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Assuntos da Rodada Rodada #1 Noções de Direito Processual Penal Professor Bruno Schettini NOÇÕES DE
Assuntos da Rodada Rodada #1 Noções de Direito Processual Penal Professor Bruno Schettini NOÇÕES DE

Assuntos da Rodada

Rodada #1 Noções de Direito Processual Penal

Professor Bruno Schettini

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL: 1. Do Inquérito Policial (art. 4º ao 23) 2. Da Busca e Apreensão (art. 240 ao 250) 3. Da Prisão em Flagrante (art. 301 ao 310).

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

a. Teoria

Iniciamos a nosso curso abordando diretamente o processamento da investigação

criminal. A investigação criminal entra em cena quando o autor da ação penal não

dispuser de elementos mínimos para propor a mesma. A finalidade precípua da

investigação é coletar provas da existência da infração penal e indícios de autoria.

O inquérito policial é o principal instrumento de investigação do Estado e possibilita a

apuração dos fatos enquanto ainda há a trepidação moral causada pelo crime,

servindo de garantia contra apressados e equivocados juízos.

Persecutio criminis é o caminho a ser percorrido pelo Estado para que seja aplicada

uma pena ou medida de segurança ao indivídio que cometeu uma infração penal.

I. Inquérito Policial - IP

1) Conceito é o procedimento administrativo, preparatório e inquisitivo, presidido

por uma autoridade policial, o qual é constituído por um conjunto de diligências

efetuadas pela polícia, no exercício da função judiciária, visando a apurar a infração

penal. É o conjunto de diligências realizadas pela autoridade policial para obtenção

de elementos que indiquem a autoria e a materialidade das infrações penais.

2)

O inquérito policial possui as seguintes características:

a) Instrumentalidade: O inquérito policial é meramente um instrumento, ou seja,

seu fim é buscar elementos de prova a fim de embasar as suspeitas com relação

à prática de uma infração penal.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

b) Natureza

administrativa:

natureza judicial.

não

é

processo

e

sim

procedimento,

não

tem

c) Procedimento inquisitorial: O inquérito policial não admite, em regra,

contraditório ou ampla defesa. EXCEÇÃO: inquérito objetivando expulsar

estrangeiro tem contraditório.

i) Atenção! Durante o interrogatório policial, é facultativa a presença da defesa

técnica (presença de advogado), permanecendo como procedimento

inquisitório.

ii) As garantias do contraditório e da ampla defesa são essenciais nas ações

penais. Por outro lado, no inquérito policial, tais garantias são elementos

acidentais e dispensáveis, uma vez que seu objetivo é tão somente fornecer

ao órgão acusatório elementos suficientes à demonstração da autoria da

infração penal e a respectiva materialidade. Lembre-se: a Polícia não acusa

ninguém. A acusação formal cabe ao Ministério Público. A Polícia apura

FATOS, suas circunstâncias e aponta prováveis autores.

d) Valor probante relativo: A utilização do inquérito como instrumento de

convicção pelo juiz fica condicionada a que as provas nele produzidas sejam

renovadas ou confirmadas pelas provas produzidas em juízo.

e) Obrigatoriedade: Recebida a notitia criminis pela autoridade policial, ou seja,

tomando conhecimento da prática de infração penal que seja de ação penal

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

pública incondicionada, por qualquer que seja o meio, deve instaurar, de ofício,

inquérito policial.

i)

Não

necessidade

de

esperar

provocação

a

fim

de

se

instaurar

procedimento e iniciar a investigação.

 

ii)

A

notitia criminis pode chegar ao conhecimento por qualquer forma, seja pelo

registro da ocorrência, seja por petição do advogado, notícia veiculada na

imprensa, etc.

 

iii)

O

delegado, após receber a notitia criminis, fará a verificação da procedência

das informações e mandará instaurar o inquérito policial, caso positivo, do

contrário, será responsabilizado penalmente e disciplinarmente.

f)

Prescindível

ao

ajuizamento

da

ação

penal

(conteúdo

meramente

informativo): O exercício da ação penal não exige a prévia conclusão ou

instauração prévia do inquérito policial.

i)

É pacífico (incontroverso) na doutrina e na jurisprudência que o inquérito

policial não é imprescindível para a propositura da ação penal. Ou seja,

titular da ação penal (Ministério Público ou ofendido, conforme o caso) pode

perfeitamente embasar a peça acusatória com elementos obtidos por outras

fontes e colhidos de outras formas (desde que legalmente admitidas). Assim

o inquérito NÃO é fase obrigatória da persecução penal. Entretanto, sempre

que o inquérito servir de base para a formulação da acusação, ele deverá

acompanhar tal peça, sendo anexado à mesma e posteriormente passando a

fazer parte dos autos do processo. É o que determina o art. 12 do CPP: O

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de

base a uma ou outra.

ii) Cabe, no entanto, alertar que uma vez que o inquérito é procedimento

administrativo inquisitivo, não se observando a ampla defesa nem

contraditório durante a colheita das informações, seu valor probatório é

relativo. Como consequência, a decisão judicial condenatória não poderá

jamais ser fundamentada tão somente em elementos colhidos na fase do

inquérito policial, nos termos do Art. 155, do CPP: “O juiz formará sua

convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial,

não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos

informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares,

não repetíveis e antecipadas.

g) Não se sujeita à declaração de nulidade: os vícios, porventura existentes

durante a investigação, não macularão eventual e futura ação penal. Logo, as

irregularidades presentes no inquérito não invalidam o processo, atingindo

somente a eficácia do ato viciado. Exemplo: No bojo de um Auto de Prisão em

Flagrante Delito, a autoridade policial esquece de comunicar a prisão ao juízo

competente. Dessa forma, ocorrerá o relaxamento da prisão em flagrante do

sujeito e não haverá, assim, necessidade de se reconduzir o inquérito policial,

após esse fato.

i) Suponhamos então que a banca lhe proponha a seguinte assertiva: os

eventuais vícios existentes no inquérito têm o condão de acarretar nulidades

durante o processo penal?

