Você está na página 1de 186

BARROCO

MINEIRO
GLOSSÁRIO DE
ARQUITETURA E
ORNAMENTAÇÃO
Affonso Áv'
João Marcos Machado Gontijo
Remaldo Guedes Machado
Esta edição de B A R R O C O MINEIRO/GLOSSÁRIO DE AR-
Q U I T E T U R A E O R N A M E N T A Ç Ã O , realizada em convênio pela
F U N D A Ç Ã O JOÃO P I N H E I R O e F U N D A Ç Ã O R O B E R T O M A R I -
N H O , constitui um marco no trabalho que ambas as entidades vêm de-
senvolvendo na área de preservação da Memória Nacional. Obra ao
mesmo tempo de divulgação e pesquisa, vem colocar ao alcance de pú-
blico mais amplo, em linguagem objetiva e acessível, conhecimentos his-
tóricos e artísticos e terminologia técnica de caráter básico, até agora de
domínio apenas dos estudiosos. Acreditamos que sua*publicação, em
edição de apurado nível gráfico-visual, seja uma contribuição à própria
cultura brasileira, que tem, no barroco mineiro, uma das manifestações
criadoras mais autênticas e perenes.

Antônio Octávio Cintra


Presidente da Fundação João Pinheiro

Roberto Marinho
Presidente da Fundação Roberto Marinho
BARROCO MINEIRO
GLOSSÁRIO DE ARQUITETURA
E ORNAMENTAÇÃO
abcdefghijlm
nopqrstuvxz
Programação Visual e Diagramação
Sebastião Nunes

Capa
Risco de A n t ô n i o Francisco Lisboa,
o Aleijadinho, p a r a o f r o n t i s p í c i o d a Igreja
d e S ã o F r a n c i s c o d e Assis,
e m S ã o J o ã o del-Ftei
( M u s e u d a i n c o n f i d ê n c i a - O u r o Preto)

Capa Interna
Recibo firmado por Antônio Francisco Lisboa,
o Aleijadinho,
{ M u s e u d a I n c o n f i d ê n c i a - O u r o Preto)

Letras Capitulares
d o livro Áureo Trono Episcopal ( L i s b o a - 1749)

Desenhos
João Marcos Machado Gontijo

Fotografia
E u l e r A n d r é s , G e o r g e Heit
e Mauro Afonso Ribeiro

Arte-final
José Paulo Costa

Impressão
G r á f i c a D a n ú b i o S.A.

5
Affonso Ávila
Joáo Marcos Machado Gontijo
Reinaldo Guedes Machado

BARROCO MINEIRO
GLOSSÁRIO DE ARQUITETURA
E ORNAMENTAÇÃO
Co-edição
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO
FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO
Rio de Janeiro, 1979
F.J,P. - Rltfl. Ii mxA

* 6 0 0 0 0 4 6 6 *
NAO DANfFIOUF ESTA ETTIQUETA
BARROCO MINEIRO - GLOSSÁRIO DE
ARQUITETURA E ORNAMENTAÇÃO

Este Glossário foi organizado, em sua versão preliminar, com a finali-


dade de servir de orientação para os levantamentos de vistoria e inventário de
Bens Culturais imóveis que viriam a ser procedidos, dentro do Programa de Recu-
peração de Cidades Históricas de Minas Gerais, pelos técnicos da Fundação João
Pinheiro. Com a sua utilização, procurava-se dar maior homogeneidade às análises
e descrições de edificações religiosas e civis, de modo a evitar, quanto possível,
duplicidades ou imprevisões de terminologia.

Entretanto, logrou o trabalho uma repercussão mais ampla e fora de seu


alcance imediato, o que não estava de início nas cogitações dos organizadores. Atra-
vés de várias e ponderáveis manifestações a respeito, chegadas a conhecimento da
Fundação João Pinheiro, ficou patenteado um interesse bastante generalizado pela
mais larga utilidade informativa e didática que o mesmo poderia apresentar, se divul-
gado em tiragem capaz de atender a uma demanda maior de pessoas voltadas para a
importância da matéria aqui codificada. Dentre as manifestações em questão,
destacou-se a da Fundação Roberto Marinho, que, vislumbrando o sentido altamente
cultural da iniciativa, se dispôs a colaborar com a Fundação João Pinheiro no sentido
de promover-se, em compatível padrão gráfico, a presente edição deste Glossário.

Levando-se em conta a nova destinação do trabalho, foi ele acrescido de


algumas centenas de verbetes, de modo a oferecer uma série mais abrangente de in-
formes sobre o chamado Barroco Mineiro, suas técnicas construtivas, seus processos
arquitetônicos e de ornamentação e os vários aspectos históricos, artísticos e materiais
que os envolvem e caracterizam. Na elaboração geral dos verbetes, foram pesquisadas
fontes originais de consulta, a exemplo de documentos de contrato de obras do século
XVIII ainda existentes em arquivos oficiais ou religiosos, sendo também consultados
estudos de diversos especialistas, fontes todas elas devidamente mencionadas na bi-
bliografia que vem ao fim do volume.

Buscando ajustá-las às características principais do diversificado acervo


artístico-arquitetônico que confere dimensão de grandeza à atividade criativa desen-
volvida em Minas Gerais no período da mineração do ouro e do diamante, as defini-
ções são sempre que possível seguidas de exemplos relativos às obras representativas
desse acervo. Esta orientação não impede, entretanto, que muitos dos verbetes conte-
nham informações genéricas aplicáveis ao entendimento mais extensivo de toda a ar-
quitetura e arte brasileira da mesma época ou que traduzam aspectos teóricos de âm-
bito ainda mais geral, porém imprescindíveis ao adequado conhecimento do fenômeno
barroco-rococó. Procurou-se, por outro lado, enriquecer o Glossário com variado ma-
terial ilustrativo, seja em desenho, seja em fotografia, salientando-se neste particular a
reprodução de alguns riscos ou plantas originais da época e que chegaram até nossos
dias. Como apêndice, publica-se uma listagem de pesos e medidas vigentes no período
colonial.

9
Fica creditado o nosso reconhecimento à diretoria da Fundação João Pi-
nheiro, que estimulou e tomou possível a concretização deste trabalho, bem como a
todos que para ele contribuíram com sugestões ou colaboração direta, de modo espe-
cial ao bibliógrafo Hélio Gravata e às historiadoras Myriam Andrade Ribeiro de Oli-
veira e Maria Juscelina de Faria Barroso, que colaboraram, respectivamente, na reda-
ção do verbete referente à pintura colonial mineira e na pesquisa arquivística.

A equipe de elaboração:
Affonso Ávila
Joáo Marcos Machado Gontijo
Reinaldo Guedes Machado

11
I
GLOSSÁRIO DE AfQUITETURA
ABOBADAS

ABA
1. Saliência do TELHADO, que apa-
rece além de sua prumada externa.
2. Faixa lisa com que, pelo lado infe-
rior, se arrematam as CIMALHAS.

ABALCOADO
Em forma de BALCÀO ou que o pos-
sui. Diz-se principalmente de SACA-
DAS e MUXARABIS.

ABOBADA
Cobertura de secção curva.
(Fígs. 1, 1-A, 1-B, 1-C, 1-D)

ABÓBADA DE ARESTA
É a que resulta da interseção de duas
ABOBADAS DE BERÇO de igual al-
tura, cortando-se em ângulo reto.
(Figs. 1, 1-A)

ABOBADA DE BERÇO
Abobada gerada pelo deslocamento de
urna semicircunferencia ou de secção
semicircular.
(Fig. 1-B)

ABOBADA FACETADA
Diz-se da ABOBADA formada por pla-
nos.
(Fig. 1-C)
ABOBADILHA ÁGUA
ABÓBADA em forma de semicilindro, Nome dado ao plano do TELHADO.
construída geralmente de tijolos e usada Ver COBERTURA.
na edificação de sobrados. (Fig. 2)

AÇOTÉIA ÁGUA-FURTADA
TERRAÇO ou EIRADO por cima de 1. S Ó T Ã O , T R A P E I R A ou M A N -
casas ou torres. SARDA.
2. Abertura na cobertura.
A D O B E OU A D O B O 3. Cômodo entre o T E L H A D O e o
Grande tijolo de barro seco ao sol. Na FORRO, dotado de janelas sobre o te-
sua confecção, ao bano bem amassado lhado.
às vezes eram adicionadas palha, crina,
e t c , para aumentar a resistência. Ver também MANSARDA.

ADRO
ÁGUA-MESTRA
Pátio, à frente ou em tomo das igrejas,
geralmente cercado por muros baixos. ÁGUA de forma trapezoidal, num te-
lhado retangular, de quatro águas. Ver
ADUELA
também os verbetes COBERTURA e
TACAN1ÇA.
1. Pedra talhada que compõe os
(Fig. 2)
ARCOS ou ABÓBADAS.
2. Peças de sentido vertical dos quadros AGULHA
de portas e janelas que recebem as 1. Arremate piramidal ou cónico, de
FOLHAS. Diz-se também da face in- pequena base e grande altura, que apa-
terna destas peças. rece geralmente no coroamento agudo
(Figs. 18, 22) de torres de igrejas. Ver também o ver-
bete CORUCHÉU.
ADUFA 2. Diz-se igualmente de peça cilíndrica
FASQUIAS de madeira, superpostas e de madeira empregada no travamento
intervaladas. Ver também o verbete do T A I P A L para as construções de
VENEZIANA. TAIPA DE PILÃO.

AGENCIAMENTO
AJUNTOURADO
Tratamento de um determinado sítio ou
Feito com o emprego de JUNTOU-
aspecto de uma construção.
ROS. Nas especificações para a cons-
trução da Casa de Câmara e Cadeia de
Mariana, aparece a palavra sob a grafia
ajuntouvado. Ver também o verbete
JUNTO URO.

A L B Í N E O (ALVÍNEO)
O mesmo que A L V A N E L .

ALÇADO
Elevação ou projeção vertical, em de-
senho de uma fachada ou outra parte de
uma construção.
(Fig. 18)

ALÇAPÃO
Porta ou tampa horizontal, que se fecha
de cima para baixo, nivelada com o
ASSOALHO, dando comunicação para
um SÓTÃO, pavimento inferior ou po-
rão. Diz-se também do respectivo vão.
ALCATRUZ ÁGUAS
Conduto de água que, nas localidades
antigas de Minas, era geralmente feito
de pedra, com assentamento em cal e
areia e juntas betumadas ou ligadas por
cal preta e azeite de mamona.

ALCOVA
Quarto de dormir sem janelas e sem
aberturas diretas para o exterior.

ALGEROZ
1. Cano, de pedra, metal ou alvenaria,
que dá vazão às águas do TELHADO.
2. BEIRAL formado de diversas ordens
de telhas sobrepostas, muito usado em
construções de São João del-Rei. Ver
também o verbete BEIRA-SEVEIRA.

ALICERCE
Maciço de A L V E N A R I A que serve de
base às paredes de um edifício.

ALIZAR
Peça de madeira que cobre ajunta entre
a OMBREIRA de porta ou janela e o
paramento das paredes.
(Fig. 22)

ALIZAR DE ORELHAS
Diz-se do A L I Z A R que apresenta res-
saltos nos cantos.

ALJUBE
Cárcere ou prédio de prisão especial-
mente destinado a recolhimento de réus
condenados pela justiça eclesiástica. A
lenda de ter existido em Mariana um Al-
jube, que seria o atual prédio do Museu
Arquidiocesano, não é historicamente
procedente como comprova a docu-
mentação a respeito do referido edifí-
cio. Este foi construído com a destina-
ção específica de Casa Capitular, ou
seja, de sede do Cabido ou assembléia
dos cónegos.

ALMOFADA
Relevo, quase sempre trabalhado, na
superfície plana de vedações, móveis,
etc. Diz-se porta ou janela de almofada
as constituídas por engradamento que
suporta painéis ou relevos almofadados.
Ver também o verbete A L M O F A D A RINCÃO
na parte de ORNAMENTAÇÃO deste
Glossário.
(Figs. 19, 28, 29)

19
ALMOTACÉ APARELHADA
Juiz eleito pelos Senados das Câmaras, Diz-se da peça de pedra ou madeira,
que tinha por função fiscalizar pesos e desbastada, lavrada ou aplainada, ge-
medidas, preços de gêneros, limpeza e ralmente destinada a trabalhos de aca-
conservação de bens públicos, etc. A bamento mais cuidado. Ver também o
ele competia também decidir sobre au- verbete CANTARIA.
torizações e demandas relativas às
obras de construção. Usava-se igual- APICOADO
mente a grafia almotacei.
Desbastado de forma tosca, a picão.
ALPENDRE APILOADO
Espécie de PÓRTICO, com teto susten-
tado por PI LASTRAS, COLUNAS ou Diz-se do terreno ou piso batido ou cal-
ARCADAS, à frente ou entrada de uma cado com pilão ou soquete.
edificação. AQUEDUTO
Construção para conduto de água. Em
ALVANEL Ouro Preto, a palavra era usada para
O pedreiro que trabalha em obra de denominar a base de apoio, em CAN-
ALVENARIA. TARIA ou A L V E N A R I A , do encana-
mento dirigido a CHAFARIZES ou ou-
tras construções.
ALVENARIA
Obras compostas de pedras ou tijolos,
ligadas ou não por meio de argamassa. ARCADA
Série de arcos contíguos; abertura em
ALVENARIA DE ADOBE forma de ARCO.
Vedações, paredes, CÚPULAS, consti- (Fig. 39)
tuídas de ADOBE, onde estes são as-
sentados e emboçados com barro, po- ARCARIA
dendo receber reboque de cal e areia.
Podem formar PAREDES ESTRUTU- O mesmo que ARCADA.
RAIS.
ARCO
Elemento de construção em forma de
ALVENARIA DE PEDRA curva, destinado a ligar vãos entre dois
Muro ou parede, de larga espessura, apoios constituídos por C O L U N A S ,
constituídos de pedra, podendo ser de PILARES ou PILASTRAS.
pedra seca e dispensando argamassa; de
pedra e barro com argamassa de terra; ARCO ABATIDO
ou de pedra e cal, com argamassa de Diz-se do ARCO formado por segmento
cal e areia. de círculo menor que 180°.
(Fig. 13) (Fig. 3)

AMOURISCADO (AM O RIS CA DO) ARCO AVIAJADO


Tipo de telhado em que uma ou mais Aquele cujo perfil constitui uma curva
fiadas de telhas são seguras de lado a policêntrica, formada de arcos de cír-
lado com argamassa. culo e que se apoia em IMPOSTAS de
níveis diferentes. Exemplo: ARCO que
sustenta a escadaria lateral do antigo
APAINELADO
Palácio dos Governadores, em Ouro
Superfície composta de ALMOFADAS
Preto, que dá acesso à capela.
ou PAINÉIS definidos por molduras. (Fig. 5)
(Fig. 16)

A P A I N E L A D O POR CORDÕES ARCO-CRUZEIRO


(FORRO) Arco de entrada da CAPELA-MOR.
Tipo de F O R R O , em P A I N É I S ou Ver o verbete próprio na parte de OR-
CAIXOTÕES, com suas secções deli- N A M E N T A Ç Ã O deste Glossário.
mitadas por FILETES de madeira. (Figs. 27, 27-B, 39, 40)
A R C O DE M E I O P O N T O
O mesmo que A R C O PLENO.

ARCO PLENO
Diz-se do A R C O que tem o perfil de
urna semicircunferencia.
(Fig. 4)

A R Q U I T E T U R A DO P E R Í O D O CO-
LONIAL MINEIRO
CONSTRUÇÕES RELIGIOSAS ESCADA DE ACESSO A
No processo de evolução da arquitetura CAPELA DO ANTIGO PALÁCIO
religiosa do século XVIII em Minas, as DOS GOVERNADORES,EM
OURO PRETO.
principais igrejas podem ser generica-
mente classificadas segundo o esquema
seguinte de divisão em fases:
a) l. fase — Até cerca de 1740 —
a

FRONTISPÍCIO simples, em linhas re-


tangulares, com toda a ênfase ornamen-
tal concentrada no interior das igrejas,
geralmente construídas em TAIPA ou
ADOBE (ex. Igreja de St. Amaro, 0

B rumai);

b) 2. fase — M/m 1740/1760 — Fron-


a

tispício ainda em linhas retangulares,


mas já com a presença de elementos
ornamentais em CANTARIA; estrutura
da construção em A L V E N A R I A DE
PEDRA; ornamentação interior menos
intensa, com prevalência do elemento
escultórico (ex. Matriz de Nossa Se-
nhora do Bom Sucesso, em Caeté);

c) 3. fase — A partir de 1760/1770 —


a

Frontispício e corpo da N A V E em ARCO A VIA JADO


PARTIDO curvilíneo, TORRES recua-
das e redondas com ricas PORTADAS
em escultura ROCOCÓ; construções
em pedra de alvenaria e cantaria, com a
presença ornamental de PEDRA-SA-
BÃO; decoração interior sóbria e ele-
gante, em linhas rococó (ex. Igrejas de
São Francisco de Assis, em Ouro Preto
e São João dei-Rei). Algumas igrejas da
3. fase ora enfatizam apenas o partido
a

curvilíneo (ex. Igreja do Rosário, em


Ouro Preto), ora conjugam os antigos
partidos retangulares com o programa
ornamental rococó do frontispício (ex.
Igreja do Carmo, em Sabará) ou che-
gam a assimilar formas curvilíneas e re-
cuadas nos planos das torres (ex. Igreja
do Carano, em Mariana). Por tudo isso,
pode-se falar em fase barroco-rococó
relativamente à 3. fase da arquitetura
a

religiosa em Minas.
FIG. 5

21
d) 4. fase — A partir de fins do século
a
sem torres, com o alto da EMPENA
XVIII ou de inícios do XIX — Volta ao funcionando à maneira de FRONTÁO,
partido retangular dos frontispícios e as encimado por pequena cruz (ex. Capela
linhas mais rígidas e pesadas, ao gosto de Santo Antônio, em Pompéu, distrito
NEOCLÁSSICO. É desse período a de Mestre Caetano, Sabará). Na metade
Igreja de São Francisco de Paula, em do século XVIII, algumas capelas, prin-
Ouro Preto. No curso do século XIX, cipalmente nos arredores de Ouro
várias igrejas setecentistas têm os seus Preto, foram reconstruídas em alvenaria
frontispícios reconstruídos, algumas de pedra, no mesmo partido, embora
procurando ainda imitar elementos tra- mais elaborado. Sem torres, passaram a
dicionais de partidos do século XVIII, a apresentar CAMPANÁRIOS isolados,
exemplo das Matrizes de Nossa Se- dando ao conjunto da construção uma
nhora do Pilar e da Conceição de Antô- graça arquitetônica singular, a exemplo
nio Dias, em Ouro Preto, outras ado- das. Capelas do Padre Faria e de
tando mais francamente a tendência SanfAna, São Sebastião, São João,
neoclássica, a exemplo da Matriz de Piedade e Bom Jesus das Flores, estas
Nossa Senhora do Pilar (atual Cate- últimas no chamado Morro de Ouro
dral), em São Jpão del-Rei. Preto. Ao fim do mesmo século, sur-
gem as capelas de torre única, ao centro
Quanto às pequenas construções reli-
do frontispício, a exemplo da Mercês de
giosas — as CAPELAS urbanas ou ru-
Cima, em Ouro Preto. Por essa mesma
rais —, obedecem elas, de início, a par-
época, reformam-se ou se constroem
tido bem simples, em taipa ou adobe.
capelas com frontispícios chanfrados,
Os frontispícios eram bastante singelos,

ESCOLA DE MINAS — OURO PRETO

CORTINA FIG. 6

22
recurso que alguns autores atribuem ao A arquitetura residencial não apresenta
desejo de se conferir maior movimenta- grandes diferenciações estruturais e ti-
ção às fachadas, dentro do espírito pe- pológicas nas várias regiões e localida-
culiar ao BARROCO. O exemplo mais des de origem setecentista. Na primeira
característico é a Capela de Nossa Se- metade do século XVIII, predominaram
nhora do Ó, em Sabará, cujo modelo de as construções de taipa, com GUAR-
planta de base octogonal se repetirá em NIÇÕES dos VÃOS em madeira e
capelas de Caeté, Itabira, Nova Era, VERGAS retas, quer nas casas térreas,
Conceição do Mato Dentro, Serro, Ma- que eram em maior número, quer nos
riana, etc. Na região compreendida prédios assobradados, que começavam
entre Diamantina e Minas Novas, a ar- a surgir. Nas alturas de 1750, quando
quitetura religiosa, notadamente das em Ouro Preto se terminava a constru-
capelas, mostrará soluções próprias, às ção do Palácio dos Governadores, al-
vezes bastante inusitadas como as cape- gumas alterações se verificam por sua
las de São José, em Minas Novas, e de influência nos processos e materiais
Nossa Senhora da Saúde, em Chapada construtivos. Com a maior estabilização
do Norte. da vida econômica e urbana, cresce o
(Fotos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7) número de prédios residenciais dé
maior vulto, passando a ser comuns os
SOBRADOS, de acabamento mais cui-
dado, com estrutura integral ou parcial
de alvenaria de pedra, S A C A D A S
ISOLADAS ou CORRIDAS com PA-
ARQUITETURA DO PERÍODO CO- RAPEITOS de ferro e maior ocorrência
LONIAL MINEIRO de vãos, nos quais as vergas, muitas
E D I F I C A Ç Õ E S OFICIAIS E R E S I D Ê N - vezes encimando guarnições de CAN-
CIAS TARIA, recebem formas curvas ou al-
Para a arquitetura civil, torna-se mais teadas. Os BEIRAÍS de CACHORROS
difícil uma classificação esquemática. mais simples cedem, por outro lado,
Dentre as principais construções da es- lugar a beirais em CIMÃLHA, de traba-
pécie do século XVIII em Minas, de- lho mais apurado. Algumas residências,
ve-se observar que: de caráter mais nobre, recebem melhor
a) o Palácio dos Governadores (atual acabamento interno, surgindo, embora
Escola de Minas), em Ouro Preto como raridade, tetos pintados e SA-
(1741/47), obedece ao partido constru- LAS-CAPELAS I N T E R N A S (exem-
tivo de fortins militares; plo: Solar do Padre Correia, atual Pre-
feitura de Sabará). Conjuntos homogê-
b) a Casa de Câmara e Cadeia de Ma- neos de sobrados e casas térreas resi-
riana (RISCO de 1762) apresenta um denciais de típica arquitetura colonial
partido de sobriedade e equilíbrio, mas ainda se conservam em cidades como
com alguma ênfase do elemento orna- Ouro Preto, Serro, Tiradentes, Diaman-
mental; tina, etc. Nas áreas rurais, ainda subsis-
tem também antigas sedes de fazendas,
c) a Casa dos Contos, em Ouro Preto amplas construções geralmente asso-
(conclusão 1787), e a Casa Capitular bradadas, com grandes varandas e
(hoje Museu), em Mariana (início 1770), compartimentos anexos para serviços.
documentam um partido que procura Uma das mais notáveis edificações
conjugar o peso da estrutura de vulto desse tipo é a denominada Fazenda do
em pedra com uma tendência barroco- Rio São João, no atual município de
rococó de realce do elemento ornamen- Bom Jesus do Amparo.
tal; (Fotos 8, 9, 10, 11)

d) a Casa de Câmara e Cadeia de Ouro


Preto (hoje Museu da Inconfidência),
iniciada em 1784 e concluída por volta
de 1841, introduz francamente na arqui-
tetura mineira do período o partido de
proporções rígidas e elegância contida
do estilo neoclássico
ARRANQUE AUTO DE A R R E M A T A Ç Ã O
1. Primeira A D U E L A de ARCO que se Documento contratual que estabelece
apoia diretamente na IMPOSTA. as condições técnicas de execução de
2. Diz-se também da parte inicial de um uma obra de construção ou ornamenta-
CORRIMÃO, geralmente trabalhado. ção, bem como a remuneração corres-
Nas especificações para a construção pondente. Diz-se também auto de re-
da Casa de Câmara e Cadeia de Ma- matação.
riana, a palavra aparece sob a grafia
arenque. AVÃOAMENTO
(Fig. 12) Segundo Paulo Thedim Barreto, em es-
tudo sobre a Casa de Câmara e Cadeia
ARRIMO de Mariana, é o mesmo que BA-
Muro de maior espessura, destinado a L A N Ç O ou saliência.
proteção de aterros ou encostas.
AZIMBRE
ARRUAMENTO Ver o verbete CIMBRE.
A disposição ou organização das ruas e
das edificações situadas ao longo das
mesmas.

ARTESÃO
1. Operário, artífice, oficial ou artista
que exerciam, mediante habilitação, de-
terminado ofício manual.
2. Painel quadrangular ou poligonal,
com ornato ou moldura, para aplicação
em tetos, ABÓBADAS, ARCOS, etc.
Daí a expressão teto ou FORRO AR-
TESOADO.

ARTESOADO
Tipo de FORRO trabalhado. O mesmo
que CAIXOTÃO.
(Fig. 39)

A S A DE M I N H O T O
O mesmo que RABO DE MINHOTO.

ASNAS
Ver PERNAS.
ASPA
Cruzamento de peças em forma de X,
para assegurar a estabilidade de arma-
ções ou estruturas. Diz-se também cru-
zeta de aspa.

ASSOALHO

Piso ou pavimento de madeira.

ASSOBRADADA
Diz-se de uma construção, com piso
elevado do chão, formado de ASSOA-
LHO.
ÁTRIO
Entrada ou VESTÍBULO de uma igreja
ou construção civil.
BALCÃO
Sacada, geralmente com B A L A Ú S -
TRES, em fachadas de pisos superiores
das construções, à qual se tem acesso
por uma J A N E L A RASGADA POR
INTEIRO.

BALDRAME
1. Nome dado ao embasamento de
A L V E N A R I A , C A N T A R I A ou EN-
SILHARIA. Localizado entre o ALI-
CERCE e o nascimento das paredes.
Vamos encontrar no caso de pavimen-
tos elevados do solo.
2. Diz-se também de VIGA de madeira
nas estruturas independentes, de onde
partem as paredes ou onde as mesmas
se apoiam.
(Fig. 13)

BALIZA
Estaca ou objeto usados para demarcar
limites de construções ou A R R U A -
M E N T O . A observância de balizas
para esse fim era regularmente exigida
por disposições dos Senados das Câma-
ras.

BALUARTE
Construção alta, sustentada por mura-
lhas; fortaleza. Pode-se falar em ba-
luarte com relação ao antigo Palácio
fortificado dos Governadores em Ouro
Preto (atual Escola de Minas).
BACIA (Fig. 6)
1. Base de pedra ou madeira, sacada da
parede e que serve de apoio a GUAR- BANDEIRA
DA-CORPOS de P Ú L P I T O S , V A - Folha ou CAIXILHO, na parte superior
RANDAS, BALCÕES, etc. de porta ou janela, geralmente fixos, de
2. Diz-se também de certo tipo de madeira ou envidraçados.
T A N Q U E de C H A F A R I Z E S , geral- (Fig. 20-A)
mente côncavo e de forma elíptica.
(Figs. 8, 51) BARBACÃ
1. Espécie de muro, que se construía
diante das muralhas, ou frestas nas
BALANÇO mesmas para observação.
Saliência não apoiada das construções, 2. Fresta ou orifício abeito em muro de
ficando sua projeção horizontal fora do ARRIMO, para permitir escoamento de
perímetro determinado pelos elementos água.
de sustentação da estrutura.
B A R R E T E DE C L É R I G O (ABÓBADA
DE),
BALAÚSTRE ABÓBADA formada por quatro triân-
Elemento vertical, em forma de coluna, gulos curvilíneos, cujos vértices se en-
ou pilar, para sustentação de CORRI- contram num ponto central. É às vezes
MÃO, PEITORIL, ele. chamada simplesmente barrete.
(Fig. 42) (Fig. 1-D)
BARRO-DE-MÃO
O mesmo que PAU-A-PIQUE.

BARROTE
Trave grossa de madeira, de secção
transversal e retangular, geralmente
com as dimensões aproximadas de 17 x
BEIRAL
7 cm, destinada ao vigamento de AS-
SOALHO ou de TESOURA, TERÇA,
C U M E E I R A e F R E C H A L de T E -
LHADO. É maior do que o CAIBRO e
menor do que a VIGOTA.

BASTIÃO

BEIRA-SEVEIRA O mesmo que BALUARTE.

BATENTE
Rebaixo ou OMBREIRA, onde se en-
caixam as FOLHAS dos VÃOS.
(Fig. 22)
BATISTÉRIO
Lugar onde, nas igrejas ou capelas, fica
a pia do batismo.
(Fig. 27-B)

BEIRA-SEVEIRA
Beiral constituído por camadas de te-
lhas, que, embutidas na A L V E N A R I A
das paredes, se projetam sucessiva-
mente. O mesmo que beira-sob-beira,
beira-sobeira ou tríplice telha. Ver tam-
bém o verbete BEIRAL.
(Fig. 7)
CACHORROS

BEIRADA

O mesmo que BEIRAL.

BEIRAL
1. Saliência do TELHADO sobre as pa-
redes exteriores de um edifício, para
atender à sua proteção.
2. Última fiada das telhas do telhado.
Apresenta-se de diversas formas: CI-
M A L H A , CAIBRO CORRIDO, CA-
CHORRO, BEIRA-SEVEIRA.
(Figs. 7, 7-A, 7-B)
BETUME
Composição de cal, azeite, breu e ou-
tros ingredientes que, à maneira de be-
tume, se usava para vedar condutos de
água ou tapar junturas nas pedras. Com
a grafia batume, aparece em 1772 nas
condições para a construção das ABÓ-
BADAS da Igreja de São Francisco de
Cl MALHA Assis, em Ouro Preto.

26
BICA rente naquela cidade, a expressão teria
Nos CHAFARIZES e LAVABOS, é o se originado de comentário popular,
cano através do qual são abastecidos de feito à época da construção desses con-
água. Nos exemplos mais trabalhados juntos, nestes termos: "Já que vão
dessas obras, as bicas partem geral- morar juntos, bom será que não bri-
mente de ornatos em forma de CAR- guem ..."
RANCAS, peixes, golfinhos, etc. (Foto 12)
(Figs. 8, 44)
BONECA
BI C A M E Saliência de A L V E N A R I A , onde se
Conduto de água que, nas construções fixa o MARCO das portas. O mesmo
do período colonial mineiro, era geral- que espoleta.
mente de madeira ou TELHÕES embe-
tumados. BOTARÉU
Contraforte ou P I L A S T R A maciça,
BICO para reforçar PAREDE ou ARCOS.
Diz-se do C O R U C H É U de uma
TORRE que se assemelha à forma de BROQUEADO
bico. Aberto ou furado com broca. Nas con-
dições datadas de 1772 para a constru-
BIQUEIRA ção das ABÓBADAS da Igreja de São
Telha ou tubo de metal que sobressai Francisco de Assis, em Ouro Preto,
em relação à fachada do edifício e por estipulava-se que fosse "broqueada no
onde escoam as águas de chuva. Ver centro, uma pedra quadrada, a fim de
também o verbete GÁRGULA. receber o ferro achavetadó", etc. Ver
também o verbete CHAVETA.
BISEL
Corte ou chanfradura na extremidade BURRO
de uma peça de madeira. Apoio de madeira que sustenta os
BALDRAMES.
BITOLA (VITOLA) (Fig, 13)
Padrão usado de determinada medida
para elementos ou peças de uma cons- BUZINOTE
trução. Pequeno pedaço de cano destinado ao
escoamento das águas em BALCÕES
BOCELÁO ou TERRAÇOS.
Moldura grossa, de forma geralmente
redonda, na base de uma COLUNA.
Diz-se também bocel.
(Fig. 45-A)

BOMBARDA
Espécie de canhão antigo, grosso e
curto, para arremesso de grandes bolas
de ferro ou de pedra. Fala-se em GÁR-
GULAS em forma de bombardas, com
relação às existentes na fachada da
Igreja de São Francisco de Assis, em
Ouro Preto.
(Fig. 34)

BOM-SERÁ
Seqüência de casas de parede-meia, de
modesto feitio e acabamento, a exem-
plo dos bons-será existentes das ruas
Barão do Ouro Branco e Alvarenga, em
Ouro Preto. Segundo tradição oral, cor-
FRECHAIS, nas TERÇAS e nas CU-
MEEIRAS, para servir de sustentação
às RIPAS, GUARDA-PÓS e TELHAS.
(Fig. 33)

CAIBRO CORRIDO
Tipo de BEIRAL de madeira com es-
trutura aparente. Apresenta, à vista, os
CAIBROS se projetando além do plano
da parede. Note-se que são os CAI-
BROS que se projetam aparentemente,
não se confundindo com CACHOR-
ROS.
Ver CAIBRO.

