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ENTIDADES

DE
UMBANDA
Aula 01
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SUMÁRIO
A religião Umbanda 08
Gênese divina de
Umbanda Sagrada 39
Uma cosmogênese
Umbandista 86
Os Tronos de Deus 98
7 mistérios 107
Estudo histórico das Sete
Linhas de Umbanda 125
Pioneiros na Umbanda:
uma rota literária 173
Frei Malagrida Jesuíta 206
Em defesa do estudo e
do conhecimento da
religião de Umbanda 222

Quando você responde


Sim, Sou Umbandista! 236

Uma carta de Bezerra de


Menezes 233

O que a Umbanda tem a


oferecer? 244

Umbanda e os quatro
caminhos de Deus 256

Eu Sou Umbandista 268

Do que a Umbanda
precisa? 280
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
04

Saudações!
Desde que cheguei na Umbanda sempre
me coloquei com olhos desconfiados para
tudo. Talvez por isso que meu contato não
foi “amor a primeira gira”, também não fui
pela dor e sim por curiosidade. Após alguns
acontecimentos é que meus olhos descon-
fiados tornaram-se olhos de encantamen-
to e amor. Porém não posso dizer que em
algum momento tive uma fé cega, isso não
pertence a minha natureza. No entanto per-
cebemos não só na Umbanda, mas na hu-
manidade que de forma geral quer ter uma
fé cega em algo e o pior, não querem se es-
forçar para alcançar o que almejam.
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05

Posso dizer que minha busca ao conheci-


mento dos conceitos e sistemas dentro do
ritual de Umbanda foi e é por muitos visto
como “heresia” ou arrogância, enfim, buscar
o saber parece não ser bom negócio. Sou
sincero em dizer que esta posição parte da-
queles que ou pretendem criar cordeirinhos
robotizados para manipular a seu bel pra-
zer ou tem medo de descobrir que por muito
tempo foi enganado ou enganou-se.

Ufa! Desabafo à parte aluno, seja bem vindo


ao curso Entidade de Umbanda, originalmen-
te entitulado Arquétipos na Umbanda. Este
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surgiu através das entidades que dirigem o


Templo Escola Umbanda Sagrada do qual
sou Dirigente. A necessidade de entender
como se forma, em que se baseia e quais as
atribuição de tantas linhas de trabalho den-
tro de um terreiro é que fez a espiritualidade
organizar este curso.

Teórico e prático, neste momento estou en-


cantado por ele. Pois, sobretudo os textos
que compõem esta apostila foram ditados
pelos mentores que regeram cada aula so-
bre determinada linha. O maior encanta-
mento aparece quando percebemos a sa-
piência da espiritualidade em organizar um
sistema espiritual, religioso, que é brasileiro e
não deixou escapar a formatação baseada
no povo brasileiro. Por isso o nome original
“Arquétipos na Umbanda”.
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ARQUÉTIPO: 1. Modelo de seres criados; 2.


protótipo; 3. símbolo que se repete com fre-
quência.

Na estrutura das linhas de trabalho na Um-


banda entendemos o Arquétipo das linhas
perguntando: em que se baseia? E logo vem
a resposta de forma clara e prática. Estu-
dar, entender e praticar é o que aconselho
à todos que almejam ser mais que um ins-
trumento quando o assunto é mediunidade.
Seja você um parceiro da espiritualidade,
consciente e ativo no entrosamento com os
mentores senão já viu, o carro pode atrope-
lar.
Felicidades!

SARAVÁ UMBANDA!
Rodrigo Queiroz
A RELIGIÃO
UMBANDA
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A
Umbanda uma religião brasileira,
tem na sua origem conceitos ques-
tionáveis e vem sendo tema de es-
tudos e profundos debates.
Estes conceitos variam de uma suposta ori-
gem na antiga Atlântida vindo de desenvol-
vendo até culminar no adventos do dia 15
de Novembro de 1908 quando ocorre a ma-
nifestação do Sr. Caboclo das Sete Encru-
zilhadas através do então jovem Zélio Fer-
nandino de Morais em Niterói, Rio de Janeiro
que contava com seus 17 anos membro de
uma família tradicionalmente católica. Nes-
ta ocasião este espírito, o Caboclo, anuncia
que veio para fundar uma nova religião cujo
nome seria UMBANDA.

Em 1906 o jornalista João do Rio lança um


livro denominado Religiões do Rio, uma cole-
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tânea de artigos e relatos sobre as religiões


afro-brasileiras que ele visitava semanal-
mente e não havia registro algum de exis-
tir um seguimento religioso com o tal nome
UMBANDA.

O crescimento da religião foi bombástico e


neste processo muitos fiéis com espírito de
pesquisa foram dedicando-se a entender
esta nova religião bem como sua “origem”.

Sincrética com excelência, a UMBANDA traz


em seu bojo o que tem de melhor nas prin-
cipais religiões. Hoje cem anos depois de sua
fundação, ela tornou-se muito mais Universal
e ecumênica. Também muitas vertentes te-
ológicas e litúrgicas vêm se firmando. Perce-
bemos desta forma em alguns seguimentos
uma maior presença do africanismo, noutro
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da pajelança, noutro o esoterismo e o exote-


rismo, noutro o catolicismo existindo até uma
Ordem Franciscana Umbandista e assim por
diante. Frisemos que tudo é UMBANDA, pois
partimos da premissa de que “Umbanda é a
manifestação do espírito para a obra de ca-
ridade”, proferido pelo Sr. Caboclo das Sete
Encruzilhadas que ainda reforça que na Um-
banda todos poderão se manifestar sem
medo do preconceito ou qualquer tipo de in-
tolerância.

Independente da forma como se manifesta


a Umbanda, não podemos perder de foco
que forma é FORMA, por onde se manifesta
a ESSÊNCIA que chamamos de Umbanda.

Sua forma universal e socrática ao mesmo


tempo em que se faz uma fonte de cultura
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também é o fator complicador para os cien-


tistas das religiões, teólogos e pesquisadores
que num certo momentos caracterizaram a
Umbanda como um religião afro-brasileira
alegando que ela bebe muito do africanismo.

Pensamos que esta sistematização é frágil e


insustentável, pois a Umbanda não pode ser
considerada afro-brasileira apenas por ter
elementos africanos, justamente por ela ex-
travasar elementos da pajelança, da magia
européia, do catolicismo, do hinduísmo, etc.
Desta forma seria ela uma religião “amerín-
dio-anglo-saxônica-esoafricano”.

Então pergunto: qual nação é verdadeira-


mente o retrato da miscigenação de todas
as raças? Brasil, logo a Umbanda é uma re-
ligião brasileira, se não bastasse isso ela foi
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“criada”e fundada no Brasil. Seria ela a reli-


gião genuinamente brasileira com a cara do
Brasil.

Portanto, partimos da premissa de que a


Umbanda não é uma religião milenar só por-
que encontramos elementos dela em outras
civilizações enquanto que é o contrário, é ela
que manifesta preceitos e magias de outras
civilizações e culturas, pois assim é que ela foi
idealizada. Arriscaria dizer que ela é a agre-
miação de várias culturas esquecidas ou não
que se juntaram e se renovaram para ma-
nifestar-se neste novo tempo que vivemos.

Nossa história
Um som envolvente ecoava pelos terreiros
deste Brasil, atraindo milhares de pessoas
do simples ao abastado, do doutor ao iletra-
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do, todos com suas aflições e dores busca-


vam nas casinhas do tambor a orientação, e
quem sabe a cura para seus males.

Este movimentos chamou atenção de um jo-


vem jornalista carioca chamado João do Rio,
visitando
tendas, terreiros e ylês, lançava semanal-
mente em sua coluna crônicas sobre este
universo “não”cristão.

Em 1906, João do Rio lança sei centenário li-


vro Religiões do Rio, que é uma junção de seus
textos e experiências. Lá encontramos rela-
tos de de várias vertentes religiosas como
o Catimbó, Macumba, Xangô, Candomblé e
outras. Contudo, nada consta sobre Umban-
da.
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Claro que não constaria. Talvez se ele tivesse


esperado mais dois anos lá estaria alguma
citação, provavelmente da origem, Zélio Fer-
nandino de Moraes, o fundador da Umban-
da.

Por outro lado, penso que assim tinha que


ser, porque ainda hoje, 99 anos após a fun-
dação desta religião, temos uma comprova-
ção histórica da veracidade deste fato, ain-
da que muitos queiram falar ser a Umbanda
originária disto ou daquilo, até mesmo que
seja milenar.

Vamos aos fatos históricos. Relatados ao


mundo por Pai Ronaldo Linares, pois rece-
beste esta incumbência do próprio Zélio.

Em 1908, um jovem carioca de 17 anos, se


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preparava para ingressar na Marinha. De fa-


mília tradicionalmente católica, seguia sua fé
como matava o figurino. Eis que num deter-
minado momentos este jovem começa a ter
atitudes e posturas estranhas. Por vezes se
posicionava como um velho de linguajar pre-
cário e falava sobre ervas e remédios natu-
rais, ora se mantinha como um jovem cheio
de vigor e agilidade.

Estes fenômenos começaram a assustar


sua família. Sua carinhosa mãe começou a
via sacra em busca da cura para o filho que
julgava estar louco.

Foi quando sua mãe o encaminhou para o


tio médico, Dr. Epaminondas de Moraes,
psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem
Grande. Após vários dias de observação e
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exames, não encontrando nada parecido na


literatura médica da época, sugeriu à mãe
do garoto que o levasse até um padre para
fazer exorcismo, pois entendia que o mesmo
sofria de uma possessão demoníaca.

Mais um tio de Zélio foi chamado, era padre


e acompanhado de outros sacerdotes reali-
zou três exorcismos, no entanto, os ataques”
prosseguiram deixando a família desolada.

Passado um tempo, Zélio foi tomado por


uma paralisia parcial, não explicada pelos
médicos, vez que não se mostrava nenhuma
enfermidade. Certo dia Zélio acorda em seu
leito e diz: - Amanhã estarei curado! No dia
seguinte começou a andar como se nada ti-
vesse acontecido e detalhe, não houve atro-
fiamento muscular, como é típico em alguém
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que fica muito tempo deitado.

Sua mãe foi aconselhada a procurar um cen-


tro, de pronto negou-se, pois entendia que
ele deveria ser curado na sua religião e não
tinha que se envolver co estas “coisas de es-
píritos”.

Mas teve que render-se, foi então que pro-


curou a recém fundada Federação Kardecis-
ta de Niterói, cidade vizinha de São Gonçalo
das Neves, onde residia a família Moraes. A
Federação era então presidida pelo senhor
José de Sousa, chefe de um departamento
da marinha chamado Toque Toque.
antou-se
Zélio Fernandino de Moraes foi conduzido
àquela Federação no dia 15 de Novembro de
1908, na presença do senhor José de Sou-
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sa, em meio aos ataques reconhecidos como


manifestações mediúnicas. Convidado, sen-
tou-se à mesa e logo em seguida levantou-
-se, afirmando que ali faltava uma flor. Foi
até o jardim, apanhou uma rosa branca e
colocou-a no centro da mesa onde se rea-
lizava o trabalho. Tal iniciativa contrariou to-
das as normas da instituição o que causou
certo tumulto e discussão. Após os ânimos
se acalmarem, Zélio foi “tomado” por uma
entidade.

José de Sousa, que possuía também a cla-


rividência, verificou a presença de um espí-
rito manifestado através de Zélio e passou
ao diálogo a seguir: (este texto abaixo foi ex-
traído das Apostilas do Curso de Formação
Sacerdotal da FEDERAÇÃO UMBANDISTA
DO GRANDE “ABC” e confirmando de forma
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presencial pelas turmas do 1º ao 4º Barco,


ministrado por Pai Ronaldo Linares, na oca-
sião estes tiveram contato pessoal com Zé-
lio).

“Senhor José: Quem é você que ocupa o


corpo deste jovem?

O espírito: Eu? Eu sou apenas um caboclo


brasileiro.

Senhor José: Você se identifica como cabo-


clo, mas vejo você em vestes clericais!

O espírito: O que você vê em mim, são restos


de uma existência anterior. Fui padre, meu
nome era Gabriel Malagrida, acusado de bru-
xaria fui sacrificado na fogueira da inquisição
por haver previsto o terremoto que destruiu
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Lisboa em 1755. Mas em minha última exis-


tência física, Deus concedeu-me o privilégio
de nascer como um caboclo brasileiro.

Senhor José: Porque o irmão fala nesses


termos, pretendendo que esta mesa aceite
a manifestação de espíritos que pelo grau
de cultura que tiveram, quando encarnados
são claramente atrasados? E qual é o seu
nome irmão?

O espírito: Se, julgam atrasados esses espí-


ritos dos pretos e dos índios, devo dizer que
amanhã estarei na casa deste aparelho (o
médium Zélio) para dar início a um culto em
que esses pretos e esses índios poderão dar
a sua mensagem, e assim, cumprir a missão
que o plano espiritual lhes confiou. Será uma
religião que falará aos humildes, simbolizan-
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do a igualdade, que deve existir entre todos


o irmãos encarnados e desencarnados. E se
querem saber o meu nome, que seja este:
“Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não
haverá caminhos fechados para mim. Venho
trazer a Umbanda, uma religião que harmo-
nizará as famílias e que há de perdurar até o
final dos séculos.

Senhor José: Julga o irmão que alguém irá


assistir ao seu culto?

O espírito: Cada colina de Niterói atuará como


porta-voz, anunciando o culto que amanhã
iniciarei.
No desenrolar da conversa senhor José per-
gunta se já não existem religiões suficientes,
fazendo inclusiva menção ao espiritismo.
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O espírito: Deus, em sua infinita bondade, es-


tabeleceu na morte, o grande nivelador uni-
versal, rico ou pobre, poderoso ou humilde,
todos tornam-se iguais na morte, mas vocês
homens preconceituosos, não contentes em
estabelecer diferenças entre os vivos, pro-
curam levar estas mesmas diferenças até
mesmo além da barreira da morte. Por que
não podem nos visitar estes humildes tra-
balhadores do espaço, se apesar de não
haverem sido pessoas importantes na Ter-
ra, também trazem importantes mensagens
do além? Porque o não aos caboclos e pre-
to velhos? Acaso não foram eles também
filhos do mesmo Deus? Amanhã, na caso
onde meu aparelho mora, haverá uma mesa
posta e toda e qualquer entidade que quei-
ra ou precise se manifestar, independente
daquilo que haja sido em vida, todos serra-
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no ouvidos, nós aprenderemos com aqueles


espíritos que souberem mais e ensinaremos
aqueles que souberem menos e a nenhum
viraremos as costas, a nenhum diremos não,
pois esta é a vontade do Pai.

Senhor José: E que nome darão a esta Igre-


ja?

O espírito: Tenda Nossa Senhora da Pieda-


de, pois da mesma forma que Maria ampa-
ra nos braços o filho querido, também serão
amparados os que se socorrerem da Um-
banda.”

Zélio de Morais contou que no dia seguinte,


16 de novembro, ocorreu o seguinte:

- Minha família estava apavorada. Eu mes-


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mo não sabia explicar o que se passava co-


migo. Surpreendia-me haver dialogado com
aqueles austeros senhores de cabeça bran-
ca, em volta de uma mesa onde se praticava
para mim um trabalho desconhecido.

Como poderia, aos dezessete anos, organi-


zar um culto? No entanto eu mesmo falara,
sem saber o que dizia e por que dizia. Era
uma sensação estranha: uma força superior
me impelia a fazer e a dizer o que nem se-
quer passava pelo meu pensamento.

- E, no dia seguinte em casa de minha família,


na Rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, ao se
aproximar a hora marcada, 20 horas, já se
reuniam os membros da Federação Espírita,
seguramente para comprovar a veracidade
dos fatos que foram declarados na véspera,
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os parentes mais chegados, amigos, vizinhos


e, do lado de fora, grande número de desco-
nhecidos.

Pontualmente às 20:00 horas o Caboclo das


Sete Encruzilhadas incorporou e as palavras
abaixo iniciou seu culto:

- Vim para fundar a Umbanda no Brasil, aqui


inicia-se um novo culto em que os espíritos
de pretos velhos africanos e os índios nati-
vos de nossa terra, poderão trabalhar em
benefício dos seus irmão encarnados, qual-
quer que seja a cor, raça credo ou posição
social. A prática da caridade no sentido do
amor fraterno, será a característica principal
deste culto.

O caboclo estabeleceu as normas do culto:


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sessões, assim as chamariam os períodos de


trabalho espiritual, diárias das 20 às 22 ho-
ras, os participantes estariam uniformizados
de branco e o atendimento seria gratuito.

O fato de se ter fundado a Umbanda numa


sexta-feira fez com que até hoje, tradicio-
nalmente, a maioria dos terreiros trabalhem
neste dia.

Ditados as bases do culto, após responder,


em latim e em alemão às perguntas dos sa-
cerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete
Encruzilhadas passou à parte prática dos
trabalhos, curando enfermos e fazendo an-
dar aleijados.

Após a “subida” do Caboclo, manifestou-se


uma entidade conhecida como “preto velho”
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que saindo da mesa se dirigiu a um canto


da sua sala onde permaneceu agachado.
Questionado sobre o porquê de não ficar na
mesa respondeu:

- “Nêgo num senta não meu sinhô, nego fica


aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e
nego deve respeita”. Após insistência ainda
completou: - “Num carece preocupa não,
nego fica no toco que é lugar de nego. E assim
continuou dizendo outras coisa mostrando a
simplicidade, humildade e mansidão daquele
que trazendo o estereótipo do preto velho,
se identificou como Pai Antônio e logo cati-
vou a todos com seu jeito. Ainda lhe pergun-
taram se ele não aceitava nenhum agrado,
ao que respondeu: - Minha cachimba, nego
qué pito que deixou no toco, manda muleque
buscar”. Esta frase originou o ponto cantado
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com este texto.

Todos ficaram perplexos, estavam presen-


ciando a solicitação do primeiro elemento
material de trabalho dentro da Umbanda.
Na semana seguinte todos trouxeram ca-
chimbos que sobraram diante da necessida-
de de apenas um para Pai Antônio. Assim, o
cachimbo foi instituído na linha de pretos ve-
lhos. Pai Antônio também foi a primeira en-
tidade a pedir uma guia (colar) de trabalho.

O pai de Zélio frequentemente era aborda-


do por pessoas que queriam saber como ele
aceitava tudo isso que vinha acontecendo
em sua residência. Sua resposta era sempre
a mesma, em tom de brincadeira respondia
que preferia um filho médium em lugar de
um filho louco. Foi um trabalho árduo e in-
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cessante para o esclarecimento, difusão e


sedimentação da Umbanda.

Dez anos após a fundação da Tenda Nos-


sa Senhora da Piedade (registrada como
tenda Espírita, porque não era seria aceito
na época o registro de uma entidade com
especificação de Umbanda), o Caboclo das
Sete Encruzilhadas declarou que iniciava a
segunda parte de sua missão: a criação de
sete templos, que seriam o núcleo do qual se
propagaria a religião da Umbanda.

Em 1935, estavam fundados os sete templos


idealizados pelo Caboclo das Sete Encruzi-
lhadas, sendo curiosa a fundação de sétimo,
que receberia o nome de Tenda São Jerô-
nimo (a casa de Xangô). Faltava um dirigen-
te adequado a mesma, quando numa noite
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de quinta feira, José Alvares Pessoa, espíri-


ta e estudioso de todos os ramos do espi-
ritualismo, não dando muito crédito ao que
lhe relatavam sobra as maravilhas ocorridas
em Neves, resolveu verificar pessoalmente o
que se passava.

Logo que entrou na sala em que se reuniam


os discípulos do Caboclo das Sete Encruzi-
lhadas, este interrompeu a palestra e disse:

- Já podemos fundar a Tenda São Jerônimo


e seu dirigente acaba de chegar.

O Senho Pessoa ficou muito surpreso, pois


era desconhecido no ambiente e não anun-
ciara a sua visita. Viera apenas verificar a
veracidade do que lhe narravam. Após bre-
ve diálogo em que o Caboclo das Sete En-
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cruzilhadas demonstrou conhecer a fundo


o visitante, José Alvares Pessoa assumiu a
responsabilidade de dirigir o último dos sete
templos que a entidade criava.

Dezenas de templos e tendas, porém, seriam


criados posteriormente, sob a orientação di-
reta ou indireta do Caboclo das Sete Encru-
zilhadas. Em 1939, o Caboclo determinou a
fundação de um Federação (posteriormente
denominada de União Espírita de Umbanda
do Brasil, segundo relata Seleções de Um-
banda n.º 7 1975) para congregar templos
Umbandistas e ser o núcleo central deste
culto, no qual o simples uniforme branco de
algodão dos médiuns estabelece a igualda-
de de classes e a simplicidade permitida pelo
ritual. Enquanto Zélio esteve encarnado fo-
ram fundadas mais de 10.000 tendas. Após
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55 anos de atividades este entregou a dire-


ção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora
da Piedade à suas filhas Zélia e Zilméia. Mais
tarde junto com sua esposa Maria Elizabete
do Moraes, médium ativa da tenda e apare-
lho do Caboclo Roxo fundou a cabana de Pai
Antônio no distrito de Boca do Mato, municí-
pio de Cachoeiras do Macacu - RJ.

+ Zélio Fernandino de Moraes desencarnou


no dia 03 de Outubro de 1975. +

A cerimônia fúnebre de Zélio foi celebrada


por Pai Ronaldo Linares a pedido de seus fa-
miliares.

Suas filhas deram continuidade ao trabalho


e a “Tenda Nossa Senhora da Piedade” exis-
te até hoje sob a direção de Zilméia de Mo-
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raes.

Nesta história temos o fato histórico da pri-


meira manifestação de Umbanda, o mo-
mento em que um Caboclo manifesta-se
em um vertente diferente das das conheci-
das afro-brasileiras. Pois é, Caboclos e Pre-
tos Velhos já se manifestavam nos terreiros
de Catimbó, de Macumba Carioca e outros.
Ficou a cargo do Caboclo Sete Encruzilhadas
a separação do joio e do trigo. As manifes-
tações espirituais começaram a se focar na
Umbanda, o que facilitou a criação de sua
identidade.

Alguns estudiosos defendem que a origem


da Umbanda não seria o Brasil, e sim uma
ramificação de outros cultos africanos, ou-
tras linhas de estudo apontam que ela se
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originou na Lemúria e Atlântida, vindo se re-


apresentar no Brasil na data citada.

Veja o que Pai Ronaldo Linares, Sacerdote


de Umbanda e presidente de Federação
Umbandista do Grande ABC, comenta numa
entrevista concedida a TV Umbanda Sagra-
da, ressaltando que Pai Ronaldo conviveu
com Zélio, o qual o delegou a função de fa-
zer ser conhecida a história do nascimento
da Umbanda.

“Há um pouco de desinformação, também


houve um tempo em que se quis “branque-
ar” a Umbanda, levando a crer que ela se
originaria do Hinduísmo, ou do Egito Antigo,
enfim… Port meu fiz uma pesquisa séria alia-
da a outras e ao que tudo indica não existia
nenhuma tenda ou segmento religioso antes
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de 1908. A Umbanda é um pouco negra, um


pouco indígena, um pouco branca, tempera-
da com tudo o que faz parte do povo bra-
sileiro. O vocabulário Umbanda é africano, e
daí? Se 50% da população brasileira é negra
e mistos?
Não creio na teoria da Umbanda quadrimi-
lenar, pra mim, Umbanda é o Preto Velho o
Caboclo e a Criança, como ensinou Papai
Zélio…”

Enfim leitor, estamos neste mês comemo-


rando 99 anos da Umbanda, rumo ao cente-
nário desta religião que tanto cura e alimenta
a alma das pessoas. No dia 15 de Novembro,
que é feriado da Proclamação da Repúbli-
ca, lembre-se que também foi proclamada a
religião de alimenta nossa Fé e que nos per-
mite sentirmo-nos próximos de Deus. Então
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acenda uma vela branca em homenagem ao


Caboclo da Sete Encruzilhadas e seu apare-
lho Zélio Fernandino de Moraes, agradecen-
do por terem sido resignados emissários da
luz na implantação desta maravilhosa reli-
gião.

