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As tipologias da cultura organizacional segundo Charles Handy

Charles Handy, em 1989, se baseando em cima das ideias de Edgar


Schein e de Roger Harrison, desenvolveu quatro tipos para a Cultura
Organizacional em seu livro Compreendendo as organizações. Para explicar
isso melhor, ele relacionou cada tipo com um deus da mitologia grega,
definindo a cultura da organização.
1. Cultura do poder ou Cultura-de-clube – Zeus

A característica de uma cultura do poder é por ela ser bastante


centralizada, ter uma estrutura de teia com um poder ao núcleo dessa
teia, com a influência girando em torno desse núcleo. Ou seja, há uma
valorização maior aos funcionários que obedecem às ordens do
superior. Esse tipo é mais comumente encontrado em organizações
pequenas, sem muitas regras. Devido ao clima de competitividade
(todos são orientados a buscar resultado), isso pode prejudicar o
crescimento e o desenvolvimento dessa organização. Ele compara com
Zeus por ele representar o poder patriarcal, carismático e irracional.

2. Cultura de papéis – Apolo


Esse tipo de cultura tem como característica o excesso de burocracia
(por isso o nome de “papéis”), regras e procedimentos que devem ser
seguidos dentro da organização. Dentro dessa organização, os
funcionários se sentem mais confortáveis e acomodados, são mais
disciplinados, mas não criam uma preocupação em se desenvolver
dentro da organização. Devido a isso, é uma organização com pouca
flexibilidade, interação, e de forma geral, mais lenta. O paralelo com
Apolo é por ele ser o deus da ordem, das regras.

3. Cultura de tarefas – Athena


A cultura de tarefa tem como foco a resolução de problemas através
da alocação de recursos, ou seja, uma melhor eficácia e eficiência
da organização. Com isso, a empresa busca ter as melhores pessoas,
ferramentas para realizar as atividades. Os funcionários desse tipo
devem ser competentes e ativos, pronto para lidar com qualquer
problema. Essas organizações se destacam por ser muito flexíveis e
libertas, porém se prejudicam quando as rotinas começam a ser muito
repetitivas. A comparação com Athena se dá por ela ser deusa do
conhecimento, da liderança.
4. Cultura de pessoas ou Cultura existencial – Dionísio

Como o nome já diz, a cultura tem como foco nos indivíduos da


organização, uma organização que é bastante democrática, que se
torna central na organização. Os gestores buscam colocar os
colaboradores em primeiro plano, valorizando muito os talentos e as
ideias de cada um. Com isso, há um crescimento das pessoas
juntamente com o crescimento da empresa. Entretanto, por ser muito
focado nas pessoas, há o perigo da organização não se atentar a
outros detalhes, como o cuidado com a infraestrutura, gerenciamento
de recursos, etc. Se compara à Dionísio por ele ser o deus da festa, do
prazer, representar a ideologia existencial.

Referências
Freitas, Maria Ester de. (1991). Cultura organizacional grandes temas em
debate. Revista de Administração de Empresas, 31(3), 73-82.
https://dx.doi.org/10.1590/S0034-75901991000300007
MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Teoria Geral Da Administração: Da Revolução
Urbana À Revolução Digital . Editora Atlas SA, 2000.

CONVENIA. Tipos de cultura organizacional: qual se aplica à sua


empresa? Disponível em: <http://blog.convenia.com.br/tipos-de-cultura-
organizacional-qual-se-a-aplica-a-sua-empresa/> Acesso em: 21 de junho de
2018.
Russo, Giuseppe Maria, Tomei, Patricia Amelia, Linhares, Antonio José Braga,
& Santos, Andre Moreira. (2012). Correlacionando tipos de cultura
organizacional com estratégias de remuneração utilizando a tipologia de
Charles Handy. REAd. Revista Eletrônica de Administração (Porto Alegre),
18(3), 651-680. https://dx.doi.org/10.1590/S1413-23112012000300004