Boletim do

Venerável D. António Barroso
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III Série  .  Ano VIII  .  N.º 23  .  Abril / Junho de 2018

ENTRADA SOLENE
DE
D. MANUEL LINDA
NA
DIOCESE DO PORTO
(15/04/2018)

Na homilia da entrada na Diocese, D. Manuel
Linda recordou o «eminente e inesquecível
D. António Barroso, cujo báculo acompanhou
todos os meus antecessores, desde há cem
anos e, agora, me sustenta a mim próprio».

Como recordação do seu regresso à Diocese após
o exílio, os párocos da cidade do Porto brindaram
D. António Barroso com um báculo de prata, que agora
foi usado por D. Manuel Linda. Quis a Providência que a
entrada solene de D. Manuel na Diocese ocorresse no
ano do centenário da morte do insigne bispo missionário.

D. António José de Sousa Barroso faleceu em 31 de
Agosto de 1918, com 63 anos de idade, muito envelheci-
do, vítima de paludismo, doença que contraíra em África,
quando missionário. Sucede-lhe agora D. Manuel da Silva
Rodrigues Linda, de 62 anos de idade.

Fundador: Pe. António F. Cardoso
Design: Filipa Craveiro | Alberto Craveiro
Impressão: Escola Tipográfica das Missões - Cucujães - tel. 256 899 340 | Depósito legal n.º 92978/95 | Tiragem 1.950 exs. | Registo ICS n.º 116.839 P1
Boletim do Venerável D. António Barroso

7 de junho 8 de junho
A sociedade, o Estado e a Igreja Um homem no seu tempo:
entre a Monarquia e a República da vida e da ação pastoral de
9h30 Abertura D. António Barroso
10h00 O século XIX em Portugal: 10h00 A Igreja Portucalense nas últimas
Algumas linhas interpretativas décadas do século XIX
Jorge Fernandes Alves - CITCEM-UP Adélio Fernando Abreu - CEHR-UCP
10h45 Intervalo (Coffee-break) 10h45 Intervalo (Coffee-break)
11h15 Secularização e laicidade 11h15 D. António Barroso: "Pobre nasci,
na emergência da Primeira rico não vivi e rico não quero
República morrer"
Fernando Catroga - FLUC António Júlio Limpo Trigueiros
12h00 Debate - Revista Brotéria
13h00 Almoço 12h00 Debate
14h30 Catolicismo no trânsito do 13h00 Almoço
século XIX para o século XX 14h30 D. António Barroso:
António Matos Ferreira - CEHR-UCP O missionário ao serviço
15h15 O contexto missionário português do Padroado português
na viragem do século: Do Mapa Amadeu Gomes de Araújo
Cor-de-Rosa do Padroado à - CEHR-UCP
“Concordata impossível” 15h15 D. António Barroso: O bispo
Hugo Gonçalves Dores - CES-UC; portucalense
CEHR-UCP Carlos A. Moreira Azevedo - Conselho
16h00 Intervalo (Coffee-break) Pontifício para a Cultura; CEHR-UCP
16h30 O clero português no século XIX 16h00 Debate
e no início do século XX 16h30 Intervalo (Coffee-break)
Sérgio Ribeiro Pinto - CEHR-UCP 17h00 Lançamento do livro Dos Homens
17h15 Debate e da Memória: Contributos para a
18h00 Visita ao Museu do Seminário Maior história da Diocese do Porto
de Nossa Senhora da Conceição – 18h00 Visita ao Paço Episcopal
Porto 21h30 Concerto

A Diocese do Porto, com a colaboração do Centro de Estudos de História Religiosa da Universida-
de Católica, organizou um colóquio sobre a época, a vida e a acção pastoral de D. António Barroso.
Uma reflexão sobre o cenário político, social e eclesial em que o bispo missionário actuou, no curto
período de tempo que lhe foi dado viver, entre a Monarquia e a República. A notável iniciativa reali-
zou-se, com êxito, no auditório do Paço Episcopal, nos dias 7 e 8 de Junho.

