavam mais com
o que as pessoas pensavam deles. Entregaram tudo ao Senhor. Até o
último dia de suas vidas, foram pessoas de oração e integridade.

O hipócrita arrasta outros juntos consigo


Em seu desejo de agradar o homem mais do que a Deus, Pedro transgre­
diu. Mas ele não removeu apenas a si próprio da bênção de Deus —ele
fez que outros também transgredissem. Seu pecado criou uma pedra de
tropeço para muitos.

Os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo


que até Barnabé se deixou levar.
- Gálatas 2.13

Aquele que age com hipocrisia indiretamente encorajará outros a agi­


rem de forma igual. Se puder levar outros a transgredirem junto com ele,
não se sendrá tão condenado ou diferente dos demais. Tal pessoa exerce
uma influência negativa na igreja. Ela começa a arrastar outras pessoas
para a mentira e o engano.

A pessoa Que não possui integridade está num caminho de erro


Sem andar em integridade, não é possível permanecer no caminho da
bênção e da aprovação de Deus. Uma pessoa que não possui integridade
está num caminho tortuoso que a levará para longe do Senhor. Em nosso
exemplo de Pedro, Paulo confrontou publicamente seu comportamento
hipócrita e o fez reconhecer a insensatez de suas ações.

226
A iransgressão de Pedro: Temendo mais o homem do q J® a Deits

Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do


evangelho, declarei a Pedro, diante de todos: “Você é judeu, mas vive
como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a
viverem como judeus?”.
- Gálatas 2.14

Paulo, o membro mais novo do grupo de apóstolos, decidiu se opor a


Pedro por causa de sua simulação desonesta. Pedro tinha feito a escolha
de voltar ao legalismo judaico.
Meu pai e eu trabalhamos juntos numa pesquisa sobre nossa igreja em
La Plata. Elaboramos um teste sobre questões de integridade que seriam
anexadas à pesquisa. Aplicamos o teste a toda a congregação.
Conseguimos tirar algumas conclusões esclarecedoras sobre os cris­
tãos de nossa igreja. Durante os primeiros cinco anos após sua conver­
são, a maioria dos cristãos continuava crescendo espiritualmente. Mas,
ao completar cinco anos, parecia haver uma reviravolta. Descobrimos
que a maioria das pessoas que se afastavam da igreja fazia isso em seu
quinto ano de conversão. Era como se tivessem completado um ciclo.
A primeira fase do cristianismo havia terminado para elas, e o entu­
siasmo que sentiam pelo Senhor começava a declinar. Começavam a
perder seu primeiro amor —tal como aconteceu na igreja de Éfeso em
Apocalipse 2.4.
Alguns desses cristãos se tornavam amargurados, críticos, e isolados
do restante do corpo de Cristo. Em nossa pesquisa, descobrimos que
após cinco anos de conversão, os cristãos optavam entre duas coisas. Ou
se envolviam muito no ministério, evidenciando maturidade espiritual,
ou abandonavam a igreja por completo e voltavam para o mundo. Era
como se houvesse uma tendência para voltar ao passado após um certo
período de tempo.
E importante que cada cristão esteja ciente desta tendência humana.
Não devemos voltar ao passado. Os hipócritas costumam reconstruir
hábitos sombrios que foram removidos em sua conversão, e tentam es­
conder sua conduta pecaminosa atrás de uma fachada religiosa. Temos
uma clara advertência neste contexto: “Se reconstruo o que destrtd, provo que
sou transgressor” (Gálatas 2.18).

227
Aoueles Que não possuem integridade anulam a graça de Deus
Os que não andam em integridade querem tanto agradar os outros na
carne que são capazes até de mentir a fim de “deixar uma boa impres­
são”. Anulam a graça de Deus. Contudo, o apóstolo Paulo diz:

Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça vem pela Lei, Cristo mor­
reu inutilmente!
- Gálatas 2.21

O que Paulo está dizendo é que se alguém voltar ao legalismo, torna


a ser escravo de certas coisas que precisa fazer ou dizer, só para estar
bem com as pessoas. Ao fazer isso, ele deixa de lado a graça de Deus. A
pessoa mentirosa, hipócrita ou enganadora —que tenta parecer espiritual,
mas não é - está deixando de lado a graça de Deus.

Aoueles Que não possuem integridade são obcecados por detalhes


Paulo se dirige aos gálatas dizendo:

O gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos
que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?
- Gálatas 3 .1

Se o cristão não tomar cuidado, as tapas do legalismo podem começar


a limitar a visão de seus olhos espirituais. Ele não consegue enxergar a
verdade.
Há pessoas que ostentam uma aparência de santidade, mas ainda
não possuem integridade. O que vou compartilhar agora não é um
princípio bíblico e, sim, uma observação que, acredito, irá ajudar a igreja.
Creio que algumas pessoas foram santificadas, mas ainda carecem de
integridade.
Tenho conhecido ministros que amavam a obra do Senhor e seri­
am capazes de dar suas vidas por ela, mas que se utilizavam de en­
gano em pequenas situações. Faziam coisas desonestas. Creio que
durante algum tempo estes servos de Deus eram inocentes porque
agiam em ignorância. No entanto, após certo tempo, a tolerância por

228
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do Qiie a Deus

ignorância acaba, pois chega o momento em que se deve conhecer a


verdade de Deus. Estes indivíduos precisam prestar atenção à luz
vermelha piscando em seu painel. Se continuarem resistindo à voz do
Espírito Santo em seus corações, isto já não é ignorância —tornou-se,
agora, rebeldia aberta.

No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora orde­
na que todos, em todo lugar, se arrependam.
- A to s 17.30

Creio que é possível um cristão cair em práticas duvidosas durante


um curto período de tempo, sem se dar conta disso. É um estado tempo­
rário de ignorância e insensatez. Mas se este indivíduo não aplicar a
verdadeira honestidade e pureza nas diversas situações, vai perder seu
estado de santidade. Precisamos de santidade bem informada; precisa­
mos ser saturados com a Palavra de Deus.

AQueles oue não possuem integridade perderão tudo


Como é triste ver uma pessoa de integridade... caminhando nas bênçãos
e na aprovação de Deus... cair num estilo de vida pecaminoso e impeni­
tente. A integridade é a “cola” que nos mantém firmes no caminho de
Deus. Sem integridade corremos o risco de pôr tudo a perder.

Será que foi inútil sofrerem tantas coisas? Se é que foi inútil!
- Gálatas 3.4

Em suas palavras de confronto a Pedro e à igreja da Galácia, Paulo


pergunta aos cristãos: “Vocês estão realmente dispostos a jogar tudo
pela janela?” Em outras palavras, ele estava lhes perguntando: “Irmãos
e irmãs da Galácia, vocês deram duro; sofreram pelo evangelho, e ago­
ra parece que foi tudo em vão. Vocês estão querendo perder tudo?”
Por que os gálatas estavam correndo o risco de perder tudo? Por
causa de seu legalismo, seu fingimento, e sua religiosidade.
Uma das coisas que minha esposa e eu temos pedido a Deus é
mais honestidade, especialmente com nossos filhos. N aturalm ente,
todo pai quer impressionar seus filhos. Mas, com muita freqüência,

