Você está na página 1de 18

mais Próximo blog» diego.litre.hernandez@gmail.

SÁBADO, 26 DE NOVEMBRO DE 2016 FALE COMIGO


Caso tenha dúvidas sobre no
Como aumentar os níveis de dopamina - parte 1 ou sobre o e-book Turbine S
envie um e-mail para mim:
matheuscdcp@gmail.com
Alguns suplementos e nootrópicos são capazes de aumentar a dopamina.
Conheça as funções e os reais efeitos desse neurotransmissor ATENÇÃO
O conteúdo deste blog tem a
informativos e de debate cie
intenção de curar, diagnostic
qualquer doença; nem endo
de qualquer substância com
medicinais. Consulte um mé
de usar qualquer medicame
suplemento. Consulte um m
de dúvidas individuais sobre
saúde. O autor deste blog nã
responsabiliza pelo mau uso
informações contidas aqui.

SIGA POR E-MAIL

Email address...

QUEM ESCREVE

Matheus Pereira. Estudante


na Universidade Federal do M
Se você, caro leitor, está me lendo agora, então - muito obviamente - você quer turbinar os seus níveis de dopamina. Não (UFMT). Pesquiso de forma
se preocupe: essa série de artigos cumpre o que o título promete. Eu lhe contarei as artimanhas químicas de como deixar independente sobre Neuroc
esse neuroquímico nas alturas (embora, fique claro, para fins de conhecimento científico). Farmacologia. Assino o livro
“Turbine Seu Cérebro" (2015
Mas, respire fundo, pegue um cafezinho e volte à leitura do blog. Antes de papearmos sobre como aumentar a dopamina, inspirado a escrever este blo
é do seu melhor interesse entender quais são os reais efeitos da dopamina (será que você realmente sabe?). Parece carência de informações cien
disponíveis em língua portug
bobo. Mas é que proliferam-se os conceitos errados que se tem sobre esse mensageiro químico. Então, vamos conhecer
nootrópicos, "smart drugs" e
aquilo com o que estamos lidando.
mecanismos para otimização
desempenho cerebral. Meu
Neurotransmissor do prazer? Calma lá! facilitar o acesso às informaç
Pelo ponto de vista de um bioquímico: nootrópicos e expandir o de
tais substâncias.
A dopamina (DA) é um neurotransmissor monoaminérgico, da família das catecolaminas, produzido pela
descarbonização de dihidroxifenilalanina (DOPA). TUDO SOBRE AUMENTO COG
Ok, essa não foi uma apresentação das mais agradáveis. Bom, deixa para lá. Vamos falar do que ela pode fazer.

O "Turbine Seu Cérebro" é in


para todos aqueles que quer
dopaminabailandopelocerebro.jpg
cérebro mais afiado. O e-boo
Primeiro: a dopamina atua como um neurotransmissor. Neuro-transmissor: isso é, ela é que nem um pombo-correio. geração de fármacos para a
Peregrina pelo cérebro e levando uma mensagem de um ponto a outro. A arte acima retrata isso. Os botões em verde os nootrópicos. Clique na im
são dois neurônios - células nervosas. As bolinhas vermelhas que dançam no espaço entre os dois poderiam ser a saber mais.

dopamina, que medeia a conversa entre os dois neurônios.


ARQUIVO DO BLOG

► 2017 (13)
▼ 2016 (20)
► Dezembro (3)
▼ Novembro (1)
Como aumentar os nív
dopamina - parte 1

► Outubro (1)
► Junho (2)
► Maio (5)
► Março (1)
► Janeiro (7)

► 2015 (26)

Essa daí de cima é a molécula de dopamina. E, abaixo dela, uma legenda errônea: a dopamina tem pouco a ver com o seu "feel-good"!

Mas qual mensagem é essa que a dopamina leva? Euforia, júbilo e muito bem-estar, certo?
Er... Não! Se era esse o seu objetivo com mais dopamina, más notícias!

É verdade que a mídia adora chamar a dopamina de "neurotransmissor do prazer". Apesar


de o apelido já estar tão inculcado no saber popular, a dopamina não merece o título. Mas
de onde surgiu essa história?

Bom, você pode dizer que o "culpado" é esse senhor norte-americano da foto. O cientista
Roy Wise foi quem originalmente propôs a hipótese, lá em 1980.

Em um trabalho, Wise defendeu que, quando dois neurônios usam a dopamina para se comunicar, isso é "traduzido em
mensagens hedônicas que nós experimentamos como prazer, euforia ou 'gostosura'" [1]. Mal Wise sabia, na época, que
as coisas não são tão simples assim (quem dera!).
Roy Wise, em 1990, reconhecendo seu erro: "Eu não acredito mais que a quantidade de prazer sentido seja proporcional à quantidade de dopamina
disponível".

E, mais tarde, em meados de 1990, Wise fez um curioso  mea culpa, em que o próprio retirou a própria hipótese de que
"dopamina indica prazer" que ele havia proposto. Um outro pesquisador registrou a seguinte declaração de Wise: "Eu não
acredito mais que a quantidade de prazer sentido seja proporcional à quantidade de dopamina flutuando pelo cérebro"
[1]. Mais recentemente, em 2008, ele concluiu: "O prazer não é, necessariamente, um correlato de elevações da
dopamina" [2].