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

ii) A resposta é não. Uma vez que, como vimos, o inquérito é procedimento

informativo administrativo, podendo inclusive ser dispensado caso o titular

da ação penal consiga obter indícios de materialidade e autoria a partir de

outras fontes, eventuais irregularidades na fase do inquérito não irão gerar

nulidades processuais, não havendo que se falar em repercussão na ação

penal. Entretanto, irregularidades cometidas no curso do inquérito quanto a

determinados atos específicos podem levar à invalidade daquele ato: uma

prisão em flagrante ou uma busca e apreensão realizadas de forma irregular,

por exemplo, podem vir a ser anuladas, embora a ação penal não seja

anulada. Sobre o tema, vide jurisprudência do STF: é pacífica no sentido de

que o inquérito policial é peça meramente informativa e dispensável e, com

efeito, não é viável a anulação do processo penal em razão das

irregularidades detectadas no inquérito, porquanto as nulidades processuais

dizem respeito, tão somente, aos defeitos de ordem jurídica que afetam os

atos praticados durante a ação penal. (…) “. (ARE 654.192-AgR/PR, Rel. Min.

GILMAR MENDES.

h) Indisponibilidade: Autoridade policial não pode determinar por sua vontade o

arquivamento do inquérito, consoante o art. 17 do CPP: “A autoridade policial

não poderá mandar arquivar autos de inquérito”.

i) A autoridade policial pode empreender diligências em circunscrição diversa,

independente de expedição de precatória e requisição.

ii) O inquérito sempre deve ser concluído e encaminhado ao juízo.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

i) Independência formal: O inquérito policial é autônomo com relação ao

processo criminal que, com fundamento e determinado inquérito, for

instaurado.

j) Procedimento escrito: Todos os atos realizados no bojo do inquérito policial

são reduzidos a termo e serão rubricados pela autoridade policial.

k) Oficialidade: A investigação deve ser conduzida por autoridade e agentes

integrantes dos quadros públicos. Insta ressaltar que não é autorizada a

delegação da autoridade investigativa a particulares, consoante dispõe Art. 144

da CF/88:

“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é

exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do

patrimônio, através dos seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,

ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de

infrações penais, exceto as militares”.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

l) Discricionariedade: A persecução se concentra na pessoa do delegado de

polícia, o qual pode, com discricionariedade, determinar todas as diligências que

reputar convenientes a fim de elucidar o crime e dissecar os fatos.

i) Ou seja, no caderno apuratório, pode requisitar as diligências que reputar

necessárias a fim de esclarecer os fatos.

ii) Tal característica se refere tão somente à forma de conduzir as investigações.

iii) A autoridade policial é obrigada a realizar as eventuais diligências

requisitadas pelo membro do Ministério Público, desde que imprescindíveis

ao oferecimento da denúncia. No entanto, não estará obrigada a realizar as

diligências requeridas pelo indiciado, ofendido ou seu representante legal.

m) Sigiloso: o inquérito policial deve ser sigiloso a fim de buscar alcançar eficiência

e efetividade nas investigações. Procura-se, ainda, preservar a imagem do

acusado.

i) Compete à autoridade policial assegurar o sigilo das investigações, conforme

o art. 20 do CPP: A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à

elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade

ii) O sigilo não alcança o juiz nem o promotor e, também, o advogado.

iii) Conforme a Constituição preconiza, o preso pode consultar seu advogado:

“LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de

advogado”.

iv) Atenção! Súmula Vinculante 14 do STF: É direito do defensor, no interesse do

representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados

em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia

judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

v) Importante ressaltar que o sigilo do inquérito não se confunde com o sigilo

de certos procedimentos aos quais o advogado só terá acesso quando do

encerramento da diligência. Essa medida é de importância fundamental para

que não se corra o risco de perder a efetividade das diligências ainda em

andamento. Essa medida é de importância fundamental para que não se

corra o risco de perder a efetividade das diligências ainda em andamento.

Imagine que um pedido de interceptação telefônica ou uma representação

por busca e apreensão estivesse em andamento, o que poderia acontecer se

não fosse preservado o sigilo sobre os documentos referentes a essas

diligências?

n) Caráter meramente informativo: os elementos de prova arrecadados no bojo

do inquérito servem para subsidiar a formação de convicção do órgão

encarregado de exercer a ação penal.

o) Autoritariedade: Conforme mandamento constitucional (art. 144, § 4º CRFB/88)

o inquérito é presidido por uma autoridade pública, no caso o Delegado de

Polícia de carreira. Tal característica foi reforçada com o advento da Lei

12.830/13, que dispõe no seu art. 2º, § 1º: Ao delegado de polícia, na qualidade de

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito

policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como objetivo a apuração

das circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais.

3) Natureza jurídica - o inquérito policial é um procedimento administrativo. Dessa

forma, a autoridade policial e o membro do Ministério Público devem zelar para

que a investigação seja conduzida evitando afrontas ao direito do investigado.

4) Início do inquérito policial - As formas de inauguração do inquérito policial vêm

descritas no artigo 5º do CPP e irá depender do tipo de ação penal como é

processado e julgado o crime objeto de apuração

a) Crime de ação pública incondicionada:

i) De ofício pela autoridade policial: Inicia-se com a peça inaugural subscrita

pelo delegado de polícia, que é a portaria, a qual descreve as circunstâncias

do delito a ser apurado, tem o objeto da investigação bem como as

diligências a serem observadas. Vejamos o que dispõe o Art. 5º, I, do CPP:

Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I - de ofício;

Em regra (ações penais públicas incondicionadas), a instauração do inquérito

não depende da provocação do interessado, não importando a maneira

como tenha chegado ao conhecimento da autoridade policial a notitia

criminis.

ii) Por requisição da autoridade judiciária ou Ministério Público ou

requerimento do ofendido ou representante legal: A requisição do

Ministério Público ou do magistrado tem status de ordem. Logo, não pode

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

ser desobedecida pela autoridade policial, mesmo que esta não entenda ser

cabível a investigação.

