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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS


FACULDADE DE QUÍMICA

TEORIA DOS ÁCIDOS E BASES

Belém
Março/2016
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS
FACULDADE DE QUÍMICA

ELIZA PRÍNCELA LOBATO LEMOS - 201510940027


JAMILE SILVA DA COSTA - 201510940012
LARISSA MAYARA ALVES DE OLIVEIRA - 201510940014
RAFAEL MAIA DE OLIVEIRA - 201510940019
RENAN CAMPOS E SILVA - 201510940001

TEORIA DOS ÁCIDOS E BASES

Trabalho sobre as teorias de ácidos e bases


referente à disciplina de Química Inorgânica Básica.
Com orientação do Prof. º Dr. Luiz Acácio Centeno.

Belém
Março/2016
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................. 3
2. O conceito de ácidos e de bases segundo a teoria de Svante Arrhenius ...................... 4
3. A força de ácidos e bases de Arrhenius – acidez e basicidade em solução aquosa ...... 4
4. Acidez de Bronsted – o próton em solução aquosa e o equilíbrio em solução............. 6
5. O efeito nivelador e diferenciante ............................................................................... 10
6. As tendências periódicas na acidez de Bronsted ........................................................ 10
7. A polimerização dos aquaácidos ................................................................................. 14
9. Reações entre ácidos e bases de Lewis........................................................................ 16
10. O conceito e a classificação de ácidos e bases duros e moles (ou macios). A
interpretação da dureza. .................................................................................................... 17
11. As consequências químicas da dureza de ácidos e bases ........................................ 18
12. A teoria do sistema solvente. Solventes ácidos e solventes básicos – parâmetros do
solvente ............................................................................................................................... 19
13. CONCLUSÃO ......................................................................................................... 22
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 23
3

1. INTRODUÇÃO
Como surgiram as definições de ácidos e bases?
O que essas definições permitem entender?
As definições de ácidos e bases conhecidas atualmente foram resultado de estudos
desenvolvidos por muitos anos. Esses estudos tiveram a contribuição de vários cientistas que
expuseram algumas propriedades das substâncias que viriam a ser chamadas de ácidos e
bases.
Tendo com pioneiro o cientista sueco Svant Arrhenius, as teorias de ácidos e bases
ofereceram um importante parâmetro para entender as propriedades dos diversos compostos
iônicos. Segundo Arrhenius, ácidos são substâncias que em meio aquoso liberam H + e bases
são substâncias que, em meio aquoso, liberam OH-. A definição de Arrhenius apresenta
algumas limitações, pois se aplicava apenas a dissoluções em meio aquoso. Dessa forma, foi
contestada por vários cientistas da época.
Em 1923, Thomas Lowry e Bronsted formularam a teoria que afirma que ácidos são
substâncias capazes de doar um próton e bases podem receber um próton. Essa teoria abrange
não apenas soluções aquosas (como na teoria de Arrhenius). Entretanto, assim como a
Arrhenius, também apresentou limitações marcantes. Mais tarde, em 1923, surge a teoria
proposta por Gilbert Newton Lewis que definiu ácidos como substâncias receptoras de pares
de elétrons e bases como doadores de pares de elétrons e supriu as as falhas das teorias de
Arrhenius e Bronsted.
Essas teorias criaram um vasto campo de estudo e possibilitaram descrever as
características químicas dos compostos iônicos e suas propriedades físicas. O conhecimento
de tais características possibilitou o uso dessas substâncias em várias atividades cotidianas e
hoje é possível notar a aplicação delas em diversos produtos que são úteis no dia a dia como,
por exemplo, os remédios, alimentos, pesticidas, etc.
Assim, podemos perceber a utilidade das pesquisas feitas por Arrhenius, Bronsted e
Lewis para classificar ácidos e base e dessa forma compreender a funcionalidade desses
compostos, proporcionando o entendimento correto dos conceitos referentes a eles e as
aplicações dessas substâncias na vida moderna.
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2. O conceito de ácidos e de bases segundo a teoria de Svante Arrhenius


A primeira definição de ácidos e bases foi dada pelo químico sueco Svante Arrhenius
ao redor de 1884:
“Substâncias ácidas são aquelas que em solução aquosa dissociam-se em íons
hidrogênios”
“Substâncias básicas são aquelas que em solução aquosa dissociam-se em íons
hidroxilas”
A teoria de Arrhenius de ácidos e bases foi formulada com base na sua teoria de
ionização das substâncias em soluções aquosas. As substâncias que se dissociavam totalmente
ou em parte como íons em solução aquosa eram considerados eletrólitos. Aquelas que se
dissociavam totalmente eram eletrólitos fortes, as que não se dissociavam totalmente eram
eletrólitos fracos.
No caso dos ácidos fortes tais como H2SO4, HNO3, HCl, HClO4, os quais se ionizam
completamente em solução aquosa e fornecem íons hidrogênio (H +), a teoria de Arrhenius
funcionava perfeitamente. De modo semelhante, as bases fortes como o NaOH e KOH
também se ionizam completamente em solução aquosa e produzem íons hidroxilas (OH -). No
entanto, em certos casos, a teoria de Arrhenius não se aplicava bem onde a solução não era
aquosa e até mesmo nestas condições onde certas substâncias com caráter ácido ou básico não
forneciam íons H+ ou OH-, respectivamente. Como por exemplo, a amônia (NH3) não contém
íons hidroxila, porém em solução aquosa ela pode produzir íons hidroxilas reagindo com a
água:
NH3(aq) + H2O → NH4OH → NH4+(aq) + OH-(aq)
3. A força de ácidos e bases de Arrhenius – acidez e basicidade em solução aquosa
De acordo com a definição de Arrhenius, ácido forte é aquele que reage
completamente com a água, formando íons H3O+. Abaixo são tabelados os nomes e as
fórmulas moleculares de seis dos ácidos fortes mais comuns. São ácidos fortes porque,
quando se dissolvem em água, dissociam-se completamente, formando íons H3O+.
HCl + H2O → Cl- + H3O+
Os ácidos fracos produzem uma concentração bem menor de íons H3O+. O ácido
acético, por exemplo, é um ácido fraco. Ele existe na água basicamente como molécula de
ácido acético; apenas algumas moléculas de ácido acético (4 em cada 1.000) são convertidas
em íons acetato.
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CH3COOH(aq.) + H2O(l) ↔ CH3COO-(aq.) + H2O(aq.)