Para a defesa do cientista, Wise é, até hoje, um grande pesquisador dos papéis da dopamina. Entre erros e acertos, ele
nos legou uma maior compreensão sobre ela. Mas então, se a alcunha "neurotransmissor do prazer" é mais que
ultrapassada, então qual é a função da dopamina? "Confundir neurocientistas" - é a resposta que Kent Berridge - ele
próprio, um neurocientista - dá a essa pergunta [3].

O que a dopamina faz? Boa pergunta...

A piada de Berridge tem muito fundamento. Nós tentamos encaixar a dopamina - que é um neurotransmissor parte da
complexa linguagem biomolecular do cérebro - em conceitos vagos e de construção social: o querer, gostar, entre outros.
É muita ingenuidade achar que um código neuroquímico se encaixará precisamente a conceitos abstratos como se as
duas ideias fossem peças de Lego.

Para a nossa sanidade mental - e para não tornar esse artigo excessivamente longo - entenda que eu serei simplista ao
pincelar sobre os papéis da dopamina. Cada linha desse texto será rasa. Corro o risco de dar a entender que tudo sobre
esse neurotransmissor já está devidamente mastigado e entregue numa bandeja. Na verdade, a dopamina é motivo de
dor de cabeça para muito neurocientista até hoje!

O que é que a dopamina tem?


Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), em "O Lobo de Wall Street": provavelmente alguém com a dopamina altíssima

Apesar de não ter muito a ver com o "sentir prazer" - o gostar, a dopamina está intimamente atrelada ao "buscar prazer"
- o desejar. A dopamina tem a ver com a propulsão, o ímpeto e a vontade para ir atrás das coisas que nos fazem bem (ou
que nosso cérebro acredita que fazem bem - como álcool e drogas).

Desse modo, em vez de você ser arrebatado por uma torrente dopaminérgica ao passar no vestibular ou conseguir um
emprego, a dopamina é o químico que lhe motiva a conquistar essas recompensas [4].

Uma visão mais realista da dopamina - a sua animadora de torcida

Usada para o "bem", a dopamina é a molécula que determina a sua força de vontade. Quanta motivação e persistência
você tem para conquistar aquilo que dá prazer, como a realização de um objetivo? Conte-me dos seus níveis de
dopamina que eu lhe responderei.

Fica bem mais fácil entender essa distinção quando olhamos para alguns exemplos. Quando cientistas criam
camundongos mutantes - e "deletam" o gene para a enzima  tirosina hidroxilase  (que é fundamental para a produção de
dopamina) do DNA de camundongos, esses animais se tornam extremamente preguiçosos e apáticos [5].
São animais sem dopamina e sem energia para nada. Nada mesmo: esses roedores perdem muito peso. E, mesmo
quando famintos - e com um pedaço de suas comidas favoritas na frente do nariz - eles não se sentem motivados o
suficiente para comer.

Também mal se movimentam, quando são colocados em uma jaula grande. Eles praticamente não saem do lugar onde
você os colocar. Nesses ratos, não há ânimo para fazer qualquer tarefa.

Outro experimento também ilustra muito bem os verdadeiros papéis da dopamina. Dessa vez, com humanos e fumantes.
Metade do grupo de voluntários tinha uma dieta sem os blocos construtores de dopamina: os aminoácidos tirosina e
fenilalanina [6]. Sem essas moléculas, o cérebro não é capaz de fabricar a dopamina. A outra metade das cobaias tinha
uma dieta normal. 

O estudo exigia que os fumantes passassem por um período de abstinência

Como já era esperado, os que tiveram a dieta restrita, sem tirosina e fenilalanina, apresentavam baixos níveis de
dopamina. Já o grupo de fumantes com a dieta normal possuía níveis considerados normais de dopamina. Todos esses
fumantes passaram por um período de abstinência, quando tiveram que deixar de lado os seus queridos cigarros.

Depois disso, foram submetidos a um teste. Funcionava assim: eles


tinham a chance de acabar com a abstinência. Para conseguir uma
"tragada", eles tinham que apertar certas teclas, em um teclado,
por 50 vezes. E então, para mais prazer nicotínico, mais 100 vezes,
depois mais 200 vezes, depois mais 400 vezes... E, por aí vai:
durante duas horas, com uma dificuldade cada vez maior. Muitos
saíram com uma LER ao fim do estudo.

O resultado: todos os fumantes - seja aqueles que tinham muita


dopamina ou os com pouca dopamina - sentiam vontade de fumar.
Independente da quantidade de dopamina que viajava pelo No experimento, havia um câmbio entre tragadas de cigarro e
cérebro desses fumantes, ninguém havia perdido o entusiasmo apertar os botões de um teclado. Os resultados mostraram que
os que tinham níveis maiores de dopamina tinham maiores
pelos cigarros nem o regozijo que acompanhava as tragadas. chances de desenvolver LER.
No entanto, tinha algo que havia mudado entre os grupos. Aqueles que estavam com os níveis de dopamina normais se
empenhavam mais em apertar as teclas centenas ou mesmo milhares de vezes. Quem tinha pouca dopamina não
conseguia se esforçar tanto assim para receber a recompensa - mesmo que, como vimos, ainda a desejassem e
gostassem da recompensa.

