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Concepção de

um, artista de
como a “LIA-
HONA” guiou o
povo de Nephi
a t r a v é s do
Oceano quando
demandava a
America.
(Veja-se nota
explicativa na
segunda capa)

Fevereiro 1951
0 TEMPO
O lavo B il a c
Sou o tempo que passa que passa,
Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a Ventura e a Desgraça.
Vou levando as vaidades da vida!

A correr, de segundo em segundo


Vou formando os minutos que correm...
Form o as horas que passam no mundo,
Form o os anos que nascem e morrem.

Ninguém pode evitar os meus danos...


Vou correndo sereno e constante;
Desse modo, de cem em cem anos,
Form o um século, e passo adiante.

Trabalhai, forque a vida c pequena


E não há para o Tempo demoras!
Xão gasteis os minutos sem pena!
Xão façais pouco caso das Floras!
------o------»

A C A P A - TRANSCRITO DO L I O DE MORMON
1 Nephi 18:11 até 17 espaço de quatro dias, meus irmãos come­
E aconteceu que Laman e Lemuel me se­ çaram a ver que o castigo de Deus havia
guraram e me ataram com cordas e me caido sôbre êles, e que êles deviam morrer
trataram rudemente; e, não obstante, o Se­ se não se arrependessem de suas faltas;
nhor permitiu isso, a fim de poder mostrar vieram portanto, ter comigo e soltaram meus
a sua fôrça, até que se cumprisse a sua pa­ braços e meus tornozelos que estavam in­
lavra, quando falou sôbre os malvados. chados e doloridos.
E aconteceu que, depois de me haverem E, não obstante elevei minha alma ao
amarrado de tal modo que eu não me po­ Senhor, e orei o dia todo; e não me queixei
dia mexer, o compasso, que havia sido pre­ ao Senhor sôbre os meus sofrimentos.
parado pelo Senhor, parou de trabalhar. 1 Nephi 18, 21—23
E não sabiam, portanto, para onde de­ E aconteceu que, depois de me terem sol­
viam dirigir o navio, e levantou-se uma tado, eu tomei o compasso, e êle trabalhou
grande e terrível tempestade, e fomos le­ como eu queria. E aconteceu que eu orei
vados para trás sôbre as águas pelo espaço ao Senhor; e depois de haver orado, os
de três dias; e êles começaram a ter muito ventos cessaram, e a tempestade cessou, e
medo de que pudessem naufragar, mas, houve uma grande calmaria.
não obstante, não me soltaram. E aconteceu que eu, Nephi, dirigi o navio,
E no quarto dia, depois que começamos a e navegamos em rumo à terra da promissão:
ser levados para trás, a tempestade piorou E aconteceu que depois de havermos na­
excessivamente. vegado pelo espaço de muitos dias, chega­
E aconteceu que está vamos para ser tra­ mos á terra da promissão; e descemos à
gados pelas profundidades do mar. E, de­ terra e montamos nossas tendas; e chama­
pois de têrmos sido levados para trás pelo mos o país — Terra da Promissão.
Órgão Oficial da Missão Brasi-
leira da Igreja á'e Jesus Cristo
dos Santos dos Últimos Dias

Rua Itapeva, 378


Caixa Postal 862 São Paulo Tel.: 33-6761

Ano IV FEVEREIRO DE 1951 N.° 2

I N D I C E

E D IT O R IA L — Pres. Rulon S. H o w e lls ............................................23


ARTIGOS ESPECIAIS
NO SSOS D EV ER ES — Pres. Jorge Alberto Smith ............... ..24
O ACRÉSCIM O DAS ESC R ITU R A S ......................................... ...25
VOCÊ SABE LER? —r Thomas Stuart Ferguson .......................28
ESTA ALGUÉM D O E N T E E N T R E VÓS? — Esra L. Marlc-r 30
RECO NCILIA ÇÃ O, 1'nia curta História ........................................32
D EV EM O S PAGAR O DÍZIM OS — Apóstolo João A . Widstoe 34
VÁRIOS
A IG REJA NO M UNDO .......................................................................22
O RU M O DOS RAM OS .......................................................................38
A “ L IA H O N A ” G U IA A TE R R A PR O M ETID A ............... ...II capa
O T E M PO — Olavo B i l a c .......................................................................II capa
O H O M EM E A VIDA —- lí'ii'ia in Jorge Jordau ................... ...40
CARTAS A REDAÇÃO .......................................................................III capa
SED E VÓS, PO IS, P E R F E IT O S — Apóstolo Marcos E.
Peterson ...........................................................................................IV capa
NOVOS M ISSIO N Á R IO S ............................................................... ....III capa

•‘A LIAHONA” é publicada mensalmente no Brasil pela Igreja de Jesus !


Cristo dos Santos dos Ültimos Dias. Preços das assinaturas: por cada exem- I
piar, Cr§ 4,00; por ano, Cr$ 40,00; exterior, Cr$ 50,00. Toda correspondência
à Caixa Postal 862, São Paulo, S. P.
D iretor-Redator: |
Cláudio Martins dos Santos
A IGREJA

NO M UNDO

ODÉSIA DO SUL VERA CRUZ, MEXICO


Pela primeira vez na História da missão Depois de uma devastadora inundação e
Sul-Africana, anuncia o Presidente da Mis­ furacão na região de Vera Cruz, dois élders
são, Evan P. Wright, que missionários íoram que tinham oferecido voluntàriamente seus
enviados para o sul da Odésia. serviços para ajudar os refugiados e vitimas,
Nos últimos anos os Missionários visita­ receberam a seguinte carta de agradecimen­
vam somente a zona da Odésia por pe­ to do Presidente da Delegação de Cruz Ver­
melha de lá.
quenos periodos, limitando seus esforços às “Representando esta valiosa instituição,
casas dos membros da Igreja. eu vos agradeço pela ajuda que oferecestes,
Após um ano de tratativas entre o Pre­ quando fomos a Otatitlan, em Vera Cruz,
sidente Wright e as autoridades de imigra­ para fornecer assistência médica e para dis­
ção, foram os élders autorizados a se loca­ tribuir medicamentos gratuitos para as
pessoas que estavam sofrendo por causa
lizarem também na parte sul da Odésia. As da inundação. Estou certo de que o vosso es­
negociawões constaram de correspondência pírito humanitário e compreensivo é conse­
e visitas pessoais aos oficiais de Salisbury qüência dos ideais puros de vossa religião.
e Bulawayo, as duas maiores cidades. Simpatizante dêstes ideais, ponho a minha
A Odésia do Sul é uma colônia da Coroa colaboração à vossa disposição para que
juntos possamos lutar pela humanidade
Inglesa, enquanto que a União Sul-Africana sofredora.”
ocupa a mesma posição para com a Comu­ Além desta expressão de gratidão pessoal
nidade da Austrália e o Dominio do Canadá, do próprio Diretor, que é um doutor in­
sendo membros da familia de nações Bri­ fluente e investigador da Igreja, os missio­
tânica. nários acharam que os seus poucos serviços
lhes tinham dado mais reconhecimento e
A Missão Sul-Africana é a única ainda como resultado não houve mais prevenção
não visitada por uma autoridade geral da contra os missionários dos Santos dos Últi­
Igreja. mos Dias, na vizinhança.

Quanto mais temos as coisas do mundo, mais as desejamos;


com o evangelho quanto mais aprendemos mais amamos os nossos
semelhantes e com êles desejamos dividir o que possuímos.
(Pelo Heber J. Grant, Ultimo Presidente da Igreja)

22 A LIAHONA
EDITORIAL
O Senhor disse, “ Eu vos avisei e tor­
nei a vos avisar” . . . Êle nos avisa hoje,
novamente, através de Seus servos. É
possível que algum de nós continue a
dizer que existe um amanhã, para nos
arrependermos e levarmos vida melhor,
mas todos nós sabemos que, no que Con­
cerne a cada um, chegará o tempo em
que não haverá amanhã.
O Senhor disse que hoje é o dia para
arrepender-se.
Lembrai-vos de que o Senhor disse a
Seu Profeta, que êle deveria ir e avisar
a todos da destruição que se aproximava.
Mas, o povo, confiante, porque pensava que sempre haveria um
amanhã e porque o dilúvio não viria nem hoje nem nos próximos
dias, concluiu que êle nunca viria. Por isso, os profetas foram ridi­
cularizados e o povo continuou na sua trilha.
Mas o dilúvio veio, e o povo foi destruído, porque não ouviu
os profetas do Senhor.
Eu ouvi contar a história de um homem que tinha acabado de
perder seu filho mais velho. O pai não era um homem muito reli­
gioso. Na verdade, ê‘e desrespeitava a maioria dos mandamentos do
Senhor. Ao ser o seu filho chamado para a outra vida, foi à sua casa
um homem bom para falar-lhe e à sua família.
O seu filho foi infiel em tôdas as coisas e desobediente a seus
pais e a Deus.
Enquanto o homem bom lhes falava, o pai disse:
— Acho que esta é uma boa oportunidade para uma oração.
Talvez todos nós pensamos que somente a necessidade chega,
é que é hora de orar. A eficiência da prece depende do tipo da prece,
que por sua vez depende do tipo da vida que temos vivido e dos
progressos que temos feito aqui na terra.
Quando chegar a nossa vez e a de nossos familiares, se ainda
não nos tivermos arrependido e feito o que deveríamos fazer, a
oração é um tanto tardia.
O tempo é curto, e não nos é dado saber quando será muito
tarde, para nos arrependermos e fazer as coisas que deveríamos ter
feito. Não podemos, de um momento para outro, formar o caráter,
construir um lar decente e ter uma família que possa ter confiança em
nós a ponto de ouvir as nossas palavras e as dos servos do Senhor.