Atenção! Embora a lei faça menção expressa a requisição do magistrado, há

entendimento de que, a partir da CRFB/88, apenas o MP poderia requisitar a

instauração do inquérito, uma vez que no sistema acusatório o Juiz não é

parte no processo e nem pode assumir a iniciativa da persecução penal.

Se o Delegado deve, preenchidos os requisitos legais, acatar a requisição de

instauração de inquérito formulada pelo MP, lado outro, o requerimento da

vítima, pode sim ser indeferido pela autoridade policial. Caso a vítima

discorde pode recorrer ao chefe de polícia.

“Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou

a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de

convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de

impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e

residência.

§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito

caberá recurso para o chefe de Polícia

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

iii) Pelo Auto de Prisão em Flagrante Delito: O Auto de Prisão em Flagrante

Delito é forma inequívoca de início do inquérito policial. Procede-se a essa

peça quando verificada hipótese de flagrância. O termo flagrante vem do

latim "flagrare" que significa ardente, flamejante, em chamas. Ou seja, nas

hipóteses de prisão em flagrante verificamos justamente isso: o crime está

"ardente", ainda ocorrendo ou pouco tempo depois de ter ocorrido. O Auto

de Prisão em Flagrante é procedimento célere e que formaliza o mínimo de

elementos de convicção.

b) Crime de ação penal pública condicionada: Essa forma de instauração

depende de condição exigida em lei para a investigação criminal e, posterior,

apuração processual da infração penal. A condição exigida por lei pode ser a

requisição do Ministro da Justiça ou a representação do ofendido ou do seu

representante legal.

i) Representação: a representação é a manifestação da vítima ou do seu

representante legal através da qual autorizam o Estado a tomar as

providências necessárias à investigação e apuração judicial dos crimes. Para

ela, não se exige rigor formal, bastando que fique estampada a inequívoca

intenção em ver apurada a responsabilidade penal do autor.

Art. 5º, § 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de

representação, não poderá sem ela ser iniciado.

Art. 39.O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou

por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral,

feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 1º A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura

devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal ou

procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade policial,

presente o órgão do Ministério Público, quando a este houver sido dirigida.

ii) Requisição do juiz ou Ministério Público: Se a vítima ou o representante

legal dirigir ao juiz ou ao membro do Ministério Público a representação,

estes podem encaminhar ao delegado de polícia a manifestação de vontade

juntamente com o ofício requisitório (vide a observação anterior quanto à

iniciativa de requisição por parte do Magistrado).

Atenção! No caso de Auto de Prisão em Flagrante Delito, quando se tratar

de ação penal pública condicionada à representação, a lavratura do Auto

de Prisão em Flagrante, nesse caso, fica condicionada a que a representação

seja formalizada no bojo do procedimento. Caso não seja reduzida a

termo, a prisão será ilegal e será relaxada pela autoridade judiciária.

c) Crime de ação penal privada

i) Requerimento da vítima ou representante legal: A autoridade policial só

poderá instaurar o inquérito após o requerimento da pessoa que tenha a

qualidade para ajuizar a queixa crime, que é o ofendido ou seu

representante legal.

(1) No caso de morte ou ausência do ofendido, podem requerer o cônjuge,

ascendente, descendente ou irmão, conforme o art. 31 do CPP: No caso

de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge,

ascendente, descendente ou irmão”.

(2) Caso seja instaurado procedimento investigatório sem essa manifestação

de vontade, há possibilidade de o réu impetrar HABEAS CORPUS para

trancar o inquérito policial, uma vez que gerou a ele constrangimento

ilegal.

ii) Requisição do juiz (Atenção mais uma vez à previsão legal de o Juiz

poder requisitar) ou MP: Ocorre quando o ofendido ou seu representante

legal dirigirem o requerimento ao juiz ou promotor de justiça. Assim, de

posse desse requerimento, tais autoridades requisitam ao delegado de

polícia mediante ofício requisitório a instauração da competente

investigação.

Atenção! O Auto de Prisão em Flagrante Delito também pode ser instaurado

em crimes de ação penal privada, desde que a vítima ou seu representante

legal tenham autorizado ou ratificado sua lavratura, mediante requerimento

de providências perante a autoridade policial.

5) Prazos para conclusão do inquérito policial - A regra geral é de que o inquérito

seja concluído em 10 dias, se preso, contados da data em que foi executada a

ordem de prisão. Tal prazo é improrrogável, cabendo ao Ministério Público adotar

as providências cabíveis no prazo legal sob pena de imediata soltura. Entretanto, se

o investigado estiver em liberdade, o prazo de conclusão é de 30 dias. Vide Art. 10:

O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso

em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias,

quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

a) O referido prazo é prorrogável, a requerimento do delegado e autorizado pelo

juiz, quantas vezes for preciso. Vide Art. 10, § 3º: Quando o fato for de difícil

elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a

devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo

marcado pelo juiz”.

b) No âmbito da Polícia Federal, o prazo para concluir o inquérito policial é de 15

dias, se o indiciado estiver preso. Tal prazo é prorrogável uma vez por igual

período, desde que haja autorização judicial. O prazo para conclusão do

inquérito será de 30 dias, se em liberdade o indivíduo. O prazo é prorrogável, a

requerimento do delegado e autorizado pelo juiz, quantas vezes for preciso.

