Você está na página 1de 11

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

DISCIPLINA: PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA


APRENDIZAGEM
TEORIA INTERACIONISTA
JEAN PIAGET

HISTÓRICO

• A teoria de Jean Piaget em 1896-1980 é o mais conhecido dos teóricos que defende a
visão interacionista de desenvolvimento.
• A partir da década de 70, Piaget começou a ser conhecido.
• Formado em Biologia e Filosofia, dedicou-se a investigar cientificamente como se
forma o conhecimento. Ele considerou que se estudasse com cuidado e profundamente
a maneira pela qual as crianças constroem as noções fundamentais de conhecimento
lógico.
• Inicialmente, Piaget trabalhou com dois psicólogos franceses, Binet e Simon, que, por
volta de 1905, tentavam elaborar um instrumento para medir a inteligência das crianças
que frequentavam as escolas francesas.
• Tal instrumento – o teste de inteligência Binet-Simon – foi o primeiro teste destinado
a formar a idade mental de um indivíduo e é até hoje utilizado, depois de ter sofrido
sucessivas adaptações.
• Ao analisar as respostas das crianças do teste, Piaget começou a se interessar pelas
respostas erradas das crianças, salientando que estas só “erravam” por que as respostas
eram analisadas a partir do ponto de vista do adulto. Na verdade as respostas infantis
seguiam uma lógica própria.
• Piaget concebeu, então, que a criança possui uma lógica de funcionamento mental que
difere – qualitativamente – da lógica do funcionamento mental do adulto.
• Propôs-se consequentemente a investigar como, atrás de quais mecanismos, a lógica
infantil se transforma em lógica adulta.
• Nessa investigação, Piaget partiu de uma concepção de desenvolvimento envolvendo
um processo contínuo de trocas entre o organismo vivo e o meio ambiente.
• A sua preocupação central foi o “sujeito epistémico”, que é o estudo dos processos de
pensamento, ou seja, o desenvolvimento intelectual deste a infância inicial até a idade
adulta.
• Piaget apresentou uma visão interacionista. Mostrou que a criança e o homem é um
processo ativo de contínua interação, procurando entender quais os mecanismos
mentais que o sujeito usa nas diferentes etapas da vida para poder entender o
mundo.

• A adaptação à realidade externa depende basicamente do conhecimento.


Piaget estudou diversos tipos de desenvolvimento do conhecimento

Lógica
Espaço Tempo Causalidade Moralidade Brinquedo Linguagem Matemática
como também
diversos processos psicológicos

Pensamento Percepção Imaginação Memória Imitação Ação

• Piaget também se preocupou elaborar uma posição filosófica, a epistemologia


genética.
• Estudando cientificamente quais os processos que o indivíduo usa para conhecer a
realidade.
• Elaborou uma teoria do conhecimento que possa explicar como o organismo conhece
o mundo.
• Esta colocação reflete sua formação inicial em Biologia, pois considera que só o
conhecimento possibilita ao homem um estado de equilíbrio interno que o capacita a
adaptar-se ao meio ambiente.
• Para ele, existe uma realidade externa ao sujeito do conhecimento, e é a presença
desta realidade que regula e corrige o desenvolvimento do conhecimento adaptativo.
• A função do desenvolvimento não consiste em produzir cópias internalizadas da
realidade externa, mas sim, em produzir estruturas lógicas que permitam ao indivíduo
atuar sobre o mundo de forma cada vez mais flexível e complexa.
• A gênese do conhecimento é saber os processos mentais envolvidos numa dada
situação de resolução de problemas e quais os processos que ocorrem na criança para
possibilitar aquele tipo de atuação.
• A epistemologia genética mostra como o conhecimento se desenvolve deste as
rudimentares estruturas mentais do recém-nascido até o pensamento lógico formal do
adolescente, ou seja, estas estruturas iniciais se transformam, dando lugar a outras cada
vez mais complexas.
• A criança na tentativa incessante de descobrir, entender, compreender seus eventos o
sentido do mundo ao seu redor através lidando ativamente com objetos e pessoas, agora
tenta sistematizar suas idéias num todo coerente.
• Depois de 1923, quando Piaget estudou bebês e crianças em idade escolar, percebeu a
necessidade de fazer uma distinção entre a lógica das ações (a lógica expressa no
comportamento emitido) e a lógica aplicada à afirmação verbal, com isto lhe ajudou
observar o funcionamento cognitivo desse sujeito.

