Você está na página 1de 3

AS CAUSAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA E A CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL

MOTIVOS QUE COLABORARAM COM A EXPANSÃO MARÍTIMA:


GOSTO PELA AVENTURA

Os impulsos para a aventura marítima não eram apenas comerciais. Os navegantes


europeus da época se impulsionavam pelo verdadeiro significado pa palavra aventura:
viver uma aventura descobrindo novos mundos. Para eles, a curiosidade era imensa
porque o mundo era um mistério cheio de lendas e fantasias (pensavam encontrar até
reinos fantásticos, homens monstruosos ou paraísos terrestres). Contudo, prevalecia
que o sonho das descobertas, através das aventuras marítimas, estava sempre
associado ao interesse material.

O DESENVOLVIMENTO DAS TÉCNICAS DE NAVEGAÇÃO

A expansão marítima portuguesa representou uma importante renovação das


chamadas “técnicas de marear” (ainda não existiam latitudes e longitudes, apenas
rumos a distâncias).

O aperfeiçoamento de instrumentos de navegação, como o quadrante e o astrolábio,


representou uma importante inovação (permitiam conhecer a localização de um navio
pela posição dos astros).

Os portugueses desenvolveram um tipo de arquitetura naval mais apropriada:


construíram a caravela, embarcação leve e veloz para as condições da época, que
permitia se aproximar mais da terra firme, pelo seu pequeno calado. A caravela foi “a
menina dos olhos” dos portugueses.

A NOVA MENTALIDADE

Consequência: a expansão marítima provocou uma gradual mudança de mentalidade,


porque foi mostrando cada vez mais como as antigas concepções eram equivocadas
(ex: a descrição do mundo geográfico de Ptolomeu). Os portugueses perceberam que
era necessário valorizar o conhecimento baseado na experiência. Começaram a por em
dúvida o critério da autoridade: a aceitação de uma afirmativa como verdadeira só por
ter sido feita por alguém que supõe entender do assunto. Porém, no plano coletivo, as
mentalidades não mudaram rapidamente e o imaginário fantástico continuou a existir.

ATRAÇÃO PELO OURO E PELAS ESPECIARIAS

– Quais os bens mais buscados na expansão portuguesa? Ouro e especiarias.

– Ouro: moeda confiável, usada pelos aristocratas asiáticos na decoração de templos e


palácios e na confecção de roupas.

– Especiarias: produtos caros e raros, usados em pequenas quantidades.


– Utilização: eram usadas para vários fins, como: condimento (tempero de comida),
remédio e perfumaria. Ex: pimenta (principalmente), cravo, canela, noz-moscada,
gengibre, alho, cebola, etc.

– Por que as especiarias tinham alto valor? Na época, não existia técnica para
conservação da comida, então, os condimentos serviam para conservá-la por mais
tempo e não deixá-la com odor à podridão, principalmente, as carnes e os peixes.

– Os condimentos também representavam o gosto alimentar da época, como o café,


que bem mais tarde, passou a ser consumido em grande escala.

– De início, o açúcar também era especiaria, mas com seu consumo em massa, deixou
de ser.

– Outros bem procurados: peixes, madeira, corantes, drogas medicinais, e pouco a


pouco, os escravos africanos…

A OCUPAÇÃO DA COSTA AFRICANA E AS FEITORIAS

A conquista da cidade de Ceuta (norte da África, 1415): é considerada o ponto de


partida da expansão ultramarina portuguesa.

Os historiadores portugueses possuem 2 visões sobre a invasão dessa cidade:

1 – A finalidade foi para abrir caminho na busca de ouro e controlar invasões piratas
dos árabes na costa de Portugal.

2 – Foi uma grande expedição da nobreza, promovida pelo rei, em busca de saque e
aventura.

A expansão portuguesa desenvolveu-se ao longo da costa ocidental africana e nas


ilhas do Atlântico. Houve o reconhecimento da costa africana, que durou em torno de
53 anos: da ultrapassagem do Cabo Bojador (por Gil Eanes, 1434) até a passagem do
Cabo da Boa Esperança (por Bartolomeu Dias, 1487). Ocorreu a entrada no Oceano
Índico, por Vasco da Gama, quando chegou a tão sonhada Índia das especiarias
(depois, Portugal também navegou até a China e o Japão).

Os portugueses não penetraram profundamente no território africano, mas


estabeleceram na costa uma série de feitoras: postos fortificados de comércio. Como
as trocas comerciais eram precárias, exigia a garantia das armas. O feitor fazia compras
de mercadorias dos chefes ou mercadores nativos e estocava até que os navios
portugueses as recolhessem à Europa. Naquele período, com a feitoria, era
praticamente desnecessária a colonização e, também, a população africana era bem
organizada no território a partir do Cabo Verde.
A Coroa portuguesa organizou o comércio africano estabelecendo o monopólio
real sobre as transações com ouro. Assim, foi criada (por volta de 1481), a Casa da
Mina ou Casa da Guiné, uma espécie de alfândega especial para o comércio africano.
O que os portugueses levavam da costa ocidental da África:

– Pequenas quantidades de ouro em pó e marfim (os árabes dominavam esse


comércio e era feito através do Egito);
– Pimenta malagueta;
– A partir de 1441, sobretudo, escravos (de início, encaminhados a Portugal para
trabalhos domésticos e urbanos).

A OCUPAÇÃO DAS ILHAS DO ATLÂNTICO

– Ocupação diferente da que ocorreu na África, porque nas Ilhas os portugueses


realizaram experiências significativas de plantio em grande escala, empregando o
trabalho escravo.

– Após disputas, os espanhóis ficaram com as Ilhas de Canárias e os portugueses se


implantaram nas demais ilhas (conquistadas de 1420 a 1471): Ilha da Madeira, Açores,
Cabo Verde e São Tomé.

– Na Ilha da Madeira predominou o trigo e a cana-de-açúcar.

– Trigo: cultivo tradicional através de modestos camponeses portugueses com posse


da terra.

– Cana: incentivados por mercadores genoveses e judeus, baseados no trabalho


escravo. A economia açucareira triunfou, mas com breve êxito, porque tanto fatores
internos como a concorrência do açúcar do Brasil e de S. Tomé levaram a produção ao
declínio.

– São Tomé: sistema de grande lavoura da cana (semelhante ao Brasil), havia muito
escravo (pela proximidade da costa) e a atividade principal da ilha passou a ser um
entreposto de escravos vindos da África para distribuição na Europa e América.