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Marcus Vinicius Ginez da Silva

Advogado – OAB-PR.30.664
Rua Minas Gerais, 297 - 9º Andar-Sala 94 – Ed. Palácio do Comércio Fone/Fax (43)321-3562 / 344-2184/ 9101-6361.
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Londrina-Pr.
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE
ALÇADA DO ESTADO DO PARANÁ.

CONDOMÍNIO RESIDENCIAL SOLAR DAS TORRES, devidamente


inscrito no CNPJ/MF sob nº81.765.307/0001-85, com domicílio na cidade e
comarca de Londrina, sito a Rua Alexandre Grambell, nº679, Cep 86.063-
250, por seu advogado e bastante procurador MARCUS VINICIUS GINEZ DA
SILVA, inscrito na OAB/PR sob nº30.664, com escritório profissional em
Londrina, na Rua Minas Gerais, nº 297, sala 94, Cep 86010-905, com
fulcro no art. 522 e seguintes do CPC, vem, com devido respeito e
acatamento, interpor AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA
TUTELA contra r. decisão interlocutória do MM. Juízo da 2ª Vara Cível da
Comarca de Londrina, nos Autos nº335/2002, de Medida Cautelar Inominada
(cópia integral dos Autos em anexo) ajuizada por MARIA EDILENE LOPES
CEREDA, brasileira, casada, portadora do CPF/MF sob nº599.357.749-53, e
RG nº4.558.242-0, e seu marido PEDRO CARLOS CEREDA, brasileiro, casado,
comerciante, portador do RG nº2.153.988 SSP/PR, e CPF/MF nº599.357.749-
53, ambos residentes e domiciliados no Apto.203 - Bloco Torre de
Bragança do Condomínio Residencial solara das Torres já qualificado,
representados peloS advogadoS MARCOS LEATE, inscrito na OAB-Pr sob
nº14.815, IVAN PEGORARO ambos com escritório profissional em Londrina
sito a Rua Benjamin Constant, nº1706, Cep 86.020-270.

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ORIGEM : AUTOS Nº335/2002 - 2ª VARA CÍVEL LONDRINA PR

AGRAVANTE : CONDOMÍNIO RESIDENCIAL SOLAR DAS TORRES

ADVOGADO(S) : MARCUS VINÍCIUS GINEZ DA SILVA – OAB/PR.30664

AGRAVADOS : MARIA EDILENE LOPES CEREDA


: PEDRO CARLOS CEREDA

ADVOGADO(S) : MARCOS LEATE – OAB/PR.14815


: IVAN PEGORARO – OAB/PR.6361

R A Z Õ E S D O A G R A V O D E I N S T R U M E N T O

DOS FATOS

Os agravados ajuizaram Medida Cautelar Inominada, alegando


em suma que:

 São proprietários do apartamento nº 203 da Torre


de Bragança;
 Que encontram-se em mora com o pagamento de suas
cotas condominiais;
 Que estão sendo hostilizados pelo síndico (Milton
Davanzo), que faz cobranças de forma arbitrária, vexatória e
hostilizadora, expondo a os requerentes ao ridículo perante
terceiros, o que lhes acarreta danos de ordem moral;
 Que registraram queixa contra o síndico, perante a
Delegacia (BO 660/2002);
 Que receberam carta do síndico, que comunica que
os condôminos com mais de 4 (quatro) prestações sofrerão restrições
decorrentes de decisão tomada em assembléia condominial;
 Que a insurgência dos requerentes não se refere à
cobrança dos débitos, mas sim, à forma como estão sendo cobrados;
 Que a agravada foi submetida a cirurgia recente e
está em fase de recuperação, o que a impede de receber medicamentos
da farmácia.
 Que o condomínio lhes impede o direito de receber
visitas;
 Que o condomínio está lançando multas sem prévia
comunicação.
 Requereram liminar para que o Condomínio cessasse
os constrangimentos impostos;
 A liminar foi deferida para que o Condomínio
abstenha-se de impor as medidas restritivas, fixando multa de R$

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100,00 (cem reais) por ato praticado em contrariedade da ordem
judicial.
 Eis o resumo da inicial.

DAS RESTRIÇÕES DELIBERADAS EM ASSEMBLÉIA

Confia o Condomínio Agravante que a liminar deferida nos


autos será revogada por este E. Tribunal, por ser esta medida de
absoluta e indubitável justiça.