Fevereiro de 1951 23
Nossos
De v e r es
Pelo Presidente Jorge Alberto Smith
H á certa disposição naqueles que pos­
suem o sacerdócio e naqueles que ocu­
pam posições na Igreja, para negligen­
ciarem as reuniões sacramentais, e ou­
tros importantes deveres, e de. só cum­
prirem seus deveres quando têm cha­
mado especial. São, talvez, oíiciais e
professores da Escola Dominical, e tendo
cumprido a sua tarefa, consideram isto
bastante; e ainda os que ocupam posi­
ções na A.M.M. ou na Primária, ou tra­
balham 110 plano de Bem-Estar, na Ge- Jorge Albert Smith,
neologia, ou que têm out.ro dever, quan­ atual presidente da Igreja
do cumprem essas obrigações conside­ Evangelho de Jesus Cristo nunca fica
ram-se completamente desobrigados. em dúvida quanto ao que possa suceder ;
Ouanto mais amamos e abençoamos porém o que deixa de cumprir seu dever,
aquêles que prestam seus serviços, tanto que falha no cumprimento de seus con­
mais somos obrigados a lembrar-nos vênios, perde o Espírito do Senhor, e
de que todos nós devemos viver cada então começa a imaginar o que será de
palavra que vem da bôca de nosso Pai Sião.
no céu. Falando em sentido geral, os Sempre que vós, nossos colegas e cola­
compromissos especiais não nos desobri­ boradores, senti rdes que há algo de er­
gam de nossas demais obrigações. As rado na Igreja, retirai-vos para um
reuniões especiais não substituem as ge­ lugar isolado e ajoelhai-vos diante do
rais da Igreja. Além de nossas obriga­ Senhor, e examinai vossos corações, que
ções e compromissos, devemos nos con­ sempre encontrareis algo em vossas
duzir dia após dia como Santos dos mentes, fazendo que penseis que Sião
Últimos Dias no mais amplo significado talvez não venha a ser vitorioso.
do têrmo, a fim de que se virmos des­ Sempre que cumprirdes vossos de­
graças e necessidades, ou carência de veres completos, sabereis plenamente
conselhos em qualquer ocasião, ajamos que estais fazendo um trabalho do Se­
imediatamente como servos do Senhor, nhor, e que Êle fará que o fareis triun­
sem dúvida alguma. fantemente. E se há alguns entre nós
H á aquêles que, infelizmente, aceitam que são indiferentes e descuidados, é
nomeações como membros da Igreja mas nosso dever chamar sua atenção para as
que parecem julgar-se isentos de pres­ escrituras e trazê-los ao cumprimento
tarem qualquer espécie de serviço. Po­ dos mandamentos de nosso Pai do C éu:
rém mais cedo ou mais tarde êles se (E novamente Eu vos digo, se obser-
sentirão inquietos, com seus pensamentos vardes tudo o que vos tenho ordenado.
perturbados, como nos sentimos todos Eu, o Senhor, afastarei de vós tôda a
nós quando deixamos de cumprir aquilo ira e indignação, e as portas do inferno
que sabemos ser nosso maior dever. não prevalecerão contra vós. — D. & C.
Todo homem que vive de acôrdo com o 98:22)
24 A LIAHONA
Acréscimo das Escrituras
CURTA HISTÓRIA DA IGREJA — 9.a PARTE

Após a publicação do L iv ro de M órm on a restauração do Sacerdócio e a


organização da Igreja, a atenção dos líderes da Igreja fo i chamada para os
índios Americanos, como os descendentes dos Lamanitas do L iv ro de Mormon.
Um grupo de homens foi enviado às re giões selvagens de Missouri a fim de
apresentar a sua mensagem às tribos de índios que lá viviam. Não obstante o
seu insucesso com relação à conversão dos índios, centenas de pessoas foram
convertidas pelo caminho, c abertos dois novos centros de atividades para a Ig re ­
ja, no Oeste, Kirtland, Ohio c Inde pendence, Missouri.

