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Exercícios complementares às notas de aulas de Estradas (parte 7)

Helio Marcos Fernandes Viana

Tema:

Curvas horizontais de transição

Helio Marcos Fernandes Viana

2

Exercício 1

Para realização do projeto de uma curva horizontal simétrica com espirais de transição são dados:

a) Comprimento da curva espiral, L S = 120 m;

b) Ângulo de deflexão entre as tangentes, = 35 o ;

c) Raio da curva circular, R C = 500 m; e

d) Estaca do ponto de interseção das tangentes, E(PI) = 228 E + 17,00 m

Pede-se:

S = ângulo de transição;

X S = abscissa dos pontos SC e CS;

Y S = ordenada dos pontos SC e CS;

 ângulo central do trecho circular;

D

= desenvolvimento (ou comprimento) do trecho circular;

k

= abscissa do centro O’;

p

= afastamento da curva circular;

TT = tangente total;

E = distância do PI ao ponto médio da curva circular; E(TS) = estaca do ponto tangente-espiral; E(SC) = estaca do ponto espiral-circular; E(CS) = estaca do ponto circular-espiral; e E(ST) = estaca do ponto espiral-tangente.

OBS(s). a) Calcular S , em radianos, com precisão de 5 (cinco) casas decimais. b) π rad = 3,1416 rad = 180 o

Resposta:

i) Cálculo do ângulo de transição (S )

em que:

S

L

S

2.R

C

120

2.500

0,12000 rad

6,8755

o

L S = comprimento do trecho de transição (m); e R C = raio da curva circular (m).

ii) Cálculo da abscissa (X S ) e ordenada (Y S ) dos pontos SC e CS

X

Y

S

S

L

L

S

S

1

S

2

S

4

(0,12000)

2

120.   0,12

 

.

 

10

S

3

216

 

.

S

3

42

120. 1

10

(0,12000)

3

 

3

42

(0,12000)

4

216

4,80 m

119,83 m

3

iii) Cálculo do ângulo central do trecho circular ()

  

2.

S

35

o

2.6,8755

o

21,249

o

0,37087 rad

em que = deflexão das tangentes.

iv) Cálculo do desenvolvimento (ou comprimento) do trecho circular (D)

D

R

C

.

o

 

.

o

500.21,249 .3,1416

180

o 180

o

185,43 m

v) Cálculo da abscissa do centro O’ (k)

k

k

X

S

R .sen

C

S

119,83

500.sen(6,8755 )

.(1

500.(1

cos

S

)

o

cos(6,8755 ))

o

59,97 m

vi) Cálculo do afastamento da curva circular (p)

p

p

Y

R

S C

4,80

1,20 m

vii) Cálculo da tangente total (TT)

TT

TT

k

(R

59,97

C

p). tan    2  

(500

35

o

2

1,20). tan

218,00 m

viii) Cálculo da distância do PI ao ponto médio da curva circular (E)

E

R

C

p

cos   

2

R

C

500

1,20

35

o

2

cos

500

25,52 m

ix) Cálculo das estacas dos pontos notáveis

a) Cálculo da estaca do ponto tangente-espiral, E(TS)

em que:

E(TS) = E(PI) - [TT]

[TT] = valor da tangente total em estacas; e E(PI) = estaca do ponto de interseção das tangentes.

20 m

Como:

1 estaca

4

como:

1 estaca

0,90 estaca

Logo:

20 m

Y

X

218,00 est.m

20 m

10,90 est.

Y

0,90.20 est.m

1 est

18,00 m

TT = 218,00 m [TT] = 10 E +18,00 m

Então:

E(TS) = 228 E + 17,00 - (10 E + 18,00) E(TS) = 227 E + 37,00 - (10 E + 18,00) E(TS) = 217 E + 19,00 m = 217 + 19,00

b) Cálculo da estaca do ponto espiral-circular, E(SC)

E(SC) = E(TS) + [L S ]

em que [L S ] = valor do comprimento da espiral em estaca.

Como:

20 m

L S = 120,00 m

1 estaca

X

X

120,00 est.m

20

m

6

est.

