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SETOR DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA


TECNOLOGIA EM ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE
SISTEMAS
DISCIPLINA DE DIREITO APLICADO
Profª. Silvana Maria Carbonera

CONTRATOS

Contrato: é o acordo de duas ou mais vontades, dentro dos limites estabelecidos pela
lei, realizado para estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com
o objetivo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas patrimoniais.
• Requisitos idênticos aos do negócio jurídico:
Agente capaz: (1) existência de duas ou mais pessoas; (2) capacidade plena de todos
os contratantes (idade mínima de 18 anos); (3) consentimento livre de todas as partes
em relação ao conteúdo/objeto.
Objeto lícito: (1) não pode ser contrário à lei, à moral, aos princípios de ordem pública
(ex.: direitos e garantias fundamentais] e bons costumes); (2) objeto física e
juridicamente possível; (3) objeto certo e determinado, ou determinável; (4) objeto
economicamente relevante.
Forma prescrita ou não defesa/proibida em lei: (1) liberdade de forma, exceto quando a
lei exigir forma especial.
• Fases de formação do contrato:
1. Negociações preliminares: acordos prévios, sondagens, estudos sobre os interesses
de cada contratante. Pode ser feita uma minuta (documento escrito que contém alguns
aspectos que deverão estar no contrato). Ainda não há vinculação entre as partes.
2. Proposta: declaração inicial de vontade para futura realização do contrato. Já vincula a
parte que apresenta a proposta. Interessante estabelecer o prazo de validade da
proposta.
3. Aceitação: é ato complementar à proposta. Representa a manifestação de vontade,
expressa ou tácita, por parte do destinatário da proposta, a ser feita dentro do prazo,
aderindo aos seus termos.

Princípios orientadores dos contratos: os princípios têm a função de estabelecer as


diretrizes gerais de elaboração, de interpretação e de execução dos contratos. São
eles:
a) Princípio da autonomia da vontade: os contratantes podem estipular livremente,
como melhor lhes convier, a disciplina jurídica de seus interesses, mediante acordo de
vontades, provocando, assim, os efeitos admitidos/não proibidos em lei. Contempla
três aspectos:
• Liberdade de contratar e de não contratar;
• Liberdade de escolher com quem contratar;
• Liberdade de fixar o conteúdo do contrato, observado o disposto no artigo 421 do CCb.
CCb, Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social
do contrato.
b) Princípio do consensualismo: o acordo de duas ou mais pessoas capazes basta
para gerar um contrato válido.
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c) Princípio da obrigatoriedade da convenção: trata-se do princípio pacta sunt
servanda, segundo o qual as estipulações feitas no contrato devem ser cumpridas
pelas partes. A exceção a este princípio é a possibilidade de revisão do conteúdo do
contrato quando ele se torna excessivamente oneroso para uma das partes, nos
termos do artigo 478 do CCb.
CCb, Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou deferida, se a prestação de uma das
partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do
contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.
d) Princípio da relatividade dos efeitos dos negócios jurídicos contratuais: a vinculação
se dá exclusivamente com as partes que interviram no contrato. Não aproveita e nem
prejudica a terceiros.
e) Princípio da boa-fé objetiva: as partes deverão agir com lealdade, honestidade,
honradez, probidade e confiança recíprocas, desde a fase das negociações
preliminares até a execução final do contrato, conforme disposto no artigo 422 do CCb.
CCb, Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato,
como em sua execução, os princípios da probidade e da boa-fé.

Proibições contratuais: São limites impostos pela ordem jurídica para o conteúdo, a
execução e a eficácia dos contratos. Ex.: art. 426, CCb: “Não pode ser objeto de
contrato a herança de pessoa viva.”
• Se um contrato for celebrado sem a observância de tais limites, ele próprio, ou as
cláusulas com conteúdo proibido serão passíveis de nulidade pois ofendem ao ordem
jurídica vigente. Ex.: art. 424, CCb: “Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas
que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do
negócio.”
Cláusulas abusivas: são cláusulas que colocam o consumidor/aderente em condições
de desvantagem em relação ao fornecedor/contratante. São previstas expressamente
no Código de Defesa do Consumidor, artigo 51, mas não caracterizam uma relação
exaustiva, de modo que podem existir outras cláusulas abusivas além das descritas.
Código de Defesa do Consumidor, Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as
cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de
qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos.
Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização
poderá ser limitada, em situações justificáveis;
II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos casos previstos
neste código;
III - transfiram responsabilidades a terceiros;
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em
desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade;
V - (Vetado);
VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;
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VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem;
VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor;
IX - deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora obrigando o
consumidor;
X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de maneira unilateral;
XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja
conferido ao consumidor;
XII - obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação, sem que
igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor;
XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do
contrato, após sua celebração;
XIV - infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais;
XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor;
XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessárias.
§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vontade que:
I - ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence;
II - restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo
a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual;
III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e
conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso.
§ 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto quando de
sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das
partes.
§ 3° (Vetado).
§ 4° É facultado a qualquer consumidor ou entidade que o represente requerer ao Ministério
Público que ajuíze a competente ação para ser declarada a nulidade de cláusula contratual
que contrarie o disposto neste código ou de qualquer forma não assegure o justo equilíbrio
entre direitos e obrigações das partes.