Falaremos, alternadamente, durante Primeira Presidência, o Quórum dos


um período de sete anos de 1831 a 1838 Doze Apóstolos e dos Setenta, com seus
das colônias de Kirtland, Ohio, e Sião, sete presidentes. Foi também nesse pe­
em Missouri. Nesta parte começaremos ríodo que surgiu o Conselho Supremo—
a relatar os acontecimentos de Ohio, os um corpo jurídico, diante do qual vêm
quais serão completados na seguinte. aquêles que se encontram em dificuldade
Durante êsses anos — anos de grande resolver seus problemas. Compõe-se He
atividade — a sede da Igreja foi em doze homens, com dois ou três substi­
Kirtland, onde o Profeta passou a re­ tutos.
sidir. Fçi aí que se tomaram as medidas Pouco depois de haver terminado a
para qualquer novo movimento em ou­ tradução do Livro de Mórmon, o Pro­
tros pontos. As viagens dos missioná­ feta tomou a si o encargo de fazer uma
rios, a construção de casas de adoração, revisão nas escrituras hebraicas.
os mapas topográficos e os livros, a for­ Pelo registro dos Nefitas veio êle a
mação de companhias sob os auspícios saber que no decurso das inúmeras tra­
da Igreja, os planos de vilas e cidades — duções da Bíblia muitas coisas “ sim­
tudo isto teve a sua origem e fonte de ples e preciosas” foram omitidas., Urna
inspiração em Ohio. revisão, sob inspiração divina, reporia
* **
Foram compradas terras em Kirtland
e arredores, no valor de onze mil dó­
lares. Constavam de alguns lotes na ci­
dade e muitas terras para agricultura.
Aqui, como em outros lugares onde se
estabeleceram, os Santos se mostraram
industriosos, econômicos e inteligentes.
Kirtland, por êste motivo, era alvo da
atenção de pessoas de fora por ter desen­
volvido repentinamente um espírito de
iniciativa e cooperativismo. Sua popu­
lação aumentou consideravelmente ape­
sar do escoamento da população para as
colônias estabelecidas no Oeste.
Foi nessa ocasião, como o leitor deve Começou neste período o “Livro dos man­
recordar-se, que começou a existir a no­ damentos”, conhecido hoje como “Dou­
va organização dentro da Igreja — a trinas e Convênios”
Fevereiro de 1951 25
essas coisas simples e preciosas nos seus foram destruídos por um bando de de­
devidos lugares. Começou a revisão em sordeiros e a casa, demolida.
Faiete, Nova York. Sídnei Rigdon ser­ Mas, os esforços dos dirigentes da
viu-lhe de escrevente, como Olívio Igreja não seriam frustrados por tal opo­
Cowdery havia feito com o Livro de sição. Em 1835 aparecia o volume das
Mórmon. O trabalho foi recomeçado de­ revelações, sob o titulo “ Doutrinas e
pois que a sede da Igreja se mudou para Convênios.” Uma explicação, logo na
Kirtland. Foi em Siram , Ohio, que primeira página, dizia aos leitores que
reassumiu a tarefa. O Profeta e Rigdon, essas revelações foram “ cuidadosamente
com Ema, foram morar em casa da fa­ selecionadas e compiladas por uma co­
mília Johnson, membros da Igreja e missão”, que consistia de José Smith,
nesse tranqüilo recanto foi feita a maior Sídnei Rigdon e Frederico G. Williams.
parte do trabalho de revisão que, no en­ Foi impresso em Kirtland, Ohio, “ por
tanto, nunca chegou a ser terminado. F. G. Williams & Co., para os proprie­
Por êste motivo a Igreja não permitiu tários.”
que fôsse publicado. Como no caso do Livro de Mórmon,
Enquanto moravam em Hiram, o P ro­ havia “testemunhas” para confirmarem
feta e Rigdon foram vítimas de perse­ a verdade dessas revelações — os Doze
guição por parte dos moradores. Certo Apóstolos, que atestaram:
dia um grupo invadiu a casa dos John- . . que o Senhor testemunhou às
sons, e levaram os dois para um lugar nossas almas, através do Espírito Santo
distante onde os espancaram barbara­ que sôbre nós veio, que êstes manda­
mente, depois cobriram os corpos com mentos foram dados pela inspiração de
acatrão e os abandonaram como mortos. Deus, e são proveitosos a todos os ho­
Rigdon foi arrastado pelos pés, com a mens, e realmente verdadeiros.”
cabeça no chão. Delirou durante muitos Em julho de 1835 um homem cha-
dias. Os homens tentaram jogar ácido írado Michael H. Chandler visitou
nítrico pela garganta do Profeta, mas a Kirtland. Trazia consigo alguns rolos de
garrafa se quebrou nos seus dentes. Êle papiro, com caracteres. Estava ansioso
e alguns amigos passaram a noite remo­ por traduzi-los e tendo ouvido falar no
Profeta e seu trabalho com as placas de
vendo o alcatrão do corpo. Na manhã ouro, Chandler resolveu procurá-lo para
seguinte, no entanto, como fôsse domin­ saber sua opinião. Tosé traduziu alguns
go, foi pregar e não se referiu ao brutal dos caracteres que, segundo Chahdler,
episódio da noite anterior, apesar de coincidou com a tradução feita por al­
alguns dos homens do grupo estarem
presentes. Êste ultrage foi instigado por
alguns artigos publicados no “ Ohio
Star” contra o Mormonismo, e os desor­
deiros foram insuflados por um pregador.
Outros projetos literários foram en­
cetados neste período de Kirtland. Um
dê! es foi a compilação e publicação das
maiores revelações recebidas pelo Pro­
feta até então. O volume chamou-se
“ O Livro dos Mandamentos.” Deveria
ser impresso nas oficinas do “ Evening
and Morning Star“. uma publicação
Mórmon de Independence, Missouri. Uma parte da “Pérola de Grande Valor” foi
No entanto, o livro não saiu nessa época encontrada no Egito; ela estava contida
porque em 1833 a oficina e os papéis _ num rolo de papiros muito antigos.
26 A LIAHONA
Em fevereiro de 1833, muitas décadas antes de a moderna dietética con­
firmá-lo, foi-nos dada a “Palávra de Sabedoria” a qual nos ensina que,
fumo, álcool, e bebidas quentes não são para o homem, mas que devemos
issar vegetais, frutas e cereais (principalmente o trigo), como também
devemos usar pouca carne.
guns eruditos. Chandler quis vender os Dois meses antes, isto é, em dezem­
rolos de papiros para alguns Mórmons bro de 1832, José Smith profetizou o
em Kirtland. Um exame mais minucioso que é conhecido entre os Mórmons como
provou serem as obras de Abraão, o an­ “ Uma Profecia sôbre a Guerra”. E ’ um
tigo patriarca. documênto singular. A revelação prediz
O Profeta começou logo a traduzi-los. uma guerra entre o Norte e o Sul dos
Devido, porém, a aborrecimentos sofridos Estados Unidos por causa da questão
por êle e seus seguidores, nos dois centros dos escravos; a guerra começaria na Ca-
da população Mórmon, o manuscrito não rolina do Sul, trazendo “a morte e a
foi publicado senão depois dos Santos miséria a muitas almas.” Outro detalhe
se terem mudado para I.linois. Chamou- diz que "os Estados do Sul chamariam
se o “ Livro de Abraão” e faz agora outras nações, até mesmo a Grào-Bre-
parte de uma das obras padrões da tanha, para se defenderem.” Outra cláu­
Ifreja — e é publicado no livro chamado sula dêste interessante documento diz
“ Pérola de Grande Valor.” que “ a guerra recairá sôbre tôdas as
Êsta obra literária trouxe grande de­ nações. Qualquer um que conheça a
senvolvimento à doutrina. As revelações história dos Estados Unidos reconhe­
recebidas pelo Profeta, nessa época, cerá como todos os detalhes desta reve­
muitas delas provenientes dos seus es­ lação, até o tempo presente, se tornaram
forços literários, abriram novos horizon­ realidade. Devemos lembrar-nos, tam ­
tes no tocante à vida humana e à sal­ bém, que a questão da abolição da escra­
vação da alma. vidão ainda não era, naquele tempo, do
Uma das coisas, conhecida entre os conhecimento público, nos Estados U ni­
Mórmons como “A Palavra da Sabe­ dos.
doria”, é um código que trata do cuidado Neste mesmo período da história da
do corpo, com o fito de torná-lo a mo­ Igreja uma nova luz foi lançada no to­
rada digna do espírito. Certas coisas são cante à Outra Vida. Sôbre êste assunto
proibidas —• bebidas quentes, incluindo a revelação teve a natureza de uma clara
chá, café, estimulantes alcoólicos, fumo visão de José Smith e Sídnei Rigdon.
e o consumo excessivo de carne. Outras De acôrdo com esta visão há três glórias
são recomendadas — frutas e legumes na vida futura — a celestial, a telestial
“ nas estações respectivas.” H á uma e a terrestrial; e as pessoas são nelas
uma promessa para aquêles que obede­ colocadas segundo seus “feitos na car­
cem estas regras: saúde, sabedoria e ne.” Todos os homens são “ salvos”, isto
longa vida. Isto foi revelado em feve­ é, ressuscitam dos mortos, mas “somen­
reiro de 1833, muitas décadas antes da te aquêles que abraçarem as verdades do
dietética moderna confirmá-lo. Evangelho serão exaltados” .
Fevereiro de 1951 27
VOCÊ
SABE
IER7
por Thomas Stuart Ferguson

