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Pedro Henrique Correia Oliveira

Métodos e técnicas de Pesquisa Social


Autor: Antonio Carlos Gil

Capitulo 10

10.1 Observação como técnica de coleta de dados


“A observação constitui elemento fundamental para a pesquisa. Desde a for-mulação do problema,
passando pela construção de hipóteses, coleta, análise e interpretação dos dados, a observação
desempenha papel imprescindível no pro-cesso de pesquisa. É, todavia, na fase de coleta de dados que
o seu papel se toma mais evidente. A observação é sempre utilizada nessa etapa, conjugada a outras
técnicas ou utilizada de forma exclusiva. Por ser utilizada, exclusivamente, para a obtenção de dados em
muitas pesquisas, e por estar presente também em ou-tros momentos da pesquisa, a observação chega
mesmo a ser considerada como método de investigação.
A observação nada mais é que o uso dos sentidos com vistas a adquirir os conhecimentos necessários
para o cotidiano.” obs.101

10.2 Observação simples


“Por observação simples entende-se aquela em que o pesquisador, permane-cendo alheio à
comunidade, grupo ou situação que pretende estudar, observa de maneira espontânea os fatos que aí
ocorrem. Neste procedimento, o pesqui-sador é muito mais um espectador que um ator. Daí por que
pode ser chamado de observação-reportagem, já que apresenta certa similaridade com as técnicas
empregadas pelos jornalistas.
Embora a observação simples possa ser caracterizada como espontânea, in-formal, não planificada,
coloca-se num plano científico, pois vai além da simples constatação dos fatos. Em q4alquer
circunstância, exige um mínimo de controle na obtenção dos dados. Além disso, a coleta de dados por
observação é seguida de um processo de análise e interpretação, o que lhe confere a sistematização e o
controle requeridos dos procedimentos científicos.” obs. 102

10.3 Observação participante


A observação participante, ou observação ativa, consiste na participação real do conhecimento na vida
da comunidade, do grupo ou de uma situação determi-nada. Neste caso, o observador assume, pelo
menos até certo ponto, o papel de um membro do grupo. Daí por que se pode definir observação
participante como a técnica pela qual se ao conhecimento da vida de um grupo a partir de um interior
dele mesmo” obs. 103

10.4 Observação sistemática


A observação sistemática é frequentemente utilizada em pesquisas que têm como objetivo a descrição
precisa dos fenômenos ou o teste de hipóteses. Nas pesquisas deste tipo, o pesquisador sabe quais os
aspectos da comunidade ou gru-po que são significativos para alcançar os objetivos pretendidos. Por
essa razão, elabora previamente um plano de observação. obs. 104

Capitulo 11

11.1 Conceituação
Pode-se definir entrevista como a técnica em que o investigador se apresenta
frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos
dados que interessam à investigação. A entrevista é, portanto, uma forma de ) interação social. Mais
especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a
outra se apresenta como fonte de informação. Obs. 111

11.3 Níveis da estruturação da entrevista


entrevista é seguramente a mais flexível de todas as técnicas de coleta de
dados de que dispõem as ciências sociais. Daí porque podem ser definidos dife-rentes tipos de
entrevista, em função de seu nível de estruturação. As entrevistas
mais estruturadas são aquelas que predeterminam em maior grau as respostas a
serem obtidas, ao passo que as menos estruturadas são desenvolvidas de forma mais espontânea, sem
que estejam sujeitas a um modelo preestabelecido de interrogação. obs. 113

11.4 Entrevista por face a face e por telefone


As entrevistas tradicionalmente têm sido realizadas face a face. Essa tem sido a característica mais
considerada para distingui-la do questionário, cujos itens são apresentados por escritórios
respondentes. Boa parte das considerações feitas nos manuais de pesquisa acerca da elaboração da
entrevista referem-se à situa-ção face a face. No entanto, nas últimas décadas vem sendo desenvolvida
outra modalidade: a entrevista por telefone. obs. 114

11.5 Entrevistas individuais e em grupo


As recomendações para preparação e condução de entrevistas referem-se ge-ralmente a entrevistas
realizadas individualmente. Mas entrevistas também podem ser realizadas em grupo, caracterizando a
técnica conheci<:Ia como Jocus group. Sua origem encontra-se nos trabalhos desenvolvidos pelo
sociólogo Robert K. Merton durante a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de estudar o moral dos
militares (Merton; Kendall, 1946). Seu uso só se disseminou, no entan-to, a partir da década de 1980,
quando passou a ser utilizado em pesquisas mercadológicas e passou a afirmar-se como procedimento
dos mais adequados para fundamentar pesquisas qualitativas em diversos campos das ciências sociais
(Morgan, 1988). obs. 115

11.6 Condução da entrevista


Como já foi demonstrado, a entrevista pode assumir diferentes formas. Cada uma delas exige,
naturalmente, do entrevistador, habilidade e cuidados diversos em sua condução. Do responsável pela
aplicação de entrevistas estruturadas exige-se apenas mediano nível de inteligência e de cultura, bem
como treinamento operacional. Já daquele que vai proceder à condução de uma entrevista profun-da,
de caráter absolutamente não diretivo, exigem-se profundos conhecimentos da personalidade humana
e, pelo menos, um ou dois anos de treinamento. obs. 116