229
Evitand o as d o ze transgressões

em nosso desejo de impressionar nossos filhos, dizemos ou fazemos


coisas que não são completamente honestas. Quero me livrar dessas
coisas como me livraria de um lixo. Quero ser completamente hones­
to com meus filhos.
Algumas semanas atrás, estava passando um tempo com meus fi­
lhos em casa quando notei um clima bastante tenso. Quase que im e­
diatamente percebi que quem estava tenso era eu! Às vezes, quando che­
go de minhas viagens ministeriais estou muito cansado e estressado —
como estava naquele dia. Como resultado, estava procurando por algo
errado. Comecei a criticar meus filhos por qualquer detalhe errado na
casa. Quando me dei conta disso, sabia que precisava mudar.
Meus filhos sabem que prego a santidade. Por isso, muitas vezes sinto
como se tivesse de ser perfeito para eles. Infelizmente, ainda estou mui­
to distante da perfeição - como todos estamos. E sei que não é bom
fingir ser alguma coisa que não sou —é melhor ser transparente.
Naquele dia fui até a pia da nossa lavanderia e peguei uma bacia de
plástico. Enchi-a de água quente e a levei até a sala de estar, juntamente
com sabão, uma toalha, perfume e loção para o corpo. Reuni toda a
família ali.
Quando todos estavam presentes, eu disse-lhes: “Família, tenho an­
dado um pouco tenso. Meninos, quero lavar seus pés, e quero pedir
perdão por estar tão nervoso nos últimos dias”. Um a um, comecei a
lavar-lhes os pés. Sequei-os, passei a loção e o perfume.
Quando acabei, um de meus filhos disse: “Papai, o senhor pode lavar
meus pés de novo? Adorei aquela água quente!”
Gosto muito de pregar com a Bíblia nas mãos. Ás vezes, fico no
centro de minha sala de estar e digo: “Filhos, tenho uma lição para lhes
ensinar”. Mas há ocasiões em que precisamos pregar com bacia e toa­
lha. É uma forma de reconhecer nossos erros. Muitas vezes, ajoelho-
me com minha esposa diante dos nossos filhos e dizemos: “Meninos,
temos demonstrado falta de caráter, temos gritado, e isto não é de Deus.
Vocês nos perdoam ?” Eles nos perdoam no mesmo instante. As crian­
ças possuem uma virtude que parece desaparecer à medida que se tor­
nam adultos —conseguem passar da ira para o perdão em trinta segun­
dos. Preciso andar em integridade e honestidade sempre —mas, em es­
pecial, em minha casa com aqueles a quem mais amo neste mundo. Como

230
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do Qtie a Deus

parte de meus votos de casamento, eu disse à minha esposa na ceri­


mônia: “Meu primeiro ministério será você e nossos filhos. Você será,
espero, meu sermão mais eloqüente para o mundo”.
Jesus pregou às multidões enquanto esteve na terra. Suas palavras
transformaram vidas e são eternas. Mas Ele também pregou o evangelho
com uma toalha —e com seu espírito de servo. Nem sempre é necessá­
rio, como se diz figurativamente, “bater na cabeça de nossos filhos com
uma Bíblia”. Em vez disso, ministramos melhor a eles com amor e reco­
nhecendo nossos próprios defeitos. Reconhecer nossos erros e pedir
perdão quando cometemos erros são sinais de integridade que falam alto
e claro.

Características de uma vida de integridade

Examinamos as características de alguém que não está caminhando em


integridade. Devemos evitar estas características. Mas, igualmente im­
portantes são as características positivas, demonstradas na vida de uma
pessoa que vive uma vida de integridade. Vamos examinar de perto estas
características:

Uma pessoa de integridade fala a verdade


Jesus disse que o nosso “sim” deve significar “sim” e o nosso “não”,
“não” (Mt 5.37). Como é fácil dizer: “Sim, estarei lá”, mas, por dentro,
pensar: N ão vou. Se os cristãos fossem mais verdadeiros, o cristianismo
seria demonstrado de forma mais poderosa.
Um homem de integridade é sincero. Tal como uma escultura feita
inteiramente em mármore, e que não contém qualquer parte de cera, a
pessoa íntegra também é “feita em uma só peça”. Ela não tem neces­
sidade de fingir —e nada a esconder.

Uma pessoa de integridade tem motivos puros

Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica,
amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparci­
al e sincera.
- Tiago 3.17

231
Evitand o as doze transgressões

Motivos puros são de vital importância. Nascem de um coração


puro. Este verso de Tiago indica que o primeiro requisito para a sabe­
doria é a pureza. Uma pessoa pura não se mistura com coisas corruptas
ou profanas. Ela não possui intenções mescladas, mas é motivada por
uma única coisa —amor puro a Deus.
Um dos problemas que acontecem em muitos ministérios é que com­
plicamos a fé. Podemos perceber isso quando alguém começa a dizer
coisas como: “Já estou trabalhando há um ano nesta posição; eles preci­
savam me dar mais honra. Quando o pastor mencionou as dez pessoas
que mais trabalharam este ano, ele esqueceu de mencionar o meu nome!
Vou para outra igreja porque aqui não sou valorizado”.
Este tipo de pensamento vem às nossas mentes quando nossas pai­
xões desordenadas começam a direcionar nossos pensamentos. Paixões
desordenadas fortalecem nossos desejos egoístas, e a igreja é incapaz de
satisfazê-los. Entretanto, lemos nesta passagem de Tiago que a sabedoria
que vem do céu não é misturada, ao contrário, é pura. Creio que a pureza
nos chama de volta à simplicidade.

Uma pessoa de integridade tem perseverança e consistência


Um de meus amigos no ministério é o evangelista Carlos Annacondia.
Encontro com ele, sem planejar, em diferentes cidades do mundo. Quando
estamos ministrando na mesma cidade, sempre tento encontrar uma opor­
tunidade para conversarmos. Uma das características importantes que
tenho notado na vida deste servo do Senhor, que já levou mais de dois
milhões de pessoas a Cristo em suas campanhas evangelísticas, é a sua
perseverança.
Annacondia já pregou em cruzadas com oitenta mil pessoas. Mas tam­
bém o vi pregar em reuniões pequenas com menos de 150 pessoas presen­
tes. Já o vi em lugares onde sua tenda quase foi arrancada por ventos for­
tes. Ele visita lugares pobres e lugares onde o piso é lamacento.
Você sabe que mensagem ele prega quando sua audiência só tem 100
ou 150 pessoas? A mesma mensagem que prega para uma multidão de 80
mil pessoas. Ele prega com paixão constante a mesma mensagem de
salvação. Normalmente, ele fica no local até uma ou duas horas da ma­
nhã para orar pelas pessoas e ministrar àqueles que necessitam.

232
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do que a Deus

Seu exemplo deixou uma marca em minha vida. Pessoas de integrida­


de agem da mesma maneira em situações grandes ou pequenas. Faça sol
ou faça chuva, estão ali. Têm perseverança e um forte senso de propósi­
to. Não se tornam inconstantes quando há tempestades, perseguição ou
obstáculos de qualquer tipo.
Se você quiser ter sucesso no Reino de Deus, seja constante naquilo
que Ele o chamou para fazer! Pessoas hipócritas não são constantes em
seus princípios, e retrocedem frente às dificuldades. Fazem parte de uma
igreja e, ao mesmo tempo, estão visitando outra para ver se esta pode
lhes oferecer mais privilégios. Quando surge uma oportunidade, deixam
aquela igreja também, ignorando se é Deus que os está motivando a isso
ou não. São instáveis em seus caminhos, estão sempre experimentando
uma nova oportunidade, mas sem um genuíno senso de direção. São
como nuvens que vão de um lugar para o outro. Decida hoje tornar-se
solidamente fundamentado na Palavra de Deus! Torne-se estável no lu­
gar onde Deus o plantou.