Grupo não-deficiente em dopamina

O que isso quer dizer é que a dopamina não é tão determinante para a sua sensação e percepção de prazer, como
pensava o neurocientista Roy Wise nos anos 1980. Mas ela é responsável, sim, por quanto você está determinado a
trabalhar para desfrutar do tal prazer. Ela comanda o seu "just do it" - sua motivação, seu fôlego, sua vontade.

Pouca dopamina é você num domingo frio, de manhã, deitado na cama,


descendo infinitamente pelo feed de notícias do Facebook, sem pensar
muito. É você com preguiça de até mesmo levantar para comer algo.
Pouca dopamina tem um pouco a ver com a cantora Lana del Rey (foto ao
lado), nesta entrevista ao jornalista do The Guardian Tim Jonze:

"Queria estar morta. Não quero continuar fazendo isso. Mas estou." 
"Fazendo isso o quê? Música?", pergunta Jonze. 
"Tudo", responde ela.

O "queria estar morta" virou meme. Deprê? Bom, a depressão tem uma
série de agentes e circuitos bioquímicos como causadores - muita coisa
ainda está a ser investigada. Alguns circuitos neurais governados pela dopamina, porém, são um dos possíveis motivos
para alguns casos de depressão [5, 6]. E a apatia da cantora não poderia representar melhor, ainda que de modo caricato,
os efeitos de dopamina baixa.

Já mais dopamina - até certo ponto - já é quando você acorda numa segunda-feira em que você quer "mudar a sua vida".
Está pronto para começar uma nova dieta ou iniciar a prática de exercícios físicos. É aquela motivação e ânimo inicial. E,
se os níveis dessa molécula tão importante se mantiverem em alta, você conseguirá trabalhar para atingir a sua
recompensa.

Dopamina: o combustível da concentração


Uma disfunção no lobo frontal - essa parte do cérebro destacada na imagem acima - é um dos pivôs do TDAH.

Além de governar a motivação, a dopamina também é fundamental para o foco. Que digam os sofredores do Transtorno
de Déficit de Atenção, o TDA, que exibem, pela definição da doença, um "comportamento desatencional".

Não é consenso, mas, para alguns médicos, o que acontece com esses pacientes é um defeito numa parte do cérebro
chamada de lobo frontal (dica: lê-se lóbo, não lôbo). Convenientemente, está localizada na parte de frente do cérebro
(surpresa). Toque a sua testa. Logo atrás dela, mora seu lobo frontal .

O lobo frontal é o grande estrategista do cérebro

Ele é o chefe do cérebro. Controla tudo, como um gerente executivo. Ele reconhece as suas ambições e elabora um plano
com o passo-a-passo para você atingir seus sonhos. É um chefe estrategista, que está focado em atingir os planos da
empresa. Ele também controla os funcionários barulhentos: o lobo frontal silencia as distrações e garante que toda a
equipe está trabalhando ativamente (em vez de papeando ao léu) [9, 10].

Vamos esmiuçar um pouco mais sobre essa parte do cérebro que, adianto, é como é por causa da dopamina - um dos
seus principais pombos-correio.

Se você tem uma prova amanhã - e, claro, deseja muito passar nela - então o seu lobo frontal estará trabalhando a mil.
Ele irá lhe dar a ordem de iniciar os estudos e parar de empurrá-los com a barriga. O lobo frontal inibirá os estímulos que
podem distrai-lo do trabalho e permitirá que você fique com os olhos grudados nos livros (e não mais no feed do
Facebook).

O lobo frontal, o chefão, é fundamental para que você se organize, administre bem o seu tempo e, enfim, é um baita de
uma ajuda para que você tenha sucesso em atingir os seus objetivos [9, 10].

A empresa com a dopamina alta

Como todo chefe, o lobo frontal quer dinheiro. E a sua moeda é a dopamina. A saraivada de impulsos nervosos que
percorrem os circuitos nervosos do lobo frontal depende desse químico. Se há dopamina, então o chefe está conduzindo
bem todos os membros da equipe ao sucesso [9, 10].

Isso é o normal. O cérebro dos que sofrem de TDA é como uma empresa em que o chefe está de viagem. Há pouca
dopamina: as ordens não vão de um ponto a outro. A firma vira uma anarquia: toda a confiança foi depositada nos
funcionários e eles fazem o que bem entender. Em meio a tanto escarcéu, muito pouco é produzido. A empresa vai para
à falência [9, 10].

A empresa com a dopamina baixa

Os medicamentos para o TDA/H restauram os níveis de dopamina no lobo frontal. Isso


garante que o chefe volte ao trabalho e cuspa ordens para todos os funcionários. O
executivo, o técnico-gerenciador pisa de novo na empresa. E, agora, tudo fica bem
organizado. Toda a equipe foca em torno do objetivo comum [10].