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D. ANTÓNIO BARROSO:
A VIDA QUE É MISSÃO
D. António Barroso no centenário da 4. A Conferência Episcopal Por-
sua morte, foi bem evidenciada – ex- tuguesa garantiu que «a dimensão
plícita e implicitamente – a dimensão missionária estará subjacente às ini-
da vida como missão. Sim, toda a vida ciativas pastorais diocesanas e nacio-
de D. António Barroso foi missão: nais ao longo do Ano Missionário, que
não apenas os vinte anos em Ango- será vivido no encontro com Jesus
la e Congo, Moçambique e Meliapor, Cristo na Igreja, na liturgia, no teste-
mas a sua existência na totalidade. As munho dos santos e mártires da mis-
suas sandálias de peregrino levaram- são, na formação bíblica, catequética,
-no a terras distantes, forçaram-no a espiritual e teológica, e na caridade
calcorrear terrenos inóspitos, ao en- missionária» (194.ª Assembleia Plená-
contro da real côdea dos dias e em ria da CEP, abril 2018).Vários eventos
busca apaixonada de transparência, estão a ser cuidadosamente prepara-
Por Adelino Ascenso, de confiança e de espaço para o Es- dos. Não deixemos que nos escape
  Superior Geral da SMBN pírito que o impelia. Acreditava e, por esta dádiva, pois podemos, nos nos-
isso, as suas palavras realizavam o que sos olhares lânguidos ou apáticos,
1. «Não é que a vida tenha uma significavam; o seu amor à verdade correr o risco de perdermos de vista
missão, mas a vida é uma missão». São cunhava-o de inabalável firmeza e a aquilo que nos poderia realizar como
palavras do filósofo espanhol Xavier sua grande intuição abria
Zubiri, citadas pelo Papa Francisco na sendas de luz no enleado
sua exortação apostólica Gaudete et das decisões difíceis que
Exsultate (GE, 27). Sim, a missão deve deviam ser tomadas
ser encarada como desafio e aventu-
ra, que é a própria vida de esperan- 3. Como despertar em
ça e dor, em saída destemida de nós nós a consciência para a
mesmos, em busca de sonhos. Prepa- missão numa civilização
rados para a marcha, sem nos deixar- «pós-humana», complexa,
mos tolher por medos de desertos fragmentada, egocêntrica,
tórridos ou mares encapelados, pois sedenta de interioridade
«a ousadia e a coragem apostólica e de afetividade?
são constitutivas da missão» (GE, Como incutir solidez
131). Assim como somos convida- a um mundo onde as res-
dos a sermos santos no quotidiano postas se nos escapam e
da nossa trivialidade, também somos as perguntas são cada vez
exortados a fazermos com que a mais acutilantes?
nossa existência seja uma verdadeira É certo que neste tempo, em que, pessoas. Sim, precisamos do alento de
missão de encontro, de descoberta, mais do que nunca, a urgência do pa- exemplos concretos que nos avivem
de abertura à surpresa. Sim, porque radigma do testemunho é omnipre- a memória. O grande bispo missio-
a maravilha do desafio da missão está sente, necessitamos de verdadeiros nário D. António Barroso poderá ser
na sua imprevisibilidade e na «rebel- modelos, cuja experiência nos envol- modelo daquele que é – em si mes-
dia» do Espírito, que não se deixa va e nos cative. Não palavras ocas, mo – missão e que, como tal, se em-
prender ou limitar, porque «sopra mas sim sinais audaciosos de entrega penha fervorosamente, pois – diz o
onde quer» (Jo 3,8). total e de risco; não um deambular Papa Francisco – «somos frágeis, mas
por planuras do supérfluo, mas um portadores de um tesouro que nos
2. Penso que no Colóquio de 7-8 palmilhar terrenos pedregosos em faz grandes e pode tornar melhores e
de junho de 2018, intitulado Entre a que os obstáculos dão novo sabor à mais felizes aqueles que o recebem»
Monarquia e a República: os tempos de existência. (GE 131).

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D. ANTÓNIO BARROSO NAS MEMÓRIAS DA CONDESSA DE VILA FLOR
UM TESTEMUNHO INÉDITO