Uma pessoa de integridade está disposta a arriscar a própria vida


A pessoa íntegra guarda o princípio da integridade e os mandamentos de
Jesus, aconteça o que acontecer. Se tiver de perder a vida no processo,
ela a perde, mas não quebra os mandamentos de Deus.
Uma pessoa de integridade é chamada a viver e morrer por Cristo. Ela
não tem nada a perder. Não é como aquele cristão que é chamado a viver
para Jesus, mas, quando as coisas ficam difíceis, não está disposto a sacri­
ficar-se. Decida ser um herói para Cristo, mesmo que para isso tenha de
ser um mártir. Crucifique sua carne e diga: “Senhor, se eu viver, vou
viver para Cristo. Se tiver de morrer, vou morrer por Cristo”. Quando
fizer isso, o temor do homem o deixará para sempre.
Os fariseus foram a Jesus e disseram: “Saia daqui e vá para outro
lugar. Herodes quer matá-lo”.
A resposta de Jesus foi: ‘Vão di^er àquela raposa: Expulsarei demônios e
curarei o povo hoje e amanhã, e no terceiro dia estarei pronto” (Lucas 13.31, 32).
Ele era um homem de grande sofrimento e dor, mas também de grande
determinação. Seu semblante era firme como a rocha; Ele foi ajerusalém
e fez o que tinha de fazer. Em Hebreus lemos:

233
Evitand o as d oze transgressões

Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela
alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e
assentou-se à direita do trono de Deus.
- Hebreus 12.2

Posso imaginar o Senhor dizendo: “Esta vergonha não importa para


mim. Vou deixar esta dor de lado. Ela vai passar. Vou cumprir a vontade
de Deus. Vou derrotar a morte, e vou fazer o que Deus me enviou a
fazer. Verei os resultados tremendos, e minha alma se alegrará”.
Se você deseja ter raízes profundas no evangelho, deve ser capaz de
fazer esta oração aí mesmo onde está: “Senhor, estou disposto a viver
para ti e a morrer por ti”.

Uma pessoa de integridade é cautelosa em relação à imagem oue


projeta
santidade é um dom, mas a ética precisa ser cultivada. Hoje em dia, cuidar da
sua imagem é um conceito popular, mas a imagem da qual todos querem
zelar tem mais a ver com nosso exterior. Ouvimos muito sobre projetar
uma boa imagem comercial e profissional. Somos instruídos a nos “ves­
tir para o sucesso”. Há toda uma indústria dedicada a cuidar da nossa
imagem, mas sua especialidade é verificar se estamos no peso certo, e se
estamos usando o carro, as roupas, o cabelo, o rosto e as unhas certos
para a profissão que escolhemos. Não é desta imagem que estou falando.
Precisamos estar mais preocupados com a imagem de Jesus que
projetamos em nosso ministério. A pessoa de integridade é aquela que
aprendeu a projetar a santidade. A santidade é como uma fita de vídeo
que Deus coloca dentro da sua vida. Ele remove o vídeo mundano e
lhe dá uma nova fita. No entanto, se não houver uma tela onde esta fita
possa ser reproduzida, ela não poderá ser vista. Muitos cristãos têm
guardado seu novo vídeo de santidade em seu interior, mas, em seu
local de trabalho, a fita nova não é vista. Ou a tela fica desligada, ou a
fita é exibida de form a negligente. Uma mensagem mista irá confundir
os espectadores.
Um cristão que projeta a santidade de forma correta em seu local de
trabalho não assina declarações falsas. Não faz questão de trabalhar ape-

234
A transgressão de Pedro: Temendo mais o homem do oue a Deus

nas o tempo mínimo requerido e nem se esquece de suas obrigações


quando o chefe não está por perto. Um cristão que caminha em integri­
dade ligou o “vídeo da santidade” no monitor da sua vida para poder
projetar claramente a imagem de Cristo.
A tela onde a imagem da santidade é projetada é a nossa conduta
diária. E por isso que João Batista disse: “Dêem fru tos que mostrem o arre­
pendim ento” (Lucas 3.8). Não devemos apenas nos arrepender, mas tam­
bém produzir frutos que mostrem ao mundo a evidência do nosso arre­
pendimento.
Cuide de sua imagem —não de sua imagem carnal —mas da imagem de
Jesus na sua vida. Siga o conselho dado em 1 Coríntios 10.23, 24:

‘Tudo é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo é permitido”, mas


nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o
dos outros.

Este verso está falando da imagem da qual realmente precisamos


cuidar. A Bíblia não nos diz especificamente como devemos nos vestir,
mas há princípios de decência. Antes de vestir-se, seja você pobre ou
rico, deve se perguntar: “Senhor, estou projetando a santidade? Estou
projetando a imagem de Jesus Cristo?” O que escolhemos vestir não
deve ser ditado por regras específicas de vestuário —os princípios que
devem governar nossa aparência são aqueles que nascem de nosso amor
por Cristo.
Ouvi o testemunho de uma senhora que, antes de sua conversão, era
uma cantora de música latina. Ela disse que costumava se vestir de for­
ma sedutora e mostrar o máximo que pudesse de seu corpo, já que isso
era bom para sua carreira artística. Entretanto, depois que aceitou a Cris­
to como seu Salvador, movida pelo profundo amor que passou a sentir
por Ele, mudou sua aparência e começou a vestir-se de forma a agradá-
lo, sem que ninguém lhe tivesse dito o que deveria ou não usar. Quando
se olhava no espelho, ela podia sentir se o que estava usando agradaria a
Jesus.
No verso acima, o apóstolo Paulo explicou com cuidado que tudo
nos é permitido, mas nem tudo convém. Tudo nos é permitido, mas nem
tudo edifica. Ele nos deu exemplos de sua própria vida que mostram o

235
Evitando a$ d o ze transgressões

zelo com que guardava sua integridade. Ele disse: “Se comer carne assa­
da escandalizar um irmão que não come carne, então, por amor a ele, não
vou mais comer carne, embora isso não seja pecado. Pelo amor que sinto
pelos outros, quero projetar a eles uma imagem que reflita a Deus”. A
imagem que Paulo projetava atraía as pessoas a Jesus.

Como vencer a hipocrisia

Você quer evitar a transgressão de Pedro? Para concluir este capítulo,


permita-me oferecer estes sete passos adicionais para a nossa completa
liberdade.

1. Encontre um confrontador e permita-lhe livre acesso ao seu círculo


íntimo de amizades. Dê-lhe também ampla permissão para falar à
sua vida conforme necessário. Paulo confrontou Pedro, e o profeta
Natã confrontou o rei Davi (1 Sm 11; G1 2.11). Cada um de nós
precisa de alguém disposto a nos desafiar quando saímos do cami­
nho.
2. Torne-se uma pessoa segura. Aqueles que procuram agradam o ho­
mem não apenas são maus líderes, mas também nunca vivem em
santidade (G12.12). Suas inseguranças sempre o levarão a aceitar uma
conduta hipócrita.
3. Coloque uma distância sábia entre você e os hipócritas. Tome cuida­
do! A hipocrisia é contagiosa (G1 2.13). Ela pode se alastrar numa
igreja assim como o fermento que se espalha na massa do pão.
4. Considere a hipocrisia como veneno espiritual. Hipocrisia é pecado —
não um erro insignificante (G1 2.14). Nunca subestime o poder malé­
fico da hipocrisia. Quando Paulo a discerniu, confrontou-a com ousa­
dia.
5. Seja constante. Identifique suas áreas de inconstância, e ore para mudá-
las (G1 2.14).
6. Pregue princípios, não apenas regras. Evite o legalismo, que focaliza a
justiça própria, e não a fé (G1 2.15).
7. Quando estiver sob pressão, não retroceda. Não reconstrua velhos
hábitos mundanos (G12.18).