A dopamina é o combustível para que os neurônios do lobo frontal se comuniquem. Ela


permite que você ignore informações não relevante para uma tarefa que você esteja
realizando. Ritalina, um dos medicamentos
usados no controle do TDA/H

Por suprimir os circuitos neurais que podem distrai-lo, as vias dopaminérgicas do lobo
frontal são imprescindíveis para o foco. Estudos mostram que níveis maiores de dopamina no lobo frontal, em adultos,
reduzem a impulsividade [11].
Paul Erdöz e seu amigo inseparável: o cafezinho (que, muitas vezes, ele usava para ajudar a engolir os comprimidos de anfetamina...)

Um conto interessante que deixa bem claro os efeitos de hiperfoco e produtividade da


dopamina é a história do matemático Paul Erdöz. Quase um monge aritmético, Erdöz
trabalhava cerca de 19 horas por dia e só precisava de 3 horas de sono.

O combustível de tanta estamina numérica chamava-se anfetamina, uma droga que


aumenta a liberação de dopamina no cérebro.

Erdöz tomava seus comprimidos de Benzedrine - o nome comercial da anfetamina - com


goles de café. Esse combo foi a centelha que deu vida a teoremas matemáticos ousados e permitiu que Erdöz deixasse
um longo legado ao mundo.

Dopamina e libido

Também é bem reconhecido que outro papel da dopamina é a regulação da libido, especialmente no homem. Se a sua
memória não estiver falhando, então irá lembrar o quanto esse neurotransmissor é importante para a busca dos
estímulos que desatam prazer. E um desses estímulos é justamente o sexo [12].

Com a dopamina baixa, é previsível uma apatia pelo sexo, um desinteresse pelos estímulos sexuais e uma falta de
iniciativa. O cérebro não terá motivação suficiente para buscar dar umas fugidinhas.

Diga-se de passagem que isso pouco interfere na capacidade de sentir prazer com um orgasmo. A dopamina baixa, mais
uma vez, impacta é a busca por essa sensação prazerosa [13].

Já com a dopamina alta, é o oposto. A libido fica nas alturas. Caso não se ocupe a mente com outras atividades que
envolvem motivação (um projeto de trabalho, por exemplo), o ócio é ocupado por sacanagem. Dopamina alta, mente
vazia, oficina do diabo.
Um bom exemplo é o excêntrico Freud, pai da Psicanálise e ávido (prescritor e)
usuário da cocaína. A cocaína age turbinando os níveis de dopamina no cérebro.

Freud não cheirava cocaína, mas a diluía em água e usava tal como um elixir para
tratar as suas "neurastenias" - nome que ele dava ao cansaço mental. Resultado?
Freud sentia que a cocaína o retirava da "depressão, lassitude e sofrimento
neurótico", restaurando os seus níveis de energia. A cocaína dava-o "contentamento
e euforia". 

E também um apetite sexual voraz. Conta-se que Freud era atingido por um vagalhão de ímpeto
sexual ao fazer uso da cocaína. Usava a coca como uma turbina química para a sua libido (ou,
ainda, para torná-lo mais tagarela e extrovertido). Freud reverenciava os poderes da cocaína -
uma droga notadamente dopaminérgica. As cartinhas que ele escrevia à noiva não deixam
espaço para dúvidas:

Ai de você, minha Princesa, quando eu chegar. Beijar-te-ei até que voltes a ter as tuas cores
rosadas e alimentar-te-ei até que estejas roliça. E se te mostrares rebelde, verá quem é o
mais forte, uma delicada mocinha que não come o suficiente ou um homem grande e
brutamontes que tem cocaína no corpo. Em minha última depressão grave, tomei coca
novamente, e uma pequena dose elevou-me às alturas de maneira maravilhosa. Estou
neste exato momento ocupado em colecionar a literatura necessária para uma canção de
louvor a essa substância mágica [14].

Mais tarde, conta a história, notando a dependência que a droga provocava, Freud decepcionou-
se. Absteve-se do seu afrodisíaco preferido, parou de prescrevê-lo. E, daí, surgiu a Psicanálise.

Outro exemplo notável é a selegilina, droga que impede a quebra da dopamina e, com isso, aumentando a sua
quantidade no cérebro. Como é típico de drogas dopaminérgicas, a selegilina já foi motivo de encanto para muitos. O
médico que a desenvolveu, Joseph Knoll, se referiu a sua nova droga como um "energizador psíquico". Relata-se que a
droga aumenta a vitalidade e tem a "capacidade de ativar o impulso sexual". Os pesquisadores Dharma Singh Khalsa e
Cameron Stauth contam em seu livro Um Programa Médico Revolucionário que Aprimora a Mente e a Memória:

Na verdade, há 20 anos, alguns de meus primeiros relatórios sobre a selegilina publicados num jornal não
especializado em medicina enfocava seus efeitos no impulso sexual. O primeiro artigo sobre a droga,
amplamente divulgado, contava sobre o efeito causado num senhor de 80 anos, com doença de Parkinson,
que “correu atrás de sua enfermeira em volta da cama”.

Dopamina e humor

Humor azedo? Talvez você sofra de uma deficiência de dopamina. A dopamina exerce efeitos revigorantes no humor -
podendo elevar a sensação de bem-estar. Isso parece ser um desdobramento da sua capacidade de aumentar a
motivação e a busca por sensações prazerosas. Nem sempre "sensação prazerosa" significará o orgulho de tirar dez na
sua prova ou a satisfação de publicar vários teoremas matemáticos como fez Erdöz. 