Alguns leitores poderão pensar que o Precisamos saber ler bem para compreen­
título dêste artigo não tem significado. dermos a Biblia, o Livro de Mormon e as
outras escrituras.
O leitor poderá dizer: “ Naturalmente
que sei ler.” extenso. Muitas vêzes êsses deveres não
Mesmo assim o título tem significado, são cumpridos pelos leitores vagarosos.
porque poucas pessoas sabem ler correta­
mente. Uma pessoa que lê corretamente, Hoje, todo negócio e profissão têm
lê rapidamente, sôbre diversos assuntos. seus jornais e publicações que precisam
E leitores rápidos são raros. E para se ser lidos para que se acompanhem os
estar bem informado, hoje em dia, muita últimos desenvolvimentos. A profissão
leitura é necessária, a qual em troca, jurídica oferece um bom exemplo, apesar
requer leitura rápida. de ser um extremo.
Por que a maioria das pessoas lê va­ As opiniões das côrtes supremas, do
garosamente, e o quê poderá ser feito estado e da nação devem ser selecio­
para aumentar a velocidade da leitura? nadas. Êstes relatórios são muito exten­
As respostas são muito simples, mas sos e aparecem semanalmente ou em in­
guardemos também na lembrança a im­ tervalos regulares. Os jornais mensais
portância do problema. publicados pelas associações federais e
Para se ser um verdadeiro Santo dos estaduais, também devem ser lidos. Deve
Últimos Dias, é preciso que se conheça ler-se, também, ao menos alguns dos
de um modo geral o conteúdo das Esri- artigos que aparecem nas revistas cor­
turas Sagradas, e elas, em si são uma rentes de revisão de lei, publicadas pelas
grande quantidade de material para lei­ escolas de direito. A preparação de uma
tura. A Bíblia de tamanho médio tem causa para debate exige leitura extensa
1188 páginas de Escritura; a edição de estatutos e relatórios de causas. Os
corrente do Livro de Mórmon tem 616. ofícios e correspondências comum de
Isto faz um total de 1804 páginas de negócios também são trabalhosos.
leitura necessária, de inicio. Isto, por si Uma pessoa que mantém relações
só é uma árdua, se não quase impos­ com amigos e parentes, tem geralmente
sível tarefa para um leitor vagaroso. muitas cartas para ler.
H á também outros numerosos livros O Senhor disse: “ Procurai diligente­
publicados de leitura periódica, que mente e ensinai a um e outro palavras de
somos obrigados a ler: os vários folhetos sabedoria; sim, procurai nos melhores
de Lições da Igreja; os jornais; os tra­ livros palavras de sabedoria; procurai
balhos de importância real e os de ficção. conhecimento, e mesmo com estudos e
Os escolares devem ler vários livros também pela fé.” (D. & C. 88:118.
didáticos por ano. Os estudantes das Fa­ 109:7)
culdades têm deveres de leitura muito A necessidade média de leitura para
28 A LIAHONA
as pessoas que desejam estar sempre usar os órgãos vocais quando em leitura
bem informadas é muito grande. silenciosa terá o problema de dominar a
Aprendamos, portanto, nós, como prática dêsse hábito. Uma vez que o
Santos dos Últimos Dias, sôbre quem leitor descubra que tem tal hábito, resol­
tantas responsabilidades recaem, a ler verá o problema parcialmente.
bem e rapidamente. O processo é sim­ No desenvolvimento de hábitos cor­
ples. O maior problema será o de que­ retos e importante nào fazer o ôlho re­
brar os maus hábitos de leitura já ad­ troceder sobre uma linha ou frase onde
quiridos. uma palavra tenha passado despercebida.
Para ler-se corretamente, precisa-se Muito tempo se perde, com os maus há­
abranger de três a cinco palavras num bitos e difícil é corrigi-los. Raramente se
relance. O mau leitor vê apenas uma pa­ perde o significado de um parágrafo
lavra de cada vez. Este hábito foi adqui­ quando se continua a leitura apesar de
rido na infância quando aprendeu a reco­ ter-se pulado uma palavra.
nhecer que uma letra representava um A primeira fixação na nova linha de­
som e que uma letra ou um grupo de verá centralizar aproximadamente a ter­
letras representava uma sílaba ou pala­ ceira palavra. Seria desperdício no cam­
vra. Poucos adultos aprendem a pôr de po visual ter-se como centro de foco a
lado esta prática infantil. primeira palavra da nova linha, porque
O ôlho só vê quando está parado. Mo- o lado esquerdo do campo visual seria
vendo-se aos arrancos, não vê nas inter- desperdiçado na margem esquerda da
mitências das paradas. Cuidadosas pes­ página. Da primeira fixação o ôlho se
quisas científicas, com o auxílio de fil­ move para o centro de cada grupo de pa­
mes de estudos dos movimentos dos lavras seguinte da linha. O movimento
olhos de leitores bons e maus, compro­ para a próxima linha impressa é acerta-
varam êste assêrto. O bom leitor vê de damente feito num só arranco.
três a cinco palavras em cada parada.
Alguns têm um campo de visão ainda
maior. Lêem palavras em grupos. Fazem
apenas duas ou três fixações ou paradas
na leitura de uma linha comum im­
pressa. Algumas pessoas prendadas têm
um campo de foco tão largo que podem
ver uma linha inteira impressa, numa
parada. A leitura de grupos de palavras
é a cousa mais difícil no problema da
leitura para a maioria das pessoas. Desde
que o hábito cansativo da leitura de uma
palavra em cada fixação da vista seja
substituído pelo hábito da leitura dc
grupos de palavras, o problema estará Os movimentos dos olhos devem ser
grandemente resolvido. ritmados para se obterem melhores re­
O raio visual, se centralizado, pode sultados. O melhor é praticar-se isto em
fàcilmente abranger em uma fixação um assuntos de fácil compreensão.
grupo de palavras como este: Adquirido o hábito de ler grupos de
AGORA E ’ A H O RA palavras, o leitor poderá fázer a maior
parte de suas leituras por meio de con­
Os maus leitores fariam quatro pa­ clusões. O s pensamentos importantes
radas, quando uma só bastaria. contidos na maioria das matérias escritas
Uma pessoa que tem o mau hábito de (Continua na págr. 37)

Fevereiro de 1951 29
O sofrimento humano parece ser
uma parte da vida mortal. Obser­
vando acuradamente a vida de ho"
mem, reconhecemos que o sofri­
Está Alguém I
mento da carne sempre estêve com êle. O mesmo plano também incluiu a
As inúmeras doenças e distúrbios orgâ­ morte terminante do homem. As fôrças
nicos constantemente nos ameaçam a destruidoras da natureza — por nós de­
saúde; esta ameaça é indice certo de que nominadas moléstias, acidentes, ou dete­
a morte virá, mais cedo ou mais tarde. rioração — se incumbem de exterminar,
Os acidentes das naturezas mais diversas» no devido tempo, a vida dos mortais.
uns leves e outros fatais, agregam-se aos Como proteção a essas poderosíssimas
mais simples niodos de vida. No mundo fôrças, Deus colocou ao alcance de seus
paradoxal e vertiginoso em que vivemos, filhos, bálsamos, antissépticos, e antí­
observamos que em proporções calami­ dotos para seus m ales; e inteligência
tosas se e.evam o número de tragédias para as ocasiões precisas. Além disso,
dentro de tôdas as camadas sociais. As Êle está sempre pronto a socorrer com
pestes, as doenças e os desastres nos Seu infinito poder, todos aquêles que são
cercam ostensivamente, pondo-nos em dignos e nÊle têm fé.
situação inquietante, quase que perma­ O apóstolo Tiago d iz:
nentemente.
Os ensinamentos evangélicos nos mos­
tram que esta é uma parte do plano que
o Senhor determinou ao homem. O P ro­
feta Lehi nos diz: “ E ’ necessário que
haja uma oposição em tôdas as coisas.”
O conhecimento das coisas feias da vida,
nos capacita a apreciar com mais ardor
tôda a beleza que nos cerca. Assim pois,
aquêles que por experiência própria
conhecem a tristeza, têm também maior
capacidade para apreciar a alegria. Às
dores, as angústias, as tristezas e as
misérias são os elementos necessários à
eliminação das impurezas da alma. Está alguém entre vós doente? Chamem-
Aquêle que as suporta pacientemente, se os Presbíteros (Élderes), da Igreja, para
por certo terá suas penas diminuídas, que orem sobre êle, ungindo-o com azeite
encontrando então a parte boa que a em nome do Senhor; e a oração da fé sal­
vida nos oferece. As tribulações dos vará o doente, e o Senhor o levantará; . .
outros despertam a nossa simpatia — (S. Tiago 5:14-15)
essa virtude que nos enternece as almas.
As circunstâncias da vida nos impelem Êste proceder é ocorrência comum na
ao trabalho: físico, mental ou espiritual. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos
Trabalhando aumentamos o nosso vigor Últimos Dias, e conhecido como minis­
e a nossa beleza. Não foi por mera coin­ trado aos doentes. Isto é uma função do
cidência que Adão e Eva foram levados Santo Sacerdócio — o poder pelo qual
para fora do Jardim do Éden. Ao con­ os doentes foram curados na época de
C risto; o poder pelo qual a terra foi feita
trário, o seu contacto com os elementos e pelo qual funciona a organização inteira
da vida mortal era uma parte do grande do reino de Deus.
plano Divino. Inúmeras são as miraculosas curas
30 A LIAHONA
aente Entre Vós 7 por Ezra L . Marler