Para que o Condomínio possa honrar a todos os seus


compromissos (pagamento de funcionários, limpeza, manutenção, segurança,
tributos, etc), é indispensável o equilíbrio financeiro, que só é
alcançado com a colaboração/obrigação de cada morador condômino.

É cediço também que a principal colaboração/obrigação de


cada condômino é o pagamento da cota parte decorrente do rateio das
despesas efetuadas pelo Condomínio, conforme determinação do artigo 12
da Lei 4591/64.

A mera imposição de multas e juros não foram suficientes


para se garantir a cooperação e o regular pagamento das cotas por cada
morador. Com o intuito de diminuir o alto índice de inadimplência dos
moradores do Condomínio, os condôminos reuniram-se em Assembléia várias
vezes, em busca de soluções.

Reunidos em Assembléia no dia 29/02/1996 (sic fls.86), os


condôminos constataram que dos 80 apartamentos do Condomínio Residencial
Solar das Torres (sic fls. 62), 33 ou seja, 41,25% dos apartamentos,
estavam inadimplentes. Assim, decidiu-se em assembléia que o condômino
em atraso sofreria as seguintes restrições.

 Proibição do uso da piscina;


 Proibição do uso do salão de festas;
 Proibição do uso das churrasqueiras;
 Proibição do uso do interfone;
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 Proibição do uso de serviços prestados por


porteiros, zeladores e faxineiras.

Apesar das medidas acima tomadas pelo Condomínio, o índice


de inadimplência continuou insuportável. Assim, necessário se fez a
realização de nova Assembléia a qual fora realizada no dia 25/11/98 (sic
fls.87/89).

Ficou assim decidido manter as restrições anteriormente


definidas, acrescentado-se contudo, outras ainda mais rigorosas que as
anteriores, como vg. (desligar o interfone, formar grupo de cinco
pessoas para fiscalizar os devedores; informar em edital o nº do bloco e
dos Aptos dos inadimplentes).

No entanto, verificasse que a própria agravada Sra.MARIA


EDILENE LOPES CEREDA ALÉM DE CONCORDAR COM DELIBERAÇÃO TOMADA, ASSINOU
TAMBÉM LIVRE DE QUALQUER COAÇÃO A ATA DA ASSEMBLÉIA (SIC fls.87/89).

Não há assim cabimento que agora que passem a questionar


tal deliberação, posto que piores medidas foram tomadas com apoio de sua
decisão e aceitação.

Finalmente, em 14/03/2002, em nova Assembléia (sic fls.90


“usque” 101), verificou-se que o índice de inadimplência continuou alto
(35%). Assim, medidas mais brandas ficaram mantidas para as restrições
aos inadimplentes.

DAS MEDIDAS TOMADAS CONTRA OS AGRAVADOS

Os próprios agravados já confessaram que estão em mora


perante o Condomínio. Logo, ficaram sujeitos à restrição comum a todo e
qualquer condômino inadimplente.

A correspondência de fls.11 comunica aos requerentes as


restrições que lhes foram aplicadas. Destaquemos:
- Não terão direito ao uso da piscina e da churrasqueira;

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- O funcionário do condomínio não acionará mais o portão
eletrônico de veículo que dá acesso de entrada e saída;

- As correspondências serão deixadas na portaria a


disposição de cada condômino;

- Não poderão utilizar o(s) funcionário(s) para eventuais


serviços;

- O condômino que solicitar serviço de entrega (pizza,


farmácia, etc.) deverá se dirigir a portaria para
recepcionar, não serão permitidos a entrada dentro da área
comum do condomínio;

Alerto ainda como advertência por expresso que o não


cumprimento será aplicada multa prevista no nosso Regimento Interno, sem
que haja prévia comunicação.

A aplicação das restrições acima foram aprovadas em


Assembléia, tendo inclusive, a concordância expressa da requerente Maria
Edilene Lopes Cereda. Portanto, incabível e impertinente a sua
insurgência com tais medidas.

Alguns itens ainda merecem uma análise mais detalhada


como:

DO PORTÃO ELETRÔNICO

Cabe destacar que quanto ao item “portão eletrônico”, não


é verdade que os agravados devem descer de seu veículo para abrir ou
fechar manualmente o portão, pois existem postes à altura do vidro dos
carros, para abrir o portão eletrônico com chaves. E os
agravados possuem as chaves que abrem o portão eletrônico.

