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ENTIDADES

DE

UMBANDA

Aula 03

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SUMÁRIO

Linha e Arquétipo dos Caboclos

Assentamento

Oração de Assentamento

Oferenda

Ponto Riscado dos Caboclos

Oferendas nas Matas da Jurema

Função das Oferendas

O

Assentamento

O

Ponto Riscado

Sintetizando

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Ditado por

Sr. Caboclo Tupinambá

Por Rodrigo Queiroz

LINHA E ARQUÉTIPO DOS

CABOCLOS

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 4 N um tempo distante, milenar, habitou nas terras sagradas

N um tempo distante, milenar, habitou

nas terras sagradas deste Brasil exu-

berante um povo até hoje mal com-

preendido, interpretado pela vã concepção daqueles que aportaram nesta terra com o único interesse de consumir e apoderar-se da riqueza natural até então existente tão bem tratada por milênios pelo povo anôni- mo que era parte da fauna e da flora, que não se dissociava do meio que vivia, pois en- tendia que era parte do todo e sendo assim devia reverências e preservação. Este povo colhia somente o necessário para o alimento, caçava para o alimento e tam- bém era caçado na forma de alimento, um ecossistema perfeito, natural.

Dotados de inteligência, pois esta é a condi- ção humana, ainda que se movimentassem mais pela intuição e instinto, sabiam pela ra- zão que não poderiam esgotar a vida por onde passassem, sendo assim quando uma

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clareira abrigava uma tribo e num deter- minado momento a vida ao redor se apre- sentava escassa, por respeito levantava-se acampamento para habitar em nova região permitindo que a natureza ali pudesse se re- compor, desta forma não agrediam sua ter- ra, sagrada.

“Gigante pela própria natureza…” esta sa- grada terra outrora imponente nos fazia pensar que jamais se esgotaria e veja você…

Este povo que por mérito e benção Divina que aqui habitou são os índios, que foram extraídos de sua natureza, até a alma per- deu, assim ditou senhores da fé, disseram que nós não éramos dotados de alma e fin- cando a primeira espada a beira-mar, ali- ás chamavam esta espada de Cruz, de fato seu formato era uma cruz, mas saibam, era uma espada, pois quando fincada nesta ter- ra, dela verteu sangue e como uma fonte

formato era uma cruz, mas saibam, era uma espada, pois quando fincada nesta ter- ra, dela

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 6 inesgotável, observe, até hoje os poros des- ta terra

inesgotável, observe, até hoje os poros des-

ta terra expelem e absorvem sangue…

Mas isto é outra história!

Quero dizer que índio não era uma raça es- piritual a parte, seres estranhos á natureza humana, posso dizer que uma condição hu- mana, ou melhor, um privilégio para aqueles que na sua existência errou, mas também acertou muito e alcançando um “bônus” divi- no pôde nascer em uma tribo indígena, que existiu por todo o planeta, pois índio é o na- tivo, aquele que brotou da terra como qual- quer outra árvore, sua origem no plano físico ainda é velado, então entenda que brotavam da terra e por isso sentiam-se parte dela.

O índio era aquele espírito que já havia sa-

ído do ciclo de vícios emocionais, como vin- gança, ódio, sexo, vaidade, orgulho, avareza, etc., o humano que encarnou como índio ti- nha a oportunidade de viver a vida plena in-

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tegrando-se á natureza, percebendo numa árvore a presença divina, numa folha parte de uma Divindade, na água o néctar Divino, nos animais seus irmãos e no ar sua essên- cia, uma simbiose perfeita e necessária para completar o ciclo da razão humana. Poucos que como índios tiveram a oportunidade de encarnar, voltaram à carne, era como a úl- tima passagem, para dali continuar a evolu- ção em outros planos. Pequenos homens que por estarem tão dis- tante desta plenitude exterminaram o que não era espelho, está aí o mal do homem moderno, o mal de narciso que estranha e repudia tudo o que não é espelho.

Amamos a natureza, do Criador ao inseto mais “insignificante”. Somos Um.

Então fomos vilipendiados, usurpados e es- cravizados, como disse até a alma perdemos, pregava-se que índio não ia pro céu, que iro

usurpados e es- cravizados, como disse até a alma perdemos, pregava-se que índio não ia pro

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 8 nia…Olha nós aqui, do “céu” falando a vocês. Mas

nia…Olha nós aqui, do “céu” falando a vocês.