6) Conclusão do inquérito - Findas as investigações e uma vez concluído o inquérito

policial, e recebido pelo promotor de justiça, cinco providências podem ser

adotadas:

a) Oferecer denúncia quando houver prova da existência do crime bem como

indícios suficientes de autoria;

b) Devolver a autoridade policial para realizar novas diligências que sejam

essenciais para o oferecimento da denúncia;

c) Requerer o arquivamento do inquérito;

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

d) Requerer a permanência dos autos em cartório, nos casos de ação penal

privada. Vide Art. 19: “Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do

inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do

ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o

pedir, mediante traslado.

e) Requerer a remessa dos autos ao juízo que entender competente, se o parquet

entender que o juiz não seja o competente para apreciar o inquérito policial.

7) Arquivamento do Inquérito - Vamos ficar atentos ao arquivamento do inquérito

policial, o qual é tema recorrente nas provas. Quem requer o arquivamento é o

Ministério Público, o qual é o titular da ação penal, e quem acata o pedido de

arquivamento, deferindo ou não, é o juiz de Direito.

a) Não pode a autoridade policial determinar o arquivamento do inquérito policial:

“Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito“.

b) Caso o juiz considere improcedentes as razões invocadas pelo Ministério

Público, deve remeter os autos ao procurador geral. Este oferece a denúncia,

designa outro membro para oferecê-la ou insiste no pedido de arquivamento.

Caso seja esta última posição a adotada, o juiz estará obrigado a atendê-lo.

c) O arquivamento pode ser classificado como:

i) Arquivamento indireto: É a hipótese em que o promotor deixa de oferecer

denúncia por entender que o juízo é incompetente para a ação penal. Nesse

caso, cabe ao juiz remete os autos ao Procurador Geral, chefe do Ministério

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Público, aplicando-se analogicamente o art. 28 do CPP: “Se o órgão do

Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o

arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o

juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa

do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a

denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou

insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado

a atender“.

ii) Arquivamento implícito: Ocorre quando o MP deixa, na denúncia, de

apontar um fato criminoso (arquivamento implícito objetivo) ou alguns dos

supostos criminosos (arquivamento implícito subjetivo)

d) Surgimento de novas provas - Vamos também ficar atentos também à Súmula

524 STF, que traz o seguinte: “Arquivado o inquérito policial, por despacho do

juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada,

sem novas provas”.

e) Atenção! De acordo com o STF: por imperativo do princípio acusatório, a

impossibilidade de o juiz determinar de ofício novas diligências de investigação

no inquérito cujo arquivamento é requerido.

8) Verificação Preliminar de informações (VPI’S)

a)

O

Superior

Tribunal

de

Justiça

reconhece

a

Verificação

Preliminar

de

Informações como PROCEDIMENTO PRELIMINAR ao inquérito.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

b) Sabemos que, dentre as notícias que chegam ao conhecimento da autoridade

policial, algumas configuram fatos manifestamente atípicos, como danos

culposos, dentre outros, e fatos típicos.

c) Uma vez recebida a informação ou notitia criminis, a autoridade procederá à

averiguação de informações, vide Art. 5º, § 3º, do CPP: "Qualquer pessoa do

povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação

pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e

esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito“.

d) Esse levantamento preliminar poderá ser:

i) Informal: quando executado de modo direto, pessoal e sem exigência de

documentação das diligências;

ii) Formal: quando decorrente de abertura de procedimento mecanizado e

formado por atos documentados.

e) Como manifestação da segunda modalidade, em decorrência da praxe policial,

nasceu o procedimento da Verificação Preliminar de Informação, destinada a

verificar

a

procedência

da

instauração do inquérito.

notícia

crime

ou

9) Indiciamento e desindiciamento

elementos

indispensáveis

à

a) O ato de indiciamento é ato por meio do qual a autoridade policial atribui a

alguém a prática de uma infração penal, baseado em indícios suficientes de

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

autoria. Assim, realizadas as diligências constantes no art. 6º do CPP, havendo

elementos suficientes que levem a apontar determinada pessoa(s) como

autora(s) do fato, a Autoridade Policial deverá proceder ao indiciamento da(s)

mesma(s).

b)

Leciona Nestor Távora que o indiciamento é a informação ao suposto autor a

respeito do fato objeto das investigações. É a cientificação ao suspeito de que

ele passa a ser o principal foco do inquérito. Saímos do juízo de possibilidade

para o de probabilidade e as investigações são concentradas em pessoa

determinada. Logo, só cabe falar em indiciamento se houver lastro mínimo de

prova vinculando o suspeito à prática delitiva . 1

c)

Conforme mandamento legal o indiciado será interrogado pela autoridade

policial, sendo que a negativa do mesmo em responder as perguntas

formuladas por ocasião do seu indiciamento não poderá ser tomado em seu

desfavor, tendo em vista o direito constitucional de ficar calado (Art. 5º, LXIII: o

preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,

sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”)

d)

Cumpre ressaltar que nem todos que têm foro privilegiado por prerrogativa de

função é imune ao indiciamento. Dessa forma, deputados e senadores podem ser

indiciados sem prévia autorização da casa legislativa a que pertençam.

e)

O ato de indiciamento, o qual é privativo do delegado, pode ser desfeito por esse,

uma vez que a autoridade policial, como autoridade administrativa, pode rever

seus próprios atos, utilizando-se da autotutela. Desse modo, o delegado pode

desindiciar o sujeito.