Também lembre seus companheiros de ter-


reiro desta data e comore este grande ani-
versário.

Parabéns Umbanda, parabéns Pais e Mães


no Santo que tantos anos resistiram em prol
desta bandeira que é branca, não tem sím-
bolo e nem cor, porque é neutra, cristalina e
Universal.

Parabéns a você Umbandista como eu que


veste o branco semanalmente em prol de
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nossos semelhantes para esperar nada com


isso. Pratique Umbanda pela Umbanda e isso
basta.

Parabéns Pai Zélio que lá de Aruanda deve


se emocionar com este belo exército branco
de Oxalá que honra seu trabalho.

Saravá Umbanda!

FONTE: Revista Umbanda Sagrada, Ed. 01,


2007
GÊNESE DIVINA
DE
UMBANDA SAGRADA

O LIVRO DOS TRONOS DE DEUS


A CIÊNCIA DIVINA REVELADA
RUBENS SARACENI
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
40

A
qui consta a apresentação e uma
parte do texto sobre a “Gênese do
Planeta Terra”, editado por Alexan-
dre Cumino:

“A Gênese e a Teologia da Umbanda são in-


separáveis, porque uma está na outra. Es-
crever sobre a sua gênese é criar um trata-
do teológico, e escrever sobre a sua teologia
é criar uma gênese divina das coisas.

A Gênese Divina de Umbanda é uma ampla


e elevada abordagem sobre o Divino Cria-
dor e sobre as Suas divindades, regentes da
criação e dos seres.

Uma gota de água cristalina não purifica um


litro de água suja. Mas uma gota de água suja
contamina um litro de água cristalina. Assim
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
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também acontece com o conhecimento: um


conhecimento verdadeiro não anula todas
as inverdades já semeadas. Mas um falso
conhecimento pode induzir muito à regres-
são do espírito.

Purifiquem-se nesta fonte cristalina do co-


nhecimento.
***
As informações aqui contidas vieram dire-
tamente do Magno Colégio de Umbanda
Sagrada, astral, dirigido pelo nosso amado
mestre-mago Seiman Hamiser yê, também
conhecido na Umbanda como Senhor Ogum
Megê “Sete Espadas da Lei e da Vida”, um
trono humanizado e espiritualizado.

Mestre Seiman Hamiser yê é um dos mento-


res astrais responsáveis pelo Ritual de Um-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
42

banda Sagrada e transmitiu-nos a Gênese


Divina de Umbanda, secundado por todos
os outros mestres-magos aqui não citados
a pedido do Senhor Ogum Beira-mar, meu
mestre pessoal.

Deus, ao gerar-nos de Si, dotou-nos com


Suas qualidades divinas e espera que cada
um vá revelando-as, à medida que for evo-
luindo.
***
As necessidades do espírito não são as mes-
mas do corpo físico por ele ocupado; se re-
corre a elas, é para evoluir mais em menor
espaço de tempo.

Muito obrigado, meus Pais e Mães Orixás!


Muito obrigado, meus amados Mestres e
Mestras da Luz!
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
43

Muito obrigado, meus Guardiões!


Muito obrigado a todos os que têm apoiado
nossas obras mediúnicas!

Em nome do Pai, aceitem esta obra medi-


única como nossa contribuição à evolução
espiritual, religiosa e teológica da humanida-
de, mediante o Ritual de Umbanda Sagrada.
Rubens Saraceni”
A GÊNESE DO
PLANETA TERRA
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
45

N
ós sabemos que o “universo” dos Ori-
xás é vastíssimo e isto tem intrigado
uns e confundido outros estudiosos
deste mistério do Criador.
Sim, porque muitos julgam que a história da
humanidade começou a alguns milhares de
anos após o dilúvio, tal como está escrito na
Bíblia.

Mas temos informações seguras, recebidas


dos planos espirituais superiores, que o “di-
lúvio bíblico” não se refere a uma chuva tor-
rencial durante quarenta dias, e sim a toda
uma transformação da crosta terrestre que
aconteceu há muito tempo, fato este que en-
cerrou um ciclo evolutivo e deu início a outro.
Havia toda uma civilização avançadíssima,
mas que tinha esgotado sua capacidade de
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
46

evoluir, já que a “produção” daquela época


não era mecânica e capaz de se reproduzir
como a de hoje: em larga escala. Aconteceu
um dilúvio? Sim. Mas não exatamente como
está na Bíblia ou nas lendas de outros povos
tão antigos quanto o semita.

Em várias culturas religiosas encontramos


vestígios deste acontecimento incomum, já
como narrativas míticas ou lendárias. En-
contramos vestígios diluvianos em diversas
regiões do globo terrestre, sem que umas
tivessem contato com as outras, regiões
habitadas por povos totalmente diferentes
nas suas expectativas religiosas e na forma
de expressarem seus anseios quanto ao in-
cognoscível (Deus). O fato é que aconteceu
toda uma transformação geográfica, cultural
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
47

e religiosa que durou vários milênios e resul-


tou na atual configuração da crosta terres-
tre, assim como na distribuição das antigas
populações, quase extintas enquanto durou
o processo.

A Gênese Divina nos revela que este ponto


do universo onde hoje vivemos já foi um caos
energético, que pouco a pouco foi sendo or-
denado pelo poderoso magnetismo plane-
tário, e que por bilhões de anos a Terra era
inabitável, pois nenhum tipo de vida resistiria
às explosões energéticas, que aconteciam
porque elementos contrários se chocavam e
se repeliam com violência. Mas, de explosão
em explosão, todo um esgotamento ener-
gético foi acontecendo, e os elementos mais
“reativos” foram sendo consumidos e come-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
48

çaram a rarear, tornando possível a acomo-


dação dos elementos estáveis. Então, pouco
a pouco, a crosta terrestre foi se resfriando,
ou melhor, foi perdendo calor para o espaço
vazio existente além do seu campo eletro-
magnético.

Este campo tem seu limite nas camadas


mais altas da estratosfera, justamente onde
“vapores” ou gases ficavam concentrados,
porque não conseguiam ultrapassar o cin-
turão eletromagnético que se formou com
o giro do planeta sobre si mesmo, ou sobre
seu eixo magnético. Quando o “espaço” inter-
no do planeta ficou saturado destes gases,
a Terra era semelhante ao planeta Júpiter
que vimos quando foi atingido por um come-
ta, que penetrou numa camada gasosa an-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
49

tes de atingir a massa sólida. Saibam que a


bilhões de anos atrás, a Terra se encontrava
toda envolta por uma densa camada gasosa
composta por muitos elementos, que, pou-
co a pouco foram se combinando e dando
origem a moléculas mais pesadas, que co-
meçaram a baixar ou se precipitar sobre a
massa incandescente que era a Terra então.
A ciência divina nos diz que desde o assen-
tamento do divino Trono das Sete Encruzi-
lhadas neste ponto do universo, pelo Divino
Criador, já se passaram cerca de uns treze
bilhões de anos, sendo que nos primeiros
quatro bilhões, o nosso planeta se parecia
com uma estrela azul, mas que cintilava ou-
tras cores.

Este período foi o tempo que o divino Trono


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
50

das Sete Encruzilhadas passou “absorven-


do” energias, através do seu poderoso mag-
netismo cósmico. Fato este que deu início
aos choques “nucleares” geradores de ex-
plosões gigantescas e geradoras de novas
ondas eletromagnéticas hiper-carregadas
de energias, visíveis desde outras constela-
ções.

Com o tempo, o núcleo magnético do pla-


neta foi alcançando um ponto de equilíbrio,
as ondas eletromagnéticas foram perdendo
força e as energias foram se condensando
em torno do eixo magnético planetário.
Então, o planeta que era uma massa incan-
descente com pequena “reatividade” come-
çou a perder calor para o geladíssimo espa-
ço cósmico, que é o absorvente natural do
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
51

excesso de calor dos corpos celestes.


Tanto isso é verdade, que o brilho que vemos
nas estrelas é energia que flui com as ondas
eletromagnéticas, mas que vai sendo diluída
no espaço cósmico. Mas as ondas eletro-
magnéticas geradas no interior delas, e que
nos chegam, são absorvidas pelo magnetis-
mo planetário e o recarregam, mantendo-o
em equilíbrio vibratório.

Já o excesso, é lançado fora pelos pólos


magnéticos (norte-sul), mantendo constan-
te o campo em torno do planeta.
Afinal, nada é gerado do nada. Se a Terra
tem seu magnetismo constante, algo tem
que estar alimentando-o continuamente
para que ele se mantenha estável.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
52

“Esta absorção das ondas eletromagnéticas


irradiadas por outros planetas é o funda-
mento da astrologia.”
O poderoso magnetismo de Vênus, que é um
planeta regido por um trono planetário de
natureza feminina, explica a influencia deste
planeta nas questões do amor, do coração e
da sexualidade.
Saibam que o planeta Vênus não é igual ao
nosso, porque o magnetismo do trono que o
rege não é igual, não é da mesma natureza
e sua dimensão física ou material tem uma
finalidade inversa à do planeta terra. Lá, a
dimensão física é doadora de energias para
as outras dimensões paralelas a ela. Já aqui,
a dimensão física tanto é doadora quanto
receptora das energias das nossas dimen-
sões paralelas.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
53

Em Vênus, nas suas dimensões paralelas à


dimensão material, em todas, só vivem se-
res femininos. Sejam de que espécies forem,
certo?

Vênus é um planeta feminino; Marte é um


planeta masculino; Terra é um planeta misto;
Urano é feminino;
Plutão é masculino; Mercúrio é misto; Júpiter
é misto;
Sol é misto;
Netuno é misto e
Saturno é misto.
Lembrem-se de que estamos nos referindo
a suas dimensões paralelas onde vivem tri-
lhões de seres e
criaturas.
Seres – espécies racionais
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
54

Criaturas – espécies instintivas


Saibam que nos planetas femininos só vivem
seres femininos e nos planetas masculinos
só vivem seres masculinos.

Saibam que a Terra tem 77 dimensões pa-


ralelas. Já outros planetas, uns tem 33, 49,
11, 21, 333, 777, 999 e etc. Cada planeta pos-
sui um numero de dimensões, todas parale-
las umas as outras e todas atendendo aos
desígnios do Divino Criador.

Cada planeta possui seu trono planetário,


cujo magnetismo divino desencadeou seu
processo formador e o tem sustentado des-
de que foi assentado ali pelo Divino Criador.
Estes Tronos são individualizações do Divino
Criador e têm em si mesmo tantas qualida-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
55

des de Deus quanto forem necessárias à


manutenção da vida que têm que amparar
e têm de fornecer as condições ideais para
que os seres subsistam e evoluam.

Nós, aqui na terra, só conseguimos raciocinar


a partir do que conhecemos e nos é tangível.
Mas a obra divina não se limitou à dimensão
física, e só a partir da dimensão espiritual
nos é possível raciocinar a partir de novas
realidades.
Mas o fato é que a Terra é um pólo eletro-
magnético e capta as vibrações ou ondas
eletromagnéticas dos planetas do nosso sis-
tema solar, porque todos estão acomoda-
dos dentro do “espaço” solar. Já o mesmo
não acontece com as ondas de outros pla-
netas, pois o magnetismo deles não sai de
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
56

dentro do campo do “sol” que os sustenta.

Mas as ondas eletromagnéticas oriundas


de algumas estrelas são mais sutis que as
ondas do Sol, penetram em seu campo ele-
tromagnético e são absorvidas pelos plane-
tas que formam o sistema solar, sobrecar-
regando-os magneticamente e alimentando
os magnetismos planetários, distinguindo-os
do magnetismo solar que, se não fosse por
isto, anularia os campos eletromagnéticos
dos planetas em sua órbita.
Este magnetismo estelar mais sutil sobre-
carrega os planetas e dá a eles as condições
de resistirem à atração magnética (ou gravi-
tacional) do Sol.
Saibam que o mesmo acontece com os elé-
trons que giram em torno do núcleo de um
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
57

átomo, ou com o magnetismo mental dos es-


píritos, pois estes absorvem o magnetismo
sutil das Divindades Irradiantes (luminosas),
vão se afastando da faixa neutra (ponto
zero) e vão ascendendo às faixas vibratórias
mais elevadas.

Tudo o que acontece no macro se repete


no micro, e tudo o que acontece na criação
acontece nas criaturas e nos seres. Deus se
repete e se multiplica em tudo o que gerou
a partir de Si mesmo, quer esse tudo seja
animado ou inanimado. Quer seja instintivo
ou racional.
“E se assim é, é porque tudo acontece em
Deus”.
Bom, já viram como somos influenciados
pelas ondas eletromagnéticas das estrelas
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
58

(outros sóis) e dos planetas dentro do cam-


po magnético do Sol, que forma o nosso sis-
tema solar, que nada mais é que um macro
átomo.

Então perceberam que assim como um


enunciado químico nos diz que na natureza
nada se perde e tudo se transforma, tam-
bém no campo das energias e dos magne-
tismos o mesmo se aplica.
Nós dissemos que por uns quatro bilhões de
anos o nosso planeta foi uma massa ener-
gética reativa, mas assim que o divino Trono
das Sete Encruzilhadas alcançou seu limi-
te máximo em sua capacidade de absorver
energias, as reações foram diminuindo e só
restou uma bola incandescente cercada de
vapores (gases) cujos elementos (átomos)
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
59

foram se combinando e dando origem a mo-


léculas mais pesadas que se precipitavam
sobre a superfície incandescida.

Pouco a pouco, com a perda de calor para o


gelado espaço cósmico, a crosta foi se res-
friando e se solidificando, até que se tornou
densa o suficiente para reter em sua super-
fície as moléculas que iam se formando nas
camadas gasosas mais elevadas.

Mas o interior incandescido, que era energia


pura, criava e ainda cria pressão, elevando
para a superfície os átomos hiper-aqueci-
dos.
É o mesmo processo da fervura da água: o
fogo aquece o fundo da chaleira, as molécu-
las de águas se energizam e sobem, crian-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
60

do lugar para que as menos energizadas se


precipitem para o fundo. Com isto cria-se
uma corrente dupla, onde moléculas mais
energizadas (quentes) sobem, e as menos
energizadas (menos quentes) descem para
o fundo da chaleira. Quando as que haviam
subido se desenergizam (perdem calor), en-
tão se tornam mais “pesadas” e descem,
enquanto as que antes haviam descido se
energizaram (aqueceram) e sobem.

Nesta ebulição algumas moléculas hiper-a-


quecidas saem pelo bico da chaleira e se
perdem no espaço.
O mesmo aconteceu com o planeta Terra.
Nesta dupla corrente, estabelecida no mag-
ma energético, o planeta foi perdendo calor
e moléculas hiper-aquecidas. Mas outras se
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
61

precipitavam, já resfriadas, absorvendo ca-


lor, voltando a subir até as camadas mag-
néticas mais frias, onde perdiam o calor e se
desenergizavam.

O fato é que o processo de resfriamento


do nosso planeta Terra durou mais de três
bilhões de anos e as ligações atômicas co-
mandadas pela imanência do divino Trono
das Sete Encruzilhadas deram origem a mui-
tos tipos de moléculas, que deram origem a
muitas substâncias. Umas sólidas, outras lí-
quidas e outras gasosas.
Se tudo aconteceu assim, é porque assim foi
estabelecido pelo Divino Criador quando se
individualizou no divino Trono das Sete En-
cruzilhadas, Seu herdeiro “natural”.
Tal como acontece durante a fecundação do
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
62

óvulo pelo sêmen e toda uma cadeia genéti-


ca geradora é formada e ativada, o mesmo
ocorreu quando um ser divino (o divino Trono
das Sete Encruzilhadas) magnetizou-se e se
polarizou dentro do ventre da Mãe Geradora
(a natureza cósmica de Deus).

Então se criou um magnetismo novo que, tal


como um feto, começou a absorver os nu-
trientes da Mãe Geradora (o Cosmo).

O feto alimenta-se de sua mãe e o mesmo


fez o divino Trono das Sete Encruzilhadas e
sua parte geradora, que é uma individualiza-
ção da parte feminina do Divino Criador (a
Natureza).
Enquanto (o divino Trono das Sete Encruzi-
lhadas) crescia magneticamente, o planeta
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
63

se energizava (materializava).
Com isto dito, saibam que o divino Trono das
Sete Encruzilhadas é o magnetismo que sus-
tenta a existência do planeta em suas muitas
dimensões. Já a sua contra parte natural é
a individualização e repetição “localizada” da
natureza cósmica de Deus ou de Sua parte
feminina, que é um ventre gerador de vida.
Na criação divina (a gênese das coisas) tudo
se repete e se multiplica. Tudo que está
acontecendo aqui e agora, em um outro ní-
vel dentro de um grau da escala magnética
divina, já aconteceu ante.

Ou seja: o que antes aconteceu numa macro


escala hoje, acontece num grau dessa mes-
ma escala, amanhã acontecerá num nível e
depois de amanhã acontecerá num subnível.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
64

E assim sucessivamente, bastando guardar


as proporções das repetições e multiplica-
ções, a célula-mãe se repete e se multipli-
cam nas suas células filhas.

Saibam que na gênese de um corpo huma-


no, a par da herança genética dos pais, o sê-
men do homem tem um magnetismo análo-
go ao do divino Trono das Sete Encruzilhadas
que atrai as energias (nutrientes), enquanto
o magnetismo do óvulo da mulher é análogo
ao da mãe geradora (cosmos) que vai agre-
gando e distribuindo os nutrientes, segundo
um código preestabelecido.

Esta é a razão de todos os planetas serem


“redondos”. Eles são formados dentro de um
tipo de magnetismo ovular (de óvulo ou ovo).
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
65

Nesse magnetismo planetário, os eixos são


do divino Trono das Sete Encruzilhadas. Já
o magnetismo que os reveste e retém em
cada camada os elementos, estes são o da
Divina Mãe Geradora, ou sua natureza divina.
Só quando estes dois magnetismos se fun-
dem surge algo, tal como só quando o ma-
cho se une com a fêmea (copula) uma nova
vida é gerada.

Tudo se repete e tudo se multiplica, bastan-


do sabermos que é assim que tudo aconte-
ce dentro de Deus, porque Ele é o eixo da
geração e a própria geração em Si mesmo.
Ele tanto é o macho quanto à fêmea. Mas
quando se individualiza aí assume a Sua du-
alidade e biparte-Se em ativo e passivo, po-
sitivo e negativo, irradiante e absorvente,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
66

macho e fêmea.

E foi o que aconteceu aqui na Terra, porque


da união magnética do divino Trono das Sete
Encruzilhadas com a “mãe natureza” surgiu
um planeta magnífico e único no nosso sis-
tema solar.

Como já dissemos, Vênus é um planeta tipi-


camente feminino e Marte é masculino. Já a
Terra é um planeta misto ou bipolar.
As energias irradiadas pelo planeta Vênus
são emotivas, as de Marte são racionais.
As vibrações (ondas) magnéticas do plane-
ta Vênus são “cochoidais” e as de Marte são
retas.
A essência de Vênus é estimuladora da ovu-
lação feminina e a de Marte é estimuladora
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
67

da fertilidade
masculina.
O fator venusiano desenvolve a natureza
sensual das fêmeas e o fator marciano de-
senvolve a natureza viril dos machos.
Voltando à gênese do nosso planeta. O fato
é que durou sete bilhões de anos desde que
se iniciou, até que uma atmosfera, ainda sa-
turada de gases, tivesse sido formada.
O planeta de então era instável e a todo o
momento sacudido por gigantescas erup-
ções vulcânicas. A partir daí, as “substâncias”
já não retornavam ao interior incandescido,
porque a crosta sólida retinha em sua su-
perfície as lavas, que iam “engrossando-a” e
expandindo-a cada vez mais.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
68

Este processo de resfriamento interno via


erupções vulcânicas durou um bilhão e meio
de anos e iniciou-se a partir das calotas po-
lares ou pólos magnéticos.
Até este ponto já havia passado uns oito bi-
lhões de anos e tempo suficiente para que
todas as setenta e sete dimensões parale-
las se completassem. Mas ainda não esta-
vam alinhadas magneticamente em função
das atividades magmáticas no interior do
planeta.

Este alinhamento durou uns dois bilhões de


anos e só quando se completou a vida pro-
priamente dita teve início com o surgimento
em formas ainda rudimentares e unicelula-
res.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
69

As algas foram a primeira forma de vida uni-


celular que aqui surgiu. Mas isto só foi possí-
vel porque a formação de moléculas de água
acelerou-se e alagou a crosta terrestre com
a precipitação de toda uma formação gaso-
sa acumulada nos pólos magnéticos.
Plânctons começaram a surgir nas águas
paradas e logo (uns quinhentos milhões de
anos), toda a crosta terrestre estava reco-
berta de uma vegetação unicelular ou de
esporos (bolores), fato este que começou a
gerar as condições ideais para o surgimento
de uma vida superior formada por seres ins-
tintivos.

Nas dimensões paralelas, as básicas ou ele-


mentais já estavam formadas e começaram
a receber seres ainda inconscientes e em
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
70

estado puro.
Uns eram elementais ígneos, outros eram
aquáticos, eólicos, minerais, vegetais, crista-
linos, etc.
Estes seres provinham da dimensão essen-
cial ou útero divino gerador de vida.
Enquanto seres virginais viviam na dimensão
divina que nomeamos de “dimensão Mãe da
Vida”, e nela eles iam sendo fatorados e ad-
quirindo uma ancestralidade, pois adquiriam
um magnetismo que os individualizava e os
distinguia uns dos outros.
Saibam que neste ponto as lendas dos Ori-
xás são as mais corretas descrições de um
fatoramento divino que acontece no útero
da Mãe da Vida ou dimensão essencial (se-
ria fatoral? A.C.), pois nela existem correntes
eletromagnéticas que transportam essên-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
71

cias fatoradas que vão sendo absorvidas


pelos seres ainda em estado de “óvulos” ou
mentais pulsantes.

Nós não temos palavras para descrever o


“nascimento” dos seres virginais porque é
um mistério impenetrável e irrevelável. Mas
até onde nos é possível descrevê-lo, saibam
que tal como certos órgãos do nosso cor-
po geram células continuamente, ali são ge-
rados seres virginais que vão sendo lança-
dos dentro desta dimensão virginal ou Mãe
da Vida, saturada de essências puras, mas
que vão sendo fatoradas pelos mistérios de
Deus, que são as Suas divindades geradoras
de Suas qualidades divinas.

Nós temos sete dimensões elementais bá-


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
72

sicas que recebem os seres assim que ad-


quirem uma “consistência” magnética que os
influenciará dali em diante, distinguindo-os
por uma ancestralidade.

“O fator que for absorvido pelo ser ainda vir-


ginal o distinguirá e o caracterizará por todo
o sempre”...
[...] Saibam que depois de cerca de dez bilhões
de anos aconteceu o alinhamento natural
das dimensões paralelas e a vida começou
a fluir com intensidade em todas elas, por-
que todas as sete hierarquias planetárias se
completaram e criaram as condições ideais
para que o útero gerador da Mãe da Vida se
abrisse e lançasse nas sete dimensões bá-
sicas elementares tantos seres, quanto elas
comportam.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
73

Isto aconteceu entre dois e três bilhões de


anos atrás, e a face da terra já estava toda
coberta de vegetais, oceanos, rios, lagos,
campos etc., ainda que rudimentares, e ha-
bitada só por criaturas que se adaptavam
às condições climáticas de então.
Não nos perguntem como surgiram tais cria-
turas, porque este é um mistério de Deus
e quem sabe algo sobre ele nada revela, e
quem fala algo é porque nada sabe.
Nas dimensões paralelas os seres “essen-
ciais”continuavam vindo do útero divino da
mãe geradora e sendo lançados nas sete
dimensões elementais puras, onde estagia-
vam e desenvolviam o corpo elemental bási-
co, afim com a sua essência e natureza (fa-
tor divino).
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
74

Isto continua acontecendo até hoje, uns dois


ou três bilhões de anos depois do inicio da
evolução em nosso abençoado planeta.
Nas dimensões paralelas, em numero de se-
tenta e sete, a vida superior se expandia e ia
ocupando seus espaços, enquanto a dimen-
são humana resumia-se à sua parte física
habitada só por criaturas, tendo sua parte
espiritual ou etérica, totalmente deserta.
Houve uma época em que as águas cobriam
quase toda a crosta terrestre, mas pouco a
pouco, com o resfriamento e congelamento
das calotas polares, devido ao magnetismo
dos pólos, o nível começou a baixar e mui-
tas partes ficaram emersas, cobrindo-se de
vegetação e de espécies rudimentares. Até
que vieram as espécies inferiores, tais como
os répteis e anfíbios.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
75

A cerca de meio bilhão de anos atrás surgi-


ram as grandes criaturas e os sáurios rapi-
nantes, que dominaram a face da Terra du-
rante milhões de anos. Depois começaram a
desaparecer lentamente.
Este período foi encerrado com o desenca-
deamento de um ciclo de erupções vulcâ-
nicas devastadoras que aqueceu muito os
mares de então e partiu a crosta em vários
pontos, isolando as porções de terra, antes
contíguas.