Ácido acético Íon acetato
Existem quatro bases fortes bastante conhecidas, todos hidróxidos de metais. São
bases fortes porque, quando dissolvidas em água, ionizam-se completamente, formando íons
OH-. Outra base, Mg(OH)2, dissocia-se quase completamente uma vez dissolvida, mas é
também bastante insolúvel em água. A amônia é uma base fraca porque o equilíbrio para essa
reação com água encontra-se bem mais deslocado para a esquerda.
Tabela 1: Ácidos e bases fortes e fracos
Fórmula do ácido Nome Fórmula da base Nome
HCl Ácido clorídrico LiOH Hidróxido de lítio
HBr Ácido bromídrico NaOH Hidróxido de sódio
HI Ácido iodídrico KOH Hidróxido de potássio
HNO3 Ácido nítrico Ba(OH)2 Hidróxido de bário
H2SO4 Ácido sulfúrico
HClO4 Ácido perclórico
Fonte: Introdução à química geral, orgânica e bioquímica

É importante compreender que a força de um ácido ou de uma base não está


relacionada à sua concentração. O HCl é um ácido forte, quer esteja concentrado ou diluído
porque se dissocia completamente na água em íons cloreto e hidrônio. O ácido acético é um
ácido fraco, quer esteja concentrado ou diluído, porque o equilíbrio para a sua reação com
água encontra-se bastante deslocado para a esquerda. Quando o ácido acético se dissolve em
água, a maior parte dele está presente como molécula de CH 2COOH não dissociada.
HCl(aq.) + H2O(l) ↔ Cl-(aq.) + H3O+(aq.)
CH3COOH(aq.) + H2O(l) ↔ CH3COO-(aq.) + H3O+(aq.)
Ácido acético Íon acetato
Eletrólitos (substancias que produzem íons em solução aquosa) podem ser fortes ou
fracos. Os ácidos e as bases fortes da Tabela 1 são eletrólitos fortes. Quase todos os outros
ácidos e bases, eletrólitos fracos.
Alguns ácidos e bases importantes
ÁCIDOS FORTES: O ácido sulfúrico, H2SO4, é usado em muitos processos
industriais, tais como a produção de fertilizantes, tinturas, pigmentos, e raiom. De fato, o
ácido sulfúrico é uma das substâncias químicas mais produzidas nos Estados Unidos.
O ácido clorídrico, HCl, é um ácido importante nos laboratórios de química. O HCl
puro é um gás e o HCl dos laboratórios, uma solução aquosa. O HCl também é o ácido do
suco gástrico, no qual é secretado a cerca de 5% w/v.
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O ácido nítrico, HNO3, é um forte agente oxidante. Uma simples gota sobre a pele faz
surgir uma mancha amarela, pois o ácido reage com as proteínas da pele. O surgimento de
uma coloração amarela, no contato com o ácido nítrico, há muito tem sido um teste para
proteínas.
ÁCIDOS FRACOS: O ácido acético, CH3COOH, está presente no vinagre (cerca de
5%). O ácido acético puro é chamado ácido glacial por causa de seu ponto de fusão em 17°C,
o que significa que gela em um dia moderadamente frio.
O ácido bórico, H2BO3, é um sólido. Soluções de ácido bórico em água já foram
usadas como antissépticos, especialmente para os olhos. O ácido bórico é tóxico quando
ingerido.
O ácido fosfórico, H3PO4 é um dos ácidos fracos mais fortes. Os íons que ele produz –
H2PO4, HPO42- e PO43- são importantes em bioquímica.
BASES FORTES: O hidróxido de sódio, NaOH, também chamado barrela, é a mais
importante das bases fortes. É um sólido cujas soluções aquosas são usadas em muitos
processos industriais, incluindo a fabricação de vidro e sabão. O hidróxido de potássio, KOH,
também um sólido, é utilizado, em muitas situações, com a mesma função de NaOH.
BASES FRACAS: A amônia, NH3, a base fraca mais importante, é um gás cujo uso
industrial é bastante amplo. Uma de suas principais utilizações é em fertilizantes. Uma
solução a 5% é vendida em supermercados como agente de limpeza, e soluções mais fracas
são usadas como “espíritos de amônia” para despertar pessoas que desmaiam.
O hidróxido de magnésio, Mg(OH)2, é um sólido insolúvel em água. Uma suspensão
em Mg(OH)2, 8% em água é chamado leite de magnésia e usado como laxante. O Mg(OH) 2
também é usado para tratar água residuária em industrias que processam metais e como
retardante de chama em plástico.
4. Acidez de Bronsted – o próton em solução aquosa e o equilíbrio em solução
Segundo a teoria de ácidos e bases de BrØnsted e T.M. Lowry (1923), um ácido é uma
substância que pode doar um próton, que é o íon H+, e uma base é uma substância que pode
aceitar um próton. Essas definições se aplicam mesmo em soluções não aquosas.
Um exemplo de um ácido de BrØnsted é o ácido cianídrico, HCN, que pode doar um
próton para outra molécula, tal como a água, quando ele se dissolve em água:

HCN(aq.) + H2O(l) → CN-(aq.) + H3O+(aq.)