CAIXA DE ESCADA
Espaço ocupado pelas escadas de uma
construção, em toda a sua altura, desde
o pavimento inferior até o último.

CAIXA D O T E A T R O
A parte do teatro onde ficam o palco,
camarins, etc. Exemplo; caixas das an-
tigas Casas da ópera ainda existentes
em Ouro Preto e Sabará.

CABECEIRA CAÍXÂO
I. Peça que guarnece outra, sob forma 1. Cercadura em tábuas dos V Ã O S
de contraforte. 2. A parte de um edifício composta de A D U E L A S e A L I Z A -
oposta à sua entrada. RES. 2. Diz-se do FORRO dividido em
partes retangulares por meio de VIGAS
CABEIRA que se cruzam.

A peça que arremata um TABUADO. CAIXILHO


Obra de carpintaria, serralheria etc.,
CACHIMBO que serve para sustentar e guarnecer
Peça de FERRAGEM da dobradiça, em vidros, ALMOFADAS de madeira, etc.
que entra o LEME de porta ou janela. Estes quadros de madeira ou metal es-
truturam geralmente superfícies de vi-
(Fig. 15)
dro.
CACHORRO
1. Peça, geralmente de madeira, que se (Fig. 19)
apoia no FRECHAL, em balanço, para
sustentar o B E I R A L do telhado. 2. CALCETAMENTO
Peça de madeira ou de pedra, igual- Calçamento ou revestimento feitos com
mente em balanço, para apoiar a pedras justapostas.
BACIA de SACADA ou de BALCÃO.
(Fig. 7-A) C A L DE REGADA
Diz-se da cal regada com água. O
CAIAÇÃO
mesmo que cal extinta.
Processo rústico de pintura, à base de
água e cal, associado ou não a pigmen- CALHA
tos coloridos. 1. Diz-se da porta ou janela que tem a
sua FOLHA composta de tábuas justa-
C A I B R O (S) postas verticalmente. 2. Conduto de
Peças de madeira, de secção retangular, águas pluviais dos telhados.
que, nos TELHADOS, se apoiam nos (Figs. 19, 28-A)
CÁLICE CANTEIRO
BACIA ou TANQUE de CHAFARIZ O oficial ou mestre que lavra as pedras
em forma de cálice. de CANTARIA ou o escultor que rea-
liza obras com esse tipo de material.
CAMARINHA
A L C O V A ou quarto de dormir, geral- CANTIL
mente ao centro da casa e às vezes se 1. Instrumento de CANTEIRO, para
elevando sobre as coberturas, à maneira alisar pedras. 2. Instrumento de carpin-
de MIRANTE ou TORREÃO. teiro, para esquadriar tábuas a serem
ajustadas pelos lados.
CAMBOTA
Forma semicircular no molde para ar- CANTO
mação de ARCOS ou ABÓBADAS. Pedra grande e A P A R E L H A D A , ge-
ralmente para servir no C U N H A L de
CAMPA
um edifício; esquadria de pedra.
Peça superior das sepulturas rasas, de
pedra, tábuas ou outro material. Fre- CAPEADO
qüentemente forma parte do piso das 1. Revestido, pavimentado. 2. Trabalho
igrejas antigas, onde se faziam sepulta- de construção revestido de CAPEIAS.
mentos.
CAPEIA
Pedra grande destinada a revestimento
CAMPANÁRIO da parte superior de paredes.
Pequena torre, com duas, três ou qua-
tro sineiras, uma em cada face, e sepa- CAPELA
rada do corpo da igreja. Exemplo: cam- 1. Construção religiosa de pequeno
panário da capela do Padre Faria, em porte, geralmente sem torres ou com
Ouro Preto. apenas uma. 2. Na nomenclatura ecle-
siástica, são também chamadas de ca-
CANGA peias quaisquer templos que não sejam
Minério de ferro, usado para alvenarias. igrejas matrizes. 3. Recinto de uma
Com ele foram feitas as paredes de mui- igreja onde fica um altar particular. Ver
tas capelas e também das primeiras ha- também o verbete A R Q U I T E T U R A
bitações do chamado Morro de Ouro DO PERÍODO COLONIAL MINEIRO
Preto. — CONSTRUÇÕES RELIGIOSAS.
(Fotos 5, 6, 7)

CANGALHA
N o m e dado à cobertura de duas CAPELA-MOR
ÁGUAS. Capela principal, onde fica o A L -
<Fig. 2) TAR-MOR de uma igreja.
(Figs. 27, 27-B)

CANIÇADA EM REBOQUE CAPISTRANA


Espécie de PAU-A-PIQUE empregada Faixa de lajes, assentadas entre o piso
nas antigas construções de Minas Ge- de SEIXO ROLADO, nas vias públi-
rais, armada em gradeamento de canas cas, mais comumente no centro destas
ou caniços entrelaçados, com reboco. vias.
(Fig. 26)
CANO REAL
Cano grande, de alimentação de água CAPITEL
ou canalização de esgotos. Remate de COLUNA, sua parte supe-
rior. Geralmente é esculpida.
CANTARIA (Figs. 45, 48)
Obra de pedra aparelhada. Era geral-
mente usada nos elementos ou partes CARAMANCHÃO
mais nobres das construções antigas em Construção simples, composta de pila-
Minas Gerais. res e cobertura geralmente em RIPAS,
usada em quintais ou jardins, para tre- C E M I T É R I O DE G A V E T A S
padeiras, parreiras, etc. Seu uso foi in- Diz-se popularmente dos cemitérios
troduzido nas residências de Ouro Preto com umas sobrepostas em paredes. São
no século XIX. ainda bastante comuns e utilizados em
Minas Gerais. Exemplos: cemitérios da
CARAPINA Igreja de São Francisco de Assis, em
Carpinteiro; oficial de carpintaria. São João del-Rei, e da Igreja do Carmo,
em Sabará.
CASA BANDEIRANTE
Entre as mais antigas edificações resi- CEGA
denciais de caráter estável construídas 1. Diz-se de uma parede sem VÃOS. 2.
em Minas Gerais, contavam-se as cha- Por outro lado, designa-se como faixa
madas casas bandeirantes, assim desig- cega um intervalo, de sentido horizon-
nadas por terem sido introduzidas pelos tal, entre duas séries de vãos ou entre
primeiros povoadores paulistas. Sua uma delas e o BEIRAL de uma cons-
P L A N T A , de PARTIDO retangular, trução.
obedecia ao plano geral da casa térrea,
CHAFARIZ
típica de São Paulo na época, compon-
do-se de larga V A R A N D A central, la- Construção que apresenta uma ou mais
deada por dois cômodos, destinados ge- BICAS, por onde corre água potável.
ralmente à capela e a um quarto de Em Minas Gerais, os chafarizes ainda
hóspede. Desenvolviam-se, a partir des- remanescentes do período colonial são,
tes, duas alas de quartos reservados à geralmente, construídos em apurado tra-
família, tendo ao centro as dependên- balho de A L V E N A R I A e CANTARIA.
cias de sala e serviços. Dois exemplos Exemplos: Chafariz dos Contos, em
de casa bandeirante aiuda se conser- Ouro Preto, e Chafariz de São José, em
vam no município de Ouro Preto, sendo Tiradentes.
um deles a sede da Fazenda do Manso (Fig. 8)
e o outro, provavelmente mais antigo,
CHAPUZ
uma construção parcialmente arruinada
Pedaço de madeira, chumbado na pa-
situada na localidade de Amarantina.
rede, para fixação de alguma peça com
prego. Diz-se também bucha.
C A S A DE E S C O T E I R O
Quarto de hóspedes, de acesso fácil e CHARNEIRA
independente, destinado ao abrigo ou Ligação de duas peças móveis, de metal
pousada de viajantes. ou madeira, encravadas uma na outra e
unidas por um eixo, geralmente em ja-
CASA DOS CAIXÕES nelas do tipo RÓTULA ou GELOSIA.
Dependência anexa a uma construção Dobradiça.
religiosa, geralmente junto à SACRIS-
T I A , e destinada a armários para CHAVE
guarda de apetrechos do culto ou do- Fecho ou parte mais alta de uma ABÓ-
cumentos. Em Mariana, no contrato de BADA, ARCO, VERGA, etc.
construção da Casa Capitular (hoje Mu-
seu), José Pereira Arouca assumiu o CHAVETA
compromisso de construir, e realmente 1. Peça de ferro para segurar a CAVI-
o fez, a "Casa dos Caixões" num com- L H A . 2. Haste em que se articulam do-
partimento de ligação entre os prédios bradiças.
da referida Casa Capitular e da Cate-
dral. Cl M A L H A
Arremate superior da parede que faz a
CAVILHA concordância entre esta e o plano do
Peça de madeira ou metal, curta como FORRO ou do BEIRAL. No FRON-
PREGO, com cabeça numa extremi- TISPÍCIO das igrejas, diz-se, por ana-
dade e geralmente fenda na outra, des- logia, da CORNIJA que corresponde às
tinada a unir ou segurar peças de ma- cimalhas das fachadas laterais, como se
deira ou outro material. fosse seu prolongamento.
(Fig. 32) (Figs. 7-B, 17, 18)
CIMALHA ERGUIDA À ROMANA
1. Expressão usada por Alpoim nas es-
pecificações para construção do antigo
Palácio dos Governadores, em Ouro
Preto, relativamente às C I M A L H A S
previstas para JANELAS RASGADAS
POR INTEIRO e PORTADAS. 2. Na
antiga terminologia arquitetônica, cha-
mava-se também de "romano" um tipo
de folhagem do FRISO.

CIMALHA REAL
Cimalha ou arremate de parede interna,
ao nível do teto, de função geralmente
mais ornamental do que de estrutura.
Em muitas igrejas mineiras, a cimalha
real da CAPELA-MOR, trabalhada em
CHAFARIZ DOS CONTOS, T A L H A e PINTURA, dá continuidade
NA PRAÇA REINALDO O. ALVES DE BRITO, ao E N T A B L A M E N T O do A L T A R -
EM OURO PRETO. MOR, estendendo-se às duas paredes
laterais do cômodo ou recinto (ex.
capela-mor da Igreja do Bom Jesus de
Matozinhos do Serro).

CIMBRE
Armação de madeira que serve de
molde e suporte durante a construção
de ARCOS e ABÓBADAS e que, de-
pois, é retirada. Nas condições datadas
de 1772 para a construção das abóbadas
da Igreja de São Francisco de Assis, em
Ouro Preto, aparece a grafia azimbre.
Ver também o verbete CAMBOTA.

CLARABÓIA
Abertura em cima de uma construção
destinada à iluminação.
Ver também o verbete ÓCULO.

COBERTURA
Toda a parte que cobre um edifício.
Pode se limitar a um só plano quando é
denominada "meia-água" ou 2, 3, 4 ou
mais planos, denominados, respectiva-
mente, cobertura de 2, 3, 4 ou mais
águas. Constituída pelo T E L H A D O e
todo o madeiramento que o sustenta.

COCHICHOLO
1. Pequena casa térrea, de fachada re-
duzida a apenas dois V Ã O S : uma porta
e uma janela. 2. Casinhola ou aposento
muito apertado. Por corruptela, diz-se
TANQUE OU BACIA também cochicho ou cochicho.
COIFA
Chaminé em forma de campânula,
usada em certos fogões, a exemplo do
existente na Casa dos Contos, em Ouro
Preto, onde a peça aparece em balanço,
apoiada sobre VIGAS.

COLUNA
Elemento de sustentação com secção
circular. Em algumas ORDENS arqui-
tetônicas, a coluna é composta de base,
FUSTE e CAPITEL.
Ver também o verbete C O L U N A na
parte de O R N A M E N T A Ç Ã O deste
Glossário.
(Figs. 45, 45-A)

COMUA
CONTRAFEITO
Antiga denominação do cômodo desti-
nado à latrina ou privada.

CONSISTÓRIO
PERNA
Sala localizada geralmente na parte pos-
terior das igrejas, no piso superior,
acima da SACRISTIA, onde se reuniam
os religiosos.
(Fig. 27-A)

CONTRAFEITO
VIGA de madeira pregada na extremi-
dade mais baixa dos CAIBROS ou
entre esses e as extremidades do BEI
RAL, concordando-o com o plano da
cobertura. Esta concordância recebe o •
nome de G A L B O DO C O N T R A -
FEITO.
(Fig. 9) FIG. 9

CONTRAFRECHAL
Peça de madeira, colocada sobre o
F R E C H A L ou L I N H A de uma TE- COPIAR
SOURA, acima das paredes, para rece- 1. Varanda coberta contígua à casa ou à
ber os CAIBROS. igreja; espécie de ALPENDRE. 2. TA-
(Fig. 33) C A N I Ç A . 3. T e l h a d o de 3 ou 4
ÁGUAS sem CUMEEIRA.
(Foto 13)
CONVERSADEIRA
Assento construído ao lado da janela,
rasgada por dentro logo abaixo do PEI- COPIARA
TORIL. As conversadeiras podem ser O mesmo que C O P I A R ou T A C A -
de madeira, de C A N T A R I A ou da pró- NIÇA.
pria A L V E N A R I A da parede. Ver
também o verbete J A N E L A DE AS- CORDÃO
SENTO. Fieira ou série de peças de CANTA-
(Fig. 20) RIA, A L V E N A R I A , etc. Cordel.
CORDEAR CRIPTA
1. Tomar com cordas as medidas de Galeria subterrânea que, em alguns
uma construção. 2. Dar direção reta aos conventos e igrejas, se destinam ao se-
muros, paredes, ruas, etc. pultamento de religiosos. Exemplos:
criptas da Catedral de Mariana, onde
estão as catacumbas dos bispos locais,
CORNIJA
e do Colégio do Caraça.
Moldura sobreposta, formando saliên-
cias na parte superior da parede, móvel,
etc. Arremate. Ver também os verbetes CRIVO
E N T A B L A M E N T O nas partes de O espaço entre as REIXAS de engra-
A R Q U I T E T U R A e de O R N A M E N - damento das GELOSIAS.
TAÇÃO deste Glossário.
(Fig. 17)
CRUZEIRO
1. Grande cruz, erguida nos ADROS,
CORO^ cemitérios, largos, praças, etc. Alguns
B A L C Ã O situado por cima da porta cruzeiros apresentam a forma conhe-
central de entrada da igreja, destinado a cida como "Cruz dos Martírios", que
abrigar os cantores em cerimônias reli- traz os instrumentos do suplício de
giosas. Cristo. 2. A parte da igreja compreen-
(Fig. 27-A) dida entre a CAPELA-MOR e a NAVE
central. V e r também o verbete
ARCO-CRUZEIRO.
CORRIMÃO (Fig. 46)
1. Peça ao longo e ao lado de uma es-
cada, para se firmar a mão. 2. BAR-
ROTE que sustenta os BALAÚSTRES CUMEEIRA
e serve de encosto ou PARAPEITO nos Diz-se da parte mais alta dos telhados,
GUARDA-CORPOS. onde têm início as ÁGUAS, ou da peça
estrutural que a forma. Ver também o
verbete COBERTURA.
CORTINA (Fig. 33)
Nas especificações feitas por Alpoim
para a construção do Palácio dos Go-
CUNHAL
vernadores de Ouro Preto (atual Escola
Ângulo externo e saliente, formado por
de Minas), trata-se de muro ligando dois
duas paredes convergentes, podendo
BALUARTES ou fortificações altas do
ser de madeira, pedra ou massa, con-
tipo ali existentes.
forme o sistema construtivo adotado.
(Fig. 6) Quando a estrutura é de madeira, o cu-
nhal se compõe de ESTEIOS aflorados.
CORUCHÉU Quando de pedra, seja de ALVENA-
Ornamento geralmente de pedra que RIA e massa ou de CANTARIA, sem-
coroa fachadas, TORRES ou FRON- pre aparece ressaltado da parede. Al-
TÕES dos edifícios. PINÁCULO. guns cunhais, especialmente os de
(Fig. 18) massa do século XIX, costumam apre-
sentar decoração em relevo.
(Fig. 13)
COUCEIRA
Parte da porta sobre que se pregam as
dobradiças. Coice da porta. C U N H A L E M Q U I L H A DE N A V I O
Algumas construções antigas, de es-
quina, principalmente em Ouro Preto,
COXIA apresentam interessante tipo de cunhal,
Numa igreja, é o espaço compreendido que, partindo de uma aresta ou quina
entre as paredes laterais da nave e as viva, se abre a uma certa altura em
fileiras formadas pelos bancos. Geral- forma de uma quilha de navio. Exem-
mente, é delimitado por B A L A U S - plo: casa com NICHO EXTERNO ou
TRADAS ou CANCELOS. ORATÓRIO, na esquina das ruas Ber-
nardo de Vasconcelos e dos Paulistas,
na referida cidade.
(Fig. 10)

CÚPULA
Parte superior, semi-esférica, em cober-
tura de alguns edifícios. Em algumas
igrejas e capelas mineiras do século
XVIII, ocorre a existência de FORROS
(ex. capela-mor da Sé de Mariana) e
coberturas de TORRES em forma de
cúpulas.
C U N H A L E M Q U I L H A DE N A V I O
CUTELO
Maneira de dispor os TIJOLOS na
construção de uma PAREDE, ou PISO, FIG. 10
apoiando-os sobre uma das quatro faces CASA NA ESQUINA DA.RUA BERNARDO
mais estreitas. Geralmente nos ARCOS DE VASCONCELOS C O M A DOS PAULISTAS
estruturais, ou ABÓBADAS, os tijolos OURO PRETO
estão dispostos a cutelo, o que resuíta
na formação de INTRADORSO pela
sucessão das faces menores de cada ti-
jolo.
(Fig. 25)

35
D A R D O DE J Ú P I T E R
Espécie de emenda usada em trabalhos
de carpintaria, em forma de dardo.

D E G R A U S DE C O N V I T E
Degraus iniciais de uma escada, antes
do seu primeiro PATAMAR.
(Fig. 12)

DEMÃO
Cada uma das camadas de revesti-
mento, CAIAÇÃO ou tinta que se dá a prumada de uma parede, a fim de amar-
uma determinada superfície. rarem outras paredes que a ela se jun-
tam.

DENTAÇÕES
Segundo Paulo Thedim Barreto, em es- DINTEL
tudo sobre a Casa de Câmara e Cadeia VERGA horizontal ou reta. O mesmo
de Mariana, trata-se da série de pedras que LINTEL.
colocadas de forma saliente para fora da (Fig. 35)
EMPENA
1. Parte superior triangular, acima do
forro, fechando o vão formado pelas
duas ÁGUAS da cobertura. 2. Por ex-
tensão, a parede lateral. 3. Nas facha-
das principais, especialmente em igre-
jas, a empena é denominada FRON-
T Ã O e quase sempre aparece com tra-
balhos ornamentais.
(Fig. 2)

ENGRA
Canto formado por duas paredes;
quina.

ENGRADAMENTO
Estrutura para parede, em madeira cru-
zada, destinada a ser preenchida com
barro ou ADOBE.

ENLEITAMENTO
Diz-se do processo de abertura de leito
ou cavidade para assentamento de pe-
dras ou tijolos.

ENRELHADA
Diz-se de porta ou janela reforçadas
EIRADO
com relhas, ou seja, com peças de ma-
deira destinadas a evitar que as respec-
Ver o verbete TERRAÇO. tivas folhas se empenem.

E M BAR BAR ENSAMBLAR


Encaixar, encasar. Diz-se com relação Reunir, juntar, encaixar ou entalhar
ao assentamento das VIGAS no madei- peças de madeira ou outro material. Em
ramento do TELHADO. documento de 1771, alusivo à constru-
EMBASAMENTO ção da Igreja do Carmo, em Sabara, há
Parte inferior de um edifício destinada à referência ao ensamblamento de "pe-
sua sustentação. dras com ferro e chumbo".
(Fig. 18)
ENSILHARIA
Pedra com face aparente aparelhada.
EMBOÇAMENTO
Assentamento com argamassa de uma
ENSOLEIRAMENTO
teíha côncava a outra ou, principal-
Parte da parede logo acima do A L I -
mente, das TELHAS da CUMEEIRA
CERCE e ao nível do chão. Diz-se
ou ESPIGÃO.
também elegimento.

EMBOCAR ENSUTADO
Ligar por argamassa umas telhas às ou-
tras, de modo a evitar que as mesmas Demarcado com a SUTA.
se desloquem pela ação do vento ou so-
fram infiltração de água. Ver também o
ENTABLAMENTO
verbete EMBOÇAMENTO.
A parte dos edifícios acima das PI-
L A S T R A S ou das C O L U N A S . Ver
EMBOÇO também o verbete E N T A B L A M E N T O
A primeira camada de argamassa que se na parte de ORNAMENTAÇÃO deste
assenta na parede antes do REBOCO. Glossário.
(Fig. 45)
MALMETE

FIG. 11

ENTORNO ESCODADO
1. Toda área circundante de uma cons- Lavrado com escoda, tipo de martelo
trução. 2. O conjunto de todos os ele- dentado usado pelos CANTEIROS para
mentos, área verde, construções vizi- alisar pedra.
nhas, anexas, etc, que interferem em
sua paisagem.
E S C O P R O ( L A V R A D O A)
ENVASAMENTO Diz-se do trabalho executado com o
Base de uma COLUNA, C U N H A L ou emprego do escopro, instrumento de
P I L A S T R A . Ver também o verbete ferro e aço para lavrar pedra, madeira,
EMBASAMENTO. etc.

ENXOVIA E S C O R A DE R E M O
Cárcere ou cela no primeiro pavimento A expressão escora de remo aparece
ou porão de uma construção penitenciá- nas condições datadas de 1772 para a
ria. construção das ABÓBADAS da Igreja
de São Francisco de Assis, em Ouro
E P Í S T O L A ( L A D O DA) Preto. Por dedução, entende-se tratar-
Lado direito do interior da igreja, visto se de peça em forma de remo, com fun-
da entrada principal em direção ao ção de segurança no madeiramento de
ALTAR-MOR. estrutura de uma abóbada.

E S C A D A DE PIÃO
ESCURO
Escada em forma espiralada, dita tam- Segundo definição de José Wasth Ro-
bém de caracol. drigues, tratava-se, nas construções an-
tigas, de espécie de folha de porta ou
ESCARVA janela que, por dentro, as fechava her-
Encaixe na madeira ou outro material meticamente.
por onde se emendam duas peças. Usa-
va-se antigamente a grafia escarba.
ESPELHO
ESCÓCIA 1. A face vertical do degrau de uma es-
Moldura côncava, entre duas convexas, cada. 2. Diz-se também de uma superfí-
que faz parte da base de uma CO- cie plana numa parede, num CHAFA-
L U N A . O mesmo que NACELA. RIZ, etc. Ver também os verbetes
(Fig. 45 A) P A N O e TREMO.
ESPIGÃO E S Q U A D R O ( C O L O C A D O EM)
1. Encontro saliente, em desnível, de Qualquer elemento ou superfície de
duas ÁGUAS do TELHADO. uma construção ou objeto feitos se-
2. Diz-se também da linha oblíqua de li- gundo o rigor do esquadro, instrumento
gação entre a CUMEEIRA e a BEI- com que se medem ou traçam ângulos
RADA. retos e linhas perpendiculares.
(Fig. 2)
ESTEIO
Peça vertical, de madeira, pedra ou
ESQUADRIA ferro, usada para suster parte da PA-
Designação genérica para indicar por- REDE, teto ou edificação.
tas, C A I X I L H O S , V E N E Z I A N A S , (Fig. 13)
etc.
ESTEIRA
ESQUADRIADO Tipo de material feito de fibras trança-
Delimitado a ESQUADRO, em ângulo das, podendo ou não formar desenhos,
reto. No contrato alusivo à construção usado para forros e outros elementos da
da Casa da Câmara e Cadeia de Ma- construção. No primeiro caso, aparece
riana, a palavra aparece com a grafia do em planos inclinados, acompanhando a
tempo: esquadrijado. declividade do TELHADO, ou em pla-
nos horizontais. Ver também o verbete
URUPEMA.

L A N Ç O DE E S C A D A

VESTÍBULO DA CASA DOS CONTOS —


OURO PRETO

FIG. 12

GUARDA-CORPO " ARRANQUE PATAMAR DEGRAUS DE CONVITE

41
ESTILÓBATO ESTRUTURA
Plano ou, mais propriamente, o último
degrau de uma escadaria no qual se
apoia uma colunata.
FIG. 13

ESTRUTURA
FRECHAL
Parte da construção destinada à susten-
tação, geralmente constituída de PILA-
RES e VIGAS. Há casos em que as pa-
redes servem de sustentação, rece-
bendo o nome de PAREDES ESTRU-
TURAIS.
(Fig. 13) ESTEIO
NO ÂNGULO DA
CONSTRUÇÃO
ESTRUTURA AUTÔNOMA
CUNHAL
Uma construção é dita de estrutura au-
tônoma quando o seu esqueleto de sus-
tentação é formado de VIGAS, PILA-
RES ou outros elementos estruturais, MADRE
não recebendo as paredes de vedação
qualquer carga ou cobertura. Em Ouro
Preto, os pilares desse tipo de estrutura
eram, às vezes, apoiados em EMBA-
S A M E N T O de pedra, para evitar a
umidade do terreno prejudicial à ma-
deira.

ESTUQUE
Argamassa feita de gesso ou cal, areia BALDRAME
fina ou pó de mármore, revestindo
trançado de metal ou T R E L I Ç A de
madeira que se usam como PAREDES
secundárias, FORROS e ornamentos.
(Fig. 14)

E V A N G E L H O ( L A D O DO) BURRO
ALVENARIA DE
Lado esquerdo do interior da igreja, PEDRA
visto da entrada principal em direção ao
ALTAR-MOR.
ESTUQUE
EXTRADORSO
Superfície exterior, convexa, de uma
A B Ó B A D A ou ARCO. Numa forma
construtiva, é o oposto de I N T R A -
DORSO.
(Fig. 3)

FIG. 14

42
Governadores em Ouro Preto, tratava-
se de E S T U Q U E S feitos de FAS-
QUIAS pregadas com espaçamento de
uma polegada.

FERRAGEM
Conjunto ou porção de peças de ferro
empregadas em certos elementos da
construção, a exemplo de fechaduras,
espelhos de fechaduras, trincos, ferro-
lhos, A L D R A V A S , puxadores, dobra-
diças, argolas de bater, etc.
(Fig. 15)

FERRO
No período colonial mineiro, o ferro era
em boa parte fabricado em forjas locais
e rudimentares, das quais provinha ge-
ralmente a matéria prima com que os
ferreiros confeccionavam peças de uso
geral nas construções, a exemplo de fe-
chaduras, PREGOS, dobradiças, e t c ,
bem como instrumentais de mineração.
Também ocorria a importação de ferro
estrangeiro, vindo de preferência da
Espanha, Suécia, Inglaterra, etc. O apa-
recimento de BALAÚSTRES ou grades
de ferro nos BALCÕES e SACADAS
de Ouro Preto, em substituição aos an-
teriores feitos de madeira, ocorreu na
segunda metade do século XVIII.

FINTA
Espécie de tributo que, no período co-
lonial, os Senados das Câmaras impu-
F Á B R I C A DA IGREJA nham aos moradores das vilas ou cida-
Diz-se dos rendimentos aplicados ao des, visando geralmente ao custeio de
culto, manutenção ou reparos de urna obras públicas.
igreja. Por extensão, o cômodo dessa
construção religiosa destinado a guardar FOCINHO
móveis e documentos da fábrica. Parte mais saliente na extremidade de
um CACHORRO ou do degrau de uma
FAMINÉ escada.
Em documento de 1783, alusivo às
obras de reforma do desaparecido Palá- FOLGURA
cio dos Governadores em Cachoeira do Largura. A palavra aparece sob a grafia
Campo, a palavra faminé é usada como fogura nas especificações para a cons-
corruptela de CHAMINÉ. trução da Casa de Câmara e Cadeia de
Mariana.
FASQUIA
1. Talisca ou ripa de madeira. 2. Ele- FOLHA
mento componente das TRELIÇAS.
(Fig. 23) Parte móvel das portas, janelas, etc.

FORRO
FASQUIADOS POLEGADA CHEIA
POR VAZIA Teto ou revestimento interno da parte
Nas especificações feitas por Alpoim superior dos cômodos de uma constru-
para a construção do antigo Palácio dos ção.
(Fig. 16)
FERRAGEM
FRECHAL
VIGA que arremata o topo das PARE-
DES, servindo de apoio aos CAIBROS
e ao VIGAMENTO do TELHADO.
(Figs. 9, 13)

FRESTA
Abertura estreita na PAREDE, menor
do que a janela e maior do que a SE-
TEIRA, para iluminação e ventilação.

FRÍSAS
Seqüência de lugares num teatro, cor-
respondendo à primeira galeria quase ao
nível da platéia. Exs.: frisas das antigas
Casas da Ópera ainda existentes em
Ouro Preto e Sabará.
(Foto 14)
FORROS
F R O N T A L ( P A R E D E DE)
Parede externa, de pouca espessura, ge- FIG. 16
ralmente de meio-tijolo.

FRONTÃO
Espécie de EMPENA que serve para
coroar a parte central do FRONTISPÍ-
CIO da igreja, quase sempre trabalhada
e encimada ao meio por uma cruz.
Costuma-se falar também em frontão
com relação ao coroamento de outros
edifícios ou R E M A T E do R E T Á -
BULO, portas, janelas, etc.
(Figs. 17, 18)

FRONTÃO ABERTO
Diz-se do F R O N T Ã O que tem um
ÓCULO ou abertura no TÍMPANO. APAINELADO
(Fig. 18)

FRONTÃO ONDULADO
FRONTÃO cujo contorno se define, na
parte superior, por linhas curvas.
(Fig. 18)

FRONTISPÍCIO
Fachada principal. Frontaria.
(Fig. 18)

FUSTE
Parte principal da C O L U N A , entre o
CAPITEL e a base.
(Fig. 45)

SAIA E CAMISA

45
FRONTÃO

FIG. 17

46
47
GAMELA
FORRO em forma de gamela, consti-
tuído geralmente por quatro painéis in-
clinados e um horizontal retangular.
(Foto 15)

GÁRGULA
1. Abertura por onde corre a água de
um CHAFARIZ ou fonte. 2. Cano es-
treito na C I M A L H A do T E L H A D O
para dar saída às águas pluviais. Nas
condições datadas de 1772, para a cons-
trução das ABÓBADAS da Igreja de
São Francisco de Assis, em Ouro Preto,
aparece a grafia garvola, enquanto em
documento semelhante, datado de 1795
e relativo à construção da Igreja do
Carmo da mesma cidade, lê-se garbula.
Ver também o .verbete ALGEROZ.
(Fig. 44)

GATO
Peça de ferro que, em PAREDE, muro,
e t c , une e segura duas pedras de
CANTARIA.