Então aconteceu toda uma nova configura-


ção geográfica, vegetal, aquática e eólica. E só
a cerca de cinquenta milhões de anos atrás
a vida voltou a vicejar no plano físico, porque
nas dimensões paralelas elas já estavam
ocupadas de alto a baixo. A evolução natu-
ral nunca sofreu interrupção nas dimensões
naturais. Nelas os seres superiores haviam
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
76

evoluído tanto, que os divinos tronos plane-


tários haviam completado suas hierarquias
horizontais e verticais em todos os níveis vi-
bratórios e em todas as faixas magnéticas.
No plano físico teve inicio a geração de cria-
turas simiescas, de feras e de aves. A Terra
foi coberta por uma fauna e flora exuberan-
te, nunca vista nestas bandas do nosso uni-
verso. O mesmo aconteceu com os mares,
rios e lagos, muitos dos quais formados por
águas quentes e destinados a algumas es-
pécies intermediárias.
A cerca de dez milhões de anos atrás surgi-
ram raças intermediarias entre os símios e
os futuros humanos. Eram semelhantes aos
lendários “ogres” e se destinavam a abrigar
num corpo denso (físico) seres que ascen-
deram de um universo inferior ao nosso, pois
se localiza um grau abaixo do nosso na esca-
la divina.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
77

Este período de ascensão de “espíritos” vin-


dos de “baixo” durou seis milhões de anos e
exauriu a crosta terrestre, levando a um es-
gotamento da fauna e flora. Também havia
se encerrado a “subida” dos “espíritos” desse
universo contíguo ao nosso, mas localizado
um grau magnético abaixo na escala divina
e, por isso, inferior.

Após um período de descanso do plano físi-


co, tudo foi restaurado e se restabeleceram
as condições ideais para a vida retornar ple-
na e vigorosa. Então surgiram os ancestrais
do atual ser humano, ainda rudimentares,
portando-se como os animais selvagens.

Este período durou até um milhão e meio


de anos atrás, quando aconteceu uma “ca-
tástrofe” celeste: uma nuvem de cometas
atravessou o sistema solar e muitos colidi-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
78

ram com os planetas, assim como três muito


grandes chocaram-se contra o sol, atraídos
pela sua poderosa gravidade ou magnetis-
mo.
A nossa Terra não foi poupada e a vida qua-
se foi extinta. Recuperou-se, e a cerca de um
milhão de anos atrás surgiu à civilização que
muitos chamam de adâmica, atlante, lemu-
riana etc.

A
Umbanda não possuía uma explica-
ção só sua sobre o “início dos tem-
pos” e os umbandistas recorriam às
gêneses alheias para comentar alguma coi-
sa a respeito.
A ideia de fazer algo nesse sentido e suprir
essa lacuna surgiu em 1992 e, pouco tempo
depois, começou a tomar corpo junto com
outra lacuna, até então não percebida pelos
umbandistas: o Estudo Teológico Regular.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
80

Aqui, só estão cinco livros das muitas par-


tes dessa gênese umbandista. Mas quero
que saibam que outros, publicados à parte
(“As Sete Linhas de Evolução e a Ascensão”;
“A Tradição Comenta a Evolução”; “A Teogo-
nia de Umbanda”; “A Androgenesia de Um-
banda”; “Tratado Geral de Umbanda”, etc.),
fazem parte dos livros psicografados e que
preenchem parcialmente algumas lacunas
existentes e que não haviam sido vislumbra-
das ou detectadas antes pelos escritores
umbandistas.
Juntamente com o Código de Umbanda e os
livros sobre Magia Divina, este livro encerra
um conjunto de informações sobre o univer-
so Divino e Espiritual da Umbanda que a co-
loca em igualdade com todas as outras re-
ligiões existentes, não ficando a dever nada,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
81

seja quanto a fundamentos divinos ou a co-


nhecimentos acerca dos planos invisíveis dos
espíritos e sobre a magia.

Ainda que nem todos os livros já psicografa-


dos estejam publicados, a Umbanda já tem
uma fonte inesgotável e só sua de conheci-
mentos fundamentais e espirituais.
Muitos livros fundamentais ainda estão à
espera de ser publicados, algumas lacunas
continuarão expostas. No entanto, os que já
estão à disposição dos leitores umbandistas
são suficientes para que se sintam bem fun-
damentados em suas práticas espirituais e
necessidades teológicas.

Tenho certeza de que quando toda a obra


literária, concedida a mim pelos espíritos
mentores da Umbanda, tiver sido publicada,
não haverá um só umbandista que não se
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
82

sentirá orgulhoso de pertencer a tão lumino-


sa religião espiritualista.
Também posso afirmar que quando todos os
livros estiverem à disposição do público, não
só os umbandistas, mas os seguidores de
outras religiões se servirão deles para pre-
encher lacunas existentes nas suas próprias
“teologias” ou doutrinas. E esses mesmos li-
vros serão a fonte de novos adeptos para a
luminosa religião Umbandista.
Nós sabemos o quanto é importante para
uma religião ter grande acervo de obras li-
terárias de primeira grandeza à disposição
dos leitores em geral, pois é por meio de-
las que ela chega ao conhecimento e é em si
uma fonte formadora de opinião.

Lamentavelmente, ainda se encontram na


Umbanda dirigentes avessos ao estudo per-
manente de sua religião e há até aqueles
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
83

que acreditam que não precisam estudar,


assim como o estudo é contrário às práticas
mediúnicas.
A essas pessoas alertamos o fato de que
muitos já entraram e saíram da Umbanda
justamente porque não encontraram uma
leitura ampla, que preenchesse as lacunas
teológicas e doutrinárias existentes em suas
mentes e que não foram preenchidas na
nova religião que adotaram.

Só oferecer “trabalhos” espirituais aos adep-


tos umbandistas não é o suficiente e enquan-
to essa mentalidade arcaica e obscurantista
não for erradicada da Umbanda, nossa re-
ligião não mostrará a todos a sua magnífi-
ca fundamentação Divina e não alcançará
o seu merecido lugar no coração dos seus
adeptos.
Bem sabemos que muitos dos que são con-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
84

trários ao estudo teológico nos criticam e


nos rejeitam e até proíbem que seus mé-
diuns estudem. Mas também sabemos que
é justamente essa mentalidade que mais
tem prejudicado o crescimento da Umbanda
e bloqueado a expansão da sua literatura,
pois impedem que os livros dos muitos auto-
res umbandistas já colocados para o público
circulam regularmente e sejam objeto de es-
tudo e análise dos médiuns e dos consulen-
tes de suas tendas.

A você, amigo leitor que chegou ao final des-


te, peço que reflita sobre esse alerta e es-
pero que se junte a nós na disseminação do
estudo regular dentro da Umbanda e nunca
se esqueça de que só a fé não basta para
satisfazer as necessidades religiosas das
pessoas.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
85

O conhecimento a complementa e sedimen-


ta-a na mente dos fiéis. Rubens Saraceni
Este texto faz parte do livro “Gênese Divina
de Umbanda Sagrada”, de Rubens Saraceni,
Ed. Madras.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
86

UMA
COSMOGÊNESE
UMBANDISTA

RUBENS SARACENI
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
87

A
Umbanda é uma renovação do tradi-
cional culto às divindades africanas,
englobados na classificação “cul-
tos das nações”, assim denominado porque
cada povo possuía sua religião própria, com
seus ritos específicos, mas que mantinham
uma analogia muito grande, tanto na prepa-
ração sacerdotal quanto organizacional, de
seus panteões divinos.

Com o passar dos anos o Panteão Nagô dos


povos nigerianos ou de língua Yorubá acabou
se destacando no Brasil e se impondo sobre
os demais, pois os Orixás popularizaram-se
com a vinda de muitos escravos nigerianos,
trazidos principalmente para a Bahia a partir
do final do século XVIII e início do século XIX.
Sua classe sacerdotal era mais organizada e
destacou-se muito rapidamente e mais ain-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
88

da no decorrer dos séculos XIX e XX, espa-


lhando o Culto aos Orixás para todo o Brasil,
adaptando-os conforme foi possível e pro-
curando conservar o máximo possível do co-
nhecimento sobre eles.
Sendo a transmissão oral a forma que pos-
suíam para preservarem o conhecimento,
muito se perdeu sobre os Orixás e só uns
poucos deles tornaram-se bem conhecidos
e tiveram seus Cultos tradicionais preserva-
dos desde 1780 até 1908, quando foi funda-
da a Umbanda por Pai Zélio de Moraes.

Assim, muitas das coisas que se sabia so-


bre eles dentro dos seus cultos tradicionais
na Nigéria não chegaram até nós ou haviam
sido adaptadas conforme foi possível.
Daí, para os primeiros umbandistas, não ha-
via muito sobre os Orixás à disposição, e se
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
89

um Caboclo identificava-se como de Ogum,


de Xangô etc. os seus médiuns ficavam sem
muitas informações seguras sobre esses
Orixás, e quase todos recorriam aos santos
católicos sincretizados com eles como forma
de conhecê-los.
E os santos católicos tiveram suas historias
popularizada pelos umbandistas, que as pas-
savam de mão em mão para poderem ensi-
nar os novos médiuns, sendo que os santos
sincretizados com os Orixás tornaram-se
muito populares e muito cultuados no Brasil
devido à compra de suas imagens para os
altares umbandistas.

Esse conhecimento bem “terra” sobre os


Orixás predominou no 1o século de existên-
cia da Umbanda, graças ao sincretismo e ao
que se sabia sobre os santos católicos.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
90

Ao estudioso da Umbanda, basta consul-


tar os livros de muitos autores umbandistas
para confirmarem o que até aqui afirmamos.
Não havia um conhecimento profundo sobre
os Orixás, e o que se sabia ou se escrevia
sobre eles não saía desse nível “terra” do co-
nhecimento.

Antes de terem se espalhado pelo mundo


todo, os Orixás só haviam sido cultuados pe-
los povos Nagôs ou Nigerianos... E na língua
Yorubá.
Mas um conhecimento novo sobre os Orixás
começou a ser aberto por um espírito cha-
mado “Pai Benedito de Aruanda”, e ensinado
por seu médium psicógrafo e fundador do
Colégio de Umbanda Sagrada.

E isso, sem que ele fosse Teólogo ou forma-


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
91

do em qualquer Escola Iniciática, Esotérica


ou Ocultista, mas criando uma base para o
estudo doutrinário e teológico umbandista.
Toda religião tem sua cosmogênese ou gê-
nese divina, que descreve para os seus se-
guidores a forma como Deus criou o “mun-
do”.

A Umbanda por ser a somatória de várias


doutrinas e rituais religiosos, tanto pode esco-
lher a cosmogênese dos povos Nagô, quanto
aos Cultos Indígenas Brasileiros, assim como
pode servir-se da Judaica, incorporada pelo
Cristianismo, pois essas três religiões estão
presentes devido à manifestação dos Cabo-
clos e Pretos-velhos, dentro de uma moral
Cristã.
Também pode recorrer à cosmogênese da
última religião de guias espirituais hindus,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
92

chineses etc. Mas sempre será uma adapta-


ção de cosmogêneses alheias, muitas delas
já extintas no plano material.

Portanto, por ser a somatória do conheci-


mento de espíritos doutrinados em outras
religiões, a Umbanda não pode e não deve
optar por nenhuma delas porque não seria
aceita por todos os umbandistas, com cada
um tendo seu mentor espiritual formado por
alguma das outras religiões do passado ou
da atualidade.

Logo, a Umbanda tem que ter sua própria


cosmogênese, genuinamente umbandista.
Ainda que se sirva da base Yorubana na
nomenclatura do seu Panteão Divino e das
qualidades dos Orixás e tudo o mais, deve
preservar a “essência” desse conhecimento
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
93

que nos chegou através da transmissão oral


para que o culto aos Orixás se perpetuas-
se no tempo e servisse de ponto de partida
para o surgimento de novas religiões funda-
mentadas neles, tal como Judaísmo preser-
vou sua cosmogênese que, posteriormente,
fundamentou o Cristianismo e o Islamismo,
grandes religiões da atualidade, muito maio-
res em número de seguidores.

Como qualquer uma das antigas cosmogê-


neses só agradaria um número limitado de
seguidores da Umbanda, após observar a
religião em seu lado material por muito tem-
po, os “espíritos superiores” que a funda-
ram através de Pai Zélio de Morais liberaram
todo um conhecimento ainda não disponível
até então no plano material que fundamen-
ta todas as suas práticas religiosas e magís-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
94

ticas sem, em momento algum, contradizer


ou negar a essência da cosmogênese Yoru-
bana ou Nagô.
Até porque esse não é o propósito deles, e
sim fundamentar tudo o que foi preservado
e o que não chegou ao Brasil e só existe na
Nigéria.

A cosmogênese disponibilizada pelos espíri-


tos mentores da religião umbandista não se
fundamenta em mitos ou lendas, e sim no
estudo profundo e elevadíssimo desenvol-
vido nas escolas espirituais existentes nos
planos mais elevados do nosso Planeta, es-
tudo esse desenvolvido por espíritos que já
não encarnam mais, porque ascencionaram
à 7a faixa vibratória positiva da dimensão
humana da vida e hoje atuam em beneficio
da humanidade através de suas hierarquias
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
95

ou correntes espirituais, que chegam até o


plano material através dos guias espirituais
dos médiuns umbandistas e dos protetores
espirituais que todo ser encarnado possui.
Essa cosmogênese é tão abrangente que
explica a religião Umbanda, todos os Orixás
cultuados nela, todas as linhas de trabalhos
espirituais, todas as ancestralidades dos fi-
lhos dos Orixás, todas as práticas religiosas
e magísticas realizadas na Umbanda e pelos
umbandistas.

Também explica as cores, o uso de colares,


de fitas, de cordões, de toalhas, de flores,
de pedras, de ervas, de velas, de líquidos, de
pós, de pembas, de pontos riscados e can-
tados etc.
Enfim, ela explica a existência dos seres e
das coisas criadas por Deus, assim como ex-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
96

plica porque cada pessoa, seja umbandista


ou não, possui ligação com os Sagrados Ori-
xás e deles pode servir-se, mesmo que não
tenha sido iniciada na Umbanda e nada sai-
ba sobre eles, as divindades, mistérios que
governam a Criação Divina.

Alguns dos livros que trazem esse conheci-


mento novo seguem abaixo:
- Umbanda Sagrada
- Tratado Geral de Umbanda
- Orixás Ancestrais
- Orixá Exu
- Orixá Pomba-gira
- Orixá Exu Mirim
- Livro de Exu
- Doutrina e Teologia de Umbanda Teogonia
de Umbanda
- Código de Umbanda
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
97

- Gênese de Umbanda
- Formulário de Consagrações Umbandista
Iniciação à Escrita Mágica Simbólica Código
da Escrita Mágica Simbólica Tratado de Es-
crita Mágica etc.
Todos editados pela Madras Editora.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
98

OS
TRONOS
DE DEUS

RUBENS SARACENI
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
99

D
eus é em si o todo! Mas o todo é for-
mado por muitas partes. Cada par-
te é um aspecto da criação, e Deus
está em todas elas ao mesmo tempo por-
que é Onipresente. A onipresença de Deus é
incontestada, e todas as religiões organiza-
das a têm como dogma.
O Panteísmo tem sua origem nesse fato,
verdadeiro, e fundamenta sua crença de
que, se Deus é onipresente e está em tudo e
todos ao mesmo tempo, então se pode cul-
tuá-Lo por meio daquela com que melhor se
afinizar.

Isso é verdadeiro, ainda que nunca devamos


nos esquecer de que uma parte não é o todo
e sim só uma de suas partes.
Um “deus” do fogo não é Deus, mas uma for-
ma de cultuá-Lo por meio de uma de suas
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
100

partes, que é o elemento Fogo.


Um “deus” da água é uma de suas partes,
que é o elemento Água.
Um “deus” da terra é uma de suas partes,
que é o elemento Terra.
Um “deus” do ar é uma de suas partes, que
é o elemento Ar.
Um “deus” dos minerais é uma de suas par-
tes, que é o elemento Mineral. Um “deus” dos
vegetais é uma de suas partes, que são os
Vegetais.
Um “deus” dos cristais é uma de suas par-
tes, que são os Cristais.
Um “deus” do tempo é uma de suas partes,
que é o Tempo.
Um “deus” dos animais, dos répteis, das aves,
das montanhas, dos mares, dos rios, dos la-
gos, das
cachoeiras, dos cemitérios, da chuva, dos
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
101

ventos, do sol, dos raios etc. não é Deus, e


sim algumas de suas muitas partes.
Deus, nosso Divino Criador, é em si tudo e
todos e está em tudo e é o princípio de tudo,
e todos provêm Dele.
Já não se questiona a Unidade e o Princípio,
no entanto todos reconhecem que há uma
miríade de seres divinos espalhados pela
criação e que ou são os regentes de uma de
suas partes ou são guardiões dos seus mis-
térios sagrados.

Ninguém duvida da existência dos Anjos, pois


estão descritos na Bíblia, assim como os Tro-
nos, os Arcanjos, os Serafins etc.
Ninguém duvida da existência dos Devas
porque estão descritos nos livros sagrados
hinduístas.
Ninguém duvida da existência dos Orixás
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
102

porque estão descritos nos livros sagrados


e na tradição oral nigeriana. E assim com to-
das as atuais religiões!

Mas muitos duvidam da existência das cos-


mogonias antigas, tais como a egípcia, grega,
babilônica ou caldeia, nórdica, caucasiana,
mongólica, romana, cartaginesa, havaiana,
polinésia, indígenas americanas (índios ame-
ricanos e canadenses, astecas, maias, incas,
índios tupis-guaranis), africanas em geral
(muitas) etc.

Algumas religiões atuais atribuem a si o do-


mínio da verdade, e é pura perda de tem-
po argumentar que o tempo todo Deus tem
amparado a todos por meio de suas muitas
divindades, não importando para Ele como
isso vem acontecendo no decorrer dos tem-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
103

pos e das muitas culturas e religiões já desa-


parecidas.
Muitos denominam as religiões e culturas
antigas de atrasadas, arcaicas, pagãs, sel-
vagens, primitivas etc. e nomeiam-se evolu-
ídos, salvos, eleitos, privilegiados, escolhidos
etc.

Tudo nesse campo, tão concreto e tão abs-


trato ao mesmo tempo, obedece aos que
estão comandando a humanidade, e não
adianta discutir quem está certo ou errado,
mas devemos discutir o que nos influencia
realmente, e quem conduz a nós e à nossa
evolução a partir do lado invisível da criação,
e como podemos acessá- Lo e direcionar
Seus poderes em nosso auxílio e benefício.
Já comentamos os Tronos de Deus em vá-
rios dos nossos livros e os temos descrito
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
104

como a classe de divindades sustentadoras


da criação e da evolução dos seres.

Aqui, porque se trata de um livro que comen-


ta e descreve a magia simbólica, nós os co-
mentaremos a partir de suas funções origi-
nais na criação para que, após entendê-los,
compreendam a magia riscada simbólica e
sagrada.
Comecemos por assim descrevê-los: Os Tro-
nos são seres divinos assentados nos mui-
tos níveis vibratórios da criação e têm como
funções divinas dar sustentação aos meios,
amparar os seres nos seus muitos estágios
evolu- tivos.

Existem Tronos para todas as funções divi-


nas sustentadoras dos meios e dos seres.
Logo, os Tronos exercem funções e os nome-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
105

amos por elas. O homem que constrói casa


é um construtor. Só que para construir uma
casa seu construtor precisa ter uma equipe
de profissionais especializados, tais como o
pedreiro, o carpinteiro, o serralheiro, o eletri-
cista, o encanador, o pintor etc., e cada um
deles tem seus auxiliares, especializados ou
não.

Cada um desses profissionais contribui com


sua parcela de trabalho para que uma casa
esteja pronta para ser habitada.
Com os Tronos acontece a mesma coisa e o
Trono Construtor dos meios destinados aos
seres é uma emanação onisciente, onipo-
tente e oniquerente de Deus. Um Trono é um
poder. Logo, Trono e poder são sinônimos.
O Trono Construtor é uma manifestação
de Deus e o temos como responsável pela
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
106

construção dos meios nos quais os seres vi-


vem e evoluem continuamente.
Fonte: “Tratado de Escrita Mágica Simbólica”.
Rubens Saraceni. Ed. Madras
7
MISTÉRIOS

ALEXANDRE CUMINO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
108

“Sete luzes existem no Altíssimo e é


lá que habita o Ancião dos Anciões, o
Misterioso dos Misteriosos, o Oculto
dos Ocultos: Ain Soph.”
Sefer há Zohar
Sete Mistérios de Deus

S
ão muitos os mistérios do Criador,
são infinitos assim como Ele é, no en-
tanto podemos identificá-los a partir
de nossa visão humana e classificá-los para
poder estudá-los de uma forma um pouco
mais “cartesiana”, que se não é o ideal, no
entanto é a única forma de poder identificá-
-los em grupos e a partir daí então enume-
rá-los por afinidade ou ainda por identifica-
ção de mistério.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
109

Quando falamos em grupos e enumeramos


estes grupos entramos em um outro mérito
que é o mérito dos números e seu simbolis-
mo.

Antes de falarmos em “7 mistérios” precisa-


mos entender o que representa o número 7
aqui e porque organizar em 7 e não 8, 3 ou
12.

Iremos adentrar no seio dos mistérios atra-


vés de sua manifestação sétupla, pois desta
forma o criador se assenta em nossa reali-
dade humana, nós também somos sétuplos,
e o Trono Maior que rege nosso planeta é
também chamado de Trono das Sete Encru-
zilhadas, a partir deste Trono surge a Coroa
Divina, O Setenário Sagrado, que rege nossa
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
110

realidade e onde se assentam todos os Tro-


nos voltados à nossa evolução.
Recomendo a quem queira se aprofundar
nestes mistérios a Obra “Gênese Divina de
Umbanda Sagrada” e “Orixás – Teogonia de
Umbanda” ambos do autor Rubens Saraceni
/ Editora Madras.

Os Sete Mistérios de Deus aqui serão trata-


dos a partir de sete sentidos (fé, amor, co-
nhecimento, justiça, lei evolução e geração)
ou sete elementos (cristalino, mineral, vege-
tal, ígneo, eólico, telúrico e aquático).

Podemos agora de forma isolada nos apro-


fundar nos mistérios no número sete (7) que
na Cabala é chamado de “O Número da Per-
feição”, em grego é chamado de “Sebo” (Ve-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
111

nerar) ou “Septa” (Venerável), em Ronano ou


latino “Septos” (Santo, divino).

Segundo a cultura Judaico–cristã Deus criou


o mundo em 7 dias, dada a importância des-
te número, cada dia representa o abrir de
uma nova vibração.