Logo:

 

L S = 120 m

[L S ] = 6 E + 0,00

Então:

E(SC) = 217 E + 19,00 + (6 + 0,00) E(SC) = 223 E + 19,00 m = 223 + 19,00

5

c) Cálculo da estaca do ponto circular-espiral, E(CS)

E(CS) = E(SC) + [D]

em que [D] = valor do desenvolvimento em estaca.

Como:

20 m

D = 185,43 m

1 estaca

X

como:

1 estaca

0,272 estaca

20 m

Y

X

Y

185,43 est.m

20 m

9,272 est.

0,272.20 est.m

1 est

5,44 m

Logo:

 

D = 185,43 m

[D] = 9 + 5,44

Então:

E(CS) = 223 + 19,00 + (9 + 5,44) E(CS) = 233 + 4,44

d) Cálculo da estaca do ponto espiral-tangente, E(ST)

E(ST) = E(CS) + [L S ]

Como:

[L S ] = 6 + 0,00

em que [L S ] = valor do comprimento da espiral em estaca.

Então:

E(ST) = 233 + 4,44 + (6 + 0,00) E(ST) = 239 + 4,44

x) Esquema (ou croqui) final, que ilustra a curva em questão

6

6 Exercício 2 O exercício 2 é o exemplo do projeto e da construção de uma

Exercício 2

O exercício 2 é o exemplo do projeto e da construção de uma caderneta de locação de uma curva horizontal simétrica com espirais de transição.

Enunciado do exercício 2:

Pede-se calcular os elementos necessários ao projeto de uma curva de transição, e também preparar uma caderneta de locação para implantação da curva no terreno, sabendo-se que todos os pontos dos trechos em transição podem ser visados com o teodolito centralizado no TS ou ST. Dados:

a)

Estaca do PI = 31 + 16,30;

b)

Raio da curva circular, R C = 300 m;

c)

Ângulo de deflexão entre as tangentes = 29 o ; e

d)

Velocidade de projeto, V P = 80 km/h.

OBS (s).

a) Usar para locação da curva cordas de 10 m.

b) = 3,1416.

c) Calcular S , em radianos, com precisão de 5 (cinco) casas decimais.

Resposta:

i) Elementos para locação da curva circular

a) Grau da curva circular (G)

G

G

10

G

10

2.arcsen

c

2.R

C

10

2.300

  2.arcsen

1,9099

o

1

o

54' 36"

7

em que:

G

10 = grau da curva circular (ou ângulo correspondente a corda de 10 m);

c

= corda de locação (m)

R

C = raio da curva circular (m).

b) Deflexão por metro (dm)

dm

G 1,9099

o

2.c

2.10

0,09549

o

5,73'

c) Cálculo do raio da curva circular após o arredondamento da deflexão, por

metro, para o valor inteiro mais próximo, ou seja, dm = 6’ = 0,1 o

Como:

dm

G

2.c

, e

G

o

180 .c

.R

C

Então, desenvolvendo a partir de G, tem-se:

Logo:

R C

dm.2.c

o

180 .c

.R

C

R

C

180 o

2.3,1416.0,1

o

286,50 m

180

o

2.

.dm

ii) Cálculo do comprimento da curva de transição

a) Cálculo do comprimento mínimo da curva de transição

L

S min

0,036.

V

3

R

C

0,036,

(80)

3

286,50

64,33 m

b) Cálculo do comprimento normal da curva de transição

L S(NORMAL)

6.

normal da curva de transição L S(NORMAL)  6. 6. 286,50  101,56 m Então, adotar

normal da curva de transição L S(NORMAL)  6.  6. 286,50  101,56 m Então,

6. 286,50

101,56 m

Então, adotar como comprimento de projeto o valor mais próximo do comprimento normal que seja múltiplo de 10 m. Assim sendo, o valor de projeto será L S = 100 m.

iii) Cálculo do ângulo central da espiral (S )

S

L

S

2.R

C

100

2.286,5

0,17452 rad

10

o

8

iv) Cálculo das coordenadas retangulares da espiral

X

S

e

Y

S

L

S

L

S

.

1

S

2

10

S

4

216

 

100. 1

(0,17452)

2

10

 

.