de Outubro de 1918. Ocupou cargos veio a ser o 9º Conde de Vila Flor e 2º
de destaque: foi deputado, governador Conde de Alpedrinha, tendo falecido a
civil do Porto, Ministro da Fazenda, pre- 24 de Dezembro de 1987, em Lisboa.
sidente da Câmara Municipal do Porto. Casara em 1.as núpcias com D. Maria de
Católico militante foi presidente da Ac- Lourdes Corrêa da Silva de Sampaio
ção Católica e veio a ser condecorado Mello e Castro, deixando duas filhas.(3)
com a Grã Cruz de Pio IX da Santa Sé Transcrevemos na íntegra o manus-
e com a medalha “Pro Ecclesia et Pon- crito de D. Maria José, Condessa de Vila
tifice”.(2) Flor, relativo a D. António Barroso:
A filha, D. Maria José de Azeredo Tei- “D. António Barroso. Nasceu em ber-
xeira de Aguilar, autora do escrito que ço humilde, tinha a grande maneira de
aqui divulgamos, nasceu a 6 de Novem- um fidalgo e as virtudes dum santo. Foi
bro de 1863, na casa da rua da Porta do sua terra natal Remelhe, no concelho de
Sol, n.º 6, na freguesia da Sé, no Porto Barcelos, onde viu a luz do dia a 5 de
Por António Júlio Limpo Trigueiros, SJ e foi senhora da Casa Grande de Go- Novembro de 1854. Saído do Colégio
gim, por herança de seu pai. Colaborou das Missões Ultramarinas em Cernache
São numerosos os testemunhos que em vários jornais da capital, tendo sido do Bonjardim onde fez um curso bri-
continuam a aparecer sobre a vida de agraciada com a Cruz “Pro Ecclesia e lhante foi ordenado de presbytero em
D. António Barroso. Aproveitamos este Pontifice”. Veio a falecer a 24 de Março 1879. Enviado logo para Angola, aí o
ano do centenário da morte de D. An- de 1951, na sua casa à Costa do Castelo, Prelado da Diocese, D. José Sebastião
tónio Barroso para divulgar alguns do- em Lisboa, onde viveu após o seu casa- Neto, o nomeou Superior da Missão re-
cumentos inéditos que são mais um mento, tendo recebido em casa como centemente fundada de S. Salvador do
contributo para a sua biografia. pessoa de família a D. António Barroso. Congo. Lá permanecendo dez anos con-
Tivemos acesso a um pequeno ma- A casa conserva aliás, ainda hoje, um re- secutivos; o seu labor foi incansável e a
nuscrito pertencente a uma família que trato emoldurado de D. António. sua saúde ficou para sempre atingida.
privou de perto com D. António Barro- O genro, D. Tomás Maria de Almeida Ninguém estava mais indicado para a
so.(1) Trata-se de um testemunho inédi- Manoel de Vilhena, 8º Conde de Vila Prelazia de Moçambique. Nomeado e
to da autoria da Condessa de Vila Flor, Flor, nasceu a 26 de Junho de 1863, na sagrado Bispo de Hymeria para lá par-
D. Maria José de Azeredo Teixeira de freguesia de S. Jorge de Arroios, Lis- tia pelo ano de 1891.
Aguilar Manoel de Vilhena (1864-1951), boa e veio a falecer a 12 de Janeiro de Não se contentou em governar a
filha do Conde de Samodães que se ca- 1942, na sua casa da Costa do Castelo, vasta diocese do seu paço episcopal,
sara em 1897, com D. Tomás Maria de na freguesia de S. Cristóvão. Diploma- através de mil dificuldades e incómodos
Almeida Manoel de Vilhena (1864/1932), do com o curso superior de Letras foi percorreu toda a costa chegando ao
8º Conde de Vila Flor. O casamento rea- governador civil de Braga e do Funchal, Zumbo do Blantepe e de Nyassa. Tinha
lizado no dia 28 de Maio de 1897, no deputado, um dos fundadores da Juven- dois fitos: levar a luz do Evangelho e
oratório da casa do Conde de Samo- tude Católica, escritor, agraciado com firmar de uma maneira prática e positi-
dães, na rua do Sol, n.º 29, na freguesia inúmeras comendas e condecorações. va, perante muitas cobiças, os nossos in-
da Sé, na cidade do Porto, foi presidido Era muito amigo de D. António Barroso, contestáveis direitos àquelas paragens,
por D. António Barroso, ainda Bispo de como testemunham os escritos de sua baseados na posse patente, pacífica e
Himéria, grande amigo do noivo e do mulher, que aqui transcrevemos, tendo- ininterrupta de mais de quatro séculos
pai da noiva, o 2º Conde de Samodães, -o acompanhado quer na sua solene de ocupação. Entretanto ia fundando
como se pode comprovar pelo assento entrada no Porto, quer nos tempos da institutos de educação, a destacar-se de
de casamento que aqui publicamos e perseguição republicana. entre eles o Instituto Leão XIII na Ca-
pelo próprio testemunho da Condessa Do já referido casamento de D. Ma- baceira Grande para crianças do sexo
de Vila Flor. ria José com D. Tomás Maria, presidido feminino.
O 2º Conde de Samodães, Francisco de por D.António Barroso, nasceu um úni- Transferido para a diocese de S. Tomé
AzeredoTeixeira de Aguilar (1828/1918), co filho, D. Francisco Maria Martinho de de Meliapor do Real Padroado Portu-
faleceu pouco mais de um mês após a Almeida Manoel de Vilhena, nascido a 5 guês do Oriente, onde identicamente se
morte de D. António Barroso, no dia 3 de Novembro de 1898, no Porto e que assinalou não lhe foi permitido deter-se