experimentadas pelos Santos dos Úl­ vontade e não a minha.” Nesta dispen-
timos Dias; e uma parte delas está es­ sação de tempo o Senhor nos deu a se­
crita na história da Igreja e nas suas guinte instrução e prom essa:
várias revistas. Ao encontrarmos a ver­ “ E os élderes da Igreja, dois ou mais,
dadeira Igreja de Deus, acharemos tam ­ serão chamados, e orarão por êles e lhes
bém o dom de cura divina, sendo um imporão as mãos em Meu nome; e se
dos sinais q u e ... “ seguirão aos que morrerem, morrerão em Mim, e se vive­
crerem . . .” . (S . Marcos, 16:17). Êste rem viverão para M im ......... E aconte­
sinal entretanto não lhe é peculiar, pois, cerá que aquêles que morrerem em Mim
muitas curas espirituais são encontradas não provarào esta noite, pois ser-lhes-á
fora da verdadeira Igreja, e até mesmo doce;
fora do que poderíamos chamar de Cris­ “ Mas os que não morrem em Mim, ai
tianismo O rtodoxo; entretanto, saiba­ dêles, pois amarga é a sua morte.
mos que a ausência dêles mostra a falta “ E outra vez acontecerá que, aquêle
da aprovação de Deus. que tiver fé em Mim para ser curado, e
não estiver designado para morrer, será
curado.
“ Aquêle que tiver fé para ver,
verá. Aquêle que tiver fé para ouvir,
ouvirá. O aleijado que tiver fé para
saltar, saitafá.” (D. & C. 42:44-51).
Não menos importante que a cura dos
doentes, é a manutenção da própria
Saúde. O Senhor nos deu a lei divina
da Saúde, na Palavra da Sabedoria
Aquêles que a guardarem invocarão
muito menos os poderes de cura hu­
manos ou divinos. Também é uma bên­
ção, embora de menos valor, para man­
Nem sempre os doentes são salvos ter nossa saúde, bem como restaurá-la
pelas orações fervorosas dos fiéis ou quando estivermos doentes. Não é esta
pelas administrações sacerdotais. Como uma referência sôbre a qual devemos
dissemos acima, o homem está destinado fazer uma pausa e uma inquirição a nós
a morrer. Quando termina as obriga­ mesmos? Enquanto a Divina Providên­
ções e o trabalho no caminho da morta­
lidade ; quando o Senhor o chama ao cia nos abençoa e nos protege da mal­
reino de glória, nem a fé e nem mesmo dade, nós não voltamos os nossos pen­
o poder sacerdotal poderá interferir. samentos e nem os nossos agradecimen­
Não tentemos pois contra a vontade tos para Ela.
dÊle. Assim foi nos dias passados, e Nos dias de perigos, hoje e no futuro,
assim é hoje. Continuemos pois, a esfor­ conservemos nossa saúde e agradeçamos
çar-nos, com a nossa fé na prática cura­
tiva da Igreja, porque o nosso esforço ao Pai por ela; vivamos em retidão a
será reconhecido por D eus; mas, nos ponto de se a saúde nos faltar mereçamos
cumpre dizer sempre: “ Faça-se a Tua a bênção da cura divina.
Fevereiro de 1951 31
R E C O N C IL IA Ç Ã O
Uma
Curta
História
(Autor desconhecido) .
O rapazinho da fazenda deu rancoro­ — Papai, era numa fazenda que você
samente um ponta-pé nos torrões de desejava trabalhar quando rapaz?
terra que rolavam do arado. Êle queria Não exatamente, meu filho. Eu tinha
que aquêles velhos sentimentos voltas­ outras idéias.
sem. Êle sempre estêve feliz naquela O homem olhou para o rapaz quase
terra e amava suas belezas naturais das gracejando. Deduziu que alguma coisa
quais a maioria dos fazendeiros não estava perturbando seu filho.
gostava. Mas agora, depois daquela con­ — Por que pergunta, meu filho?
versação na escola, êle não sabia.. . O rapaz olhou em direção das mon­
Sabia somente que se alguma coisa não tanhas.
ocupasse aquêle sentimento vazio e
amargo, êle poderia crescer e odiar a —- Só queria saber — disse meio em­
terra. Essa mesma terra que seu pai. baraçado.
amàvelmente, fazia correr entre os seus Essa vida não é má, rapaz; você logo
dedos. Êle queria saber se seu pai não se habituará a gostar dela.
o havia enganado, ensinando-o a amar — Ela é, realmente, como você pen­
aquela terra. sava antes?
Nessa mesma hora, seu pai havia pa­ — Para mim é. Por quê? Alguém
rado sôbre uma elevação para olhar todo lhe disse alguma coisa diferente?
aquêle campo. Ouando observou o ra­ Com voz calma e sentimental o rapaz
paz arando, êle notou que alguma coisa falou: Hoje na escola houve discussão
não estava indo como devia. E, em lugar sôbre o que devíamos fazer quando
de parar para olhar as distâncias ou so­ crescêssemos. Eu contei aos colegas
nhar um pouco, êle desceu a colina pen­ como o trabalhar a terra o aproximou
sativamente. O rapaz estava dirigindo os da realidade das cousas e de Deus, e que
cavalos com fria determinação, como se se você estudasse a terra e a trabalhasse
fôsse êle um conquistador por necessi­ da maneira exata, ela por sua vez, lhe
dade, lutando contra algum ódio forçado daria parte de sua fôrça. Alguns dêles
que deveria sobrepujar. riram e disseram que eu estava tornan­
— Como vai passando, meu filho? do-me poeta; outros, que era uma vida
— Muito bem, papai, estou quase no de trabalho penoso, e outros, contra, que
fim. não havia oportunidade para progredir.
O rapaz manteve a cabeça abaixada. Nunca imaginei que tanta gente pen­
— Alguma coisa errada, meu filho? sasse daquela maneira.
— Não é muita coisa. Não me sinto O homem andou em silêncio. Sabia
bem. que o que dissesse agora ao rapaz, teria
Depois de algum tempo, o rapaz co­ grande influência no futuro e na felici­
locou o arado entre os arbustos. O si­ dade de seu filho. Deveria auxiliá-lo a
lêncio entre êles era pesado. Por fim o esclarecer aquela dúvida.
rapaz perguntou: Lá no brejo, os sapos começaram o
32 A LIAHONA
seu côro noturno. Uma brisa passava no e as belezas de uma vida completa e ali
tôpo das árvores com um som macio e está Deus muitas vêzes tão perto que
sereno. À distância, as montanhas ves­ você poderá senti-lo ao seu redor. De­
tiram-se com seus mantos violáceos. pois de uma pausa, o homem continuou
Essa era a hora do dia da qual o rapaz em tom muito suave:
mais gostava. E ali está você com o seu problema.
Finalmente, o homem disse: Para alguns êle pareceria um assunto
Estou contente de que tenha falado. sem importância, mas para você êle é
Você terá de encarar muitas coisas dessa uma coisa muito, muito grande. E por
espécie à medida que fôr crescendo. causa disso é que êle é tão importante.
Muitas vêzes o mundo parece que é um Coloque as coisas ditas hoje no seu pró­
grande escarnecedor. Se os outros que­ prio lugar como parte do seu conheci­
rem zombar, você nada pode fazer, mas mento do gênero humano. Muitas pes­
não zombe de si mesmo. Um homem soas escarnecem de coisas que não com­
sábio nunca escarnece; ao contrário, preendem. A perda de hoje, de seus so­
procura compreender. nhos pueris, lá na escola, deve ser com­
pensada com o conhecimento das coisas.
Certa emoção encheu o homem en­ Quando você fôr um homem feito, po­
quanto êle continuava: derá ser capaz de pôr tudo isso em pa­
Ao observá-lo trabalhando com o lavras ou música. O mundo então irá
arado eu sabia sem que qualquer pessoa agradecer-lhe. Lembre-se sempre das
me dissesse, que você estava lutando lições da terra de Deus, e jamais se dis­
contra a sua própria pessoa. Agora é tanciará de Deus e das realidades da
que sei o que era aquela luta, sei que vida.
estava pensando na maneira que lhe ti­ As sombras da noite cairam. Os sons
nha ensinado de amar a natureza e a da tardinha foram substituídos pelos no­
vida na íazenda. Creia-me, meu filho, que turnos. Uma quietude profunda envolvia
apesar do que lhe disseram seus amigos, a terra. O homem e o rapaz aproxima­
a atraçào da vida aqui é ainda a mesma, ram-se. O rapaz pegou na mão do ho­
ela não muda. Existem ainda as músicas mem. Êste sorriu ternamente e disse:
e as pinturas da natureza, os mistérios — Vamos para casa jantar, meu filho.