Mas nada disso fez com que perdêssemos o que por milênios cultivamos, o espírito não se manchou e não fomos pegos pelos senti- mentos trevosos que poderia fazer com que tudo o que se tinha cultivado fosse jogado trevas abaixo. Acaso você já viu em um tra- balho de desobsessão um índio perturbando um encarnado, acaso registrou um caso de índio nas Trevas ou índio algum que se per- deu no “mundo dos mortos”?

Fomos dizimados e nossa existência sendo abafada, foi quando surgiu no plano astral um movimento conhecido como Corrente Umbanda Astral, este movimento anuncia- va a oportunidade para aqueles índios do planeta que já desencarnados e impossibi- litados de prosseguirem com sua dinâmica de desenvolvimento humano e espiritual pu- dessem ter um campo de atuação, isso tudo

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é mais complexo e não cabe neste momento.

Importante é que fomos convocados, não restou um e começamos a nos preparar para trabalhar em benefício dos encarnados, ainda sob o véu de outras religiões, pois não tínhamos um campo religioso próprio para nos manifestar. Mas isso pouco importava, pois os caminhos da fé sempre convergem ao mesmo destino.

Este movimento nos assentou num grau evolutivo e denominou como Caboclo, que de nada tem haver com as miscigenações de raças. Caboclo é um grau e também uma linha de trabalhadores espirituais que no iní- cio da criação do grau era composto na sua totalidade por índios não só brasileiros, mas de todo o planeta. Séculos se passaram e outros espíritos que não tiveram a oportu- nidade de encarnar como índios atingiram este grau e aqui estão.

passaram e outros espíritos que não tiveram a oportu- nidade de encarnar como índios atingiram este

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10 ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 Noutro momento tivemos a ordem superior de instituir no

ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3

Noutro momento tivemos a ordem superior de instituir no plano físico uma porta religiosa própria e assim nasce a Umbanda, a religião que une as raças, reporta-se aos melhores costumes e manifesta a cultura original de tantos povos originais que a compõe. Aqui falei de uma linha, os Caboclos, os Ín- dios.

Assino esta carta com meu nome de tri- bo que de tão abrangente pôde manter-se como linha de trabalho sem precisar recorrer aos nomes simbólicos, ainda que em si reco- lha todo um mistério e manifestação Divina. Minhas reverências ao Brasil natural, ao povo que aqui evoluiu!

SOU ÍNDIO, SOU CABOCLO, SOU TUPINAMBÁ!

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Nota do Médium:

Lendo esta carta do Sr. Caboclo Tupinam- bá, me veio ressonante as palavras do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas na ocasião da fundação da Umbanda: “Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida, acusado de bru- xaria fui sacrificado na fogueira da inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas em minha última exis- tência física Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.” Nesta fala ele ressalta que ser índio foi um privilégio.

Historicamente podemos perceber como a sociedade indígena sempre esteve a frente de nosso tempo no quesito moral e cidada- nia, a ideia de respeito e amor ao próximo era nato. Quando uma índia ficava viúva, ou- tro índio mesmo casado a recolhia e assu- mia o papel de marido, para que esta não ficasse sem o amparo de um homem. E tudo

índio mesmo casado a recolhia e assu- mia o papel de marido, para que esta não

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 12 era normal. Não existia pecado. O corpo não representava

era normal. Não existia pecado.

O corpo não representava sensualidade, por

isso a nudez era normal. O sexo era uma fer- ramenta de reprodução e prazer ao casal.

Pensando nisso tudo vejo que os índios ja- mais precisaram ser catequizados, pois eram naturalmente cristãos, pois tudo o que Cristo tentou pregar, os índios praticavam, só aqueles que pregavam que não haviam entendido a lição do Cristo.

Bem, o Sr. Tupinambá ainda deixou uma orientação de como fazer uma assentamen-

to simples da linha de caboclos que pode ser feito por qualquer um, não precisa ser mé- dium e a fundamentação disto é para que se tenha uma porta aberta para a presença

e a proteção da força dos Caboclos. Pode

ser feito em casa, no terreiro ou onde achar melhor.