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por lá, pois que o falecimento do Car- Metrópole no tempo da monarquia, a Episcopal, que nunca mais regressou ao
deal D. Américo, Bispo do Porto, sucedi- sua voz iria sempre que fosse necessá- seu possuidor e devido destino.
do em janeiro de 1899 o fez chamar rio para defender os altos interesses da Para além ou para aquém da sua
para a sua sucessão. Religião e da Pátria. alta personalidade religiosa e patrióti-
A sua entrada na diocese do Porto a Por duas vezes mereceu a honra de ca, Barroso era para meu marido um
dois de agosto de 1900 foi verdadei- ser castigado pelos governos da Repú- amigo dileto e provado de muitos anos,
ramente triunfal, como talvez nunca se blica, de uma vez foi banido da sua dio- tanto que quis esperar por ele para ser
tivesse visto. Autoridades e povo, tudo cese por espaço de dois anos, porque celebrante do seu casamento, que teve
acorreu espontâneo e com entusiamo. assinara a Pastoral Coletiva do Episco- lugar no Porto na capela particular dos
Meu marido que nessa ocasião estava pado Português, que dava a necessária Condes Samodães.
acidentalmente no Porto, em casa de orientação à consciência católica do Caso pouco vulgar foi esse casamen-
meus pais, e que era grande amigo do país; da segunda... mais adiante, porque to celebrado por dois prelados ultrama-
Bispo, acompanhou nessa jornada me- o delito tinha sido gravíssimo – dera au- rinos, de longa barba comprida. Um,
morável, assim como noutra jornada torização canónica a uma senhora para D. Henrique da Silva Reed, que acabava
de enxovalho e apupo anos volvidos, formular votos religiosos individuais. No- de resignar à mitra de Meliapor, rezou
na vigência da República, ele o quis vamente por dois anos era expulso da a missa, e Barroso, então Bispo de Hy-
acompanhar, percorrendo as estações sua diocese, mas proibido de residir nos meria, lançou a bênção nupcial.
de caminho de ferro e os caminhos à distritos de Porto e Braga e seus limítro- Mais tarde, nas suas vindas a Lisboa,
sua procura. Não conseguiu encontrá-lo, fes, sem prejuízo de processo criminal. várias vezes tivemos a honra e satisfa-
porque o ministro da justiça de então, As suas missões heróicas no Congo e ção de o hospedar em nossa casa como
de nome Afonso Costa, o mandara con- em Moçambique, as canseiras na dioce- pessoa de família.
duzir a sua casa por sítios que se não se de Meliapor e os trabalhos e desgos- Recordo ainda com saudade uma
esperava. tos no Porto tinham minado o seu forte estância que aconteceu fazermos ao
Desfrutava D. António Barroso os organismo tão intoxicado pelas emana- mesmo tempo que ele, no ano de 1907,
bens da mitra do Porto que ao tempo ções palustres dos climas tropicais. em Vidago. Não estava ainda terminado
era a mais bem dotada diocese do país, Acompanhado por um sentimento o Grande Hotel, que andava em cons-
mas a sua algibeira estava permanen- geral de toda a diocese e todo o país, trução. Havia vários pequenos hotéis, o
te vazia, porque pertencia a todos que D. António Barroso exalava o último melhor situava-se num bom e espaçoso
precisavam. Para fazer caridade era alento na sua residência em Sacais, edifício era dirigido por uma senhora
pródigo. Na Câmara dos Pares de que onde tinha encontrado refúgio depois americana de grande competência pro-
fazia parte, como todo o prelado da da sua expulsão do imponente Paço fissional. O hotel, sem ser nenhum pa-

D. Maria José de
Azeredo Teixeira de
Aguilar Manoel de
Vilhena, Condessa
de Vila Flor (autora
do manuscrito aqui
publicado)
e seu marido
D. Tomás Maria de
Almeida Manoel
de Vilhena
(1864/1932),
8º Conde de Vila Flor
(grande amigo de
D. António Barroso)