ABORDÁGEM TEÓRICO

CONHECIMENTO

• A inteligência deve ser entendida como função, enquanto estrutura.

FUNÇÃO

• A inteligência é uma adaptação.


• Os processos da inteligência têm a finalidade do sujeito sobreviver, adaptar-se ao
meio, modificar o meio para adaptar-se melhor a ele.

ESTRUTURA

• A inteligência é uma organização. Ou seja, a inteligência é uma organização de


processos que permitem, se a organização for complexa, um nível de conhecimento
mais complexa superior, e se for, evidentemente, um nível de organização menos
complexa, um nível de conhecimento inferior.
• O crescimento da inteligência não se dá tanto pelo acúmulo de informações, mas,
sobretudo, por uma reorganização desta inteligência. Ou seja, crescer é reorganizar a
própria inteligência para ter mais possibilidade de assimilação.

PROCESSO DA ORGANIZAÇÃO COGNITIVO

ASSIMILAÇÃO

• Piaget retira o conceito de assimilação da Biologia e, em sua Psicologia, assimilação


significa que quando uma pessoa vai entrar em contato com o meio, com o objeto de
conhecimento, ela retira desse objeto algumas informações e essas informações,
retiradas, e são essas e não outras, porque existe uma organização mental.
• A assimilação significa interpretação. Ou seja, ver o mundo não é simplesmente
olhar o mundo, mas, interpretá-lo, tornar seus alguns elementos do mundo.
• Portanto, isso implica em, necessariamente, assimilar algumas informações e deixar
outras de lado.

ACOMODAÇÃO
• Significa que as estruturas mentais – entenda-se por estrutura mental a organização
que a pessoa tem para conhecer o mundo – é capaz de se modificar para dar conta
das singularidades do objeto.
• Portanto, se juntarmos agora a assimilação à acomodação, vamos ter que conhecer
o objeto é assimilá-lo, mas como esse objeto oferece certas resistências ao
conhecimento, a organização mental se modifica e a essa modificação dá-se o nome
de acomodação.
• Por isto que o processo de inteligência é sempre um processo de assimilação e
acomodação.

EQUILIBRAÇÃO

• Equilibração vem, como seu nome indica de equilíbrio, ou seja: o sujeito que entra
em contato com um objeto novo, pode ficar em conflito com esse objeto,
desequilibrado.
• Na verdade equilibração serve aqui de metáfora. Quer dizer, o objeto não se deixa
conhecer facilmente, tem algumas coisas de singulares, então o sujeito fica em
conflito, desequilibrado.
• Para conhecer este objeto, ele tem que se acomodar, modificar-se para dar conta
desse objeto.
• E esse processo, digamos, é a busca do equilíbrio.
• Então, o equilíbrio é a estabilidade da organização mental, que dá conta do
conhecimento.
• Daí, inclusive, o fato de o conceito de equilibração ser central, se dá pelo fato do
crescimento da inteligência se dá por desequilíbrio, equilibração, desequilíbrio,
equilibração. É um processo dinâmico.
• Por isso Piaget gosta da palavra equilibração e não equilíbrio. Equilíbrio daria a
impressão de algo estável e equilibração sugere algo móvel e dinâmico.

Obs.: A organização da inteligência ocorre em todos os estágios do desenvolvimento


cognitivo, ou seja, por toda vida.

ABSTRAÇÃO EMPÍRICA E REFLEXIVA

ABSTRAÇÃO EMPÍRICA

• São as informações que eu retiro do meu objeto do conhecimento.