O convívio social - e aí, falamos de estar entre amigos ou mesmo com uma "pessoa especial" - são experiências que
naturalmente desatam prazer. Daí, é natural que quem tenha níveis de dopamina mais altos busque tais coisas e, ao
encontrá-las, sinta seu humor rejuvenescido [15]. Por essa ótica, drogas dopaminérgicas podem até mesmo ser
entendidas como muletas químicas para quem tem pouco interesse na interação social.

Hitler é um bom exemplo - embora extremo - dos efeitos da dopamina no comportamento social e no humor. Alguns
livros dão conta de que o ditador megalomaníaco recebia injeções diárias de anfetamina.

Os efeitos no humor do Führer eram notados enquanto a agulha ainda estava em seu braço. Após as injeções, "ele se
sentia vivo, alerta, ativo e imediatamente pronto para o dia", "extremamente alerta e tagarela", "risonho, mais falante,
fisicamente ativo e costumava ficar acordado até as altas horas da noite", dizem aqueles que acompanharam Hitler
durante a guerra [16].

Mais dopamina é melhor?


Então, com a dopamina, mais é sempre melhor? Pelo contrário. Nós já vimos os efeitos devastadores da falta de
dopamina nos níveis de energia. Mas o outro extremo do espectro, isto é, o excesso de dopamina, também pode causar
lançar o comportamento humano ao caos. Duvida? Pois embarque comigo numa historinha que ilustra bem o quanto
mais dopamina pode também ser perigoso.

No início dos anos 1920, o mundo foi tomado por uma epidemia de encefalite letárgica,  uma doença terrível e de causas
misteriosas. Os acometidos por essa doença mal se moviam. Conta-se que eles sentavam parados o dia todo, como se
estivessem congelados num estado de transe hipnótico. 
Mas eles compreendiam tudo ao seu redor. Eram como zumbis, mortos, adormecidos, sem comportamento.
Espectadores da vida, assistindo ao mundo com a mente perfeitamente lúcida, sem poder interagir com os outros
personagens.

Oliver Sacks (Robin Williams) e Leonard (Robert De Niro) no filme Tempo de Despertar, que retrata a aventura da L-Dopa

A doença, justamente, comprometia as áreas do cérebro que fabricavam a dopamina. Registra-se que os pacientes eram
"absolutamente sem energia, ímpeto, iniciativa, motivação, apetite, tono emocional ou desejo; registravam o que se
passava sem uma atenção ativa e com profunda indiferença" [17]. Inferno? Quase isso. Um dos pacientes, Leonard,
descreveu, penosamente soletrando em um sistema de tabuleiro de letras: "este corpo estúpido é uma prisão com
janelas mas sem portas".

L-Dopa: o milagre do fim dos anos 1960

Os pacientes ficaram assim por anos. Até que, em 1969, um médico, o doutor Oliver Sacks começou a testar neles um
composto chamado de L-Dopa, que no cérebro, transforma-se em dopamina. É como um substituto artificial da
dopamina. Foi um milagre, uma conversão: os pacientes recobraram os movimentos e a independência. Leonard, por
exemplo, "sentiu-se invadido por uma onda de energia e força, tornou-se capaz de escrever e datilografar novamente".

A L-Dopa, capaz de reabastecer as reservas de dopamina, deu nova vida a Leonard. Ele agora havia saído de sua prisão e
apreciava o mundo que descobriu ao seu redor. Sacks conta, em seu livro, que tudo enchia Leonard de alegria e prazer. O
paciente chegava a ir ao jardim do hospital para beijar as flores. Enebriado, registra-se que Leonard falou: "Sinto-me
como um homem apaixonado (...). Não quero mais nada". Ele estava pleno. Num diário, Leonard escreveu:

“A L-Dopa é uma droga abençoada, devolveu-me a possibilidade da vida. Libertou-me de onde eu antes estava
trancado a sete chaves” e “Se todos se sentissem tão bem quanto eu, ninguém pensaria em disputas ou
guerras. Ninguém pensaria em dominação ou posse. Simplesmente apreciariam a si mesmos e uns aos
outros. Perceberiam que o céu é aqui mesmo na terra”

Só que, dias depois, a lua-de-mel acabou. A energia, alegria e motivação de Leonard se tornaram excessivas. A sensação
de harmonia e satisfação que ele sentia foi substituída por ambições e desejos impossíveis de satisfazer, uma sede
insaciável pelo poder e uma sensação de grandeza e superioridade. Leonard achava que era um Messias. 

Antes e depois da L-Dopa

Ele escrevia profusamente uma tonelada de cartas a jornais e até para a Casa Branca. Ele argumentava que queria fazer
uma turnê evangélica por todos os Estados Unidos, onde iria contar a sua história e o "Evangelho da Vida segundo a L-
Dopa". A serenidade foi substituída por uma quadro de superexcitação geral. Nessa fase, Leonard escreveu:

“Com levodopa em meu sangue, não existe nada no mundo que eu não possa fazer se quiser. L-Dopa é poder
e força irresistível. L-Dopa é poder devasso, egoísta. A L-Dopa deu-me o poder pelo qual eu ansiava. Tenho
esperado pela levodopa há trinta anos.” 

