Você está na página 1de 7

Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia- IF Sudeste - Campus Barbacena

Disciplina: Qualidade da Água

DETERMINAÇÃO DE OXIGÊNIO DISSOLVIDO/ DBO

Fabiana de Oliveira Maria

Grigia Campos Cunha Andrade

Helen Bianca da Costa

Barbacena, 11 de Outubro de 2017.


INTRODUÇÃO

Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) é um indicador que determina


indiretamente a concentração de matéria orgânica biodegradável através da demanda de
oxigênio exercida por microrganismos através da respiração. A DBO é um teste padrão,
realizado a uma temperatura constante de 20oC e durante um período de incubação também
fixo, 5 dias. É uma medida que procura retratar em laboratório o fenômeno que acontece no
corpo d´água.
Sendo um parâmetro fundamental para o controle da poluição das águas por
matéria orgânica. Nas águas naturais a DBO representa a demanda potencial de oxigênio
dissolvido que poderá ocorrer devido à estabilização dos compostos orgânicos
biodegradáveis, o que poderá trazer os níveis de oxigênio nas águas abaixo dos exigidos
pelos peixes, levando-os à morte. É, portanto, importante padrão de classificação das águas
naturais.
O oxigênio dissolvido está diretamente ligado á DBO, sendo o elemento principal no
metabolismo dos microrganismos aeróbios que habitam as águas naturais ou os reatores
para tratamento biológico de esgotos. Nas águas naturais, o oxigênio é indispensável
também para outros seres vivos, especialmente os peixes, onde a maioria das espécies não
resiste a concentrações de oxigênio dissolvido na água inferiores a 4,0 mg/L.
Logo, com o intuito de verificar esse parâmetro, coletou-se uma amostra de água
localizada no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia- IF Sudeste Campus
Barbacena. Segue as informações da amostragem:
 Localização: IF- Campus Barbacena, Núcleo de Zootecnia
 Manancial: Lagoa
 Local da Coleta: Tanque de Psicultura
 Estado do Tempo: Ensolarado
 Data: 10/10/17
 Horário: 15:02 horas
 Responsável pela amostragem: Helen Bianca da Costa
Assim, no presente trabalho será apresentado a determinação da Demanda
Bioquímica de Oxigênio (DBO) em amostra de água, para classificação e verificação,
visando se a presença desse parâmetro está dentro dos limites permitidos de acordo com a
RESOLUÇÃO N° 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005.
OBJETIVO

Determinar a concentração de oxigênio dissolvido (DBO) em amostra de água


através do método químico. Classificar e verificar a amostra de água em análise de acordo
com a legislação.

MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais utilizados na prática:

 Bastão de vidro;
 Béquer de 50 ml;
 Bureta de 50 ml;
 Conta gotas;
 Erlenmeyer de 250 ml;
 Frasco de rolha esmerilhada, com capacidade de 250-300ml;
 Placa de Petri;
 Pipeta graduada de 5 ml;
 Pisseta;
 Proveta graduada de 100 ml;
 Suporte para bureta;

Reagentes utilizados na prática:

 Ácido Clorídrico R (ou 50% SR);


 Água de Diluição;
 Cloreto Manganoso 80% SR;
 Goma de Amido 1% SI;
 Hidróxido de Sódio 30% SR;
 Iodeto de Potássio R;
 Tiossulfato de Sódio N/80 (0,0125N) SV

Equipamento utilizado na prática:

 Encubadora;
 Capela de Exaustão

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Iniciou-se o procedimento homogeneizando a amostra de água, em seguida com o