Ácido Base
Um exemplo de base de BrØnsted é a amônia, NH3, que pode receber um próton de
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um doador de próton:
H2O(l) + NH3(aq.) → NH4+(aq.)+ OH-(aq.)
Ácido Base
Equilíbrio de transferência de próton em água
BrØnsted afirma que toda reação ácido-base é reversível. A principal característica do
ácido-base de BrØnsted é que o equilíbrio de transferência de próton é rapidamente atingido.
Logo, podemos representar as reações assim:
HCN(aq.) + H2O(l) CN-(aq.) + H3O+(aq.)
H2O(l) + NH3(aq.) NH4+(aq.)+ OH-(aq.)
A) Ácidos e bases conjugados
Cada uma das reações direta e inversa, dadas acima, que dependem da transferência de
próton de um ácido para uma base, é expressa escrevendo-se o equilíbrio de BrØnsted geral
como
Ácido1 + Base2 Ácido2 + Base1
Onde os números indicam os pares conjugados. A espécie Base 1 é chamada de base
conjugada do Ácido1, o Ácido2 é o ácido conjugado da Base2. A base conjugada de um ácido é
gerada após a perda de um próton. O ácido conjugado de uma base é a espécie formada
quando um próton é ganho. Todas as reações entre um ácido e uma base de BrØnsted
envolvem a transferência de um próton e tem dois pares ácido-base conjugados.
Nos exemplos anteriores
HCN(aq.) + H2O(l) CN-(aq.) + H3O+(aq.)
Ácido Base Base conjugada Ácido conjugado

H2O(l) + NH3(aq.) NH4+(aq.)+ OH-(aq.)


Ácido Base Ácido conjugado Base conjugada

Tabela 2: Exemplos de pares de ácidos e bases conjugadas


Substância Ácido Base conjugada
Ácido clorídrico HCl Cl-
Ácido acético CH3COOH CH3COO-
Ácido nítrico HNO3 NO3 -
Água H2O OH-
Íon hidrônio H3O+ H2O
Íon bicarbonato HCO3- CO32-
Cloreto de amônio NH4Cl NH3
Fonte: Shriver e Atkins, química inorgânica, 2008

Na Tabela 2, estão alguns exemplos de pares ácido-base conjugados. E como pode-se


observar os pares diferem entre si apenas em um próton.
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B) A força dos ácidos e bases de BrØnsted


A definição de Lowry- BrØnsted sugere que um ácido forte é aquele que possui uma
maior tendência para transferir um próton para uma outra molécula. E, uma base forte é
aquela que possui uma grande afinidade por elétrons. A força do ácido pode ser medida
quantitativamente através da constante de acidez (ou “constante de ionização ácida”), Ka:
[𝐻3𝑂+][𝐶𝑁−]
HCN(aq.) + H2O(l) CN-(aq.) + H3O+(aq.) Ka = [𝐻𝐶𝑁]

Ou de uma forma geral:


[𝐻3𝑂+][𝑋−]
HX(aq.) + H2O(l) H3O+ + X-(aq.) Ka = [𝐻𝑋]

Um valor da constante de acidez muito pequeno (Ka≪1) indica que esse ácido é fraco.
Logo, somente uma fração muito pequena de moléculas está desprotonada em água. A fração
de moléculas desprotonadas depende da concentração do ácido.
A força da base também pode ser expressa em termos de uma constante de equilíbrio,
a constante de basicidade, Kb:
[𝑂𝐻−] [𝑁𝐻4+]
H2O(l) + NH3(aq.) NH4+(aq.)+ OH-(aq.) Kb = [𝑁𝐻3]

Ou de uma forma geral:


[𝑂𝐻−][𝐵𝐻+]
B(aq.) + H2O(l) BH+(aq.) + OH- (aq.) Kb = [𝐵]

Como no caso da constante de acidez, se (Kb≪1) a base é um receptor de próton fraco


e seu ácido conjugado está presente em baixa abundância em solução. Somente uma pequena
fração das moléculas de estão protonadas em água.
Portanto, quanto maior a constante de acidez, maior a capacidade de o ácido doar
prótons; quanto maior a constante de basicidade, maior capacidade a base tem de aceitar
prótons.
A água pode doar um próton a uma base e tornar-se um íon OH-, ou aceitar um próton
de uma molécula de ácido para formar um íon H3O+. Esse comportamento classifica a água
como uma substância anfiprótica.
A autoprotólise (ou “auto-ionização”) da água mostra que ocorre transferência de
prótons entre as moléculas de água até mesmo em água pura. Devido ao fato da água ser
anfiprótica, ela pode se comportar como ácido ou como base. Existe um equilíbrio de
transferência de próton mesmo na ausência de ácidos ou bases.
2 H2O (l) H3O+ (aq) + OH- (aq)
Um íon H+ (hidrônio) é um próton que não é capaz de existir separadamente em água.
H+ combina-se com a água formando o íon hidrônio, H3O+, ou outros aglomerados, tais como
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H5O2+ e H9O4+.
No caso da água também existe uma constante de equílibrio, a constante de
autoprotólise, Kw:
Kw = [H3O+] [OH-]
O valor experimental de Kw é 1,00x10-14 a 25°C. A constante de autoprotólise nos
permite expressar a força de uma base em termos da força de seu ácido conjugado por:
KaKB=Kw
Quanto mais forte o ácido, mais fraca será sua base conjugada; quanto mais forte a
base, mais fraco será o seu ácido conjugado.
Como mostrado a força de ácidos e bases podem ser previstos através da contante de
acidez e constante de basicidade, respectivamente, além dos valorers do pKa e pKb que são
calculados através do logaritmo da constante de acides ou de basicidade.
pK= -log K
Com relação ao pKa, quanto menor o seu valor, maior será a força do ácido em
questão. A reação ocorre na direção da formação das espécies mais fracas. Nesse caso, a
reação tenderá na direção a favor da doação do próton para a água. Relacionando, o pKa com
Ka, eles são inversamente proporcionais. Portanto, um ácido forte terá uma constante de
acidez pequena e um pKa relativamente grande. Em um ácido fraco ocorre o contrário, o
equilíbrio tenderá contra a doação do próton para a água.
Uma base forte é uma espécie que está, na prática, toda protonada em solução, ou seja,
praticamente todas as moléculas da base forte formam íons OH -. Uma base fraca apenas uma
pequena parte das moléculas formam o íon OH -.
C) Ácidos polipróticos
Um ácido poliprótico são substâncias com mais de um hidrogênio ionizável. Essas
substâncias se ionizam em etapas e possuem várias constantes de acidez de acordo com o
número de etapas e de prótons H+ disponíveis ionizáveis. Logo, a acidez desses prótons serão
diferentes. O ácido sulfúrico H2SO4 é um ácido diprótico, como possui dois hidrogênios
ionizáveis, a ionização ocorrerá em duas etapas e terá duas contantes de acidez.
H2SO4(aq.) + H2O(l) HSO4- + H3O+(aq.) Ka1 = 102
HSO4-(aq.) + H2O(l) SO42-(aq.) + H3O+(aq.) Ka2 = 1,2x10-2
De acordo com o exemplo acima, Ka1 é maior que Ka2, o que evidencia que H2SO4 é
um ácido mais forte que HSO4-. Geralmente o valor de Ka2 será menor que o valor de Ka1, pois
é mais difícil a remoção do segundo H.
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5. O efeito nivelador e diferenciante


