Você está na página 1de 111
mp ae: {,BOPEAOUE! D919 OWOD ® D}stUDWINY DOYoUd ‘0W0? OWSPUDW © D>!pUIAlas af9 :so>IWIQUODE 9p Dyuorsep 4>0Kq, waLSNOW ONAV maisuos vidom a sixpad vp vYfosopt.] HOOTE LSNYA sixpad vp vif HO 0 14 ISN MBASNOW. ONmYy 2 oH mom > srned vp rons >OTm 2eem ‘ARNO MONSTER toma posigio num terreno ontolégico, salientando que “o humor exaltante s6 € possivel numa remissio ekstdticotemporal da presen- ga 40 fundamento langado de si mesmo”.!° Ligando a dimensio da esperanga 20s conccitos de anecipagdo, de Tialista da economia politica, mas sim sobre uma critica dialética das rebgdes entre a bnse ¢ a superestrutura,¢ principalmente sobre um, cconceito de agio que, reivindicando amplamente as conelusses da L1® Tese de Marx sobre Feuerbach sobre a necessidade de “no mais interpretar © mundo filosoficamente, mas de transformélo”" é redefinido no quadro de uma teoria da consciéncia pues caja radical mente oposto ao de “utopia abstrata”. Porém este esforco cxtico, implica para Bloch um estudo rigoroso e sistematico de todos 05 modelos utbpicos,* elaborados no pensamento do Ocidente ~ da Repablica de Platio até os Phalanstées de Charles Fourier ¢ as utopias do Brave New World de Huxley. Bloch transcende igual- mente a critica marxiana relativa as utopias, porque nao é exclusi- vamente negativa, Sua critica no é exclusivamente uma critica ‘materalista destes fendmenos especifics da superestrutura que S10, ‘a utopias, os sonhos cas projecBes imaginarias, que Marx rechaga no Manifesto Comunista como “sublimacao” perigosa da aspiragio para uma mudanga social. Bloch sublinha o carter postivo estes produtos da imaginagio social, sua forca crindora ¢ ‘subversiva”, porém, num sentido construtiv, anunciador eantecipador de uma vvontade futura mais firme e clara da emancipagto, da reconstrugio Ra. ens ne en, Ps, 289 Le sheds ono Ano foam = p. 16021628. 16. CE Md Das rip Hoffneng, v1 (Gunde einer beeen Wei), Subkamp, Frankf, 1959, (Esbogs de um mundo melhor. [ERNST BLOCH - FLOSOFIA DA PRAXIS EUTOMACONCRETA 25 da sociedade segundo as ideias de igualdade, de dignidade humana, de fraternidade e de liberdade. Em sua conferéncia feita em Tabingen no ano 1967, em _presenca de centenas de estudantes, reunidos para inieiarse ao Pensamento do autor d’O Principio Esperanga, E. Bloch tentou _ definir em termos simples o lugar e 0 topos das utopias ¢ 0 significado geral da categoria “utopia”. Nesta definigio ele ressal- fou em primeiro lugar, adiferenga fundamental entre sta propria definigio de utopia e a definigao dada pelos filosofos da Antigai- dade, por exemplo, por Platio, para quem a utopia é, em primeiro lugar, © topos ouranos, quer dizer, uma categoria do espago indican- do “o lugar celeste onde moram as idéias”. Para Bloch a utopia ‘nfo constitui um topos idealizado ou projetado, como era para Platio © para os filésofos do Renascimento (Thomas Morus, Campanella, Bacon); utopia é em primeiro lugar, um topos da atividade humana orientada para um futuro, um topes da conseigie cia antecipadora ea forga ativa dos sonhos diurnos. © que caracteriza, segundo Bloch, o sono diueno (Tagtraum) essa qualidade que exprime, como o sonho noturno, construcdes imagindrias, relacionadas com o cumprimento de um desejo, mas mantendo simultaneamente 0 eu. Este “eu” afirma-se e manifesta- se também nos sonhos diurnos, sem exercer a menor censuira; dei livre curso a imaginagio. O sonho