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lace, era mantido em muito boa ordem NOTAS:
e era agradável e cómodo. Ocupavam- (1)
Agradecemos a amabilida-
-no nessa ocasião vários hospedes, que de da Ex.ma Senhora D. Leonor
se entretinham conforme os seus gos- Manoel de Vilhena Gomes Bar-
tos. Sem qualquer prévia combinação, roso, que nos facultou acesso a
sucedia que às noites nos juntávamos
este manuscrito, da autoria de
numa pequena sala comum, meu ma-
sua bisavó materna, autorizan-
rido e eu, meu pai, o Bispo Barroso e
o conselheiro João Arroyo(4) e mulher. A do que seja aqui publicado. A
atuação política de Arroyo naquele mo- Senhora D. Leonor, por via pa-
mento não nos era simpática, mas não terna é parente de D. António
se pode viver em regime arame farpa- Barroso, pertencendo ao ramo
do, sobretudo em instâncias de águas. da família Gomes Barroso que
E assim nessas improvisadas seroadas se fixou na freguesia de Gil-
conversava-se, ou antes ouvíamos di- monde, na Casa do Cruzeiro.
vagar aquele antigo ministro. Era um (2)
Cónego A. Ferreira Pinto,
conversador incomparável, como simpli- “Conde de Samodães”, in Bo-
cidade num timbre de voz muito claro letim Cultural do Porto, Porto,
e puro, ele contava anedotas, abordava 1942.
com critério, conhecimento e pontos de (3)
A mais velha, D. Maria Luísa
vista originais, que não escandalizavam, da Conceição de Almeida Ma-
os mais variados assuntos filosóficos, noel de Vilhena (1927/1998),
históricos, políticos, artísticos, e em to- foi escritora e assessora do Pri-
dos eles se sentia à vontade. Música era meiro Ministro no X governo
um dos seus temas prediletos; referia-
Constitucional, Aníbal Cavaco
-se à sua ópera Leonor Telles que não
Silva, sucedendo nos titulos de
tinha ainda conseguido levar a cena.
Lembro-me de uma frase da ópera, que Vila Flor e Alpedrinha, foi casa-
ele tinha tratado com especial carinho da com o Conde de Azarujinha,
– Ecco l´abandonata! Jaime Augusto Lasso de La Veja
Meu marido, músico apaixonado, ou- Lima de Freitas. A mais nova, D.
via-o com a maior atenção, mas todos Maria José Benedita d’Almeida
o escutavam com interesse e sem can- Manoel de Vilhena (1929/2015),
saço, a ponto dos três principais ou- foi casada com o Dr. Duarte
vintes, o Bispo, meu pai e meu marido, Nuno Gomes de Lima Barroso,
que também eram bons conversadores diplomata, parente de D. Antó-
e tinham um fundo largo de conheci- nio Barroso.
mentos e de experiências, constituíam (4)
João Marcelino Arroio (Por-
pouco mais que auditório silencioso. to, 4 de Outubro de 1861- Ca-
Até o meu filho, uma criança de pou- sas Novas, Colares, Sintra, 18
cos anos, que entrava e saía constante- de Maio  de  1930), mais conhe-
mente da sala, às vezes se quedava a cido por  João Arroio  ou  João
ouvi-lo, fascinado por aquela pirotecnia Arroyo, foi um jurista, profes-
de frases expressivas, como uma chuva
sor universitário, músico e po-
de estrelas. A mulher, culta, simpática
lítico português. Estudou Direi-
e agradável ouvia-o também embeve-
to na Universidade de Coimbra, Assento de casamento
cida.
Sucedeu que não tornamos a ter de que viria a ser professor ca- dos Condes de Vila Flor,
qualquer aproximação com este casal. tedrático. Foi deputado, par do realizado no Porto a
Pouco depois, deram-se no país acon- Reino e por três vezes ministro, 28 de Maio de 1897 e
tecimentos trágicos de desastrosas con- distinguindo-se como orador assinado por D. António
sequências. Volvido pouco tempo falecia parlamentar brilhante e inte- Barroso, ainda Bispo
João Arroyo e a mulher brevemente o lectual de grande mérito, dedi-
de Himéria, que presidiu
acompanhava no túmulo, como sua in- cando-se desde novo à compo-
ao casamento.
comparável companheira fora em vida.” sição musical.