GELOSIA
Painel ou FOLHA de janela ou porta
preenchida por TRELIÇA de madeira.
(Fig. 19).

GIGANTE
Contraforte para escora ou ARRIMO
de determinado muro ou PAREDE de
GALBO DO CONTRAFEITO
uma construção. Fala-se em gigante do
Curvatura das extremidades do TE-
chafariz com relação ao seu P A N O ou
L H A D O , gerada pelo uso do CON-
parede de A L V E N A R I A ou CANTA-
TRAFEITO, determinando declividade
RIA.
menor na COBERTURA até às BEI-
RADAS.
GRADIL
Armação de ferro ou outro material, em
GALGADA forma de grades, para vedação ou pro-
Diz-se da PAREDE de um edifício le- teção. A introdução de gradis de ferro
vantada em plano paralelo com uma em SACADAS em Ouro Preto se deu
construção que lhe fica próxima ou con- provavelmente na construção do Palá-
tígua, servindo-lhe para isso de referên- cio dos Governadores, disseminando-
cia. se, porém, o seu uso a partir da se-
gunda metade do século XVIII. Eram,
GALILÉ a princípio, de ferro batido, sendo mais
Galeria entre a parede do FRONTIS- tarde adotados os de ferro laminado.
PÍCIO e as portas da N A V E , em algu- Ver também o verbete FERRO.
mas igrejas. Em Minas Gerais, são
raras as construções religiosas que G R AVATÍ L
apresentam esse espaço de entrada, Instrumento em forma de triângulo,
dando-se como exemplo principal a com que se faz a fêmea de um entalhe.
Igreja do Rosário, em Ouro Preto. Ver Em documento alusivo à construção da
também o verbete NÁRTEX. Igreja do Carmo, em Ouro Preto, e ci-
(Figs. 18, 27) tado por Francisco Antônio Lopes,
aparecem as grafías esgravetil e esgra-
vaíil.

GUARDA-CORPO
Proteção de meia altura feita na beira de
escadas, V A R A N D A S , S A C A D A S ,
P A T A M A R E S , P Ú L P I T O S , etc.
Podem ser cheios ou vazados.
(Fig. 12)

GUARDA-PÓ
Forro sobreposto aos CAIBROS, com-
posto de tábuas e abaixo das telhas.

GUARITA
TORRE ou abrigo nos ângulos de uma
construção fortificada, destinado às sen-
tinelas. Ex.: Guaritas do antigo Palácio
dos Governadores em Ouro Preto.
(Fig. 6)

GUARNIÇÃO
1. Peças de enquadramento de um V Ã O
de porta ou janela, ou seja, OM-
BREIRA, VERGA, SOBREVERGA,
e t c , trazendo ornato ou cuidado traba-
lho de arremate. 2. Camada de cal ou
GESSO com que se branqueiam as pa-
redes depois de rebocadas.

GUIEIRO
Pequena FASQUIA ou RIPA de ma-
deira que serve de guia para o movi-
mento da janela de GUILHOTINA.

GUILHOTINA
Tipo de janela onde os CAIXILHOS
correm verticalmente.
(Fig. 19)

GUÍÑETE
Cordão de pedras grandes, assentadas a
pique e usado como ARRIMO ao cal-
çamento de ruas, a fim de evitar des-
barrancamento, geralmente em trechos
não delimitados por edificações.
HASTE
Elevação de um SOCO, pouco ressal-
tada da prumada da parede. Segundo
Paulo Thedim Barreto, teria a função de
revigorar o EMBASAMENTO e prote-
ger a A L V E N A R I A da parede contra a
umidade do solo.

H O S P Í C I O DA T E R R A S A N T A
Construção conventual destinada a
abrigar os Frades Esmoleres da Ordem
Franciscana da Terra Santa ou dos San-
tos Lugares. Foi o único tipo de estabe-
lecimento conventual masculino autori-
zado a funcionar em Minas Gerais no
período colonial. Ainda hoje existem os
prédios desses antigos Hospícios ou
hospedarias em Ouro Preto e Sabará.
Também possuíram esses estabeleci-
mentos franciscanos as cidades de São
João del-Rei, Diamantina, Campanha e
Araxã, esta já no século XIX.
(Foto 16)
IMPOSTA
Elemento saliente ao alto do PÉ-
DIREITO de uma PAREDE, em que se
assenta a pedra inicial de um ARCO. É
às vezes constituído por uma moldura
em forma de CONSOLO.
(Fig. 3)

INTERCOLÚNIO
Espaço entre COLUNAS.

INTRADORSO
Superfície interior, côncava, da ABÓ-
B A D A ou do A R C O . Numa forma
construtiva, é o oposto de EXTRA-
DORSO.
(Fig. 4)

1TACOLOMITO partir da edificação do antigo Palácio


Tipo de rocha, variedade flexível de dos Governadores (atual Escola de Mi-
quartzito. Ocorre em grande quantidade nas). Diferencia-se da PEDRA-SABÃO
na região próxima a Ouro Preto, tendo peia coloração e textura, aparecendo
sido largamente empregado nas cons- em tons amarelados ou róseos averme-
truções do período colonial mineiro, a lhados.
JIRAU
1, Armação de madeira sobre a qual se
edificam casas, para evitar a água e a
umidade. 2. Espécie de estrado de ma-
deira que serve para depósito no inte-
rior dos cômodos.

JUIZ DE O F Í C I O
Mestre designado por uma Corporação
de Ofícios para examinar aqueles que,
numa dada profissão mecânica, deseja-
vam se habilitar a exercer por conta
própria a respectiva atividade. Exem-
plo: juízes dos ofícios de pedreiro (AL-.
V A N E L , CANTEIRO, e t c ) , carpin-
teiro (CARAPINA), pintor, etc.

J U N T A DE P I C Ã O MIÚDO
Rejuntamento de um piso ou qualquer
construção de C A N T A R I A ou L A -
JEADO, feito a PICÃO miúdo ou mar-
telo curvo.

JUNTA SECA
1. Tipo de junta que não apresenta ne-
nhum encaixe entre os elementos em
que eles estão apenas encostados. 2.
Diz-se de muro, PAREDE ou qualquer
peça de A L V E N A R I A na qual não se
empregou argamassa para rejuntamento
dos TIJOLOS, pedras, etc.
(Fig. 31)

JUNTA TOMADA A BREU


A expressão é referida em documento
relativo ao Chafariz dos Contos, em
Ouro Preto. Trata-se de processo de
impermeabilização, obtido pelo rejun-
tamento a breu das pedras de CANTA-
R I A do TANQUE.

JUNTOURO
Peça de pedra que atravessa completa-
mente uma PAREDE, às vezes ultra-
JANELA DE ASSENTO passando sua espessura, servindo como
Janela que possui CONVERSADEIRA. elemento de amarração com outras pa-
(Fig. 20) redes.
(Fig. 21)
J A N E L A R A S G A D A P O R INTEIRO
Aquela que se abre até o nível do pavi-
mento dando frente para uma SACADA
ou um GUARDA-CORPO entalado.
Ver também o verbete PORTA-SA-
CADA.
(Fig. 19)

JANELA-SINEIRA
Ver o verbete SINEIRA.
JANELAS
J A N E L A DE A S S E N T O

JUNTOURO

57
LAJEADO
Tipo de pavimentação que consiste de
placas de pedra assentadas com arga-
massa de barro.
(Fig. 26-A)

LANCIL
Laje de CANTARIA, comprida e del-
gada, para pavimentação, OMBREI-
RAS e VERGAS.

LANÇO
1. Parte de uma escada, formada por
seqüência de degraus. 2. Seqüência de
edificações de um mesmo conjunto ou
lado de rua.
(Fig. 12)

LANTERNA
Espécie de pequena TORRE sobre os
TELHADOS, com função de ilumina-
ção. Ocorre em algumas construções
antigas de Minas Gerais. O mesmo que
lanterním.

LAVABO
Pequena BACIA ou CHAFARIZ com
uma BICA. Nas igrejas é geralmente si-
tuado na SACRISTIA ou no corredor
que liga esta à CAPELA-MOR. Alguns
lavabos das igrejas do período colonial
mineiro constituem verdadeiras obras-
primas de arte, a exemplo dos de auto-
ria do Aleijadinho existentes nas sacris-
LACRIMAL tias das Igrejas do Carmo e de São
Face vertical de uma CORNIJA, que é Francisco de Assis, em Ouro Preto,
terminada por pequeno sulco ou pinga- ambos em PEDRA-SABÃO.
deira e destinada a impedir o escorri- (Foto 17)
mento da água da chuva pelo ENTA-
B L A M E N T O , P 1 L A S T R A ou PA-
REDE. L A V R A D O DE I S C O D A
A expressão é usada no contrato alu-
LADRILHO CERÂMICO sivo à construção da Casa de Câmara e
Peças para revestimento de PISOS, ou Cadeia de Mariana. Ver o verbete ES-
PAREDES, de barro cozido. Diferen- CODADO.
cia-se do TIJOLO comum pelas dimen-
sões, qualidade de acabamento e maior
resistência. LEME
1. O ferro da dobradiça que se engasta
LADRILHO HIDRÁULICO no vão da fêmea, geralmente chumbado
Peças para revestimento de PISOS, ob- na PAREDE e sobre o qual se articu-
tidas pela prensagem hidráulica de ar- lam as FOLHAS de janela ou porta. 2.
gamassa de cimento. Podem Macho da dobradiça. Ver também o
apresentar-se na cor natural do cimento verbete PERNO.
ou em outras cores. (Fig. 15)
LINHA LUNETA
Trave ou BARROTE horizontal, da ÓCULO ou fresta, circular ou oval, que
parte inferior da TESOURA, que se se abre nas PAREDES, ou em lados da
apoia nos FRECHAIS, ou diretamente A B Ó B A D A , para iluminação de um
nas P A R E D E S , onde assentam as edifício.
PERNAS. Ver também o verbete TE-
SOURA.
(Fig. 33)

LINTEL
O mesmo que DINTEL.

LIOZ ( M Á R M O R E O U P E D R A DE)
I. Pedra calcária, branca e rija, empre-
gada na CANTARIA de edifícios ou na
escultura de estátuas. 2. Por extensão, a
pedra ou face lavrada da cantaria, vol-
tada para a parte exterior de um edifí-
cio, ao contrário de TARDOZ.

LIVEL
Nível. Pode-se referir igualmente a uma
peça assente em plano horizontal. Ver
também o verbete OLIVEL.

LOJA
Parte térrea de uma construção, com
abertura direta para a rua, geralmente
destinada a depósito ou estabelecimento
comercial. Nas casas de SOBRADO do
período colonial mineiro, as partes tér-
reas costumavam compor-se externa-
mente de uma série de portas à maneira
de lojas.

LONCA
Tira de couro raspado, usado na amar-
ração do E N G R A D A M E N T O do
PAU-A-PIQUE.

LOUVAÇÃO
Parecer ou laudo expedido pelo LOU-
VADO designado para avaliação de de-
terminada obra.

LOUVADO
Pessoa designada, por autoridades ou
partes contratantes, para examinar e
avaliar o exato cumprimento das condi-
ções estipuladas para uma obra de
construção ou trabalho similar e a res-
pectiva execução. No período colonial
mineiro, os louvados eram sempre esco-
lhidos entre mestres ou oficiais especia-
lizados no ramo relativo à obra em
exame.
MACHO E FÊMEA 1.2. Madeiramento de telhados:
Tipo de encaixe entre duas tábuas onde BAGRE (Casa Capitular de Mariana),
a saliência de uma peça (MACHO) en- CANDEIA. CANELA, CANELA
caixa na reentrância de outra peça PRETA, CANGERENA (CANGE-
(FÊMEA), ambas cavadas ao longo da R A N A ) , GENDIAÍBA (Casa Capitu-
espessura das ditas peças. lar), GUAPEVA (GUAPEBA, ANDI-
(Fig. 31) ROBA, JENDIROBA), L I C O R A M A
(Palácio dos Governadores, em Ouro
MACIÇADA Preto), PEÚNA (PEÚVA, IPÊ, PAU-
Diz-se de parede construída de forma D'ARCO), SUCUPIRA (SICUPIRA),
TOBU (Casa Capitular) e U P I Ú N A
que a A L V E N A R I A , de pedra ou outro
(Palácio dos Governadores).
material, se apresente compacta e bem
travada. 1.3. Assoalho: BAGRE, B A R A Ú N A .
C A N E L A PARDA, CEDRO e SUCU-
MADEIRAS PIRA.
A madeira foi um dos materiais de uso 1.4. Campas de igrejas: B R A Ú N A e JA-
mais intenso e diversificado nas técni- CARANDÁ PRETO.
cas construtivas e obras de ornamenta-
ção do período colonial mineiro. Os 1.5. F o r r o s : C A N E L A P A R D A ,
AUTOS DE ARREMATAÇÃO e con- CEDRO e VINHÁTICO.
dições de execução de contratos da 1.6. Escadas: C A N E L A PARDA.
época são fontes de informações pre- 1.7. Cambotas ou formas para arcos e
ciosas sobre as madeiras de lei mais abóbadas: C A N E L A PRETA e CE-
empregadas e respectiva utilização. DRO.
Com base em alguns desses documen-
1.8. Vigas do assoalho de coro de
tos, pode-se mencionar um quadro,
ainda que resumido, de exemplos de igreja: AROEIRA e PEROBA.
qualidades e aplicações de várias ma-
2. Esquadrias
deiras, levando-se em conta principal-
2.1. Caixilhos: CEDRO, PINHO NA-
mente a região de Ouro Preto e Ma- CIONAL e PINHO DE RIGA.
riana. 2.2. Janelas e portas: BRAÚNA, CA-
1. Elementos construtivos NELA, C A N E L A PARDA, C A N E L A
1.1. Esteios e cunhais: AROEIRA e PRETA, CEDRO, J A C A R A N D Á
BRAÚNA ( B A R A Ú N A ) VERMELHO, SUCUPIRA.
3. Ornamentação neiro. Segundo alguns autores, o utili-
3.1. Altares ou retábulos: CEDRO. zado no portal do antigo Palácio dos
3.2. Balaustradas de igrejas: JACA- Governadores (atual Escola de Minas)
RANDÁ. proveio das jazidas de mármore branco
3.3. Castiçais: C E D R O e J A C A - existentes na localidade de Ojô, a cerca
R A N D Á VERMELHO. de dois quilômetros da cidade de Ouro
3.4. Imaginária: CEDRO. Preto.
3.5. Molduras: CEDRO.
3.6. Tarjas de arco-cruzeiro: CEDRO. MASSAM E
1. Argamassa simples, de cascalho,
4. Mobiliário terra e cal, para receber o assentamento
4.1. Arcas: J A C A R A N D Á , V I N H Á - de pisos de pedra ou ladrilho. 2. O ma-
TJCO e XIMBO (citado por J. Wasth terial resultante da demolição de uma
Rodrigues) construção.
4.2. Armários: JACARANDÁ.
4.3. Bancos trabalhados de igreja: JA- MATA-BURRO
CARANDÁ. Fosso cavado e intervalado com traves,
em estradas ou à entrada de determi-
4.4. Mesas: CEDRO e JACARANDÁ. nado recinto, para evitar a passagem de
animais. Muito usado em ADROS de
MADRE igrejas, às vezes com a presença de tra-
Viga horizontal de madeira, para as- ves em cuidado trabalho de CANTA-
sento de BARROTES, geralmente ser- RIA, a exemplo do existente à frente da
vindo de apoio ao PISO de um pavi- Capela do Padre Faria, em Ouro Preto.
mento intermediário.
(Fig. 13) MATACÃO
MAINEL Pedra de grande vulto, proveniente da
I. Pilarete ou pequeno P I L A R , divi- decomposição de uma rocha. Em Ouro
dindo em duas luzes frestas ou janelas Preto, os matacões de ITACOLOMITO
geminadas. 2. PARAPEITO ou COR- eram abundantemente aproveitados na
RIMÃO de escada. confecção de C A N T A R I A para obras
de construção.
MALHETE
Cavidade ou encaixe nas extremidades MATA-JUNTA
de duas peças de madeira, a fim de se Qualquer RIPA para tapar a junta entre
adaptarem com justeza. tábuas.
(Fig. 11) (Fig. 31)

MANSARDA MEDIDAS
Cómodo coberto por ÁGUA de telhado Ver APÊNDICE.
com duas inclinações. A mais alta de
bom PONTO e a metade inferior, quase MEIA-LARANJA
vertical. Ver AGUA-FURTADA. Ornato ou outro elemento em forma de
meia esfera.
MÃO-FRANCESA
Peça de apoio, em posição inclinada, MESTRE-DE-OFÍCIO
destinada a diminuir o vão dos BA- Profissional habilitado, mediante exame
LANÇOS e VIGAS e que aparece ge- de licença, a exercer a responsabilidade
ralmente entre os PENDURAIS e as de determinado ramo de ofício, de
PERNAS das TESOURAS e nos BEI- acordo com as regras do Regimento dos
R A I S . Ver também o verbete TE- Oficiais Mecânicos, vigente no reino de
SOURA. Portugal já no século XVI. Exemplos:
(Fig. 33) mestre-de-obras, mestre-pintor, mes-
tre-carpinteiro, mestre-canteiro, etc.
MARCO MEZANINO
Parte fixa das portas e janelas que guar- Andar pouco elevado entre dois anda-
nece o VÃO na qual estão articuladas res altos. Exemplo: mezaninos do
as FOLHAS de vedação. L A N Ç O de SOBRADOS da Praça Ti-
(Fig. 22) radentes, em Ouro Preto, conhecido
como Conjunto Alpoim, por ser o seu
MÁRMORE DO OJÔ projeto atribuído a esse engenheiro mili-
O emprego do mármore dolomítico foi tar português. Trata-se de influência ita-
bastante raro no período colonial mi- liana.
MINHOTO MOITÃO
Ver o verbete RABO DE MINHOTO Instrumento de madeira ou metal, que
(JUNTA DE). consta de duas chapas ovais unidas,
(Fig. Il-A) atravessadas por um eixo, e que se des-
tina a facilitar o levantamento por uma
corda, de materiais de uma construção.
MIRANTE
Parte alta de uma construção, acima MOLEDO
dos TELHADOS e abrindo-se para o Rocha decomposta em calhaus ou sai-
exterior através de janelas. Segundo bro grosso; terra mole.
Silva Telles, a função dos mirantes seria
a observação à distância, como também MOLÍTICO
melhor aproveitamento da ventilação Diz-se de elemento construtivo maciço,
natural nos países tropicais. Exemplo: a exemplo de PAREDES grossas de
mirante da Casa dos Contos, em Ouro sustentação.
Preto. Ver também o verbete TOR-
REÃO. MONTANTE
(Foto 18) Estrutura de ferro ou madeira nos
CAIXILHOS de vidro. Diz-se também
MODINATURA da moldura de porta ou janela.
O conjunto das molduras de uma cons-
trução, segundo o respectivo caráter de MOSAICO
uma dada O R D E M A R Q U I T E T Ô - Revestimento decorativo de PAREDES
NICA. ou PISOS em que se formam desenhos

FIG. 22
com pequenos pedaços de pedras ou
outros materiais.

MUXARABI MOURÃO
ESTEIO grosso, de madeira, muito
FIG. 23
usado em andaimes ou cercas.

CASA À RUA FRANCISCO S Á - M O U R I S C A ( T O R R E À)


DIAMANTINA Diz-se de certas torres de igrejas minei-
ras do período colonial, cujo coroa-
mento lembra formas de torres de mes-
quita. Exemplo: cobertura bulbácea da
Matriz de Nossa Senhora da Concei-
ção, em Catas Altas do Mato Dentro.
(Foto 19)

MURETA
Muro baixo. GUARDA-CORPO.

M U X A R A B I ou M U X A R A B I Ê
B A L C Ã O mourisco protegido, em toda
a altura da janela, por grade de madeira
(TREL1ÇAS) de onde se pode ver sem
ser visto. Seu uso foi comum na arqui-
tetura colonial mineira, mas o único
exemplar autêntico da espécie que
ainda resta, encontra-se em SOBRADO
de Diamantina.
(Fig. 23)
NACELA

O mesmo que ESCÓCIA.

NÁRTEX
Espécie de VESTÍBULO transversal,
que precede a N A V E de uma igreja,
separada por COLUNAS, GRADÍL ou
PAREDE. Exemplo: nártex da Matriz
de Nossa Senhora da Conceição, em
Catas Altas do Mato Dentro. Ver tam-
bém o verbete GALILE.
NAVE
Parte interna da igreja desde a entrada
até a CAPELA-MOR. Denomina-se
nave central quando esse espaço é sub-
dividido por PILARES, COLUNAS ou
ARCOS. Neste caso, aparecem naves
laterais, como no exemplo da Matriz de
Nossa Senhora da Conceição, em Sa-
bará.

(Figs. 27,27-B)

NOVICIADO
Parte ou anexo de um edifício religioso
onde se recolhem ou reúnem os noviços
de uma ordem ou confraria. A palavra
aparece, por exemplo, em documento
de 1777 alusivo à construção da Igreja
da Ordem Terceira de São Francisco de
Assis, em Mariana.
ÓCULO
Em arquitetura religiosa ou civil, é uma
abertura ou janela circular ou elíptica,
destinada à passagem de ar ou de luz.
Por vezes, assume formas variadas,
para efeitos também decorativos.
(Figs. 17, 18, 24)

OGIVA
Perfil formado por dois arcos de círculo
que se cruzam de acordo com certo ân- OLIVEL
gulo. Diz-se: Nível ou horizontalidade de certos ele-
OGIVA EQUILÁTERA quando cada mentos construtivos ou de partes de um
arco contém o centro do outro; terreno.
OGIVA ABATIDA ou REBAIXADA
quando os centros estão contidos den- OMBREIRA
tro da figura; Cada uma das peças verticais das por-
O G I V A E M L A N C E T A ou E L E - tas e janelas que sustentam as PA-
V A D A quando os centros estão do lado DIEIRAS ou VERGAS. UMBRAL.
de fora dos arcos. (Fig. 28-A)

OITAO ou OUTÂO OMBREIRAS GEMINADAS


O mesmo que EMPENA. Par de OMBREIRAS, unidas em facha-
das, cujos VÃOS são bastante próxi-
mos. Ocorre com freqüência em cons-
OLHAL truções da antiga rua Direita, em Ouro
Cada um dos vãos^ ou aberturas de Preto. A expressão é usada por Diogo
ARCOS entre P I L A R E S de pontes, de Vasconcellos para designar também
ARCADAS, etc. a ombreira dupla da porta principal da
Igreja de São Francisco de Assis, da
OLHO-DE-BOI mesma cidade.
Pequeno ÓCULO. (Foto 25)
P A N O DE PEITO
O mesmo que PEITORIL.

P A P O - D E - R O L A (ou de P O M B A )
Segundo Pauto Thedim Barreto, em seu
trabalho sobre a Casa de Câmara e Ca-
deia de Mariana, trata-se de uma mol-
dura côncava para cima e convexa para
baixo, usada nos coroamentos e nas
CORNIJAS. É chamada, às vezes, de
GARGANTA. Ver também o verbete
PEITO-DE-POMBA.

PARAPEITO
Ver PEITORIL.
(Fig. 19)

PAREDE
Maciço que forma as vedações externas
e as internas de um edifício. Vedação
de qualquer espaço. Pode ter, além da
função de vedação, a de sustentação.
Geralmente são feitas, quanto ao sis-
tema construtivo, de: A L V E N A R I A
DE ADOBE, A L V E N A R I A DE PE-
DRA, PAU-A-PIQUE ou TAIPA DE
SEBE, TAIPA DE PILÃO.
(Fig. 2 5 )

P A R E D E E S T R U T U R A L ou PAREDE
ESTRUTURADA
PAREDE que, além de se constituir em
vedação, suporta por toda sua extensão
PADIEIRA
as cargas da construção. É maciça e ge-
ralmente de TAIPA DE PILÃO. AL-
VENARIA DE PEDRA. TIJOLOS ou
O mesmo que VERGA. ADOBE.

PAIOL
PAREDE DE MEIA-VEZ
1. Casa ou depósito destinados ao ar- O mesmo que PAREDE DE MEIO-
mazenamento de pólvora. TIJOLO.
2. Depósito ou tulha para milho ou ou- (Fig. 25)
tros produtos agrícolas.
PALIÇADA P A R E D E DE M E I O - T U O L O
1. Tapume ou cerca de paus fincados na Parede cuja reduzida espessura resulta
terra para defesa de algum reduto. do assentamento a CUTELO do TI-
2. Cerca ou grade dupla, recheada de JOLO.
barro e fibras vegetais ou outros mate- (Fig. 25)
riais, que lhe conferem estabilidade e
resistência.
PAREDE DOBRADA
Parede cuja espessura corresponde ao
PANO comprimento de um TIJOLO ou à lar-
Lanço ou secção de muro ou PAREDE gura de dois, somada ao respectivo re-
em construção que tem mais de uma vestimento.
face. (Fig. 25)
PAREDE-MEIA PÁTIO
Parede divisória entre dois prédios, per- 1. Área descoberta, na entrada ou no
tencendo em comum à estrutura de am- interior de uma construção, ou junto a
bos. Por extensão, diz-se casas de pa- ela.
rede-meia, isto é, casas geminadas. 2. ÁTRIO. VESTÍBULO. Às vezes,
denominava-se pátio também um PA-
PAREDE SINGELA T A M A R descoberto e mais extenso de
Parede cuja espessura corresponde à uma escada, como ocorre na descrição
largura de um TIJOLO, somada ao res- da planta da Casa de Câmara e Cadeia
pectivo revestimento. de Mariana (1762).
(Fig. 25)
PAU-A-PIQUE
PAREDES MESTRAS
As paredes de uma construção que re- Tipo de vedação obtido pelo revesti-
cebem maior carga e que nas edifica- mento de grades de varas de madeira
ções antigas, principalmente da segunda por argamassa de barro. Resulta em
metade do século X V I I I em Ouro PAREDES leves, com cerca de 15 cm.
Preto, eram geralmente de ALVENA- de espessura. O mesmo que TAIPA DE
RIA DE PEDRA. SEBE. Ver também o verbete TAIPA.
(Fig. 13)
PARTIDO
Organização geral de uma edificação, P A U S DE PEITO
forma de distribuição e articulação dos As travessas superiores de madeira de
espaços; por extensão, a distribuição um PEITORIL.
dos cheios e vazios de fachadas. Atra-
vés do partido de uma edificação pode- PEDESTAL
se identificar um estilo. Base em pedra, metal, madeira, e t c ,
destinada a sustentar uma COLUNA,
PASSADIÇO
uma estátua ou peça ornamental.
Corredor de comunicação que dá pas-
sagem de um para outro edifício ou de PÉ-DIREITO
uma para outra peça de um mesmo pré- 1. Distância entre o PISO e o FORRO
dio. Em Minas Gerais, é famoso o pas- de um pavimento.
sadiço em madeira da rua da Glória, em 2. Elemento vertical das estruturas,
Diamantina, ligando, por sobre aquela ESTEIO.
via pública, os dois prédios do atual Co-
légio Nossa Senhora das Dores, um dos PEDRA ESCORRIDA
quais conhecido como Casa da Glória. Pedra lavrada a ESCOPRO.
(Foto 20)
PEDRA-SABÃO
PASSO Esteatita, silicato de magnésio que se
Pequena capela que abriga esculturas apresenta em forma de pedra mole, de
ou pinturas representando cenas da pai- cor cinza ou, às vezes, azul ou esver-
xão de Cristo. Em Minas Gerais, é no- deada. A pedra-sabão, de grande ocor-
tável a série de capelinhas de Passos de rência na região central de Minas, foi
Congonhas, com esculturas da autoria largamente utilizada na escultura orna-
de Aleijadinho. mental religiosa do período colonial.