• Por exemplo: olho um quadro e abstraio desse quadro, ou desse pêndulo, dessa
câmera, abstraio algumas informações. É uma abstração empírica, porque estou tirando
abstrações do objeto do conhecimento.
• Porém, nesse processo de retirar abstrações do objeto do conhecimento, também
posso pensar minha maneira de me relacionar com esse objeto de conhecimento.
ABSTRAÇÃO REFELEXIVA
• São as informações que retiro, não do objeto, mas de minha ação sobre o objeto.
• Por exemplo: se pego um livro e o comparo com outro mais pesado ou menos pesado,
tenho uma abstração empírica que é o peso dos livros. Mas tenho uma abstração
reflexiva que é estar comparando. Pensar sobre o meu agir.
• Para Piaget, a construção do conhecimento se dá por abstração empírica e também
por abstração reflexiva. O desenvolvimento da inteligência se dá a partir do processo
de a criança pensar sobre o mundo (abstração empírica) e pensar sobre sua ação
sobre o mundo (abstração reflexiva).

ESTÁGIOS

• O desenvolvimento da inteligência não é um desenvolvimento linear, ou seja, por


acúmulo de informação, mas é um desenvolvimento que se dá por saltos, por
rupturas.
• Os estágios representam, exatamente, uma lógica da inteligência que será superada
radicalmente por um estágio superior, apresentando uma outra lógica do
conhecimento.
• Então, os estágios significam que, por um lado, a inteligência dá saltos. Ou seja, a
inteligência muda de qualidade, cada estágio representa uma qualidade dessa
inteligência.
• Os estágios significam também que os estágios dessa inteligência necessariamente
passam por estes estágios e nenhum deles pode ser pulado.

• Os estágios são:

 SENSÓRIO-MOTOR (0 - 24 meses)
 PRÉ-OPERATÓRIO (2 - 7 anos)
 ESTÁGIO OPERATÓRIO (7 anos em diante)

- OPERATÓRIO CONCRETO (7 – 11, 12 anos)


- OPERATÓRIO FORMAL (12 anos em diante)

 SENSÓRIO-MOTOR (0-24 meses)

- A criança não tem nenhuma diferenciação entre o “eu” e o mundo exterior.


- A consciência começa por um egocentrismo inconsciente e integral.
- É a fase da diferenciação entre os objetos externos e o próprio corpo.
- Nela irá ocorrer a organização psicológica básica em todos os aspectos (perceptivo,
motor, intelecto, afetivo, social).
- Progressivamente ocorre o desenvolvimento da concepção de um mundo estável, a
construção de um espaço prático, a causalidade e a objetivação das séries temporais.
- A inteligência é anterior à fala. Quando a criança começa falar, por volta dos dois anos
de idade, ela só tem sobre o que falar, sobre o mundo, porque ela construiu este mundo
antes.
- Existe uma inteligência pré-verbal. Uma inteligência sem representação, sem
linguagem, comunicação verbal com o outro.
- Também é chamado de inteligência prática. Porque é uma fase no desenvolvimento da
inteligência em que a criança não emprega a linguagem, mas apenas as ações e
percepções. Ações, vem daí a palavra motor; e percepções, daí a palavra sensório:
sensório-motor. Então, é uma inteligência prática, uma inteligência em ação, ou seja,
ainda não-verbal, ainda não representativa.
- Esses dois primeiros anos de vida são absolutamente essenciais porque a criança
percorre uma velocidade de evolução absolutamente inimaginável.

• Conceito de objeto
- Quando a criança nasce ela não tem clareza de que no universo no qual ela se
encontra há objetos e que ela, inclusive, é um objeto entre esses objetos. Por isso,
ela precisa construir a noção de objeto.
- Nesta construção existe uma fase essencial que se chama objeto permanente.
- Objeto permanente é aquele que, embora eu não veja, sei que ele ainda existe.
Ou seja, atribuição de existência do objeto, apesar de estar fora do meu campo
perceptivo. Isso a criai constrói por volta dos nove meses de idade.
- Num primeiro momento, é como se a criança acreditasse que só existem as coisas
que ela vê, que ela é o centro do universo, de certa forma, e que o mundo existe
em função de sua percepção e ela vai, pouco-a-pouco, entendendo que o
universo tem uma objetividade própria, e que independe da sua percepção. Daí
a compreensão de que, embora esse objeto não seja visto, ainda existe e, portanto,
posso procurá-lo.