236
A transgressão de Redro: Temendo mais o homem do Que a Deus

Nossa meta deve ser podermos dizer com o apóstolo Paulo:

Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de
Deus, que me amou e se entregou por mim.
- Gúlatas 2.20

Uma oração de arrependimento

Senhor, que o capítulo 2 de Gálatas seja selado com fogo em meu coração. Eu me
humilho diante de ti e te peço que removas quaisquer traços negativos que eu tenha
assimilado de minha sociedade, todos os maus hábitos que aprendi de minha cultu­
ra, e todas as tendências de querer demonstrar algo que não sou. Remove de minha
vida a desonestidade, os exageros, a mentira, e tudo que carece de integridade. Fa^e-
me uma pessoa integra e sincera. Amém.

237
A transgressão do jovem rico:
Recusando-se a abrir mão
do último ídolo

lgum tempo atrás, levei meu notebook para ser revisado por
alguns técnicos em informática. Dois deles, um mais experi­
mentado que o outro, trabalharam por mais de duas horas em
minha máquina. Fiquei ali, observando, e vi que estavam tentando de
tudo. Por fim, devolveram-me o computador e disseram: “Não há nada
de errado com seu computador. Todos os componentes estão operando
normalmente, incluindo o modem, mas não conseguimos entrar na
Internet”.
Fiquei confuso. Como todos os componentes poderiam estar operan­
do normalmente, se eu não conseguia entrar na Internet? Não sei se
você já teve traumas de computador e crises de softivares, ou como conse­
gue lidar com isso, mas eu comecei a orar sobre o problema. Preciso
conectar-me à Internet a fim de manter minha correspondência atualiza­
da com meus auxiliares e minha família.
Então me lembrei que um dos técnicos me falara que, provavelmen­
te, eu teria de reformatar o disco rígido inteiro. Reformatar significa
primeiro salvar todas as informações, depois limpar toda a memória do
seu computador. As informações previamente salvas podem então ser
Evitand o as do/x transgressões

reintroduzidas de forma organizada e, após este procedimento, seu com­


putador deve funcionar normalmente. É como passar uma esponja no
passado e começar tudo de novo.
Fiz exatamente isso. Meu computador voltou a funcionar e continua
funcionando. Cheguei à seguinte conclusão: há tempos em que temos a
impressão de que tudo está bem em nossa vida cristã. Não encontramos
pecados terríveis e nossas vidas estão de acordo com as Escrituras. Pare­
ce que estamos bem, mas, por alguma razão, somos ineficientes no Reino
de Deus. Precisamos ser reformatados!
Há pessoas que vivem assim. Fazem o melhor que podem, mas nunca
obtêm resultados. Sentem-se como se não tivessem valor no Reino de
Deus. Pensam que jamais vão fazer alguma diferença. Algumas estão na
igreja há anos, mas não conseguem mostrar uma coisa significativa que
tenham contribuído para sua igreja. O cristianismo ineficiente e infrutífe­
ro é trágico porque toda a Bíblia nos conclama a lançarmos mão do
poder de Deus, a fim de alcançarmos pessoas para Cristo.
Se você entender a mensagem deste último capítulo, vai entender
melhor todos os outros. Este capítulo é tão radical, tão conclusivo, que
se co n segu irm o s entender bem esta lição, estarem os p rontos e
posicionados para um ministério efetivo. Se você evitar esta transgressão,
meu irmão e minha irmã, você se tornará um cristão cinco estrelas.

Descobrindo o último ídolo

Durante seu ministério, Jesus teve um encontro com um jovem judeu


rico. Este jovem provavelmente havia nascido numa família privilegiada.
E certamente recebera ensino religioso. A Escritura nos diz:

Certo homem importante lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para
herdar a vida eterna?”
“Por que você me chama bom?”, respondeu Jesus. “Não há nin­
guém que seja bom, a não ser somente Deus. Você conhece os manda­
mentos: ‘Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso
testemunho, honra teu pai e tua mãe’.”

240
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do último ídolo

“A tudo isso tenho obedecido desde a adolescência”, disse ele.


Ao ouvir isso, disse-lhe Jesus: “Falta-lhe ainda uma coisa. Venda
tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um
tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”. Ouvindo isso, ele ficou tris­
te, porque era muito rico. Vendo-o entristecido, Jesus disse: “Como é
difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!
- Lucas 18.18-24

Jesus foi capaz de discernir o que estava errado com o “disco


rígido” deste jovem. Ele sondou sua alma e descobriu um ídolo invi­
sível que obstruía sua vida espiritual. Da mesma maneira, Deus quer
que encontremos aquela “coisinha” —que às vezes não sabemos o que
é —e que a mudemos. Se formos ineficientes, se a nossa consciência
não estiver limpa, é porque há algo que precisa ser mudado, apesar de
ainda não ter sido identificado. Se você é um cristão sincero e com­
prometido, a boa notícia é que o Senhor não o está chamando para
mudar tudo. Está chamando-o a mudar a última transgressão, a des­
pojar-se de seu último ídolo.
O jovem rico, provavelmente um líder de sinagoga, era um homem
bem-sucedido. No entanto, havia uma questão que ardia em seu coração:
“Jesus, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”
Jesus respondeu a esta pergunta de forma diferente em ocasiões dife­
rentes. A um advogado que fez a mesma pergunta, Ele lhe disse que
amasse a Deus e ao próximo (Lucas 10.25). Mas, a este jovem, Ele pediu
para vender tudo, entregar o dinheiro aos pobres e depois segui-lo. O
Senhor não disse a cada pessoa rica que abrisse mão de suas riquezas.
Mas foi o que ordenou a este jovem. Há um princípio por trás disso.
O Senhor penetrou o coração deste jovem e encontrou seu último
ídolo. A última transgressão é sempre um ídolo. E sempre alguma coisa que
amamos mais do que a Deus. Está sempre escondida em algum recôndito
secreto dos nossos corações. Alguns dizem: “Espírito Santo, perdão.
Esta é a única área onde o Senhor não pode entrar”. Esteja certo de que
Jesus irá iluminar esta área em seu coração com sua luz penetrante! Ele
sabe que há um ídolo oculto na escuridão de sua alma.

241
Evitand o as d oze transgressões

Muitos cristãos são ineficientes porque, embora tenham dado 90% de


suas vidas ao Senhor e estejam vivendo de acordo com os seus mandamen­
tos, guardaram cuidadosamente os últimos 10% —ou talvez apenas 2 ou 1%
—e estão reservando-os com toda sua força, para si mesmos.
Tiago 2.10 diz que se alguém “obedece a toda a Lei, mas tropeça em
apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente”. Não po­
demos viver em cima do muro. Nenhuma das leis de Deus é sem impor­
tância. Todas devem ser honradas. Muitas vezes, por termos entregado
uma grande parte de nossa vida, podemos pensar que cumprimos toda a
vontade de Deus. Até alguns ministros de tempo integral acreditam que
têm permissão para esconder pequenos ídolos nos “armários” particula­
res de suas vidas. Mas são estes pequenos ídolos que podem nos impe­
dir de produzir frutos no Reino de Deus.
Talvez você esteja dizendo: “Não sei se entreguei 100% de minha
vida ao Senhor. Talvez ainda haja um ídolo em meu coração. Talvez haja
alguma área que não rendi a Jesus Cristo”. Não fique desanimado. Você
pode dar os seguintes passos à rendição total.