PATAMAR PEDRAL
Piso de certa largura no começo ou fim CORTINA de A L V E N A R I A DE PE-
de uma escada ou ainda entre os res- DRA, usada para correção de nível, à
pectivos LANÇOS. Na P L A N T A ori- maneira de ARRIMO em PATAMAR,
ginal e especificações da construção da completado por escada de acesso, entre
Casa de Câmara e Cadeia de Mariana, a rua e a entrada de uma edificação.
os patamares ao ar livre da escada de
entrada são também referidos como PEDRA SECA
PÁTIOS. Pedra usada em muros ou PAREDES,
(Fig. 12) assentada à maneira de JUNTA SECA.
PEDRAS SEM VENTO NEM QUE- pende a L I N H A e onde se apoiam as
BRAS MÃOS-FRANCESAS. Ver também o
A expressão se refere às pedras de verbete TESOURA.
C A N T A R I A inteiriças e sem falhas, to- (Fig. 33)
talmente maciças, preferidas para servi-
ços finos de acabamento. Tal se deu, PERFIL
por exemplo, na construção da Igreja Delineamento ou linha de contorno de
do Carmo, em Ouro Preto. um corpo construtivo, segundo a sua
largura e altura. Diz-se, por extensão,
PEGÃO perfis com relação às fachadas de um
Obra de A L V E N A R I A DE PEDRA, a edifício.
exemplo de um grande P I L A R , que
serve para reforçar um muro ou PA- PERNAS
REDE ou para sustentação de ARCO, Peças principais com que se forma a
ABÓBADA, fonte, etc. TESOURA, inclinadas segundo a decli-
vidade do T E L H A D O e apoiadas na
PE1TO-DE-POMBA L I N H A . O mesmo que ASNAS. Ver
Diz-se da forma convexa da extremi- também o verbete TESOURA.
dade dos CACHORROS. (Fig. 33)

PEITORIL PERNO
Superfície horizontal, para apoio, na Pequeno eixo cilíndrico de ferro sobre o
parte inferior de uma janela. Por exten- qual se movimentam as portas de de-
são, o muro ou o elemento cheio ou va- terminadas construções.
zado, de meia altura, que protege os
VÃOS. MURETA, PARAPEITO, PERPIANHO
PANO DE PEITO. Pedra que acompanha a largura de uma
(Figs. 19, 20) parede, tendo A P A R E L H A D A S em
C A N T A R I A as suas quatro faces.
PELOURINHO
PERSIANA
Coluna geralmente de pedra, erguida na Espécie de GELOSIA ou RÓTULA de
praça principal de uma vila ou cidade FASQUIAS móveis, que se abre para
do período colonial, junto à qual eram fora e se levanta por meio de cordéis.
expostos ou açoitados os criminosos,
bem como divulgados os editais públi-
cos ou abertas as arcas dos pelouros, PESTANAS
isto é, dos votos para escolha dos Prolongamentos em certas VERGAS ou
membros dos Senados da Câmara. Os SOBREVERGAS, à maneira de bordas
pelourinhos foram extintos durante o salientes e destinadas a proteger as ja-
Império. Em Minas Gerais, um exem- nelas contra a chuva.
plo desse antigo marco das vilas e cida-
des pode ainda ser visto em Caeté.
Situa-se num jardim ao lado do Grupo PETIPÉ
Escolar João Pinheiro e se compõe de 1. Escala, régua ou simplesmente linha
coluna de pedra encimada por um esticada com divisões, destinadas à me-
globo, ao centro de quatro outras colu- dição de nível ou superfície em sentido
nas idênticas à do meio, e traz inscritas horizontal.
algumas letras quase desaparecidas. Foi 2. Escala de reduções indicada em ma-
erguido presumivelmente em 1772. pas.
Também São João del-Rei conserva seu
antigo pelourinho, reconstituído na
PICÃO
Praça Barão do Itambé.
Instrumento usado pelo C A N T E I R O
para lavrar pedras de modo tosco.
PENDURAL
1. Peça que serve para suspender outra. PILAR
2. Elemento vertical das TESOURAS, Elemento estrutural de sustentação que
sustentado pelas PERNAS, que sus- trabalha a compressão.
PI L A S T R A PLATI B A N D A
Diz-se das COLUNAS ou PILARES Espécie de mureta, de A L V E N A R I A ,
integrados às paredes, apresentando-se maciça ou vazada que, no topo das pa-
ligeiramente salientes. redes, serve para, encobrindo as
(Fig. 50) ÁGUAS dos telhados ou protegendo
terraços, compor ornamentalmente uma
PINÁCULO fachada. Exemplo: platibanda em ba-
Ver CORUCHÉU laustrada da antiga Casa de Câmara e
Cadeia de Ouro Preto (atual Museu da
PINÁSIO Inconfidência).
FASQUIA ou filete de madeira que,
nos CAIXILHOS das portas e janelas,
serve para segurar e separar os vidros. PÓ D E C A R V Ã O
Segundo se deduz das condições data-
PIRÂMIDE das de 1772 para a construção das
Sólido de base poligonal e de lados ABÓBADAS da Igreja de São Fran-
triangulares com um único vértice co- cisco de Assis, em Ouro Preto, usava-
mum. Entre nós, antigamente, foi se o pó de carvão peneirado, associado
comum dar-se o nome de pirâmide aos à cal, para dar tonalidade escura a de-
obeliscos. Muitas das igrejas e capelas terminados acabamentos de REBOCO.
mineiras do período colonial apresen-
tam CORUCHÉUS em forma de pirâ-
mides. POIAL
Lugar onde se põe ou assenta alguma
PISO coisa. No CHAFARIZ, é a parte ao
Chão. O nome do piso é dado de lado do T A N Q U E ou BACIA, geral-
acordo com a pavimentação. Entre ou- mente em pedra lavrada, onde se colo-
tros encontramos, na arquitetura tradi- cam os vasos, potes ou outros recipien-
cional, pisos de TERRA BATIDA, TI- tes.
JOLOS, T A B U A D O CORRIDO,
SEIXO ROLADO, MÁRMORE, LA-
DRILHOS CERÂMICOS e HIDRÁU- PONTA DE DIAMANTE
LICOS, CAMPAS. Ornato semelhante ao talhe do dia-
(Figs. 26, 26-A, 26-B) mante lapidado, muito usado no arre-
mate em saliência das ALMOFADAS
de FOLHAS de portas ou janelas do
PISO DE M Á R M O R E
período colonial mineiro. O mesmo que
Tipo de pavimentação composta de bico de diamante. Exemplo: almofadas
lajes de mármore. centrais da porta principal do NÁRTEX
da Matriz de Nossa Senhora da Con-
PISO DE T I J O L O S
ceição, em Catas Altas do Mato Den-
Tipo de pavimentação, onde são assen- tro.
tados sobre terra socada, em arga-
massa, tijolos de barro cozido.
PONTALETE
P L A N T A BAIXA Pau a prumo, destinado a suster algum
Representação gráfica do corte de uma teto, PAREDE ou estrutura.
obra feito horizontalmente. Nos edifí-
cios é convencional considerar este
corte um pouco acima do PEITORIL PONTO
das janelas do pavimento térreo.
(Figs. 27, 27-B) Inclinação da ÁGUA do telhado.
PLATAFORMA
Base de terra elevada e plana, geral- PORTADA
mente contida por A L V E N A R I A ou
outro material, sobre a qual se assentam Grande porta, enquadrada por compo-
certos tipos de construção, a exemplo sição ornamental. Exemplo: portada da
de CHAFARIZES. Igreja do Carmo, em Ouro Preto, atri-
buída ao Aleijadinho.
(Fig. 29)
PISOS

PISO DE SEIXO ROLADO

FIG. 26
IGREJA DO ROSARIO — OURO PRETO
PLANTA BAIXA

FIG. 27

FIG. 27

IGREJA DO ROSARIO — OURO PRETO

PLANTA 2° PAVIMENTO

FIG. 27-A

FIG. 27-A

PLANTA BAIXA

2-g } "tr
CORREDOR LATERAL

ARCO-CRUZEIRO

SACRISTIA CAPELA-MOR ; T R A N S EPTO

PRESBITÉRIO !

CORREDOR LATERAL

^ 3L.£-

FIG.27-B

75
PORTAS PORTAL
1. A porta principal ou conjunto de por-
tas principais de uma igreja ou outro
edifício, geralmente artisticamente tra-
balhadas. Fala-se em portal toscano
com relação à porta principal do antigo
Palácio dos Governadores (atual Es-
cola de Minas), em Ouro Preto.
2. Diz-se, por extensão, do FRONTIS-
PÍCIO ou fachada do edifício onde fica
a porta principal. Ver também os ver-
betes PORTADA e PÓRTICO.

PORTA-SACADA
JANELA RASGADA POR INTEIRO,
com GUARDA-CORPO de balaustrada
entalado ou não ao plano da parede.
(Fig. 20-A)

PORTA TRAVESSA
Porta da fachada lateral de uma edifi-
cação.

PÓRTICO
1. Espaço coberto - aberto ou parcial-
mente fechado-formando a entrada e
parte central de uma fachada de igreja
FIG. 28 ou outro edifício, usualmente com CO-
LUNAS separadas.
DE A L M O F A D A S 2. PORTADA. Ver também o verbete
PORTAL.

POSTIGO
1. FOLHA cega de porta ou janela
VERGA aposta à folha que fecha o VÀO. Quase
sempre complementa portas oú janelas,
de VENEZIANA ou vidro.
OMBREIRA 2. Folha cega que complementa as ja-
nelas de CAIXILHOS de vidro, do-
tando o vao de um segundo fecha-
CALHA
mento. Neste caso se articula direta-
mente com o MARCO.
(Figs. 19, 20-A)

PRATELEIRAS EM ATERRO
PATAMARES ou platôs, guarnecidos
por muros de ARRIMO e destinados a
corrigir a topografia de um terreno, es-
pecialmente em áreas ocupadas por
SOLEIRA jardins de lotes residenciais em aclive.
FIG. 28-A Exemplo: jardim em prateleiras ou pa-
tamares do antigo sobrado do Barão de
DE CALHA Saramenha, na rua Quintiliano Silva,
em Ouro Preto.

76
PORTADA
PREGOS
O uso d o s pregos de ferro j á e r a
c o m u m e m M i n a s Gerais n a altura de
1713, q u a n d o o S e n a d o d a C â m a r a de
V i l a Rica. diante do alto preço c o b r a d o
para o material pelos mestres ferreiros,
resolveu fixar tabela relativa aos vários
t i p o s d e p r e g o s , o u s e j a : pregos cai-
brais, pregos ripais, pregos cai.xais, e t c .
C o m o se d e d u z , o m a t e r i a l e r a e n t ã o
mais freqüentemente empregado no
madeiramento dos T E L H A D O S .

PRESBITÉRIO
Parte elevada da C A P E L A - M O R de
u m a igreja.
(Figs. 27, 27-B)

PROSPECTO

Plano t r a ç a d o de u m edifício.

PUXADO
O a c r é s c i m o de q u a l q u e r c o n s t r u ç ã o ,
não previsto e m sua P L A N T A original
e quase sempre destinado a serviços.
QUARTELA
Peça que sustenta outra em determi-
nada estrutura, a exemplo de suportes
de CORRIMÃO. Ver também verbete
do mesmo_ título, na parte de ORNA-
MENTAÇÃO. No documento alusivo à
construção da Casa de Câmara e Ca-
deia de Mariana, a palavra aparece sob
a grafia quartilho..
REFENDIDO
1. Lavrado em relevo.
2. Diz-se de trabalho em que há refen-
dimento, ou seja, escultura em alto-
relevo.

REIXA
Tábua ou barra de ferro, de pequenas
dimensões, usada no gradeamento de
janelas, para vedação ou iluminação.
Por extensão, diz-se da própria grade.
Usa-se também a grafia REXA.

RELHA

Ver o verbete ENRELHADA.

REPRESA
Espécie de C A C H O R R O ou C O N -
SOLO, para sustentar ARCOS, OGI-
VAS, C I M A L H A S , ou alguma peça
ornamental. A palavra é usada em do-
cumento de 1771, alusivo à construção
do FORRO da SACRISTIA da Igreja
do Carmo, em Ouro Preto.
R A B O DE M I N H O T O ( J U N T A DE) REPUXO
Peça de madeira constituída de dois 1. C H A F A R I Z construído de modo
trapézios unidos pela base menor, des- a que a água se eleve em jacto.
tinada a garantir a rigidez da junção de 2. BOTARÉU ou encosto que sustém
duas peças maiores. Sua função cor- um pé de ARCO.
responde à do GATO nos trabalhos de
CANTARIA. RÉS-DO-CHÁO
(Fíg. 11-A) Pavimento de uma casa ao nível do
solo ou da rua; casa térrea. Usava-se,
RAMADA antigamente, como sinônimo também
Espécie de TELHEIRO rústico, geral- de LOJA.
mente coberto de ramos e destinado ao
abrigo de gado ou outras finalidades. RESPALDO
Remate ou acabamento de um plano
RAMPADO vertical, por exemplo, PAREDE, AL-
1. Em forma de rampa. VENARIA, ENSOLE1RAMENTO, etc.
2. O mesmo que PEDRAL.
REBITE RETRETE
Cilindro de metal, com cabeça, desti- Privada, latrina ou lugar reservado
nado a unir duas peças de metal. Anti- onde se situa. Ver também o verbete
COMUA.
gamente, era,de modo geral,usado sob
o processo de uma volta dada à ponta
REXA
de um PREGO.

REBOCO Ver o verbete REIXA.


Argamassa de ca) e areia ou, moder-
namente, cimento e areia, para reves- RINCÃO
timento de PAREDES e outras partes 1. Ángulo reentrante e em declive, for-
da c o n s t r u ç ã o , alisando-as e mado pelo encontro de duas ÁGUAS
preparando-as para recebimento de de um TELHADO.
CAIAÇÃO ou pintura. Ver também o 2. A CALHA que recolhe as águas no
verbete EMBOÇO. aludido encontro.
(Fig. 2)
RIPA ROTUNDA
1. Peça de madeira sobre os CAI- Edifício em forma de circulo coberto
BROS, onde se assentam as TELHAS. por CÚPULA semi-esférica. Costuma-
2. Pedaço de madeira estreito e com- se chamar rotunda a parte interior elíp-
prido, sarrafo. tica da Matriz do Pilar, em Ouro Preto.
(Fig. 33)
RÚSTICO
RISCO Diz-se feito em rústico a forma tosca do
Desenho, PROSPECTO ou plano de revestimento de uma superfície,
uma construção, um RETÁBULO ou
alguma outra obra. Dada à dificuldade
do papel de desenho na época, os ris-
cos eram, muitas vezes, delineados nas
próprias paredes das obras em constru-
ção, a exemplo do plano da fachada da
Igreja de São Francisco de Ouro Preto,
que ainda se conserva no seu CON-
SISTÓRIO, e do relativo a um dos alta-
res da Igreja do Carmo da mesma ci-
dade, também conservado, em escala
natural, igualmente no consistório.
Entre os documentos mais preciosos
para a história da arte colonial mineira,
contam-se, no entanto, alguns riscos
em papel que chegaram até nosso
tempo, entre os quais, desenhos do Alei-
jadinho para a Igreja de São Francisco
de São João del-Rei (hoje no Museu da
Inconfidência) e de outros arquitetos
para as antigas Casas de Câmara e
Cadeia de Mariana e de Ouro Preto.
(Fotos: 21, 22, 23, 47)

RODAPÉ
Faixa de madeira, tijolo, etc, na parte
inferior das paredes, para protegê-las
contra atritos ou estragos decorrentes
de serviços de limpeza.

RODO
Segundo Francisco Antônio Lopes,
seria uma espécie de guincho para le-
vantar pesos. Ver também o verbete
MOITÃO.

ROSCA
Referência feita por Alpoim, nas espe-
cificações para construção do antigo
Palácio dos Governadores, em Ouro
Preto, a uma forma de assentamento
de ARCOS de tijolos.

RÓTULA
Tipo de FOLHA de janela que se arti-
cula em torno de um eixo horizontal
superior.
(Fig. 19)
SAIA-E-CAMISA
FORRO composto de tábuas colocadas
em ressaltos e rebaixos sendo, as em
ressalto, chamadas saias. As tábuas
têm largura geralmente uniforme e este
tipo de forro é sempre arrematado por
ABA ou Cl MALHA.
(Fig. 16)

SALA-CAPELA INTERNA
Recinto de uma construção civil em que
existe um altar ou um oratório, onde
são feitas celebrações religiosas.
Exemplo: saía-capela do antigo solar
do Padre Correia, em Sabará (atual
Prefeitura Municipal).

SAMBLAGEM

Ver o verbete ENSAMBLAR.

SANCAS

SACADA
O mesmo que BEIRAL.
Parte da construção que se projeta em
BALANÇO da superfície da fachada.
(Figs. 30, 30-A) SANGRADOURO
Lugar por onde, numa instalação de
SACADA CORRIDA água, a mesma é recebida ou escoada.
Diz-se daquela à qual corresponde mais SANGUE-DE-BOl
de uma porta de acesso, ou várias JA- 1. Tinta de cor vermelha carregada,
NELAS RASGADAS POR INTEIRO. usualmente empregada na pintura dos
(Fig. 30-A) elementos de madeira das construções
— CUNHAIS, portas, janelas, balaus-
SACADA ISOLADA
tradas, etc., no período colonial mi-
Por oposição, diz-se daquela à qual
neiro,
corresponde uma única porta de
2. O sangue-de-boi, em seu estado na-
acesso, ou uma JANELA RASGADA
tural, era muitas vezes utilizado como
POR INTEIRO.
elemento aglutinante em argamassa a
(Fig. 30)
base de barro.
SAPATA
SACRISTIA 1. Parte do ALICERCE mais larga do
Cômodo da igreja em que se guardam que as PAREDES que sobre ele se as-
os PARAMENTOS e mais objetos do sentam.
culto. Nas primeiras igrejas mineiras, 2. Peça de madeira, ao alto de um
elas se l o c a l i z a v a m ao lado da PILAR, para reforço ou equilíbrio da
CAPELA-MOR. Mais tarde passaram trave que .sobre a mesma se assenta.
a se localizar atrás desta, e a ela se li-
gando por corredores laterais. Pos-
suíam sempre, entradas independentes. SEBE
(Figs. 27, 27-B) 1. Cerca de estacas ou RIPAS entrela-
çadas, para vedação de terreno.
SAGUÃO 2. Estrutura da mesma natureza, usada
Cômodo de um edifício localizado na na construção de P A R E D E S de
entrada e destinado à passagem. VES- TAIPA. Ver os verbetes T A I P A DE
TÍBULO. SEBE e PAU-A-PIQUE.
SEIXO ROLADO
Tipo de pavimentação que consiste no
assentamento de pedras de rio, redon-
das, sobre o barro o u argamassa, às
vezes aparecendo em desenhos geomé-
SACADAS tricos de duas cores, com influência
moçárabe. Esta última forma é bastante
comum em S A G U Ã O S ou PÁTIOS in-
ternos de SOLARES ou edificações de
maior nobreza do período colonial mi-
neiro. Exemplos: saguão do SO-
BRADO da Rua Alvarenga, 56/58, em
Ouro Preto, e salas térreas do Museu
do O u r o , em Sabará.
(Figs. 26, 26-B: foto 24)

SERPENTINA
Diz-se de certa rocha ou pedra, com
veios esverdeados, mineral de silicato
de magnésio, usada em construções do
período colonial mineiro, a exemplo de
CANTARIA existente na Casa de Câ-
mara e Cadeia de Mariana.

SETEIRA
Pequena abertura estreita e vertical,
geralmente dando para compartimen-
tos secundários, principalmente nos
FIG. 30 cômodos de escadas, TORRES e po-
rões.
(Fig. 19)

SIMPLES
Armação de madeira que serve de
molde para construção de ARCOS e
ABÓBADAS. Forma paralela: simpli-
ces.

SINEIRA
Vão, onde se colocam os sinos em
T O R R E S , C A M P A N Á R I O S , etc.
Quando fechado por FOLHAS, diz-se
JANELA-SINEIRA, a exemplo dos
VÃOS das TORRES da Matriz de
Nossa Senhora da Conceição, em Con-
ceição do Mato Dentro.
(Figs. 18, 34)

SOALHO

O mesmo que ASSOALHO.

SOBRADO
1. Pavimento de madeira ou ASSOA-
LHO; pavimento superior de uma cons-
FIG. 30-A
trução.
2. Por extensão, diz-se de uma edifica-
ção de dois ou, em certos casos, de
mais pavimentos.
(Foto 9)
SOBREARCO
Pequeno A R C O construído sobre a
VERGA de um VÂO. Às vezes se dá
essa denominação à própria VERGA.

SOBREPORTA
1. Parte superior da PORTADA, ge-
ralmente ornamentada.
2. BANDEIRA da porta.

SOBREVERGA
Trabalho ornamental que, sobre as
mesmas, acompanha as VERGAS ou
PADIEIRAS de portas, janelas, etc.
(Fig. 29)

SOCALCO
Base de construção, em terreno incli-
nado, com enchimento de terra ou
outro material e apoiado em ARRIMO,
de forma a obter-se um plano nivelado.

SOCO
Base quadrangular de um PEDESTAL
ou de algum outro elemento arquitetô-
nico.

(Fig. 45-A)

SOLAR
Casa ou herdade de família nobre. Por
extensão, casa de residência, de maio-
res dimensões, com requintado acaba-
mento arquitetônico.
(Foto 8)
SOLARENGO
Diz-se de prédio residencial com carac-
terísticas de SOLAR.

SOLEIRA
Parte inferior das portas no nível do pa-
vimento, servindo de apoio às OM-
BREIRAS. Geralmente é de material
diferente do piso do cômodo a que dá
acesso.
(Fig. 28-A)

SÓTÃO

O mesmo que ÁGUA-FURTADA.

SUMIDOURO
Abertura profunda por onde escoa a
água. Escoadouro.
SUTA
Instrumento com que se demarcam ân-
gulos no terreno. Espécie de ESQUA-
DRO de peças móveis.
TAIPA
Parede feita de barro socado ou mole,
misturado a outros materiais, que lhe
emprestam maior plasticidade e resis-
tência, a exemplo de cal, areia, casca-
lho, fibras vegetais, estrume animal,
etc. Recebe várias denominações, como
indicam os dois verbetes que se se-
guem.

TAIPA D E P I L Ã O
É o sistema em que as PAREDES são
maciças, constituídas apenas de barro
socado. Pode incluir em sua espessura
reforços longitudinais de madeira. Ao
barro são misturados, freqüentemente,
estrume, fibras vegetais e cascalho. A
espessura é sempre superior a 40 cen-
tímetros. Diz-se de formigão a taipa a
que se associa cascalho ou pedra.

T A I P A DE S E B E
O mesmo que PAU-A-PIQUE ou ainda
barro de mão, taipa de mão. taipa de
pescoção, taipa de sopapo.
(Fig. 13)

TAIPAL
Cada uma das tábuas, entre as quais se
TA BI Q U E calca o barro, na construção de uma
PAREDE delgada, de madeira revestida PAREDE em TAIPA DE PILÃO.
ou não, destinada à separação de cô- (Fig. 32)
modos adjacentes.
TALÃO
Moldura de superfície, parte côncava,
TABUADO CORRIDO parte convexa.
PISO de tábuas geralmente largas e
contínuas. TALHA-MA R
Construção de A L V E N A R I A , de forma
angular, colocada sob uma ponte, para
T A B U A D O LISO quebrar a força das correntes de água.
Tipo de FORRO, composto de tábuas
colocadas no mesmo plano topo a topo. TALUDE
(Fig. 31) Superfície inclinada, resultante de uma
escavação do terreno. Por extensão,
qualquer porção de terreno em plano
TACANIÇA
inclinado.
Plano de TELHADO ou ÁGUA de su-
perfície triangular. Aparece nas cober-
turas com três ou mais águas, entre os TANQUE
ESPIGÕES. No CHAFARIZ, diz-se geralmente da
(Fig. 2) parte destinada a receber a água que
jorra das BICAS. E, às vezes, denomi-
nado também BACIA.
TAÇA (Fig. 8)
A BACIA de um C H A F A R I Z , LA-
V A B O , etc. Ver também o verbete TAPAGEM
CÁLICE. O mesmo que TAPUME.
TELHA
TIPOS DE ENCAIXE USADOS EM FORRO DE TABUADO LISO A princípio, as primitivas construções
do período colonial mineiro eram cober-
tas simplesmente de colmo ou sapé. Se-
gundo alguns autores, a primeira olaria
ou fábrica de telhas de barro surgiu em
Mariana, no ano de 1713. Eram telhas
de forma curva ou de aparente meio ci-
MEIO-FIO OU MEIA-MADEIRA lindro, que se tornaram conhecidas
como coloniais ou, em alguns casos, de
canal.

TELHADO
DIAGONAL Parte externa da cobertura de um edifí-
cio. Conjunto de TELHAS que cobrem
uma construção. Ver ÁGUA.
(Fig. 2)

5 MACHO E FÊMEA
TELHÃO
Tipo de T E L H A , de maior tamanho,
usado geralmente na cobertura de pare-
dões ou muros. Era usado também
MATA-JUNTA como conduto de água para CHAFA-
RIZES.
JUNTA SECA OU ESQUADRINHADA
TELHA-VÃ
TELHADO sem FORRO.

TELHEIRO
Área ou galpão abertos ou parcialmente
fechados, com cobertura de TELHA-
V Ã , geralmente usados como depósito,
oficina ou para abrigo de fornos.

TERÇA
Viga intermediária da cobertura, situada
TAPAMENTO (TIJOLO DE) entre a C U M E E I R A e o CONTRA-
O TIJOLO pouco largo, utilizado em FRECHAL, sendo paralela a eles. Ver
PAREDES divisórias e que não rece- TESOURA.
bem carga. (Fig. 33)

TAPANHOACANGA TERRA BATIDA


O mesmo que CANGA. Termo de uso Tipo rústico de PISO feito de terra so-
corrente em Minas Gerais, na época co- cada.
lonial.
TERRAÇO
TAPUME Espaço descoberto e utilizável, sobre
Cerca ou vedação de um terreno, feita uma edificação, e cujo PISO substitui o
de madeira, estacas, etc. T E L H A D O . Aparece também em al-
gumas construções religiosas, a exem-
TARDOZ plo da Igreja de São José, em Ouro
Face tosca da peça de CANTARIA vol- Preto. 0 mesmo que EIRADO.
tada para o lado interior da PAREDE.
TERRAPLENO
TARUGO 1. Depressão ou cavidade de solo,
Espécie de torno ou prego usado para preenchidas de terra ou outro material,
ligar duas peças de madeira ou outro para tornar plano o terreno. 2. Diz-se,
material. também, do solo terraplenado de uma

88
obra de fortificação, a exemplo dos imóveis e móveis que constituem a
B A L U A R T E S do antigo Palácio dos chamada "memória nacional". O tom-
Governadores,em Ouro Preto. bamento tem processos legais próprios
e os seus efeitos são disciplinados e
TESOURA fiscalizados pelo Instituto do Patri-
Armação de VIGAS, de madeira, metal mónio Histórico e Artístico Nacional
ou mistas. Destina-se a sustentar a (IPHAN). Os bens, objeto dessa medida
COBERTURA. Compõe-se de LI- legal, quando por ela juridicamente al-
NHAS, PERNAS, PENDURAIS e cançados, são inscritos em um ou mais
MÃOS-FRANCESAS. dos quatro Livros do Tombo previstos
(Fig. 33) no artigo 4.° da referida lei e assim de-
finidos:
TESTADA 1.° — Livro do Tombo Arqueológico,
1. Trecho do logradouro correspon- Etnográfico e Paisagístico, referente às
dente à frente de um prédio. "coisas pertencentes às categorias de
2. Linha convencional que demarca a arte arqueológica, etnográfica, amerín-
separação entre um terreno ou constru- dia e popular", monumentos naturais,
ção e o logradouro onde se situam. sítios e paisagens;
2.° — Livro do Tombo Histórico, refe-
TIÇÃO rente às "coisas de interesse histórico e
Diz-se, assentado a tição, o TIJOLO ou às obras de arte histórica", inclusive
laje colocados com a parte mais longa bibliotecas, arquivos e museus;
para o fundo e a mais estreita voltada 3.° — Livro do Tombo das Belas Artes,
para a face externa de PAREDE, PISO, referente às "coisas de arte erudita na-
etc. cional ou estrangeira";
4.° — Livro do Tombo das Artes Apli-
TIJOLO cadas, referente às "obras que se in-
Peça de barro cozido, geralmente em cluírem na categoria das artes aplica-
forma de paralelepípedo, usada com va- das, nacionais ou estrangeiras".
riadas finalidades em obras de constru- Os tombamentos de bens culturais
ção. Nas vilas e cidades mineiras do pe- podem ser de nível nacional, quando
ríodo colonial, o tijolo veio a substituir decretados pelo I P H A N , ou de nível
a TAIPA e o ADOBE nas estruturas estadual, quando decretados por órgãos
das PAREDES. Seu emprego, pelo alto congêneres do Estado, a exemplo do
custo, limitava-se, de início, a PISOS, Instituto Estadual do Patrimônio Histó-
ABÓBADAS, ARCOS, etc, tendo sido rico e Artístico de Minas Gerais
introduzido em O u r o Preto na constru- (IEPHA/MG). O acervo histórico-artís-
ção do Palácio dos Governadores tico pode ainda ser objeto de proteção
(1741/1747) e também nas obras das municipal, no caso de municípios que
TORRES da Igreja do Carmo. possuam legislação específica para esse
fim, a exemplo de Ouro Preto.
TÍMPANO
Parte do FRONTÃO delimitado pelas TORRE
suas linhas de contorno. Parte saliente de uma edificação civil ou
(Fig. 17) religiosa, de sentido vertical. Nas igre-
jas, geralmente, as torres tem como
TIRANTE função principal abrigar os sinos. Em
Peça de madeira ou metal submetida à Minas Gerais existe grande variedade
tração. de tipos de torres que se diferenciam
pelas formas de cobertura e da planta.
TOMBAMENTO Exemplo: cilíndrica — na Igreja de São
Segundo a legislação brasileira, con- Francisco de Assis de Ouro Preto; com
substanciada basicamente no Decreto- planta octogonal — na Igreja de Nossa
L e i n.° 25, de 30 de novembro de 1937, Senhora do Carmo de São João del-Rei;
que organizou a proteção do patrimônio com planta retangular — Igreja Matriz
histórico e artístico, o tombamento é de Nossa Senhora da Conceição, em
u m a figura jurídica destinada a assegu- Sabará.
rar a preservação de bens culturais (Figs. 18, 34)
TORREÃO TRANSEPTO
Espécie de TORRE no ângulo ou alto Galeria transversal que numa igreja se-
de um edifício e essencialmente inte- para a N A V E C E N T R A L da CAPE-
grado ao respectivo corpo de constru- LA-MOR, formando os braços da cruz
ção. Exemplos: torreões das antigas nos templos que apresentam essa dis-
Casas de Câmara e Cadeia de Ouro posição. Em Minas, o transepto ocorre
Preto e Mariana, ou mesmo o chamado raras vezes em igrejas do século XVIII.
M I R A N T E da Casa dos Contos, em Exemplo: transepto da Sé de Mariana.
Ouro Preto. (Fig. 27-B)
(Foto 18)
TRÂNSITO
TRAÇA Passagem ou corredor, ligando cômo-
O mesmo que P L A N T A , RISCO ou dos ou partes de uma construção.
desenho de uma obra ou construção.
TRAPEIRA
TRAÇO POR IGUAL
Processo de assentamento de TIJOLOS O mesmo que ÁGUA-FURTADA.
ou ladrilhos, em que se observa traçado
simples, de linhas contínuas, na coloca- TRAVEJAMENTO
ção das peças. Conjunto de traves do madeiramento de
um T E L H A D O ou ASSOALHO. Ver
também o verbete VIGAMENTO.
TAIPAL TRELIÇA
Diz-se de uma estrutura ou armação
formada de pequenas FASQUIAS cru-
zadas, apresentando espaços abertos.
Muito usada em vedação de VÃOS nas
construções do período colonial mi-
neiro.
(Fig. 23)

TRIBUNA
Lugar reservado e elevado, com aber-
tura em janelas ou V A R A N D A S , para
assistir às cerimônias religiosas. Nas
igrejas mineiras do século XVIII, as tri-
bunas se localizam mais geralmente nas
laterais da CAPELA-MOR. Pode-se
falar, igualmente, em tribuna do CORO e
tribuna do PÚLPITO. Ver também o
verbete T R I B U N A DO T R O N O na
parte de O R N A M E N T A Ç Ã O deste
Glossário.
(Fig. 27-A)

T R O L H A ( R E B O C O A)
REBOCO alisado com uma espécie de
pá de madeira e plana, também usada
pelo pedreiro para colocar a argamassa
de que se vai servindo.

T R O M B A DA C H A M I N É
Cano da chaminé, que encaminha a fu-
maça para fora dela e que em parte se
eleva acima do corpo da construção.

90
TESOURA

CUMEEIRA

TERÇA

CONTRAFRECHAL

FIG. 33

91
UMBRAL

OMBREIRA de uma porta.

URUPEMA
Vedação de teto, PAREDES, janelas,
SACADAS, etc, feita com esteira se-
melhante à urupema, isto é, espécie de
peneira em trama de fibra vegetal.
Quando empregada em sacadas ou
AB A L C O A DOS, substitui as TRELI-
ÇAS da GELOSIA. Ver também o ver-
bete ESTEIRA.
VENEZIANA
FOLHA de janela e porta com palhetas
inclinadas, deixando entre si, espaços
para ventilação. Sua introdução em
Minas Gerais data, presumivelmente, da
segunda metade do século XIX.

VERGA
Peça de madeira ou CANTARIA que se
apoia nas OMBREIRAS, em portas, ja-
nelas, etc.. para suster a PAREDE
acima do VAO. No período colonial
mineiro, aparecem inicialmente em
forma reta ou de nível tendo evoluído
t

depois, com a sua adoção no Palácio


dos Governadores, em Ouro Preto, para
a forma alteada ou em canga-de-boi.
Mais tarde, os arcos das vergas se tor-
naram francamente curvos. No século
XIX, com o advento do gosto neo-
gótico, surgiram as vergas ogivais ou
em ponta em Ouro Preto e outras loca-
lidades. O mesmo que PADIEIRA.
(Fig. 35)

VESTÍBULO
VALÁDIO
T E L H A D O de telhas soltas, em que
não se empregou cal ou argamassa. 0 mesmo que SAGUÃO.