• Conceito de causalidade
- Entender que os objetos do mundo e a criança como um objeto desse mundo,
que esses objetos interagem entre si e causam efeitos entre si.
- A tendência da criança até um ano, um ano e pouco, é a tendência que se chama de
mágica. Ou seja, a tendência a pensar que o objeto se move dependendo de suas
próprias ações – da criança – ou dos seus desejos.
- Então, a criança imagina, num primeiro momento, que ela tem as rédeas do
mundo e, pouco-a-pouco, ela vai entendendo que não, que existem leis de
causalidade.
- O universo tem leis, o universo tem algumas regras que são seguidas e estas se
aplicam à própria criança.
- A construção da idéia de causalidade, a construção de um objeto, também do tempo
e do espaço, que se dá nestes dois anos de vida, faz com que a cr iança consiga,
num primeiro momento, ter uma objetividade do universo. Essa objetividade
depois será reconstruída no nível da linguagem. Mas o período sensório-motor é
essencialmente construção do universo, construção do real, lidando com este real
apenas através das percepções e das ações.

• Conceito de Meios e Fins


- Por volta dos nove meses, aliás, na mesma época da construção do objeto
permanente, é a diferenciação entre meios e fins, ou seja, por exemplo: retirar a
almofada é o meio, cujo fim é pegar a bola. O que falta, então, à criança de cinco
ou seis meses? Não é saber pegar a almofada, isso ela já sabe; não é saber
pegar a bola, isso ela também já sabe; mas é saber hierarquizar estas duas
condutas, associá-las. Não é a habilidade que faltava, mas a compreensão para servir
de meio para outra que é fim. A conquista da criança, quando ela vai descobrir a
possibilidade de meios e fins, vai ser uma nova organização da inteligência.
- Ligado a espaço, a configuração espacial, perceber que um determinado objeto
tem três dimensões. E por volta de um ano de idade, ou seja, com um gesto ela
consegue situar o objeto dentro do espaço, ver que, dependendo da posição o que
está na frente pode estar atrás e vice-versa.
- A ideia da mágica. Às vezes a criança pequena com três, quatro meses, ela
tende a achar que suas ações que promovem, e causam as transformações do
universo. Aos poucos ela irá entender que não, que esse universo é regido por
leis objetivas e ela vai situar-se, objetivamente, naquilo que ela realmente causa
e aquilo que ela não causa e, até, é causada.
 PRÉ-OPERACIONAL (2-7 anos)

- Tanto a linguagem como o relacionamento com o outro, o egocentrismo ainda está


presente neste período e se caracteriza por um brinquedo paralelo, um fazer coisas
juntos, mas sem uma interação afetiva.
- A criança tem dificuldade de considerar o outro como uma pessoa, com sentimentos,
atitudes e vontades diferentes das suas próprias.
- Devido à ausência de esquemas conceituais e de lógica, o pensamento será
caracterizado por uma tendência lúdica, por uma mistura de realidade com fantasia, o
que determinará uma percepção muito distorcida da realidade.
- A mudança de estágio significa que a qualidade da inteligência se modifica.
Também poderíamos chamar de estágio da representação.

• Conceito é o de representação
- Representação é a capacidade de pensar um objeto, através de outro objeto, ou
seja, apresento de novo um determinado objeto através de um seu substituto.
- Por volta de um ano e meio, dois anos, justamente na passagem do sensório-
motor, para o próximo estágio, pré-operatório, a criança se reconhece no espelho.
Reconhecer-se no espelho implica em pensar que esta imagem que vejo sou eu e não
sou eu, ao mesmo tempo. Sou eu, porque me representa, mas não sou eu, porque
estou aqui e não ali. Então, na verdade, estou duplificado, ou seja, estou aqui e
estou em imagem.
- A representação é conseguir pensar o mundo através de imagens deste mundo.
- A criança, por volta de dois anos, entra neste mundo da representação, cujos
comportamentos são os desenhos, o brincar de fazer de conta, o reconhecimento
no espelho, a imitação.
- A prova mais elaborada disso é a capacidade de empregar a linguagem.
- Realmente muda a qualidade de inteligência. A inteligência que antes era
limitada às ações agora vai, ainda em ação, mas agora uma inteligência de
representação.
- O pré-operatório, significa que a criança trabalha com representações, mas terá
todo um trabalho de assimilação, acomodação, equilibração e organizar essas
representações num todo coerente.
- No período operatório, que começa por volta de seis, sete anos de idade, as operações
significam a capacidade de organizar esse mundo das representações de uma
maneira coerente e estável.
- Em termos de pontos essenciais, faríamos a eleição dos seguintes temas:

