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A idéia de Universidade Rumos e Desafios Maria Abddia da Silva Ronalda Barreto Silva (orgs.) Carlos Alberto F. Lima Edmilson Menezes José Vieira de Sousa Maria Abadia da Silva Roberto Romano Ronalda Barreto Silva Vera Licia Jacob Chaves Copyright © 2006 Liber Livro Editora Ltda. E protbida a reprodugao sem autorizagio prévia, por escrito, da editor. ago, por quaisquer meios, Reviséio: Sueli fo Normalizagao Bruno Maiky Tourinho Borges e Cristiano Vieira Diagramagio ‘Marcus Polo R. Duarte Dados Intemacionais de Catalogagéo na Publicacio (CIP) aero tomas de Catalogagao na Publicagao (CIP) dade : rumos e desafios / Maria Abidia da Silva, Ronalda Barreto ‘4 (Organizadoras) ~ Brasilia : Liber ISBN 85-98843-53.9 1. Bducagio superior. 2. Universidade lca. I. Silva, Maria Abadia da, cpu 378(81) Inmpresso no Brasil Ste eee am tad i i i Sumario Apresentacso.. 1 PARTE: EDUCACAO SUPERIOR Fundamentos Filoséficos, Concepgaes e Pi Reflexoes sobre a Universidade..... Roberto Romana ersidade e Modemidade: a idéla e a crise © pablico privado na Educacao Superior Bras A privatizacao da Universidade Pobli Vera lucia Chaves Jacob Estado, financiamento piblico e crise ... Caslos ALberto Ferreira Lima 2° PARTE: ‘OUTRO DESENHO INSTITUCIONAL Limites e Realidades Complexas Restricao do publico e estimulo 8 Tendéncia histérica no Ensino Supe José Vieira de Sousa Gestio da Educaco Superior Pibli ‘Matia Abadia da Silva 139 179 Armadilhas da Reforma da Educa: As Universidades Estaduais da Bahia Ronalda Barreto Silva Superior: 7 - 209 Sobre os autores .. on 239 Gestdo da Educacao Superior Publica Maria Abadia d Silva Introducao. Nos dltimos anos, reno dedicado parte de meus estudos compreender, por meio do processo histético, as relagdes estabelecidas entre © governo brasileiro e os organismos em especial o Banco Mundial. Tenho trabalhado com estudantes dos cursos de graduacio ¢ pés-graduacio € com professores em cursos de formacdo continuada. Essa pritica docente t10\ de explicitar melhor a maneira como as politicas dos organismos jernacionais ¢ ressignificadas, como se fossem ides nacionais. inceiros internacional xe A tona a necessi accel No inicio, minhas preocupagées priorizaram as anilises reflexes, com estudantes e professores, sobre as seguintes questées: Qual 0 pereurso histérico construfde no Pai Populagto trabalhadora pudesse aleancar ¢ ter diteito as politicas sociais? para que a Como os direitos sociais passaram a fazer parte da consciéne! coletiva de homens ¢ de mulheres? Como 05 trabalhadores, homens e mulheres, perceberam € sentiram a necessidade de reconhecer os ditcitos sociais como seus? Como reconheceram a educagio direitos seus? sica e superior como Mais tarde, centraremos nossas reflexes nos ataques As universidades paiblicas por seem uma conquista dos trabalhadores ‘no campo dos direitos sociais. (Que significado tém as universidades piblicas para o Pais? E para 2 populacao? © que significa privatizar a universidade publica? © que queremos dizer quando falamos que a universidade caminha para a privatizagio? Quem privatiza a universidade piiblica? Antes de analisarmos a universidade piblica, relembremos um Pouco o processo histérico da educacio escolar no Brasil. Sabemos que a sociedade brasileira foi edificada sob valores morais, éticos ¢ Stistios introduzidos pelos colonizadores portugueses e, 20 mesmo fempo, nos processos internos, as acdes foram de eliminagio dos costumes, das linguas, das culturas, dos riuais rligiosos e dos processos educativos. Para se obter éxito no processo de ocupacio das terras aproptiacio das riquezas minerais, os colonizadores impuseram 0 Primado da lei, do trabalho ¢ da verdade divina. Seguindo esse primado, as vontades politica ¢ econémica das oligarquias rurais foram teansformadas em leis econdmicas estruturantes das relagdes sociais ¢ modelo de gestio gerencial, diversificar as formas de Gnanciamento pablico ¢ instituir os inserumentos de avaliagt referenciados nos resultados quantitativos. Educagao superior: os governos madificam o ethos universitério cada nos pilares da racionalidade, da eficici ds produtividade, do desempenho e de resultados, essignificada coma era da modernidade. Intimeros discursos esctitos ¢ divulgados pelos étgios da imprensa intensificaram o slagan da modernidade, a fim de teansparecer nas atitudes, nas agdes ¢ no universo real e simbélico de homens ¢ ‘mulheres o impeto constante de viver, ser ¢ ter aquilo que simboliza sermoderno. Nesse cenatio, sex moderno significa abracar as politicas financeiras internacionais, favorecer empresas ¢ bancos estrangeiros, consumix produtos importados, estabelecer dialogo com os processos de globalizagio, petmitir pouso e decolagem de capitais financeitos sem siscos, ter ¢ utilizar as tecnologias da informatica, utilizar a comunicagdo virtual e distribui investimentos sociais a partir dos resultados. Oeex-presidente Fernando Collor de Mello, cujo mandato durou de 15/03/1990 a 02/10/1992, tornou-se o principal timoneiro da 191° ‘ndo propés profundas reformas estruturais pata a ‘ria, exportacio, gestio, educaco, ciéncia ¢ tecnologia! Em feverciro de 1991, o presidente Fernando Collor de Mello, pot meio do documento Brasil, um Projeto de Retonsirugio Nacional, apontou a necessidade de reformar 0 Estado para que este possa dedicarse as suas fancdes essenciais, ou seja, educacio, satde, infra. estrutura. Dizia o documento que “caberi a0 Estado transformasio da esteutura produtiva e corzigit os desequilibrios sociais € segionais”, Para tanto, propés um Estado menot, mais 4gil e bem informado com alta capacidade de articulagio ¢ flexibilidade para star suas politicas, Afirmava, também, que esse papel articulador visava a modernizacio econémica e deveria ter no setor privado o seu principal motor Neste momento, os servigos piiblicos oferecidos pelo Estado € as institui¢des publicas, em especial as universidades, tornam-se alvo de ataques com o diagnéstico de improdutivos, ineficientes ¢ coorporativos. Com esse discurso, 0 Governo Federal, os governos estaduais € os emptesétios rccolocam em discussio a autonomia unlversittia, 8 conceitos de eficiciae eficiéncia, o modelo de gest3o ‘as universidades federais ¢ estaduais, os critérios de produtividade & de qualidade, a capacidade gerencial, a gratuidade do ensino pablico de graduacio ¢ a expansio do ensino superior a distincia, Com Itamar Franco, de 02/10/1992 a 31/12/1994, o Ministro da Educaio edo Desporto, Murilio de Avelat Hinguel, apontou como parte da politica o Plaxo Deconal de Eaucagio pare Tedet. Em sua gestio, explicitaram-se os dissensos em torno dagueles que defendiem og educasSo como Nacional de bisico moderne Canes CIACS como pos aos einensprobennse se foram proposes anuncindsesecutdaradan opidseneses + 192+ interesses privados na educacio ¢ aqueles comprometidos com adefesa da edueagio publica, gratuita, de qualidade € democritica e a defesa de financiamento piblico adequado como dever do Estado, Foram anos de embates que antecederam a vigente Lei de Direttizes e Bases da Educacio Nacional N° 9394, de 20 de dezembro de 1996, No governo Fernando Henrique Cardoso, desde seu primeiro mandato de 01/01/1995 a 31/12/1998, tornow-se visivel a disposigio do Ministro da Educacio Paulo Renato de Souza de aproximar a cducacio brasileita do modelo econémico neolibetal com a ezenca de que o mercado elege melhor o que a universidade deveria ser e produzie. Essa disposigio do Governo Federal consubstanciou-se no més clemaio de 1995, por meio 1o documento Plarejamento Politio-Estatigis (1995/1998) quando afitmou as seguintes medidas: ~ a promogio da modernizagao gerencial eon todos os niveis¢ nroalidades de ensino, assim como nos brads de gestae; ~ a utilizar ¢ a dissensinacao de modernas teenologias educacionais; ~ a articulagan de politicas «de exforgos entre os tés niveis da federario, de maneira a obter resultados mais efcazes; ~ € 4 progressiva transformagio do MEC nun organismo eftcax de formilatio, coordenagao ¢acompanbamento depoltcas piilicas na drea educacional ea contegitente reducaa de seu papel execution Em julho de 1995, em outro documento denominado A politica ara as Instituigoes Federais de Ensino Superior, sto aptesentados os elementos da politica para esse nivel de ensino: * Em encrevista conceit a0 Corteio Braliens, em 25/11/2001, © Mia emou que “as univenidedes Fees tém dais grandes defthox gene ccorponviane ‘ompesedec a redueio dos investments em edieaio. Fala de. Pala Eavestinretos eon elucon