VÁO VIDRAÇA
Vazio, abertura em uma parede. Os
Caixilho com vidros para janela, porta,
vãos se dividem em portas, janelas,
ou outros VÃOS. Por tratar-se de mate-
ÓCULOS, SETEIRAS, etc.
rial importado e de difícil transporte
pela fragilidade, o vidro demorou a ser
VAO CAMPANÁRIO introduzido nas construções mineiras
O mesmo que SINEIRA. do período colonial. As primeiras refe-
rências à sua utilização datam de mea-
VÃOS GEMINADOS dos do século XVIII, quando os docu-
Vãos contíguos de uma mesma parede, mentos aludem ao seu emprego em
às vezes aproveitando como GUAR- ÓCULOS da Catedral de Mariana e nas
NIÇÃO intermediária, um mesmo ES- vedações do Palácio dos Governadores
TEIO ou OMBREIRA. Ver também o {atual Escola de Minassem Ouro Preto.
verbete OMBREIRAS GEMINADAS. A partir daí, a sua utilização se genera-
(Foto 25) liza em Minas Gerais.
VIGA
VARANDA Peça de sustentação horizontal, em ma-
1. Construção apoiada e aberta dos edi- deira, ferro, aço, concreto ou pedra.
fícios, protegida pelo prolongamento da
COBERTURA. Guarnição vazada. 2.
Gradeamento de SACADAS ou JA- VIGAMENTO
N E L A S RASGADAS POR INTEIRO. Conjunto de VIGAS de uma construção
ou de suas partes, tais como: PISOS,
VARÃO DE FERRO EM CRUZ
PAREDES, TELHADOS, etc.
Peça de ferro, em formato de cruz, des-
tinada a preencher vazio ou fresta em VIGOTA
PAREDE. Pequena VIGA; sarrafao.
VOLTA (PEÇAS DE)
As pedras que formam a parte circular
do ARCO ou da ABÓBADA, a partir
da pedra imediata ao CAPITEL ou à
C I M A L H A ou a partir da IMPOSTA.
Nas especificações para a construção
do antigo Palácio dos Governadores, em
Ouro Preto, Alpoim se referia a voltas
de cordel e voltas redondas.

VOSIL
Ver o verbete BOCELÃO.

VERGAS

ARCO PLENO OGIVAL EM PONTA

FIG. 35

96
ZIMBÓRIO
A parte superior, geralmente convexa,
que arremata o EXTRADORSO das
C Ú P U L A S . Em contrato datado de
1746, e referido por Carlos Del Negro,
Francisco Xavier de Brito arrematou a
"obra de talha da CAPELA-MOR e
zimbório" da Matriz de Nossa Senhora
do Pilar, em Ouro Preto.
ARQUTTETURA
Documentação Fotográfica
1. B R U M A L — Igreja de Santo A m a r o — A r q u i t e t u r a Religiosa — 1 . fase
a
2. CAETÉ — Matriz de Nossa S e n h o r a do B o m Sucesso —
A r q u i t e t u r a Religiosa — 2 . fase
a
3. SÃO JOÃO DEL-REI — Igreja de São Francisco de Assis
— A r q u i t e t u r a Religiosa — 3. fase
a
4. OURO PRETO — Igreja de São Francisco de Paula —
A r q u i t e t u r a Religiosa — 4 . fase
a
5. P O M P É U ( m u n i c í p i o de Sabará) — Capela de Santo A n t ô n i o
(anterior a 1730)

6. O U R O P R E T O — Canela do Padre Faria (cerca de 1740)


7. SABARÁ — Capela de Nossa Senhora do Ó (Construção primitiva-1717)
Frontispício chanfrado de fins d o s é c u l o XVI11
8- SABARÁ — A n t i g o Solar do Padre Correia (atuai Prefeitura Municipal)
9. MARIANA — S o b r a d o do Barão de Pontal
10. SÃO JOÃO DEL-REI — A n t i g a Casa da I n t e n d ê n c i a

11. B O M JESUS DO A M P A R O — Fazenda do Rio São João


12 OURO PRETO — Bom-Será' d a rua B a r ã o d o O u r o B r a n c o
15. OURO PRETO — Pouso do C h i c o Rei — Teto em gamela
16. SABARA — Hospicio da Terra Santa
18. OURO PRETO — Casa d o s Contos, c o m seu mirante o u t o r r e ã o
19. CATAS ALTAS DO MATO DENTRO — Matriz de N o s s a Senhora da Conceição,
c o m torres à m o u r i s c a
20. DIAMANTINA — Passadiço da rua d a G l ó r i a
( C o l é g i o Nossa S e n h o r a das Dores)
22, Risco de A n t ó n i o F r a n c i s c o Lisboa, o Aleijadinho, para a igreja
de São Francisco de Assis de São João del-Rei
(Original do M u s e u da Inconfidência — O u r o Preto)
2 3 . Risco para a igreja do C a r m o de São João del-Rei, a t r i b u i d o ao
Aleijadinho (Original do Museu da Inconfidência — Ouro Preto)

24. OURO PRETO — Piso do saguão do s o b r a d o da rua Alvarenga, 56/58,


em seixos r o l a d o s
25. OURO PRETO — Rua C o n d e de Bobadela, a n t i g a rua Direita — S o b r a d o s c o m vão geminados.
II
GLOSSÁRIO DE ORNAMENTAÇÃO
.'s
ADUELA
Peça encurvada de madeira correspon-
dente ao ARCO ou ARQU1VOLTA na
estrutura do COROAMENTO ou RE-
MATE DO RETÁBULO.
(Fig. 53}

ALCATIFAS
Tapetes, colchas ou toalhas bordados
em cores diferentes. No período colo-
nial era costume enfeitar-se de alcatifas
as janelas das casas, por ocasião de fes-
tividades religiosas. Esse tipo de orna-
mentação é, ainda hoje, bastante
comum em festas de velhas cidades mi-
neiras.

ALDRABA (ALDRAVA)
Tranqueta de metal para abrir e fechar
as portas, levantando, abaixando ou gi-
rando o ferrolho.
(Fig. 15)

ALFAIAS
ÁBACO
Peças de uso em missa e outros rituais
I. Parte superior do CAPITEL de uma do culto religioso, confeccionadas em
COLUNA, geralmente quadrangular. 2. metal e outros materiais. Nas mais ricas
Pedra ou placa metálica, quadrangular, igrejas do século XVIII em Minas, as
de revestimento ou ornamentação de principais alfaias eram geralmente de
PAREDE. ouro ou prata, a exemplo de castiçais,
(Fig. 48) turíbulos, aspersórios, etc. Ver também
o verbete PARAMENTOS.
ABA1XA-VOZ
DOSSEL que cobre o PÚLPITO, para ALGUIDAR
efeito de acústica durante as prédicas Vaso de barro ou metal, baixo, em
do sacerdote. Guarda-voz. forma de cone invertido, destinado a
(Fig. 36) vários usos domésticos.

ACANTO
Motivo decorativo, presente origina- ALMOFADA
riamente no C A P I T E L C O R Í N T I O , Peça de madeira, em relevo, sobre a
que representa folha do acanto espi- superfície de porta ou janela e encai-
nhoso. O uso do motivo em acanto foi xada como adorno. Geralmente apre-
generalizado na ornamentação em senta forma geométrica (ex. porta da
T A L H A do período barroco. Igreja do Carmo, de Mariana), mas em
(Fig. 37) algumas igrejas mineiras (ex, porta da
Igreja de São Francisco de Assis, de
ACROTÉRIO Mariana) apresenta desenho simbólico
1. Ponto mais elevado ou cimo de uma ou figurativo. A almofada ocorre tam-
construção. 2. Pequeno PEDESTAL, bém em PÚLPITOS, ARCAZES (CÔ-
geralmente sem ornato, colocado no MODAS) e outras peças de mobiliário.
F R O N T Ã O ou em P L A T I B A N D A S Ver também o verbete A L M O F A D A
como suporte de cruz, de estátuas ou na parte de A R Q U I T E T U R A deste
outras peças escultóricas. Glossário.
(Fig. 34) (Figs. 19. 28, 29)
ALMOFARIZ tipos mais comuns de anjos, na orna-
Utensílio doméstico, de pedra, metal ou mentação religiosa em Minas, são os
madeira, de forma côncava, destinado a querubins ou serafins, pequenos e com
triturar ou apiloar alimentos e outras ou sem asas, lembrando alegres meni-
substâncias sólidas. nos, ou os arcanjos, figuras maiores,
lembrando adolescentes ou adultos jo-
ALTAR-MOR r
vens, sendo geralmente desta espécie os
Altar ou RETÁBULO principal de uma anjos músicos e os ANJOS TOCHEI-
igreja ou capela, aposto à parede de ROS. Há casos de anjos singulares, de
ACANTO
fundo da CAPELA-MOR e destinado feições e busto femininos (ex. Museu de
às imagens ou relíquias do respectivo Tiradentes), ou com traços orientais
orago ou santo padroeiro. (ex. capela de Santo Antônio, em Pom-
S A N T U Á R I O B. J. DE MATOZINHOS (Foto 26) peu, Município de Sabará).
PORTAOA—
CONGONHAS
ÂMBULA
Vaso em que, nas igrejas, se guardam ANJO TOCHEIRO
os santos óleos. Escultura de anjo, portando T O -
CHEIRO ou CASTIÇAL grande para
AMPULHETA velas. Pode ser uma peça de escultura
Instrumento antigo, constituído por dois autônoma (ex. Santuário do Bom Jesus,
vasos cónicos de vidro, que se comuni- em Congonhas) ou inserida no RETÁ-
cam no vértice por pequeno orifício B U L O (ex. Capela do Rosário, em
pelo qual escoa certa quantidade de Cuiabá, Município de Sabará).
areia, num processo de medição do
tempo. Na simbologia ornamental, a ANJO VOANTE
ampulheta representa a vida, em oposi- Escultura de anjo em atitude ou postura
ção à C A V E I R A , que representa a de vôo.
morte. Nesse sentido, os dois símbolos
aparecem no belo L A V A B O de PE- APARADOR
DRA-SABÃO da SACRISTIA da Igreja Peça de mobília de sala de jantar, em
de São Francisco em Ouro Preto, da forma de mesa ou fechada com pratelei-
autoria do Aleijadinho. ras e portas. Era, às vezes, denominada
lambem BUFETE,
ANDOR
Suporte de madeira, com varais de se- ARANDELA
gurar, e geralmente ornamentado, no 1. Peça redonda, ordinariamente de vi-
qual se transportam imagens nas procis- dro, onde se fixa a vela e que recebe os
sões. pingos desta. 2. Braço ou pendente co-
locado na parede para receber vela ou
lâmpada elétrica.
ANJO
O anjo é, elemento ornamental dos mais
FIG. 37 comuns em RETÁBULOS e ARCOS- ARCA
CRUZE1ROS de igrejas mineiras. A Caixa de madeira, com tampa plana e
escultura de anjos começa a aparecer fechadura, para guardar roupas e outros
em retábulos da fase de transição (cerca objetos. Algumas arcas, geralmente re-
de 1730) do E S T I L O N A C I O N A L forçadas de placas de ferro e cadeado,
PORTUGUÊS ( l . fase do barroco em
a
destinavam-se, antigamente, a guardar
Minas) para o ESTILO DOM JOÁO V dinheiro, ouro e outros valores. Ver
{2. fase do barroco em Minas). Na fase
a
também os verbetes ARCAZ, BAÚ e
ROCOCÓ ( 3 . fase do barroco em
a
CÔMODA.
Minas ou fase do Aleijadinho), os anjos (Fotos 34, 37)
desaparecem das C O L U N A S e PI-
LASTRAS, passando a figurar de pre- ARCADA
ferencia em P O R T A D A S . ARCOS- Seqüência de arcos próximos, ou cons-
CRUZEIROS, CÚPULAS de CAPE- trução em forma de arco. Em Minas
LA-MOR ou, algumas vezes, em CO- Gerais, são notáveis as arcadas de sepa-
ROAMENTOS de RETÁBULOS. Os ração entre a N A V E central e as naves

126
laterais da Matriz de Sabara, trabalha- dos em brasões ou ESCUDOS. As
das em T A L H A característica da 1. a
armas do reino de Portugal apresenta-
fase do barroco mineiro. vam desenho em cinco quinas e sete
(Fig. 39) torres sob uma coroa, tal como ainda se
pode ver na CARTELA do Chafariz de ATLANTE
ARCAZ São José, em Tiradentes. Quanto às
Grande ARCA ou CÔMODA com ga- armas de ordens religiosas, são comuns
IGREJA DO C A R M O — SABARÁ
vetões, que, nas igrejas, é geralmente em igrejas mineiras as de São Francisco
colocada nas SACRISTIAS para guar- — dois braços cruzados, de Cristo e do
dar PARAMENTOS e outros acessó- santo — e a do Carmo: o Monte Car-
rios religiosos. Em algumas igrejas mi- melo, entre nuvens e a trindade de es-
neiras, esse tipo de móvel apresenta trelas, encimado por uma cruz.
rico trabalho em T A L H A : ex. arcaz da (Foto 48)
Igreja do Carmo, em Ouro Preto.
(Foto 27)
ARQUIBANCO
ARCO-CRUZEIRO Banco grande, dotado de ESPALDAR
ARCO que separa a N A V E central e a com ou sem vãos, geralmente usado
CAPELA-MOR na parte da igreja de- nas SACRISTIAS ou em residências
nominada CRUZEIRO. Nas igrejas da antigas, cujo assento é a tampa de uma
1. metade do século XVIII em Minas,
a
espécie de ARCA com divisões inter-
o arco-cruzeiro é geralmente de madeira nas.
revestida de trabalhos em T A L H A .
Nas da 2. metade, o arco-cruzeiro já é
a

de pedra de C A N T A R I A . Na chave ARQUITRAVE


(eixo) do arco-cruzeiro aparecem, so- Parte principal do E N T A B L A M E N T O
brepostas, composições escultóricas entre o FRISO e o CAPITEL da CO-
com ESCUDOS, ANJOS e outras figu- L U N A , sobre a qual assenta.
rações, quase sempre alusivas ao pa- (Fig. 45)
trono ou invocação da igreja. Junto ao
arco-cruzeiro, a maioria das igrejas pos-
sui dois altares, no alinhamento ou em ARQUIVOLTA
viés. São os chamados altares ou RE-
Ornato em contorno ou que acompanha
TÁBULOS do arco-cruzeiro.
a forma do arco. As arquivoltas concên-
(Figs. 39, 40)
tricas, presentes no COROAMENTO
ou R E M A T E do R E T Á B U L O , são
ARCOS CONCÊNTRICOS umas das características dos altares da
O mesmo que A R Q U I V O L T A S con- l. fase do barroco em Minas. Ver tam-
a

cêntricas. Peças de madeira, na disposi- bém o verbete ARCOS CONCÊNTRI-


ção de arco e tendo sempre um mesmo COS.
centro ou eixo ao alto, em trabalho de (Figs. 40, 53)
talha ornamental, que formam o RE-
M A T E ou C O R O A M E N T O de RE-
TÁBULOS, especialmente os do cha- ARRECADA R G . 38
mado ESTILO N A C I O N A L PORTU- Ornato geralmente em feitio de argola,
GUÊS ou da 1. fase do barroco em
a aparecendo em forma encadeada.
Minas (até cerca de 1730). Os arcos são (Fig. 49)
continuações de C O L U N A S ou PI-
LASTRAS, a cujo número geralmente
correspondem. Exemplos: retábulos da ARTESOADO
Capela de Nossa Senhora do Ó e da Diz-se de teto (ou de voltas de ARCOS
Matriz de Sabara. e A B Ó B A D A S ) , com divisões entre
(Figs. 40, 53) molduras. As divisões, quando de de-
senho mais simples e formas retangula-
ARMAS res, são chamadas comumente de
Insígnias ou emblemas oficiais ou de CAIXOTÕES.
ordens religiosas, pintados ou esculpi- (Fig. 39)

127
ASSIMETRIA ATLANTE
Falta de simetria ou proporção entre Figura (ou meia figura) de homem, em
desenhos em pintura ou escultura. A escultura, que sustenta COLUNA, PI-
assimetria é um dos elementos definido- LASTRA, CORO, etc. São notáveis em
res da ornamentação ROCOCÓ nas Minas os atlantes do CORO da Igreja
igrejas mineiras (a chamada 3. fase do
a
do Carmo, em Sabará, da autoria do
barroco em Minas). O exemplo mais Aleijadinho. Atlantes podem ser vistos,
comum de assimetria é o do desenho com a mesma função de sustentação,
das ROCA1LLES. na Matriz de Nossa Senhora da Con-
ceição, em Congonhas.
(Fig. 38)
ASTRÁGALO
Pequena moldura de secção circular, ATRIBUTO
decorada às vezes com motivos de Símbolo, insígnia ou qualquer elemento
contas-de-rosárío, que aparece como que, numa escultura, pintura ou gra-
ornato na parte superior do FUSTE da vura, servem para identificar determi-
COLUNA. nado santo.

ARCADAS

MATRIZ DE SABARÁ

ARCADA

FIG. 3 9

128
AZULEJO Preto. Na mesma cidade, vêem-se tam-
Ladrilho de louça vidrado em sua face bém na fachada do Colégio Alfredo
aparente, usado para revestimento, im- Baeta e em pequena faixa inferior de
permeabilização e decoração de PA- um sobrado ao lado do Chafariz dos
REDES. No período colonial brasileiro, Contos, na Praça Reinaldo O. Alves de
foi largamente utilizado em construções Brito, edificações estas presumivel-
religiosas e civis, principalmente do li- mente, porém, do século XIX. O uso
toral. Em Minas Gerais, seu emprego nobre do azulejo levou à confecção de
foi, no entanto, bastante restrito, imitações, como a feita por Ataíde
podendo-se apontar, entre os poucos sobre madeira na capela-mor da Igreja
exemplos, os azulejos da CAPELA- de São Francisco de Assis, igualmente
MOR da Igreja do Carmo, em Ouro em Ouro Preto.

ARCO-CRUZEIRO

CAPELA NOSSA SENHORA DO Ó —


SABARA

ARCOS CONCÊNTRICOS ARQUIVOLTA ENTABLAMENTO

FIG. 40

129
tiva. Exemplo: barra em azulejos da
CAPELA-MOR da Igreja do Carmo,
em Ouro Preto.

BARROCO
O estilo barroco floresceu na Europa
durante o século XVII, correspondendo
historicamente à ação contra-reformista
da Igreja Católica e também à expansão
colonizadora de Portugal e Espanha.
Foi por essa mesma época introduzido
no litoral brasileiro, marcando com suas
formas o programa arquitetônico e or-
namental de igrejas e conventos. Em
Minas Gerais, o estilo vigorou pratica-
mente durante todo o século XVIII, em
cujo final viria a ocorrer o advento do
ROCOCÓ (altares de 1760/1770) na ca-
pitania. A interação dos dois estilos jus-
tifica que se fale em "feição barroco-
rococó" relativamente à arquitetura e
ornamentação de algumas igrejas minei-
ras de fins daquele século.

BARROCO EM MINAS GERAIS —


CARACTERÍSTICAS
O barroco em Minas Gerais, obede-
cendo às linhas gerais do estilo, se ca-
racterizou:
a) pela exuberância do elemento orna-
mental na decoração interior das igre-
jas;
b) pelo uso intenso da T A L H A poli-
cromada, com predominância do reves-
BACIA D O P Ú L P I T O timento em ouro;
Peça em pedra ou madeira; sacada da c) pela gradativa tendência à movimen-
PAREDE em que se firma o TAMBOR tação e ao encurvamento das formas
ou CAIXA do PÚLPITO. arquitetônicas, primeiro na arquitetura
(Fig. 51) interna das igrejas (ex. Matriz do Pilar,
em Ouro Preto), depois na própria ar-
B A L D A Q U I M (ou BALDAQUINO) quitetura externa (ex. Igreja do Rosário,
Peça acessória, sustentada por COLU- em Ouro Preto);
NAS ou pendente junto às PAREDES, d) pelo realismo das composições escul-
que aparece como proteção superior em tóricas e da IMAGINÁRIA;
alguns RETÁBULOS. O mesmo que e) pela presença de elementos ornamen-
SANEFA ou GUARDA-PÓ. Ver tam- tais profanos, ao lado de elementos de
bém o verbete DOSSEL. simbologia religiosa (ex. Capela do O e
(Fig. 41) Matriz de Sabará).
Ver também os verbetes ARQUITE-
BANQUETA
T U R A NO PERÍODO C O L O N I A L
Primeiro degrau acima da mesa do al- MINEIRO, PINTURA NO PERÍODO
tar, onde se colocam CASTIÇAIS com C O L O N I A L M I N E I R O E RETÁ-
velas de cera, tendo ao centro a cruz. BULO.
BARRA
A parte inferior de PAREDES, reves- BAÚ
tida de AZULEJOS ou simplesmente Cofre ou caixa retangular, de tampa em
de pintura decorativa — lisa ou figura- forma de abobada convexa e geral-
mente de madeira com cobertura de BOFETE (BUFETE)
couro, ornada de P R E G A R I A . Ver 1. Espécie de banca, secretária ou es-
também o verbete ARCA. crivaninha com gaveta, geralmente em
fino trabalho de marcenaria. 2. APA-
BELA RADOR.
Espécie graciosa de ornato de arremate,
que aparece em alguns tipos de cons- BOLACHA
trução, a exemplo das três "belas" es- Ornatos TORNEADOS, de forma esfe-
piraladas que encimam a VERGA do róide e achatada, que aparecem em
Chafariz dos Contos, em Ouro Preto. BALAÚSTRES, grades, entravamento
(Fig. 8) e suportes de móveis, etc.
BILRO BOLO ARMÊNIO
1. Peça de fazer renda. 2. Ornato, em Argila vermelha que se emprega em
forma de fuso, c o m que se adornavam pintura ou como base de preparação da
os arremates de certos tipos de cama, obra de T A L H A em madeira para rece-
de esmerado trabalho de marcenaria, ber o trabalho de DOURAMENTO. O
característicos do século X V I I I . As mesmo que almagre.
camas em bilros e TORNEADOS eram
bastante comuns nas residências mais BORLA
nobres do período colonial mineiro. Ornato formado p o r um suporte em
(Foto 36) forma de campânula, do qual pendem
inúmeros fios. Aparece, por exemplo,
BOCA DA TRIBUNA
nas OMBREIRAS da PORTADA prin-
Abertura da TRIBUNA D O TRONO
cipal da Matriz de Nossa Senhora do
em um altar ou RETÁBULO. A ex-
Bom Sucesso, em Caeté.
pressão aparece em contrato firmado,
(Fig. 49)
em 1754, por José Rodrigues Silva, para
"pintura do PAINEL da boca da tri- BOSSAGEM
buna" da Matriz de Nossa Senhora do Trabalho de revestimento ou ornamen-
Pilar, em Ouro Preto. Ver também os tação que ressai da superfície da cons-
verbetes P A N O e PERFIL DA TRI- trução.
BUNA.

BALDAQUIM

132
costuma-se chamar também de TAM-
BOR DO PÚLPITO.
(Fig. 51)

CAIXOTÁO
Vão, geralmente quadrado e artesoado,
com moldura simples ou em ornatos de
R E L E V O , entre o madeiramento de
sustentação de tetos. Em várias igrejas
mineiras, os caixotôes contêm pinturas
de figuração ou simbologia religiosa, a
exemplo dos fonos da Capela do Ó e da
Matriz de Sabará. Ver também o ver-
bete ARTESOADO.
(Fig. 40)

CAMARIM
Vão, por cima ou na parte interna do
ALTAR-MOR ou de altares laterais ou
do ARCO-CRUZEIRO, onde se arma o
TRONO para exposição do Santíssimo
ou da imagem de um santo. Nas princi-
pais igrejas mineiras, os camarins são
geralmente delimitados por molduras ou
PERFIS em T A L H A trabalhada, com
pintura ou talha em baixo-relevo nos
PANOS (superfícies) parietais (laterais)
ou de fundo. O camarim é também
CABIDE chamado TRIBUNA DO TRONO.
Peça de madeira ou outro material, afi- (Figs. 53, 55)
xada em PAREDES, destinada a pen-
durar roupas, utensílios, etc. Alguns
cabides antigos eram de apurada fei- C A N C E L O (Ê)
tura, com ornatos. Grade nobre, em B A L A Ú S T R E S
TORNEADOS ou trabalhados em TA-
CADEIRAL L H A , que separa a CAPELA-MOR do
Série de cadeiras, ligadas ou não entre corpo da N A V E ou esta dos altares la-
si, geralmente de ESPALDAR alto e terais. Costuma-se falar, de modo mais
encostadas a uma PAREDE, de uso em simples, em "grade de separação" ou
COROS, C O N S I S T Ó R I O S , etc. de "balaustrada de separação". Exemplos
igrejas ou conventos. Exemplo: cadeiral notáveis são a balaustrada em madeira
da CAPELA-MOR da Sé de Mariana. torneada, da autoria do Aleijadinho,
(Foto 28) que antecede os altares do ARCO-
CRUZE1RO e a capela-mor da Igreja
CAIXA
do Carmo, em Sabará, e a da nave da
Matriz de Conceição do Mato Dentro.
GUARDA-CORPO ou P A R A P E I T O
(Fig. 42)
do P Ú L P I T O . Nas igrejas mineiras
ocorrem vários tipos de caixas de púlpi-
tos, desde as caixas simples, fechadas CANDEEIRO
ou vazadas, em madeira lisa pintada ou Aparelho fixo ou portátil de iluminação,
madeira recortada (ex. Capela do Ó, em alimentado a gás ou óleo, com camisa
Sabará), até as caixas em BALAÚS- ou mecha e envolto por um bojo ou
TRES trabalhados (ex. Matriz de Sa- M A N G A . Ver também o verbete
bará) e as fechadas com trabalhos de ILUMINAÇÃO.
T A L H A (ex. Matriz do Pilar, em Ouro
Preto) ou esculturas em baixo relevo CANDEIA
(ex. Igreja do Carmo em Sabará). Pequeno aparelho de iluminação, do-
Quando a caixa é fechada e abaulada. tado de pavio e recipiente em forma de
vaso de ferro, latào ou barro, que é ali- CANELURA
mentado a óleo ou querosene e que, ge- Sulco aberto como MEIA-CANA, ver-
ralmente, fica pendente das PAREDES. ticalmente, em COLUNAS ou PILAS-
Ver também o verbete ILUMINAÇÃO. TRAS de RETÁBULOS. As colunas
com caneluras ou ESTRIAS verticais
CANELADO
sâo mais comuns nos RETÁBULOS
Objeto ou ornato que apresenta formas
DO PERÍODO ROCOCÓ (ou 3. fasea

em C A N E L U R Ã S ou sulcos em
do barroco em Minas).
MEIA-CANA.
(Figs. 45, 45-A)
CANELEIRA
O mesmo que CANELURA.

CANCELO

MATRIZ DE CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO

FIG. 42

134
CAPITEL CARTELA
Parte superior dé uma C O L U N A ou Superfície lisa, geralmente a imitação
P I L A S T R A , que se eleva acima do de um pergaminho e colocada no meio
F U S T E , ligando o fuste ao E N T A - de um FRISO ou um PEDESTAL, para
BLAMENTO. Em Minas, o tipo de ca- se gravar uma inscrição ou para ornato.
pitel mais usado é o COMPÓSITO, de (Fig. 43)
adoção caracteristicamente barroca e
resultante da associação de elementos CASTIÇAL
decorativos dos capitéis JÓNICO e Peça com abertura na parte superior,
CORÍNTIO. destinada nas igrejas ou outros recintos
(Figs. 45,48,50) para suster velas de iluminação. Nas
principais igrejas mineiras do período
CARANTONHA
colonial, os castiçais eram geralmente
O mesmo que CARRANCA.
de prata ou de madeira entalhada e pin-
(Fíg. 44) tada. Ver também os verbetes ANJO
TOCHEIRO e TOCHEIRO.
CARIÁTIDE
Figura de mulher, de corpo inteiro ou
CATRE
meio-corpo, sobre a qual assenta uma
CORNIJA ou ARQUITRAVE. Pode-se Leito de acabamento tosco e pés bai-
falar em cariátides com relação às figu- xos, trazendo em couro ou madeira rús-
ras das sílfides ou sereias que ornamen- ticos a parte onde repousa o corpo.
tam os PÚLPITOS da Matriz de Sa-
bara. CAVEIRA
Na simbologia ornamental religiosa, a
CARNAÇÃO caveira representa a morte. Aparece
Pintura cor de carne aplicada na parte como ATRIBUTO nas imagens de São
desnuda do corpo das imagens. Pode-se Francisco de Assis, que geralmente a
falar em carnação do Cristo crucificado, traz numa das mãos.
São Sebastião, etc. Nesse processo, a
pintura era geralmente feita a óleo e po- CHAMBRANLE
lida. Opõe-se ao estofamento a têm- (Francês). Ornato em OMBREIRAS de
pera, técnica empregada para pintura portas, janelas e outros VÃOS, apare-
dos demais elementos da imagem, cendo mais geralmente, em fachadas de
como vestuário, barbas, cabelos, etc. igrejas. Exemplo: "chambranles" das
Ver também o verbete E S T O F A - OMBREIRAS da porta principal da
MENTO. Matriz de Caeté.
(Fig. 49)
CARRANCA
Cara ou cabeça de pedra, madeira ou
metal com que se ornam BICAS de CHINESICE
C H A F A R I Z ou L A V A B O S , RETÁ- 1. Trabalho ornamental, geralmente
BULOS, argolas, ou ALDRAVAS de pintado de vermelho, azul e ouro, à
portas, etc. E interessante a carranca de imitação oriental. Pode-se falar também
feição indígena de um lavabo em ma- em chinesices com relação aos painéis
deira existente na sacristia da Capela de ou portas pintados com motivos da
Santo Antônio, em Pompeu, município China, existentes em algumas igrejas
de Sabará, sendo mais comuns, no en- mineiras, a exemplo da Capela do Ó,
tanto, as carrancas em pedra de chafa- em Sabará, e da Matriz da mesma ci-
rizes. dade. 2. Pintura de charão, verniz da
(Fig. 44) China e do Japão, feito de laca e outros
materiais.
C A R T A S DE F L A N D R E S (Foto 29)
Denominava-se antigamente pelo nome
de carta o papel contendo impressão de COLUNA
estampas ou imagens religiosas. A ex- P I L A R cilíndrico, dividido em base,
pressão Cartas de Flandres se referia às FUSTE e CAPITEL, que serve de es-
gravuras religiosas provenientes dos trutura e ornato dos RETÁBULOS, al-
chamados Países Baixos. ternando em geral com PILASTRAS.
Os tipos mais comuns de colunas das mais discretos (folhagens, flores, e t c ) ,
igrejas mineiras do século XVIII são: em dourado ou policromia em branco e
I. fase do barroco em Minas (ESTILO
a dourado, às vezes com a presença de
N A C I O N A L PORTUGUÊS) — coluna ANJOS, que aparecem mais comu-
TORSA ou S A L O M Ó N I C A , espira- mente nas PILASTRAS ou nos RE-
lada, inteiramente em T A L H A dou- MATES DO RETÁBULO; 3. fase do a

rada, com sulcos ou ESPIRAS preen- barroco em Minas (ESTILO ROCOCÓ)


chidos com ornatos fitomorfos (cachos — colunas com CANELURAS ou ES-
de U V A , folhas de parreira, A C A N T O , TRIAS verticais, policromia em branco
etc) e zoomorfos (aves, geralmente e FRISOS ligeiramente dourados, orna-
FÊNIX ou PELICANOS); 2. fase do a tos delicados em formas ROCAILLE e
barroco em. Minas ( E S T I L O DOM ausência de anjos.
JOÀO V) — colunas torsas, com terço (Figs. 45, 45-A, 53)
inferior estriado e motivos ornamentais

CARTELA

MATRIZ DO PILAR: CAPE L A - M O R —


SÃO JOÃO DEL-REI

136
CÔMODA
Espécie de mesa ou BOFETE, com-
posta de gavetas e gavetões, geralmente
da base ao tampo, para guarda de rou-
pas ou outros objetos. A cômoda era
geralmente de uso doméstico, preferin-
do-se a designação ARCAZ para mó-
veis semelhantes usados nas SACRIS-
TIAS de igrejas.

