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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

UNIDADE ACADÊMICA CENTRO DE TECNOLOGIA


CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA

PLANO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ANALISE TEÓRICO-PRATICA DA PRODUÇÃO DO GÁS DE SÍNTESE A


PARTIR DE BIOMASSAS ABUNDANTES NO ESTADO DE ALAGOAS EM
UMA PLANTA DE GASEIFICAÇÃO DE LEITO DESCENDENTE
"DOWNDRAFT"

Autor: Christiano Santos Rolim Filho


Orientadora: Profª. Drª Karla Miranda Barcellos

Maceió
2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
UNIDADE ACADÊMICA CENTRO DE TECNOLOGIA
CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA

ANALISE TEÓRICO-PRATICA DA PRODUÇÃO DO GÁS DE SÍNTESE A


PARTIR DE BIOMASSAS ABUNDANTES NO ESTADO DE ALAGOAS EM
UMA PLANTA DE GASEIFICAÇÃO DE LEITO DESCENDENTE
"DOWNDRAFT"

Plano do trabalho de conclusão do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de


Alagoas como parte integrante dos requisitos para obtenção do título de Engenheiro Químico.

______ _________________________________________
Autor: Christiano Santos Rolim Filho

______________________________________________
Orientadora: Prof.ª Drª. Karla Miranda Barcellos

Maceió
2014
ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3
2. OBJETIVOS ................................................................................................................. 5
2.1. Objetivos Gerais ...................................................................................................... 5
2.2. Objetivos Específicos ............................................................................................... 5
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................... 5
3.1 Biomassa .................................................................................................................... 5
3.1.1. Conversão termoquímica da biomassa ................................................................... 6
3.2. Gaseificação .............................................................................................................. 7
3.2.1. Aplicações do gás de síntese .................................................................................. 8
3.3. Classificação dos gaseificadores ............................................................................. 8
4. METODOLOGIA ......................................................................................................... 9
5. CRONOGRAMA ....................................................................................................... 10
6. RESULTADOS ESPERADOS .................................................................................. 10
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 11
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1. INTRODUÇÃO

A tecnologia da gaseificação teve origem somente nas últimas décadas do século XVII, na
Inglaterra, quando o pároco da cidade de Croftenm Jonh Clayton, descobriu uma forma de produzir
gás a partir da destilação do carvão.Suas anotações só vieram à tona em 1739, depois de sua morte
(SOUZA,2004). Utilizando-se deste princípio, a primeira companhia de gás de carvão inicia operação
em Londres, em 1812, para iluminação pública(Groeneveld, 1980). Onde na Primeira Guerra Mundial,
as instalações foram modificadas para a gaseificação de biomassa e pouco antes da Segunda Guerra
Mundial, foram desenvolvidos os reatores de leito fluidizado (tipo Winkler) e os reatores de leito
arrastado (tipo Koppers-Totzek), tendo os mesmos sido desenvolvidos ao longo da Segunda Grande
Guerra. Porém, com o advento da era do petróleo barato, a gaseificação foi abandonada nos países
industrializados, sendo usada apenas em situações excepcionais na África do Sul, algumas regiões da
antiga União Soviética e em alguns países desenvolvidos. Tendo pouca evolução ápos a Segunda
Guerra Mundial, o carvão vegetal e a madeira continuaram a ser praticamente os únicos
biocombustíveis utilizados comercialmente (Foley, 1983). Alem da casca de arroz na China (Mahin,
1990).
Mais, recentemente, o rápido incremento dos preços do petróleo e os gases gerados a partir da
queima do mesmo, como o dióxido de carbono (CO2), óxidos nitrogenados (NOx) e de enxofre (SOx)
, tem gerado interesse renovado para aqueles combustíveis procedentes da biomassa via métodos
termoquímicos. A biomassa é reconhecida por muitos pesquisadores da área energética como uma das
mais relevantes novas formas de energia para produção de eletricidade tendendo a um crescente uso.
Podendo proporcionar opções para substituir as fontes convencionais de energia provenientes de
combustíveis fósseis.
No mercado atual existe uma possível demanda de gaseificadores especialmente do tipo
"downdraft, que podem ser utilizados para uma ampla variedade de biomassa, com simples e algumas
vezes nulos pré-tratamentos da mesma e a posterior utilização do gás em MCI (motor de combustão
interna) através de simples processos de limpeza (Rodriguez, 2007). Considerando tudo isso, a
gaseificação utilizando gaseificadores "downdraft" resulta numa boa e interessante alternativa, frente
aos atuais preços de outras fontes de energias como, por exemplo, do gás natural, uma possível
regulação do setor elétrico no que se refere à eletricidade gerada a partir da biomassa, faria com que
esta tecnologia obtivesse uma viabilidade econômica otimista para os anos vindouros. Segundo Stiegel
et al., (2001), para que a tecnologia de gaseificação seja a escolha correta num cenário futuro, ela deve
ter: uma eficiência térmica elevada (60% para ciclo combinado1), ter custos capitais menores que US$
1000/kWe2, muito pouco ou quase nada de emissões de enxofres (SO2 e S2) e óxidos de nitrogênio

