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Resumo Vicenç Navarro

As desigualdades decorrentes da aplicação de políticas conservadoras e


neoliberais são consequência da diversidade genética dos povos, não apenas as
desigualdades raciais como também as econômicas e educacionais. Navarro
analisa um estudo da Universidade de Harvard que afirma categoricamente que
os latinos têm formação genética inferior a dos norte-americanos e, por conta
dessa distinção, eles são mais propensos a ter menores índices de educação – ou
seja, os povos hispânicos têm DNA de menor qualidade que os estadunidenses, e
isso é a causa do atraso socioeconômico deles.
O autor denota, então, que o estudo analisado contém inúmeros erros, a
começar pela inadequada associação entre genética e cultura, uma vez que a
diversidade hispânica se deve mais à esta do que à etnia, além da afirmação de
que o QI mais baixo das populações latino-americanas se deve ao genoma
quando, na verdade, é consequência das segregações de classe impostas pela
elite branca desde muitos séculos. A aprovação de tal tese racista reitera,
segundo Navarro, a debilidade ideológica que se instaurou nos EUA, igualando-se
à teoria geneticista do arianismo apregoado por Hitler à época do nazismo
alemão.
O referido estudo gerou celeuma na própria universidade, visto que
muitos estão taxando a condenação deste como um cerceamento à liberdade de
conhecimento e de investigação – Navarro afirma, no entanto, que essas já estão
censuradas há muitos em tais espaços acadêmicos, posta a visão ideológica
conservadora que predomina nesses, e que o estudo visa a desempoderar as
visões contrárias ao conservadorismo estadunidense para enaltecer a presente
estrutura de poder sem, porém, medir o impacto das consequências de tal
extremismo.