Percebe-se que a teoria de BrØnsted possui uma limitação, pois o grau em que uma
substância dissolvida pode atuar como ácido ou como base depende do solvente, e um soluto
apresenta propriedades ácidas somente se sua capacidade de doar prótons superar a do
solvente.
Se tivermos dois ácidos fortes, ambos doarão o próton para a água formando o íon
H3O+. Logo, independente da força de cada um desses ácidos a solução terá a acidez do H 3O+.
Por isso a água é considerada um solvente nivelador. Em um solvente nivelador, vários ácidos
dissociam-se completamente e exibem a mesma força. Portanto, é impossível distinguir a
força deles em água.
Para medir a força entre eles é necessário usar um solvente menos básico, suas forças
podem ser distinguidas, esse solvente causa o efeito diferenciante. Por exemplo, os ácidos HI
e HCl são ácidos fortes em água. Se o ácido acético, um receptor de prótons mais fraco,
substituir a água como solvente, nenhum desses ácidos sofrerá uma dissociação total. Assim é
possível medir a força entre eles.
No caso das bases a situação é praticamente a mesma. Uma base forte em água é capaz
de sofrer ionização quase completamente e formar íons OH-. Da mesma forma, não é possível
medir a força desse receptor de H+. Para que uma base seja nivelada é preciso que o pKa seja
maior que o pKsol (solvente).
Quanto maior a constante de autoprotólise de um solvente, mais esse solvente tem a
capacidade de distinguir uma grande variedade de forças de ácidos e bases.
6. As tendências periódicas na acidez de Bronsted
As definições de Brönsted e Lowry enfocam a transferência de próton (íon hidrogênio
H+). Um ácido de Brönsted é um doador de próton, enquanto uma base de Brönsted é um
receptor de próton. O próton doável pela espécie é chamado de próton ácido, para diferir de
outros prótons participantes na molécula, como a água, quando o mesmo se dissolve em água.
Há três espécies de ácidos a considerar:
A) Aquaácido: o próton ácido está em uma molécula de água coordenada a um íon
metálico central.
B) Hidroxoácido: o ácido protônico (a saber, protônico: emissão de próton) está no
grupo hidroxo sem um grupo oxo vizinho (=O). (ex.: Si(OH)4)

C) Oxoácido: o próton ácido está no grupo hidroxo com um grupo oxo ligado ao mesmo
átomo. (ex.: H2SO4 (O2S(OH)2))
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As três espécies de ácidos podem ser consideradas como estágios sucessivos na


desprotonação (perca de prótons) de um aquaácido.
-2H+ 2- -H+ -
H2O – E – OH2 HO – E – OH OH – E = O3
Aquo-ácido Hidroxo-ácido Oxo-ácido
Os aquaácidos possuem aspectos de átomos centrais em estado de oxidação baixos, de
metais dos blocos s e p, e de metais situados à esquerda do bloco p. Os oxoácidos são
geralmente encontrados onde o elemento central detém um estado de oxidação alto. Um
elemento localizado à direita do bloco p, em um dos seus estados de oxidação intermediários,
pode também fornecer um oxoácido (por exemplo, HClO2).
Tendências periódicas nas forças de aquaácidos
As forças de aquaácidos particularmente aumentam com o aumento da carga positiva
do íon metálico central e com o decréscimo de raio iônico. Isto pode ser entendido através de
um modelo iônico, onde o cátion metálico é representado por uma esfera carregada de cargas
positivas z. Devido ao episódio de que os prótons são mais facilmente removíveis de uma
vizinhança de cátions de alta carga e pequeno raio, o modelo prevê que a acidez aumentaria
com o aumento de z e com o decréscimo em r.
Vários íons do bloco d (tais como Fe2+ e Cr3+) encontram-se satisfatoriamente
próximos à mesma linha reta, porém muitos íons (em destaque aqueles com baixo pKa,
relacionados a uma força ácida alta) desviam-se acentuadamente dela. Este desvio prova que
os íons metálicos repelem mais vigorosamente o próton que está saindo do que é previsto pelo
modelo iônico.
Para os últimos metais do bloco d e p (como Cu 2+ e Sn2+, respectivamente), as forças
dos aquaácidos são bem maiores do que o modelo iônico prediz. Para estes tipos, a ligação
covalente é mais importante do que a ligação iônica e o modelo iônico não é aplicável. A
sobreposição entre os orbitais metálicos e os orbitais de um oxigênio ligante aumenta da
esquerda para a direita ao longo de um período e de cima para baixo em um grupo; deste
modo os íons aquosos de metais pesados do bloco d tendem a ser mais fortes.
A) Oxoácidos simples
Oxoácidos simples são ácidos mononucleares (possuem apenas um núcleo), que
contém um átomo do elemento de origem. Eles contêm H 2CO3, HNO3, H3PO4 e H2SO4. Estes
oxoácidos são formados pelos elementos eletronegativos do lado superior direito da tabela
periódica e por outros elementos em estado de oxidação elevado. Há também na tabela a
presença de moléculas planares B(OH)3, H2CO3 e HNO3, todavia nenhum de seus análogos
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nos últimos períodos.