diurno ignora a interrup- ho do sonho. Os sonhos diurnos sio privados de todo envolvi- mento mitoldgico e simbslico, de todas imagens estranhas problemiticas que sio © objeto da interrupszo psicanalitica dos sonhos. Outra diferenga importante: os sonhos diurnos so sem- pre oientados para o futuro, a0 passo que os sonhos noturnos tém uma relagio privilegiada com o passado, tendo a fungto de liberaras imagens de desejo comprimidas no subconsciente.? TF GE Ds Pn eg pts ‘Dsenene Rs Cp 1s “Gnade Unerseding erTeone on dn Node Dies fue do ton mn donor nao ce 6618 sono diueno seri definido ‘como tim topos interior, como nascimento do desejo e da imaginagio, como “guia” do desejo” (Wunschbilder) de algo que “aindanioe’ ichtSein). E essas imagens de desejo tém a qualidade de antecipar um futuro onde predomina absolutamente, segundo Bloch, a utopia. Quanto a nog do “futuro”, Bloch faz a distinso entre: 1) 0 futuro inauténtico e 2) 0 futuro auténtico. O “futuro inauténtico” referese a uma esperanga com contetido trivial ow banal (¢ a esperanca do chegara aquilo que deve chegar tico”, porém, do qual fala Bloch, € caracterizado pela presenga de nento “excedente” (ein Exzedierendes), permitindo a trans: dde nossa imaginagfo utépica numa realidade humana ‘de amanha”. Todavia, nfo se pode falar, segundo Paul Sartre, Este “ainda-nio” deveria ser definido como uma taglo ontologica concretizada pela dialetica da existencia simul- , fragmentos dele. A interagio ou futuro auténtico e © topos do a sempre na forma da “andmnesis" platonica, Bide toco eaber nfo t, como dz Piso no Ménon, senda ememo” € a de saber por que este “topos utépico”” € possivel. Bloch responde, Kat Mae andi Men (Vor, Fake Sabla, 968, vyosdo"aindano” nascem a0 redor, numa zona de possibilidades ainda no determinadas. rio, todavia, constatar que Bloch define a categoria -omo uma “determinagao parcial”, o que implica igdesobjetivas do nascimento do desdobra- mento idades no estiverem reunidas, nao preexisti- vgn, pao poder manifestarse. Assim, o campo das virwalidades pode ser limitado. Pode até mesmo ser Bes historicas, por exemplo na hipotese (© problema das rlagdes da fungio antecipadora no horizonts de realzagio. ¢ a concretizacio das possbilidades ¢ poténcias fmanentes ao ser provoca inevitavelmente trés interrogagoes: Jo Ud op dt v. 1 Fra, Suhrtamp, 1959, p. 118.655 | j | [ERNST BLOCH -FILOSOMIA DA PRAKISE UTOPIACONCRETA 29 1.*Como 0 ser subjetivo do homem modemo, prisioneiro da ificagio universal da consciéncia ¢ prisioneiro também de um sistema de consumo ¢ da burocracia (Castoriadis fala justamente —de-umasocité bureaucratique & consommation dirigé) pode ser capaz de apoderarse destas potencialidades utopicas? 2. Como o horizonte da realizagio do possivel pode abrirse conseiéncia? 3, Como essas imagens utdpicas, que exprimem a possibilida de de um futuro sem constrangimento e alienagio, poderio ser percebidas? ‘Niko ha a menor divida de que para Bloch o lugar privilegiado, ‘da manifestagio desta préaparigio utopica ¢ da realizagio 7’. Principio Esperanga &a consciéncia antecipadora. Segundo a descri- | gio que Bloch tece do contetido e da estrutura da consciéncia Antecipadora, cla se manifesta, em primeiro lugar, no sonho semisonho. Para passar i sirea do devir ativo € preciso que o véu queo cobre seja rasgado. Mas isso, sublinha Bloch, s6 seri possivel 21, Chl, op it, 1 Frank, Suhshamp, 1959, p. 118 ¢35