Em Êxodo Deus instrui Moisés a construir um


candelabro de ouro para sete lâmpadas.
Em Apocalipse, Novo Testamento, vemos
Sete Igrejas que estão na Ásia, “Sete espí-
ritos que estão diante do seu Trono”, Sete
Candelabros de Ouro, Sete Estrelas, Sete
Anjos, Sete Tochas de Fogo diante do Trono,
Sete Selos, Sete Chifres, Sete Olhos, Sete
Trombetas e Sete Trovões.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
112

“O Número 7”
O autor Albany Braz em seu livro “O Número
7” editado pela Editora Madras cita:
De acordo com Johhn Heydon, “o sete é um
dos números mais prósperos” e também
tem sido definido como “o todo ou o inteiro
da coisa à qual é aplicado”; contudo, Pitágo-
ras referia que “o sete era o número sagra-
do e perfeito, entre todos números” e Filolau
(séc. V a.C.) dizia que o “sete representava
a mente”. Macróbio (séc. V d.C.) considerava
o sete “como o nó, o elo das coisas”. O sete
por sua vez é um número primo e também o
único de 1 a 10 que não é múltiplo e nem divi-
sor de qualquer número de 1 a 10.

O filósofo grego Platão de Egina (429 – 347


a.C.) no seu “Timeu”, ensinava que, “do núme-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
113

ro sete foi gerada a alma do mundo”. Santo


Agostinho via nele o “símbolo da perfeição e
da plenitude”. Santo Ambrósio dizia que era
“o símbolo da virgindade”. Este simbolismo
era assimilado pelos Pitagóricos, entre eles
Nicômano (50 d.C.), em que o “sete era re-
presentado pele deusa Minerva (a virgem)”
que era a mesma Atena de Filolau (370 a.C.).
Por outro lado, na antiguidade associava-se
o sete: a VOZ, ao SOM, a CLIO, musa da his-
tória, ao deus egípcio OSÍRIS, às deusas gre-
gas: NÊMESIS e ARASTIA e ao deus romano
MARTE.

...corresponde ao signo da balança (Libra),


que é o emblema do equilíbrio.
Na antiguidade o sete já aparecia como uma
manifestação da ordem e da organização
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
114

cósmica. Era o número solar, como é com-


provado nos monumentos da antiguidade:
OS 7 PLANETAS DIVINIZADOS PELOS BA-
BILÔNICOS; OS 7 CÉUS (YMGERS) DE ZO-
ROASTRO; A COROA DE SETE RAIOS E OS
SETE BOIS DAS LENDAS NÓRDICAS. Estes
últimos eram simbolizados por: 7 ÁRVORES,
7 ESTRELAS, 7 CRUZES, 7 ALTARES FLAME-
JANTES, 7 FACAS FINCADAS NA TERRA e 7
BUSTOS.

Com relação à cosmologia, o Universo antiga-


mente era representado por uma nave com
sete pilotos (os pilotos de Osíris) e segundo
a escritora Narcy Fontes, “nossa Galáxia (Via
Láctea) é formada por um Sol central, sete
outros sóis e quarenta e nove planetas (sete
planetas para cada sol)”.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
115

A Lua passa por fases de sete dias: cres-


cente, cheia, minguante e nova respectiva-
mente.

Na tradição sânscrita há frequentes refe-


rências aos sete ou SAPTAS: “Archishah – 7
chamas de Agni; Arânia – 7 desertos; Dwipa
– 7ilhas sagradas; Gâvah – 7 raios ou vacas;
Kula – 7 castas; Loka – 7 mundos; Par – 7
cidades; Parna – 7 princípios humanos; Rat-
nâni - 7 delícias; Rishi – 7 sábios; Samudra
– 7 mares sagrados; Vruk- sha – 7 árvores
sagradas”.

Na teologia Zoastriana (masdeísmo, 550 a.C.)


há sete seres que são considerados os mais
elevados, são os Amchaspands ou Ameshas-
pendes (Sete grandes gênios): “ORMAZD ou
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
11 6

Ormuzd ou Ahura-Mazda (Fonte da Vida);


BRAHMAN (Rei deste mundo); ARDIBEHEST
(produtor do fogo); SHAHRIVAR (formador
de metais); SPANDARMAT (rainha da ter-
ra); KHORDAD (governante dos tempos e
das estações); AMERDAD (governante do
mundo vegetal)”. Opostos a estes havia os 7
Arquidevas (demônios ou poderes das tre-
vas). Nesta teologia Masdeísta inicialmente
existiam 7 graus iniciáticos no culto de Mi-
tra: CORVO (Vênus), GRIFO (Lua), SOLDADO
(Mercúrio), LEÃO (Júpiter), PERSA (Marte),
PAI (Saturno), HELIÓDROMO (Sol ou corre-
dor do Sol).

MITRA nasceu no dia 25/12, tinha como nú-


mero o sete e em honra a ele havia os sete
altares de fogo, denominados de sete Pireus.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
117

Na teologia romana na corte do Deus Marte


ou Mars (Ares Grego) figuravam 7 divinda-
des alegóricas: “PALLOR (a Palidez); PAVOR
(o Assombro); VIRTUS (a Coragem); HONOR
(a Honra); SECURITAS (a Segurança); VIC-
TORIA (a Vitória); PAX (a Paz)”.

Na teologia dos Sumérios a deusa Inana ti-


nha que atravessar 7 portas para chegar
diante dos juízes do mundo inferior.

As tabuletas Assírias estão repletas de gru-


pos de sete: 7 deuses do Céu; 7 deuses da
terra; 7 deuses das esferas flamejantes; 7
deuses maléficos; 7 fantasmas; espíritos de
7 céus; espíritos de 7 terras.”

Sendo assim temos muitos motivos para


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
118

abordar as divindades de Deus segundo o


“Mistério do Número 7”, o que me é muito fa-
miliar também por ser Umbandista, uma re-
ligião (Umbanda) que aborda o seu próprio
universo a partir do que chamamos “Sete
Linhas de Umbanda”, onde se assentam os
Orixás, Divindades cultuadas na Umbanda.
Aqui adotamos a relação de Orixás e Tro-
nos de Deus da forma como foi psicografa-
da por Rubens Saraceni em sua Obra, que
são hoje mais de 40 livros publicados pela
Editora Madras.
SETE TRONOS
DE DEUS
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
120

“Os princípios da Verdade são Sete; aque-


le que os conhece perfeitamente, possui a
Chave Mágica com a qual todas as Portas
do Templo podem ser abertas completa-
mente.”
Hermes Trismegisto – O Caibalion

Temos a seguir uma relação de sete misté-


rios do mistério maior. Poderíamos ter co-
locado muitos outros, acreditamos que com
a combinação desses chegamos a todos os
outros.

Sendo partes do todo esses mistérios são


qualidades puras de Divindades, da sua com-
binação temos partes das partes, mistérios
dos mistérios, Tronos intermediários, o que
se costuma chamar “Divindades localizadas”,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
121

tão importantes quanto as outras.

Assim, numa tentativa de localizar as Divin-


dades, de cima para baixo, vamos identificá-
-las por suas qualidades, portanto inomina-
das, para a partir daí identificarmos os Orixás
e as demais Divindades que correspondem
com as qualidades dEstes, já humanizados
sob uma cultura que Os reconhece.

Vamos mostrá-Los de forma polarizada ma-


nifestando-se em masculino e feminino, logo
teremos 14 Tronos Maiores ou Divindades
Puras em suas qualidades.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
122

SETE MISTÉRIOS
Sete Tronos Puros = Quatorze Tronos Polari-
zados

Temos SETE MISTÉRIOS (Fé, Amor, Conhe-


cimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração),
Sete Tronos indiferenciados (Trono da Fé,
Trono do Amor, Trono do Conhecimento, Tro-
no da Justiça, Trono da Lei, Trono da Evolu-
ção e Trono da Geração), que formam a CO-
ROA DIVINA, O SETENÁRIO SAGRADO.

Estes Tronos indiferenciados se polarizam,


ou seja, cada um deles se desdobra em Tro-
no Masculino e Feminino (Passivo e Ativo),
gerando agora quatorze Tronos polarizados
(Trono masculino e feminino da Fé, Trono
masculino e feminino do Amor, Trono mas-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
123

culino e feminino do Conhecimento, Trono


masculino e feminino da Justiça, Trono mas-
culino e feminino da Lei, Trono masculino e
feminino da Evolução e Trono masculino e
feminino da Geração).

Podemos dizer que são tronos que se com-


pletam na mesma qualidade, pois na fé onde
um é masculino outro é feminino, um é pas-
sivo e outro ativo, um irradia a fé outro ab-
sorve, um é positivo outro é negativo, etc.
O que torna simples sua explicação, pois o
Trono do Amor é parte de Deus como mani-
festação da sua qualidade Amor.
AMOR É PARTE DE DEUS E É A DIVINDADE
DO AMOR POR INTEIRO.
Quando o Trono feminino irradia Amor, o
masculino absorve, o que fecha um círculo
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
124

de energia atuante em que nada é estático.

Vamos defini-los como ORIXÁS DE UMBAN-


DA PUROS nos mistérios e humanizados
como Divindades do panteão umbandista,
que trazem seus nomes da mitologia Yorubá,
africana, sua primeira humanização. Assim,
citando as Divindades de outras mitologias
que manifestam o mesmo mistério.

Fonte: Deus, Deuses, Divindades e Anjos.


Alexandre Cumino. Ed. Madras.
ESTUDO HISTÓRICO
DAS SETE LINHAS
DE UMBANDA

ALEXANDRE CUMINO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
126

Se é preciso que eu tenha um nome,


Me chame de Caboclo das
Sete Encruzilhadas,
Porque não haverá caminhos
fechados para mim!

C
om estas palavras, no dia 15 de No-
vembro de 1908, se apresentou a
entidade que, por meio de Zélio de
Moraes, fundaria a Umbanda no Brasil.
Desde então o número sete tem sido fun-
damental para entender a religião, de tal
maneira que surge uma classificação, cha-
mada de Sete Linhas de Umbanda, onde se
acomodam Orixás, Santos, Anjos Arcanjos e
Entidades Espirituais, relacionando-se com
cores, pedras, ervas, dias da semana, notas
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
127

musicais e o que mais se puder agrupar nes-


ta escala.
Sete Linhas de Umbanda já foi um tema
muito polêmico, pois cada autor umbandista
apresentava sua visão particular sobre quais
e “quantas” seriam estas linhas.

Alguns foram inspirados de originais em suas


versões, outros simplesmente adaptaram
novos elementos ao que já existia sobre o
assunto.

Podemos dizer que a origem das Sete Li-


nhas de Umbanda está em Deus, no Setená-
rio Sagrado ou Coroa Divina. No entanto, é
do interesse de todos nós, umbandistas, um
resgate cultural e histórico desta questão
“SETE LINHAS DE UMBANDA”.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
128

Zélio não deixou nada escrito, mas, teve fi-


lhos e discípulos, se posso assim dizer, que
falaram e falam sobre a forma como enten-
dia as Sete Linhas de Umbanda.

O primeiro livro de Umbanda que se tem no-


tícia, publicado em 1933, chama-se O Espiri-
tismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda.

Escrito por LEAL DE SOUZA, médium prepa-


rado por Zélio de Moraes, nos apresenta as
Sete Linhas de Umbanda desta forma:

• 1ª Linha de OXALÁ:
Jesus – branco
• 2ª Linha de OGUN:
São Jorge – vermelho
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
129

• 3ª Linha de EUXOCE:
São Sebastião – verde
• 4ª Linha de XANGÔ:
São Jeronymo – roxo
• 5ª Linha de NHÁ-SAN:
Santa Bárbara - amarela
• 6ª Linha de AMANJAR:
N. S. da Conceição – azul
• 7ª Linha de SANTO

Na explicação de LEAL DE SOUZA, a Linha


Branca de Umbanda é que se divide nestas
Sete Linhas e que além da Linha Branca há
a Linha Negra, formada pelos Exus e que é
tratada a parte. A Sétima Linha é formada
por espíritos egressos da Linha Negra e que
trabalham principalmente no campo da de-
manda, de cortar trabalhos de Magia Negra.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
130

Em conversa com Dona Lygia Cunha, Filha de


Dona Zilmeia de Moraes Cunha, neta de Zélio
de Moraes e atual dirigente da Tenda Espí-
rita Nossa Senhora da Piedade, nos afirmou
que as Sete Linhas de Umbanda, segundo
o Caboclo das Sete Encruzilhadas e Zélio de
Moraes, são:
1. OXALÁ: Branco
2. OGUM: Vermelho
3. OXÓSSI: Verde
4. XANGÔ: Marrom ou Roxo
5. IEMANJÁ: Azul Claro
6. IANSÃ: Amarelo
7. EXU: Preto

O que se aproxima muito da leitura de LEAL


DE SOUZA, na qual se inverte a posição de
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
131

Iansã e Iemanjá, definindo a Linha de Santo


agora como a Linha de Exu.

Em 1941 se realizou o “Primeiro Congresso


Brasileiro do Espiritismo de Umbanda”, onde
foi apresentado um trabalho com o título:
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA LINHA BRAN-
CA DE UMBANDA - “Memória apresentada
pela Cabana de Pai Thomé do Senhor do
Bomfim, na sessão do 26 de Outubro de
1941, pelo seu Delegado Sr. Josué Mendes.”

Neste trabalho é apresentado um esquema


da seguinte forma:

“A LINHA BRANCA DE UMBANDA E A SUA


HIERARQUIA”
“Os 7 Pontos da Linha Branca de Umbanda”
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
132

• 1° Grau de iniciação, ou seja,


o 1° Ponto – ALMAS
• 2° Grau de iniciação, ou seja,
o 2° Ponto – XANGÔ
• 3° Grau de iniciação, ou seja,
o 3° Ponto – OGUM
• 4° Grau de iniciação, ou seja,
o 4° Ponto – NHÃSSAN
• 5° Grau de iniciação, ou seja,
o 5° Ponto – EUXOCE
• 6° Grau de iniciação, ou seja,
o 6° Ponto – YEMANJÁ
• 7° Grau de iniciação, ou seja,
o 7° Ponto – OXALÁ

São as mesmas Sete Linhas de Umbanda


que aparecem na obra de LEAL DE SOUZA,
apenas em posições diferentes.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
133

PAI RONALDO LINARES, que também convi-


veu com Zélio de Moraes, apresenta as Sete
Linhas de Umbanda, fundamentado nos en-
sinamentos que recebeu do “Pai da Umban-
da”. E afirma que “Zélio de Moraes esclare-
ceu que destas Tendas originárias da Tenda
Nossa Senhora da Piedade deveriam nascer
as Sete Linhas de Umbanda e que seriam
representadas por sete cores.” A saber:

“A primeira linha é caracterizada pela cor


amarelo ouro bem clarinho e que seria a cor
da Tenda de Santa Bárbara. O Orixá corres-
pondente é INHAÇÃ...”

“A segunda linha é caracterizada pela cor


rosa, correspondente à Tenda Cosme e Da-
mião... O Orixá correspondente é IBEJI...”
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
134

“A terceira linha é caracterizada pela cor


azul. Com vários Santos Católicos sincreti-
zados com ela, a saber: Nossa Senhora da
Glória, Nossa Senhora da Conceição, Nossa
Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora
da Guia. O Orixá que corresponde é IEMAN-
JÁ...”

“A quarta linha é caracterizada pela cor ver-


de, representando a Tenda São Sebastião...
O Orixá correspondente é OXOSSE...”

“A quinta linha é caracterizada pela cor ver-


melho, representando a Tenda São Jorge. O
orixá correspondente é OGUM.”

“A sexta linha é caracterizada pela cor mar-


rom, representando a Tenda São Jerônimo.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
135

Seu Orixá correspondente é XANGÔ...”

“A sétima linha é caracterizada pela cor vio-


leta ou roxo, corresponde à Tenda de San-
t‟Ana... O Orixá correspondente é NANÃ...”

“Finalmente temos a cor negra, corresponde


à Tenda de São Lázaro (Nas Palavras de Ro-
naldo Linares). É a ausência da cor e da luz
da vida. Zélio de Moraes explica que as cores
branca e preta não fazem parte das sete li-
nhas, pois o branco que é a presença da luz
existe em todas elas e o negro, que é justa-
mente a ausência da luz, está justamente na
ausência delas... O Santo Católico São Láza-
ro é sincretizado com o Orixá ABALUAÊ ou
OMULU... Este Orixá é conhecido ainda pelos
nomes de XAPANÃ, ATOTÔ, e BABALÚ.”
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
136

“O Orixá maior da Umbanda é OXALÁ... o


Chefe para o qual convergem todas as li-
nhas, assim perfeitamente identificado na
invocação com Jesus Cristo.”

PAI RONALDO LINARES, pessoalmente, me


falou já por diversas vezes que em conversa
com Zélio de Moraes sobre as Sete Linhas
de Umbanda este teria lhe afirmado que
ninguém havia entendido o que são estas
Sete Linhas. E para defini-las afirmou que as
mesmas podem ser entendidas em analogia
com uma luz branca que ao passar por um
prisma se decompõe em sete cores do ou-
tro lado. O que em nossa limitada visão se
amolda perfeitamente à ideia de que Sete
Linhas São Sete Vibrações da Luz Divina
que se adapta ou se amolda às concepções
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
137

mais variadas a cerca de nomes e formas


de compreendê-las; seja por meio de Cores,
Anjos, Santos, Orixás ou Tronos de Deus.

LOURENÇO BRAGA, em 1942, publica o títu-


lo “UMBANDA (magia branca) e QUIMBAN-
DA (magia negra)”, apresentando pela pri-
meira vez mais sete subdivisões para cada
uma das linhas. São Sete Linhas e quaren-
ta e nove Legiões. Nas primeiras páginas ele
esclarece:

“Trabalho apresentado no 1ª Congresso Bra-


sileiro de Espiritismo, denominado Lei de
Umbanda, realizado nesta cidade do Rio de
Janeiro, entre 18 e 26 de outubro de 1941.”
“Instado e auxiliado pelos guias espirituais,
mercê de deus, resolvi escrever o presente
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
138

livro sobre a Lei de Umbanda - (Magia Bran-


ca) – e sobre a Lei de Quimbanda – (Magia
Negra).”

Capítulo II
“A LEI DE UMBANDA
E A LEI DA QUIMBANDA”
“Não se deve dizer – Linha de Umbanda -,
mas sim, - Lei de Umbanda -;
Linhas são as 7 divisões de Umbanda.”

- 1ª Linha de SANTO ou de OXALÁ:


dirigida por Jesus Cristo

- 2ª Linha de IEMANJÁ:
dirigida pela Virgem Maria

- 3ª Linha do ORIENTE:
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
139

dirigida por São João Batista

- 4ª Linha de OXÓCE:
dirigida por São Sebastião

- 5ª Linha de XANGÔ:
dirigida por São Jerônimo

- 6ª Linha de OGUM:
dirigida por São Jorge

7ª Linha AFRICANA ou de SÃO CIPRIANO:


dirigida por São Cipriano

Aqui vemos que o autor coloca suas sete li-


nhas muito próximas das sete linhas de LEAL
DE SOUZA, que será o grande modelo co-
piado, alterado e adaptado pela maioria dos
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
140

autores posteriores. Lourenço Braga mudou


a “Linha de Nha-San” por “Linha do Orien-
te” e definiu a “Linha de Santo” como “Linha
Africana”.

Também apresenta o autor as Sete Linhas


da Quimbanda:
Linha das ALMAS
Linha dos CAVEIRAS
Linha de NAGÔ
Linha de MALEI
Linha de MOSSURUBI
Linha dos CABOCLOS QUIMBANDEIROS
Linha MISTA

Em 1955 o mesmo LOURENÇO BRAGA pu-


blica “UMBANDA E QUIMBANDA – VOLUME
2”, onde ele mesmo admite que: “venho ago-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
141

ra, embora contraditando alguma coisa do


que eu já havia escrito, levantar a ponta do
véu mais um pouco”, completando na outra
página, “Os brasileiros crentes de UMBAN-
DA, em virtude da mentalidade implantada
pelo catolicismo, procuraram dar aos ORI-
XÁS, chefes das 7 linhas, nomes de entida-
des cultuadas na Religião Católica”... “A ver-
dade, porém, é que os ORIXÁS SUPREMOS,
Chefes dessas linhas, em correspondência
com os planetas e as cores, são os 7 arcan-
jos, os quais mantêm entidades evoluídas,
chefiando essas linhas, obedientes às suas
ordens diretas, as quais nada têm a ver com
os santos do Catolicismo...”
Ficando assim:

- Linha de OXALÁ ou das ALMAS:


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
142

Jesus – Jupter – Roxo

- Linha de IEMANJÁ ou das ÁGUAS:


Gabriel – Vênus – Azul

- Linha do ORIENTE ou da SABEDORIA:


Rafael – Urano – Rosa

- Linha de OXOCe ou dos VEGETAIS:


Zadiel – Mercúrio – Verde

- Linha de XANGÔ ou dos MINERAIS:


Orifiel – Saturno – Amarelo

- Linha de OGUM ou das DEMANDAS:


Samael – Marte – Vermelho

- Linha dos MISTÉRIOS ou ENCANTAMENTOS:


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
143

Anael – Netuno – Laranja

A Novidade na obra de LOURENÇO BRAGA


é apresentar Sete Subdivisões para cada
uma das Sete Linhas de Umbanda, veja de
forma detalhada no anexo ao final do texto.

MARIA TOLEDO PALMER autora de Chave


de Umbanda, 1949, e A Nova Lei Espírita de
Jesus, 1953, recebeu em 1948 ordens do as-
tral para fundar na terra “A Nova Lei Espírita:
Jesus a Chave de Umbanda”. Apresenta as
Sete Linhas das Sete Leis de “Jesus, A Cha-
ve de Umbanda”:

• 1. Céu
• 2. Terra
• 3. Água
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
144

• 4. Fogo
• 5. Mata
• 6. Mar
• 7. Almas

OLIVEIRA MAGNO autor dos livros Umban-


da Esotérica e Iniciática, 1950, e Umbanda e
Ocultismo, 1952, reconhece Leal de Souza
como o primeiro autor de Umbanda, apre-
senta por sua vez as Sete linhas de Umban-
da desta forma:
Oxalá, Iemanjá, Ogum, Oxosse, Xangô, Oxum
e Omulu.
Observe que com relação às linhas de Leal
de Souza, trocou apenas Nha-San por Oxum
e Linha das Almas por Omulu.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
145

ALUIZIO FONTENELE, 1951, adotou ao pé da


letra as sete linhas de Lourenço Braga, sua
inovação foi a de associar os nomes de Exus
aos nomes dos “demônios” da Magia Nega-
tiva (“Magia Negra” ou Goécia) Europeia. Co-
meçando um processo de demonização in-
terna dos Exus de Umbanda.

YOKAANAM publica em 1951 O Evangelho de


Umbanda, obra polêmica, apresenta as Sete
Linhas de Lourenço Braga e critica dizendo:
“Eis o que os africanistas apresentam como
UMBANDA‟! Mera confusão!”.
Apresenta 7 Legiões que têm como patro-
nos 7 “Orixalás”. Acima delas está o Paranin-
fo ou Patrono de Honra: Jesus – “Oxalá” e
abaixo como segue:
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
146

• 1ª S. JOÃO BATISTA:
“Xangô-Kaô” (Xangô maior), Rosa
• 2ª SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA:
“Yanci”, Azul
• 3ª CUSTÓDIO – COSME E DAMIÃO:
“Ibejês”, Branco
• 4ª S. SEBASTIÃO:
“Oxóce”, Verde
• 5ª S. JORGE:
“Ogum”, Vermelho Escarlate
• 6ª S. JERÔNIMO:
“Xangô”, Roxo Violeta.
• 7ª S. LÁZARO:
“Ogum de Lei”

O autor faz algumas observações, afirma


que a Legião de Santa Catarina – “Yanci” –
era antes de N.S. da Conceição – “Iemanjá”
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
147

que passou o comando para sua “legítima


substituta”. Também observa que S. Láza-
ro de modo algum pode ser confundido com
“Omulu”, que na opinião dele é “rei da des-
truição, caveira, espírito do cemitério”.