Contrato de adesão: é o contrato no qual uma dos contratantes (aderente) se limita a


aceitar as cláusulas e condições previamente redigidas e impressas pelo outro
contratante, aderindo a uma situação contratual já definida em todos os seus termos.
Inexiste, neste caso, liberdade de convenção já que não há possibilidade de debates e
acordos sobre o conteúdo. A liberdade se restringe a aderir, ou não.
• Nos contratos de adesão, a interpretação sempre será favorável ao contratante que a
ele aderir, conforme disposto no artigo 423 do CCb: “Quando houver no contrato de
adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais
favorável ao aderente.”
• O Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90, prevê expressamente sobre o tema:
Código de Defesa do Consumidor, Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas
tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo
fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar
substancialmente seu conteúdo.
§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato.
§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde que a alternativa, cabendo
a escolha ao consumidor, ressalvando-se o disposto no § 2° do artigo anterior.
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§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres
ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a
facilitar sua compreensão pelo consumidor. (Redação dada pela nº 11.785, de 2008)
§ 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com
destaque, permitindo sua imediata e fácil compreensão.
§ 5° (Vetado)

5. CONTRATO DE LOCAÇÃO DE SERVIÇO

Contextualização do tema: contrato de prestação de serviço é gênero do qual são


espécies o contrato de trabalho propriamente dito, regulamentado pela CLT, desde que
exista continuidade, dependência econômica e subordinação, e a prestação civil de
serviço, também denominado de locação de serviço.
CCb, Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei
especial, reger-se-á pelas disposições deste Capítulo.
Conceito: é o contrato no qual “uma das partes (prestador) se obriga para com a outra
(tomador) a fornecer-lhe a prestação de uma atividade, mediante remuneração.”
(DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil: Teoria das obrigações contratuais e
extracontratuais. 24 ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 288.)
• Tecnicamente o tomador é o solicitante e o remunerador do serviço enquanto que o
prestador é seu executor, realizando o serviço e recebendo a remuneração
convencionada.
• Seus requisitos idênticos aos do negócio jurídico em geral, descritos no artigo 104 do
CCb.
• Seus elementos caracterizadores são os seguintes:
Bilateralidade: este contrato gera obrigações para ambas as partes, ou seja, gera para
o tomador o dever de remunerar e para o prestador a realização do serviço combinado.
Onerosidade: é um contrato que se caracteriza pela existência de contraprestação
recíproca, produzindo vantagens para ambos os contratantes.
Consensualidade: o contrato torna-se perfeito com o simples acordo de vontade,
independente da forma pela qual o contrato foi realizado (verbal ou escrito). É um
contrato não solene, com forma livre, de modo que sua existência pode ser provada
por qualquer meio admitido judicialmente.
• Relevância do estudo: a formalização de um contrato de prestação de serviço
promove:
a) Segurança recíproca, já que faz constar todos os direitos e deveres, tanto do tomador
quanto do prestador;
b) Clareza de conteúdo, permitida pela redação clara de todo o conteúdo do contrato;
c) Facilidade em uma eventual execução judicial por descumprimento do contrato.
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Objetos possíveis: é possível celebrar um contrato de prestação de serviço observando
o disposto no artigo 594 e seguintes do CCb:
CCb, Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser
contratada mediante retribuição.
Pode ele ser:
a) Trabalho físico
b) Trabalho intelectual
c) Trabalho genérico
d) Trabalho específico
Remuneração: a estipulação é livre entre os contratantes e, caso não tenha sido feita,
será observado o costume do local. O estabelecimento da forma de pagamento
também é livre.
CCb, Art. 596. Não se tendo estipulado, nem chegado a acordo as partes, fixar-se-á por
arbitramento a retribuição, segundo o costume do lugar, o tempo de serviço e sua qualidade.
Art. 597. A retribuição pagar-se-á depois de prestado o serviço, se, por convenção, ou
costume, não houver de ser adiantada, ou paga em prestações.
Tempo de duração: existe liberdade, mas que deve ser exercida dentro dos limites do
artigo 598 do CCb:
CCb, Art. 598. A prestação de serviço não se poderá convencionar por mais de quatro anos,
embora o contrato tenha por causa o pagamento de dívida de quem o presta, ou se destine à
execução de certa e determinada obra. Neste caso, decorridos quatro anos, dar-se-á por findo
o contrato, ainda que não concluída a obra.
• Se não houver tempo determinado, a rescisão observará o disposto no artigo 599 do
CCb:
CCb, Art. 599. Não havendo prazo estipulado, nem se podendo inferir da natureza do contrato,
ou do costume do lugar, qualquer das partes, a seu arbítrio, mediante prévio aviso, pode
resolver o contrato.
Parágrafo único. Dar-se-á o aviso:
I - com antecedência de oito dias, se o salário se houver fixado por tempo de um mês, ou mais;
II - com antecipação de quatro dias, se o salário se tiver ajustado por semana, ou quinzena;
III - de véspera, quando se tenha contratado por menos de sete dias.
Pessoalidade do contrato: Se o contrato for celebrado com caráter personalíssimo, não
poderá ocorrer substituição de partes, nos termos do artigo 605 do CCb:
CCb, Art. 605. Nem aquele a quem os serviços são prestados, poderá transferir a outrem o
direito aos serviços ajustados, nem o prestador de serviços, sem aprazimento da outra parte,
dar substituto que os preste.
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6. COMÉRCIO ELETRÔNICO