1.Introdução à linguagem
-A criança entra no mundo da linguagem e concebe uma competência
discursiva bastante grande durante toda essa fase.
-A linguagem é um dos pontos mais importantes, porque permite uma socialização
da inteligência.
- Piaget atribui à socialização muito pouca eficiência no período sensório-motor,
mas agora na introdução à linguagem há uma socialização das inteligências, porque a
linguagem permite a comunicação;

2.Introdução à moralidade
- A entrada da criança no mundo da moralidade.
- É nesta fase que a criança entra no mundo dos valores, das regras, das virtudes,
do certo, do errado.
- E isso é um ponto evidentemente importante, porque não se pode falar em
moral de uma criança de zero a dois anos, até três, mas, por volta dos quatro
anos a criança penetra no mundo da moralidade e isso é uma decorrência
extremamente rica e séria desta fase.

3. Egocentrismo
- O conceito de egocentrismo não significa que a criança está como se fosse
altista, totalmente centrada nela, mas significa que a criança tem dificuldade de
perceber o ponto de vista do outro.
Ela vê o ponto de vista do outro centrado em seu ponto de vista, daí a palavra
ego+centrismo.
- São dificuldades de sair do próprio ponto de vista e colocar-se num outro
ponto de vista, no ponto de vista de uma outra pessoa. Isto será um ganho do
período operatório concreto.

 OPERATÓRIO (7 a 11, 12 em diante anos)


- O conceito de operação tecnicamente é uma ação interiorizada reversível.
Ação significa manipular o mundo, trabalhar e agir sobre o mundo. A ação
existe desde o nascimento. Mas é ação interiorizada. Portanto é ação através da
representação. O que significa? Agora vou mexer no mundo, mas através da
representação deste mundo. Uma coisa é pegar a câmera e colocar em outro
lugar, isto é ação. Ação interiorizada será imaginar colocar esta câmera em outro
lugar, mas não colocar. É estar imaginando isto através das imagens que tenho da
câmera.
- No sensório motor a criança tem ação, no pré-operatório a criança tem ação
interiorizada e no operatório ela tem ação interiorizada reversível.
- Reversível significa a possibilidade, em imaginação, na cabeça, de forma
interiorizada, pensar a ação e sua anulação. Reversível significa: posso pensar o
que fiz e voltar exatamente ao ponto de partida, sem cometer contradições.
- Exemplos: Pergunta-se a uma criança de cinco anos de idade: de São Paulo
até Campinas tem quantos quilômetros? E agora vamos pensar sobre a
reversibilidade e de Campinas até São Paulo quantos quilômetros? A criança
responde: não sei. Ou a questão da parte do todo. Uma criança pena poderá
entender que ela mora num bairro, digamos Butantã; ela sabe que mora em São
Paulo, mas terá muita dificuldade em entender que Butantã é dentro de São Paulo.
Quando ela está pensando em Butantã é Butantã, quando está pensando em São Paulo é
São Paulo. Quando perguntamos a criança: tem mais rosas ou margaridas?
Digamos que tenham essas flores na frente dela e que tenha mais rosas. Ela irá dizer,
arque a percepção basta para isso, ela verá que têm mais rosas que margaridas. Mas aí
você z a seguinte pergunta para ela: o que tem mais, flores, margaridas e rosas, ou
rosas? Você está pedindo a ela para comparar o todo, que é juntar margaridas e
rosas, com a parte, que é separar margaridas e rosas e ficar apenas com as rosas.
A criança não sabe responder, ou então responde, frequentemente, tem mais rosas.
- O pré-operatório é, sintetizando, ação interiorizada, mas ainda não reversiva.
Entenda-se não reversível como sem a organização lógica dessas representações.
- O período operatório será a conquista dessa organização lógica do pensamento
que permite chegar à verdade sem contradições.
- Um aspecto importante da passagem do pré-operatório para o operatório é o
sentimento de necessidade.
- Uma das dicas do pensamento operatório para o pré-operatório é que no
pré-operatório as coisas são prováveis e no operatório elas serão necessárias.
Necessárias, evidentemente, se deduzidas a partir de um raciocínio.
- Você pode até "enrolar" uma criança sobre coisas lógicas quando ela tem
cinco ou seis anos, mas não mais quando ela tem sete ou oito anos.