Com o passar dos dias, Leonard decidiu-se a escrever uma autobiografia. O doutor Sacks relata que Leonard datilografa
quase sem pausas, fazendo-o de doze a quinze horas por dia. Sem quase desgrudar da sua máquina de escrever, Leonard
completou sua autobiografia de 50 mil palavras em menos de um mês. A sua produtividade incrível era acompanhada,
porém, por uma fala veloz e incontrolada. 

Leonard, ao fim do experimento com a L-Dopa

Leonard foi tomado por uma libido desenfreada. Assediava as enfermeiras e tinha "pesadelos eróticos". Ele masturbava-
se violentamente, por horas. Progressivamente, foi ficando cada vez mais psicótico. As alucinações que se seguiram, nas
próximas semanas, obrigaram o desmame da droga. Leonard retornou ao seu estado inicial - paralítico. Resignou-se,
dizendo:
“A princípio, dr. Sacks, achei que a L-Dopa era a coisa mais maravilhosa do mundo, e abençoei você por dar-
me o Elixir da Vida. Depois, quando tudo ficou ruim, achei que era a pior coisa do mundo, um veneno mortal,
uma droga que mandava a pessoa às profundezas do inferno, e amaldiçoei você porque a deu para mim (...). 

Agora aceito toda a situação (...). No final... é triste, e nada mais. O melhor para mim é que não se faça coisa
alguma — chega de drogas. Aprendi muito nos três últimos anos. Ultrapassei barreiras que tive toda a minha
vida. E agora continuarei sendo eu mesmo, e você pode guardar sua L-Dopa”.

A importância do neuroequilíbrio

Leonard morreu em 1981. A lição da sua história - brilhantemente contada no livro e no


filme Tempo de Despertar é de que o cérebro ama o equilíbrio. Pouca dopamina pode
ser terrível: é a apatia, a preguiça, a lassitude, o desinteresse, a frieza, a falta de ânimo
avassaladora, a perda de vontade pela vida. As pessoas sem dopamina tornam-se
zumbis. 

O excesso, porém, não é nem um pouco melhor: é o excesso, é um carro veloz sem os
freios, o Fausto, a ilusão da grandiosidade, os desejos pujantes, as ambições
desmedidas, a vontade insaciável de poderio. As pessoas com excesso de dopamina
podem ser incrivelmente prolíficas e com uma produtividade a mil. Parece ótimo - mas,
muitas vezes, isso significa esquecer de todo o mundo ao seu redor, como se tais
pessoas estivessem em um túnel, onde só podem olhar para frente. 

Essa é a melhor das hipóteses. Muitas vezes, ocorre o extremo oposto: tais pessoas são
dominadas por uma energia tão arrebatadora que tornam-se maníacas, com mil
desejos. A superexcitação e a ansiedade não as permitem focar em nada. Sim, a
dopamina é importante para o foco, como falamos antes. No entanto, tanto sua falta quanto o seu excesso são ruins. O
primeiro significa desinteresse, enquanto o último significa uma sensação de mente acelerada, que não combina em
nada com a concentração.

Quer saber mais? Confira meu e-book!

Certamente, vale a pena se aprofundar nos nootrópicos e nas intervenções capazes de aumentar a cognição. Existem
muitos outros além dos discutidos até aqui. O propósito dos nootrópicos é preservar o cérebro e, ao mesmo tempo, a
depender da substância, melhorar funções como concentração, memória, aprendizagem, raciocínio, resolução de
problemas, planejamento, fadiga, motivação e bem-estar.
Eu investigo - em textos científicos e por meio de experiências pessoais - a eficiência e a segurança dos nootrópicos, no
meu e-book, o  Turbine Seu Cérebro. Os vários nutrientes que são fundamentais para o bom funcionamento do cérebro
também são discutidos.

Além de lhe oferecer as minhas experiências pessoais com os nootrópicos, eu também mostro os vereditos da ciência
sobre 16 nootrópicos: como eles atuam no cérebro e em que situações eles são úteis. Tudo isso numa linguagem muito
agradável e de fácil entendimento.

Clique aqui para saber mais sobre o e-book.

Referências
[1] Pleasure systems in the brain, 2015
[2] Dopamine and Reward: The Anhedonia Hypothesis 30 years on, 2008
[3] Dopamine and desire, 2005
[4] The mysterious motivational functions of mesolimbic dopamine, 2012
[5] Feeding behavior in dopamine-deficient mice, 1999
[6] Acute Phenylalanine/Tyrosine Depletion Reduces Motivation to Smoke Cigarettes Across Stages of Addiction, 2011
[7] O nosso cérebro é mais que uma sopa de químicos, 2013
[8] Dopaminergic-based pharmacotherapies for depression, 2006
[9] Funções executivas e alterações no lobo frontal: reflexos e influência no diagnóstico do TDAH , 2012
[10] A Review of Executive Function Deficits and Pharmacological Management in Children and Adolescents, 2012
[11] Dopamine, Corticostriatal Connectivity, and Intertemporal Choice, 2012
[12] Dopamine and male sexual function, 2001
[13] Antipsychotic-Induced Sexual Dysfunction and Its Management, 2012
[14] O texto drogado: uma experiência estético-amorosa, 2000
[15] Natural neural projection dynamics underlying social behavior, 2014
[16] First Rate Madness: Uncovering the Links between Leadership and Mental Illness, 2011
[17] Tempo de Despertar, 1997