B) Oxoácidos substituídos
Um ou mais grupos –OH de um oxoácido pode ser substituído por outros grupos para
iniciar uma sequência de oxoácidos substituídos, que incluem ácido fluorossulfúrico,
O2SF(OH), e ácido aminossulfúrico, O2S(NH2)OH. Pelo motivo do flúor ser altamente
eletronegativo, ele retira elétrons do átomo central de S e dá ao S uma carga positiva efetiva
maior. Assim, o ácido substituído é um ácido mais forte do que o O 2S(OH)2. Outro
substituinte receptor de elétrons é o CF3, como no ácido forte o ácido trifluorometilsulfônico,
CF3SO3H (ou seja, O2S(CF3)(OH)). Em discordância, o grupo NH2, que tem par eletrônico
solitário, pode doar densidade eletrônica ao S pela ligação π.
C) Regra de Pauling
As forças notadas em oxoácidos mononucleares podem ser sistematizadas aplicando-
se duas regras semi-empíricas criadas por Linus Pauling:
1- Para o oxidoácido OpE(OH)q, Pka ≅ 8-5p.
2- Os valores sucessivos de pKa de ácidos polipróticos (aqueles com q>1),
aumentam em 5 unidades para cada transferência de próton sucessiva.
Os hidroxoácidos neutros com p=0 têm pKa ≅ 8, ácidos com um grupo oxo têm
pKa≅3, e ácidos com dois grupos oxo têm pKa1 ≅ -2. Um exemplo é o ácido sulfúrico,
O2S(OH)2, que tem p=2 e q=2, e pKa ≅ -2 (significando um ácido forte). Semelhantemente,
pKa2 é predito ser +3, o qual está razoavelmente próximo ao valor experimental de 1,9.
Outra forma para saber a força de um oxoácido, é subtrair a quantidade de oxigênios
de sua fórmula pelo número de hidrogênio ionizáveis disponíveis no ácido:
FORTE: Quando o resultado da subtração for igual ou superior a 2. Veja alguns
exemplos:
— H2SO4 (ácido sulfúrico)→ 4 - 2 = 2
— H4P2O7 (ácido pirofosfórico) → 7 - 4 = 3
MODERADO: Quando o resultado da subtração for 1. Veja alguns exemplos:
— H3PO4 (ácido fosfórico) → 4 - 3 = 1
— HClO2 (ácido cloroso) → 2 - 1 = 1
FRACO: Quando o resultado da subtração for 0. Veja alguns exemplos:
— H3BO3 (ácido bórico)→ 3 - 3 = 0
— HBrO (acido bromoso)→ 1 - 1 = 0
Observação: O H2CO3 é uma exceção à regra para determinar a força de um oxoácido.
A subtração do número de oxigênios pelo número de hidrogênios é igual 1, mas ele é um
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ácido fraco. Esse fato foi comprovado experimentalmente.


A força dos ácidos pode ser avaliada ainda por intermédio do cálculo do chamado grau
de ionização, representado pela letra α. Para calcular esse grau, basta dividir o número de
moléculas ionizadas pelo número de moléculas adicionadas na água inicialmente. Depois,
basta multiplicar por 100 para formar uma porcentagem.
nº de moléculas ionizadas
α= nº de moléculas inicial

D) Anomalias estruturais
Um uso curioso das regras de Pauling é detectar anomalias estruturais. Por exemplo, o
ácido carbônico, OC(OH)2, é normalmente conhecido como tendo pKa1=6,4. Porém as regras
preveem pka1=3. A acidez baixa anômala indicada pelo valor experimental é a consequência
de tratar a concentração de CO2 dissolvido como se todo ele fosse H2CO3. Todavia, no
equilíbrio
CO2(aq.) + H2O(l) ↔ OC(OH)2 (aq.)
somente cerca de 1% de CO2 dissolvido está presente como OC(OH)2; desta forma, a
concentração real do ácido é muito menor do que a concentração de CO 2 dissolvido. Quando
esta diferença é considerada, o valor de pKa1 verdadeiro é cerca de 3,6, como as regras de
Pauling propõem.
O valor de pKa de CO2, assim como de outros óxidos não metálicos atentam para um
fato importante, que é o de que nem todos reagem com a água para formar ácidos. Outro
exemplo é o monóxido de carbono (CO), apesar de ser formalmente o anidrido do ácido
fórmico, HCOOH, ele verdadeiramente não reage com a água à temperatura ambiente para
originar o ácido.
E) Óxidos anidros
Estamos referindo os oxoácidos como derivados da desprotonação de seus relativos
ácidos aquosos. Vale também ponderar o ponto de vista oposto e considerar os aquaácidos e
os oxoácidos como derivados da hidratação dos óxidos do átomo central. Isto destaca as
propriedades ácidas e básicas dos óxidos e suas conformidades com a localização do elemento
na tabela periódica.
F) Óxidos ácidos e básicos
Um óxido ácido é aquele que dissolvido em água, se liga a uma molécula da mesma e
libera um próton para a vizinhança do solvente.
CO2(g) + H2O(l) → [OC(OH)2](aq.)
[OC(OH)2](aq.) + H2O(l) ↔ [O2C(OH)]-(aq.) + H3O+(aq.)
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Uma observação próxima é que um óxido ácido é aquele que reage com uma base
aquosa (um álcali).
CO2(g) + OH-(aq.) → [O2C(OH)]-(aq.)
Um óxido básico é um óxido que recebe próton quando se dissolve em água.
CaO(s) + H2O(l) → Ca2+(aq.) + 2 OH-(aq.)
Uma observação próxima é que um óxido básico é aquele que reage com um ácido.
CaO(s) + 2 H3O+(aq.) → Ca2+(aq.) + 3 H2O(l)
A natureza dos óxidos ácidos e óxidos básicos podem correlacionar-se com outras
propriedades químicas. Em boa parte dos casos, as correlações decorrem dos óxidos básicos
sendo em boa parte iônico e dos óxidos ácidos sendo em boa parte covalente. Distintivamente,
elementos metálicos formam óxidos básicos e elementos não metálicos formam óxidos
ácidos.
G) Anfoterismo
Um óxido anfótero é aquele que reage com ácidos e bases.
Óxido de zinco + ácido forte → age como um óxido básico
ZnO(s) + H2SO4(aq.) → ZnSO4(aq.) + H2O(l)
Óxido de zinco + base forte → age como um óxido ácido
ZnO(s) + 2NaOH(aq.) → Na2ZnO2(aq.) + H2O(l)
A característica dos anfóteros é vista para elementos mais leves dos grupos 2 e 3,
como em BeO, Al2O3 e Ga2O3. É também observado para alguns elementos do bloco d em
estados de oxidação elevados, tais como TiO2 e V2O2, e alguns elementos mais pesados dos
grupos 4 e 5, como SnO2 e Sb2O5.
Não existe um modo simples de prever o início do anfoterismo. Todavia,
presumivelmente cabe a habilidade do cátion metálico para polarizar os íons óxidos que o
rodeiam, ou seja, introduzir covalência à ligação metal-oxigênio. O grau de covalência
geralmente aumenta com o estado de oxidação do metal.
A fronteira entre os metais e os não ametais na tabela periódica se caracteriza pela
formação de óxidos anfóteros.
7. A polimerização dos aquaácidos
Segundo o conceito, aquaácidos são compostos nos quais o próton está em uma
molécula de água coordenada a um íon metálico central. Pode-se exemplificar esta definição
com as seguintes reações:
E(OH2)(aq.) + H2O(l) ↔ E(OH)- (aq.) + H3O+ (aq.)
A polimerização dos aquaácidos ocorre geralmente com a elevação do pH da solução
15