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ASSENTAMENTO

- 07 pedras quartzo verde;

- 07 charutos,

- 01 alguidar médio;

- 07 folhas de samambaia;

- 01 quartinha branca macho pequena;

- Suco de caju (concentrado);

- 01 vela 7 dias bicolor branco/verde.

de samambaia; - 01 quartinha branca macho pequena; - Suco de caju (concentrado); - 01 vela

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PREPARO

D espeje dentro da quartinha o suco

de caju (concentrado). Coloque a

quartinha no meio do alguidar. Envol-

ta dela faça um ninho com as folhas de sa- mambaia, acenda a vela na frente do algui- dar. Intercale um charuto com uma pedra dentro do alguidar, por cima das folhas em círculo. Acenda todos charutos dando três baforadas na quartinha. Toda semana acenda ao menos uma vela palito verde. Na ocasião troque o líquido, pode permanecer no máximo 15 dias. Sempre que fizer esta firmeza semanal, pegue um dos charutos e dê três bafora- das, concentrado nos pedidos e orações. Vá

rotacionando os charutos. Estes charutos devem ser trocados de três em três meses bem como a samambaia.

e orações. Vá rotacionando os charutos. Estes charutos devem ser trocados de três em três meses

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ORAÇÃO DE ASSENTAMENTO

“Divino Criador, Divinas Forças Naturais, Di-

vinos Orixás, neste momento vos evoco e

peço que imante este assentamento, con-

sagre e o torne um portal por onde os ca-

boclos do astral possam se manifestar, ser-

vindo de minha proteção e chave de acesso

aos caboclos de acordo com o meu mereci-

mento.

possam se manifestar, ser- vindo de minha proteção e chave de acesso aos caboclos de acordo

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Peço que a força dos caboclos esteja pre-

sente e receba minhas vibrações.”

Ps.: Este é um assentamento universal para

a linha de caboclos, que pode ser consagra-

do a um caboclo específico ou deixar aber-

ta de forma universal.

Faça isto com fé e amor, terá óti- mos resultados.

Okê Caboclos!

específico ou deixar aber- ta de forma universal. Faça isto com fé e amor, terá óti-

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OFERENDA

- 07 laranjas, 01 abacaxi, 07 pedaços de mandioca, 01 cacho de uva, 01 manga, 01 mamão, 07 bananas, 07 espigas de milho; - Suco de caju, 03 cervejas branca; - 07 charutos; incenso de cânfora ou sete ervas;

- Ervas variadas e flores variadas;

- 07 pedaços de fita de cetim fina nas cores branco, rosa, verde, marrom, vermelho, violeta e azul claro; - 07 velas brancas, 07 verdes; - Fubá.

cetim fina nas cores branco, rosa, verde, marrom, vermelho, violeta e azul claro; - 07 velas

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Vá até uma mata, escolha o pé de um árvore de seu gosto, limpe o chão, afaste as folhas secas, forre com fo- lhagens da mata. Deposite as frutas como queira, lembrando de partir to- das, não deixe nada fechado. Circu- le com os líquidos, se estiver ventan- do junte as velas brancas e amarre como uma tora com 3 fitas e o mesmo com as vertes usando as quatro fitas. Acenda os incensos. Por fim circunde a oferenda com o fubá.

Faça suas orações, cante pontos e mantenha-se concentrado por cerca de 30 minutos. Recolha tudo que não é perecível e jogue num lixo. Caso as ve- las já tenham acabado, recolha a pa- rafina. Lembre-se sempre: Consciência ecoló- gica é a melhor oferenda aos Orixás.

já tenham acabado, recolha a pa- rafina. Lembre-se sempre: Consciência ecoló- gica é a melhor oferenda

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Dia da Semana: Terça-feira

Defumação / Banho: - Calêndula; - Alfazema; - Samambaia;

- Sálvia;

- Guiné;

- Alecrim; - Eucalipto.

MATERIAL

01. 04 Velas Verdes 02. 01 Vela Dourada ou Amarela 03. 01 Vela Branca 04. 01 Vela Prata ou Azul Claro 05. 01 Vela Azul Escuro

06. 01 Vela Bicolor Verde/Branco ou Verde

07. Água 08. Cerveja Branca 09. VinhoTinto PS1. Circular com ervas secas ou fubá PS2. Colocar os Charutos sobre os copos Obs: Incenso à vontade

VinhoTinto PS1 . Circular com ervas secas ou fubá PS2. Colocar os Charutos sobre os copos

PONTO RISCADO DOS CABOCLOS

PONTO RISCADO DOS CABOCLOS

Ditado por

Sr. Pajé Arranca Toco

Por Rodrigo Queiroz

OFERENDAS

NAS MATAS DA JUREMA

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 22 - Venha filho, vamos caminhar. Assim anunciou o velho

- Venha filho, vamos caminhar.