Portanto, a única restrição quanto ao portão eletrônico, é


que o porteiro não acionará o portão de sua guarita. Mas não é verdade
que os agravados necessitam descer de seu veículo e abrir manualmente o
portão.

USO DE ÁREA COMUM E SALÃO DE FESTAS


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Conforme demonstrado e comprovado (fls.11), não foram
impostas restrições quanto ao uso do salão de festas e da área comum.
Portanto, não é verdade que os filhos dos agravados estão proibidos de
utilizarem salão de festas e área comum para brincar. As restrições
limitam-se apenas ao uso das piscinas e churrasqueiras. As demais áreas
podem ser utilizadas normalmente. Como dito alhures a correspondência de
fls. 11 não menciona em momento algum a restrição de uso de área comum,
nem do salão de festas. Portanto, percebe-se que os agravados estão
criando fatos inexistentes agindo com MÁ-FÉ, para induzir em erro o MM.
Juízo.

DIREITO A VISITAS

Como dito alhures, não é também verídico o fato de estar o


Condomínio restringindo o direito dos agravados receberem visitas (sic
fls.31). Portanto, quando os agravados narram que “... os visitantes não
teriam direito de visitá-la face a utilização de área comum (Fato
provado com juntada da Carta assinada pelo síndico onde dá conta da
decisão da assembléia), estão faltando mais uma vez com a verdade,
pretendendo novamente induzir em erro o entendimento do douto Juiz “a
quo”

DA ENTREGA DE MEDICAMENTOS

O fato da agravada estar enferma não impede que a mesma


receba seus medicamentos encomendados à farmácia, pois um de seus
filhos, ou até mesmo seu marido podem retirar os pedidos na portaria do
Condomínio.

Além disso, a agravada não provou que está impossibilitada


de se locomover. Limitando-se apenas a apresentar mero atestado médico.

DO DIREITO

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As medidas restritivas deliberadas em Assembléia são
plenamente lícitas, e nada tendo de ilegal.

Não se pode assim permitir que os agravados descumpram as


deliberações aprovadas em assembléias com a participação da própria
agravada conforme assembléia geral extraordinária realizada no dia
25/11/98 – fls.87/89.

De fato, as restrições decorrem de aplicação do princípio


do “pacta sunt servanda” e do respeito ao instituto do ato jurídico
perfeito, que possui amparo na Constituição Federal, no Código Civil, na
Lei 4591/64, na Convenção Condominial, no regulamento Interno, e nas
Assembléias senão vejamos:

Diz a Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso XXXVI

que:

Art. 5º “omisses”...
XXXVI – “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada”(grifamos)

O Código Civil no mesmo sentido dispõe que:

Art. 81. “Todo o ato lícito, que tenha por fim imediato
adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir
direitos, se denomina ato jurídico”.

Art. 82. “A validade do ato jurídico requer agente capaz


(art. 145,I), objeto lícito e forma prescrita ou não
defesa em lei (arts. 129, 130 e 145)”.(grifamos)

De tal forma todas as medidas restritivas impostas aos


inadimplentes, dentre eles os agravados, decorrem da continuidade das
decisões tomadas em assembléias condominiais, que contaram com inclusive
a concordância da própria agravada MARIA EDILENE LOPES CEREDA -
(fls.87/89).
Portanto, deparamo-nos diante de um ato jurídico perfeito,
não defeso em lei realizado através de pessoas capazes corroborando-se
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de tal sorte com o princípio do “pacta sunt servanda”. Destarte, temos
que o combinado deve ser cumprido, pois como dito popularmente “o
combinado não sai caro”.

A Lei 4.591/64 estabelece que:

Art.12. Cada condômino concorrerá nas despesas do


condomínio, recolhendo, nos prazos previstos na Convenção,
a quota-parte que lhe couber em rateio.”

