Você está na página 1de 5

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 14ª Vara Cível desta Capital.

CONDOMÍNIO CONJUNTO RESIDENCIAL CAIUA I – CONDOMÍNIO V, já


devidamente qualificado na inicial dos autos n.º 169/2000 de AÇÃO COBRANÇA
PELO RITO SUMÁRIO, que nesse respeitável juízo move contra RENATO
ANTONIO DA ROCHA FALAVINHA, por intermédio de seus procuradores
judiciais infra-assinados, vem respeitosamente perante V. Exa., oferecer
IMPUGNAÇÃO À CONTESTAÇÃO, pelos seguintes fatos e fundamentos:

O condomínio - autor ingressou com a presente ação de cobrança pleiteando o


recebimento de taxas de condomínio em atraso dos meses de outubro de 1997 até
dezembro de 1999, mais as vincendas.

Citado o réu por edital, foi nomeada a Ilustre Curadora Especial contestou alegando
preliminarmente:

- Nulidade da citação;

- No mérito, a Curadora Especial discorda dos cálculos apresentados


pelo autor;

- Discorda da multa e dos juros e discorda também do demonstrativo apresentado


pelo autor;
- No final, contestou por negativa geral como lhe faculta o Parágrafo
Único do Artigo 302 do CPC.;

- Requer o acolhimento da preliminar, requer também a produção de todas as provas


em direito admitidas, bem como a condenação do condomínio - autor nas verbas de
sucumbência.

Em que pese o esforço da Ilustre Curadora Especial, nenhuma das suas alegações
podem prosperar.

Quanto a nulidade da citação por edital, é totalmente equivocada, pois o autor esgotou
todos os meios para localizar o endereço do requerido, não restando outra alternativa,
senão a citação por edital.

Portanto, não há que se acolher a tese de nulidade da citação por edital.

“A responsabilidade pelo pagamento das despesas de condomínio é daquele em


nome de quem se encontra registrado o imóvel”. AC da 4ª Câm. Cível do TJPR.
Como se depreende dos fatos narrados, bem como da Certidão do Registro de Imóveis
fls. 43, dos autos.

Então é indiscutível que o requerido é o proprietário do imóvel objeto da presente


ação, e como tal tem a obrigação legal de efetuar o pagamento das taxas de
condomínio reclamadas na presente ação.

Quanto ao fato da Curadora Especial discordar dos valores apresentados pelo


Condomínio – autor nenhuma razão assiste, tendo em vista que os valores
apresentados é a divisão das despesas mensais, ou seja, é a quota que cabe para cada
unidade autônoma.

Os valores cobrados na presente ação estão de acordo com a Lei 4591/64, Convenção
do Condomínio e com o Regimento Interno, por este motivo é totalmente descabida as
alegações da Ilustre Curadora Especial.

Quanto a multa de 20% é legal pois esta prevista na lei 4591/64, e na Convenção do
Condomínio artigo 25, no presente caso não se aplica o Código de Defesa do
Consumidor, pois existe uma lei especifica que regulamenta toda a matéria referente ao
Condomínio.

“DESPESAS DE CONDOMÍNIO. RESPONSABILIDADE PELO


PAGAMENTO. CONDÔMINO COM TÍTULO INSCRITO NO REGISTRO
DE IMÓVEIS. A responsabilidade pelo pagamento das despesas de condomínio é
daquele em nome de quem se encontra registrado o imóvel. A obrigação perante o
condomínio é do condômino, isto é, aquele que ostenta a condição de proprietário
da unidade e contra ele deve ser dirigida a cobrança de cotas em atraso. E,
proprietário, é aquele que tem título de propriedade registrado em seu nome”.
(Ac. 4ª Câm. Cível TARJ - Votação unânime - Rel. Juiz Murillo Fábregas - In.
ADV - n.º 14 - p. 220 - ementa 27/08/82)

“COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. LEGITIMIDADE PASSIVA. No


sistema jurídico brasileiro, sé se adquire a propriedade imóvel, com o registro do
título de aquisição, no respectivo oficio do Registro de Imóveis da situação do
bem. Sem tal formalidade, não é o titular juridicamente condômino, devendo
responder pelos encargos reclamados aqueles, que tem o imóvel registrado em
seu nome, no pertinente Ofício do R.G.I”. (Ac. da 6ª CÂM. Cível TARJ - Cód.
93.001.12548 - Votação Unânime - Rel. Juiz Luiz Odilon Gomes Bandeira - Num.
Ementa 37269 de 14/12/93)

“CONDOMÍNIO - TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE -


RESPONSABILIDADE PELAS DESPESAS ONDOMINIAIS. Enquanto não
transcrito no Registro Imobiliário o título de transferência da propriedade do
imóvel, continua o transmitente responsável pelas despesas condiminiais que
oneram o apartamento”. ( 1ª TACSP - Ac. Unân. Da 2ª Câm., 30/03/77, Ap.
23.330-SP, Rel. Juiz Hélio Arruda - BJ - ADECOAS 56232)

“CONDOMÍNIO - COTAS RESPONSABILIDADE DECORRENTE DO


DOMÍNIO. A obrigação de pagamento das cotas condominiais decorre do
domínio e não da posse”. (5ª Câm. TARJ - Ap. 29.304/85 - Ac. Unâm. Rel. Juiz
Lindemberg Montenegro).
Então é indiscutível que o requerido é o proprietário do imóvel, e como tal tem
obrigação legal de efetuar o pagamento da taxas de condomínio reclamadas na
presente ação, independente de interpelação judicial ou extrajudicial.

E neste sentido, a jurisprudência entende que o condômino é aquele que possui a


titularidade inscrita junto ao Registro de Imóveis, e não da posse, conforme podemos
verificar dos julgados.

Portanto, não pode ser acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva, isto porque
agride frontalmente o Direito Brasileiro.

Quanto aos cálculos apresentados pelo condomínio autor está de acordo com a
Convenção do Condomínio, e os índices utilizados são os mesmos do fórum, ou seja, a
multa, juros de mora, conforme demonstrativo de débito fls. 04 dos autos, o autor
esclarece que o índice utilizado para correção monetária foi a média do INPC/IGPM,
ou seja o mesmo índice utilizado pelo fórum, e no presente caso existe a Lei 4.591/64,
que prevê a multa de até 20%, juros de mora de 1% ao mês.

Quanto ao pedido da Curadora Especial, de pleitear honorários advocatícios, é


totalmente descabida, tendo em vista que ela já recebe do Estado para prestar esse tipo
de serviço, ou seja, porque exerce um “manus” público.

Diante do exposto, considerando os documentos juntados aos autos, se comprova, que


não ocorreu a transcrição e nem a averbação no Registro de Imóveis, e em face disso,
a preliminar deve ser rejeitada, por ser a contestante parte legitima para figurar no polo
passivo da presente ação, devendo no mérito, ser a presente ação julgada procedente,
com a condenação dos requeridos ao pagamento dos encargos condominiais pleiteados
na inicial, acrescidas das cominações legais de estilo.

Quanto as provas que a contestante pretende produzir é meramente protelatória pois a


matéria é somente de direito.

POSTO ISTO, requer a V.Exa., que se digne a julgar procedente a presente ação,
para condenar o requerido ao pagamento do principal acrescido da multa de 20%, de
correção monetária desde o vencimento, juros de mora de 1% ao mês, custas
processuais e honorários.

N. Termos,
P. Deferimento.
Curitiba 19 de agosto de 2001.
Manoel Alexandre S. Ribas
Advogado