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1918 – 2018
CENTENÁRIO DA MORTE DE
D. ANTÓNIO BARROSO

PROGRAMA
REMELHE . BARCELOS . PORTO . CERNACHE DO BONJARDIM
7 - 8 DE JUNHO DE 2018 . Colóquio “Entre a Monar- 11:00h – Missa solene na igreja paroquial de Remelhe
quia e a República. Os Tempos de D. António Barroso no (transmitida pela TVI).
Centenário da Sua Morte”. Organização: Diocese do Porto 21 DE OUTUBRO DE 2018 . Inauguração de Monu-
com a colaboração da Universidade Católica. Conferencis- mento à Missionação Portuguesa, em Cernache do Bonjar-
tas: D. Carlos Azevedo, Fernando Catroga, António Matos dim (homenagem a D. António Barroso e os 317 Missioná-
Ferreira, Jorge Alves, Amadeu Araújo, António Trigueiros, rios formados no Colégio das Missões Ultramarinas).
Hugo Dores. Local: Auditório do Paço Episcopal do Porto. 10 DE NOVEMBRO DE 2018 . Sessão Cultural, no
31 DE AGOSTO DE 2018 . 10:30h – Missa Solene auditório dos Paços do Concelho. 14:30h – Conferência
na Igreja Matriz de Barcelos. 12:00h – Descerramento “D. António Barroso: o Cidadão, o Político e o Bispo”, pelo
de placa junto ao Monumento a D. António Barroso, em Doutor António Matos Ferreira, Professor da Universida-
Barcelos, e deposição de coroa de flores. 16:00h – Visi- de Católica, Lisboa; Conferência “D. António Barroso, Bis-
ta ao túmulo de D. António Barroso, em Remelhe, com po do Padroado Português”, pelo Doutor Amadeu Gomes
descerramento de placa e deposição de coroa de flores. de Araújo, Vice-Postulador da Causa da Canonização de
17:30h – Inauguração da Exposição Documental e Ico- D. António Barroso; Conferência “D. António Barroso e
nográfica sobra a vida e obra de D. António Barroso, no Dr. Martins Lima: encontros e desencontros de dois Bar-
Salão Nobre dos Paços do Concelho (aberta ao público celenses ilustres”, pelo Dr. Victor Pinho, Bibliotecário do
até 23/09/2018). 18:00h - Homenagem aos Missionários Município de Barcelos; Moderador: Padre Manuel Vilas
Barcelenses, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Boas. 18:00h – Actuação do Conservatório de Música de
21:30h – Sessão Cultural, no auditório dos Paços do Con- Barcelos. Verde d`Honra. 18:30h – Lançamento de livro
celho. Conferência “D. António Barroso e a sua terra na- de estudos sobre D. António Barroso. 19:00h – Abertu-
tal”, pelo Padre António Júlio Limpo Trigueiros, SJ; Confe- ra de Exposição Missionária dos Institutos Missionários
rência “D. António Barroso: Bispo do Porto e Venerável da “Ad Gentes”, no Salão Nobre da Câmara Municipal (aber-
Igreja Católica”, por D. Carlos Azevedo, da Comissão Pon- ta ao público até 9 de Dezembro).
tifícia da Cultura,Vaticano; Moderador: Padre Manuel Vilas OUTRAS INICIATIVAS: 1 – A vida de D. António
Boas. 23:00h – Actuação do Coral Magistrói, no Claustro Barroso, em banda desenhada. 2 – Concurso inter-escolas,
dos Paços do Concelho. de textos/desenhos sobre a vida e a obra de D. António
2 DE SETEMBRO DE 2018 . 8:30h – Romagem do Barroso. 3 – Concurso de trabalhos de artesanato sobre
Arciprestado de Barcelos: Caminhada de Barcelos a Reme- a figura de D. António Barroso. 4 – Moeda Comemorativa
lhe (com a chegada à capela-jazigo prevista para as 10:30h). do Centenário.

ORAÇÃO AO VENERÁVEL D. ANTÓNIO BARROSO
Senhor nosso Deus, que quiseste dar ao Vosso servo
António Barroso, missionário e bispo, os dons do zelo
apostólico, da coragem evangélica, do amor à Igreja e
aos pobres, do desprendimento pessoal, da serenidade,
da bondade, da fortaleza na perseguição e da santida-
de, fazei que, honrando a sua memória e participando
das suas graças, mereçamos imitar os seus exemplos
de vida cristã, e participar da Vossa glória. Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco,
na unidade do Espírito Santo.

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