Passos para a rendição total

Se você possui ídolos ocultos em seu coração, decida hoje removê-los


de sua vida. Estes seis passos irão destruir o último obstáculo que impe­
de sua vida espiritual e sua eficácia no ministério:

1. Você pode chamar Jesus bom, mas saiba Que Ele é Deus
O jovem de Lucas 18 era muito bem-intencionado. No relato de sua
história em outro Evangelho, lemos que ele “correu em sua direção e se p ô s de
joelh os diante dele” (Marcos 10.17). Ele foi muito reverente diante de Jesus
e chamou Jesus bom mestre. Mas isso não era o bastante. Era como se Jesus
estivesse lhe dizendo: “Se você me chama bom, é m elhor que fique
sabendo que sou Deus. Do contrário, não me chame bom”. Isso também
se aplica aos cristãos de hoje.
A religião pode tornar-se algo casual. Aqueles que sempre estiveram
na igreja podem ser tentados a desenvolver uma atitude de indiferença

242
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do úUiino ídolo

para com D eus, dizendo: “Bom Senhor, eu o admiro, o Senhor é


dem ais”. M as não demonstram reverência, respeito, ou temor genuíno
de Deus, e não têm disposição de obedecer prontamente. Talvez seja
porque se tornaram tão familiarizados com Jesus que o tratam como
um bom mestre.
Jesus é mais que um bom mestre. Ele é o Senhor Todo-poderoso. O
próprio Jesus disse que aqueles que o adoram, devem adorá-lo “em espíri­
to e em verdade” (João 4.23). Não devem adorá-lo em sua carne; não devem
simplesmente comparecer a um local religioso, mas devem estar comple­
tamente comprometidos com a vontade do Senhor. Precisamos deixar de
ser admiradores para ser adoradores.
Portanto, a primeira coisa não é chamar Jesus bom, mas obedecê-lo
como Deus. Em Mateus 7.21-23, lemos que muitos naquele dia dirão:
“Senhor, Senhor, em teu nome fizemos todas estas coisas”, mas o Se­
nhor lhes dirá: “A fastem-se de mim vocês, que praticam o m al!” Eles o chama­
ram “Senhor, Senhor” casualmente. Expressaram boas palavras para Ele,
mas não estavam dispostos a entregar tudo e obedecê-lo completamente
— obedecê-lo como Deus.

2. Guarde os mandamentos e ouça o Comandante


Em Lucas 18.19, Jesus perguntou ao jovem rico por que ele o chamava
bom. Em seguida, assegurou-lhe que ninguém é bom exceto Deus. Ele
estava dizendo que precisava mais que meras palavras bonitas. Ele esta­
va pedindo obediência, receptividade e rendição. Muitas pessoas tentam
guardar os mandamentos, mas não dão ouvidos ao Comandante. Seus
olhos e ouvidos não estão sintonizados com o que Deus está dizendo à
sua igreja hoje. Podem até guardar uma lista de regras religiosas, mas
ignoram a voz do Senhor.
Algum tempo atrás, numa cruzada em que eu estava pregando, um
homem veio à segunda reunião com um caminhão lotado de caiaques,
barcos, material para remo e itens esportivos. A princípio, não entendi
sua atitude porque não havia dito qualquer coisa sobre esportes na reu­
nião anterior. Ao conversar com o pastor local, entretanto, descobri que
o envolvimento daquele homem com o esporte havia se tornado num
ídolo para ele. Atividades ao ar livre, que não são más em si mesmas,
eram agora o principal foco de sua vida.

243
Evitando as d i v c transgressões

Quando tomou consciência disso, ele veio à cruzada aquele dia e


abriu mão de tudo. Ele não queria ter nenhum ídolo. Este homem não
estava apenas fazendo o melhor que podia para guardar os mandamentos
bíblicos, ir à igreja regularmente, dar seus dízimos e servir o Senhor o
melhor que pudesse. Ele também ouvira a voz do Senhor, falando sobre
as coisas que estava idolatrando. Diferentemente do jovem rico, ele esta­
va disposto a obedecer.
Você sabia que o coração humano pode transformar qualquer coisa
num ídolo? Conheci uma mulher que teve de iniciar um “jejum ” de
roupas novas, porque a moda se tornara um ídolo para ela. Para outros, a
comida pode ser seu ídolo. As vezes, até certos relacionamentos podem
ser ídolos que nos impedem de obedecer à voz de Deus.

3. Agradeça a Deus por ter sido fiel a Ele no passado, mas não
conte com isso para sua espiritualidade presente
Jesus disse ao jovem rico:

“Você conhece os mandamentos: ‘Não adulterarás, não matarás, não


furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe’.”
“A tudo isso tenho obedecido desde a adolescência”, disse ele.
- Lucas 18.20, 2 1

Em outras palavras, este jovem estava declarando: “Tenho a doutrina


certa. Recebi a educação certa. Sou uma pessoa obediente e disciplinada.
O que mais posso entregar a ti?” Quando acreditamos que nossa obedi­
ência passada ou nossas doutrinas certas irão nos salvar, sempre estare­
mos em problemas.
O profeta Ezequiel lidou com este tipo de pensamento, dizendo
clara e inequivocamente como devemos olhar para nossa obediência
passada:

Por isso, filho do homem, diga aos seus compatriotas: “A retidão do


justo não o livrará se ele se voltar para a desobediência, e a maldade do
ímpio não o fará cair se ele se desviar dela. E se o justo pecar, não
viverá por causa de sua justiça”. Se eu garantir ao justo que ele irá viver,

244
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do último ídolo

mas ele, confiando em sua justiça, fizer o mal, de suas ações justas nada será
lembrado; ele morrerá por causa do mal que fez.
- Ezeouiel 33.12, 13

Todo o seu passado religioso, toda a sua boa educação, todo o seu
bom preparo e treinamento nos caminhos do Senhor nada significarão se,
no presente, você estiver andando em desobediência. Se ainda houver
idolatria em seu coração, não importa o bem que você tenha feito no
passado, em que posição tenha servido na igreja ou quantos versos da
Bíblia tenha memorizado. Hoje você está em falta com Deus. Os ídolos
do presente anulam nossa obediência passada.
Já fui assim. Certa vez, estava numa reunião onde havia um pregador
chamando as pessoas ao altar do arrependimento. Enquanto ouvia, des­
cobri que estava contabilizando minha justiça. Pensei comigo: listou bem
em todas as áreas. Sou um servo do Senhor. Vou a muitas conferências e reuniões de
oração. Mas ainda havia um ídolo em meu coração. Tinha algo no coração
que ainda não havia rendido. Fui à frente com muitos outros para me
arrepender e renunciar àquele ídolo.
Quando estamos na presença do Espírito Santo, Ele tem uma maneira
especial de falar aos nossos corações e mostrar nossos ídolos. Não resis­
ta ao holofote do Senhor quando Ele começar a sondar sua alma.
Quando nos dispomos a buscar mais santidade, também precisamos
estar atentos para a condenação. Há uma grande diferença entre o mi­
nistério do Espírito Santo e a obra de Satanás em nossas vidas. Se não
aprenderm os a distinguir entre estes dois ministérios, podemos achar
que são a mesm a coisa. Satanás traz um senso geral e confuso de culpa
aos nossos corações e mentes. A Bíblia o chama de “acusador dos nossos
irmãos” (Apocalipse 12.10). Apesar de ter sido lançado fora do céu,
como nos mostra o livro de Apocalipse, ele ainda mente para nós com
acusações. Ele tenta nos oprimir com o peso da culpa; esta é a obra de
Satanás.
Alguns cristãos confundem esta obra do Diabo, pensando ser o Espí­
rito Santo que os está atormentando. O Espírito Santo não trabalha as­
sim. A Bíblia nos ensina que o ministério do Espírito Santo não consiste
em trazer culpa às nossas vidas. Pelo contrário, Ele traz convicção espe­