que contém um íon metálico.


Com o aumento do pH de uma solução, os aquaíons metálicos que formam óxidos
básicos ou anfóteros geralmente sofrem polimerização e precipitação. Pode-se observar tal
fato quando há a separação de íons metálicos. Nesta reação a precipitação acontece de
maneira quantitativa em um pH característico.
Os polímeros mais comuns são formados pelo Fe(III) e pelo Al(III), ambos abundantes
na crosta terrestre. Em soluções ácidas, ambos formam hexaaquaíons octaédricos,
[Al(OH2)6]3+ e [Fe(OH2)6]3+. Em soluções com pH inferior a 4, ambos precipitam como
óxidos gelatinosos:
Os elementos do grupo 1 e 2 da tabela periódica, exceto o Be 2+(anfótero), não têm
espécies de grande relevância em soluções além dos íons hidratados M + e M2+.
[Fe(OH2)6]3+(aq.) + (3 + n)H2O(l) → Fe(OH)3 . nH2O(s) + 3 H3O+(aq.)
[Al(OH2)6]3+(aq.) + (3 + n) H2O(l) →Al(OH)3 . nH2O(s) + 3 H3O+(aq.)
Os polímeros precipitados que são na maioria das vezes de dimensões coloidais,
cristalizam lentamente em formas minerais estáveis.
Esses polímeros são de grande importância porque são responsáveis pela maior parte
da massa de oxigênio da crosta terrestre, pois incluem quase todos os silicatos minerais. Eles
também incluem os fosfatos poliméricos (como o ATP), usados na transferência de energia
nas células vivas.
Para os primeiros íons do bloco d, a formação desses polioxoíons é importante para o
V(V), Mo(VI), W(VI) e, em menor extensão para o Nb(V), Ta(V), Cr(VI). Eles são formados
quando uma base é adicionada a soluções aquosas de íons ou óxidos em estado de oxidação
elevado. Alguns não-metais também formam polioxoânions, porém suas estruturas diferem
dos seus análogos do bloco d.
Entre diversos exemplos, vale ressaltar a importância dos silicatos que são oxoânions
poliméricos com propriedades relevantes. O MgSiO3 é um exemplo de mineral polissilicato,
que contém uma cadeia finita de unidades SiO32-. Também é importante ressaltar a
importância dos fosfatos como exemplos de polioxoânions.
8. O conceito de ácidos e bases segundo a teoria de Lewis
O modelo de ácido-base proposto por Gilbert Newton Lewis, em 1923, eliminou as
restrições de Brönsted-Lowry (reações com transferência de prótons e átomo de hidrogênio
ionizável) e ampliou notavelmente a concepção de ácidos e bases em diversas reações. Assim,
Lewis definiu que:
Ácidos são receptores de pares de elétrons;
16

Bases são doadores de pares de elétrons.


O ácido de Lewis é uma espécie que, em reação, aceita um par de elétrons. Segundo,
SOLOMS (2001), todo átomo deficiente de elétrons pode representar um ácido de Lewis,
desse modo; qualquer espécie positiva que perde elétron (cátion) é um ácido de Lewis, porque
comumente aceita elétrons para formar ligações; e os compostos no qual o átomo principal
não possui o octeto completo (orbitas vazios) são capazes de receber elétrons para completar
seu octeto (ex.: 𝐵𝐶𝑙3 , 𝐴𝑙𝐶𝑙3 , 𝐵𝐹3 ).
Os conceitos de base são muitos semelhantes na teoria de Lewis e Brönsted-Lowry,
então partindo da perspectiva estrutural, a base de Lewis não se altera em nenhum aspecto
essencial do conceito de Brönsted-Lowry, ou seja, a base (em ambos conceitos) são doadores
de elétrons.
9. Reações entre ácidos e bases de Lewis
“Quando uma base de Lewis doa um par de elétron a um ácido de Lewis, forma-se
uma ligação coordenada” (ATKINS, Peter. LORETTA, Jones, p. 464), isto é, ligação que
ocorre a doação de um par inteiro ao outro átomo. O produto de uma reação de ácido e base
de Lewis é denominada de aduto (derivado do latim adductus) que significa adição, conforme
a reação abaixo entre 𝑁𝐻3 e água na formação de 𝑁𝐻4 :

Na reação, o amônio (𝑁𝐻3 ) quando dissolvido em água, atua como uma base de Lewis
ao doar um par de elétrons e a água recebendo esse par de elétrons, um ácido de Lewis (e
também de Brönsted-Lowry) formando uma ligação covalente entre o hidrogênio e a amônia,
o aduto 𝑁𝐻4 .
Outra reação clássica de ácido-base de Lewis é:
17