1
Ciclo Combinado: União de dois ciclos com o propósito de aumentar a eficiência do processo.
2
kWe : Kilo-Watt (energia elétrica).
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(NOx), que possa utilizar todas as matérias primas a base de biomassa ou carvão que se encontrem
disponíveis. De todas as tecnologias atuais em desenvolvimento, as baseadas na gaseificação são as
únicas que têm o potencial para alcançar os objetivos descritos.
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2. OBJETIVOS

2.1. Objetivos Gerais

Este trabalho tem como objetivo analisar o gás de síntese produzido a partir da planta
de gaseificação construída no LASSOP (Laboratório de Sistemas de Separação e Otimização de
Processos), através de um cromatográfo a gás variando a alimentação de ar no mesmo e
caracterizar a biomassa ou as biomassas fontes de energia para a gaseificação.

2.2. Objetivos Específicos

 Calcular os balanços de massa e energia do gaseificador.


 Caracterizar a biomassa que será utilizada como fonte de energia.
 Determinar uma faixa de vazão volumétrica do ar que satisfaça o processo de gaseificação.
 Analisar a composição do gás de síntese, estabelecendo uma alimentação ótima.
 Calcular o poder calorífico do gás de síntese.
 Gerar dados para a utilização futura em processos de interesse.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 Biomassa

A biomassa é o termo utilizado para todo o material orgânico que provenha dos
vegetais e animais (incluindo as algas, as árvores, resíduos vegetais, resíduos animais,
resíduos sólidos urbanos (RSU), produtos biodegradáveis). A biomassa vegetal é produzida
pelas plantas verdes que convertem a luz solar no material que precisam para seu
desenvolvimento por meio da fotossíntese e inclui toda a vegetação da terra com base na
água, assim como todos os lixos orgânicos. O recurso da biomassa pode-se considerar como
matéria orgânica onde a energia da luz do sol é utilizada para promover as frações químicas.
A biomassa tem sido sempre uma fonte importante de energia para a humanidade e estima-se
que atualmente contribui na ordem de 10 a 14% como fonte de energia mundial [McKendry
(Part I), 2002].
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A caracterização da biomassa deve ser baseada em seu uso e trazer elementos para a
compreensão das propriedades determinantes, particulares a cada aplicação. O projeto de
sistemas especificos para o emprego da biomassa com fins energeticos requer um pleno
conhecimento das propriedades físicas e químicas do biocombustível. Dentre o estudo sobre
conversão termoquímica aplicamos alguns procedimentos que são eles:
 Analise imediata - Fornece as fraçõe, em peso, de umidade, volateis, cinzas e carbono
fixo de uma amostra de biomassa.
 Analise elementar- São obtidas frações, em peso, dos elementos constituintes da
biomassa. Os principais elementos são carbono, oxigênio e hidrogênio.As
concentrações de nitrogênio, enxofre e cloro também são levantadas.
 Poder calorífico de sólidos - pode ser determinado utilizando a técnica da bomba
calorimétrica, ela é utilizada para medir o calor liberado pla combustão do
biocombustível com oxigênio.Todas as amostras devem ser queimadas em oxigênio
puro com uma pressão de 30 bar (Sanchez,2010).

3.1.1. Conversão termoquímica da biomassa

As técnicas de aproveitamento energético aplicado à biomassa não são procedimentos


novos. No entanto, desde a década de 1970, estas técnicas têm progredido
extraordinariamente de tal forma que na atualidade têm-se tecnologias específicas que fazem
ressurgir a biomassa com expectativas energéticas; além disso existe uma tendência de
desenvolver processos para o refino destes combustíveis de forma tal que sejam fontes
energéticas acessíveis e de alta eficácia.
Os processos termoquímicos, são quatro os principais: combustão, pirólise,
gaseificação e hidrogenação. A combustão, a pirólise e a gaseificação, constituem
provavelmente as alternativas com maiores possibilidades da implantação industrial em curto
prazo para o uso dos resíduos lignocelulósicos.