245
Evitando as d o /e transgressões

cífica. O Espírito Santo aponta algo específico em nossos corações e


diz: “Este é o seu ídolo”. E Ele não apenas mostra o pecado, oferece
também uma forma de escape.
Jesus não disse ao jovem rico: “Você é culpado. Há algo errado em
sua vida, mas não vou lhe dizer o que é. Você não vai conseguir”. Ao
contrário, Jesus lhe disse: “Falta-lhe uma coisa, uma única coisa. Se você
me obedecer nesta área, poderá me seguir”. Ele identificou com precisão
seu amor ao dinheiro.
O Senhor é muito específico conosco. Se ainda houver um ídolo em
seu coração, oro para que você ouça o que o Espírito Santo irá lhe
mostrar. Convicção de pecado não é uma maldição; é bênção. Convicção
é um toque do amor de Deus aos nossos corações, dizendo: “Meu filho,
há uma coisa atrapalhando você. Falta-lhe uma coisa”. Quando você
remover aquele último ídolo, será liberto.
Enquanto pregava numa cidade no sul da Argentina, tive a visão de
um relógio. Fiz o seguinte convite: “Se alguém neste recinto possui um
relógio roubado, por favor, traga-o ao altar”. Dois jovens vieram à frente.
Os dois eram cristãos. Um deles veio segurando o relógio como se esti­
vesse cheirando mal. Com o braço esticado, segurando o relógio com o
polegar e o indicador, ele o depositou na plataforma. Para aqueles dois
jovens, o relógio roubado era seu último ídolo.
Diferentemente do jovem rico, o Senhor não pediu àqueles jovens
que se livrassem de sua riqueza. Provavelmente, eles não tinham riqueza
alguma. Mas ainda tinham um ídolo —um artigo roubado que se haviam
recusado a devolver. Depois que a reunião acabou, aconselhei-os a de­
volver o relógio ao seu dono, já que agora o haviam entregado ao Senhor.
Aquele único ato os libertou do poder do pecado e os colocou no cami­
nho da obediência.

4. Esteja disposto a identificar, definir e destruir o último ídolo


Em Lucas 18.22, Jesus disse ao jovem rico: “Falta-lhe ainda uma coisa”. Ele
não lhe pediu para mudar tudo em sua vida —apenas uma. Talvez lhe
falte uma única coisa também, e, depois que este ídolo for removido, sua
alma ficará livre para servir a Deus como nunca antes. Seu ministério se
tornará efetivo em áreas onde antes foi infrutífero.

246
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do último ídolo

Quando criança, ganhei um anel especial de um parente que continha


um pequeno compartimento, onde se podia esconder coisas pequeninas.
Achei que seria muito divertido esconder um pedacinho de papel com
todas as respostas codificadas de meu próximo exame escolar. Preparei a
cola, coloquei-a no compartimento do anel e, durante um intervalo da
aula, mostrei para todos os meus amigos. “Olhem o que eu fiz!” disse-
lhes. “Ninguém vai notar.” Achei que meus planos de burlar o professor
eram muito inteligentes.
Coloquei a cola de volta no anel e, durante o exame, copiei a lis­
ta de respostas que preparara. Recordando isso agora, acho que gastei
mais tempo e tive mais trabalho preparando aquele minúsculo gabarito
de respostas, do que se tivesse estudado. E possível, até, que já
soubesse toda a matéria de cor por ter passado tanto tempo escreven­
do as respostas.
Certo dia, uma irm ã da igreja me falou: “Você sabia que o que fez é
pecado? E que você está enganando e mentindo por colar na prova?”
Arrependi-me diante do Senhor. Pedi a Ele que me perdoasse por ter
colado. Senti convicção de pecado em meu coração. Sabia que aquilo
estava errado, e mudei.
Recentemente, ouvi falar de uma nova tendência entre os estudantes
chamada “trapaceando na Internet”. Crianças, adolescentes e estudantes
universitários podem encontrar o trabalho de outra pessoa na Internet,
colocam seu nome nele e o entregam como se eles o tivessem feito.
Esta nova forma de trapaça é apenas um exemplo do que existe na
indústria do engano que está surgindo em nossa cultura hoje. Entregar
um trabalho escolar que você não fez é mentira. Quando você coloca
seu nome naquele trabalho, está dizendo que redigiu o texto —apesar de
não ser verdade. Pode parecer apenas um “pecadilho”. Devo admitir
que, a princípio, colar numa prova não parecia ser algo importante para
mim, até que a convicção de pecado veio ao meu coração. Em algumas
escolas, colar tornou-se um hábito. As pessoas ficaram viciadas na “emo­
ção” de colar, mentir e enganar seus professores. Este hábito pode vir a
se traduzir em comportamentos de adultos, tais como falsificar assinatu­
ras em cheques, usar identidades falsas, ou fraudar o ponto no trabalho.

247
Evitand o as d o ze tran.sgrcs.sõcs

Estes são atos flagrantes de mentira e engano. Embora não pareçam tão
ofensivos como cometer adultério ou matar alguém, se você pratica estas
coisas, é culpado de quebrar toda a lei divina.
Certa vez, durante um culto, uma jovem que provavelmente tinha
seus quatorze ou quinze anos, trouxe um livro cheio de recortes de
cantores e atores seculares e o deixou no altar. Não havia nada de mal
nas fotos em si; não eram lascivas ou sensuais. Quando perguntei àquela
jovem o que a fizera trazer aquele livro à plataforma, ela o folheou,
mostrando-me as fotos. Então disse: “Pastor, estas pessoas eram meu
ídolos, e quero me livrar deles”.
Em outra ocasião, vários cristãos trouxeram seus maços de cigarro à
plataforma. Alguns deles os esmagaram em ira, dizendo: “Não quero ter
nada a ver com este vício. Está prejudicando meus pulmões”. Tenho
visto cristãos trazerem drogas e todo tipo de fotos imorais ao altar.
E maravilhoso ver os cristãos livrando-se de seus últimos ídolos, E
um sinal de que Deus está limpando e purificando a sua igreja.
Talvez você seja uma pessoa que já pôs sua vida em ordem de
acordo com a Palavra de Deus. Talvez tenha desenvolvido um estilo
de vida de santidade —e o esteja vivendo. Talvez sua casa esteja em
ordem e organizada de acordo com os padrões bíblicos. No entanto,
se houver apenas uma área de pecado, Deus o está chamando a abrir
mão do seu último ídolo.
Talvez seu ídolo não seja algo tangível. Pode ser o orgulho, superio­
ridade religiosa, ou falta de perdão por uma ofensa que a igreja lhe fez.
Talvez seu ídolo o levou a determinar nunca mais ser vulnerável. Por ter
sido ferido por um cristão ou líder de igreja, talvez você decidiu jamais
voltar a servir a Deus de todo o coração como fazia antes.
Estes tipos de promessas podem atrapalhá-lo pelo resto da vida.
Eu os chamo “traumas religiosos”. Você precisa se livrar deles hoje.
Oro para que esta última transgressão seja removida de seu coração.
Que você se torne como criança no Reino de Deus. Que sua confian­
ça no Senhor seja renovada e, através disso, que a sua confiança no
corpo de Cristo —formado por seus companheiros de fé —seja reno­
vada também.

