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EXCELENTÍSSIMO DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA

CÍVEL DA COMARCA DE PONTE SERRADA – SC.

ESPÓLIO DE LAURO MARTINS RIBAS, neste ato representado por


MARIA SCHERNOSK RIBAS, brasileira, viúva meeira, do lar, portadora
de Carteira de Identidade n.º 1.592.401-Pr., inscrita no CNPF sob n.º
974.507.319-91, residente e domiciliada na Rua Barão do Rio Branco, n.º
452, Centro, nesta Cidade (doc. ....), por intermédio de seu procurador
judiciais infra-assinado, (cfr. procuração em anexo), com escritório
profissional na Rua Riachuelo, nº 31, 3º andar, Centro, Curitiba – Pr., Fone:
(041) 223-2320, onde recebe notificações e intimações, vem muito
respeitosamente perante V. Exa., requerer o

INTERDITO PROIBITÓRIO

Contra os integrantes do MST – Movimento do Sem Terra, que encontram-se


acampados as margens da Rodovia Palmas/Pr., – Ponte Serrada/SC., na altura
do Quilometro ..........., localidade da Indumel, neste município, o que fazem
pelos argumentos de fato e de direito a seguir expostos:

DOS FATOS:

A requerente é a inventariante da área de terras denominada Fazenda São


Félix, no município de Passos Maia –SC., contendo uma área total de 334, 40
(trezentos e trinta hequetares), registrada junto ao Cartório de Registro de
Imóveis da Comarca de Ponte Serrada/SC., sob nº 1.606, 615, 1.316, e
cadastrado no INCRA sob nº 814.229.004.685-6.
Na mencionada Fazenda, tem criação de gado, ovinos eqüinos, 100 (cem)
colmeias, e lavoura de milho.

Relatada a situação em relação a propriedade do imóvel, passa-se a tratar dos


motivos que levam a ora requerente a propor a presente.
Correm informações em nosso município, que os integrantes do MST –
Movimento dos Sem Terra, acampados na estrada que liga Ponte Serrada-SC.
à Palmas-Pr., devem invadir áreas de terras em nosso município, como parte
das ações de pressão e intimidação.
Diante do justo receio da autora em ser molestada na sua posse, necessária e
urgente a presente medida de interdito proibitório a coibir qualquer tentativa
de invasão de suas terras, cujas razões de direito expõe-se a seguir.

DO DIREITO:

O interdito proibitório é a proteção preventiva da posse ante a ameaça de


turbação e esbulho. O possuidor direto ou indireto, receoso de ser molestado
na sua posse, previne a turbação ou esbulho, obtendo mandado judicial para
segurar-se da violência iminente.

O objetivo da ação é de proibir a parte contraria de praticar contraria de


praticar o ato, sob pena de pagar multa pecuniária arbitrada judicialmente,
inclusive perdas e danos, em favor da autora ou terceiro. Evita-se, assim, a
consumação do esbulho ou turbação.
A doutrina dominante tem que o interdito proibitório visa afastar a
possibilidade de moléstia à parte e, não remediá-la, e que, para que seja
deferido é suficiente a ameaça de turbação ou esbulho da posse, a proposituta
tem como objetivo mor a defesa da posse da autora.

Nosso Código Civil, a respeito do tema traz o seguinte mandamento:

“Art. 501. O possuidor, que tenha justo receio de ser molestado na posse,
poderá impetrar ao juiz que o segure da violência iminente, cominando
pena a quem lhe transgredir o preceito”.

O art. 933 do Código Civil também trata do assunto:

“Art. 933. O possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser
molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou
esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao
réu determinada pena pecuniária, caso transgrida o preceito”.
Tito Fulgêncio comenta que a conceituação da posse se deduz do artigo 485
do Código Civil:

“Considera-se possuidor toda aquele que tem de fato o exercício, pleno


ou não, de algum dos poderes inerentes ao domínio ou propriedade”.