1 TÁVORA, Nestor e ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. Salvador: Juspodium, 2009, p. 94.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

10)Participação do Ministério Público no inquérito policial

a) Durante muito tempo houve dúvida e controvérsia jurisprudencial e doutrinária

acerca da possibilidade de o órgão do Ministério Público conduzir um

procedimento de investigação criminal.

b) O Ministério Público pode participar da investigação criminal requisitando a

abertura do inquérito policial e a realização de diligências necessárias à

autoridade policial. Logo, pode-se concluir que não há discordância quanto à

possibilidade de acompanhamento das investigações policiais pelo Ministério

Público, a quem, inclusive, não cabe qualquer espécie de sigilo dos autos do

inquérito.

c) Nesse sentido é a Súmula 234 do STJ diz que a participação de membro do

Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu

impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

d) Assim, chegando ao conhecimento do Promotor de Justiça ou Procurador da

República a notícia de um crime, este tem o dever funcional de requisitar à

autoridade policial a instauração do inquérito policial, sugerindo eventualmente

as diligências necessárias a fim de formar sua opinio dellicti, mas jamais de

tomar a frente das investigações no bojo do inquérito, presidindo a tarefa de

colher os elementos informativos do inquérito policial.

e) Importante, nesse sentido, o seguinte julgado do STF, no HC89837-DF:

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

) (

policial não impede nem exclui a possibilidade de o Ministério Público, que é o

dominus litis”, determinar a abertura de inquéritos policiais, requisitar

esclarecimentos e diligências investigatórias, estar presente e acompanhar,

A outorga constitucional de funções de polícia judiciária à instituição

junto a órgãos e agentes policiais, quaisquer atos de investigação penal,

mesmo aqueles sob regime de sigilo, sem prejuízo de outras medidas que lhe

pareçam indispensáveis à formação da sua “opinio delicti”, sendo-lhe

vedado, no entanto, assumir a presidência do inquérito policial, que

traduz atribuição privativa da autoridade policial “.

f) Importante o entendimento do STF: Viola o princípio da presunção de

inocência a exclusão de certame público de candidato que responda a inquérito

policial ou ação penal sem trânsito em julgado da sentença condenatória.

g) O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente

poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante

despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses

de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação

que prejudique a eficácia da investigação.

h) Atenção!

11)Conclusão do inquérito policial

a) Encerrado o inquérito policial, pelo término do prazo ou findas as investigações,

a autoridade policial dará por encerrado o inquérito policial.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

b) O delegado, com a conclusão do inquérito policial, deve elaborar minucioso

relatório de tudo o que for apurado. Nesse relatório, não se pode emitir juízo de

valor, atendo-se o delegado à narração isenta e objetiva de tudo quanto foi

apurado ao longo das investigações. Vide Art. 10, §§ 1º e 2º:

§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos

ao juiz competente.

§ 2º No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido

inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas“.

c) Elaborado o relatório, os autos serão encaminhados ao juízo competente

juntamente com os instrumentos e objetos que interessarem à prova, objetos

estes que ficarão à disposição das partes.

d) Como o relatório é peça meramente informativa, a ausência de relatório final é

mera irregularidade, que não acarreta nenhum efeito processual.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

b. Mapa Mental

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL b. Mapa Mental 23
NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL b. Mapa Mental 23

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

c. Revisão 1

QUESTÃO 1 CESPE PCGO DELEGADO 2017

O Código de Processo Penal prevê a requisição, às empresas prestadoras de serviço de

telecomunicações, de disponibilização imediata de sinais que permitam a localização

da vítima ou dos suspeitos de delito em curso, se isso for necessário à prevenção e à

repressão de crimes relacionados ao tráfico de pessoas. Essa requisição pode ser

realizada pelo delegado de polícia, mediante autorização judicial, devendo o inquérito

policial ser instaurado no prazo máximo de setenta e duas horas do registro da

respectiva ocorrência policial.

QUESTÃO 2 CESPE ESCRIVÃO PC/AL 2012

A respeito do inquérito policial, julgue os itens que se seguem.

Conforme previsto no Código de Processo Penal (CPP), é de dez dias o prazo para

conclusão do inquérito policial, se o investigado estiver preso, e de trinta dias, caso o

investigado esteja solto. Esse prazo pode ser prorrogado pelo prazo assinalado pelo

juiz, caso o fato seja de difícil elucidação.

QUESTÃO 3 CESPE TRE/GO ANALISTA 2015

O Ministério Público pode requerer ao juiz a devolução do inquérito à autoridade

policial, se necessária a realização de nova diligência imprescindível ao oferecimento

da denúncia, como, por exemplo, de laudo pericial do local arrombado.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

QUESTÃO 4 CESPE SEGESP/AL PAPILOSCOPISTA 2013

Mário foi surpreendido no momento em que praticava crime de ação penal pública

condicionada à representação. A partir dessa situação hipotética, julgue os itens a

seguir.

Mário será identificado criminalmente pelo processo datiloscópico, procedimento

obrigatório e indispensável em caso de indiciamento.

QUESTÃO 5 CESPE PC/GO DELEGADO 2017

O Código de Processo Penal prevê a requisição, às empresas prestadoras de serviço de

telecomunicações, de disponibilização imediata de sinais que permitam a localização

da vítima ou dos suspeitos de delito em curso, se isso for necessário à prevenção e à

repressão de crimes relacionados ao tráfico de pessoas. Essa requisição pode ser

realizada pelo Ministério Público, independentemente de autorização judicial e por

prazo indeterminado.

QUESTÃO 6 CESPE PF AGENTE - 2014

Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal, a autoridade policial deverá

determinar, se for caso, a realização das perícias que se mostrarem necessárias e

proceder a acareações.

QUESTÃO 7 CESPE TJ/SE TÉCNICO - 2014

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Conforme o STF, viola o princípio da presunção de inocência a exclusão de certame

público de candidato que responda a inquérito policial ou a ação penal sem trânsito

em julgado de sentença condenatória.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

d. Revisão 2

QUESTÃO 8CESPE TJ/SE TÉCNICO - 2014

Comprovada, durante as diligências para a apuração de infração penal, a existência de

excludente de ilicitude que beneficie o investigado, o delegado de polícia deverá

determinar o arquivamento do inquérito policial.

QUESTÃO 09 CESPE CÂMARA TÉCNICO 2014

Poderá ser dispensado o inquérito policial referente ao caso se a apuração feita pela

polícia legislativa reunir informações suficientes e idôneas para o oferecimento da

denúncia.