 ESTÁGIO OPERATÓRIO CONCRETO E FORMAL


- A criança, com seus seis, sete anos de idade, a criança entra no estágio
operatório. Já consegue organizar seu pensamento através da lógica. Portanto
não está acabado ainda por volta dos sete, oito anos de idade. A diferença entre
operatório concreto e operatório formal. Os dois são operatórios, e têm ação
interiorizada reversiva.
 OPERATÓRIO CONCRETO (7 - 11, 12 anos)
- Relaciona-se ao fato de que tanto os esquemas conceituais como as operações mentais
realizadas se referem a objetos ou situações que existem concretamente na realidade.
- A criança faz uso dessa capacidade operatória, apenas em cima de objetos que
ela possa manipular e de situações que ela vivenciar ou lembrar a vivência.
- Exemplo no colégio: Os problemas de Matemática que são colocados às crianças de
primeira à quarta série costumam ser complexos, mas sempre concretos. É a
criança que compra a banana, num preço x, num preço y. Ou seja, é a Matemática
aplicada em cima de objetos.
- Ocorre um acumulo declínio do egocentrismo, em que a criança agora tem a
capacidade para perceber as outras pessoas com pensamentos, sentimentos e
necessidades diferentes dos seus, como também demonstra atitude crítica, não mais
fantasiosa, pois sente a necessidade de explicar logicamente suas idéias e ações.

 OPERATÓRIO FORMAL (12 anos em diante)


- Ela trabalhará com hipóteses. Ou seja, ela agora será capaz de aplicar sua
lógica com objetos, textos, que puramente hipotéticos, por exemplo, um
foguete na Lua, ou em Marte, e também totalmente estranhos à sua vivência.
- É conseguir pensar de maneira lógica, reversível, operatória, em cima de puras
proposições, puras frases, puras hipóteses. Na verdade, a diferença é um grau de
abstração.
- Exemplo no colégio: Mas é preciso esperar a quinta séria, por volta de onze,
doze anos, para que no c se introduza a Álgebra, a idéia de variável. O que é
variável? Variável é pura forma, o x, o y, isto é típico do operatório formal.
- Portanto, uma criança por volta de doze, treze anos, constrói este pensamento
operatório formal que é o dos adultos. Claro, mais elaborado, com mais
conteúdo. Quer dizer que a criança de doze, treze anos é capaz de pensar, sem
cometer contradições, através de por hipóteses, e nós também.
- O adolescente agora tem a capacidade de esquemas conceituais lógicos e abstratos,
como por exemplo: o que é a fantasia, amor, justiça, criticar, o sistema social, discutir
valores morais, entender filosofia e teorias.

BIBLIOGRAFIA

RAPPAPORT, Clara Regina; FIORI, Wagner da Rocha; DAVIS, Cláudia –


Teoria: Psicologia do Desenvolvimento – S.P. - Vol.I – Ed. E.P.U. - 1981.
Filme (Vídeo DVD): TAILLE, Yves de La (São Paulo - USP) – Coleção Grandes
Educadores – Mídia e Educação: Atta - Ed. Edic, Minas Gerais – Belo Horizonte –
2006.