COMPÓSITA
Ordem clássica de arquitetura, caracte- CARRANCA
rizada pelo CAPITEL constituído de
OU
adornos combinados das ordens JÓ-
CARANTÓNHA
NICA e CORINTIA (VOLUTAS e fo-
lhas de A C A N T O ) , FUSTE com CA-
NELURAS e presença de BASE. Era
uma das ordens de uso mais generali-
zado no chamado período barroco mi-
neiro, especialmente pelas característi-
cas dos capitéis.
Ver também os verbetes ENTABLA-
MENTO e ORDEM.
(Fig. 48)

CONCHA
Objeto ou ornato de feitio análogo à
concha. É um dos motivos decorativos
predominantes na ornamentação bar-
roca. Fala-se também em "conchoides ' ,

ou "concheados". Ver também o ver-


bete ROCAÍLLE.
(Fig. 8, 4 9 )

CONSOLO
1. Peça saliente e ornada, em pedra ou
madeira, para sustentar estátuas, vasos,
etc, ou para servir de apoio às CORNI-
JAS, SACADAS, etc. 2. Móvel de sala,
de caráter geralmente ornamental, onde
se colocam objetos de arte, adornos,
etc.

(Fig. 51)

CONTADOR BICA OU GÁRGULA DO CHAFARIZ.

Móvel antigo, espécie de armário com


pequenas gavetas e firmado numa
PEANHA ou em quatro pés. Ver tam- FIG. 44
bém o verbete PAPELEIRA.
COQUILHO (CORDÕES DE)
Espécie de moldura ou guarnição de
uma peça, em forma de pequenos cocos
ou contas de rosário.

137
COLUNA CORÍNTIA
Ordem clássica de arquitetura, caracte-
rizada pelo adorno de folhas de
A C A N T O no CAPITEL e FUSTE com
C A N E L U R A S , apoiando-se a CO-
L U N A sobre uma BASE. Ver também
os verbetes E N T A B L A M E N T O e
ORDEM.
(Fig. 48)

CORNIJA
No retábulo é a parte superior do EN-
T A B L A M E N T O que, em ornato sobre
o FRISO, aparece em forma saliente
com relação ao plano geral. A cornija
aparece também na composição do
FRONTISPÍCIO de algumas igrejas.
(Fig. 45)

COROAMENTO
A parte superior ou REMATE, geral-
mente ornado, de uma determinada
construção, de um R E T Á B U L O , de
um CHAFARIZ, etc.

C O R T I N A DO A L T A R
O mesmo que S A N E F A , B A L D A -
QUIM ou GUARDA-PÓ de altar ou
RETÁBULO. A expressão "cortina de
madeira do altar" é usada por Manuel
da Costa Athaide nos Autos de Justifi-
cação das pinturas da Igreja do Rosário
de Mariana (1826).

CREDENCIA
Pequena mesa ao pé do altar, onde se
colocam as galhetas, o cálice e outros
acessórios da missa.

CRUZ DA PENITÊNCIA
Diz-se da cruz de duas hastes que se
constitui num dos símbolos da Venerá-
vel Ordem de São Francisco da Peni-
tência. É, às vezes, chamada também
cruz patriarcal ou cruz de Lorena.
(Fig. 3 4 )

CRUZ PONTIFICAL
A cruz de três hastes, também chamada
papal. N o adro da Capela do Padre Fa-
ria, em Ouro Preto, é notável o monu-
mental CRUZEIRO de pedra, em forma
pontifical.
FIG. 45-A
(Fig. 46)

138
CUSTODIA
Peça do culto católico, às vezes de
grande trabalho artístico, em que se
expõe à adoração na igreja a hóstia
consagrada. Tem no centro um aro
onde se coloca a hóstia e é, geralmente,
encimada por uma cruz. CRUZEIRO

CAPELA DO PADRE FARIA-


OURO PRETO

CRUZ PONTIFICAL

FIG. 46

139
diâmetros maior na parte inferior e
menor na superior e ausência de BASE.
A C O L U N A dórica tinha no máximo
oito diâmetro de altura. Pode-se falar
em PILASTRAS dórico-romanas com
relação às das fachadas das Igrejas do
Carmo, em Sabara, e Rosário, em Ouro
Preto. Ver também os verbetes EN-
T A B L A M E N T O e ORDEM.
(Fig. 48)

DOSSEL
Armação saliente, em trabalho de
T A L H A e com bordas franjadas, que
forma como que um pequeno teto in-
corporado ao C A M A R I M ou T R I -
B U N A DO T R O N O de um RETÁ-
BULO. O dossel é o elemento mais ca-
racterístico do R E T Á B U L O ESTILO
DOM JOÃO V (2. fase do barroco em
a

Minas). Exemplo: altar-mor da Matriz


do Piíar, em Ouro Preto, obra de Fran-
cisco Xavier de Brito (daí falar-se tam-
bém em "estilo Brito", com relação ao
retábulo desse tipo). O dossel é, às ve-
zes, chamado SOBRECÉU. Ver tam-
bém os verbetes BALDAQUIM e SA-
NEFA.
(Figs. 41, 54).

DOURAMENTO
Processo de revestimento em ouro, de
peças ornamentais, R E T Á B U L O S ,
IMAGINÁRIA, etc. Segundo lição dos
Autos de Justificação das pinturas da
DEDEIRA Igreja do Rosário de Mariana, subscri-
Pequena peça de ferro, geralmente cir- tos em 1826 por Manuel da Costa
cular, na parte exterior da porta, que, Athaíde, o processo consistia em raspa-
movendo uma alavanca interna, serve ção e limpeza da madeira, colocação de
para abri-la. Ver também o verbete GESSO grosso, cola de pelica, nova
ALDRABA. mão de gesso, tinta MATE ou fosca e
não polida, lixamento desse material,
DENTICULADO
aplicação do chamado BOLO ARMÊ-
1. Guarnecido de dentículo, isto é, de NIO e assentamento final dos folículos
ornato em forma de pequeno bloco ou lâminas de ouro — os PÃES DE
quadrado, usado em série no FRISO de OURO, seguindo-se a respectiva bruñi-
ORDEM JÓNICA ou CORINTIA. 2. dura da peça. Ver também o verbete
Entalhe em forma de dentículos. MORDENTE.

DIADEMA DUNQUERQUE
Ornato em faixa circular ou em forma Pequeno armário, geralmente envidra-
de coroa. çado, para exposição de objetos de uso
ou adorno.
DÓRICA
Ordem clássica de arquitetura, caracte-
rizada pelo CAPITEL destituído de or-
nato, FUSTE com C A N E L U R A S e
ÓVULOS e dardos de um CAPITEL
JÓNICO. Neste último exemplo, apa-
rece nas C O L U N A S da fachada da
Igreja de São Francisco de Assis, em
Ouro Preto.
íFig. 4 8 )

ESCABELO
1. Banco com ESPALDAR comprido e
largo e cujo assento serve de tampa a
uma caixa formada pelo mesmo móvel.
2. Pequeno estrado para descanso dos
pés.

ESCANINHO
Pequeno compartimento ou gaveta, ge-
ralmente secretos, em ARCA, CON-
TADOR, PAPELEIRA, etc.

ESCAPULÁRIO
Faixa de pano, que frades e freiras de
certas ordens trazem pendente sobre o
peito. O escapulário é um dos símbolos
da Ordem Carmelita, aparecendo em
pinturas ou esculturas alusivas à Nossa
Senhora do Carmo, como as existentes
na Igreja dessa invocação em Sabara.
EMBRECHADOS
Pequenos pedaços ou cacos de louça, ESCUDO
cristal, vidros, pedras e conchas, com Na ornamentação de igrejas, peça onde
que se formam e ornamentam grutas arti- se gravam os símbolos religiosos alusi-
ficiais, CHAFARIZES, paredes, etc. vos a determinado santo ou ordem. O
Exemplo: CHAFARIZ em embrechados escudo aparece geralmente em POR-
do antigo H O S P Í C I O DA T E R R A T A D A S (SOBREPORTAS), eixo da
SANTA, em Ouro Preto. volta do ARCO-CRUZEIRO ou CO-
R O A M E N T O de R E T Á B U L O . Ver
ENCARNAR também o verbete ARMAS.
Dar cor de carne a pinturas ou ima- (Figs. 29, 40)
gens, aplicando polimento às partes do
corpo que devem aparecer. Ver tam- ESFERA
bém o verbete CARNAÇÃO. Ornato de forma redonda ou esférica,
de pedra ou outro material, usado, por
ENTABLAMENTO
exemplo, em arremates de fachadas,
1. Um dos elementos caracterizadores muros, CHAFARIZES, amuradas de
das ORDENS clássicas da arquitetura. pontes, etc.
2. No RETÁBULO, é a parte superior (Fig. 8)
das COLUNAS e PILASTRAS, com-
preendendo a A R Q U I T R A V E , o ESFERA A R M I L A R
FRISO e a CORNIJA. Ver também o Instrumento astronômico antigo, consti-
verbete E N T A B L A M E N T O na parte tuído de numerosos anéis metálicos,
de ARQUITETURA deste Glossário. que representam os principais círculos
(Figs. 40, 45, 50) da esfera celeste. A esfera armilar apa-
rece como ornamento em TORRES ou
EQUINO F R O N T Õ E S de algumas igrejas, a
Moldura curva ou arredondada, sob o exemplo das que arrematam as torres
Á B A C O do C A P I T E L D Ó R I C O . da Igreja do Carmo, em Sâo João del-
Diz-se também da moldura recoberta de Rei.
ESPALDAR Ver também os verbetes ARQUITE-
O encosto das cadeiras. T U R A DO PERÍODO C O L O N I A L
MINEIRO e R E T Á B U L O 4 . FASE
a

ESPELHO EM MINAS.
Peça de metal exterior da fechadura.
Nas construções antigas de Minas Ge- ESTILO ROCOCÓ
rais, os espelhos de fechadura eram,ge- Ver os verbetes R E T Á B U L O 3 . a

ralmente, trabalhados em forma de orna- FASE EM MINAS e ROCOCÓ.


tos ou símbolos, alguns com desenhos
(Fig. 55)
bem originais.
(Fig. 15)
ESTÍPITE
PILASTRA em forma de estípite, isto
ESPIRA é; tronco ou caule de onde nascem os
Sulco disposto em forma de espiral ramos. Exemplo raro desse tipo de PI-
numa COLUNA de RETÁBULO, ou LASTRA, pode ser visto no coro da
em outras peças de ornamentação ou Matriz de Tiradentes.
construção. Ver também os verbetes (Fig. 47)
S A L O M Ó N I C A , T O R S O ( A ) e VO-
LUTA. ESTOF A M E N T O
Diz-se do processo de policromia usado
para fingir a indumentária de imagens
ESTATUÁRIA
de santos e anjos. Pode consistir na
A arte de esculpir estátuas. Diz-se tam-
aplicação de pintura sobre o doura-
bém de determinado conjunto de está-
mento da peça.
tuas, ou da maneira própria de esculpi-
las de um dado artista. Exemplo: a es-
tatuária do Aleijadinho no conjunto de ESTRIA
Profetas do ADRO do Santuário do Cada uma das C A N E L U R A S ou
Bom Jesus de Matozinhos, em Congo- MEIAS-CANAS que ornam uma CO-
nhas. Ver também o verbete IMAGI- L U N A ou PILASTRA.
NÁRIA. (Figs. 45, 45-A)
(Foto 30)
EX-VOTO
Quadro pintado, foto ou outro objeto
ESTILO B A R R O C O que se oferece e expõe em determinada
Ver os verbetes BARROCO, RETÁ- igreja ou capela, em memória de pro-
BULO 1. FASE EM MINAS e RE-
a
messa ou graça alcançada. Exemplo:
T Á B U L O 2. FASE EM MINAS.
a
ex-votos da Sala de Milagres do San-
tuário do Bom Jesus, em Congonhas,
ESTILO DOM JOÃO V (ou JOANINO) ou quadro votivo da Capela do Ó, em
Ver os verbetes BARROCO e RETÁ- Sabara.
BULO 2. FASE EM MINAS.
a

(Fig. 54)

ESTILO NACIONAL PORTUGUÊS


Ver os verbetes BARROCO e RETÁ-
BULO I FASE EM MINAS.
a

(Fig. 53)

ESTILO NEOCLÁSSICO
O estilo neoclássico aparece em Minas,
com pouca expressão criativa, no curso
do século XIX, embora já prenunciado
na construção da Casa de Câmara e Ca-
deia de Ouro Preto. Algumas igrejas, a
exemplo da Matriz do Pilar de São João
del-Rei (hoje Catedral), tiveram suas fa-
chadas reformadas ao gosto neoclássico.
ESTÍPITE

FIG. 47

145
logia crista, representa a Ressurreição e
a eternidade. A ave Fênix aparece
como um dos ornamentos mais comuns
da T A L H A da 1 . fase do barroco em
a

Minas.

FESTÃO
Trabalho de ornamentação em T A L H A
que imita os festões ou GRINALDAS
de flores, quase sempre dispostos em
formas pendentes. Ex.: ornatos no coro
da Matriz de Santo Antônio, em Tira-
dentes.
(Fig. 4 7 )

F E Z E S DE O U R O
Escória de ouro, usada no processo de
DOURAMENTO de peças de madeira.
V e r também o v e r b e t e P Ã O DE
OURO.

FILACTÉRIO
Espécie de pergaminho esculpido, de-
senhado ou pintado, com inscrições bí-
blicas ou outros dizeres de sentido reli-
gioso. Exemplo: filártenos dos Profetas
do Aleijadinho, em Congonhas. Ver
também os verbetes CARTELA. FITA
F A L A N T E e TARJA.

FILETE
Ornato em forma de guarnição estreita
ou pequenos fios.

F I N G I M E N T O DE P E D R A
FAIANÇA O mesmo que FAISCADO ou MÁR-
Louça de barro ou pó-de-pedra, fina e MORE FINGIDO.
esmaltada, usada em aparelhos de ser-
viço doméstico. No período colonial FITA F A L E N T E
brasileiro, esse material chegou a ser Inscrição esculpida, desenhada ou pin-
utilizado como ornato do revestimento tada, à feição de fita, com dizeres alusi-
de algumas fachadas à maneira dos azu- vos ao motivo de determinado ornato.
lejos. Em Ouro Preto e Sabará, os cha- Ver também os verbetes C A R T E L A ,
farizes dos antigos Hospícios da Terra FILACTÉRIO e TARJA.
Santa ostentam incrustações de cacos
de louça. Ver também o verbete AZU- FITÃO
LEJO. O mesmo que TARJA.

FAISCADO FLORAIS (MOTIVOS)


Pintura à imitação de mármore. Ver São vários os ornamentos em motivos
também o verbete MÁRMORE FIN- florais encontrados nas igrejas mineiras
GIDO. do período colonial, entre eles: folhas
de A C A N T O , margaridas, rosas, giras-
FÊNIX (AVE) sóis, camélias, lírios, cravos, e t c , po-
Ave que, segundo a mitologia, vivia dendo aparecer isolados ou em guirlan-
muitos séculos e, depois de queimada, das nos R E T Á B U L O S , A R C O S -
renascia das próprias cinzas. Na simbo- CRUZEIROS, PORTADAS, etc.
FLORÃO
Ornato do feitio de flor que aparece ge-
ralmente em teto, ABÓBADA, volta de
A R C O - C R U Z E I R O ou C O R O A -
MENTO de RETÁBULO.

FOLHAGEM
Trabalho em T A L H A , escultura ou pin-
tura representando folhas, usado como
ornato em R E T Á B U L O S , ARCOS-
CRUZEIROS, PAREDES, PAINÉIS
pintados, etc.

FRISO
I. Nas COLUNAS e PILASTRAS do
RETÁBULO, é o espaço que separa a
ARQUITRAVE da CORNIJA. Usa-se,
às vezes, a palavra no feminino — frisa,
com o mesmo significado. 2. Qualquer
ornato em forma de friso. Faixa estreita,
decorada.
(Fig. 45)

FRONTAL
A parte da frente da mesa do altar,
quase sempre revestida de trabalho or-
namental.
(Fig. 55)

FUSTE
A parede ou tronco da C O L U N A entre
a base e o CAPITEL.
(Fig. 45)
uma auréola de raios luminosos ou um
conjunto de anjos. No período barroco,
eram comuns as ornamentações do tipo
GLÓRIA nos tetos de igrejas ou sobre
o ALTAR-MOR.

GODRONS
(Francês). Ornatos de forma oval em
obras de ourivesaria. Em arquitetura e
escultura, trata-se de ornatos elípticos,
talhados sobre molduras, em pregas ou
plissados, ocorrendo mais geralmente
no desenho das rocailles. Exemplo:
"godrons" na R O C A I L L E da SO-
BREPORTA (1) da PORTADA da Ma-
triz de Santo Antônio, em Santa Bár-
bara.

GOIVA (FEITO A)
Processo de entalhamento, feito com o
emprego da goiva, instrumento à ma-
neira de formão, com corte em secção
curva. Utiliza-se em trabalhos de mar-
cenaria, escultura, gravura em madeira,
etc.

GOMO
Em arquitetura, uma das oito partes em
que se divide a CÚPULA de um octó-
gono. Por extensão, qualquer ornato em
forma de gomo.
GOTA
Ornato de forma redonda, quadrada ou
GAMBIARRA cónica, que se coloca no FRISO das
Renque ou rampa de luzes usadas nos COLUNAS DÓRICAS. Diz-se também
palcos de teatro. Por extensão, qual- de certo tipo de arremate, usado por
quer renque de luzes sobre portas, jane- sob as CIMALHAS.
las, etc.
GREGA
GANZEPE
Ornato composto de uma série de linhas
Entalhe ou furo em madeira, que se es-
quebradas, formando ângulos retos e
treita de baixo para cima, para encaixe
que apresentam formas reentrantes,
de outra peça. Ver também o verbete
MALHETE. umas nas outras.

GRIMPA
GESSO Ornato, geralmente de folha plana de
Material feito de gipsita e água e desti- metal, que aparece no remate das
nado a trabalhos de moldagem ou a TORRES de igrejas ou outros edifícios,
preparação de superfícies de TALHA à maneira de catavento. Por extensão, a
em madeira, para recebimento de dou- parte mais alta de um edifício.
ração. Ver também o verbete DOU-
RAMENTO. GRINALDA
Ornato em forma de arranjo de folhas
GLÓRIA ou flores, à maneira de fita disposta ver-
Composição, em TALHA, escultura ou ticalmente ou em ligeira curva. O
pintura em que, circundando uma figura mesmo que FESTÃO
central de Deus ou de santos, aparecem (Fig. 47)
GRUTESCO
Pintura ou escultura em que se repre-
sentam grutas ou em que há ornatos de
folhas, caracóis, penhascos, penedos,
árvores, etc. Por extensão, ornatos que
reproduzem objetos da natureza.

GUADAMECIM
Espécie de tapeçaria antiga, de couros
pintados e dourados.

GUARDA-PÓ
Peça de cobertura, protetora ou sim-
plesmente ornamental, colocada acima
de alguns RETÁBULOS. Tem comu-
mente a forma retangular e fica pen-
dente da PAREDE. O mesmo que
BALDAQUIM ou, segundo determina-
das interpretações, SANEFA ou DOS-
SEL.

GUILHOCHÊ
Ornato composto de linhas ou traços
que se cruzam em simetria. Usa-se
também a grafia guilochê.
gidas por MANGAS de cristal ou vidro,
em CASTIÇAIS ou não. Outros com-
bustíveis usados eram os óleos de baleia
e de mamona. Mais tarde, começou-se
a importar o querosene e o carbureto,
com que no século XIX se alimentavam
os lampiões dos postes de rua de Ouro
Preto e outras cidades, os candelabros,
C A N D E E I R O S , lanternas, G A M -
BIARRAS, ARANDELAS, etc.

I L U S I O N I S T A (PINTURA)
Pintura em que os objetos ou figuras
adquirem, por efeito de perspectiva, a
ilusão de serem reais ou palpáveis. Está
nesse caso a P I N T U R A DE PERS-
PECTIVA arquitetônica dos painéis de
teto das igrejas mineiras da 2. metade
a

do século XVIII. Exemplos: painéis de


tetos da nave da Igreja de São Fran-
cisco de Assis, em Ouro Preto; nave da
Igreja do Carmo, em Diamantina;
capela-mor da Igreja do Bom Jesus de
Matozinhos, no Serro e nave da Igreja
do Carmo, em Sabará. Ver também o
verbete P I N T U R A N O P E R Í O D O
COLONIAL MINEIRO.
(Fotos 40, 41, 42, 43)

IMAGINÁRIA
1. Arte de esculpir ou talhar imagens re-
ligiosas em madeira ou outros materiais.
2. Conjunto de imagens que constituem
ILHARGAS o acervo da espécie em determinado
Peças frontais de esteio de um RETÁ- museu, igreja, etc. Pode-se falar, tam-
BULO,. ARCO-CRUZEIRO, etc. que bém,em imaginária,relativamente à obra
aparecem lateralmente em relação ao de determinado artista. Exemplo: a
vão central. Equivaleriam à OMBREIRA imaginária do Aleijadinho. Ver também
dos outros VÃOS. o verbete ESTATUÁRIA.
(Fig. 50) (Fotos 31, 32)

ILUMINAÇÃO
A iluminação pública e particular no pe-
ríodo colonial mineiro fazia-se, de iní-
cio, com o uso de tochas feitas de cer-
tas madeiras, a exemplo da canela de
ema. Aos poucos, se foi introduzindo o
uso de CANDEIAS de barro, ferro ou
latão com pavios alimentados por azeite
ou sebo, às vezes colocadas nas facha-
das de edifícios públicos e residências.
Esta prática — as chamadas L U M I -
NÁRIAS — era exigida pelos Senados
da Câmara sempre que ocorriam festas
públicas ou religiosas. Também eram
utilizadas, principalmente nos recintos
de igrejas e teatros, velas de cera prote-
JÓNICA
Ordem clássica de arquitetura, caracte-
rizada pelo CAPITEL ornado de VO-
LUTAS, FUSTE com C A N E L U R A e
presença de base. A COLUNA jónica
tinha de altura nove vezes o seu diâme-
tro. Exemplo: COLUNAS da fachada
da Igreja de Sào Francisco de Assis, em
Ouro Preto. Ver também os verbetes
E N T A B L A M E N T O e ORDEM.
(Fig. 48)
LEI DA R E P E T I Ç Ã O
Diz-se, num determinado partido orna-
mental, da coincidência e repetição de
um mesmo motivo decorativo em dife-
rentes elementos ou peças de uma
igreja, a exemplo de ARCO-CRUZEI-
RO, PILASTRAS, RETÁBULOS, etc.

LETRA
Letreiro, inscrição com dizeres de alu-
são religiosa, geralmente em algum or-
nato de igreja. Ver também os verbetes
CARTELA, FILACTÉRIO, FITA
F A L A N T E , F1TÂO e TARJA.

LISTEL
FILETE que delimita as C A N E L U -
RAS ou ESTRIAS verticais de uma
COLUNA.
{Figs. 45, 45-A)

LUMINÁRIAS
1. C A N D E I A S ou quaisquer outros
vasos de iluminação. 2. Chamavam-se
também luminárias as luzes que se co-
locavam obriga Ion amenté em fachadas
ou janelas, por ocasião de festas oficiais
ou religiosas no período colonial. Ver
também o verbete I L U M I N A Ç Ã O .

LAMBREQUINS
Ornatos de recortes de madeira ou de
lâmina metálica para beira de TELHA-
DOS ou que pendem em trabalho de
T A L H A recortada de BALDAQUINS,
SANEFAS ou DOSSÉIS de RETÁ-
B U L O S . São, às vezes, chamados
também de sinhaninhas. Seu uso para
BEIRAIS foi introduzido em Minas,
presumivelmente, na segunda metade
do século XIX.
(Fig. 41)

LAMBRIS (ou LAMBRIL)


Revestimento para PAREDES, geral-
mente de folhas de madeira. Embora
sem esta designação moderna, esse tipo
de revestimento interno era largamente
empregado em paredes de igrejas minei-
ras do período colonial, às vezes, al-
cançando, em construções mais antigas,
toda a extensão da N A V E e da CAPE-
LA-MOR, a exemplo da Capela do Ó,
em Sabarã, e da Igreja de Santo Amaro,
na localidade de Brumal.
MANGA MEDALHÃO
Peça de cristal ou vidro, de forma ge- 1. Trabalho em b a i x o - r e l e v o , de
ralmente bojuda, destinada a proteger T A L H A ou escultura de pedra, que é
velas ou CANDEEIROS. Ver também usado como ornato ao alto de AR-
o verbete ILUMINAÇÃO. COS-CRUZEIROS ou em PORTADAS
de igrejas, geralmente de forma oval ou
MARCHETAR circular. Exemplo: medalhão da POR-
Inscrustar, embutir ou aplicar peças de TADA da Igreja de São Francisco de
madeira, marfim ou outros materiais em Assis, em Ouro Preto, da autoria do
trabamos de marcenaria, formando de- Aleijadinho. 2. Diz-se mobiliário de
senhos ou adornos. medalhão, aquele em cujas peças apa-
recem ornatos em baixo-relevo, sob
M Á R M O R E FINGIDO forma de medalhões. Seu uso tornou-se
Pintura imitando mármore, usada na freqüente em residências mineiras de
madeira de RETÁBULOS ou na pedra maior nobreza no período do império.
de CANTARIA de ARCOS-CRUZEI- (Foto 33)
ROS, P I L A S T R A S , PAREDES, etc.
Em Minas, esse artifício aparece, às ve- MEIA-CANA
zes, em ornamentações de fins do sé- Moldura côncava. O mesmo que CA-
culo XVIII ou princípios do XIX. O NELURA.
mesmo que FAISCADO.
MEIA-LUA
MÁSCARA 1. Qualquer objeto ornamental que
Ornato, em T A L H A de madeira ou es- apresenta essa forma. 2. Na simbologia
cultura de CANTARIA, figurando uma católica, é insígnia de Nossa Senhora da
cara, à feição de máscara. Aparece em Conceição, aparecendo como um de
retábulos e outras peças, quase sempre seus ATRIBUTOS nas imagens que a
em forma vazada. Ver também o ver- representam.
bete CARRANCA.
MESA HOLANDESA
MATE Mesa de pequenas dimensões, com ga-
Tinta ou pintura fosca, não polida, vetas, pernas arqueadas 'em recortes e
usada no processo de DOURAMENTO entravamento trabalhado, geralmente
da T A L H A em madeira. usada para serviços de copa e cozinha.
Segundo J. Wasth Rodrigues, esse tipo vam por baixo do DOURAMENTO de
de móvel era encontrado com freqüên- peças de madeira. Ver também os ver-
cia em antigas residências mineiras, da betes BOLO A R M Ê N I O e PÂO DE
área compreendida entre as cidades de OURO.
Mariana e Santa Bárbara. Os portugue-
ses costumavam denominá-la também MOSCÓVIA
mesa espanhola. Couro curtido, em cor geralmente roxa
(Foto 37) ou castanha, originariamente da Rússia,
ou à sua feição, com que se cobriam
MÍSULA ARCAS, cadeiras, tamboretes, etc, no
Ornato em T A L H A de madeira ou antigo mobiliário mineiro.
CANTARIA, estreito na parte inferior e
largo na superior que, à maneira do
CONSOLO, ressalta de uma superfície,
geralmente vertical, para sustentação de
imagens ou outras peças. Aparece em
RETÁBULOS ou PAREDES. A mí-
sula pode ser do tipo invertida, mais
larga na parte inferior e estreita na su-
perior. Ver também os verbetes CON-
S O L O , P E A N H A , P I L A S T R A MI-
SULADA e QUARTELÃO.

MOBILIÁRIO
Ao lado da arte da T A L H A , desenvol-
veu-se em Minas Gerais, no período co-
lonial, uma arte do mobiliário, de
grande apuro artesanal e apresentando,
em alguns casos, características bem
definidas de estilo. Excelentes exempla-
res de mesas, camas, ARCAS, armá-
rios, etc, que constituem o chamado
mobiliário colonial mineiro, podem ser
vistos nos Museus da Inconfidência
(Ouro Preto), do Ouro (Sabará), Arqui-
diocesano (Mariana), do Diamante
(Diamantina), dentre outros, bem como
em igrejas, residências e coleções par-
ticulares.
(Fotos 34,35, 36, 37)

MOCHETA
O mesmo que LISTEL. Em documen-
tos do período colonial mineiro, aparece
sob a grafia muxeta.

MOCHO
Banco sem encosto, de assento qua-
drado ou redondo, para uma só pessoa.

MODILHÂO
Ornato em forma de S invertido, às
vezes com função de suporte ou CON-
SOLO, e pendente da CORNIJA.

MORDENTE
Preparação adesiva de cores ou tintas
grossas e cola, que os pintores assenta-
NEOCLÁSSICO
Ver os verbetes ESTILO NEOCLÁS-
SICO e R E T Á B U L O 4 . FASE EM
a

MINAS.

NICHO
Cavidade ou vão em parede, muro,
RETÁBULO, ARCO-CRUZEIRO,
etc., para colocação de imagens ou ob-
jetos ornamentais.
(Fig. 54)

NICHOS EXTERNOS
Era costume nas antigas vilas e cidades
mineiras, a presença, nas fachadas ou
C U N H A I S esquinados, de algumas
casas residenciais, de pequenos vãos ou
saliências, à maneira de NICHOS ou
ORATÓRIOS, vedados por portinholas
de madeira ou vidraça, onde se coloca-
vam imagens da devoção de seus mora-
dores. Na cidade de Ouro Preto, ainda
se pode ver dois desses primitivos ora-
tórios particulares, em prédio da Rua
Bernardo de Vasconcelos, esquina da
Rua dos Paulistas, e num muro de es-
quina da Rua Barão do Ouro Branco.
Exemplos da espécie também ocorrem
em Mariana e na localidade de São Bar-
tolomeu, no município de Ouro Preto.
(Fig. 10)
ORDEM

ABACO

EQUINO

CAPITEL DÓRICO CAPITEL JÓNICO

O L H O DA V O L U T A
Círculo a partir do qual se desenvolve a 5
espiral de uma VOLUTA.

ORATÓRIO
CAPITEL CORINTIO CAPITEL TOSCANO
Ver o verbete NICHOS EXTERNOS.
(Fig. 10)

ORDEM
Forma e disposição das partes salientes
e sobretudo das colunas e do ENTA-
BLAMENTO, que distinguem os dife-
rentes processos clássicos de constru- em Minas alguns órgãos construídos no
ção. Por extensão, a definição se aplica século XVIII, a exemplo dos existentes
à estrutura do RETÁBULO. As princi- na Sé de Mariana, Matriz de Tiradentes
pais ordens são: a DÓRICA, JÓNICA, e Igreja do Carmo de Diamantina.
C O R Í N T I A , T O S C A N A e COMPÓ- (Foto 38)
SITA, figurando esta última entre as de
uso mais generalizado, no chamado pe- ORLA
ríodo barroco mineiro. Borda, cercadura, barra, guarnição,
(Fig. 48) faixa ou FILETE em torno de trabalho
ornamental em T A L H A , pintura ou CAPITEL COMPÓSITO
ÓRGÃO CANTARIA.
Instrumento composto de tubos, cujo
som é obtido pela introdução de ar ÓVULO
através de um fole, acionado mediante Motivo ornamental, gravado ou talhado FIG. 48
pressão exercida sobre um teclado pró- em forma de ovos. Aparece, por exem-
prio. Em sua forma antiga, o instru- plo, em CAPITÉIS das COLUNAS sob
mento exigia grande espaço para sua a S A C A D A CORRIDA, na fachada
colocação, normalmente junto aos CO- principal da Casa de Câmara e Cadeia
ROS, recebendo seu conjunto ou caixa (atual Museu da Inconfidência), em
apurado trabalho ornamental. Restam Ouro Preto.