Assim anunciou o velho Pajé, balançando um maracá, quando me dei por conta estava em meio a uma clareira em plena mata virgem, árvores frondosas e maravilhosas, raramen- te vistas no plano físico da vida. Ele me con- duziu para uma estreita trilha.

- Filho vamos para uma experiência impor-

tante, é necessário que não dê tanta impor- tância a beleza do lugar, mas sim apure seus

sentidos, visão, olfato, tato, paladar e sereni- dade. Perceba a textura do chão no seu pé,

a leveza das folhas em suas mãos, o cheiro

de ervas no ar e a brisa fresca a carinhar sua face.

- Posso sentir o gosto de selva na boca Pajé.

- Sinal que já está próximo do que quero fi- lho. Respire fundo e feche os olhos.

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- Pajé, posso enxergar com olhos fechados!

- exclamei emocionado.

- O que vê filho?

- Vejo troncos de luz, silfos, salamandras, fo- lhas irradiantes…

- Lentamente abra os olhos.

- Sim…

- Continua vendo?

- Nitidamente Pajé…

- O que vê filho é a vida neste reino natu-

ral, tão mal percebida pelos encarnados e infelizmente entre os próprios fiéis do culto à natureza.

- Quanta beleza Pajé!

tão mal percebida pelos encarnados e infelizmente entre os próprios fiéis do culto à natureza. -

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 24 - Quanta vida filho, quanta vida! - Sim, pulsante…

- Quanta vida filho, quanta vida!

- Sim, pulsante…

- Agora me acompanhe.

Nos dirigimos a outra clareira, lá tinha mui- tas pessoas, vestidas de branco, colares, atabaque e muitas frutas, logo notei que se tratava de um terreiro pronto a iniciar uma atividade, curioso fiquei a observar atenta- mente, encantado com o toque harmônico da curimba e os raios de luz que espargiam no ambiente em direção dos presentes a cada batida das mãos no couro. Alguns ou- tros se organizavam para no meio da roda depositar as oferendas, muitas frutas, velas, incensos, bebidas. Conseguia visualizar a lu- minosidade áurica de cada um, em cores e tons das mais variadas.

- Filho, este grupo de cultuadores da nature-

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za divina, está realizando um culto de exalta- ção ao senhor das matas…

- Pai Oxossi!

- Sim, e para tanto é comum postar oferen-

das em seu louvor, na Umbanda recorremos ao uso da natureza, como frutas, pedras, bebidas, incenso, etc. Dispensando qualquer uso de imolação de animais.

- Sei Pajé, compreendo e tenho pra mim que

é o correto, somente que muitos que cruzam

o cultos de umbanda com o africano recor- rem á práticas da imolação…

- Sim filho, porém não vamos acessar este

assunto no momento, vamos nos ater a esta liturgia de hoje e colher as impressões perti- nentes.

- Sim Senhor.

este assunto no momento, vamos nos ater a esta liturgia de hoje e colher as impressões

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 26 Ele calado sacudia seu maracá e eu obser- vando

Ele calado sacudia seu maracá e eu obser- vando tudo, vi que as frutas emitiam luzes e quando cortadas era como que se abrisse uma caixa de luz, que de dentro um clarão escapava e por alguns minutos ficavam ali a iluminar e criando um campo de luz e ener- gia indescritível. Quando a curimba acelerou o toque vi um portal se abrir na frente da oferenda e dele dezenas de caboclos, cabo- clas e encantados saíram, abraçaram todos os presentes, dançavam e cantavam. Real- mente era uma festa, uma exaltação e final- mente entoam o ponto.

…As matas estavam escuras… e um anjo a iluminou… e no centro da mata virgem… foi seu Oxósse quem chegou…mas ele é o rei ele é o rei ele é o rei…

As folhas no chão começaram a voar e as entidades presentes em reverência batiam cabeça ao chão, quando como que uma ex-

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plosão e uma luz cegante se fizeram presen- te um emissário do Sr. Oxossi, sua luz verde era intensa que não pude me manter com a cabeça levantada, os caboclos ajoelhados bradavam em reverência e louvor, do lado físico alguns médiuns entravam em transe energético e a curimba acelerava o toque, poucos segundos passados novamente a explosão de Oxossi se recolheu.