O 𝑁𝐻3 reage com 𝐵𝐹3 , o amônio doando elétrons e triofluoreto de boro recebendo
elétron, respectivamente. Percebe-se que este átomo viola a regra do octeto, pois se torna
estável com apenas um sexteto de elétrons formando uma ligação covalente.
Nas reações orgânicas, os compostos que possuem átomos com orbitais vazios, atuam
como ácidos de Lewis.
Outra base característica de Lewis é o íon oxido:

Nesse caso o íon oxigênio (𝑂2− ) faz ligação com o trióxido de enxofre (𝑆𝑂3 ), criando
um rearranjo eletrônico na obtenção do produto íon sulfato, 𝑆𝑂42− .
10. O conceito e a classificação de ácidos e bases duros e moles (ou macios). A
interpretação da dureza.
Para Brönsted, o próton (H+) foi o receptor substancial do par eletrônico sobre a força
ácida e básica. Ao tratar de ácidos e bases de Lewis, reconhecemos uma gama de variedade de
receptores e desta maneira mais fatores que influenciam as interações entre doadores de par
eletrônico e receptores.
Classificação dos ácidos e das bases
- Ácidos duros tendem a ligar-se a bases duras
-Ácidos moles tendem a ligar-se a bases moles
Esta classificação de ácidos e bases duros e moles foi originada por Ralph G. Pearson
para distinguir entre os dois tipos de comportamento. É substancial notar que espécies duras,
tanto ácidas como bases, tendem a ser espécies pequenas, pouco polarizáveis e que os ácidos e
bases moles tendem a ser grandes e mais polarizáveis.
As duas classes são tidas na ordem oposta das forças (medida pela constante de
equilíbrio, Kf, para a formação do complexo) com as quais eles formam complexos com bases
de íons haletos:
- Ácidos duros unem-se na ordem: I- < Br- < Cl- < F-
- Ácidos moles unem-se na ordem: F- < Cl- < Br- < I-
18

As constantes de equilíbrio aumentam subitamente do F- para o I- quando o ácido é o


Hg2+, denotando que o Hg2+ é um ácido mole. A tendência é menos inesperada, porém na
mesma direção, para Pb2+, que mostra que este íon é um ácido mole de fronteira.
A interpretação da dureza
A ligação entre ácidos e bases duros pode ser interpretada aproximadamente como
interações iônicas ou dipolo-dipolo. As interações entre ácidos e bases duros são
predominantemente eletrostáticas, e as interações entre ácidos e bases moles são
predominantemente covalentes. Apesar do tipo de formação de ligação ser a principal razão
para a diferenciação entre as duas classes, há outras contribuições para a energia de Gibbs da
formação de complexo e, portanto, para a constante de equilíbrio. São elas:
1- O rearranjo dos substituintes do ácido e da base, que pode ser fundamental
para permitir a formação do complexo.
2- A repulsão esférica entre os substituintes nos ácidos e nas bases.
3- O antagonismo com o solvente em reações em solução.
11. As consequências químicas da dureza de ácidos e bases
Os conceitos de dureza e de maciez ajudam a compreender grande parte da química
inorgânica. Por exemplo, eles são úteis para escolher as condições preparatórias e predizerem
as direções das reações e ajudam a interpretar o resultado das reações de metátese. Entretanto,
os conceitos sempre devem ser usados com a devida consideração para os outros fatores que
podem afetar o resultado das reações.
A tendência de os ácidos moles ligarem-se as bases moles e a de ácidos duros ligarem-
se a bases duras explica certos aspectos da classificação de Goldschmidt dos elementos em
quatro tipos, um esquema amplamente usado em geoquímica. Duas das classes são os
elementos litófílos, encontrados na crosta terrestre como minerais silicatos, incluem o lítio,
magnésio, titânio, alumínio e seus cátions que são duros, e os calcófílos que são
frequentemente encontrados com os minerais sulfetos (e selenetos, e teluretos) e incluem
cádmio, chumbo, antimônio e bismuto e seus cátions que são moles. Quando um ácido duro
reage com uma base dura a ligação formada é de caráter iônico e quando um ácido macio
reage com uma base macia, a ligação formada possui caráter covalente. Estes conceitos de
dureza e maciez são relativos, ou seja, eles não são rígidos, mas sim, relativos a um outro
ácido ou base. Um exemplo é o íon césio que é, geralmente, mais macio que o íon lítio e
ambos são metais alcalinos, que possuem uma relativa dureza.
19

12. A teoria do sistema solvente. Solventes ácidos e solventes básicos – parâmetros


do solvente
Começou a ser desenvolvida em 1905 por E. C. Franklin, principalmente para a
amônia (NH3) líquida, e depois por vários outros pesquisadores por generalização da teoria de
Arrhenius, a vários outros solventes. Essa teoria considera que todo solvente sofre uma auto-
ionização gerando um cátion (ácido) e uma base (ânion).
Solvente = cátion + ânion
Ácido é tudo que faz aumentar a concentração do cátion característico do solvente e
base é o que aumenta a concentração do ânion característico. A neutralização é a transferência
de prótons entre um ácido e uma base.
2H2O = H3O+ + OH-
2NH3 = NH4 + NH2-
2POCl3 = POCl2+ + POCl4 -
Esta teoria tem sido amplamente usada como um método de classificação das reações
de solvólise. Para exemplificar tal afirmação, podemos comparar a hidrólise de haletos não
metálicos por suas solvólises por solventes não-aquosos:
3H2O + OPCl3 → OP(OH)3 + 3HCl
6NH3 + OPCl3 → OP(NH2)3 + 3NH4Cl
Tem sido feito uso considerável destas analogias, especialmente no que se refere a
compostos de nitrogênio e suas relações com a amônia como solvente.
A maioria dos solventes é doador ou receptor de um par de elétrons e, portanto, são
ácidos ou bases de Lewis. As consequências químicas da acidez ou basicidade do solvente são
consideráveis, uma vez que elas ajudam a esclarecer as diferenças entre as reações em meio
aquoso e não aquoso. Assim uma reação de deslocamento frequentemente ocorre quando um
soluto se dissolve em um solvente e as reações subsequentes da solução também são,
geralmente, reações de deslocamento ou de metáfase. Por exemplo, quando o pentafluoreto de
antimônio se dissolve em trifluoreto de bromo, a seguinte reação de deslocamento ocorre:
SbF5 + BrF3(l) → BrF2+ + SbF6-
Nesta reação, o ácido de Lewis SbF5 retira o F- do BrF3. Um exemplo mais familiar de
um solvente participando de uma reação está na teoria de Bronsted. Nesta teoria, o ácido (H +)
sempre é considerado como complexado com o solvente, como no H 3O+, se o solvente é a
água, e as reações são tratadas como a transferência do ácido, o próton, de uma molécula do
solvente básico para outra base. Entre os solventes comuns, somente os hidrocarbonetos
saturados não possuem um significativo caráter de ácido ou base de Lewis.
20