161
jamento típico da E S T A T U Á R I A e
IMAGINÁRIA do Aleijadinho.

PANO
1. Ornato imitando pano, quase sempre
com dobras ou pregas. 2 . Dá-se o nome
de P A N O também a uma superfície
plana em P A R E D E , R E T Á B U L O ,
ARCO-CRUZEIRO. etc. Daí falar-se
em "pano de fundo" do CAMARIM ou
T R I B U N A DO TRONO de um retá-
bulo.
(Fig. 4 9 )

PÁO DE OURO
Ouro batido em folhas delgadíssimas,
para (rabalhos de DOURAMENTO de
peças tle madeira. Ver também os ver-
betes B O L O A R M Ê N I O e MOR-
DENTE.

PAPELEIRA
Espécie de secretária ou escrivaninha,
com tampa inclinada, gavetas e repar-
timentos para guardar papéis.

PARAMENTO
Face de uma PAREDE, geralmente co-
berta, parcial ou inteiramente, de ma-
deira ou outro material, com função
impermeabilizante ou decorativa. Ver
também o verbete LAMBRIS.

PAINEL PARAMENTO (S)


Pintura de grandes proporções, em Panos e vestes litúrgicos ou A L F A I A S
tetos e PAREDES de igrejas. SACRIS- de uma igreja.
TIAS, CONSISTÓRIOS, etc. a exem-
plo do painel do FORRO da nave da PÁRA-VENTO
Igreja de São Francisco de Assis, em Anteparo de madeira que se coloca, ge-
Ouro Preto, da autoria de Athaíde. ralmente, atrás da porta principal de
Pode-se falar também em painel em es- uma igreja, entre o VESTÍBULO e a
cultura, no caso de baixos-relevos como nave central, para resguardo do vento.
o existente na PORTADA da Igreja de Exemplo notável em Minas é o pára-
Bom Jesus das Cabeças, em Ouro vento da Sé de Mariana, com trabalhos
Preto, da autoria do Aleijadinho. em baixo-relevo.
(Foto 3 9 }
PALMA
PAVILHÃO
Ornato em forma de palma. Palmeta. O pano ou cortina com que se cobre o
SACRÁRIO.
PANEJA MENTO
Diz-se da roupagem de figuras pintadas PEANHA
ou esculpidas, com relação às dobras Espécie de pequena peça saliente de
ou ondulações de suas vestes. A forma PAREDES, RETÁBULOS, etc, sobre
ou desenho do panejamento serve, às a qual se colocam imagens, crucifixos,
vezes, para identificação do estilo de etc.
determinado artista. Exemplo: o pane-
PELICANO
Ave aquática palmípede, que, segundo
a lenda, abre o próprio peito para dar as
entranhas como alimento aos filhotes.
Na simbologia ornamental religiosa, re-
presenta, por analogia, a instituição da
Eucaristia. Trata-se de um dos motivos
ornamentais mais usados na T A L H A
DETALHE DA OMBREIRA DA PORTA P R I N C I P A L -
MATRIZ DE CAETÉ do primeiro período do barroco mi-
neiro. Diferencia-se da FÊNIX (ave)
pela forma do bico e dos pés.

PENACHO
Ornato em forma de penacho, com uma
ou mais penas postas em ramo ou espé-
cie de leque.

P E R F I L DA T R I B U N A
Contorno ou ORLA que delineia o vão
do C A M A R I M ou T R I B U N A DO
TRONO de um R E T Á B U L O , quase
sempre em T A L H A de desenho bor-
dado ou recortado.

P E R S P E C T I V A ( P I N T U R A EM)
Pintura que busca representar num
plano os objetos ou figuras tais como
se apresentam à vista, ocorrendo varie-
dades de perspectivas, de acordo com
os diferentes ângulos em que se coloque
o observador. Ver também o verbete
ILUSIONISTA (PINTURA).
(Fotos 40, 41, 42, 43)

PÉS DE G A R R A
Extremidade de apoio dos móveis, ba-
nheiras antigas, e t c , apresentando
forma de garras ou unhas aguçadas e
curvas.
P É T A L A S DE M A R G A R I D A
1. Diz-se da forma ornamental dos
CAIXILHOS de vidro, à imitação de
pétalas de margarida, que aparecem
com freqüência nas BANDEIRAS de
portas e janelas de construções antigas.
2. Por extensão, qualquer ornato com
essa forma.

PIA B A T I S M A L
Grande pia ou BACIA, geralmente co-
locada à entrada da igreja, ou em cô-
FIG. 4 9 modo especial chamado BATISTÉRIO,
destinada ao ato do batismo. Nas igre-
jas mineiras do período colonial, as pias
batismais eram comumente esculpidas
em belos trabalhos de PEDRA-SA-
BÃO, a exemplo da peça de apurado

164
acabamento, existente no batistério da PILASTRA
Matriz de Sabara.

PIA DE Á G U A - B E N T A
MATRIZ DE CAETÉ — ARCO-CRUZEIRO
Pequeno vaso, comumente em formato
de B A C I A a C O N C H A , colocado
junto a PAREDES de igreja, contendo
água que recebeu bênção especial e
com a qual se aspergem os fiéis. Nas
igrejas mineiras do período colonial, as
pias de água-benta eram geralmente fei-
tas em cuidado trabalho de PEDRA-
SABÃO.

PILASTRA
PILAR de quatro faces, que se alterna
com as C O L U N A S na estrutura dos
RETÁBULOS. Há tipos de retábulos,
principalmente do período ROCOCÓ
(3. fase do barroco em Minas), bas-
a

tante simplificados, que só possuem pi-


lastras, a exemplo do existente na
SALA-CAPELA I N T E R N A da Prefei-
tura de Sabara. O ARCO-CRUZEIRO
também é apoiado em pilastras.
(Fig. 50, 53)

PILASTRA MISULADA
PILASTRA com RELEVO em forma
de M Í S U L A , também chamada
Q U A R T E L Ã O . Nas igrejas mineiras,
aparece mais comumente em RETÁ-
BULOS DO ESTILO DOM JOÃO V
(2. fase do barroco em Minas) e tam-
a

bém em RETÁBULOS ROCOCÓ (3. a

fase do barroco em Minas).


(Fig. 52)

P I N H A (ou PINHÃO)
Ornato imitando o fruto do pinheiro.
Muito usado em Diamantina, Ouro
Preto e outras cidades antigas de Minas,
na ornamentação exterior de residên-
cias, em V A R A N D A S , portões, TE-
LHADOS, etc.

PINTURA NO PERÍODO COLONIAL


MINEIRO
A pintura do período colonial mineiro
ainda se ressente da falta de estudos
atualizados e abrangentes, que venham
a fundamentar, relativamente às suas i I i
várias manifestações, não só uma clas- PILASTRA
sificação tipológica de caráter defini-
tivo, como ainda a identificação correta
da autoria de muitas obras de reconhe- FIG. 50
cida importância. No que tange à pin-
tura religiosa de caráter monumental ou

165
decoração arquitetônica, pode ela, no Acompanhando a evolução da arquite-
entanto, ser sumariamente agrupada em tura religiosa a partir de meados do sé-
duas fases principais, em correspon- culo X V I I I , os forros em caixotões
dência com a própria evolução da arqui- cedem lugar aos forros de TABUADO
tetura religiosa no período: CORRIDO, especialmente concebidos
para receber o novo gênero de pintura,
a) l. fase — Até cerca de 1755 — A
a que tem a sua primeira manifestação no
pintura é condicionada pela primitiva teto da capela-mor da Matriz de Ca-
disposição dos FORROS em PAINÉIS choeira do Campo, executado em 1755
retangulares ou CA1XOTÕES. Repre- por Antônio Rodrigues Belo.
senta de certa forma a continuidade em Num complemento natural da arquite-
Minas, na primeira metade do século tura religiosa mineira, em sua terceira
XVIII, das características gerais do es- fase evolutiva (barroco-rococó), os
tilo litorâneo seiscentista, Tanto no que tetos com pinturas de perspectiva se
se refere à pintura dos caixotões pro- disseminam rapidamente nas últimas
priamente ditos, quanto ao seu prolon- décadas do século XVIII e princípios
gamento em painéis parietais, as com- do XIX, erigindo, acima da arquitetura
posições permanecem restritas às di- real interna de igrejas e capelas a re-
mensões do quadro no qual se inserem, presentação ilusória de um novo andar
apresentando sentido pictórico autô- com B A L C Õ E S , P I L A S T R A S , CO-
nomo, sem ligação ou fusão plástica de L U N A S , E N T A B L A M E N T O S , etc.
conjunto, apesar de integradas na orga- Na profusão de estilos e modelos ado-
nização arquitetônica. São geralmente tados nas diversas regiões da antiga ca-
de caráter estático e arcaizante, sem pitania, três partidos fundamentais
profundidade ou perspectiva na relação podem ser distinguidos:
de volumes, predominando o uso de
cores em tonalidades graves. Exemplos: Partido A — Desenvolvido em Diaman-
pinturas parietais ou em caixotões da tina e imediações e aí introduzido pelo
Capela de Nossa Senhora do Ó e da guarda-mor José Soares de Araujo, ar-
CAPELA-MOR da Matriz de Nossa tista de origem portuguesa, e depois
Senhora da Conceição, em Sabará, bem continuado na região por seus discípu-
como o forro da N A V E da Matriz do los. Caracteriza-se pelo tratamento cer-
Pilar, em Ouro Preto, em caixotões ri- rado da trama arquitetônica, simetrica-
camente emoldurados. mente disposta em horizontais e verti-
cais, por estruturas sucessivas e com-
pactas, e pelo colorido predominante-
mente sombrio e penumbrista, sem
b) 2. fase — A partir de cerca de 1755
2
grandes variações de tonalidades. Muito
— Introdução em Minas da chamada próximo ainda do partido da pintura de
pintura de PERSPECTIVA, ligada à índole barroca do litoral brasileiro, prin-.
representação arquitetura! ILUSIO- cipalmente do adotado na Bahia, por
NISTA, cujo protótipo é o teto do Pe. José Joaquim da Rocha.
Pozzo na Igreja de Santo Inácio, em
Roma (1694). O modelo português, Partido B — Próprio da região da antiga
inaugurado no Brasil por volta de 1733 Vila Rica e tendo como ponto de Cul-
no Rio de Janeiro e 1735 na Bahia, di- minância a obra de Manuel da Costa
fere do protótipo romano pelo trata- Athaíde (forros da Igreja de São Fran-
mento dado à cena central. Ao invés do cisco de Assis de Ouro Preto e das Ma-
desenvolvimento em profundidade dos trizes de Santa Bárbara e Itaverava),
espaços celestes, a perspectiva arquite- bem como nos trabalhos de pintores da
tônica é simplesmente rematada por um sua escola. O tratamento pesado e
quadro, tratado de forma independente, sombrio, próprio do BARROCO, cede
ou seja, não sujeito aos pontos de fuga lugar à clareza e graciosidade do RO-
da estrutura arquitetural. Em Minas, COCÓ, em suas formas esvoaçantes e
este quadro central, também chamado plenas de luz e cor. Caracteriza-se pela
de " v i s ã o " , é geralmente pintado a leveza da trama arquitetônica, reduzida
óleo, sendo a têmpera empregada para a suportes vazados e seus arcos e enta-
a perspectiva arquitetônica. blamentos, deixando, às vezes, ver o céu
nos interstícios. O quadro central, mag- Joaquim, em Conceição do Mato Den-
nificamente emoldurado de ornatos tro, na antiga casa do inconfidente
ROCAILLE, completa a composição à Padre Toledo (atual Museu), em Tira-
maneira de um DOSSEL. dentes, ou na casa que pertenceu ao in-
confidente Abreu Vieira, em Berilo,
Partido C — Elaborado paralelamente dentre muitos outros exemplos.
ao partido B e provavelmente na (Fotos 40, 41, 42, 43)
mesma região, mas tendo como princi-
pal área de expansão as zonas de Sa-
bará, Santa Luzia e rota do Serro. Seus PLINTO
representantes mais notáveis são: Joa- 1. SOCO ou base, de forma quadrangu-
quim Gonçalves da Rocha (forro da lar e chata, sobre o qual se assentam
nave da Igreja do Carmo, em Sabará) e um PEDESTAL de COLUNA ou está-
Silvestre de Almeida Lopes, com ativi- tua. 2. Na ORDEM TOSCANA, é a
dade na região do Serro e Diamantina parte superior do CAPITEL.
(forro da capela-mor da Igreja do Bom (Fig. 45-A)
Jesus de Matozinhos, do Serro). Este
partido elimina a trama arquitetônica PLUMAGEM
sustentante, em favor de um muro-pa- Ornato imitando plumagem ou feixes de
rapeito contínuo, que nasce imediata- plumas. Na simbologia cristã, as plumas
mente acima da C I M A L H A que remata simbolizam a fé e a contemplação. Ver
as PAREDES. Atrás do muro-parapei- também o verbete PENACHO.
to, vêem-se, freqüentemente, figuras de
santos e doutores da igreja em PÚLPI- POLICROMIA
TOS e balcões, separados por composi- Trabalho de revestimento em pintura ou
ções ornamentais diversas (enrolamen- D O U R A M E N T O de T A L H A , ima-
tos rocaille, querubins e arranjos flo- gens, etc, em que aparecem duas ou
rais). O quadro central, no meio da mais cores.
composição, pode receber ou não,
TARJA de ornatos rocaille, sendo no P O N T A DE D I A M A N T E
caso negativo simplesmente emoldu- Ver verbete correspondente na parte de
rado pelas nuvens que circundam a "vi- ARQUITETURA deste Glossário.
s ã o " (forros das naves da Igreja do
Carmo, em Sabará, e da Matriz de PREGARIA
Santa Luzia). Conjunto de pregos, de função ao
mesmo tempo utilitária e ornamental,
Ao lado da pintura erudita, se desen- que, em variados desenhos, se salienta-
volveu também uma pintura de feição vam nas superfícies de portas, janelas,
primitivista, popular ou ingênua, sem assentos de cadeiras, ARCAS, BAUS,
apuro de técnica ou padrões formais de- etc.
finidos, que ocorre, principalmente, em
igrejas e capelas mais modestas (exem-
PÚLPITO
plo: cenas alusivas à vida do santo na
Tribuna destinada nas igrejas às prega-
capela-mor da Capela de Santo Antô-
ções ou sermões do sacerdote. As igre-
nio, em Pompéu, município de Sabará).
jas mineiras possuem geralmente dois
Há igualmente exemplos de pintura de-
púlpitos: o do lado do Evangelho (à es-
corativa de feição profana em meio à
querda de quem entra na igreja) e o da
ornamentação religiosa, como as cha-
Epístola (lado direito). Na função das
madas "chinesices'' da Capela de
prédicas, é utilizado apenas o púlpito do
Nossa Senhora do O, em Sabará, e as
lado do Evangelho. O outro parece
pinturas "galantes" recentemente res-
ocorrer apenas como elemento compo-
tauradas na capela-mor da Igreja de
sitivo ou ornamental. Ver também os
Santa Efigênia, em Ouro Preto. Foi, do
verbetes BACIA, CAIXA e TAMBOR
mesmo modo, bastante disseminado o
DO PÚLPITO.
gosto pela pintura decoraliva em casas
(Figs. 39, 51)
residenciais, restando ainda hoje alguns
tetos pintados em salas de construções
de maior requinte arquitetônico, tais
como no prédio do atual Colégio Sáo
PÚLPITO

FIG.51
QUARTE LAO
ou
PILASTRA MISULADA

VOLUTA

QUARTELA
Peça que, numa estrutura ornamental,
serve de sustentação a outra. Ver tam-
bém os verbetes C O N S O L O , MÍ-
S U L A , P E A N H A , PI L A S T R A MI-
SULADA e QUARTELÂO.

QUARTELÃO IGREJA DO C A R M O —
PILASTRA com R E L E V O em CAPELA-MOR-
T A L H A trabalhada, que em igrejas mi- SÄO JOÃO DEL-REI
neiras aparece, geralmente, em RE-
TÁBULOS ESTILO DOM JOÃO V —
(2. fase do barroco em Minas) e ES-
a

T I L O ROCOCÓ (3. fase do barroco


a

em Minas). Ver também o verbete PI-


LASTRA MISULADA. FIG. 52
(Fig. 52)

169
RELICÁRIO
Caixa, quase sempre com trabalho artís-
tico, destinada à guarda de relíquias nas
igrejas.

REMATE
O coroamento do RETÁBULO.
(Fig. 54)

RENDA
Qualquer trabalho ou motivo ornamen-
tal à imitação de renda.

RESPLENDOR
Círculo ou auréola com raios de metal,
que se põe na cabeça das imagens de
santos ou em crucifixos, CUSTODIAS,
etc.

RETÁBULO
Estrutura ornamental, em pedra ou
T A L H A de madeira, que se eleva na
parte posterior do altar. Às vezes, é
chamado genericamente de altar. Nas
igrejas mineiras do século XVIII, os re-
tábulos obedecem genericamente a se-
guinte classificação tipológica ou estilís-
RAIOS tica:
Peças que cruzam, vertical ou diago-
nalmente, os ARCOS ou ARQUIVOL- l.o _ ESTILO N A C I O N A L PORTU-
T A S no C O R O A M E N T O ou RE- GUÊS (até cerca de 1730);
MATE D O RETÁBULO, ligando e es- 2.° — ESTILO DOM JOÃO V (m/m
truturando as suas A D U E L A S ou 1730/1760);
peças encurvadas. 3.o _ ESTILO ROCOCÓ (a partir de
(Fig. 53) cerca de 1760).
N o século X I X , aparecem alguns
RAMAGEM
exemplares do ESTILO NEOCLÁS-
Ornato em forma de ramos e folhas.
SICO. Esta classificação não deve ser
Ver também o verbete FOLHAGEM. rígida, servindo antes como distinção
REGRAXO básica. Ver os verbetes específicos.
Processo de pintura em que um ele- (Fotos 44, 45, 46)
mento dourado ou prateado é recoberto
de tinta transparente, deixando que se
entreveja, por baixo, o ouro ou a prata. R E T Á B U L O 1. F A S E E M M I N A S
a

O processo, com a grafia "regrache", é (ESTILO NACIONAL PORTUGUÊS)


referido no Auto de Justificação das Nas primeiras igrejas e capelas minei-
pinturas da Igreja do Rosário de Ma- ras, os retábulos obedeceram ao mo-
riana, subscrito por Manuel da Costa delo mais tradicional de linhas barrocas,
Athaíde(1826). que Robert Smith denomina "estilo na-
cional português". Esse tipo de retá-
RELEVO bulo, que apareceu em Portugal, ainda
Qualquer trabalho de escultura ou no século XVII, prevaleceu em Minas
T A L H A mais ou menos saliente ou res- até cerca de 1720/1730, época em que
saltado da superfície natural de PA- começou a evolução para um novo
REDE ou P A N O de R E T Á B U L O , gosto ornamental. As características
ARCO-CRUZEIRO, etc. principais do retábulo da 1. fase do
a

(Foto 33) barroco em Minas são as seguintes:


R E T Á B U L O - 1.
a
FASE a) C O L U N A S TORSAS ou S A L O -
MÓNICAS, com sulcos ou ESPIRAS
ESTILO NACIONAL PORTUGUÉS preenchidos de ornatos profusos, alter-
nadas com PILASTRAS também pro-
fusamente ornadas;
b) coroamento ou remate em ARCOS
ou A R Q U I V O L T A S C O N C Ê N T R I -
CAS;
c) revestimento inteiramente em
T A L H A dourada e com ocorrência de
POLICROMIA em azul e vermelho;
d) presença predominante de ornatos fi-
tomorfos (cachos de UVAS, folhas de
parreira, ACANTO, etc.) e zoomorfos
(aves, geralmente F Ê N I X ou PELI-
CANO);
e) T R O N O geralmente em forma de
cântaro;
f) ESCUDOS simbólicos ao centro do
C O R O A M E N T O ou R E M A T E . Em
exemplares mais evoluídos, surge a pre-
sença ainda discreta de ANJOS, e a
adoção no ALTAR-MOR, de NICHOS
laterais ao CAMARIM ou TRIBUNA
DO TRONO.
(Fig. 53; foto 4 4 )

R E T Á B U L O 2. F A S E
a
EM MINAS
RETÁBULO - 2. a
FASE ( E S T I L O D O M J O Ã O V)
ESTILO D. JOÃO V
O retábulo de ESTILO DOM JOÃO V
corresponde à 2. fase do barroco de
a

Minas, onde é introduzido por volta de


1720/1730, prevalecendo até cerca de
1760. Durante esse período, o retábulo
Dom João V experimenta algumas alte-
rações, especialmente depois que Fran-
cisco Xavier de Brito realiza o AL-
TAR-MOR da Matriz do Pilar, em Ouro
Preto (1746-1751). Daí falar-se num
sub-estilo "Brito". As características
principais do retábulo da 2. fase do a

barroco em Minas são as seguintes:

a) COROAMENTO ou REMATE em
DOSSEL;
b) C O L U N A de terço inferior geral-
mente em E S T R I A S diagonais e
FUSTE ou parte superior TORSA;
c) uso de PILASTRAS com QUAR-
TELÕES de grande ressalto;
d) POLICROMIA predominantemente
em dourado e branco;
e) menor ocorrência de ornatos fitomor-
fos ou zoomorfos;
f) presença de ANJOS, especialmente
na pilastra e no coroamento ou remate,
junto ao dossel;

172
g) maior tendência,em geral,para o cará- R E T Á B U L O 4. F A S E E M
a
MINAS
ter escultórico da ornamentação. (ESTILO NEOCLÁSSICO)
(Fig. 54; foto 45) O retábulo de estilo NEOCLÁSSICO
aparece em Minas durante o século
XIX. Suas principais características são
a absoluta simplificação das linhas de
PILASTRAS e COLUNAS e o aban-
R E T Á B U L O 3. FASE
a
EM MINAS dono dos elementos de ornamentação
(ESTILO ROCOCÓ) tradicionais na T A L H A mineira do sé-
O retábulo de ESTILO R O C O C Ó , in- culo XVIII. Exemplo: altares da Matriz
troduzido na Capitania por volta de do Divino Espírito Santo, em Datas.
1760, é também chamado, para efeitos
meramente didáticos, de retábulo da 3. a

fase do barroco em Minas. Suas princi- R O C A ( I M A G E M OU S A N T O DE)


pais características são as seguintes: Imagem de grande ocorrência nas ve-
lhas igrejas mineiras, apresentando
apenas a descoberto, parte do corpo —
a) maior dignidade arquitetônica do que
rosto, busto, braços, mãos ou, por ex-
escultórica ou simplesmente ornamen- tensão, meio corpo, ficando o restante
tal; da figura revestido de roupagem em
b) simplificação da estrutura e revalori- pano natural.
zação, no ALTAR-MOR, do arco-pleno
do COROAMENTO ou REMATE, en-
cimado, às vezes, por uma grande com-
posição escultórica;
c) abandono da COLUNA TORSA, em
favor da coluna direita (reta); R E T Á B U L O - 3. a
FASE
d) em vez do antigo DOURAMENTO
integral, o uso de uma POLICROMIA ESTILO ROCOCÓ
com os ornamentos de ouro em leves
cinzeladuras sobre um fundo branco ou
azul e vermelho;
e) abandono praticamente geral de toda
a decoração antropomorfa, zoomorfa
ou fitomorfa dos retábulos das fases an-
teriores;
f) concentração no uso do ornamento
rococó, de uma estilização mais abs-
trata (ROCAILLES ou CONCHAS es-
tilizadas em desenhos esgarçados, la-
ços, flores, FOLHAGENS, e t c ) ;
g) composição assimétrica dos desenhos
ornamentais.
Os principais representantes da talha de
retábulo em estilo rococó são o Aleija-
dinho (exs. altar-mor da Igreja de São
Francisco de Assis, érri Ouro Preto, e o
da Capela da Jaguara, hoje na Matriz de
Nova Lima) e-Francisco Vieira Servas
(ex. Igreja do Carmo, em Sabara). As
mais notórias diferenças entre os dois
entalhadores residem no coroamento
dos retábulos, de caráter mais com-
plexo e escultórico nos exemplos do
Aleijadinho.
(Fig. 55; foto 46)
FIG. 55

173
ROÇAILLE (ROCALHA)
Elemento ornamental, derivado inicial-
mente do uso de pedrinhas e CON-
CHAS na decoração de grutas artifi-
ciais, ABÓBADAS, COLUNAS, PA-
REDES, etc, que acabou se introdu-
zindo na ornamentação de PORTA-
DAS, ARCOS-CRUZEJROS, RETÁ-
BULOS, PAINÉIS de pintura, moldu-
ras, etc,de igrejas. O elemento rocaille
mais característico é uma estilização da
CONCHA. As rocailles aparecem ge-
ralmente em composições assimétricas,
dentro do espírito representativo do
ESTILO ROCOCÓ. Costuma-se falar
indistintamente em gosto rocaille ou
gosto rococó, embora,originariamente,o
termo rococó se ligue à arquite.tura e
ornamentação religiosas e o roculha ã
arquitetura civil.
(Figs. 56, 56-A)

ROCOCÓ
Estilo ornamental surgido na França
durante o reinado de Luís XV (1710-
1774) e caracterizado pelo uso de cur-
vas caprichosas e formas assimétricas e
pela delicadeza dos elementos decorati-
vos, como C O N C H A S estilizadas
( R O C A I L L E S ) , laços, flores. FO-
LHAGENS, etc, que tendiam a uma
elegância requintada. Predominando
inicialmente na decoração de mobiliário
e interiores de palácios, passou depois a
ser francamente adotado na ornamenta-
ção de igrejas. A introdução do ES-
TILO ROCOCÓ,em Minas,ocorre entre
1760/1770, sendo seus principais repre-
sentantes o Aleijadinho, na talha, e A-
thaíde, na pintura.

ROSÁCEA
Vitral de formato circular subdividido
por nervuras ou CAIXILHOS entrela-
çados.

ROSETA
Designação de ornatos cuja forma lem-
bra a da rosa.

ROTUNDA
Construção circular terminada em
CÚPULA. O 2.° vereador de Mariana,
Joaquim José da Silva, se referia em
1790 à Igreja do Rosário de Ouro Preto
como "delineada ao gosto da rotunda
de Roma".
maneira de sanefa de cortina. O mesmo
que BALDAQUIM ou GUARDA-PÓ.
Ver também o verbete DOSSEL.
(Fig. 41)

SANTEIRO
Escultor ou entalhador dedicado à con-
fecção de imagens religiosas; imaginá-
rio. Ver também o verbete IMAGINA-
RIA.

S E D A FINGIDA
Ornato em pintura, fingindo a aparência
de seda.

SÍMPLICES
Ingredientes que entram na composição
das tintas.

SITIAL
Banco ou genuflexório, com PARA-
M E N T O e almofada, destinado nas
igrejas a pessoas de maior distinção.

SOBRECÉU
Cobertura de leitos ou camas antigos,
de maior luxo, à maneira de cortinado.
Ver também o verbete DOSSEL.
S A C O S DE B A T A T A
Diz-se da forma anatômica das costas SUPEDÂNEO
musculosas na escultura ou na T A L H A 1. Estrado de madeira existente nas
de ANJOS e outras figuras. igrejas, junto ao altar, onde o sacerdote
coloca os pés nas cerimônias religiosas.
SACRA 2. Base, PEDESTAL, PEANHA.
Pequeno quadro, contendo orações,
que se encosta à BANQUETA do altar
para leitura do celebrante durante a
missa.
SACRÁRIO
Caixa ou vão com porta, quase sempre
ao centro do altar, onde se guardam as
hóstias. Nas igrejas mineiras do século
XVIII, os sacrários são geralmente em
talha trabalhada, apresentando forma de
globos ou outras formas ornamentais. O
mesmo que tabernáculo.

SALOMÓNICA
Diz-se da C O L U N A TORSA ou la-
vrada em espiral. Foi a forma mais
usada de coluna dos RETÁBULOS, da
primeira fase do barroco em Minas.
(Fig. 53)

SANEFA
Peça saliente de proteção e ornamento,
colocada ao alto do R E T Á B U L O à
ESCUDO, símbolo ou alguma inscri-
ção.

(Foto 48)

TINTAS
O processo de pintura nas construções
religiosas e civis do período colonial
mineiro valia-se, geralmente, de mate-
riais locais. Para a pintura de peças de
madeira-portas, janelas, CAIXILHOS,
etc., a resinas corantes eram adiciona-
dos óleo de linhaça ou mamona e cola
de couro, Os corantes tinham, comu-
mente, origem vegetal, predominando,
conforme as tonalidades pretendidas, o
anil, a assafroa, cochonilha, ipê mulato,
pau de braúna, sangue de drago, uru-
cum, etc. As pinturas simples de parede
recorriam à cal, à T A B A T I N G A , ao
GESSO e ao alvaiade. Sobre o pro-
cesso de pintura de RETÁBULOS e
outras peças ornamentais de madeira,
ver o verbete DOURAMENTO.
TOCHEIRO(A)
Castiçal para tochas, usado em igrejas
ou certas solenidades religiosas. Por ex-
tensão, diz-se de um ornato em forma
de tocheira. Ver também os verbetes
TA BA Tl N GA ANJO TÓCHEIRO e CASTIÇAL.
Argila ou terra argilosa, de cores varia-
das, usada às vezes em processo de pin- TORCIDOS
tura rudimentar. Trata-se de um tipo de Diz-se de ornatos sob forma espiralada,
ocre ou oca, mais geralmente amarela e usados na guarnição de móveis, na es-
branca. trutura de RETÁBULOS, balaustradas,
GRADIS, etc.
TALHA
Trabalho ornamental, em alto ou bai-
TORNEADO
xo-relevo, feito geralmente na madeiía.
Diz-se das peças trabalhadas no torno.
Por extensão, o conjunto de obras de
A madeira torneada era de largo uso
talha de uma época, uma regiào. uma
ornamental em BALAÚSTRES e gra-
igreja, um autor, etc. Ver os verbetes
des das igrejas coloniais mineiras, bem
RETÁBULO e RETÁBULOS — l. , a

como no acabamento de móveis de es-


2. , 3. e 4 FASES EM MINAS.
a a a

tilo mais apurado.


(Fotos: 44, 45, 46)
T O R S O (A)
T A M B O R DO PÚLPITO Diz-se de COLUNA, peça ou ornato de
Caixa de GUARDA-CORPO ou PA- forma espiralada ou torcida. Ver o ver-
RAPEITO do púlpito, fechada e abau- bete SALOMÓNICA.
lada. Ver também o verbete CAIXA. (Fig. 53)
(Fig. 51)
TOSCANA
TARJA A mais simples das ordens clássicas de
Peça de pintura, escultura ou T A L H A , arquitetura, caracterizada pela CO-
quase sempre com ornamentos em L U N A constituída de CAPITEL sem
forma de ramos, flores, FESTÕES, ornato e FUSTE e BASE lisos. Fala-
etc, cercando um claro onde se vê um se em portal toscano com relação à
PORTADA do antigo Palácio dos Go-
vernadores, em Ouro Preto. Ver tam-
bém os verbetes E N T A B L A M E N T O .
ORDEM e PORTAL.
(Fig. 48)

TREMÓ
1. Espécie de CONSOLO ou APARA-
DOR ou espelho que se coloca no
P A N O da PAREDE entre duas janelas.
2. Por extensão, diz-se desse espaço
entre as janelas.

T R I B U N A DO T R O N O
Vão ou abertura ao centro do RETÁ-
BULO, onde fica o TRONO para expo-
sição de imagem, crucifixo, etc. O
mesmo que CAMARIM.
(Fig. 55)

TRIGLIFO
Ornato arquitetônico no FRISO de
ORDEM DÓRICA e que se compõe de
trés sulcos.