• Relação de consumo tradicional: regulamentada pelo Código de Defesa do


Consumidor, caracterizada pela existência de dois sujeitos, o consumidor e o
fornecedor, nos termos abaixo:
CDC, Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final.
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que
indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira,
bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem,
criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização
de produtos ou prestação de serviços.
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração,
inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista.

• Se a relação não é feita pelo destinatário final e sim por alguém que age como
intermediário, a relação é regulamentada pelo Direito Civil.
• Celebração de contratos tradicionais: hipótese já examinada anteriormente.
• Celebração de contratos em meio virtual: Fenômeno contemporâneo; adaptação
das normas jurídicas a uma nova realidade; comércio eletrônico.
• Comércio eletrônico: “É a relação de compra e venda de produtos ou prestação
de serviços, realizados em estabelecimento virtual.” (DELPUPO, Poliana Moreira. O
consumo na internet e a responsabilidade civil do provedor. In.: ROVER, Aires José.
Direito e informática. Barueri: Manole, 2004. p. 326.)
• Relação de consumo virtual: três sujeitos (consumidor, fornecedor e provedor).
Provedor: “é aquele que disponibiliza ao público em geral, usuário da Internet, através
de suas home pages, uma variedade de informações, bens e serviços, muitas vezes
em caráter gratuito, mas que geralmente exigem do interessado o pagamento de uma
taxa de subscrição ou uma compensação de natureza econômica.” (DELUPO. op. cit.,
p. 327) Tecnicamente, é o fornecedor de serviços via Internet e a ele aplicam-se as
normas consumeiristas.
Espécies jurídicas de provedor:
a) Provedor de acesso: é o fornecedor de serviços que “obriga-se a prestar serviços de
conexão e transmissão de informações, através dos quais disponibiliza ele acesso aos
sites e home pages e fornece atividades complementares, como a comunicação
interpessoal (correio eletrônico e chats), a transmissão de dados etc. (DELUPO, op.
cit., p. 328)
b) Provedor de conteúdo: é o fornecedor de serviços que “oferta e comercializa bens e
serviços, que são fornecidos na medida em que o usuário, aceitando a oferta de
contratação eletrônica, adere aos termos e condições de fornecimento contidos na
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oferta.” (DELUPO, op. cit., p. 328)
Questão: Qual é o papel e o grau de responsabilidade do provedor em uma relação de
consumo no âmbito do comércio virtual?

• Caminhos para a resposta:


a) Identificar se o provedor é de acesso ou de conteúdo;
b) Verificar como cada um deles atua em relação ao consumidor e ao fornecedor;
c) Analisar a existência e a possibilidade de utilização de “filtros” por parte do provedor;
d) Verificar a existência, ou não, de controle editorial.

• Controle editorial: existe quando o provedor exercita as funções de um editor


tradicional, caracterizadas pelo poder de decidir se publica, se mantém, de retira, se
retarda ou de modifica o conteúdo da notícia ou da informação.
• Verificada a responsabilidade, o provedor poderá responder nos termos do parágrafo
único do art. 7o do CDC.
CDC, Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou
convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de
regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela
reparação dos danos previstos nas normas de consumo.

• Outro aspecto relevante é identificar se a relação de consumo será tradada pelo


sistema jurídico nacional ou não. Isso depende do local onde foi celebrado o contrato,
nos termos legais abaixo expostos:
CCb, Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. (...)
LICCb, (DL 4.657/42) Art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país
em que se constituirem.
§ 1o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial,
será esta observada, admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos
extrínsecos do ato.
§ 2o A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o
proponente.