QUESTÃO 10CESPE TRE/GO ANALISTA2015

Nessa situação hipotética, de acordo com o disposto no Código de Processo Penal e na

atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca de inquérito policial, o

prazo legal para que o delegado de polícia termine o inquérito policial é de trinta dias,

se Marcos estiver solto, ou de dez dias, se preso preventivamente pelo juiz, contado

esse prazo, em ambos os casos, da data da portaria de instauração.

QUESTÃO 11 CESPE CÂMARA TÉCNICO 2014

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Ainda que o contraditório e a ampla defesa não sejam observados durante a realização

do inquérito policial, não serão inválidas a investigação criminal e a ação penal

subsequente.

QUESTÃO 12 CESPE SERVIÇO DE NOTAS TJ/ES 2013

Se o indiciado estiver em liberdade, o prazo para a conclusão do inquérito policial será

de trinta dias, podendo ser prorrogado por determinação da autoridade judiciária

competente.

QUESTÃO 13 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

O delegado de polícia que tomar conhecimento de crime de homicídio ocorrido em via

pública deverá dirigir-se ao local dos fatos e, encontrando a arma utilizada no crime, só

poderá apreendê-la mediante autorização judicial.

QUESTÃO 14 CESPE CÂMARA TÉCNICO2014

A autoridade policial poderá arquivar o inquérito policial se verificar que o fato

criminoso não ocorreu.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

e. Revisão 3

QUESTÃO 15 CESPE CÂMARA TÉCNICO - 2014

Em investigação demandada à autoridade policial para apurar crime de ação pública,

se houver indeferimento de abertura de inquérito, o recurso deverá ser destinado ao

chefe de polícia.

QUESTÃO 16 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

Para a garantia da preservação das provas produzidas nos crimes de exclusiva ação

penal privada, os autos do inquérito policial devem ser remetidos ao juízo competente,

onde, não havendo manifestação no prazo decadencial para queixa, devem ser

arquivados, vedada, em qualquer caso, a sua entrega ao ofendido.

QUESTÃO 17 CESPE PGE/BAPROCURADOR 2014

De acordo com a jurisprudência do STF, é vedado ao juiz requisitar novas diligências

probatórias caso o MP tenha se manifestado pelo arquivamento do feito.

QUESTÃO 18 CESPE TJ/CEANALISTA 2014

O

MP,

que

é

o

dominus

litis,

pode

determinar

a

abertura

de

IPs,

requisitar

esclarecimentos e diligências investigatórias, bem como assumir a presidência do IP.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

QUESTÃO 19 CESPE PG/DF PROCURADOR 2013

De acordo com o CPP, qualquer pessoa do povo, ao tomar conhecimento da prática de

atos delituosos, deverá comunicá-los à autoridade policial, seja verbalmente, seja por

via formal.

QUESTÃO 20 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

Decretada a prisão preventiva no curso das investigações, o prazo para conclusão do

inquérito policial será de dez dias, contados da data em que a autoridade policial

tomar conhecimento do cumprimento da ordem.

QUESTÃO 21 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

Durante o inquérito policial, é assegurado ao defensor amplo acesso aos elementos de

prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com

competência de polícia judiciária, digam respeito ao direito de defesa.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

f. Normas comentadas

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (Arts. 4º ao 23)

TÍTULO II

DO INQUÉRITO POLICIAL

Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território

de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da

sua autoria.

Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de

autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

I - de ofício;

II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a

requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de

convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de

impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito

caberá recurso para o chefe de Polícia.

§ 3 o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de

infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,

comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações,

mandará instaurar inquérito.

§ 4º

O

inquérito,

nos

crimes

em

que

a

ação

pública

representação, não poderá sem ela ser iniciado.

depender

de

§ 5º

Nos crimes de

ação

privada,

a autoridade policial somente

poderá

proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade

policial deverá: (DILIGÊNCIAS A CRITÉRIO DO DELEGADO DE POLÍCIA)

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e

conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos

peritos criminais;

III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas

circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido;

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no

Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas

testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;

VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a

quaisquer outras perícias;

VIII - ordenar

a

identificação

do

indiciado

pelo

processo

datiloscópico,

se

possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;

IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual,

familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e

depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a

apreciação do seu temperamento e caráter.

X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se

possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos

cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.

Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de

determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos

fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

Art. 8º Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II

do Título IX deste Livro.

Art. 9º

Todas

as

peças

do

inquérito

policial

serão,

num

processado,

reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver

sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta

hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30

dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará

autos ao juiz competente.

§ 2º No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem

sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas.

§ 3 o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a

autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências,

que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz.

Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à

prova, acompanharão os autos do inquérito.

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que

servir de base a uma ou outra.

Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:

I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e

julgamento dos processos;

II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público;

III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias;

IV - representar acerca da prisão preventiva.

Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e

o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e

informações cadastrais da vítima ou de suspeitos.

Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e

quatro) horas, conterá:

I

- o nome da autoridade requisitante;

 

II

- o número do inquérito policial; e

III

-

a

identificação

da

unidade

de

polícia

judiciária

responsável

pela

investigação.

Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao

tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão

requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de

telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios

técnicos adequados como sinais, informações e outros que permitam a localização

da vítima ou dos suspeitos do delito em curso.

§ 1º Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de

cobertura, setorização e intensidade de radiofrequência.

§ 2º Na hipótese de que trata o caput, o sinal:

I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza,

que dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei;

II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período

não superior a 30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período;

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a

apresentação de ordem judicial.

§ 3º Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser

instaurado no prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da

respectiva ocorrência policial.

4 o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a

autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de

§

telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios

técnicos adequados como sinais, informações e outros que permitam a localização

da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz.

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer

qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade

policial.

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à

autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da

denúncia.

autos

inquérito. (visto que quem arquiva é o juiz - Indisponibilidade do Inquérito Policial)

Art. 17.