As vantagens do enfoque da teoria dos sistemas solvente são de conveniência. Pode-se


tratar solventes não aquosos por uma analogia com água. Uma crítica a esta teoria é que ela se
concentra em reações iônicas em soluções e nas propriedades químicas do solvente,
negligenciando as propriedades físicas.
A) Solventes Básicos
Solventes com caráter de Base de Lewis são comuns. A maioria dos solventes polares
mais conhecidos, incluindo a água álcoois, éteres, aminas, dimetilsulfóxido (DMSO,
(CH3)2SO), dimetilformamida (DMF, (CH3)2NCHO), acetonitrila (CH3CN), são bases duras
de Lewis. O dimetilsulfóxido é um exemplo interessante de um solvente que é duro pelo seu
átomo de O doador e macio pelo seu átomo de S doador. As reações de ácidos e bases nestes
solventes são, geralmente, reações de deslocamento.
B) Solventes ácidos
A ligação de hidrogênio pode ser considerada como um exemplo da formação de um
complexo. A reação é entre A---H (o ácido de Lewis) e o B (a base de Lewis) e origina o
complexo convencionalmente simbolizado por A--H...B. Assim, para muitos solutos que
formam ligação de hidrogênio com um solvente, pode-se considerar que sua dissolução é
resultado da formação de um complexo. Como consequência desta visão, uma molécula ácida
de solvente é deslocada quando ocorre uma transferência de próton.
O dióxido de enxofre é um bom solvente ácido macio por dissolver a base macia do
benzeno. Hidrocarbonetos insaturados podem atuar como ácidos ou bases, usando seus
orbitais π ou π* como orbitais de fronteira. Os alcanos com substituintes eletronegativos, tais
como os haloalcanos (por exemplo, CHCl3), são significativamente ácidos no átomo de
hidrogênio.
C) Parâmetros do solvente
A entalpia de reação é uma medida quantitativa de basicidade do solvente para a
formação de um complexo e um ácido de referência. V. Gutmann selecionou o ácido forte de
Lewis SbCl5 em 1,2-dicloroetano para atuar como referência, a reação relevante sendo:
SbCl5 + :B →Cl5Sb B ∆HƟ
O ∆rHƟ / (Kcal mol-1) é chamada de número doador do solvente. Alguns valores
representativos são apresentados na tabela abaixo: Quanto maior o número doador, mais forte
será a base de Lewis.
21

Tabela 3: Números doadores e receptores (D.N. e A.N.) e permissividades relativas a 25


0
c
Solvente D.N A.N ɛt
Ácido acético 59,2 6,2
Acetona 17,0 12,5 20,7
Benzeno 0,1 8,2 2,3
Tetracloreto de carbono 8,6 2,2
Dietil éter 19,2 3,9 4,3
Dimetilsulfóxido 29,8 19,3 45
Etanol 19,0 37,1 24,3
Piridina 33,1 14,2 12,3
Tetrahidrofurano 20,0 8,0 7,3
Água 18 54,8 81,7
Fonte: V. Gutmann, coordenation chemistry in nanoqueuos solutions. Springer-Verlag, Berlim (1968)

Dessa forma, podemos dizer que as entalpias de reação se constituem em um


importante parâmetro para o solvente.
Outro importante parâmetro é o chamado número receptor. O número receptor é
parâmetro da medida do grau de acidez do solvente. Enquanto o número doador é parâmetro
de medida de basicidade do solvente. Dessa forma, podemos dizer que, quanto maior o
número receptor, maior será a acidez do solvente e de maneira análoga, quanto maior for o
número doador, maior será a basicidade do solvente.
22

13. CONCLUSÃO
Atualmente, são conhecidas várias soluções ácidas e básicas a partir da reação de
diferentes substâncias. E por consequência disso, fez-se imprescindível o agrupamento de
substâncias que apresentam propriedades semelhantes.
Na química Inorgânica, a definição de ácido-base é dada em função de possíveis
interações com outras moléculas. Para explicar o comportamento de uma determinada
substância, o desenvolvimento e também aprimoramento das Teorias de ácido-base nos
forneceu acessibilidade a novos métodos e identificação no estudo das reações de compostos
inorgânicos e orgânicos.
Na comparação das Teorias de ácido-base percebemos que, a teoria de Arrhenius se
restringe ao meio aquoso e a presença de 𝐻 +ou 𝑂 𝐻 −, enquanto a Teoria de Brönsted-Lowry,
abrange a de Arrhenius e amplia o conceito para substâncias não aquosas e ainda sugere a
existência de um próton ligado a uma molécula de agua formando o íon hidrônio 𝐻 3𝑂 +, e
então, a Teoria de Lewis engloba as teorias de Brönsted-Lowry e Arrhenius e expande o
conceito para substâncias não aquosas que não transferem prótons.
Portanto, a evolução dessa teoria, ao decorrer dos anos nos permitiu (e ainda permite)
melhor definir as reações de ácido ou base e interpretar os mecanismos de reação, tal como os
processos de quebra e formação de ligação entre moléculas e também examinar conceito
importantes sobre a relação entre estruturas e reatividade, e dentre outros aspectos envolvendo
ácido-base.
23

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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