auxílio de uma proveta mediu-se 40 ml da mesma. Com cuidado, colocou-se um pouco de
água de diluição no frasco de rolha esmerilhada (Volume: 298,2ml) adicionou-se os 40 ml da
amostra e completou seu volume com água de diluição, enchendo-o totalmente e tampando-
o. Colocou-se o frasco preparado na incubadora, com seu topo coberto por papel alumínio,
a 20°C, durante 5 dias.
Para a segunda análise, iniciou-se homogeneizando a amostra de água, em
seguida com o auxílio de uma proveta mediu-se 40 ml da mesma. Com cuidado, colocou-se
um pouco de água de diluição no frasco de rolha esmerilhada (Volume: 298,1) adicionou-se
os 40 ml da amostra e completou seu volume com água de diluição, enchendo-o totalmente
e tampando-o. E para determinação do oxigênio dissolvido (OD) fez-se os seguintes
procedimentos:
1. Destampou-se o frasco de rolha esmerilhada e com a ponta do conta gostas
mergulhada na amostra, adicionou-se 1 ml de cloreto manganoso 80% SR (antes de
mergulhar o conta gotas na amostra, limpou-se a pipeta externamente com papel toalha).
2. Com a ponta do conta gotas mergulhada na amostra, adicionou-se 1 ml de
hidróxido de sódio 30% SR (antes de mergulhar o conta gotas na amostra, limpou-se a
pipeta externamente com papel toalha).
3. Tampou-se o frasco com a amostra, limpou-se externamente com papel
toalha, homogeneizou-se com inversões e deixou decantar por 5 minutos (houve formação
de precipitado);
4. Adicionou-se uma pitada de KI a amostra;
5. Adicionou-se 5 ml de Ácido Clorídrico a amostra;
6. Tampou-se o frasco e limpou externamente com papel toalha, e agitou-se até
a completa dissolução do precipitado;
7. Retirou-se do frasco com a amostra uma alíquota de 100 ml e transferiu-se
para o erlenmeyer de 250 ml.
8. Preencheu-se a bureta com solução de tiossulfato de sódio N/80, acertou o
menisco, e em seguida iniciou-se o processo de titulação, titulando-se a solução do
erlenmeyer até aparecimento da coloração amarelo claro. Após, adicionou-se 1 ml de goma
de amido 1% SI, e continuou a titulação até descoloração total.
Após os cinco dias de incubação da amostra, retirou-se o frasco e determinou a
concentração de OD, desenvolvendo os procedimentos de 1 a 8, citados acima.
Obs.: Fez-se as titulações em duplicata.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

 Dados obtidos durante a aula prática


Volume dos frascos de rolha esmerilhada:
Frasco n° 53: 298,1 ml
Frasco n° 28: 298,2
Volume gasto de tiossulfato de sódio na titulação:
1° Titulação: Erlenmeyer 1: 5,1 ml
Erlenmeyer 2: 5,8 ml
2° Titulação: Erlenmeyer 1: 3,6 ml
Erlenmeyer 2: 3,1 ml
 Amostragem

Na amostragem da água, antes da coleta, fez-se a ambientação do frasco de coleta


com a água que seria analisada devido à importância de que mesmo com o frasco limpo, há
o risco de contaminação com vestígios de outras substâncias que ainda possam estar
impregnadas no material, então para garantir um melhor resultado, fez-se a ambientação na
no frasco, então se no caso ainda houvesse vestígios de outra substância, esse irá interferir
na ambientação e não na análise final. A estocagem da amostra deu-se na refrigeração. E
identificou-se o frasco com as informações necessárias.

 Explicação Química e Biológica, Cálculos e Discussão Dos Resultados:


A determinação da DBO consistiu-se em medidas de concentração de oxigênio
dissolvido na amostra de água diluída, antes e após o período de incubação de 5 dias a
20°C. E para a determinação deste parâmetro usou-se o método químico.
O método químico utilizado foi o método de Winkler, que compreende diversas
fases. A primeira delas foi à fixação do oxigênio dissolvido da amostra, que foi feita após a
coleta, para evitar alterações na concentração. Após adicionou-se à amostra as soluções de
cloreto manganoso, hidróxido de sódio, iodeto de potássio, ácido clorídrico e goma de
amido.
A fixação do oxigênio dissolvido ocorre através da formação de óxido de manganês,
segundo a reação:
Mn(OH)2 + ½O2 → MnO2 + H2O
Logo, é adicionado hidróxido de sódio para a remoção da interferência de nitritos e
havendo a formação de precipitado. E ao adicionar o iodo, ocorre na segunda fase é a
liberação do mesmo, e a adição de ácido clorídrico concentrado, que provoca a ruptura dos
precipitados e o desenvolvimento de uma coloração amarelada, cuja intensidade é
proporcional à concentração de oxigênio dissolvido presente inicialmente na amostra. Esta
reação pode ser expressa por:
MnO2 + 2I- + 4H+ → Mn+2 + I2 + 2H2O
Note-se que o íon iodeto é oxidado a iodo molecular, proporcionalmente à
quantidade de óxido de manganês que, por sua vez, é proporcional à concentração de
oxigênio dissolvido na amostra, conforme mostrado na reação de fixação.
A fase final desta análise foi à titulação do iodo liberado com tiossulfato de sódio
(iodometria). Esta reação pode ser representada por:
2Na2S2O3 + I2 → Na2S4O6 + 2NaI + 10H2O
O indicador desta reação foi à solução de amido, com viragem de azul para incolor.
Os resultados são expressos finalmente em termos de mgO2/L, utilizando-se o
equivalente-grama do oxigênio (em mg). Assim com os dados obtidos durante a realização
da prática, fez-se os seguintes cálculos:

 Média dos volumes gastos na titulação:


5,1+5,8
1° Titulação: 𝑀é𝑑𝑖𝑎: 2
= 5,75 𝑚𝑙
3,6+3,1
2° Titulação: 𝑀é𝑑𝑖𝑎: 2
= 3,35 𝑚𝑙