Segundo o mesmo doutrinador, o direto considera o possuidor aquele que


exerce de fato os poderes de domínio, e é essa situação que, a bem da ordem
pública, ele resguarda si et in quantum contra as agressões de quem quer que
seja.

Para o mesmo Tito Fulgêncio, chama-se de ato de defesa, “a faculdade


concedida ao indivíduo, emanação direta de sua propriedade, de defender a
sua pessoa e bens jurídicos, em casos inadiáveis” Nosso Código Civil a
consagra no art. 160, e, fazendo dela especial aplicação à posse, assim o
conceitua no art. 502:

“O possuidor turbado poderá manter-se na posse por sua própria força,


contanto que o faça logo”.

Sobre o assunto, nossos Tribunais tem se manifestado nos seguintes termos:

“POSSESSÓRIA – INTERDITO PROIBITÓRIO – Ameaça de invasão


de terras. Temor justificado em dados objetivos. Justo receio
caracterizado. Ação procedente. Inteligência do art. 932 do CPC.
Declaração de voto. (1º TACSP – AC 387.037 – 8ª C. – Rel. Juiz Toledo
Silva) (RT 631/152).

POSSESSÓRIA – INTERDITO PROIBITÓRIO – CONCESSÃO DA


LINIMAR INITIO LITIS – Justo receio de moléstia à posse dos autores,
mercê de manobras encetadas por integrantes do chamado “movimento
dos sem terra”, denunciadas por notícia estampada em jornal da região,
com foros de notoriedade e credibilidade, os quais estariam com o
propósito de invadir a área de terras, objeto da demanda. Presença dos
requisitos catalogados no artigo 932, do Código de Processo Civil.

Tempestividade e interesse em recorrer caracterizados no agravo manejado da


decisão em apreço. Deliberação judicial mantida. (TAPR – AP 98.555-9 – 5ª
C. CÍV. – Rel. Juiz Duarte Medeiros – DJPR 23.05.1997, grifamos).

Estão bem caracterizados os fundamentos jurídicos que autorizam a


requerente a atuar no pólo ativo da presente. Inobstante ainda não
registrados o formal de partilha de bens do espólio de Lauro Martins
Ribas, a requerente na titularidade do imóvel, a autora vem cuidando,
plantando e praticando todos os atos a que o imóvel seja economicamente
viável e lhes traga o suficiente não apenas para mantê-lo, mas também
para lhe proporcionar uma renda condizente.

POSTO ISTO, presentes os requisitos exigidos pelo nosso ordenamento


jurídico, requer a V. Exa., que se digne:

a) conceder mandado proibitório que lhes conceda a segurança contra a


iminente violência possessória, ordenando a citação, por mandado, dos
integrantes do acampamento do MST – Movimento dos sem Terra, na
pessoa daquele(s) que se identificar(em) como líder(es), que pode ser
encontrado na localidade da Indumel, às margens da estrada Ponte
Serrada/SC., Palmas/Pr., para que fiquem cientes dos termos da presente, e
querendo, apresentem a contestação que tiverem, no prazo legal de 15
(quinze) dias.

b) determinar que se faça constar do mencionado mandado proibitório, que os


integrantes do acampamento devem abster-se da prática de qualquer ato de
turbação ou esbulho em relação a propriedade e posse que detém a autora
sobre o imóvel denominado Fazenda São Félix, com as divisas e
confrontações e demais características descritas nas Certidões do Registro de
Imóveis em anexo.

c) deferir a aplicação de pena de multa diária no valor de 1.000,00 (um mil


reais) contra o(s) líder(es) do acampamento do MST – Movimento dos Sem
Terra, da Indumel, no caso de ser levada a efeito a turbação ou esbulho
possessório pelos seus integrantes, devendo constar tal determinação do
mesmo mandado proibitório.

Protestam pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial


depoimento pessoal dos requeridos e de testemunhas, cujo rol juntará
oportunamente, bem como complementação documental.

Atribui-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil


reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.
Palmas 29 de novembro de 2002.

Manoel Alexandre S. Ribas


OAB/PR18.400

João Graciano Campos Lustosa


OAB/PR 9525