248
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do último ídolo

Um jovem que dirigia o louvor em uma de nossas cruzadas estava


ansioso por me contar algo no segundo dia. Quando acabei de pregar, ele
veio até onde eu estava e me disse: “Irmão Sergio, quero lhe confessar
algo. Ontem senti convicção de pecado por ver imoralidade em filmes e
na TV. Embora seja líder dos jovens e líder de louvor, eu assistia àque­
les programas e filmes assim mesmo. Sabia que isso era errado, por isso
fiz um novo compromisso com o Senhor. Decidi abrir mão da imoralida­
de para sempre”.
Testemunhos como os que incluí neste capítulo me fazem seguir em
frente, porque são testemunhos de pessoas que foram completamente
libertas. Elas não quiseram deixar nem a última transgressão em seus
corações.

5. Adote uma filosofia radical com respeito a dinheiro


Aqueles que levam a sério sua rendição total ao Senhor também são
radicais no que se refere a dinheiro. John Wesley costumava dizer: “Ga­
nhe tudo que puder, economize tudo que puder, e doe tudo que puder”.
Creio que esta é uma das melhores e mais bíblicas filosofias de mordo­
mia financeira.
Não estou pregando pobreza; estou pregando diligência. Podemos
ganhar tanto dinheiro quanto o Senhor nos permita ganhar. Devemos ter
um bom plano de poupança. E devemos estar prontos para dar generosa­
mente quando o Senhor precisa de nossos recursos para sua obra. Acre­
dito que o avivamento que está chegando vai nos custar muito financei­
ramente, porque este avivamento precisa percorrer o mundo inteiro. Pre­
cisamos desenvolver uma paixão por finanças —não no sentido de acu­
mular, mas de guardar e disponibilizar nossas economias para o Senhor.
Conforme Ele nos orientar, alcançaremos muitas pessoas usando os re­
cursos que Ele nos deu.
Para o povo judeu, prosperidade financeira era considerada um sinal
do favor divino. Talvez tenha sido por isso que o jovem rico relutou
com seu amor pelo dinheiro. Primeiro, ele se ajoelhou diante de Jesus
(Marcos 10.17). Mas quando ouviu o que Jesus tinha a lhe dizer, res­
pondeu: “Senhor, não sei se posso fazer isso. O que o Senhor está me
pedindo cria um conflito religioso dentro de mim. Fui ensinado duran­

249
E viland o as doze transgressões

te toda a minha vida —na escola da sinagoga —que prosperidade é uma


bênção do Senhor. Não quero ser pobre!”
Jesus nunca negou que a prosperidade seja uma bênção do Senhor.
Mas o problema é que quando nos recusamos a submetê-la à vontade do
Senhor, a prosperidade pode tornar-se em uma maldição.
Alguns cristãos precisam “jejuar” do uso de seus cartões de crédito
durante um mês ou mais. Se você está enredado em compra compulsiva,
consumismo e materialismo, você pode ser chamado por Deus a se livrar
de seus cartões de crédito. Se é casado, deve fazer isso em acordo com
seu cônjuge. Com esta atitude, você não apenas estará demonstrando
que abriu mão de seu último ídolo, mas, após algum tempo, poderá ter
uma surpresa bastante agradável ao descobrir que também se livrou de
suas dívidas pendentes. Isso também é bíblico e sábio.

6. PratiQue ética radical no trabalho


Jesus trabalhava bastante. Ele disse ao jovem rico: “Não quero que você
seja apenas meu admirador e que me chame bom; quero que você abra
mão de seu último ídolo e me siga. Tenho uma obra para você”.
Este jovem foi o discípulo que poderia ter sido mas nunca foi. Ele
representa um ministério abortado. Pelo que sabemos, ele nunca se tor­
nou um seguidor de Jesus. A Bíblia diz que quando Jesus lhe pediu para
entregar tudo, ele ficou muito triste. No grego, a palavraparalepos significa
que ele estava sofrendo; ele tinha um conflito interior. Ele não poderia
ser feliz com sua decisão.
Aqueles que se recusam a entregar o último ídolo, que se recusam a
se comprometer de todo o coração, irão sofrer. Eles sabem que perde­
ram a maior oportunidade de suas vidas - a chance de fazer parte da
equipe de Jesus. Se você não entrar para o time dele, vai sentir algo
incomodando o seu espírito, perguntando por que não entregou tudo. O
jovem rico realmente queria ser um discípulo de Jesus, mas também
queria manter suas riquezas. Não seja como ele!
Recentemente li esta declaração: “Não se vê a espiritualidade naquilo
que queremos fazer, mas naquilo que escolhemos fazer”. Somos espiri­
tuais não por termos desejos maravilhosos de o ser, mas porque esco­
lhemos seguir a Jesus. Somos espirituais quando fazemos a escolha de

250
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do último ídolo

submeter tudo ao Senhor. O segredo da santidade é o se g u ir - estar pron­


to para obedecer aos mandamentos de Jesus.
Certo dia, minha esposa e eu aterrissamos na cidade de São Francisco,
voltando da Ásia, e estávamos ansiosos por pegar o próximo avião e ir
para casa. Minha esposa foi até o balcão apanhar um cartão de embarque
enquanto eu preenchia alguns formulários em outro balcão. De alguma
forma, ela conseguiu chegar ao avião primeiro que eu. Quando cheguei
ao portão de embarque um minuto atrasado, fiquei surpreso ao ver que o
avião havia partido.
Se você já viajou de avião, sabe, como eu, que perder um vôo por um
minuto não é diferente de perdê-lo por uma hora. Quando o avião já foi,
já era! Os aviões provavelmente são os únicos meios de transporte na
terra que não possuem marcha a ré, pelo menos no ar! A porta do avião
foi fechada, e estava saindo do portão de embarque. Não havia como
pará-lo.
Expliquei aos oficiais da empresa aérea que fizera o possível para
chegar ao portão no horário. Atravessara o aeroporto correndo a toda
pressa. Falei-lhes sobre a multidão, o atraso na liberação de minha baga­
gem na alfândega e que minha esposa já estava naquele avião. Enquanto
conversávamos, outras quinze pessoas chegaram correndo ao portão —
também atrasadas, como eu.
Subitamente, o avião, que se afastara apenas alguns metros do portão
de embarque, parou. Vi os oficiais da empresa falando atentamente pelo
rádio. Para minha surpresa, vi aquele imenso avião andando para trás. A
aeronave demorou quinze minutos para voltar os poucos metros que se
afastara do portão. As portas se abriram, e todos os passageiros atrasados
puderam entrar!
Há pessoas que se sentem como se tivessem perdido o último “avião”
espiritual. Acreditam que jamais se sentirão felizes ou realizadas outra
vez. Talvez você seja uma delas. Talvez pense que perdeu o vôo e não
tem como chegar ao seu destino celestial. Mas quero lhe dizer que ainda
há oportunidade. Ainda vivemos na era da salvação; ainda estamos sob a
graça do Espírito Santo. O juízo final ainda não chegou. Não é tarde
demais.
Ainda há tempo para você se arrepender de qualquer falta de per­
dão, am argura do espírito ou recusa voluntária de ajudar o corpo de

