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ALEXANDRA DE GOUVÊA VIANNA AS TOXICOMANIAS NA CLÍNICA PSICANALÍTICA Uma das frases repetidas entre companheiros
ALEXANDRA DE GOUVÊA VIANNA
AS TOXICOMANIAS NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
Uma das frases repetidas entre companheiros de salas de mútua
ajuda como os Alcoólicos Anônimos (AA) e os Narcóticos Anônimos
(NA) define a dependência química como uma doença progressiva,
incurável e de determinação fatal, que mata desmoralizando.
Esta frase, que mais parece uma sentença, carrega um peso
muito forte e vai ao encontro do que circula no senso comum
sobre a dependência química: uma doença sem cura e de
cunho moral.
É
importante levar em consideração que as toxicomanias
conferem uma identidade, pois o reforço do diagnóstico sobre o
sujeito pode aprisioná-lo ainda mais neste lugar. Seria interes-
sante, em contrapartida, apontar como direção para o tratamen-
to outros modos de inserção no social sem o uso de drogas.
AS TOXICOMANIAS
NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
O
uso da droga ocupa um lugar central na vida daqueles que
desenvolvem uma compulsão, pois há superinvestimento neste
objeto. O indivíduo aprende rapidamente como adquirir a droga
ALEXANDRA DE GOUVÊA VIANNA
e
planeja muito bem onde, quando e como vai usar.
Mas quem é o toxicômano?
Como se dá o envolvimento e a posterior adicção às drogas?
Quais as causas?
Neste livro, a autora utiliza o viés psicanalítico na tarefa de
esclarecer certas características recorrentes no uso compulsivo
da droga, buscando responder a estas e outras questões de
forma direta e simples – um trabalho primoroso no tangente à
concepção do uso, dependência e de nossa própria visão sobre
o
tema.
Daniel Castello Branco

perversão, este trabalho lança um olhar sobre o uso da droga através dos conceitos de supereu, ideal do eu, satisfação pulsional e pulsão de morte, trabalhando ainda a cons- trução das relações de dependên- cia que antecedem a dependência à droga em si. De fato, as conclusões a que a autora chega estabelecem novas bases na observação e tratamento das toxicomanias.

Daniel Castello Branco

Professora em Regime de Tempo Integral da Universidade Santa Úrsu- la/USU. Coordenadora e professora dos Cursos de Pós-graduação Lato sensu em Teoria Psicanalítica e Clíni- ca Psicanalítica da USU. Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica na linha de pesqui- sa Psicanálise: clínica e cultura da PUC-Rio. Atua principalmente nas seguintes áreas de pesquisa: psicaná- lise, uso abusivo de álcool e outras drogas, mal-estar e cultura, e nos temas: supereu, ideal do eu, eu ideal, narcisismo, pulsão de vida, pulsão de morte, masoquismo.

A partir de autores consagrados

como Freud, Lacan, Birman, Dor e Rabinovich – entre muitos outros – e amplamente apoiada em anos de clínica especializada, Alexandra Vianna traz um trabalho conciso e fundamentado, fruto não apenas da

prática e da observação clínica, mas também do estudo aprofundado das razões das toxicomanias e seus desdobramentos, entendendo que

o sujeito toxicômano dirige um

apelo ao Outro através do uso da droga para que a função paterna se faça presente. Sob essa perspectiva, o uso da droga comporta uma mensagem dirigida ao Outro para que um corte

seja operado na relação sem limites construída com a droga. Dessa forma, a autora apresenta um estudo sobre as toxicomanias pelo viés psicanalítico, não se atendo apenas aos feitos orgânicos produ- zidos pelo uso da substância, mas da função sempre singular que a droga ocupa para o sujeito. Desde a introdução, onde discor-

re diretamente sobre o objeto do

trabalho – as toxicomanias e, no decorrer da análise, examinando minuciosamente o fenômeno das drogas na neurose, na psicose e na