Art. 22. “omisses”


§ 1º. Compete ao síndico:
e) cumprir e fazer cumprir a Convenção e o Regimento
Interno, bem como executar e fazer executar as
deliberações da Assembléia;”(grifamos)

Por sua vez, a Convenção do Condomínio (fls.62/73), reza


que:

Art. 20º - As deliberações das assembléias gerais serão


obrigatórias a todos os condôminos, independentemente de
seu comparecimento ou de seu voto, cumprindo ao síndico
executá-la e fazê-la cumprir.”(grifamos)

Art. 22º - “omisses”


Parágrafo único: Ao síndico compete:
c) cumprir e fazer cumprir a Lei, a presente Convenção e
as deliberações das assembléias;”(grifamos)

O Regulamento Interno no mesmo sentido assim prevê (sic


fls.74/84)

“Normas de Relacionamento e Restritivas – I – Normas de


Relacionamento – Além do disposto na Convenção do
Condomínio foi deliberado que o condômino”:

b) deverá cumprir o disposto na Convenção de Condomínio e


nas normas aprovadas em Assembléia Geral e fazer que os
seus familiares e as pessoas a si relacionadas às cumpram;
(Pg. 6 do Regulamento) (grifamos)

Portanto, todas as medidas restritivas tomadas contra os


agravados encontram-se amparadas ao princípio do “pacta sunt servanda”,
na CF/88, no Código Civil, na Lei 4591/64, na Convenção do Condomínio,
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no Regulamento Interno, e nas Assembléias Gerais. Nada possuindo de
ilegal.

Nesse sentido renomado jurista Caio Mário da Silva1


esclarece que:

“Há, ainda, o dever de cumprimento daquelas disposições


aprovadas pelos próprios condôminos na Convenção do
Condomínio, as quais constituem lei particular do
agrupamento dos integrantes deste, e estão sujeitos a
estrita obediência. Se ali constar que a porta externa do
edifício se feche a determinada hora, ou que determinadas
pessoas não podem circular pelo hall social, ou usar o
elevador social, ou que nenhum condômino tem a faculdade
de manobrar seu carro na garagem comum, ou que não podem
permanecer crianças nos corredores, os condôminos e seus
locatários, todos os habitantes, em suma, são obrigados a
tais preceitos, sob as sanções impostas no mesmo
regulamento ou convenção. Trata-se, é verdade de normas
restritivas da liberdade individual, mas, da mesma forma
que toda vida em sociedade impõe a cada um limitações à
sua atuação livre em benefício do princípio social de
convivência, assim também naquele pequeno agrupamento,
adotando como normas convenientes à tranqüilidade interna
desta certas limitações à liberdade de cada um em proveito
da melhor harmonia do todo, têm aquelas restrições um
sentido de princípios de disciplina social interna, de
natureza cogente a todos os que penetram no círculo social
restrito”.(grifamos)

COBRANÇAS EFETUADAS PELO SÍNDICO

Os agravados aduzem que a cobrança dos débitos de


condomínio está sendo feita de “...forma arbitrária, vexatória e
hostilizadora, expondo a requerente ao ridículo perante terceiros
causando-lhe sérios danos de ordem moral.”

Destarte, os fatos acima mencionados não corroboram com


verdade, posto que o Condomínio, através de seu excelente Síndico Sr.
Milton Davanzo, o qual quem vem desempenhando um exemplar papel de
administrador, está simplesmente executando as obrigações que lhe foram

1
PREREIA, Caio Mário da Silva – Condomínio e Incorporações, Forense, 10ª Ed., pág. 151, 1998, Rio de Janeiro.
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atribuídas fazendo-se cumprir as deliberações tomadas em assembléias, de
forma discreta e impessoal.

A cobrança dos débitos em atraso, bem como a imposição de


medidas restritivas decorrem de um dever legal do síndico do Condomínio.
Veja-se que não se trata de um direito do síndico, mas sim, um
direito/dever.

Além das deliberações tomadas em assembléias, o síndico


ainda colheu assinaturas de vários condôminos, que apoiaram em peso a
imposição das medidas restritivas a todos os inadimplentes (sic
fls.100/101).

Corroborando assim com o papel que vem sendo desempenhado


pelo síndico o art. 22, § 1º, “e”, da Lei 4591/64 impõe um dever ao
síndico senão vejamos:

Art. 22º - “omisses”


Parágrafo único: Ao síndico compete:
c) cumprir e fazer cumprir a Lei, a presente Convenção e
as deliberações das assembléias;”

Por sua vez, o Código Civil dando Legal amparo expressa


que:

Art. 160. Não constituem atos ilícitos:


I – os praticados em legítima defesa ou no exercício
regular de um direito reconhecido;”

Estamos portanto, diante de um “direito-dever” do síndico:


O condomínio possui o direito de cobrar e impor medidas restritivas ao
inadimplente, e o síndico o dever Legal de fazer cumprir as medidas
aprovadas em assembléia.