Para cada uma destas “Legiões” o autor


apresenta seus correspondentes “Chefes de
Falange” (Orixás), Guias-Chefes (Pequenos
Orixás – Chefes de Divisões), Guias (Chefes
de Grupos) e Guias Individuais.
Por Exemplo:

LEGIÃO DE SÃO JORGE:


“OGUM” – (PATRONO)
Chefes de Falanges – “Orixás”:
Caboclo Águia Branca – Ogum Mearim –
Ogum Guerreiro – Ogum da Cruzada – Ogum
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
148

Rei – Ogum do Oriente – Ogum do Mar –


Ogum da Estrela – Ogum Menor – Ogum
Mensageiro – Ogum do Hymalaia – Ogum do
Deserto – Ogum da Campina etc.

Guias Chefes:
Ogum Rompe Mato – Sete Flechas – Caboclo
Pena Vermelha – Caboclo Ipê – Caboclo Ara-
xá – Caboclo Nanzan – Caboclo Pena Branca
– Caboclo Mirim – Ogum da Lua – Ogum Megê
– Ogum da Mata – Ogum Yara – Ogum Beira
Mar – Ogum da Montanha – Ogum Sete Ca-
choeiras – Ogum Cavaleiro – Ogum do Con-
go – Ogum da Lagoa – Ogum da Angola etc.
Guias: Caboclo Miramar – Caboclo Sete Ca-
minhos – Caboclo Gurupí – Caboclo Vigilante
– Caboclo da Lua – Caboclo Flecha de Ouro
– Caboclo das Sete Espadas – Caboclo Tietê
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
149

– Caboclo Araçá – Caboclo Rio Negro – Ca-


boclo Tupiniquim – Caboclo Tupiára – Cabo-
clo Tocantins – Caboclo Solimões – Caboclo
Araraquara – Caboclo Pirajá – Caboclo Pa-
raguaçu – Caboclo Jaguaribe etc.

FLORISBELA M. SOUZA FRANCO é autora


de dois títulos conhecidos, UMBANDA, 1953,
e Umbanda para os Médiuns, 1958. No pri-
meiro apresenta as Sete Linhas de Umban-
da abaixo:
• Linha de Santo
• Linhas do Mar
• Linha Oriental
• Linha de Oxosse
• Linha de Xangô
• Linha de Ogum
• Linha Africana
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
150

BENJAMIM FIGUEIREDO, fundador da Tenda


Espírita Mirim, 1924, e Primado de Umban-
da 1952, apresentou sua forma de entender
as Sete Linhas de Umbanda, inspirada pelo
Caboclo Mirim, registrado em suas apostilas
“Umbanda – Escola da Vida” bem como pu-
blicada em 1961 no livro Okê Caboclo, como
segue abaixo:

Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Ybeji, Yofá e Ie-


manjá.

W. W. DA MATTA E SILVA, em 1956, publica


seu primeiro título “Umbanda de Todos Nós”,
onde apresenta sua versão para as Sete Li-
nhas de Umbanda, acredita-se que Da Mata
tenha sido profundamente influenciado pe-
los estudos Esotéricos realizados na Tenda
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
151

Espirita Mirim, no Primado de Umbanda e


dos demais grupos em que Benjamim tam-
bém frequentou. Da Matta faz surgir em sua
obra os conceitos de AUMBANDÃ, apresen-
tados pela Tenda Mirim no Primeiro Congres-
so de Umbanda, 1941, e traz as Sete Linhas
de Umbanda iguais às do Benjamim/Caboclo
Mirim, com o detalhe de que aqui Ybeji apa-
rece como Yori e Yofá como Yorimá:

• 1ª Vibração Original ou Linha de ORIXALÁ


• 2ª Vibração Original ou Linha de IEMANJÁ
• 3ª Vibração Original ou Linha de XANGÔ
• 4ª Vibração Original ou Linha de OGUM
• 5ª Vibração Original ou Linha de OXÓSSI
• 6ª Vibração Original ou Linha de YORI
• 7ª Vibração Original ou Linha de YORIMÁ
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
152

Embora guarde semelhanças o autor criti-


ca as Sete Linhas de Lourenço Braga, assim
como Yokaanam. Este autor não costumava
citar suas fontes de forma adequada, como
boa parte dos demais autores umbandistas,
como observamos na teoria do AUMBANDÃ.
Em suas Sete Linhas, Matta e Silva, a exem-
plo de Lourenço Braga, apresenta sete sub-
divisões para cada linha e rebaixa Oxum, Ian-
sã e Nanã Buroque ao grau de Caboclas de
Iemanjá, o que já havia sido feito em parte
por Lourenço Braga.
RUBENS SARACENI apresenta as Sete Li-
nhas de Umbanda como “As Sete Vibrações
de Deus”, afirmando que:

“Deus se manifesta de forma Sétupla nesta


realidade humana.”
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
153

“As Sete Linhas têm origem em Deus atra-


vés do Setenário Sagrado.”

“Cada um pode dar o nome que quiser, asso-


ciar as Sete Linhas a Sete Orixás, Sete San-
tos ou a Sete Anjos, cada um fala de uma
forma diferente, o que ninguém pode negar
é que as Sete Linhas de Umbanda são as
Sete Vibrações de Deus, que se manifestam
em Sete Essências, Sete Elementos e em
tudo o mais que Deus Criou.”
Explica que existem muitos Orixás, todos po-
dem ser identificados ou associados às Li-
nhas de Umbanda, no entanto a Criação Di-
vina se estabelece por meio de uma Coroa
Divina em que Sete Tronos Originais se ma-
nifestam através de Quatorze Tronos que se
agrupam em Sete Masculinos e Sete Femi-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
154

ninos correspondentes a Quatorze Orixás,


dentro das Sete Vibrações, Essências, Sen-
tidos e Elementos correspondentes:

• 1ª Linha, Sentido da Fé e
Elemento Cristalino:
Orixás Oxalá e Logunan (Oyá-Tempo)
• 2ª Linha, Sentido do Amor e
Elemento Mineral:
Orixás Oxum e Oxumaré
• 3ª Linha, Sentido do Conhecimento
e Elemento Vegetal:
Orixás Oxóssi e Obá
• 4ª Linha, Sentido da Justiça
e Elemento Fogo:
Orixás Xangô e Iansã
• 5ª Linha, Sentido da Lei
e Elemento Ar:
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
155

Orixás Ogum e Egunitá


• 6ª Linha, Sentido da Evolução
e Elemento Terra:
Orixás Obaluayê e Nanã Buroquê
7ª Linha, Sentido da Geração
e Elemento Água:
Orixás Iemanjá e Omulu

Há ainda outros Orixás que mesmo que não


estejam aqui se agrupam da mesma forma.
Por exemplo, junto de Oxóssi estão os ou-
tros Orixás Vegetais como Ossaim, Aroni e
Logunedé. Junto de Omulu está Iku (a mor-
te). Junto de Oxalá está Oxaguiã, Oxalufã,
Obatalá, Orumilá-Ifá etc.

Cada Orixá Maior comanda 7 Orixás Interme-


diários e cada um destes comandam mais 7
Intermediadores ou regentes de nível, abai-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
156

xo destes estão todos os outros Orixás Na-


turais, Encantados e Caboclos que se mani-
festam na vibração deste ou daquele Orixá.
Ao expor este estudo, histórico e literário,
dos conceitos, apresentados por autores
umbandistas, sobre as “Sete Linhas de Um-
banda”, tenho como objetivo, única e exclu-
sivamente, oferecer material para o estudo
e/ou observação do que já se falou sobre o
assunto.

Através deste estudo podemos comprovar


as diferentes formas em que as Sete Linhas
de Umbanda vêm sendo apresentadas des-
de sua origem, os livros das décadas de 40
e 50 são pouco acessíveis. Encontramos en-
tre os autores deste período pessoas que se
dedicaram e muito na intenção de entender
e abordar os conceitos teológicos, doutriná-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
157

rios e ritualísticos da Religião de Umbanda,


mesmo sem uma bibliografia sólida.

Não tenho como objetivo apontar este ou


aquele autor em graus de acerto ou erro,
mas apenas mostrar o que alguns autores
pensaram sobre 7 Linhas da Umbanda.
Aos que tiveram a paciência de ler até aqui,
agradeço e parabenizo pelo interesse em
entender um pouco mais sobre a Religião de
Umbanda.
Alexandre Cumino
ANEXO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
159

As Sete Linhas de Umbanda


de Lourenço Braga

O autor Lourenço Braga é o primeiro a iden-


tificar, além das Sete Linhas, também, as
“Legiões” ou subdivisões de cada uma de-
las. Embora Leal de Souza já tivesse comen-
tado que as linhas tinham subdivisões, não
as identificava. Leal de Souza também cita-
va Entidades Orientais, mas não identifica-
va como “Linha do Oriente”, o que será um
diferencial na forma de interpretar as Sete
Linhas, na visão de Lourenço Braga.

Título Umbanda e Quimbanda - 1942


Na página 9 deste livro encontramos:
Capítulo I
DIVISÃO DO ESPIRITISMO
“Devemos dividir o Espiritismo, como ele é,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 60

na verdade, em três partes, a saber: Lei de


Kardec:
- Espiritismo doutrinário, filosófico e científi-
co.

Lei de Umbanda:
- Espiritismo – Magia Branca.

Lei de Quimbanda:
Espiritismo - Magia Negra.”

Faz ainda uma observação no:


A LINHA DE SANTO OU DE OXALÁ
A linha de Santo ou de Oxalá é constituída
por espíritos de várias raças terrenas, en-
tre eles, os pretos de Minas, pretos da Bahia,
padres, frades, freiras e espíritos que, quan-
do na Terra, tiveram grande sentimento ca-
tólico.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 61

Os chefes das Legiões e das grandes falan-


ges são espíritos conhecidos no catolicismo
com o nome de Santos, tais como sejam:
1. Legião de SANTO ANTÔNIO
2. Legião de SÃO COSME E SÃO DAMIÃO
3. Legião de SANTA RITA
4. Legião de SANTA CATARINA
5. Legião de SANTO EXPEDITO
6. Legião de SÃO BENEDITO
7. Legião de Simirômba (Frade) SÃO FRAN-
CISCO DE ASSIS

As falanges grandes e pequenas de espíri-


tos desta Linha infiltram-se entre as Linhas
da Lei de Quimbanda com o propósito de
diminuir a intensidade do mal por eles pra-
ticado e habilmente arrastá-los para a prá-
tica do bem, e por este motivo, verificamos
muitas vezes nos trabalhos de Magia Branca
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 62

aparecerem elementos ou falanges da Ma-


gia Negra e vice-versa.

A LINHA DE IEMANJÁ
A Linha de Iemanjá chefiada por Santa Ma-
ria, mãe de Jesus Cristo, é constituída da
seguinte forma:
1. Legião das Sereias – Chefe AXÚN ou Oxún
2. Legião das Ondinas – Chefe NANÁ ou
NANA BURUCÚ
3. Legião das Caboclas do Mar – Chefe
INDAIÁ
4. Legião das Caboclas dos Rios – Chefe IARA
5. Legião dos Marinheiros – Chefe TARIMÁ
6. Legião dos Calunguinhas – Chefe CALUN-
GUINHA
7. Legião da Estrela Guia – Chefe MARIA
MADALENA
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 63

A missão dessas falanges é proteger os ma-


rinheiros, fazer as lavagens fluídicas dos dife-
rentes ambientes, de encaminhar no espaço
os irmãos que desejarem progredir, ampa-
rar na Terra, em geral, as criaturas do sexo
feminino e de desmanchar os trabalhos da
Magia Negra feitos no mar ou nos rios e de
fazer trabalhos para o bem, em prol daque-
les que de tal necessitarem.

A LINHA DO ORIENTE
A Linha do Oriente, que é chefiada por São
João Batista, é constituída pelas seguintes
Legiões:
1. Legião dos Indus:
Chefiada por ZARTÚ
2. Legião de Médicos e Cientistas:
Chefiada por JOSÉ DE ARIMATEIA e bafeja-
da pelo ARCANJO RAFAEL
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 64

3. Legião de Árabes e Marroquinos :


Chefiada por JIMBARUÊ
4. Legião de Japoneses, Chineses:
Chefiada por ORI DO ORIENTE
5. Legião dos Egipcianos, Aztecas, Mongóis e
Esquimós, Incas e outras raças antigas:
Chefiadas por INHOARAIRI, Imperador Inca
antes de Cristo
6. Legião dos Índios Caraíbas:
Chefiadas por ITARAIACI
7. Legião dos Gauleses, Romanos e outras
raças europeias:
Chefiada por MARCUS I – Imperador Roma-
no.

São falanges de caridade; são incumbidas


de desvendar aos habitantes da Terra coi-
sas para eles desconhecidas; são os grandes
mestres do ocultismo (Esoterismo – Carto-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 65

mancia – Quiromancia – Astrologia – Nume-


rologia – Grafologia – etc.) – Magia Mental e
Alta Magia.

A LINHA DE OXÓCE
A Linha de Oxóce, chefiada por São Sebas-
tião, é constituída por legiões de espíritos
com a forma de caboclos e assim temos:
1. Legião de URUBATÃO
2. Legião de ARARIBOIA
3. Legião do CABOCLO DAS SETE ENCRUZI-
LHADAS
4. Legião dos Peles Vermelhas:
ÁGUIA BRANCA
5. Legião dos Tamoios
GRAJAÚNA
6. Legião da CABOCLA JUREMA
7. Legião dos Guaranis
ARAÚNA
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 66

São falanges de caridade, doutrinam os ir-


mãos sofredores, desmancham trabalhos
de magia Negra, fazem curas, aplicam a me-
dicina hervanária, dão passes etc.

A LINHA DE XANGÔ
A Linha de Xangô, São Jerônimo, por ele
mesmo chefiada, é a Linha da Justiça. Esta
Linha é composta das seguintes Legiões:
1. Legião de INHASÃ
2. Legião do CABOCLO DO SOL E DA LUA
3. Legião do CABOCLO PEDRA BRANCA
4. Legião do CABOCLO DO VENTO
5. Legião do CABOCLO DAS CACHOEIRAS
6. Legião do CABOCLO TREME-TERRA
7. Legião dos PRETOS - QUEGUELÊ

É o povo da caridade e da justiça, dá a quem


merece, pune com justiça, ampara os humil-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 67

des, eleva os humilhados, desmancha traba-


lhos fortes de Magia Negra etc.

LINHA DE OGUM
A Linha de Ogum, São Jorge, é dividida em
sete Legiões, cujos chefes têm o nome de
Ogum, seguido de um sobrenome especial;
assim temos:
1. Ogum BEIRA-MAR
2. Ogum ROMPE-MATO
3. Ogum IARA
4. Ogum MEGÊ
5. Ogum NARUÊ
6. Ogum de MALEI
7. Ogum de NAGÔ

Esta é a Linha dos grandes trabalhos de


demanda, exerce grande predomínio sobre
os quimbandeiros e age em vários setores,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 68

conforme o nome deles indica. Ogum Beira-


-Mar nas praias; Ogum Iara nos Rios; Ogum
Rompe-Mato nas matas; Ogum Megê, sobre
a Linha das Almas; Ogum de Malei, sobre a
Linha de malei, - povo de Erú (Exu?); Ogum
de Nagô, sobre a Linha de Nagô – povo de
Ganga.

LINHA AFRICANA OU DE SÃO CIPRIANO


Linha Africana da Lei de Umbanda é com-
posta de espíritos de pretos de várias raças,
como sejam:
1. Legião do Povo da Costa:
PAI CABIDA (Cabinda?)
2. Legião do Povo do Congo:
REI DO CONGO
3. Legião do Povo de Angola:
PAI JOSÉ
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
1 69

4. Legião do Povo de Benguela:


PAI BENGUELA
5. Legião de Moçambique:
PAI JERÔNIMO
6. Legião do Povo de Loanda:
PAI FRANCISCO
7. Legião do Povo de Guiné:
ZUN-GUINÉ

São os grandes feiticeiros de Umbanda, fa-


zem importantes trabalhos de Magia, usan-
do todos os rituais, porém com o fito de fa-
zer o bem. Os componentes dessa falange
infiltram-se com grande facilidade entre os
quimbandeiros, causando muitas vezes con-
fusão aos filhos da Terra.

Os espíritos desta Linha gostam muito de


conversar com os filhos da Terra e nessas
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
170

ocasiões costumam dizer “Umbanda tem


fundamento e fundamento de Umbanda
tem Mironga”.
Neste mesmo Livro, “Umbanda e Quimban-
da”, Lourenço Braga define a “LEI DE QUIM-
BANDA E AS SUAS SETE LINHAS”.

O próprio Lourenço Braga fez alterações em


suas Sete Linhas ao longo do tempo, ao que
podemos concluir que nem Lourenço Bra-
ga concorda com Lourenço Braga, quando
comparamos “Umbanda e Quimbanda” Vo-
lume 1 com o Volume 2. Abaixo algumas no-
vidades que aparecem no volume 2:
“O Sol exerce influência sobre os 7 planetas
e a lua recebe influência dos 7 planetas.”

Cita ainda o autor que: “A Linha de Oxalá ou


das Almas, chefiada indiretamente por São
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
171

Miguel e diretamente por Jesus, possui 7 Le-


giões chefiadas por um Anjo (Lilazio)” onde
surgem 7 anjos identificados por cores, atu-
ando junto dos chefes de cada linha, a saber:
1. Jesus – ANJO LILAZIO:
Luz roxo claro brilhante
2. Gabriel – ANJO LUZANIL:
Luz azul claro brilhante
3. Rafael – ANJO ROSÂNIO:
Luz rosa claro brilhante
4. Zadiel – ANJO ISMERA:
Luz verde claro brilhantel
5. Orifiel – ANJO AURIDIO:
Luz ouro claro brilhante
6. Samael – ANJO RUBRION:
Luz vermelho claro brilhante
7. Anael – ANJO ILIRIUM:
Luz branca brilhante
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
172

Agora a Linha de Oxalá se subdivide em 7


Legiões de Anjos conforme abaixo está:
1. Legião do ANJO EFROHIM – na Ásia
2. Legião do ANJO ELEUSIM – na Índia
3. Legião do ANJO IBRAHIM – na África
4. Legião do ANJO EZEKIEL – na Europa
5. Legião do ANJO ISMAIEL – no Brasil
6. Legião do ANJO ZUMALAH – na Quim-
banda
PIONEIROS DA UMBANDA
UMA ROTA
LITERÁRIA

ALEXANDRE CUMINO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
174

E
xistem diferentes formas de abordar
a história da religião, diferentes pon-
tos de vista e interpretações variadas
dos mesmos fatos. Proponho, aqui, convidá-
-los para uma viajem no tempo, por meio dos
primeiros autores umbandistas, que vão da
década de 1930 à primeira metade da déca-
da de 1950. A partir da segunda metade da
década de 1950, 60 e 70 surgiu uma grande
quantidade de outros autores, os quais boa
parte de sua literatura ainda é disponível e
conhecida. Logo é possível sentir falta de um
ou outro autor, no entanto o que cabe no ob-
jetivo deste texto é justamente aqueles que
desconhecemos, os quais mesmo em sebos
haverá grande dificuldade de encontrar.

ZÉLIO DE MORAES não escreveu nada sobre


a Umbanda, quando muito deu algumas en-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
175

trevistas e preparou médiuns para expandir


e continuar sua obra.

Há sobre a obra de Zélio alguns livros e ma-


térias publicadas por médiuns e admirado-
res. Entre os “continuadores” (que se des-
tacam na literatura) podemos citar LEAL DE
SOUZA, CAPITÃO PESSOA e JOÃO SEVE-
RINO RAMOS. Entre os admiradores há uma
extensa lista de nomes, no entanto um não
pode ser esquecido, da SENHORA LILIA RI-
BEIRO da TULEF, editora do Jornal Macaia.
Lilia realizou a maior quantidade de entrevis-
tas com Zélio; também devemos lembrar de
JOTA ALVES DE OLIVEIRA que conviveu um
pouco com Zélio e foi colaborador do Jornal
de Umbanda, e RONALDO LINARES que se
tornou o maior divulgador da obra de Zélio
de Moraes no Estado de São Paulo, conviveu
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
176

com o “Pai da Umbanda”, ouvindo e relatan-


do suas histórias. DONA ZILMEIA DE MORA-
ES CUNHA costumava dizer que Pai Ronaldo
é “quem melhor pode falar de Zélio de Mo-
raes”.

A literatura de Umbanda surge de forma


tardia, os primeiros textos surgem em 1924,
no Jornal A Noite, onde o jornalista Leal de
Souza relata suas experiências com os espí-
ritos.

Em 1925 todas as reportagens são organi-


zadas em um livro chamado No Mundo dos
Espíritos, a primeira publicação que descre-
ve um trabalho ritual da religião de Umban-
da. Lá está contida a primeira visita que Leal
de Souza fez à Tenda Espírita Nossa Senho-
ra da Piedade, como repórter e adepto do
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
177

Espiritismo (Doutrina Codificada por Kar-


dec). Participou de uma sessão com o Ca-
boclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio.
Neste dia Leal de Souza pode assistir à cura
de uma pessoa considerada louca, que na
verdade estava obsidiada.

Leal de Souza passaria a trabalhar na Ten-


da com Zélio de Moraes e aceitaria a missão
de dirigir a Tenda Espírita Nossa Senhora da
Conceição; em 1933 publica o primeiro títu-
lo voltado para a Umbanda, O Espiritismo, a
Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Neste
livro o repórter autor (Leal de Souza já tinha
uma caminhada autoral com outros quatro
títulos publicados), médium, dirigente espiri-
tual e pioneiro da divulgação da Umbanda se
propõe a apresentar a religião. O livro cita-
do foi resultado de uma coletânea de repor-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
178

tagens realizadas por Leal de Souza para o


Jornal Diário de Notícias.

Neste livro aparece pela primeira vez o con-


ceito de Sete Linhas, que são sete divisões
da Linha Branca de Umbanda em oposição
à Linha Negra.

Não havia literatura anterior, portanto, con-


cluímos que este livro relata o entendimen-
to de Leal de Souza sobre a obra de Zélio e
o que aprendeu com ele na prática e teoria
estendido por meio de seus próprios guias
e sem desconsiderar sua militância anterior
no Espiritismo, como influência certa e no-
tória nas linhas de sua obra. No mesmo livro
constam textos sobre Zélio de Moraes, Ca-
boclo das Sete Encruzilhadas e sobre as três
tendas fundadas até então (Nossa Senhora
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
179

da Piedade, Nossa Senhora da Conceição e


Nossa Senhora da Guia). Zélio havia assumi-
do a responsabilidade de abrir Sete Tendas,
além da sua Tenda, que representariam as
Sete Linhas de Umbanda (seriam fundadas
a Tenda São Jorge, Santa Bárbara, São Pe-
dro, Oxalá e São Jerônimo).

A escolha dos médiuns para dirigir estas ten-


das muitas vezes se mostra cercada de ce-
nas dignas de serem aqui relembradas:
João Severino Ramos, incrédulo, ao visitar
Zélio em Cachoeiras de Macacu, relutava em
acreditar nas manifestações que assistia a
sua frente, pedindo uma prova decisiva. Zé-
lio manifestado com o Orixá Malê apanhou
uma pedra na beira do rio acertando a mes-
ma bem na testa de Severino. Seus colegas
prontificaram- se a ir buscá-lo, ao que a en-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
180

tidade ordenou que não se movessem, pois


ele voltaria sozinho. Minutos depois João
Severino, transfigurado, atravessaria a mar-
gem do Rio Macacu já incorporado da enti-
dade que identificaria como Ogum de Tim-
biri. João Severino se tornaria dirigente da
Tenda Espírita São Jorge, fundada por Zé-
lio, e também autor do livro Umbanda e seus
Cânticos, publicado em 1953. O autor divi-
de este livro em duas partes, uma primeira
doutrinária e uma segunda sobre os pontos
cantados de Umbanda.