Capitulo 12

12.1 Conceituação
Pode-se definir questionário como a técnica de investigação composta por um conjunto de questões
que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças,
sentimentos, valores, interesses, ex-pectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou
passado etc.
Os questionários, na maioria das vezes, são propostos por escrito aos respon-dentes. Costumam, nesse
caso, ser designados como questionários auto-aplicados. Quando, porém, as questões são formuladas
oralmente pelo pesquisador, poaem ser designados como questionários aplicados com entrevista ou
formulários. obs. 121

12.3 Forma das questões


Em relação à forma, podem ser definidos três tipos de questão: fechadas, abertas e dependentes. Nas
questões abertas solicita-se aos respondentes para que ofereçam suas próprias respostas. Pode-se
perguntar, por exemplo: "Qual é no seu entender o maior desafio que o SUS deverá enfrentar nos
próximos anos?", oferecendo espaço para escrever a resposta. Este tipo de questão possibilita ampla
liberdade de resposta. Mas nem sempre as respostas oferecidas são relevantes para as intenções do
pesquisador. Há também dificuldades para sua tabulação.
Nas questões fechadas, pede-se aos respondentes para que escolham uma alternativa -dentre as que
são apresentadas numa lista. São as mais comumente utilizadas, porque conferem maior uniformidade
às respostas e podem ser facil-mente processadas. Mas envolvem o risco de não incluírem todas as
alternativas relevantes. Por essa razão é que se recomenda proceder à realização de entrevis-tas
individuais ou coletivas antes da construção definitiva das alternativas. Este procedimento contribui não
apenas para a definição de um número razoável de alternativas plausíveis, mas também para redigi-las
de maneira coerente com o universo discursivo dos respondentes. obs. 123

12.4 Conteúdo das questões


As questões podem se referir ao que as pessoas sabem (fatos), ao que pen-sam, esperam, sentem ou
preferem (crenças e atitudes) ou ao que fazem (com-
􀁀ortamentos) (Judd, Smith, Kidder, 1991, p. 229). Geralmente, os questionários mcluem questões
referentes a mais de uma dessas categorias e muitas vezes uma única questão envolve aspectos de mais
de uma delas. Toma-se conveniente, por-tanto, estabelecer as distinções entre os diferentes tipos de
questões no referente ao seu conteúdo. obs. 124

12.5 Escolha das questões


A escolha das questões está condicionada a inúmeros fatores, tais como: a natureza da informação
desejada, o nível sociocultural dos interrogados etc. Há, no entanto, algumas regras básicas que devem
ser observadas:
a) devem ser incluídas apenas questões relacionadas ao problema pes-quisado;
b) não devem ser incluídas questões cujas respostas podem ser obtidas de forma mais precisa por
outros procedimentos;
c) devem-se levar em conta as implicações da questão com os procedi-mentos de tabulação e
análise dos dados;
d) devem ser incluídas apenas as questões que possam ser respondidas sem maiores dificuldades;
e) devem ser evitadas questões que penetrem na intimidade das pessoas. obs. 125

12.9 Prevenção de deformações


Nem todas as pessoas estão motivadas para fornecer as respostas solicitadas. Algumas podem até
mesmo se sentir ameaçadas ao serem indagadas acerca de determinados assuntos. Por outro lado, há
questões que por sua natureza ou for-ma são capazes de criar constrangimentos nos respondentes. O
vocabulário utili-zado também pode conduzir a interpretações inadequadas. Há palavras que por serem
estereotipadas ou apresentarem conotação negativa tendem a ser evitadas ou rejeitadas. E no caso de
questionários que são respondidos com entrevista é possível o estabelecimento de um tipo de relação
entre pesquisador e pesquisado que torna a situação altamente desconfortável. obs. 129

12.10 Construções de alternativa


A maioria dos questionários envolve questões fechadas. Muito de sua eficácia tem a ver, portanto, com
as alternativas que são apresentadas em cada questão. Assim torna-se necessária a observância de uma
série de requisitos neste pro-cesso.' Por isso é que se recomenda que a versão definitiva do questionário
seja elaborada somente após um estudo exploratório envolvendo pessoas que pode-riam integrar a
amostra da pesquisa. Estas pessoas seriam entrevistadas, individualmente ou em grupo, com vistas a
obter conhecimento acerca de seu universo de discurso. As alternativas seriam, então, redigidas
levando-se em consideração suas falas, que foram identificadas no estudo exploratório. obs. 12.10

12.11 Pré teste do questionário


Depois de redigido o questionário, mas antes de aplicado definitivamente, deverá passar por uma prova
preliminar. A finalidade desta prova, geralmente designada como pré-teste, é evidenciar possíveis falhas
na redação do questioná-rio, tais como: complexidade das questões, imprecisão na redação,
desnecessida-de das questões, constrangimentos ao informante, exaustão etc.
O pré-teste é realizado mediante a aplicação de alguns questionários (de 10 a 20) a elementos que
pertencem à população pesquisada.
Para que o pré-teste seja eficaz é necessário que os elementos selecionados sejam típicos em relação ao
universo e que aceitem dedicar para responder ao questionário maior tempo que os respondentes
definitivos. Isto porque, depois de responderem ao questionário, os respondentes deverão ser
entrevistados a fim de se obterem informações acerca das dificuldades encontradas. obs. 12.11