S

S

3

3

42

 

100.   0,17452

3

(0,17452)

3

42

(0,17452)

4

216

5,805 m

99,696 m

em que:

X

S = abscissa dos pontos SC e CS; e

Y

S = ordenada dos pontos SC e CS.

v) Cálculo do ângulo (ou deflexão) correspondente ao ponto SC, ou CS ou ao comprimento do arco L S da espiral

i

S

Y

arctan

S

X

S

5,805

arctan   99,696

3,332

o

3

o

19' 55"

vi) Cálculo do ângulo (ou deflexão) j S

j

S

  

S

i

S

10

o

3,332

o

6,668

o

6

o

40'

J S é importante para definir as tangentes nos pontos SC e CS, e iniciar a locação da curva circular.

vii) Cálculo de k (abscissa do centro O’) e p (afastamento da curva circular)

a)

então, k

k X

Y

S

S

b) p

então, p

R .sen

C

S

99,696

R

C

.(1

5,805

286,5.sen(10 )

cos

S

)

286,5.(1

o

cos10 )

o

49,946 m

1,452 m

viii) Cálculo da tangente externa (TT)

 

TT

k

então,

 

TT

49,946

(286,5

em que:

p). tan   

2 1,452). tan    29 2  

(R

C

  124,42

m

= ângulo de deflexão entre as tangentes (graus);

R

C = raio da curva circular (m);

k

= abscissa do centro O’ da curva circular (m); e

p = afastamento da curva circular (m).

9

ix) Cálculo da corda de locação do SC ou ST, ou corda correspondente ao arco da espiral de comprimento L S

c

S

X

S

cos i

S

99,696

o

cos(3,332 )

99,865 m

x) Cálculo da distância do PI ao ponto médio da curva circular (E)

E

R

C

p

cos   

2

R

C

286,5

1,452

cos   

2

286,5

10,926 m

xi) Cálculo do ângulo central do trecho circular () para espirais simétricas

então,

  29     2.10 2.

o

o

S

9

o

xii) Cálculo do desenvolvimento da curva no trecho circular (D)

D

R

C

.

o

 

.

180

o

o

286,5.9 .3,1416

180

o

45,003 m

xiii) Cálculo das estacas do TS, SC, CS e ST

a) E(TS) = E(PI) - [TT]

em que [TT] = valor da tangente total em estacas.

Como, TT = 124,42 m

então,

[TT] = 6 + 4,42

E(TS) = 31 + 16,30 - (6 + 4,42) E(TS) = 25 + 11,88

b) E(SC) = E(TS) + [L S ]

em que [L S ] = valor do comprimento da espiral em estacas.

Como: L S = 100 m

então,

[L S ] = 5 + 0,00

E(SC) = 25 + 11,88 + (5 + 0,00) E(SC) = 30 + 11,88

10

c) E(CS) = E(SC) + [D]

em que [D] = valor do desenvolvimento em estacas.

Como: D = 45,003 m

então,

[D] = 2 + 5,00

E(CS) = 30 + 11,88 + (2 + 5,00) E(CS) = 32 + 16,88

d) E(ST) = E(CS) + [L S ]

Como já calculado [L S ] = 5 + 0,00

então,

E(ST) = 32 + 16,88 + (5 + 0,00) E(ST) = 37 + 16,88

xiv) Caderneta de locação

A

caderneta

de

seguintes critérios:

locação foi elaborada

levando-se

em

consideração os

a) O primeiro ramo da curva de transição foi preparado para ser locado com o

aparelho (ou teodolito) centralizado no ponto TS.

b) O trecho circular da curva de transição é preparado para ser locado com o

aparelho (ou teodolito) centralizado no ponto SC.

c) O último trecho da transição é preparado para ser locado com o aparelho

centralizado no ponto ST.

Os valores de , X, Y e i são calculados pelas seguintes equações:

 

2

L

X

Y

2.R .L

C

L. 1

S

2

4

10

 

3

L.

3

216

 

42

i

arctan    Y X  

em que:

= ângulo correspondente ao comprimento L da espiral (rad);

X = abscissa de um ponto A qualquer sobre a espiral (m);

Y = ordenada de um ponto A qualquer sobre a espiral (m);

i

= deflexão em relação a tangente total (graus);

L

S = comprimento da espiral (m);

L

= comprimento de um arco da espiral (m); e

R C = raio da curva circular (m).