A

autoridade

policial

não

poderá

mandar

arquivar

de

Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade

judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a

novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito

serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de

seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante

traslado.

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação

do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a

autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a

instauração de inquérito contra os requerentes.

Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos

autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da

investigação o exigir.

Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será

decretada por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial,

ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no

artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil

Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma

circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos

a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra,

independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até

que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua

presença, noutra circunscrição.

Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz competente, a

autoridade policial oficiará ao Instituto de Identificação e Estatística, ou repartição

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

congênere, mencionando o juízo a que tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à

infração penal e à pessoa do indiciado.

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

g. Gabarito

1

2

3

4

5

C

C

C

E

E

6

7

8

9

10

C

C

E

C

E

11

12

13

14

15

C

C

E

E

C

16

17

18

19

20

E

C

E

E

E

21

       

C

       

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

h. Breves comentários às questões

QUESTÃO 1 CESPE PCGO DELEGADO 2017

O Código de Processo Penal prevê a requisição, às empresas prestadoras de serviço de

telecomunicações, de disponibilização imediata de sinais que permitam a localização

da vítima ou dos suspeitos de delito em curso, se isso for necessário à prevenção e à

repressão de crimes relacionados ao tráfico de pessoas. Essa requisição pode ser

realizada pelo delegado de polícia, mediante autorização judicial, devendo o inquérito

policial ser instaurado no prazo máximo de setenta e duas horas do registro da

respectiva ocorrência policial.

Certa. Vide Arts. 13-A e 13-B, do CPP.

QUESTÃO 2 CESPE ESCRIVÃO PC/AL 2012

A respeito do inquérito policial, julgue os itens que se seguem.

Conforme previsto no Código de Processo Penal (CPP), é de dez dias o prazo para

conclusão do inquérito policial, se o investigado estiver preso, e de trinta dias, caso o

investigado esteja solto. Esse prazo pode ser prorrogado pelo prazo assinalado pelo

juiz, caso o fato seja de difícil elucidação.

Certa. Vide Art. 10, caput e §3º.

QUESTÃO 3 CESPE TRE/GO ANALISTA 2015

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

O Ministério Público pode requerer ao juiz a devolução do inquérito à autoridade

policial, se necessária a realização de nova diligência imprescindível ao oferecimento

da denúncia, como, por exemplo, de laudo pericial do local arrombado.

Certa. De acordo com o art. 16 do CPP, O Ministério Público, ao receber o inquérito policial,

poderá, além de oferecer denúncia ou promover o arquivamento, solicitar ao juiz a

devolução do inquérito à autoridade policial para novas diligências, desde que

imprescindíveis ao oferecimento da denúncia (Art. 16 CPP).

QUESTÃO 4 CESPE SEGESP/AL PAPILOSCOPISTA 2013

Mário foi surpreendido no momento em que praticava crime de ação penal pública

condicionada à representação. A partir dessa situação hipotética, julgue os itens a

seguir.

Mário será identificado criminalmente pelo processo datiloscópico, procedimento

obrigatório e indispensável em caso de indiciamento.

Errada. A regra geral é que o civilmente identificado não será submetido a identificação

criminal (fotográfica e datiloscópica e por coleta de material biológico), salvo nos casos

previstos em lei. Ademais, o art. 6º, inciso VIII do CPP aduz que será ordenada a

identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos

sua folha de antecedentes. Logo, o procedimento datiloscópico é exceção.

QUESTÃO 5 CESPE PC/GO DELEGADO 2017

O Código de Processo Penal prevê a requisição, às empresas prestadoras de serviço de

telecomunicações, de disponibilização imediata de sinais que permitam a localização

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

da vítima ou dos suspeitos de delito em curso, se isso for necessário à prevenção e à

repressão de crimes relacionados ao tráfico de pessoas. Essa requisição pode ser

realizada pelo Ministério Público, independentemente de autorização judicial e por

prazo indeterminado.

Errada. Segundo o art. 13-B do CP, se necessário à prevenção e à repressão dos crimes

relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de

polícia poderão requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de

serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios

técnicos adequados como sinais, informações e outros que permitam a localização da

vítima ou dos suspeitos do delito em curso.

QUESTÃO 6 CESPE PF AGENTE - 2014

Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal, a autoridade policial deverá

determinar, se for caso, a realização das perícias que se mostrarem necessárias e

proceder a acareações.

Certa. Enunciado em consonância com o art. 6º, do CPP.

QUESTÃO 7 CESPE TJ/SE TÉCNICO - 2014

Conforme o STF, viola o princípio da presunção de inocência a exclusão de certame

público de candidato que responda a inquérito policial ou a ação penal sem trânsito

em julgado de sentença condenatória.

Certa. Este é o entendimento do STF: a jurisprudência da Corte firmou o entendimento de

que viola o princípio da presunção de inocência a exclusão de certame público de

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

candidato que responda a inquérito policial ou ação penal sem trânsito em julgado da

sentença condenatória.

QUESTÃO 8CESPE TJ/SE TÉCNICO - 2014

Comprovada, durante as diligências para a apuração de infração penal, a existência de

excludente de ilicitude que beneficie o investigado, o delegado de polícia deverá

determinar o arquivamento do inquérito policial.

Errada. Segundo o art. 17 CPP, a autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de

inquérito. Quem determina o arquivamento é o juiz.

QUESTÃO 09 CESPE CÂMARA TÉCNICO 2014

Poderá ser dispensado o inquérito policial referente ao caso se a apuração feita pela

polícia legislativa reunir informações suficientes e idôneas para o oferecimento da

denúncia.