Os agravados jamais foram cobrados da forma como alegam na


exordial. Tanto é inverídico tal fato, que correspondência remetida fora
feita sem qualquer publicidade, posto que, se tivesse a cobrança sido
feita de forma vexatória como alegam, não haveria a necessidade de ter
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sido remetida correspondência aos mesmos, caindo assim por terra suas
pretensões.

Falsas também são todas as alegações descritas no Boletim


de Ocorrência de (fls.12), senão vejamos:

AMEAÇAS DE MARIA EDILENE PARA O SÍNDICO

Apesar de estar o síndico praticando suas funções,


cumprindo estritamente um dever legal o qual lhe fora atribuído, o
Síndico Sr.Milton Davanzo é que “está e vem sendo” ameaçado pela
agravada MARIA EDILENE LOPES CEREDA, tendo inclusive que registrar
ocorrência por “ameaça” perante o 3º Distrito Policial da comarca de
Londrina, conforme fls.108(doc.8).

Destaca-se do Boletim de Ocorrência que;

“Compareceu nesta unidade policial a vítima acima


noticiando que é síndico do condomínio supracitado e tomou
algumas medidas punitivas contra a Srª MARIA EDILENE LOPES
CEREDA, que está inadimplente com o condomínio e por isso
a mesma e seu marido fizeram ameaças por interfone dizendo
para a vítima tomar cuidado porque não sabe com quem está
mexendo e se continuasse com visitas a moradores a fim de
testemunhar contra eles em uma ação judicial, poderia
acontecer qualquer coisa com a vitima. Relata a vítima que
em ocasião anterior já havia sofrido ameaças por parte da
acusada na presença de testemunhas.”(grifamos)

De fato, várias declarações de funcionários e moradores


(fls.102/107), dão conta de que é a agravante Maria Edilene Lopes Cereda
quem aborda o síndico Sr.Milton Dalvanzo, no pátio do condomínio fazendo
escândalos, desacatando-o tratando-o com mal grado em fim procurando
denegrir sua imagem na presença de funcionários e moradores do
condomínio.
Destacam-se das declarações:

“Eu OSVALDO RAMOS QRUIRINO... declaro para os devidos


fins... que conheço a Sra. Maria Edilene... a mesma já
teve problemas com vários moradores do condomínio, e em
especial com o SR Milton que é o síndico que começou a ter
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problemas com ela a partir do momento em que ele recusou o
uso da churrasqueira em um dia que haveria uma peixada
comunitária para todos os condôminos, a partir daí o Sr.
Milton não teve mais tranqüilidade pois a Maria Edilene
sempre e aborda com intenção de manchar sua
reputação...”(grifamos)

“Eu, MARINA POSATTO CORLETO... declaro para os devidos


fins... por diversas vezes presenciei a Sra. Maria Edilene
Lopes Cereda... abordar o síndico do condomínio Sr. Milton
procurando provocá-lo e ainda no dia 08 de abril
presenciei também em público que Maria Edilene procurou
desmoralizar o Síndico perante as pessoas que ali estavam
dizendo que o síndico não era Homem e que ele não tem
capacidade para cumprir as resoluções da assembléia, e que
iria fazer de tudo para derrubá-lo...”(grifamos)

“Declaro, a quem interessar possa que eu RICARDO DOMINGUES


DE PAULA... a moradora MARIA EDILENE LOPES CEREDA, estava
também na portaria e fez comentários sobre o sindico
referente a carta entregue da perda dos benefícios, e que
iria fazer de tudo para desmoralizar o sindico, já que o
mesmo não tem competência e nem, poder para impor e
decidir o que bem entende, e se os funcionários aceitarem
esta determinação imposta pelo sindico cabeça irão
rolar.”(grifamos)