 Combustão - constitui o sistema mais empregado para o aproveitamento de


resíduos lenhosos; representa cifras relativamente importantes dentro da estrutura
de consumo energético dos países menos desenvolvidos, sendo neste caso mais
favorecido o meio ambiente por ter menores a emissões de CO2 comparando-a
com as dos combustíveis fósseis Este processo termoquímico (combustão) domina
as aplicações industriais e residenciais na atualidade (Bhat e Agarwal, 1996).
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 Pirólise - Decomposição da matéria orgânica por meio da energia em forma de


calor numa atmosfera inerte ou em vácuo. Em outras palavras, trata-se de
descompor a matéria na ausência de oxigênio, o que favorecerá os processos de
oxidação. Submete-se a matéria orgânica a um aquecimento, de forma que
favoreça a ruptura das estruturas macromoleculares, criando-se produtos na forma
sólida, liquida e/ou gasosa.

 Gaseificação - A gaseificação é um processo termoquímico pelo qual se transforma


a biomassa num gás combustível (gás sínteses), mediante oxidação parcial com ar,
oxigênio ou vapor de água a altas temperaturas, tipicamente, na faixa de 800-900
°C. Este gás cujo poder calorífico se situa entre 4 – 6 MJ/Nm3, pode ser queimado
diretamente ou usado como combustível para motores de combustão interna e
turbinas a gás. Trata-se de uma operação que poderia se considerar intermediária
entre a “pirólise”, processo de decomposição térmica em atmosfera inerte, e a
“combustão”, na que se produz a reação em presença de uma atmosfera oxidante, o
ar (oxigênio) (Arauzo, 1999).

3.2. Gaseificação

A gaseificação é um processo pelo qual um combustível sólido ou líquido é


transformado num combustível gasoso. O combustível gasoso obtido é uma mistura, cujos
principais componentes são: hidrogênio (H2), monóxido de carbono (CO), dióxido de
carbono (CO2), metano (CH4) e nitrogênio (N2). O processo de gaseificação geralmente
acontece com temperaturas entre 800ºC e 1800ºC (HIGMAN e VAN DER BURGT,
2008).
Quatro etapas podem ser identificadas no processo de gaseificação: Secagem,
Decomposição térmica ou pirólise, combustão parcial de alguns gases, vapores e carvão
sólido(char), Gaseificação. E os meios de gaseificação utilizados são: Oxigênio, ar e vapor
d´água.
O objetivo principal da gaseificação é a conversão de biomassa em um gás
combustível, através de sua oxidação parcial a temperaturas elevadas. Este gás conhecido
como gás pobre é um energético intermediário, e poderá ser empregado mais adiante em
outro processo de conversão a fim de gerar calor, potência mecânica ou elétrica,
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adequando-se aos sistemas em que a biomassa sólida não possa ser utilizada. Este gás
combustível possui um poder calorífico relativamente baixo, por volta de 4 a 6 MJ/Nm3
em relação ao gás natural.

3.2.1. Aplicações do gás de síntese

A combustão do gás produto da gaseificação pode ter diversas aplicações. As mais


importantes são:
• Calefação: Produção de calor para usos industriais, calefação municipal, em hotéis,
etc.
• Eletricidade: Geração e/ou cogeração (MCI, motores stirling, motores de vapor,
turbinas de vapor (de pequena escala), GICC (ciclo combinado), célula a combustível
(hidrogênio)).
• Produtos químicos: Amoníaco, gás de síntese, etileno.
• Transporte: H , metanol, gasolina, diesel.
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3.3 Classificação dos gaseificadores

Segundo a forma na que o combustível e o agente da gaseificação entram em contato, os


gaseificadores são classificados em:

 Gaseificadores de leito arrastado("entrained bed gasifiers"), neste tipo são gaseificadas


partículas pulverizadas de combustível, suspenso num fluxo de oxigênio e vapor ou de ar
e vapor. São geralmente utilizados com combustíveis fósseis.

 Gaseificadores de leito fluidizado, ("fluidized bed gasifiers"),neste tipo, o combustível é


gaseificado num leito de partículas adequadas, fluidizadas pelo agente da gaseificação,.
Existem dois subtipos de gaseificadores de leito fluidizado: os de leito fluidizado
circulante e aqueles de leito fluidizado borbulhante.

 Gaseificadores de leito fixo ou móvel("fixed or moving bed gasifiers"), neste tipo, o


agente da gaseificação passa através de um leito formado por partículas sólidas do
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combustível. Dependendo do sentido do fluxo, do agente da gaseificação, estes


gaseificadores são clasificados em três: de fluxo ascendente (updraft), de fluxo
descendente (downdraft) e de fluxo lateral (sidedraft).