Fevereiro de 1951 33
DEVEMOS PAGAR O DIZIMO
COMO E PORQUE ,

Pelo Elder João A . Widstoe Os homens devem aprender discernir


os valores relativos das coisas terrenas
O dízimo significa a doação voluntá­ das espirituais. O desapêgo aos bens ter­
ria da décima parte do salário, renda, renos parece-nos sacrifícios mas êste
ou juros, para a manutenção do traba­ “ sacrifício” sempre nos traz bênçãos. A
lho do Senhor na terra. E ’ uma lei an­ primeira lição na conquista da felicidade
tiga e divina, que foi praticada em tôdas é a do sacrifício, porque quem a êste se
as dispensações do Evangelho. Em quase habitua vence as coisas terrenas, desen­
todos os países, cristãos ou pagãos, ela volve o espírito e se eleva. Os Santos dos
foi reconhecida e praticada de alguma Últimos Dias são um povo feliz porque
forma. crescem e progridem. E a condição prin­
A lei do dízimo foi reafirmada pelo cipal para o progresso é subordinar o
Senhor em nossos dias. (D. & C. 119) amor das coisas terrenas ao das do espí­
Ela é um mandamento obrigatório da rito, para não se tornarem perigosos à
Igreja. sociedade e destruidores dos seus pro­
Como todos os mandamentos divinos, gressos.
a lei do dízimo beneficia os que a pra­ O pagamento regular do dízimo afasta
ticam. Grandes recompensas advêm da o egoísmo porque ergue o homem acima
observância estrita e honesta desta exi­ da terra, desenvolvendo-lhe a capacidade
gência. de fazer o bem. A sua visão se liberta
da mancha das coisas materiais. Êle
Em primeiro lugar, aquêle que paga adquire a verdadeira perspectiva da vi­
o dízimo solidifica a sua lealdade à da. Os outros são forçados a reconhecer
Igreja. Identifica-se com o movimento; nêle a qualidade súbtil da grandiosidade
dos Últimos Dias, passando a interes­ — o produto da abnegação — porque
sar-se pelas suas múltiplas atividades. êle conquista nova e maior liberdade com
Os templos, as escolas, a alimentação e a paz do espírito e a vontade discipli­
o cuidado para com os pobres, as viúvas, nada para as coisas justas.
e os órfãos e todos os programas da Em terceiro lugar, o pagador do dí­
Igreja são custeados com os dízimos. zimo é levado para mais perto do Se­
Assim, aquêles que os pagam pontual e nhor. Ofertá-lo é reconhecer que a terra
corretamente cooperam com o Senhor, pertence a Deus e que os homens são
porque estão trabalhando para uma
causa nobre. Em conseqüência, se en­
grandecem porque lhes sobrevêm cora­
gem e poder. E é de homens grandes
pelo desprendimento e fé em convicções
bem fundadas de que o mundo precisa.
Em segundo lugar, a lei do dízimo
prepara a vontade humana para sobre­
por-se aos lucros materiais. O amor ao
dinheiro e aos bens materiais que se po­
dem comprar tem sido um dos mais po­
derosos objetivos do homem. Quando
êste amor vence os outros desejos nor­ Para termos a certeza de que o dízimo que
mais, então o dinheiro verdadeiramente pagamos é honesto, é aconselhavel que se
torna-se “a raiz de tódos os males.” faça uma lista de tudo o que se recebe.
34 A LIAHONA
apenas administradores do que possuem
porque o Senhor é o doador de tôdas
as coisas — da semeadura e da colheita.
O pagamento do dízimo é a admissão
pelo pagador de que o seu salário vem
do Senhor, é dizer: “como evidência
que este é de Ti, eu dou-Te de volta
assim uma décima parte.”
Esta fé dos Santos dos Últimos Dias
estabelece uma proximidade maior entre
Deus e o homem. O pagamento do dí­
zimo constrói uma fé viva. Torna-se um
testemunho da existência de Deus vivo
e de Seu parentesco com os homens.
Todo o pagador do dízimo recebe a paz
e o gôzo prometidos. A oração torna-se-
lhe mais fácil; a dúvida desaparece e a
fé aumenta. A certeza e a coragem en­
grandece-lhe a alma. O senso espiritual
torna-se-lhe afiado; e a voz eterna é
ouvida mais fàcilmente. O homem mais
se assemelha ao Pai Celestial.
Em quarto lugar, o fiel pagador do Apóstolo João A. Widstoe, do conselho
dízimo tem direito às bênçãos neces­ dos doze, da Igreja.
sárias à vida. As recompensas espirituais
e temorais se lhe escorrem abundante­ restitui o dízimo centuplicado, de acôrdo
mente da obediência à lei. A s bênçãos com as necessidades de cada um.
nem sempre vêm de acôrdo com o nosso Em quinto lugar: — As bênçãos pro­
desejo, mas quaisquer que sejam bene­ metidas àquele que paga o dízimo são
ficiam o homem, porque vêm do Senhor grandes. Êle sente alegria no coração,
e Ê'e é o próprio Bem. proveniente da obediência aos manda­
As bênçãos da Igreja são, necessària- mentos do Senhor Pela obediência às
mente, retiradas daqueles que não ade­ leis do céu, êle consegue harmonia com
rem a essa lei. Assim o disse o Senhor: o mundo celestial. Passa através das ta­
“Eles não achar-se-ão, nem os nomes refas do dia, enfrentando o mundo cora­
dos pais, nem os nomes, dos filhos escritos josamente. Sabe o seu rumo e o destino.
no livro da lei de Deus.” (D. & C. Êle tem a certeza de que tudo vai bem.
85:5) Êste é o principal efeito do pagamento
Nos últimos dias há também grandes do dizim o: glorificar a vida em meio às
turbações. A destruição e a morte andam tribulações do mundo. Somente quando
pelas estradas da terra. H á perigo por uma pessoa se devota completamente ao
todos os lados. Mas aquêle que paga o Senhor, pela livre e inteira aceitação da
dízimo tem o privilégio -da proteção. lei divina, pode ter comunhão completa
“ . . . e na verdade êste é um dia de sa­ com as coisas celestiais.
crifícios, e um dia para o dízimo de Tais são alguns dos benefícios que
Meu povo; pois aquêle que paga o seu recebemos ao pagar o dízimo.
dízimo não será queimado na ocasião Cada membro da Igreja que receba
de sua vinda. Pois, depois de hoje vem um salário ou dinheiro de qualquer es­
a queima . . .” (D&C 64:23-24). O pécie está sujeito à lei do dízimo. O pre­
Senhor, pela Sua misericórdia, abre as sidente da Igreja deve observar essa lei
janelas dos céus aos seus filhos fiéis e (continua na pág. seguinte)

Fevereiro de 1951 35
DIZIM O T Senhor e nenhum dinheiro, em parte
tanto quanto o mais novo membro. De­ alguma, é mais honestamente adminis­
ve-se ensinar a todos os jovens, rapazes trado do que êsse.
ou moças a dar um décimo de sua renda Os mais curiosos sôbre o emprêgo do
ao Senhor. Êste deve ser dado com ale­ dízimo e a parte financeira da Igreja,
gria, gratidão e confiança no Senhor, a são geralmente aquêles que não pagam
fim de contribuir para a manutenção da o dízimo. O pagamento do dízimo exige
Igreja, propagação do Evangelho e bem- fé profunda nos princípios do Evange­
-estar dos necessitados. lho, o que inclui a confiança nos servos
D IZIM O significa um décimo. Por­ escolhidos e mantidos pelo Senhor.
tanto, aquêles que dão menos do que isso, O dízimo deve ser pago aos agentes
não estão pagando o dizimo, mas apenas autorizados da Igreja: — o Bispo P re­
contribuindo com alguma coisa para o sidente, os bispos das paróquias, presi­
trabalho do Senhor. O dízimo deve ser dentes dos ramos ou presidentes das
a décima parte do salário, juros ou ren­ missões. Tècnicamente deveria ser pago
das de uma pessoa. O dízimo do m er­ em mercadorias, isto é, o fazendeiro
cador deve ser a décima parte da renda contribuiria com um décimo de seus re­
líquida de sua loja; do fazendeiro, da banhos e searas, o profissional com suas
renda líquida de sua fazenda; do em­ rendas e assim por diante. Porém as
pregado, do salário que ganha. Dos dificuldades de transporte, acondiciona-
nove décimos que sobram então, êle tira mento e armazenagem tornam possível e
o necessário para pagar as suas despe­ até preferível o pagamento em dinheiro.
sas, taxas, economias, etc. . . Aquêle que O dizimo é uma lei menor. A lei
antes de pagar o dízimo, deduz das ren­ maior e mais perfeita é a da consagra­
das despesas de víveres, taxas ou qual­ ção, também conhecida como a Ordem
quer outra despesa, não está cumprindo de Enoc ou a Ordem Unida. Os Santos
o mandamento do Senhor. Se tôdas as dos Últimos Dias ainda nào alcançaram
pessoas fizessem o mesmo ninguém pa­ a perfeição necessária ao cumprimento
garia o dízimo, porque o dinheiro nunca dessa lei, por isso devem obedecer à lei
chegaria. Devemos lembrar-nos que essa do dízimo — lei equitativa, sob a qual
décima parte não nos pertence e sim ao o níquel da viúva tem tanto valor
Senhor. Não há pois argumento que quanto o ouro do milionário.
justifique o não seguirmos rigorosa­
mente o mandamento. Quando todos os membros da Igreja
O dízimo baseia-se na renda total, pagarem honesta e pontualmente os seus
porém se a natureza do comércio reque­ dízimos, então poderemos começar a
rer uma interpretação especial, deve-se pensar na lei da consagração e, então,
consultar o responsável pelo Ramo, ou o Senhor restabelecerá essa lei maior.
seja, o Bispo. Milhares de membros já prestaram
Pago o dízimo, não se deve indagar seus testemunhos de que a obediência a
de sua finalidade, porque êle é utilizado essa lei traz grande felicidade, aproxi­
para vários propósitos a fim de tornar ma-nos de Deus e resolve muitos pro­
possível à Igreja cumprir os deveres a blemas difíceis na vida. Todos devemos
ela confiados pélo Senhor no desenvol­ fazer um 'convênio individual com o Se­
vimento do “ Plano de Salvação.” Con­ nhor, que nos deu a vida e tudo o que
forme revelação recente, o dízimo é tem os; um convênio no qual nos com­
administrado pela presidência da Igreja, prometamos a obedecer a tôdas as Suas
assistida pelo conselho dos Doze e pelo leis inclusive a do dízimo.
Bispo presidente. Êles o distribuem com Tenhamos confiança no Senhor, pois
escrupuloso cuidado, pois pertence ao êle não nos falha.
36 A LIAHONA
Endereços dos Ramos da Igreja no Brasil
SÃO PAULO: Rua Seminário, 165 1.° and. CURITIBA: Rua Dr. Ermelino de Leão, 451
CAMPINAS: Rua Cesar Bierrenbach, 133 PONTA GROSSA: Rua 15 de Novembro,
SOROCABA: Rua Saldanha Marinho, 54 354, 3.° andar
RIBEIRÃO PRÊTO: Rua Alvares Cabral, 93 PôRTO ALEGRE: Av. New York, 72
SANTOS: Rua Paraiba, 94 NOVO HAMBURGO: Rua David Canabar-
ro, 77
RIO DE JANEIRO: Rua Camaragibe, 16 Pontos adicionais para informações:
(Tijuca) PIRACICABA: Vila Boyce, Rua Alfredo, 5
JOINVILLE: Rua Frederico Hübner RIO CLARO: Rua 5, 1539
IPOMÉIA: Estrada para Videira BAURÜ: Rua Rio Branco, 1152