11

xv) Exemplo de cálculo para deflexão do trecho circular

a) Cálculo da 1. o deflexão, para corda de 8,12 m e com dm = 6’

1 m

6’

8,12 m

X

X

6'.8,12

1

48,72'

b) Cálculo das deflexões correspondentes à corda c = 10 m e com dm = 6’

1 m

6’

10 m

X

X

10.6'

1

60'

1

o

c) Cálculo da última deflexão do trecho circular correspondente à corda de c =

6,88 m

1 m

6’

6,88 m

X

X

6,88.6'

1

41,28'

A Tabela 2.1 mostra detalhadamente a caderneta para locação da curva horizontal simétrica com espirais de transição projetada neste exercício. Observa-se que esta caderneta de locação foi facilmente elaborada com o auxílio do programa Excel do microsoft office.

Observações relacionadas á caderneta de locação:

a) A deflexão sucessiva é dada em relação à estaca anterior, e a deflexão acumulada é dada em relação a tangente externa. b) c = corda de locação. c) O ponto ST pode ser obtido a partir da estaca do PI e da TT, pois a curva é simétrica.

12

37

37

36

36

35

35

34

34

33

33

 

30

30

29

29

28

28

27

27

26

26

   

+ 16,88

+ 6,88

+ 16,88

+ 6,88

+ 16,88

+ 6,88

+ 16,88

+ 6,88

+ 16,88

+ 6,88

+ 11,88

+ 1,88

+ 11,88

+ 1,88

+ 11,88

+ 1,88

+ 11,88

+ 1,88

+ 11,88

+ 1,88

S T

                 

S C

                 

Cálculo automático

- -

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

10,00

- -

10,00

20,00

30,00

40,00

50,00

60,00

70,00

80,00

90,00

100,00

90,00

80,00

70,00

60,00

50,00

40,00

30,00

20,00

10,00

 

- -

0,0017

0,0070

0,0157

0,0279

0,0436

0,0628

0,0855

0,1117

0,1414

31

32

32

3 2

+ 16,88

+ 10,00

+ 10,00

C S

10,00

10,00

10,00

6,88

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

41,28'

6 0 '

6 0 '

6 0 '

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

- -

Estação T. no SC

Estação T. no SC

Estação T. no SC

Estação T. no SC

3 1

8,12

- -

- -

- -

- -

48,72'

- -

- -

Estação T. no SC

0,1745

0,1414

0,1117

0,0855

0,0628

0,0436

0,0279

0,0157

0,0070

0,0017

 

- -

10,00

20,00

30,00

40,00

49,99

59,98

69,95

79,90

89,82

99,70

89,82

79,90

69,95

59,98

49,99

40,00

30,00

20,00

10,00

- -

0,0058

0,0465

0,1571

0,3723

0,7271

1,2562

1,9943

2,9758

4,2348

5,8047

4,2348

2,9758

1,9943

1,2562

0,7271

0,3723

0,1571

0,0465

0,0058

- -

- -

- -

- -

- -

- -

--

--

--

--

--

--

--

--

--

- -

- -

- -

- -

- -

(m) (rad)c

X (m)L

Estacas

da curva

Pontos

(m)

Y (m)

Sucessivas

Acumuladas (i)

(graus)

(graus e/ou minutos)

Acumuladas (i)

Observação

 

- -

0,03333

0,13332

0,29998

0,53329

0,83326

1,19987

1,63311

2,13295

2,69934

 

3,33222

2,69934

2,13295

1,63311

1,19987

0,83326

0,53329

0,29998

0,13332

0,03333

 

Defleões

- -

2 '

8 '

1 8 '

3 2 '

5 0 '

1 o 12'

1 o 38'

2 o 08'

2 o 42'

3 o 20'

2 o 42'

2 o 08'

1 o 38'

1 o 12'

5 0 '

3 2 '

1 8 '

8 '

2 '

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

Estação T. no TS

 

Tabela 2.1 - Caderneta para locação da curva horizontal simétrica com espirais de transição projetada no exercício 2