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Conjuntura Política

Após longo período de ditadura, onde as leis eram utilizadas como imposição para
dominar e a violência era o principal mecanismo de controle para governar, o Brasil volta a
ser uma democracia. Novamente temos um presidente, temos os três poderes: legislativo,
judiciário e executivo. Cada um atuando em sua esfera de ação, todos subordinados as leis e
a Constituição Federal (CF). Os direitos estão novamente garantidos, mas infelizmente isso
não durou muito. Ainda somos uma democracia no papel, mas ainda somos uma na prática?
O termo democracia vem do latim e deveria significar que o poder está nas mãos do
povo, mas recentemente Rodrigo Maia, atual presidente da câmara dos deputados, disse que
eles não estavam ali para tomar decisões pelo povo. O presidente anterior da câmara, Cunha,
foi preso por corrupção, sendo que ele não é o único exemplo, muitos outros políticos se
aproveitam de seus cargos para enriquecer ilicitamente através de “favores”.
Além dos favores, que favorecem uma minoria em detrimento do bem público. A lei
que deveria ver a todos como iguais, não funciona de tal forma. Um negro da periferia, se
apreendido com algumas gramas de alguma droga, mesmo se apenas está sendo usado pelo
traficante, vai ser preso, além de ser um prato cheio para mídia. Por outro lado, um
helicóptero cheio de drogas que foi apreendido, não traz muita consequência, pois pertencia
a um deputado, logo não há prisões e nem muita repercussão por parte da mídia.
Como vimos, mesmo sendo uma democracia, segundo alguns, o poder não pertence
ao povo. Os interesses particulares estão acima dos interesses públicos. Os casos de corrupção
estão cada vez mais evidentes. A lei funciona de forma diferente a depender de quem seja
julgado, tornando irônico o conceito da justiça ser cega. Mas o maior golpe contra a
democracia foi um golpe de estado disfarçado de impeachment, onde podemos dizer que a
CF foi simplesmente rasgada, onde a presidente deposta praticou menos crime que seu vice,
que por sinal nem ao menos foi julgado, mesmo sendo denunciado duas vezes com provas.
Por fim, o golpe disfarçado de impeachment, está servindo para que o poder seja cada
vez menos do povo, resguardada toda a ironia de estarmos em uma democracia. Gastos
públicos foram congelados, mas o autointitulado presidente gasta o dinheiro público para
comprar votos e não ser julgado. Enquanto não há uma reforma política, reformas são feitas
diminuindo o poder do empregado frente ao empregador e ainda se busca reformar a
previdência. Ao invés de se investir para uma melhor gerência das estatais, elas são
sucateadas para justificar uma privatização.