TRIGO
O ornato em forma de espigas de trigo,
presente em algumas igrejas, simboliza
a Eucaristia ou o pão da Comunhão.

TROMPE L'OEIL
ilusão de ótica. A expressão é usual-
mente referida com relação à pintura
ilusionista. Ver o verbete I L U S I O -
NISTA (PINTURA).

TRONO
Espécie de PEDESTAL, colocado no
vão da T R I B U N A DO T R O N O ou
CAMARIM do altar, onde se expõem
imagens ou crucifixos. Nas igrejas mi-
neiras do século XVIII, o trono apre-
sentado mumente,a forma de cântaro ou
de degraus.
(Fig. 55)
UMBELA
Pálio pequeno, em forma de guarda-sol,
franjado, sob o qual o sacerdote leva o
sacramento da Eucaristia em certas ce-
rimônias religiosas.

UVAS
O ornato em forma de cachos de uva
simboliza o vinho eucarístico ou o san-
gue de Cristo. É um dos motivos mais
usados na T A L H A da l. FASE DO
a

BARROCO EM MINAS.
VARAL
Peça de suporte do SOBRECÉU ou
DOSSEL na guarnição de camas anti-
gas de mais rico acabamento.

VINHA
O ornato em forma de vinha ou folhas
de parreira representa, na simbologia
católica, um emblema do Cristo ou a re-
lação entre Deus e seu povo. É um dos
motivos mais usados na T A L H A da l.a

FASE DO BARROCO EM MINAS.

VOLUTA
Ornato enrolado em forma de espiral,
em trabalho de T A L H A ou escultura
em pedra, bastante usado na ornamen-
tação externa e interna das igrejas mi-
neiras do século XVIII.
(Figs. 45, 52)
ORNAMENTAÇÃO
Documentação Fotográfica
26. OURO PRETO — Igreja de São F r a n c i s c o de Assis
— Altar-mor (Aleijadinho)
28 M A R I A N A — S e catedral — C a d e i r a l
30. C O N G O N H A S — A d r o d o santuário d o B o m J e s u s — Profetas
(estatuária d o Aleijadinho)
31. S A B A R A — Igreja d o C a r m o — S ã o S i m ã o Stock
(imaginária d o Aleijadinho)
32. SABARÁ — Igreia do C a r m o — São João da Cruz
( i m a g i n á r i a do Aleijadinho)
33. OURO PRETO — Igreia de São Francisco de Assis
— Medalhão e s o b r e p o r t a em relevo (Aleijadinho)
34 SABARA — Museu do Ouro — Arca pintada

35. SABARA — igreja de Nossa Senhora do Rosário


— A r m á r i o da sacristia, c o m pintura
36. SABARA — Museu do Ouro — Cama de bilros

37 SABARA — Museu do Ouro — Mobiliário, vendo-se arcas e


mesa t i p o holandesa (sala c o m piso e m seixos rolados)
38 TIRADENTES Matriz de Santo A n t ô n i o Órgão
40. DIAMANTINA — Igreja do C a r m o — Pintura do forro da nave
(Guarda-mor José Soares de Araujo — Partido A)
4 1 . OURO PRETO — Igreja de São Francisco de Assis — P i n t u r a do
forro da nave ( M a n u e l da Costa Ataide — Partido B)
42. SERRÓ — Igreja do B o m Jesús de M a t o z i n h o s — Pintura d o forro da
c a p e l a - m o r (Silvestre de Almeida Lopes — Partido C)
43. SABARÁ — Igreja d o Carmo — P i n t u r a do forro da nave
( J o a q u i m Gonçalves da Rocha — Partido C)
44. CACHOEIRA DO C A M P O — Matriz de Nossa Senhora de Nazaré
— Retábulos da capela-mor e do arco-cruzeiro
( 1 . fase — Estilo Nacional Português)
a
4 5 . OURO PRETO — Matriz de Nossa Senhora d o Pilar
— Retábulo d a capela-mor ( 2 . fase — Estilo Dom J o à o V
a

— Francisco Xavier de Bnto)


46. NOVA LIMA — Matriz de Nossa Senhora do Pilar — Capela-mor
— Retábulo da antiga capela da Fazenda da Jaguara
(3,* fase — Estilo R o c o c ó — Aleijadinho)
APÊNDICE
Medidas de Comprimento e de Peso
•y
Os sistemas de medição utilizados no período colonial foram extremamente
diversificados, variando os valores de algumas unidades, tanto segundo o objeto da
medição, como segundo a localidade ou região em que essa se realizava.

Exemplar desta situação era a medida denominada A L N A utilizada no co-


mércio de tecidos, a qual variava seu comprimento desde o que hoje vem a ser 57,3
centímetros (Alna de Hamburgo para tecidos de seda e algodão) até 114,3 centímetros
(Alna de Londres). Ainda em Hamburgo, a Alna utilizada para medir tecidos de lã
corresponderia a 69,1 centímetros do sistema atual. Por sua vez, as diversas medidas
de um sistema não guardavam uma proporção constante como no sistema métrico
decimal.

Deste modo, na elaboração deste Glossário se adotou sempre, dentre os


diversos valores apontados para cada medida por vários autores, aquele geralmente
aceito ou, ainda, aquele valor que demonstrava uma relação aritméticamente exata
entre duas medidas do mesmo sistema.

Considerando-se a especificidade deste Glossário de Arquitetura e Ornamen-


tação, reduziu-se a listagem dos verbetes àquelas medidas de citação corrente nos
AUTOS DE REMATAÇÃO ou nos RISCOS que ainda se conservam.

209
ALQUEIRE GRÃO
Medida antiga de área, equivalente a Medida de peso equivalente a
48.400 m-. O ALQUEIRE PEQUENO, 0,04980469 gramas. Também chamado
também chamado A L Q U E I R E PAU- GRÃO PEQUENO, em diferenciação
LISTA.equivale a 24.200 m-. O uso des- do GRÃO GRANDE, cujo peso equi-
tas medidas ainda hoje subsiste em al- vale a cerca de 0,7968750 gramas. Ver
guns Estados brasileiros. também o verbete M E D I D A S DE
PESO.
ARRÁTEL
Medida de peso portuguesa^também uti- JEIRA
lizada no Brasil colonial. O arrátel Medida de área derivada da dimensão
equivale à LIBRA, isto é, 459 gramas. de terreno que é possível arar, em um só
Ver também os verbetes L I B R A e dia.com um único arado. Equivale no
MEDIDAS DE PESO. sistema métrico atual a 19,36 hectares.

ARROBA LÉGUA
Medida de peso equivalente a 14,688 Medida de comprimento, equivalente a
Kg. ou seja,32 LIBRAS. Ver também o 5.555,55 metros. Ver também os verbe-
verbete MEDIDAS DE PESO. tes LÉGUA DE SESMARIA e MEDI-
DAS DE COMPRIMENTO.
A N E L DE Á G U A
L É G U A DE S E S M A R I A
Medida equivalente a quatro penas de
Medida de comprimento equivalente a
água.
cerca de 6.600 metros. Correspondia no
sistema antigo de medidas a 3.000 bra-
BRAÇA ças. Ver também os verbetes LÉGUA e
Medida de comprimento equivalente a MEDIDAS DE COMPRIMENTO.
2,20 m. No sistema antigo de medidas
correspondia a duas VARAS. Ver tam-
LIBRA
bém o verbete MEDIDAS DE C O M -
Medida de, peso equivalente a 459 gra-
PRIMENTO.
mas, segundo a maioria dos autores.
Roberto Simonsen, in "História Eco-
BRAÇA QUADRADA nómica do Brasil", lhe atribui o valor de
Antiga medida agrária de área, equiva- 460,80 gramas. Ver também o verbete
lente a 3,052 m . Diz-se,também,,Ãracfl
:
MEDIDAS DE PESO.
em Quadro. Ver também o verbete
BRAÇA. LINHA
Medida de comprimento equivalente a
CÔVADO 2,29 milímetros. Subdividia-se em 12
Medida de comprimento equivalente a pontos. Ver também o verbete MEDI-
68 centímetros ou 3 palmos. Há indica- DAS DE COMPRIMENTO.
ções de que valeria em Lisboa 66 cen-
tímetros e,no Porto, 66,41 centímetros. MARCO
Ver também o verbete MEDIDAS DE Medida de peso equivalente a
COMPRIMENTO. 229,50002304 gramas. Roberto Simon-
sen,in "História Econômica do Brasil",
adota o valor de 230,40 gramas. Ver
DRACMA também o verbete M E D I D A S DE
Medida de peso equivalente a cerca de PESO.
3,58 gramas. O mesmo que OITAVA.
Ver também os verbetes O I T A V A e
M E D I D A S DE C O M P R I M E N T O
MEDIDAS DE PESO.
As diversas medidas de comprimento
adotadas no Brasil colonial,nem sempre
ESCRÓPULO se interrelacionaram como subdivisão
Antiga medida de peso, equivalente a ou multiplicação exata, sendo, por isso,
1,19531256 gramas. Ver também o ver- impossível estabelecer uma delas como
bete MEDIDAS DE PESO. base da qual se derivam as demais. Em
alguns casos a relação entre duas medi- grão (menor unidade de peso)
das assumiu valores irracionais, por 4 grãos 1 quilate
exemplo, a BRAÇA valeria 3,333 ... 16 grãos 1 grão grande ou
CÕVADOS. Entretanto, foi possível es- 4 quilates
tabelecer o quadro abaixo, que rela- 24 grãos í escrópulo ou 6 quilates
ciona algumas medidas entre si e a 72 grãos l oitava ou 18 quilates
maioria delas com a POLEGADA, res- ou 3 escrópulos
tando de fora apenas a LÉGUA, que 576 grãos = 1 onça ou 144
valeria 202.020,2020 ... polegadas, e a quilates ou 8 oitavas
V A R A C A S T E L H A N A , isto é, 4.608 grãos I marco ou 8 onças
30,83636 ... polegadas. 9.216 grãos 1 líbra ou 16 onças
32 libras = 1 arroba
128 libras — 1 quintal
1 ponto ou 4 arrobas
1 linha 12 pontos
1 polegada : 12 linhas ou 144 OITAVA
pontos Medida de peso equivalente a
8 polegadas = 1 palmo 3,58583768 gramas. Seu nome deriva de
12 polegadas 1 pé ou ser esta medida a oitava parte da
1,5 palmos ONÇA. Roberto Simonsen,in "História
24 polegadas : 1 côvado ou 2 pés Econômica do Brasil" aproxima seu
valor para 3,6 gramas. O mesmo que
ou 3 palmos
30 polegadas D R A C M A . Ver também o verbete
1 passo ordinário
MEDIDAS DE PESO.
ou 2,5 pés
40 polegadas 1 vara ou ONÇA
5 palmos Medida de peso equivalente a
60 polegadas 1 passo 28,68750144 gramas. Ver também o
geométrico ou 2 verbete MEDIDAS DE PESO.
passos ordinários
ou 5 pés PALMO
80 polegadas : 1 braça ou 10 Medida de comprimento equivalente a
palmos ou 2 vinte e dois centímetros, ou seja, ao
varas palmo da mão aberta. Subdividia-se, no
240.000 polegadas 1 légua de sistema antigo de medidas, em oito po-
sesmaria ou 3.000 legadas. Diz-se P A L M O CRAVEIRO
braças aquele correspondente a doze polegadas
ou trinta centímetros e meio. Em espe-
cificações antigas apareciam também as
Nota: o valor de cada medida, segundo expressões PALMO LIMPO e PALMO
o sistema métrico decimal, se encontra ESFORÇADO. Ver também o verbete
explicitado nos verbetes respectivos. MEDIDAS DE COMPRIMENTO.

PASSO GEOMÉTRICO
Medida de comprimento correspon-
dente a 1,65 m ou 60 polegadas. Ver
MEDIDAS DE PESO também o verbete M E D I D A S DE
O sistema de medição de peso utilizado COMPRIMENTO.
no Brasil colonial, embora com varia-
ção de valores de algumas medidas, PASSO ORDINÁRIO
tinha por base a unidade denominada Medida de comprimento equivalente a
GRÃO, da qual as demais derivavam 82,5 centímetros. Correspondia no sis-
por multiplicação. As divergências dos tema antigo a 30 polegadas. Ver tam-
diversos autores, quanto à equivalência bém o verbete MEDIDAS DE COM-
entre as unidades antigas e o atual sis- PRIMENTO.
tema decimal, provavelmente decorre da PÉ
inexatidão do cálculo do valor do Medida de comprimento equivalente a
GRÃO, uma vez que todos estão de 33 centímetros. Correspondia no sis-
acordo com o quadro que se segue. tema antigo de medidas a um palmo e
meio. A medida anglo-saxônica de pela porção do canavial, suficiente para
mesmo nome equivale a 30,48 centíme- alimentar as moendas durante um dia
tros. Ver também o verbete MEDIDAS de trabalho. A dimensão de uma tarefa
DE COMPRIMENTO. variava segundo a região do Brasil. Pa-
rece ter sido mais geral considerá-la
P E N A DE Á G U A uma área de 30 BRAÇAS em quadro,
Antiga medida usada na partilha de eqüivalendo, então, a 4.356 m . N o
:

água, aproximadamente da grossura de Ceará, equivaleria a 3.630 rrf. Em Ser-


uma pena de pato. gipe e Alagoas,equivaleria a 3.052 m .
:

POLEGADA VARA
Medida antiga de comprimento equiva- Medida de comprimento equivalente a
lente a 2,75 centímetros. Subdividia-se 1,10 m pela medição do padrão em de-
em 12 linhas. No sistema inglês, a po- pósito, na Câmara de Thomar, dada por
legada vale 25,40 milímetros. Ver D. Sebastião. Na Bahia e no Rio de Ja-
também o verbete M E D I D A S DE neiro parece ter sido uma medida equi-
COMPRIMENTO. valente a 1,087 m. Ver também o ver-
bete MEDIDAS DE COMPRIMENTO.
PONTO
Medida de comprimento equivalente a VARA CASTELHANA
0,190833 ... milímetros. Era a menor Medida de comprimento equivalente a
medida do antigo sistema. Ver também 84,8 centímetros. O padrão depositado
o verbete MEDIDAS DE COMPRI- em Burgos era igual a 83,5 centímetros.
MENTO. Buenos Aires, Montevidéu e outros
pontos da América Hispânica, em con-
QUILATE tato com o Brasil, utilizavam um padrão
Medida de peso equivalente a 0,199 de» 84,796 centímetros. Ver também o
gramas, utilizada para pesar pedras pre- verbete M E D I D A S DE C O M P R I -
ciosas. O termo quilate,quando aplicado MENTO.
aos metais preciosos, tem porém outro
significado, indica o seu grau de pureza.
A designação quilate métrico significa
peso ou massa de dois decigramas. Ver
também o verbete M E D I D A S DE
PESO.

QUINTAL
Medida de peso correspondente a cerca
de 58,752 quilos, ou seja, 4 ARROBAS.
Sobre esta medida divergem os diversos
autores, como se explicita abaixo.

Roberto
Simonsen = 1 quintal = 58,982 kg
Lejeune
para o Brasil = 1 quintal = 58,72 kg
para Portugal = 1 quintal = 58,75 kg
Hoppe = 1 quintal = 58,725 kg
Tacchini = 1 quintal = 58,745306 kg

Existe também a expressão quintal mé-


trico que significa 100 quilogramas. Ver
também o verbete M E D I D A S DE
PESO.

TAREFA
Medida antiga cuja denominação pro-
vavelmente decorre da área ocupada
BIBLIOGRAFIA
Esta bibliografia inclui também obras consideradas básicas para o estudo e conheci-
mento do Barroco Mineiro.
Arquitetura Civil I. Textos escolhidos CORONA E LEMOS. Dicionário da
da Revista do Instituto do Patrimônio arquitetura brasileira. São Paulo, Edi-
Histórico e Artístico Nacional. Diver- tora Edart.
sos autores. São Paulo, MEC / IPHAN/
USP / Faculdade de Arquitetura e Ur- COSTA, Lúcio. A arquitetura dos je-
banismo, 1975. suítas no Brasil. Revista do Serviço do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacio-
Arquitetura Civil II. Textos escolhidos nal, vol.V, Rio de Janeiro, 1941, p. 9 a
da Revista do Instituto do Patrimônio 103.
Histórico e Artístico Nacional. Diver-
sos autores. São Paulo, MEC/IPHAN/ COSTA, Lúcio. Documentação ne-
USP / Faculdade de Arquitetura e Ur- cessária. Revista do Serviço do Patri-
banismo, 1975. mônio Histórico e Artístico Nacional,
vol. I, Rio de Janeiro, 1937. Reprodu-
Arquitetura Civil III. Mobiliários e al- zido in Arquitetura civil II, cit., p. 89 a
faias. Textos escolhidos da Revista do 98.
Instituto do Patrimônio Histórico e Ar-
tístico Nacional. Diversos autores. São COSTA, Lúcio. Notas sobre a evolu-
Paulo, MEC / IPHAN / USP / Facul- ção do mobiliário luso-brasileiro. Re-
dade de Arquitetura e Urbanismo, 1975. vista do Serviço do Patrimônio Histó-
rico e Artístico Nacional, vol. III, Rio de
Á V I L A , Affonso. Igrejas e capelas de Janeiro, 1939. Reproduzido in Arquite-
Sabará. Separata da revista BAR- tura civil III— Mobiliário e alfaias, cit.,
ROCO, n.° 8, Belo Horizonte, UFMG, p. 133 a 146.
1976.
DEL NEGRO, Carlos. Contribuição ao
estudo da pintura mineira. Rio de Ja-
BARRETO, Paulo Thedim. Análise de
neiro, Publicações do Patrimônio Histó-
alguns documentos relativos à Casa de
rico e Artístico Nacional, n.° 20, 1958.
Câmara e Cadeia de Mariana. Revista
do Patrimônio Histórico e Artístico Na-
cional, vol. XVI, Rio de Janeiro, 1967, DEL NEGRO, Carlos. Escultura or-
p. 219 a 251. namental barroca do Brasil. Portadas
de igrejas de Minas Gerais. 2 vols. Belo
Horizonte', Edições Arquitetura, 1967.
BARRETO, Paulo Thedim. Casas de
Câmara e Cadeia. Revista do Patrimô-
nio Histórico e Artístico Nacional, vol. DIAS, Hélcia. O mobiliário dos Incon-
X V I , Rio de Janeiro, 1947, p. 9 a 195. fidentes. Revista do Serviço do Patri-
mônio Histórico e Artístico Nacional,
vol. 3, Rio de Janeiro, 1939. Reprodu-
B A Z I N , Germain. Aleijadinho et la
zido in Arquitetura civil III — Mo-
sculpture baroque au Brésil. Paris, Les
biliário e alfaias, cit., p. 147 a 156.
Éditions du Temps, 1963.
FERRER, Anémona Xavier de Basto.
BAZIN, Germain. L'Architecture reli-
Monumentos construídos pelos portu-
gieuse baroque au Brésil. Paris, Librai-
gueses no Brasil. Revista do Patrimônio
rie Pion, tomo I, 1956, tomo II, 1958.
Histórico e Artístico Nacional, vol. XV,
Rio de Janeiro, 1961, p. 231 a 272.
CARDOSO, Joaquim. Um tipo de casa
rural do Distrito Federal e Estado do
F R A N C O , Afonso Arinos de Melo.
Rio. Revista do Serviço do Patrimônio
Desenvolvimento da civilização mate-
Histórico e Artístico Nacional, vol.VII,
rial no Brasil. Rio de Janeiro, Publica-
Rio de Janeiro, 1943. Reproduzido in
ções do Serviço do Patrimônio Histó-
Arquitetura civil II, cit.,p. 1 a 46.
rico e Artístico Nacional, n.° 11, 1944.

CARVALHO, Benjamin de A. Igrejas FREIRE, Laudelino. Grande e novís-


barrocas do Rio de Janeiro. Rio de Ja- simo dicionário da língua portuguesa. 5
neiro, Editora Civilização Brasileira, volumes, 3. edição, Rio de Janeiro, Li-
a

1966. vraria José Olympio Editora, 1957.


H O L L A N D A , Aurélio Buarque de. PASSOS, Zoroastro Vianna. Em torno
Pequeno dicionário brasileiro da língua da história de Sabara. A Ordem 3. do a

portuguesa. l l . edição. Rio de Janeiro,


a Carmo e a sua igreja. Obras do Aleija-
Civilização Brasileira, 1967. dinho no templo. Rio de Janeiro, Publi-
cações do Serviço do Patrimônio Histó-
rico e Artístico Nacional, n.° 5, 1940.
LISANTI FILHO, Luís. Negócios co-
loniais (Uma correspondência comer-
cial do século XVIII). Brasília, Ministé- PEREZ-RIOJA, J.A. Diccionario de
rio da Fazenda; São Paulo, Visão Edi- símbolos y mitos. Madrid, Editora Tec-
torial, 1973, vol. I, p. L X X I X a XCVL nos, 1971.

PEVSNER, Nikolaus e outros. Dicio-


LOPES, Francisco Antônio. História nário enciclopédico de arquitetura. Rio
da construção da Igreja do Carmo de de Janeiro, Artenova, 1977.
Ouro Preto. Rio de Janeiro, Publicações
do Serviço do Patrimônio Histórico e PINTO, Estevão. Muxarabis e balcões.
Artístico Nacional, n.° 8, 1942. Revista do Serviço do Patrimônio His-
tórico e Artístico Nacional, vol.VII, Rio
MACEDO, Epaminondas de. Relató- de Janeiro, 1943. Reproduzido in Arqui-
rios sobre restaurações em Ouro Preto tetura civil 11, cit., p. 47 a 88.
— 1935(7. In Documentário da ação do
Museu Histórico Nacional na defesa do R E A L , Regina M. Dicionário de betas
Patrimônio Tradicional do Brasil. Anais artes-termos técnicos e matérias
do Museu Histórico Nacional, vol. V, afins. Rio de Janeiro, Editora Fundo
1944, Rio de Janeiro, 1948. de Cultura, 1962.

MACHADO, Lourival Gomes. Barroco R O D R I G U E S , José Wasth. Docu-


mineiro. Introdução e organização de mentário arquitetônico relativo à an-
Francisco Iglesias. São Paulo, Editora tiga construção civil no Brasil. 2. a

Perspectiva, 1969. Coleção Debates, 11. edição. São Paulo, Editora da Univer-
sidade de São Paul o/Livraria Martins
MENEZES, Furtado de. A religião em Editora, 1975.
Ouro Preto. In Bi-Centenário de Ouro
Preto — 1711-1911. Bello Horizonte, RODRIGUES, José Wasth. A casa de
Imprensa Official do Estado de Minas moradia no Brasil antigo. Revista do
Geraes, p. 205 a 308; Serviço do Patrimônio Histórico e Ar-
tístico Nacional, vol. IX, Rio de Ja-
MENEZES, Ivo Porto de. Fazendas neiro, 1945. Reproduzido in Arquite-
mineiras. Belo Horizonte, Escola de tura civil I, cit., p. 283 a 318.
Arquitetura da UFMG, 1969. Docu-
mentário arquitetônico, 6.
RODRIGUES, José Wasth. Móveis
antigos de Minas Gerais. Revista do
MENEZES, Ivo Porto de. O Palácio
Serviço do Patrimônio Histórico e Ar-
dos Governadores de Cachoeira do
tístico Nacional, vol.VII, Rio de Ja-
Campo. Revista do Patrimônio Histó-
neiro, 1943. Reproduzido in Arquite-
rico e Artístico Nacional, vol. XV, Rio
tura civil III — Mobiliário e alfaias,
de Janeiro, 1961. Reproduzido in Arqui-
cit., p. 177 a 194.
tetura civil 111 — Mobiliário e alfaias,
cit, p. 107 a 132.
SANTOS, Paulo F. Subsídios para o
Mobiliário, vestuário, jóias e alfaias estudo da arquitetura religiosa em
dos tempos coloniais — Notas para Ouro Preto, I, Rio de Janeiro, Livra-
uma nomenclatura baseada em docu- ria Kosmos, 1951.
mentos coevos. Revista do Serviço do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacio- S I L V A , Antonio de Moraes. Diccio-
nal, vol. IV, Rio de Janeiro, 1940. Re- nario da lingua portugueza. 9. edi-a

produzido in Arquitetura civil III — ção, 2 volumes, Lisboa, Editora Em-


Mobiliário e alfaias, cit., p. 157 a 175. preza Litteraria Fluminense, s/d.
SIMONSEN, Roberto. História eco- VASCONCELLOS. Sylvio de. Arqui-
nômica do Brasil, 1500 - 1820. São tetura no Brasil — Sistemas construti-
Paulo, Cia. Editora Nacional, 1937, 2 vos. Belo Horizonte, Escola de Arqui-
vols. - Brasiliana, 100 e 100-A. tetura da UFMG, 1959.

V A S C O N C E L L O S , Sylvio de. Ca-


SMITH, Robert C. Alguns desenhos
pela Nossa Senhora do O. Belo Hori-
de arquitetura existentes no Arquivo
zonte, Escola de Arquitetura da Uni-
Histórico Colonial Português. Revista
versidade de Minas Gerais, 1964.
do Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, vol. IV, Rio de Ja-
V A S C O N C E L L O S , Sylvio de, Ro-
neiro, 1940, p. 209 a 249.
teiro para o estudo do barroco cm
Minas Gerais. Arquitetura. Revistado
SMITH, Robert C. Arquitetura civil
Instituto de Arquitetos do Brasil. n.°
no período colonial. Revista do Pa-
78, Rio de Janeiro, dez. de 1968, p. 14
trimônio Histórico e Artístico Nacio- a 18.
nal, vol. XVII. Rio de Janeiro. 1969. Re-
produzido in Arquitetura civil I, cit.,
V A S C O N C E L L O S , Sylvio de. Vila
p. 95 a 190.
Rica — Formação e desenvolvimento
— Residências. Rio de Janeiro, Insti-
SMITH, Robert. A talha em Portugal. tuto Nacional do Livro, 1956.
Lisboa, Livros Horizonte, 1962.
VASCONCELLOS, Sylvio de. Voca-
T E L L E S , Augusto Carlos da Silva.
bulário arquitetônico. Belo Hori-
Atlas dos monumentos históricos e ar-
zonte. Escola de Arquitetura da
tísticos do Brasil. Rio de Janeiro,
UFMG.
MEC / DAC / F E N A M E . 1975.
VAUTHIER, L. L. Casas de residên-
T E L L E S , Augusto C. da Silva. Vas-
cia no Brasil. Introdução de Gilberto
souras — Estudo da construção resi-
Freyre. Revista do Serviço do Patri-
dencial urbana. Revista do Patrimô-
mônio Histórico e Artístico Nacional,
nio Histórico e Artístico Nacional,
vol. VII, Rio de Janeiro, 1943. Reprodu-
vol. XVI, 1967. Reproduzido in Arquite-
zido in Arquitetura civil I, cit., p. 1 a
tura civil II, cit., p. 115 a 247.
94.

T R I N D A D E , Cónego Raimundo. A
Casa Capitular de Mariana. Revista
do Patrimônio Histórico e Artístico DOCUMENTOS:
Nacional, vol.IX. Rio de Janeiro, 1945,
p. 217 a 250. Apontamentos para a obra q. se pre-
tende fazer por conta da Real Fa-
TRINDADE, Cónego Raimundo. São zenda em V.a Rica na casa forte. {Pa-
Francisco de Assis de Ouro Preto. lácio dos Governadores, atual Escola
Rio de Janeiro, Publicações da Direto- de Minas, em Ouro Preto). Villa Rica,
ria do Patrimônio Histórico e Artístico 13 de junho de 1941. José Frz. Pinto
Nacional, 1951. Alpoym. Doe. 28. Revista do Archivo
Publico Mineiro, vol. VI, Bello Hori-
V A S C O N C E L L O S , Diogo de. As zonte, 1901, p. 573 e segs.
obras de arte. In Bi-Centenário de
Ouro Preto — 1711-1911. Bello Hori- Condições com que se há de fazer a
zonte, Imprensa Offícial do Estado de Casa Capitular que manda fazer S.
Minas Geraes, p. 133 a 184. Majestade Fidélis si ma que Deus
guarde para o Ilustríssimo e Reveren-
VASCONCELLOS, Sylvio de. A ar- díssimo Cabido desta Cidade (Ma-
quitetura colonial mineira, in l Seminá- riana) Segue-se ao Auto de arremata-
rio de Estudos Mineiros. Belo Hori- ção, datado de 27 de maio de 1770
zonte, Universidade de Minas Gerais, (Assinado: Vicente Gonçalves Jorge
1957, p. 59 a 77. de Almeida / Francisco Xavier da
Silva / José Botelho Borges / Fran- ilustram este GLOSSÁRIO, foram utili-
cisco Ribeiro da Silva / José Pereira zados como fontes os seguintes traba-
Arouca). Transcrito in T R I N D A D E , lhos:
Cónego Raimundo. A Casa Capitular
de Mariana, cit., p. 228 a 237. COSTA, Lúcio. A Arquitetura Jesuítica
no Brasil, cit. Figs. 53, 54 e 55.
Documentos diversos alusivos à cons-
trução da Igreja da Ordem 3. do a REIS, Galileu. Inventário, levanta-
Carmo de Ouro Preto. Transcritos in mento e vistoria de Bens Culturais (Edi-
LOPES, Francisco Antônio, ob. cit. ficações), Metodologias. Belo Hori-
zonte, Centro de Desenvolvimento Ur-
Documentos diversos alusivos à cons- bano da FJP, 1974, (texto para circula-
trução da Igreja da Ordem 3. do a ção interna).Figs. 2, 7, 7-A, 7-B, 13,14,
Carmo de Sabará. Transcritos in PAS- 16, 19, 20, 20-A, 26-A, 26-B, 30 e 30-A.
SOS, Zoroastro Vianna, ob. cit.
RODRIGUES, José Wasth. Documen-
Documentos diversos alusivos à cons- tário arquitetônico, cit. Figs. 5, 10 e 15.
trução da Igreja da Ordem 3. de São
a

Francisco de Assis de Ouro Preto. SANTOS, Paulo F., ob. cit. Figs. 18,
Transcritos in T R I N D A D E , Cónego 28 e 29.
Raimundo. São Francisco de Assis de
Ouro Preto, cit.
SMITH, Robert. A talha em Portugal,
cit. Fig. 56-A.
Pinturas da Igreja do Rosário (Ma-
riana). ¡826. Autor: O Alf.s Manoel
da Costa Athaíde. Reos: Os Mezarios
da Irm.e da Snr.a do Rozario desta
Cidade. Libello: Escr.am Costa, tras-
lado dos próprios autos qu. vão por
appellação p.a a Sup.am da Corte.
Anuário do Museu da Inconfidência,
ano III, Ouro Preto, 1954, p. 149 a
158.

Registro das condiçoens com que se


rematou a nova obra da Cadea e casa
da Camara desta cidade... segue-se ao
Auto de arrematação, datado de 20 de
outubro de 1782 {"...e rematou o Alfe-
res José Pereira Arouca, na forma das
condiçoens, e risco..."). Livro 6.° de
termos de arrematações da Câmara
Municipal de Mariana, fls. 191 e 192 v.
e segs. Transcrito in BARRETO, Paulo
Thedim. Análise de alguns documentos
relativos à Casa de Câmara e Cadeia
de Mariana, cit., p. 226/7 e 231 a 242.

Risco para a Casa de Açougue de Vila


Rica. Recibo de Antônio Francisco
Lisboa. Arquivo Público Mineiro. Dele-
gacia Fiscal. Códices 209 (pagamento) e
361 (desenho).

NOTA

Na elaboração de alguns desenhos que