Certa. O inquérito policial é prescindível, ou seja, dispensável. Atenção! Em nenhum

momento o enunciado afirma que a Polícia Legislativa oferecerá a denúncia. O que diz é

que, caso apurações realizadas pela Polícia Legislativa sejam suficientes e idôneas a ponto

de fundamentar o oferecimento de denúncia, o inquérito poderá ser dispensado. Logo, não

está sendo dito que a polícia é quem vai oferecer a denúncia no lugar do MP.

QUESTÃO 10CESPE TRE/GO ANALISTA2015

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Nessa situação hipotética, de acordo com o disposto no Código de Processo Penal e na

atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca de inquérito policial, o

prazo legal para que o delegado de polícia termine o inquérito policial é de trinta dias,

se Marcos estiver solto, ou de dez dias, se preso preventivamente pelo juiz, contado

esse prazo, em ambos os casos, da data da portaria de instauração.

Errada. O prazo começa a contar a partir do dia em que se executar a ordem de prisão.

QUESTÃO 11 CESPE CÂMARA TÉCNICO 2014

Ainda que o contraditório e a ampla defesa não sejam observados durante a realização

do inquérito policial, não serão inválidas a investigação criminal e a ação penal

subsequente.

Certa. No bojo do inquérito policial, não há que se falar em contraditório e ampla defesa.

QUESTÃO 12 CESPE SERVIÇO DE NOTAS TJ/ES 2013

Se o indiciado estiver em liberdade, o prazo para a conclusão do inquérito policial será

de trinta dias, podendo ser prorrogado por determinação da autoridade judiciária

competente.

Certa. O prazo para conclusão do inquérito réu solto é de 30 dias, prorrogável a

requerimento do delegado e autorizado pelo juiz, quantas vezes for preciso.

QUESTÃO 13 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

O delegado de polícia que tomar conhecimento de crime de homicídio ocorrido em via

pública deverá dirigir-se ao local dos fatos e, encontrando a arma utilizada no crime,

poderá apreendê-la mediante autorização judicial.

Errada. Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial

deverá apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos

criminais, o que independe de autorização judicial, consoante art. 6º, inciso II do CPP.

QUESTÃO 14 CESPE CÂMARA TÉCNICO2014

A autoridade policial poderá arquivar o inquérito policial se verificar que o fato

criminoso não ocorreu.

Errada. A autoridade policial não pode arquivar, mas somente o juiz é quem manda

arquivar.

QUESTÃO 15 CESPE CÂMARA TÉCNICO - 2014

Em investigação demandada à autoridade policial para apurar crime de ação pública,

se houver indeferimento de abertura de inquérito, o recurso deverá ser destinado ao

chefe de polícia.

Certa. A questão requer extrema atenção, pois ao falar de crime de ação pública, induz a

pensar em requisição por parte do MP. Por outro lado, a chave para chegarmos ao

raciocínio correto está no dado "indeferimento". Ora, quando falamos de requisição

(ordem) não há que se falar em indeferimento por parte da autoridade policial (AP), do que

depreendemos que trata-se de mero requerimento do ofendido, o qual não vincula a AP,

podendo esta indeferir o mesmo decidindo por não instaura o IP. Neste caso, conforme

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

letra do art. 5º. § 2º do CPP, cabe recurso ao Chefe de Polícia, in verbis: § 2º Do despacho

que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de

Polícia.

QUESTÃO 16 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

Para a garantia da preservação das provas produzidas nos crimes de exclusiva ação

penal privada, os autos do inquérito policial devem ser remetidos ao juízo competente,

onde, não havendo manifestação no prazo decadencial para queixa, devem ser

arquivados, vedada, em qualquer caso, a sua entrega ao ofendido.

Errada. Segundo redação do art. 19 do CPP, nos crimes em que não couber ação pública,

os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do

ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir,

mediante traslado.

QUESTÃO 17 CESPE PGE/BAPROCURADOR 2014

De acordo com a jurisprudência do STF, é vedado ao juiz requisitar novas diligências

probatórias caso o MP tenha se manifestado pelo arquivamento do feito.

Certa. O STF já se manifestou pela impossibilidade de o juiz determinar de ofício novas

diligências de investigação no inquérito cujo arquivamento é requerido, pelo imperativo

do Princípio Acusatório. Devendo o juiz, neste caso, observância ao art. 28 do CPP, nestes

termos: "Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o

arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso

de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou

peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento,

ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.

QUESTÃO 18 CESPE TJ/CEANALISTA 2014

O MP,

que

é

o

dominus

litis,

pode

determinar

a

abertura

de

IPs,

requisitar

esclarecimentos e diligências investigatórias, bem como assumir a presidência do IP.

Errada. Segundo jurisprudência do STF, o MP pode determinar a abertura de inquéritos

policiais, requisitar esclarecimentos e diligências investigatórias, estar presente e

acompanhar quaisquer atos de investigação penal, mesmo aqueles sob regime de sigilo,

sem prejuízo de outras medidas que lhe pareçam indispensáveis à formação da sua “opinio

delicti”, sendo-lhe vedado, no entanto, assumir a presidência do inquérito policial.

QUESTÃO 19 CESPE PG/DF PROCURADOR 2013

De acordo com o CPP, qualquer pessoa do povo, ao tomar conhecimento da prática de

atos delituosos, deverá comunicá-los à autoridade policial, seja verbalmente, seja por

via formal.

Errada. Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal

em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade

policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito,

segundo o art. 5º, § 3º do CPP.

QUESTÃO 20 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Decretada a prisão preventiva no curso das investigações, o prazo para conclusão do

inquérito policial será de dez dias, contados da data em que a autoridade policial

tomar conhecimento do cumprimento da ordem.

Errada. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em

flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia

em que se executar a ORDEM DE PRISÃO.

QUESTÃO 21 CESPE TJ/RN JUIZ - 2013

Durante o inquérito policial, é assegurado ao defensor amplo acesso aos elementos de

prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com

competência de polícia judiciária, digam respeito ao direito de defesa.

Certa. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos

de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com

competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.