SABE VOCE L E R ? ................................


haverá tempo de sobra para se observar
(Continuação da pág. 29 o maestro. As leituras sacras e outras
leituras orais melhorarão também, pois
puderãü ser concebidos por meio da o leitor poderá dedicar parte do seu
seleção de grupos de palavras mestras. tempu a observar o seu auditório. A
As pessoas que têm o dom de escolher pessoas que lê grupos de palavras geral­
ou selecionar grupos estratégicos de a- mente lê bem em voz alta. Seus olhos e
lavras que abrangem os pensamentos pensamentos não têm dificuldades em
essenciais, podem ler muitas páginas em manter-se à frente da sua língua.
tempo relativamente curto. A compreen­ Ensinemos, quando possível estas
são das idéias dos autores é naturalmen­ cousas nas classes e organizações da
te o objetivo da leitura. Se é apenas Igreja. Tornemo-nos verdadeiramente
preciso compreender o tema geral da um povo literato. Isto significará melhor
matéria de leitura, sem detalhes, basta compreensão do Evangelho, melhor en­
tirar-se uma conclusão. sinamento, trabalho missionário melho­
O progresso da leitura muito melho­ rado, estudo mais eficiente, mais belo
rará a qualidade das reuniões da nossa canto e melhor leitura oral, Ajudar-
Igreja. O canto em grupo ou congrega­
ção também melhorará porque as pessoas nos-á individual c coletivamente a mar­
que vêem um grupo de palavras numa char para a perfeição. O Senhor disse:
única fixação serão também, capazes de "Sêde portanto perfeitos." (São Ma-
ver um grupo de notas numa fixação, e theus 5 :48.)

Traduções neste numero: Você Sabe Ler?, por Jessie Thomas Steagall;
História Curta da Igreja, por Lia Carneiro; Sede Vós Perfeitos, por Dora
Potenza Veiga: Editorial e Igreja no Mundo, Hony Castro e Vitoria
Andraus.

Fevereiro de 1951 J
37
RAMO DE PONTA GROSSA RAMO DE PÔRTO ALEGRE
Os membros e amigos de Ponta Grossa O mês de dezembro foi de muita ativi­
ficaram muito sentidos com a transferência dade em nosso meio. O “Closing Mutuo”
do Elder Jack Brown para o Ramo de Pôrto que realizamos no dia 2 estêve muito con-
Alegre. Estamos contudo seguros de que ccrridcl Foi com muita satisfação que
lá êle vai se esforçar tanto quanto o fêz constatamos a presença de muitos amigos
aqui em nosso Ramo, durante os nove me­ e irmãos na nossa festinha que, graças aos
ses que estêve conosco. Foi muito bem- esforços do Elder James Crawley, foi um
vindo o Elder Donal Lyman, que veio to­ sucesso.
mar o lugar do Elder Brown. No dia 8 realizamos mais um piquenique
Os Élderes Scott Taggart e Thomas Jen- à prais de Belém Novo. Não estêve muito
sen visitaram o Ramo de Ipoméia. Eles concorrido devido à incerteza do tempo
visitaram todos os membros naquela cidade quando pela manhã nos reunimos, mas os
e os acharam muito atarefados na colheita que foram gostaram muito. Na volta, de
do trigo. Ipoméia teve muito pouca sorte caminhão, ensaiamos alguns cantos do
com a colheita, pois uma chuva de granisos “Vamos Cantar”.
fêz com que se perdesse uma parte da A nota predominante nas atividades do
mesma. mês de dezembro aqui foi a comemoração
A Snrta. Amália Bauer, filha do Presi­ do Natal que realizamos na nossa sede so­
dente do Ramo, o Snr. Gotthif Bauer se­ cial. Nunca a nossa comunidade viveu mo­
guiu para São Paulo com dois élderes que mentos de maior alegria e fraternidade.
viajavam para a mesma cidade. Ela vai Contamos nada menos de 90 pessoas amigas
trabalhar na Casa da Missão durante êste presentes, o que certamente representa um
ano. record para as atividades sociais do nosso
O Natal êste ano, para os élderes e para ramo. Naquela noite, 23 de dezembro, o
os membros de Ponta Grossa foi muito fes­ Papai Noel nos visitou e distribuiu uma lem-
tivo. A irmã Maria Rosa Gaertner e seu brancinha a cada um dos presentes. De­
espõso, o Snr. Arnaldo Gaertner celebraram pois tomamos refrescos e comemos pipocas
as suas bodas de prata no dia 26. Muitos com melado. Os “comes e bebes” estive­
amigos e conhecidos lá estiveram para ram a cargo dos Missionários, tarefa da
cumprimentar o casal e expressar-lhe as qual se sairam muito bem, pois todos come­
"suas simpatias. Foi servida uma farta mesa ram bastante e gostaram muito. Devemos
de iguarias e os élderes ajudaram a consu­ também mais êste sucesso ao espírito en­
mir grande parte das mesmas. Os élderes tusiástico e infatigável do nosso diretor
querem aproveitar esta oportunidade para social, o Elder Crawley.
expressar os seus votos de que o Snr. e a Foi com muito pesar que vimos “nosso”
Snra. Gaertner tenham uma vida feliz e bom Elder Wood ser transferido para Curi­
cheia de venturas no futuro como têm tido tiba; o Elder Wood estava em nosso meio
até hoje, e pedem a Deus que Êle abençoe desde julho passado. Aqui deixou-nos a
o casal de tal maneira que êle continue sem­ todos muito saudosos.
pre mais e mais a prosperar no caminho do Também o Presidente do nosso ramo, o
Senhor. Elder Don Lyman

38 A LIAHONA
Elder Dellenbach nos deixou, êle voltou para niões ficou lotada. Depois das apresenta­
casa depois de estar em nosso meio por ções chegou o Papai Noel com um grande
três anos. O Elder Dellenbach partiu de saco, cheio de presentes para a criançada.
Pôrto Alegre no dia 18. A êle e ao Elder Os presentes foram oferecidos pela Socie­
Wood os nossos corações agradecidos pelo dade de Socorro, a qual preparou também
muito que fizeram em nosso meio. cestas de, doces, comida e vestidos para
Para substituir o Elder Dellenbach, veio as viúvas do ramo.
o Elder Jack Brown, de Ponta Grossa. É Todos ficaram comovidos com a festa que
êle agora o Presidente do nosso Distrito foi dirigida pelo presidente do nosso dis­
aqui no sul. trito, o Elder Rowland P. Stoll que de­
Temos ainda em nosso meio, e êste foi o monstra muita vontade de que o nosso ra­
último a chegar, o Elder Winegar. Está mo cresça dia a dia.
conosco desde alguns dias, êle nos trouxe Aproveitamos a oportunidade para enviar
muito boas-novas do ramo do Rio. a todos os irmãos e amigos os nossos me­
RAMO DE JO INVILE lhores votos de feliz Ano Novo e que Deus
os abençoe. Apesar de enviarmos as feli­
Sentimos muito prazer em mandar aos citações um pouco tarde, o fazemos de
leitores de “A LIAHONA” as notícias do coração.
ramo de Joinvile. Yolanda Doher
O Bazar anual da Sociedade de Socorro RAMO DE CURITIBA
efetuou-se no dia 15 de dezembro, na oca­
sião do encerramento das atividades da A. Nesses dias de provações, quando Satanás
M.M. no ano de 1950. Como era de es­ está “procurando destruir as almas dos ho­
perar, essa realização foi um sucesso. A mens” — D & C 10:27, enviamos aos justos
Sociedade de Socorro deu início à festa com em todo o mundo os nossos cumprimentos e
algumas canções e uma t-xplicação sôbre as nossas orações, e aos Santos, renovando
o propósitp do Bazar, depois todos foram nosso testemunho, enviamos nossas boas-
convidados a ver a exposição dos trabalhos -novas.
que foram feitos durante o ano. A expo­ Foi muito esperada a conferência entre os
sição foi feita num dos salões da Igreja. ramos de Ponta Grossa, Joinvile e Curitiba.
Havia muita coisa bonita, como tôcas, ta­ A. A. M.M. organizou uma festa especial
petes, aventais e vestidos para crianças. que constou de cachorro quente, refrescos,
Também havia um pequeno bar com doces, baile, pinguepongue, etc.
salgados, refrescos e leite. Realmente foi um sucesso para todos os
Enquanto alguns lidavam no bazar e no que puderam assistir à Escola Dominical
bar, a mocidade se divertia num animado e à Conferência propriamente dita. Mem­
baile. Houve muita curiosidade e entusis- bros, amigos e missionários enriqueceram o
mo em torno do Bazar. Os trabalhos tive­ seu testemunho no Evangelho de Jesus
ram boa saida, e tudo correu num ambiente Cristo.
de cordialidade e de alegria. Em poucas Nesta ocasião foi organizada a presidên­
palavras, foi um sucesso. cia do ramo, de Curitiba, ficando como se­
Também tivemos a festa do Natal, que gue: Presidente — Eloy Ordacowsky, l.o
realizamos no dia 23, com início às 20,30. Conselheiro — Leugim de Paula, 2.o Con­
Com o auxilio dos membros e amigos da selheiro — Egon Hermann, Secretaria —
Igreja e da A.M.M., apresentamos um dra­ Laura Ordacowski.
ma intitulado “O Primeiro Natal.” Tam­ Ê desde o mês de agôsto que possuímos
bém apresentamos muitos cânticos de Natal uma bem ativa tropa de escoteiros, contando
em inglês, alemão e português, muitas cri­ com mais de 40 elementos. E’ de notar que
anças recitaram poesias. nenhum dos rapazes, com exceção do chefe,
Nossa árvore estava lindamente enfeita­ é membro da Igreja, o que absolutamente
da, e a sala onde organizamos nossas reu­ não impede o desenvolvimento de um es­
Fevereiro de 1951 39
pírito de amor, tolerância, cooperação e au­ Igreja e leitores dessa inspiradora revista
xilio ao próximo. e que o ano de 1951 seja cheio de venturas
Renovamos os nossos mais profundos e felicidades a todos os irmãos e amigos.
sentimentos para com todos os membros da A Presidência