JOSÉ ÁLVARES PESSOA, Capitão Pessoa


como ficou conhecido, era espírita e estudio-
so do espiritualismo em geral, também não
dava muito crédito ao que vinha ouvindo so-
bre as “maravilhas de Neves”, sobre o Cabo-
clo Sete Encruzilhadas, resolveu ir pessoal-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
181

mente conhecer a Tenda Nossa Senhora da


Piedade. Isto se deu por volta de 1935, Zélio
já tinha fundado as seis tendas e lhe faltava
o médium que iria dirigir a Tenda São Jerô-
nimo. Assim que Capitão Pessoa adentrou o
ambiente da Tenda, Caboclo Sete Encruzilha-
das, devidamente incorporado, interrompeu
sua palestra e afirmou: Já podemos fundar
a tenda São Jerônimo. O seu dirigente aca-
ba de chegar.

O Sr. Pessoa se surpreendeu com tal afir-


mação, pois não conhecia ninguém naque-
le ambiente. Em conversa com o Caboclo se
surpreendeu mais ainda por mostrar que o
conhecia profundamente. A Tenda São Je-
rônimo tornou-se um exemplo dentro da re-
ligião e Capitão Pessoa um umbandista dos
mais atuantes. Nos legou um texto intitulado
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
182

Umbanda Religião do Brasil que faz parte de


um livro com o mesmo título onde participa
ao lado de mais três autores umbandistas
(Carlos de Azevedo, Madre Yarandasã e Nel-
son Mesquita Cavalcanti).

Neste livro, Capitão Pessoa ressalta a Um-


banda como “UMA RELIGIÃO GENUINAMEN-
TE BRASILEIRA” e o Caboclo das Sete En-
cruzilhadas como responsável por esta nova
religião.

JOÃO DE FREITAS, em 1938, publica o título


Umbanda, no qual descreve visitas a oito ten-
das de Umbanda, entre as entrevistas res-
salto uma muito interessante que descreve
a visita do “grande Embanda João da Gol-
meia” ao Terreiro de Cobra Coral do confra-
de Orlando Pimentel. Podemos afirmar que
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
183

a ideia e o formato deste livro se aproximam


muito do que foi feito por Leal de Souza na
sua obra No Mundo dos Espíritos.

Mais tarde, década de 40, viria a escrever


Xangô Djacutá, na apresentação do livro es-
creve ele:
“(...) julgamos oportuno escrever Xangô Dja-
cutá com o propósito de colaborar com os
que pleiteiam o reconhecimento da Umban-
da como religião de fato...”

“(...) a Umbanda não quer e não precisa vi-


ver à sombra de outras religiões, suas falhas
e lacunas somente aos umbandistas cabe o
direito de corrigir.”

WALDEMAR L. BENTO, em 1939, publica o


livro Magia no Brasil, um livro de Umbanda
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
184

que apresenta um “longo estudo da magia,


teogonia, ritual, curimbas, pontos, orixás e
um vocabulário de uso corrente constituindo
precioso manancial da época”.

Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo


de Umbanda, 1942, é um divisor de águas.
Este é o título do livro que relata o que foi
este Congresso realizado em 1941, como pri-
meira tarefa da Federação de Umbanda do
Brasil, fundada em 1939 por incentivo do Ca-
boclo das Sete Encruzilhadas.

Chegamos à década de 40 e o movimento


umbandista começa a tomar corpo no Rio
de Janeiro.
Este congresso é a primeira iniciativa cole-
tiva da religião em estabelecer o que é e o
que não é Umbanda, buscando entender
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
185

qual seria a identidade da Umbanda. Coloco


abaixo alguns fragmentos do livro que relata
o que foi o Congresso:

“A IDEIA DO CONGRESSO
O conceito alcançado entre nós pelo Espiri-
tismo de Umbanda...
(...) Sua prática variava, entretanto, segundo
os conhecimentos de cada núcleo, não ha-
vendo, assim, a necessária homogeneidade
de práticas, o que dava motivo à confusão
por parte de algumas pessoas menos es-
clarecidas, com outras práticas inferiores de
espiritismo.”

Fundada a Federação Espírita de Umbanda


há cerca de dois anos, o seu primeiro tra-
balho consistiu na preparação deste Con-
gresso, precisamente para nele se estudar,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
186

debater e codificar esta empolgante moda-


lidade de trabalho espiritual, a fim de varrer
de uma vez o que por aí se praticava com o
nome de Espiritismo de Umbanda, e que no
nível de civilização a que atingimos não tem
mais razão de ser.

DISCURSO INAUGURAL
Pronunciado pelo 1° Secretário da Federa-
ção Espírita de Umbanda, Sr. Alfredo António
Rego, na reunião de 19 de Outubro de 1941.

“A obra a que neste momento vamos dar


início, com o pensamento inteiramente vol-
tado para Jesus, Nosso Mestre e Senhor, é
daquelas que, pelo vulto de sua grandiosi-
dade, não podem ser concluídas numa única
encarnação.”
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
187

“(...) Umbanda deixará de ser de agora em


diante aquela prática ainda mal compre-
endida por numerosos dos nossos distintos
confrades da Seara do Mestre, para se tor-
nar, assim o cremos, a maior corrente men-
tal da nossa era, nesta parte do continente
sul-americano.”

Foram apresentadas muitas teses sobre


a Umbanda neste congresso, que ela teria
origem na Lemúria, na Atlântida, na África e
outras. A Palavra UMBANDA foi considera-
da uma palavra sânscrita deturpada de seu
vocábulo original (AUMBANDÃ). No Segundo
Congresso de Umbanda, em 1961, esta ideia
foi retificada, reconhecendo-se que a pala-
vra já existia na língua quimbundo falada em
Angola. Seu significado é a prática espiritual
de cura do sacerdote chamado Kimbanda.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
188

Lourenço Braga publica UMBANDA E QUIM-


BANDA, seu “trabalho apresentado” no Pri-
meiro Congresso de Umbanda, 1941; estra-
nhamos não ser citado em nenhum momento
no livro do Congresso. Lourenço Braga é o
primeiro a dividir as Sete Linhas em quaren-
ta e nove Legiões. Podemos considerá-lo
um pioneiro, com um trabalho hercúleo que
foi a organização destas legiões que seriam
copiadas por muitos autores posteriores a
ele, sem que seu nome fosse citado. Assim
como a teoria do AUMBANDÃ, do Primeiro
Congresso de Umbanda, também apare-
ceria em obras posteriores sem os devidos
créditos ao idealizador (Diamantino Trinda-
de, Delegado da Tenda Mirim para o Primeiro
Congresso de Umbanda).

Lourenço Braga publica ainda os títulos:


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
189

Trabalhos de Umbanda ou Magia Prática,


1950; Os Mistérios da Magia, 1953; Umbanda
e Quimbanda II, 1955.

J. DIAS SOBRINHO publica Forças Ocultas


Luz e Caridade, 1949, um livro interessante
com uma ótica bem espírita e dividido em
duas partes. Na primeira A constituição es-
piritual do homem e na outra Espiritismo. Se-
gue o modelo de Lourenço Braga em dividir
o Espiritismo em três partes (Kardecismo,
Umbanda e Kimbanda) e também nas sub-
divisões das Sete Linhas com Legiões. Apre-
senta algumas teorias mirabolantes como
o “Cisma de Irschu”, não são ideias próprias
como as de Lourenço Braga, já são adapta-
das das dele e de outros autores. Este “Cis-
ma”, apesar de fantasioso, também seria
copiado por outros autores.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
190

OLIVEIRA MAGNO publica Umbanda Esoté-


rica e Iniciática em 1950, apresenta logo na
primeira página o “Símbolo Esotérico-Um-
bandista” – Um círculo com um triângulo fei-
to de flechas, um coração e uma cruz, um
símbolo dentro do outro respectivamente –
e explica: As três setas são os três mundos
(o físico, o intermediário, o espiritual); o cora-
ção é o amor universal; a cruz representa o
Cristo (Oxalá) e o círculo é o Universo.

Publica também:
Práticas de Umbanda, 1951; Umbanda e
Ocultismo, 1952; Ritual Prático de Umbanda,
1953; Antigas Orações da Umbanda, sd.; Um-
banda e seus Complexos, sd.; Pontos Canta-
dos e Riscados de Umbanda, sd.

SILVIO PEREIRA MACIEL se caracteriza por


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
191

uma literatura acessível, composta de dou-


trina, preces, pontos cantados, pontos risca-
dos e curiosidades. Títulos:
Alquimia de Umbanda, 1950; Umbanda Mis-
ta, sd. e Irradiação Universal de Umbanda,
sd., 1974.

ALUÍZIO FONTENELE surge no final da dé-


cada de 40, não sabemos a data exata de
publicação de seus títulos, que não consta,
mas há na capa dos três livros uma foto do
autor com a data de 1951 e a data de seu
desencarne em 1952. Por se tratar de três
títulos, com certeza foram produzidos no fi-
nal da década de 40.
Aluízio Fontenele retoma e faz uma releitu-
ra das Linhas e Legiões de Lourenço Braga,
com uma inovação, nas linhas de esquerda
ele associa os nomes dos Exus com nomes
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
192

dos “demônios” da Magia Negra Europeia,


também conhecida como Goécia. Provavel-
mente foi o primeiro a fazer este tipo de as-
sociação que vai aparecer em outras obras
na posteridade. São seus os títulos:
O Espiritismo no Conceito das Religiões e a
Lei da Umbanda, sd.; Umbanda Através dos
Séculos, sd. e Exu, sd.

YOKAANAM, Chefe Espiritual da Fraterni-


dade Eclética Espiritualista Universal, publica
Evangelho de Umbanda, em 1951. Apresenta
nesta obra o autor uma elaboração do que é
e como praticar a Umbanda, desde como se
vestir até a forma como deve ser construído
e organizado o templo. Também combate a
ideia das sete linhas de Umbanda pontifica-
da com sete Orixás, já adotada por alguns
autores anteriores como Leal de Souza e
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
193

Lourenço Braga. Diz Yokaanan que estes au-


tores são africanistas.

Provavelmente é o primeiro a publicar a ideia


de que UMBANDA é a BANDA de DEUS, a
BANDA do UM ou LEGIÃO de DEUS, conceito
que se tornaria popular, com seu apelo à lín-
gua portuguesa.

“(...) UMBANDA – Vem de UM + BANDA.


UM que significa DEUS... BANDA que significa
Legião, Exército... ou Lado de Deus! Ora, as-
sim sendo não pode ser confundida com o
Africanismo...”

TANCREDO DA SILVA PINTO, Tata Ti Inkice


Tancredo da Silva Pinto ou simplesmente Tata
Tancredo como era chamado – presidente
perpétuo da Congregação Espírita Umban-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
194

dista do Brasil - defendia a origem afro da


Umbanda e é considerado o pioneiro do ritu-
al Omolocô. Nas suas palavras, “A origem do
Culto Omolocô vem do sul de Angola, sen-
do uma nação pequenina às margens do rio
Zambeze que o tem como Zambi, que lhes
dava a alimentação necessária, provenien-
te das enchentes.” (A Origem da Umbanda).
Também define o Ritual de Cabula (Camba
de Umbanda), fala com desenvoltura e lin-
guagem simples desde a cultura afro-indí-
gena até o hinduísmo (Doutrina e Ritual de
Umbanda). São seus os titulo abaixo:

Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951 (par-


ceria de Byron Torres de Freitas); As Miron-
gas de Umbanda, 1953 (parceria de Byron
Torres de Freitas); Camba de Umbanda, sd.
(parceria de Byron Torres de Freitas); A Ori-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
195

gem da Umbanda, sd.; Umbanda - Guia para


Organização de Terreiros, sd.; Horóscopo de
Umbanda, sd.; Negro e Branco na Cultura Re-
ligiosa Afro Brasileira, sd.; O Eró(segredo) da
Umbanda, 1968; Os EGBAS, 1976 e As Im-
pressionantes Cerimônias da Umbanda, sd.
Emanuel Zespo é o pseudônimo usado pelo
professor Paulo Menezes, filho de Leopoldo
Betiol, esclarecido e com argumentação cla-
ra, defende a Umbanda como Religião Bra-
sileira.

Codificação da Lei da Umbanda, 1953.


Consiste de um ensaio para a Codificação
da Umbanda ou uma tentativa de chamar a
atenção de outros líderes para esta ques-
tão. Divide o conteúdo em Parte Científica e
Parte Prática, fecha o prefácio saudando o
Caboclo das Sete Encruzilhadas.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
196

“Escrevemos para o umbandista e para o


não umbandista.
Ao primeiro fornecemos os argumentos
científicos com os quais ele poderá justificar
ao mundo a razão de ser da Umbanda. Ao
segundo damos explicações claras do que é
a Umbanda...
(...) Comecemos pela Codificação na par-
te Científica e na parte Ritualística; mas não
esqueçamos que a base da parte moral é
confraternização de todos os umbandistas.
(...) Saravá o Caboclo das Sete Encruzilha-
das!
Viva Jesus!” Emanuel Zespo (pp.8-11)

SAMUEL PONZE confessa que nunca conhe-


ceu EMANUEL ZESPO, mas toma ao pé da
letra o sentido de codificador para este. Em
seu livrinho – 46 páginas – faz perguntas e
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
197

respostas sobre a Umbanda, sempre citan-


do o codificador. No prefácio afirma “Não me
sentiria capaz de continuar a obra de Zespo,
mesmo ela está concluída; contudo, desejo
divulgá-la e esclarecê-la por ser a mais sen-
sata em matéria de Umbanda, publicada até
hoje no Brasil conforme bem disse o „Jornal
de Umbanda”. O Jornal de Umbanda a que
se refere é o mesmo que foi idealizado por
Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encru-
zilhadas.
Lições de Umbanda, 1954.

FLORISBELA M. SOUSA FRANCO, autora de


dois livros conhecidos, seu trabalho consis-
te de mensagens que variam entre textos
inspirados, uma ou outra mensagem rece-
bida mediunicamente e pesquisa. São prin-
cipalmente textos doutrinários. Sua primei-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
198

ra publicação é de 1953, onde apresenta o


triângulo de Umbanda, Caboclos (energia),
Crianças (inocência) e Pretos-velhos (humil-
dade). Talvez tenha sido a primeira pessoa a
colocar este triângulo assim desta forma em
livro.
Umbanda, 1953 e Umbanda para os Mé-
diuns, 1958.

AB’D RUANDA fez um livrinho simples de


perguntas e respostas, que durante muito
tempo foi comercializado, acredito que ainda
seja possível encontrá-lo, a primeira edição
é de 1954, chama-se Lex Umbanda: Cate-
cismo, mas nas edições posteriores saíram
apenas como Catecismo de Umbanda.
Lex Umbanda: Catecismo, 1954 e Banhos e
Defumações na Umbanda, sd.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
199

BENJAMIM FIGUEIREDO fundador da tenda


Espírita Mirim, 1924, e do Primado de Um-
banda, incentivador do “Colegiado Espiritua-
lista do Cruzeiro do Sul”, “Círculo de Escrito-
res e Jornalistas de Umbanda”, “Movimento
de Unificação Nacional pró Religião de Um-
banda”. Fundador da “Escola Superior Iniciá-
tica de Umbanda do Brasil”. Incentivador do
Primeiro, Segundo e Terceiro Congressos de
Umbanda (1941, 1961 e 1973). Publicou no li-
vro abaixo com mensagens do Caboclo Mi-
rim, textos e pontos cantados.

Okê Caboclo!, sd.

São estes acima os pioneiros na Literatura


Umbandista, autores que surgiram ou publi-
caram seus títulos até a primeira metade da
década de 50. Depois deste período surgi-
ram muitos outros autores, a todos rende-
mos nossas homenagens.
A LITERATURA
DE UMBANDA HOJE
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
201

Hoje a literatura de Umbanda passa por uma


mudança de conceito, surgiu na década de
90 uma literatura psicografada de umban-
da, o médium RUBENS SARACENI trouxe o
estilo de romance mediúnico (tão comum no
“Kardecismo”) para a Umbanda.

Publicou inicialmente O Guardião da Meia


Noite e o Cavaleiro da Estrela da Guia que se
tornaram rapidamente os títulos mais lidos
entre os Umbandistas. Encontrou o autor na
Editora Madras, através de seu presidente,
Sr. Wagner Veneziani Costa, apoio irrestri-
to para a publicação e divulgação dos títulos
umbandistas.
O Sr. Rubens Saraceni e a Editora Madras
mudaram um paradigma no mundo livreiro,
pois as editoras e livrarias não aceitavam tí-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
202

tulos de Umbanda e os mesmos eram en-


contrados apenas em lojas de artigos reli-
giosos, agora outras editoras já se animam
em publicar títulos de umbanda e outros
umbandistas se sentiram incentivados, tam-
bém, a psicografar romances umbandistas
e obras doutrinárias.

A própria Editora Madras abriu espaço para


novos autores de Umbanda, ao que pode-
mos citar o sucesso da última Bienal do Li-
vro, 2008, em que ao lado de Rubens Sara-
ceni estavam também RODRIGO QUEIROZ,
com o romance psicografado Redenção,
IARA DRIMEL com o romance psicografa-
do A História da Senhora Pomba-gira Rosa
do Lodo e ANGÉLICA LISANTI com o título
Cristais e os Orixás. Também citamos como
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
203

autores de Umbanda nesta editora LURDES


CAMPOS VIEIRA, NELSON PIRES FILHO, Vi-
cente Paulo de Deus, NILTON DE ALMEIDA
JUNIOR, JOSÉ AUGUSTO BARBOSA e PAI
RONALDO LINARES.
Citamos estes autores apenas para que se
tenha uma ideia do que vem sendo publica-
do sobre Umbanda e do trabalho da Editora
Madras (www.madras.com.br).

Rubens Saraceni conta hoje com mais de cin-


quenta títulos publicados, e seu Pai espiritual
Ronaldo Linares, que conviveu com Zélio de
Moraes, acaba de publicar em parceria com
Diamantino Trindade e Wagner Venezia-
ni dois títulos importantes pela Editora Ma-
dras. O primeiro é Iniciação à Umbanda, livro
já consagrado no meio umbandista, possuía
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
204

publicação anterior em dois volumes, agora


ganha uma versão única, ampliada e revisa-
da. Neste título o leitor irá encontrar a histó-
ria de Zélio de Moraes, seus ensinamentos
para Ronaldo Linares, fotos do Pai da Um-
banda e de seus trabalhos. O outro título de
Ronaldo Linares é Os Orixás na Umbanda e
no Candomblé, que antes estava dividido em
uma coleção de títulos sobre os Orixás, ago-
ra reunido em volume único.
Quanto às livrarias aos poucos vêm dado
mais destaque à Umbanda e aos autores
umbandistas.
Esperamos sinceramente que os umbandis-
tas aproveitem os ensinamentos e esclare-
cimentos que surgem na obra literária um-
bandista. Hoje, mais do que nunca os guias e
mentores da Umbanda registram seus ensi-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
205

namentos no papel, pela psicografia.

Todos podem e devem ler e estudar para


entender a Umbanda além da manifesta-
ção mediúnica no terreiro (Tenda, Centro ou
Templo de Umbanda), entendê-la enquanto
religião – com doutrina, teologia e ritual pró-
prios. Bons estudos e boa leitura a todos.
.
E mais uma vez, Muito, Muito, Muito obrigado
a todos que possibilitaram este nosso en-
contro, meu agradecimento especial a todos
os guias e mentores de cada um de vocês
que muito fizeram no astral para que con-
cluíssemos este curso. Oxalá e todos os Ori-
xás estejam em nossos corações, palavras
e mente. Nos abençoem aqui, agora e sem-
pre...
Alexandre Cumino
FREI
MALAGRIDA
O JESUÍTA

ALEXANDRE CUMINO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
207

N
o ano de 1689, às margens do rio
Como, na Vila de Monagio, nascia um
menino que recebeu o nome de Ga-
briel Malagrida (que significa ‘’As Vozes Har-
moniosas de Deus”).

Desde cedo Gabriel demonstrou tendências


místicas. Entrou para o seminário de Milão
onde foi ordenado e professou na Compa-
nhia de Jesus em 1711.

Gabriel desejava cumprir sua missão no Bra-


sil, porém Tamborini, o Geral da Companhia
de Jesus, havia lhe reservado a cadeira de
Humanidades no Colégio de Bastis, na Cór-
sega. Mais tarde conseguiu se transferir para
Lisboa, em 1721, onde depois de algum tem-
po conseguia embarcar para o Maranhão.
GABRIEL
E O BRASIL
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
209

N
essas terras, Gabriel pregou inter-
nando-se no sertão, enfrentando sé-
rios perigos e vencendo com a fibra
de quem se julgava destinado a cumprir uma
missão superior no Planeta, uma missão de
conquistar almas para o Céu. Apresentava
evidentes sintomas mediúnicos ouvindo vo-
zes misteriosas e chegou mesmo a pensar
que operava milagres.

Em 1727 começou a árdua tarefa de cate-


quizar os índios no Maranhão, conseguindo
nessa mesma ocasião amansar a feroz tribo
dos Barbassos. Fundou no Maranhão uma
missão que teve grande desenvolvimento,
sustentando uma peregrinação apostólica.
Foi em seguida, em 1730, para a Bahia e Rio
de Janeiro onde continuou a pregar, alcan-
çando grande ascendência sobre os índios.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
210

Apareceu então convertido no apóstolo do


Brasil.
Dizia que conversava com Deus e que lhe
aparecia a Virgem Maria, e para completar
seus feitos, descrevia os “milagres” que ope-
rava.
Em 1749 partiu para Lisboa, onde foi recebi-
do com fama de santo por muitos fiéis. Nes-
sa época Dom João V se encontrava muito
doente, e Gabriel, a seu pedido, o assistiu nos
seus últimos momentos.
Em 1751 retornou ao Brasil onde ficou ate
1754, ano em que foi chamado a Lisboa pela
Rainha Dona Mariana da Áustria. Encontrou
no poder Sebastião José, o terrível Marquês
de Pombal, que não permitiu sua presença
por muito tempo junto à Rainha. Por esse
motivo, Gabriel se isolou durante algum tem-
po em Setúbal.
GABRIEL
E A INQUISIÇÃO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
212

N
o dia 1° de novembro de 1755, Lisboa foi
destruída por um terremoto. Correu o
boato que a catástrofe era castigo do
céu. Pombal mandou publicar um folheto es-
crito por um padre, explicando o fenômeno e
as causas naturais que o determinaram. Ga-
briel apareceu em público com um opúsculo,
onde procurava corrigir o teor da publicação.
Nesse opúsculo, Gabriel afirmava que o ter-
remoto era verdadeiramente um castigo do
céu. Pombal enfurecido mandou queimar o
opúsculo e desterrou Gabriel para Setúbal.

Em setembro de 1758, ocorreu um atentado


contra a vida de Dom José. Algumas sema-
nas antes, Gabriel havia escrito uma carta
ameaçadora ao Marquês de Pombal. Ga-
briel foi preso, em 11 de dezembro, como res-
ponsável pelo atentado e encarcerado nas
prisões do Estado. Pombal vasculhou seus
livros e nessa oportunidade lhe atribuiu pas-
sagens que pareciam pouco ortodoxas, e foi
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
213

entregue à Inquisição.

Gabriel foi condenado à pena de garrote e


fogueira, sendo executado na Praça do Ros-
sio em 21 de setembro de 1761.

Uma comprovação destes fatos pode ser


encontrada na Biblioteca de Amsterdam,
onde existe uma cópia do seu famoso pro-
cesso, traduzida da edição de Lisboa. Nesse
processo pode-se ler que Malagrida foi acu-
sado de feitiçaria e de manter pacto com o
Diabo que lhe havia revelado o futuro!...