4. METODOLOGIA

A primeira etapa para o realização deste trabalho é a revisão bibliográfica. Nela o autor
buscará o apoio teórico necessário para desenvolver o trabalho e avaliar os resultados obtidos.
Inicialmente será feito o estudo do balanço de massa e energia para saber quantidade de ar
estequiométrico que satisfaz a reação, como avaliar a composição do gás, além do estudo da
analise da biomassa a ser utilizada e de alguns fenômenos que estão desenhados na planta
para a limpeza do gás.
Após a revisão na literatura necessária para desenvolver o projeto, será definido então a
biomassa , dependendo da disponibilidade da mesma, o fluido e material utilizado para a
limpeza do gás, adequados aos fenômenos físico e químico descrito em uma planta de
gaseificação.
Será então desenvolvida a analise da biomassa, adquirindo as habilidades necessárias
para realizar o balanço de massa e energia, definindo a partir disso a taxa de ar que será
alimentada no gaseificador, e estabelecer uma alimentação ótima.
Em seguida será feito ensaios com variações na taxa de alimentação de ar,obtendo
gases com composições e potenciais caloríficos diferentes, analisando a composição dos
mesmos em um cromatografo a gás.
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5. CRONOGRAMA

Segue abaixo o cronograma de atividades a ser desempenhado.

Tabela 1- Cronograma de atividades


Atividades Dez Jan Fev Mar Abril Maio Jun Julho
Revisão da
Bibliografia X X X X X X
Caracterização da
Biomassa X X
Balanço de massa e X
energia, taxa de ar X
Análise do X X X
Gaseificador
Análise gasosa X X X
Redação da X X X
Monografia
Defesa da X
Monografia

6. RESULTADOS ESPERADOS

Após a obtenção dos resultados obtidos através da planta de gaseificação instalado no


LASSOP, será feita uma comparação com outros estudos experimentais verificando se os
resultados obtidos são satisfatórios.
Para ilustrar os resultados e facilitar a compreensão dos mesmos serão feitos gráficos, e
desenvolvidos cálculos para as variáveis de estudo, sendo elas a taxa de ar de alimentação,
composição do gás de síntese, temperatura e o poder calorífico do mesmo .Os gráficos podem
ser comparados e avaliados, podendo obter as diferenças descritas na bibliografia.
Com estas análises em mãos o trabalho pode ser concluído que o bioma encontrado no
estado de Alagoas e a tecnologia da gaseificação, podem gerar uma alternativa para lugares
onde a energia é de difícil acesso e diminuir a dependência das fontes largamente utilizadas
nos dias atuais, sendo assim, uma fonte de energia renovável com alto potencial.
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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 GROENEVELD, M.J. The co-current moving bed gasifier. Ph.D. Thesis, Twente
University of Tehnology, The Nederlands, 1980.
 FOLEY, G.; GEOFFREY, B. Biomass gasification in developing countries. Energy
Information Programme, Technical Report No. 1, 1983.
 SOUZA, O. São Paulo, 450 anos luz, a redescoberta de uma cidade, COMGÁS
Natural e Editora de Cultura, 2004.
 MAHIN, D.B. Energy from rice residues. Bioenergy Systems Report, Published by
Winrock Internacional, Biomass Energy and Technology Project, 1990.
 SÁNCHEZ, C.G. Tecnologia da gaseificação de biomassa. Campinas,SP: Editora
Átomo,2010
 STIEGEL, G.J.; MAXWELL,R.C. Gasification Technologies: The path to clean,
Affordable Energy in the 21st Century, Fuel Processing Technology. Junho, 2001.
 McKENDRY PETER. Energy Production from Biomass (Part I): Overview of
Biomass. Bioresource Technology, Vol 83, Issue 1. Maio, 2002
 ZEVALLOS, A. Simulação da produção e combustão de gás de síntese oriundo de
gaseificadores de leito fixo. 2012, Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual
Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2012.
 RODRIGUEZ, C. Analise técnica - econômica de um gaseificador de biomassa de
100 kg/h para acionamento de um motor de combustão interna. , Dissertação
(Mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de
Guaratinguetá, 2007.
 BHAT, S. AGARWAL, P.K. The effect of moisture condensation on the spontaneous
combustibility of coal. Fuel, vol.75
 HIGHMAN, C. BURGT, M. Gasefication. 2nd ed. San Francisco: ELSEVIER, 2008.