Homem e Vida...
A vida neste planeta seria tuna delicia se não houvesse as múl­
tiplas inconveniências das pessoas que o habitam. São elas as causa­
doras de todos os aborrecimentos existentes. O pior inimigo do ho­
mem é ele próprio, que começou a atirar a responsabilidade de suas
transgressões sôbre outros, no Paraíso, e continua a fazer o mesmo.
A maior parte da dor, da tristeza e da miséria da vida é de
invenção puramente humana. Xo entanto, ele covarde, irreverente­
mente ousa atribuir a responsabilidade do que acontece a Deus. O
que nos acontece de mau vem do falo de transgredirmos as leis
naturais, físicas, mentais e morais, Estas ele as conhece mas não
lhes dá importância, pensando que pode escapar às suas conseqüências,
de algum modo. Mas a sábia natureza nos diz: "Aquêle que quebra
paga". Não há leis mortas, nos divinos livros dos estatutos da vida.
Quando um homem permite que uma procissão com tochas acesas
atravesse uma sala cheia de pólvora, não é justo que alegue que a
explosão decorrente seja “ um desígnio misterioso da Providência."
Xove décimos da miséria, do infortúnio e da infelicidade dêste
mundo são evitáveis. Os jornais diários são os grandes divulgadores
do desnecessário, pois se comprazem em relatar parágrafo após pará­
grafo, coluna após coluna, página após página as tristes histórias dos
acidentes, dos desastres, dos crimes, dos escândalos, das fraquezas
humanas e dos pecados que poderiam ser evitados se nos detivés-
semos em analisar a causa profunda de tais acontecimentos, não hesita-
riamos em determinar-lhes a origem — o êrro ou a fraqueza humana,
ocasionadoras do descuido, da desatenção, da negligência do dever, da
avareza, da raiva, do ciúme, da dissipação,. do abuso de confiança, do
egoísmo, da hipocrisia, da vingança e da desonestidade, — algumas das
cem faces do que sé pode evitar.
Na economia divina do universo, a maior parte da maldade, da
dor e do sofrimento é desnecessária, ainda que bem orientada, e,
talvez mesmo, evitável.
O que acontece no geral, é por culpa nossa. O próprio mundo
nada mais é do que a fôrça dos pensamentos, das palavras e das
ações de milhões que viveram ou ainda vivem, como nós.
Os mesmos que são responsáveis pela causa das nossa mágoas
evitáveis, devem trabalhar para transformá-las para o bem.
IVilliam Jorge Jordan

40 A LIAHONA
Allan B. Laídlazv
Monterrey Park, .Calif. „ Rulott
San
Stoker
Diego, Califórnia

Novos Missionários
na
Oswaldo Franca
Missão Brasileira Sorocaba, Est. de S. Paulo

Gaylord A . McCaUson
Sacramento, Califórnia Com prazer transcrevemos a carta rece­
bida este mês do Elder Tohannes A.
Alius:
Montreai, Canadá:
GARTAS á redação Meus Queridos Irmãos e Amigos:
Temos em mão uma carta do Ramo de
Campinas, sugerindo-nos a criação.de uma Sabei.*, que não tenho tempo de escre­
coluna social no nossa revista, a “LIAHO­ ver-vos a todos. Mas daqui, pela gen­
NA”. Diz que desta maneira poderiam ser tileza da redação de “ A L IA H O N A ”
registrados os aniversários e as festas que posso enviar-vos os meus sinceros votos
os membros dão. para um bom 1951.
Agradecemos a sugestão. Esperamos con­ Sempre me lembro dos amigos e ir­
tudo que mais alguém se manifeste a res­ mãos brasileiros, e aguardo com ansie­
peito. Por enquanto achamos que a maio­ dade a oportunidade de voltar à terra
ria das notícias pode ser incluída no onde "o céu azul é mais azul.” E de
“Fumo dos Ramos”, e, talvez fôsse melhor fato, parece que 1951 será o ano em que
para nós todos, se escrevessem mais sôbre poderei tornar-me brasileiro mais uma
os membros e amigos e menos sôbre os vez.
missionários, nesta coluna que está ao dis­ Peço a Deus que vos abençoe a todos
por de todos. vós.
Escrevam mais sôbre vocês mesmos, os Sinceramente,
membros, pois esta é a sua revista! Elder Alius
Pelo Apóstolo Marcos E. Peterson, do Conselho dos doze da Igreja

Num dos mandamentos do sermão da montanha o Salvador


disse: “ Sêde vós, pois, perfeitos, como o Pai que está no céu é
perfeito.” (S. Mat, 5:48)
Paulo nos conta que a organização da Igreja nos foi dada, entre
outras razões, para a perfeição dos Santos. Apesar de seu manda­
mento e da sua declaração, há muitas pessoas que acreditam que é
impossível para nós chegarmos a ser perfeitos. A perfeição não é
para esta vida,- é o que dizem, portanto, para que tentar?
Devo dizer que acredito de todo meu coração que se o Senhor
tivesse alguma idéia de que nós não pudéssemos principiar, 11a mor­
talidade, a marcha para a perfeição, Êle nunca nos teria dado êsse
mandamentos, nem Êle nos teria dado a organização da Igreja para
a perfeição dos Santos.
Acredito que de muitos modos, aqui e agora 11a mortalidade,
nós podemos começar a nos aperfeiçoar. Um certo grau de perfeição
é alcançável nesta vida. Eu acredito que nós podemos ser cem por
cento perfeitos, por exemplo, com a abstinência do uso do chá e do
café. Nós podemos ser cem por cento perfeitos com a abstinência
de bebida alcoólica e fumo. Nós podemos ser cem por cento perfeitos
pagando um completo e honesto dizimo.
Nós podemos ser cem por cento perfeitos com a abstinência de
duas refeições no dia de jejum e dando ao bispo (ou presidente
do ramo) como oferta de jejum o valor daque'.as duas refeições das
quais nós nos abstivemos. Nós podemos ser cem por cento perfeitos
guardando o mandamento que diz que nós não devemos profanar
o nome de Deus. Nós podemos ser cem por cento perfeitos guar­
dando 0 mandamento que diz: “‘Não cometerás adultério.” Nós po­
demos ser perfeitos guardando o mandamento que diz: “ Não rou-
barás”. Nós podemos nos tornar perfeitos guardando vários outros
mandamentos que o Senhor nos deu.
Eu estou certo de que um dos grandes desejos do Senhor nosso
Deus é que nós guardemos êsse grande mandamento que d iz: “ Sêde
vós, pois, perfeitos. (M at. 5:48.) e que nós possamos fazer assim é
minha humilde prece.