Na oferenda a luz era mais intensa.

o toque, poucos segundos passados novamente a explosão de Oxossi se recolheu. Na oferenda a luz

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 28 Com os médiuns em oração e ajoelhados, as entidades

Com os médiuns em oração e ajoelhados, as entidades estendiam as mãos em direção a

oferenda e o inusitado acontecia. Dos ele- mentos saiam uma substância esverdeada parecido com uma massa elástica e se mol- davam e iam aplicando nos fiéis presentes, rapidamente era absorvido pelos chakras

e a luminosidade do corpo áurico deles era

modificado, sutilizava e irradiava mais. Por alguns minutos este procedimento ocorreu

e as entidades se recolheram para o portal mencionado.

- Viu filho, nenhuma entidade comeu as fru- tas.

- Mas eles não precisam comer para ficar

tratado?

- Não filho, compreenda que somos um di-

mensão bem mais sutil que a de vocês e se nos aventurássemos a ingerir o prâna dos

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vegetais do plano físico nos traria grande desarranjo energético, quando precisamos nos “alimentar” encontramos o mesmo em nossa esfera e não na de vocês.

- Entendo…

- Entenda também que fora a liturgia reli-

giosa, a necessidade de oferendas são para vocês mesmos que quando encarnaram perderam a capacidade de extrair o prâna da natureza e recorrem a esta prática para que nós os mentores os auxilie na extração e aplicação do prâna em vocês mesmos.

- Para quê?

- A fim de sutilizar vossas energias, equili-

brar os chakras, curar doenças e muito mais. Também guardamos para os médiuns usa- ram nos atendimentos.

- Pajé de onde tiram tantas teorias que só

e muito mais. Também guardamos para os médiuns usa- ram nos atendimentos. - Pajé de onde

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30 ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 ajudam a complicar a compreensão? - Talvez das observações

ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3

ajudam a complicar a compreensão?

- Talvez das observações limitadas ao pró- prio conhecimento, ruim é quando saem do bom senso e fundamentam suas teorias no absurdo.

- Podemos fazer sempre oferendas?

- Sim, quando e onde bem entender e lá um

de nós estaremos a auxiliar na extração do prâna.

- Incrível.

- Agora vamos filho, logo em breve retoma-

mos esta prosa para aprofundamentos prá- ticos, aproveite e vamos ensinar estas prá- ticas…

Acordei após estas palavras, poderia ser um sonho…quero como uma revelação…

Saravá!

FUNÇÃO DAS OFERENDAS

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 32 C omo as técnicas de extração energé- tica da

C omo as técnicas de extração energé- tica da natureza estão adormecidas em nosso mental, pois é, porque nós

enquanto viventes no plano astral nos ali- mentamos de energia sutil e quando encar- namos esta técnica é adormecida em nosso inconsciente e no Ocidente estas técnicas estão pouco difundidas. Por isso praticamos a oferenda.

Ora, a oferenda não passa de um ato ao qual nos submetemos em depositar diversos ele- mentos naturais que na maioria das vezes não sabemos para que serve e elevarmos nossos pensamentos aos mentores e Ori- xás. Fisicamente é assim que se entende.

Do lado espiritual, os nossos amparadores vêm receber a oferta, extraem o prâna dos elementos e revertem para nós mesmos de acordo com a nossa necessidade.

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Não pense que os espíritos se alimentam destas ofertas, até porque estão em planos mais elevados de onde extraem outros ní- veis de energia de acordo com as suas con- dições.

Entende-se então que praticamente faze- mos oferendas para nós mesmos. Parece engraçado né? Mas é funcional e esta práti- ca já ocorre há milhões de anos atrás.

Não confunda a oferenda ritual de elementos naturais com estas oferendas feitas com fri- turas, cozimentos, etc. Não tem fundamento nesta prática, porque ao fritar ou cozinhar, os alimentos perdem quase todo o prâna. Somente espíritos zombeteiros e trevosos e até as “almas penadas” é que sentem ne- cessidade destas ofertas, para saciarem seus vícios terrenos.

No caso de médiuns ativos que de tempo

é que sentem ne- cessidade destas ofertas, para saciarem seus vícios terrenos. No caso de médiuns

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 34 em tempo lhe é solicitado a oferenda isto ocorre

em tempo lhe é solicitado a oferenda isto ocorre também para direcionar as energias a um irmão necessitado que este médium por ventura esteja ajudando.