 1° Titulação, fez-se a determinação de Oxigênio Dissolvido (OD):


1𝑚𝑔
1 𝑚𝑙 𝑑𝑒 𝑁𝑎2 𝑆2 𝑂3 = 𝑑𝑒 𝑂𝐷
𝐿
5,45 𝑚𝑙 𝑑𝑒𝑁𝑎2 𝑆2 𝑂3 = 𝑥
𝒙 = 𝟓, 𝟒𝟓 𝒎𝒈/𝑳 𝒅𝒆 𝑶𝑫
 2° Titulação, fez-se a determinação da Determinação Bioquímica de Oxigênio (DBO):
1𝑚𝑔
1 𝑚𝑙 𝑑𝑒 𝑁𝑎2 𝑆2 𝑂3 = 𝑑𝑒 𝑂𝐷
𝐿
3,35 𝑚𝑙 𝑑𝑒𝑁𝑎2 𝑆2 𝑂3 = 𝑥
𝒙 = 𝟑, 𝟑𝟓 𝒎𝒈/𝑳 𝒅𝒆 𝑶𝑫
 (%) de diluição:
298,2𝑚𝑙 = 100%
40 𝑚𝑙 = 𝑥
𝒙 = 𝟏𝟑. 𝟒𝟏 %
 Cálculo da DBO:
𝑚𝑔 𝐴 − 𝐵 𝑥100 5,45 − 3,35 𝑥100
𝐷𝐵𝑂 = = = 𝟏, 𝟓𝟕 𝒎𝒈/𝑳
𝐿 % 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜 13,41

A partir dos dados obtidos viu-se que durante o período de 5 dias houve a redução
da concentração de OD na água passando de 5,45 mg/L para 3,35 mg/L, isso se deve ao
consumo por microorganismos aeróbios nas reações bioquímicas de decomposição de
compostos orgânicos biodegradáveis.
E a partir daí, pode-se classificar a água em análise de acordo com a RESOLUÇÃO
N° 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005, como Classe 2 - Águas Doces, uma vez que a
Resolução estabelece DBO 5 dias a 20°C até 5mg/L de O2 e o obtido foi 1,57 mg/L. Já para
OD, onde fez-se a determinação imediata da amostra e obteve-se 5,45 mg/L de OD e em
qualquer amostra deve obter um valor não inferior a 5mg/L.
Assim, os resultados mostram uma DBO dentro dos padrões, indicando que não
será preciso grandes taxas de OD para oxidar a matéria orgânica, e os peixes ali presentes
terão oxigênio suficiente para sua respiração.

CONCLUSÕES

Podemos concluir que, a aula teve seu objetivo alcançado, uma vez que,
conseguiu-se determinar no dia 0 (dia posterior a coleta) a concentração de oxigênio
dissolvido(OD) obtido da amostra que foi de 5,45 mg/L, e após 5 dias com a amostra
mantida fechada, incubada a uma temperatura constante de 20°C, encontrou-se a nova
concentração(DBO) de 1,57 mg/L, onde nota-se redução devido ao consumo de oxigênio
durante este período.
Conforme a análise da concentração de OD e DBO conclui-se que a água pode ser
classificada como Classe 2, Seção 2- Águas Doces, e que a mesma está dentro dos limites
de qualidade de acordo com a RESOLUÇÃO N° 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005, uma vez
que o permitido para esta classe de DBO 5 dias a 20°C é até 5mg/L O2, e o OD em qualquer
amostra não inferior a 5mg/L O2. Ressaltando que as práticas realizadas são passíveis de
erros.

REFERÊNCIAS
BRASIL, Resolução CONAMA n°357, de 17 de março de 2005. Classificação de águas,
doces, salobras e salinas do Território Nacional. Publicado no D.O.U. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf> Acesso em: 20 Out. 2017.

NAIME, ROBERTO; FAGUNDES, ROSÂNGELA SCHUCH. Controle da Qualidade da Água


do Arroio Portão–Portão, RS. Pesquisas em Geociências, v. 32, n. 1, p. 27-35, 2005.

PINTO, Daniel Brasil Ferreira et al. Qualidade da água do Ribeirão Lavrinha na região Alto
Rio Grande-MG, Brasil Water quality on Lavrinha Stream in Alto Rio Grande region, Minas
Gerais State, Brazil. Ciência e Agrotecnologia, v. 33, n. 4, p. 1145-1152, 2009.

VALENTE, José Pedro Serra; PADILHA, Pedro Magalhães; SILVA, Assunta Maria Marques.
Oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e demanda química de
oxigênio (DQO) como parâmetros de poluição no ribeirão Lavapés/Botucatu-SP. Eclética
Química, p. 49-66, 1997.