Postado por Matheus Pereira às 22:34

Marcadores: Dopamina, Suplementos

19 comentários:

R Christin 28 de novembro de 2016 08:46


Excelente texto, como sempre. Já estava me perguntando se você não postaria mais nada esse ano, mas entendo e imagino
sua correria no curso de medicina, nos projetos pessoais e profissionais, na vida em si e mesmo assim encontrou tempo pra
compartilhar o que sabe. Gratidão.
Responder

Respostas

Matheus Pereira 8 de dezembro de 2016 12:02


Christin, muito obrigado a você pelo seu comentário. O curso é realmente bem corrido, mas tenho grande satisfação
em publicar aqui no blog. Faço sempre que posso e fico feliz em saber que esses posts são aguardados pelos
leitores. Um abraço

Responder

Anônimo 30 de novembro de 2016 17:48


Boa tarde,
otimo texto, seria interessante você falar da hydergine numa eventual continuação dele
Responder

Respostas

Matheus Pereira 8 de dezembro de 2016 12:04


O Hydergine é pouco estudado hoje em dia, apesar de ainda ser utilizado e prescrito. Não há nada novo a seu
respeito, mas certamente uma revirada na literatura poderia resgatar algo interessante. Irei vasculhar o fundo do
baú nas férias. Havendo algo, postarei aqui.

Responder

Caroline 5 de dezembro de 2016 20:42


E o Benzendrine? Ele é a Ritalina?
Estou iniciando uma rotina forte de estudos,
Vou usar o que for preciso para aumentar minha performance:
1- Nootropil (800mg) + Colina (100mg, manipulada em farmácia)
2- bulletproof coffee ( Café + manteiga ghee + oleo de coco) + L Teanina (100mg)
3- ômega 3

Tudo isso 1 vez ao dia.


Vou complementar minha dieta com castanhas (1 por dia).
E quero garantir minha dopamina com Benzendrine.
Benzendrine precisa de receita?
Thanks!
O que achou da minha dieta? ehehe
Thanks
Responder

Respostas

Matheus Pereira 8 de dezembro de 2016 12:05


Olá, Caroline, o Benzedrine era o nome antigo para a anfetamina. No Brasil, a anfetamina é ilegal, mas existe uma
droga chamada de Venvanse (nome fantasia) que, no corpo, se metaboliza em anfetamina. É prescrita para TDAH e,
numa pessoa saudável, sua longa lista de efeitos colaterais não compensaria os potenciais benefícios (discutíveis...).

Responder

Letícia Custódio 8 de dezembro de 2016 14:07


Olá! Primeiramente, parabéns pelo blog, ele é muito completo!
Eu faço tratamento para depressão com cloridrato de sertralina 100mg e cloridrato de bupropiona 300mg. No início, senti
muita diferença, pois me ajudou muito com a indisposição, desânimo e irritabilidade, e ansiedade (que gerava principalmente
uma compulsão alimentar), que eram os sintomas que mais me incomodavam. Porém , com o passar do tempos, parece que
o efeito do medicamento foi estabilizando...sei lá, já não me sinto tão bem quanto antes. Me sinto cansada, não consigo fazer
nada, não tenho iniciativa e não consigo estudar, pois além da falta de inciativa, tem a dificuldade de concentração... Estou
quase do mesmo jeito que antes de tomar medicamentos. Tentei algumas trocas, mas não ajudaram muito. Enfim, gostaria de
uma indicação de suplemento, ou medicamento fitoterápico que me ajudasse com isso, mas são tantas opções, que estou
completamente perdida. Você poderia me ajudar, me indicando algo que não seja muito arriscado de tomar junto com os
medicamentos que eu já tomo? Grata!
Responder

Respostas

MonaXuxa 11 de dezembro de 2016 03:24


Tente tomar nootropil 3 vezes ao dia. 2 comprimidos de manha, 2 de tarde e 2 de noite. A cada 5 horas.
Durante 3 meses. Com certeza ira melhorar.

Matheus Pereira 25 de dezembro de 2016 21:37


Olá, Letícia. Sinto pela demora em respondê-la. A bupropiona tem efeito estimulante mais intenso durante as
primeiras semanas de uso. Tanto é que os manuais de Psicofarmacologia chamam atenção para a necessidade de
tatear um pouco a dose, a fim de minimizar efeitos ansiogênicos (ou seja, uma estimulação excessiva que causa
ansiedade). Com o uso contínuo, tais efeitos diminuem - para a tristeza dos que apreciam a ação estimulante da
bupropiona. Esses dizem, anedoticamente, que o período de "lua-de-mel" chegou ao fim.

De qualquer forma, os efeitos da bupropiona derivam basicamente da sua atividade pró-dopaminérgica.