Que fique bem claro que não quero mudar as práticas litúrgicas, mas tão somente, forta- lecê-la, pois, com a racionalização e conhe- cimento sobre as práticas ritualísticas leva a todos ao fortalecimento da fé e o controle dos exageros.

Retomando o raciocínio, sabemos então, que a natureza física na terra funciona como verdadeiros chakras planetários que absor- vem as forças do Universo e irradia no pla- neta sua essência dando assim o equilíbrio ao planeta e aos seres que aqui habitam.

Desta forma não faz lógicas nossos irmãos se dirigem a uma mata para fazer uma ofer- ta e “esquecerem” garrafas, panos, copos

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etc., etc., etc. na natureza. Pense desta for- ma poluíra o chakra planetário, que com o tempo adoecerá e isto vai refletir em nós. Também denigre a moral da religião.

Quando se oferenda flores leve em vasos e plante no local, será mais agradável para a natureza e para si mesmo, pois enquanto a flor viver ela vibrará energias em sua direção ou na direção que você ordenou a ela. Levan- do flores amputadas você estará ofertando um elemento “defunto”, ou seja, que já está em processo acelerado de decomposição.

Ao invés de depositar a oferenda em cestos de vime, panos de cetim, pratos etc., utilize folhas de ervas do próprio ambiente que es- tiver.

Uma boa dica é utilizar folhas de fumo, bana- neira, chapéu de couro, negamina, eucalipto, ou qualquer que estiver no ambiente.

dica é utilizar folhas de fumo, bana- neira, chapéu de couro, negamina, eucalipto, ou qualquer que

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 36 Saiba que cada fruta, fruto, raiz, legume, verdura, etc.,

Saiba que cada fruta, fruto, raiz, legume, verdura, etc., têm ligações diretas com os chakras.

Fonte: Os textos deste capítulo OFERENDAS compõem o material didático do curso Ma- gia das Oferendas desenvolvido e ministra- do por Rodrigo Queiroz.

Atenção: Tenha consciência ecológica e ja- mais deixe na natureza elementos que não sejam biodegradáveis. Os guias e Orixás agradecem!

O

ASSENTAMENTO

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 38 O assentamento é uma prática muito co- mum e

O assentamento é uma prática muito co- mum e necessária na vida do fiel e pra- ticante Umbandista.

O próprio nome já diz: ASSENTAR, mas o quê? Assentar é o mesmo que fixar num determina- do ponto ou espaço físico uma força ou energia espiritual. Esta prática é pertinente a todas as religiões, o assentamento mais comum a todas é o próprio altar onde que fica uma série de energias pertinentes àquela religião ou templo.

Na Umbanda é mais arrojado. Um terreiro pro- move muitos assentamentos que se dividem em quatro categorias: interno visível, interno invisível, externo visível e externo invisível, por visível entenda aqueles que estão expostos á todos e o contrário é quando estão guardados longe dos olhos alheios ou até mesmo enterra- dos.

Também se divide para várias funções um as- sentamento, variando de assentamento de Orixá, entidade, linha de trabalho ou motivos particulares como assentamento de prosperi- dade, assentamento de cura etc.

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O fato é que por assentamento entenda um conjunto de elementos, fixados num determi-

nado lugar que após uma série de ritualísticas este servirá como um portal fixo e permanente de contato com a força a qual se dedicou tal assentamento. Fazendo um paralelo com os contos infantis é como o “espelho mágico”, ou seja, a qualquer momento você pode se dirigir

a ele e fazer um pedido ou agradecimento.

No espaço em que ele está assentado, com um

templo, este assentamento irradia sua energia

o tempo todos como também absorve aquele

que lhe é pertinente ou ordenado.

Os assentamentos aqui expostos poderão ser executados pelo aluno, pois foi passado pela espiritualidade e solicitado que se divulgasse o máximo que pudesse. Não há nenhum pré-re- quisito ou contra indicações, desde que seguido rigorosamente às orientações aqui expostas e na aula.