Gabriel Malagrida reencarnou no Brasil (tal-


vez para se refazer da árdua encarnação
como jesuíta) se preparando para a impor-
tante missão que lhe estava reservada den-
tro do Movimento Umbandista no século XX,
como Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Texto extraído do site http://www.geocities.com/Athens/
Acropolis/9175/historia.htm
EM DEFESA DO ESTUDO
E DO CONHECIMENTO DA
RELIGIÃO DE UMBANDA

ALEXANDRE CUMINO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
215

H
ouve um tempo em que nada se en-
sinava sobre a religião de Umbanda,
muitos se justificavam dizendo que
seus ensinamentos eram um segredo (eró),
e o praticante, também conhecido como mé-
dium ou “cavalo de Umbanda” permanecia
aguardando o momento em que “o segre-
do” poderia ser revelado a ele. Ao questio-
nar sobre os ensinamentos ou sobre algum
fundamento, era comum ouvir a frase: “Você
ainda não está pronto, ou ainda não é o mo-
mento de você saber sobre isso”. O fato é
que muitos foram preparados (ou “despre-
parados”) desta forma dentro da Umbanda.
Muitos ouviram estas frases a vida inteira e
hoje apenas fazem repetir a mesma frase,
acompanhada de um ar de mistério e olhar
inquisidor, para os que estão sob a sua orien-
tação (ou “desorientação”).
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
21 6

Conhecemos muitos médiuns que não sa-


bem explicar a relação entre Santos Católi-
cos e Orixás existente na Umbanda, seja ela
de Sincretismo ou de Coparticipação no cul-
to a Deus, suas divindades e seus mensa-
geiros. Outros fazem confusão entre o que é
um Orixá como Oxalá e Deus, que pode ser
chamado de Zambi, Tupã, Olorum ou Olodu-
marê.

Confundem-se ainda os conceitos e dogmas


católicos com os fundamentos de Umban-
da. Muitos batem cabeça e não sabem por
que estão fazendo isso, sacerdotes que não
têm segurança ou não entendem mesmo o
porquê se realizar rituais de batizado, casa-
mento e encomenda fúnebre. Confunde-se
Umbanda, Candomblé e Espiritismo (Karde-
cismo).
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
217

Encontram-se ainda perdidos sem saber


como se classificam ou se devem se classi-
ficar como Umbanda Branca, Umbanda Mis-
ta, Umbanda Trançada, Umbanda Esotérica,
Umbanda Iniciática, Umbanda Carismática,
Umbanda de Raiz, Umbanda Omolokô, Um-
banda de Caboclo e Umbanda para todos
os gostos.

O primeiro curso aberto para formação de


Sacerdotes de Umbanda é o tradicional curso
da Federação Umbandista do Grande ABC,
ministrado por Pai Ronaldo Linares desde a
década de 70 e que hoje está na 25a Tur-
ma (25° Barco). Pai Ronaldo nos conta que
convivendo com Zélio de Moraes (Fundador
da Umbanda), entendeu que esta era uma
vontade dele também: preparar sacerdotes
que pudessem representar a religião, trans-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
218

mitindo-lhes o conhecimento de maneira


uniforme e aberta. Hoje este curso está em
sua 25a edição.

Pai Jamil Rachid mantém na União de Ten-


das de Umbanda e Candomblé os cursos de
Batizado, Casamento e Funeral, aberto aos
que venham a se interessar. É ministrado nos
finais de semana para facilitar aos que vêm
de longe para estudar e se preparar para os
rituais de Umbanda.
Muitos outros também ministram cursos de
Umbanda baseados em seus conhecimen-
tos, a maioria das Federações mantém cur-
sos para seus filiados.

Apesar de a Umbanda ser uma religião aber-


ta, muitos umbandistas sofreram influências
do ocultismo e esoterismo europeu, que zela
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
219

pelo segredo. Assim, alguns segmentos pre-


servam o conceito de ocultar os ensinamen-
tos. Há os que ocultaram o conhecimento
por pressão da sociedade, pela repressão
e preconceito que a Umbanda sofreu, assim
como há muitos que ocultaram sua identi-
dade como umbandista bem como toda e
qualquer informação sobre a Umbanda.

Aos primeiros, podemos dizer que segredo


só é segredo quando apenas um o conhece,
de outra forma é notícia. Um exemplo disso
está nos livros que foram publicados sobre
Umbanda ao longo dos tempos, inclusive de
autores que beberam em fontes que não ti-
nham interesse em ser reveladas; mas logo
aparece um “espertinho”, absorve “o segre-
do alheio” e o publica, nem sempre citando a
fonte de origem.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
220

Ao segundo grupo, lembramos que não há


motivos para nos esconder ou esconder
nossa religião, temos que assumir “O orgulho
de ser Umbandista”.
Há os tradicionalistas habituados ao “segre-
do” que afirmam que “são muitos os chama-
dos e poucos os escolhidos”. Sendo assim,
quanto menos Umbandistas melhor, “sou
um dos poucos”; quanto menos umbandis-
tas esclarecidos melhor, “sou um dos raros a
ter informação sobre a umbanda”.

Infelizmente, ainda hoje convivemos com os


do terceiro grupo, que até ontem pregavam o
“segredo”, e hoje querem ensinar não sabem
para quem, mas de qualquer forma pregam
que todos são iguais, mas só eles têm a ver-
dade, criticam tudo, todos e ainda se dizem
universalistas.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
221

Como consequência da evolução, há uma


grande maioria sedenta de conhecimento,
que entende que “o saber é luz e a ignorân-
cia é trevas”.

Devemos estudar Umbanda. Estamos na era


da informação e a nova geração não aceita
mais respostas redundantes, a fuga ou o es-
conder-se atrás de frases, “caras e bocas”.
Não sabemos o que é pior: a soberba ou a
falsa modéstia. De qualquer forma, a sober-
ba atrai os soberbos e a falsa modéstia é
algo que mais dia, menos dia, cai por terra.
“Estudar é preciso” e é urgente em nossa re-
ligião, tanto para popularizar o conhecimento
quanto para termos Umbandistas mais bem
preparados para estes novos tempos. Por-
tanto, podemos e devemos preparar melho-
res médiuns, com cursos, sim!
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
222

Não temos como evitar que um médium que


tenha estudado e até se dedicado faça algu-
ma besteira, pois isto é humano, mas ainda
assim aquele que estuda tem menos chance
de errar.
Há os que dizem que os cursos ou o conhe-
cimento podem interferir durante os traba-
lhos mediúnicos. Estes não pararam para
pensar que quem se permite interferir com
o conhecimento também se permitirá inter-
ferir com a ignorância, portanto o risco de
interferir com novas informações é idêntico
às interferências com velhas e distorcidas
informações.

Nada justifica a ignorância com os funda-


mentos de sua religião, nada justifica o não
estudar, nada justifica esta paralisia mental
e até espiritual, pois espíritos evoluem e es-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
223

tudam. Ou alguém pensa que caboclo e pre-


to velho nunca estudaram para fazerem o
que fazem e receitarem o que receitam?
Há quem acredite que é suficiente o conhe-
cimento dos Guias. O que é uma verdade
parcial, pois mesmo que não se tenha ne-
nhuma informação, através da boa incorpo-
ração os guias realizam seu trabalho. Mesmo
no mais ignorante, um sábio pode se mani-
festar; desde que haja afinidades de objeti-
vos, entre eles, o de ajudar ao próximo. Neste
caso temos a Umbanda como um fenômeno
que “eu não sei de nada”. Porém, para tê-la
como religião é preciso estudar e muito.
No ano de 1995, mentores “de Umbanda”
e “da Umbanda” manifestaram ao médium
Rubens Saraceni a importância de ir ao en-
contro destas necessidades. Rubens já vinha
recebendo informações deles pela psicogra-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
224

fia há muitos anos, juntando dezenas e de-


zenas de livros que vinham sendo publicados.
Ele mesmo já tinha feito o curso de Sacer-
dócio na Federação Umbandista do Grande
ABC com Pai Ronaldo Linares e agora rece-
bia a missão de popularizar o conhecimen-
to aberto e irrestrito a todos que quisessem
estudar sobre a Umbanda. Naquela época,
os mentores explicaram que Umbanda não
tinha nada a esconder. Era preciso multipli-
car os ensinamentos e o conhecimento; nada
mais seria segredo: tudo seria revelado, ex-
plicado e fundamentado.

Foi então que surgiu o curso de Teologia de


Umbanda Sagrada, o primeiro curso aber-
to desta forma e com esta proposta. Doze
anos depois, é fato o grande número de um-
bandistas beneficiados por este curso.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
225

Também foi por iniciativa do astral que Ru-


bens abriu o curso de Magia do Fogo, segui-
do de outras Magias (hoje já foram abertas
14 Magias), Sacerdócio Umbandista e De-
senvolvimento Mediúnico.

Em nosso cotidiano, quando queremos co-


nhecer e nos preparar para algo, nos de-
dicamos, estudamos, lemos bons livros e
procuramos cursos que nos instruam. Para
nos instruir procuramos quem melhor pos-
sa fazê- lo. Algumas pessoas dedicam boa
parte das suas vidas a ensinar o que sabem,
a nós, resta ir ao encontro destas pessoas.
Que cada um de nós avalie o que é bom, mas
que avalie estudando, pois como avaliar o
que não se conhece? Muitos de nós nos per-
guntamos o que fazer pela Umbanda além
de nossos trabalhos no terreiro, o que fazer
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
226

pela Umbanda enquanto religião?


Primeiro devemos fazer por nós, enquanto
umbandistas. Devemos estudar e nos es-
clarecer para ser formadores de opinião so-
bre nossa religião. Depois devemos sim nos
esforçar em esclarecer o que é Umbanda e
multiplicar as informações. Portanto, Estu-
dar Umbanda é um começo, um meio e um
destino.

Cursos de Umbanda são essenciais. O estu-


do dentro do terreiro é fundamental para a
evolução da casa; mas os estudos fora do
terreiro são fundamentais para a evolução
e futuro da religião. Um estudo aberto, que
fale dos fundamentos de forma simples e
que explique o trabalho que já fazemos. Não
precisamos mudar nosso trabalho mediúni-
co espiritual, apenas entender melhor o que
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
227

é a Religião de Umbanda, entender melhor


o que estamos fazendo aqui, qual o nosso
papel.

A grande reclamação dos umbandistas é


que não tinha estudo, esclarecimento e nem
abertura de diálogo sobre suas práticas e
fundamentos. Agora há. Estudo nunca é de-
mais.

“Estudem, Estudem, Estudem...


UMBANDA!”
QUANDO VOCÊ RESPONDE

SIM
SOU UMBANDISTA

DANIEL LOPES GUEDES


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
229

C
onheço muitos Umbandistas e quan-
do são questionados sobre qual é a
sua crença a maioria diz: “Sou espíri-
ta”, outros “Sou católico” e poucos “Sou Um-
bandista”.

Aí vem o meu questionamento, por que não


dizer “Eu sou Umbandista”?
Eu procuro entender estas respostas varia-
das. Pergunte as pessoas de outras religiões
qual é a sua crença? Você verá um orgulho
no olhar e com a cabeça erguida lhe dizer:
“Sou evangélico”, “Sou católico”, “Sou budis-
ta” etc.

Pensei, o que os Umbandistas não possuem


que os outros possuem e lhe impede de di-
zer exatamente a sua crença? Com base
nisso comecei a questionar estas pessoas e
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
230

a maioria tem a mesma linha de raciocínio,


se eu falo que sou Umbandista não sou bem
visto pelos demais, ou então, um preconceito
baseado na falta de conhecimento que faz
com que as pessoas acabem se afastando
de mim.

Então vamos lá:


• A Umbanda é uma religião, certo?
Certo.
• A Umbanda sendo uma religião então só
pode fazer o bem, certo?
Certo.
• Os Umbandistas que praticam a essência
da Umbanda, sempre, mas sempre, farão o
bem ao próximo,
certo? Certo.
• Os cultos Afros (Umbanda e Candomblé,
por exemplo) são protegidos pela Justiça, se
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
231

existir a discriminação religiosa é considera-


da um crime, certo?
Certo.

Com base nos questionamentos e nas res-


postas acima não consigo entender o medo
de declarar a vossa crença, este medo de
dizer claramente e com convicção “Sou Um-
bandista”, estamos falando de uma Religião,
somos amparados por uma doutrina de amar
a Deus acima de qualquer coisa, se estamos
protegidos pela Justiça no caso de existir
uma discriminação Religiosa. Como todas as
outras religiões, a Umbanda só quer ajudar,
direcionar e fazer o bem ao próximo. Volto a
questioná-los, por que não dizer: “Sou Um-
bandista”?
Acho que já passou da hora dos Umbandis-
tas apresentarem as vossas “caras”, sabe
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
232

meus irmãos de Fé, desde o seu surgimento


até os dias atuais, a Umbanda vem sendo
perseguida, aí vem a dúvida, mas a culpa é
apenas dos outros? Não é apenas dos ou-
tros, é nossa também porque não estamos
de mãos dadas, unidos pra lutar pelo seu
nome, seus fundamentos e seus trabalhos.
Vamos nos unir e vamos dizer a verdade
sobre qual é a nossa crença, sem medo de
nada, se você está aqui pra ajudar e orientar
as pessoas, então porque se esconder atrás
de outras religiões?

Tenha orgulho de dizer: “Sim, sou Umbandis-


ta”.
Médium, Danilo Lopes Guedes, do Núcleo
de Umbanda Casa da Vovó e do Vovô,
12/08/2009.
UMA CARTA
DE BEZERRA
DE MENEZES

ALEXANDRE CUMINO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
234

N
o ano de 2008, estreou o longa-me-
tragem “Bezerra de Menezes – O Di-
ário de um Espírito”, que teve gran-
de audiência nas salas de cinema de todo o
país. Um dos momentos tocantes do filme é
quando o Dr. Bezerra de Menezes respon-
de a uma carta de seu amigo Soares, que
o recrimina por haver abraçado a doutrina
espírita. Esta réplica tornou-se um livro, que
recentemente foi publicado pela FEB, com o
título “Uma carta de Bezerra de Menezes”,
do qual destacamos alguns trechos que de-
monstram como o estudo e a pesquisa da
religião e história mundiais foram instrumen-
tos valiosos para que Bezerra de Menezes
defendesse sua crença na reencarnação:
BEZERRA DE MENEZES
E OS MISTÉRIOS
DA REENCARNAÇÃO
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
236

O
s Vedas, livro sagrado dos hindus,
consignam inúmeras manifesta-
ções, como esta: “Eis-me, de novo,
revestido de um corpo”.
O Bhagavad Gita, no Shastah e no Colégio
de Manu, manifesta-se positivamente. No
Shastah se encontram mil passagens como
esta: “Eu tenho muitos renascimentos; e tu
também Arjuna”. “Como trocamos por novos
os vestidos usados, assim a alma deixa os
corpos gastos para vestir outros”.
O Budismo é, como sabe, um ramo do Bra-
manismo, assente sobre a mesma base: a
pluralidade de existências, que se procura
evitar pelo nirvana, ou existências sem cons-
ciência.
...
Os gregos e romanos acreditavam nas vidas
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
237

múltiplas.
Louis Ménard, falando da metempsicose, diz:
“Os mortos podem procurar novos destinos
– e reencarnar, pelo Letes, no turbilhão da
vida universal;
podem tornar à Terra, uns para repararem
as faltas de uma vida anterior e se purifica-
rem por novas lutas, outros, os redentores
mortais, por conduzirem os povos desenca-
minhados à prática das virtudes antigas.
Vê-se, por isso, que a crença no Hades dos
gregos e no Amentis dos egípcios não fazia
desses lugares senão estações temporárias,
donde a alma imperfeita volvia ao círculo das
existências corpóreas, no seio da Humanida-
de terrestre”.
...
Assim, pois, toda a teologia pagã da antigui-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
238

dade profana, o que vale por dizer – todos


os povos antigos tinham a crença de que o
espírito tomava múltiplas encarnações.
...
Platão tentou firmar em provas a verdade
das vidas sucessivas e no Fédon desenvol-
veu largamente as duas principais: uma, tira-
da da ordem geral da Natureza, a outra, da
consciência humana.
“A Natureza é governada pela lei dos contrá-
rios. E, pois, visto que a noite sucede ao dia,
é de rigor que à morte suceda a vida. Além
de que, se ex nihilo nihil, os seres que vemos
morrer não podem deixar de voltar à vida,
porque, ao contrário, tudo acabaria absor-
vido na morte – e a natureza seria um dia o
que é o Endimião.
Passando à segunda prova, acrescenta: “Ali
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
239

encontramos o mesmo dogma atestado pela


reminiscência. Aprender é recordar. Ora, se
nossa alma se recorda de já ter vivido an-
tes de descer ao corpo, como o provam as
ideias inatas, porque não crer que, deixando
ela este corpo, possa vir animar muitos ou-
tros?”.
...
Plotino, no curso de suas Enéades, diz: “É dog-
ma de toda a Antiguidade e universalmente
reconhecido que, se a alma comete faltas,
é condenada a expiá-las, sofrendo punições
nos infernos tenebrosos, sendo depois ad-
mitida a novos corpos, para recomeçar suas
provas”.

Porfírio, admitindo como fato provado a ideia


de Platão sobre a reminiscência, ensina que
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
240

já existimos numa vida anterior, que nela co-


metemos faltas e que é para expiar essas
faltas que somos novamente revestidos de
um corpo.
...
O dogma da pluralidade de existências foi o
mais oculto segredo dos Mistérios, transmi-
tido, de idade em idade, aos iniciados, que
eram preparados por longas provas para
receberem essa verdade. Os Mistérios eram
a representação simbólica dos destinos hu-
manos, cujos diversos graus se refletem na
hierarquia dos iniciados.
...
Dos Mistérios passemos aos Druidismo. É
tão certo que os druidas ensinavam o dog-
ma das vidas sucessivas, como é certo que
acreditavam na unidade de Deus.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
241

César, que não pode ser suspeito, porque


acreditava no nada depois da morte, diz:
“Uma crença que eles procuravam, principal-
mente, firmar era a das almas não perece-
rem com o corpo, passando a novos corpos
depois da morte”.
...
Amieno Marcelino corrobora aqueles dize-
res e Diodoro de Sicília fala nestes termos:
“Eles fazem prevalecer a opinião de Pitágo-
ras, que sustenta a imortalidade das almas
e que elas vão animar outros corpos, pelo
que, quando queimam seus mortos, lançam
à fogueira cartas para seus parentes”.
...
Em Isaías, lê-se: Jeová diz: Eu não disputarei
eternamente com o culpado e a minha có-
lera não durará sempre; porque os espíritos
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
242

saíram de mim e Eu criei as almas”.


No Gênesis, 2:7, lê-se também: “E o que foi –
é – e há de ser – fez para o homem um cor-
po grosseiro, tirado dos elementos da terra,
e uniu a esses órgãos materiais a alma in-
teligente e livre, trazendo já consigo o sopro
divino: o espírito, que a segue em todas as
suas vidas...”
Só na preexistência se pode achar a razão
do que disse Jeremias: “Antes que fosse ele
gerado no ventre de sua mãe, eu já o tinha
conhecido”.
E a melhor prova de que era geral a ideia da
pluralidade de existências, entre os judeus,
está no fato de acreditarem que Jesus era
um dos antigos profetas.
...
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
243

Santo Agostinho, no livro I das Confissões, ex-


prime-se assim: “Antes do tempo que passei
no seio de minha mãe, não terei estado em
outra parte e sido outra pessoa?”.
...
Mais completa prova de que Jesus admitia
as reencarnações só esta: Nicodemos pe-
diu-lhe explicações sobre a vida futura e o
Senhor respondeu: Em verdade, em verda-
de te digo: ninguém poderá ter o Reino do
Céu, sem renascer de novo.
Introdução de Alexandre Cumino, e citações
retiradas do livro “Uma Carta de Bezerra de
Menezes” - FEB.
O QUE A UMBANDA
TEM A OFERECER?

FERNANDO SEPE
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
245

H
oje em dia, quando falamos em reli-
gião, os questionamentos são diver-
sos. A principal questão levantada
refere-se à função da mesma nesse início
de milênio. Tentaremos nesse texto, de for-
ma panorâmica, levantar e propor algumas
reflexões a esse respeito, tendo como foco
do nosso estudo a Umbanda.

O que a religião e, mais especificamente, a


religião de Umbanda, pode oferecer a uma
sociedade pós- moderna como a nossa?
Como ela pode contribuir junto ao ser huma-
no em sua busca por paz interior, desenvolvi-
mento pessoal e autorrealização? Quais são
suas contribuições ou posições nos aspectos
sociais, em relação aos grandes problemas,
paradoxos e dúvidas, que surgem na huma-
nidade contemporânea? Existe uma ponte
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
246

entre Umbanda e ciência (?) – algo indispen-


sável e extremamente útil, nos dias de hoje,
a estruturação de uma espiritualidade sadia.
O principal ponto de atuação de uma reli-
gião está nos aspectos subjetivos do “eu”.
Antigamente, a religião estava diretamente
ligada à lei, aos controles morais e defini-
ção de padrões étnicos de uma sociedade
– vide os dez mandamentos e seu caráter
legislativo, por exemplo. Hoje, mais que um
padrão de comportamento, a religião deve
procurar proporcionar “ferramentas reflexi-
vas” ou “direções” para as questões existen-
ciais que afligem o ser humano. Em relação
a isso, acreditamos ser riquíssimo o poten-
cial de contribuição do universo umbandista,
mas, para tanto, necessitamos que muitas
questões, aspectos e interfaces entre espi-
ritualidade umbandista e outras religiões e
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
247

ciência sejam desenvolvidos, contribuindo de


forma efetiva para que a religião concreti-
ze um pensamento profundo e integral em
relação ao ser humano, assumindo de vez
uma postura atual e vanguardista dentro do
pensamento religioso. Entre essas questões,
podemos citar:

- Um estudo aprofundado dos rituais um-


bandistas, não apenas em seus aspectos
“magísticos”, mas também em seus sentidos
culturais, psíquicos e sociais. Como uma gira
de Umbanda, através de seus ritos, cantos e
danças, envolve-se com o inconsciente das
pessoas? Como podem colaborar para tra-
balhar aspectos “primitivos” tão reprimidos
em uma sociedade pós-moderna como a
nossa? Como os ritos ganham um significa-
do coletivo, e quais são esses significados?
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
248

Grandes contribuições a sociologia e a an-


tropologia podem dar à Umbanda.
- Uma ponte entre as ciências da mente –
como a psicanálise, psicologia – e a mediuni-
dade, utilizando-se da última também como
uma forma de explorar e conhecer o incons-
ciente humano. Mais do que isso, os aspec-
tos psicoterápicos de uma gira de Umbanda
e suas manifestações tão mítico-arquetípi-
cas. Ou será que nunca perceberemos como
uma gira de “erê”, por exemplo, além do tra-
balho espiritual realizado, muitas vezes fun-
ciona como uma sessão de psicoterapia em
grupo?

- A mediunidade como prática de autoco-


nhecimento e porta para momentâneos
estados alterados de consciência que con-
tribuem para o vislumbre e o alcance perma-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
249

nente de estágios de consciência superiores.


Além disso, por que não a prática medita-
tiva dentro da Umbanda (?) - prática essa
tão difundida pelas religiões orientais e que
pesquisas recentes dentro da neurociência
demonstram de forma inequívoca seus be-
nefícios em relação à saúde física, emocional
e mental.

- Uma proposta bem fundamentada de in-


tegração de corpo-mente-espírito. Contri-
buição muito importante tanto em relação
ao bem-estar do indivíduo como também
dentro da medicina, visto que a OMS (Orga-
nização Mundial da Saúde) hoje admite que
as doenças tenham como causas uma sé-
rie de fatores dentro de um paradigma bio-
-psíquico-social caminhando para uma visão
ainda mais holística, uma visão bio-psíquico-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
250

-sócio- espiritual.
- O estudo comparativo entre religiões, com
uma proposta de tolerância e respeito às
mais diversas tradições. Por seu caráter sin-
crético, heterodoxo e antifundamentalista, a
Umbanda tem um exemplo prático de paz
às inúmeras questões de conflitos étnico-
-religiosos que existem ao redor do mundo.