Suplementos dopaminérgicos incluem a l-tirosina e a S-adenosilmetionina (ou Same). Já fitoterápicos
dopaminérgicos incluem a Rhodiola rosea, marapuama (Ptychophetalum olacoides), catuaba (Trichilia catigua) e
açafrão (Curcuma longa). O uso de qualquer um desses deve ser orientado pelo seu médico, porém, que é o
profissional capaz de determinar o custo/benefício do uso de terapias coadjuvantes e conhece o seu histórico
pessoal. Infelizmente, não posso indicar qualquer suplemento ou medicamento fitoterápico, pois não sou médico e
não conheço seu histórico médico.

Obrigado pelo entendimento

Responder

Cleber Calciolari 14 de dezembro de 2016 17:52


Interessante, como saber este equilíbrio?

Um estudo recente sobre pornografia, notou exatamente a baixa produção de dopamina. Com o vício ao porno, condicionou o
cérebro a sentir prazer apenas no estímulo visual da pornografia, o resultado foi baixa liberação de dopamina qnd vai fazer
sexo ao vivo.

Qual médico correto que pode falar sobre nootropicos? Sinto uma escassez mto grande nisso.
Responder
Respostas

Matheus Pereira 26 de dezembro de 2016 11:02


Cleber, o equilíbrio, penso, é compreendido a partir de uma avaliação do comportamento. Há características típicas
de quem possui dopamina baixa, em especial a lassitude, baixa libido (que o sr. citou), dificuldade para iniciar
tarefas, desmotivação em geral e dificuldades de concentração. São sinais clássicos de uma subativação do sistema
de gratificação ou de recompensa, governado pela dopamina. Por outro lado, sentimentos eufóricos, de poderio,
libido confiança excessivas - e até sinais físicos, como o blefarospasmo (espasmos nas pálpebras), entre outros,
indicam uma superativação dos sistemas dopaminérgico.

Embora não haja nenhum médico "especialista em nootrópicos", eu sinto que o profissional mais capacitado a
trabalhar com eles seja o médico neurologista. Não há, é claro, na faculdade de Medicina, um módulo específico
para nootrópicos e melhoria cognitiva (só sobre areversão dos déficits cognitivos). Daí, os médicos certamente
desconhecem muitos do assunto, naturalmente. Contudo, eles certamente são muito capacitados para pesquisar na
literatura científica a respeito desses medicamentos e analisar individualmente a eficácia e a segurança deles (se
assim desejarem fazê-lo...).

Responder

Anônimo 19 de dezembro de 2016 01:54


Podes me dizer se A Bupipropiona serve para aumentar a dopamina?? E o stavigile eh anfetamina ou tb atuaria na dopamina??
Responder

Respostas

Matheus Pereira 26 de dezembro de 2016 11:06


O principal mecanismo de ação da bupropriona é a inibição da recaptação de dopamina. A bupropiona impede que
a dopamina seja "sequestrada" das sinapses, fazendo com que a sua ação seja intensificada e prolongada. A
bupropiona faz o mesmo com outro neurotransmissor, a noradrenalina, mas não de modo tão intenso. Então, sim, a
bupropiona, pode-se dizer, serviria para aumentar a dopamina, nas condições clínicas em que seja útil fazê-lo.

O Stavigile é o nome comercial da droga modafinila. Não trata-se de uma anfetamina. Contudo, exerce um efeito
dopaminérgico leve - também pelo mesmo mecanismo da bupropiona, contudo de modo menos intenso. Já as
anfetaminas são drogas altamente dopaminérgicas.

Responder

Anônimo 26 de dezembro de 2016 21:49


Matheus, em qual area vc pretende se especializar? Quero consultar contigo rs...
Responder

Respostas

Matheus Pereira 26 de dezembro de 2016 22:31


Anônimo, muito cedo para decidi, mas hoje tenho grande interesse tanto pela Psiquiatria quanto pela Neurologia!
Fico muito feliz em ler o seu comentário :)

Responder

Anônimo 1 de março de 2017 00:15


Excelente texto!
Responder

Anônimo 15 de março de 2017 16:12


Bom dia Matheus. O que terias a dizer sobre a MUCUNA PRURIENS? Aumenta a dopamina mesmo? É seguro usar? Qual a dose
segura diária?
Responder

Unknown 7 de maio de 2017 11:22


Que texto excelente e interessante! Como profissional da área da saúde e leitor assíduo de matérias do gênero, digo que essa
foi uma das melhores que li e mais cativantes quanto à leitura... Continue nesse caminho e parabéns pela iniciativa.
Responder
Pedro Paiva Nataraja 30 de julho de 2017 09:13
Tive uma experiencia parecida com mucuna pruriens + cafe + jejum fiquei euforico, tarado e perdi a produtividade, no meu
caso só cafe+jejum ou só mucuna funciona melhor
Responder

Digite seu comentário...

Comentar como: Unknown (Google) Sair

Publicar Visualizar Notifique-me

Postagem mais recente Página inicial Postagem mais antiga

Assinar: Postar comentários (Atom)

Tema Janela de imagem. Tecnologia do Blogger.