“Declaro, a quem interessar possa que eu JOSÉ ANTONIO


ALMEIDA FERRARI... estava na portaria aguardando o
pagamento de minhas férias, e vi e ouvi a senhora MARIA
EDILENE LOPES CEREDA... que também estava na portaria e
fez ameaças ao funcionário senhor DIRCEU FLAUZINO PEREIRA
dizendo que este pode procurar outro emprego, não estava
entendendo nada, mas senti uma grande revolta, por parte
dela.”(grifamos)

“Declaro, a quem interessar possa que eu DIRCEU FLAUZINO


PEREIRA... presenciei a moradora ... MARIA EDILENE LOPES
CEREDA, abordar o síndico na portaria do condomínio e diz
que as cartas entregue aos moradores referente a perda de
alguns benefícios por atraso no pagamento de cotas
condominiais, é ilegal, e como sindico ele não é homem
suficiente para fazer valer esta determinação, e o mesmo
respondeu que não foi o sindico que decidiu por conta
própria, mas foi decidida em assembléia, e se a moradora
sentisse prejudicada tem o direito de buscar os seus
direitos, inconformada pegou o boleto de cota condominial
e rasgou e diz que não iria pagar.”
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(grifamos)

Portanto, é totalmente descabida e improcedente a versão


de que os agravados estejam sendo vítimas de cobranças vexatórias,
humilhações por parte do síndico.

Ao contrário, o síndico do Condomínio é que está sendo


ofendido pela agravada Maria Edilene, que anda dizendo para todos que “o
síndico não é homem para...; que o síndico é incompetente, etc...”

Denotasse já fora informado nos Autos originários que


buscará o síndico a compensação pelos danos morais quem vem sofrendo
pelos agravados em procedimento próprio.

DA DECISÃO AGRAVADA (FLS.42)

A decisão liminar do MM. Juízo “a quo” foi no


seguinte sentido:

Autos nº335/2002

Vistos e etc.
Defiro provisoriamente os benefícios da
assistência Judiciária Gratuita.
Quanto ao pedido feito em sede de liminar,
tenho que comporta recepção.
Com efeito, as medidas impostas pelo réu são
flagrantemente questionáveis sob o ponto de vista legal,
vez que o débito reconhecido pelos autores é passível de
Cobrança através de ação própria.
Neste aspecto, reside o “fumus boni júris” à
pretensão dos autores. De outro lado, configura-se o
“periculum in mora”, na continuidade dos atos praticados
pelo réu, tornando evidente o constrangimento dos autores,
até que se resolva a questão através da lide principal.
Em face do exposto, defiro o pedido de
liminar, ordenando ao réu que se abstenha da imposição das
medidas restritivas descritas na inicial, fixando para o
caso de descumprimento, a multa correspondente a
R$100,00(cem reasi) por ato praticado em contrariedade a
esta ordem. Ordeno ainda ao réu, por seu representante,
que apresente em cinco dias a Convenção do Condomínio e o

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seu Regimento Interno, ou, neste prazo ofereça resposta
nos termos do art.357 do CPC.
No mais, cite-se o réu para ofertar resposta
aos termos da inicial em 05 dias, constando do mandado as
advertências dos artigos 285 e 319 do CPC.
Atentem os autores para o prazo do art.806 do
CPC.
Intimem-se
...

Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura


Juiz de Direito Substituto

O Condomínio não concorda, “data venia”, com a concessão


da liminar, porém, em respeito ao Estado Democrático de Direito, cumpriu
com as suas determinações, cessando de imediato as medidas restritivas
pois “decisão judicial não se discute, cumpre-se”.

Todavia, com amparo no princípio constitucional da ampla


defesa e do devido processo legal, busca a reforma da r. decisão
agravada.

Quanto à cobrança de prestações pecuniárias (fls.34/40),


estas não foram amparadas pelo r. despacho que limitou-se às medidas
restritivas, nada dispondo acerca de cobranças de valores.

Aliás, apenas para argumentar, nenhuma medida poderia


impedir o Condomínio de executar ou cobrar os valores que entende lhe
ser devido, diante do art. 585, § 1º do CPC, bem como o art. 5º XXXV da
CF/88: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça de direito”.

DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA

Antes do advento da Lei 10.352/2001, a jurisprudência já


era pacífica no sentido de se atribuir o que se denominou efeito
suspensivo ativo ao recurso de agravo de instrumento. Tal posicionamento
ganhou caráter de lei, com o advento da Lei 10352/2001, que alterou o
inciso III do art. 527 do CPC:
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Art. 527. Recebido o agravo de instrumento no tribunal, e


distribuído incontinenti, o relator:
I –
II –
III – poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso (art.
558), ou deferir, em antecipação da tutela, total ou
parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz
sua decisão;

Os requisitos norteadores que autorizam a antecipação da


tutela estão os previstos no art.273 do CPC:

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte,


antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela
pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova
inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e;
I – haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil
reparação; ou
II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou
manifesto propósito protelatório do réu;

“In casu”, estão presente os seguintes requisitos:

 Prova inequívoca que convença o magistrado da


verossimilhança da alegação: As assembléias Condominiais provam que
as medidas restritivas para os inadimplentes são imprescindíveis para
se buscar o equilíbrio financeiro do Condomínio, que possui alto
índice de inadimplência (35%). Além disso, como demonstrado e
comprovado há prova inequívoca de que a própria agravada concordou e
assinou a ata da assembléia que deliberou a imposição de tais medidas
(fls.88/89).

 Fundado receio de dano irreparável ou de difícil


reparação: De fato, existe o receio de dano irreparável. O índice de
inadimplência dos condôminos é insuportável. A segurança, a higiene,
o pagamento de fornecedores e funcionários de um condomínio dependem
do pagamento de cada condômino em relação a sua quota parte. Sem o
pagamento das despesas, o condomínio não poderá oferecer condições
mínimas aos condôminos, que ficará vulnerável a ladrões, se sujeitará
a cortes de fornecimento de água, luz e gás. Será instalado um caos
total no condomínio. A cobrança judicial de despesas de condomínio
arrastam-se por anos, e as obrigações vencem dia a dia. Obstando-se a
imposição de restrições deliberadas em assembléias democráticas,
haverá incentivo para que os atuais bom pagadores também deixem de
cumprir com suas obrigações. A administração do condomínio estará
impossibilitada. Os danos serão irreparáveis.

 Abuso de direito de defesa e manifesto propósito


protelatório. Os agravados conforme decisão da própria Liminar já
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confessaram que estão inadimplentes em relação a sua quota-parte das
despesas do condomínio. Apesar disso, recusam-se a pagar o débito, e
ainda recusam-se a se submeter às restrições deliberadas em
assembléia que contou com a participação da própria agravada. O abuso
de direito está presente.

Assim, Excelências, os requisitos autorizadores da


concessão da tutela antecipada estão comprovados. Requer-se a concessão
de tutela antecipada para reforma da r. decisão monocrática e permitir a
imposição das restrições impostas aos agravados, em respeito ao
princípio do “pacta sunt servanda” e do ato jurídico perfeito.

DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, e de tudo mais que dos autos consta, o


Agravante com base nos termos do art. 527, III do CPC, requer-se
concessão da TUTELA ANTECIPADA permitindo a imposição das restrições
decididas em assembléia, aos Agravados que confessadamente estão
inadimplentes com o Condomínio, servindo esta como forma de exemplo aos
demais inadimplentes que encontram-se ansiosos para o desfecho da
presente.

Os próprios agravados concordam com os ensinamentos de


Caio Mário da Silva Pereira: “A Assembléia Geral é órgão deliberativo
dos condôminos, e pode ser Ordinária ou Extraordinária. Suas
deliberações têm força obrigatória para os condôminos, até sua anulação
judicial ou por deliberação tomada em outra Assembléia.”

Portanto, a decisão monocrática inverteu a ordem:


considerou que as deliberações da Assembléia só têm força obrigatória
após sua confirmação judicial.
No mérito, requer-se conhecer do agravo de instrumento,
intimando-se os Agravados através de seus procuradores, para querendo
ofereçam resposta no prazo legal.

Após os trâmites legais, requer-se o provimento do


recurso, para cassar a liminar concedida pelo r. Juiz singular,
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confirmando-se a tutela antecipada, autorizando a continuidade dos
trabalhos feitos anos atrás pelos antigos síndicos e que inclusive teve
a concordância dos agravados.

Nestes Termos, pede


E espera deferimento.

Londrina 23 de maio de 2.002.

MARCUS VINICIUS GINEZ DA SILVA


Advogado OAB-PR.30664

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