251
Evitando as d oze transgressões

Cristo a cumprir seu ministério cabalmente. Ainda há tempo para abrir


mão do último ídolo.
Em Lucas 19, o capítulo seguinte à história do jovem rico, há uma
história sobre outro homem rico. Esta nos fala de Zaqueu, que renun­
ciou seu amor ao dinheiro e fez restituição por sua desonestidade. Ele
então se comprometeu a seguir a Jesus.
Zaqueu não era muito religioso. Na verdade, ele era ladrão e engana­
dor. Mas sua resposta a Jesus mostra que estava pronto a se comprome­
ter de todo o coração na obra do Senhor:

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dan­


do a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma
coisa, devolverei quatro vezes mais”.
- Lucas 19.8

Alguns caçadores africanos muito espertos decidiram usar uma arma­


dilha engenhosa para apanhar macacos. Usam uma garrafa com uma aber­
tura suficiente para um macaco espremer sua mão dentro dela. A garrafa
contém amendoim ou doces —algo muito atrativo para estes animais. O
macaco enfia a mão na garrafa, mas, quando está cheia de amendoins, não
consegue tirá-la da garrafa. Neste curto espaço de tempo em que o ma­
caco está decidindo se vai “abrir mão” de sua guloseima, uma rede é
lançada sobre ele, e o macaco está preso.
Satanás quer seduzir o povo de Deus com coisas pequenas. Algumas
pessoas se deixam prender por coisas insignificantes e, por pensarem
que estes pecados não são importantes, elas se recusam a abrir mão
dessas pequenas tentações. Estão com suas mãos fechadas fortemente,
segurando seus pequenos ídolos. Estão determinadas a nunca abrir mão
deles. Seu coração puxa forte para conseguir e reter estas coisas, mas não
sabem que uma rede está prestes a ser lançada sobre elas.
A rede não vem de Deus - é uma armadilha do destruidor. A Bíblia
nos diz que Satanás “anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa
devorar” (1 Pedro 5.8).
Imploro para que você abra sua mão e entregue ao Senhor tudo que o
impede de segui-lo de todo o coração. Talvez seja uma relação que pas-

252
A transgressão do jovem rico: Recusando-se a abrir mão do último ídolo

sou de um bom namoro cristão para um laço de imoralidade. Talvez seja uma
relação amorosa ou um sentimento de afeição contrário à vontade de
Deus. Talvez suas emoções estejam presas ao tipo errado de amizade ou
relação, e você sabe disso. Você está dizendo: “Sim, quero servir a Deus”.
Mas sua mão está segurando aquela relação com força. Podem ser bên­
çãos materiais ou uma carreira profissional. Podem ser atitudes ou emo­
ções em seu coração, que não foram resolvidas à maneira de Deus. Pode
ser algo que só você conhece —um ídolo secreto escondido numa pe­
quena fenda do seu coração.
O que é que você precisa depositar no altar do Senhor?
O jovem rico ficou muito triste porque era incapaz de renunciar o
que representava sua última transgressão, seu último ídolo. Mas Zaqueu
ficou feliz quando se encontrou com Jesus porque estava disposto a
entregar seu tudo.
Não importa quantos pecados ou transgressões você tenha cometido
em seu passado. Se você se arrepender boje, Deus limpará as páginas de
sua vida por completo. Ele o purificará totalmente. Ele apagará todo o
seu disco rígido e reformatará sua vida espiritual!
Também não importa quanta justiça ou atividade religiosa haja em
seu currículo espiritual. Se você se recusar a entregar seu último ídolo,
está num estado de pecado, e a graça de Deus será removida de sua
vida.
O desejo do meu coração é que você entregue seu último ídolo a
Deus e experimente seu poder transformador. Isto o fará uma pessoa
completamente consagrada a Ele, e que o ama de todo o coração.

Uma oração de arrependimento

Pai, oro por um milagre agora mesmo. Oro para que quaisquer ídolos que ainda
estejam em meu coração sejam aniquilados pelo poder do teu Hspírito. Oro para que
as barreiras sejam destruídas e para que quaisquer correntes que ainda estejam
prendendo meus pés sejam abertas para que eu possa ouvir o som espiritual de cadei­
as de escravidão sendo quebradas em minha vida.
Oro, ó Deus, para que toda amargura, ressentimento e depressão sejam removi­
dos. Liberta-me, Senhor. Peço-te que venhas eJales comigo outra ve^ dizendo: 'Isto

253
Evitando as doze transgressões

éa última coisa que lhefalta Pai, porfavor, fala comigo mais uma ve% Eu te suplico
p or outra oportunidade. Agora, pelafé, rendo a ti cada ídolo. Obrigadopor teuperdão.
Eu não o mereço, mas o aceito.
Senhor, renova meu ministério, que esteve adormecido. Uberta-me para que eu
possa experimentar a alegria de estar 11a tua vontade. Fa-^e de mim um nistão
eficaz Senhor.
Em nome de Jesus, amém.

254
Notas

Capítulo 1
Quando a fraoueza se torna pecado
1. Fonte obtida na Internet: Signs and Wonders in the Writings o f the
Early Church Fathers (Sinais e Maravilhas nos Escritos dos Pais da
Igreja P rim itiv a), w w w .geocities.com /heartland/fields/2418/
church_fathers.html. Acessado dia 11 de junho de 2002.
2. J o h n Foxe,F oxe’s Book o f Martyrs (0 Livro dos Mártires deFoxe) (Springdale,
PA: W hitaker House, 1981), p. 24.
3. Ibidem, p. 22.

Capítulo 2
Usando meios carnais para obter bênçãos divinas
1. Allan Redpath, lead ership (Uderança), Vol. 3, N.° 2.

Capítulo 3
Carisma sem caráter
1. Joshua Harris, E u Disse A deus ao Namoro (Editora Atos, Belo Horizon­
te, 2001), p. 30, 32.
Evitando
,ransgressoes
asl)oze~

Evite as armadilhas espmtuais que pôãem levá-lo a trüpeçar!

Cristãos, mesmo aoueles líderes bem-intensionados, cometem transgressões Que podem provocar uma
devastadora reação em cadeia, liberando venenos perigosos em casamentos, famílias, carreiras e no próprio
Corpo de Cristo. Agora você poderá identificar doze transgressões à Palavra de Deus, escondidas nas sombras,
esperando para coibir a santidade e obstruir sua relação com Deus.

Você não é o único a lutar contra opecado!


Veja, na Palavra de Deus, como gigantes espirituais aprenderampreciosas lições devida.

Neste livro você encontrará doze personagens bíblicos que amavam profundamente a Deus mas, em.sua
humanidade e ignorância, cometeram graves erros Que interromperam o progresso espiritual deles. Alguns se
arrependeram a tempo e foram poupados; para outros, no entanto, o efeito de suas impensadas ações foi
irreversível. Todos pagaram um alto preço pelos pecados cometidos. Por estas páginas você encontrará ajuda
para não repetir os mesmos erros do passado, caminhar em direção à cura espiritual e. principalmente, buscar
uma vida mais consistente de serviço cristão.

Ao ler Evitando as Doze Transgressões, a verdadeira condição do seu coração será exposta e. ao mesmo
tempo, você receberá encorajamento, restauração e princípios bíblicos para fortalecê-lo na sua jornada
espiritual.

Sergio Scataglini foi pastor da Igreja Puerta dei Cielo. na cidade de La Plata, Argentina. É mestre em
teologia pelo Seminário Teológico Fuller em Pasadena. Califórnia. Deus tem dado a Sergio um ministério de
infundir nas pessoas a paixão pela vida de santidade. Hoje, ele leva esta mensagem pelo mundo inteiro.

ISBN 85-7607-010-3