Aqui não ensinaremos assentamentos de Ori- xás, mas tão somente das Linhas de Trabalho na Umbanda.

expostas e na aula. Aqui não ensinaremos assentamentos de Ori- xás, mas tão somente das Linhas

O

PONTO

RISCADO

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O utro tema delicado no meio Umban- dista é o ponto riscado. Em algu- mas vertentes pregam que o pon-

to riscado só pode ser traçado pelas mãos de uma entidade incorporada, outros dizem que para tanto o indivíduo deve ter alcan- çado um determinado Grau iniciático e por aí vai. Eu digo que estão todos certos, bem como o que vou ensinar também está.

Primeiramente entendamos o que é o pon- to riscado. Com uma função parecida com a oferenda e o assentamento, o ponto riscado é a fixação temporária de variadas energias traçadas com o uso tradicionalmente da pemba (giz com formato ovular) que pode ser riscado no chão ou num “espaço mágico” (tábuas, lajotas, pedras). Normalmente são traçados símbolos e signos, firmados (ativa- dos) com velas coloridas. Também se utiliza pedras, incensos, bebidas, ervas, etc.

símbolos e signos, firmados (ativa- dos) com velas coloridas. Também se utiliza pedras, incensos, bebidas, ervas,

ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 42 Quando ativado (firmado) um ponto riscado, este terá muitas

Quando ativado (firmado) um ponto riscado, este terá muitas funções enquanto se man- ter ativado por velas principalmente. Este abre um portal de conexão com Orixás ou entidade e linhas de trabalho que ali den- tro recebem uma série de ordenações (fun- ções), pedidos, etc. Mas atenção, não saia por aí riscando qualquer coisa, tampouco use um livro famoso chamado 3333 pontos can- tados e riscados, alerto que isso é um perigo, pois os pontos ali expostos é uma coletânea de cópias que o autor dez visitando terrei- ros, porém no livro não se explica a origem, motivo e atuação dos mesmos. Já vi pon- to de Caboclo Sete Flechas que nos traços continham caveira e caixão. Observando isso entendemos que não é o ponto do referido caboclo, mas o mesmo riscou num determi- nado momento para trabalho específico. E nós não podemos sair riscando. Certo?

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No curso para cada linha de trabalho teremos

a exposição de um ponto riscado de susten-

tação da linha de trabalho, estes sim estão autorizados para serem usados somente por alunos que fizeram curso. Não podem

ser multiplicados e utilizados por quem não

o fez, pois os mesmos não terão recebido a

vibração e o reconhecimento dos mentores responsáveis e reveladores dos referidos pontos riscados.

Enfim, quando as velas se apagam o portal que foi aberto pelo ponto riscado é fechado e recolhido para sua origem. Por isso tenha em mente que ponto riscado é fechado e re- colhido para sua origem. Por isso tenha em mente que ponto riscado é a fixação tempo- rária de determinadas forças espirituais.

sua origem. Por isso tenha em mente que ponto riscado é a fixação tempo- rária de

SINTETIZANDO

ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3

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OFERENDA: é a ativação de determina- das forças energéticas através da ritualísti- ca religiosa e ofertatória de elementos natu- rais. Usado para pedidos e agradecimentos, bem como preceito de ato de fé. As forças ali ativadas são temporárias e normalmen- te executados em pontos de forças naturais, ex: mata, cachoeira, pedreira, beira-mar, en- cruzilhada, etc.;

ASSENTAMENTO: é a fixação perma- nente de força energéticas provenientes de Orixá, entidade ou linha de trabalho. Utilizan- do de materiais físicos variados. Devendo ser ativado semanalmente como uma forma de “sustentação” do assentamento.

PONTO RISCADO: é a ativação temporá- ria de forças energéticas através de traços simbólicos e signos magísticos. Muito utiliza- do pelas entidades na Umbanda e podendo ser usado por pessoas devidamente prepa-

e signos magísticos. Muito utiliza- do pelas entidades na Umbanda e podendo ser usado por pessoas

ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3

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ENTIDADES DE UMBANDA - AULA 3 46 radas para tento. Pode ser ativado em qual- quer

radas para tento. Pode ser ativado em qual- quer lugar.

LINHAS DE TRABALHO: é o termo uti-

lizado para designar agrupamentos espi- rituais separados por focos de trabalhos e atribuições diferentes. Composto por espíri- tos nas mais variadas hierarquias. As linhas comumente conhecidas são: Caboclo, Preto Velho, Baiano, Boiadeiro, Marinheiro, Cigano, Crianças, Exu, Pomba Gira e Exu Mirim.

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