- A liberdade de pensamento e de vida que


a Umbanda dá as pessoas também deveria
ser mais difundida, visto que isso se adap-
ta muito bem ao modelo de espiritualidade
que surge como tendência nesse começo
de século XXI. Parece-nos que a Umbanda
há muito tempo deixou de lado a velha or-
todoxia religiosa de “um único pastor e único
rebanho”, para uma visão heterodoxa de se
pensar espiritualidade, onde ela assume di-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
251

versas formas de acordo com o estágio de


desenvolvimento consciencial de cada pes-
soa, o que vem ao encontro – por exemplo
– das ideias universalistas de Swami Viveka-
nanda e seu discurso de “uma Verdade/Reli-
gião própria para cada pessoa na Terra”. E a
Umbanda, assim como muitas outras religi-
ões, pode sim desenvolver essa multiplicida-
de na unidade.

- O resgate do sagrado na natureza e o res-


peito ao planeta como um grande organismo
vivo. Na antiga tradição yorubana tínhamos
um Orixá chamado Onilé, que representa-
va a Terra planeta, a mãe Terra. Mesmo que
seu culto não tenha se preservado, tanto nos
candomblés atuais como na Umbanda, atra-
vés de seus outros “irmãos” Orixás, o culto
à natureza é preservado e, em uma época
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
252

crítica em termos ecológicos, a visão sagra-


da do planeta, dos mares, dos rios, das ma-
tas, dos animais etc. ganha uma importância
ideológica muito grande e dota a espiritua-
lidade umbandista de uma consciência eco-
lógica necessária.

- O desenvolvimento de uma mística dentro


da Umbanda, onde elementos pré-pessoais
como os mitos e o pensamento mágico-a-
nimista, possam ser trabalhados dentro da
racionalidade, levando até mesmo ao de-
senvolvimento de aspectos transpessoais,
transracionais e trans-éticos dentro da re-
ligião. A identificação do médium em transe
com o Todo através do Orixá, a trans-ética
que deve reger os trabalhos magísticos de
Umbanda, os insights e a lucidez verdadeira
que levam a mente para picos além da razão
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
253

e do alcance da linguagem, o fim da ilusão


dualista para uma real compreensão monis-
ta através da iluminação, são exemplos de
aspectos transpessoais que podem ser (e
faltam ser) desenvolvidos dentro da religião.

- Os aspectos culturais, afinal Orixá é cultu-


ra, as entidades de Umbanda são cultura, o
sincretismo umbandista é cultura. Umban-
da é cultura e é triste perceber o descaso,
seja de pessoas não adeptas, como de um-
bandistas, que simplesmente não compre-
endem a importância cultural da Umbanda
e da herança afro- indígena na construção
de uma identidade nacional. A arte em suas
mais variadas expressões tem na Umbanda
um rico universo de inspiração. Cabe a ela
apoiar e desenvolver mais aspectos de sua
arte sacra.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
254

Essas são, ao nosso entendimento, algumas


das “questões-desafios” que a Umbanda tem
pela frente, principalmente por ser uma reli-
gião nova, estabelecendo-se em um mundo
extremamente multifacetado como o nosso.
Muito mais poderia e com certeza deve ser
discutido e desenvolvido dentro dela.

Apenas por essa introdução já se pode per-


ceber a complexidade da questão e como
é impossível ter uma resposta definitiva a
respeito de tudo isso. Muitos podem achar
que o que aqui foi dito esteja muito distante
da realidade dos terreiros. Mas acreditamos
que a discussão é pertinente, principalmente
devido ao centenário, onde muito mais que
festas deveríamos aproveitar esse momen-
to para uma maior aproximação de ideais e
pessoas, além de uma sólida estruturação
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
255

do pensamento umbandista. Esperamos em


outros textos abordar de forma mais pro-
funda e propor algumas ideias a respeito
das questões e relações aqui levantas. Es-
peramos também que outros umbandistas
desenvolvam esses ou outros aspectos que
acharem relevantes e caminhemos juntos
em busca de uma espiritualidade sadia, in-
tegral e lúcida.
UMBANDA E OS
QUATRO CAMINHOS
PARA DEUS

FERNANDO SEPE
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
257

P
odemos dizer, inspirados pela doutri-
na hindu, que quatro são os caminhos
que levam a Deus: o conhecimento, o
amor, a ação e o exercício espiritual. Creio
que esse tipo de consideração é de extre-
ma importância e possa ser utilizado como
base para pensarmos o caminho umbandis-
ta. Mas, primeiramente, apresentemos re-
sumidamente esses quatro caminhos:

• O CAMINHO DO CONHECIMENTO (jnana)


é o caminho do filósofo místico. Através do
discernimento espiritual o Ser rompe a ilu-
são da identificação com o eu ilusório (ego) e
identifica-se com sua natureza infinita, vasta
e verdadeira. O Deus pessoal se torna im-
pessoal e o praticante se reconhece Nele.

• O CAMINHO DO AMOR (bhakti) é devocio-


ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
258

nal. Devota-se a uma divindade pessoal, com


tanto amor, que se perde o ego nessa imen-
sa louvação. Ama-se Deus acima de tudo e
todos os nossos outros amores são frutos
desse amor primordial. Aqui, Deus é pesso-
al e o praticante não tem a intenção de se
fundir nele, mas sim de viver nesse amor, o
que é tradicionalmente representado da se-
guinte forma: “quero sentir o doce do açúcar,
não ser o açúcar”.

• O CAMINHO DA AÇÃO (karma) é aquele


onde o ser atua no mundo, trabalha e reali-
za, mas desapega-se do fruto de seu traba-
lho. Basicamente, essa prática “mata o ego
de fome”, utilizando-o para viver bem colo-
cado no mundo, mas recusando todo fruto e
benefício pessoal adquirido. É o caminho da
caridade.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
259

• O último CAMINHO É O DO EXERCÍCIO ES-


PIRITUAL (raja), do empirismo místico. Nele,
praticam-se exercícios espirituais tendo o
objetivo de ir além da mente racional e do
nosso eu pessoal, conhecendo, integrando e
vivendo nosso eu transpessoal ou divino. O
exercício espiritual pode ser bem exemplifi-
cado com a prática da yoga, o zazen, a prece
contemplativa do cristianismo, a dança der-
vixe sufi etc. Esse caminho trespassa pelos
outros três.

Bom, mas o que isso tem a ver com Umban-


da? Tudo! Vejamos a palavra de seu fun-
dador, o senhor caboclo das Sete Encruzi-
lhadas: “Umbanda é amor e caridade”. Ora,
o que aqui ele nos diz claramente é: a Um-
banda é uma religião baseada em uma sín-
tese do caminho da devoção (amor) com o
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
260

caminho da caridade (ação). Simples, muito


simples. Mas, apesar dessas palavras serem
muito conhecidas dentro da Umbanda, pou-
cos realmente entendem com profundidade
o que elas representam. Tentarei ser o mais
claro possível a esse respeito.

Peguemos os grandes representantes da


Umbanda, seus verdadeiros mestres. Falo,
claro, dos caboclos e pretos-velhos. Toda
prática espiritual deles é baseada nesses
dois princípios: amor (devoção) e caridade
(ação). Devoção ao Orixá a quem respon-
dem, ao ponto de não trabalharem nunca
com seus nomes pessoais (símbolo do ego),
mas sim, com nomes simbólicos, pois se sen-
tem e atuam unidos pelo amor do Orixá. Um
guia dentro da Umbanda realiza o trabalho
pelo Orixá, com a consciência do Orixá, no
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
261

axé do Orixá. É um devoto como os médiuns


também são.
Caridade, ou ação, é a palavra de ordem e
por isso dizemos que o guia vem trabalhar. E
nesse trabalho eles não recebem nada em
troca, ou talvez até recebam, mas isso pou-
co ou nada importa. E quando os agrade-
cemos, as palavras normalmente escutadas
são: “agradece a Deus, filho; nêgo apenas
cumpre sua obrigação”; ou ainda um simples
sorriso sereno.

O que eu gostaria de chamar atenção é


para o fato de que se os guias espirituais são
mestres ou caminhantes espirituais, a maio-
ria dos médiuns não o são!
Simplesmente, temos um déficit muito gran-
de do entendimento real que se deve ter ao
se dedicar à disciplina umbandista. Em últi-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
262

ma análise, a Umbanda deveria ser um ca-


minho para que seus praticantes se tornas-
sem como os caboclos e pretos-velhos. Sim,
a Umbanda é uma religião de transformação
e essa transformação deve ser calcada no
exemplo deles. Só então o caminho se abre
para o médium, para que ele realmente en-
tenda os fundamentos, princípios e objetivos
mais importantes de sua prática. Vejamos:

• A caridade do trabalho mediúnico deve


ser utilizada para “matar o ego de fome”. De
grande auxílio é a indiferença ou a ingratidão
daquelas pessoas as quais seus guias tan-
to ajudaram. Elas te ensinam a única coisa
importante desse caminho: Trabalhar e agir,
simplesmente. Sem a prensa da eficiência,
sem o apego aos frutos. Os frutos são sem-
pre dos Orixás.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
263

• Agir não apenas no terreiro, mas no mundo.


Ética e moralidade são pressupostos básicos
dentro de qualquer religião. Desapego tam-
bém. Caridade é agir desinteressadamente
no terreiro, na empresa onde você trabalha
ou em qualquer lugar do mundo. É um esta-
do de ser. Leve isso para onde você for. Não
se esqueça: um caboclo ou preto-velho se
comporta da mesma forma em seu terreiro,
em sua casa, ou no terreiro do amigo, pois
essa é a natureza dele, seu estado de espí-
rito constante.

• “O caminho da magia é como andar so-


bre uma navalha”. O velho axioma hermético
alerta-nos sobre o perigo do ego. A magia
não é um fim, apenas um meio. Além dis-
so, o que o ego pode fazer por si? A prática
magística verdadeira derivaria de um esta-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
264

do de consciência maior, onde o Todo-Orixá


age, não o eu relativo. Na Umbanda, a magia
deve ter como mestre e condutora a noção
de ação desapegada, ou não ação.

• Deve-se aprender a amar e louvar os Orixás


de coração. A dor, as perdas e dificuldades
podem ajudar a despertar esse amor. Po-
rém, não faça do Orixá uma entidade supe-
rior com a qual você barganha favores e pe-
didos. Essa é apenas a fase inicial. Quando o
amor verdadeiro surgir, o Orixá transforma-
-se em seu amante, em seu irmão, em seu
melhor amigo, ou seu pai/mãe infinitamente
bondoso. O médium em seus cantos, giras,
firmezas, trabalhos e manifestações deve
aprender a sentir a unidade no amor do Ori-
xá. Sua natureza infinita, vasta, original. Orixá
é Deus manifestado. Mergulhe, experimente,
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
265

dance junto Deles. Quando isso acontece o


médium finalmente entende o que é o Orixá.

• Leve o bem amado por onde for. Não ape-


nas no terreiro, pois se apaixonar pelos Ori-
xás é se apaixonar pela Vida. Viva Neles, por
Eles e com Eles. Perca-se e se ache Neles.
Chore e sorria com Eles. Durma, acorde e se
alimente Deles. Esse é o ideal de devoção.
Um amor sutil como os lírios de Oxum, mas
forte e determinado como os olhos de Ogum.

• DOIS ALERTAS: Cuidado com o fanatismo


e principalmente com o erro de confundir a
realidade infinita com seus símbolos. Os ri-
tuais, oferendas, imagens etc. não são fins
últimos. Eles são apenas trampolins para a
realidade que não é tangível. Potencializado-
res do axé, mas não o próprio axé. Como diz
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
266

a conhecida oração:

“Deus, perdoa três pecados que se devem


às minhas limitações humanas; Tu estás
em toda parte, mas eu Te adoro aqui neste
templo; Tu não tens forma, mas eu Te ado-
ro nestas formas; Tu não precisas de louvor,
mas eu te ofereço estas preces e louvores.
Senhor, perdoa três pecados que se devem
às minhas limitações humanas”.

Creio que essa rápida e superficial introdução


ao assunto já dá aos umbandistas uma ideia
do comprometimento real que a Umbanda
espera de seu praticante. Literalmente, ela
funciona como uma escola que tem como
objetivo fazer com que os médiuns alcancem
as qualidades morais e éticas dos caboclos
e pretos-velhos, assim como sua lucidez e
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
267

iluminação espiritual. Com isso, a compaixão


surge e o caminho deixa de ser um fim, para
ser o começo do trabalho incansável de au-
xílio a todos os seres sencientes desse ou de
outros mundos e planos de manifestação.

Porém, para tanto, deve-se refletir e praticar


aquilo que é o objetivo da Umbanda - amor
e caridade - ou: união mística amorosa com
Deus através de suas manifestações Orixás
e trabalho desapegado. É assim que um ca-
boclo ou preto-velho nasce. É por isso que
um caboclo e preto-velho vive...
EU SOU
UMBANDISTA!

MONICA BEREZUTCHI
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
269

A
doutrina nos desperta a capacida-
de e a compreensão e nos traz en-
sinamentos que nos toca profunda-
mente modificando nosso íntimo. São regras,
condutas e explicações que são facilitadoras
de nossas práticas rituais e litúrgicas aplica-
das no nosso dia a dia umbandista.
Mas, com um profundo pesar muitos irmãos
ainda não conseguiram assumir sua escolha
religiosa de ser umbandista.
Por que será?
Será que é porque não compreenderam
que a religião de Umbanda não é inferior a
nenhuma outra religião existente no nosso
país?
Vamos expressar algumas atitudes não um-
bandistas:
- Têm vergonha de aplicar a defumação em
sua casa, preocupada com o cheiro que os
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
270

vizinhos irão sentir...


- Não sai de casa com sua guia de proteção
no pescoço...
- Não veste sua roupa branca em casa e não
sai vestido de branco, para não pensarem
que ele vai trabalhar no templo de Umban-
da...
- Lava e estende sua roupa branca de noite
ou estende em varais dentro de casa para
não surgirem comentários...
- Quando surge o assunto de religião em seu
trabalho, ele desconversa...
- Monta seu congá escondido para que ami-
gos e parentes não vejam...
- Acende suas velas bem à noite para nin-
guém perceber nem o clarão que sai das
chamas das velas...
- Sua vela do anjo da guarda, quando acen-
de, fica bem lá em cima do armário bem es-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
271

condida...
- Nos dias de preceito que não pode comer
carne e nem ingerir bebida alcoólica, quem
trabalha fora dá
um jeito de almoçar sozinho só para não ter
que explicar para as pessoas...
- No espelho do carro só coloca um tercinho
para disfarçar, e a guia de proteção fica es-
condida no porta-
luvas...
- Adesivo de Umbanda no carro... não nem
pensar...
- Se o guia que trabalhou em seu favor pedir
para despachar uma vela na encruzilhada,
finge que esquece
no carro só para a vela derreter e depois
joga fora.
- No momento que precisa realizar qualquer
tipo de oferenda, anda de carro dando vol-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
272

tas e só para em
um lugar onde ninguém está passando...
- E no momento da oferenda ou da entrega,
pega tudo muito rápido e JOGA literalmente
alegando que
tem medo de assalto...
- Quando questionado sobre sua religião,
disfarça e não esclarece as pessoas quanto
suas dúvidas e
perguntas...
- Se alguém lhe pergunta o que você faz no
templo, como é, o que acontece lá, você fica
branco e dá
branco, não sabe nem por onde começar,
simplesmente dá um sorriso amarelo e con-
segue dizer: “lá, bem, é um lugar que pratica
a caridade”...
- Não sabe nem a diferença de Umbanda,
Candomblé, Espírita, Kardecista...
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
273

- Quando for casar, casa-se na Igreja Cató-


lica, ou pior, casa-se no templo e na Igreja...
- Batiza seu filho na igreja e depois pede para
um guia ser o padrinho da criança...
- Chama o padre no funeral de seus paren-
tes...
- Encapa seus livros de Umbanda com um
papel, para encobrir o título...
- Entra bem depressa na casa de artigos re-
ligiosos, disfarçando...
- E quando faz suas compras, pede para em-
brulhar para ninguém perceber o que tem
na sacola...

Vamos parar por aqui, porque infelizmente


esta lista não tem fim...
Para que estes absurdos não aconteçam
mais, precisamos com urgência reformular
nossa consciência religiosa, o primeiro e o
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
274

mais importante é: Assumir que é um UM-


BANDISTA!
E o caminho mais coerente e mais verdadei-
ro que existe é o estudo, aprimorando o co-
nhecimento, prática da leitura e participan-
do de cursos ministrados por pessoas sérias
e que realmente repassem o conhecimento,
desmistificando e quebrando dogmas e prin-
cipalmente mudando nossa postura perante
a religião de Umbanda Sagrada.

Na sociedade, ou seja, no meio em que vive-


mos estamos fechados no ostracismo, va-
mos com empenho e dedicação quebrar es-
tas cascas e mostrarmos para o mundo em
que vivemos que a nossa Umbanda é uma
Religião e que está sendo amparada pelos
Sagrados e Divinos Orixás.
Cada umbandista é individualmente o seu
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
275

templo vivo. Já lhe ocorreu que com essas


atitudes preconceituosas que você está ten-
do, tudo está sendo visto pelo astral, pelos
seus Pais e Mães Orixás, pelos guias espiri-
tuais, caboclos, preto-velho, baiano, boiadei-
ro, marinheiro, ciganos, crianças, exu, pom-
ba-gira e exu-mirim?

Irmão, pense bem, você está renegando o


seu próprio dom mediúnico.
Não tenha receio de mudar, de assumir, cres-
cer, instruir-se, modificando e melhorando
em seu próprio benefício perante o Criador,
saiba que todas as religiões são criações que
o nosso Pai Olorum nos permitiu, para que
cada um cultue sua religiosidade da melhor
maneira.
Levante sua cabeça, tenha satisfação de
encher seu peito de amor e dizer:
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
276

EU SOU UMBANDISTA!
Nós temos o direito garantido pela Consti-
tuição de cultuar, através de suas práticas
ritual e litúrgica,
livremente sem preconceitos sem descri-
minação, não tenha medo de perseguição
religiosa, é seu direito escolher a Umbanda
como sua religião.

Vamos mudar agora, esse é o seu momento!


Nossa religião possui seus próprios funda-
mentos, ela tem base e sua Hierarquia está
em Olorum, abaixo dele estão suas Divinda-
des Naturais, que através de fatores (essên-
cias) vêm sustentando tudo em sua criação.
Os Sagrados Orixás são os administrado-
res da criação, criados e geradas pelo Pai
Olorum, exteriorizados para que tudo seja
alcançado por suas vibrações multidimen-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
277

sionais, sustentando a tudo e a todos sem


distinção; e cada Orixá traz uma qualidade,
atributo e atribuição únicos e essenciais que
vão se desdobrando em hierarquias, agre-
gando outros fatores até chegarmos ao Ori-
xá individual que você incorpora, e este Orixá
cuidará da sua vida aqui no seu estágio hu-
mano de evolução. Através desta hierarquia
que vem se desdobrando como um triângulo
onde lá no topo está Olorum, e que os guias
espirituais estão ligados a estas hierarquias
reportando-se direta e indiretamente a um
ou mais Orixás, e os guias de lei de Umbanda
consagram-se a essas hierarquias para as-
sumirem seus nomes simbólicos, enfim isto
é só um exemplo para que você tenha uma
noção de como a nossa Umbanda é vasta
em conhecimento que estamos só no come-
ço...
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
278

Agora voltando ao assunto, se você tem dú-


vidas em relação a alguma dessas práticas
litúrgicas descritas abaixo e não sabe para
que servem, e nem sabe explicar para um
leigo o que elas são, é natural que você se
sinta constrangido, pois é difícil falarmos de
algo que não conhecemos, procure seu di-
rigente espiritual para que ele lhe esclareça
suas dúvidas e que lhe dê o que é seu de
direito, sua religiosidade, mas se ele descon-
versar e ainda assim censurá-lo não lhe res-
pondendo, então irmão você tem o direito
de procurar o conhecimento em outro lugar,
leia um bom livro, faça um bom curso e bus-
que a evolução espiritual, pois só assim você
poderá levar o conhecimento da Umbanda
para outras pessoas.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
279

• defumação,
• cantos, hinos e orações, -oferenda ritual,
vestimenta (roupa branca), -atabaques,
• danças,
• banhos,
• amacis,
• bater cabeça,
• saudar o Congá,
• saudar a tronqueira,
• velas e suas cores,
• palmas,
• pés descalços.

Abra seu coração e seu íntimo, e inunde seu


templo vivo com sabedoria da nossa Umban-
da Sagrada. Um abraço Monica Berezutchi
DO QUE A
UMBANDA PRECISA?

RODRIGO QUEIROZ
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
281

D
ia destes, ao final de uma gira de de-
senvolvimento mediúnico, manifes-
tou-se Pai João de Angola, o Preto
Velho regente da casa.
Como de costume, acendeu seu cachimbo,
cumprimentou os presentes e chamou to-
dos para bem perto dele, e após se acomo-
darem ele pediu que todos respondessem
uma pergunta simples:

“– Do que a Umbanda precisa?”


E assim um a um foram respondendo:
“- Mais união...”
“– Mais estudo...”
“– Mais divulgação...”
“– Mais respeito...”
“– Mais reconhecimento...”
Mais, mais e mais...
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Após todos manifestarem suas opiniões, Pai


João sorriu e disparou:
“– Muito se diz do que a Umbanda precisa,
não é? E eu digo que a Umbanda precisa de
Filhos!”
Silêncio repentino no ambiente.
Naturalmente os filhos ficaram surpresos e
ansiosos para a conclusão desta afirmação.
Pai João pitou, pensou, pitou, sorriu e conti-
nuou:
“É isso, a Umbanda precisa sobretudo de FI-
LHOS.

Porque um filho jamais nega sua mãe, sua


origem, sua natureza. Quando alguém ques-
tiona vocês sobre o
nome de sua mãe, vocês procuram dar um
outro nome a ela que não seja o verdadei-
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
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ro? Um filho nem pensa nisso, simplesmente


revela a verdade. Assim é um verdadeiro Fi-
lho de Umbanda, não nega sua religião, nem
conseguiria, pois seria o mesmo que negar a
origem de sua vida, seria o mesmo que ne-
gar o nome de sua mãe.
Um filho de Umbanda, dentro do terreiro
limpa o chão com devoção e não como uma
chata necessidade de faxinar.
Um filho de Umbanda dá o melhor de si para
e pelo terreiro, pois sente que ali, no terreiro,
ele está na casa de sua mãe.
Um filho de Umbanda ama e respeita seus
irmãos de fé, pois são filhos da mesma mãe
e sabem que por honra e respeito a ela é
que precisam se amar, se respeitar e se for-
talecer.
Um filho de Umbanda sente naturalmente
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
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que o terreiro é a casa de sua mãe, onde ele


encontra sua família e por isso quando não
está no terreiro sente-se ansioso para re-
tornar, e sempre que lá está é um momento
de alegria e prazer.
Um filho de Umbanda não precisa aprender
o que é gratidão. Porque sua entrega verda-
deira no convívio com sua mãe, a Umbanda,
já lhe ensina por observação o que é humil-
dade, cidadania, família, caridade e todas as
virtudes básicas que um filho educado car-
rega consigo.
Um filho de Umbanda não espera ser esca-
lado ou designado por uma ordem superior
para fazer e colaborar com o terreiro, ele por
si só observa as necessidades e se volunta-
ria, pois lhe é muito satisfatório agradar sua
mãe, a Umbanda.
ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 1
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Um filho de Umbanda sabe o que é ser Filho


e sabe o que é ter uma Mãe.
Quando a Umbanda agregar em seu inte-
rior mais Filhos que qualquer outra coisa, es-
tas necessidades que vocês tanto apontam
como união, respeito, educação, ética, enfim,
não existirão, pois isto só existe naqueles que
não são Filhos de fato.
Tenham uma boa noite, meus filhos!”
Pai João pitou mais uma vez e desincorpo-
rou.

Diante dele, seus filhos, com olhos mareja-


dos, rosto rubro, agradeciam a lição. Saravá
a Umbanda, salve a sabedoria, salve os Pre-
tos Velhos.

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